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Gestão da confiabilidade e técnicas de medição
O conceito de confiabilidade na manutenção ganhou tanto espaço que mereceu um
programa dentro das atividades de manutenção: Manutenção Centrada em Confiabilidade
(MCC). Este programa consiste em um processo para determinação dos requisitos de
manutenção de qualquer item que esteja a ele incorporado. Este processo depende,
inicialmente, da identificação dos diversos possíveis modos de falha do item em estudo,
seguida da elaboração de planos de ação que visem manter o item em funcionamento pelo
máximo de tempo possível. A implantação e prática deste programa requer o cumprimento
de algumas exigências mínimas, a citar:
Selecionar o sistema operacional a ser estudado;
Compor uma equipe multidisciplinar dedicada ao programa;
Treinar toda a equipe em conhecimento estatístico e demais recursos
matemáticos;
Conhecimento das técnicas de desenvolvimento de produtos;
Conhecimento em técnicas de gestão e liderança;
Conhecimento em gestão de custos;
Ter em mãos um sistema eficiente de coleta e análise de dados.
A seleção da equipe multidisciplinar é um passo importantíssimo para o sucesso do
programa. Essa equipe deverá ser formada por profissionais das diversas áreas envolvidas
com o sistema operacional escolhido. A reunião de conhecimento técnico com experiência
prática deve ser um dos principais ingredientes desta equipe. Portanto, esta deverá ser
composta por operadores, mantenedores, engenheiros, líderes de produção e manutenção,
planejadores, técnicos de segurança e por um gerente. Uma vez formada a equipe deve-
se escolher o líder, o qual não necessariamente será o gerente convidado para formar a
equipe. Além da contribuição técnica, a figura do gerente e, eventualmente de um diretor
na equipe, é importante para mostrar aos demais colaboradores o envolvimento do alto
escalão da empresa na MCC, o que transfere credibilidade ao programa – semelhante ao
que ocorre na TPM e no 5S.
O líder deve possuir vasto conhecimento na técnica da confiabilidade, pois caberá a
ele o papel de facilitador. É importante que seja uma pessoa de influência e que consiga
ganhar e manter a confiança dos demais membros da equipe. Caberá ao líder a
organização e o planejamento das atividades, além de garantir que durante a execução
destas pela equipe, a essência da MCC será mantida e, corretamente aplicada. A
centralização das informações deverá ter como foco o líder, que será responsável por
condensá-las em uma documentação única e padronizada de acordo com as diretrizes
preestabelecidas.
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Uma vez composta a equipe o líder deve formar a estrutura organizacional do
programa, delegando responsabilidades a cada um dos membros, os quais deverão ser
treinados e capacitados para exercer as funções cabíveis. Também deverão ser
estabelecidas as metas, os prazos, recursos e processos a serem empregados nas
atividades de gestão da confiabilidade.
Ao estar capacitada, a equipe atuará dentro das diretrizes estabelecidas a fim de
alcançar os quatro objetivos básicos da MCC:
i. Preservar as funções do sistema;
ii. Identificar os modos de falha potenciais que implicam nas funções do sistema;
iii. Classificar o grau de importância de cada modo de falha identificado;
iv. Propor um plano de ação para mitigar cada modo de falha.
Para que os quatro objetivos apresentados sejam atingidos a equipe de MCC deverá
lançar mão de algumas ferramentas de gestão e de qualidade, como, por exemplo,
diagramas de decisão, FMEA, FTA, Ishikawa, entre outras. Ao longo deste texto algumas
dessas ferramentas serão tratadas em detalhes.
Ao analisar os objetivos definidos em ii, iii e iv, nota-se que a experiência somada da
equipe de MCC propicia o aprofundamento das discussões em busca dos variados modos
de falha que se fazem presentes, assim como, favorece a análise crítica da importância de
cada uma desses modos de falha na execução da função requerida pelo sistema. De
mesmo modo, quando se possui uma equipe habilmente montada, cujo conhecimento
acerca do funcionamento do sistema seja deveras aprofundado, aumenta-se muito as
chances de que planos de ação assertivos sejam propostos para mitigar e até mesmo
dirimir os modos de falha identificados.
Dentre as atividades de gestão da confiabilidade também está presente a
necessidade de padronização, para os itens não reparáveis e para aqueles reparáveis, das
ferramentas estatísticas que auxiliarão no planejamento da manutenção. Para os itens não
reparáveis são empregadas mais comumente:
Função de confiabilidade, R(t);
Função de risco, h(t);
Tempo médio até a falha, MTTF;
Função de vida residual média, L(t).
Antes de tratar individualmente cada um dos quatro métodos mais comumente
empregados em MCC é necessário definir a variável “tempo até a falha”.
