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Temas Especiais I: WBA1395 - v1.0

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WBA1395_v1.

0 JUR0234_v2_VA_PREM_v1_21

Temas especiais I
Ações de Família
Ação de alimentos

Bloco 1
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Elenco
Ação de alimentos.
Ação de interdição.
Ação de reconhecimento de paternidade.
CPC, art. 327, § 2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo
diverso de procedimento, será admitida a cumulação se o autor
empregar o procedimento comum, sem prejuízo do emprego das
técnicas processuais diferenciadas previstas nos procedimentos
especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que
não forem incompatíveis com as disposições sobre o procedimento
comum.
Enunciado 672 FPPC: É admissível a cumulação do pedido de
alimentos com os pedidos relativos às ações de família, valendo-se
o autor desse procedimento especial, sem prejuízo da utilização da
técnica específica para concessão de tutela provisória prevista na
Lei de Alimentos.
Disposições gerais sobre ações de família
Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos processos contenciosos de divórcio,
separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação.
Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de
adolescente observarão o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no
que couber, as disposições deste Capítulo.
Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução
consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas
de conhecimento para a mediação e conciliação.
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo
enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento
multidisciplinar.
Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à
tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e
conciliação, observado o disposto no art. 694.
§ 1º O mandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar
desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu
conteúdo a qualquer tempo.
§ 2º A citação ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data designada para
a audiência.
Disposições gerais sobre ações de família
§ 3º A citação será feita na pessoa do réu.
§ 4º Na audiência, as partes deverão estar acompanhadas de seus advogados ou
de defensores públicos.
Art. 696. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas
sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem
prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito.
Art. 697. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as normas
do procedimento comum, observado o art. 335 .
Art. 698. Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá quando
houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação de
acordo.
Parágrafo único. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas ações de
família em que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar, nos
termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da
Penha). (Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019)
Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso
ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar
acompanhado por especialista.
Ação de alimentos
Lei nº 5.478 de 1968:
A lei contém uma série de dispositivos que, em realidade,
pouco alteram a dinâmica prevista no CPC.
Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo
alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo
se o credor expressamente declarar que deles não
necessita.
Art. 5º O escrivão, dentro de 48 (quarenta e oito) horas,
remeterá ao devedor a segunda via da petição ou do
termo, juntamente com a cópia do despacho do juiz, e a
comunicação do dia e hora da realização da audiência de
conciliação e julgamento.
Ação de alimentos

§ 1º. Na designação da audiência, o juiz fixará o


prazo razoável que possibilite ao réu a contestação da
ação proposta e a eventualidade de citação por edital.
Art. 8º Autor e Réu comparecerão à audiência
acompanhados de suas testemunhas, 3 (três no máximo,
apresentando, nessa ocasião, as demais provas.
Art. 11 Terminada a instrução, poderão as partes e o
Ministério Público aduzir alegações finais, em prazo não
excedente de 10 (dez) minutos para cada um.
Art. 13 O disposto nesta lei aplica-se igualmente, no que couber, às ações
ordinárias de desquite, nulidade e anulação de casamento, à revisão de
sentenças proferidas em pedidos de alimentos e respectivas execuções.
§ 1º. Os alimentos provisórios fixados na inicial poderão ser revistos a
qualquer tempo, se houver modificação na situação financeira das partes,
mas o pedido será sempre processado em apartado.
§ 2º. Em qualquer caso, os alimentos fixados retroagem à data da
citação.
§ 3º. Os alimentos provisórios serão devidos até a decisão final,
inclusive o julgamento do recurso extraordinário.
Art. 14. Da sentença caberá apelação no efeito devolutivo. (Redação
dada pela Lei nº 6.014, de 27/12/73)
Art. 15. A decisão judicial sobre alimentos não transita em julgado e
pode a qualquer tempo ser revista, em face da modificação da situação
financeira dos interessados.
Polêmica: cabe prestação de contas relativa a alimentos?

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)


alterou sua jurisprudência e definiu que a ação de
prestação de contas pode ser usada para fiscalizar o uso
dos valores de pensão alimentícia. Com esse
entendimento, o colegiado deu parcial provimento ao
recurso de um homem que pedia a comprovação de que
o dinheiro da pensão estaria sendo usado pela mãe e
guardiã apenas nos cuidados do menino.
REsp 1814639/RS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO
SANSEVERINO, Rel. p/ Acórdão Ministro MOURA
RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/05/2020, DJe
09/06/2020
Contudo, o caso é bastante peculiar e a própria turma
tem precedentes outros, não admitindo. Ex: REsp n°
1.637.378, julgado em 19.02.2019.
“não se pode perder de vista a necessária ponderação
de que julgamentos dessa ordem são incentivadores de
"patrimonialização excessiva das relações familiares,
sensíveis por natureza"; e podem culminar na prática de
abusos por quem alega o direito de exigir contas,
ao propagar "perigo iminente de ações judiciais por
mero capricho ou perseguição, o que não raro ocorre na
esfera das relações íntimas familiares"
Caráter irrepetível dos alimentos

