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Ao Diabo

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Ao diabo.

25 - 06 - 24
Algumas vezes fico pensando oque diria pra você, caso você me procurasse…
Fico também pensando se eu devia pedir desculpas, pelos empurrões na cara e copada que te
dei aquele dia.
Ainda está sendo pesado na minha balança moral se eu te devo desculpas ou se foi pouco diante
tudo que você já fez comigo.
E essa balança me dói muito, pq no final acabo chegando no resultado de que mesmo que eu
não tivesse lhe falado nada aquele dia, mesmo que eu não tivesse expressado nenhuma reação
aquele dia, você iria continuar me machucando.
Uma balança que já veio desequilibrada.
Penso se esse desequilíbrio advém do tanto que eu gostei (e do resto que ainda gosto) de ter te
conhecido, de ter me relacionado contigo… ou se era um desequilíbrio seu em não ter
conseguido me respeitar, diante dos meus sentimentos diversas vezes demonstrados.
Fico pensando o quão difícil deve ter sido pra você, ter que lidar com um garoto apaixonado por
ti. E sabendo que não existe nenhuma lei que nos obriga a cumprir a arte da reciprocidade
afetiva, também senti varias dores (das mais terríveis).
Em vários momentos fiquei ponderando entre as “migalhas de racionalidade” que restavam
dentro da minha mente apaixonada se era pra eu apenas ir embora, te deixar, ou se valia a pena
viver e lutar contra essa balança desfavorável.
E como eu poderia te deixar? Sempre fiquei me perguntando isso… sempre fiquei me
perguntando em como seria desistir de alguém que eu gostava tanto ao invés de tentar mais uma
e mais uma e mais quantas vezes fossem necessárias.
Uma vez você falou comigo que nunca me daria aquilo que eu estava procurando. Na época, a
questão posta na conversa foi a minha relação com meu pai. Eu respondi que não procurava um
pai, ou uma figura que cumprisse com esse papel. Você entendeu e se sentiu “aliviado”.
Hoje, percebo que você estava certo, sobre outra questão, muito mais profunda: Você nunca me
daria algo que eu estava procurando, pois nunca seria recíproca essa relação.
Eu vi que você tentou, que você se esforçou, esforçou até bastante para os seus padrões… mas
no fundo, a resposta era algo que sempre disse, sem me dar conta disso também:
Amar não é se esforçar.
Amar é simplesmente ir, fazer, estar… pq amar é ação, ação que o sujeito quer.
Procurei entender que o seu modo de amar era diferente, menos, menor… ao mesmo tempo não
consegui esconder minhas tristezas em ver que as ações não vinham pela mesma vontade que a
minha (em intensidade, intensão, motivo ou origem).
E algumas vezes a raiva vinha por perceber que você mentia por saber que se fosse sincero
comigo, iria me magoar.
A raiva vinha por que eu não conseguia te fazer sentir sentimento igual ao meu.
A raiva vinha por eu não conseguir simplesmente ir embora, aceitar no coração que eu não
estava sendo correspondido.
Eu tentei “não ver”, “esconder de mim mesmo” as vezes que você mentiu pra mim, as vezes que
as pessoas falaram comigo que você não me amava, as vezes que eu senti que eu era um zero a
esquerda. Tentei mas não fui capaz de fazer isso, não consegui ser ingênuo comigo mesmo.
Explodi contigo várias vezes contigo, e acredite, isso doía mais em mim do que em você.
Doeu em mim todas as vezes que chamei sua atenção, todas as vezes que precisei gritar com
minha alma por um pouco de responsabilidade com os meus sentimentos.
Quando você me disse que nós dois precisávamos equilibrar a relação, entendi de primeiro
momento que eu não podia te amar como eu te amava… que você não queria sentir esse peso (e
claramente você não tinha que tolerar isso) e eu tentei não te amar de modo tão intenso, tentei
seguir a vida sem te incluir no que eu pensava ser valoroso para a relação que queria junto de
você.
E de novo, uma enorme frustração, pois a relação se “estabilizava” pra pior, sempre mais
indiferente, sempre com menos significado.
Eu poderia escrever livros contando todos os casos em que me senti verdadeiramente como um
lixo.
