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Abordagem Centrada na Pessoa em Psicologia

PSICOLOGIA UNIP

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liz Andrade
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO DISTRITO FEDERAL

GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA APLICADA EM


CONTEXTOS DE PLANTÃO E HOSPITALAR

TEORIA DA PERSONALIDADE I
PROFESSOR: STEVAM LOPES ALLVES AFONSO

ALUNOS:
BEATRIZ CARVALHO 34626336
DENY MENDES 37389190
LUCIANA ARAUJO 25337645
MARIANA
PRISCILA GUIMARÃES 33082472
VANESSA FERREIRA

Brasília
Maio - 2024
1

1. INTRODUÇÃO

O presente estudo propõe-se a realizar uma revisão de literatura sobre o


atendimento psicológico sob a perspectiva da abordagem centrada na pessoa,
desenvolvida por Carl Rogers. Nesse sentido, a abordagem de Carl Rogers se
destaca por enfatizar a importância da empatia, congruência e aceitação
incondicional como elementos essenciais para promover o crescimento e a mudança
positiva nos indivíduos.
Carl Rogers foi um dos principais expoentes da psicologia humanista e seu
trabalho influenciou significativamente a prática clínica e o desenvolvimento de
abordagens terapêuticas contemporâneas. Sua abordagem centrada na pessoa
busca promover um ambiente de aceitação e compreensão, no qual o cliente se
sinta genuinamente ouvido e acolhido. No contexto do atendimento psicológico,
esses princípios podem ser fundamentais para estabelecer uma relação de ajuda
eficaz e empática com os indivíduos que buscam apoio emocional em momentos de
crise.
Ao revisar a literatura existente sobre o atendimento psicológico à luz dos
princípios da abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers, busca-se não apenas
compreender as contribuições teóricas desse modelo para a prática do atendimento
inicial, mas também identificar possíveis desafios e oportunidades para a aplicação
desses princípios no contexto contemporâneo da psicologia clínica.
Dessa forma, esta revisão de literatura visa aprofundar o diálogo entre a
abordagem de Carl Rogers, explorando as potencialidades e os desafios dessa
integração e destacando a relevância de uma atuação sensível e humanizada no
contexto do atendimento psicológico.
2

2. VIDA E OBRA DE CARL ROGERS

Figura 1 – Carl Rogers

Fonte: Wikipédia, 2020

Carl Rogers (1902-1987) foi um psicólogo americano influente e uma das


figuras mais proeminentes da psicologia humanista. Ele é mais conhecido por
desenvolver a Abordagem Centrada na Pessoa, também conhecida como Terapia
Centrada no Cliente, uma abordagem terapêutica que enfatiza a importância do
terapeuta fornecer um ambiente de aceitação incondicional, empatia e congruência
para facilitar o crescimento e autorrealização do cliente.
Rogers nasceu em Oak Park, Illinois, e desde cedo mostrou interesse em
ajudar os outros. Ele obteve seu doutorado em psicologia clínica pela Universidade
de Columbia em 1931. Ao longo de sua carreira, Rogers trabalhou como
psicoterapeuta, professor e pesquisador, influenciando profundamente a psicologia
moderna.
Sua abordagem humanista da psicologia contrastava com as abordagens
mais tradicionais e focadas na doença mental. Rogers acreditava que os indivíduos
têm uma tendência inata para a autorrealização e o crescimento pessoal, e que o
terapeuta deve fornecer um ambiente de suporte e aceitação para que esses
processos possam ocorrer.
3

Além de sua contribuição para a psicologia clínica, Rogers também fez


importantes avanços na psicologia da educação, defendendo uma abordagem
centrada no aluno que valorizava a autonomia, a autenticidade e o respeito mútuo
entre professores e alunos.
Ao longo de sua vida, Carl Rogers publicou inúmeros livros e artigos
acadêmicos, incluindo "Tornar-se Pessoa" e "Psicoterapia e Consultoria
Psicológica". Sua influência na psicologia e na prática clínica ainda é sentida até
hoje, e sua abordagem centrada na pessoa continua a ser estudada e aplicada por
terapeutas e profissionais de saúde mental em todo o mundo.

