Lusanere Cruz
Residência em Clínica Médica
Residência em Endocrinologia
MBA em Atenção Primária
ADRENAIS Também chamadas de Glândulas Supra-renais.
Função das Supra-renais Eixo Hipotálamo - Hipófise – Adrenal
Regulação da resposta ao estresse, manutenção
do equilíbrio da água corporal, do sódio e do
potássio, controle da PA e características sexuais Vasopressina
secundárias + CRH
Regulação
Parcialmente regulado pelo eixo
hipotálamo-hipófise-adrenal Hipófise -> ACTH
A medula da adrenal pode ser considerada um
gânglio do sistema nervoso simpático
Ciclo circadiano do Cortisol. Adrenal -> Cortisol
Meia noite - nadir (menor nível)
2h - 4h - Níveis começam a aumentar
8h - Pico máximo
16h - Metade do pico
ADRENAIS
2 Partes:
• CORTEX: 03 zonas funcionais
Zona glomelulosa: mineralocorticoides
Zona fasciculada: glicocoreticoide
Zona reticulada: hormônios sexuais
• MEDULA:
Armazena e secreta catecolaminas (adrenalina e noradrenalina)
MINERALOCORTICÓIDE S
ALDOSTERONA
• Produzida na zona glomerulosa do córtex adrenal
• Células epiteliais do néfron distal e colon
• Promove reabsorção de sódio e excreção de
potássio pelo rim.
• É regulada pelo potássio e Angiotensina II.
• Controla a pressão arterial.
GLICOCORTICÓIDES
CORTISOL: Produzidos pela zona fasciculada do córtex adrenal
Diminuição da febre, aumento da velocidade de resolução da
resposta inflamatória e da regeneração de tecidos.
Bloqueia reações alérgicas.
Gliconeogênese hepática ► Diminui a utilização celular de glicose ►
Resistência à insulina.
Mobilização e redistribuição de gorduras.
Aumenta atividade osteoclástica e inibem atividade osteoblástica.
Catabolismo protéico ► atrofia muscular.
í í
HORMÔNIOS SEXUAIS
Produzidos na zona reticular - camada estreita no limite com a medula
Andrógenos (dehidro-epiandrosterona (DHEA), testosterona e androstenediona),
estrógenos (estrogênio) e a progesterona.
progesterona
Os androgênios têm efeito
aromatase
sobre o anabolismo protéico,
androstendiona pela ação de retenção de
nitrogênio.
estrogênio
Também promovem
testosterona retenção de P, K, Na e Cl
dehidro-epiandrosterona (DHEA)
CATECOLAMINAS
Produzidos na Medula:
São eles a adrenalina (epinefrina), noradrenalina e dopamina
Ajudam a controlar a pressão arterial, a frequência cardíaca, a produção de suor e débito cardíaco.
Também existe um sistema extra-adrenal - grupos de células neuroendócrinas amplamente distribuídas:
células do coração, fígado, rins, gônadas e neurônios adrenérgicos do sistema nervoso simpático pósganglionar
e central.
Em conjunto com a medula da adrenal constituem o sistema paraganglionar
SÍNDROME DE CUSHING
Condição resultante da exposição prolongada
a quantidades excessivas de glicocorticóides.
