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Ameaças à Geodiversidade no Pampa Brasileiro

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Uso da Terra e Ameaças à Geodiversidade no Bioma Pampa Brasileiro

Article in Revista Brasileira de Geografia Física · October 2024


DOI: 10.26848/rbgf.v17.6.p4156-4176

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3 authors:

Ândrea Lenise de Oliveira Lopes Vinícius Bartz Schwanz


Universidade Federal de Santa Maria Universidade Federal de Pelotas
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Adriano Luís Heck Simon


Universidade Federal de Pelotas
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Revista Brasileira de Geografia Física v.17, n.06 (2024) 4156-4176.

Uso da Terra e Ameaças à Geodiversidade no Bioma Pampa Brasileiro1


¹Ândrea Lenise de Oliveira Lopes; ²Vinícius Bartz Schwanz; ³Adriano Luís Heck Simon

¹Programa de Pós-graduação em Geografia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima nº 1000, Prédio
17, 1º andar, Sala 1132, Bairro Camobi, Santa Maria/RS, email:[email protected]; ²Programa de Pós-
graduação em Geografia, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rua Cel. Alberto Rosa, n. 154, sala 135A, email:
[email protected]; ³Departamento de Geografia e Programa de Pós-graduação em Geografia, Universidade
Federal de Pelotas, Rua Cel. Alberto Rosa, n. 154, sala 105 (Laboratório de Estudos Aplicados em Geografia Física),
email:[email protected].
Artigo recebido em 01/12/2023 e aceito em 01/05/2024
RESUMO
A geodiversidade corresponde a porção abiótica da paisagem, suas interações e processos físicos sendo que suas principais
ameaças estão vinculadas às mudanças nos usos da terra. Este trabalho procura apresentar uma metodologia para a
avaliação das ameaças à geodiversidade oriundas do uso da terra por meio de um índice aplicado ao bioma Pampa
brasileiro. O índice de coberturas e usos da terra foi idealizado a partir da ponderação da área ocupada pelas coberturas e
pelos usos da terra, considerando a intensidade de seus impactos à geodiversidade. Os resultados indicaram a presença
das seguintes classes de cobertura e uso da terra: Formação Florestal, que ocupa 12,10% (4998772,17 km²) do Pampa; a
Formação Natural não Florestal, que abrange cerca de 34,58% (509664,85 km²) do território do bioma; a Agropecuária,
que atinge 42,25% (2766069,67 km²) do território, a classe Outras Áreas não Vegetadas, que foi verificada em 1,76%
(61015,49 km²) da área e os Corpos d’ Água, que ocupam 9,5% (170924,56 km²). Os resultados indicam que o Pampa
está inserido em um contexto de média a alta ameaças à geodiversidade oriundas das práticas de usos da terra, visto que,
juntas as classes de Média, Alta e Muito Alta ameaças obtiveram 76,5% do total das cartas de recobrimento da área,
distribuídas em todas as regiões do Pampa, associadas principalmente às atividades agrícolas. Os resultados identificados
podem ser cruzados com o índice de geodiversidade, contribuindo para a identificação de hotspots de geodiversidade no
Pampa.
Palavras-chave: Ocupação do Espaço, Índice de Ameaças à Geodiversidade, Avaliação da Geodiversidade, Gestão do
Território, Conservação da Natureza

Land Use and Threats to Geodiversity in the Brazilian Pampa Biome


ABSTRACT
Geodiversity corresponds to the abiotic portion of the landscape, its interactions, and physical processes, with its main
threats being linked to changes in land use. This study aims to present a methodology for evaluating threats to geodiversity
arising from land use through an index applied to the Brazilian Pampa biome. The land cover and use index was devised
by weighing the area occupied by different land covers and uses, considering the intensity of their impacts on geodiversity.
The results indicated the presence of the following land cover and use classes: Forest Formation, which occupies 12.10%
(4,998,772.17 km²) of the Pampa; Non-Forest Natural Formation, which covers about 34.58% (509,664.85 km²) of the
biome's territory; Agriculture, which reaches 42.25% (2,766,069.67 km²) of the territory; the class Other Non-Vegetated
Areas, which was found in 1.76% (61,015.49 km²) of the area; and Water Bodies, which occupy 9.5% (170,924.56 km²).
The results indicate that the Pampa is within a context of medium to high threats to geodiversity arising from land use
practices, as the classes of Medium, High, and Very High threats together accounted for 76.5% of the total area cover
maps, distributed throughout all regions of the Pampa, mainly associated with agricultural activities. The identified results
can be cross-referenced with the geodiversity index, contributing to the identification of geodiversity hotspots in the
Pampa.

1
Esta pesquisa apresenta avanços no trabalho publicado no XV Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em
Geografia, em Palmas-TO, em outubro de 2023; Resultados derivados da tese de doutorado intitulada “Identificação de
Hotspots de Geodiversidade no Bioma Pampa Brasileiro: subsídios à geoconservação em escala regional” em fase final
de desenvolvimento.
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Keywords: Space Occupation, Geodiversity Threat Index, Geodiversity Assessment, Territory Management, Nature
Conservation.

