0% acharam este documento útil (0 voto)
32 visualizações32 páginas

Ação Judicial sobre FIES em Uberlândia-MG

Enviado por

rafaelfsabreu
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
32 visualizações32 páginas

Ação Judicial sobre FIES em Uberlândia-MG

Enviado por

rafaelfsabreu
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Justiça Federal da 6ª Região

PJe - Processo Judicial Eletrônico

17/08/2024

Número: 1009410-93.2023.4.06.3803
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 1ª Vara Federal Cível e Criminal da SSJ de Uberlândia-MG
Última distribuição : 31/05/2023
Valor da causa: R$ 739.278,96
Assuntos: Fies
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LUANA OLIVEIRA VILARINHO (AUTOR) DANILO HENRIQUE ALMEIDA MACHADO (ADVOGADO)
MARIANA COSTA (ADVOGADO)
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA
EDUCACAO (REU)
UNIÃO FEDERAL (REU)
CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (REU) LEONARDO FALCAO RIBEIRO registrado(a) civilmente
como LEONARDO FALCAO RIBEIRO (ADVOGADO)
INSTITUTO DE ADMINISTRACAO & GESTAO PEDRO HENRIQUE OLIVEIRA ASCENCAO (ADVOGADO)
EDUCACIONAL LTDA (REU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
13879 31/05/2023 17:49 CONCESSÃO INICIAL Inicial
79382
AO DOUTO JUIZO DA _____ VARA FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA
DE UBERLÂNDIA - MG

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade,

sem ela tampouco a sociedade muda.”

Paulo Freire

LUANA OLIVEIRA VILARINHO, brasileira, estudante,


Solteira, inscrita no CPF Nº 020.336.476-76, e no RG Nº 20041888, residente no
endereço na Rua Márcio Ribeiro da Silva, n° 293, no bairro Chácaras Tubalina, na
cidade de Uberlândia - MG, CEP: 38.413-312, com e-mail:
[email protected]. por seus procuradores que assinam ao final
desta, devidamente munidos de instrumento de mandato, vem a esse juízo
propor:

AÇÃO COM INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE c/c


OBRIGAÇÃO DE FAZER, c/c PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA DE
URGÊNCIA

em desfavor de

1. F.N.D.E. FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO


DA EDUCAÇÃO, e-mail: [email protected], Telefone(s): (61) 2022-4806,
SBS QD. 02, BLOCO “F”, Edifício FNDE, 11º Andar, Brasília – DF, CEP. 70070-
929; e Sua Diretoria De Gestão De Fundos E Benefícios – DIGEF, e-mail:
[email protected], Telefone(s): (61) 2022-5192, endereço: SBS QD. 02, Bloco “F”,
Edifício FNDE, 11º Andar, Brasília – DF, CEP. 70070-929;

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 1
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
2. UNIÃO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público interno,
representada pelo Procurador-Chefe da Advocacia Geral da União, com sede no
endereço situado na SIG, QD. 6, LT. 800, 3º Andar, Bairro Plano Piloto, DF (CEP
70.610-460);

3. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, instituição financeira sob


forma de empresa pública, unipessoal, dotada de personalidade jurídica de
direito privado, criada pelo decreto lei nº. 759, de 12.08.1969, regendo-se
atualmente pelo dec. lei nº. 3.882 de 08.08.2001, publicado no diário oficial da
união em 09.08.2001, inscrita no Cnpj/mf sob o número 00.360.3005/0001-04, com
sede no setor bancário sul, quadra 4, lotes 3/4, em Brasília-DF;

4. CENTRO UNIVERSITÁRIO IMEPAC – ARAGUARI, por


sua mantenedora, INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO & GESTÃO
EDUCACIONAL LTDA, inscrita no CNPJ: 11.010.877.0001-80, com sede na
Avenida Minas Gerais, Nº 1889, bairro Centro, na cidade de Araguari – MG, CEP:
38.444-128, pelos fundamentos de fato e de direito a seguir expostos.

I – PRELIMINARMENTE

I.1 - DA JUSTIÇA GRATUITA

Nos termos do artigo 98 do Código de Processo Civil, a JUSTIÇA


GRATUITA será concedida a qualquer brasileiro que não tenha condições de
arcar com as custas do processo sem prejuízo de sustento próprio ou de sua
família.

Portanto, a concessão da gratuidade da Justiça, faz-se necessária


uma vez que há demonstrada insuficiência financeira da parte Autora. Tendo por
base a pontual descrição deste benefício no art. 5º, LXXIV, da Constituição
Federal.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 2
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...). LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e
gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.

A parte Requerente é estudante e quer cursar de medicina e


divide seu tempo entre o trabalho remunerado e os estudos, de maneira que não
possui renda suficiente e isso a impossibilita de pagar as custas processuais.
Nessa mesma toada, sua renda familiar se enquadra nos requisitos exigidos para
o FIES, de maneira que não há como pagar mais de R$ 7.000,00 de custas
processuais sem prejuízo do sustento de toda a família.

Assim, nos dias atuais, impossível arcar com as despesas


tamanhas de um processo.

Deste modo, requer pela concessão da gratuidade da Justiça a


parte autora, dado que não se pode arcar com as custas judiciais e honorários
advocatícios sem que isso prejudique seu sustento e de sua família.

Importante frisar que mesmo representado por advogado, faz jus


ao benefício da gratuidade da justiça, considerando a previsão do art. 99, §4º do
CPC, in verbis:

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode


ser formulado na petição inicial, na contestação,
na petição para ingresso de terceiro no processo
ou em recurso(...)

(...)§ 4º A assistência do requerente por


advogado particular não impede a concessão de
gratuidade da justiça.

Assim, requer a concessão da gratuidade da Justiça.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 3
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
I.2- DA LEGITIMIDADE DA PARTE RÉ

Antecipando-se a defesa, ressalta-se sobre a legitimidade do


polo passivo para integrar a presente demanda.

São legitimados para atuar no processo os sujeitos titulares

da relação jurídica de direito material deduzida pelo demandante.

O Primeiro Réu, Fundo Nacional de Desenvolvimento da

Educação - FNDE, é o agente operador do FIES, responsável pela toda operação

relativa ao FIES e em dispor do orçamento para a contratação do financiamento.

