ODONTOGERIATRIA
Odontogeriatria
Considera-se o envelhecimento como um fenômeno natural, mas que geralmente apresenta um au-
mento da fragilidade e vulnerabilidade, devido à influência dos agravos à saúde e do estilo de vida. A
dimensão cronológica é mensurada pelo calendário católico romano. A pessoa idosa é aquela com
idade de 60 anos ou mais, nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, conforme o critério da
Organização das Nações Unidas (ONU). Tal critério foi definido em 1982, na 1ª Assembléia Mundial do
Envelhecimento. Os países desenvolvidos consideram a pessoa idosa com idade de 65 anos ou mais.
A dimensão biológica se expressa pela alteração estrutural e funcional, a qual nem sempre coincide
com o avanço cronológico e a perda social. O envelhecimento é regulado por mecanismos celulares
intrínsecos e modulado por numerosas influências do meio ambiente.
Porém, as alterações biológicas tornam o idoso menos capaz de manter a homeostase quando sub-
metido ao estresse fisiológico. Tais alterações quando associadas, principalmente, à idade cronológica
avançada, determinam maior suscetibilidade ao aparecimento de doenças, à instalação de incapacida-
des físicas, mentais e funcionais, assim como a maior probabilidade de morte.
A senescência ou envelhecimento fisiológico é definido como um conjunto de alterações que ocorrem
no organismo humano que implica em perda progressiva da reserva funcional sem que comprometa as
necessidades básicas de manutenção de vida. Em contrapartida, a senilidade ou envelhecimento pa-
tológico denomina-se como conjunto de alterações que ocorrem no organismo em decorrência de do-
enças e do estilo de vida que acompanha o indivíduo até a fase idosa.
Entende-se que as doenças (senilidade) associadas às perdas fisiológicas (senescência) em idade
avançada poderão levar a insuficiência de órgãos, a incapacidade funcional e ao óbito.
A Terceira Idade considera-se o período que as pessoas estejam em boas condições físicas e mentais,
mas, algumas vezes, instalam-se limitações que podem tornar a vida diária complicada, sobretudo,
pela restrição funcional para algumas ou todas as atividades básicas e instrumentais da vida diária.
Estudos apontam que o maior temor da velhice está relacionado com a perda da saúde. As possibili-
dades para desenvolver as doenças e as incapacidades aumentam quando associadas ao estilo de
vida, tais como: tabagismo, sedentarismo, obesidade e etilismo.
Portanto, a dimensão social refere-se aos papéis e hábitos que a pessoa, ao longo do seu ciclo vital,
assume na sociedade e na família, a partir de um padrão culturalmente estabelecido. O envelhecimento
agregado à vulnerabilidade social pode, muitas vezes, manifestar-se pela diminuição ou perda do papel
desempenhado por longos anos, na esfera familiar, na social e na profissional. Considera-se que a
inatividade acarreta uma profunda alteração ao estilo e ritmo de vida, devido à perda do papel profissi-
onal e pessoal junto da família e da sociedade, por sentir-se em desigualdade diante dos que trabalham.
A Geriatria é uma especialidade médica que abrange os conhecimentos em torno do diagnóstico e do
tratamento das doenças que comprometem a saúde do indivíduo em processo de envelhecimento. E a
Gerontologia é um termo utilizado pelas diversas áreas de conhecimento, sejam elas: ciências biológi-
cas e da saúde, ciências humanas e sociais aplicadas, e ciências exatas que estudam o processo de
envelhecimento inter-relacionando ao contexto socioeconômico, cultural e ambiental.
Entende-se que a Gerontologia propõe a articulação das áreas de conhecimento por meio de discus-
sões e investigações de equipes multi ou interdisciplinares no intuito da construção e da consolidação
de políticas e dos programas de saúde na área do idoso. Enfim, é um campo vasto aos profissionais
para que possam atuar de maneira multi, inter e transdisciplinar nas questões que cercam o processo
de envelhecimento humano.
Odontologia Geriátrica
Nas últimas décadas, tem sido constatado um declínio nas taxas de natalidade e um aumento na ex-
pectativa de vida, com consequente crescimento da população idosa, graças ao desenvolvimento da
ciência e de novas tecnologias, que tem como objetivo a melhora na qualidade de vida 28. E quanto mais
longa a vida média da população, mais importante se torna o conceito de qualidade de vida, e a saúde
bucal tem um papel relevante nisso. Saúde bucal comprometida pode afetar o nível nutricional e o bem-
estar físico e mental e diminuir o prazer de uma vida social ativa.
