ROTEIRO JORGE AMADO
Cena 1- apresentação de Jorge Amado
(JORGE AMADO entra em cena já falando, durante a sua caminhada até a cadeira)
Jorge: Olá, senhoras e senhores! É um prazer conhecê-los. eu sou Jorge Amado,
que talvez vocês não conheçam ainda. Digo ainda, porque cá estou eu contando
minha história pra vocês (fala baixinho) e espero em Oxóssi, meu Deus do
candomblé, que depois daqui vocês possam apreciar minha arte.
(JORGE AMADO senta na cadeira)
Jorge: Bem, já começo dizendo que sempre fui um rapaz doido pela escrita, na
idade de vocês eu escrevia para vários jornais. E, aos 19, lancei “o país do
carnaval” ... Ah, e antes que eu me esqueça, sou doido por política.
(Mexe na máquina de escrever)
Jorge: Mas enfim, tenho que terminar meu novo livro. O nome é Gabriela, cravo e
canela. Esse vai dar o que falar, até porque...
(é interrompido por Matilda)
(Matilde entra)
Matilde: JORGE!, Oh Jorge!
(JORGE suspira, chateado)
Jorge: (se vira para o público, apontando para a mulher) Esta é Matilde, minha
primeira esposa. Depois que nossa filha morreu ela se tornou uma baranga! Opa,
perdão, agora são tempos “politicamente corretos”. Enfim. Ela me aperreia o juízo.
Matilde: Cara feia pra mim é fome! Bora, Jorge, estou aqui para buscar o resto das
coisas de nossa filha.
(MALTIDE se inclina para olhar a máquina de escrever)
Matilde: Já escrevendo outra obra? Cuidado pra não ter que se exilar novamente.
Jorge: Sim. A história gira em torno de Gabriela, uma jovem retirante que chega à
cidade em busca de uma vida melhor. (Tom irônico) Gostou, fofa? Ela vai causar um
verdadeiro furdúncio…
(A cortina se fecha)
GABRIELA, CRAVO E CANELA:
CENA 1: chegada de Gabriela em ilhéus
NARRADOR: Ilhéus, uma cidade cheia de regalias da sociedade e comandada por
coronéis, nunca imaginará que com a chegada da jovem Gabriela terá que mudar
toda a sua forma de ver o mundo.
GABRIELA
(com uma expressão de alívio, respira fundo)
— Finalmente… Ilhéus.
(Um pescador coça a barba, com um sorriso malicioso.)
PESCADOR
(como se falando para si mesmo)
— Vixe, que flor que o sertão trouxe pra cá…
(Gabriella vai andando e falando com quem passa)
VENDEDOR DE FRUTAS
(sorrindo, de forma amigável)
— Quer provar, moça? Tá docinho que só.
GABRIELA
(sorrindo, devolve o caju)
— Outro dia, quando eu tiver uns trocados.
(UMA MULHER, vestida com roupas mais finas, cruza os braços e murmura para a
amiga ao lado.)
MULHER NO MERCADO
— Quem será essa daí? Parece que acabou de chegar do mato… (com desdém)
Uma dessas que vem caçar marido.
Fecha a cortina
CENA 2- Gabriela conhece Nacib
NARRADOR: Nacib, homem de negócios e imigrante sírio, estava sempre
preocupado com o bar, que tanto amava. Mas naquele dia, havia algo a mais: ele
estava desesperado. Sem cozinheira, o Vesúvio estava à beira de um colapso
(no bar Vesúvio)
(Nacib está no balcão preocupado)
(Gabriela entra)
NACIB
(surpreso, tentando disfarçar)
— O que deseja, moça?
GABRIELA
(sorridente, mas direta)
— Vim saber se o senhor tem trabalho. Ouvi dizer que precisa de cozinheira.
(Nacib se endireita, ainda surpreso com a beleza natural de Gabriela. Ele tenta
parecer profissional, mas está visivelmente encantado.)
NACIB
(confuso, mas esperançoso)
— Cozinheira? Você sabe cozinhar?
GABRIELA
(sorrindo, com confiança)
— Desde menina. De tudo um pouco: carne de sol, vatapá, moqueca… posso fazer
uma prova, se quiser.
(Nacib, agora mais atento, hesita por um momento. Ele avalia Gabriela, não
acreditando que uma moça tão jovem e despretensiosa possa salvar seu bar.)
NACIB
(desconfiado, mas sem opção)
— E se não der certo?
GABRIELA
(dando de ombros, sorrindo)
— Se não gostar, eu vou embora. Mas acho que vai gostar.
(Nacib, convencido pela simplicidade e confiança de Gabriela, dá um leve sorriso.)
NACIB
(suspirando)
— Está bem. Vamos ver o que você sabe fazer.
(Gabriela da alguma coisa pra ele provar)
NACIB
(satisfeito)
— É ela… Gabriela. A nova cozinheira.
(Gabriela vira-se e sorri, sem muito alarde, como se já soubesse que isso
aconteceria.)
GABRIELA
(simplicidade)
— Que bom que gostou.
NACIB
(apontando para a trouxa de roupas dela)
— Amanhã, pode trazer suas coisas. Você já tem um emprego, se quiser.
(Gabriela olha para Nacib, surpresa, mas grata. Ela hesita por um momento, como
se estivesse processando a ideia.)
GABRIELA
(sorrindo, com os olhos brilhando)
— Eu quero.
