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Códigosda TORÁ

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Os Códigos da Torá

índice Por Rabino Avraham Steinmetz e Tev Djmal

Procurem, em seu livro de orações, a página do kidush, recitado sobre uma taça de vinho nas noites de
sexta-feira, o Shabat. O primeiro parágrafo desta bênção - que se inicia com as palavras "Yom Hashishi"-
é retirado do primeiro livro da Torá, e fala do sétimo dia da Criação. Apontem sobre a última letra da
palavra "Hashishi". Trata-se da letra hebraica "yud". E agora, ignorando os espaços entre as palavras
dessa prece, contem seis letras. A sétima letra é um "shin". Contem outras seis letras e verão que a
sétima letra é um "resh". Sete outras letras e encontrarão um "alef". Contem novamente e a sétima letra
cairá num "lamed".

O que encontramos? As letras "yud, shin, resh, alef e lamed" - que compõem a palavra "Israel" são
encontradas em intervalos de sete letras no primeiro parágrafo da bênção do kidush das sextas-feiras à
noite.

Sabemos quão significativo é o número sete para o judaísmo. O Shabat é o sétimo dia da semana, e
guardá-lo é uma mitsvá ordenada ao povo de Israel em homenagem ao sétimo dia da Criação. Será que
desvendamos um código - a palavra "Israel" codificada em intervalos de sete letras - precisamente na
passagem da Torá referente ao sétimo dia da Criação? Ou seria apenas mera coincidência?

Padrões semelhantes de palavras foram encontrados há mais de meio século por um rabino de origem
tcheca, Michael Weismandel. Mas somente com o advento dos modernos computadores foi possível
estatisticamente verificar se tais padrões de palavras são involuntários e simples coincidência, ou se
foram deliberadamente criptografados na Torá. Após a morte do Rabbi Weismandel, seus discípulos e os
rabinos Shmuel Yavin e Avram Oren continuaram o seu trabalho de pesquisa de palavras e padrões
codificados na Torá.

Mas o grande avanço ocorreu no início da década de 80, quando um rabino de Jerusalém mostrou ao Dr.
Eliyahu Rips, renomado professor de Matemática na Universidade Hebraica de Jerusalém, o trabalho do
rabino Weismandel. Com a ajuda de avançadas ferramentas de estatística e computadores modernos, o
Dr. Rips iniciou sua pesquisa buscando na Torá padrões de palavras e, a seguir, verificando
matematicamente se estes haviam sido propositalmente codificados dentro da mesma. Mais tarde, o Dr.
Rips teve a colaboração, neste estudo, do Dr. Moshe Katz, do Instituto Technion, de Haifa, e do físico
Doron Witztum, de Jerusalém.

Segue-se um exemplo do que foi desvendado pelo Dr. Rips:

No segundo capítulo do Livro Bereshit, encontramos o seguinte: "Do solo fez o Senhor D'us brotar toda
sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e
a árvore do conhecimento do bem e do mal".

Muitos dizem que só


acreditariam em D'us e
na Torá se pudessem
testemunhar algum sinal.
As descobertas dos
códigos legítimos
servem como evidência
de um ponto muito
significativo: a Torá não
poderia ser de autoria
humana.

Os nomes das árvores não são mencionados explicitamente nesse capitulo da Torá. O Dr. Eliyahu Rips
sugeriu que talvez estivessem codificados no mesmo, em intervalos regulares de letras. A seguir, tomou
os nomes de 25 árvores mencionadas na Torá (segundo referência no trabalho "A fauna e a flora na
Torá", de Yehuda Feliks), programando o seu computador para decifrar se os mesmos haviam sido
codificados. E o que encontrou o computador? Os nomes das 25 árvores haviam realmente sido
codificados nesse capítulo da Torá!

Em artigo intitulado "Códigos na Torá: leitura em intervalos iguais", Daniel Michelson, professor de
Matemática na Universidade da Califórnia e na Universidade Hebraica, estimou a probabilidade de o
fenômeno ser mera coincidência. Seus resultados indicam que a probabilidade dessas 25 árvores terem
sido acidentalmente codificadas nesse capítulo da Torá é de 1 em 100 mil. Isto significa que se tomarmos
100 mil textos hebraicos de tal comprimento, deveríamos esperar encontrar os nomes das 25 árvores
codificados em apenas um dos mesmos. Seria meramente sorte o fato de que este fenômeno das
árvores foi precisamente encontrado na passagem da Torá que narra a criação das árvores por D'us?