Introdução organismos, resultando em uma maior


biodiversidade total. Portanto, a geodiversidade
A geodiversidade corresponde a porção desempenha um papel crucial na formação de
não viva da paisagem e é constituída pela geologia, habitats e no fornecimento de recursos para várias
relevo, hidrografia e os solos, suas interações e espécies, contribuindo para a diversidade geral da
processos físicos atuantes (Bétard, 2017; Hjort et natureza (Nieto, 2023; Tukiainen et al., 2023;
al., 2024). Além disso, é considerada o substrato Vernham et al., 2023;)
que sustenta a vida na Terra (Gray, 2013). Brilha Para além do suporte à biodiversidade, a
(2005) afirma que a geodiversidade influenciou na geodiversidade possui importância também para o
organização espacial das civilizações ao longo da desenvolvimento econômico e humano. Assim, a
história e ainda interfere nas sociedades atuais, em diversidade abiótica global está sujeita a várias
suas atividades econômicas, culturais e religiosas. formas de apropriação, ocupação e exploração dos
Para Claudino-Sales (2021) a seus elementos (Manosso e Ondicol, 2012; Gray,
geodiversidade abrange uma série de elementos 2013). Esses processos geralmente ocorrem de
abióticos cruciais para a compreensão do meio forma sistemática e sem planejamento, ações de
ambiente. Isso inclui a diversidade geológica manejo dos impactos negativos e/ou estratégias
(rochas, minerais, fósseis), a geomorfodiversidade para a recuperação das áreas degradadas.
(formas de relevo e topografia), a pedodiversidade Assim como ocorre com a biodiversidade,
(tipos de solo), a hidrodiversidade (rios, lagos, a principal ameaça à geodiversidade está vinculada
lagoas, áreas úmidas) e também a climodiversidade às mudanças nos padrões das coberturas da terra,
(climas). Esses componentes oferecem insights derivadas dos distintos usos da terra (Hudson e
sobre a história geológica, a formação da paisagem, Inbar, 2012; Hjort et al., 2015). Estas mudanças
a conservação do solo, a gestão dos recursos desencadeiam respostas rápidas nas paisagens, que
hídricos, os padrões climáticos e a integridade dos muitas vezes extrapolam os limites geológico-
ecossistemas. O estudo da geodiversidade geomorfológicos e ecológicos dos sistemas
possibilita a compreensão da interconexão e da naturais, ocasionando a degradação e a
complexidade do ambiente abiótico, o que é vulnerabilidade a desastres naturais.
essencial para uma gestão e conservação ambiental Os elementos da geodiversidade como um
eficazes. todo, não se regeneram em um período de tempo
Thomas (2022) destaca que existe uma humano. Ao contrário, na maioria das vezes sua
interdependência entre a geodiversidade e a recuperação exige longos períodos de tempo e
biodiversidade caracterizada pelos serviços condições climáticas e ambientais específicas,
ecossistêmicos, onde a diversidade abiótica podendo nunca ocorrer na escala de tempo das
influencia diretamente na diversidade biológica e sociedades ou, de fato, nunca mais serem possíveis.
na capacidade dos ecossistemas de fornecer Este fato dificulta sua recuperação ou regeneração
serviços essenciais como regulação e sustentação e pode ocasionar sua extinção (Manosso e Ondicol,
da vida. Além disso, a compreensão dessa 2012), levando parte da memória do planeta a ser
interdependência é relevante para a preservação perdida para sempre (Azevedo, 2007).
dos sítios geológicos e geomorfológicos, refletindo Gray (2013), elenca oito tipos de danos a
para a conservação da biodiversidade associada a geodiversidade oriundos do uso inadequado de
esses ambientes únicos. A gestão ambiental seus elementos: 1. perda total; 2. perda parcial ou
integrada também se beneficia dessa consideração dano físico; 3. fragmentação do interesse; 4. perda
conjunta, permitindo estratégias de conservação de visibilidade; 5. perda de acessibilidade; 6.
mais abrangentes e sustentáveis que reconheçam as interrupção do processo natural por impactos fora
interações complexas entre os elementos abióticos do sítio; 7. poluição e 8. impacto visual.
e bióticos. Com a intenção de promover a reflexão
Alahuhta et al. (2022) destaca que a alta sobre os diversos tipos de ameaças às quais a
geodiversidade contribui para a manutenção da geodiversidade está condicionada, Botelho (2018)
biodiversidade, apoiando estratégias de propõe o termo “geoextinção”, referindo-se à
conservação da natureza e planejamento ambiental. destruição total ou ao desaparecimento da
A influência positiva da geodiversidade na paisagem protagonizada por um ou mais elementos
biodiversidade decorre da ideia de que a maior da geodiversidade. A autora menciona ainda que a
variação no ambiente abiótico resulta em mais geoextinção pode ser ocasionada por fenômenos
espaços de nicho disponível para diferentes naturais ou antrópicos (Gray, 2013; Botelho, 2018).
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Quando relacionada a fenômenos naturais, pode ser geomorfológicos a partir do desequilíbrio dos
resultante de eventos de grande magnitude, como o aspectos morfodinâmicos e morfogênicos; e (e) a
vulcanismo e o tectonismo, também responsáveis poluição do ar, da água e do solo, juntamente com
pela formação de novos arranjos espaciais dos as mudanças climáticas, que podem afetar
elementos abióticos. negativamente a geodiversidade, causando
A geoextinção originada pela ação humana disturbios à dinâmica dos elementos da abióticos
tem sido a responsável pelas ameaças às em escalas locais à globais.
geoformas, pela diminuição da ocorrência de Também são verificadas ameaças oriundas
minérios com valor econômico e pelo das atividades como a construção de barragens e a
desenvolvimento de obras de drenagem que mineração, que são empreendimentos que exercem
elimina rios, seus compartimentos e suas influências ambientais e sociais significativas em
sinuosidades naturais, além de impactarem na níveis regionais. Enquanto as operações diretas
descarga sedimentar e hídrica. Nesse contexto, dessas atividades podem ser localizadas e
Botelho (2018) cita como exemplo o específicas, os impactos indiretos transcendem os
desaparecimento das Setes Quedas no Rio Paraná, limites geográficos e afetam extensas áreas,
extintas para a construção do lago da Usina gerando efeitos secundários em comunidades e
Hidrelétrica de Itaipu (Foz do Iguaçu/PR), no ano ecossistemas circunvizinhos.
de 1982. Ainda no âmbito das ameaças
Assim, os métodos que visam medir o antropogênicas à geodiversidade, de Borba (2011)
impacto das atividades humanas na geodiversidade e Gray (2013) destacam atividades como a
são essenciais para o desenvolvimento sustentável, mineração, as obras de engenharia como barragens,
para a gestão territorial e para o suporte às ações hidrelétricas e rodovias, atividades agrossilvipasto
voltadas à geoconservação. Mesmo diante de sua ris, as mudanças nos usos da terra, a coleta de
importância, as discussões teóricas e amostras, incêndios, disposição inadequada de
metodológicas que mensuram a relação entre resíduos sólidos, ocupação urbano-industrial em
geodiversidade e as distintas formas de apropriação zonas costeiras, turismo predatório e o
do espaço derivadas do uso da terra ainda são raras desconhecimento dos gestores e sociedade em
na literatura (Bétard, 2017). geral sobre a importância de conservação dos
Para Bétard e Peulvast (2019), as locais representativos da geodiversidade.
principais ameaças humanas à geodiversidade De acordo com Kubalíková e Balková
estão vinculadas ao crescimento urbano, a (2023) a identificação das ameaças à
impermeabilização e a degradação dos solos geodiversidade fornece informações valiosas para
(desertificação, desmatamento, práticas agrícolas a gestão do território e estruturação de políticas
intensivas, expansão industrial), bem como à maior públicas voltadas à geoconservação, por meio de
vulnerabilidade externa oriunda da ausência de planos de ação estratégicos e eficazes para mitigar
mecanismos de proteção legal dos elementos os impactos e promover a conservação dos locais
abióticos. de interesse geopatrimonial e geossítios. Conhecer
De acordo com Datta (2022) as principais e identificar as ameaças também viabiliza o
ameaças do uso da terra à geodiversidade incluem: estabelecimento de indicadores e sistemas de
(a) a urbanização e expansão urbana, pois o monitoramento para avaliar a eficácia das medidas
crescimento das áreas urbanas muitas vezes resulta de conservação ao longo do tempo.
na perda de áreas naturais e geodiversidade Os estudos que procuram evidenciar as
associada; (b) a expansão da agricultura intensiva, ameaças à geodiversidade estão atrelados a
incluindo o uso extensivo de pesticidas e identificação de pressões antropogênicas e
fertilizantes, que pode levar à degradação dos impactos às variáveis específicas da
solos, com consequente acentuação de processos geodiversidade, seus valores ou aos serviços
erosivos e perda de diversidade geológica e ecossistêmicos que ofertam (Pereira e da Silva
geomorfológica; (c) a mineração que causa danos Farias, 2016; Reverte et al., 2020; Pereira Balaguer
significativos à geodiversidade, incluindo a et al., 2022). Tais resultados podem ter importantes
remoção de formações geológicas únicas, a contribuições para a gestão territorial e para a
contaminação do solo e da água superficial e identificação de áreas estratégicas com vistas à
subsuperficial, além de alterações irreversíveis na geoconservação.
paisagem; (d) o desmatamento e a alteração das Bétard (2017) afirma que a avaliação das
coberturas naturais para fins como agricultura, ameaças à geodiversidade exige uma perspectiva
pecuária e desenvolvimento urbano, que pode crítica, a fim de distinguir as ações humanas que
resultar tanto na perda de biodiversidade e na não se configuram como ameaças diretas à
degradação dos recursos geológicos e geodiversidade das que contribuem para sua
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degradação. De posse dessas avaliações é possível geodiversidade contemplando a correspondência
relacioná-las com os índices da geodiversidade e espacial entre as áreas com elevada concentração
por fim, delimitar as áreas que combinam altos da variabilidade espacial da geodiversidade (obtida
valores de geodiversidade submetidos a por meio do cálculo do índice de geodiversidade),
significativas ameaças. Tais locais têm sido com o índice de ameaças à geodiversidade, obtido
compreendidos, numa perspectiva mais pela assimilação de três parâmetros: 1) nível de
contemporânea, como hotspots de geodiversidade. proteção ambiental (mensurado por meio da
Nesse sentido, é urgente a necessidade de existência de áreas protegidas); 2) o grau de
sistematização de métodos que se proponham a degradação ambiental (mensurado pelas atividades
avaliar os impactos à geodiversidade oriundos de de mineração), e 3) os tipos de usos da terra
atividades antrópicas, que podem ser mensurados derivados do processo de ocupação do espaço.
por meio do mapeamento de coberturas e usos da Nesse sentido, pelo reconhecimento da
terra. relevância das coberturas e dos usos da terra nas
ações de gestão territorial, esse artigo tem o
Conceito de Hotspot de Geodiversidade objetivo de apresentar uma metodologia para a
avaliação das ameaças à geodiversidade oriundas
O uso do termo “hotspot” nas análises do uso da terra por meio de um índice aplicado na
ambientais tem suas origens no campo da biologia área de abrangência do bioma Pampa brasileiro,
da conservação (Myers, 1988; Bétard, 2017). contribuindo para a análise e gestão da
Compreende áreas com significativos níveis de geodiversidade em áreas afetadas por atividades
biodiversidade submetidas a elevados níveis de humanas.
destruição. Assim, para que determinado sistema O Pampa se encontra em um acelerado
seja considerado como um hotspot de processo de transformação dos campos nativos em
biodiversidade, precisa atender a dois critérios: 1) lavouras e silvicultura (Baeza et al., 2022). A
deve abarcar pelo menos 1.500 espécies de plantas expansão da agricultura, principalmente da soja,
endêmicas (ou seja, rico e insubstituível) e 2) deve está ocorrendo em áreas não adequadas para o
possuir ao menos 30% de vegetação primária cultivo, levando à destruição das características
altamente ameaçada. A identificação dessas áreas naturais. Com o aumento da demanda e do preço
permitiu a definição de espaços prioritários para a no mercado internacional, os agricultores buscam
conservação no mundo e desempenha, atualmente, expandir as lavouras sobre áreas não cultivadas,
importante papel para a tomada de decisão nas mesmo que não sejam as mais apropriadas. Isso
estratégias de proteção à biodiversidade. resulta em impactos negativos, como a perda de
No âmbito da geoconservação, o uso do biodiversidade e da geodiversidade, levando à
termo hotspots vinculado à geodiversidade foi previsão de que até 2050 restarão apenas cerca de
inicialmente abordado por Gray (2004; 2013), para 12% do bioma preservado (Brasil de Fato, 2024).
caracterizar as áreas que compreendem a alta A proposição de um índice de ameaças do
geodiversidade oriunda das características uso da terra à geodiversidade no bioma Pampa
morfogenéticas regionais, como: (a) áreas com permitirá uma avaliação sistemática e abrangente
longa e complexa história geológica; (b) margens dos impactos das atividades humanas na
de placas tectônicas ou falhamentos; (c) áreas com geodiversidade da região, fornecendo uma base
significativas altitudes e amplitudes altimétricas e científica para o desenvolvimento de estratégias de
(d) regiões costeiras. Assim, verifica-se a ausência ordenamento territorial, elaboração de políticas
da variável ameaça à geodiversidade na definição públicas e tomada de decisões sobre as questões
pioneira proposta pelo autor citado. ambientais nesse bioma (Mallinis et al., 2023;
Diante da compreensão da origem Nieto, 2023).
terminológica do conceito de hotspots e dos
critérios necessários para sua identificação, Bétard Metodologia
(2017) propôs, de forma precursora, a adaptação
conceitual e metodológica do termo para os estudos Contextualização Abiótica do Pampa Brasileiro
aplicados à geodiversidade, definindo hotspots de
geodiversidade como “áreas geográficas que O bioma Pampa brasileiro (Figura 1)
abrigam níveis muito altos de geodiversidade e compreende uma área geográfica de 193.915 km²
que, ao mesmo tempo, estão submetidas à ameaças (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
oriundas de atividades humanas” (Bétard, 2017, p. [IBGE], 2019), estando restrito ao estado do Rio
114, tradução nossa). Grande do Sul, no extremo sul do Brasil. Possui
Assim, o autor sugere, em termos vegetação do tipo campestre, denominada de
procedimentais, a avaliação dos hotspots de Pastizales del Río de la Plata (Campos do Rio da
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Prata) que se estende também pelos territórios do Este fato representa implicações sobre a
Uruguai e nordeste da Argentina (Figura 1). Em geodiversidade e sua dinâmica, considerando que a
conformidade com o Mapbiomas (2021), o Pampa cobertura vegetal é responsável pela manutenção
gaúcho é o bioma brasileiro que proporcionalmente do equilíbrio de processos hidogeomorfológicos e
mais perdeu vegetação nativa entre os anos de 1985 pedológicos da geodiversidade.
e 2020 (cerca de 2,5 milhões de hectares de área).