É legitimado se observar que ao agente financeiro não usa

orçamento próprio para disponibilizar o financiamento para todos que

procuram, e sim faz a operação financeira do dinheiro proveniente do FUNDO.

Dessa forma, apesar de não ter responsabilidade sobre a

operação financeira, tem responsabilidade sobre o orçamento a ser utilizado para

a concessão do FIES e até mesmo sobre as formas de inscrição no financiamento.

A Caixa como agente financeira é quem efetiva a contratação


do FIES, de maneira que em uma decisão favorável também estaria obrigada a
cumpri-la, realizando a contratação do financiamento e responsável pela
operação financeira do FIES, sendo assim, é parte interessada na ação.

No que toca a legitimidade, a União também é pertinente


para estar na presente demanda.

O MEC é Ministério com natureza jurídica de órgão


administrativo que compõe a pessoa jurídica da União.

O MEC tem a função fundamental de operacionalizar as


inscrições, supervisionar a contratação, processar os recursos administrativos e
os chamados em relação aos erros que acontecem nas fases do FIES, além de, no
caso de carência estendida e abatimento do FIES, deferir ou não de forma
administrativa os requerimentos.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 4
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Portanto, a União é parte na relação jurídica a que se
pretende compor.

De igual sorte, a faculdade faz parte da relação jurídica ora

pleiteada, isso é, configurando como parte também no contrato de financiamento

e, no caso de concessão do financiamento por meio da ação, deverá cumprir com

o que será determinado por esse juízo.

Portanto, a faculdade ora ré, é legitima para compor essa

lide.

I.3 – DO JUÍZO 100% DIGITAL

A competência a esse juízo se adere 100% digital, para que


todos os atos processuais sejam praticados exclusivamente por meio eletrônico,
de modo que atende melhor aos interesses jurisdicionais.

Aprovação na Resolução CNJ 345/2020, dispõe o seguinte:


´´Art. 1º Autorizar a adoção, pelos tribunais, das medidas
necessárias à implementação do “Juízo 100% Digital” no
Poder Judiciário.
§1º No âmbito do “Juízo 100% Digital”, todos os atos
processuais serão exclusivamente praticados por meio
eletrônico e remoto por intermédio da rede mundial de
computadores. (redação dada pela Resolução n. 378, de
9.03.2021). ´´

Informa, assim, que o e-mail causídico é


[email protected] e o telefone é (62) 992344296.

II – DOS FATOS

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 5
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
A parte Requerente é aluna e pretende estudar com auxílio do
FIES para medicina na faculdade ora 4º Requerida.

Esclarece a esse juízo que a parte Autora não consegue arcar


sequer com a matrícula na faculdade e no curso ora almejado, de forma que não
está, atualmente, estudando na faculdade demandada, mas que pretende por ser
a que mais se encaixa em seus anseios profissionais.

Por meios midiáticos, soube da possibilidade de ingresso no


curso de medicina através do Financiamento Estudantil (FIES), almejando
realizar a sua conquista de exercer a profissão tão desejada, resolveu assim
ingressar com a solicitação para a concessão de um possível financiamento.

O Fies prevê uma série de requisitos que não estão na lei e sim
em portarias administrativas esparradas ao longo dos anos, que cada vez mais
restringiram o acesso de alunos ao programa de financiamento, - como na
Portaria Normativa Nº21, De 26 De Dezembro De 2014 que alterou a Portaria
Normativa MEC nº 10, de 30 de abril de 2010.

Mesmo assim, a parte Requerente se enquadra nos requisitos


para a concessão do FIES, isso é: possui nota no ENEM – após o ano de 2010-
acima de 450 pontos; não zerou a pontuação referente a nota da redação no
ENEM; possui renda familiar por pessoa da família inferior a 3 salários mínimos.

Em verdade, a nota obtida no ENEM é de 670,02 no ENEM do


ano de 2018. Obteve nota na redação de 760 pontos.

A renda per capta da sua família é de R$ 3.055,58.

Valoroso ressaltar que o núcleo familiar é composto apenas pela


parte Requerente (documentos anexos). Enquanto isso sua renda gira em torno
de R$ 3.055,58.

Isso porque, sua família não tem grande renda, impossibilitando


a continuidade do seu mister acadêmico, uma vez que é extremamente
concorrido em instituições públicas e as instituições privadas cobram
mensalidades altíssimas para que possam cursar ali.

Para continuar os seus estudos, a parte Requerente então se vê


necessitada do financiamento estudantil propiciado pelo Governo Federal.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 6
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Esclarece que a mensalidade nessa instituição de ensino é no
valor de R$ 10.550,00.

Aspirando realizar a sua conquista de exercer a profissão tão


desejada, resolveu assim ingressar com a solicitação para a concessão de um
possível financiamento.

Vale ressaltar que cumpriu com os requisitos previstos em


portaria necessários para a obtenção do financiamento.

Contudo, o MEC por meio das portarias de ingresso ao


Financiamento que ocorrem todo semestre que repete o conteúdo da portaria de
nº 535, portaria nº 534 e portaria nº 209, estabelece critérios além dos previstos
em LEI.

Isso é, o MEC cria restrições ao direito ao financiamento por meio


de Portarias, conforme se argumentará em tópico específico, criando normas que
estão sobrepondo a LEI FEDERAL de regência do financiamento.

Não se pode admitir tamanha irregularidade e que o MEC inove


no ordenamento jurídico, com a restrição a Direito por meio de um ato
secundário, portaria.

Tendo isso em vista é que vem se socorrer no Poder Judiciário


para que tenha seus direitos protegidos.

II - DO DIREITO

II. 1 - DO DESVIRTUAMENTO DO OBJETIVO DO PROGRAMA DE


FINANCIAMENTO - QUEBRA DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA

O programa de financiamento estudantil tem por objetivo


atender estudantes que não possuem condições financeiras para custear gastos
nas instituições de ensino superior, assegurando o ingresso e a permanência
daqueles que almejam conquistar a graduação.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 7
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Apesar de preencher todos os requisitos, com a exigência de nota
superior à do último candidato e com as pouquíssimas vagas que são oferecidas
pelas instituições de ensino superior particular para o FIES, não consegue ficar
entre os selecionados pelo programa.