3. A TEORIA CENTRADA NA PESSOA

A teoria de Carl Rogers, conhecida como "Teoria Centrada na Pessoa", é uma


abordagem humanista e fenomenológica da psicologia que enfatiza a importância da
aceitação incondicional, empatia e congruência por parte do terapeuta no processo
terapêutico. Rogers acreditava que os indivíduos têm uma tendência inata para a
autorrealização e o crescimento pessoal, e que o papel do terapeuta é proporcionar
um ambiente facilitador para que esses processos ocorram.
Em termos de diversos estudos e pesquisas têm destacado a eficácia da
abordagem centrada na pessoa em diversos contextos terapêuticos, incluindo a
psicoterapia individual, de grupo e familiar. Muitos estudos mostraram que a empatia
e a aceitação incondicional por parte do terapeuta estão correlacionadas com
melhores resultados terapêuticos, como a melhoria da autoestima, do bem-estar
psicológico e do funcionamento global do indivíduo.
De acordo com Feist (2015): “A tendência formativa diz que toda matéria,
orgânica e inorgânica, tende a se desenvolver de forma simples para formas mais
complexas”.
Ainda conforme com Feist (2015): “Existem obstáculos ao crescimento
psicológico quando a uma pessoa experimenta condições de valor, incongruência,
defesas e desorganização.”
Em relação a um ponto da atualidade que pode ser relacionado à teoria de
Carl Rogers, pode se mencionar a crescente ênfase e reconhecimento da
importância da saúde mental e do bem-estar emocional na sociedade
contemporânea. Cada vez mais pessoas estão buscando ajuda psicológica para
4

lidar com questões como ansiedade, depressão, estresse e relacionamentos


interpessoais, e abordagens terapêuticas baseadas nos princípios da abordagem
centrada na pessoa, como a terapia centrada no cliente, continuam sendo relevantes
e eficazes para atender a essas demandas.

4. A TEORIA CENTRADA NA PESSOA NO DIAGNÓSTICO HOSPITALAR

De acordo com Castelo Branco et al. (2023), os efeitos da doença e do


diagnóstico presentes no cenário hospitalar acabam por gerar tensões entre o
organismo e o ambiente, gerar incongruência e proporcionar alterações de
personalidade no sujeito. A partir disso, adotar a abordagem desenvolvida por
Rogers pode trazer benefícios como facilitar a simbolização consciente da situação,
bem como viabilizar práticas mais humanizadas no âmbito da saúde.
Sob a ótica da teoria exposta, e tomando como objeto de estudo o artigo
“Atuação da Psicóloga hospitalar na perspectiva da Abordagem Centrada na
Pessoa”, o qual foi produzido por meio de uma pesquisa bibliográfica de natureza
qualitativa e possuiu o objetivo de analisar a atuação da psicóloga hospitalar na
perspectiva da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Os resultados foram
organizados a partir de três eixos temáticos, quais sejam:
a) diagnósticos médico e psicológico no hospital,
b) experiências de adoecimento no contexto hospitalar e
c) experiências de hospitalização e tratamento.
Iniciando pelo eixo “Diagnóstico médico e diagnóstico psicológico no hospital
geral”, Castelo Branco et al. (2023) traz noções de como se estabelece o diagnóstico
médico no hospital, ilustrando que ele é indispensável, mas é hegemonicamente
operacionalizado de modo que gera práticas verticalizadas, desumanizadas e
centradas na doença.
Em contrapartida, a medicina centrada na pessoa busca reorientar as
relações de poder entre profissionais de saúde e pacientes ao considerar a
experiência de adoecimento que é vivida no momento da realização do diagnóstico
médico.
Dessa forma, o diagnóstico sob a lente da medicina centrada na pessoa
bebe da fonte tanto dos saberes científicos, quanto dos saberes do paciente, de
como ele percebe sua experiência de adoecimento, seus pensamentos, suas
5