Figura 1: Localização Geográfica do Bioma Pampa.

O Pampa brasileiro está assentado sobre África que então cobriam a maior parte das rochas
três províncias geológicas: Complexos Granitóides sedimentares. Tais extrusões geraram a Formação
e Corpos Máficos associados ao Escudo Sul-rio- Serra Geral, localizada na porção noroeste do
grandense, Sequências Vulcanossedimentares da bioma Pampa, onde o basalto é o material de
Bacia do Paraná e as Coberturas Sedimentares da origem dominante (Wildner e Lopes, 2010).
Planície Costeira do Rio Grande do Sul. O Escudo A Planície Costeira do Rio Grande do Sul
Sul-rio-grandense é a província mais antiga, é a província geológica mais jovem do bioma,
composta predominantemente por rochas formada durante o Quaternário, localizada na
magmáticas intrusivas abissais e metamórficas que porção sudeste (zona costeira), onde predominam
correspondem ao período Pré-Cambriano (mais do os sedimentos recentes e, portanto, pouco
que 550 milhões de anos) (Wildner e Lopes, 2010). consolidados (Tomazelli e Villwock, 2000).
A Depressão Central Gaúcha e as extrusões No que se refere à geomorfologia, no
magmáticas associadas à Formação Serra Geral Pampa são identificados seis domínios
compõem as Sequências Vulcanossedimentares da geomorfológicos: Planície Costeira, Planalto Sul-
Bacia do Paraná. A depressão Central Gaúcha foi Rio-Grandense, Depressão Central Gaúcha, Cuesta
formada pela subsidência de uma imensa área de Haedo, Planalto de Uruguaiana e Planalto
constituída por rochas ígneas cristalinas após o Dissecado do Rio Uruguai (Dantas et al., 2010). As
Permiano, resultando em rochas sedimentares altimetrias variam de 1 m a 812 m, onde os menores
compostas principalmente por arenitos, siltitos e valores estão inseridos em porções da Planície
argilitos. As rochas sedimentares têm uma Costeira e as maiores altitudes associadas às áreas
composição mineralógica diversificada, porém os de planaltos, principalmente no Planalto das
solos arenosos dominam esta província. No final do Missões (de Oliveira Lopes et al., 2022).
Cretáceo, a fragmentação do continente Pangeia A Planície Costeira é formada por um
suspendeu a sedimentação na Bacia do Paraná. conjunto de ambientes deposicionais, geralmente
Posteriormente, várias extrusões magmáticas arenosos, de origem marinha, eólica, lagunar e
ocorreram nas fendas entre a América do Sul e a fluvial. Divide-se em dois segmentos: Planície

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Costeira Externa, onde predominam as feições de desnivelamentos totais nas bacias de drenagem
origem marinha e eólica, e a Planície Costeira variam entre 60 e 150 m, podendo atingir até 200
Interna, com o predomínio de formas fluviais e m (RADAMBRASIL, 1986; Dantas et al., 2010).
lacustres relacionadas aos dois maiores corpos
lagunares do território brasileiro: Lagoa dos Patos Procedimentos Metodológicos
e Lagoa Mirim (Tomazelli e Villwock, 2000;
Dantas et al., 2010). Para alcançar o objetivo proposto,
O Planalto Sul-Rio-Grandense possui duas inicialmente foi necessária a organização de um
unidades geomorfológicas: os Planaltos Residuais grid para o computo das classes de cobertura e uso
Canguçu-Caçapava e o Planalto Rebaixado da terra. Para tal, foi criada uma matriz vetorial
Marginal (RADAMBRASIL, 1986). Nos Planaltos com base no Sistema Cartográfico Nacional (Silva
Residuais Canguçu-Caçapava o relevo se apresenta e Barreto, 2014), utilizando a nomenclatura de
dissecado em forma de colinas, ocorrendo também cartas do Brasil, em escala de 1:25.000 (de Oliveira
áreas de topo plano. A influência estrutural é Lopes e Simon, 2021; de Oliveira Lopes et al.,
observada pela presença de vales encaixados e 2023).
escarpas. O Planalto Rebaixado Marginal encontra- O grid na escala de interesse foi constituído
se bastante dissecado, caracterizando um relevo de por meio de um gerador de enquadramento
colinas, interflúvios tabulares e cristas sistemático, disponível no plugin
(RADAMBRASIL, 1986; Dantas et al., 2010). “GridZoneGenerator” para instalação no software
O domínio da Depressão Central Gaúcha livre QGis versão 2.18.17. Assim, para o
constitui-se numa área baixa, interplanáltica, onde recobrimento do Pampa foram utilizadas 1362
os processos erosivos esculpiram formas residuais cartas, cada uma com 189 km² de abrangência.
e em coxilhas sobre rochas sedimentares O índice de coberturas e usos da terra
paleozóicas, triássicas e jurássicas da Bacia do (Bétard, 2017) foi estruturado a partir da
Paraná. Este domínio é dividido em duas unidades quantificação da área ocupada por cada classe
geomorfológicas: 1) Depressão Rio Jacuí, que se distinta de coberturas naturais e pelas diferentes
caracteriza por apresentar um relevo sem grandes formas de usos da terra. Além das dimensões
variações altimétricas, dando à paisagem um espaciais, também foi considerado o nível de
caráter monótono, onde dominam formas ameaça à geodiversidade oriunda de cada
alongadas de topo convexo e no entorno vastas atividade, em cada quadrícula. Tanto as práticas de
superfícies planas; e 2) Depressão Rio lbicuí-Rio natureza agrícola (por exemplo: pastoreio, cultivo
Negro, que de forma geral apresenta-se dissecada de arroz e soja) como não agrícolas (por exemplo:
em formas de topos convexos ou planos, por vezes urbanização e mineração) foram analisadas no
amplos e alongados, cujas encostas caem índice de coberturas e usos da terra.
suavemente em direção aos vales Para a identificação das classes de
(RADAMBRASIL, 1986; Dantas et al., 2010). coberturas e usos da terra presentes no Pampa
Na Cuesta de Haedo ocorre a formação de foram utilizados os dados produzidos e
relevo cuestiforme, com feições residuais em forma disponibilizados pelo projeto Mapbiomas2. Foram
de mesetas, como o Cerro de Palomas e o Cerro do utilizados os resultados dos mapeamentos
Caverá. A cuesta possui o front escarpado voltado disponibilizados na coleção 6, referente ao ano de
para leste, em direção à Depressão do Rio Ibicuí 2020. A escolha dos dados do MapBiomas
(Dantas, et al., 2010). referentes ao ano de 2020 para este estudo se deu
O Planalto de Uruguaiana apresenta relevo em virtude de ser o cenário temporal de
dissecado em colinas e morros, porém, em direção disponibilidade mais recente dos dados
ao rio Uruguai exibe superfícies aplainadas ou cartográficos no momento em que a pesquisa foi
modeladas em colinas muito amplas e suaves, concebida e realizada. Nesse sentido, foram
conhecidas regionalmente por coxilhas. Por fim, o avaliadas, quantificadas e sistematizadas as
Planalto Dissecado do Rio Uruguai possui relevo diferentes coberturas e usos da terra e as dimensões
de colinas e morros ordenados em longas cristas espaciais de cada classe em cada quadrícula que
arredondadas que conferem um caráter dissecado a forma o grid de recobrimento do Pampa.
esse planalto à medida em que a rede de canais A quantificação da área ocupada pelas
tributária se aproxima da calha do rio Uruguai. Os classes de coberturas e usos da terra identificadas