Fecha cortina
CENA 3: assassinato de Sinhazinha
NARRADO: Enquanto Gabriela entrava naquela sociedade conta a sua vontade,
outros só queriam se livrar dela. como Sinhazinha Guedes Mendonça, uma senhora
da alta sociedade de ilhéus. Casada com o coronel Jesuíno Mendonça, Sinhazinha
vive uma vida aparentemente respeitável, mas infeliz. Ela se sente sufocada pelo
casamento opressivo e pela rigidez moral da sociedade. Em busca de amor e
liberdade, ela inicia um caso amoroso com o dentista Osmundo Pimentel. Só que
tudo muda quando eles são descobertos.
(Sinhazinha e Osmundo deitados na cama)
SINHAZINHA: Parece que o tempo para quando estamos juntos… ninguém pode
nos tirar isso.
(sorrindo, com os dedos entrelaçados aos de Osmundo)
OSMUNDO: Se pudesse, te levaria para longe daqui, para vivermos nosso amor em
paz.
(acariciando o rosto dela, com ternura)
(barulho de porta abrindo)
JESUÍNO: Traidores. Na minha cama.
(calmo, mas com uma fúria contida):
SINHAZINHA: Jesuíno, por favor… me escute…
(desesperada, tentando se aproximar dele):
OSMUNDO: Coronel, ela não merece isso. Foi o amor que nos uniu. Escute o que
estou dizendo!
JESUÍNO: Amor? Não existe amor que desonre um homem.
(sem se abalar, levantando o revólver):
(Jesuíno atira em Osmundo)
SINHAZINHA: Não! Osmundo!
(gritando, caindo de joelhos ao lado do corpo)
(ainda com o revolver, mata ela)
(Cortina fecha)
CENA 4: Casamento de gabriela
NARRADOR: Mas tudo começa a mudar Com o Boom do cacau e a chegada de
novos moradores que trouxeram a influência de ideias progressistas, o que altera a
estrutura social de Ilhéus. As tradições e os valores conservadores são desafiados,
e Gabriela é Nacib finalmente podem misturar suas personalidades e pensamentos
em uma união.
Dona Arminda: Você está linda, Gabriela. Nacib vai perder o fôlego quando te vir.
(enquanto ajusta o vestido)
Gabriela: Eu só quero que ele fique feliz…, mas não entendo porque preciso de um
vestido e tantas coisas.
(com um sorriso leve, mas sem muita euforia)
(Nacib do outro lado do palco)
Tonico Bastos: Calma, Nacib! Logo, logo sua morena vai estar ao seu lado… e aí
começa a vida de casado, meu amigo!
(batendo nas costas de Nacib, brincalhão)
Nacib: Eu só quero que tudo dê certo… que ela seja feliz comigo.
(respirando fundo)
(Tonico e Arminda sai e Nacib e Gabriela se olham)
(música de casamento toca)
Nacib (sussurrando para si mesmo, encantado):
“Gabriela… que mulher.”
Gabriela (chegando perto de Nacib, com um sorriso leve):
“Eu estou aqui, Nacib.”
PADRE: Eu vos declaro marido e mulher
(cortina fecha)
JORGE:
(Jorge aparece na frente da cortina e canha até centro)
Jorge: essa aí foi um dos meus maiores sucessos, teve até novala sabia?
(cortina abre com novo cenário, com Zélia sentada e lendo um papel)
Zelia: oxe, Jorge e agora deu pra falar sozinho?
Jorge: oh Zelia, minha amada!
Zelia: amada nada, nossa filha tá na fase aborrecente e você só pensa em escrever
Jorge: como minha esposa bem disse, só penso em escrever e agora estou
escrevendo uma obra incrível.
(senta na máquina de escrever)
Jorge: o nome é dona for e seus dois maridos, conta a história de uma moça, que
vive com o seu marido atual e a alma do seu ex conjuge.
(cortina fecha)
PEÇA Dona Flor e seus Dois Maridos
NARRADOR:
O livro de Jorge Amado começa pela morte de Vadinho, o primeiro
marido de Flor. Mas, como aqui prezamos pela totalidade dos fatos,
preferimos apresentar o casamento de Flor e Vadinho antes dele morrer.
Assim, nessa ordem cronológica dos fatores, esperamos a melhor
compreensão do telespectador sobre as problemáticas da obra!
CENA 1: O Último Carnaval de Vadinho
FLOR (balbuciando para si mesma): Vadinho... sempre assim. Como é
que ele ainda tem energia? Parece que é movido a cachaça.
(Sua mãe, cruza os braços e balança a cabeça com desgosto. )
MÃE: Tá vendo, Flor? Esse tipo de homem só dá desgosto. Se brincar,
ele vai morrer assim mesmo: dançando e se fazendo de besta.
Flor suspira, olhando para Vadinho, que agora tenta rodopiar com duas
mulheres ao mesmo tempo e quase cai no processo.
FLOR (triste, mas conformada): Eu sei como ele é, mãe. Jogador,
vagabundo, mentiroso... Ele some por dias, gasta tudo no jogo, jura que
vai mudar e... eu caio direitinho. Acreditar nele é igual esperar que uma
promessa de bêbado valha alguma coisa.
(Sua mãe bufa de impaciência. )
MÃE: E por que você ainda fica com esse traste?
FLOR (dando de ombros): Porque, mãe... Ele pode ser traste, mas é
meu traste. E, no fim das contas, ele me faz rir.
(Nesse momento, Vadinho se aproxima, cambaleando, com um sorriso
descarado. )
VADINHO: Ô, minha Florzinha... Você tá tão séria aí. Vem cá, mulher! O
Carnaval é nosso! Eu prometo que, dessa vez, vou dançar só com você!