1. Os alimentos pagos a menor para prover as condições


de sua subsistência são irrepetíveis.
(REsp 922.462/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS
CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe
13/05/2013).
Ações de Família
Execução de alimentos

Bloco 2
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
PROFESSOR
Judicial – art. 523

requerimento
intimação
ALIMENTOS

3 dias para pagar prisão: 1 a 3 meses, regime fechado


segue para penhora

EDILSON
OBS.: é possível optar pelo rito de pagar, impugnação 15 dias
inclusive com desconto em folha

Extrajudicial – art.

citação 3 dias para pagar prisão: 1 a 3 meses, regime fechado

VITORELLI
segue para penhora
petição inicial
15 dias
embargos à execução
14

• Por título judicial:


• Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao
pagamento de prestação alimentícia ou de decisão
interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do
exequente, mandará intimar o executado pessoalmente
para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou
justificar a impossibilidade de efetuá-lo.
• ATENÇÃO: AQUI A INTIMAÇÃO NÃO É NA PESSOA DO
ADVOGADO!! Isso só vale para os alimentos com pena de
prisão, por causa da natureza da pena.
• Por título extrajudicial
• Art. 911. Na execução fundada em título executivo extrajudicial
que contenha obrigação alimentar, o juiz mandará citar o
executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das
parcelas anteriores ao início da execução e das que se
vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a
impossibilidade de fazê-lo.
15

Providências em caso de não pagamento


• 528, § 1o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento,
não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-
lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber,
o disposto no art. 517.
• § 2o Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de
pagar justificará o inadimplemento.
• § 3o Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o
juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1o, decretar-
lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.
16

• 528, § 4o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar


separado dos presos comuns.
• § 5o O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações
vencidas e vincendas.
• § 6o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de
prisão.
• § 7o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que
compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as
que se vencerem no curso do processo. (isso não inclui custas nem
honorários).
17

• 528, § 8o O exequente pode optar por promover o


cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos
termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III
(procedimento de pagar quantia), caso em que não
será admissível a prisão do executado, e, recaindo a
penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à
impugnação não obsta a que o exequente levante
mensalmente a importância da prestação.
• § 9o Além das opções previstas no art. 516, parágrafo
único, o exequente pode promover o cumprimento da
sentença ou decisão que condena ao pagamento de
prestação alimentícia no juízo de seu domicílio.
• No título extrajudicial:
• Art. 911, Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber,
os §§ 2o a 7o do art. 528.
18

• Título judicial
• Art. 529. Quando o executado for funcionário público, militar,
diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à
legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto
em folha de pagamento da importância da prestação
alimentícia.
• § 1o Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à
empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime
de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração
posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.
• Título extrajudicial
• Art. 912. Quando o executado for funcionário público, militar,
diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à
legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto
em folha de pagamento de pessoal da importância da prestação
alimentícia.
• § 1o Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à
empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime
de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração
posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.
19

• Art. 531. O disposto neste Capítulo aplica-se aos


alimentos definitivos ou provisórios.
• Alimentos provisórios são os fixados em decisão de
caráter provisório, com cognição sumária.
• A doutrina costumava distinguir alimentos provisórios de
provisionais. O CPC não alberga essa distinção,
referindo-se apenas a alimentos provisórios.
• A lei 5.478/68, que não foi revogada pelo CPC, prevê:
• ”Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo
alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo
se o credor expressamente declarar que deles não
necessita”.
20