2
O Projeto Mapbiomas consiste em uma estratégia de no território nacional por meio da ciência. O projeto é
Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no organizado e formado por uma rede colaborativa,
Brasil, realizando o monitoramento das transformações formada por ONG’s, universidades e startups de
tecnologia (Mapbiomas, 2021).
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em cada quadrícula foi viabilizada através da “A” são compreendidas as seguintes classes de
ferramenta “Tabulate Area tool” disponível no usos da terra: Arroz irrigado; Outras lavouras
software ArcGis versão Pro (licença de estudante). temporárias; e Soja. Por fim, a categoria “MA”
Essa ferramenta permite o cálculo de áreas abrange as classes: Infraestrutura Urbana; e
cruzadas entre dois conjuntos de dados, que no Mineração.
caso do presente estudo, correspondem ao arquivo Assim, de posse da extensão da área
matricial no formato .tiff com a representação das ocupada por cada classe, bem como do valor
classes de coberturas e usos da terra e o arquivo atribuído à intensidade da ameaça que a atividade
vetorial em formato .shp, referente ao conjunto de exerce (Figura 2), foi realizada a ponderação
quadrículas de recobrimento. Assim, é possível considerando a área total ocupada por cada classe
realizar o cálculo de área ocupada (m²) por cada de usos e coberturas da terra multiplicada pelo
classe distinta de usos da terra em cada uma das valor atribuído pela classificação do grau de
quadrículas de recobrimento. ameaça. O resultado da multiplicação foi então
De posse da identificação e da dividido pelo valor total da área das classes de
quantificação das coberturas e usos da terra em coberturas e usos da terra, conforme evidencia a
cada quadrícula, se fez necessária também a equação seguinte:
compreensão do grau de ameaça que as atividades
de uso da terra exercem no Pampa. Com base na 𝑥1 . 𝑝1 + 𝑥2 . 𝑝2 + 𝑥3 . 𝑝3 + ⋯ + 𝑥𝑛 . 𝑝𝑛
𝑉𝑄 =
hierarquia de graus de proteção e de ameaças que 𝑥1 + 𝑥2 + 𝑥3 + ⋯ + 𝑥𝑛
as coberturas e os usos da terra oferecem no
contexto das fragilidades ambientais proposta por Para a atribuição do valor da quadrícula
Ross (1994), foram atribuídos pesos às classes de (VQ), 𝑥 representa a área (em m²) ocupada pela
cobertura e uso da terra identificadas no Pampa, classe de cobertura ou uso da terra e 𝑝 equivale ao
conforme a categoria do grau de ameaça, MB- peso atribuído à classe (oriundo do nível de ameaça
Muito Baixa (peso 1), B-Baixa (peso 2), M-Média que representa) conforme Ross (1994). A variação
(peso 3), A-Alta (peso 4) e MA-Muito Alta (peso dos valores obtidos foi de 1 a 5, onde os valores
5). mais altos foram atribuídos às atividades com
A categoria “MB” abrange as seguintes maior nível de ameaças à geodiversidade aliadas à
classes de coberturas da terra: Afloramento maior expressão espacial de ocupação na
Rochoso; Campo Alagado e Área Pantanosa; quadrícula.
Formação Florestal; Praia e Duna; Rio, Lago e A Figura 2 ilustra o esquema detalhado
Oceano; Outras Áreas não vegetadas; e a classe de utilizado para quantificar as classes de coberturas e
uso da terra, Aquicultura. Já a categoria “B” usos da terra em uma quadrícula, bem como o
engloba a cobertura da terra Formação Campestre. cálculo para obtenção do valor do índice de
Na categoria “M”, são encontradas as seguintes ameaças.
classes de usos da terra: Mosaico de Agricultura e
Pastagem; Pastagem; e Silvicultura. Na categoria

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Figura 2: Esquema de quantificação das classes de coberturas e usos da terra por quadrícula e cálculo para a
obtenção do valor das ameaças para o índice Coberturas e Usos da Terra. Cada imagem representa as
diferentes classes de coberturas e usos da terra identificadas por quadrícula. Também são fornecidos os
valores de área de cada classe (𝑥), o valor atribuído a cada classe baseado no nível de ameaça à
geodiversidade (𝑝) e o produto da área ocupada pela classe e o peso atribuído.

Cabe mencionar a estratégia metodológica ocupada pelos pixels que estavam inseridos no
adotada para quadrículas situadas na borda da área limite do Pampa.
de estudo, que se estende para além dos limites Por fim, foram realizados dois trabalhos de
geográficos do Pampa. Para tais quadrículas a campo para validação do índice. A primeira
metodologia aplicada considerou somente a área campanha de campo percorreu cerca de 718 km
(dias 29, 30 e 31/05/2021) no interior do Caçapava
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Geoparque Mundial da United Nations território do Pampa. Encontra-se associada aos
Educational, Scientific and Cultural Organization principais cursos fluviais em forma de mata ciliar e
(UNESCO). O segundo campo abrangeu cerca de às áreas de relevo com altitudes elevadas do
2.275 km e abarcou a área da Planície Costeira do Escudo-sul-riograndense que apresentam florestas
Rio Grande do Sul inserida no Bioma Pampa de encosta e de galeria (Figura 3). Cabe destacar a
(realizado entre os dias 2 a 7 de março de 2022). Os relevância das coberturas florestais em áreas de
trabalhos de campo tiveram a finalidade de nascentes e de recarga de importantes bacias
validação dos dados quantificados, verificando sua hidrográficas do Bioma Pampa, como as bacias dos
eficácia por meio da análise visual e fotográfica rios Camaquã, Piratini e as nascentes da margem
utilizando drone3 (modelo DJI MAVIC 2 PRO e o direita do Rio Jacuí, principal contribuinte do Lago
App para obturar as imagens DJI Go 4). Guaíba e do sistema hidrográfico da Lagoa dos
Patos. Entretanto, em abril de 2024 o Governo do
Resultados e discussões Estado do Rio Grande do Sul sancionou o Projeto
de Lei 151/2023, que permite intervenções em
As Características Espaciais das Coberturas e dos Áreas de Proteção Permanente (APP’s) para a
Usos da Terra no Bioma Pampa realização de obras para construção de
reservatórios de água em canais fluviais, para
O mapeamento das coberturas e usos da atendimento de atividades particulares de
terra no bioma Pampa brasileiro revelou as agricultores. Tal situação implica no regime hídrico
principais formas de ocupação do espaço e de das bacias hidrográficas e na manutenção das áreas
apropriação dos recursos naturais, bem como a úmidas do Bioma Pampa, sobretudo em períodos
identificação dos locais com maior recobrimento p de escassez de água, como os verificados entre
or coberturas naturais. Assim, foram identificadas 2020 e 2023, durante episódio prolongado do
as seguintes classes: Formação Florestal, fenômeno La Niña no Rio Grande do Sul. Em
Formação Natural Não Florestal, Agropecuária, conformidade com Hasenack et al. (2010) a
Outras Áreas Não Vegetadas e os Corpos d’ Água vegetação das formações florestais corresponde, no
(Figura 3). sistema fitoecológico brasileiro, à Floresta
A classe Formação Florestal foi Estacional Semidecidual.
identificada em 12,10% (4.998.772,17 km²) do

Figura 3: Mapa das coberturas e usos da terra no bioma Pampa brasileiro. Fotografias: A) Área de mineração
no município de Pântano Grande/RS; B) Ocupação por Silvicultura no município de Dom Feliciano/RS; C)
Mosaico de agricultura, soja, arroz irrigado e pecuária em Santa Vitória do Palmar/RS; D) Avanço da
urbanização sobre superfícies arenosas como dunas e faixa de praia no Balneário do Chuí, Santa Vitória do
Palmar/RS. Fonte: Classes de coberturas e usos da terra MapBiomas, 2020; fotografias de campo obtidas pelos
autores.

