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Tipos e Métodos de Aborto Seguro

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Aborto ou interrupção da gravidez é a interrupção de uma gravidez resultante da remoção

de um feto ou embrião antes de este ter a capacidade de sobreviver fora do útero. Um aborto
que ocorra de forma espontânea denomina-se aborto espontâneo ou "interrupção
involuntária da gravidez". Um aborto deliberado denomina-se "aborto induzido" ou
"interrupção voluntária da gravidez". Nos casos em que o feto já é capaz de sobreviver fora
do útero, este procedimento denomina-se "interrupção tardia da gravidez".[1]

Quando são permitidos por lei, os abortos em países desenvolvidos são um dos
procedimentos médicos mais seguros que existem.[2][3] Os métodos de aborto modernos
usam medicamentos ou cirurgia.[4] Durante o primeiro e segundo trimestres de gravidez, o
fármaco mifepristona em associação com prostaglandina aparenta ter a mesma eficácia e
segurança que a cirurgia.[4][5] Os contraceptivos, como a pílula ou dispositivos intrauterinos,
podem ser usados imediatamente após um aborto. [5] Quando realizado de forma legal e em
segurança, um aborto induzido não aumenta o risco de problemas físicos ou mentais a longo
prazo.[6] Por outro lado, os abortos inseguros e clandestinos realizados por pessoas sem
formação, com equipamento contaminado ou em instalações precárias são a causa de
47 000 mortes maternas e 5 milhões de admissões hospitalares por ano.[6][7]

Em todo o mundo são realizados 56 milhões de abortos por ano, [8] dos quais cerca de 45%
são feitos de forma insegura.[9] Entre 2003 e 2008 a prevalência de abortos manteve-se
estável,[10] depois de nas duas décadas anteriores ter vindo a diminuir à medida que mais
famílias no mundo tinham acesso a planeamento familiar e contracepção.[11] A Organização
Mundial de Saúde recomenda que todas as mulheres tenham acesso a abortos legais e
seguros.[12] No entanto, em 2008 apenas cerca de 40% das mulheres em todo o mundo
tinham acesso a abortos legais.[13] Os países que permitem o aborto têm diferentes limites no
número máximo de semanas em que são permitidos.[13]

Ao longo da história, foi comum a prática de abortos com ervas medicinais, instrumentos
aguçados, por via da força ou com outros métodos tradicionais.[14] A legislação e as
perspetivas culturais e religiosas sobre o aborto diferem conforme a região do mundo. Em
algumas regiões, o aborto só é legal em determinados casos, como violação, doenças
congénitas, pobreza,[15] risco para a saúde da mãe ou incesto.[16] Em muitos locais
existe debate social sobre as questões morais, éticas e legais do aborto. [17][18] Os grupos que
se opõem ao aborto geralmente alegam que um embrião ou feto é um ser humano
com direito à vida e comparam o aborto a um homicídio.[19][20] Os grupos que defendem a
legalização do aborto geralmente alegam que a mulher tem o direito de decidir sobre o seu
próprio corpo.[21]

Classificação
"Aborto" ou "interrupção da gravidez" é a interrupção de uma gravidez pela remoção de
um feto ou embrião antes de este ter a capacidade de sobreviver fora do útero. Um aborto
que ocorra de forma espontânea denomina-se aborto espontâneo ou "interrupção
involuntária da gravidez". Um aborto deliberado denomina-se "aborto induzido" ou
"interrupção voluntária da gravidez". O termo "aborto", usado de forma isolada, geralmente
refere-se a abortos induzidos. Nos casos em que o feto já é capaz de sobreviver fora do
útero, este procedimento denomina-se "interrupção tardia da gravidez".[1]

Aborto induzido
O aborto induzido, também denominado aborto provocado ou interrupção voluntária da
gravidez, é o aborto causado por uma ação humana deliberada. Ocorre pela ingestão
de medicamentos ou por métodos mecânicos. O aborto induzido possui as seguintes
subcategorias:

