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Brazilian Journal of Development 29965

ISSN: 2525-8761

Recuperação de áreas degradadas no Seridó Potiguar: o caso do


extrativismo mineral do município da Cidade de Equador/RN

Recuperation of degraded areas in the Potiguar Seridó: the case of


mineral extraction in the municipality of Equador/RN

DOI:10.34117/bjdv8n4-471

Recebimento dos originais: 21/02/2022


Aceitação para publicação: 31/03/2022

Zenon Sabino de Oliveira


Mestrado em Geografia/UFPE
Instituição: Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Humanidades,
Unidade Acadêmica de Geografia
Endereço: Rua Nilda de Queiroz Neves, 1334 -Apto. 1302, Bairro Bela Vista
CEP: 58428810, Campina Grande-PB
E-mail: zenonsabino@[Link]

Isabel Lausanne Fontgalland


Pós-Doutora em economia ambiental - Ohio University – EUA, PhD em Economia
UT1-Toulouse1 - França
Instituição: Universidade Federal de Campina Grande - UFCG
Endereço: R. Aprígio Veloso, 882 - Universitário, Campina Grande – PB
CEP: 58428-830
E-mail: isabelfontgalland@[Link]

RESUMO
Sabe-se que as atividades do extrativismo, geralmente envolvem vários fatores, levando-
se em conta o minerador, o poder público, a comunidade e o proprietário das áreas de
ocorrências minerais. Os quatro agentes, imprimem ações de ajustamentos ou de impacto
predatório, em cada um de seus stakes, imprimindo uma marca na comunidade.
Usualmente, as áreas de atividade mineradora apresentam impactos do ponto de vista
negativos que são instituídos como permanentes, conforme as condições topográficas do
relevo, que na maioria das vezes, não retornam às suas configurações originais. Dessa
forma, a composição da possível reabilitação da área explorada, torna-se imprescindível
segundo um plano de recuperação através da formação dos stakeholders e das
organizações envolvidas. Logo, é condição sine qua non que as ações de recuperação
sejam conjuntas consoantes ao mérito do desgaste, desgastamento e rebaixamento das
áreas em observância. O maior benefício, portanto, para a comunidade envolvida, é a
convivência com o meio ambiente de maneira segura. Neste trabalho quis-se apresentar
as atividades extrativas na região do seridó como impactantes no desenvolvimento
econômico mas que seus resultados podem se conformar num programa de recuperação
de áreas degradadas no Seridó potiguar, e mais precisamente na cidade de Equador, onde
essas atividades vêm ocasionando sérios danos ambientais considerados irreversíveis. Os
resultados apontam que uma das saídas é a aprovação do EIA/RIMA como o requisito
básico para que a mineração possa exercer suas atividades respeitando o Licenciamento
Ambiental.

Palavras-chaves: mineração, áreas degradadas, recuperação de áreas degradadas,

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recuperação de áreas degradadas.

ABSTRACT
It is known that the extractive activities of mineral activities generally involve several
factors, taking into account the miner, the government, the community and the owner of
the areas of mineral occurrences. The four agents, in each one of their stakes, imprint
actions of adjustment or predatory impact, imprinting a mark in the community. Usually,
the mining activity areas present impacts from a negative point of view that are instituted
as permanent, according to the topographical conditions of the relief, which in most cases,
do not return to their original configurations. Thus, the composition of the possible
rehabilitation of the exploited area, becomes essential according to a recovery plan
through the training of stakeholders and organizations involved. Therefore, it is a sine qua
non condition that the recovery actions are joint according to the merit of the wear and
tear, depletion, and debasement of the areas under observation. The greatest benefit,
therefore, for the community involved is to live with the environment in a safe way. In
this work, we wanted to present the extractive activities in the Seridó region as impacting
the economic development, but that their results can conform a program for the recovery
of degraded areas in the Seridó Potiguar, and more precisely in the city of Ecuador, where
these activities have been causing serious environmental damage considered irreversible.
The results point out that one of the ways out is the approval of the EIA/RIMA as the
basic requirement for mining activities to be carried out in compliance with the
Environmental Licensing.

Keywords: mining, degraded areas, recovery of degraded areas.