expectativas e seus sentimentos. Essas informações são úteis para que o psicólogo
humanista perceba o quanto de fato o paciente entendeu sobre seu quadro clínico e
seu prognóstico, se está em negação ou se distorceu a experiência. Considerar o
tempo de internação também é importante para o psicólogo ao elaborar um plano de
cuidado, organizar as etapas do processo que poderão ser realizadas e quais as
estratégias mais oportunas (Castelo Branco et al., 2023).
Entende-se, pois, que o diagnóstico médico na perspectiva da ACP
reconhece a vivência de cada sujeito com a doença que desenvolveu, e como se dá
a sua interação junto à vivência corporal e ao ambiente em que está. Tem-se, então,
que quando o paciente expressa seus sentimentos, suas preocupações pessoais e
emite comportamentos, ele produz material para compreender eventuais fantasias
e/ou medos relacionados ao diagnóstico, bem como possíveis ganhos secundários
da doença, além de aspectos de vulnerabilidade e expectativas que atrapalham ou
não o processo de cuidado.
Soma-se a isso o fato que características do self podem ser consideradas,
uma vez que se articulam com os estágios do ciclo de vida e também com os papéis
que são desempenhados pelo paciente, o que demonstra valores e conceitos sobre
a própria pessoa e sobre suas formas de funcionar que interferem no enfrentamento
da doença.
Nesse cenário, busca-se uma tomada de consciência dos aspectos que
ameaçam a saúde e a identificação das potencialidades. Esses elementos definem
uma medicina centrada na pessoa. (Stewart et al., 2017; Ribeiro & Amaral, 2008
como citado por Castelo Branco et al. 2023, p. 90).1
Apesar dos apontamentos sobre o diagnóstico médico no contexto
hospitalar, seus diversos modos de elaboração e suas implicações na prática da
psicologia é consenso a sua importância para planejamento e desenvolvimento da
conduta da equipe médica. Entretanto, o emprego do diagnóstico psicológico no
âmbito da psicoterapia é controverso, pois há alguns psicólogos e psiquiatras que
entendem ser importante a realização do diagnóstico psicológico, já outros preferem
o processo psicoterápico sem o diagnóstico prévio. Particularmente, na perspectiva

1
Ribeiro, M. M. F., & Amaral, C. F. S. (2008). Medicina centrada no paciente e ensino médico: a importância do cuidado com a
pessoa e o poder médico. Revista Brasileira de Educação Médica,32, 90-97.https://doi.org/10.1590/S0100-
55022008000100012. Stewart, M., Brown, J. B., Weston, W. W., McWhinney, I. R., McWilliam, C. L., & Freeman, T.
R.(2017).Medicina centrada na pessoa: transformando o método clínico(3ª ed.) Porto Alegre: Artmed.
6