Sabe-se que o programa de financiamento ofertado pelo governo


federal - FIES- tem restringido cada vez mais o acesso ao financiamento.

Ao invés de ofertar para todos aqueles que desejam cursar ensino


superior e não têm condições de pagar com as mensalidades altas, o MEC por
meio de portarias restringe o acesso dos alunos.

O FIES, que é uma política pública para aqueles são as


populações mais carentes, atualmente, não atinge seu objetivo precípuo, pois
limita o acesso de alunos. Não atinge a função social a que se propõe.

Essa concorrência a uma política pública é totalmente na


contramão dos objetivos do Estado de Direito escrito na Carta da República de
1988, a tornando uma Constituição meramente nominativa, uma vez que deixa
de concretizar acesso à educação, direito previsto e tratado inúmeras vezes pelo
Constituinte.

Não bastasse a concorrência ao financiamento, as faculdades


destinam POUQUÍSSIMAS vagas para o FIES, colocar alunos no final da fila, não
os deixa concorrer a uma vaga na faculdade. Em turmas de 110 alunos por
semestre, as faculdades chegam a destinar apenas uma ou duas vagas para
alunos pelo sistema seletivo do FIES.

Os alunos que queiram FIES precisam ficar com nota no ENEM


superior ao último candidato aprovado no programa do FIES. Veja, a parte
Requerente tem nota superior a vários alunos da instituição ora ré.

Resta clara a violação ao princípio da isonomia uma vez que


maximiza que “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na
medida de sua desigualdade”.

Assim, não conceder o financiamento estudantil à parte autora


contraria o objetivo do programa social, que é ajudar estudantes universitários
carentes de universidades particulares para o custeio de seus estudos.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 8
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Se leva em consideração uma análise meritória e não somente
financeira.

O ato de impor desempenho mínimo para se obter o Fies afronta,


portanto, o princípio da hierarquia das leis, estando eivado de nulidade, uma
vez que suprime direito assegurado ao estudante em norma superior (Lei n.
10.260/2001).

Vale destacar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça:

"O ato administrativo, no Estado Democrático


de Direito, está subordinado ao princípio da legalidade (
CF/88, arts. 5º, II, 37, caput, 84, IV), o que equivale assentar
que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei
determina. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por
finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento,
instrução, portaria, etc.), não pode a Administração inovar na
ordem jurídica, impondo obrigações ou limitações a direitos
de terceiros." (REsp n.º 584.798/PE, 1ª T/STJ, rel. Min. Luiz Fux,
DJ 04/11/2004, ementa parcial)

Isso porque o MEC publica todo processo seletivo a portaria de


regência do processo seletivo e, além das portarias Normativa Nº21, De 26 De
Dezembro De 2014 que alterou a Portaria Normativa MEC nº 10, de 30 de abril
de 2010, publicou portaria de nº 535 de 2020 em que acrescenta mais critérios
ainda a possibilidade de ter o FIES, uma vez que exige nota para que fosse
concedido o financiamento ao aluno. Isso é, para ter acesso a uma ou duas vagas,
o aluno deverá concorrer com todo o Brasil para ter seu curso financiado.

As portarias do MEC que criam RESTRIÇÕES A DIREITO que


prevê a limitação em razão da nota se mostra ILEGAL E
INCONSTITUCIONAL, PELA APRONTA AO ART. 37 DA CF.

É dever do Estado Constitucional ofertar aos cidadãos ensino


superior de qualidade. Contudo, as Universidades Federais recebem
pouquíssimo investimento do Governo Federal, de maneira que não as

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 9
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
possibilitam ofertar vagas para todos aqueles que desejam ingressar no ensino
superior.

Para ingressar nessas faculdades, é preciso que o aluno tenha se


dedicado com excelência no ensino básico, médio e fundamental, de forma que
se destacando alcançará os melhores intelectos e as vagas das melhores
universidades. Isso necessita de uma renda familiar superior ao que é exigida
pelo programa do FIES, uma vez que as escolas particulares que fornecem a
excelência no ensino.

Sabendo disso, a República Federativa sequer oferece colégios de


qualidade para aqueles que mais precisam do apoio do Estado, deixando-os a
própria sorte.

Apesar de haver políticas de incentivo, como cotas sociais, as


vagas que são destinadas pelo ensino superior em universidades federais são
preenchidas em sua grande maioria por pessoas que sequer precisariam delas
para concluir seus estudos, isso é, em sua maioria são pessoas que cresceram em
berços de ouro e tiveram excelente base em colégios particulares caríssimos.

Na vã tentativa de resolver o imbróglio, o Estado Brasileiro


delega aos particulares a função educacional. Assim, universidades particulares
são as portas de entradas de inúmeros brasileiros de classes menos favorecidas
ao ensino de 3º grau.

Contudo, esses brasileiros não têm condições de pagar as


faculdades que lhe são ofertadas, ficando de novo a mercê da própria sorte.

Novamente, o Estado Brasileiro oferta financiamento estudantil


e bolsas de estudo por meio dos programas FIES e PROUNI.

Mas são grupos extremamente seletos que conseguem alcançar


êxito nesses programas ofertados.

Isso porque, para ter acesso a tais, o aluno precisa se sair bem no
ENEM, que depende de um resultado de um ensino de qualidade nos ensinos
básicos, fundamental e médio, o que, novamente não é oferecido pelo Estado
Brasileiro.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 10
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Veja que aqueles menos favorecidos, como no caso da parte
Requerente, encontram-se em uma verdadeira sinuca de bico, medindo esforços
sem tamanhos para conseguir vencer esse círculo vicioso que lhes é posto.

Para o pobre, só resta sentar e ver as pessoas de classes sociais


diferentes ganharem cada vez mais, crescer cada vez mais, sem que lhe seja
ofertado também esse direito.

Nesse sentir, até mesmo os financiamentos que são ofertados


para aqueles que são os menos favorecidos da sociedade, acabam ficando com
aqueles mais prestigiados que tiveram a oportunidade de um ensino médio de
qualidade, via de regra, em escolas particulares.