1 INTRODUÇÃO
Sabe-se que qualquer atividade antrópica provoca degradação ambiental, com
resultados contínuos em deterioração da qualidade ambiental, levando-se em conta os
elementos da água, do ar e do solo. Com as atividades do extrativismo mineral, não é
diferente, pois estas provocam degradação do meio ambiente, e comprometem, muitas
vezes em caráter intermitente, o futuro das novas gerações. Por outro lado,
paradoxalmente, são atividades essenciais, pois geram emprego e renda e não forçam,
portanto, a busca por atividades de substituição, no curto prazo.
A atividade de mineração constitui a movimentação de uma grande quantidade de
terra, deixando o solo exposto e de certa forma desestabilizado, sujeitando a vários
impactos ao longo da sua cadeia produtiva. Dessa forma, o surgimento de áreas
degradadas leva o ser humano a conviver com as consequências oriundas do impacto
ambiental que acaba prejudicando sua saúde, seu ambiente e, consequentemente, sua
qualidade de vida.
O Seridó Potiguar é marcado, desde a sua colonização, pelo desenvolvimento
socioeconômico, principalmente pela prática da mineração, atingindo gravemente os

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recursos ecossistêmicos do bioma da Caatinga. A área de estudo compreende o município


de Equador-RN, delimitado pelas coordenadas geográficas, latitude 06° 47' 00'' a 06° 59'
00'' S e longitude 036º 46' 00'' a 036º 33' 00'' W Gr., perfazendo uma área de
264,985 Km2, estando situado na Mesorregião Central Potiguar, Microrregião do Seridó
Oriental. Distante, aproximadamente, 270 km de Natal, Capital do Estado. O município
de Equador, limita-se com os municípios de Parelhas-RN, Santana do Seridó-RN, São
José do Sabugi-PB, Junco Do Seridó-PB e Tenório-PB, Figura 01, e está contida na Folha
Geomorfológica Jardim do Seridó (SB.24-Z-B-V) na escala 1:100.000, editada pela
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE.

Figura 1- Localização de Equador/RN

Fonte: Google Earth, 2021.

Na região do Seridó Potiguar, compreendendo o município da cidade de


Equador/RN, os impactos ambientais deixados pelo extrativismo mineral são alarmantes
e remontam às décadas passadas, tendo contribuído significativamente para a degradação
do meio ambiente natural. Não resta dúvidas que a atividade de mineração e garimpeira
na região trouxe significativo desenvolvimento econômico para os agentes envolvidos
com esse processo. Por outro lado, os impactos deixados por essas atividades refletem
num significativo impacto ambiental. À medida que as jazidas dos pegmatitos vão se
esgotando, essas deixam para trás, um grande passivo ambiental como depósitos de
rejeitos deixados aleatoriamente ao longo da cadeia produtiva, pilhas de gangas e bocas
de túneis e galerias abertas, ocasionando um perigo iminente aos que trafegam por esses
locais, constituindo numa degradação ambiental de proporções significativas.

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Para se chegar ao jazimento do veio do caulim, são retirados os capeamentos


superficiais do solo e da rocha encaixante, ocasionando um sério impacto, de acordo com
a foto 01. Antes esse material era extraído por atividades garimpeira, onde esses
escavavam túneis artesanais e abriam chafts (abertura vertical de chaminés), para a
retirada do material escavado no subsolo. Hoje, praticamente toda essa atividade é
realizada através de maquinários especializados, onde predomina um aumento
significante da cadeia produtiva e consequentemente de um maior impacto ambiental,
com área degradada necessitando de uma recuperação em todo o seu ciclo.

Foto 1 – Retirada do capeamento e extração da jazida de caulim

Fonte: Autores, 2022

Outra forma de impacto ambiental presente na área, diz respeito à retirada da


vegetação desse bioma, ocasionando um processo de desertificação, já constatado em
diversos artigos e pesquisas científicas, constituindo-se em um dos núcleos em processos
ativo e intenso de desertificação do espaço brasileiro, sendo esse Bioma da Caatinga

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conhecido como Núcleo Seridó Potiguar. Através da foto 02, é possível verificar-se que
boa parte da formação geomorfológica da Serra das Queimadas, onde temos a rocha.
encaixante do Quartzito Equador, que aprisiona os pegmatitos mineralizados, sendo
impactado pela retirada da vegetação original da Caatinga, ficando esse espaço desnudo
em muitos trechos desse bioma.

Foto 2 – Retirada da vegetação original do Bioma da Caatinga

Fonte: Autores, 2022.