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Equipamento cedido pela Universidade Federal do
Rio Grande (FURG/RS).
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A classe Formação Natural Não comprimida entre a costa atlântica e as barreiras de
Florestal abarca as áreas de Afloramento Rochoso, idade pleistocênica, que conecta o banhado do
Campo Alagado e a Formação Campestre, que Taim ao sul do estuário da Lagoa dos Patos, onde
juntas ocupam cerca de 34,58% (509664,85 km²) está localizada a cidade de Rio Grande (Figura 3).
da área do bioma Pampa. As áreas de Afloramento O avanço da silvicultura e a implantação de
Rochoso estão concentradas principalmente nos parques eólicos se configuram como as principais
municípios assentados sobre a porção ocidental do ameaças à geodiversidade nessa área.
Escudo Sul-rio-grandense, como Caçapava do Sul, As áreas campestres desempenham um
Lavras do Sul, Bagé e Santana da Boa Vista. Nesta papel fundamental no bioma Pampa, contribuindo
região, verifica-se elevada associação paisagística significativamente para a biodiversidade e os
dos afloramentos rochosos com os elementos da serviços ecossistêmicos da região (Andrade, et al.,
geodiversidade, vinculada a grande variedade de 2023). De acordo com a Figura 3, as superfícies de
rochas metamórficas, tais como xistos, quartzitos, Formação Campestre estão organizadas
filitos, anfibolitos, gnaisses e mármores em principalmente na região da Campanha Oeste, nos
estruturas deformadas e intrudidas por corpos municípios de Santana do Livramento, Quaraí,
graníticos, recobertas por formações sedimentares Rosário do Sul e Alegrete (Figuras 1 e 3). Essa
antigas e rochas vulcânicas de diversas porção é reconhecida pela alta riqueza de espécies.
composições e idades (Preciozzi et al.,1993; de Todavia, os solos são rasos e de difícil
Borba et al., 2013). Na região do Escudo Sul-rio- mecanização, explicando o porquê da ausência de
grandense, sobretudo no território do Caçapava práticas agrícolas no local.
Geoparque Mundial UNESCO, se distribuem Os resultados oriundos do mapeamento de
importantes superfícies de afloramentos rochosos coberturas e usos da terra no bioma Pampa
que formam o Geossítio Guaritas, caracterizado (Mapbiomas, 2020) revelam o predomínio de
por um conjunto de formas do relevo ruiniforme práticas de ocupação voltadas para as atividades
desenvolvidos sobre formações sedimentares do agrícolas, visto que a classe Agropecuária ocupa
Grupo Guaritas, na Bacia do Camaquã (de Borba e 42,25% (2766069,67 km²) desse território (Figura
Guadagnin, 2022) 3). Essa classe abarca atividades como Agricultura
As áreas de Campo Alagado ou Área (compreendendo o plantio de culturas temporárias
Pantanosa estão inseridas majoritariamente nas como o arroz irrigado, a soja, e as áreas destinadas
porções do bioma Pampa localizadas na Planície ao cultivo de outras culturas temporárias),
Costeira do Rio Grande do Sul, associadas, Pastagem, Silvicultura (Figura 3B) e Mosaico de
sobretudo, com os corpos lagunares do sistema Agricultura e Pastagem (Figura 3C).
Patos-Mirim e com o rosário de lagoas do litoral As áreas utilizadas para o plantio do arroz
norte gaúcho (Figura 3). Essas formações irrigado estão inseridas, principalmente, nas
alagadiças são denominadas regionalmente de porções de relevo rebaixado, como na região da
banhados e têm um papel importante na proteção fronteira oeste, abrangendo os municípios de Barra
contra a erosão da costa lagunar, na regulação do do Quaraí, Uruguaiana, Itaqui, Maçambará e São
ciclo hidrológico, na melhoria da qualidade da Borja. Nesta porção, são comuns os solos de baixa
água, na promoção da recreação e do turismo, entre aptidão agrícola, em função das características de
outros benefícios. Além disso, as áreas úmidas má drenagem e textura argilosa, podendo manter
costeiras são habitats importantes para diversas sua superfície com água, a depender das condições
espécies de fauna e flora, incluindo espécies climáticas (dos Santos et al., 2018). A textura
migratórias (Burger, 2000; Becker, e de Azevedo plástica dos solos dificulta a percolação por raízes,
Moura, 2007). sendo usados para o plantio do arroz irrigado
Destacam-se os banhados do Taim (Becker, 2008).
(protegido por uma Estação Ecológica de O arroz irrigado também é a matriz
32.806,31 hectares, criada no ano de 1986 e produtiva nos municípios da Planície Costeira do
designada como sítio Ramsar no ano de 2017) (da Rio Grande do Sul, desde o extremo sul em Santa
Costa e Sato, 2021); as amplas áreas de planície Vitória do Palmar, Rio Grande, Jaguarão e Arroio
flúvio-lacustres marginais ao Canal São Gonçalo Grande, se estendendo para os municípios da
(única conexão da Lagoa Mirim com a Lagoa dos porção da Planície Costeira Interna, desde Capão
Patos), que ocupam uma extensão de cerca de do Leão até Barra do Ribeiro. Isso se deve às
790,91 km² e se encontram ameaçadas por práticas características da geodiversidade dessas áreas,
do agropastoris e urbanas (Simon e Silva, 2015) e como solos mal drenados, relevo plano e
uma extensa área de banhados e campos litorâneos abundância hídrica.
dispostos alternadamente sob a forma de longas e O arroz está presente também na
estreitas faixas paralelas (cordões arenosos), Depressão Central, no entorno dos principais
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cursos fluviais das bacias hidrográficas do rio Jacuí culminando na expansão da atividade por todo o
e do rio Ibicuí, geralmente organizadas nas entorno.
planícies de inundação (como estratégia para as O avanço da soja no Bioma Pampa tem
práticas de irrigação), adjacentes às áreas de mata causado a conversão de áreas de pastagem em
ciliar. terras agrícolas, pressionando a paisagem e a vida
As lavouras de arroz irrigado contribuem pastoril pela demanda de terras para o cultivo desta
para significativas alterações na hidrografia e nas commodity. Isso gera mudanças na estrutura
formas do relevo. As canchas de cultivo são produtiva com novas práticas agrícolas e
organizadas em terraços agrícolas, delimitados por tecnologias, e impactos aos pequenos e médios
curvas de nível, a fim de manter a reserva de água pecuaristas devido aos crescentes custos
em seu interior. Isso altera o escoamento associados à pecuária extensiva (Monteblanco e de
superficial e subsuperficial das áreas onde esse David, 2022)
cultivo se estabelece, provocando alterações na As áreas destinadas à Silvicultura ocorrem
hidrodinâmica das bacias hidrográficas (Oliveira sobretudo no Escudo-sul-riograndense, nas bordas
Lopes et al., 2016; de Oliveira Lopes et al., 2017; de transição com a Depressão do Rio Jacuí,
Simon et al., 2017). A água utilizada para a prática abrangendo desde os municípios de Eldorado do
do arroz irrigado é oriunda de corpos d’água Sul e Guaíba, e se estendendo para as porções mais
artificiais e naturais (estes últimos, sobretudo nas elevadas, desde os municípios de Butiá e Pântano
lavouras situadas na região central e na Planície Grande, até Encruzilhada do Sul e Piratini. Nessa
Costeira do Rio Grande do Sul). A água porção as áreas de silvicultura estão organizadas de
disponibilizada para as canchas de cultivo de arroz forma contígua às áreas de Formação Florestal e
geralmente depende de um complexo sistema Formação Campestre naturais do Planalto Sul-rio-
antropogênico de canais de drenagem artificiais, grandense. Em conformidade com Hasenack
diques marginais e casas de bomba, necessários (2017), até a década de 1970 a silvicultura tinha
para conduzir e manter o nível da água nas lavouras pouca expressividade no Pampa, contudo em 1972,
(Simon e Silva, 2015) . a instalação da primeira indústria de celulose no
Pastagem, Outras Culturas Temporárias e estado impulsionou a silvicultura do eucalipto.
Mosaico Agricultura e Pastagem (Figura 3C) estão Em setembro de 2023 o Conselho Estadual
espacialmente associadas às áreas de plantio do do Meio Ambiente (Consema), aprovou o novo
arroz irrigado na área em estudo (Figura 3). De Zoneamento Ambiental da Silvicultura no estado
acordo com Hasenack (2017), o arroz irrigado, do Rio Grande do Sul. O documento possibilita a
dentre as culturas anuais temporárias, talvez seja a ampliação das áreas destinadas ao plantio de
que melhor convive com o campo nativo, pois espécies exóticas em até 4 vezes (cerca de 40 mil
historicamente o sistema de produção alterna as km²). Sem o manejo adequado, a silvicultura é uma
lavouras com a pecuária. O arroz é cultivado em atividade com potencial poluidor médio, segundo a
uma parcela da propriedade, e o restante da área Política Nacional do Meio Ambiente (Lei
permanece em pousio, possibilitando a 6.938/81) (Sul21, 2023). A silvicultura oculta
regeneração do campo nativo, que é destinado à importantes elementos da geodiversidade com
criação de gado (Hasenack, 2017). potencial valor geopatrimonial (de Borba et al.,
As áreas destinadas à plantação de soja 2013), além de contribuir para alterações na
foram identificadas principalmente na porção norte dinâmica hídrica e pedológica.
e noroeste do Pampa, nos campos do Planalto As Áreas Não vegetadas ocupam cerca de
Médio e Planalto das Missões, se estendendo pelos 1,76% (61015,49 km²) do Pampa e se manifestam
municípios de Palmeira das Missões e Carazinho, por meio das coberturas arenosas, classificadas
assim como também nos municípios inseridos na como Praias, Dunas e Areais. Também englobam
zona de transição geomorfológica da Depressão usos voltados para a Mineração (Figura 4),
Central e os Planaltos, como São Francisco de Infraestutura Urbana (Figura 3D) e a classe Outras
Assis, Unistalda e Santiago. Nessa porção Áreas não Vegetadas.
predominam os cultivos de sequeiros (técnica As áreas de Praia, Duna e Areal foram
agrícola para cultivo em áreas onde o regime de identificadas principalmente na porção costeira do
chuvas é escasso ou irregular durante o ano, aliado Pampa, abarcando as áreas de faixa de praia
às superfícies com maior drenagem) em função da (marinha e lagunar) e áreas de campos de dunas
característica dos solos, bem drenados e profundos (Figura 3). Cabe destacar que a classe Outras Áreas
(Hasenack, 2017). Nessa região do Pampa a não Vegetadas acabou englobando também
produção de soja se consolidou como atividade algumas porções arenosas, como cordões arenosos
predominante ao longo das últimas décadas, costeiros e em alguns casos, dunas costeiras
recobertas por vegetação. Nessa classe também
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estão inseridos os areais do sudoeste Pampeano, do fato dos resultados terem identificado a
nos municípios de Alegrete, Manoel Viana, São atividade de mineração em pequenas áreas do
Francisco de Assis e Maçambará, entre outros, Pampa (Figura 4) enfatiza-se a possível
onde ocorre o processo de arenização (Binda e subestimação da atividade. Isto pode ter ocorrido
Verdum, 2015). Os areais são constituídos por em função da escala de mapeamento e das
Neossolos Quartzarênicos Órticos, ou seja, solos características de ocupação geográfica da atividade
arenosos, altamente sujeitos à erosão e constituem minerária, que de forma geral são organizadas em
uma herança de climas mais secos do que o atual, escala locacional, em pequenos espaços, porém
fornecendo evidências paleoclimáticas importantes com intervenções ambientais incisivas e
para a compreensão da evolução da paisagem profundamente impactantes. Além disso,
(Gomes et al., 2022). atividades de mineração direta em cursos fluviais,
As áreas destinadas à mineração (Figuras como a extração de areia (Figura 4B), não são
3A e 4) foram identificadas nos municípios de passíveis de identificação por meio do
Minas do Leão e Butiá na porção norte do Pampa, mapeamento de usos da terra.
bem como em Caçapava do Sul e Candiota. Diante

