O PROFETA DESCE À CASA DO OLEIRO
TEXTOS DE REFERÊNCIA = Jr 18.2 – 6
INTRODUÇÃO:
A casa do oleiro fazia parte de uma provável vila às margens do vale de
hinon no sudoeste de Jerusalém. Lugar propício à manipulação artesanal
da abundante argila ali existente fato que proporcionou o ajuntamento
dos profissionais do barro que jogavam os restos e cacos das suas obras
inúteis ali.
Ao lado de Hinon havia o lixão de Jerusalém, o monturo, onde eram
despejados os dejetos da cidade incluindo carcaças de animais sacrificados
e outros lixos que ali ardiam em fogo continuamente.
O nome hebraico “Geena” dado a este vale em função do mau uso deste,
inclusive por existir ali o altar do deus moloque, a quem eram sacrificadas
crianças, foi traduzido em varias passagens da bíblia para inferno. Alguns
comentaristas bíblicos como R.N. Champlin, fazem ligação da porta do
oleiro com a porta do monturo que dava acesso a este vale.
A parábola do capítulo 18 de Jeremias, que narra a sua descida à casa do
oleiro para ver este sobre suas rodas a amassar e trabalhar o barro,
Para o qual enquanto na mão do oleiro havia esperança de ser
transformado em vaso útil e bom,
Tem paralelo com a parábola do capítulo 19.1,2,10 que diz: Assim diz o
SENHOR: Vai, compra uma botija de oleiro, e leva contigo alguns dos
anciãos do povo e dos anciãos dos sacerdotes; sai ao vale do filho de
Hinon que está à entrada da porta do oleiro, e apregoa ali as palavras que
eu de disser; Então quebrarás a botija à vista dos homens que foram
contigo, quando este desce às regiões mais baixas, (o Vale de Hinon) e ali
quebra a botija, a qual a partir dali não servirá para mais nada além de ser
lançada em cacos no lixão do monturo, lugar de humilhação e desprezo.
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A parábola quer dizer ao povo de Israel que ainda estava nas mãos do
oleiro e assim teriam chance de um concerto, mas havendo rejeição por
parte deles, logo estariam como uma botija seca, despedaçada (Jr 19.10)
no Vale de Hinon (cativeiro).
1. SIMBOLISMO DO BARRO
Quando a bíblia diz que DEUS formou o homem do pó da terra, não diz
que pó é esse, mas está implícito nas gêneses, dos capítulos 1 e 2 que a
terra produziria erva e animais de diversas espécies, o que significa que
essa terra era de ótima qualidade e o pó que DEUS usou para formar o
homem, foi tirado desta mesma terra: Fértil, producente, composta de
micro organismos, minérios etc, capaz de gerar vidas procedentes do
humo.
Os termos: homem, Humano, Humildade, certamente são derivações da
palavra humo.
Todos os humanos são convidados a não esquecerem suas origens,
sempre que estes verem algum semelhante descendo pelas cordas ao
túmulo, lugar de onde veio logo conscientizar-se-ão, que devem ser
humildes por natureza.
É possível que DEUS ao determinar que seu profeta descesse à casa do
oleiro e de lar trouxesse uma mensagem, estivesse tentando faze-los
lembrar de que não passavam de vasos de barro, e que como tal, estava
sujeitos à autoridade e manobra do oleiro, realidade que não constitui
nenhuma razão para serem orgulhosos.
2. SIMBOLISMO DO OLEIRO E DA CASA
Casa é lugar sagrado, lugar de privacidade, particularidade, e é também
lugar de solidão.
É natural entendermos que por mais que seja bem relacionado, o
profissional artesão por força do seu ofício sempre trabalha sozinho,
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Pois sua obra não requer ajuda de outros para ser realizada.
Por questão de operacionalidade convinha que a casa do oleiro estivesse
em uma região mais baixa, em situação de humildade e simplicidade, sem
nenhuma formosura nem decoração que lhe fizesse um lugar desejável
pelos de fina linhagem, pois se entende que esta estava ás margens de um
vale, fato que justifica o termo usado pela bíblia, (levanta e desce à casa
do oleiro).
Descer significa abrir mão de está nos lugares altos arejados, de boa
localização e valorizados, significa separar-se das vantagens oferecidas
pela vida social, dos relacionamentos humanamente vantajosos para
proporcionar um relacionamento unicamente com DEUS,
Significa consagrar-se ao criador e se colocar ao seu inteiro dispor,
significa colocar-se voluntariamente em submissão e dependência DELE.