Outro exemplo interessante pode ser visto no 38¼ capítulo de Bereshit. O texto relata a história de
Yehuda e Tamar, que deu à luz a Peretz e Zêrach. Sabemos, através do Livro de Ruth, que Boaz
descendia de Peretz e que esposara Ruth. Este casal teve um filho a quem deram o nome de Oved e
este, por sua vez, teve um filho, Yishai, o pai do rei David. Os matemáticos examinaram se as
informações sobre a linhagem do rei David estão codificadas nesse capítulo da Torá que fala de seus
ancestrais. E o que foi que encontraram? Os nomes Boaz, Ruth, Oved, Yishai e David soletrados de trás
para frente em um intervalo de 49 letras. Como se isto ainda não bastasse, encontraram tais nomes em
ordem cronológica! O professor Michelson analisou se seriam meras coincidências. Seus resultados
estatísticos: as chances de todos os cinco nomes - Boaz, Ruth, Oved, Yishai e David - aparecerem por
acaso nesse capítulo da Torá são de 1 em 6.500. As probabilidades dos nomes aparecerem em ordem
cronológica por simples coincidência são de 1 em 200 mil!

Surge, naturalmente, uma pergunta interessante. Por que a ancestralidade do rei David teria sido
codificada em intervalos de 49 letras? Sabemos que Shavuot - o dia em que D'us deu ao povo de Israel
os Dez Mandamentos - ocorreu 49 dias após o Êxodo. Shavuot foi a data de nascimento e morte do rei
David. E também é a festividade em que estudamos o Livro de Ruth.

Outros códigos foram encontrados na Torá, e as experiências estatísticas indicam que a possibilidade de
serem os mesmos, por pura coincidência, é infinitamente reduzida. Os pesquisadores concluíram que
tais códigos foram deliberadamente inseridos na Torá. Relatam também que a maioria dos códigos são
tão incrivelmente complexos que os modernos computadores levam horas para descriptografar um único
padrão de palavra. Ainda assim, muitos fazem uma pergunta que parece legítima: será possível que os
antigos hebreus escreveram a Torá plantando tais códigos na mesma? A resposta: será que esses
"antigos hebreus" poderiam também ter previsto o futuro?

Famosos experimentos

Em 1986 o Dr. Eliyahu Rips, Doron Witztum e Yoav Rosenberg realizaram uma extensa experiência:
desvendar se os nomes de 64 rabinos famosos, estavam codificados em intervalos de letras iguais no
primeiro livro da Torá. Descobriram o seguinte: os nomes dos 64 grandes rabinos estavam de fato
codificados em Bereshit, e as datas de nascimento e morte dos mesmos estavam codificadas bem
próximas a cada um de seus respectivos nomes. A probabilidade de que tais códigos sejam feliz
coincidência é de 1 em 62.500. Este resultado estatístico é altamente significativo e indica que todas
estas informações haviam sido deliberadamente codificadas na Torá milhares de anos antes de tais
rabinos terem nascido.

A experiência dos Rabinos Famosos e seus resultados foram levados ao mundialmente renomado
Instituto de Estatísticas Matemáticas, em Harward. De modo a avaliar sua validade, foram rigorosamente
revistos e analisados durante seis anos. Tal estudo foi posteriormente publicado em uma conceituada
revista de matemática, "Statistical Science", em agosto de 1994.

Os resultados desta experiência, no entanto, não estão isentos de críticas. Muitas pessoas argumentam
que o fenômeno dos códigos é peculiar à língua hebraica. Para contra-argumentar, Eliyahu Rips, Doron
Witztum e Yoav Rosenberg tentaram duplicar a experiência em outros textos hebraicos. Não
encontraram tais códigos em nenhuma outra publicação em hebraico. Nos últimos três anos vários
outros matemáticos tentaram encontrar a "falha fatal" nesta experiência. Nenhum teve sucesso.