(Flor revira os olhos, mas sorri sem conseguir evitar. )
FLOR: Promete, né? Igual quando você prometeu que ia parar de
apostar e acabou perdendo até o relógio da família?
VADINHO (rindo): Ihh, mas quem liga pra relógio? No Carnaval, o tempo
nem existe!
Vadinho se joga em mais uma dança, rindo como se nada no mundo
pudesse ser sério. Mas então ele tropeça de novo e leva a mão ao
peito. A dor o atinge de repente, mas ele tenta disfarçar, porque, claro,
até morrer é uma oportunidade para fazer graça.
VADINHO (ofegante): Ai, ai... Isso é o quê? A cachaça que virou suco
de pedra?
(Flor percebe que algo está errado e corre até ele. )
FLOR: Vadinho, o que foi? Tá brincando de novo, né?
VADINHO (forçando um sorriso): Claro, meu amor... Só tô fazendo
charme! Quer me carregar no colo?
(Mas logo ele cambaleia e cai de joelhos. Giovane e os outros amigos
se aproximam. )
GIOVANE: Vadinho, tá de sacanagem?
VADINHO (com dificuldade): Parece que o carnaval acabou pra mim,
companheiros...
(Flor segura a mão dele, preocupada. )
FLOR: Não faz isso comigo, Vadinho! Fica comigo, vai!
(Vadinho tenta dar seu último show, mesmo com as forças se esvaindo.
)
VADINHO (sorrindo fraco): Eu te fiz raiva, Flor... Mas, admita, também te
fiz dar umas boas risadas. Eu sou vagabundo, mas sou um vagabundo
divertido.
(Flor balança a cabeça, meio chorando, meio rindo. )
FLOR: Idiota...
VADINHO (num último suspiro): Pois é... Mas sou o teu idiota.
(Ele respira fundo, ainda tentando manter a pose de malandro, e
sussurra com seu sorriso final. )
VADINHO: Só queria... mais um último Carnaval...
(E então ele apaga, ainda com um sorrisinho no rosto. Flor o encara por
um momento, segurando o riso e as lágrimas ao mesmo tempo,
enquanto a música do Carnaval continua ao fundo, alheia ao drama. )
FLOR (soltando um suspiro irônico): Ele tinha que sair assim... Fazendo
piada até na hora de morrer.
(fecha cortina)
NARRADOR:
“Assim, Vadinho se despede, mas a morte não foi capaz de afastá-lo por completo.
Seu espírito inquieto, cheio de malícia, ainda permanece ao lado de Flor. A vida dela
continua, mas Vadinho se recusa a ser esquecido.”
CENA 2: O Luto e a Transição
(FLOR está diante do caixão de VADINHO, rodeada por amigos e
vizinhos. Sua mãe, ao fundo, murmura baixinho.)
MÃE: Era questão de tempo. A morte veio tarde demais pra esse
vagabundo.
(DONA NORMA se aproxima de FLOR, que está em prantos.)
NORMA: Flor, agora você precisa seguir em frente.
FLOR (em soluços): Eu sei, Norma… mas ele era meu tudo.
NORMA: Ele era um bom varão…
FLOR (chorosa): E que varão! (Chora mais)
(FLOR olha para o caixão de VADINHO, a confusão de sentimentos
visível em seu rosto.)
NARRADOR:
“Com a morte de Vadinho, Flor procura uma nova forma de viver. É
então que surge Theodoro, um homem simples, que oferece a ela o que
Vadinho nunca pôde: segurança, estabilidade e paz.”
CENA 3: A Tranquilidade com Theodoro
INT. COZINHA – TARDE
(FLOR está na cozinha, mexendo em uma panela. O aroma do cozido preenche o
ar. THEODORO entra e sorri ao vê-la.)
THEODORO: Que cheiro bom! Você realmente é uma bênção, Flor.
(FLOR se vira, um leve sorriso surge em seu rosto.)
FLOR: (brincando) É só um cozido simples, querido.
THEODORO: Simples ou não, é tudo o que eu preciso. Conto os minutos pra voltar
pra casa e te encontrar.
(FLOR olha para ele, um brilho de felicidade em seus olhos, mas com uma leve
hesitação.)
FLOR: Você me faz feliz, Theodoro. Mas... ainda é estranho às vezes.
THEODORO: (aproximando-se) É normal, Flor. Estou aqui para o que você precisar.
(FLOR se afasta da panela e o observa.)
FLOR: (sorrindo) Quer experimentar?
THEODORO: (provando um pouco) Hmmm, perfeito! Você devia abrir um
restaurante.
(FLOR ri, sentindo a leveza do momento.)
FLOR: Se eu abrir, você será meu crítico!
THEODORO: Estarei lá, pronto para provar tudo.
(FLOR sorri, e seus olhares se cruzam, a tensão entre eles aumenta.)
THEODORO: Quero construir algo bonito ao seu lado, Flor.
FLOR: (com um sorriso esperançoso) Eu também quero isso.
(THEODORO segura a mão dela, entrelaçando os dedos, selando a promessa de
um novo começo. Eles saem de cena de mãos dadas)
NARRADOR:
“Mas, apesar da tranquilidade que Theodoro lhe oferece, Flor ainda carrega as
marcas de Vadinho. Ele pode ter partido, mas sua presença continua viva nos
pensamentos e nos desejos dela.”
CENA4: O Aparecimento de Vadinho
( Dona Flor, enquanto segura a foto dele com as mãos trêmulas, os
olhos perdidos em saudade.)
FLOR: Ah, Vadinho... Sem você, é como se um pedaço de mim tivesse
ido embora, e nada neste mundo consegue preencher esse vazio.
