INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS UNIDADE 01 AULA 02
INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA
Literatura e o
universo escolar
1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM
Compreender a necessidade da formação leitora do professor para
a formação de leitores.
Reconhecer a importância de despertar o interesse e o gosto do
leitor pelo texto de natureza literária em seus diversos gêneros e
épocas.
Compreender a importância de conhecer os fundamentos teórico-
metodológicos relativos à aplicação de procedimentos
capazes de ampliar as possibilidades de abordagem de
leitura literária no âmbito escolar.
INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS - Literatura e o universo escolar
2 COMEÇANDO A HISTÓRIA
Caro aluno e aluna.
Na aula anterior, empreendemos discussões em torno do estado de leitura
e leitores em nosso país bem como promovemos reflexões no sentido de
fomentar a necessidade da formação do leitor. Essas discussões estão mais
evidenciadas na Unidade I de Introdução aos Estudos Literários, que trata de
questões relacionadas à leitura e à formação leitora, mas, certamente, estendidas
a componentes curriculares deste Curso à medida que se estabelecerá a relação
entre leitura, literatura e escola. Nesse caso, entende-se a escola tanto como
o local onde se dá a aprendizagem da leitura, a preparação para o consumo
de obras literárias de gêneros diversos, quanto o espaço de promoção do
encantamento, transmitido desde a educação infantil por meio do contato
direto com o mundo da oralidade e da imagem, quando se leem contos de
fadas, fábulas, poemas etc.
Os resultados da recente pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, apontando
que a maioria dos livros lidos no país é indicada pela escola, tendem a aumentar
a responsabilidade dos professores na formação de cidadãos leitores, inclusive
na formação do leitor de literatura.
Nessa perspectiva, a escolarização da literatura é um processo inevitável no
universo escolar, como defende Magda Soares (1999), mas é perceptível que
alguns professores ainda se sentem pouco à vontade em lidar com a matéria
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UNIDADE 01 AULA 02
dessa disciplina e dão ao texto literário um tratamento inadequado ao gênero,
fato que acaba desfavorecendo a concepção da leitura literária como produção
de sentido e de experiências.
Ao discutir a leitura literária na escola, Marisa Lajolo (2006) nos alerta que
certas discussões e propostas com vistas ao uso do texto literário em sala de aula
acabam por transformar-se em armadilhas para o professor, que acaba adotando
“técnicas milagrosas” para o convívio com o texto. Em razão dessa fragilidade
pedagógica, estabelece-se uma harmonia aparente entre leitor e texto, o que
provoca naturalmente o desencontro entre o sujeito e a leitura. Nesse aspecto,
Lajolo (2006, p.15) é bem sucinta: “ou o texto dá um sentido ao mundo, ou ele
não tem sentido nenhum. E o mesmo se pode dizer de nossas aulas”.
Como se sabe, se o texto não faz sentido ao leitor, não há como progredir nesse
processo de formação. Para alcançar tal propósito, alguns questionamentos já
foram apontados na aula anterior, embora outros mereçam consideração, tais
como: É possível alguém gostar de ler, se não teve no ambiente familiar, na
escola ou em outro espaço de formação um modelo de leitor? Qual o percurso
para a construção de um país de leitores? Como despertar nos jovens leitores
o interesse pela leitura do gênero literário? Como proceder para que os alunos
possam conceber a leitura literária como um bem precioso, capaz de apresentar
uma fonte inesgotável de atrativos?
Os desafios são inúmeros, e não nos esqueçamos de que, conforme debate na
aula anterior, o imperativo do verbo "ler" é puramente retórico, ou seja, ordenar
alunos a lerem não os transformarão em leitores. Por isso, há necessidade de
repensarmos as práticas docentes adotadas nesse processo, considerarmos as
contribuições teórico-metodológicas no campo (que serão abordadas pelas
disciplinas ministradas neste Curso), para, a partir daí, estabelecermos relações
entre leitura, literatura e sala de aula. Dessa forma, é possível descobrirmos
quais ações, dentre as possibilidades de tratamento mais coerente e exploração
mais adequada ao gênero, devem ser efetivadas na mediação de sua leitura.
