Temas Especiais I: WBA1395 - v1.0
Temas Especiais I: WBA1395 - v1.0
0 JUR0234_v2_VA_PREM_v1_21
Temas especiais I
Ações de Família
Ação de alimentos
Bloco 1
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Elenco
Ação de alimentos.
Ação de interdição.
Ação de reconhecimento de paternidade.
CPC, art. 327, § 2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo
diverso de procedimento, será admitida a cumulação se o autor
empregar o procedimento comum, sem prejuízo do emprego das
técnicas processuais diferenciadas previstas nos procedimentos
especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que
não forem incompatíveis com as disposições sobre o procedimento
comum.
Enunciado 672 FPPC: É admissível a cumulação do pedido de
alimentos com os pedidos relativos às ações de família, valendo-se
o autor desse procedimento especial, sem prejuízo da utilização da
técnica específica para concessão de tutela provisória prevista na
Lei de Alimentos.
Disposições gerais sobre ações de família
Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos processos contenciosos de divórcio,
separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação.
Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de
adolescente observarão o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no
que couber, as disposições deste Capítulo.
Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução
consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas
de conhecimento para a mediação e conciliação.
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo
enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento
multidisciplinar.
Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à
tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e
conciliação, observado o disposto no art. 694.
§ 1º O mandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar
desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu
conteúdo a qualquer tempo.
§ 2º A citação ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data designada para
a audiência.
Disposições gerais sobre ações de família
§ 3º A citação será feita na pessoa do réu.
§ 4º Na audiência, as partes deverão estar acompanhadas de seus advogados ou
de defensores públicos.
Art. 696. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas
sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem
prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito.
Art. 697. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as normas
do procedimento comum, observado o art. 335 .
Art. 698. Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá quando
houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação de
acordo.
Parágrafo único. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas ações de
família em que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar, nos
termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da
Penha). (Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019)
Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso
ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar
acompanhado por especialista.
Ação de alimentos
Lei nº 5.478 de 1968:
A lei contém uma série de dispositivos que, em realidade,
pouco alteram a dinâmica prevista no CPC.
Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo
alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo
se o credor expressamente declarar que deles não
necessita.
Art. 5º O escrivão, dentro de 48 (quarenta e oito) horas,
remeterá ao devedor a segunda via da petição ou do
termo, juntamente com a cópia do despacho do juiz, e a
comunicação do dia e hora da realização da audiência de
conciliação e julgamento.
Ação de alimentos
Bloco 2
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
PROFESSOR
Judicial – art. 523
requerimento
intimação
ALIMENTOS
EDILSON
OBS.: é possível optar pelo rito de pagar, impugnação 15 dias
inclusive com desconto em folha
Extrajudicial – art.
VITORELLI
segue para penhora
petição inicial
15 dias
embargos à execução
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• Título judicial
• Art. 529. Quando o executado for funcionário público, militar,
diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à
legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto
em folha de pagamento da importância da prestação
alimentícia.
• § 1o Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à
empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime
de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração
posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.
• Título extrajudicial
• Art. 912. Quando o executado for funcionário público, militar,
diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à
legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto
em folha de pagamento de pessoal da importância da prestação
alimentícia.
• § 1o Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à
empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime
de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração
posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.
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Sanção penal
• Art. 532. Verificada a conduta procrastinatória do executado, o juiz deverá, se for o
caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática do crime de abandono
material.
No STJ
• PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
ESPECIAL. RECURSO INTERPOSTO NA ÉGIDE DO NCPC. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.
ALEGAÇÃO DE DESEMPREGO NO AGRAVO INTERNO. INOVAÇÃO RECURSAL.
IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA. MODIFICAÇÃO DE CAPACIDADE FINANCEIRA. TEMA A
SER ABORDADO EM AÇÃO REVISIONAL E EXONERATÓRIA DE ALIMENTOS, NÃO EM
EXECUÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DO DÉBITO NÃO AFASTA POSSIBILIDADE DE PRISÃO
CIVIL. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS CORRE NO INTERESSE DO CREDOR. MAIORIDADE DO
ALIMENTADO, POR SI SÓ, NÃO AFASTA A OBRIGAÇÃO ALIMENTAR. SÚMULA Nº 358 DO
STF. INOCORRÊNCIA DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO NCPC. AGRAVO INTERNO NÃO
PROVIDO.
