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Continuidade de Funções Matemáticas

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Apontamentos 1

Funções contínuas
Matemática A - 12º ano - Ensino Secundário

Função contínua num ponto.


Sendo 𝑓 ∶ 𝐷 ⊂ ℝ → ℝ e 𝑎 ∈ 𝐷𝑓 , a função 𝒇 é contínua no ponto 𝒂 quando lim 𝑓(𝑥) existe.
𝑥 →𝑎

Ou seja, se:
lim f(x) = lim+ f(x) = f(a).
x→a- x→a

Exemplo 1:
Considere os gráficos, abaixo representados, das funções f, g, h e i.
O que poderá dizer sobre a continuidade destas funções no ponto x = −1 ?

y y y y

g i
4 f 4 h
3 3 3 3

-1 0 x -1 0 x -1 0 x -1 0 x

Resolução:
Função f : A função f não é contínua em x = −1 , pois lim− 𝑓(𝑥) ≠ lim+ 𝑓(𝑥)
𝑥→−1 𝑥→−1

Função g : A função g não é contínua em x = −1 , pois o lim− 𝑔(𝑥) ≠ 𝑔(−1)


𝑥→−1

(e lim+ 𝑔(𝑥) ≠ 𝑔(−1)).


𝑥→−1

Função h : A função h não está definida em x = −1 , logo não poderá ser contínua nesse
ponto.
Função i : A função i é contínua em x = −1 , pois lim − 𝑖(𝑥) = lim+ 𝑖(𝑥) = 𝑖(−1).
𝑥→−1 𝑥→−1

Exemplo 2:
Considere a função real de variável real 𝑓 definida em ℝ por:
𝑥2 − 𝑥
se 𝑥 ≠ 1
𝑓(𝑥) = { 𝑥 − 1
0 se 𝑥=1
Verifique se 𝑓 é contínua em 𝑥 = 1.

1|P á g i n a
Resolução:
Vamos averiguar se existe lim 𝑓(𝑥).
𝑥→1

𝑥 2 −𝑥 𝑥(𝑥−1)
lim− 𝑓(𝑥) = lim+ 𝑓(𝑥) = lim = lim = lim 𝑥 = 1 ≠ 0 = 𝑓(1)
𝑥→1 𝑥→1 𝑥→1 𝑥−1 𝑥→1 𝑥−1 𝑥→1

Como não existe lim 𝑓(𝑥), a função 𝑓 não é contínua em 𝑥 = 1.


𝑥→1

Exemplo 3:
Determine o valor de 𝑘 ≥ 0 de forma a que a função seguinte seja contínua em 𝑥 = 𝑘.
𝑥−𝑘
se 𝑥 > 𝑘
𝑓(𝑥) = { √𝑥 − √𝑘
𝑘 se 𝑥≤𝑘
Resolução:
lim 𝑓(𝑥) = lim 𝑘 = 𝑘 = 𝑓(𝑘)
𝑥→𝑘 − 𝑥→𝑘−

𝑥−𝑘 (𝑥−𝑘)(√𝑥+√𝑘) (𝑥−𝑘)(√𝑥+√𝑘)


lim+ 𝑓(𝑥) = lim+ = lim+ ( = lim+ (𝑥−𝑘)
= lim+ (√𝑥 + √𝑘) = 2√𝑘
𝑥→𝑘 𝑥→𝑘 √𝑥−√𝑘 𝑥→𝑘 √𝑥−√𝑘)(√ 𝑥+√𝑘) 𝑥→𝑘 𝑥→𝑘

A função 𝑓 só é contínua em 𝑥 = 𝑘 se existir lim 𝑓(𝑥).


𝑥→𝑘

lim 𝑓(𝑥) = lim+𝑓(𝑥) = 𝑓(𝑘) ⟺ 𝑘 = 2√𝑘 ⟺ 𝑘 2 = 4𝑘 ⟺ 𝑘 2 − 4𝑘 = 0 ⟺ 𝑘(𝑘 − 4) = 0 ⟺


𝑥→𝑘 − 𝑥→𝑘

⟺𝑘 =0∨𝑘 =4
Como 𝑘 ≥ 0, temos 𝑘 ∈ {0, 4}.

Continuidade de uma função num conjunto.


Dada uma função 𝑓, real de variável real de domínio 𝐷𝑓 , diz-se que a função 𝒇 é contínua em
𝑨 ⊂ 𝑫𝒇 quando 𝑓 é contínua em todos os pontos de 𝐴.
Quando a função 𝒇 é contínua em todos os pontos do seu domínio diz-se simplesmente que
é contínua.

2|P á g i n a
Operações com funções contínuas.
Sendo 𝑓 ∶ 𝐷𝑓 ⊂ ℝ → ℝ e 𝑔 ∶ 𝐷𝑔 ⊂ ℝ → ℝ, duas funções contínuas num ponto 𝑎, então as
funções:
 𝑓+𝑔  𝑓−𝑔  𝑓×𝑔


𝑓
se 𝑔(𝑎) ≠ 0  𝑓𝑟, 𝑟 ∈ ℚ
𝑔

são contínuas em 𝑥 = 𝑎.