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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS - Literatura e o universo escolar
Figura 2: Escola Tomé Francisco da
Silva, localizada em um povoado
rural de Lagoa da Cruz, no alto de
uma serra do Sertão do Pajeú, em
Quixaba (PE)1
É o diálogo considerado um tanto difícil, mas possível, entre a literatura e a
escola que pretendemos empreender nesta aula. Vamos às discussões?
3 TECENDO CONHECIMENTO
3.1 Leitura e professor: mediação necessária na formação
de leitores
A escola, espaço de prática educacional
sistemática e planejada, tem papel decisivo
na formação e capacitação de agentes/
mediadores de leitura, entre os quais se incluem
especialmente professores. Nessa perspectiva,
este Curso tem como um de seus objetivos
instrumentalizar profissionais em sua práxis
pedagógica, para atuar na Educação Básica, no
que diz respeito também ao campo da leitura,
no qual inclui o texto de natureza literária. Figura 3
Conforme defende Regina Zilberman (2012), “a escola constitui o espaço
por excelência de aprendizagem, valorização e consolidação da leitura,
cooperando com o processo de legitimação da literatura e da escrita no mundo
1 A instituição conquistou o título de melhor escola pública de Pernambuco em 2009. No mesmo
ano, obteve o segundo lugar no Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar, promovido
pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (CONSED). A escola atingiu nota 6,5 no IDEB
(quando a meta do Ministério da Educação é atingir, até 2022, a média nacional 6, que corresponde
ao índice de países desenvolvidos); obteve ainda nota 585,33 no Enem de 2010, e ficou em primeiro
lugar entre as escolas regulares de Pernambuco.
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UNIDADE 01 AULA 02
capitalista”. Para a pesquisadora, a associação entre a história da literatura e a
história da educação indica quão próxima a literatura está do ensino, da sala
de aula e do professor. Por isso, antes de se estabelecer relações entre leitura,
literatura e escola, é necessário definir o papel de uma figura imprescindível
nessa mediação, o professor, que parece ser hoje o salvador da condenação a
um “apartheid literário”, impingido pela família às crianças, à medida que não
medeia o contato com a leitura.
Para ilustrar a importância do desempenho do professor na formação leitora,
compartilho um episódio contado pela escritora Ana Maria Machado em um
simpósio sobre literatura:
Nos anos 60, a época de ouro do futebol no Brasil, tivemos dois jogadores
assombrosos e incomparáveis, nunca superados. Um era Pelé, o atleta perfeito,
insuperável, preparado, inteligente, um gênio da bola. Outro era Garrincha, um
duende de pernas tortas, que disputava as partidas como se fosse um menino
brincando, driblava como ninguém, fazia os torcedores darem gargalhadas, e era
conhecido como “a alegria do povo”. Antes de um dos jogos decisivos na Copa do
Chile em 1962, contra a Rússia, Pelé estava machucado e não ia jogar, o técnico
reuniu a equipe no vestiário e explicou toda a tática que deveriam empregar:
“quando o adversário vier por aqui, vocês jogam a bola por ali, quando eles fizerem
isso, vocês fazem aquilo...” e assim por diante. Todos ouviram atentos e, ao final,
Garrincha fez apenas uma pergunta: “Alguém já combinou isso com os russos?
”(MACHADO 2001, p. 117-8).
Por analogia, os russos somos nós, os professores. Em seu depoimento, Ana
Maria Machado acrescenta que é dito que ler é bom, é útil, é importante, que até
há o incentivo a ler, mas se esquece de combinar com os professores, os quais
não jogam como se espera que o façam, ou seja, não leem, não vivem com os
livros uma relação boa, útil, importante. Logo, não podem dar exemplo e não
conseguem, verdadeiramente, passar paixão pelos livros. A autora acredita que
não se ensina a ler literatura, mas é convencida de que uma pessoa passa para
outra a revelação de um segredo – o amor pela literatura, o que significa mais
uma contaminação do que um ensino.
