Diretora: Ir.
Rosely Cordeiro
Coordenador: Marcus Camargo
Professora: Thuanny Castro
Alunos: Ana Elisa Almada, Lívia Maria Costa, Luna Rebeca Sousa, Ronald Alencar.
Data da Prática: 22/04/2024
Data de Entrega: 06/04/2024
Turma: 2ª Série C
Disciplina: Laboratório de Biologia
RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA:
Anatomia Interna e Externa dos Peixes
I. INTRODUÇÃO
Os peixes são organismos aquáticos que pertencem ao Reino Animalia e ao Filo Chordata,
constituem uma superclasse incluída no subfilo dos vertebrados e podem ser distribuídos em
dois infra-filos; Agnatha e Gnathostomata. Os agnatos são caracterizados pela ausência de
mandíbula, tal como suas bocas circulares sugadoras, seus representantes são chamados de
lampreias. Por outro lado, os gnatostomados são os organismos aquáticos vertebrados que
possuem mandíbulas, este infrafilo, entretanto, pode ser classificado em dois grupos:
Chondrichthyes, peixes cartilaginosos (de esqueleto cartilaginoso, sem ossos verdadeiros,
como os tubarões, raias e quimeras) e Osteichthyes, os peixes ósseos (de esqueleto com
constituição óssea e corpo coberto por escamas de origem dérmica, como as sardinhas).
Os peixes ósseos são os mais comumente encontrados em rios e mares, afinal predominam o
grupo dos peixes de forma expressiva. Logo, dentre os mesmos estão os peixes mais pescados
em razão da alimentação humana.
Os peixes, em geral, apresentam respiração branquial, boa parte possui escamas, além de um
corpo hidrodinâmico que facilita sua locomoção na água; peixes mais ágeis costumam ter um
corpo de formato fusiforme, um formato que diminui a resistência da água melhorando a
velocidade do animal. No corpo dos peixes são encontradas as nadadeiras (ou barbatanas),
que assumem diferentes tamanhos e adaptações evolutivas, são responsáveis por promover a
propulsão do peixe, sua estabilidade, equilíbrio e até os auxiliam a exercer manobras no
ambiente aquático em que vivem.
Os osteíctes se diferem dos peixes cartilaginosos até mesmo na respiração, ao entrar água
pela boca dos peixes cartilaginosos, essa água passa pelas brânquias e sai pelas fendas
branquiais expostas do animal. Todavia, nos peixes ósseos, a água deve fazer seu caminho de
saída pelo opérculo (estrutura óssea que protege as brânquias). É importante ressaltar que a
bexiga natatória (órgão presente em peixes ósseos) não faz parte do aparelho respiratório,
mas exerce função de controlar a flutuabilidade do peixe em diferentes profundidades.
Próximo às brânquias, é também onde localiza-se o coração dos peixes, órgão simples
composto por somente duas cavidades: átrio e ventrículo.
Tanto os peixes ósseos quanto os cartilaginosos podem ter hábitos alimentares carnívoros,
herbívoros ou onívoros. Além disso, realizam uma digestão extracelular e completa. O
alimento, uma vez que chega no estômago, se encaminha para o intestino delgado.
Associados ao órgão citado, podem ser identificados o fígado — relativamente grande em
peixes —, a vesícula biliar e o pâncreas. Nos cartilaginosos, o intestino termina na cloaca, e
em peixes ósseos, no ânus.
Por se tratarem de animais dioicos, os peixes se diferem em sexos, podendo haver fêmeas e
machos. Os peixes ósseos, especificamente, são ovíparos: o macho fecunda os ovos
depositados por fêmeas em um processo de fecundação externa. As fêmeas geralmente se
locomovem à procura de locais com água limpa para fazer a desova.
Esses animais passaram por diversas evoluções durante os séculos, os peixes podem se
adaptar em águas doces, salgadas e mesmo em ambientes considerados inóspitos (os peixes-
lanterna, por exemplo, vivem em águas profundas e obscuras e se adaptam a emitir luzes para
sobreviver). Em síntese, os peixes são animais que desempenham papel importante no
equilíbrio ecológico e também na segurança alimentar da população.