Para corroborar a veracidade dos códigos dos Rabinos Famosos, o Dr. Harold Gans, matemático
criptólogo sênior da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, realizou experimento similar. O
Dr. Gans tem praticamente três décadas de experiência em desvendar códigos para o governo dos
Estados Unidos, que mantém os métodos e especialistas mais avançados no mundo em descriptografia
de documentos codificados.

A princípio, o Dr. Gans estava muito cético quanto à existência de códigos legítimos da Torá. No entanto,
quando realizou a experiência, além de validar seus resultados, fez uma descoberta adicional: além dos
nomes e datas em que nasceram e morreram cada um dos rabinos haviam sido codificadas também
suas respectivas cidades. Que conclusão, então, tiraram Eliyahu Rips, Doron Witztum, Yoav Rosenberg
e Harold Gans da experiência com os Rabinos Famosos? Apenas uma: que as informações haviam sido
deliberadamente colocadas na Torá. E no entanto, a Torá existe em sua presente forma há milhares de
anos. Como o seu autor poderia ter tido conhecimento sobre a existência futura, bem como detalhes da
vida de homens que só iriam nascer séculos mais tarde?

A única conclusão lógica é a de que o autor não pode ter sido um ser humano - pois quem colocou todos
os dados lá, não estava limitado pelo tempo nem pelo espaço. Mais uma constatação incrível de que a
Torá é de autoria Divina.

Os exageros nos códigos da Torá

Ao se decifrar quaisquer códigos, o maior desafio é avaliar-se se os padrões de palavras codificados


ocorrem acidental ou deliberadamente. Obviamente, podem-se encontrar interessantes padrões de
palavras em praticamente qualquer texto examinado - em um romance, no jornal diário ou mesmo neste
artigo. Felizmente, o campo de estatística permite aos matemáticos asseverar - com razoável certeza -
se os padrões de palavras ocorrem por coincidência ou se foram deliberadamente codificados dentro de
um determinado texto.

A metodologia usada
por Drosnin para prever
o assassinato de Rabin
revelou também um
código que indicava
que o ex-Primeiro
Ministro inglês Winston
Churchill seria
assassinado. Todos
sabemos que tal
"previsão" não se
concretizou.

Mas, à medida que se tornou mais conhecida a experiência dos Rabinos Famosos, inúmeras pessoas
publicaram livros que ameaçam inteiramente a credibilidade da pesquisa sobre os códigos da Torá. Tais
livros não empregam metodologia científica alguma, nem fazem distinção entre códigos estatisticamente
significativos e códigos que aparecem acidentalmente. O exemplo mais notável é o livro "O Código da
Bíblia", de autoria de Michael Drosnin. Apesar de ser bestseller em nove países, as informações e
alegações apresentadas no livro são altamente falaciosas. A obra apresenta códigos que não têm
significado estatístico e ainda vai mais longe, alegando que os mesmos podem ser utilizados para se
prever o futuro.

Eliyahu Rips, Doron Witztum e Harold Gans denunciaram a veracidade das informações apresentadas
no livro de Michael Drosnin. Afirmaram que seu trabalho tem falhas de lógica e que não utiliza nenhum
dos métodos estatísticos necessários para validar a colocação intencional dos códigos. Os
pesquisadores também demonstraram, através do uso da matemática e da lógica, ser impossível usar os
códigos da Torá para se prever o futuro. Dão o seguinte exemplo básico para ilustrá-lo:

No "Código da Bíblia", Michael Drosnin afirma ter decifrado um código na Torá que previu o assassinato
do ex-Primeiro Ministro Yitschac Rabin, z"l. Alega ter encontrado "Yitschac Rabin" codificado em estreita
proximidade a "o assassinado irá assassinar".

Imaginemos que tivéssemos encontrado esse código antes do assassinato do primeiro-ministro.


Poderíamos interpretá-lo de várias formas. Estaria este código dizendo que Rabin seria assassinado ou
que ele iria assassinar alguém? Ou talvez seria acusado de ser um assassino? Ou ainda que talvez
alguém iria tentar assassiná-lo, mas sem conseguí-lo? A metodologia usada por Drosnin para prever o
assassinato de Rabin revelou também um código que indicava que o ex-Primeiro Ministro inglês Winston
Churchill seria assassinado. Todos sabemos que tal "previsão" não se concretizou.