• 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3,
aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com
fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de
2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC.
• 2. Em agravo interno não é permitida inovação recursal. Não tendo o agravante
sustentado antes da interposição do recurso especial ou nas suas contrarrazões que
estava desempregado, ocorreu a preclusão consumativa.
• 3. A modificação da capacidade financeira do devedor de alimentos envolve discussão
a respeito do binômio necessidade/possibilidade, tema a ser abordado em ação
exoneratória ou revisional de alimentos, sob o crivo do contraditório e da ampla
defesa, e não em execução de alimentos.
No STJ
• 3.1. A jurisprudência do STJ já proclamou que não é possível, em regra, a
discussão sobre a necessidade ou não dos alimentos devidos no âmbito da
execução, procedimento que deve ser célere e cujo escopo de sua
deflagração é justamente a indispensabilidade de tais alimentos (HC nº
413.344/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, DJe de
7/6/2018).
• 4. É pacífico, no âmbito desta eg. Corte Superior, o entendimento de que o
pagamento parcial do débito alimentar não é suficiente para afastar a ordem
de prisão civil, pois, nos termos da Súmula nº 309 do STJ, somente o
pagamento integral das três parcelas anteriores ao ajuizamento da execução
e das que se vencerem no curso da ação é que pode fazê-lo. Precedentes.
• 5. A dívida que autoriza o ajuizamento de execução pelo rito da coação
pessoal deve ser presente, sendo, dessa forma, consideradas as referentes
ao trimestre anterior ao ajuizamento da execução.
• Assim, ainda que a ação tenha se alongado no tempo, a execução continua a
se referir àquelas parcelas que ao tempo do ajuizamento eram atuais e às
que foram se vencendo (REsp nº 1.219.522/MG, Rel.
No STJ
• Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe de 21/10/2015).
• 5.1. Inexistência de dúvidas quanto a atualidade da dívida alimentar para justificar o
rito adotado pelos credores, pois o parâmetro foi a data do ajuizamento da execução
(novembro de 2015), ressaltando que a passagem do tempo, por obra exclusiva da
procrastinação do executado em honrar integralmente com a obrigação assumida
em relação a seus filhos, que eram menores à época, não tornam pretéritas tais
parcelas, bem como justificam a manutenção do procedimento escolhido.
• 6. A maioridade de alimentados, por si só, não afasta automaticamente a obrigação
alimentar. Incidência da Súmula nº 358 do STJ.
• 7. Inocorrência dos vícios do art. 1.022 do NCPC enseja a rejeição dos embargos de
declaração.
• 8. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação
dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela
apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integramente
mantido em seus próprios termos.
• 9. Agravo interno não provido.
• (AgInt nos EDcl no REsp 1856976/SC, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA
TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 22/10/2020)
NO STJ
• O STJ já consolidou o entendimento
de que a ocorrência de desemprego do alimentante e o
nascimento de
outro filho não são suficientes para justificar o
inadimplemento da
obrigação alimentar, devendo tais circunstâncias ser
examinadas em
ação revisional ou exoneratória, justamente em razão da
estreita via
do habeas corpus. (HC 498.437/SP, Rel. Ministro MOURA
RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/06/2019,
DJe 06/06/2019)
No STJ
• HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. DÍVIDA RELATIVA ÀS TRÊS ÚLTIMAS
PRESTAÇÕES ANTERIORES À EXECUÇÃO E PRESTAÇÕES VINCENDAS NO CURSO DO PROCESSO.
DESEMPREGO. AFASTAMENTO DO DECRETO PRISIONAL (CPC, ART. 528, § 2º). ORDEM
CONCEDIDA.