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Os idosos com mais de 80 anos passarão de 69 milhões atuais para 379 milhões em 50 anos e esta
faixa da população deve ser incluída em planos governamentais que visam à qualidade de vida destes
indivíduos.
Envelhecer e manter a qualidade de vida, com saúde geral e bucal, serão os grandes desafios a serem
alcançados neste século. Tratar do idoso representará a manutenção e o aprimoramento da qualidade
de vida dessas pessoas e um grande aprendizado para o envelhecimento.
O envelhecimento populacional traz um número enorme de implicações de ordem econômica, política
e social e o conhecimento das alterações sistêmicas no idoso, incluindo incapacidades, saúde psíquica
e comportamento social, compõe a totalidade da realidade de um paciente cuja cavidade bucal deve
ser incluída em um amplo contexto a ser conhecido e considerado pelo cirurgião-dentista.
Historicamente existem deficiências acumuladas pelo sistema de saúde no tratamento odontológico no
idoso, como por exemplo, o despreparo de tal sistema para preencher as necessidades especiais do
idoso, a educação inadequada para treinamentos dos cirurgiões-dentistas interessados em Odontoge-
riatria e a má distribuição dos dentistas em regiões mais carentes.
A saúde do idoso sofre forte impacto da aposentadoria, pois leva o mesmo a maior exposição a doenças
associadas a inatividade física, tendo como principais fatores a ociosidade assim como a segregação,
levando à deterioração gradual dos processos sensoriais, e também induzindo o indivíduo a isolar-se
e desenvolver enfermidades crônicas ou degenerativas pelo próprio processo de envelhecimento.
A situação epidemiológica em termos de saúde bucal da população idosa no Brasil pode ser classifi-
cada como bastante severa e grave, pois a ruína da dentição é cada vez mais rápida. Então, um dos
temas centrais na melhoria da qualidade de vida dos idosos brasileiros, sendo já considerado como
questões epidemiológicas e demográficas, é o edentulismo. A perda da dentição influi sobre a masti-
gação, digestão, gustação, pronúncia, aspecto estético e predispõe a doenças geriátricas e os pacien-
tes edêntulos apresentam condições de saúde geral mais precária, mais incapacidades físicas e maior
chance de mortalidade do que em pacientes dentados. Além disso, na área da Odontogeriatria, os
estudos apontam, além do edentulismo, uma alta prevalência de cáries coronárias e radiculares, doen-
ças periodontais, desgastes dentais, dores orofaciais, desordens têmporo-mandibulares, alterações
oclusais, hipossalivação e lesões de tecidos moles.
Infelizmente, oito milhões de brasileiros com mais de 65 anos padecem pela falta de políticas públicas
adequadas e tratamento especializado. Por isso, a realização de procedimentos específicos em pro-
gramas de saúde pública para a população idosa se faz necessária, visto que esta faixa etária vem
aumentando a cada ano que passa. Existe, então, a necessidade de se revisar o planejamento dos
governos o mais rápido possível e os poderes públicos precisam investir maiores recursos na questão
da Odontogeriatria para que resultados mais promissores sejam alcançados, uma vez que é notoria-
mente sabido que "a saúde bucal é altamente responsável pela saúde geral do indivíduo".
Entende-se por envelhecimento o fenômeno biopsicossocial que atinge o homem e sua existência na
sociedade. Manifestando-se em todos os domínios da vida, inicia-se pelas células, passa aos tecidos
e órgãos e termina nos processos extremamente complicados do pensamento.
Esses processos são de natureza interacional, iniciam-se em diferentes épocas e ritmos e acarretam
resultados distintos para as diversas partes e funções do organismo. O envelhecimento é um novo
desafio para a saúde pública contemporânea, bem como um fator de risco para várias doenças bucais,
devido às alterações funcionais fisiológicas próprias do idoso.