O exagero dos códigos da Torá não se limita a escritores judeus. Em suas campanhas para converter os
judeus, vários grupos missionários cristãos têm alegado que há códigos na Bíblia judaica que provam
que Jesus é o Messias. Vários matemáticos examinaram o trabalho desses missionários, tendo
concluído que os mesmos não apresentam uma única afirmação ou cálculo que seja estatisticamente
válido ou verdadeiro. Experimentos matemáticos demonstram que tais "códigos de Jesus" são acidentais
e poderiam ser encontrados em qualquer texto hebraico - no jornal diário ou mesmo na tradução ao
hebraico de um romance. Convém também mencionar que os métodos estatísticos inválidos utilizados
pelos missionários cristãos apresentam outros candidatos para a figura do Messias: Buda, Maomé,
Krishna, Lênin e mesmo David Koresh - o autodeclarado Salvador, responsável pelo incidente que
causou a morte de mais de 100 homens, mulheres e crianças em Waco, no Texas.

É preciso atenção para se perceber que muitos dos "códigos" popularmente apresentados em palestras
e livros são, na melhor das hipóteses, questionáveis, e na pior, sensacionalistas e enganosos. O perigo
na disseminação de códigos falsos é que estes comprometem a seriedade dos códigos legítimos
encontrados na Torá. Existe ainda a possibilidade muito infeliz de que uma vez que as pessoas tomem
conhecimento de que tais livros contêm em sua maioria alegações falsas, passem a desacreditar de vez
no fenômeno dos verdadeiros códigos da Torá.

O significado dos códigos da Torá

Cientistas e matemáticos especializados continuam a pesquisar em busca de códigos legítimos na Torá.


O Dr. Doron Witztum encontrou códigos na Torá sobre a festividade de Chanucá, sobre o ex-presidente
Sadat, sobre a Guerra do Golfo e sobre o diabetes. Sua metodologia, nesses experimentos, foi aceita
pela publicação "Statistical Science". No entanto, essas novas descobertas não foram publicadas porque
os matemáticos que examinam os resultados encontraram problemas ao tentar calcular seu significado
estatístico. Até que a legitimidade de tais códigos seja confirmada, os resultados desses experimentos
não poderão ser divulgados.

Mais cedo ou mais tarde, muitos falsos códigos serão desmascarados. Mas isto não deverá fazer com
que se negue a existência de códigos legítimos na Torá. Os códigos apresentados neste artigo e os
resultados do experimento dos Rabinos Famosos são estatisticamente válidos. Não podem ser
atribuídos a meras coincidências e, portanto, não podem ser encontrados em nenhum outro texto
hebraico. Ademais, não são utilizados de maneira subjetiva com propósitos questionáveis. Apresentam
fatos objetivos, nomes ou fatos e eventos históricos.

Qual o significado dos Códigos da Torá

Surge uma questão final: qual o propósito dos códigos da Torá?

Estes somente contêm informações sobre o passado já conhecidas por nós. Não revelam segredos nem
servem para se prever o futuro. Qual, então, seu significado?

Vivemos em uma geração de grande ceticismo. Muitos dizem que só acreditariam em D'us e na Torá se
pudessem testemunhar algum sinal. As descobertas dos códigos legítimos servem como evidência de
um ponto muito significativo: a Torá não poderia ser de autoria humana. Pois mesmo se os antigos
hebreus fossem mestres criptógrafos, não poderiam ter conhecimento sobre a existência futura e os
detalhes da vida de homens que só nasceriam milhares de anos após ter sido escrita a Torá. Além do
mais, os códigos da Torá mostraram depender da existência precisa da localização de cada letra do
alfabeto hebraico.

Um código legítimo não pode ser encontrado se as letras da Torá estiverem faltando ou colocadas em
lugar errado. Mudando-se as palavras da Torá, mesmo se o conteúdo permanecer inalterado, os códigos
desaparecerão. Isto confirma a origem Divina e a localização de cada uma das letras da Torá. E,
portanto, o único significado verdadeiro desses códigos é que a ciência e a matemática estão a indicar
que a Torá - e até mesmo a colocação de cada uma de suas letras - são as palavras de D'us.

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