Das centenas de vezes que me perguntei:
Será este o preço pra ter uma relação com ele? Será que namorar com ele é aguentar isso tudo?
Será que eu tenho que pagar tão caro para namorar com ele?
E muitas vezes vinha o sentimento junto ao seu olhar de que “eu deveria me sentir privilegiado
por estar te namorando, e que você faria absolutamente tudo para demonstrar o quão a minha
participação era meramente para tapar sua carência dos domingos à noite, quando a preguiça
em ter que socializar com alguém para poder transar se resolveria em comer o único que está
100% disponível.”
Quantas vezes me perguntei com seus olhares de superioridade se eu era digno de alguma coisa
sua, se pra namorar contigo era ter que me pôr como um objeto, um saco de porra, um
masturbador, só acionado nas horas de descarrego solitário.
Foram tantas as vezes em que vi meus sentimentos sendo ignorados que perdi as esperanças…
e nada mais fazia sentido.
Me culpabilizo inteiramente por ter tentando me matar, por ter tido um pensamento em que nada
mais fazia sentindo (não conseguir ter paciência com meus pais, ter que abrir mão de certos
preceitos arquitetônicos por causa de dinheiro, ver meus melhores amigos brigados comigo por
causa de uma história distorcida, e por final, ver que eu não era nada pra pessoa da qual me
dediquei imensamente).
Aquele dia eu só queria para de me sentir frustrado, de parar de dar o meu melhor, e sentir que o
meu melhor estava sendo insignificante.
Foi difícil recolher os cacos e reconhecer que esse surto não era motivo para morrer, era motivo
para desistir das expectativas e dores que me levavam a isso.
Quando conversamos, tive muitas das certezas contidas neste texto: de que você não me amava
como eu te amava, que eu teria que me contentar no papel de dona de casa submissa e que
você você queria ter algo comigo (conforme seus termos).
E quando te vi, minhas convicções em sair do relacionamento se misturaram com todos os
momentos bons que havia passado junto de você. E sempre foi isso… Me lembrar do quanto eu
gostava de estar com você, o tanto que eu te achava bonito, o tanto que eu sentia tesão em
você, o tanto que eu admirava suas qualidades, o tanto que eu me divertia em ver suas
dancinhas, o tanto de locais e gostos pela boémia que compartilhamos.
E sempre vinham as perguntas: “por que você namora comigo?”
E eu sempre disse tudo isso.
Sempre escutei como primeira resposta:
“Porque você me trata bem”
“Porque você me olha de um jeito afetuoso”.
E no final de tudo era isso… eu te namorava porque eu te admirava, você me namorava porque eu
te admirava.
No resumo, era tudo uma questão de ego.
Me vi várias vezes entrando em competições nas quais eu não queria entrar, e hoje percebo que
era apenas uma resposta diante de um silenciamento que nunca poderia vir de alguém que “me
admirasse”. Uma mordaça que fecha a boca do escravo mas não o impede de trabalhar para
sustentar o senhor.
Quando você terminou comigo pela primeira vez doeu bastante, mas busquei compreender que
para você, nem como um mero escravo valia a pena me ter como namorado.
Foi duro deixar de te amar, mesmo você permanecendo sendo um convarde comigo.
E com o passar do tempo, fui percebendo que os olhares e falas dos seus amigos. Falas e gestos
que me mostraram que você realmente não me queria… que eu era apenas um garoto que você
comeu por um tempo… que foi apresentado para a turma, por mera conveniência.
E de repente, eu estava bem. Pensava muito menos em você, e mesmo quando eu pensava,
vinham os sentimentos bons.
Você mandou mensagem no dia dos namorados me pedindo desculpas e nos encontramos
depois.
Foi depois dessa conversa que eu chorei pela primeira vez, um choro que estava entalado, algo
mal resolvido que finalmente foi resolvido. E nossa última frase, foi um “quem sabe no futuro a
gente se reencontre”.
Acredito que esse reencontro, na verdade, deveria ter sido como toda a nossa história:
Encontros e reencontros momentâneos para transar - e só.
Sei que você queria o melhor pra mim, sei que me queria bem, mas também sei que esses
sentimentos você tem por várias das pessoas com quem você transa. E por fim, deveria ser
isso… um querer bem de alguém que te dá prazer momentâneo… um P.A.zinho.
