PROCESSO PENAL
BANDEIROLAS
INQUÉRITO POLICIAL
Não há no Brasil investigação criminal defensiva.
IP é procedimento, não é processo. Melhor lugar, entendo, ficar com a posição clássica e
majoritária, pois tem natureza instrumental. Não é processo penal ou administrativo,
POIS DELE NÃO RESULTA SANÇÃO, ficando apenas com a ressalva da dúplice
finalidade do inquérito trazida pela doutrina moderna, exposta também nos motivos
do CPP e adotado pelo STF.
Dupla Função do Inquérito Policial:
Preparatória e Preservatória (Inibe a instauração de um processo penal infundado,
resguardando a liberdade de um inocente).
“Padece de justa causa” (STF) a condenação pautada somente/exclusivamente em
elementos de informação colhidos na fase de investigação sem a observância do
contraditório e ampla defesa.
Características
Inquisitivo -> pois não há contraditório e ampla defesa. Obs. O STF e a doutrina
majoritária afirmam de forma enérgica não existir contraditório e ampla defesa no
inquérito policial.
discricionário -> A autoridade policial tem considerável liberdade para amoldar o inquérito
policial à realidade do crime que está investigando, primando pela eficiência.
O delegado poderá indeferir os requerimentos diligenciais apresentados pela vítima ou
suspeito, salvo nos crimes em que deixar vestígios onde haja requerimento de
exame de corpo de delito (art. 158 CPP).
Sigiloso -> É estritamente necessário ao êxito das investigações e à preservação do
indiciado, evitando um desgaste daquele que é presumivelmente inocente.
O sigilo interno é parcial e não se aplica o sigilo ao Juiz, MP e Advogado/Defensor*(súmula
vinculante 14)
Se o direito de o advogado ter acesso aos dados do IP já documentados for desrespeitado
caberá MS ou Reclamação Constitucional. Eventualmente, até um HC se ficar
demonstrado que o obstáculo do acesso aos autos afeta a liberdade do indiciado.
Sobre isso, impera frisar que, via de regra, não há necessidade de autorização judicial
prévia para ao advogado ter acesso aos autos, salvo quando a lei assim determinar,
como no caso do art. 23 da Lei de Organizações Criminosas.
Esse direito independe de haver *procuração nos autos e de estarem os autos
conclusos à autoridade policial. Importante ressalva merece destaque no que diz
respeito à necessidade de procuração, posto que havendo informações sobre vida
privada do acusado, será necessária apresentação de procuração para o
exercício dos seus direitos.
# E O ASSISTENTE TÉCNICO TEM DIREITO DE PARTICIPAR DA FASE DE
INVESTIGAÇÃO/INQUÉRITO POLICIAL?
Não, a atividade do assistente técnico é exclusiva da fase processual, após a juntada do
laudo pelos peritos.
Escrito – Os atos são reduzidos a termo. Na falta do escrivão será nomeada pessoa idônea pelo
delegado, que irá funcionar como escrivão logo após fazer o compromisso.
Indisponível -> O delegado não pode arquivar o IP EM NENHUMA HIPÓTESE, mas
pode sugerir seu arquivamento quando fizer remessa dos autos ao MP.
Dispensável -> A ACP pode iniciar sem IP.
Não se admite instauração de CPI com objetivos exclusivos de investigação
criminal. (STF)
Obrigatoriedade -> Nos crimes de Ação Penal Pública Incondicionada é obrigatória a atuação
do delegado na abertura do IP ao surgimento de uma noticia crime.
Na questão fala que o em caso de crime de Ação Penal Pública Incondicionada o
delegado poderá instaurar IP de ofício. A questão considerou que alguns crimes ACPI
podem gerar TCO e não IP.
O advogado pode oferecer razões no IP, e fazer indagações aos peritos.
O direito de assistir o cliente é causa de nulidade absoluta, caso não seja respeitado,
contaminando os elementos probatórios produzidos em desacordo com o direito desrespeitado
do advogado.
Inquérito para fins de expulsão de estrangeiro é obrigatória observância do
contraditório e ampla defesa.
A competência para presidir o inquérito policial pode ser avocada (vai para o superior) ou
redistribuída (vai para outro delegado de mesmo nível) por superior hierárquico,
mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou em caso de
inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação.
Formas de instauração do IP:
Requerimento/Representação
De Ofício
Requisição do MP ou do Juiz, onde neste caso estará obrigado o delegado, salvo em caso
de ordem manifestamente ilegal ou se o pedido não vier fundamentado.
O instituto AOCP não entende por essa obrigatoriedade.
O CESPE entende que a requisição feita por MP e Juiz para instauração de IP tem
natureza de ORDEM.
Delatio Criminis: É a denúncia prestada por qualquer do povo. Não instaura de cara...faz
diligências...instaura.
Denúncia anônima: Denúncia Anônima, por si, não gera, em regra, instauração de
inquérito. Mas gera diligências preliminares, que a partir delas se possa ou não instaurar IP.
Exceção...
APF tbm é forma de instaurar IP.
NOTICIA CRIMINIS
Pode ser:
De cognição direta (imediata) -> Meios corriqueiros como denúncia anônima, jornais. É
espontânea.
De cognição indireta (mediata) -> vítima (requerimento/representação), Juiz, MP
(requisição). Se dá através de um expediente escrito.
De cognição coercitiva -> É aquela que se dá por meio de uma prisão em flagrante.
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO NO INQUÉRITO POLICIAL
O STF entende que tanto a instauração do IP, quanto o indiciamento depende de
autorização do tribunal competente para julgar originariamente o titular de foro privilegiado.
Por sua vez, o STJ passou a adotar o entendimento antigamente praticado pelo STF, no
sentido de ser desnecessária autorização judicial para instaurar inquérito ou indiciar suspeito
com foro privilegiado.
# E na investigação de crime eleitoral?
Por força da resolução 23.396/2013, independe de autorização do Tribunal, mas
precisa de requisição do MP ou Juiz, e a atribuição para investigar crimes eleitorais será da
Polícia Federal, tendo a polícia civil atribuição supletiva quando na localidade do crime não
houver órgãos da PF.
# Se durante as investigações de suspeito comum surgem fortes indícios de
participação/coautoria de autoridade detentora de foro?
Primeiro ponto: Os elementos de informação colhidos contra o detentor de foro são válidos se
ocorrer o encontro fortuito dessas provas.
Quanto a remessa: Deve haver remessa do IP para o tribunal competente, mas mera citação em
diálogo telefônico...sendo necessárias provas suficientes contra o detentor de foro. Não
basta mero sinal de amizade.
A remessa deve ser de todo o procedimento investigatório (inteiro), onde quem vai determinar
o desmembramento será o tribunal, podendo, inclusive, determinar a unificação.
A regra é o desmembramento.
Prova antecipada -> Se o delegado colhe essa prova sem autorização judicial, e sem
respeito ao contraditório e ampla defesa, a prova não é nula, mas terá status de elemento
de informação.
Meios de obtenção de prova
1 Probatórias – Visam assegurar a eficácia da persecução penal.
Infiltração: O policial se passa por criminoso ou consumidor do produto do crime a fim de coletar
um arcabouço maior e preciso de provas. Segundo doutrina, só pode ser infiltrado o policial
investigativo (civil e federal). Depende de autorização judicial e normalmente de oitiva
do MP.
2 Patrimoniais – Visa assegurar a eficácia da sentença condenatória no tocante ao
ressarcimento e perdimento de bens.
3 Pessoais – Visa assegurar por meio da restrição da liberdade.
Prazo do IP
10 dias se preso. IMPRORROGÁVEIS.
30 dias se solto, prorrogável.
Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação
da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma única vez, a
duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a
investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada. SUSPENSO
PELO STF
PF
15+15/30+30s
Sobre o excesso de prazo vale trazer a lembrança da súmula 21 do STJ:
Súmula nº 21 do STJ,
"pronunciado o réu, fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por
excesso de prazo na instrução."
INDICIAMENTO
Indiciar é atribuir a alguém a provável (foge-se do juízo de mera possibilidade para de
probabilidade) autoria/participação em determinado comportamento criminoso.
STF utilizou o indiciamento como vetor de afastamento da causa de diminuição de pena
no caso de crime de tráfico.
Impede aquisição de arma de fogo.
Em caso de indiciamento de servidor público por crime de lavagem de capitais, este
será afastado (efeito automático), sem prejuízo da remuneração e demais direitos
previstos em lei, até que juiz decida por seu retorno.
Indiciamento ainda não gera maus antecedentes.
É ato exclusivo do delgado. Já o desindiciamento pode ser feito pelo delegado ou pelo
juiz.
Só pode ser determinado durante as investigações.
Pressupostos
Presença de elementos sobre a materialidade e autoria delitivas.
Doutrina defende que mesmo presentes os requisitos o delegado não está obrigado a
indiciar.
Por outro lado entende o STF: “Presentes os pressupostos, o indiciamento é um poder-dever
da autoridade policial. Contudo, não havendo elementos que o justifiquem, o ato
de indiciamento constituirá constrangimento ilegal (STF, HC 855541, 2ª Turma, Rel.)”
Espécies de Indiciamento
Direto, Indireto, Coercitivo e Complexo, este último lembrar que é no caso dos detentores
de foro, soma da vontade policial e de um tribunal.
Não pode ser indiciado: JUIZ E membro do MP.
Havendo suspeita que recaia sobre estas pessoas, deverá o delegado remeter os autos de
investigação à chefia do MP ou do Poder Judiciário para que apure os fatos.
