3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Parte 1: Síntese do ácido salicílico
Com o objetivo de promover a síntese do ácido salicílico, utilizou-se anidrido acético
e ácido sulfúrico. inicialmente, aqueceu-se a mistura de ácido salicílico, anidrido acético e
ácido sulfúrico e observou-se que o ácido salicílico reagiu com o anidrido acético em uma
reação de acetilação. Essa reação foi catalisada pelo ácido sulfúrico concentrado, que
acelerou o processo. O grupo hidroxila do ácido salicílico foi acetilado, formando ácido
acetilsalicílico e ácido acético como subproduto.
Figura1 – Representação esquemática da reação química ocorrida na síntese do
ácido salicílico
Após o aquecimento em banho-maria e o resfriamento até a temperatura ambiente,
foi possível observar a formação de cristais brancos nas paredes do béquer. Depois de
adicionarmos a água gelada, pois o produto bruto poderia conter impurezas e deixamos o
béquer resfriando em banho de gelo, filtramos o sólido e percebemos que uma pequena
quantidade dos cristais passou pelo funil.
Por fim, por cromatografia (CCD) uma placa cromatográfica foi feita com 3 spots
para analisar a síntese do ácido salicílico, para verificar a pureza do produto final e
identificar os compostos presentes na mistura reacional, avaliando a eficiência da reação,
As soluções utilizadas estão descritos na tabela 1:
Primeiro spot Solução: Acido Salicílico + gotas de
etanol
Segundo spot Solução: Cristais ( produto) + gotas de
etanol
Terceiro spot Aplicação das duas soluções
apresentadas em um mesmo spot
Tabela 1 - Organização dos elementos contidos em cada spot realizado.
Colocou-se a placa já solubilizada na cuba cromatográfica e revelou-se na câmera UV
permitindo a constatação do andamento da síntese.
Figura 2 – Representação da placa cromatográfica feita para análise da síntese do ácido
salicílico
A separação dos pontos na placa indica que a reação de acetilação entre o ácido
salicílico e o anidrido acético foi bem-sucedida, já que o produto (ácido acetilsalicílico) se
moveu mais para cima, refletindo sua menor polaridade comparada ao ácido salicílico
A placa cromatográfica apresentada mostra três faixas que fornecem informações
importantes sobre a síntese do ácido salicílico. Na faixa 1, referente ao ácido salicílico
padrão, há uma única mancha bem definida, indicando que o padrão é puro e servindo
como referência para o Rf do composto. Na faixa 2, correspondente ao produto sintetizado,
observa-se uma mancha na mesma posição da faixa 1, indicando que o ácido salicílico foi
efetivamente formado durante a síntese e a separação dos pontos na placa indica que a
reação de acetilação entre o ácido salicílico e o anidrido acético foi bem-sucedida, já que o
produto (ácido acetilsalicílico) se moveu mais para cima, refletindo sua menor polaridade
comparada ao ácido salicílico
Por fim, na faixa 3, onde houve a coaplicação do produto sintetizado e do padrão, a
mancha coincide completamente com as das faixas anteriores, confirmando que o produto
obtido é idêntico ao ácido salicílico padrão.
3.2 Parte 2: Recristalização do ácido salicílico
Para que fossem observados métodos diferentes de realizar a recristalização, os
grupos foram separados em três, de acordo com os métodos: sistema etanol:água, Tolueno
e Acetato de etila.
3.2.1 Recristalização com Etanol:água :
A recristalização utilizando o sistema etanol:água como solventes resultou em
cristais homogêneos e brilhantes, com aparência superior ao produto bruto. O procedimento
foi realizado dissolvendo o ácido acetilsalicílico no menor volume possível de etanol quente,
seguido pela adição controlada de água morna até o ponto de leve turbidez, e posterior
ajuste com etanol quente para garantir uma solução translúcida.
A formação dos cristais ocorreu após o resfriamento controlado da solução.
Inicialmente, a solução foi deixada em repouso na bancada até atingir a temperatura
ambiente, onde os primeiros cristais foram observados. Posteriormente, o resfriamento em
banho de gelo promoveu a cristalização completa. O sólido recristalizado foi então separado
por filtração e lavado com pequenas porções de água gelada.
Esta recristalização etanol/água foi a mais desafiadora do ponto de vista prático.