II.2 - DA DESNECESSIDADE DE PREVISÃO


ORÇAMENTÁRIA E APLICAÇÃO DA TEORIA DO MÍNIMO
EXISTENCIAL

Menciona-se, que não se pede que o Estado arque com a


faculdade. O que se pede é a oportunidade de um empréstimo, de um
financiamento. NÃO HAVERÁ NENHUM PREJUÍZO AO ERÁRIO, de forma
que a argumentação rasa de que há necessidade de previsão orçamentária para a
concessão de uma política pública não deve prosperar.

O FIES tem natureza jurídica de FOMENTO à educação. Como


fomento presta-se um serviço público de incentivo a educação. Assim como um
hospital, uma concessionária de energia elétrica, o FIES presta um serviço público
à população de fomento.

Se contrata o serviço de financiamento do curso, para ao final


pagar à Administração Pública, com valores atualizados e com juros baixos.
Assim como o BNDS não pode negar acesso ao seu crédito para aqueles que
preenchem os requisitos, o FIES, que busca a concessão não só de crédito como
de acesso à Educação, não pode. Isso porque, os requisitos legais foram
devidamente preenchidos pelo Requerente, havendo restrições a direito por
meio de portarias.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 11
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
E, assim como a saúde, o Estado não pode se limitar a alegar a
Teoria da Reserva do Possível, com a falta de orçamento entre outros argumentos
rasos, pois o fornecimento da Educação é amparado pela Teoria do Mínimo
Existencial. Sem o acesso a esse Direito, não se tem vida plena, com dignidade.

Isso porque o próprio constituinte assevera no art. 205 que com


a Educação é o meio para exercício pleno da cidadania e forma de qualificação
para o trabalho.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado


e da família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.

Veja que a cidadania e os valores sociais do trabalho é OBJETIVO


DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, senão vejamos:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela


união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Assim como a saúde, para se viver bem é preciso ter educação.


Assim como uma cirurgia, se necessita de cursar uma faculdade. Assim como
remédio, se precisa estar em uma graduação.

Repita-se.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 12
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Menciona-se, que não se pede que o Estado arque com a
faculdade. O que se pede é a oportunidade de um empréstimo, de um
financiamento.

Ainda, não se solicita o financiamento na melhor e mais cara


faculdade de medicina do país. Faculdades de medicina podem chegar a custar
R$ 15.000,00 por mês. O contrato que a Requerente pretende firmar é de menos
desse valor.

Imperioso se faz a análise que não existe um pré-requisito


estabelecido onde versa que apenas o estudante com as notas mais altas podem
requerer o financiamento na LEI. Pelo contrário. A Legislação pertinente
sequer estabelece critério a uma nota mínima de 450 pontos.

Assim sendo, as regras atuais que limitam, impossibilitando ou


discriminando que os estudantes e restringem o acesso ao financiamento
estudantil configura redução indevida ao direito anteriormente conquistado
que ao fim e ao cabo visa concretizar o pleno acesso à educação.

Sobre esse princípio da igualdade dos usuários, determina-se


que caso a pessoa satisfaça as condições legais, ela faz jus à prestação do serviço,
sem qualquer distinção de caráter pessoal.

Cristalino o entendimento que o FIES foi criado com o objetivo,


de dar efetividade ao direito à educação, previsto no art. 205, da Carta Magna, e,
por sua vez, a conduta das rés fere o direito fundamental à educação, no que
concerne ao ensino superior, na medida em que cria óbices à continuidade dos
estudos da Requerente.

III.3 - DA ILEGALIDADE E
INCONSTITUCIONALIDADE DAS PORTARIAS DE REGÊNCIA
DO FIES - Portaria nº 10 - Portaria nº 21 - Portaria Normativa do
MEC n. 38, de 22 de janeiro de 2021 - Portaria Nº 534 - Portaria nº 209
E DA PORTARIA N º 535 DO MEC DE 12 DE JUNHO DE 2020

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 13
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Como dito anteriormente, com as portarias apontadas nesse
título, exige-se não só a nota mínima do ENEM de 450 pontos, como também nota
igual ou superior àquela obtida pelo último estudante selecionado para as vagas
do Fies na IES de destino.

A Lei n. 10.260/2001 que rege o programa de financiamento -


FIES- não determina nenhum requisito relacionado a desempenho mínimo
acima de candidatos anteriores ao financiamento.

A nota de corte do fies está prevista na Portaria Normativa do


MEC n. 38, de 22 de janeiro de 2021, que regulamenta o processo seletivo do Fies
e dispõe:
Art. 17. Encerrado o período de inscrição, em
cumprimento ao disposto no § 6º do art. 1º da Lei nº 10.260, de 2001, e os
limites de vagas, os candidatos serão classificados nos termos informados no
Edital SESu, observada a seguinte sequência: [...]

Art. 18. O candidato será pré-selecionado na ordem de sua


classificação, nos termos do art. 17, observado o limite de vagas disponíveis,
conforme as definições, os procedimentos e os prazos previstos no Edital
SESu.

No mesmo sentido, dispõe o edital n. 79, de 18 de julho de 2022,


que rege o processo seletivo do Fies referente ao segundo semestre de 2022:

3. DA CLASSIFICAÇÃO

3.1. Observadas as opções realizadas na inscrição e os


limites de vagas por grupo de preferência por curso/turno/local de oferta/IES,
os CANDIDATOS serão classificados no processo seletivo do Fies, na ordem
decrescente de acordo com as notas obtidas no Enem, no grupo de preferência
para o qual se inscreveram, atendida a prioridade indicada entre as 3 (três)
opções de curso/turno/local de oferta/IES escolhidas, observada a sequência
disposta no § 6º do art. 1º da Lei nº 10.260, de 2001: [...]

3.1.1. A nota de que trata o subitem 3.1 será igual à média


aritmética das notas obtidas nas cinco provas do Enem em cuja edição o
CANDIDATO tenha obtido a maior média.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 14
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Essa informação repete em todos os editais do FIES.

As Portarias do MEC impõem restrições que não constam na lei


que regem o Fies. Isso é, o MEC impõe restrição a direito por meio de ato
secundário, que não deve prevalecer sobre a LEI.

É evidente que não se nega à União o exercício do seu Dever-


Poder Regulamentar (Normativo).