* Titulares de foro por prerrogativa de função: Não há vedação legal expressa no estatuto
dos congressistas, no entanto, o STF entende que essas autoridades não podem ser
indiciadas pelo livre arbítrio exclusivo do delegado. Neste caso o delegado deve remeter
os autos ao tribunal competente para que autorize ou não o prosseguimento das
investigações e seus desdobramentos.
“A Policia Federal não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial para apurar a conduta
de parlamentares federais ou Presidente da República” (STF)
Quando se tratar de crime cuja elucidação seja complexa, o delegado poderá requerer ao juiz a
devolução dos autos para ulteriores diligências.
Destinatário do IP: Juiz
Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado
proferida por um dos juízos conflitantes.
O suspeito não é obrigado a participar da reprodução simulada dos fatos. Também não é
obrigado a admitir prova invasiva.
OBTENÇÃO DE DADOS X PRIVACIDADE E INTIMIDADE DA PESSOA
Dados Cadastrais: Não precisa de autorização Judicial, e a empresa deve atender em 24h.
Dados telefônicos: Agenda, registro de ligações. Não precisa de autorização judicial. a
empresa deve atender em 24h.
Dados de Localização: Se pretéritos, não precisa de autorização. Se em tempo real,
precisa de chancela judicial. Em caso de crime de tráfico de pessoas, se o juiz ficar inerte
por mais de 12h após o pedido do delegado, este poderá requisitar diretamente a
empresa.
No caso de crime de tráfico de pessoas, o IP deve ser instaurado em até 72h.
O mandado se dará por tempo determinado não superior a 30 dias, renovável por uma
única vez.
O mandado não alcançará o acesso a dados e conteúdo da comunicação de qualquer
natureza, sendo necessário para o caso mandado específico. SERÁ???
O STJ entende que o mandado de busca e apreensão serve também como autorização
judicial para acessar dados telemáticos, por exemplo, desde que haja correlação entre o
objeto de busca e apreensão e acesso do conteúdo do objeto.
A busca em apreensão em domicílio com autorização judicial já abrange o acesso a
dados de telefone celular, sem necessidade de nova autorização judicial. (STJ – RHC
77.232/SC)
Concluso o IP, enviado ao Juiz, este envia ao MP.
MP 3 opções
Juiz 02 opção
PGE(R) 04 opções
Exceção: Nos casos de foro pro prerrogativa de função, onde quem irá pleitear o arquivamento
será o próprio chefe do MP. Não tem como o Tribunal devolver ao chefe, ficando o
tribunal vinculado ao pedido do PGE ou PGR, segundo entende o STF.
Arquivamento do IP
Espécies de arquivamento
a) Implícito: Quando o MP decide oferecer denúncia contra apenas alguns dos
investigados ou por alguns e não todos os crimes narrados no IP.
Não é admitido. O MP deve fazer isso de forma expressa.
b) Indireto: Quando, requerido pelo MP o arquivamento, o juiz se declina
incompetente e remete para aquele juízo que entende ser competente.
c) Originário: Foro por prerrogativa de função. Ocorre por tribunais.
d) Provisório: Ocorre por ausência de condição de procedibilidade. Caso de crime de
que dependa de representação da vítima.
Hipóteses de arquivamento
a) Atipicidade;
b) Insuficiência de provas: falta a justa causa;
c) Por excludentes de ilicitude*, culpabilidade ou de punibilidade
TRANCAMENTO DO INQUÉRITO
Não é arquivamento, pois é decidido unicamente pelo juiz.
Três hipóteses:
a) Manifesta atipicidade formal ou material. Ex: princípio da insignificância.
b) Causa extintiva da punibilidade.
c) Instauração de inquérito policial em crimes de Ação Penal Pública
Condicionada ou Ação Penal Privada sem manifestação da vítima ou de seu
representante legal.
Desarquivamento
Está intimamente ligado as hipóteses de arquivamento que não fazem coisa julgada
material.
O pressuposto para desarquivamento é a notícia de prova nova. (“Se de outras provas tiver
notícia”). Não precisa necessariamente de provas novas, mas a notícia de novas provas.
O desarquivamento terá lugar em 02 hipóteses
1 – Inquérito arquivado por falta de provas;
2 – Inquérito arquivado por causa excludente de ilicitude (STF). Para o STJ o
arquivamento por excludente de ilicitude faz coisa julgada material e por isso não admite
desarquivamento.
Para desarquivar basta a notícia de provas novas (lembrar da prova substancialmente
nova - inédita e formalmente nova), mas para oferecer denuncia após o
desarquivamento, será necessária novas provas.
Súmula 330 do STJ: “É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514
(crimes de responsabilidade por funcionário público), do Código de Processo Penal,
na ação penal instruída por inquérito policial”.
STJ: RHC 62036 / SP Ministra MARIA
THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 11/09/2015
"1- Recebida a denúncia, a superveniente
suspensão condicional do processo, aceita
pelo réu e homologada pelo juiz, não importa
em falta de interesse de agir e
prejudicialidade do habeas corpus impetrado
com o objetivo de trancar a ação penal por
falta de justa causa. Precedentes desta
Corte."
AÇÃO PENAL
ATENÇÃO!!! Com o advento da lei 13.718/18, a ação penal, nos crimes sexuais, passou a
ser pública incondicionada, independente da vítima ser ou não classificada como vulnerável,
ser ou não maior de 18 anos, se o crime foi praticado com ou sem violência real.
As ações podem ser condenatórias, declaratórias e constitutivas.
Legitimidades (espécies)
Legitimado Ordinário – É o Estado, através do Ministério Público.
Legitimado Extraordinário – É a vítima na Ação Penal Privada Processa a ação em nome
próprio em busca do direito de punir do Estado.
Em regra, a legitimidade extraordinária exclui a legitimidade ordinária, pois só se processa,
àquela, mediante queixa, salvo nos casos de ação penal privada subsidiária da pública,
onde os legitimados são concorrentes.
Mais recentemente surge outra exceção com a súmula 714 do STF:
“É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do ministério público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de
servidor público em razão do exercício de suas funções.”
Substituto Processual -> Está ligado a figura da legitimação extraordinária. A vítima na
Ação Penal Privada é substituta processual, pois atua em nome próprio em direito
pertencente ao Estado. Vítima é substituto processual do Estado quando exerce o
direito de ação (queixa).
Sucessor Processual -> CADI.
“Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão
judicial...
Doutrina entende que essa ordem deve ser respeitada, mas se um não quiser não impede
que o subsequente o faça.
Curiosidade: O sucessor pode também atuar como substituto processual.
Companheiro não pode exercer o direito de ação como sucessor
ou substituto processual.
Representante Legal: Ocorre em situações em que a vítima de crime de ação penal privada
ou APPC não possui legitimidade ad processum por ser incapaz por alguma razão.
Súmula 594
Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo
ofendido ou por seu representante legal.
Tem aplicabilidade nos casos em que a vítima era a data do fato menor de 18 anos, mas antes
do fim do prazo decadencial completa 18 anos, podendo exercer sem representante
legal o direito de queixa.
Representante Legal Subsidiário: É o caso da vítima ser incapaz e não possuir
representante legal, ou quando existe representante legal, mas há conflito de interesses
entre o incapaz e este, devendo o juiz nomear curador para que este exerça o direito de
representação subsidiária.
O curador pode ser nomeado de ¹ofício ou a ²requerimento do MP.
CONDIÇÕES PARA O REGULAR EXERCÍCIO DO DIREITO DE AÇÃO
1 – Interesse de agir
2 – Possibilidade Jurídica do Pedido
3 – Legitimidade
4 – Justa Causa (doutrina minoritária – FUNCAB)
5 – Originalidade (doutrina minoritária – FUNCAB)
A classificação das ações penais leva em consideração a titularidade do direito de ação.
PRINCÍPIOS
1 – Oficialidade -> Nas ACP´s a titularidade da ação é do Estado através do seu órgão oficial.
# Dever de punir x Dever de resguardar a liberdade do réu
Temos aqui inevitavelmente o Estado (MP acusador) x Estado (MP custus leggis).
Esse princípio explica o MP podendo requerer a absolvição em alegações finais, ou até
mesmo recorrendo em favor do réu.
Oficialidade mitiga o princípio da paridade de armas.
O que seria oficiosidade?
É o dever de atuar de ofício do MP quando de posse de elementos suficientes de autoria e
materialidade (existência de condições da ação), independendo de provocação.
Assim, só há oficiosidade nas ações penais públicas incondicionadas, posto que nas ações que
dependam de representação da vítima o MP não pode atuar de ofício.
2 – Obrigatoriedade -> Presentes os pressupostos da Ação Penal Pública, o MP deve oferecer
a denúncia.
3 - Indisponibilidade -> Não pode desistir.
4 - (In)divisibilidade -> 2ª Corrente: Os tribunais superiores (STF e STJ) entendem que
a ação pública é divisível, na medida em que admite desmembramento e
complementação incidental por meio de aditamento.
5 - Intranscendência ou pessoalidade
Ação Penal Pública Condicionada -> É titularizada pelo MP. “O direito de representação
poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais,
mediante declaração à autoridade policial.” (CESPE – DELEGADO PC/AP)
INSTITUTOS CONDICIONANTES
Representação Requisição do Min. da Justiça
É legítimo a vítima ou o representanteÉ legítimo o próprio ministro da justiça.
legal. Havendo morte ou declaração de
ausência da vítima, o direito de representar
passa para o Cônjuge, Ascendente,
Descendente e por fim irmão. Macete do
“CADI”
O prazo é de 6 meses, contado a partir doNão tem prazo decadencial, desde que o
conhecimento da autoria do crime. crime não esteja prescrito.
Cabe retratação da representação até oNão há previsão legal.
oferecimento da denúncia.