(De repente, um vento forte faz as cortinas dançarem, e a figura p de
VADINHO aparece ao pé da cama às costas de FLOR)
VADINHO: Flor, minha bela, você realmente achou que eu ia ficar
longe? A vida sem você é um carnaval sem samba!
(Dona Flor se levanta, surpresa e emocionada, mas também confusa. A
presença de Vadinho a faz lembrar da paixão intensa que eles
compartilharam. Ela olha para ele com um misto de amor e hesitação.)
FLOR: Vadinho... Mas como você pode estar aqui? Não pode ser você
morreu e eu... eu estou com Teodoro agora.
(Vadinho avança, com um olhar malicioso e sedutor, como se estivesse
prestes
a dançar.)
VADINHO: Teodoro? Aquele bocó só tem tamanho (ele sinaliza com a
mão) Ele é
(Dona Flor fica em silêncio, presa entre as lembranças do amor vibrante
que teve com Vadinho e a segurança que Teodoro oferece.)
FLOR: Eu não sei, Vadinho. Eu amo o que você me faz sentir, mas
também valorizo a estabilidade que o doutor me dá.
(Vadinho dá um passo mais perto, segurando a mão dela e olhando nos
olhos dela.)
VADINHO: Flor, você pode ter o melhor dos dois mundos. A paixão e a
segurança. O que você realmente deseja?
(Dona Flor hesita, olhando entre Vadinho e a porta, onde Teodoro pode
entrar a qualquer momento. Sua expressão reflete a confusão, o desejo
e a necessidade de escolher.)
FLOR: Eu... preciso de tempo. Não posso simplesmente decidir.
(Vadinho sorri, seu charme inegável brilhando na penumbra.)
VADINHO: O tempo é uma ilusão, meu amor. Venha comigo e sinta a
vida como ela deve ser!
(Vadinho dá um beijo na bochecha de Dona Flor e sai pelo outro lado,
passando por uma FLOR estática e assustada. O NARRADOR entra na
frente de FLOR e só ai ela sai)
NARRADOR:
E assim, como um sopro do passado que teima em não se apagar,
Vadinho se fez presente mais uma vez, com seu sorriso malandro e
olhar cheio de promessas. Mas agora, Flor se via dividida, presa entre
dois mundos: o da lembrança ardente e desregrada de Vadinho e o da
segurança serena que o novo marido prometia. O coração, inquieto,
oscilava entre o desejo e a razão, enquanto o tempo, implacável, exigia
uma escolha.
CENA5: A DECISÃO DE DONA FLOR
(Dona Flor está na cozinha, mexendo em uma panela de feijão. A luz do
sol entra pela janela, iluminando o ambiente aconchegante. Ela parece
pensativa, mas há um leve sorriso nos lábios. De repente, o espírito de
Vadinho aparece, nu e provocante, recostado na pia.)
VADINHO (com um sorriso malicioso): Hum, Flor... Essa comida tá com
um cheiro bom demais. Quer que eu te ajude a mexer... ou prefere que
eu faça um estrago diferente na cozinha?
FLOR (revirando os olhos, mas sorrindo): Ah, Vadinho... Vem pra cá só
pra me atrapalhar, né? Não tem um carnaval pra você se jogar por aí?
VADINHO(dando uma volta na cozinha): Carnaval? A festa é aqui! Você
sabe que sou o rei da folia! Agora, vamos falar de amor. Você vai ficar
com o Dr. Teodoro, esse bonitão sério, ou vai escolher um vagabundo
como eu?
(Flor dá uma risadinha e balança a colher de pau.)
FLOR: Olha, entre um médico e um malandro que desaparece quando
mais preciso... Difícil, hein?
VADINHO(se aproximando, com olhar provocante): Difícil? Pensa bem,
Flor! Eu sei como fazer você feliz é o último minuto! Teodoro pode curar
as suas feridas, mas eu... eu trago a festa!
FLOR (suspirando, divertida): É verdade. Teodoro é um bom partido,
mas você me faz sentir viva.
(Nesse momento, Teodoro entra na cozinha, interrompendo a conversa.)
THEODORO (sorrindo): O que está acontecendo aqui? Um assalto à
minha cozinha?
FLOR(com um sorriso travesso): Nah, só um leve confronto entre o bem
e o mal!
THEODORO(confuso): Bem e mal? O que você quer dizer, Flor?
FLOR(brincando): O Dr. Certinho, que só sabe cozinhar sem tempero,
ou o malandro que é mais fogo que feijão!
VADINHO(interrompendo): Eu sou o feijão com tempero, Teodoro! Você
só adiciona sal, meu amigo!
THEODORO (arqueando uma sobrancelha): Ah, é? Então me diga,
Vadinho, qual é o seu tempero secreto?
VADINHO (com um sorriso atrevido): Alegria, paixão e um pouco de
cachaça!
(Flor ri, olhando para os dois homens, sentindo-se animada e confusa.)
FLOR (pensativa): Hmmm, paixão ou estabilidade? O que fazer?
THEODORO*com um sorriso suave): Flor, você não precisa escolher. O
que importa é que você esteja feliz.
VADINHO (com um olhar malicioso): Isso mesmo, Flor! Seja como eu e
leve a vida na alegria. Você pode ser a rainha dos dois mundos!
FLOR(olhando para Vadinho, depois para Teodoro): Sabe de uma
coisa? Talvez eu não precise escolher.
(Ela dá um passo à frente e olha para os dois com um sorriso largo.)
FLOR: Teodoro, você me dá a paz que eu preciso... e Vadinho, você é o
fogo que me faz viver! Por que não ter os dois?