 Aborto terapêutico
 aborto provocado para salvar a vida da gestante[22]
 para preservar a saúde física ou mental da mulher[22]
 para dar fim à gestação que resultaria numa criança com problemas congênitos que
seriam fatais ou associados com enfermidades graves[22]
 para reduzir seletivamente o número de fetos para diminuir a possibilidade de riscos
associados a gravidez múltipla.[22]
 Aborto eletivo: aborto provocado por qualquer outra motivação.[22]
Aborto espontâneo
Ver artigo principal: Aborto espontâneo
Um aborto espontâneo, ou interrupção involuntária da gravidez, é a expulsão não intencional
de um embrião ou feto antes das 24 semanas de idade gestacional.[23] Uma gravidez que
termine antes das 37 semanas de gestação é denominada parto pré-termo ou prematuro.
[24]
Quando o feto morre no útero após a data de viabilidade fetal ou durante o parto,
denomina-se morte fetal.[25] Os partos prematuros e as mortes fetais geralmente não são
considerados abortos espontâneos, embora os termos por vezes se sobreponham.[26]

Apenas 30 a 50% das gravidezes avançam para além do primeiro trimestre. [27] A grande
maioria dos abortos espontâneos ocorre antes da mulher perceber a gravidez [28] e muitas
gravidezes são perdidas antes de os médicos detectarem um embrião. [29] Entre as gravidezes
diagnosticadas, 15 a 30% terminam em aborto espontâneo, dependendo da idade e estado
de saúde da grávida.[30] Cerca de 80% dos abortos espontâneos ocorrem antes das primeiras
doze semanas de gravidez.[31]

A causa mais comum de aborto espontâneo durante o primeiro trimestre de gravidez


são anomalias cromossómicas no embrião ou no feto.[28][32] Esta causa é responsável por
cerca de 50% dos abortos espontâneos.[33] Entre outras possíveis causas estão doenças
vasculares como o lúpus, a diabetes, outros problemas hormonais, infeções e anomalias no
útero.[32] O risco de aborto espontâneo aumenta em função da idade materna avançada (> 35
anos) e antecedentes de outros abortos espontâneos. [33] Um aborto espontâneo pode ainda
ser causado por trauma acidental. No entanto, um trauma intencional ou indução deliberada
de stresse na grávida é considerado aborto induzido.[34]

Outras classificações
Quanto ao tempo de duração da gestação:

 Aborto subclínico: abortamento que acontece antes de quatro semanas de gestação


 Aborto precoce: entre quatro e doze semanas
 Aborto tardio: após doze semanas
Métodos de indução
Aborto farmacológico
Ver artigo principal: Aborto farmacológico
Também conhecido como aborto médico, químico ou não-cirúrgico, é o aborto induzido por
administração de fármacos que provocam a interrupção da gravidez e a expulsão
do embrião. O aborto farmacológico é aplicável apenas no primeiro trimestre da gravidez.

Tornou-se um método alternativo de aborto induzido com o surgimento no mercado


dos análogos de prostaglandina no início dos anos 1970 e
do antiprogestágeno mifepristona (RU-486) nos anos 1980.[35][36][37]

Os regimes de aborto mais comuns para o primeiro trimestre utilizam mifepristona em


combinação com um análogo de prostaglandina (misoprostol) até 9 semanas de idade
gestacional, metotrexato em combinação com um análogo de prostaglandina até 7 semanas
de gestação, ou um análogo de prostaglandina isolado. [35] Os regimes de mifepristona–
misoprostol funcionam mais rápido e são mais efetivos em idades gestacionais mais
avançadas do que os regimes combinados de metotrexato-misoprostol, e os regimes
combinados são mais efetivos que o uso do misoprostol isolado.[36]