O poder normativo tem o escopo de facilitar a compreensão do


texto legal. Os seus atos são SEMPRE inferiores a lei e visam regulamentar
determinada situação de caráter geral e abstrato, pois facilitam a execução da lei.

O PODER NORMATIVO NÃO PODE INOVAR NO


ORDENAMENTO JURÍDICO. Não é ato primário, e não pode criar ou extinguir
direitos e obrigações (COMO VEM FAZENDO EM RELAÇÃO AO FIES).

Assim, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão


em virtude de LEI, conforme assegurado pelo texto constitucional.

Dessa forma, o Poder Regulamentar não pode RESTRINGIR


DIREITOS, pois estaria desobrigando a Administração Pública a contemplar
aqueles que necessitam a ter acesso ao FIES.

III. 3 - DO NÃO PREENCHIMENTO DAS VAGAS E NÃO


ESTABELECIMENTO DO PONTO DE CORTE

Veja ainda que as vagas nunca são completamente


preenchidas. Não há como definir um ponto de corte com o último aluno
colocado, pois não existe essa figura.

Existe vacância nas vagas do FIES, de maneira que não haveria


como cortar alunos por meio da nota, uma vez que não há, em sua maioria, o
último aluno que preencha a última vaga disponível.

Em pesquisa realiza no site da Associação Brasileira das


Mantenedoras das Faculdades (Abrafi). Obtém-se as informações sobre a
quantidade de vagas ofertadas e pouco preenchidas, há de se verificar a

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 15
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
capacidade de atender uma grande demanda de alunos que pretendem ingressar
nas Instituições de Ensino.

Extraído de https://abmes.org.br/noticias/detalhe/4608/diante-
de-vagas-ociosas-fies-tera-orcamento-35-menor-para-2022 (acessado em
03/04/2023)

Estima-se que os recursos destinados ao Fundo de


Financiamento Estudantil para esse ano serão de R$ 5,53 bilhões.

Ao prever esse montante para 2022, o governo federal já


considera que parte das 111 mil vagas a serem disponibilizadas neste ano não
serão preenchidas - seguindo um padrão que já vem de anos anteriores.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 16
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Isso significa uma grande oferta de vagas a serem utilizadas, e
para tanto entende-se que há interesse por parte do Governo brasileiro em
investir de forma direta em educação.

Ressalta-se que sem o preenchimento das vagas destinadas ao


FIES, não haveria como estabelecer uma nota de corte pelo o último colocado
na última vaga disponível, ficando esse critério defasado e sem validade.

Assim sendo, as regras atuais que limitam, impossibilitando ou


discriminando que os estudantes e restringem o acesso ao financiamento
estudantil configura redução indevida ao direito anteriormente conquistado
que ao fim e ao cabo visa concretizar o pleno acesso à educação.

São regras, a bem da verdade, de exclusão daqueles alunos que


mais precisam do FIES para acesso do 3° grau de ensino. Alunos de famílias
carentes, que não tiveram acesso ao um bom ensino básico e não conseguiram
alcançar as melhores notas no ENEM pelo fracasso no ensino público
brasileiro.

III.4. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA PORTARIA Nº 38 DE


REGÊNCIA DOS PROCESSOS SELETIVOS, DO EDITAL DO PROCESSO
SELETIVO DE 2022.2 E DE 2023.1 E DA PORTARIA Nº 534 E 535 DO MEC

Educação é direito social previsto no art. 6º da Carta da


República:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o


trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.

Assim como a saúde, a alimentação, o trabalho entre tantos


outros, a educação é um direito social elencado na Constituição Federal de 1988.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 17
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
A Lei de Diretrizes nº 9.497 estabelece em seus primeiros artigos
que a educação é dever do Estado, e tem finalidade de pleno exercício da
cidadania e a qualificação para o trabalho:

Art. 2º A educação, dever da família e do Estado,


inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de
solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.

Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes


princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência


na escola;

O artigo 3º da Lei de Diretrizes garante o acesso igualitário. O


que não tem acontecido no caso em comento, uma vez que por ter graduação e o
FIES disponibilizar pouco acesso, a Requerente não fica entre os colocados do
FIES, mesmo tendo nota suficiente para tanto.

Referido artigo tem base no art. 206 da Constituição Federal que


assim verbera:

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos


seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência


na escola;

II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar


o pensamento, a arte e o saber;

Para tanto, foi criado o financiamento do ensino superior pelo


Estado, direcionado ao estudante carente ou temporariamente impossibilitado de

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 18
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
custear sua educação, com o intuito de facilitar o seu acesso ao ensino superior
nas universidades particulares.

Trata-se do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino


Superior (FIES), instituído pela Medida Provisória nº 1827/99, que após várias
reedições e alterações de numeração, até a MP nº 2094-28, de 13-06-01 foi
regulado por medida provisória, sendo que a partir de julho de 2001, passou a
ser disciplinado pela Lei nº 10.260, de 12/07/2001.

A parte Autora, por norma de eficácia plena da Constituição


Federal, tem DIREITO à liberdade de aprender.

Essa liberdade também engloba o ensino superior, devendo ter


acesso a esse ensino quantas vezes se fazer necessário para que haja plenitude no
exercício da cidadania e da dignidade da pessoa humana.

É INCONSTITUCIONAL, pois limita o acesso a educação e


confronta com o que determina o art. 205 e seguintes da Constituição Federal:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado


e da família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.

Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios organizarão em regime de colaboração seus
sistemas de ensino.

§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e


o dos Territórios, financiará as instituições de ensino
públicas federais e exercerá, em matéria educacional,
função redistributiva e supletiva, de forma a garantir
equalização de oportunidades educacionais e padrão
mínimo de qualidade do ensino mediante assistência
técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios;

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 19
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de
educação, de duração decenal, com o objetivo de
articular o sistema nacional de educação em regime de
colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e
estratégias de implementação para assegurar a
manutenção e desenvolvimento do ensino em seus
diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações
integradas dos poderes públicos das diferentes esferas
federativas que conduzam a: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

I - erradicação do analfabetismo;

II - universalização do atendimento escolar;

III - melhoria da qualidade do ensino;

IV - formação para o trabalho;

V - promoção humanística, científica e tecnológica do


País.

VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos


públicos em educação como proporção do produto
interno bruto.