Representação Do Ofendido -> Rege-se pelo princípio da oportunidade e conveniência.
Na hora da representação não há necessidade de formalismos. Basta que a vítima,
a partir de atos, demonstre o interesse na persecução penal. Ex: B.O, submissão a
exame de corpo de delito.
Natureza Jurídica: Condição específica de procedibilidade.
Excepcionalmente também pode funcionar como condição de prosseguibilidade. Ex: Lei
9.099/95 (processos em andamento quando a lei dos Juizados entrou em vigor, a representação
foi exigida para prosseguimento das ações em curso).
A retratação da representação independe da exposição de motivos. A Vítima não precisa
fundamentar porque está desistindo.
Retratação na Lei Maria da Penha: A renúncia à representação dependerá de retratação
formulada perante o juiz em audiência designada para tal finalidade, e que seja feita
antes do RECEBIMENTO da denúncia e ouvido o MP.
AÇÃO PENAL PRIVADA
Vítima é titular. Atua como Substituto processual.
PRINCÍPIOS
1 – Oportunidade
*Institutos correlatos
i – Decadência -> em regra 06 meses a contar do conhecimento da autoria do crime.
Extinção da punibilidade.
Prazo de direito material -conta-se o dia de início.
ii – Renúncia -> Ela se caracteriza pela declaração expressa da vítima de que não pretende
ingressar com a ação ou pela prática de um ato incompatível com essa vontade (tácita).
Acarreta também a extinção da punibilidade. É anterior ao processo.
2 – Disponibilidade -> A vítima pode desistir.
*Institutos correlatos
i – Perdão -> Ela se caracteriza pela declaração expressa de perdão da vítima de que não
pretende prosseguir com a ação ou pela prática de um ato incompatível com essa
vontade. Acarreta também a extinção da punibilidade. Aqui já existe processo.
Obs. O perdão do art. 58 não é tácito, haja vista que a oferta do perdão é expressa nos
autos, onde o silêncio do acusado caracteriza preclusão, mas não é perdão tácito, pois
perdão processual é expresso.
Até o perdão fora do processo tem que ser expresso, pois vejamos o que diz o art. 59
do CPP:
Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo constará de declaração assinada
pelo querelado, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais.
O perdão pode ser concedido até o trânsito em julgado.
ii – Perempção (desídia, descaso) -> É a sanção judicialmente imposta pelo descaso
da vítima na condução da Ação Privada.
Tbm gera a extinção da punibilidade.
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante
30 (trinta) dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante - O CADI...60 dias.
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do
processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas
alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.
(em caso de cisão, fusão, incorporação há sucessor, não falecendo a Ação Privada pela
perempção)
3 – Indivisibilidade - Art. 49 - A renúncia ao exercício do direito de queixa, em
relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá.
Posicionamento majoritário abaixo:
Aditamento próprio -> É vedado ao MP aditar a queixa com novos fatos e inclusão
de novos réus.
Aditamento Impróprio -> É possível ao MP aditar a queixa para inserir sensíveis detalhes,
como melhorar a narrativa de trecho truncado, informar a hora do crime, etc.
Doutrina minoritária entende que se a exclusão de um dos coautores ou partícipes se deu por
culpa ou desconhecimento, o MP dá a oportunidade para a vítima contra este novo
acusado oferecer queixa. O STJ aplicou esse posicionamento em julgamento
recente.
MODALIDADES
a) Exclusiva ou propriamente dita -> É aquela titularizada pela vítima ou por seu
representante legal.
Esta ação admite sucessão por morte ou ausência do ofendido. (CADI)
b) Personalíssima -> É aquela, cujo único titular é a vítima. O único crime regido
por esta modalidade é o induzimento a erro essencial e ocultação de
impedimento para o casamento..
Não admite sucessão por morte ou ausência.
c) Subsidiária da pública
Suspeito preso: 05 dias.
Suspeito solto: 15 dias.
AÇÃO PENAL INDIRETA: Em todo caso, caberá ao Ministério Público aditar a queixa,
repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo,
fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte principal.
Nos 06 meses seguintes o exercício do direito de ação passa a ser concorrente.
# Caso a vítima querelante conduza o processo de forma correta até os memoriais,
quando pede pela absolvição do réu. O que ocorre?
De se entender primeiramente que se trata de infração cuja Ação Penal é regida pelos princípios
da natureza pública, e por essa razão quando a vítima querelante, legitimado extraordinário,
pede a absolvição, será considerada perempta (negligência), sendo excluído da Ação
Penal, devolvida a titularidade ao MP que antes atuara apenas como custus legis.
ACP nos crimes contra a honra:
Do presidente da república e chefe do governo estrangeiro: ação penal pública condicionada à
requisição do ministro da justiça.
De funcionário público em razão de suas funções (sumula 714, STF): pode escolher entre a ação
penal privada e à condicionada a representação
Injúria real (art.140, §2º, CPP): ofender a integridade corporal ou a dignidade de uma pessoa.
Se praticada mediante vias de fato ação penal privada; se praticada mediante lesão
corporal leve ação penal pública condicionada à representação.
Injúria preconceituosa ou racial: Condicionada à Representação. IMPRESCRITÍVEL.
Ação Penal no Crime de Embriaguez ao Volante – Incondicionada.
Ação Penal nos Crimes Ambientais: ação penal pública incondicionada.
“Tendo a CF erigido como fundamental o direito da vítima e de sua família à aplicação
da lei penal, a vítima e sua família podem tomar as rédeas da ação penal se o MP não
o fizer no devido tempo.” (CESPE)
→ Em regra só é possível o oferecimento de queixa subsidiária quando o crime possui uma
vítima individualizada, por isso não é possível no tráfico de drogas, por exemplo.
→ Exceções: código de defesa do consumidor, lei 8078/90, permite que o PROCON e as
associações de defesa do direito dos consumidores ofereçam queixa subsidiária em
crimes que envolvam relação de consumo, art.80; lei de falências, lei 11101/05, art.184,
caso o MP não faça os credores habilitados ou o administrado judicial também podem propor a
ação subsidiária.
Requisitos da peça acusatória (denúncia/queixa):
a) Exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias:
→ Crimes culposos: deve o MP descrever em que consistiu a imprudência, negligência ou
imperícia.
→ Criptoimputação: é uma imputação contaminada por grave deficiência na narrativa do fato
delituoso, inviabilizando o exercício do direito de defesa.
Denúncia genérica não é admitida.
Obs: em se tratando de crimes societários, não há inépcia da peça acusatória pela ausência
da indicação individualizada da conduta de cada um dos acusados, sendo suficiente que os
acusados sejam de algum modo responsáveis pela condução da sociedade (HC 80549; HC
92497).
b) Identificação do acusado (art.41, CPP): diante da reforma processual de 2008 já não
cabe mais denúncia ou queixa contra pessoa incerta.
Instrumentos para aditar a denúncia:
Emendatio libelli: O próprio juiz aduz a mudança. O juiz sem alterar a descrição do fato
contida na peça acusatória dá a ele classificação diversa ainda que com pena mais grave.
Mutatio libelli: Volta pra o MP aditar. Se durante a instrução processual surgir prova de
elementar ou circunstância não contida na peça acusatória, deve o MP aditá-la, abrindo-se
vista a defesa em seguida, após o que sendo recebido o aditamento poderá o juiz condenar ou
absolver o acusado pela nova imputação.
PRESO SOLTO
CPP 5 dias. 15 dias.
Lei de drogas 10 dias. 10 dias.
Código eleitoral 10 dias. 10 dias.
Abuso de autoridade 5 dias. 15 dias.
CPPM 5 dias. 15 dias.
Diante da superveniência de sentença condenatória, estará prejudicada questão
referente ao excesso de prazo da prisão cautelar.
O excesso de prazo para o oferecimento da denúncia configura hipótese de
constrangimento ilegal, todavia é superado pelo recebimento da denúncia.
Recebimento da peça acusatória
→ Fundamentação: a doutrina enfoca que essa fundamentação é obrigatória, sob pena de
nulidade. Segundo a jurisprudência o recebimento não precisa ser fundamentando, salvo
quando houver previsão de defesa preliminar (apresentada entre o oferecimento e o
recebimento da peça acusatória) no procedimento. Ex: lei de drogas, crimes funcionais
afiançáveis, procedimento originário dos tribunais, juizados.
“É firme a jurisprudência do Supremo Tribunal no sentido de que a decisão de recebimento da
denúncia prescinde de fundamentação por não se equiparar a ato decisório.” (STF)
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA
Lei processual que altera a competência tem aplicação imediata?
Para a jurisprudência, lei que altera a competência tem aplicação imediata aos processos em
andamento, salvo se já houver sentença relativa ao mérito, hipótese em que o processo
deve seguir na jurisdição em que foi prolatada (HC 76510, STF). Não precisa que tenha
transitado em julgado. Basta ter sentença.
PROVAS
Sistema do livre convencimento motivado (da persuasão racional do juiz)
Conseqüência da adoção deste sistema:
a) O juiz só pode valorar provas que estejam nos autos.
b) Todas as provas são dotadas de valor relativo (art.197, CPP).
c) O juiz é obrigado a valorar todas as provas, até mesmo para refutá-las.
Prova Plena: É aquela aprofundada que permite um juízo de certeza a levar a uma
condenação.
Pode ser direta (testemunha ocular) ou indireta (testemunha que vê o homicida correndo com a
faca ensanguentada, histórico de chamadas, de mensagens)
Prova Semiplena: Fomenta um juízo de probabilidade, que gera uma dúvida razoável.
Basta para prosseguimento da persecução penal e decretação de medidas cautelares, mas não
pode levar à condenação.
