BOAS PRÁTICAS
PARA O PLANTIO
DO GENGIBRE
Mariana Rodrigues Almeida
Natália Cassa
Marina Jordem Almança Possatti
Galderes Magalhães
Diene Maria Bremenkamp
Alexandre Lemke Belz
Jeferson Rodrigues
[Link]. Sávio da Silva Berilli
[Link]. Antônio Fernando de Souza
[Link]. Ana Paula Cândido Gabriel Berilli
BOAS PRÁTICAS PARA
O PLANTIO DO
GENGIBRE
Vitória, ES 2024
Editora do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Espírito Santo
R. Barão de Mauá, nº 30 – Jucutuquara
29040-689 – Vitória – ES
[Link] | editora@[Link]
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Aldo Rezende *Aline Freitas da Silva de Carvalho *Aparecida de Fátima Madella de Oliveira *Felipe
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Revisão de texto:
: Maurício Novaes Souza e Otacílio José Passos Rangel
Capa: Mariana Rodrigues Almeida
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca Monsenhor José Bellotti – IFES campus de Alegre
____________________________________________________________________________
A447b Almeida, Mariana Rodrigues.
Boas práticas para o plantio do gengibre [recurso eletrônico] / Mariana Rodrigues Almeida ...
[et al .]. – Vitória, ES: Edifes acadêmico, 2024.
22 f. : il.
Vários autores.
ISBN: 978-85-8263-785-2 (E-book).
1. Manejo sustentável - Gengibre. 2. Zingiber officinale . 3. Agroecologia. I. Título. II.
Instituto Federal do Espírito Santo.
CDD 633.8
____________________________________________________________________________
elaborada por: Natália Gomes de Souza Mendes - CRB6-ES 993
DOI: 10.36524/978-85-8263-785-2
Esta obra está licenciada com uma Licença Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Brasil.
BOAS PRÁTICAS PARA O
PLANTIO DO GENGIBRE
Autores
Mariana Rodrigues Almeida, mestranda em Agroecologia pelo
Programa de Pós-Graduação em Agroecologia do Instituto
Federal do Espirito Santo - Campus de Alegre, ES. E-mail:
mamarianarod@[Link]; Natália Cassa, mestranda em
Agroecologia pelo Programa de Pós-Graduação em
Agroecologia do Instituto Federal do Espirito Santo - Campus
de Alegre, ES. E-mail: nataliacassa2@[Link]; Marina
Jordem Almança Possatti, mestranda em Agroecologia pelo
Programa de Pós-Graduação em Agroecologia do Instituto
Federal do Espirito Santo - Campus de Alegre, ES. E-mail:
marinajordem@[Link]; Galderes Magalhães, técnico do
INCAPER; Diene Maria Bremenkamp, secretária de meio
ambiente da Prefeitura de Santa Leopoldina - ES; Alexandre
Lemke Belz, agricultor parceiro. Jeferson Rodrigues, vereador
de Santa Leopoldina - ES; [Link]. Sávio da Silva Berilli, professor
doutor do Programa de Pós- Graduação em Agroecologia do
Instituto Federal do Espírito Santo – Campus de Alegre, ES. E-
mail: [Link]@[Link]; [Link]. Antônio Fernando de
Souza, professor doutor do Instituto Federal do Espirito Santo
- campus Santa Teresa, ES. E-mail: anfersouza@[Link];
[Link]. Ana Paula Cândido Gabriel Berilli, professora doutora do
Programa de Pós-Graduação em Agroecologia do Instituto
Federal do Espírito Santo – Campus de Alegre, ES. E-mail:
[Link]@[Link]
Vitória, ES 2024
Boas práticas para o
plantio do gengibre
Bem-vindo agricultor(a)!
Nesta cartilha, abordaremos as
principais orientações sobre boas
práticas para o plantio do gengibre.
Cultura de grande importância
econômica, gastronômica e medicinal.
Sobre o gengibre
O gengibre é uma planta perene de origem
herbácea, cujo nome científico é Zingiber
officinale Roscoe.
É amplamente conhecido e comercializado
devido às suas propriedades medicinais e o uso
na culinária. O principal atrativo do gengibre é o
seu rizoma, um tipo de caule subterrâneo, que
possui um sabor característico e aroma
agradável.
No Estado do Espírito Santo, o cultivo do gengibre
se concentra na região Centro Serrana,
especificamente, nos municípios de Santa
Leopoldina e Santa Maria de Jetibá. O trabalho é
realizado pela agricultura familiar local.
Os agricultores desempenham papel valioso,
contribuindo para o abastecimento do mercado
interno e externo.