Sanção penal
• Art. 532. Verificada a conduta procrastinatória do executado, o juiz deverá, se for o
caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática do crime de abandono
material.
No STJ
• PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
ESPECIAL. RECURSO INTERPOSTO NA ÉGIDE DO NCPC. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.
ALEGAÇÃO DE DESEMPREGO NO AGRAVO INTERNO. INOVAÇÃO RECURSAL.
IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA. MODIFICAÇÃO DE CAPACIDADE FINANCEIRA. TEMA A
SER ABORDADO EM AÇÃO REVISIONAL E EXONERATÓRIA DE ALIMENTOS, NÃO EM
EXECUÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DO DÉBITO NÃO AFASTA POSSIBILIDADE DE PRISÃO
CIVIL. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS CORRE NO INTERESSE DO CREDOR. MAIORIDADE DO
ALIMENTADO, POR SI SÓ, NÃO AFASTA A OBRIGAÇÃO ALIMENTAR. SÚMULA Nº 358 DO
STF. INOCORRÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO NCPC. AGRAVO INTERNO NÃO
PROVIDO.
• 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3,
aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com
fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de
2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC.
• 2. Em agravo interno não é permitida inovação recursal. Não tendo o agravante
sustentado antes da interposição do recurso especial ou nas suas contrarrazões que
estava desempregado, ocorreu a preclusão consumativa.
• 3. A modificação da capacidade financeira do devedor de alimentos envolve discussão
a respeito do binômio necessidade/possibilidade, tema a ser abordado em ação
exoneratória ou revisional de alimentos, sob o crivo do contraditório e da ampla
defesa, e não em execução de alimentos.
No STJ
• 3.1. A jurisprudência do STJ já proclamou que não é possível, em regra, a
discussão sobre a necessidade ou não dos alimentos devidos no âmbito da
execução, procedimento que deve ser célere e cujo escopo de sua
deflagração é justamente a indispensabilidade de tais alimentos (HC nº
413.344/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, DJe de
7/6/2018).
• 4. É pacífico, no âmbito desta eg. Corte Superior, o entendimento de que o
pagamento parcial do débito alimentar não é suficiente para afastar a ordem
de prisão civil, pois, nos termos da Súmula nº 309 do STJ, somente o
pagamento integral das três parcelas anteriores ao ajuizamento da execução
e das que se vencerem no curso da ação é que pode fazê-lo. Precedentes.
• 5. A dívida que autoriza o ajuizamento de execução pelo rito da coação
pessoal deve ser presente, sendo, dessa forma, consideradas as referentes
ao trimestre anterior ao ajuizamento da execução.
• Assim, ainda que a ação tenha se alongado no tempo, a execução continua a
se referir àquelas parcelas que ao tempo do ajuizamento eram atuais e às
que foram se vencendo (REsp nº 1.219.522/MG, Rel.
No STJ
• Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe de 21/10/2015).
• 5.1. Inexistência de dúvidas quanto a atualidade da dívida alimentar para justificar o
rito adotado pelos credores, pois o parâmetro foi a data do ajuizamento da execução
(novembro de 2015), ressaltando que a passagem do tempo, por obra exclusiva da
procrastinação do executado em honrar integralmente com a obrigação assumida
em relação a seus filhos, que eram menores à época, não tornam pretéritas tais
parcelas, bem como justificam a manutenção do procedimento escolhido.
• 6. A maioridade de alimentados, por si só, não afasta automaticamente a obrigação
alimentar. Incidência da Súmula nº 358 do STJ.
• 7. Inocorrência dos vícios do art. 1.022 do NCPC enseja a rejeição dos embargos de
declaração.
• 8. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação
dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela
apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integramente
mantido em seus próprios termos.
• 9. Agravo interno não provido.
• (AgInt nos EDcl no REsp 1856976/SC, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA
TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 22/10/2020)
NO STJ
• O STJ já consolidou o entendimento
de que a ocorrência de desemprego do alimentante e o
nascimento de
outro filho não são suficientes para justificar o
inadimplemento da
obrigação alimentar, devendo tais circunstâncias ser
examinadas em
ação revisional ou exoneratória, justamente em razão da
estreita via
do habeas corpus. (HC 498.437/SP, Rel. Ministro MOURA
RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/06/2019,
DJe 06/06/2019)
No STJ
• HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. DÍVIDA RELATIVA ÀS TRÊS ÚLTIMAS
PRESTAÇÕES ANTERIORES À EXECUÇÃO E PRESTAÇÕES VINCENDAS NO CURSO DO PROCESSO.
DESEMPREGO. AFASTAMENTO DO DECRETO PRISIONAL (CPC, ART. 528, § 2º). ORDEM
CONCEDIDA.
• 1. A obrigação alimentar é regida pelo binômio necessidade-possibilidade, não se impondo maior
valia a nenhuma dessas duas variáveis, mas não se deve desconsiderar que a variável da
necessidade é elástica e quase ilimitada, enquanto a da possibilidade é rígida e limitada às posses
e disponibilidade do alimentante para o trabalho e, portanto, para a ampliação de seus ganhos. 2.
Na hipótese, a obrigação alimentar foi fixada, alternativamente, em 1,5 (um e meio) salário
mínimo mensal ou, no caso de vínculo empregatício, em 25% (vinte e cinco por cento) do salário
líquido do paciente. 3. Os autos comprovam que o paciente passou por longo período de
desemprego, razão pela qual não teve como cumprir a obrigação nos termos em que avençada,
realizando pagamentos apenas parciais, e que, atualmente, não obstante empregado como
auxiliar administrativo, recebe apenas o equivalente a um salário mínimo mensal, não se
encontrando em condições de quitar a dívida pretérita, acumulada em R$ 17.411,99. Ademais, os
alimentos atuais vêm sendo regularmente pagos mediante desconto direto em folha de
pagamento, no percentual de 25% do salário do devedor.
• 4. Diante de tais circunstâncias, verifica-se que o inadimplemento não se apresenta inescusável e
voluntário, assim como previsto na Constituição Federal, em seu art. 5º, LXVII, para admitir,
excepcionalmente, a prisão civil do devedor de alimentos.
• 5. Ordem concedida.
• (HC 472.730/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe
26