Provas antecipadas: são aquelas produzidas antes de seu momento processual correto, ou
até mesmo durante a fase investigatória, em relação às quais o contraditório é real
Provas cautelares: são aquelas em que há um risco de desaparecimento do objeto da prova
em razão do decurso do tempo, em relação às quais o contraditório será diferido ou
postergado. Ex: interceptação telefônica.
Prova não repetível: é aquela que não tem como ser novamente coletada ou produzida em
virtude do desaparecimento da fonte probatória. O contraditório será diferido ou
postergado. Ex: exames periciais nas infrações cujos vestígios podem desaparecer.
Distribuição do ônus da prova no processo penal:
Ônus da prova da acusação Ônus da prova da defesa
A existência de um fato típico. Causas excludentes da ilicitude.
Autoria e a participação. Causas excludentes da culpabilidade.
Relação de causalidade (através de um laudoCausa extintiva da punibilidade.
pericial).
2.2 – Iniciativa probatória do juiz (gestão das provas pelo juiz):
Sistema inquisitorial Sistema acusatório
Não há separação das funções de acusar,Adotado pela CF no art.129, I.
defender e julgar, sendo exercido pelo juizHaverá a separação das funções de acusar,
inquisitorial ou inquisidor. defender e julgar.
O acusado é tratado como mero objeto dePreserva o princípio da imparcialidade e o
investigação, não sendo sujeito de direito. acusado é um sujeito de direitos.
Gestão das provas pelo juiz: o juiz tem amplaGestão das provas pelo juiz: durante a fase
iniciativa probatória, podendo produzir provasprocessual admite-se iniciativa probatória do
de ofício mesmo antes do início do processo,juiz, que deve ser exercida de maneira
chamado de iniciativa acusatória por algunscomplementar, subsidiária. Chamada por
doutrinadores. Essa iniciativa acusatória viola oalguns doutrinadores de iniciativa probatória.
devido processo legal e o princípio daEx: art.212, CPP.
imparcialidade. ADI 1570: o STF declarou a
inconstitucionalidade do art.3º, lei 9034 em
relação aos dados fiscais e eleitorais. A
maioria da doutrina vem entendendo que o
art.156, I, CPP, é inconstitucional pelos
mesmos motivos.
Excepcionalmente o Juiz pode na fase investigativa requerer diligências (art. 13 CPP), e
antecipar a produção de provas.
Também de forma excepcional, durante o processo pode determinar diligências para
sanar dúvidas relevantes.
Prova emprestada: consiste na utilização em um processo de prova que foi produzida em
outro, sendo que o transporte da prova de um processo para o outro se dá através da forma
documentada. Para que se possa falar em prova emprestada o contraditório deve ter sido
exercido pela mesma pessoa no processo original.
Apesar de ser transportada na forma documentada a prova emprestada não tem o mesmo valor
que possuía no processo original.
# Posso usar elementos probatórios obtidos numa interceptação telefônica num
processo administrativo disciplinar?
É possível.
# É possível juntar prova emprestada produzida em processo penal em PAD e
Inquérito Civil?
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada”
no processo administrativo disciplinar, desde que
devidamente autorizada pelo juízo competente e
respeitados o contraditório e a ampla defesa.
# E se não for observado o contraditório e ampla defesa no transporte da prova em
relação a outros acusados?
Segundo jurisprudência não pode ser tomada como prova em outro processo, mas serve
como noticia criminis, podendo deflagrar persecução penal.
# A GRAVAÇÃO AMBIENTAL (FITA MAGNÉTICA) REALIZADA POR UM DOS
INTERLOCUTORES É PROVA LÍCITA DE ACORDO COM OS TRIBUNAIS SUPERIORES?
A gravação ambiental realizada por um dos interlocutores, sem a ciência do outro, é
válida desde que haja interesse juridicamente relevante a ser tutelado. Vale dizer,
deve haver justa causa para a gravação de conversa por um dos interlocutores.
Prova ilícita Prova ilegítima
Obtida com violação a regra do direito Obtida mediante violação a regra de
material (art.5º, LVI, CF). Ex: Violação da direito processual. Ex: art.479, CPP. Ex:
integridade física oi domiciliar. Oitiva de testemunha sem compromissá-
la.
# O que seriam provas proibidas?
As provas contrárias à lei; Contrárias aos costumes, Contrárias aos princípios, e as provas
religiosas, pois atos de fé não são prováveis.
Sobre a prova ilícita, de saber que a teoria da proporcionalidade não foi acatada pelo
STF. A teoria da Prova Ilícita por Derivação é a que foi adotada.
A teoria da proporcionalidade (Barbosa Moreira) busca uma ideia de que “os fins justificam
os meios”, ou “para crimes graves há uma flexibilização do afastamento das provas ilícitas por
derivação”.
Há ainda a teoria das excludentes – É aquela prova obtida diretamente pelo réu em
estado de desespero, onde essa prova ilícita é cabal para comprovar a sua inocência. A
inadmissibilidade das provas ilícitas só prepondera se desfavorável ao réu. Se
favorável deve ser acolhida.
Prova ilícita por derivação: Foi usada pela primeira vez no caso de Silverthome Lumber CO
vs US (1920), depois no caso Nardone (1939) – teoria dos frutos envenenados.
Teoria da fonte independente: NÃO HÁ NEXO CAUSAL.
Teoria da descoberta inevitável: ... a partir de procedimentos técnicos de praxe,
independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida.
Limitação da mancha purgada: se o nexo causal entre as provas for atenuado em
virtude do decurso do tempo de circunstancias superveniente na cadeia probatória ou da
vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução criminal. Vai estar
provavelmente atrelado a uma confissão voluntária devolvendo valor probatório a prova
antes ilícita.
Teoria do encontro fortuito de provas (serendipidade):
Serendipidade de 1º Grau: Pessoa Investigada + Crime Investigado
Pessoal Investigada + Delito Conexo
Serendipidade de 2º Grau: Pessoa Investigada + Delito não Conexo
Provas de Pessoa não investigada.
Parte da doutrina entende que não se trata de prova, mas como noticia criminis.
# INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA POR JUÍZO INCOMPETENTE?
Se o Juízo, desde o princípio, é incompetente, a prova é ilícita, sem possibilidade de ser usada
no processo penal. Lado outro...
Teoria do Risco: A pessoa revela, espontaneamente, a sua participação em ilícitos de
outrem num contexto em que assume o risco de estar sendo gravada. Ex: Captação de
conversa feita por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro (gravação
clandestina) – STF 402.717 tem sido admitida para ¹comprovação da inocência e para
²proteção da vítima. (Aplicação do Princípio da Proporcionalidade)
Quando houver a preclusão da decisão de desentranhamento a lei passou a prever a inutilização
da prova ilícita, devendo haver a destruição física. Duas hipóteses em que essa prova não
deve ser destruída:
Quando a prova pertencer licitamente a alguém.
Quando a prova ilícita constituir-se no corpo de delito em relação a quem praticou o
crime para obtê-la.
PROVAS EM ESPÉCIE
Infrações transeuntes: são aquelas infrações que não deixam vestígios, em relação
as quais não há necessidade de exame pericial. Ex: injuria verbal.
Infrações não transeuntes: chamadas de “delicta fatcti permanentis”. São as
infrações que deixam vestígios, em relação as quais é indispensável o exame de corpo
de delito.
→ Em regra o laudo pericial pode ser juntado ao longo do processo, não precisando
desta forma estar nos autos na hora do oferecimento da denúncia, porém com 10 dias
de antecedência mínima para a audiência de instrução.
→ Crimes contra a propriedade imaterial, art.525, CPP é necessário o exame pericial
para que a queixa ou denúncia seja recebida. Basta o exame externo por
amostragem. Desnecessário identificar os titulares dos direitos violados.
Exame de corpo de delito indireto: duas correntes:
1ª corrente: quando não for possível a localização dos vestígios deixados pela infração
penal a prova testemunhal ou documental poderá suprir a ausência do exame de corpo
de delito (art.167, CPP). É a que prevalece. Ex: HC 69591 STF.
→ Distinção entre perito e assistente técnico:
Perito Assistente técnico
Auxiliar do juízo, estando submetido às causasAuxiliar das partes, não está sujeito as causas
de impedimento e suspeição. de impedimento ou suspeição.
Deve ter uma atuação imparcial. Tem uma atuação parcial.
Para fins penais será considerado funcionárioNão é considerado funcionário público para fins
público tanto o perito oficial como o perito nãopenais.
oficial (art.327, CPP).
Responde pelo crime de falsa perícia (art.342,Não é perito, então não responde pelo art. 342,
CP). CP, mas pode responder pelo delito de
falsidade ideológica, art.299, CP, caso insira
informações objetivas falsas em um
determinado documento.
Pode atuar tanto na fase investigatória quantoApenas após a conclusão do exame dos peritos
na fase judicial. (fase judicial), art.159, §5º, II, CPP.
Obs. Em caso de Ação Penal Privada ou Condicionada à Representação dependerá de
representação da vítima para deflagração de perícia.
Art. 279. Não poderão ser peritos:
I - os que estiverem sujeitos à interdição de direito mencionada nos ns. I e IV do art. 69 do
Código Penal;
II - os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto
da perícia; Ou seja participado da fase de inquérito!!
III - os analfabetos e os menores de 21 anos.
Perícia Grafotécnica: Traz limitações em matéria de produção de prova, como por
exemplo, a garantia de ninguém ser obrigado a fornecer padrões grafotécnicos para perícia
O EXAME GRAFOTÉCNICO TAMBÉM ALCANÇA PERÍCIA EM MÁQUINAS E
COMPUTADORES.