01
A escolha das mudas
A reprodução do gengibre acontece
por propagação vegetativa, onde o
rizoma com brotações é a própria
semente. É essencial que esse
rizoma-semente venha de lavouras
isentas de pragas e doenças para
evitar a contaminação dos solos e a
produção de plantas doentes.
A chave do sucesso no cultivo está
na sanidade e no potencial genético
das mudas! As mudas saudáveis
têm maior resistência à pragas e
doenças, além de maior vigor no
desenvolvimento e na
produtividade.
O rizoma-semente deve pesar em
torno de 80 a 120 gramas,
apresentando de 3 a 5 brotos, e ser
retirado do rizoma principal. Antes
de plantar, o rizoma deve ser
armazenado de 2 a 3 dias para
cicatrização das partes que foram
rompidas.
02
Rizomas-sementes com brotações
As mudas devem ser
adquiridas de propriedades
certificadas, apresentando
características sanitárias e
físicas adequadas ao cultivo.
Antes do plantio os rizomas-
sementes que serão utilizados
como mudas devem ser
armazenadas inteiros e ao
abrigo da sombra, por até 15
dias antes do plantio.
Obedecido este prazo os
rizomas-sementes devem ser
quebrados (subdivididos) e
cada pedaço deve conter
cerca de 10 cm com pelo
menos três brotamentos para
realização do plantio.
03
O preparo da área
A área deve ser roçada e após a
secagem da massa verde deverá
ser passada a enxada rotativa
tracionada por trator.
Em seguida, deve-se realizar o
processo de construção dos
sulcos de plantio para adubação.
Para melhor eficiência na
adubação, deve-se realizar a
análise de solo.
As recomendações para a cultura
do gengibre são: aplicação de
calcário dolomítico, adubação
fosfatada, micronutrientes de
liberação lenta e matéria
orgânica para o plantio, como
também para uma ou duas
amontoas.
04
O manejo do solo
Para o melhor desenvolvimento dos rizomas, o
solo deve apresentar textura argilo-arenosa e ser
bem drenado.
O preparo adequado do solo envolve a retirada
de plantas daninhas e a incorporação de matéria
orgânica.
A área de plantio deve ser preparada no período
com baixa incidência de chuvas, para garantir
que a terra sofra menos compactação. Os sulcos
devem ser feitos em curva de nível.
Para evitar a erosão, é importante adotar a
técnica do plantio em curvas de nível, controlar
lâminas de irrigação e dispor de material para
cobertura de solo.
05
O manejo do solo
O plantio deverá ser realizado no espaçamento
de 1,0 metro entre linhas e 0,05 metro de uma
muda a outra. Deve ser feito o acompanhamento
da umidade do solo e realização de limpeza
mecânica de retirada das ervas espontâneas.
As amontoas podem ser realizadas com ajuda de
um motocultivador.
A capina deverá ser realizada com enxada nas
entrelinhas e com as mãos na linha de plantio.
Deverá ser conduzido monitoramento do ataque
de pragas e doenças durante todo o ciclo da
cultura.
06
A adubação
Para um bom desenvolvimento da cultura, é
necessário que os nutrientes estejam de acordo
com a necessidade da planta. Desse modo, é
importante que a adubação seja feita de forma
correta, nem menos e nem mais do que a
quantidade recomendada durante todo o ciclo
produtivo.
Entender o nível de fertilidade do solo é o ponto
principal para que as boas práticas da adubação
sejam eficientes. Uma opção viável, para
conhecer o nível de fertilidade, é a realização da
análise de solo.
Atualmente, os municípios de Santa Teresa, Santa
Maria do Jetibá e Domingos Martins possuem
programas ativos para realização das análises
de solo de forma gratuita para o produtor rural.
07
Quero realizar minha
análise de solo
gratuitamente através do
município, como fazer?
Procure a Secretaria de Agricultura
do município com os documentos
em mãos que comprovem que é um
agricultor familiar.
Você receberá orientações de
como realizar a coleta do solo e
deverá levar a amostra coletada
para a Secretaria de Agricultura.
A análise será feita por laboratórios
conveniados pela Prefeitura e o
resultado será disponibilizado
através do seu e-mail.
As recomendações de adubação
serão feitas por profissionais
habilitados da Prefeitura ou
Incaper.
08
Tipos de adubação
ADUBAÇÃO FOSFATADA:
O Fósforo pode proporcionar o aumento da
produtividade e melhorias no aspecto visual do
rizoma.
Esse tipo de adubação deve ser realizada 70% no
plantio e 30% na amontoa. Sendo recomendado
também cerca de 30 a 50kg por hectare de
Nitrogênio e 80 a 100kg por hectare de Potássio,
em cada amontoa.
O Potássio é o segundo nutriente mais extraído
pelo gengibre.