da ACP, o diagnóstico psicológico, pensado como algo distinto e prévio não é


necessário para atuação psicoterápica, ao contrário, pode até interferir e dificultar o
processo terapêutico. (Rogers & Kinget, 1962/1977 como citado por Castelo Branco
et al. 2023, p. 90).2
O autor refere ainda que o diagnóstico psicológico pode proporcionar ou
fortalecer predisposições à dependência, a depender da maneira como é feito,
porque a avaliação realizada emprega critérios que o paciente desconhece e
prejudica o sentido da responsabilidade pessoal diante de sua demanda e de suas
relações interpessoais. Além disso, o diagnóstico pode também levar à
desvalorização do eu e da sua capacidade de enfrentamento, pois relaciona-se
diretamente com o julgamento de um terceiro. (Rogers & Kinget, 1962/1977 citado
em Castelo Branco et al. 2023, p. 92).
Dessa forma, de acordo com Rogers e Kinget (1962/1977) citado em Castelo
Branco et al., (2023), o papel do psicoterapeuta é proporcionar condições para que o
paciente consiga identificar, experimentar e aceitar os aspectos psicogênicos que se
opõem a sua tendência atualizante, sendo este o protagonista no seu próprio
cuidado.
Tratando-se do eixo “experiências de adoecimento no contexto hospitalar”, e
utilizando-se a ACP para conceituar o termo doença, que é referida como um
conceito unificado, pois está no organismo que se relaciona com o ambiente e pode
ser conscientemente percebida ou não. Quando a pessoa entra em contato com o
sofrimento e com o tensionamento entre o organismo e o ambiente causados pela
doença, ela pode atribuir ao processo saúde-doença significados que são
influenciados por uma vivência imediata direta ou por introjeções de valia, que serão
compreendidos a partir de certos valores familiares ou culturais.
A depender das percepções que a pessoa tem da realidade e de suas
reações ao campo fenomenológico, a manifestação de suas emoções irá variar. Se
não existir movimento e fluidez na figura-fundo que derivam de novas necessidades
e experiências, ocorrerá um alto grau de incongruência que vai gerar sofrimento ao
sujeito (Rogers, 1951/1992 citado em Castelo Branco et al., 2023, p. 93)3.

2
Rogers, C. R., Kinget, G. M. (1977).Psicoterapia e Relações Humanas: teoria e prática da terapia não diretiva - Volume 2 (2ª
ed.). Belo Horizonte: Inter livros. (Original publicado em 1962).
3
Rogers, C. R. (1992). Terapia centrada no cliente. Martins Fontes. (Original publicado em 1951)
7

Na ocasião da hospitalização, é comum que a dor e a doença orgânica surjam


como figura no início do processo. Conforme a pessoa vai dando significados à
experiência de adoecimento, marcada pelo discurso médico e pela cultura, outros
elementos podem surgir como figura. Pode haver situações de conflitos com a
equipe, dificuldades de adaptação à rotina do hospital, dificuldades de enfrentar a
doença e inclusive de aderir ao tratamento. Nesse momento, ao psicólogo
humanista cabe entender como o paciente está simbolizando o adoecimento e como
está se relacionando com a família e a equipe (Castelo Branco et al., 2021 citado em
Castelo Branco et al., 2023)4.
A experiência do adoecimento é atravessada pelo contexto cultural, do qual
decorrem questões que podem ser delicadas a depender do modo de entender a
vida que cada pessoa possui. Nesse sentido, a homofobia perante o diagnóstico de
HIV, por exemplo, faz com que alguns pacientes sofram violência institucional no
hospital, ou fiquem constrangidos de dividir seu diagnóstico com os mais próximos;
ou no caso de pacientes que pertencem a determinados grupos religiosos
acometidos por convulsões ou hanseníase e que podem atribuir seu caso a
possessão demoníaca, ou ainda, serem contra a transfusão de sangue como um
procedimento proibido devido a interpretações da bíblia. Pode haver também
questões que sinalizam violência, como o diagnóstico de uma criança com doença
sexualmente transmissível, ou que ameacem o ideal de corpo do sujeito, como no
caso de uma mulher que necessite de mastectomia devido a um diagnóstico de
câncer de mama.
Assim, o adoecimento se mostra como uma experiência ameaçadora, capaz
de desorganizar ou desestruturar o self, o que demonstra a importância de o
psicólogo auxiliar o processo de simbolização dessas experiências no contexto
hospitalar e a elaboração de uma continuidade da vida após a descoberta da doença
(Castelo Branco et al., 2023).
O último eixo abordado é o “experiências de hospitalização e tratamento”, as
quais influenciam diretamente a forma como o paciente entende o processo saúde-
doença-cuidado. Conforme Rogers (1951/1992) citado por Castelo Branco et al.
(2023), a pessoa irá reagir ao campo fenomenológico de acordo com a maneira
como este é experimentado e percebido por ela, sendo que uma parte dessas
4
Castelo Branco, A. B. A., Souza, L. S., & Prates, B. V. (2021). Aplicabilidade e releitura da teoria da personalidade e do
comportamento no hospital. Revista do NUFEN, 13(3), 90-104. Recuperado em 12 de maio de 2022, de
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175- 25912021000300009
8