Alimentos decorrentes de ato ilícito


• Art. 533. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação
de alimentos, caberá ao executado, a requerimento do
exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento
do valor mensal da pensão.
• § 1o O capital a que se refere o caput, representado por
imóveis ou por direitos reais sobre imóveis suscetíveis de
alienação, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras
em banco oficial, será inalienável e impenhorável enquanto
durar a obrigação do executado, além de constituir-se em
patrimônio de afetação.
• § 2o O juiz poderá substituir a constituição do capital pela
inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa
jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento
do executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor a
ser arbitrado de imediato pelo juiz.
27

Alimentos decorrentes de ato ilícito


• § 3o Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte requerer,
conforme as circunstâncias, redução ou aumento da prestação.
• § 4o A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário-mínimo.
• § 5o Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar
o desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas.
28

Resumo
• A obrigação alimentar legítima pode ser cumprida
mediante:
• 1) Coerção pessoal com prisão;
• 2) Expropriação com Procedimento de pagamento de
quantia certa, sem prisão;
• 3) Desconto em folha de pagamento, sem prisão.
• No caso da obrigação decorrente de ato ilícito:
• 1) Constituição de capital;
• 2) Desconto em folha;
• 3) Pagamento mensal mediante garantia real ou fiança
bancária.
29

Algumas decisões sobre alimentos


• O falecimento do pai do alimentando não implica a automática
transmissão do dever alimentar aos avós. REsp 1.249.133-SC,
Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. para acórdão Min. Raul
Araújo, julgado em 16/6/2016, DJe 2/8/2016.
• Em execução de alimentos devidos a filho menor de idade, é
possível o protesto e a inscrição do nome do devedor em
cadastros de proteção ao crédito. REsp 1.469.102-SP, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 8/3/2016, DJe
15/3/2016.
• Súmula 277: Julgada procedente a investigação de
paternidade, os alimentos são devidos a partir da citação.
• Súmula 358: “o cancelamento de pensão alimentícia de filho
que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial,
mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”
30

Algumas decisões sobre alimentos


• Em execução de alimentos, o acolhimento da justificativa da
impossibilidade de efetuar o pagamento das prestações
alimentícias executadas desautoriza a decretação da prisão do
devedor, mas não acarreta a extinção da execução. REsp
1.185.040-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
13/10/2015, DJe 9/11/2015.
• É juridicamente possível o pedido de alimentos decorrente do
rompimento de união estável homoafetiva. REsp 1.302.467-SP,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 3/3/2015, DJe
25/3/2015.
• Extingue-se, com o óbito do alimentante, a obrigação de
prestar alimentos a sua ex-companheira decorrente de acordo
celebrado em razão do encerramento da união estável,
transmitindo-se ao espólio apenas a responsabilidade pelo
pagamento dos débitos alimentares que porventura não tenham
sido quitados pelo devedor em vida (art. 1.700 do CC). REsp
1.354.693-SP, Rel. originário Min. Maria Isabel Gallotti, voto
vencedor Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min. Antonio
Carlos Ferreira, julgado em 26/11/2014, DJe 20/2/2015.
Ações de Família
Interdição