Atitudes estas que nunca fazem parte das agendas dos nobres, ricos,
viciados nas ostentações de hedonismo e luxúrias da vida social, coisas
que contrastavam com a recomendação divina para aquela nação, que
devia reconhecer suas misérias e descer para o vale do arrependimento e
humilhação, como único recurso contra a terrível sentença que se
aproximava.
A parábola em apreço é muito rica em simbolismo, com mensagens
espirituais de alto valor para a vida cristã. Para nós cristãos, descer à casa
do oleiro significa em primeiro lugar separar-se para da oportunidade à
comunhão com nosso SENHOR, se desfazer das agitações do cotidiano
para está às sós com DEUS, dá lugar ao agir de DEUS no nosso ser, aceitar
ser disciplinado, refeito, corrigido pelo SENHOR e sobre tudo ouvir e
receber de DEUS aquilo que ele quer transmitir aos homens através da
nossa instrumentalidade.
A casa do oleiro é lugar de transformar barro bruto em vaso útil, de
quebrar vasos velhos e inúteis para dá lugar a vasos novos.
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A jornada de um crente em direção ao Céu certamente tem início na casa
do oleiro, antes de qualquer degrau a subir precisamos descer até lá e a
partir dai começar nossa caminhada rumo ao Céu.
Se por acaso alguém já estiver em algum degrau no meio dessa escada,
sem ter passado por lá certamente em algum momento terá que descer
para recomeçar bem.
3. AS CASAS DO OLEIRO MAIS CONHECIDAS ENTRE NÓS
3.1 – Provações:
1 Pedro 4.12 - ”Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio
de vós, destinado a provar-vos como se alguma coisa extraordinária vos
estivesse acontecendo”.
Tiago 1.2,3 - “Meus irmãos tendes por motivo de toda alegria, por várias
provações, Sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada,
produz perseverança”.
Tiago 1.12 – “Bem aventurado o homem que suporta com perseverança a
provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida a qual o
SENHOR prometeu àqueles que o amam”.
3.2 Sofrimento:
1 Pedro 4.13 – “Pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois
coparticipantes dos sofrimentos de CRISTO, para que também na
revelação da sua glória vos alegreis exultando”.
Romanos 8.18 – Porque para mim tenho por certo que, os sofrimentos do
tempo presente, não são para comparar com a glória por vir a ser revelada
em nós.
3.3 – O silêncio de Deus:
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Salmos 83.1 – “Ó DEUS, não te cales; não te emudeças; nem fiques inativo,
ó DEUS”.
Salmos 109.1 – “Ó DEUS do meu louvor, não te cales”.
Habacuque 1.2 – “Até quando SENHOR clamarei eu e tu não me
escutarás? Gritar-te-ei violência e não salvarás?”
Exemplo: JESUS CRISTO no jardim do getsêmane.
4. LIÇÕES PRÁTICAS
Jr. 18:5 – “Então veio a mim a palavra do SENHOR” - Ai está o cerne da
questão.
Porque necessitamos de está às sós com DEUS? Tudo de DEUS é sugêneri,
Santo, especial, a sua palavra não pode se confundir com outras, sua
mensagem tem que ser bem compreendida, para que seus mensageiros,
profetas, despenseiros do seu reino não fazerem confusão ministerial no
exercício do seu chamamento.
Recomendações sobre isso, encontramos bem claras em: 1º Co 4.1 - que
diz: Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros
de CRISTO e despenseiros dos mistérios de DEUS; 1º Pd 4.11 – Se alguém
fala, fale de acordo com os oráculos de DEUS;... Necessário se faz,
portanto, ter-se uma vida de separação, de santificação às sós com ELE.
Sejamos então todos muito bem vindos à casa do oleiro.
Aqui estaremos nas mãos dele, ele e o seu barro em uma completa
interação, ele se joga sobre o seu barro, exercendo total domínio e
comunhão, com todo conhecimento e perícia necessários para que o vaso
dali procedente seja perfeito, resistente e pronto para ser usado pelo seu
senhor.
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CONCLUSÃO:
Nesta lição, na qual estudamos sobre o oleiro, aprendemos mais sobre a
soberania do SENHOR DEUS no processo de moldagem e restauração dos
vasos. Aprendemos também que ELE reconstrói até o que se destrói e que
o mais importante não é o barro, mas as mãos que o manipula (revista
EBD).
FONTES CONSULTADAS:
Revista Dominical Betel
Bíblia nova vida
Dicionário bíblico R.N. Champlin (Hágnos)
Enciclopédia Orlando S. Boyer
O novo comentário da bíblia (professor F. Davidson)
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