O acesso ao fomento deve ser universalizado, de forma que


poderá garantir o acesso a universal a educação. A educação não é só um direito
social como também UM DEVER DO ESTADO. E se o FIES é a única forma de
muitos estudarem no ensino superior, esse é o DEVER DO ESTADO.

De igual forma, desde a promulgação da Constituição de 1988


que se atribuiu responsabilidade ao Governo Federal de fazer meios para
equalizar o acesso à educação.

O FIES era para todos antes de 2017. O antigo FIES não criava
empecilhos esdrúxulos e nem mesmo afastava a educação dos mais carentes.

Depois de 2017, o FIES não cumpre com a função do Estado de


fornecer a educação e muito menos de equalizar o acesso a essa.

Não se pode admitir o RETROCESSO SOCIAL.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 20
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Por vários anos o Governo Federal visou a educação de todos. E
após uma série de fatores políticos se vem retrocedendo em diversas áreas: como
no Direito Ambiental, como na Saúde e na Educação.

Ainda, NA CONTRAMÃO DA CONSTIUIÇÃO FEDERAL, o


MEC estabeleceu portarias em que determinam como requisito estar acima da
menor nota da instituição para as vagas que destinam o FIES.

Como dito acima, a limitação em razão da nota impossibilita o


acesso à educação daqueles que mais precisam, pois aqueles que tiram as
melhores notas foram, em regra, os que mais tiveram oportunidade de ensino,
até mesmo em escolas particulares.

Em razão do descaso com a educação básica, ensino médio e


fundamental, do Estado Brasileiro em suas três esferas administrativas, aqueles
que mais precisam de acesso à educação para haver uma mudança de vida não
têm acesso a qualquer ensino de qualidade.

Não há que alegar que sendo uma política pública não dá para
fornecer a todos.

Educação é direito social previsto no art. 6º da Carta da


República assim como a saúde.

Aqui, Excelência, com a máxima Vênia, trago uma reflexão para


que possamos ter empatia pelo próximo, pois tanto eu, quanto Vossa
Excelência não teríamos condições de exercer nossas profissões se não
tivéssemos acesso à educação.

Ambos sabemos das dificuldades e percalços que temos no


caminho até o tão sonhado momento da graduação e, mais ainda, o momento
em que temos o privilégio de exercer nossas profissões.

E é exatamente isso que o Requerente pleiteia: uma


possibilidade de poder trabalhar com o que realmente ama e tem afinidade.

Chega às raias do absurdo imaginarmos que o Governo gasta


bilhões com fundos partidários, mas em época de campanha é sempre a mesma
coisa: prometem educação, mas nunca cumprem, razão esta que o Autor bate nas
portas do Judiciário

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 21
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
III. 5 - DA OFERTA DE VAGAS

A oferta de vagas das universidades é estabelecida nas


portarias que regem cada processo seletivo. Via de regra, têm a seguinte redação:

§ 3º A mantenedora, ao apresentar proposta de


vagas para suas IES, nos termos do inciso IV do
caput, deverá observar o seguinte:

I - caso informe que haverá a realização de processo


seletivo próprio para ingresso de candidatos em
período inicial dos cursos no segundo semestre de
2021, poderá ofertar vagas tanto aos candidatos em
período inicial de cursos como aos demais
candidatos veteranos; e

II - caso informe que não haverá a realização de


processo seletivo próprio para ingresso de
candidatos em período inicial dos cursos no
segundo semestre de 2021, somente poderá ofertar
vagas aos candidatos veteranos.

§ 4º A proposta do número de vagas a serem


ofertadas, nos termos do inciso IV do caput, deverá
considerar o número de vagas anuais ofertadas,
conforme distribuição por curso e turno no
Cadastro e-MEC; o número de matriculados na
condição de ingressante que tenham contratado
financiamento pelo Fies no primeiro semestre de
2021; a estimativa do número de matrícula dos
estudantes ingressantes no primeiro semestre de
2021 e o número de estudantes que tiveram sua
inscrição postergada para o segundo semestre de
2021, respeitados os seguintes percentuais, de
acordo com o conceito do curso obtido no âmbito

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 22
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior - Sinaes:

I - até 50% do número de vagas para cursos com


conceito cinco;

II -até 40% do número de vagas para cursos com


conceito quatro;

III -até 30% do número de vagas para cursos com


conceito três; e

IV -até 25% do número de vagas para cursos cujos


atos regulatórios mais recentes sejam
"Autorização".

§ 5º A mantenedora poderá declarar, indicando a


quantidade de vagas, se concorda em receber maior
número de candidatos, para além dos limites
informados nos incisos I a IV do § 4º deste artigo,
obedecido, em qualquer caso, o limite de vagas
totais anuais do curso constante de seu ato
autorizativo.

§ 6º Na hipótese da utilização da prerrogativa do §


5º deste artigo, as vagas adicionais serão
desconsideradas para fins da distribuição de vagas
pela Secretaria de Educação Superior do MEC, nos
termos do art. 13 desta Portaria, mas deverão ser
consideradas para fins de ocupação de vagas no
processo seletivo de que trata esta Portaria.

Observe que as instituições de ensino superior devem


realizar proposta de quantidade de vagas a ser ofertadas pelo FIES.

Essas instituições devem se ater ao que dispõe o §4º do texto


do 5º da portaria.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 23
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Ali se prevê o máximo de vagas que podem ofertar, de
acordo com a nota da IES na avaliação do MEC.

Contudo, não ofertam sequer 10% das vagas do curso para


os alunos.

Ora, têm autonomia didático-administrativa para se


vincularem ao programa de financiamento. Mas a partir do momento que assim
fazem, A BOA-FÉ, o que a sociedade, o Estado e todos esperam é que ofertem a
quantidade de vagas suficientes para que se todos os que não podem tem acesso
à instituição no percentual estabelecido na portaria.

O Estado proporciona para essas Universidades uma


quantidade de acesso de alunos que buscarão o FIES, dando preferência a elas.

Mas em contrapartida, essas universidades devem oferecer


vagas suficientes para os alunos do FIES.