II. MATERIAIS
— Exemplar de Peixe Ósseo
— Lâmina de Bisturi
— Faca de Serra
— Bandeja Circular
— Pinça de Dissecção
— Luvas
— Fita Métrica
III. METODOLOGIA
De início, o exemplar deve estar lateralmente posicionado na bandeja de forma que permita a
visualização de toda a sua estrutura externa. A partir disso, com o uso de luvas, utiliza-se uma
fita métrica que meça o comprimento de seu corpo (Figura 1).
Figura 1 — Medição do exemplar de peixe ósseo
com aproximadamente 12 cm.
Feito isso, o peixe deve ser posto em uma posição favorável para a realização do corte. Com
o auxílio do bisturi — dependendo do peixe, pode ser necessário o uso da faca de serra —,
deve-se abrir o exemplar (Figura 2) de modo que seja possível observar sua estrutura interna.
Os órgãos do animal podem ser removidos e organizados na bandeja para uma melhor
observação dos mesmos, com auxílio da pinça de dissecção.
Figura 2 — Realizado o corte na estrutura lateral do peixe ósseo.
IV. RESULTADOS
Por conseguinte, torna-se possível reconhecer e denominar no exemplar de peixe as suas
estruturas observadas externa e internamente.
1. Estrutura Externa
Em um primeiro momento, são reconhecidas as partes externas e dadas as suas utilidades na
vida e sobrevivência do animal nas águas.
Figura 3 — Reconhecimento da anatomia externa do peixe ósseo.
Os peixes ósseos são visualmente revestidos por escamas dérmicas (são profundas, formadas
por um tecido ósseo).
Entretanto, os peixes também são revestidos completamente por uma pele lisa, superfície
chamada de epiderme. A epiderme distribui na estrutura várias glândulas mucosas cujo
produzem um muco que banha as escamas (Figura 4), auxiliando o deslocamento do animal
na água e ainda servindo como proteção contra fungos.
Figura 4 — Escamas do Exemplar de Peixe Ósseo.
Na cabeça do peixe encontra-se uma estrutura óssea chamada de opérculo (Figura 5), que
possui função de proteger a cavidade branquial e também controlar o fluxo de água no corpo.
Figura 5 — Localização do Opérculo no Exemplar de Peixe Ósseo.
Próximo ao opérculo, encontra-se o olho do animal, seus olhos não possuem pálpebras e
localizam-se lateralmente. Ainda na parte frontal do peixe, é notório que os peixes ósseos
possuem — majoritariamente — a boca centralizada bem na ponta de sua cabeça.
Figura 6 — Boca e Olho de um Peixe Ósseo.
Observando cuidadosamente, é possível notar a presença de uma “linha” que passa de uma
ponta a outra em seu corpo, que trata-se, na verdade, de uma sequência de poros, é a
denominada linha lateral. Por meio da comunicação com células mecanorreceptoras a linha
lateral permite o peixe perceber alterações na água, até mesmo ondulações na água oriundas
da movimentação de organismos próximos.
Figura 7 — Estrutura de peixe cruzada por uma Linha Lateral.
Os peixes possuem um conjunto de nadadeiras constituídas de raios ósseos ou cartilaginosos,
que possuem função de facilitar a sua locomoção. Na parte superior, em seu dorso, são
encontradas a nadadeira dorsal e, por vezes, a nadadeira adiposa (Figura 8), sendo que esta
última pode estar ausente em muitos peixes e trata-se de uma nadadeira mole e sem raio.
A nadadeira dorsal exerce função de auxiliar o peixe no seu equilíbrio e em manter a sua
estabilidade.
Figura 8 — Nadadeira Dorsal (maior) e Nadadeira Adiposa (menor).
Paralelas, os peixes possuem um par de nadadeiras na sua parte inferior, sendo encontradas
uma em cada lado de seu corpo. Estas são chamadas de peitorais (Figura 9) e são importantes
para que o peixe consiga desenvolver suas “manobras” na água.
Figura 9 — Nadadeiras Laterais/Peitorais
Posterior às nadadeiras peitorais e antecedendo a nadadeira anal, as nadadeiras pélvicas
(Figura 10) também se encontram em par e movimentam-se de forma coordenada. Essas
nadadeiras também são essenciais para garantir a estabilidade do animal.