As manifestações orais do envelhecimento modificam bioquimicamente o ambiente na cavidade oral,
podendo contribuir para o desenvolvimento da halitose, para a produção de saburra lingual (placa bac-
teriana que recobre a língua) que possivelmente causa problemas sistêmicos e doenças bucais como
a cárie e a doença periodontal.
A redução do fluxo salivar provoca uma maior retenção de células epiteliais descamadas, restos ali-
mentares e maior acúmulo de microorganismos, podendo levar ao aparecimento da cárie, que é uma
infecção que destrói bioquimicamente os tecidos mineralizados dos dentes. Em pacientes acima de 50
anos de idade, a cárie atinge o cemento dental e é produzida pelo Actinomyces Viscosus que têm como
hábitat normal as papilas filiformes da língua.
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Já as doenças periodontais, estão quase sempre associadas com a halitose, sendo que as bactérias
que causam a doença periodontal também se acumulam na placa bacteriana lingual. Vale ressaltar que
o incremento no índice de cáries radiculares no idoso está relacionado à exposição das raízes, quase
sempre expostas por problemas periodontais e não relacionado à idade. Outros fatores que também
influenciam no desenvolvimento destas são a xerostomia, a mastigação deficiente motivada pela perda
de dentes e a dieta cariogênica.
A prevenção da doença periodontal e da cárie é alcançada pela erradicação das causas desses pro-
cessos pela eliminação e controle da placa bacteriana e para prevenir estas doenças é fundamental o
desenvolvimento de uma higiene oral bem executada, através do uso de dispositivos como escova, fio
dental, escova interdental, dentifrícios fluoretados e soluções para bochecho.
A escovação requer o emprego de técnicas adequadas, e no caso dos idosos, a técnica de Bass mo-
dificada é uma das mais recomendadas. Para complementar a limpeza da escova, a utilização de fio
dental e das escovas interdentais se faz indispensável para as regiões interproximais dos dentes nos
sulcos gengivais.
Os dentifrícios fluoretados têm uma significativa ação cariostática, que aumenta com o passar dos anos
de uso. Já as soluções enxaguatórias na sua grande maioria apresentam alguma ação na eliminação
e controle da placa bacteriana, como as soluções à base de clorexidina, ainda que seu uso constante
é visto com certas restrições.
Devido ao aumento da população de idosos com complicações múltiplas e a necessidade da realização
de uma odontologia com ênfase no tratamento como um todo, o conhecimento das doenças crônicas
presentes torna-se de fundamental importância.
As doenças crônicas mais comuns em idosos são as respiratórias, condições coronárias avançadas,
debilidade renal, doenças cardiovasculares, artrite, distúrbios emocionais ou psicológicos como ansie-
dade ou depressão e endócrinas como a diabetes tipo dois. Então, é de extrema importância considerar
os eventuais distúrbios sistêmicos que podem envolver a cavidade bucal na sua apresentação clínica,
como por exemplo, um paciente diabético não controlado pode ter os tecidos bucais edemaciados,
sendo válido sinalizar que o diabetes favorece o aparecimento da doença gengival. Além disso, o dia-
betes produz halitose e dificulta a cicatrização.
Não é incomum pacientes apresentarem gengivites e periodontites de difícil controle em função de
glicemia elevada. Além disso, a infecção gengival dificulta o tratamento do diabético. Mas é importante
mencionar que os pacientes diabéticos frequentemente apresentam doenças cardiovasculares e estão
mais susceptíveis a processos infecciosos se a doença não está sendo adequadamente controlada.
As doenças cardiovasculares e o tratamento médico dispensado a pacientes cardíacos podem levar a
emergências durante o tratamento dentário. O controle constante da pressão arterial e da terapia com
anticoagulantes é indispensável.
No caso dos pacientes com Endocardite infecciosa é aconselhável a prescrição de antimicrobianos
para prevenir bacteriemias, antes dos procedimentos odontológicos.
Em relação à artrite, recomenda-se o posicionamento e o conforto nas atividades gerais destes paci-
entes, além de executar as atividades com suavidade, respeitando a dor e a tolerância, e evitar ativi-
dades que envolvam apreensão forte.
A higienização bucal pode se tornar difícil para os pacientes com artrite e outras doenças reumáticas
deformantes e então recomenda-se engrossar o cabo das escovas dentais e também apertar o tubo do
creme dental com as palmas das mãos, para que a força possa ser mais bem direcionada.