VADINHO(brincando): Isso é o que eu chamo de vida boa!
THEODORO (rindo): Então, você decidiu? Que mulher mais moderna!
FLOR (com um sorriso travesso): A vida é curta demais para não
aproveitar, certo? Agora, vamos cozinhar essa festa!
(Ela dá uma colher de pau a Vadinho, que a aceita com um sorriso
satisfeito, enquanto Teodoro a observa, rindo da situação.)
NARRADOR:
E assim, entre o calor dos desejos e a paz da razão, Dona Flor
encontrou seu próprio caminho: não precisou escolher entre um amor
ou outro, mas entrelaçou ambos no ritmo do seu coração. E enquanto
seguia em frente, ora com a segurança de um marido, ora com a
lembrança ardente de um fantasma, descobriu que, afinal, viver é
dançar com todas as nuances do amor – sem nunca abandonar a si
mesma.
JORGE:
Jorge: essa obra pode até ser meio complicada de entender, uma mulher ficar com
um fantasma e um medico ( da uma risada de canto ) intrigante não acham, mas me
fez ganhar tanto reconhecimento que ganhei esse premio e muitos outros.
(paloma fala do palco olhando pra maquina de escrever)
Paloma: nossa pai, um dia quero escrever como o senhor. isso tá muito bom,acho
até que vai ser sua melhor obra.
Jorge: viu ai, paloma minha filha? A historia de uma jovem que é expulsa de sua
cidade natal, pelo seu própio pai, por causa do seu comportamento "inadequado",
vai revolucionar a literatura.
(Cortina Fecha)
Tieta do Agreste
Nº de Cenas: 5
CENA 1 – Passado
Narrador: Santana do Agreste, uma pequena cidade do sertão baiano marcada
pelo conservadorismo e pelas intrigas. Nesse cenário repleto de personagens
peculiares, existe Tieta, uma mulher destemida e cheia de vitalidade, mas que não
se encaixa no estilo de mulher que vive em Santana.
(cortina abre)
(Tieta estava pastoreio de seu pai, andando de um lado para o outro com as cabras
ao seu redor. Osnar entra em cena por trás dela e ela se vira com animação)
Tieta: “Meu amor!”
(Tieta se joga de corpo e tudo para cima de Osnar para ele pega-la firmemente. Ele
coloca uma das mechas do cabelo dela para trás)
Osnar: “Sabia que iria te encontrar aqui, minha linda.”
(Tieta sorri)
Tieta: “Tive que pular a janela do meu quarto escondido de meu pai, mas
consegui!”
Osnar (brincalhão): “Você é uma menininha do papai...”
Tieta: “Hã, devo ser mesmo. Ele me prende demais!”
Osnar: “Não julgo o velho. Você é o pedacinho de pítel mais charmoso que eu já vi.”
Tieta(toda sorrisos): “Osnar, assim você me deixa tímida...
Osnar: “Mas é verdade, meu amor... (ele alisa a lateral da face dela. Mas depois,
aproveita a mão próxima e a puxa pelo cabelo) Agora, eu vou te mostrar o motivo de
ter vindo.
Tieta(manhosa): “E qual é?”
(Osnar a pega pelos braços, suspendendo-a no colo. Eles riem. Ele a leva para fora
de cena.)
Efeitos CÊNICOS finais: QUADRADO DE CENSURA GRANDE
CENA 2 – O surto de Zé Esteves
(Tieta estava aos beijos com Osnar. Zé Esteves entra em cena procurando pela
filha)
Zé Esteves: “Tieta!”
Tieta(sussurrante): “Osnar, meu pai!
Zé Esteves: “ANTONIETA, O QUE ISSO SIGNIFICA?!
(Zé Esteves pega Osnar pela gola de sua camisa, o arrastando para longe de Tieta
com um grunhido de raiva)
Tieta: “Pai! Pai! POR FAVOR NÃO!”
Zé Esteves: “Seu cabra safado! Se não sumir de minha vista agora, eu lhe quebro a
fuça, desgraçado!”
(Osnar sai cambaleando do aperto do homem)
Osnar: “EU VOU! Mas eu volto por ti, meu amor!”
Zé Esteves: (resmungando) “Arrhh, sai daqui maldito! (mardito) Quem era aquele,
Tieta?!”
Tieta: “Pai... eu posso explicar! Ele era meu namorado, o Osnar!”
Zé Esteves: “Namorado de filha minha se chama palmatória! Não quero saber de
diacho de macho nenhum!”
(Perpétua entra em cena atras de Zé Esteves, intrigada)
Perpétua: “O que aconteceu? Que gritos são estes?”
Zé Esteves: “Sua irmã está se engalgando com um homem!”
(Perpétua ri ironicamente)
Perpétua: “A pergunta é qual deles!”
Zé Esteves(se virando): “Como é a história?”
Perpétua: “É isso mesmo, pai!”
Tieta(revoltada): “Perpétua!”
Perpétua(debochada): “Tô’ mentindo? Não! Sua fama é conhecida, mana! Todo
mundo diz que você é a catraca da cidade, todos já passaram a mão uma vez...
Zé Esteves: “AHH MAS QUE ABSURDO!”
(Zé Esteves pega a filha pela orelha e a puxa para baixo enquanto Tieta grita de dor.
Ela foge do aperto violento do pai, enfurecida com a irmã)
Tieta: “Cala a boca, Perpétua! você já nasceu assim, uma fubanga, nem sei como
vai conseguir se casar!