2 CONJECTURA CONTEMPORÂNEA SOBRE ÁREAS DEGRADADAS


O processo de recuperação de áreas degradadas está previsto de acordo com a
Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981) e suas alterações. Além disso, o
artigo 225 da Constituição Federal deixa claro que "a conduta e as atividades consideradas
nocivas ao meio ambiente sujeitará os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções
penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar o dano''.
O Guia de Recuperação de Áreas Degradadas - SABESP (2003) define a
degradação ambiental como "as mudanças impostas pela sociedade aos ecossistemas
naturais alterando (degradando) as características físicas, químicas e biológicas,
comprometendo assim a qualidade de vida dos seres humanos".
Para Eggert (2000), é teoricamente simples pensar em sustentabilidade em relação
aos recursos renováveis, mas é mais complexo para o caso de recursos que existem em

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quantidades fixas. Assim, o conceito de desenvolvimento sustentável aparentemente é


conflitante com a atividade de mineração que, por definição, é baseada em recursos não
renováveis. Para alcançar um desenvolvimento sustentável, Tilton (1996) afirma que o
padrão atual de consumo de recursos esgotáveis não pode impor redução do padrão de
vida às gerações futuras. No entanto, nem todas as relações entre mineração e recuperação
se enquadram nessa categoria. Este estudo apresenta outra relação entre a mineração e a
recuperação da área degradada.
O Manual de Recuperação de Áreas Degradadas do IBAMA traz um conceito de
degradação relacionada à “alteração do equilíbrio do solo” ou uma “redução (...) da
qualidade do solo no desempenho de suas funções básicas”.
Especificamente em relação às atividades de mineração, Williams et al. (1990)
afirmam que a degradação ambiental “ocorre quando há perda de adaptação às
características físicas, químicas e biológicas e inviabiliza o desenvolvimento
socioeconômico”.
Em particular, as áreas de mineração se transformarão em áreas degradadas em
um determinado momento após intensificarem-se as extrações. Inevitavelmente, a
mineração causará degradação ambiental, e os stakeholders1 devem promover a
recuperação de áreas degradadas, em muitos casos obrigatória por força da lei.
A recuperação ambiental de uma determinada área resultará de uma série de
medidas que resultarão em uma solução para cada atividade de mineração potencialmente
impactante ou poluente, onde para tanto se observa as ações dos stakeholders. Griffith
(1995) estabelece alguns princípios para que essa recuperação (ideal) seja bem-sucedida.
O primeiro princípio está relacionado ao plano de recuperação, o segundo está
relacionado ao fato de a prática ser sinérgica em um esforço interdisciplinar e o terceiro
está relacionado ao planejamento de mudanças sistemáticas.
Ao empregar o termo “pegada ecológica” e utilizá-lo nos casos de áreas de
degradação, entende-se a área recuperada como uma tentativa de “apagar” as marcas
deixadas na área minerada. Evidentemente, enquanto as “pegadas” deixadas pelo homem
não podem ser simplesmente apagadas, elas podem ser minimizadas ou mitigadas.
Dessa forma, a recuperação de áreas degradadas é entendida como uma “aplicação
de técnicas de manejo para fazer um ambiente degradado se adequar a um novo, desde

1
Mineradores, agentes públicos e órgãos de defesa.

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que haja uso produtivo sustentável” (Sánchez, 2006).


No entanto, "a reabilitação (...) é o modo mais frequente de recuperação". E, “no
caso das atividades de mineração”, é a “modalidade (...) exigida pelo regulador”
(Sánchez, 2006). Conforme definido em lei, no artigo 3º do Decreto Federal 97.632/1989,
o conceito de Recuperação é a “devolução da terra degradada a uma forma de uso,
segundo um plano predeterminado de uso do solo, a fim de obter um desenvolvimento
sustentável".
As técnicas utilizadas para assegurar o uso adequado do solo são numerosas, mas
no geral todas compreendem as seguintes etapas: desmatamento, remoção e estocagem
do capeamento do solo, remodelagem final da área e revegetação, logo a figura 2
representa:

Figura 2 - Estágios de recuperação das áreas degradadas

(Fonte adaptada: Sánchez, 2006)

O caso mais particular de recuperação de área é a recuperação que melhora a


condição inicial. Aqui, a condição inicial é entendida como uma condição anterior. Por
exemplo, áreas de mineração degradadas onde a condição atual seria pós-minério de
interesse de mineração, ou após a degradação da área de mineração, e a condição inicial
seria aquela anterior à condição atual. Isso nos leva à condição de não interferência
humana, dificultando bastante a obtenção dessa recuperação, principalmente em áreas
degradadas pela mineração.
Levando-se em consideração as definições de recuperação de áreas degradadas,