HIPERCORTISOLISMO
Conjunto de sinais e sintomas pela exposição prolongada de quantidade excessiva se corticoide
Mais comum em mulheres
Edema de face, rash (face esbofeteada), estrias grossas e avermelhadas, corcunda/giba
SECUNDÁRIO - CENTRAL OU ACTH DEPENDENTE PRIMÁRIO OU ACTH INDEPENDENTE
80% dos casos; 20% dos casos;
TU produtor de ACTH (80-85%); Adenoma adrenal (60%);
OBS - ACTH ectópico (15-20%); Carcinoma adrenal (40%);
SÍNDROME DE CUSHING
ECTOSCOPIA: Aumento do peso, obesidade central “Fácies Típica” “Corcunda / Giba de Búfalo”
OSSOS: Osteoporose e fraturas
PELE: Estrias violáceas, acne, hirsutismo, pletora facial-> bochecha rosada
MÚSCULOS: Miopatia proximal
SISTEMA CARDIOVASCULAR: HAS, Hipopotassemia, edema
SISTEMA REPRODUTIVO: Amenorréia, redução da libido
SISTEMA NERVOSO CENTRAL => Irritabilidade, labilidade emocional, depressão, psicose (casos graves)
SÍNDROME DE CUSHING - DIAGNÓSTICO
PASSO 1 - Caracterizar se há hipercortisolismo - clínica e laboratório
os sintomas de hiper ou hipofunção da adrenal se
confundem com os de diversas outras doenças
PASSO 2 - Localizar se é central ou periférico - laboratório
a maioria de nódulos de hipófise e adrenal são
não-secretores - incidentalomas
PASSO 3 - Fazer imagem ou outro exame de diagnóstico
como o cateterismo de seio petroso
tumores produtores de cortisol podem não
ser detectados na imagem - microadenomas
DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME DE PASSO CARACTERIZAR O
HIPERCORTISOLISMO
CUSHING: 1
TESTE DA SUPRESSÃO COM 1mg de DEXAMETASONA - Liddle 1
Cada comprimido tem 0,5 mg
. 1 mg de dexametasona á meia noite - coleta de sangue as 8h da manhã
CONCENTRAÇÃO DO CORTISOL LIVRE URINÁRIO:
Resultado: CS < 1.8 descarta Hipercortisolismo - CS ► 5 confirma Hipercortisolismo
Medir cortisol em amostra de urina de 24 horas.
Suspeita clínica de síndrome de Cushing + alta concentração de
cortisol urinário livre ► 4 vezes o limite
Superior da normalidade ► fortemente sugestivo de Síndrome de Cushing.
NÍVEIS DE CORTISOL SÉRICO OU SALIVAR A MEIA NOITE:
Indicação ► medições de cortisol urinário livre e do teste de supressão com dexametasona são indeterminados
Alteração no ritmo circadiano do Cortisol com manutenção do mesmo elevado no período noturno.
DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME PASSO
DE CUSHING 2
NÍVEIS PLASMÁTICOS DE ACTH:
São medidas para determinar a causa da síndrome de Cushing: LOCALIZAR A LESÃO
Indetectável => causa adrenal primária.
Se detectáveis = realizar teste de estímulo => Teste de Supressão com dose Alta de Dexametason
a
TESTE COM 8 MG DE DEXAMETASONA - Liddle 2
O Paciente precisa estar internado
08 mg de dexametasona às 23 horas e dosar cortisol sérico às 8 horas da manhã
Resultados:
Supressão cortisol sérico > 50% = doença de Cushing
Supressão cortisol sérico < 50% = uso exógeno, SAE ou tumor adrenal
SEA = secreção ectópica hormônios adrenais - síndrome carcinóide
PASSO
DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME
3
DE CUSHING visualizar a lesão
Exames sugerem causa hipófisária
avaliação da Hipófise RNM
Se RNM for negativa CATETERISMO DE SEIO PETROSO
pequenos cateteres são inseridos via veia femoral e levados até a região dos seios petrosos
(na base do crânio). Permite a coleta de amostras de sangue em intervalos específicos, com o
objetivo de determinar a presença e a localização de um possível tumor na hipófise
Exames sugerem causa não hipofisária na ausência do uso de corticóide
TC tórax, pâncreas e Adrenais
SÍNDROME DE CUSHING:
Tratamento
Cirurgia ou radioterapia
Tumores produtores de ACTH ou produtores de excesso de ACTH - ressecção da lesão + radioterapia
Adrenalectomia bilateral ► ausência de resposta à exploração da hipófise
Torna necessária a reposição de corticoides por toda a vida
Os pacientes devem receber cortisol durante a cirurgia e no período pós-operatório, em razão da supressão e
atrofia do córtex adrenal não tumoral.