Zé Esteves: “JÁ BASTA! (o grito dele aquieta as duas) Você... (ele aponta pra
Tieta) Você vai embora daqui!
Tieta(implorando): “Não, pai!”
(Zé Esteves a pega pelo braço, arrastando-a)
Zé Esteves: “Ah, mas você vaaai! Sua boca de nós todos! Menina sem pregas!
(Tieta vai no chão com a violência do seu pai)
Tieta: “Por favor pai!”
(Zé Esteves joga várias moedas no corpo de Tieta, com descaso)
Zé Esteves: “Isso é para mostrar que sou misericordioso!
CENA 3 – A Missa
NARRADOR:
– Tieta rodou, rodou, rodou tanto! Que foi parar em São Paulo, onde torna-se dona de um
cabaré de luxo e envia mensalmente um cheque de boa quantia para ajudar a sua família.
Passando alguns anos, Perpétua estranha o cheque ainda não ter chegado, pensa que sua
irmã morreu por São Paulo e não deixou rastros, sem nem aviso prévio. Com essa suspeita,
ela, como católica fervorosa, organiza uma missa.
(Narrador sai. Padre entra em cena e fica parado ao altar. Depois, vem Perpétua até ele)
Padre: “Bom dia, irmã Perpétua. Que notícias sombrias para o dia de hoje...
Perpétua: (com um lencinho, passando no rosto) “Sim, Padre, sim... é terrível. Mais
que terrível, lastimável!
Padre: “Meus pêsames, Perpétua. Sinto muito que seu luto continue, depois de...
(Perpétua o interrompe)
Perpétua(com secura): “Sim, de fato.”
(A conversa acaba. O padre se vira e mexe em itens em cima do altar, permanece
em cena, mas não em evidência. Perpétua se afasta, Carmosina entra em cena
perto dela)
Carmosina: “Bom dia, Perpétua.”
Perpétua (inexpressiva): “Carmosina. Bom te ver.”
(Carmosina solta um riso debochado)
Carmosina: “Essa missa é...”
(Perpétua a interrompe)
Perpétua: “Não me venha com suas críticas e fofocas. Tenha mais respeito!”
Carmosina: “Mas que é uma despedida desnecessária, é! Tieta não está morta!
Tenho firmes crenças disso.”
Perpétua: “O que está morta é a minha vontade continuar essa conversa. Passar
bem, Carmo.”
(A igreja se enche cheia de moradores da cidade, vestindo preto, entre eles Zé
Esteves.
O padre está começa a conduzir a cerimônia.)
Padre: (solene) “Que a alma de nossa querida irmã Antonieta Esteves encontre
paz Eterna.”
(De repente, as portas da igreja se abrem com um estrondo. Todos se viram para
ver
quem entrou.)
Tieta: (entrando triunfante, vestida de branco) “Paz eterna? Mas eu estou bem viva!”
(Há um murmúrio de choque e surpresa entre os presentes. Perpétua, a irmã de
Tieta,
fica perplexa.)
Perpétua: (sussurrando) “Não pode ser… Tieta?”
Zé Esteves: (levantando-se, incrédulo) “Antonieta?”
Tieta: (sorrindo) “Sim, pai. Voltei.”
(Tieta caminha pelo corredor central da igreja, todos os olhos fixos nela. Ela para em
frente ao altar e olha diretamente para o padre.)
Tieta: “Desculpe interromper a missa, padre, mas parece que houve um engano.
Estou mais viva do que nunca.”
Padre: (confuso) “Tieta… você voltou?”
Tieta: “Voltei, padre. E trouxe comigo muitas novidades.”
(Os moradores começam a cochichar, depois, começam a bater palmas e torcer.
Ainda em choque com a aparição de Tieta.)
Carmosina: (para Tonha, alegremente) “Ela voltou mesmo! A Tieta voltou!”
Tonha: “E parece mais poderosa do que nunca.”
(Tieta se vira para a congregação, levantando as mãos.)
Tieta: “Santana do Agreste, prepare-se! Tieta está de volta!”
CENA 4 – Ricardo e o Mangue Seco
NARRADOR:
Depois disso, só foi progresso na cidade de Sant’ana do Agreste” As iniciativas de
Tieta na cidade eram polêmicas, conflituosas e inovadoras. Ela levou à sua terra
uma mistura diversa de tecnologia e novas ideias, embates de princípios e firmes
opiniões que eram controvérsias. Dentre essas polêmicas, a mais pessoal para
Tieta foi a da preservação ambiental do Mangue Seco, além de ser um lugar que ela
passou os momentos mais marcantes da sua adolescência, depois, na sua vida
adulta, quando voltou ao Agreste, ela conheceu mais um motivo para sua jornada
de protecionismo e tradição: Ricardo. Sobrinho seminarista que atraiu sua atenção e
que, mesmo errado, ela seduzia.
(A cena se passa em Mangue Seco, há dunas e coqueiros. Tieta entra em cena
enquanto Ricardo fazia embaixadinhas com a bola 5. Ele estava com uma roupa
mais apertada que o usual)
Tieta: “Esse uniforme serviu?”
Ricardo (educadamente): “Ficou bom”
(O uniforme estava claramente apertado demais)
Tieta: “Humm, calculei errado. É que eu não imaginava que você fosse tão grande.
(Ligeira mudança de assunto) sua mãe contou que você quer ser padre…”
Ricardo: “Ah, é, é verdade”
Tieta:(sussurrante) “Que desperdício de homem…”
Ricardo: “Que? O que disse?”