percepções se diferenciam e constituem o self. Nesse sentido, o ambiente do


hospital em que o sujeito vai experienciar o cuidado é entendido de modo peculiar,
sendo percebido de forma ameaçadora ou adaptativa, o que depende da maneira
como se relaciona com o self, com as tecnologias empregadas para seu cuidado e
com a equipe hospitalar. Assim, quanto mais as atitudes dos profissionais envolvidos
e o ambiente forem acolhedores e facilitadores, mais chances existem de
simbolização acurada das experiências de cuidado em um contexto humanizado.
De acordo com Silva & Graziano (1996) citado em Castelo Branco et al.,
(2023)5, é comum que alguns pacientes, durante o processo de hospitalização,
sintam-se inseguros em decorrência das incertezas de seu quadro clínico ou com
relação a procedimentos que precisam realizar. Além disso, podem apresentar
dificuldades com a dependência para fazerem atividades básicas, bem como
perderem a identidade social, suas relações afetivas e sua autoestima, o que pode
desencadear sensação de fragilidade, que se apresentem de maneira passiva ou
que se tornem resistentes aos cuidados.
A partir disso, abrir diálogo e fortalecer a autonomia possibilitam que o sujeito
se apresente mais ativo no seu processo de cuidado. Nesse cenário, é função do
psicólogo hospitalar minimizar a assimetria das relações com a equipe, viabilizar o
uso de linguagem médica acessível e proporcionar modificações no ambiente que
reduzam o processo de despersonalização do paciente, que é desencadeada pela
própria estrutura dos processos de trabalho na instituição, seu engessamento de
normas e rotinas, além da ambiência iatrogênica. Com isso, faz-se necessário
entender e fazer intervenção na dinâmica das comunicações e das relações entre
paciente-equipe-família (Castelo Branco et al., 2023).

5
Silva, M. J. P. D., & Graziano, K. U. (1996). A abordagem psicossocial na assistência ao adulto hospitalizado. Revista da
Escola de Enfermagem da USP, 30, 291-296. https://doi.org/10.1590/S0080-62341996000200009
9

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A revisão de literatura realizada sobre a integração da abordagem centrada


na pessoa de Carl Rogers revelou importantes insights e reflexões acerca da
aplicação dos princípios regeríamos na prática. A partir da análise dos estudos
revisados, é possível destacar algumas considerações finais que ressaltam a
relevância e os desafios dessa integração:
a) Ênfase na relação terapêutica: A abordagem de Carl Rogers enfatiza a
importância da relação terapêutica como elemento central no processo de
ajuda psicológica. No contexto do atendimento psicológico, a capacidade
de estabelecer uma conexão empática e genuína com o indivíduo em crise
torna-se fundamental para promover a expressão emocional e a busca por
soluções construtivas.
b) Aceitação incondicional e respeito pela autonomia: Os princípios da
aceitação incondicional e do respeito pela autonomia do cliente,
fundamentais na abordagem rogeriana, podem contribuir para a promoção
de um ambiente de acolhimento e segurança no atendimento psicológico.
O reconhecimento da singularidade e da dignidade do indivíduo favorece a
construção de uma relação de confiança e respeito mútuo.
c) Desafios da prática hospitalar: Apesar dos benefícios teóricos da
abordagem centrada na pessoa no contexto do atendimento psicológico, a
natureza emergencial e pontual desse tipo de atendimento pode
representar desafios específicos para a aplicação desses princípios. A
necessidade de intervenções rápidas e eficazes nem sempre se alinha com
a ênfase rogeriana na escuta atenta e na reflexão cuidadosa.
d) Formação e supervisão profissional: A formação e a supervisão dos
profissionais que atuam em atendimentos psicológicos são aspectos-chave
para garantir a qualidade e a eficácia do atendimento prestado. A
integração dos princípios da abordagem centrada na pessoa de Carl
Rogers no processo formativo dos psicólogos pode contribuir para o
desenvolvimento de competências relacionadas à empatia, congruência e
aceitação incondicional.
e) Perspectivas futuras: Considerando a complexidade e a diversidade das
demandas presentes no atendimento psicológico, futuras pesquisas podem
10