Figura 4: Mosaico de fotografias de campo de áreas de mineração no bioma Pampa. A) Mineração ativa em
Dom Feliciano/RS; B) Embarcação para atividade de mineração de areia no Rio Jacuí em Rio Pardo/RS; C)
Lago artificial de mineração em Pantano Grande/RS; D) Mineração abandonada em processo de regeneração
em Caçapava do Sul/RS. Fonte: Registros obtidos pelos autores.

A infraestrutura urbana na área de estudo Abarca feições naturais como rios, lagos e lagoas,
se apresenta de forma mais representativa na região além de elementos artificiais como represas e
nordeste do Pampa, abrangendo a capital gaúcha, reservatórios. Destacam-se a Lagoa dos Patos
Porto Alegre e sua região metropolitana, (10.000 km²), a Lagoa Mirim (3.749 km²) e a
(organizada no entorno do Lago Guaíba). Os usos Lagoa Mangueira (800 km²), localizadas na porção
urbanos também se prolongam para a direção norte centro-sul da Planície Costeira do Rio Grande do
do bioma, na zona de transição entre a Depressão Sul. Trata-se do maior sistema lagunar do território
do Rio Jacuí e a Escarpa da Serra Geral, já inserida brasileiro, que apresenta uma dinâmica hidrológica
nos domínios do bioma Mata Atlântica. muito singular, uma vez que as lagoas dos Patos e
A classe Corpos d’ Água foi identificada Mirim são responsáveis pelo escoamento de um
em 9,5% (170924,56 km²) da área de estudo. sistema hidrográfico que abrange uma área com
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cerca de 180.000 km², englobando 54% do O Índice de Ameaças à Geodiversidade
território gaúcho e 16% do território uruguaio. A
única desembocadura desse mega-sistema A Figura 5 evidencia o predomínio de
hidrográfico no Oceano Atlântico ocorre através do médias a altas ameaças à geodiversidade no bioma
Canal da Barra do Rio Grande, localizado no Pampa, oriundas das práticas de usos da terra, visto
município homônimo. que. Juntas, as classes de Média, Alta e Muito Alta
Na porção norte da Planície Costeira do ameaças abrangeram 76,5% do total das cartas de
Rio Grande do Sul ocorre ainda o sistema de recobrimento da área em estudo, estando
rosário de lagoas4. Em função das características distribuídas em todas as regiões do recorte espacial
morfogenéticas da Planície Costeira os sistemas de em análise, associadas principalmente às
lagoas costeiras se configuram como importantes atividades agrícolas.
evidências científicas da gênese e da Das 1362 cartas de recobrimento do
morfodinâmica dos sistemas fluviais, lagunar e Pampa, 43 delas (3,16%) obtiveram valores Muito
marinho que sustentam as particularidades da Baixos de ameaça à geodiversidade, e 277 das
paisagem costeira no Pampa. cartas (20,34%), foram categorizadas na classe
Os reservatórios artificiais e represas Baixa ameaça. Foram identificadas 666 cartas
foram identificados em associação com as práticas (48,90%) com valor referente à Média ameaça à
de uso agrícola, sobretudo com os cultivos que geodiversidade. A classe Alta ameaça foi
demandam irrigação e, em alguns casos, para o identificada em 375 cartas (27,53%) de
abastecimento urbano. recobrimento da área de estudo. Por fim, apenas 1
carta na classe Muito Alta ameaça, correspondendo
a 0,07% do total de cartas do índice (Figura 5).

Figura 5: Mapa do índice de ameaças à geodiversidade pelo uso da terra no bioma Pampa..