Pensando a partir da analogia apresentada, de nada adianta as políticas
de incentivo à leitura ou do fomento ao livro, o desenvolvimento do mercado
editorial com a quantidade extraordinária de títulos destinados ao público
infantojuvenil, inclusive enviados para escolas públicas, se os professores não se
sentem preparados para transmitir aos jovens leitores o que eles próprios não
têm. Para ilustrar essa concepção, mais uma vez recorremos ao posicionamento
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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS - Literatura e o universo escolar
de Ana Maria Machado, ao proferir palestra, intitulada “Entre vacas e gansos –
escola, leitura e literatura”, para uma plateia de professores:
Muitas vezes tenho a impressão de que os mestres recém-
formados chegam a uma escola como se estivessem indo
para uma granja e não sabem o que fazer com os livros
diante de todos aqueles animaizinhos humanos que os
olham com olhares brilhantes e esperançosos. Assim,
os professores se alternam. Às vezes tratam os alunos
como gansos: agarram-nos pelo pescoço, os imobilizam e
enfiam quantidades de comida pela goela abaixo, tendo o
cuidado de não alimentá-los realmente, porque não é isso
o que interessa, já que cumpre apenas promover as futuras
gorduras especiais e preciosas, que valem no mercado. Em
outros momentos, os tratam como vacas: sentam-se a seu
lado, os acariciam, tocam suas intimidades, mas apenas para
ordenhá-los, extrair deles o que possa ser útil à produção
do sistema e garantir mais lucro e permanência do negócio,
ao comprovar que, afinal, a granja funciona, e consegue
transformar capim em leite (MACHADO, 2001, p. 118-9).
Assim como Ana Maria Machado, acreditamos que a falta de paixão do
professor pela leitura seja consequência da formação desse profissional, que
não teve seu entusiasmo devidamente despertado para dar continuidade a
esse gosto. Dessa forma, em virtude desse despreparo, professores se sentem
divididos entre o excesso de informação, advindo do texto que pode servir,
por exemplo, para indicar tão somente a historiografia dos estilos literários, e
a avaliação utilitária de um texto literário que é usado apenas para identificar
elementos linguístico-gramaticais.
Ainda sobre essa relação, leia a seguir parte de uma entrevista da especialista
em Literatura, Regina Zilberman (2012), concedida à Revista Nova Escola.
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UNIDADE 01 AULA 02
Nova Escola: O que já pode ser considerado como premissas para o docente no
trabalho com a leitura?
Regina Zilberman: Parece óbvio o que vou dizer, mas a premissa é a de que o
professor seja um leitor. Não apenas um indivíduo letrado, mas alguém que, com
certa frequência, lê produtos como jornais, revistas, bulas de remédio, histórias em
quadrinho, romances ou poesias. O professor precisa se reconhecer como leitor e
gostar de se entender nessa condição. Depois, seria interessante que ele transmitisse
aos alunos esse gosto, verificando o que eles apreciam. Esse momento é meio
difícil, pois, via de regra, crianças e jovens tendem a rejeitar a leitura porque ela é
confundida com o livro escolar e a obrigação de aprender. Se o professor quebrar
esse gelo, acredito que conseguirá andar em frente. A terceira etapa depende de
a escola, por meio da biblioteca, da ação do professor e do interesse dos alunos,
disponibilizar livros para todos [...].
Considerando as preocupações aqui elencadas, iniciadas desde nossa
primeira aula, a proposta desta disciplina é convidar professores, e futuros
professores, a participarem do jogo que envolve a literatura na escola, de maneira
que repensemos as nossas práticas sociais de leitura (se assim necessário), a fim
de que escolhamos procedimentos teórico-metodológicos adequados para a
formação de cidadãos leitores, a começar pela nossa própria sala de aula.