Funções de referência para a continuidade:


 Toda a função polinomial tem limite em todos os pontos do seu domínio ( ℝ ),
pelo que é uma função contínua.
𝑃(𝑥)
 Uma função racional fica definida pelo quociente de dois polinómios , e o seu
𝑄(𝑥)

domínio é dado por { 𝑥 ∈ ℝ ∶ 𝑄(𝑥) ≠ 0 }. Qualquer função racional é contínua


pois é o quociente de duas funções polinomiais.
𝑚
𝑛
 Uma função potência de expoente racional, 𝑓(𝑥) = 𝑥 𝑛 = √𝑥 𝑚 , 𝑚, 𝑛 ∈ ℤ,
também é uma função contínua.
 As funções seno, cosseno e tangente também são funções contínuas.

Exemplo 4:
Considere a função 𝑓 definida em ℝ por:
2
𝑥2
1 + ( 𝑥 2 −𝑥 ) se 𝑥 < 0

𝑓(𝑥) =
1 se 𝑥=0

√𝑥
{ se 𝑥>0
√𝑥+𝑥

Mostre que 𝑓 é contínua no seu domínio.


Resolução:
𝐷𝑓 = ℝ
 Em ]−∞, 0[, 𝑓 é contínua por ser definida pela soma de funções contínuas:
 uma função polinomial, 𝑦 = 1
 uma potência de expoente natural de uma função racional definida neste
2
𝑥2
intervalo, 𝑦 = ( 𝑥 2 −𝑥 )

3|P á g i n a
 Em ] 0, +∞[, 𝑓 é contínua por ser definida pelo quociente de funções contínuas:
 uma potência de expoente racional de uma função contínua (função
identidade), 𝑦 = √𝑥
 uma soma de funções contínuas não nula neste intervalo, 𝑦 = √𝑥 + 𝑥, uma
potência de expoente racional de uma função contínua (função identidade), e
função identidade.

 No ponto 𝑥 = 0
2 2 2
𝑥2 𝑥2 𝑥2
lim− 𝑓(𝑥) = lim− [1 + ( 𝑥 2 −𝑥 ) ] = 1 + lim− ( 𝑥 2−𝑥 ) = 1 + lim− ( 𝑥(𝑥−1) ) =
𝑥→0 𝑥→0 𝑥→0 𝑥→0

𝑥 2
= 1 + lim− ( 𝑥−1 ) = 1 + 02 = 1
𝑥→0

√𝑥 √𝑥 √𝑥 𝑥
lim+ 𝑓(𝑥) = lim+ = lim+ (√𝑥+𝑥)√𝑥
= lim+ =
𝑥→0 𝑥→0 √𝑥+𝑥 𝑥→0 𝑥→0 𝑥+𝑥√𝑥
𝑥 1 1
lim = lim+ = =1
𝑥→0+ 𝑥(1+√𝑥) 𝑥→0 1+√𝑥 1+√0

𝑓(0) = 1
Como lim− 𝑓(𝑥) = lim+ 𝑓(𝑥) = 𝑓(0), existe lim 𝑓(𝑥), pelo que 𝑓 é contínua no ponto
𝑥→0 𝑥→0 𝑥→0

𝑥 = 0.
Assim, podemos concluir que a função 𝑓 é contínua em ℝ.

4|P á g i n a
Teorema de Bolzano.
Observe o gráfico das seguintes funções:

y y y

f h
k k g k

0 a c b x 0 a b x 0 a b x

Os gráficos das funções 𝑓 e 𝑔, são gráficos de funções contínuas em [𝑎, 𝑏], e por serem
contínuas em [𝑎, 𝑏], não passam de um valor para outro sem passarem por todos os valores
intermédios. Ou seja, se desenharmos uma reta perpendicular ao eixo 𝑂𝑦 em qualquer
ponto do intervalo [𝑓(𝑎), 𝑓(𝑏)], esta reta vai intersetar o gráfico da função 𝑓 em pelo menos
um ponto. O mesmo acontece quando consideramos o intervalo [𝑔(𝑎), 𝑔(𝑏)] e o gráfico da
função 𝑔.
A função ℎ não é contínua em [𝑎, 𝑏] e, portanto, não podemos garantir que qualquer reta
perpendicular ao eixo 𝑂𝑦 que passe num ponto do intervalo [ℎ(𝑎), ℎ(𝑏)] intersete o seu
gráfico.
Teorema de Bolzano
Se:
• 𝑓 é uma função contínua num
intervalo  a, b ;
• k está compreendido entre f ( a ) e
f ( b ) , 𝑘 ∈ ℝ.
Então existe pelo menos um ponto
c   a, b  tal que f ( c ) = k .

Corolário do Teorema de Bolzano


Se:
• 𝑓é contínua num intervalo  a, b ;

• f ( a )  f (b )  0 .