Bloco 3
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Ação de interdição
É a ação destinada a designar um curador à pessoa incapaz.
ATENÇÃO: desde a Lei 13.146/2015, incapaz não é sinônimo de pessoa com
deficiência. A revogação do art. 3º do CC faz com que a pessoa com deficiência
seja, em regra, capaz, podendo ser incapaz, de acordo com as circunstâncias.
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I - casar-se e constituir união estável;
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou
adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao
exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições
com as demais pessoas.
§ 1º Quando necessário, a pessoa com deficiência será
submetida à curatela, conforme a lei.
§ 2º É facultado à pessoa com deficiência a adoção de
processo de tomada de decisão apoiada.
§ 3º A definição de curatela de pessoa com deficiência
constitui medida protetiva extraordinária, proporcional às
necessidades e às circunstâncias de cada caso, e durará o
menor tempo possível.
§ 4º Os curadores são obrigados a prestar, anualmente, contas
de sua administração ao juiz, apresentando o balanço do
respectivo ano.
Art. 85. A curatela afetará tão somente os atos relacionados aos direitos de
natureza patrimonial e negocial.
§ 1º A definição da curatela não alcança o direito ao próprio corpo, à sexualidade,
ao matrimônio, à privacidade, à educação, à saúde, ao trabalho e ao voto.
§ 2º A curatela constitui medida extraordinária, devendo constar da sentença as
razões e motivações de sua definição, preservados os interesses do curatelado.
§ 3º No caso de pessoa em situação de institucionalização, ao nomear curador, o
juiz deve dar preferência a pessoa que tenha vínculo de natureza familiar, afetiva
ou comunitária com o curatelado.
Art. 86. Para emissão de documentos oficiais, não será exigida a situação de
curatela da pessoa com deficiência.
Art. 87. Em casos de relevância e urgência e a fim de proteger os interesses da
pessoa com deficiência em situação de curatela, será lícito ao juiz, ouvido o
Ministério Público, de oficio ou a requerimento do interessado, nomear, desde
logo, curador provisório, o qual estará sujeito, no que couber, às disposições
do Código de Processo Civil .
Tomada de decisão apoiada
É o procedimento que tomará o lugar de boa parte das curatelas.

CC, Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo menos 2 (duas)
pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de
decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informações necessários para que possa exercer sua
capacidade.

§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência e os apoiadores devem apresentar
termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência
do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem apoiar.

§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser apoiada, com indicação expressa das pessoas
aptas a prestarem o apoio previsto no caput deste artigo.

§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após
oitiva do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio.

§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restrições, desde que esteja inserida
nos limites do apoio acordado.

§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os apoiadores contra-assinem o
contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.

§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo divergência de opiniões entre a
pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão.

§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições referentes à prestação de contas na curatela.”
Tomada de decisão apoiada
É o procedimento que tomará o lugar de boa parte das curatelas.

CC, Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo menos 2 (duas)
pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de
decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informações necessários para que possa exercer sua
capacidade.

§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência e os apoiadores devem apresentar
termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência
do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem apoiar.

§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser apoiada, com indicação expressa das pessoas
aptas a prestarem o apoio previsto no caput deste artigo.

§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após
oitiva do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio.

§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restrições, desde que esteja inserida
nos limites do apoio acordado.

§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os apoiadores contra-assinem o
contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.

§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo divergência de opiniões entre a
pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão.