• 1. A obrigação alimentar é regida pelo binômio necessidade-possibilidade, não se impondo maior
valia a nenhuma dessas duas variáveis, mas não se deve desconsiderar que a variável da
necessidade é elástica e quase ilimitada, enquanto a da possibilidade é rígida e limitada às posses
e disponibilidade do alimentante para o trabalho e, portanto, para a ampliação de seus ganhos. 2.
Na hipótese, a obrigação alimentar foi fixada, alternativamente, em 1,5 (um e meio) salário
mínimo mensal ou, no caso de vínculo empregatício, em 25% (vinte e cinco por cento) do salário
líquido do paciente. 3. Os autos comprovam que o paciente passou por longo período de
desemprego, razão pela qual não teve como cumprir a obrigação nos termos em que avençada,
realizando pagamentos apenas parciais, e que, atualmente, não obstante empregado como
auxiliar administrativo, recebe apenas o equivalente a um salário mínimo mensal, não se
encontrando em condições de quitar a dívida pretérita, acumulada em R$ 17.411,99. Ademais, os
alimentos atuais vêm sendo regularmente pagos mediante desconto direto em folha de
pagamento, no percentual de 25% do salário do devedor.
• 4. Diante de tais circunstâncias, verifica-se que o inadimplemento não se apresenta inescusável e
voluntário, assim como previsto na Constituição Federal, em seu art. 5º, LXVII, para admitir,
excepcionalmente, a prisão civil do devedor de alimentos.
• 5. Ordem concedida.
• (HC 472.730/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe
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Resumo
• A obrigação alimentar legítima pode ser cumprida
mediante:
• 1) Coerção pessoal com prisão;
• 2) Expropriação com Procedimento de pagamento de
quantia certa, sem prisão;
• 3) Desconto em folha de pagamento, sem prisão.
• No caso da obrigação decorrente de ato ilícito:
• 1) Constituição de capital;
• 2) Desconto em folha;
• 3) Pagamento mensal mediante garantia real ou fiança
bancária.
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Bloco 3
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Ação de interdição
É a ação destinada a designar um curador à pessoa incapaz.
ATENÇÃO: desde a Lei 13.146/2015, incapaz não é sinônimo de pessoa com
deficiência. A revogação do art. 3º do CC faz com que a pessoa com deficiência
seja, em regra, capaz, podendo ser incapaz, de acordo com as circunstâncias.
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I - casar-se e constituir união estável;
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou
adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao
exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições
com as demais pessoas.
§ 1º Quando necessário, a pessoa com deficiência será
submetida à curatela, conforme a lei.
§ 2º É facultado à pessoa com deficiência a adoção de
processo de tomada de decisão apoiada.
§ 3º A definição de curatela de pessoa com deficiência
constitui medida protetiva extraordinária, proporcional às
necessidades e às circunstâncias de cada caso, e durará o
menor tempo possível.
§ 4º Os curadores são obrigados a prestar, anualmente, contas
de sua administração ao juiz, apresentando o balanço do
respectivo ano.
Art. 85. A curatela afetará tão somente os atos relacionados aos direitos de
natureza patrimonial e negocial.
§ 1º A definição da curatela não alcança o direito ao próprio corpo, à sexualidade,
ao matrimônio, à privacidade, à educação, à saúde, ao trabalho e ao voto.
§ 2º A curatela constitui medida extraordinária, devendo constar da sentença as
razões e motivações de sua definição, preservados os interesses do curatelado.
§ 3º No caso de pessoa em situação de institucionalização, ao nomear curador, o
juiz deve dar preferência a pessoa que tenha vínculo de natureza familiar, afetiva
ou comunitária com o curatelado.
Art. 86. Para emissão de documentos oficiais, não será exigida a situação de
curatela da pessoa com deficiência.
Art. 87. Em casos de relevância e urgência e a fim de proteger os interesses da
pessoa com deficiência em situação de curatela, será lícito ao juiz, ouvido o
Ministério Público, de oficio ou a requerimento do interessado, nomear, desde
logo, curador provisório, o qual estará sujeito, no que couber, às disposições
do Código de Processo Civil .
Tomada de decisão apoiada
É o procedimento que tomará o lugar de boa parte das curatelas.