Figura 10 — Nadadeiras Pélvicas
Localizada entre o ânus e a nadadeira caudal, a nadadeira anal (Figura 11) além da função já
conhecida de facilitar estabilização e movimento, pode acabar atuando na reprodução de
algumas espécies de peixe, modificada, ela recebe o nome de gonopódio.
Figura 11 — Nadadeira Anal.
Ligada à coluna vertebral, a nadadeira caudal (Figura 12), na parte mais extrema do peixe, é a
nadadeira responsável por ser a principal propulsora de movimento durante a natação. A
mesma pode tomar diversos formatos em diferentes peixes.
Figura 12 — Nadadeira Caudal
2. Estrutura Interna
Figura 13 — Identificação de alguns órgãos e mecanismos internos
(e externos) do exemplar.
Uma vez realizada a dissecação do exemplar de peixe ósseo, os órgãos estão expostos e
podem ser observados separadamente.
Abaixo do opérculo (Figura 5) localizam-se as brânquias, aparelhos respiratórios
responsáveis pela troca de gases entre o sangue e a água. Cada brânquia (os peixes possuem
pelo menos 4 pares) possui um arco branquial com algumas lâminas (Figura 14) por onde a
água que entra pela boca do peixe passa antes de fazer seu caminho pelo opérculo.
Figura 14 — Brânquias removidas de Peixe Ósseo
Próximo às inserções de nadadeiras peitorais (Figura 9), encontra-se o coração dos peixes
(Figura 15). O sangue, ao chegar no coração, passa pelo átrio e pelo ventrículo. O ventrículo
então bombeia o sangue para as brânquias, onde ocorre vai ocorrer a troca de oxigênio, esse
sangue oxigenado é transportado para o resto do corpo do peixe pela artéria aorta dorsal e,
posteriormente, o sangue desoxigenado retorna ao coração.
Figura 15 — Coração, compõe aparelho circulatório dos peixes.
Característica dos osteíctes, a bexiga natatória (Figura 16) trata-se de um órgão hidrostático
com função de armazenar gases retirados do meio ou até mesmo do sangue. Como citado
anteriormente, é essencial para manter esses animais flutuando sem gasto de energia.
Figura 16 — Bexiga Natatória
É possível, ademais, observar a cavidade abdominal (Figura 17) onde se alojam os rins
alongados dos peixes ósseos.
Figura 17 — Localização do aparelho excretor (rins).
De forma centralizada no corpo do peixe, alguns dos órgãos do exemplar de peixe ósseo
formam uma estrutura conectada (Figura 18). O fígado atua na produção de bile e associa-se
a uma vesícula biliar, que por sua vez se associa ao intestino. De acordo com esse sistema, o
alimento que o peixe ingere passa pela faringe, pelo esôfago, estômago, intestino e, aquilo
que não for aproveitado, acaba sendo descartado no ânus.
Figura 18 — Identificação de alguns órgãos do aparelho digestivo.
V. CONCLUSÃO
Conclui-se, portanto, que os peixes apresentam como maiores provas de suas constantes
adaptações ao meio aquático suas próprias estruturas corporais; um corpo que possui formato
estratégico para nadar mais rápido, de acordo com a profundidade do meio. Escamas com
muco para diminuir o atrito com água e um aparelho que os permite perceber alterações na
água mesmo em longas distâncias, podendo notar o movimento de possíveis predadores.
Mesmo internamente, seus órgãos apresentam sinais de evolução; a bexiga natatória, por
exemplo. Avaliar e entender, mesmo que de forma breve, a maneira com que os peixes têm-
se evoluído anatomicamente de modo a sobreviver independente do meio a que estão sendo
expostos, é fundamental na construção de conhecimentos acerca da vasta vida marinha e nos
cuidados com a sua preservação.
VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PERESSIN, A.; TEIXEIRA, T.; Tópicos de Manejo e Conservação da Ictiofauna
para o Setor Elétrico. 1. ed. Belo Horizonte: Cemig, 2015.
SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Osteíctes”; Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/biologia/osteictes.htm. Acesso em 27 de abril de 2024.
GERALDES, Ana Maria. Peixes de Água Doce. 1. ed. Mirandela: João Azevedo Editor,
1999.
MIRA, William. “Peixes: condrictes e osteíctes, sistema nervoso e respiratório”; Quero
Bolsa. Disponível em: https://querobolsa.com.br/enem/biologia/peixes. Acesso em 01 de
maio de 2024.