Para o encerramento temporário dessa discussão, apresento-lhe a seguinte
declaração de Machado (2001, p. 125) – para quem todo cidadão tem o direito
de descobrir o que é literatura, para que se lê, qual o sentido que essa leitura
pode ter em sua vida; para, a partir daí, decidir se quer ou não fazer parte desse
universo encantador: “todo professor (mesmo que ensine ciência ou história)
tem o dever de estar em condições de dar ao aluno a oportunidade de fazer
essa descoberta. E talvez, juntos, discutir sobre alguns dos livros e autores que
os fascinam”.
Abordada a importância do professor leitor para o trabalho de formação
de leitores, o intuito agora é pensar formas para que a leitura literária esteja
efetivamente presente em sala de aula. Sigamos, então, com o nosso propósito.
3.2 Literatura e escola: formando leitores
Mesmo com o diálogo entre professor e escola sobre a prática docente,
promovido pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, pelas Orientações
Curriculares Nacionais e pelo número significativo de pesquisas relativas
ao ensino de Literatura, parece não ser suficiente para obtenção de avanços
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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS - Literatura e o universo escolar
esperados sobre o seu ensino. Debates nesse campo giram em torno da
necessidade de permanência da Literatura no currículo escolar do Ensino
Médio, disciplina obrigatória na última etapa da Educação Básica. Isso se deve
principalmente às imposições mercadológicas, mas, como se trata de um
debate que merece discussões mais amplas, será logo travado na disciplina
Literatura e Ensino.
A natureza do discurso literário talvez seja uma razão da dificuldade de seu
tratamento na escola, ora considerada disciplina escolarizada, ora meramente
matéria artística, e como tal não se enquadraria em práticas pedagogizantes. O
fato é que a Literatura é um modo discursivo entre vários, como é o didático, o
científico, o coloquial etc. As Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino
Médio, ao tratar dos conhecimentos de Literatura, defendem:
“[...] o discurso literário decorre, Figura 4
diferentemente dos outros, de um modo de
construção que vai além das elaborações
linguísticas usuais, porque de todos os
modos discursivos é o menos pragmático, o
que menos visa a aplicações práticas. Uma
de suas marcas é sua condição limítrofe,
que outros denominam transgressão, que
garante ao participante do jogo da leitura
literária o exercício da liberdade, e que pode
levar a limites extremos as possibilidades
da língua (BRASIL, 2006, p.49) .”
disponibilizado em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_conten
t&view=article&id=13558&Itemid=859
Nesse aspecto, o texto literário possui outras dimensões abertas à exploração
de cada leitor, pois não se trata de uma leitura que transmite tão somente
conteúdos estipulados pelos programas escolares. Sendo esse objeto artístico
imbuído de todo seu valor estético, necessita da subjetividade, da pluralidade
de leituras para ser apreciado. Ademais, é sabido que a literatura incentiva o
imaginário, a criatividade, a viagem pelo mundo da fantasia e a identificação de
si mesmo com o mundo.
A literatura pode ser considerada ainda como uma poderosa arma no
processo de inclusão. Embora se reconheçam as muitas limitações de natureza
econômica ou social para se solidificar a inclusão, reconhece-se igualmente
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UNIDADE 01 AULA 02
que o acesso a essa manifestação artística não é somente um direito, mas uma
necessidade que deve ser estendida a todos. Ora, se até o século XIX a leitura foi
privilégio de uma minoria, hoje, por meio da escola, é possível permitir o acesso
bem mais amplo a esse bem cultural.