Tieta: “AIII aiii! (ela se curva para frente tocando na lombar) Ai, que dor. Minhas
costas. A viagem até aqui me quebrou inteira”
Ricardo: “Quer ajuda, tia? Eu posso fazer uma massagem”
Tieta: “Humm, ótimo! Faça.”
(Tieta senta-se. Ricardo começa colocando ambas as mãos nela e massageando)
Ricardo: “Tá bom assim, tia?”
Tieta(tom sensual): “Mais forte!”
(Depois de alguns segundos, Ricardo para de massagear e reza. Tieta olha,
curiosa)
Tieta: “Que foi menino? (ela se levanta) “Por acaso é pecado fazer uma massagem
na tia? É?”
Ricardo: “Não... é que... eu sempre rezo quando faço trabalhos manuais”
(Tieta põe ambas as mãos na nuca dele)
Tieta: “Você é um devoto fiel. Admiro isso. Eu não tenho essa força de vontade”
Ricardo: “Que isso, tia, obrigado”
Tieta: “Tia não... Me faz sentir velha. Você não acha que eu estou preservada?”
(Ricardo se afasta de leve para olhar Tieta de cima a baixo. Ele sorri malicioso, pega
ela pela cintura)
Ricardo: “E bote preservada nisso”
Tieta: “Posso te mostrar o que sei fazer de melhor nessas dunas”
(Perpétua entra em cena abruptamente, às costas de Tieta)
Perpétua: “E o que é que você sabe?! Posso saber?”
(Tieta se vira na maior rapidez, disfarçando)
Tieta: “Oxe, mana! A quanto tempo está aí?!”
Perpétua: Na verdade, não muito. Vim procurar Cardo, pois ‘tava preocupada.
Agora, estou mais ainda!
(Tieta coloca as mãos na cintura, tentando passar a irmã confiança)
Tieta: Posso saber por que a preocupação?
(Perpétua cruza os braços e solta um “humpf” mal-humorado)
Perpétua: Porque agora o Mangue Seco está sob ameaça daquela grande
empresa, a Brastanio. E Ricardo insiste em se meter para proteger, mas sei que não
vai vingar.
Ricardo: “Não custa nada tentar...”
Tieta(para Ricardo): “Você é um do defensor ambiental?”
Ricardo: “Eu faço o que posso...”
Perpétua: “Ou seja, nada!”
Tieta: “É ai que você se engana, mana! Era justamente disso que estávamos
falando.”
Ricardo(confuso): “Era?”
(Tieta bate no peito de Cardo em sinal de censura)
Tieta: “Eu nunca seria a favor da destruição do lugar que eu cresci. Cardo entende
isso!”
Ricardo(confuso): “Entendo?”
(Tieta lança um olhar mortal para o sobrinho)
Perpétua (irônica): “É, você com certeza cresceu aqui... e muitas outras coisas...”
Tieta: “Se eu puder fazer algo contra a Brastanio, farei. Não vou deixar que Cardo
não conheça as maravilhas de Mangue Seco como eu conheci.”
Perpétua: “Como você, não! De jeito nenhum!! (Ela faz o cruz credo) Cardo é
seminarista e não tem tempo para isso! Vamos, Ricardo!”
(Perpétua sai de cena pelo lado oposto ao de Tieta, deixando claro repulsa à
situação)
Ricardo: “Você estava falando sério?”
(Tieta acaricia o ombro dele)
Tieta: “Claro que estava. Mangue Seco é minha terra, e eu vou salvá-la.”
FIM DE CENA – O narrador entra enquanto Tieta e Ricardo saem juntos por trás.
FALA DO NARRADOR:
“A influência de Ricardo fez com que Tieta fosse uma das contribuintes do
protecionismo ambiental, exaltando mais suas fortes opiniões e seu poder político.
Ela até mesmo ganhou uma rua em seu nome! Toda essa adoração não tinha
limites naquela cidade. A população via nela uma semelhança com seu pai, Zé
Esteves, que infelizmente faleceu após sua chegada na cidade. Isso contribuiu para
o contínuo luto de Perpétua, sempre usando fielmente a cor preta, mas nunca
deixando de pensar na herança. Todo o ressentimento que envolvia a relação da
irmã das duas apenas se acresceu quando a bomba foi jogada: Tieta estava se
relacionando com seu sobrinho seminarista, Ricardo. Um escândalo!
(Tieta entra em cena correndo e se protege da irmã raivosa atrás de uma mesa.
Tieta tinha roxões no pescoço. Perpétua entra em cena com cartas na mão)
Perpétua: “Você acha isso certo, Antonienta?! Não é possível! O meu filho... tão
inocente...”
Tieta: “Não tão inocente assim, né!”
Perpétua: “Não mais, por sua causa! Mulherzinha sem pudor!”
Tieta: “Ah, mas você fique sabendo que eu não fiz nada sozinha. Não consegue ver
o que ele fez?”
(Tieta amostra seu pescoço mais obviamente)
Perpétua: “Ah, sua rampeira!!!”
(Perpétua vai atras de Tieta com fogo nos olhos, mas ela corre para o outro lado da
mesa)
Perpétua: “E você ainda tem a pachorra de escrever cartas!”
Tieta: “Eu precisava me comunicar com ele!”
Perpétua: “Eu vou rezar para que Deus salve sua alma, irmã, porque agora...”
Tieta: “Deus?! Que que Deus tem a ver com isso, mana? Só você não vê sua
falsidade...”
Perpétua: “Falsidade?! Eu?!”
Tieta: “Todo esse seu moralismo ai! Como se você também não se aprumasse
todinha pro Major quando ele era vivo!”
Perpétua: “Não fale asneiras!”
