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Entendendo o Câncer e sua Carcinogênese

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Neoplasia II

● Definição de câncer
Os cânceres são neoplasias malignas formadas pelo aumento desordenado e anormal de células, sem
responder aos sinais inibitórios do organismo. Geralmente afetam os epitélios de revestimento, pois são células
mais lábeis, e a maioria está presente em faixa etária maior (>55 anos), pelo acúmulo de mutações e redução da
imunidade.

Para que um câncer se desenvolva, é preciso que o indivíduo tenha predisposição genética e exposição a um
agente carcinógeno, que pode ter origem física, química ou biológica. Esses carcinógenos geram alterações
genéticas irreversíveis na célula (não letal), promovendo sua proliferação e originando o câncer. Os agentes
carcinógenos são fatores ambientais, sendo eles:
~Agentes infecciosos: Como o HPV (papiloma vírus humano), H. pylori, EBV (vírus Epstein-Barr – herpes)
~Tabagismo
~Obesidade
~Consumo de álcool
~Fatores hormonais: Como a ação excessiva de estrógenos
~Carcinógenos ambientais: Como radiação, poluição, medicamentos, amianto

Obs.: Inflamações crônicas também são fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasias.

-Epidemiologia
● Carcinogênese
O processo de formação do câncer é chamado de carcinogênese e, em geral, ocorre lentamente, podendo
levar anos para que uma célula cancerosa se prolifere e de origem a um tumor visível. Existem 4 classes de
genes reguladores que são alvos de mutações causadoras de câncer:

*Protooncogenes promotores do crescimento: Genes normais que promovem a proliferação celular. Um dano
nesse gene o transforma em oncogenes, que codificam oncoproteínas para realizar proliferação celular.

*Genes apoptóticos: São responsáveis por induzir a célula tumoral a apoptose. Um dano nesse gene resulta na
sobrevida das células.

*Genes de reparo do DNA: São responsáveis por reparar danos genéticos não-letais em outros genes. Um dano
nesse gene resulta na proliferação em alta velocidade de células danificadas.

*Genes supressores de tumor: São responsáveis por anular os genes tumorais. Um dano nesse gene resulta na
sua perda de função.
~P53 (guardião do genoma): É um gene supressor que pode ser ativado por anóxia (ausência de O2), presença
de oncoproteínas ou danos do DNA. Eles são responsáveis por ativar genes capazes de reparar o dano, mas se
não for possível reparar o dano, ativas genes que induzem a célula a senescência (parada da divisão celular) ou
apoptose (morte celular programada). Esses são os genes que mais sofrem mutação em cânceres, além de
serem inativadas por proteínas virais, como o HPV.

-Estágios da carcinogênese
1. Iniciação: Os protooncogenes sofrem ação de agentes carcinógenos, associada a predisposição genética,
causando um dano genético irreversível não letal e se tornando oncogenes.

2. Promoção: Os oncogenes atuam na célula danificada e codificam oncoproteínas.

3. Progressão: A célula cancerosa realiza expansão clonal, realizando diversas mitoses descontroladas.

-Marcas moleculares do câncer


Todos os cânceres possuem 8 alterações fisiológicas celular:
*Autossuficiência nos sinais de crescimento: Capacidade de se proliferar de forma autônoma.
*Insensibilidade a sistemas inibitórios: Não respondem a genes inibitórios.
*Metabolismo celular alterado: Realizam glicólise aeróbica.
*Evasão da apoptose: São resistentes a morte celular programada.
*Potencial de replicação ilimitado: Capacidade proliferativa irrestrita.
*Angiogênese: Induzem a angiogênese (criação de novos vasos) para receber suprimento vascular e crescer.
*Capacidade de invadir e metastizar: Afetam outros tecidos, além do de origem.
*Capacidade de evadir da resposta imune: Possuem alterações que impedem a ação da resposta imune.
● Invasão e metástase
Existe uma diferença nessas duas capacidades de neoplasias malignas:

-Invasão: É a capacidade das células tumorais romperem a membrana basal e atingir tecidos adjacentes, mas
ainda permanecendo ligado ao seu tecido de origem.

-Metástase: É a capacidade das células tumorais de perderem a continuidade com o tumor primário, atingindo
tecidos distantes.

A metástase possui 3 vias de disseminação:

*Implante direto em cavidades e superfícies corpóreas: É comum no câncer de ovário, que se dissemina para o
peritônio

*Via linfática: É comum no câncer de mama, que se disseminam para os linfonodos axilares.

*Via hematogênica: É comum no câncer de tireoide, que se disseminam através da corrente sanguínea.

Obs.: As células tumorais produzem enzimas proteolíticas, chamadas de colagenases, para serem capazes de
quebrar a membrana basal e se disseminar. Um mesmo câncer pode utilizar diferentes vias, se direcionando para
seu local de preferência.

● Classificação e estadiamento dos tumores


A classificação e o estadiamento são métodos para quantificar a provável agressividade clínica de uma
neoplasia, considerando sua diferenciação e extensão da disseminação.

-Classificação
A classificação se baseia no grau de diferenciação das células tumorais, variando em baixo e alto grau – grau 1
ao 4 (quanto maior o grau, pior o prognóstico – tumor indiferenciado). Ainda é usado para câncer de colo de
útero.
-Estadiamento
O estadiamento se baseia no tamanho do tumor primário, no acometimento de linfonodos e na presença ou
ausência de metástase. O principal estadiamento utilizado pertence ao American Joint Committe, denominado
como sistema TNM.

*T: Tamanho tumor primário


~T0: Lesão in situ
~T1 – T4: Tamanhos crescentes
~Tx: Não pode ser avaliado

*N: Acometimento de linfonodos


~N0: Ausência de acometimento linfonodal
~N1 – N3: Abrangência crescente de linfonodos

*M: Metástase
~M0: Ausência de metástase para outros órgãos
~M1: Presença de metástase para outros órgãos

Ex.: Mulher com carcinoma mamário não invasivo, sem acometimento de linfonodo de sentinela e sem presença
de metástase. Qual o estadiamento desse tumor? R.: T0N0M0

● Diagnóstico laboratorial do câncer


Existem diferentes abordagens para o diagnóstico definitivo, através de métodos histopatológicos, sendo eles:

-Excisão: Remove a lesão ou órgão afetado.


-Biópsia: Remove um fragmento da lesão ou órgão.
-Aspiração por agulha fina (PAAF): Aspiração dos fluidos para observar em microscópio.
-Esfregaços citológicos: Raspar o local afetado e observar em microscópio.

Obs.: As análises moleculares e bioquímicas auxiliam o diagnóstico, prognóstico, detecção de doenças residuais
e predisposição genética. Essas análises são feitas através dos marcadores tumorais, mas sua presença não
confirma o diagnóstico de câncer, pois eles podem aumentar seus níveis em outras alterações (ex.: HCG é
sensível para mola hidatiforme e para gravidez), por isso é preciso avaliar os aspectos clínicos.

Marcadores Câncer
CA 15-3 e CA 27-29 Mama
HER2 Neu Mama metastá co
PSA Próstata
CEA Variados – intes no (cólon e reto)
AFP Estômago, intes no, ovário ou metástase gado
CA 19-9 Gastrointes nal
CA 125 Ovário
Calcitonina Tireoide, mama e pulmão
Tireoglobulina Tireoide

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