A escova elétrica pode ser também utilizada pelo paciente portador de artrite, embora a escova manual
utilizada com movimentos circulares e suaves permita maior estímulo articular.
Para uma higiene bucal satisfatória de pacientes idosos portadores ou não de artrite, mas que apre-
sentem menor capacidade funcional ou cognitiva, deve-se contar com o apoio de um cuidador para
complementação da higiene, com escova elétrica, além também de dispositivos em forma de "y" para
utilização do fio dental (ou suportes para fio dental) ou escovas interdentais, realizando o enxágue, em
caso de paciente acamado, com o auxílio de seringa descartável e cuba do tipo rim.
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Algumas doenças específicas associadas ao processo de envelhecimento, além do diabetes e das
doenças cardiovasculares, são a doença de Alzheimer/demência e a osteoporose. A doença de Alzhei-
mer e a demência vascular, além de outras doenças debilitantes e progressivas como o Parkinson,
podem levar à dependência total em estágios avançados.
Os pacientes com doença de Alzheimer/demência podem apresentar diferentes níveis de dificuldade
de comunicação e de comportamento, são casos típicos de pacientes que precisam de tratamentos em
casa, onde o direcionamento da atenção odontológica deve ser baseado na fase em que se encontra
a doença com o estabelecimento de uma rotina eficaz de cuidados que poderá incluir flúor, educação
preventiva e a utilização de digluconato de clorexidina. Já a osteoporose pode levar à perda acentuada
de osso alveolar e mais facilmente à fratura mandibular no caso de quedas ou de tentativas intempes-
tivas de exodontias feitas por profissionais que não levam este ponto em consideração.
Os pacientes idosos ainda podem estar sujeitos a outras complicações próprias da terceira idade, como
a depressão, perda da memória, estresse, aterosclerose, obesidade, incontinência urinária, alergias,
anemia e lesões da mucosa bucal. Diante de um paciente com anemia ou hipossalivação, como na
Síndrome de Sjögren, é importante que a escova dental tenha cerdas extramacias para menor risco de
lesão do tecido gengival.
No que se refere a lesões de mucosas, em uma revisão de literatura, as lesões mais frequentes rela-
tadas em idosos institucionalizados foram as seguintes: hiperplasias fibrosas inflamatórias, estomatites,
candidíases, queilite angular, associadas ao uso de próteses, além da presença de extensas hiperpla-
sias de palato (causadas pelo uso de prótese total superior com câmara de sucção), e em menor nú-
mero foram relatados leucoplasias e carcinomas.
Como medida preventiva no caso de portadores de próteses, deve-se aconselhar os idosos a não dor-
mirem com as mesmas, pois como os idosos são mais propensos a infecções o que facilitaria a conta-
minação por fungos, como a Cândida albicans, além de aumentar o risco de surgimento de lesões de
tecido mole, oriundas de traumas ou mesmo devido em relação à halitose.
Algumas deficiências crônicas podem ser encontradas no paciente geriátrico como a alteração auditiva,
catarata, deficiência ortopédica, zumbidos, deficiência visual, glaucoma, ausência das extremidades,
incapacidade para diferenciar cores, paralisia das extremidades.
Além disso, muitos idosos têm medo do cirurgião-dentista, muitos têm instabilidade de postura, que os
impossibilitam de deitar na cadeira ou levantar dela, muitos tem a mobilidade comprometida e depen-
dem de cadeiras de rodas, bengalas, apoio de terceiros para caminhar, ou simplesmente não andam
mais. E estas deficiências/alterações devem ser levadas em conta, uma vez que foi constatado que o
paciente geriátrico que possue algum grau de dependência, têm uma deficiência na higiene oral e que
representa o mais sério problema de saúde bucal.
O tratamento do paciente idoso difere do tratamento da população em geral, devido às mudanças fisi-
ológicas durante o processo de envelhecimento natural, da presença de doenças sistêmicas crônicas
e da alta incidência de deficiências físicas e mentais nesse segmento da população, e com isso,
a Odontologia Geriátrica ganha importância e deve incluir não somente tratamento protético, restaura-
dor e periodontal, mas também medidas preventivas. E é neste sentido que os governos devem investir
na questão da Odontogeriatria.