Interrogatório judicial:
1ª corrente: CPP (redação original), o interrogatório era um meio de prova.
2ª corrente: o interrogatório tem natureza mista: meio de prova + meio de defesa.
3ª corrente: o interrogatório é um meio de defesa. É a que prevalece.
Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial
é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
25/03/2015, DJe 6/4/2015.
A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a requerimento de
qualquer das partes. O INTERROGATÓRIO PODE SER REPETIDO!!!
Confissão Qualificada: Ocorre quando o réu admite a prática do fato, no entanto,
alega em sua defesa um motivo que excluiria o crime ou o isentaria de pena. Ex:
matei sim, mas foi em legítima defesa.
Súmula 545 do STJ:
"Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o
réu fará jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal."
Súmula 630 do STJ:
"A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de
entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a
mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio."
Interrogatório do réu: Vigora o sistema presidencialista, onde as perguntas são lidas ao
magistrado, e este repassa ao réu.
Oitiva de testemunhas: Se a pergunta é feita pela parte que a arrolou desenvolve-se pelo
direct examination.
Se feita a pergunta à testemunha pela parte contrária irá se desenvolver pelo sistema do cross
examination.
A vítima tem o dever de depor, seja em juízo, seja em delegacia, podendo vir a ser
conduzida, quando intimada.
Se o acusado for preso ou solto, a vítima deve ser avisada.
A oralidade dos testemunhos é obrigatória, não sendo, contudo, vedado a testemunha
consultar apontamentos.
Exceção: Presidente e Vice-Presidente da República, Presidentes das Casas Legislativas e
do STF poderão prestar depoimento por escrito.
Testemunha da Coroa: Agente infiltrado.
Testemunhas Impróprias/Instrumentárias/Fedatárias: Não falam sobre os fatos
criminosos, mas sobre a regularidade de atos realizados no processo ou pela polícia.
Muito comum em flagrantes.
# E da oitiva de criança e adolescente?
Pode dar-se de duas formas:
Escuta Especializada: Uma entrevista bem limitada, restrita
apenas ao fato do contexto.
Depoimento Especial: Também conhecido como
depoimento sem dano e realizado de forma
multidisciplinar (com assistente social e psicólogo) em sala
reservada, mas acompanhado em tempo real pela
autoridade policial ou judiciária, advogado ou defensor
do acusado.
Via de regra, é realizado uma única vez, sob a natureza
de prova antecipada. Em caráter de exceção, o depoimento
especial será tomado duas vezes, uma em sede policial e
outra em sede judicial.
Não se admitirá a tomada do depoimento mais de uma
vez caso a criança seja menor de 07 anos ou criança ou
adolescente vítima de violência sexual.
DO RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS
Admite-se o reconhecimento fotográfico (STF).
Além disso, a ausência de pessoas semelhantes ao lado do reconhecido não gera nulidade,
segundo o STJ, tratando-se de mera irregularidade.
Boleia/Cabine de caminhão?
Não há posição firme dos tribunais superiores, tendo o STJ não entendo se tratar de casa em
julgamento de caso de posse/porte de arma de fogo.
A doutrina reconhece como sendo casa, quando a composição evidenciar isto.
Busca e Apreensão Domiciliar decorrente de Flagrante Delito
O Grau de Certeza da Flagrância que autoriza a entrada policial na casa em caso de flagrante
delito não depende da certeza visual, sendo necessário apenas fundadas razões, que
exige circunstância objetiva que pode ser a palavra de uma testemunha, relatório
policial decorrente de campana ou interceptação telefônica, para citar alguns exemplos.
As fundadas razões são justificadas a posteriori.
Individualização subjetiva e objetiva
O mandado precisa justificar o alvo, a casa, e o
crime que está sendo cometido.
Se faltar individualização subjetiva?
O mandado é genérico, e portanto, ilegal.
Se faltar individualização objetiva?
Mandado por prospecção, sendo considerado
também ilícito, a partir de indícios mínimos
do cometimento do crime.
Obs. Um mandado pode ser coletivo
especificando mais de uma casa.
‘Obs². Não se pode se valer de um mesmo
mandado para cumpri-lo por mais de uma
vez.
Obs³. Em regra, deve ser feita a leitura do
mandado na presença do morador, salvo se
isso comprometer a segurança dos agentes
e a eficácia da diligência.
Obs4. Ao fim, é lavrado o auto
circunstanciado e assinados por duas
testemunhas presenciais.
a) Pessoal: Recai sobre o corpo, vestimentas, pertences.
Pode se dar a qualquer tempo, inclusive a noite, e ao contrário das outras, independe de
autorização judicial.
Requisito: Fundadas suspeitas.
Ocorre em três hipóteses: No caso de fundadas suspeitas, prisão e durante busca e
apreensão domiciliar.
STF entende que mera suspeita não abrange o simples fato de estar o dito suspeito
vestindo um blusão.
# A busca em mulher pode ser feita por policial do sexo masculino?
Se importar em retardamento ou prejuízo da diligência, não tendo policial feminina, será a
mulher revistada por policial.
b) Sequestro (Cautelar patrimonial)
Como dito, visa assegurar a eficácia de futura condenação, resguardando a possibilidade de
reparar o dano e o confisco.
Visa acautelar o proveito econômico do crime. É a vantagem indireta do crime. Ex:
Ferrari comprada com dinheiro do tráfico de drogas.
PRISÕES, MEDIDAS CAUTELARES E LIBERDADE PROVISÓRIA
A prisão temporária existe na fase de investigação. Não há prisão temporária com processo
em curso.
Art. 217 (novidade de 2017) - Parágrafo único. É vedado o uso de algemas em mulheres
grávidas durante os atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e
durante o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o período de puerpério
imediato.
Estar atento que o CPP é claro em firmar que deve se dar prioridade as medidas diversas da
prisão.
DA PRISÃO EM FLAGRANTE
Não podem ser presos em flagrante:
Presidente da República: Não está sujeito a prisão em flagrante.
Imunidade Diplomática: Chefes de Estado, chefes de governo estrangeiro e
embaixadores.
Senadores, Deputados Federais, estaduais, distritais: Estão sujeitos a uma única
hipótese de prisão cautelar- Flagrante por crime inafiançável.
Magistrados, Membros do Ministério Público e Advogados: Só podem ser presos
em flagrante por crime inafiançável, devendo a prisão ser comunicada ao chefe da
instituição.
OBS: O STF consolidou o entendimento de que o cônsul tem sua imunidade limitada
aos crimes funcionais.
É modalidade de prisão processual.
Art 287 - Se a infração for inafiançável, a falta de exibição do mandado não obstará
a prisão, e o preso, em tal caso, será imediatamente apresentado ao juiz que tiver
expedido o mandado, para a realização de audiência de custódia.
Próprio ou REAL-> denomina-se em flagrante próprio, propriamente dito, verdadeiro, perfeito
ou real, aquele que é surpreendido praticando a infração ou acaba de cometê-la.
Impróprio/Imperfeito/Quase Flagrante ou Irreal -> Traça a ideia de perseguição, não
necessariamente policial.
§ 1o - Entender-se-á que o executor vai em perseguição do réu, quando:
a) tendo-o avistado, for perseguindo-o sem interrupção, embora depois o tenha perdido de
vista;
b) sabendo, por indícios ou informações fidedignas, que o réu tenha passado, há pouco
tempo, em tal ou qual direção, pelo lugar em que o procure, for no seu encalço.
§ 2o Quando as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade da
pessoa do executor ou da legalidade do mandado que apresentar, poderão pôr em custódia o
réu, até que fique esclarecida a dúvida.
Art. 293. Se o executor do mandado verificar, com segurança, que o réu entrou ou se encontra
em alguma casa, o morador será intimado a entregá-lo, à vista da ordem de prisão. Se não for
obedecido imediatamente, o executor convocará duas testemunhas e, sendo dia, entrará à força
na casa, arrombando as portas, se preciso; sendo noite, o executor, depois da intimação ao
morador, se não for atendido, fará guardar todas as saídas, tornando a casa incomunicável, e,
logo que amanheça, arrombará as portas e efetuará a prisão.
Parágrafo único. O morador que se recusar a entregar o réu oculto em sua casa será levado à
presença da autoridade, para que se proceda contra ele como for de direito.
Art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade
competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva:
(...) IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito";
(...) VIII - os ministros de confissão religiosa;
(...) X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando
excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função;
Presumido assimilado, ficto ou reputé flagrant -> o agente é encontrado logo depois da
prática delituosa com instrumentos, objetos, armas ou qualquer coisa que faça presumir ser ele
o autor da infração, sendo desnecessária a existência de perseguição.
Obs’. Policial, fora de serviço, é considerado qualquer do povo para fins de tipificação da
espécie do flagrante.
DO FLAGRANTE PREPARADO E DO FORJADO
Preparado, provocado, crime de ensaio, delito putativo por obra do agente ou delito
de experiência -> Ocorre quando o agente é instigado a praticar o delito, caracterizando
verdadeiro crime impossível.
Situação interessante é a de venda simulada de drogas, quando o agente provocador
incita o traficante a vender-lhe drogas, e, após, dá-lhe a voz de prisão. Na verdade, a
prisão ocorre não pela venda em si da droga (pois, flagrante preparado), mas, sim,
pelo portar, trazer consigo, guardar, ter em depósito a droga. Em outras palavras, há
a indução da venda, motivo pelo qual não poderá o agente ser denunciado por esse
critério, porém, pelos demais verbos-núcleos que preexistiam à venda, ou seja, que o
agente praticou antes de vender, é possível a sua prisão em flagrante.