CC, Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo menos 2 (duas)
pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de
decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informações necessários para que possa exercer sua
capacidade.
§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência e os apoiadores devem apresentar
termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência
do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem apoiar.
§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser apoiada, com indicação expressa das pessoas
aptas a prestarem o apoio previsto no caput deste artigo.
§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após
oitiva do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio.
§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restrições, desde que esteja inserida
nos limites do apoio acordado.
§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os apoiadores contra-assinem o
contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.
§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo divergência de opiniões entre a
pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão.
§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições referentes à prestação de contas na curatela.”
Tomada de decisão apoiada
É o procedimento que tomará o lugar de boa parte das curatelas.
CC, Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo menos 2 (duas)
pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de
decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informações necessários para que possa exercer sua
capacidade.
§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência e os apoiadores devem apresentar
termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência
do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem apoiar.
§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser apoiada, com indicação expressa das pessoas
aptas a prestarem o apoio previsto no caput deste artigo.
§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após
oitiva do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio.
§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restrições, desde que esteja inserida
nos limites do apoio acordado.
§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os apoiadores contra-assinem o
contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.
§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo divergência de opiniões entre a
pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão.
§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições referentes à prestação de contas na curatela.”
Procedimento da interdição
1. Legitimidade
Art. 747. A interdição pode ser promovida:
I - pelo cônjuge ou companheiro;
II - pelos parentes ou tutores;
III - pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o
interditando;
IV - pelo Ministério Público.
Obs: Art. 748. O Ministério Público só promoverá interdição em
caso de doença mental grave:
I - se as pessoas designadas nos incisos I, II e III do art. 747 não
existirem ou não promoverem a interdição;
II - se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas
nos incisos I e II do art. 747 .
2. Petição inicial
Art. 749. Incumbe ao autor, na petição inicial, especificar
os fatos que demonstram a incapacidade do interditando
para administrar seus bens e, se for o caso, para praticar
atos da vida civil, bem como o momento em que a
incapacidade se revelou.
Parágrafo único. Justificada a urgência, o juiz pode
nomear curador provisório ao interditando para a prática
de determinados atos.
Art. 750. O requerente deverá juntar laudo médico para
fazer prova de suas alegações ou informar a
impossibilidade de fazê-lo.
3. Defesa
Art. 751. O interditando será citado para, em dia designado,
comparecer perante o juiz, que o entrevistará minuciosamente
acerca de sua vida, negócios, bens, vontades, preferências e laços
familiares e afetivos e sobre o que mais lhe parecer necessário para
convencimento quanto à sua capacidade para praticar atos da vida
civil, devendo ser reduzidas a termo as perguntas e respostas.
Art. 752. Dentro do prazo de 15 (quinze) dias contado da entrevista,
o interditando poderá impugnar o pedido.
§ 1º O Ministério Público intervirá como fiscal da ordem jurídica.
§ 2º O interditando poderá constituir advogado, e, caso não o faça,
deverá ser nomeado curador especial.
§ 3º Caso o interditando não constitua advogado, o seu cônjuge,
companheiro ou qualquer parente sucessível poderá intervir como
assistente.
4. Provas
Art. 753. Decorrido o prazo previsto no art. 752 , o juiz
determinará a produção de prova pericial para avaliação
da capacidade do interditando para praticar atos da vida
civil.
§ 1º A perícia pode ser realizada por equipe composta
por expertos com formação multidisciplinar.
§ 2º O laudo pericial indicará especificadamente, se for o
caso, os atos para os quais haverá necessidade de
curatela.
5. Decisão
Art. 754. Apresentado o laudo, produzidas as demais provas e ouvidos os interessados, o juiz
proferirá sentença.
Art. 755. Na sentença que decretar a interdição, o juiz:
I - nomeará curador, que poderá ser o requerente da interdição, e fixará os limites da
curatela, segundo o estado e o desenvolvimento mental do interdito;
II - considerará as características pessoais do interdito, observando suas potencialidades,
habilidades, vontades e preferências.
§ 1º A curatela deve ser atribuída a quem melhor possa atender aos interesses do
curatelado.