Ambos os grupos enfrentaram problemas relacionados ao excesso de solvente, pois a
quantidade necessária para dissolver o sólido impuro foi maior do que o ideal, dificultando a
saturação da solução. Em um dos casos, foi possível obter cristais apenas após quase toda
a evaporação do solvente.
De maneira geral, todos os grupos, com exceção dos que utilizaram tolueno,
precisaram realizar filtrações a quente para obter uma solução translúcida
3.2.2 Recristalização com Tolueno:
No processo de recristalização, o ácido acetilsalicílico foi dissolvido em tolueno
aquecido a 80°C, utilizou-se a menor quantidade possível do solvente para garantir
saturação. Após a dissolução completa, o sistema foi resfriado à temperatura ambiente,
promovendo a formação inicial de cristais. Quando os cristais não se formaram
imediatamente, foi adicionado éter etílico ao sistema para induzir a cristalização, junto com
o atrito gerado ao arranhar as paredes do frasco com um bastão de vidro. Esse
procedimento auxiliou na nucleação, permitindo a formação dos primeiros cristais.
Posteriormente, o sistema foi resfriado em banho de gelo para maximizar a
precipitação. Os cristais foram então coletados por filtração e lavados com pequenas
porções de tolueno gelado para remover resíduos de impurezas solúveis.
Os cristais obtidos apresentaram um aspecto mais uniforme e brilhante em
comparação com o material bruto, indicando uma remoção eficiente das impurezas durante
o processo.
O tolueno se mostrou o solvente mais eficiente, do ponto de vista prático, para
realizar a recristalização. A formação dos cristais foi claramente observada assim que o
frasco Erlenmeyer foi retirado da bancada por ambos os grupos, e o aspecto final dos
cristais foi satisfatório, apresentando-se como pequenas agulhas.
3.2.3 Recristalização com acetato de etila:
Esse procedimento foi realizado pelo nosso grupo. O procedimento realizado com
acetato de etila permitiu a recristalização do produto com relativa eficiência. Inicialmente, o
sólido foi dissolvido em acetato de etila na proporção de 5 mL por 3 g de produto e aquecido
em banho-maria a 40°C sob agitação constante. A dissolução completa foi alcançada após
aproximadamente 10 minutos, demonstrando que o acetato de etila é um solvente
adequado para este processo, uma vez que proporcionou uma boa solubilidade do produto
em altas temperaturas.
Após o aquecimento, a mistura foi deixada em repouso e resfriada em banho de
gelo. Este processo de resfriamento controlado resultou na formação de cristais uniformes e
com aparência brilhante, sugerindo que a cristalização ocorreu de maneira controlada e
eficiente.
Posteriormente, o sólido foi separado por filtração e lavado com pequenas porções
de acetato de etila gelado, o que contribuiu para a remoção de impurezas solúveis
residuais.
A recristalização com acetato de etila apresentou mais dificuldades.Em um dos
grupos que utilizou o acetato de etila, o sólido acabou fundindo devido ao
superaquecimento na chapa, que provavelmente excedeu o ponto de fusão do AAS ou do
AS( cerca de 158 ºC). O sólido fundido adquiriu uma aparência oleosa, com coloração
alaranjada, aderindo ao fundo do béquer. Após o resfriamento, a estrutura permaneceu
amorfa, inviabilizando a recristalização. A liberação de gases com cheiro forte sugere que
ocorreu decomposição do sólido.
No experimento que realizamos, percebemos que apesar de o método ser
aparentemente simples, quando aquecemos a mistura sobre a chapa de aquecimento, o
tempo para o início da recristalização foi muito maior que o esperado, foi necessário que
aumentássemos a temperatura da chapa e também precisamos de ajuda, pelo fato de que o
sólido bruto possuía alta solubilidade no solvente, utilizamos volumes mínimos de 5 a 10 mL
no máximo.
Mesmo que o experimento tenha levado mais tempo que o esperado, no final após
as filtrações, obtemos uma grande quantidade de cristais e bem brancos, indicando que as
filtrações forem bem eficazes em retirar as impurezas.
Figura 3 – Imagem dos cristais formados após a recristalização e as filtrações.
