Poder Constituinte
O poder constituinte é a autoridade máxima responsável por criar ou
modificar a Constituição, que é a norma fundamental de um Estado. É
uma expressão da soberania popular e define os fundamentos do Estado,
os direitos fundamentais e a organização política da sociedade. Ele pode
ser dividido em diferentes categorias, de acordo com sua função e
características.
Poder Constituinte Originário
É o poder que cria uma Constituição a partir do zero, estabelecendo a
ordem jurídica inicial de um Estado.
• Características:
o Inicial: Dá origem a uma nova ordem jurídica.
o Ilimitado: Não está sujeito a normas ou limites anteriores.
o Autônomo: Atua de forma independente de ordens jurídicas
preexistentes.
o Incondicionado: Não segue regras ou procedimentos formais.
• Tipos:
o Histórico: Refere-se à criação da primeira Constituição de um
Estado, quando este se forma.
▪ Exemplo: Constituição dos Estados Unidos (1787).
o Revolucionário: Surge em momentos de ruptura (revoluções,
golpes ou transições), quando uma nova Constituição
substitui a anterior.
▪ Exemplo: Constituição Brasileira de 1988 após a
ditadura militar.
Poder Constituinte Derivado
É o poder que altera, complementa ou adapta a Constituição existente,
sempre limitado pelas regras e princípios estabelecidos pela própria
Constituição.
• Características:
o Secundário: Deriva da Constituição originária.
o Subordinado: Deve respeitar os limites impostos pelo texto
constitucional.
o Condicionado: Atua de acordo com os procedimentos e regras
pré-definidos.
• Tipos:
o Reformador: Permite mudanças no texto constitucional, por
meio de emendas, respeitando os limites materiais (cláusulas
pétreas), formais e temporais.
▪ Exemplo: As emendas constitucionais no Brasil.
o Decorrente: Relaciona-se com a autonomia dos Estados-
membros para criar suas próprias Constituições, observando
os princípios da Constituição Federal.
▪ Exemplo: Constituição dos Estados brasileiros.
o Revisor: Previsto para revisões amplas e programadas da
Constituição, quando especificado no texto constitucional.
▪ Exemplo: Revisão prevista no art. 3º do ADCT da
Constituição de 1988, realizada em 1993.
Poder Constituinte Difuso
Refere-se à evolução e adaptação contínua da Constituição por meio de
interpretações realizadas pelos tribunais, moldando sua aplicação de
maneira implícita e dispersa.
• Características:
o Implícito: Não é formal ou oficial como os demais.
o Contínuo: Atua constantemente, acompanhando as
mudanças sociais.
o Disperso: Se manifesta em diversos atos e decisões judiciais.
• Exemplo: Jurisprudência que consolida novos entendimentos
constitucionais, como direitos fundamentais ou princípios
implícitos.
Poder Constituinte Supranacional
Surge em contextos de integração regional, com a criação de normas ou
instituições que se sobrepõem à soberania dos Estados-membros.
• Características:
o Limitado: Atua em matérias específicas definidas pelos
tratados de integração.
o Compartilhado: Envolve Estados que cedem parte de sua
soberania.
o Prevalente: As normas supranacionais podem ter força
superior às Constituições nacionais.
• Exemplo: União Europeia, onde o Direito Comunitário prevalece
sobre as Constituições nacionais em determinados casos.
Mutação constitucional é o fenômeno pelo qual o sentido ou
interpretação de normas constitucionais é alterado, sem que haja
modificação formal no texto da Constituição. Isso significa que o texto
permanece o mesmo, mas sua aplicação ou significado é adaptado para
refletir mudanças nas necessidades, valores ou circunstâncias sociais,
políticas, econômicas e culturais de uma sociedade.
Características principais:
1. Informalidade: O texto da Constituição não é alterado por meio de
emendas ou revisões formais, mas sim por interpretações diversas.
2. Flexibilidade: É uma forma de "atualização" constitucional que
permite a adaptação às mudanças sociais sem a necessidade de
processos legislativos formais.
3. Dinamicidade: Ajuda a manter a Constituição em sintonia com a
evolução da sociedade, garantindo sua aplicabilidade prática.
Exemplos de mutação constitucional no Brasil:
• Mudança na interpretação da "presunção de inocência": A
aplicação do princípio foi discutida em relação à execução
provisória da pena após decisão em segunda instância. Apesar de o
texto do artigo 5º, inciso LVII, da Constituição não ter sido alterado,
decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) adaptaram a
interpretação ao contexto jurídico e social.
• Direitos fundamentais em novas tecnologias: Interpretações
sobre privacidade e proteção de dados (art. 5º, X e XII da
Constituição) foram ajustadas para abarcar o ambiente digital, sem
alterações no texto constitucional.