§ 2º Havendo, ao tempo da interdição, pessoa incapaz sob a guarda e a responsabilidade do
interdito, o juiz atribuirá a curatela a quem melhor puder atender aos interesses do interdito
e do incapaz.
§ 3º A sentença de interdição será inscrita no registro de pessoas naturais e imediatamente
publicada na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a que estiver vinculado o
juízo e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, onde permanecerá por 6
(seis) meses, na imprensa local, 1 (uma) vez, e no órgão oficial, por 3 (três) vezes, com
intervalo de 10 (dez) dias, constando do edital os nomes do interdito e do curador, a causa
da interdição, os limites da curatela e, não sendo total a interdição, os atos que o interdito
poderá praticar autonomamente.
6. Revogação e alteração
Art. 756. Levantar-se-á a curatela quando cessar a causa que a
determinou.
§ 1º O pedido de levantamento da curatela poderá ser feito pelo interdito,
pelo curador ou pelo Ministério Público e será apensado aos autos da
interdição.
§ 2º O juiz nomeará perito ou equipe multidisciplinar para proceder ao
exame do interdito e designará audiência de instrução e julgamento após
a apresentação do laudo.
§ 3º Acolhido o pedido, o juiz decretará o levantamento da interdição e
determinará a publicação da sentença, após o trânsito em julgado, na
forma do art. 755, § 3º , ou, não sendo possível, na imprensa local e no
órgão oficial, por 3 (três) vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, seguindo-
se a averbação no registro de pessoas naturais.
§ 4º A interdição poderá ser levantada parcialmente quando demonstrada
a capacidade do interdito para praticar alguns atos da vida civil.
7. Tarefas
Art. 757. A autoridade do curador estende-se à pessoa e
aos bens do incapaz que se encontrar sob a guarda e a
responsabilidade do curatelado ao tempo da interdição,
salvo se o juiz considerar outra solução como mais
conveniente aos interesses do incapaz.
Essa observação “sobre a pessoa” deve ser tida por
inconstitucional, uma vez que a Convenção Internacional
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi
recepcionada no Brasil com status constitucional.
Art. 758. O curador deverá buscar tratamento e apoio
apropriados à conquista da autonomia pelo interdito.
STJ
Diante das alterações promovidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), a Terceira
Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformou acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP)
para declarar a incapacidade relativa de um idoso com doença de Alzheimer que, em laudo pericial, foi
considerado impossibilitado de gerir os atos da vida civil.
O idoso foi declarado absolutamente incapaz nas instâncias de origem, mas, para o colegiado, a partir da
Lei 13.146/2015, apenas os menores de 16 anos são considerados absolutamente incapazes para exercer
pessoalmente os atos da vida civil. "O critério passou a ser apenas etário, tendo sido eliminadas as
hipóteses de deficiência mental ou intelectual anteriormente previstas no Código Civil", explicou o relator
do recurso julgado, ministro Marco Aurélio Bellizze.
Na ação que deu origem ao recurso, o juízo acolheu o pedido de interdição, indicou o curador especial e
declarou o idoso absolutamente incapaz. A sentença foi confirmada pelo TJSP, para o qual a declaração de
incapacidade relativa resultaria em falta de proteção jurídica para o interditado.
No caso em julgamento, o ministro verificou que o laudo pericial psiquiátrico foi contundente ao
diagnosticar a impossibilidade do idoso para gerir sua pessoa e administrar seus bens e interesses. Embora
a sentença tenha sido fundamentada na nova legislação, o magistrado observou que o juízo de primeiro
grau declarou o idoso absolutamente incapaz, nos termos do então revogado artigo 3°, II, do Código Civil.
Para o magistrado, diante do novo sistema de incapacidades promovido pela Lei 13.146/2015, é necessária
a modificação do acórdão recorrido, a fim de declarar a incapacidade relativa do idoso, conforme as novas
disposições do artigo 4º, III, do Código Civil.
(número do julgado não divulgado)
Problemas práticos
Ações de Família
Ação de Investigação de Paternidade
Bloco 4
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Ação de investigação de paternidade