As atividades educacionais em saúde bucal desempenham um papel fundamental na qualidade de vida
de qualquer pessoa, em qualquer idade, pois a exemplo dos programas educacionais, atividades pre-
ventivas reduzem o risco de enfermidades bucais. Mas acredita-se que conhecer a percepção das pes-
soas sobre sua condição bucal deva ser o primeiro passo na elaboração de uma programação que
inclua ações educativas, voltadas para o autodiagnóstico e o autocuidado, além de ações preventivas
e curativas.
Em um estudo onde analisaram-se algumas atividades preventivas educacionais odontogeriátricas, foi
concluído que: a) as instruções de higiene, cuidados com dentes/próteses e a aprendizagem devem
ser uma constante; b) a sensibilização e a motivação para o aprendizado devem ser uma preocupação
incessante no contexto ensinoaprendizagem; c) a manutenção para uma modificação comportamental
educacional, deve ser feita com atividades frequentes e diversificadas (verbal, demonstrativa) para que
o indivíduo se sensibilize e se motive a aprender.
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Além disso, no estudo afirmou-se que é importante observar: a) o conteúdo do que se quer ensinar
(informações básicas, técnicas adequadas e de fácil aprendizagem, qualidade e quantidade da infor-
mação); b) a maneira (escrita, verbal, explicativa, audiovisual, adequação de linguagem, demonstração
prática); c) frequência (deve-se observar a motivação e interesse de cada um, sem sobrecarregar); d)
público alvo (diversidades culturais, sociais e econômicas, limitações físicas para o desenvolvimento
de atividades).
Mas para realizar as atividades educacionais, o cirurgião-dentista deve considerar com atenção e cri-
tério as peculiaridades familiares do idoso procurando adaptar às mesmas seus cuidados de saúde.
Neste sentido, é necessário o conhecimento da arquitetura do domicílio, seus obstáculos ambientais,
sua rotina de funcionamento de horários de trabalho, refeições etc., disponibilidade de apoio por parte
de familiares, empregados ou agregados ao idoso, pois deve-se conhecer não somente o paciente
como também a família e o seu responsável (cuidador) para ajudar o paciente na promoção de sua
saúde bucal.
No caso de idosos institucionalizados, qualquer programação que seja implementada deve estar ade-
quada as características organizacionais da instituição e dos residentes. Além disso, o profissional deve
também ser educador do cuidador, contribuindo para a organização, abrandamento e eficácia da rotina
de cuidados que um idoso dependente impõe.
Aspectos Psicológicos Relacionados o Idoso
O envelhecimento é um fenômeno da vida marcado por mudanças biológicas, psicológicas e sociais.
Além das mudanças físicas, como a maior dificuldade de audição, visão e paladar, por exemplo, ocor-
rem as mudanças nos papeis, na família, no trabalho e na sociedade.
É preciso estar atento ao estado psicológico do idoso, pois as mudanças como aposentadoria, a falta
de um papel dentro da sociedade, o isolamento familiar e a diminuição de contatos sociais poderão
levá-lo a uma diminuição da autoestima. Podem surgir alterações psíquicas, como depressão, somati-
zação, hipocondria, paranoia e até suicídio em alguns casos.
Precisamos sempre respeitar e entender o idoso com suas limitações. É preciso ter paciência, lembrar
que o idoso tem mais dificuldades físicas e psíquicas pela perda de massa muscular e neurônios. Por-
tanto, é comum que ocorram esquecimentos, como deixar gás ou torneiras ligadas, esquecer de fechar
portas, entre outros, e é comum que o idoso fique lento fisicamente.
Infelizmente muitos idosos são vítimas de violência, que pode ser física ou psicológica. São formas de
violência: constranger o idoso, ter preconceito contra o envelhecimento causado pelo culto à juventude,
falta de carinho, exploração financeira, falta de comunicação, abandono, maus tratos físicos, entre ou-
tras.
Muitas vezes, o idoso não quer incomodar e evita pedir ajuda. Portanto, sempre é necessário conversar,
ver se ele precisa de alguma coisa, dar atenção. É importante tratá-lo adequadamente, sem a neces-
sidade de infantilizá-lo ou tratá-lo como incapaz. O idoso deve sempre ser muito estimulado, tanto
fisicamente, quanto cognitivamente, visando manter da melhor forma possível sua autonomia e inde-
pendência.