A mutação constitucional é essencial para evitar que Constituições rígidas
se tornem obsoletas, permitindo que continuem relevantes e eficazes
diante de novas demandas.
1. Controle de Constitucionalidade
Conceito:
É o mecanismo jurídico que assegura a supremacia da Constituição,
verificando a compatibilidade das normas infraconstitucionais (leis e atos
normativos) com o texto constitucional.
Modalidades:
1. Preventivo: ocorre antes da norma entrar em vigor, realizado
geralmente no processo legislativo (ex.: atuação das comissões de
Constituição e Justiça).
2. Repressivo: ocorre após a norma entrar em vigor.
Formas de Controle:
• Difuso: realizado por qualquer juiz ou tribunal em um caso concreto.
o Exemplo: durante um processo, um juiz declara uma lei
inconstitucional por ferir direitos fundamentais.
• Concentrado: realizado por um tribunal constitucional ou corte
suprema (no Brasil, pelo STF).
o Exemplo: Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).
Principais Ações do Controle Concentrado:
• ADI: busca declarar a inconstitucionalidade de uma norma.
• ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental):
para proteger preceitos fundamentais ameaçados por atos
normativos ou omissões.
• ADC (Ação Declaratória de Constitucionalidade): busca confirmar
a constitucionalidade de uma norma.
Características:
• Supremacia da Constituição: base do controle.
• Universalidade: qualquer norma pode ser submetida ao controle.
2. Poder Constituinte
Conceito:
É a autoridade que cria ou modifica a Constituição de um Estado.
Espécies:
1. Originário: cria uma nova Constituição.
a. Características: inicial, ilimitado, autônomo e soberano.
b. Exemplo: Constituição de 1988 no Brasil.
2. Derivado: modifica a Constituição existente.
a. Reformador: realiza emendas constitucionais (art. 60 da
CF/88).
b. Decorrente: atribuído aos Estados para elaborar suas
Constituições Estaduais.
3. Difuso: ligado à interpretação e evolução da Constituição pela
sociedade.
Limitações do Poder Derivado:
• Materiais: não podem abolir cláusulas pétreas (ex.: direitos
fundamentais, separação de poderes).
• Formais: regras específicas de procedimento para emendas (art.
60).
• Circunstanciais: não podem ocorrer durante estados de sítio,
defesa ou intervenção federal.
3. Direitos e Garantias Fundamentais (Artigo 5º)
Divisão:
1. Direitos Individuais e Coletivos: direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade.
a. Exemplo: direito à liberdade de expressão (art. 5º, IV).
2. Direitos Sociais: saúde, educação, trabalho, moradia, lazer, entre
outros (art. 6º).
3. Direitos de Nacionalidade: definição de quem é brasileiro nato ou
naturalizado (art. 12).
4. Direitos Políticos: participação no processo eleitoral (art. 14).
5. Direitos Difusos e Coletivos: direitos que transcendem interesses
individuais (ex.: meio ambiente).
Características:
• Universalidade: aplicáveis a todos.
• Inalienáveis: não podem ser transferidos.
• Imprescritíveis: não perdem validade com o tempo.
• Efetividade: são exigíveis e protegidos judicialmente.
4. Artigos 1º ao 5º da Constituição Federal de 1988
Art. 1º – Fundamentos da República Federativa do Brasil
• Fundamentos: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana,
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, pluralismo político.
• Exemplo: A dignidade da pessoa humana guia a criação de políticas
públicas.
Art. 2º – Separação dos Poderes
• Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
• Característica: independentes e harmônicos.
Art. 3º – Objetivos Fundamentais da República
• Construir uma sociedade livre, justa e solidária.
• Garantir o desenvolvimento nacional.
• Erradicar a pobreza e reduzir desigualdades.
• Promover o bem de todos, sem preconceitos.
Art. 4º – Princípios nas Relações Internacionais
• Autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade entre
Estados, solução pacífica de conflitos.
Art. 5º – Direitos e Garantias Fundamentais
• Princípios: igualdade, legalidade, devido processo legal, liberdade
de expressão, inviolabilidade de domicílio, entre outros.
• Exemplos:
o Ninguém será submetido a tortura (art. 5º, III).
o É assegurado o direito de resposta proporcional ao agravo (art.
5º, V).
Resumo Geral
• Controle de Constitucionalidade: garante a supremacia da
Constituição por meios preventivos ou repressivos.
• Poder Constituinte: originário cria a Constituição, derivado a
modifica, com limites (ex.: cláusulas pétreas).
• Art. 5º: direitos fundamentais abrangem liberdades individuais,
sociais e coletivas.
• Art. 1º ao 5º: estabelecem os fundamentos, objetivos e direitos
básicos da República Federativa do Brasil.