NECROPSIA
Por Simone Costa
@revisaperito
Erros Comuns em Necropsias
04
Exame externo sumário ou omisso.
Interpretações por intuição.
Falta de ilustração.
01 Sinônimos
Entendimento errado de fenômenos
post mortem.
exame necroscópico Necropsias incompletas.
necropsia Realização de exames à noite.
tanatoscopia Falta de exames subsidiários.
autopsia Imprecisão e dubiedade na causa mortis
necrotomopsia (mais precisa) e respostas aos quesitos.
Incisões desnecessárias.
Necropsia
Obscuridade descritiva.
02 Objetivo da Necropsia
evidenciar a causa mortis
ponto de vista médico e jurídico.
determinar morte violenta, morte
suspeita e fornecer informações
relevantes para a Justiça.
03 Obrigatoriedade
Código de Processo Penal (CPP)
necropsia ao menos 6 horas após óbito
Erros Comuns em Necropsias
04
01 Sinônimos
Exame externo sumário ou omisso.
exame necroscópico Interpretações por intuição.
necropsia Falta de ilustração.
tanatoscopia Entendimento errado de fenômenos
autópsia post mortem.
necrotomopsia (mais precisa) Necropsias incompletas.
Realização de exames à noite.
Falta de exames subsidiários.
Imprecisão e dubiedade na causa mortis
Objetivo da Necropsia e respostas aos quesitos.
02 Incisões desnecessárias.
Obscuridade descritiva.
Necropsia
evidenciar a causa mortis
ponto de vista médico e jurídico.
determinar morte violenta, morte
suspeita e fornecer informações
relevantes para a Justiça.
03 Obrigatoriedade
Código de Processo Penal (CPP)
morte violenta e mortes suspeitas a 04 Prazos
serem esclarecidas
morte violenta: bastará o simples exame necropsia ao menos 6 horas após óbito
externo do cadáver quando salvo se os peritos, pela evidência dos sinais
de morte, julgarem que possa ser feita antes
- não houver infração penal que apurar daquele prazo, o que declararão no auto.
- lesões externas permitirem precisar a causa da morte
- não houver necessidade de exame interno para a
verificação de alguma circunstância relevante.
mortes por causas naturais são
de competência do Serviço de
Verificação de Óbitos (SVO).
costótomos martelo e escopro
01 Instrumental mínimo pinças de dissecção balanças
pinças “dentes de rato” provetas, cálices
aventais plásticos, luvas de borracha facas de vísceras vidros de boca esmerilhada
luvas de malha de algodão bisturi abotoado estiletes e tentacânulas
facas-bisturis ruginas raquiótomo de Amussat
tesouras longas de extremidades em ponta serra de lâmina réguas métricas metálicas
tesouras longas de extremidades rombas serras elétricas ou serrotes paquímetro
agulhas de sutura, linha crua
Medição do cadáver
02 Inspeção Externa Coleta de impressões digitais em cadáveres
desconhecidos.
identificação do cadáver Descrição da rigidez ou flacidez muscular, livores
causa da morte de hipóstase, e outros sinais de morte.
tempo aproximado de morte
local onde o cadáver permaneceu. Exame dos Grandes Segmentos do Corpo
Ordem de exame: cabeça, pescoço, tórax,
Exame de conjunto abdome, membros superiores, membros
descrição de sexo inferiores, dorso e genitália externa.
compleição física Detalhes do exame em cada segmento,
estado nutricional incluindo cabelos, couro cabeludo, face,
estatura e idade presumível pálpebras, boca, pescoço, tórax, abdome,
membros e genitália externa.
Necropsia 03 Inspeção Interna
Avaliação da cavidade vertebral: liquor,
Descrição do processo de abertura da
medula e possíveis traumatismos.
cavidade craniana: análise da dura-máter,
Exame dos órgãos do pescoço, artérias,
cérebro, vasos, e estruturas ósseas.
veias, nervos e estruturas como osso
Abordagem das cavidades torácica e
hioide, laringe e traqueia.
abdominal, com ênfase no coração,
Análise das cavidades acessórias da
pulmões, fígado, estômago, pâncreas, rins,
cabeça, órbitas, fossas nasais, ouvidos e
baço, intestinos, bexiga, útero e ovários.
seios frontais, maxilares e esfenoidais.
Exame das Vestes em
Necropsia Branca Radiologia do Cadáver
Mortes Violentas ou Suspeitas
(Morte de Causa Indeterminada) Exame detalhado de cada peça de roupa,
determinar a causa mortis e Aplicações em docimásia radiológica, identificação começando pelas exteriores.
causa jurídica quando possível localização de projéteis de arma de fogo Descrição de características : cor, feitio,
tempo decorrido do óbito e identificação. diagnósticos pós-morte disposição de botões, etiquetas, tipo de
admite-se em 1 por 200 casos em cadáveres putrefeitos tecido.