Em abortos muito precoces, com até 7 semanas de gestação, o regime combinado de


mifepristona-misoprostol é considerado mais efetivo do que o aborto cirúrgico (aspiração à
vácuo).[38] Os regimes de aborto médico precoce que utilizam 200 mg de mifepristona,
seguido por 800 mcg de misoprostol vaginal ou oral 24-48 horas após apresentam
efetividade de 98% até as 9 semanas de idade gestacional. [39] Nos casos de falha do aborto
farmacológico, é necessária a complementação do procedimento com o aborto cirúrgico.[40]

Os abortos farmacológicos precoces são responsáveis pela maioria dos abortos com menos
de 9 semanas de gestação na Grã-Bretanha, [41][42] França,[43] Suíça,[44] e nos países nórdicos.
[45]
Nos Estados Unidos, o percentual de abortos farmacológicos precoces é menor.[46][47]

Regimes de aborto farmacológico usando mifepristona em combinação com um análogo de


prostaglandina são os métodos mais comumente usados para abortos de segundo trimestre
no Canada, maior parte da Europa, China e Índia,[37] ao contrário dos Estados Unidos, onde
96% dos abortos de segundo trimestre são realizados cirurgicamente com dilatação e
esvaziamento uterino.[48]

Aborto cirúrgico
Os procedimentos no primeiro trimestre podem geralmente ser realizados usando anestesia
local, enquanto os realizados no segundo trimestre podem necessitar
de sedação ou anestesia geral.[46]

Aspiração uterina a vácuo


Um aborto realizado por aspiração a vácuo com equipamento
elétrico em uma gestação de oito semanas (seis semanas após a fertilização).1: Bolsa
amniótica2: Embrião3: Endométrio4: Espéculo5: Cureta de aspiração6: Saída para a bomba à vácuo
No procedimento de aspiração uterina a vácuo o médico realiza vácuo no útero da gestante
para remover o feto. São utilizados equipamentos manuais ou elétricos para a realização do
vácuo. Geralmente são realizados em gestações de até doze semanas (primeiro trimestre).

A aspiração manual intrauterina (AMIU) consiste em uma aspiração cujo vácuo é criado
manualmente utilizando-se uma cânula flexível acoplada a uma seringa. Foi desenvolvida
para ser realizada ambulatorialmente sem anestesia geral, não necessitando ser realizada
em bloco cirúrgico. Não é necessária a dilatação cervical.

O procedimento também pode ser utilizando um aparelho de vácuo eléctrico. Neste tipo de
aspiração o conteúdo do útero é sugado pelo equipamento.

Ambos os procedimentos são considerados não-cirúrgicos e são realizados em cerca de dez


minutos. São eficazes e seguros, pois apresentam um baixo risco para a mulher (0,5% de
casos de infecção).

Dilatação e curetagem uterina

Figura mostrando como é empregada a técnica da curetagem


Em gestações mais avançadas, nas quais o material a ser removido do útero é muito
volumoso, recorre-se à curetagem. Ao contrário da aspiração uterina à vácuo, que pode ser
realizada em consultórios ou clínicas, a dilatação e curetagem é um procedimento cirúrgico,
devendo ser realizado em um hospital com bloco cirúrgico. Inicialmente o médico alarga
o colo do útero da paciente com dilatadores, para permitir a passagem da cureta a seguir.
A cureta é um instrumento cirúrgico cortante, em forma de colher, que é introduzida no útero
para realizar a raspagem. Servindo-se da cureta, o médico retira todo o conteúdo uterino,
incluindo o endométrio.
Uma das principais complicações da curetagem é a perfuração uterina causada pela cureta.

Evita-se a realização da curetagem uterina em gestações com mais de 12-16 semanas sem
antes realizar a expulsão fetal.

Dilatação e evacuação
O procedimento de curetagem é aplicável ainda no começo do segundo trimestre, mas se
não for possível terá de recorrer-se a métodos como a dilatação e evacuação. Neste
procedimento o médico promove primeiro a dilatação cervical (um dia antes).