explorar de forma mais aprofundada a aplicação prática dos princípios


rogerianos nesse contexto, bem como investigar os resultados e impactos
dessa abordagem na saúde mental e no bem-estar dos indivíduos
atendidos.

Desse modo, tem-se que a revisão de literatura realizada evidencia o


potencial da integração da abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers. A
valorização da subjetividade, da autenticidade e do respeito pelo outro, princípios
fundamentais da abordagem rogeriana, pode contribuir significativamente para a
promoção do acolhimento e da escuta empática nos momentos de crise.
Percebeu-se, por meio da análise do artigo, que a ACP articula-se muito bem
com o processo saúde-doença-cuidado e com o papel desempenhado pelo
profissional de psicologia no âmbito hospitalar, pois ela auxilia o sujeito, no seu
tempo, a compreender sua experiência de adoecimento e as maneiras de simbolizar
suas vivências, tornando-o mais ativo no seu processo de cuidado; bem como a
intervir e facilitar as relações entre paciente-equipe-família, facilitando o diálogo, o
que promove maior sensação de segurança do paciente e sua implicação no
tratamento
Diante dos desafios e oportunidades identificados nesta revisão de literatura,
torna-se evidente a importância de uma reflexão contínua sobre as práticas de
atendimento psicológico à luz dos princípios da abordagem de Carl Rogers. A busca
por uma integração criativa e responsiva entre a teoria e a prática clínica pode
enriquecer o repertório de estratégias e intervenções disponíveis para os
profissionais que atuam nesse campo, favorecendo uma atuação mais humanizada
e eficaz.
Por fim, a presente revisão destaca a relevância de considerar a singularidade
de cada indivíduo e a complexidade de suas experiências. A abordagem centrada na
pessoa de Carl Rogers oferece um referencial teórico valioso para a compreensão e
a prática do atendimento de emergência, convidando os profissionais a cultivar a
empatia, a autenticidade e o respeito incondicional como pilares essenciais no
cuidado da saúde mental.
11

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BIOGRAFIA DE CARL ROGERS RESUMIDA | Carl Rogers, Psicologia humanista e


abordagem centrada na pessoa.
https://www.youtube.com/watch?v=3Ovdhi7l4Mc Acesso em 19 de março de
2024.

CASTELO, Branco, A. B. de A., FIRMINO Leite, R., & Cavalcante Lessa, P. (2023).
Atuação da Psicóloga hospitalar na perspectiva da Abordagem Centrada na
Pessoa.

FEIST, Jess; ROBERT, Tomi -Ann, Teorias da Personalidade. 8 ed. Porto Alegre:
AMGH, 2015.

HELL, Calvin S. Teorias da personalidade. 4 ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

REVISTA DO NUFEN: PHENOMENOLOGY AND INTERDISCIPLINARITY, 15(1).


https://doi.org/10.26823/rnufen.v15i1.24005, Disponível em:
https://submission-pepsic.scielo.br/index.php/nufen/article/view/24005. Acesso
em: 07/04/2024.

SCHUTZ, Duane P. Teorias da personalidade. 3 ed. São Paulo. Cengage Learning,


2016.

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