INSUFICIÊNCIA
ADRENAL
TOPOGRAFIA TEMPO
SECUNDÁRIA CRÔNICA
AGUDA
PRIMÁRIA
INSUFICIÊNCIA ADRENAL
PRIMÁRIA
Idiopática, hiperplasia adrenal congênita SECUNDÁRIA
tuberculose, metástase
Principal causa ► uso crônico de
cortisol baixo e ACTH alto glicocorticoides em doses suprafisiológicas
Hiperpigmentação, astenia, fraqueza,
anorexia, perda de peso, hipotensão, Sintomas surgem após suspensão abrupta
do uso da medicação ou a partir do uso de
hipoglicemia
doses incorretas em situações de estresse.
Sintomas psiquiátricos
Hipercalemia: ondas T em tenda, ondas P QUADRO CLÍNICO:
baixas, complexos QRS largos
Hipocortisolismo: ondas T achatadas ou Não há hiperpigmentação
invertidas, baixa voltagem do QRS e hipovolemia / desidratação - agudizações.
intervalo Q-Tc prolongado=>
Área cardíaca reduzida
INSUFICIÊNCIA ADRENAL
CRÔNICA
Investigar em todo paciente com clínica aguda que envolva depleção de volume, hipotensão,
hiponatremia, febre, dor abdominal, hiperpigmentação, hipoglicemia (em crianças).
CAUSAS Primária - Addison - Lesões autoimune ou Secundária - Lesões SNC;
enzimáticas ou neoplásicas; Baixa produção de cortisol e de ACTH.
Baixa produção de cortisol e aldosterona Aldosterona normal
altas concentrações de ACTH.
LABORATÓRIO
Dosagem do cortisol sérico basal = primeiro exame a ser solicitado resposta de ACTH >19
Dosagem do ACTH plasmático praticamene descarta IA
Teste de estimulação rápida com ACTH (Teste da Cortrosina)
INSUFICIÊNCIA ADRENAL
AGUDA: Crise Adrenal
CAUSAS:
Insuficiência adrenal crônica, expostos ao estresse (infecções, cirurgia, desidratação - diarreia ou vômitos)
Hemorragia adrenal biateral ► pior prognóstico
Uso de inibidores da esteroidogênese adrenal
QUADRO CLÍNICO:
Choque ou hipotensão Desidratação Outros sintomas inespecíficos: Anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal
Distensão abdominal, fraqueza, apatia,
confusão mental, febre (secundária à infecção ou ao hipocortisolismo), cianose ou palidez.
Laboratório ► hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia, uremia, linfocitose, eosinofilia
Caso haja hiponatremia e hipercalemia, o paciente deve ser tratado como portador de insuficiência adrenal, pois
é imprudente esperar pela confirmação do diagnóstico.
RISCO DE MORTE!
INSUFICIÊNCIA ADRENAL Melhor parâmetro
TRATAMENTO para avaliação da
eficácia do
tratamento
RESPOSTA CLÍNICA
2 PILARES:
Reposição de glicocorticoides:
Prednisona ou Prednisolona Infecção, trauma, cirurgia (inclusive dentária) = Duplicar
a dose do corticoide.
Reposição de mineralocorticoides:
Fludrocortisona primariamente indicada para pacientes com doença de Addison
CRISE ADRENAL Tratamento Melhor parâmetro
para avaliação da
eficácia do
tratamento
3 PILARES: RESPOSTA CLÍNICA
Coleta de exames: hemograma, dosagens bioquímicas e hormonais (ACTH e cortisol)
Correção dos distúrbios
Diagnosticar e tratar fatores desencadeantes
OBJETIVO:
Reverter hipotensão / desidratação / hipoglicemia / distúrbios eletrolíticos
TRATAMENTO:
Corrigir volemia e hipoglicemia: Correr grande volume de SF 0,9% e SG 10%
Repor glicocorticoides: Hidrocortisona
MANUTENÇÃO => Prednisona (3-5 mg/dia) ou Hidrocortisona (20-30 mg/dia)
INCIDENTALOMAS ADRENAIS
Massas adrenais descobertas ao acaso durante exames de imagem para investigação de distúrbios
não relacionados com patologias adrenais.