As restrições do FIES e a quantidade de vagas tem sido tão


poucas que viram notícias nos veículos de informação:

https://www.poder360.com.br/educacao/fies-e-desidratado-e-tera-em-2021-
menor-numero-de-vagas-em-11-anos/

https://noticias.r7.com/educacao/fies-2021-oferece-69-mil-vagas-neste-segundo-
semestre-26072021

Observe que novamente o Estado e as Faculdades estão


agindo ao encontro do que se espera de uma sociedade que está evoluindo,
retrocedendo na quantidade de vagas ofertadas para o ensino superior.

Dessa forma, ao ofertarem 5 vagas para cursos que


disponibilizam 100 vagas de alunos que não utilizam o FIES, a faculdade não está
exercendo a função social a que se propõe, desvirtuando também a função social
do contrato que têm com o FIES.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 24
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Dessa maneira, estando dentro dos limites estabelecidos de
até 50% das vagas a serem ofertadas pelos alunos do FIES, requer a abertura de
vaga para o Requerente na instituição ora 4ª Requerida.

III – DA TUTELA DE URGÊNCIA

Destarte, tem-se comprovado de forma evidente todos os


Direitos da parte Requerente para que possa lograr êxito na tutela de urgência, a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do
processo.

A PROBABILIDADE DO DIREITO resta comprovada com a


situação narrada, em que demonstra ser direito da parte requerente ter seu
financiamento estudantil aprovado pelas partes rés.

O PERIGO DA DEMORA reside no fato de que O SEMESTRE


LETIVO JÁ SE INICIOU e, caso a autora não consiga o financiamento, não
conseguira se matricular para o curso de medicina, o que evidencia a necessidade
da concessão da medida liminar, ora pleiteada, INAUDITA ALTERA PARS, tendo
em vista a imprescindibilidade da realização das matrículas da impetrante no
curso de medicina e nas disciplinas pleiteadas.

Assim, a concessão da medida liminar, INAUDITA ALTERA


PARS, é medida que se impõe. Cumprido não apenas dois, mas os três requisitos,
não há razão para negar o direito aqui pleiteado.

No caso de deferimento quando já tiver se iniciado o semestre


letivo, isso é, esse estiver no meio do período, requer a aplicação do seguinte
raciocínio: o FIES quando a inscrição no programa de financiamento possibilita
aos alunos que coloquem como semestre letivo o número "0", que indica que o
aluno irá começar na instituição de destino do financiamento no semestre
seguinte. De igual forma, requer seja aplicado o mesmo raciocínio com a
demanda, no caso de deferimento, que proporcione a parte Requerente começar
no próximo período letivo.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 25
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Por derradeiro, requer a Vossa Excelência a concessão da tutela
de urgência, para que a parte ré conceda o financiamento estudantil pelo
programa FIES, sob pena de aplicação de multa diária no valor R$ 1.100,00 (um
mil e cem reais), em caso de descumprimento.

V - DOS PRECEDENTES DESSA CORTE

Destaca-se por fim o precedente dessa corte que concedeu,


em conformidade com as argumentações apostas acima, o direito do aluno ao
financiamento estudantil.

Em Agravo de Instrumento de nº 1032349-05.2022.4.01.000, o


Douto Juízo daquele recurso, Desembargador ANTÔNIO DE SOUZA
PRUDENTE, em decisão recente no dia 13/09/2022, concedeu a antecipação dos
efeitos da tutela para dar àquele aluno o direito a contratação e concessão do
financiamento estudantil FIES.

Senão vejamos suas fundamentações:

Não obstante os fundamentos em que se


amparou a decisão agravada, vejo presentes, na
espécie, os pressupostos do art. 1019, I, do CPC, a
ensejar a concessão da almejada antecipação da tutela
recursal, notadamente em face do seu caráter
manifestamente precautivo e, por isso, compatível com
a tutela cautelar do agravo, manifestada nas letras e na
inteligência do referido dispositivo legal, de forma a
possibilitar a formalização de novos contratos de
financiamento estudantil e assegurar, por conseguinte,
o pleno acesso ao ensino superior, como garantia
fundamental assegurada em nossa Constituição
Federal, na determinação cogente e de eficácia
imediata (CF, art. 5º, § 1º), no sentido de que “a
educação, direito de todos e dever do Estado e da
família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 26
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho” (CF, art. 205).

Ademais, impende consignar que o


mencionado Fundo de Financiamento ao Estudante do
Ensino Superior – FIES foi criado pela Lei nº
10.260/2001, posteriormente modificada, que, em seu
art. 1º, assim estabelece:

Art.1º É instituído, nos termos desta Lei, o Fundo de


Financiamento Estudantil (Fies), de natureza contábil,
vinculado ao Ministério da Educação, destinado à
concessão de financiamento a estudantes de cursos
superiores, na modalidade presencial ou a distância,
não gratuitos e com avaliação positiva nos processos
conduzidos pelo Ministério, de acordo com
regulamentação própria.

§ 1º O financiamento de que trata o caput deste artigo


poderá beneficiar estudantes matriculados em cursos
da educação profissional, técnica e tecnológica, e em
programas de mestrado e doutorado com avaliação
positiva, desde que haja disponibilidade de recursos,
nos termos do que for aprovado pelo Comitê Gestor do
Fundo de Financiamento Estudantil (CG-Fies)

(...)

§ 6º O financiamento com recursos do Fies será


destinado prioritariamente a estudantes que não
tenham concluído o ensino superior e não tenham sido
beneficiados pelo financiamento estudantil, vedada a
concessão de novo financiamento a estudante em
período de utilização de financiamento pelo Fies ou que
não tenha quitado financiamento anterior pelo Fies ou
pelo Programa de Crédito Educativo, de que trata a Lei
no 8.436, de 25 de junho de 1992.

Por sua vez, estabelece o art. 15-D, caput,


da referida Lei, com a redação dada pela Lei nº 13.530-
2017, que “é instituído, nos termos desta Lei, o

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 27
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Programa de Financiamento Estudantil, destinado à
concessão de financiamento a estudantes em cursos
superiores não gratuitos, com avaliação positiva nos
processos conduzidos pelo Ministério da Educação, de
acordo com regulamentação própria, e que também
tratará das faixas de renda abrangidas por essa
modalidade do Fies”.