Na intervenção que é feita sob anestesia é inserido um aparelho cirúrgico na vagina para
cortar o material intra-uterino em pedaços, e retirá-los de dentro do útero. No final é feita a
aspiração. O feto é remontado no exterior para garantir que não há nenhum pedaço no
interior do útero que poderia levar a infecção séria. Em raríssimas situações (0,17% das
IVGs realizadas nos Estados Unidos em 2000) o feto é removido intacto.

Eliminação ou expulsão fetal (indução do trabalho de parto)


A eliminação ou expulsão fetal geralmente é reservada para gestações com mais de doze
semanas. Consiste em forçar prematuramente o trabalho de parto com o uso do análogo de
prostaglandina misoprostol. Pode-se associar o uso de ocitocina ou injeção no líquido
amniótico de soluções hipertônicas com solução salina ou ureia.

Após a expulsão fetal, pode ser necessária a realização de curetagem.

Aborto por dilatação e extração


O aborto por esvaziamento craniano intrauterino (ECI), também conhecido como aborto com
"nascimento parcial", é uma técnica utilizada para provocar o aborto quando a gravidez está
em estágio avançado, entre 20 e 26 semanas (cinco meses a seis meses e meio), suas
indicações mais comuns são: morte do feto, risco de morte para a mãe, risco para a saúde
da mãe e más formações fetais que inviabilizem a vida extra-uterina. [49] Guiado por ultrassom,
o médico segura a perna do feto com um fórceps, puxa-o para o canal vaginal, e então retira
o feto do útero, com exceção da cabeça.

Faz então uma incisão na nuca, inserindo depois um cateter para sugar o cérebro do feto e
então o retira por inteiro do corpo da mãe. Em alguns países, essa prática é proibida em
todos os casos, sendo considerada homicídio e punida severamente.[50][51] Esta técnica tem
sido alvo de intensas polêmicas nos Estados Unidos.

Em 2003, sua prática foi proibida em todo o país, gerando revoltas de movimentos pró-
aborto.[52]

Outros métodos
No passado, diversas ervas já foram consideradas portadoras de propriedades abortivas e
foram usadas na medicina popular.[53] No entanto, o uso de ervas com a intenção abortiva
pode causar diversos efeitos adversos graves e até mesmo letais, tanto para a mãe quanto
para o feto, e não é recomendado pelos médicos.[54]
O aborto, às vezes, é tentado através de trauma no abdômen. O grau da força, se intensa,
pode causar diversas lesões internas graves sem necessariamente induzir com sucesso a
perda fetal.[55] No Sudeste da Ásia, há uma tradição antiga de se tentar o aborto através de
forte massagem abdominal.[56]

Métodos utilizados em abortos autoinduzidos não seguros incluem o uso incorreto


de misoprostol e a inserção de materiais não cirúrgicos como agulhas e prendedores de
roupas no útero. A utilização destes métodos não seguros raramente é observada em países
desenvolvidos, onde o aborto cirúrgico é legal e disponível.[57]

Segurança
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conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a coerência
e o rigor deste artigo.
Considere colocar uma explicação mais detalhada na discussão.

A neutralidade deste artigo foi questionada. Discussão relevante


pode ser encontrada na página de discussão.