Então existe pelo menos um ponto


c   a, b  tal que 𝑓(𝑐) = 0.

5|P á g i n a
Exemplo 5:
Considere a função 𝑓 de domínio [−5, 2], representada no y

gráfico ao lado e definida por: 𝑓


1
𝑓(𝑥) = (𝑥 − 1)(𝑥 + 3)2 -3 0 1 x
6
Mostre, analiticamente, que a função 𝑓 tem pelo menos
um zero no intervalo ]−5, 2[.

Resolução:
Como 𝑓 é uma função polinomial é contínua em ℝ, e em particular, é contínua em [−5,2].
1 1 25
𝑓(−5) = (−5 − 1)(−5 + 3)2 = −4 e 𝑓(2) = (2 − 1)(2 + 3)2 =
6 6 6

Dado que 𝑓(−5) < 0 < 𝑓(2) e que 𝑓 é contínua em [−5,2], o Teorema de Bolzano-Cauchy
permite concluir que ∃𝑥 ∈ ]−5, 2[ ∶ 𝑓(𝑥) = 0.

Exemplo 6: y

Considere a função ℎ de domínio [𝑎, 𝑏] cujo gráfico se


h
apresenta ao lado.
Temos que ℎ(𝑎) < 0 < ℎ(𝑏) e ℎ não tem zeros em ]𝑎, 𝑏[.
No entanto, este exemplo não contradiz o Teorema de
a b x
Bolzano-Cauchy, pois ℎ não é contínua em [𝑎, 𝑏].

Exemplo 7:
Mostre que a equação 𝑥 3 + 2𝑥 2 − 𝑥 − 2 = 0 é possível no intervalo ]−3, 2[.

Resolução:
Seja 𝑓 a função definida por 𝑓(𝑥) = 𝑥 3 + 2𝑥 2 − 𝑥 − 2.
Como 𝑓 é uma função polinomial é contínua em ℝ, e em particular é contínua em [−3, 2].
𝑓(−3) = −8 e 𝑓(2) = 12.
Dado que 𝑓(−3) < 0 < 𝑓(2) e 𝑓 é contínua em [−3, 2], o Teorema de Bolzano-Cauchy
permite concluir que ∃𝑥 ∈ ]−3, 2[ ∶ 𝑓(𝑥) = 0.
Logo, a equação 𝑥 3 + 2𝑥 2 − 𝑥 − 2 = 0 é possível no intervalo ]−3, 2[.

6|P á g i n a
Exemplo 8:
Mostre que a função polinomial definida por 𝑓(𝑥) = 𝑥 4 + 2𝑥 − 3 tem pelo menos um zero
no intervalo ]0, 2[.
Resolução:
A função 𝑓 é uma função polinomial logo é contínua em ℝ, e em particular é contínua
em [0, 2].
𝑓(0) = 04 + 2 × 0 − 3 = −3
𝑓(2) = 24 + 2 × 2 − 3 = 16 + 4 − 3 = 17
Dado que 𝑓(0) × 𝑓(2) < 0 e 𝑓 é contínua em [0, 2], o corolário do Teorema de Bolzano-
Cauchy permite concluir que ∃𝑥 ∈ ]0, 2[ ∶ 𝑓(𝑥) = 0.
Logo a função 𝑓 tem pelo menos um zero no intervalo ]0, 2[.

Exemplo 9:

As funções 𝑓 e 𝑔 são contínuas no intervalo [𝑎, 𝑏] e tais que 𝑓(𝑎) < 𝑔(𝑎) e 𝑓(𝑏) > 𝑔(𝑏).
Mostre que existe um ponto 𝑐 do intervalo ]𝑎, 𝑏[ em que os gráficos de 𝑓 e 𝑔 se
intersetam.
Sugestão: Considere a função 𝑓 − 𝑔 .

Resolução:
As funções 𝑓 e 𝑔 são contínuas no intervalo [𝑎, 𝑏] logo a função diferença 𝑓 − 𝑔 também
é contínua em [𝑎, 𝑏].
(𝑓 − 𝑔)(𝑎) = 𝑓(𝑎) − 𝑔(𝑎) < 0, pois 𝑓(𝑎) < 𝑔(𝑎)
(𝑓 − 𝑔)(𝑏) = 𝑓(𝑏) − 𝑔(𝑏) > 0, pois 𝑓(𝑏) > 𝑔(𝑏)
Dado que (𝑓 − 𝑔)(𝑎) < 0 < (𝑓 − 𝑔)(𝑏) e 𝑓 − 𝑔 é contínua em [𝑎, 𝑏], o Teorema de
Bolzano-Cauchy permite concluir que ∃𝑥 ∈ ]𝑎, 𝑏[ ∶ (𝑓 − 𝑔)(𝑥) = 0.
Logo, existe pelo menos um valor pertencente ao intervalo ]𝑎, 𝑏[ tal que 𝑓(𝑥) = 𝑔(𝑥),
ou seja, os gráficos de 𝑓 e 𝑔 intersetam-se.

7|P á g i n a

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