O crítico literário brasileiro Antonio Candido (1995), ao tratar sobre o direito
à literatura, defende que essa manifestação artística humaniza. Mas será que
o conhecimento por parte do professor do lugar comum de que a literatura
humaniza é suficiente para a sua “adequada escolarização”? O que o professor
define como Literatura? De que maneira as obras e os textos discutidos em sala
são selecionados? Quais os procedimentos utilizados na leitura e análise de
uma narrativa, de um poema, de um texto dramático?
Dentre outros elementos, segundo Bordini (1988), para que a leitura da
obra literária esteja efetivamente presente em sala de aula, é necessário que
o professor leitor tenha uma boa fundamentação teórica e metodológica,
uma vez que cabe a ele a responsabilidade de selecionar a diversidade de
obras disponibilizadas pelo mercado editorial. Nessa seara, são muitas
as possibilidades conceituais e metodológicas que a leitura nos oferece
atualmente.
No que se refere aos aspectos teóricos acerca da linguagem e da literatura,
você terá oportunidade, no decorrer deste Curso, de realizar leituras de Mikhail
Bakthin, Michel Foucault, Roger Chartier, Jean Piaget, Wolfgang Iser, Hans
Robert Jauss e muitos outros que sustentam teorias mais amplas nessa área de
conhecimento. Por meio dessas leituras, você discutirá um modelo educacional
que privilegia o aluno como descobridor do texto e de sua plurissignificação,
envolvendo a sua posição de leitor em relação ao texto e à intertextualidade –
um leitor que ganha autonomia e atribuição de poder para completar sentidos
do texto, dialogar com o autor, recriar suas leituras e até ultrapassar seu
horizonte de expectativas.
Munido de vínculo afetivo com a criação literária e de posse dos
conhecimentos teóricos, o professor pode desenvolver uma série de
procedimentos pedagógicos que ampliem as possibilidades de abordagem de
leitura literária no âmbito escolar, de maneira a promover o acesso a esse gênero
e ao conhecimento de muitos clássicos da literatura – objeto de discussão de
nossa próxima aula. Aguardo você.
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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS - Literatura e o universo escolar
EXERCITANDO
Quais as minhas ações na formação de novos leitores?
Vamos relembrar um trecho do artigo Brasileiro não gosta de ler?, de Lya Luft,
sugerido como leitura na aula anterior?
“Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro
uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida:
percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar
prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por
Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Veríssimo e outros
tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez,
pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance
ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica
ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.”
Considerando o posicionamento da escritora e as discussões realizadas
nesta aula, apontando a importância de o professor ser leitor e conhecer os
procedimentos teórico-metodológicos para efetivar a prática de leitura em sala
de aula, o que você, como mediador ou futuro mediador entre o sujeito e a
leitura, pretende fazer para realizar o exercício dessa prática com seus alunos?
4 APROFUNDANDO SEU CONHECIMENTO
Quer aprofundar o seu conhecimento sobre o assunto tratado nesta aula?
Segue uma dica da leitura na íntegra do artigo, extraído do livro Texturas sobre
leituras e escritos, de Ana Maria Machado, intitulado “Entre vacas e gansos –
escola, leitura e literatura”, produzido originalmente para a palestra proferida
no V Simpósio sobre Literatura Infantil y Lectura – Encuentro Iberoamericano
para uma Educación Lectora”, novembro de 1998, Madri.
Sugerimos também a leitura da entrevista concedida por Ana Maria Machado
à Revista Educação, disponível em http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_
revistas/revista_educacao/abril02/entrevista.htm. Acesso em: 1º abr. 2012.
Como forma de aprofundar ainda mais seus conhecimentossobre a formação
de leitores literários, acesse a página http://revistaescola.abril.com.br/leitura-
literaria/e saiba...
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UNIDADE 01 AULA 02
Figura 5: Site - Revista Escola
5 TROCANDO EM MIÚDOS
Você deve ter percebido, durante esta aula, que a questão da leitura,
da literatura e do leitor passa a ter lugar específico no universo dos estudos
literários.