O risco para a saúde associado ao aborto induzido é intrinsecamente influenciado por uma
série de fatores, dos quais a segurança e a legalidade do procedimento são cruciais [58] [59] [60]. A
abordagem mais segura envolve a realização do aborto induzido em um ambiente médico
adequado, com pessoal de saúde qualificado e a utilização de técnicas e protocolos médicos
apropriados[61] [62]. Nesse cenário, os riscos podem ser minimizados e controlados de forma
eficaz. [63]

Os abortos legais realizados nos países desenvolvidos estão entre os procedimentos mais
seguros na medicina.[2][64] Nos Estados Unidos, a taxa de mortalidade materna em abortos
entre 1998 e 2005 foi de 0,6 morte por 100 000 procedimentos abortivos, tornando o aborto
cerca de 14 vezes mais seguro do que o parto, cuja taxa de mortalidade é de 8,8 mortes por
100 000 nascidos vivos.[65][66]

O risco de mortalidade relacionada com o aborto aumenta com a idade gestacional, mas
permanece menor do que o do parto até pelo menos 21 semanas de gestação. [67][68] Isso
contrasta com algumas leis presentes em alguns países que exigem que os médicos
informem os pacientes que o aborto é um procedimento de alto risco.[69]

A aspiração uterina a vácuo no primeiro trimestre é o método de aborto não-farmacológico


mais seguro, e pode ser realizado em uma clínica de atenção primária em saúde, clínica de
aborto ou hospital. As complicações são raras e podem incluir perfuração uterina, infecção
pélvica e retenção dos produtos da concepção necessitando de um segundo procedimento
para evacuá-los.[70]

Geralmente são administrados antibióticos profiláticos (preventivos) (como


a doxiciclina ou metronidazol) antes do aborto eletivo,[71] pois acredita-se que eles diminuem
substancialmente o risco de infecção uterina pós-operatória.[46][72]
Existe pouca diferença em termos de segurança e eficácia entre o aborto farmacológicos
usando regime combinado de mifepristona e misoprostol e o aborto não-farmacológico
(aspiração a vácuo) quando são realizados no início do primeiro trimestre (até 9 semanas de
idade gestacional).[38] O aborto farmacológico com o uso do análogo de prostaglandina
misoprostol isolado é menos efetivo e mais doloroso do que o aborto usando o regime
combinado de mifepristona e misoprostol ou do que o aborto cirúrgico.[73][74]

No entanto, quando o aborto induzido é realizado de forma insegura, como em circunstâncias


clandestinas ou em locais inadequados, os riscos para a saúde da mulher aumentam
consideravelmente.[75] [76] Tais riscos incluem hemorragia excessiva, infecções graves, lesões
uterinas, complicações anestésicas, entre outros e, em casos extremos, o aborto inseguro
pode levar à morte da mulher. [77] [78]

O risco de hemorragia é uma preocupação significativa em abortos induzidos e espontâneos.


A perda excessiva de sangue pode levar à anemia e, em casos extremos, à necessidade de
transfusões sanguíneas ou cirurgia para controlar a hemorragia. Qualquer procedimento que
envolva a introdução de instrumentos no útero carrega um risco de infecção uterina.
Infecções não tratadas podem se espalhar para outras partes do corpo e se tornarem graves.
Em casos raros, os procedimentos de aborto podem causar lesões no útero ou em outros
órgãos próximos, como o intestino. [79] [80] [81]

Aborto inseguro
A Organização Mundial de Saúde define como abortos inseguros aqueles que são realizados
por indivíduos sem formação, equipamentos perigosos ou em instalações sem condições de
higiene e segurança.[82] Em muitos casos, e principalmente quando existem limitações no
acesso a abortos legais e seguros, as mulheres que procuram terminar a gravidez vêm-se
forçadas a recorrer a métodos de aborto inseguros. Nestes casos, podem tentar realizar
um aborto autoinduzido ou confiar noutra pessoa sem formação médica adequada ou sem
acesso a instalações seguras. A prática de abortos sem condições de segurança pode
resultar em complicações graves para a mulher, entre as quais um aborto
incompleto, sepse, hemorragias, infertilidade e lesões nos órgãos internos.[83]