ADUBAÇÃO VERDE:
Na adubação verde, as leguminosas são
utilizadas como fixadores de Nitrogênio, e
algumas gramíneas como fixadores de carbono.
Esta deve ser realizada pelo menos 6 meses
antes do plantio. Além de melhorias na qualidade
da estrutura do solo, esta adubação proporciona
enriquecimento do sistema de produção,
podendo chegar a 50% no aumento da
produtividade.
09
Tipos de adubação
ADUBAÇÃO ORGÂNICA:
A adubação orgânica se baseia no uso de
materiais de origem naturais, como compostos
vegetais ou esterco animal. Esses materiais são
ricos em nutrientes essenciais para as plantas,
além de melhorar a estrutura e fertilidade do
solo.
Este tipo de adubação é importante para o
crescimento radicular da cultura, principalmente
em regiões com baixo teor de matéria orgânica
no solo.
Do mesmo modo que a adubação fosfatada,
nesta aqui, também, são necessários cálculos
para indicar a quantidade de doses que devem
ser aplicadas.
10
A irrigação
O plantio do gengibre precisa de fornecimento
constante de água ao longo do seu ciclo de
crescimento.
É importante que o solo seja bem drenado, pois
isso evita o apodrecimento dos rizomas. Equilíbrio
é tudo!
Outro ponto importante sobre a irrigação é o
dimensionamento correto para que evite o gasto
de água além do necessário para a lavoura.
11
Capina e Amontoa
A amontoa é feita com enxadão, onde é retirada
terra da parte inferior e colocada em cima das
linhas. Ela é importante para contribuir com o
desenvolvimento dos rizomas, além de proteger
contra radiação solar e preservar o solo contra
processos erosivos.
Após o plantio, a primeira capina deve ser feita
entre 40 a 60 dias, período que também é
realizada a primeira amontoa.
A segunda amontoa deve ocorrer em torno de 90
a 110 dias pós-plantio e a terceira amontoa entre
120 e 150 dias.
12
Plantio
Em regiões de altitude, a melhor época para o
plantio do gengibre é entre os meses de agosto a
outubro, sendo possível plantar até dezembro.
A recomendação de espaçamento entrelinhas é
de 0,9 a 1,2 metros e entre plantas é de 0,04 a
0,08 metros. O pH do solo deve estar entre 6 e 6,5.
O plantio deve ser feito em sulcos de 10 a 15
centímetros. Os rizomas-sementes devem ser
colocados no sentido transversal, no fundo do
sulco, para que a planta se desenvolva sem
dificuldade.
A colheita deve ser feita de 7 a 10 meses após o
plantio.
13
Como dispor as mudas para o plantio
14
Controle de pragas e doenças
Adotar práticas como a rotação de cultura, a
utilização de mudas de qualidade e o uso de
água para irrigação livre de contaminantes são
medidas de grande importância para prevenir a
ocorrência de pragas e doenças.
Outro fator que auxilia no controle é a nutrição
balanceada e o manejo da irrigação, para que o
ambiente não se torne favorável ao
aparecimento das pragas e doenças na cultura.
Importante realizar o plantio respeitando a
época, além do preparo e adubação do solo
adequadamente.
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FIQUE ATENTO!
Origem das mudas - Controle de pragas e
certifique-se de que a doenças - Monitore
matriz das mudas sejam regularmente as mudas
plantas saudáveis. para detectar qualquer
sinal de infestação de
Inspeção visual- Procure pragas.
por manchas, lesões,
deformações ou qualquer Drenagem do solo - O
sinal de infestação. encharcamento do solo
pode favorecer o
Tratamento preventivo- desenvolvimento de
Algumas doenças podem doenças nas raízes.
ser prevenidas com
tratamentos antes do Irrigação adequada -
plantio. Evite água em excesso no
local das mudas.
Rotação de culturas- É
recomendado nunca Nutrição balanceada -
repetir a área e retornar o Forneça nutrição
plantio do gengibre após adequada para o
3 a 5 anos do último desenvolvimento das
cultivo. A rotação de mudas.
culturas ajuda a reduzir o
acúmulo de patógenos Análise de solo - faça
no solo. regularmente análise do
solo para melhor
eficiência da adubação.
16
REFERÊNCIAS
DO CARMO, Carlos Alberto Simões; BALBINO, José Mauro de Souza.
Gengibre. Vitória, ES: Incaper, 2015. 192p.
JÚNIOR, Ademar Espíndula et al. Adubação fosfatada para a
cultura do gengibre na região serrana do Espírito Santo. Revista
Caatinga: Espírito Santo, v. 27, n. 4, 2014, p. 126-134.
VENTURA, José Aires et al. Gengibre (Zingiber officinale Roscoe). 101
Culturas: Manual de tecnologias agrícolas. 2020.
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