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em última análise, a recuperação será a recuperação do solo. Dada a própria natureza da


atividade de mineração, a recuperação de áreas degradadas pela mineração é uma
tentativa de dar um novo uso (sustentável) à área após a cessação das atividades de
mineração.
O conceito de área degradada ou de paisagens degradadas pode ser compreendido
como locais onde existem (ou existiram) processos causadores de danos ao meio
ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de suas propriedades, tais como
a qualidade produtiva dos recursos naturais (DECRETO FEDERAL 97.632/89). Botelho
(2007) refere que um ecossistema degradado é aquele que após distúrbios, teve
eliminados, com a vegetação, os seus meios de regeneração biótica. Seu retorno ao estado
anterior pode não ocorrer ou ser bastante lento. Nesse caso, a ação antrópica é necessária
para a sua regeneração em curto prazo.
Nascimento (2007) inclui a degradação ambiental como consequência das
atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da
população; criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem
desfavoravelmente os fatores bióticos; afetem as condições estéticas ou sanitárias do
Meio Ambiente e lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos.
De acordo com Boels (1982) apud Bortot (2002 p. 45), “a degradação física do
solo é definida como uma mudança de suas prioridades físicas a qual influi negativamente
sobre a capacidade de regeneração do solo”.
Segundo Rocha (1997), o termo degradação vem sendo usado erroneamente. O
termo adequado para indicar um grau de poluição para qualquer recurso natural é
Deterioração, que segundo o mesmo autor é usado em diversos idiomas.
A degradação das terras envolve a redução dos potenciais recursos renováveis por
uma combinação de processos agindo sobre a terra. Tal redução, levando ao abandono ou
“desertificação” da terra, pode ser por processos naturais, tais como o ressecamento do
clima atmosférico, processos naturais de erosão, alguns outros de formação do solo ou
uma invasão natural de plantas ou animais nocivos. Pode também ocorrer por ações
antrópicas diretamente sobre o terreno ou indiretamente em razão das mudanças
climáticas adversas induzidas pelo homem (ARAUJO, 2005 p.19).
De acordo com Sánchez (1992), essa perda pode ser vista sob quatro perspectivas:
perda de capital ou patrimônio natural, perda de funções ambientais, perda da saúde ou
segurança do homem e até perda da qualidade da paisagem.

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[...] qualquer alteração adversa dos processos, funções ou


componentes ambientais, ou como uma alteração adversa da qualidade ambiental.
Em outras palavras, degradação ambiental corresponde ao impacto ambiental negativo.
A Lei da Política Nacional do Meio Ambiente no seu art. 3° § II – define
Degradação da Qualidade Ambiental como sendo a “alteração adversa das características
do meio A negativa''. Seu uso está quase sempre ligado a “uma mudança artificial ou
perturbação de causa humana é uma redução ambiental" (BRASIL, 1981).
Degradação ambiental é um termo de conotação não percebida das condições
naturais ou do estado de um ambiente” (SÁNCHEZ, 2006, p.26. apud. Johnson et al.,
1997). Os problemas da perda de biodiversidade, desertificação e alterações climáticas
estão intimamente interligados, como ilustrado na Fig. 3.

Figura 3: Quadro da biodiversidade, desertificação e alterações climáticas

Fonte: Biodiversity, land degradation, and climate change: Participatory planning in Romania Lindsay C.
Stringer a, S. Serban Scrieciu , Mark S. Reed

Do mesmo modo, as soluções para estes problemas que envolvem uma mudança
no uso do solo prevalecente podem ter impactos sobre outros problemas ambientais, e
não apenas a questão alvo a ser abordada através da intervenção (no nosso caso, terra
degradada). A florestação e reflorestação de áreas degradadas pode ter benefícios
ambientais mais amplos do que a estabilização de solos soltos dando à terra degradada