Pensei muito quando voltamos a nos falar, quando voltamos a conversar muito, a nos encontrar e
a dormir juntos.
E todos esses pequenos momentos (de P.A.’s) me fizeram lembrar do quanto eu te admirava, do
quanto eu te amava, do quanto eu queria construir algo contigo. Infelizmente, também sabia de
todas as dificuldades em ter algo contigo.
Quando já estávamos nos encontrando com certa frequência, te perguntei em um momento de
troca de carinhos em público se você queria namorar comigo.
E aquilo foi uma pergunta, não foi um pedido. Foi uma pergunta que fiz para entender quais eram
os próximos passos… pois eu não estaria mais disposto a ter a relação da qual tínhamos no
passado.
E eu realmente acreditei na sua resposta imediata - sim.
E dessa volta, realmente tiveram momentos muito bons. Momentos em que realmente senti que
estava em um relacionamento de verdade contigo. Onde havia um querer maior da sua parte.
Até que vieram as primeiras repetições de padrão.
Mentiras, omissões, manipulações, rebaixamentos, silenciamentos, pouco caso de mim.
Percebi mais uma vez, de novo, que eu estava fazendo mais por você do que você por mim. Mais
uma vez a pergunta “por que você me namora?”
E mais uma vez as mesmas respostas.
-Eu te namoro pq eu te admiro
-Eu te namoro pq você me admira
Eu havia prometido a mim mesmo não esconder as coisas que eu sabia. Prometi não me cegar,
não me iludir.
E vieram as discursões, as brigas, as indiferenças.
A última frase que me lembro sobre nosso relacionamento veio de você para mim:
“Você é minha certeza”.
Você disse isso depois que eu te questionei sobre “querer noivar” invés de “querer casar”.
Essa frase soou na hora com muita dor.
Muita dor pois eu sabia que sua intenção era falar sobre segurança no relacionamento.
Muita dor pois eu sabia que essa segurança era apenas eu que bancava. Era o fato de você
continuar fazendo de tudo sem pensar nos meus sentimentos que eu continuaria ali, sendo o seu
porto-seguro, sendo a pessoa que iria cuidar de você quando passasse mal em uma festa mas
que o inverso não aconteceria.
O porto-seguro âncora o barco, mas o barco nunca consegue puxar ou arrastar o porto.
E no fundo era essa dor… saber que você é um barco, navegando, parando de porto em porto,
recarregando suas energias e num eterno boiar sobre as águas, estando ou não atracado.
Ainda dói muito ter abastecido o barco e ter recebido poucas mercadorias no meu píer.
E de novo a raiva.
Raiva pela injustiça, raiva por justiça, raiva pra tomar de volta oque te dei.
Sentimento pouco cristão… mas infelizmente não sou Jesus para dar-lhe as duas faces.
E claro, como um ocidental qualquer, carrego comigo certa dosagem de culpa.
Culpa por não ter sido cristão.
Nenhuma culpa por “perder a razão”, pois já não havia razões em ser um porto que abastece o
navio e ganha tiros de canhão em troca.
Dói muito confirmar, mais uma vez, a sua previsibilidade… 6 meses solteiro, namorar uma pessoa
branca, endinheirada, de traços e tratos dóceis.
Dói muito confirmar que cada vez mais você escolhe namoros longínquos a você mesmo (quase
como se fosse uma forma de se proteger): de primeiro, uma professora (superior
hierarquicamente); um estudante (igual porém com outra realidade); alguém da turma de amigos
(complicado pois envolveu muita gente); novinho da cidade (mais fácil de ludibriar); agora,
alguém de outra cidade (cômodo, útil, pouco estressante).
Dói pensar que o jovem Thiago, já pode ter se dado pra alguém, que o coração desse jovem
sagrou por alguém. Que hoje, seja quase uma sina, tentar se proteger de qualquer tipo de
sofrimento… que o amor genuíno tenha sido trocado por comodidades egocêntricas.
Dói muita coisa.
E apesar da rima, prefiro o amor invés da dor.
Um sentimento cristão.
Guardarei os bons encontros e reencontros.

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