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Tempo até a falha:
Mede o tempo transcorrido desde que um determinado item é posto em
funcionamento até a primeira falha. Em termos gráficos, convenciona-se adotar t=0 para o
início da operação do item em questão, conforme apresentado na Figura 3. A variável
aleatória tempo é denotada por T e pode assumir valores discretos quando refere-se ao
tempo percorrido até a falha, podendo ser, por exemplo, número de ciclos até a falha. A
Figura 3 mostra uma segunda variável, a variável de estado (X) que é uma função binária
do tempo, portanto denotada por X(t), e que assume dois valores possíveis: 1 para quando
o item está em funcionamento e 0 para quando a unidade não está operacional no tempo.
Figura 3: variável de estado (X) em função do tempo (t). Fonte: FOGLIATO e RIBEIRO (2011).
Considerando T uma variável discreta com uma distribuição contínua, de modo que
possua densidade de probabilidade, dada por f(t), define-se a função de distribuição dada
por F(t), de acordo com a equação (6).
𝐹(𝑡) = 𝑃(𝑇 ≤ 𝑡) = ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 , 𝑡 > 0 (6)
A função de distribuição F(t) oferece a probabilidade de ocorrência da falha do item
analisado enquanto estiver em operação, em um período de tempo menor ou igual a t, onde
t assume o valor de tempo desejado de se analisar. Ou seja, simplificando, F(t) determina
as chances de um item falhar dentro de um período de tempo desejado. Exemplo:
determina a chance de uma lâmpada queimar num período de tempo igual a 200 ciclos
(número de vezes que a lâmpada é acesa).
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A densidade de probabilidade, por sua vez, é denotada pela equação (7).
( ) ( ) ( ) ( )
𝑓(𝑡) = 𝐹 (𝑡) = = lim = lim (7)
→ →
Para Δt pequeno: P(t < T < t + Δt) ≈ f(t) * Δt
Função de confiabilidade, R(t):
A função de confiabilidade mede a chance de um item, dentre vários outros idênticos,
ter sucesso (sobreviver) após transcorrido um intervalo de tempo (t - Δt, t). A equação 8
determina o cálculo para determinação da função de confiabilidade, R(t).
( ) ( )
𝑅(𝑡) = ( ) ( )
= (8)
onde,
ns(t) é o número de unidades que obtiveram sucesso no intervalo de tempo indicado;
nf(t) é o número de unidades que falharam no intervalo de tempo indicado;
n0 é o número total de unidades analisadas, n0 = ns(t) + nf(t).
Considerando a variável T definida anteriormente, pode-se definir R(t) como a
probabilidade de sobrevivência de um determinado item em um intervalo de tempo
preestabelecido: R(t) = P(T>t).
A função de distribuição de T, F(t) é complemento de R(t), ou seja: R(t) = 1 – F(t).
R(t) também pode ser reescrita de acordo com a equação (9).
𝑅(𝑡) = 1 − 𝐹(𝑡) = 1 − ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 = ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 (9)
Portanto, de acordo com a equação (9), a função de confiabilidade (R(t)) denota a
possibilidade de um item manter-se íntegro, passado o intervalo de tempo (0, t) e ainda
manter-se operativo no instante t. Esta função também é conhecida como função
sobrevivência.
Função de risco, h(t):
Talvez seja a medida de confiabilidade mais difundida e pode ser interpretada como
a quantidade de risco associada a um item no tempo t. Pode também ser chamada de taxa
de risco ou taxa de falha.
Dada a probabilidade de falha, de acordo com a equação (10),
𝑃(𝑡 ≤ 𝑇 ≤ 𝑡 + 𝑡) = ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 = 𝑅(𝑡) − 𝑅(𝑡 + 𝑡) (10)
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onde, R(t) foi definido pela equação (9) e R(t+Δt) pela equação (11).
𝑅(𝑡 + 𝑡) = 1 − 𝐹(𝑡 + 𝑡) = 1 − ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 = ∫ 𝑓(𝑢)𝑑𝑢 (11)
Supondo que no instante t o item analisado está operativo,
( ) ( ) ( )
𝑃(𝑡 ≤ 𝑇 ≤ 𝑡 + 𝑡 | 𝑇 ≥ 𝑡) = ( )
= ( )
(12)
Uma taxa de falha média no intervalo de tempo (t, t + Δt) pode ser obtida pela divisão
da equação (12) por Δt e fazendo Δt→0 obtêm-se a falha instantânea, que é a própria
função de risco, h(t):
( ) ( ) ( ) ( )
ℎ(𝑡) = lim ( )∙
= 〈𝑃𝑒𝑙𝑎 𝑎𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑔𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝐿′𝐻𝑜𝑠𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙〉 = ( )
= ( )
, 𝑡 ≥ 0 (13)
→
Para que a função de risco possa ser válida, tais condições precisam ser satisfeitas:
i. ∫ ℎ(𝑡)𝑑𝑡 = +∞
ii. ℎ(𝑡) ≥ 0 | 𝑡 ≥ 0
Como resultado a função de risco oferece o número de falhas por unidade de tempo,
dando uma indicação da forma como o item operacional envelhece. Existem três formas
características em que a função de risco pode se apresentar:
a) função de risco crescente (FRC);
b) função de risco decrescente (FRD);
c) função de risco estacionária ou constante (FRE).