A literatura apresenta obras, reflexões e questionamentos acerca de tudo
o que envolve o homem. A fim de explorar essa multiplicidade de leituras,
entretanto, é necessária a mediação do professor que, além de ser um leitor,
deve desempenhar um papel relevante no despertar do gosto pela leitura
literária. Para tanto, cabe aos educadores buscar metodologias que guiem sua
prática, bem como selecionar textos de qualidade que desenvolvam em seus
alunos a capacidade da leitura crítica.
As discussões empreendidas nesta aula certamente contribuirão para
a construção de um pensamento que defende a formação de professores
mediadores de leitura, subsídio importante para a tão sonhada constituição de
futuros leitores. Ao longo do Curso, você ainda terá a oportunidade de discutir
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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS - Literatura e o universo escolar
teorias e metodologias adequadas para se atingir o propósito de fazer com que
as crianças e os jovens de hoje leiam mais do que nas gerações anteriores. Com
esse propósito, consequentemente, promoveremos uma maior transformação
cultural com vistas à construção de uma sociedade menos desigual.
6 AUTOAVALIANDO
De acordo com tudo o que vimos sobre os aspectos que envolvem a leitura
literária na escola, a formação leitora do professor – a quem cabe mediar o
encontro entre o leitor neófito e a literatura –, como você avalia a sua prática
de leitura em sala de aula? Será que os critérios adotados para a escolha de
obras ou textos literários, explorados em suas aulas, são adequados para formar
leitores?
Se não é atuante na docência, você considera adequados os procedimentos
metodológicos utilizados pelos seus professores durante o período de sua
Educação Básica?
7 PRATICANDO
Formulação de políticas públicas, programas e projetos de governo (e
parcerias privadas), previstos em orçamentos que visam à melhoria da qualidade
de vida dos cidadãos, ações que objetivam promover práticas deleituras, podem
ser a condição fundamental para formar cidadãos leitores.
Não basta saber, porém, que as obras destinadas ao público infantojuvenil,
antes de chegar às mãos desses leitores, passam por instâncias de legitimação
que parte de ações, como as políticas de aquisição e circulação do livro do
Ministério da Educação (MEC), passam pelo Plano Nacional do Livro e Leitura
(PNLL), pelos selos de recomendação da Fundação Nacional do Livro Infantil e
Juvenil (FNLIJ) e pelos editais e concursos literários.
Cumprido o percurso da cadeia produtiva, as obras precisam chegar ao seu
destinatário final – os leitores. Nesse ponto, começa o desafio dos professores,
agentes diretos dessa mediação: efetivar as ações/políticas de fomento à
leitura. Mas, se ainda enfrentamos problemas para que a leitura, especialmente
a literária, se torne uma prática consolidada em nosso país, isso se dá em virtude
do acesso limitado e da falta de estímulo à leitura?
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UNIDADE 01 AULA 02
Descubra essas questões obtendo as seguintes informações na escola onde
você atua como docente; ou, se ainda não é professor, faça a sua pesquisa em
uma escola de seu acesso.
1) As propagandas governamentais apregoam que os programas do MEC
compram livros para serem distribuídos nas escolas brasileiras. Verifique
se esse acervo chega à sua escola e se está sendo utilizado em sala de
aula.
2) Sua escola oferece salas e cantos de leitura? Existem ações de leitura
efetivas e sistemáticas em sua escola? Descreva-as.
3) Qual o papel da biblioteca no desempenho da formação do leitor?
As obras de natureza literária destinadas ao jovem leitor têm espaço
garantido nas prateleiras da biblioteca ou dão lugar unicamente a textos
didáticos? Como aproveitar ao máximo a biblioteca e fazer dela um lugar
de interesse contínuo para a leitura?
Para divulgar os resultados dessa pesquisa e compartilhar as informações
obtidas, que tal a publicação em um Fórum de discussão?
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REFERÊNCIAS
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Linguagens, códigos e suas tecnologias / Secretaria de Educação Básica. Brasília:
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