§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições referentes à prestação de contas na curatela.”
Procedimento da interdição
1. Legitimidade
Art. 747. A interdição pode ser promovida:
I - pelo cônjuge ou companheiro;
II - pelos parentes ou tutores;
III - pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o
interditando;
IV - pelo Ministério Público.
Obs: Art. 748. O Ministério Público só promoverá interdição em
caso de doença mental grave:
I - se as pessoas designadas nos incisos I, II e III do art. 747 não
existirem ou não promoverem a interdição;
II - se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas
nos incisos I e II do art. 747 .
2. Petição inicial
Art. 749. Incumbe ao autor, na petição inicial, especificar
os fatos que demonstram a incapacidade do interditando
para administrar seus bens e, se for o caso, para praticar
atos da vida civil, bem como o momento em que a
incapacidade se revelou.
Parágrafo único. Justificada a urgência, o juiz pode
nomear curador provisório ao interditando para a prática
de determinados atos.
Art. 750. O requerente deverá juntar laudo médico para
fazer prova de suas alegações ou informar a
impossibilidade de fazê-lo.
3. Defesa
Art. 751. O interditando será citado para, em dia designado,
comparecer perante o juiz, que o entrevistará minuciosamente
acerca de sua vida, negócios, bens, vontades, preferências e laços
familiares e afetivos e sobre o que mais lhe parecer necessário para
convencimento quanto à sua capacidade para praticar atos da vida
civil, devendo ser reduzidas a termo as perguntas e respostas.
Art. 752. Dentro do prazo de 15 (quinze) dias contado da entrevista,
o interditando poderá impugnar o pedido.
§ 1º O Ministério Público intervirá como fiscal da ordem jurídica.
§ 2º O interditando poderá constituir advogado, e, caso não o faça,
deverá ser nomeado curador especial.
§ 3º Caso o interditando não constitua advogado, o seu cônjuge,
companheiro ou qualquer parente sucessível poderá intervir como
assistente.
4. Provas
Art. 753. Decorrido o prazo previsto no art. 752 , o juiz
determinará a produção de prova pericial para avaliação
da capacidade do interditando para praticar atos da vida
civil.
§ 1º A perícia pode ser realizada por equipe composta
por expertos com formação multidisciplinar.
§ 2º O laudo pericial indicará especificadamente, se for o
caso, os atos para os quais haverá necessidade de
curatela.
5. Decisão
Art. 754. Apresentado o laudo, produzidas as demais provas e ouvidos os interessados, o juiz
proferirá sentença.
Art. 755. Na sentença que decretar a interdição, o juiz:
I - nomeará curador, que poderá ser o requerente da interdição, e fixará os limites da
curatela, segundo o estado e o desenvolvimento mental do interdito;
II - considerará as características pessoais do interdito, observando suas potencialidades,
habilidades, vontades e preferências.
§ 1º A curatela deve ser atribuída a quem melhor possa atender aos interesses do
curatelado.
§ 2º Havendo, ao tempo da interdição, pessoa incapaz sob a guarda e a responsabilidade do
interdito, o juiz atribuirá a curatela a quem melhor puder atender aos interesses do interdito
e do incapaz.
§ 3º A sentença de interdição será inscrita no registro de pessoas naturais e imediatamente
publicada na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a que estiver vinculado o
juízo e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, onde permanecerá por 6
(seis) meses, na imprensa local, 1 (uma) vez, e no órgão oficial, por 3 (três) vezes, com
intervalo de 10 (dez) dias, constando do edital os nomes do interdito e do curador, a causa
da interdição, os limites da curatela e, não sendo total a interdição, os atos que o interdito
poderá praticar autonomamente.
6. Revogação e alteração
Art. 756. Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a
determinou.
§ 1º O pedido de levantamento da curatela poderá ser feito pelo interdito,
pelo curador ou pelo Ministério Público e será apensado aos autos da
interdição.
§ 2º O juiz nomeará perito ou equipe multidisciplinar para proceder ao
exame do interdito e designará audiência de instrução e julgamento após
a apresentação do laudo.
§ 3º Acolhido o pedido, o juiz decretará o levantamento da interdição e
determinará a publicação da sentença, após o trânsito em julgado, na
forma do art. 755, § 3º , ou, não sendo possível, na imprensa local e no
órgão oficial, por 3 (três) vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, seguindo-
se a averbação no registro de pessoas naturais.
§ 4º A interdição poderá ser levantada parcialmente quando demonstrada
a capacidade do interdito para praticar alguns atos da vida civil.
7. Tarefas
Art. 757. A autoridade do curador estende-se à pessoa e
aos bens do incapaz que se encontrar sob a guarda e a
responsabilidade do curatelado ao tempo da interdição,
salvo se o juiz considerar outra solução como mais
conveniente aos interesses do incapaz.
Essa observação “sobre a pessoa” deve ser tida por
inconstitucional, uma vez que a Convenção Internacional
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi
recepcionada no Brasil com status constitucional.
Art. 758. O curador deverá buscar tratamento e apoio
apropriados à conquista da autonomia pelo interdito.
STJ
​Diante das alterações promovidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), a Terceira
Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformou acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP)
para declarar a incapacidade relativa de um idoso com doença de Alzheimer que, em laudo pericial, foi
considerado impossibilitado de gerir os atos da vida civil.
O idoso foi declarado absolutamente incapaz nas instâncias de origem, mas, para o colegiado, a partir da
Lei 13.146/2015, apenas os menores de 16 anos são considerados absolutamente incapazes para exercer
pessoalmente os atos da vida civil. "O critério passou a ser apenas etário, tendo sido eliminadas as
hipóteses de deficiência mental ou intelectual anteriormente previstas no Código Civil", explicou o relator
do recurso julgado, ministro Marco Aurélio Bellizze.
Na ação que deu origem ao recurso, o juízo acolheu o pedido de interdição, indicou o curador especial e
declarou o idoso absolutamente incapaz. A sentença foi confirmada pelo TJSP, para o qual a declaração de
incapacidade relativa resultaria em falta de proteção jurídica para o interditado.
No caso em julgamento, o ministro verificou que o laudo pericial psiquiátrico foi contundente ao
diagnosticar a impossibilidade do idoso para gerir sua pessoa e administrar seus bens e interesses. Embora
a sentença tenha sido fundamentada na nova legislação, o magistrado observou que o juízo de primeiro
grau declarou o idoso absolutamente incapaz, nos termos do então revogado artigo 3°, II, do Código Civil.
Para o magistrado, diante do novo sistema de incapacidades promovido pela Lei 13.146/2015, é necessária
a modificação do acórdão recorrido, a fim de declarar a incapacidade relativa do idoso, conforme as novas
disposições do artigo 4º, III, do Código Civil.
(número do julgado não divulgado)
Problemas práticos
Ações de Família
Ação de Investigação de Paternidade

Bloco 4
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Ação de investigação de paternidade