A qualidade de vida na terceira idade pode ser definida como a manutenção da saúde em seu maior
nível possível. Em caso de alguma modificação significativa no humor ou no comportamento do idoso,
é necessário que a família busque ajuda profissional.
Atenção de Saúde ao Idoso
A organização e estruturação da atenção em Redes de Atenção à Saúde é uma diretriz do SUS orien-
tada pela Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010, que apresenta os fundamentos conceituais e
operativos essenciais a esse processo de organização, com vistas a assegurar ao usuário o conjunto
de ações e serviços que necessita, com efetividade e eficiência. Outro marco organizativo é o Decreto
nº 7.508, de 20 de junho de 2011, que regulamenta a Lei nº 8.080/1990 e dispõe sobre o planejamento,
a assistência à saúde e a articulação interfederativa. Cabe destacar também a agenda estratégica do
Ministério da Saúde para o período de 2011-2015, que contempla, no objetivo estratégico 6, o cuidado
da população idosa com o seguinte texto: “garantir a atenção integral à saúde da pessoa idosa e dos
portadores de doenças crônicas em todos os níveis de atenção”.
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Nesse contexto, a Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa define como uma de suas prioridades, a
construção de uma proposta de Modelo de Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa, com o objetivo
de contribuir para a organização da atenção e ampliação do acesso qualificado da população idosa no
âmbito do SUS.
O Modelo apresentará as diretrizes e estratégias para potencializar ações e serviços dirigidos às pes-
soas idosas já desenvolvidas nos territórios, de forma que sejam reconhecidos e articulados diferentes
pontos de atenção, compondo a rede de atenção às pessoas idosas, tendo a Atenção Básica como
coordenadora dessa ação.
A atenção deve ser baseada nas necessidades da população, centrada no indivíduo, considerando sua
integração na família e na comunidade, em substituição à atenção prescritiva e centrada na doença.
A especificidade e a heterogeneidade nos processos de envelhecer devem ser consideradas, a partir
dos determinantes sociais da saúde, nos seus mais diferentes aspectos, considerando ainda as dife-
renças de gênero e raça, buscando a equidade e resolutividade do cuidado a ser ofertado. Para isso,
as especificidades e singularidades da população idosa com suas novas demandas de cuidado devem
ser priorizadas na organização e oferta de serviços.
É necessário também incluir em todas as etapas de organização do cuidado a garantia do acesso, o
acolhimento e cuidado humanizados da população idosa nos serviços de saúde do SUS, ou seja, não
só exercitar a escuta, mas propiciar que esta se traduza em responsabilização e resolutividade, o que
leva ao acionamento de redes internas, externas e multidisciplinares.
O cuidado deve ser orientado a partir da funcionalidade global da pessoa idosa, considerando o risco
de fragilidade existente e o seu grau de dependência (capacidade de execução), buscando a autonomia
(capacidade de decisão) possível, do sujeito em questão.
Além do investimento na articulação setorial, a articulação intersetorial consiste em diretriz potente na
busca de respostas às demandas da população idosa, em especial no que se refere à Política de As-
sistência Social.
Essa articulação visa ao estabelecimento de consensos, definição de responsabilidades compartilha-
das para construção de projetos, com prioridade nos temas da atenção domiciliar, centro-dia, cuidado-
res de idosos, enfrentamento à violência e a qualificação do cuidado oferecido em Instituições de Longa
Permanência para Idosos (ILPIs).
A implantação do modelo deve ser pactuada entre as três esferas do SUS, com definição de objetivos
e metas de curto, médio e longo prazo, investindo no desenvolvimento da capacidade de gestão para
planejar, monitorar e avaliar o desempenho da atenção ofertada.
A organização do cuidado das pessoas idosas deve ser articulada em rede, no âmbito de uma Região
de Saúde, ou de várias delas. A organização e o financiamento desse cuidado deverão ser pactuados
nas Comissões Intergestores.
A estruturação de um sistema logístico que permita a articulação entre os diferentes pontos de atenção,
garantindo o transporte sanitário, estruturando o fluxo dos usuários entre os diferentes pontos de aten-
ção, tanto nas situações de urgências quanto no acompanhamento longitudinal.
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