Da leitura dos dispositivos legais em


referência, verifica-se que, efetivamente, não se
vislumbra, dentre as condições legalmente
estabelecidas, a exigência de que o aluno tenha sido
submetido ao Exame Nacional de Ensino Médio –
ENEM, nem, tampouco, que tenha obtido a média
mínima exigida nos atos normativos hostilizados nos
presentes autos.

É bem verdade que o art. 3º da referida


Lei nº 10.260/2011, estabelece que a gestão do FIES
caberá ao Ministério da Educação, que editará
regulamento dispondo sobre “as regras de seleção
de estudantes a serem financiados, devendo ser
considerados a renda familiar per capita,
proporcional ao valor do encargo educacional do
curso pretendido, e outros requisitos, bem como as
regras de oferta de vagas”.

De ver-se, porém, que, os tais “outros


requisitos” a que se reporta o dispositivo legal em
referência, não podem extrapolar os limites
estabelecidos pela própria Lei de criação do FIES,
como no caso, sob pena de violação ao princípio da
legalidade, segundo o qual, “ninguém será obrigado a
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei” (CF, art. 5º, inciso II), mormente em face da
finalidade precípua do financiamento estudantil em
referência, que consiste em propiciar, sem qualquer
limitação, o livre acesso ao ensino superior,
sintonizando-se, com o exercício do direito
constitucional à educação (CF, art. 205) e com a
expectativa de futuro retorno intelectual em proveito da
nação, que há de prevalecer sobre formalismos
eventualmente inibidores e desestimuladores do
potencial científico daí decorrente.

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 28
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
***

Com estas considerações, defiro o pedido


de antecipação da tutela recursal formulado na inicial,
para assegurar à autora o direito à formalização do
contrato de financiamento estudantil, com recursos do
FIES, relativamente ao curso superior em que se
encontra matriculada, independentemente das
restrições descritas nos autos, até o pronunciamento
definitivo da Turma julgadora.

Comunique-se, com urgência, via e-mail,


aos Srs. Presidentes da Caixa Econômica Federal e do
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação –
FNDE, para fins de cumprimento desta decisão
mandamental, cientificando-se, também, ao juízo
monocrático, na dimensão eficacial do art. 1.008 do
CPC.

Intimem-se os recorridos, nos termos e


para as finalidades do art. 1.019, II, do referido diploma
legal, abrindo-se vistas, após, à douta Procuradoria
Regional da República.

Publique-se. Intimem-se.

Brasília-DF., em 13 de setembro de 2022.

Desembargador Federal Souza Prudente

Relator

Veja que houve a concessão do FIES em razão de que a


portaria não pode sobrepor a LEI, o que requer, por isonomia, seja aplicado ao
caso em comento.

VI - DOS PEDIDOS

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 29
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
Ex positis, requer:

a) A concessão da tutela antecipada de urgência inaudita altera


pars :

a.1) Para suspender os efeitos das portarias que limitam o acesso


ao aluno ao financiamento, mencionadas anteriormente;

a.2) Para que a parte ré proceda com todos os atos necessários a


levar a assinatura do contrato do FIES, isso é, à matricula do aluno no programa
de financiamento estudantil – FIES, com a firmação de um contrato de
financiamento que ampare todo o período acadêmico, isso é, de agora até a
colação de grau do aluno ora parte Requerente, sob pena de multa diária a ser
arbitrada por este D. Juízo. Nesse pedido, requer o envio do link de inscrição feito
pelo Fundo Nacional; a emissão da DRI pela faculdade ora Ré; pela emissão e
assinatura do contrato pela CEF e, desde a decisão até a colação de grau, que as
Rés procedam com todos os atos de aditamento do contrato a serem feitos de
forma semestral;

a.2.1) No caso de deferimento quando já tiver se


iniciado o semestre letivo, isso é, esse estiver no meio do período, requer a
aplicação do seguinte raciocínio: o FIES quando a inscrição no programa de
financiamento possibilita aos alunos que coloquem como semestre letivo o
número "0", que indica que o aluno irá começar na instituição de destino do
financiamento no semestre seguinte. De igual forma, requer seja aplicado o
mesmo raciocínio com a demanda, no caso de deferimento, que proporcione a
parte Requerente começar no próximo período letivo.

b) Ao final, sejam julgados procedentes os pedidos a fim de,


confirmando a tutela de urgência, julgar em juízo de certeza requer o envio do
link de inscrição feito pelo Fundo Nacional; a emissão da DRI pela faculdade ora
Ré; pela emissão e assinatura do contrato pela CEF e, desde a decisão até a colação
de grau, que as Rés procedam com todos os atos de aditamento do contrato a
serem feitos de forma semestral, contemplando com o financiamento limitado ao
teto estipulado de R$ 8.800,94 mensais e concedendo o teto de financiamento
mesmo com as atualizações desse valor em eventos futuros;

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 30
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539
c) Que se declare a INCONSTITUCIONALIDADE das Portarias
que regem o fies e estabelecem critérios que não estão previstos em lei, bem como,
dos editais dos processos seletivos de cada semestre posteriores a essa, uma vez
que estabelecem as mesmas regras, pelos argumentos expostos acima;

d) Por estar dentro dos limites estabelecidos de até 50% (50, 40 e


30%) das vagas a serem ofertadas pelos alunos do FIES, requer a abertura de vaga
para a parte Requerente na instituição ora 4ª Requerida;

e) Concessão da assistência judiciária, por ser o autor pessoa


hipossuficiente no sentido jurídico do termo (Lei 1.060/50);

f) Informa-se a esse juízo que se adere ao juízo 100% digital.


Informa, assim, que o e-mail desses causídicos é
[email protected] e o telefone é (62) 992344296.

Pugna ainda pela produção de todas as provas em direito


admitidas, em especial prova documental suplementar;

Dá-se à causa o valor de R$ 739.278,96 por ser esse o valor do


curso de medicina (produto do valor do teto – R$ 8.800,94; por 14 períodos – 12
períodos regulares e dois de extensões).

Termos em que

Pede deferimento

Data e assinatura eletrônica

Assinado eletronicamente por: MARIANA COSTA - 31/05/2023 17:48:39 Num. 1387979382 - Pág. 31
https://pje1g.trf6.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=23053117473912600001375992539
Número do documento: 23053117473912600001375992539

Você também pode gostar