3.3 Testes Qualitativos
3.3.1 : Análise das Placas Cromatográficas:
Foram feitas placas cromatográficas (por CCD) para analisar aspectos como: pureza
do produto e a eficiência do procedimento de recristalização. Primeiro, uma pequena parte
do sólido foi colocada em um tubo e dissolvida com gotas de etanol, sendo essa a solução
padrão
Depois, utilizou-se três sistemas de eluentes: acetato de etila:ácido acético,
hexano:acetato de etila e hexano:acetato de etila:ácido acético, cada um com
características distintas que influenciaram os resultados. As placas foram feitas de forma
que o primeiro ponto era o ácido salicílico, o segundo o produto bruto e o terceiro o produto
recristalizado.
O sistema acetato de etila:ácido acético (95:5, v/v) apresentou alta polaridade, o que
resultou em valores de Rf próximos de 1 para todas as amostras. Embora isso tenha
dificultado a separação precisa entre o ácido acetilsalicílico (AAS) e possíveis subprodutos,
foi possível observar que as manchas do produto recristalizado eram menos intensas que
as do produto bruto, sugerindo a remoção parcial de impurezas durante a recristalização.
No sistema hexano:acetato de etila (1:1, v/v), a separação das manchas foi mais
eficiente. As amostras apresentaram valores de Rf distintos, permitindo identificar a
conversão de ácido salicílico (AS) para AAS no produto bruto. O padrão do produto
recristalizado mostrou Rf consistente com o padrão de AAS, indicando maior pureza. No
entanto, algumas manchas residuais no produto bruto confirmaram a presença de
impurezas não completamente eliminadas.
Por fim, o sistema hexano:acetato de etila:ácido acético (65:30:5, v/v/v) proporcionou
os melhores resultados. A separação foi nítida, e as manchas das diferentes amostras
permitiram identificar claramente o AS, o AAS no produto bruto e o AAS recristalizado. O
produto recristalizado apresentou uma única mancha, confirmando a eficiência do processo
de recristalização. Além disso, este sistema corroborou a hipótese de hidrólise observada
em alguns grupos que utilizaram acetato de etila, já que manchas características do AS
foram detectadas nesses casos.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Figura 4 – Representação das placas cromatográficas realizadas com os diferentes
eluentes para averiguar eficiência da recristalização.
As placas que realizamos ficaram um pouco diferentes do que deveriam ter ocorrido no
experimento, algumas hipóteses levantadas seriam que aplicamos os spots na ordem
errada, problemas na técnica de aplicação como aplicação de quantidade excessiva de
amostra ou erro na preparação da amostra
3.3.2 Teste com Cloreto de Ferro III
Complementando a análise de pureza, o teste qualitativo com cloreto de ferro (III) foi
utilizado para verificar a presença de grupos fenólicos nas amostras. Para isso tubo com
diferentes conteúdos foram utilizados de forma a averiguar como se comportariam com a
reação com FeCl3
As soluções contidas nos tubos estão descritas na Tabela 2:
Tubo 1 Tubo 2 Tubo 3 Tubo 4 Tubo 5 Tubo 6 Tubo 7 Tubo 8
Contéudo 3 mL 3 mL 3 mL 3 mL 2 mL de Ácido Produto Produto
solução soluçã solução soluçã água salicílico recristalizado bruto
neutra o neutra o destilada dissolvido dissolvido dissolvido
de neutra de neutra em 2 mL em 2 mL em 2 mL
FeCl3 de FeCl3 de de água água quente de água
FeCl3 FeCl3 quente quente
Tabela 2 – Conteúdo dos tubos utilizados no teste com Cloreto de Ferro III.
Após finalizada a reação com os componentes dos tubos, algumas observações
foram constatadas.
O controle negativo (água destilada) permaneceu incolor, enquanto o controle
positivo (ácido salicílico) apresentou uma coloração rósea característica, confirmando a
presença de grupos fenólicos.
O produto bruto mostrou uma coloração levemente amarelada, sugerindo a
presença residual de ácido salicílico. No entanto, o produto recristalizado não apresentou
mudança de coloração significativa, indicando que os grupos fenólicos foram eliminados
com sucesso durante a recristalização. Esse resultado reforça a eficiência do processo de
conversão do ácido salicílico em ácido acetilsalicílico e a purificação do produto
recristalizado.
Os resultados gerais indicam que o processo de recristalização foi eficaz em remover
impurezas, com a eficiência variando conforme o sistema de eluente utilizado e o método de
recristalização empregado. O sistema hexano:acetato de etila:ácido acético destacou-se
como o mais adequado para a análise por CCD, enquanto o teste com FeCl₃ confirmou a
alta conversão do reagente inicial no produto recristalizado.