60% ocorrem entre a sexta e a oitava década de vida.
Necessário fazer diagnóstico diferencial de metástase
Maioria ► Lesões benignas e não funcionantes ou subclínicos
SUBCLÍNICOS
Tumores que secretam pequenas quantidades de cortisol = não são suficientes para elevar a
excreção do cortisol livre urinário (UFC), mas são capazes de causar alguma supressão do
eixo hipotalâmico-hipofisário
Ausência dos estigmas clássicos do hipercortisolismo
Maior prevalência de obesidade / hipertensão / diabetes melito tipo 2 / intolerância à glicose
INCIDENTALOMAS ADRENAIS
Etiologia
Adenomas corticais não funcionantes (70 a 80%):
Geralmente pequenos (2-3 cm)
5 a 24% secretam cortisol
1,6 a 3,3% mineralocorticóides
Feocromocitomas (1,1 a 11%),
Tumores secretores de catecolaminas:
Tríade de sintomas típicos (sudorese, cefaléia e palpitações),
90% apresenta HAS
10% dos FEO são bilaterais e 10 são malignos => elevada morbimortalidade
Rastrear Feocromocitoma em qualquer paciente com Incidentaloma adrenal.
INCIDENTALOMAS ADRENAIS
Etiologia
.
Carcinomas adrenocorticais (raros < 5%):
Sexo feminino (65 a 90% dos casos)
Distribuição bimodal – em crianças menores de 5 anos e adultos nas quarta e quinta décadas.
Até 94% são funcionantes:
45% secretam cortisol, androgênio
marcador
45% cortisol e andrógenos
de malignidade
. 10% produzem androgênios
Prognóstico é bastante desfavorável: 75% já com metástases ao diagnóstico
Causa mais comum de IA após os adenomas.
INCIDENTALOMAS ADRENAIS
Investigação
NEOPLASIAS EXTRA-ADRENAIS (METÁSTASES) – bilaterais, irregulares
Exame cuidadoso das mamas, radiografia do tórax, toque
Retal e pesquisa de sangue oculto nas fezes.
NEOPLASIAS ADRENAIS – unilaterais, regulares
Tomografia - distinguir lesões benignas de malignas:
EM GERAL
TAMANHO DAS LESÕES PRODUÇÃO DE HORMÔNIOS
< 3 cm - benigna Não produtor ou produtor cortisol - benigno
> 6 cm - maligna produtor de androgênio - maligno
INCIDENTALOMAS ADRENAIS
Investigação
RESSONÂNCIA
Acrescenta pouco às informações já obtidas na TC.
CINTILOGRAFIA Isolada não é boa opção
BAAF
Não é capaz de diferenciar adenomas de carcinoma adrenal primário
Indicada para avaliar imagens sugestivas de infecção ou metástase
IMUNOHISTOQUÍMICA
Feita no pós-operatório
definição do padrão de secreção hormonal
INCIDENTALOMAS ADRENAIS
Tratamento Cirúrgico
FEOCROMOCITOMAS, CUSHING E ALDOSTERONOMAS: Adrenalectomia sempre
HIPERCORTISOLISMO SUBCLÍNICO:
< 50 anos ► tratamento cirúrgico preferível;
50-70 anos ► tratamento cirúrgico na dependência da gravidade das
comorbidades > 70 anos ► tratamento conservador.
INCIDENTALOMAS ADRENAIS NÃO FUNCIONANTES avaliar o tamanho da massa
< 4 cm ► sem sinais de malignidade na TC não opera
4-6 cm ► opera ou acompanha de perto
> 6 cm ► opera (alto risco de malignidade).
Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS ENDÓCRINAS, METABÓLICAS E
NUTRICIONAIS
Vilar - endocrinologia clínica