4
Mosaico de lagoas costeiras, inseridas entre a Laguna Grande do Sul, com gênese, cronologia, estrutura
dos Patos e o oceano Atlântico, no litoral norte do Rio morfológica e características ecológicas diferentes
(Schafer, 1992).
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A quadrícula inserida na classe Muito Alta confinando a dinâmica hidrológica das planícies de
ameaça (Figura 5) está localizada em área de borda inundação, trazendo sérias ameaças aos serviços de
do bioma Pampa, tendo seu recobrimento regulação dos elementos da geodiversidade e
parcialmente inserido na área de estudo. Essa colocando em risco vidas e estruturas fundamentais
porção encontra-se em ambiente ecótono, entre o para o funcionamento de importantes cidades do
Pampa e a Mata Atlântica, sendo também zona de estado do Rio Grande do Sul. As enchentes de 2023
transição entre dos domínios geomorfológicos e a maior catástrofe ambiental enfrentada no Rio
gaúchos: a Depressão Central e o Planalto da Serra Grande do Su, em maio de 2024 reiteraram a
Geral. Essa quadrícula obteve valor compatível importância de considerar os elementos e a
com a classe Muito Alta ameaça em função dos dinâmica da geodiversidade no ordenamento
usos voltados para a infraestrutura urbana e o territorial e nas ações de planejamento ambiental.
plantio de culturas temporárias (soja). Essa orientação é ainda mais imperativa em um
O elevado valor do índice de ameaça nessa cenário de mudanças climáticas, onde as práticas
quadrícula de borda pode ser atribuído à humanas e os usos da terra derivados precisam ser
predominância de classes de uso da terra com planejados e reorientados.
potencial significativo de impactos ambientais. Na grande área onde predominam valores
Importante ressaltar que essa elevação no índice de ameaça Alta na porção norte do Bioma Pampa
não necessariamente reflete a totalidade da (regiões de Passo Fundo, Santa Rosa e Cruz Alta)
quadrícula, mas sim a parcela inserida no Pampa. estão localizadas as maiores áreas de produção de
Esta observação destaca a necessidade de soja do território gaúcho. Nestas áreas predominam
uma análise mais refinada e específica ao avaliar o latossolos, bem drenados e profundos, derivados
índice de ameaça em quadrículas de borda. É predominantemente de rochas basálticas da Bacia
crucial reconhecer que, apesar de os valores serem Sedimentar do Paraná.
elevados, eles são indicativos da intensidade de uso As áreas identificadas na categoria de
em uma fração específica da quadrícula. Média ameaça (Figura 5) estão inseridas
As quadrículas classificadas na categoria principalmente na região central do Pampa, onde as
de Alta ameaça (Figura 5) estão organizadas matrizes das ameaças foram os cultivos de soja e
basicamente em quatro porções do Pampa: arroz irrigado no centro-oeste, e a silvicultura,
(1) na fronteira oeste, abarcando sobretudo nas porções do Escudo Sul-rio-
municípios como Itaqui e São Borja, onde o grandense, se estendendo para a área de transição
principal vetor de ameaça foi o cultivo do arroz com a Depressão Central e a Planície Costeira.
irrigado; Todavia, essas porções também são recobertas por
(2) na região costeira, principalmente nas extensões de formação campestre (vegetação
áreas adjacentes ao conjunto de lagoas costeiras nativa típica do Pampa). Essa configuração de
(Lagoas Mirim, Mangueira, Patos, Casamento e ocupação adjacente por classes de coberturas da
Capivari) ou na planície de inundação de cursos terra resultou em níveis de Médias ameaças, que
fluviais, onde a ameaça identificada foi o cultivo do demandam monitoramento, pois tais núcleos de
arroz irrigado, prática econômica histórica na evolução de silvicultura e soja podem resultar em
região, justificada pelo aproveitamento das fragmentação e remoção de importantes áreas
características da geodiversidade local, como o nativas de formações campestres.
relevo plano, solos mal drenados e a As porções inseridas na classe de Baixa
disponibilidade de água; ameaça à geodiversidade ocorrem na região da
(3) na porção norte do Bioma Pampa, se Serra do Sudeste, sob abrangência do Escudo-sul-
estendendo até a Depressão Central, onde os riograndense, onde as formações florestais
vetores de ameaças estão vinculados às classes de compartilham espaços com as formações
cultivos agrícolas (arroz irrigado e soja), campestres, sendo reconhecidas como as áreas com
principalmente nas áreas planas associadas aos maior concentração de vegetação florestal do
cursos fluviais das bacias do Jacuí e Santa Maria; Pampa (Hasenack, 2017). Englobam considerável
(4) nos domínios da região metropolitana porção do território do Geoparque Caçapava
de Porto Alegre, sendo a urbanização a principal Mundial UNESCO, sobretudo os locais onde se
ameaça identificada nessas quadrículas. Cabe situam geossítios icônicos como as Guaritas e
destacar que esta é a porção com maior densidade Minas do Camaquã, o Rio Camaquã e o Cerro da
populacional e concentração de atividades Angélica.
industriais do estado do Rio Grande do Sul. Nessa Também foi classificada como Baixa
região, a ocupação das áreas de várzea para onde ameaça à geodiversidade a porção inserida na
confluem os principais afluentes do Lago Guaíba região geomorfológica da Cuesta de Haedo
(rios Jacuí, Taquari, caí, dos Sinos e Gravataí), vêm (município de Santana do Livramento, região da
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campanha gaúcha), em área de intersecção espacial Mirim (Figura 5). No entanto, no ano de 2021 o
com os limites da APA do Ibirapuitã, a maior governo estadual gaúcho tornou público o processo
unidade de conservação do estado em termos de concessão da Lagoa dos Patos para a instalação
dimensionais. Essa unidade de conservação foi de parques eólicos (Brasil de Fato, 2022). Este
criada com objetivo de proteção dos remanescentes processo vem desconsiderando os impactos
de mata aluvial e dos recursos hídricos da bacia do socioambientais negativos consequentes desse tipo
rio Ibirapuitã (BRASIL, 1992) e é gerida pela de empreendimento em sistemas lacustres ultra
esfera federal. recentes e de extrema importância para a
As unidades de conservação representam manutenção de processos ecológicos, como do
importantes espaços de proteção da geodiversidade sistema hidrográfico e estuarino, o fluxo de aves
e da biodiversidade associada perante os avanços migratórias e a pesca artesanal (Ministério do Meio
das ameaças dos usos da terra. Entretanto, segundo Ambiente [MMA], 2007). Além disso, parques
Lopes e Simon (2020) e Lopes et al. (2021), o eólicos ocasionam a perda da beleza cênica
Bioma Pampa, possui um dos menores graus de (poluição visual) (Katsaprakakis, 2012; Sieferd e
proteção, com cerca de 0,4% de sua área de Santos, 2016; Ribeiro et al., 2021), a redução da
abrangência protegida por unidades de balneabilidade (impactando atividades como o
conservação. De acordo com os autores citados, a turismo) e do aproveitamento econômico da Lagoa
fragilidade na conservação da natureza é dos Patos pelas comunidades tradicionais que
evidenciada pela falta de regularização fundiária e residem na em seu entorno. Sobre esta última
planos de manejo em muitas unidades de questão, de Andrade Evangelista et al. (2022)
conservação estaduais, que são o principal sistema destacam que as comunidades tradicionais de pesca
de conservação do Pampa. Isso resulta em unidades artesanal na Lagoa dos Patos são afetadas pelo
de conservação que existem apenas em listas e projeto de instalação de parques eólicos a partir de
documentos oficiais, mas que nunca foram possíveis restrições de acesso aos territórios
regularizadas, tornando o Sistema Estadual de tradicionais, causando conflitos e expulsão; de
Unidades de Conservação do Rio Grande do Sul o problemas ambientais como a privatização do bem
líder nesse aspecto. Além disso, a distribuição comum, afetando diretamente o modo de vida local
espacial das áreas protegidas ainda é desigual no e de conflitos e injustiças ambientais, confrontando
território do estado, deixando paisagens singulares os modos de vida das comunidades.
e fenômenos de relevância ambiental e Apesar de não ser uma ameaça inserida
antropológica desprotegidos no Bioma Pampa. diretamente nas quadrículas que abrangem as
Kubalíková e Balková (2023) destacam principais lagoas costeiras do estado do Rio Grande
que a geodiversidade pode ser ameaçada mesmo do Sul, as lavouras irrigadas marginais a estes
quando protegida legalmente devido a uma série de grandes corpos hídricos, sobretudo o arroz,
fatores. A falta de implementação efetiva das leis também precisam ser consideradas na avaliação
de proteção e a falta de fiscalização adequada deste índice de ameaças. A análise da Figura 5
podem permitir atividades impactantes. Além permite verificar a ocorrência de quadrículas com
disso, conflitos de interesse entre a conservação da valores de ameaça Alta nas porções marginais à
natureza e atividades econômicas como mineração, Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim. Nestas áreas se
construção ou desenvolvimento urbano podem situam municípios que se destacam historicamente
surgir. A falta de conscientização sobre a como grandes produtores de arroz irrigado, como
importância da geodiversidade pode levar a Camaquã, Jaguarão, Arroio Grande e Santa Vitória
práticas prejudiciais por parte da comunidade local do Palmar. Os corpos lagunares e seus principais
ou de visitantes. As mudanças climáticas também afluentes (rios Camaquã, Piratini e Jaguarão) são
representam uma ameaça, afetando diretamente a os principais locais de captação de água para a
geodiversidade e causando processos erosivos irrigação das lavouras. Durante o último episódio
acelerados, alterações nos padrões hidrológicos e do fenômeno La Niña, que ocorreu de forma
outros impactos que comprometem a integridade intensa entre os anos de 2020 e 2023 no estado do
dos elementos da geodiversidade sob proteção. O Rio Grande do Sul, a demanda de água dos recursos
aumento do turismo em áreas protegidas também hídricos costeiros lagunares para irrigação de áreas
pode resultar em pressão turística, causando agrícolas foi elevada. Tal situação acaba por gerar
impactos negativos como pisoteio excessivo, conflitos com os serviços de suporte aos
poluição, vandalismo e perturbação dos ecossistemas aquáticos (lagunares e fluviais) e
ecossistemas. terrestres (áreas úmidas que têm uma redução
As áreas classificadas como Muito Baixa
ameaça à geodiversidade estão associadas
espacialmente ao sistema de lagoas costeiras Patos-
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expressiva dos níveis de água superficial e geoconservação, como a criação de unidades de
subsuperficial). conservação integradas.
Os resultados obtidos a partir da avaliação Estas unidades são delineadas não apenas
do índice de ameaças à geodiversidade decorrentes com base nas características da geodiversidade,
dos usos da terra, combinados com os dados dos mas também considerando a biodiversidade,
subíndices de mineração e da presença de unidades especialmente em regiões onde as ameaças são
de conservação, podem proporcionar uma mais elevadas. Assim, esta abordagem holística
compreensão aprofundada das regiões mais não só identifica hotspots de geodiversidade, mas
impactadas pelas atividades antrópicas no bioma também sugere diretrizes eficazes para a
Pampa. Ao integrar esses dados ao índice de preservação da diversidade biológica dos biomas
geodiversidade, torna-se possível identificar as em um contexto de crescente antropização
áreas prioritárias para estratégias de auxiliando de forma eficaz para a gestão do
território.