Causas: limitações científicas, alterações no cadáver Radiografia simples do crânio antes da necropsia Enfoque especial em manchas: dimensões,
por putrefação e condições na prática do exame. para detecção de fraturas imperceptíveis. número, tonalidades, localizações e formas.
exames complementares quando resultados forem Destaque para soluções de continuidade,
inconclusivos. relacionando-as com vestes sobrepostas ou
Diagnóstico final "causa indeterminada" se todos os feridas no cadáver.
meios disponíveis forem esgotados. fragmentos de pele na face interna das
vestes em orifícios de saída de projétil de
arma de fogo (sinal de Lates e Toyo).
bolsos em busca de objetos, documentos
Exames em Partes do Cadáver ou cartas relevantes.
remoção das vestes: máximo cuidado,
evitando cortes ou rasgos.
membros, órgãos ou fragmentos de tecidos.
indicar natureza de amputações (acidental,
cirúrgica, criminosa).
estabelecer reação vital, energia causadora
do dano e modalidades da lesão.
Necropsia Molecular
Necropsia
examinar função cardíaca em nível molecular.
identificação de causas de morte repentina e
inesperada, não diagnosticados pelos meios
tradicionais.
Desordens genéticas como síndrome do intervalo
QT prolongado e taquicardia ventricular polimórfica
catecolaminérgica podem ser identificadas.
oferece certeza às famílias sobre não ser uma morte
violenta.
01 Recomendações para Atuação Acidentes com Vítimas Múltiplas
Fases do Protocolo Espanhol
Formar equipes especializadas em necropsia
e identificação.
FASE PRELIMINAR
"Comitê de Identificação em Desastres de 01
Massa" multidisciplinar e interestadual. Notificação diretor do IML.
Cooperação entre médicos legistas,
Identificação numérica dos corpos
peritos, e autoridade judicial.
Catalogação de pertences.
Atuação nas áreas de resgate,
Sepultura coletiva para não identificados, deslocamento de sobreviventes, e
com numeração fixada no local do desastre. identificação.
Criação de um centro de informações para Equipes de antropologia envolvidas na
identificação em grandes catástrofes.
consolidar dados e relatos dos familiares.
Elaboração de um Prontuário Identificador
com informações detalhadas para facilitar a FASE TRATAMENTO
identificação.
02 AOS CADÁVERES
Área de levantamento e recuperação
de cadáveres.
Área de depósito de cadáveres no IML
com zonas específicas.
Morte Coletiva Recepção de cadáveres.
Zona de necropsia e identificação.
Zona de conservação e custódia.
e Catastrófica
Zona de custódia de objetos.
desastres, diagnóstico da causa mortis FASE OBTENÇÃO DE
torna-se secundário em comparação 03 DADOS ANTES DA MORTE
com identificação das vítimas.
Locais para informações ao público,
recepção de dados ante mortem,
assistência social, médica e psicológica
aos familiares, e coleta de material.
Triagem e
baseada na gravidade das lesões, necessidades
de atenção e possibilidades de tratamento.
sistemas de classificação como Índices de
valorização
Gravidade de Trauma ou Sistema de
Classificação das Vítimas por Catástrofes.
atender 85% a 95% das vítimas nas primeiras 24
horas após o sinistro.
das vítimas
Classificação de Feridos em
Acidentes com Muitas Vítimas
Grupo I: Graves recuperáveis [prioridade 1]
Grupo II: Graves relativamente estáveis [prioridade 2]
Grupo III: Feridos que podem andar
Grupo IV: Feridos sem poder de locomoção
Grupo V: Mortos no local.
Procedimentos de Prova Material da Identidade Fichas Datiloscópicas e Odontológicas
Exame de Identificação Identificação médico-legal baseada Solicitação imediata das fichas
Detalhes dos tegumentos, em elementos técnicos e científicos. datiloscópicas e odontológicas das
história médica, vestuário, e Necropsia completa e técnicas pessoas envolvidas.
características para identificação. avançadas para determinar idade,
Cuidados especiais na necropsia sexo, grupo racial, estatura, etc.
dos corpos/restos da tripulação.
Separação de Corpos Não Identificados
Sepultura coletiva para despojos não
identificados, numerados para possível exumação.
Documentação rigorosa de corpos relativamente
preservados para patente identificação.
Atestado de Óbito: Anotação em Cartório e Certidão de Óbito: Relatório Médico-Legal:
Documento exclusivo do médico,CID Homologação da justificação permite Elaboração clássica do relatório
Cadáver identificado em desastre de massa solicitar ao Cartório de Registro Civil a médico-legal em corpos
permite atestado de óbito e sepultamento nominal. anotação do documento. relativamente preservados.
não devem fornecer atestados para pessoas não Assentamento da morte e emissão da Descrição minuciosa de partes
identificadas baseados em conjecturas. Certidão de Óbito com ressalvas sobre do corpo com elementos de
Solicitação de justificação judicial em casos de as circunstâncias. identidade.
dificuldade de obtenção de atestado de óbito. Disciplinado pelo artigo 88 da Lei no
6.015, de 31 de dezembro de 1973.