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um valor produtivo. A florestação pode também aumentar as reservas de carbono do solo,


em grande parte através do aumento da adição de matéria orgânica do solo (Macedo et
al., 2007). Isto tem implicações importantes para as alterações climáticas globais e os
objetivos da UNFCCC, uma vez que a matéria orgânica do solo representa o terceiro
maior reservatório terrestre de carbono, com um total global estimado de 1550 Pg C (Lal,
2004). A silvicultura também pode aumentar os stocks de biomassa (Paul, Polglase,
Nyakuengama, & Khanna, 2002), enquanto a plantação de espécies nativas pode ajudar
a aumentar a diversidade de habitats e promover o regresso, a sobrevivência expansão
das populações nativas de plantas e animais (Cowie, Schneider, & Montanarella, 2007),
contribuindo assim para os objetivos do UNCBD ( United Nations Convention on
Biological Diversity) . Francis e Read (1994) sugerem que o aumento do azoto do solo
produzido pela plantação de algumas espécies pode aumentar a capacidade do sistema
para apoiar uma comunidade mais complexa. Além disso, a plantação de novas florestas
pode ajudar a reduzir a pressão sobre as florestas naturais mais antigas, servindo como
novas fontes alternativas de produtos florestais. De fato, as áreas florestadas ou
reflorestadas podem contribuir para satisfazer a procura local de lenha, poderia ter
impactos positivos na paisagem mais vasta, reduzindo a pressão sobre as florestas de
outras regiões.
Ainda de acordo com Sánchez (2006, p. 26) a degradação de um objeto ou de um
sistema associa-se a perda de qualidade. Degradação ambiental seria então uma perda ou
deterioração da qualidade ambiental.
BARBOSA et al. (1992) recomenda para os trabalhos de recuperação os seguintes
passos: Pé-planejamento, desmatamento, remoção e estocagem do capeamento do solo,
Obras de engenharia na recuperação, Manejo de solo orgânico, Preparação do local para
plantio, Seleção de espécies de plantas, Propagação de espécies, Plantio, e
acompanhamento. Ver figura 4,

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Figura 4 - Representação das Etapas da recuperação de áreas degradadas

Fonte: (Bitar & Braga, 1995)

Observando-se a foto 03, verifica-se que a grande quantidade de material estéril


(ganga), depositado aleatoriamente próximo às mineradoras, além de provocar uma
poluição visual, esse material provoca também um processo de desertificação, tornando
o solo infértil para as pequenas atividades agrícolas, ocasionando pela sua acidez desse
material, um dos processos de desertificação no espaço estudado.

Foto 3 – Material de rejeito do caulim depositado pelas mineradoras

Fonte: Autores, 2022

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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É inegável como a paisagem de exploração mineral na Província Borborema, no
Seridó Potiguar, localizada no município da cidade de Equador/RN, vem constituindo
num espaço em que torna-se necessário e urgente uma recuperação em áreas degradadas.
A pouca fiscalização por parte do IDEMA e IBAMA e poder público faz com que essa
atividade polui e degrada o meio ambiente, sem qualquer preocupação com aqueles que
estão envolvidos com o extrativismo mineral. A aprovação do EIA/RIMA que é o
requisito básico para que a empresa de mineração possa pleitear o Licenciamento
Ambiental do seu projeto de mineração, praticamente inexiste no âmbito dessa atividade.
Nota-se uma falta de uma real integração intergovernamental e, também, um
entrosamento com a sociedade civil para a elaboração e estabelecer parâmetros e critérios
para o desenvolvimento sustentável da atividade mineral, garantindo a sua permanência
e continuidade face a seu papel exercido na construção da sociedade, dentro de normas e
condições que permitam a preservação do meio ambiente.
Em geral, a mineração provoca um conjunto de efeitos não desejados que podem
ser denominados de externalidades. Algumas dessas externalidades são: alterações
ambientais, conflitos de uso do solo, depreciação de imóveis circunvizinhos, geração de
áreas degradadas e transtornos ao tráfego urbano. Estas externalidades geram conflitos
com a comunidade, que normalmente têm origem quando da implantação do
empreendimento, pois o empreendedor não se informa sobre as expectativas, anseios e
preocupações da comunidade que vive nas proximidades da empresa de mineração
(BITAR, 1997).
Dessa forma, a recuperação dessa área degradada, vai ter como objetivo oferecer
ao ambiente degradado, condições favoráveis à reestruturação dos aspectos relacionados
à biodiversidade, levando-se em conta as condições físicas, químicas e biológicas do
espaço regenerar-se por conta própria. Então é imprescindível um estudo sistemático,
através de dados coletados em campo, para uma recuperação dessa área dos pegmatitos
da cidade de Equador, para mitigar ou haver recuperação permanente nessa área em foco.

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