Conclusões Alegre, e das planícies lacustres das lagoas Mirim


O presente estudo propôs, de forma e dos Patos estão sob forte pressão de processos
pioneira, uma forma de avaliar as ameaças dos usos históricos de expansão de áreas agrícolas e também
da terra à geodiversidade no bioma Pampa de áreas urbanas. As áreas urbanas comprimem
brasileiro. Os resultados derivados da metodologia importantes espaços de circulação e acomodação
desenvolvida revelaram as áreas em que os usos da do escoamento superficial e subsuperficial,
terra representam altos níveis de ameaças aos levando a perdas de ordem econômica e também
elementos abióticos, que ao serem cruzadas com o social, ao colocar em risco populações que habitam
índice de geodiversidade contribuirão para a esses locais. No norte do bioma Pampa, as regiões
identificação de hotspots de geodiversidade no produtoras de commodities inseridas em áreas de
Pampa. Tais informações fornecem uma base alta ameaça à geodiversidade devem ter um
científica de cunho geográfico com potencial monitoramento das pressões e impactos sobre áreas
relevância para a gestão territorial e para de nascentes e planícies de inundação de canais
conservação da geodiversidade e biodiversidade fluviais.
deste bioma. A ampliação de unidades de conservação
A metodologia desenvolvida possibilitou em um bioma tão heterogêneo em termos de
avaliar a intensidade dos usos e coberturas da terra paisagens como o Pampa é urgente. As UC’s tem
com base na hierarquia de graus de proteção e de papel importante na organização espacial de graus
ameaças que os mesmos oferecem no contexto das baixos de ameaças à geodiversidade, mas se
fragilidades ambientais. Além do mais, a estabelecem de forma rarefeita no bioma em
metodologia possibilita um monitoramento questão. Assim, é recomendável que este estudo
constante das ameaças derivadas do uso da terra, seja levado em consideração para a definição de
uma vez que se utiliza de dados open access do novas áreas protegidas, considerando não apenas a
Projeto MapBiomas. biodiversidade, mas também a geodiversidade.
O índice de ameaças derivadas do uso da As superfícies com muito baixo grau de
terra evidenciou o predomínio de graus de ameaça ameaça à geodiversidade no bioma Pampa são, na
média no bioma Pampa. Tal conjuntura indica atualidade, aquelas que se encontram sob as
alerta para a expansão de usos da terra, sobretudo a maiores ameaças potenciais. O sistema lagunar
partir da mecanização das práticas agrícolas e das Patos-Mirim representa a maior reserva de água do
áreas de silvicultura sobre as associações de estado do Rio Grande do Sul, sendo palco de
formações campestres e florestais que caracterizam projetos para captação de água para irrigação
as paisagens e os ecossistemas deste bioma. O agrícola e abastecimento rural, hidrovias e geração
monitoramento e a não-flexibilização das leis de energia eólica. Importantes cidades do estado
ambientais nesse espaço se fazem necessária para (Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) se situam nos
evitar a evolução do grau de ameaças nesses domínios da dinâmica destes corpos lagunares e
espaços que resguardam importante riqueza da seus afluentes, sendo que muitos planos de
geodiversidade e da biodiversidade. expansão urbana se fazem de forma incoerente com
Locais com graus de ameaça alto se os espaços das áreas úmidas, dos principais canais
impõem de forma grave sobre importantes sistemas de drenagem e das faixas de praia lagunar deste
responsáveis pela regulação hídrica do estado do sistema, podendo acarretar em ampliação dos graus
Rio Grande do Sul e do bioma Pampa. Porções do de ameaça à geodiversidade e riscos às populações,
vale do Rio Jacuí, no centro do estado, do Delta do sobretudo em um momento de mudanças
Rio Jacuí, na Região metropolitana de Porto climáticas com efeitos drásticos sobre esse sistema
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lagunar, que recebe todo o escoamento das bacias A avaliação das ameaças à geodiversidade
hidrográficas de parte do Rio Grande do Sul e do com base no uso da terra pode ser replicada em
Uruguai. diferentes contextos ambientais e recortes
Algumas questões precisam ser destacadas espaciais. A mesma metodologia pode ser adaptada
no que se refere à escala das informações adotadas para outros biomas e regiões, permitindo uma
para o desenvolvimento e aplicação da comparação ampla e contribuindo para um
metodologia proposta: 1) foi observado que os usos entendimento global das ameaças à geodiversidade
da terra com alto grau de ameaça à geodiversidade, no território nacional. Finalmente, vale destacar
como mineração e urbanização, podem ser que o índice de ameaças à geodiversidade pode
subestimados em função da extensão de área total orientar políticas de conservação e planejamento
ocupada pela atividade em uma determinada territorial, ajudando a identificar áreas críticas que
quadrícula. Nesse sentido, a avaliação individual exigem atenção especial. Também pode servir
dessas atividades em subíndices independentes como base para a elaboração de estratégias de
pode ser uma estratégia de equalização dos dados e mitigação de impactos ambientais.
de obtenção de resultados mais coerentes; 2) as
parcelas ocupadas pela silvicultura, quando Agradecimentos
organizadas de forma contígua às superfícies de
formação campestre ou florestal, parecem atenuar Agradecimento à Universidade Federal do
o nível de ameaça à geodiversidade. Esse achado Rio Grande (FURG) pelo empréstimo do drone
sugere a necessidade do aprimoramento da para registro fotográfico aéreo durante os trabalhos
metodologia de avaliação para capturar de campo.
adequadamente o nível dos impactos potenciais da
silvicultura em áreas como os biomas. Referências
A metodologia aqui exposta pode ser Alahuhta, J., Tukiainen, H., Toivanen, M., Ala-
aprimorada também a partir da inclusão de mais Hulkko, T., Farrahi, V., Hjort, J., Ikäheimo, T.
variáveis ou o refinamento das métricas usadas, M., Lankila, T., Maliniemi, T., Puhakka, S.,
podendo resultar em índices mais precisos e Salminen, H., Seppänen, M., Korpelainen, R.,
sensíveis às particularidades do Pampa brasileiro. Ding, D. (2022). Acknowledging geodiversity
Assim, é importante ressaltar que o nível de in safeguarding biodiversity and human health.
ameaça definido para cada classe de cobertura ou The Lancet Planetary Health, 6(12), e987–e992.
uso da terra não é um parâmetro fixo. Deve ser DOI: https://doi.org/10.1016/S2542-
revisado e adaptado de acordo com as 5196(22)00259-5
particularidades do recorte espacial de aplicação. A Andrade, B. O., Dröse, W., Aguiar, C. A. D., Aires,
flexibilidade na definição desses níveis levará a E. T., Alvares, D. J., Barbieri, R. L., Mendonça
resultados mais precisos e contextualmente Junior, M. D. S. (2023). 12,500+ and counting:
relevantes. biodiversity of the Brazilian Pampa. Frontiers
Além disso, o índice de usos da terra não of Biogeography, 15(2). DOI:
deve ser considerado isoladamente. É fundamental https://doi.org/10.21425/F5FBG59288
avaliá-lo em conjunto com outros critérios, como a Azevedo, Ú. R. de. (2007) Patrimônio geológico e
existência de áreas protegidas, atividades de geoconservação no Quadrilátero Ferrífero,
mineração e outras formas de ameaças Minas Gerais: potencial para a criação de um
espacialmente identificáveis, de acordo com as geoparque da UNESCO. (doctoral thesis.
características da área de estudo. Essa abordagem Universidade Federal de Minas Gerais).
abrangente permitirá uma avaliação mais completa Baeza, S., Vélez-Martin, E., De Abelleyra, D.,
das ameaças à geodiversidade, seguindo os Banchero, S., Gallego, F., Schirmbeck, J.,
parâmetros definidos por Bétard (2017). Hasenack, H. (2022). Two decades of land
Sugere-se que futuras pesquisas explorem cover mapping in the Río de la Plata grassland
a adaptação da metodologia incorporando a análise region: The MapBiomas Pampa initiative.
da evolução dos padrões de ocupação do espaço, Remote Sensing Applications: Society and
incluindo múltiplos cenários temporais de Environment, 28, 100834. DOI:
mapeamento, e identificando as matrizes de https://doi.org/10.1016/j.rsase.2022.100834
transição que protagonizaram as mudanças mais Becker, E. L. S. (2008). Solo do Rio Grande do Sul
significativas na ocupação do espaço ao longo do e sua relação com o clima (Doctoral
tempo. Tais avanços são plenamente executáveis a dissertation, Universidade Federal de Santa
partir dos dados espaciais temporais Maria).
disponibilizados pelo MapBiomas. Becker, F. G., Ramos, R. A., e de Azevedo Moura,
L. (2007). Biodiversidade: regiões da Lagoa do
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