É uma ação conduzida pelo procedimento comum, de


cujo declaratório, para esclarecer dúvida do autor acerca
da suposta paternidade do réu.
Antes da invenção do exame de DNA, a ação transcorria
com o exame de tipo sanguíneo e prova testemunhal.
Hoje, o DNA tornou-se o principal meio de prova acerca
dessa questão.
Súmula 301 do STJ, "em ação investigatória, a recusa do
suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz
presunção juris tantum de paternidade".
Lei 8.560/92
Art. 2° Em registro de nascimento de menor apenas com a
maternidade estabelecida, o oficial remeterá ao juiz certidão
integral do registro e o nome e prenome, profissão,
identidade e residência do suposto pai, a fim de ser
averiguada oficiosamente a procedência da alegação.
§ 4° Se o suposto pai não atender no prazo de trinta dias, a
notificação judicial, ou negar a alegada paternidade, o juiz
remeterá os autos ao representante do Ministério Público
para que intente, havendo elementos suficientes, a ação de
investigação de paternidade.
§ 6o A iniciativa conferida ao Ministério Público não impede a
quem tenha legítimo interesse de intentar investigação,
visando a obter o pretendido reconhecimento da
paternidade.
Art. 2o-A. Na ação de investigação de paternidade, todos os meios
legais, bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para
provar a verdade dos fatos. (Incluído pela Lei nº 12.004, de
2009).
§ 1º. A recusa do réu em se submeter ao exame de código
genético - DNA gerará a presunção da paternidade, a ser apreciada
em conjunto com o contexto probatório. (Incluído pela Lei nº
12.004, de 2009). (Renumerado do parágrafo único, pela Lei
nº 14.138, de 2021)
§ 2º Se o suposto pai houver falecido ou não existir notícia de seu
paradeiro, o juiz determinará, a expensas do autor da ação, a
realização do exame de pareamento do código genético (DNA) em
parentes consanguíneos, preferindo-se os de grau mais próximo aos
mais distantes, importando a recusa em presunção da paternidade,
a ser apreciada em conjunto com o contexto
probatório. (Incluído pela Lei nº 14.138, de 2021)
Questões polêmicas