Tieta: “O que? O que é asneira? Ah não vai dizer que ele era um morto na cama
também…”
(Perpétua solta um suspiro indignado)
Perpétua (séria): “Pois fique você sabendo que o Major me deu 1622 noites de
muita alegria e não teve um dia que ele não se deitou ao meu lado.”
(Tieta ri com divertimento e selvageria)
Tieta: “Ahahah! Finalmente você admitiu, irmã… que você também tem meu gene.”
Perpétua: “Que gene?! Você é louca!”
Tieta: “Que bom que somos duas loucas. Somos duas iguais!”
Perpétua: “Não somos! Você se atracou com o meu filho!”
Tieta: “E agora ele está indo embora!”
Perpétua: “O que?!”
(Perpétua cai sentada, sorte que havia uma cadeira. Ela estava em choque)
Tieta: “Em todos esses anos eu nunca tinha tido um homem sequer que me desse
corno. Nenhum deles quis outra depois de mim!”
Perpétua: “Não… não acredito. Meu Ricardo. Se debandando por causa de rabo de
saia??!!! O que você fez?!”
Tieta: “EU mesma não fiz nada! Quem tá levando ele é Carolzinha, aquela…”
Perpétua: “Por Deus, CALE A BOCA!”
(Tieta realmente se cala. Um silêncio triste reina na sala enquanto a informação de
tudo é processada. Perpétua coloca ambas as mãos na face)
Tieta: Foi bom enquanto durou. Vir para cá foi ótimo, mas muito melhor para vocês,
de Santana, do que para mim. Porque fui eu quem trouxe a luz, a construção, a
evolução. Você pode até não admitir, mana, mas eu fui quem você precisou. Por
anos antes, e até mesmo agora, no auge de nosso conflito.
(Tieta começa a sair de cena lentamente)
Perpétua: Tieta!
(Tieta a olha sob o ombro)
Tieta: Sim?
Perpétua: Vá pela sombra.
FIM
Dona flor e seus dois maridos
Nº de Cenas ≃ 4
CENA # - Retorno do espirito de Vadinho
(Dona Flor está deitada na cama, ao lado de Teodoro, que dorme profundamente.
Ela
olha para o teto, pensativa e inquieta.)
Dona Flor: (sussurrando para si mesma) “Vadinho… por que você me deixou?”
(De repente, uma brisa suave entra pela janela, e Vadinho aparece, nu, ao pé da
cama.
Dona Flor se senta, surpresa e emocionada.)
Vadinho: (sorrindo) “Flor, minha querida, voltei.”
Dona Flor: (assustada e emocionada) “Vadinho? É você mesmo?”
Vadinho: “Sim, meu amor. Não podia te deixar assim, sentindo minha falta.”
Dona Flor: (com lágrimas nos olhos) “Mas você morreu… como pode estar aqui?”
Vadinho: “O amor, Flor, o amor é mais forte que a morte. E eu não podia te deixar
sozinha.”
(Teodoro se mexe na cama, mas continua dormindo. Dona Flor olha para ele e
depois
para Vadinho, dividida.)
Dona Flor: “Eu… eu não sei o que fazer. Teodoro é um bom homem, mas eu sinto
tanto a sua falta.”
Vadinho: “Não precisa escolher, Flor. Eu estou aqui para te dar o que Teodoro não
pode.”
(Vadinho se aproxima de Dona Flor e a abraça. Ela fecha os olhos, sentindo a
presença Dona Flor: “Vadinho… eu te amo tanto.”
Vadinho: “E eu sempre estarei aqui, meu amor. Sempre.
Gabriela Cravo e Canela
CENA # - Nacib descobre traição
Nacib: (abrindo a porta da casa, de forma silenciosa)
“Vou surpreender Gabriela...”
(Nacib entra e percebe a ausência de Gabriela. Ele ouve sussurros vindo do quarto.
Curioso, caminha em direção ao som)
Tonico:(sussurrando e rindo):
“Ah, Gabriela, você é uma tentação!”
Gabriela: (rindo):
“Quieto, Tonico! Se Nacib ouvir...”
Nacib: (parado na porta, chocado e com a voz trêmula):
“O que está acontecendo aqui?”
(Tonico e Gabriela se separam rapidamente, ambos visivelmente assustados.
Gabriela
cobre o corpo com um lençol.)
Tonico: (tentando disfarçar, sorrindo nervosamente):
“Nacib! Não é nada disso que você está pensando...”
Nacib: (furioso, caminhando em direção a Tonico):
“Nada disso? Você está na minha cama com a minha mulher!”
Gabriela: (tentando acalmar Nacib, chorando):
“Nacib, por favor, me perdoe... Eu não queria te magoar!”
Nacib: (com raiva e dor, afastando-se de Gabriela):
“Eu confiei em você, Gabriela! Te trouxe para minha casa, te dei tudo! E é assim que
você me retribui?”
Tonico: (tentando se defender):
“Nacib, vamos conversar como homens... Eu não queria que isso acontecesse...”
Nacib: (interrompendo, furioso):
“Cala a boca, Tonico! Sai da minha casa agora, antes que eu te mate!”
(Tonico, visivelmente assustado, sai rapidamente pela porta. Gabriela tenta se
aproximar de Nacib, mas ele a afasta.)
Gabriela: (chorando, implorando):
“Nacib, não me abandona... Eu te amo...”
Nacib: (com os olhos cheios de lágrimas, porém firme):
“Você destruiu tudo, Gabriela... Não tem mais volta...”
(Nacib sai do quarto, deixando Gabriela sozinha, desolada.)