Os abortos inseguros são uma das principais causas de morte e incapacidade entre as
mulheres em todo o mundo. Embora os dados sejam imprecisos, estima-se que todos os
anos sejam praticados cerca de 20 milhões de abortos inseguros, 97% dos quais em países
em vias de desenvolvimento.[2] Os abortos inseguros resultam em 5 milhões de casos de
incapacidade por ano.[2][7][84] Cerca de 24 milhões de mulheres são inférteis como resultado de
um aborto inseguro.[85] A estimativa do número de mortes causada por abortos inseguros
varia conforme a metodologia usada. A ONU estima que 70 000 mulheres perdem a vida
anualmente em consequência de abortos realizados em condições inseguras. [2][7][86][87] o que
corresponde a 13% de todas as mortes maternas.[88][89] A OMS estima que a mortalidade tenha
diminuído desde a década de 1990. [90][91] [92] No entanto, entre 1995 e 2008 a proporção de
abortos inseguros aumentou de 44% para 49%. [10] A incidência dos abortos inseguros pode
ser difícil de quantificar com precisão, uma vez que muitos casos são reportados como
aborto espontâneo, "regulação menstrual", "mini-aborto" ou "regulação de menstruação
suspensa" ou "adiada".[93][94]

O principal fator que determina se o aborto é feito de forma segura ou insegura é a se é ou


não legal. Os países com leis proibitivas apresentam maior frequência de abortos inseguros
e maior frequência de abortos em geral, quando comparados com aqueles onde o aborto é
permitido e de fácil acesso.[7][10][85][95][96][97][98] A falta de acesso a contraceção também contribui
para o número de abortos inseguros. Estima-se que a incidência de abortos inseguros
pudesse ser reduzida 75%, de 20 para 5 milhões anuais, se em todo o mundo estivessem
disponíveis serviços modernos de saúde materna e planeamento familiar.[99]

Apenas 40% das mulheres em todo o mundo têm acesso a abortos terapêuticos e eletivos
dentro de determinados limites gestacionais.[13] Cerca de 35% têm acesso a abortos legais
quando cumprem determinados critérios físicos, mentais ou socioeconómicos. [16] Entre as
medidas para diminuir o número de abortos inseguros, a generalidade das organizações de
saúde pública defende a legalização do aborto, a formação do pessoal médico, a garantia do
acesso a serviços de planeamento familiar e contracetivos e educação sexual.[95][100] Nos
países onde o aborto tem vindo a ser legalizado, tem-se observado uma diminuição
acentuada da mortalidade materna.[101][102][103]

Câncer de mama
Esta hipótese não é aceita pelo consenso científico das entidades ligadas ao câncer.[104][105]
[106]
Bind é um pesquisador com uma agenda enviesada e pseudocientífica para a promoção
de suas crenças religiosas através do do "Breast Cancer Prevention Institute".[107][108]

Dor do feto
Ver artigo principal: Dor fetal
As estruturas anatómicas envolvidas no processo de sensação da dor ainda não estão
presentes nesta fase do desenvolvimento. As ligações entre o tálamo e o córtex cerebral
formam-se por volta da 23ª semana.[109] Existe também a possibilidade de que o feto não
disponha da capacidade de sentir dor, ligada ao desenvolvimento mental que só ocorre após
o nascimento.[110]

Evidências neurocientíficas atuais indicam a possibilidade de percepção de dor fetal durante


o primeiro trimestre, com menos de 14 semanas de gestação e a medida que as evidências
médicas mudaram no reconhecimento da percepção da dor fetal antes da viabilidade, houve
uma mudança gradual no debate sobre a dor fetal, da contestação da existência da dor fetal
ao debate sobre o significado da dor fetal. A presença de dor fetal cria tensão na prática da
medicina no que diz respeito à beneficência e à não maleficência.[111]

Dado que o córtex só se torna funcional e os tratos só se desenvolvem após 24 semanas,


muitos relatos excluem a dor fetal até o último trimestre. Após as 24 semanas, evidências
mais recentes que questionam a necessidade do córtex para a dor e demonstram a
conectividade funcional do tálamo com a subplaca são usadas para argumentar que a
neurociência não pode descartar definitivamente a dor fetal antes das 24 semanas. [112]

