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Susanesb, RL

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124 Revista Brasileira de

Sexualidade Humana
DOI: https://doi.org/10.35919/rbsh.v29i1.51

RESENHA DE LIVRO

SEXOTERAPIA: DESEJOS, CONFLITOS,


NOVOS CAMINHOS EM HISTÓRIAS REAIS

Nathalia Ziemkiewicz1

CANOSA, Ana. Sexoterapia: desejos, conflitos e novos caminhos em histórias reais. São Paulo: Master Pop, 2018.
143 p.

Sexualidade é uma dimensão humana intrínseca Soma-se à diversidade dos personagens e à riqueza
e um intrincado labirinto de “identidade, desejo, impulso dos enredos, a habilidade de Ana em expor fatos costu-
e afeto”. É preciso coragem para se perder deliberada- rando análises profundas “Quanto mais intimidade existe,
mente. Ainda mais para conduzir quem se sente, de certa quanto mais juntos estão, maior e mais individual pode ser
forma, aprisionado. Especializada há mais de duas décadas o prazer do clímax de cada um” e insights, por vezes, hilá-
e referência nacional no tema, a psicóloga e educadora rios... Sobre uma esposa cansada de frequentar festas de
sexual Ana Canosa testemunha pacientes desorientados, swing com o marido, comenta: “Ela estava querendo ficar
às voltas com as próprias inseguranças, segredos e con- um pouco a dois para dar uma variada”. Em outro capí-
flitos íntimos. Em Sexoterapia: desejos, conflitos e novos tulo, ilustra a previsibilidade da vida sexual (conjugal) de
caminhos em histórias reais, ela revisita 15 histórias reais uma professora de 65 anos da seguinte forma: “Seguia um
reveladas entre as paredes de seu consultório, na cidade protocolo mais rígido do que os dos nobres de Versalhes”.
de São Paulo. Talvez o amigo do seu amigo se identifique A linguagem leve e acessível da narrativa induz
com alguma... o correr das páginas. Recomenda-se autocontrole. Até
A despeito das extensas credenciais da autora, porque, na segunda parte de Sexoterapia, a terapeuta
o livro não se trata de um compilado de cases de sucesso aborda “Inadequações e disfunções sexuais”. Ela explica
nem de uma apostila técnica para colegas da área. Muito que, por inadequações, podemos entender as insatis-
menos um guia superficial de autoajuda para determi- fações individuais e os desajustes em relação ao outro.
nadas questões sexuais – da ausência de orgasmos à infi- É o caso do jovem de 18 anos que, a despeito das evi-
delidade. Ana escreve competentes, sensíveis e bem- dências, se sentia dotado de um “pinto muito específico”.
-humoradas crônicas sobre a busca por “saídas”, plurais Ou do homem que se considerava viciado em sexo ao
como o ser humano, no dia a dia da profissão. Afirma que comparar seu desejo com o da esposa.
“a terapia não resolve, elucida; não faz desaparecer, aco- Vaginismo, disfunção erétil e ejaculação retardada
moda; lapida as ferramentas”. Reflexões afiadas – desen- estão entre as disfunções sexuais “perturbações clinica-
cadeadas ao longo de sessões no divã ou na leitura destes mente significativas na capacidade de uma pessoa res-
capítulos – são mesmo ótimas para quebrar tabus concre- ponder sexualmente ou de experimentar prazer sexual”
tizados pela sociedade. retratadas no livro. A autora toma o cuidado de incluir
A primeira parte de Sexoterapia traz “Anseios, passagens didáticas sobre as características da disfunção,
vivências e expressões do amor”. Histórias sobre o desejo suas possíveis causas físicas e emocionais. Quantas pes-
que, nas palavras da autora, “nos mete em enrascadas, soas sabem que a demora do gozo masculino pode ser um
que nos confunde e que muitas vezes nos é ausente”. Por problema de saúde – e não uma “prova de maturidade/
exemplo, o marido que considerava a esposa “travada na virilidade”?
cama” por não compartilhar de seu fetiche. O tímido que, Essas crônicas trazem mais uma perspectiva
aos trinta e tantos anos, não conseguia se aproximar das a respeito da terapia sexual: a abertura e disposição
mulheres. O sofrimento de um homem casado, “pai de do paciente em receber sugestões, testar abordagens,
família”, para assumir sua verdadeira orientação sexual. colocar técnicas em prática. Ou não. Assim como uma
A “dualidade de dor e prazer” na relação da ex-profis- mulher atravessou a cidade para uma sessão em seu con-
sional do sexo que se casou com um ex-cliente. sultório, um homem decidiu fechar-lhe “a porta na cara”
e abandonar o tratamento. Ana não se furta de contar ao

1
Jornalista. Pós-graduada em Educação Sexual pelo Centro Universitário Salesiano (UNISAL). E-mail: [email protected]

RBSH 2018, 29(1); 124-125 2018 SBRASH - Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana
Sexualidade Humana 125
Revista Brasileira de

leitor suas impressões, dúvidas, alegrias e frustrações pro-


fissionais enquanto explora a sexualidade humana. Quem
percorre essas páginas e esses fascinantes labirintos, defi-
nitivamente, não está preocupado com qualquer saída.

2018 SBRASH - Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana RBSH 2018, 29(1); 124-125

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