Produtos manufaturados costumam apresentar os três comportamentos
representados por meio da curva da banheira (Figura 4).
A partir da função de risco é possível obter a função de risco acumulado (H(t)), a
qual pode ser escrita a partir da integração da equação (13):
( ) ( )
ℎ(𝑡) = ( )
= ( )
=− ln 𝑅(𝑡) , 𝑝𝑜𝑟 𝑑𝑒𝑓𝑖𝑛𝑖çã𝑜, 𝑅(0) = 1 (13 recuperada)
∫ ( )
∫ ℎ(𝑡)𝑑𝑡 = − ln 𝑅(𝑡) ∴ 𝑅(𝑡) = 𝑒 ,𝑡 > 0 (14)
∫ ( )
∫ ( )∗
∫ ℎ(𝑡)𝑑𝑡 = ( )
(15)
∫
𝐻(𝑡) = ∫ ℎ(𝑢)𝑑𝑢, 𝑡 > 0 (16)
A função acumulada de risco é uma alternativa à função de risco e se apresenta
como uma função não decrescente no tempo.
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Figura 4: Exemplo de curva da banheira. Adaptado de: FOGLIATO e RIBEIRO (2011).
A curva da banheira (Figura 4) é válida e aplicada apenas para componentes
individuais, os quais apresentam três períodos característicos: mortalidade infantil; período
de vida útil e período de desgaste.
O período de mortalidade infantil está atrelado às falhas ocorridas em fase de projeto
ou durante manufatura por desvios de processo ou qualidade. O período de vida útil é
caracterizado por concentrar as falhas aleatórias, normalmente de difícil detecção durante
as atividades de manutenção preventiva e preditiva. Por fim, o período de desgaste ou
envelhecimento é caracterizado pela falha devido a causas naturalmente esperadas, como
desgaste por atrito, fadiga, corrosão, etc.
Tempo médio até a falha (MTTF):
Definido como a expectância da variável T, pode ser escrita de acordo com a
equação (17).
𝑀𝑇𝑇𝐹 = 𝐸(𝑇) = ∫ 𝑡 ∗ 𝑓(𝑡)𝑑𝑡 (17)
Como
𝑓(𝑡) = −𝑅 (𝑡), 𝑀𝑇𝑇𝐹 = − ∫ 𝑡 ∗ 𝑅 (𝑡)𝑑𝑡 = −[𝑡 ∗ 𝑅(𝑡)| ] + ∫ 𝑅(𝑡)𝑑𝑡 (18)
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𝑀𝑇𝑇𝐹 < ∞ ∴ [𝑡 ∗ 𝑅(𝑡)| ] = 0 𝑒 𝑀𝑇𝑇𝐹 = ∫ 𝑅(𝑡)𝑑𝑡 (19)
Função de vida residual média, L(t):
Considerando que um determinado item possui um tempo de vida esperado, T, e
que este mesmo item sobreviveu até um instante t de interesse, a vida residual média é
dada por T-t. Portanto, L(t) pode ser obtida de acordo com a equação (20).
𝐿(𝑡) = 𝐸[𝑇 − 𝑡|𝑇 ≥ 𝑡], 𝑡 ≥ 0 (20)
A expectância (E(t)) de L(t) é definida para t=0 e é dada pela equação (21).
( )
𝐿(𝑡) = ∫ 𝑢 ( )
−𝑡 = ( )
∫ 𝑢𝑓(𝑢)𝑑𝑢 − 𝑡 (21)
As funções de confiabilidade definidas acima se relacionam de acordo com o
apresentado pela Figura 5.
Figura 5: Relação entre funções de confiabilidade. Fonte: FOGLIATO e RIBEIRO (2011).
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Bibliografia
FOGLIATO, Flávio Sanson; RIBEIRO, José Luís Duarte. Confiabilidade e Manutenção
Industrial. Campus, 2011.
PEREIRA, Mário Jorge. Engenharia de Manutenção: Teoria e Prática. Ciência Moderna. 2ª
edição. 2011.
VIANA, Herbert Ricardo Garcia. Planejamento e Controle da Manutenção. Qualitymark,
2013.
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