Forjado maquiado, fabricado, urdido ou armado -> Consiste em uma situação falsa de
flagrante criada para incriminar alguém. É uma modalidade ilícita do flagrante, onde o único
infrator é o agente forjador, que pratica o crime de denunciação caluniosa (art. 339 CP),
e sendo agente público, também abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65)".
Delegado de Polícia não pode instaurar inquérito policial para apurar crime praticado
por promotor de justiça, deverá encaminhar os autos ao PGJ.
De igual modo, em caso de prisão em flagrante de crime inafiançável, deverá haver a
comunicação da prisão ao Tribunal/Procuradoria Geral bem como a apresentação do
flagranteado ao Presidente do Tribunal de Justiça (para juízes)/Membro do MP/PGJ
(para promotores)
Não caberá prisão em flagrante se constatado que o fato foi praticado
acobertado por causa excludente de ilicitude. Será dada liberdade provisória.
A prisão em flagrante será comunicada imediatamente ao Juiz, ao MP, a família
ou à pessoa por ele indicada.
Na verdade, em até 24 horas é que será feita a remessa dos APF para o juiz, e
se o infeliz não tiver advogado, tbm cópia à Defensoria Pública, bem como
entrega da nota de culpa.
Ao receber o APF caberá ao juiz 03 comandos:
Relaxar a prisão, se ilegal;
Converter em prisão preventiva, e;
Conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
Na falta ou impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pelo delegado lavrará o
APF, depois de prestado o compromisso legal. PRECISA PRESTAR COMPROMISSO.
Súmula 397
O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido
nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do acusado
e a realização do inquérito.
Se a infração for inafiançável, a falta de exibição do mandado não impedirá a prisão e
a consequente condução do suspeito ao juízo.
Membros do CN só poderão ser presos em flagrante por crime inafiançável. Ainda assim os
autos serão remetidos à respectiva Casa para que decida por maioria dos membros sobre a
prisão.
Curiosidade axiológica:
Impor-se a prisão à pessoa flagrada na prática de crime de furto simples de coisa
avaliada em R$ 50,00 (cinquenta reais). Em tese está correto, pois a prisão em flagrante
ocorrerá...cabendo ao delegado/juiz dar a sua manutenção ou não pela aplicabilidade do
princípio da bagatela.
PRISÃO PREVENTIVA
É modalidade de prisão processual, assim como a prisão temporária.
Terá lugar em qualquer momento da persecução penal. Não cabe mais cautelar alguma de
ofício. Passa a depender de requerimento do MP, do querelante ou do assistente, ou de
representação do delegado.
ATENÇÃO!!! É possível prisão preventiva em crime culposo.
Prisão preventiva em crime culposo. Em princípio, realmente, não é cabível prisão preventiva
em crime culposo - até porque, o art. 44, I do CP permite a substituição de PPL em PRD sempre.
Excepcionalmente, todavia, é cabível a preventiva em crime culposo, como quando se
puder antever a possibilidade de prisão ao final do processo, diante das condições
pessoais do agente, principalmente a reincidência; ou então, no caso de necessidade
de identificação do agente.
A prisão preventiva poderá ser decretada:
1. como garantia da ordem pública;
2. da ordem econômica;
3. por conveniência da instrução criminal, e;
4. ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime
e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do
imputado.
Desde que o crime:
Seja doloso e a pena privativa de liberdade máxima seja superior a 04 anos.
Ou, seja o suspeito condenado em outro processo por crime doloso, com sentença
transitada em julgado.
Ou, se o crime ocorrer no contexto de violência doméstica contra mulher, idoso, deficiente,
enfermo, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência.
Tbm poderá ser decretada caso haja o descumprimento de medidas cautelares.
IMPORTANTE: Para a decretação no caso acima, pouco importará a quantidade de pena
cominada para o crime em abstrato. A pena poderá ser de no máximo 4 anos. Descumpriu a
cautelar, a prisão se imporá.
Por fim, caberá prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil. Esclarecida a
dúvida deverá ser posto em liberdade.
NÃO CABE PRISÃO PREVENTIVA EM CASO DE CONTRAVENÇÃO PENAL.
A prisão PREVENTIVA em nenhum caso será decretada se constatado que o
fato foi praticado acobertado por causa excludente de ilicitude.
DA PRISÃO DOMICILIAR
É espécie de prisão que substitui a prisão preventiva. Só pode ocorrer:
1 – Acusado maior de 80 anos;
2 – Suspeito extremamente debilitado por motivo de doença grave;
3 – Imprescindível aos cuidados de pessoa menor de 06 anos ou deficiente;
4 – gestante;
5 – Mulher com filho de até 12 anos incompletos;
6 – Homem, caso seja o único responsável por filho de até 12 anos incompletos.
NOVIDADE:
Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou
responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão
domiciliar, desde que: (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a
pessoa; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. (Incluído
pela Lei nº 13.769, de 2018).
Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A poderá ser efetuada
sem prejuízo da aplicação concomitante das medidas DIVERSAS DA PRISÃO.
DE OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO
Ler o art. 319
Uma das medidas é curiosa e merece estar aqui:
Fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do
processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência
injustificada à ordem judicial
A fiança pode ser cumulada com outras medidas cautelares.
LIBERDADE PROVISÓRIA COM OU SEM FIANÇA
Primeiro salientar que, simultaneamente analisadas, prisão preventiva e fiança não são
compatíveis, pois havendo lugar à prisão preventiva, não se imporá fiança.
O delegado só pode conceder fiança se a pena máxima não for superior a 04 anos. ATÉ 04
ANOS PODE.
Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz que decidirá em até 48 horas.
Não terá lugar fiança:
1 - Racismo;
2 - TTT;
3 - Hediondos, e;
4 - Crimes praticados por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático.
Também não terá fiança:
5 - Aquele que já tenha tido este direito e venha a quebra-lo no mesmo processo. Considera-
se quebrada a fiança quando o acusado deixa de comparecer aos atos do inquérito e do
processo.
6 - Prisão civil ou militar.
7 - Quando for o caso de converter decretar prisão preventiva.
Sobre a fiança!!!
A possibilidade de fiança foi ampliada pela eliminação de previsões discriminatórias (que
negavam esse direito aos mendigos e vadios) ou excessivamente subjetivas (porque baseadas
em “clamor público”), de modo que o critério para a inafiançabilidade passou a ser a
natureza dos delitos, independentemente de quem os tenha praticado ou das reações sociais
que despertem.
Parâmetro da fiança:
de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos, pena máxima não for superior a 4 (quatro)
anos;
de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários mínimos, pena máxima for superior a 4 (quatro) anos.
A depender da situação econômica do preso a fiança poderá ser dispensada, reduzida de no
máximo 2/3 ou aumentada em 1.000 vezes.
O réu afiançado para mudar de residência terá que ter permissão (não basta comunicar) da
autoridade processante, e para se ausentar da comarca por mais de 08 dias deverá
comunicar à autoridade onde o encontrar. O desrespeito a estes dizeres ensejará a quebra da
fiança.
Art. 330. A fiança, que será sempre definitiva, consistirá em depósito de dinheiro, pedras,
objetos ou metais preciosos, títulos da dívida pública, federal, estadual ou municipal, ou em
hipoteca inscrita em primeiro lugar.
Art. 332. Em caso de prisão em flagrante, será competente para conceder a fiança a autoridade
que presidir ao respectivo auto, e, em caso de prisão por mandado, o juiz que o houver
expedido, ou a autoridade judiciária ou policial a quem tiver sido requisitada a prisão.
A fiança será concedida sem necessidade de audiência com o Ministério
Público.
A fiança pode ser prestada até o trânsito em julgado.
Súmula 81/STJ - . Fiança. Concurso material. Soma das penas superior a 2 anos. CPP,
art. 323, I.
«Não se concede fiança quando, em concurso material, a soma das penas mínimas
cominadas for superior a dois anos de reclusão.»
Se a fiança não for reforçada, nos casos que a lei define, o afiançado retornará à prisão.
Será quebrada a fiança, também, quando o infeliz praticar nova infração penal dolosa. Aqui
entra a contravenção penal.
O quebramento da fiança leva a perca de metade do seu valor. Ou seja, se vier a ser
absolvido, só lhe será devolvida a metade.
O saldo da fiança será recolhido ao fundo penitenciário.
Em caso de fiança prestada na forma de hipoteca, será ela executada no juízo cível pelo
MP.
Por fim, nos casos de fiança, poderá o juiz conceder a liberdade provisória sem a
necessidade desta, a depender da situação econômica do preso.
COMPETÊNCIA
Do princípio do juiz natural derivam três regras de proteção:
a) Só podem exercer jurisdição os órgãos instituídos pela constituição;
b) Ninguém pode ser julgado por um órgão jurisdicional criado após a prática do fato delituoso;
c) Entre os juízes pré-constituídos vigora uma ordem taxativa de competências, que impede
qualquer hipótese de discricionariedade na escolha do juiz.
– Lei processual que altera a competência tem aplicação imediata?
Para a jurisprudência, lei que altera a competência tem aplicação imediata aos processos em
andamento, salvo se já houver sentença relativa ao mérito, hipótese em que o processo
deve seguir na jurisdição em que foi prolatada (HC 76510, STF). Não precisa que tenha
transitado.
Convocação de juízes de 1º grau para substituir desembargadores
Não fere nenhuma garantia. É possível julgamento por tribunal composto em sua maioria
por juízes convocados. De ressaltar que em processos de competência originária de Tribunal é
possível a convocação, mas a maioria da turma julgadora deve ser de desembargadores.