Parece que a dor é um fenômeno neuroadaptativo que surge no meio da gravidez, por volta
das 20-22 semanas de gestação, e torna-se cada vez mais evidente e significativo para o
feto, durante o restante da gravidez. [113]

Consequências a longo prazo para a criança não desejada


Muitos membros de grupos pró-escolha[114] consideram haver um risco maior de crianças não
desejadas (crianças que nasceram apenas porque a interrupção voluntária da gravidez não
era uma opção, quer por questões legais, quer por pressão social) terem um nível de
felicidade inferior às outras crianças incluindo problemas que se mantêm mesmo quando
adultas, entre estes problemas incluem-se:

 doença e morte prematura[115]


 pobreza
 problemas de desenvolvimento[115]
 abandono escolar[116]
 delinquência juvenil[117]
 abuso de menores
 instabilidade familiar e divórcio[118]
 necessidade de apoio psiquiátrico[118]
 falta de autoestima[119]
Uma opinião contrária, entretanto, apresentada por grupos pró-vida, seria que, mesmo que
sejam encontradas correlações estatísticas entre gravidez indesejáveis e situações
consideradas psicologicamente ruins para as crianças nascidas, esta situação não pode ser
comparada com a de crianças abortadas, visto que estas não estão vivas. Uma "situação de
vida" não seria passível de comparação com uma "situação de morte", visto a
inverificabilidade desta enquanto situação possivelmente existente (a chamada "vida após a
morte") pelos métodos científicos disponíveis. Como não se pode estipular se uma situação
ruim de vida, por pior que fosse, seria pior que a morte, o aborto, no caso, não poderia ser
apresentado como solução, visto que não dá a capacidade de escolha ao envolvido,
enquanto ainda é um feto.[120][121][122]

Motivações
As razões que levam a mulher a optar por um aborto são diversas e diferentes em todo o
mundo.[123][124] Uma das razões mais comuns é o adiamento da gravidez para um momento
mais conveniente ou de forma a permitir focar energias e recursos nos filhos já nascidos.
Entre outras razões pessoais estão a incapacidade em sustentar a criança, quer em termos
de custos diretos, quer em termos de custos indiretos derivados da perda de rendimentos ao
ter que tomar conta da criança, a falta de apoio do pai, a vontade em proporcionar educação
de qualidade aos filhos já nascidos, problemas de relacionamento com o parceiro, a
perceção de ser muito nova para tomar conta de uma criança, desemprego, e não estar
disposta a educar uma criança que tenha sido concebida como resultado de
uma violação, incesto ou outras causas.[124][125]

Alguns abortos são praticados como resultado de pressões sociais. Entre estas pressões
estão a preferência por crianças de determinado sexo ou raça, [126] a reprovação social
de mães solteiras ou de gravidez na adolescência, o estigma social em relação a pessoas
com deficiências, falta de apoios económicos às famílias, falta de acesso ou rejeição
de métodos contracetivos ou resultado de controlo populacional. Estes fatores podem por
vezes resultar em aborto compulsivo ou aborto seletivo.[127]

Em alguns países, em mais de um terço dos casos a principal razão apontada é o risco para
a saúde da mãe ou do bebé.[123][124] Em muitos casos, a motivação é a presença de
um cancro e o aborto é feito para proteger o feto durante o tratamento
com quimioterapia ou radioterapia.[128]
Um estudo norte-americano de 2002 observou que cerca de metade das mulheres que
realizaram abortos tinham usado um método contracetivo no momento da concepção. No
entanto, observou-se inconsistência de uso em cerca de metade das que tinham
usado preservativo e em três quartos das que tinham usado pílula contracetiva. Cerca de
42% das que tinham usado preservativos reportaram que a falha se tinha devido ao
deslizamento ou rutura.[129]

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