Identificação da Vítima Exame Externo do Cadáver
Necropsia em Casos de Execução Sumária 1. Sistema dactiloscópico: Comparação de 1. Sinais relativos à identificação do morto.
impressões digitais. 2. Sinais relativos às condições do estado de
Perícia isenta de conivência, realizada por 2. Métodos odontológicos: Análise das nutrição, conservação e da compleição física.
peritos capacitados, com preservação do características dentárias. 3. Sinais relativos ao tempo aproximado de morte.
local de morte e cadeia de custódia 3. Meios médico-forenses: Identificação por 4. Sinais relativos ao meio ou às condições em que
essenciais. sexo, raça, idade, etc. o cadáver se encontrava.
Objetivo: assegurar identificação, 4. Meios antropológicos e antropométricos: 5. Sinais relativos à causa da morte.
determinar causa mortis, causa jurídica, Exame de corpos esqueletizados.
tempo aproximado de morte e descrição 5. Estudo do DNA: Utilização do DNA
dos elementos relevantes. forense na identificação.
Meio Insidioso ou Cruel
Exame Interno do Cadáver Descrição e avaliação do emprego de
veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura
ou outro meio insidioso ou cruel.
1. Lesões cranianas, cervicais e
toracoabdominais.
2. Elementos valorizados no
diagnóstico de execução sumária.
Respostas aos Quesitos do Laudo
1. Existem achados médico-legais que caracterizem a prática de tortura
física ou outro meio cruel, desumano ou degradante?
Necropsia
2. Existem achados médico-legais que caracterizem execução sumária?
3. Existem evidências médico-legais que possam indicar ocorrência de
tortura, meio cruel, desumano ou degradante e execução sumária, mas
que poderiam ser produzidas por outra causa?
em casos de
execução sumária
Número de Tiros: Lesões Tegumentares:
Mortes por execução sumária Atenção à presença/ausência de outras
frequentemente envolvem múltiplos lesões para indicar confronto corporal.
disparos (média de 5-6).
Lesões Imobilizadoras:
Regiões Atingidas: Fraturas expostas podem sugerir
Preferência por regiões mortais, como imobilização prévia à execução.
cabeça e precordial.
Investigação de lesões de defesa nos braços Ausência de Indicadores Defensivos:
e mãos. Devido à surpresa ou intimidação, as
lesões de defesa são geralmente
Trajeto dos Projéteis: ausentes.
Avaliação do trajeto em relação à posição da
vítima e do autor. Sequenciamento dos Tiros:
Análise detalhada para identificar entrada, Avaliação, quando possível, da sequência
saída, distância e ângulo. dos tiros para entender a dinâmica.
Posição da Vítima:
Distância dos Tiros:
Importância da posição, especialmente em
Importância devido à predominância
"tiros de misericórdia".
de tiros a curta distância.
Características específicas nos
Contenção da Vítima:
ferimentos de entrada.
Necropsia
Vítimas frequentemente amarradas,
algemadas ou imobilizadas.
Calibre das Armas
Sinais de Tortura:
execução sumária
Autenticidade do Projétil
Lesões variadas sugestivas de tortura, como
Comparação do projétil com arma
escoriações, equimoses, hematomas.
suspeita.
Elementos Valorizados no Diagnóstico Pesquisa de microvestígios orgânicos
Medidas para Dificultar Identificação:
no projétil.
Ocorrência de vítimas carbonizadas para
Perícia no Local dos Fatos: ocultar vestígios e impedir identificação.
Coordenação pela Perícia Criminal.
Coleta de sangue, pelos, fibras, moldes de marcas,
projéteis, cartuchos, e impressões digitais.
Fotografias detalhadas dos locais internos/externos,
cadáver e provas físicas.
Conceito de Morte sob Custódia
mortes q em pessoas privadas de
liberdade, suspeitas de serem violentas.
mortes durante detenção, transferências,
tentativas de fuga, em estabelecimentos
prisionais, recuperação de menores e
manicômios judiciários.
Respostas aos Quesitos do Laudo
Toda morte em delegacias, presídios é
considerada "causa suspeita", sujeita a necropsia.
Perícia em casos de morte sob custódia suspeita
de tortura deve ser feita por peritos
especializados, devem ter investigação criminal e
necropsia.
Virtopsia
Necropsia
Técnica avançada de imagens (ultrassonografia,
tomografia, ressonância) para substituir necropsia.
Críticas incluem alto custo e dúvidas sobre
vantagens em relação à necropsia tradicional.
Argumenta que a virtopsia não substitui a visão
Morte sob Custódia
humana direta e análises microscópicas.
Recomendações para mortes em ambientes de privação de liberdade. Efeito de Álcool e Drogas
Considerações sobre a "cadeia de custódia" das evidências. Mortes após detenção de indivíduos sob efeito
de drogas/alcool são comuns.
Catecolaminas liberadas após estresse,
enfrentamento físico e diminuição de potássio
podem levar a arritmias e morte.
Psicose tóxica ou delírio agitado é uma causa
comum, exigindo internamento.