Há três hipóteses de competência absoluta:
1 Matéria
2 Prerrogativa de Função
3 Competência Funcional (fases do processo – Objeto do Juízo – Grau de Jurisdição ou
competência funcional vertical)
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: Compete à JUSTIÇA ESTADUAL a execução de
medida de segurança imposta a militar licenciado. STJ. 3ª Seção. CC 149.442-RJ, Rel. Min. Joel
Ilan Paciornik, julgado em 09/05/2018 (Info 626).
*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STF: Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na
AP 937 QO/RJ, todos os inquéritos e processos criminais que estavam tramitando no Supremo
envolvendo crimes não relacionados com o cargo ou com a função desempenhada pela
autoridade, foram remetidos para serem julgados em 1ª instância. Isso porque o STF definiu,
como 1ª tese que “o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes
cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas”. O
entendimento acima não se aplica caso a instrução já tenha se encerrado. Em outras palavras,
se a instrução processual já havia terminado, mantém-se a competência do STF para o
julgamento de detentores de foro por prerrogativa de função, ainda que o processo apure um
crime que não está relacionado com o cargo ou com a função desempenhada.
CUIDADO!!! DIZERODIREITO #STJ: A iminente prescrição do crime praticado por
Desembargador excepciona o entendimento consolidado na APn 937.
Competência para homologação do acordo de colaboração premiada se o delatado
tiver foro por prerrogativa de função (STF)
A delação de autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do respectivo
Tribunal para a respectiva homologação e, em consequência, do órgão do Ministério Público
que atua perante a Corte. Se o delator ou se o delatado tiverem foro por prerrogativa de função,
a homologação da colaboração premiada será de competência do respectivo Tribunal.
Desse modo, é possível que o delatado questione o acordo se a impugnação estiver
relacionada com as regras constitucionais de prerrogativa de foro. (INFO 895) É a
única hipótese.
INFO 639 DO STJ -> Desembargador será julgado pelo STJ, mesmo em crimes não
relacionados com a função, caso a desconsideração da prerrogativa de foro acarrete no
julgamento do desembargador por Juiz de Primeiro Grau ao Tribunal que é vinculado.
DESEMBARGADOR NÃO PODE SER JULGADO CRIMINALMENTE POR JUIZ DE PISO DO
SEU TRIBUNAL!!
*#DEOLHONAJURIS#DIZERODIREITO#STF: Se os fatos criminosos que teriam sido
supostamente cometidos pelo Deputado Federal não se relacionam ao exercício do mandato,
a competência para julgá-los não é do STF, mas sim do juízo de 1ª instância.
Isso porque o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos
durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF AP 937
QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018).
O STF decidiu que essa tese se aplica aos processos em curso a partir de 03/05/2018.
O STF entende que o recebimento de doação ilegal destinado à campanha de reeleição ao
cargo de Deputado Federal é um crime relacionado com o mandato parlamentar. Logo, a
competência é do STF. Além disso, mostra-se desimportante a circunstância de este delito ter
sido praticado durante o mandato anterior, bastando que a atual diplomação decorra de
sucessiva e ininterrupta reeleição. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933). #IMPORTANTE
*Súmula vinculante 45-STF: A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o
foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual. STF.
Plenário. Aprovada em 08/04/2015 - Info 780.
ATENÇÃO!! Prefeito não é julgado pelo tribunal do júri, mas sim pelo TJ. Sua competência é
estabelecida pela CF/88.
No tocante à nulidade decorrente de incompetência absoluta, esta não poderá ser
suscitada após trânsito em julgado de sentença absolutória.
Competência Relativa
Em processo penal temos apenas a competência territorial – racione loci.
Até o início da instrução pode o juiz reconhecer sua incompetência de ofício.
A súmula 33 do STJ: "a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício", NÃO se aplica
aos processos de natureza PENAL. Assim, no processo penal, seja nulidade relativa ou absoluta,
o juiz poderá declara-lá de ofício.
Competência Territorial
Local do resultado. Nos crimes tentados, local do último ato de execução.
1 - Crimes à distância (envolve dois países) – Teoria da Ubiquidade
2 - Crimes Plurilocais – O crime percorre mais de um território, mas dentro do mesmo país.
Regra, onde se produziu o resultado.
Exceção: Nos crimes de homicídio, por força do princípio do esboço do resultado,
aplica-se a teoria da ação, sendo competente o juízo de onde se praticou a conduta. STF e
STJ acolhem.
Quando não se tem conhecimento sobre o local da consumação do crime, vale a regra
supletiva do foro do domicílio ou residência do réu. Se o réu tiver mais de um domicílio ou
residência, a competência será firmada pela prevenção (art. 72, § 1°, do CPP). E se o réu não
tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que primeiro
tomar conhecimento do fato (art. 72, § 2°, do CPP).
Órgão jurisdicional de primeiro grau que conheceu de habeas corpus contra ato ilegal
atribuído a delegado de polícia não se torna prevento para conhecer de ação penal futura,
pelos mesmos fatos. De ressaltar que em caso de decisão sobre medidas cautelares, o juízo
se torna prevento sim!!
COMPETÊNCIA NOS CRIMES DE ESTELIONATO
1 – Estelionato – Ligação – Depósito
A competência É DO FORO ONDE OCORREU O EFETIVO PREJUÍZO À VÍTIMA.
Esta modalidade de estelionato consuma-se no local em que ocorre o efetivo prejuízo à vítima,
ou seja, na localidade da agência onde a vítima possuía conta bancária.
2 – Estelionato – FRAUDE PARA RECEBIMENTO DE BENEFÍCIO
Será competente o juízo do local onde situada a agência onde inicialmente fora recebido o
benefício, ainda que posteriormente a agência responsável mude para comarca diversa.
3 – PAPEL MOEDA – FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA
Neste caso a competência será da Justiça Estadual.
4 – Emissão Dolosa de Cheque Sem Fundo
SÚMULA 244: Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de
estelionato mediante cheque sem provisão de fundos.
5 – ESTELIONATO MEDIANTE FALSICAÇÃO DE CHEQUE
Aqui muda, sendo ao teor da súmula 48 do STJ competente o juízo do local da obtenção
da vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante
falsificação de cheque.
6 – FALSIFICAÇÃO DE GUIAS DA PREVIDÊNCIA SEM PREJUÍZO À AUTARQUIA FEDERAL
SÚMULA 107: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato
praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias,
quando não ocorrente lesão a autarquia federal.
Conexão e Continência
Conexão é a ligação entre dois ou mais crimes.
i. Conexão intersubjetiva: é aquela onde dois ou mais crimes são praticados por
duas ou mais pessoas. Temos três tipos de conexão intersubjetiva:
a) Conexão intersubjetiva por simultaneidade – os crimes ocorreram nas mesmas
circunstâncias de tempo e espaço. Os infratores não estavam previamente
acordados.
b) Conexão intersubjetiva concursal: neste caso, o vínculo se estabelece porque os
infratores estavam previamente acordados. É caso de concurso de pessoas.
c) Conexão intersubjetiva por reciprocidade : os crimes se conectam pelo fato dos
infratores agirem uns contra os outros. Exemplo: lesões corporais recíprocas.
ATENÇÃO!! O crime de rixa NÃO é um bom exemplo, pois ele caracteriza crime único
(plurisubjetivo/de concurso necessário) e na conexão precisamos de ao menos dois delitos.
Conexão Teleológica (futuro) x Consequencial (passado)
Conexão instrumental ou probatória é a prova de uma infração ou de qualquer de suas
circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. Ex: Receptação e furto.
Continência é a ligação entre autores de crimes.
Continência por cumulação subjetiva: nela, teremos um só crime praticado por duas ou
mais pessoas (art. 77, I, CPP). Temos concurso de pessoas.
Continência por cumulação objetiva: nela, teremos uma só conduta que deságua na prática
de duas ou mais infrações. Percebe-se que em havendo concurso formal de crimes (art. 70, 73 e
74, CP), todos os resultados lesivos são reunidos em um só processo por força da continência
(art. 77, II, CPP). Temos Concurso de Crimes.
A existência de crimes conexos de competência da Justiça Comum, como corrupção passiva e
lavagem de capitais, não afasta a competência da Justiça Eleitoral, por força do art. 35, II, do
CE e do art. 78, IV, do CPP. STF. 2ª Turma. PET 7319/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
27/3/2018 (Info 895).
*#DEOLHONAJURIS#DIZERODIREITO#STF: Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes
eleitorais e os comuns que lhes forem conexos. Cabe à Justiça Eleitoral analisar, caso a caso, a
existência de conexão de delitos comuns aos delitos eleitorais e, em não havendo, remeter os
casos à Justiça competente. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933). #IMPORTANTE
O tribunal do júri, por força das regras de conexão, pode vir a julgar delitos comuns, que
em nada atente contra a vida, mas que conexos com delito contra a vida.
Ler o art. 109 da CF
*ATENÇÃO. DIVERGÊNCIA. #STF: Quem julga, no Brasil, crime cometido por brasileiro no
exterior e cuja extradição tenha sido negada?
• STF: Justiça Estadual • STJ: Justiça Federal.
*O art. 109, IX, da CF/88 afirma que compete à Justiça Federal julgar os crimes praticados a bordo
de navios ou aeronaves, com exceção daqueles que forem da Justiça Militar. Navio é embarcação
de grande porte. Para que o crime seja de competência da Justiça Federal, é necessário que o
navio seja uma “embarcação de grande porte”. Assim, se o delito for cometido a bordo de um
pequeno barco, lancha, veleiro etc., a competência será da Justiça Estadual. Aeronave voando ou
parada: a competência será da Justiça Federal mesmo que o crime seja cometido a bordo de uma
aeronave pousada.
JUSTIÇA FEDERAL JULGA CONTRABANDO E DESCAMINHO AINDA QUE NÃO FIQUE
PROVADA A TRANSNACIONALIDADE DA CONDUTA.