recusa de herdeiros em se submeter a exame de DNA


para reconhecimento de vínculo post mortem:
"Inexistindo a prova pericial capaz de propiciar certeza
quase absoluta do vínculo de parentesco (exame de
impressões do DNA), diante da recusa dos avós e dos
irmãos paternos do investigado em submeter-se ao
referido exame, comprova-se a paternidade mediante a
análise dos indícios e presunções existentes nos autos,
observada a presunção juris tantum, nos termos da
Súmula 301 do STJ” (número não divulgado, processo
sigiloso. Notícia de 14.5.21).
Por outro lado...
Para dobrar a resistência das pessoas que, sendo as únicas capazes de esclarecer
os fatos, se recusam a fornecer material para exame de DNA, o juiz pode lançar
mão das medidas coercitivas autorizadas pelo artigo 139, inciso IV, do Código de
Processo Civil (CPC) – e não só contra quem seja parte passiva na ação de
investigação de paternidade, mas contra outros familiares do suposto pai.
Com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, Nancy Andrighi
reconheceu não ser possível conduzir coercitivamente o investigado para a coleta
do material genético, por se tratar de medida que viola a liberdade de locomoção.
"Isso não significa, todavia, que possa a parte ou o terceiro colocar o magistrado
de mãos atadas, desrespeitando injustificadamente a ordem judicial de
comparecimento ao local da perícia, sem que haja nenhuma espécie de
instrumento eficaz para dobrar a renitência de quem adota postura
anticooperativa e anticolaborativa, sobretudo quando a inércia se revela apta a
gerar o non liquet instrutório justamente em desfavor de quem coopera e de
quem colabora para o descobrimento da verdade", afirmou a relatora.
Nancy Andrighi destacou que o entendimento da Súmula 301 não pode ser
considerado absoluto e insuscetível de relativização, "pois, maior do que o direito
de um filho de ter um pai, é o direito de um filho de saber quem é o seu pai".
(número não divulgado, processo sigiloso. Notícia de 22.5.20).
Relativização da coisa julgada em investigação de paternidade
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO
GERAL RECONHECIDA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE DECLARADA EXTINTA, COM
FUNDAMENTO EM COISA JULGADA, EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE ANTERIOR DEMANDA EM
QUE NÃO FOI POSSÍVEL A REALIZAÇÃO DE EXAME DE DNA, POR SER O AUTOR BENEFICÁRIO
DA JUSTIÇA GRATUITA E POR NÃO TER O ESTADO PROVIDENCIADO A SUA REALIZAÇÃO.
REPROPOSITURA DA AÇÃO. POSSIBILIDADE, EM RESPEITO À PREVALÊNCIA DO DIREITO
FUNDAMENTAL À BUSCA DA IDENTIDADE GENÉTICA DO SER, COMO EMANAÇÃO DE SEU
DIREITO DE PERSONALIDADE. 1. É dotada de repercussão geral a matéria atinente à
possibilidade da repropositura de ação de investigação de paternidade, quando anterior
demanda idêntica, entre as mesmas partes, foi julgada improcedente, por falta de provas, em
razão da parte interessada não dispor de condições econômicas para realizar o exame de DNA
e o Estado não ter custeado a produção dessa prova. 2. Deve ser relativizada a coisa julgada
estabelecida em ações de investigação de paternidade em que não foi possível determinar-se
a efetiva existência de vínculo genético a unir as partes, em decorrência da não realização do
exame de DNA, meio de prova que pode fornecer segurança quase absoluta quanto à
existência de tal vínculo. 3. Não devem ser impostos óbices de natureza processual ao
exercício do direito fundamental à busca da identidade genética, como natural emanação do
direito de personalidade de um ser, de forma a tornar-se igualmente efetivo o direito à
igualdade entre os filhos, inclusive de qualificações, bem assim o princípio da paternidade
responsável. 4. Hipótese em que não há disputa de paternidade de cunho biológico, em
confronto com outra, de cunho afetivo. Busca-se o reconhecimento de paternidade com
relação a pessoa identificada. 5. Recursos extraordinários conhecidos e providos.
(RE 363889, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 02/06/2011,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-238 DIVULG 15-12-2011 PUBLIC
16-12-2011 RTJ VOL-00223-01 PP-00420)
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL.
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. EXAME DE DNA
NÃO REALIZADO EM AÇÃO ANTERIOR JULGADA
IMPROCEDENTE. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA.
POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO A QUE SE
NEGA PROVIMENTO.
1. Nas ações de investigação de paternidade, a jurisprudência
desta Casa admite a relativização da coisa julgada quando na
demanda anterior não foi possível a realização do exame de
DNA, em observância ao princípio da verdade real.
2. Agravo interno a que se nega provimento.
(AgInt no REsp 1417628/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe
06/04/2017)
Caso tenha havido DNA
Apesar da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade
de relativização da coisa julgada formada em ação de investigação de paternidade,
a admissão de reanálise desses casos depende da demonstração de insuficiência
de provas no primeiro processo ou de dúvida razoável sobre a existência de fraude
em teste de DNA anteriormente realizado, devendo, nessa última hipótese, haver
fundamentação concreta sobre os motivos que colocariam sob suspeita o acerto
do exame genético.
Em 2015, o autor ajuizou a segunda investigação de paternidade. Apesar da
alegação do réu de que na ação anterior foram produzidas todas as provas, o juiz
entendeu ser necessária a rediscussão do caso, tendo em vista a possibilidade de
falhas na metodologia utilizada no exame de DNA realizado mais de 20 anos antes.
Para o magistrado, o princípio da dignidade da pessoa humana não poderia ser
prejudicado pelo princípio da coisa julgada.
A decisão foi mantida pelo TJMG. Para o tribunal, em busca da verdade real e com
o objetivo de assegurar o direito fundamental à verificação da identidade genética,
deveria ser relativizada a coisa julgada. Segundo a corte mineira, apesar de o
exame de DNA ter sido o mais avançado à época, atualmente a evolução científica
oferece técnicas que podem assegurar, com mais precisão, se há efetivamente
vínculo genético entre as partes.
No recurso especial, o suposto pai alegou que o acórdão recorrido, além de violar a
coisa julgada, aplicou de forma distorcida o entendimento do STF para abrir uma
brecha sem previsão de limites na questão investigatória de paternidade. O
recorrente também apontou que o exame de DNA foi realizado em laboratório
renomado.
O ministro Paulo de Tarso Sanseverino destacou inicialmente que a jurisprudência
do STF sobre a relativização da coisa julgada em ações de investigação de
paternidade está adstrita a casos em que não era possível determinar de forma
efetiva a eventual existência de vínculo genético.
No caso dos autos, ao contrário, o relator lembrou que o pedido da primeira ação
foi julgado improcedente com base em exame genético, cujo resultado foi
negativo.
Na nova investigação, disse Sanseverino, a causa de pedir não está fundamentada
na existência de eventual fraude na coleta do material biológico, na falta de
correção do laboratório ou no questionamento sobre o método supostamente
ultrapassado utilizado no exame de DNA realizado na década de 1990. O autor,
ponderou o ministro, limitou-se a reiterar os mesmos fatos e fundamentos
jurídicos descritos na primeira ação.
(número não divulgado, processo sigiloso. Notícia de 10.2.20).
Bons estudos!

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