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de
medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher cometido por
meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu resultado
ocorrer no Brasil. STJ. 3ª Seção. CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
10/10/2018 (Info 636)
Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é
firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não
importando a qualificação do órgão expedidor. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/10/2015, DJe
19/10/2015.
Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior
pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
13/05/2015, DJe 18/05/2015
*COMPETÊNCIA PARA JULGAR CRIMES AMBIENTAIS ENVOLVENDO ANIMAIS SILVESTRES, EM
EXTINÇÃO, EXÓTICOS OU PROTEGIDOS POR COMPROMISSOS INTERNACIONAIS Compete à
Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva
animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por
compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. STF. Plenário. RE 835558/SP, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 9/2/2017 (repercussão geral) (Info 853).
De ressaltar que crimes contra o meio ambiente são em regra da Justiça Estadual, salvo se
em detrimento da União ou suas autarquias.
Competência da Justiça do Trabalho: EC 45/04 que alterou o art.114, IV, CF, passando
a ter competência para julgar habeas corpus quando o ato questionado envolver
matéria sujeita a jurisdição trabalhista.
Obs: ADI 3684 – para o Supremo a justiça do trabalho não tem competência criminal
genérica para processar e julgar delitos. Ex: falso testemunho cometido no processo
trabalhista é julgado pela Justiça Federal (súmula 165, STJ).
Crimes cometidos contra concessionárias e permissionárias de serviço público federal.
Exemplo crime de dano contra telefone público, será julgado pela Justiça Estadual.
Falso testemunho em precatória: deve ser julgado no local do juízo deprecado. O STF tem
decisões recentes de que será o juízo deprecante, ou seja, o juízo onde a prova será
utilizada.
O saque indevido por civil de benefício de benefício de pensão militar afeta bens e serviços das
instituições militares,estando justificada a competência da Justiça Militar. STF. 2ª Turma. HC
125777/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016 (Info. 831)
- O STJ reconheceu a responsabilidade civil dos Correios por danos sofridos por consumidor
dentro do Banco Postal. Veja: A ECT é responsável pelos danos sofridos por consumidor que foi
assaltado no interior de agência dos Correios na qual é fornecido o serviço de banco postal.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.183.121-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/2/2015 (Info
559).
*#OUSESABER: A fixação da competência da Justiça Federal para processar e julgar o delito
de tráfico depende da demonstração da TRANSNACIONALIDADE do delito. Não é necessário
que o agente tenha efetivamente cruzado as fronteiras nacionais, mas que seja demonstrada
essa intenção.
Súmula 38 do STJ: "Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o
processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou
interesse da União ou de suas entidades.
Crime Político – Competência da Justiça Federal de 1º Grau
E o recurso? STF. Não vai pra o TRF.
* STF - Súmula 498 - Compete à Justiça dos Estados, em ambas as instâncias, o
processo e o julgamento dos crimes contra a economia popular.
Crimes contra índios – Regra é Justiça Estadual. Se envolver disputas sobre direitos
indígenas, aí será da Justiça Federal.
“O deslocamento da competência para a Justiça Federal somente ocorre quando o
processo versar sobre questões diretamente ligadas à cultura indígena e ao direito
sobre suas terras, ou quando envolvidos interesses da União” (Joaquim Barbosa, STF, 2006).
Competência em Crimes de Ação Penal PRIVADA
Nas ações exclusivamente privadas, o querelante pode, mesmo sabido o local da consumação,
optar por propor a ação no domicílio ou residência do réu. É uma mera opção, que pode ou não
ser exercida, ao talante da conveniência (art. 73, CPP).
Esta faculdade, contudo, não tem cabimento nas ações penais privadas subsidiárias da pública,
sendo aplicada apenas nas ações privadas exclusivas e personalíssimas.
DAS QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES
Via de regra, quando a decisão no processo penal depender de demanda no juízo cível, o juiz
poderá suspender o processo após a inquirição das testemunhas e a realização de
provas urgentes.
OBS. Se a demanda cível versar sobre estado das pessoas o juiz estará obrigado a
suspender o processo, sem prejuízo da inquirição...
O juiz determinará o prazo da suspensão...poderá ser prorrogado...findo o prazo sem sentença
no juízo cível o processo penal será retomado.
Do despacho que denegar a suspensão não caberá recurso.
DAS EXCEÇÕES
Suspeição
Incompetência do juízo
Litispendência
Ilegitimidade de parte
Coisa Julgada – “STF – quem foi absolvido como executor de um delito, pode ser
denunciado como autor intelectual. Afinal, a imputação fática é distinta, não estando
acobertada pela coisa julgada material.”
Art. 96. A arguição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando fundada em
motivo superveniente.
Alegação de suspeição deve ser assinada pela parte ou por procurador com poderes
especiais.
Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua
resposta dentro em três dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida,
determinará sejam os autos da exceção remetidos, dentro em 24 vinte e quatro horas, ao
juiz ou tribunal a quem competir o julgamento.
Julgada procedente a suspeição, ficarão nulos os atos do processo principal, pagando o
juiz as custas.
Art. 104. Se for arguida a suspeição do órgão do Ministério Público, o juiz, depois de ouvi-lo,
decidirá, sem recurso, podendo antes admitir a produção de provas no prazo de três dias.
Podem ser julgados suspeitos:
Peritos, intérpretes e os serventuários ou funcionários da Justiça, além dos jurados, sendo a
arguição feita de forma oral.
ATENÇÃO!! Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos
do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
Caso a Autoridade não se declare suspeita, mas de fato seja, isso não gera nulidade
do IP, não havendo consequências no plano do Processo Judicial (STF - HC
121008/DF), mas pode haver repercussão na esfera administrativo-disciplinar.
Exceção de incompetência poderá ser escrita ou verbal.
Art. 110. Nas exceções de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada, será observado,
no que Ihes for aplicável, o disposto sobre a exceção de incompetência do juízo.
Se houver mais de uma exceção a opor, estas devem ser feitas em uma só petição ou
articulado.
As exceções, em regra, não suspendem o curso da ação principal.
DA RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS
Art. 120. A restituição, quando cabível, poderá ser ordenada pela autoridade policial ou juiz,
mediante termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao direito do reclamante. Pouco
importa se o IP está em curso ou já concluído.
§ 2o O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá, se as
coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado para alegar e provar
o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro dois dias para
arrazoar.
§ 3o Sobre o pedido de restituição será sempre ouvido o Ministério Público.
Se após 90 dias do trânsito ninguém for reclamar os bens, haverá leilão.
Sequestro
Art. 125. Caberá o seqüestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da
infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.
Art. 126. Para a decretação do seqüestro, bastará a existência de indícios veementes da
proveniência ilícita dos bens.
O sequestro tem lugar em toda persecução penal.
Nos embargos que discuta o sequestro não haverá decisão senão após a decisão do processo
principal.
O sequestro será levantado:
1 – Se em 60 dias não der entrada na APP;
2 – O terceiro prestar caução;
3 – Extinta a punibilidade.
Art. 134. A hipoteca legal sobre os imóveis do indiciado poderá ser requerida pelo ofendido em
qualquer fase do processo, desde que haja certeza da infração e indícios suficientes da autoria.
Arresto
Em outras palavras, o arresto prévio é a medida preparatória do registro da hipoteca legal, de
natureza pré-cautelar, cuja finalidade é tornar os bens imóveis do indivíduo inalienáveis durante o
lapso temporal necessário para que se possa efetivar a especialização e o registro da hipoteca
legal.
Art. 141. O arresto será levantado ou cancelada a hipoteca, se, por sentença irrecorrível, o réu
for absolvido ou julgada extinta a punibilidade.
INCIDENTE DE FALSIDADE
Art. 145. Arguida, por escrito, a falsidade de documento constante dos autos, o juiz observará o
seguinte processo:
I - mandará autuar em apartado a impugnação, e em seguida ouvirá a parte contrária, que, no
prazo de 48 horas, oferecerá resposta;
II - assinará o prazo de três dias, sucessivamente, a cada uma das partes, para prova de suas
alegações;
III - conclusos os autos, poderá ordenar as diligências que entender necessárias;
IV - se reconhecida a falsidade por decisão irrecorrível, mandará desentranhar o documento e
remetê-lo, com os autos do processo incidente, ao Ministério Público.
Art. 146. A argüição de falsidade, feita por procurador, exige poderes especiais.
Art. 147. O juiz poderá, de ofício, proceder à verificação da falsidade.
Art. 148. Qualquer que seja a decisão, não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo
penal ou civil. LEMBRAR QUE A DECISÃO EM INCIDENTE DE FALSIDADE NÃO FAZ COISA
JULGADA EM PROCESSO PENAL OU CIVIL. E ADMINISTRATIVO?
INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO
Reserva de jurisdição, e pode ser feito também na fase de inquérito.
Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado em manicômio
judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, em estabelecimento
adequado que o juiz designar.
§ 1o O exame não durará mais de quarenta e cinco dias, salvo se os peritos demonstrarem a
necessidade de maior prazo.
§ 2o Se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá autorizar sejam os autos
entregues aos peritos, para facilitar o exame.
DICOTOMIA
Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado era, ao tempo da infração, irresponsável
nos termos do art. 22 do Código Penal, o processo prosseguirá, com a presença do
curador.
Art. 152. Se se verificar que a doença mental sobreveio à infração o processo continuará
suspenso até que o acusado se restabeleça, observado o § 2o do art. 149.
Art. 153. O incidente da insanidade mental processar-se-á em auto apartado, que só depois
da apresentação do laudo, será apenso ao processo principal.