CARDIO
CARDIO
Principal fator de risco modificável com associação independente e contínua para DCV, DRC e morte prematura.
Promove lesão de órgãos-alvo: IAM/DAC/IC/FA (coração); AVE (encéfalo); DRC (rins); DAOP (vasos);
Doença silenciosa;
Definição: elevação persistente da PAS ≥ 140mmHg e/ou PAD ≥ 90mmHg, aferida com técnica correta, em pelo menos duas
ocasiões diferentes. Recomenda-se validar as medidas de consultório por meio do MAPA, MRPA ou AMPA.
Diagnóstico
Em cada consulta deve-se aferir a PA 3 vezes, com intervalo de 1 a 2 minutos entre as medidas. A PA do paciente é a média das
duas últimas leituras, sem arredondamentos. As próximas medidas serão feitas no braço de maior valor.
Cuidados: repouso por 5 minutos, não conversar durante a aferição, paciente não pode ter tomado café ou bebida alcóolica nos
últimos 30 minutos, não pode ter feito atividade física nos últimos 60 minutos, deve estar com a bexiga vazia.
MAPA:
Vantagens: leituras noturnas, medições em condições de vida real, pacientes com cognição prejudicada.
MRPA:
Vantagens: mais acessível, mais envolvimento do paciente e melhora na adesão, ambiente domiciliar pode deixar o paciente mais
à vontade.
Protocolos:
Hipertensão do avental branco: paciente normotenso e sem fatores de risco apresenta elevação da PA no consultório.
Hipertensão mascarada: paciente normotenso no consultório, porém apresenta FR ou alterações sugestivas de LOA.
Classificação
Obs.:
Estratificação de Risco
Análise de urina;
Potássio plasmático;
Creatinina e TFG;
GJ e HbA1C;
Perfil lipídico: CT, HDL, TG; LDL;
Ácido úrico;
ECG;
Exames adicionais:
Microalbuminúria: pacientes hipertensos e diabéticos ou com síndrome metabólica ou com 2 ou mais fatores de risco;
USG de carótidas;
USG de rins;
Teste ergométrico;
Idosos Hígidos
Idosos Frágeis
Tratamento
Obs.: BB não são medicações preferenciais (promove aumento do risco de AVE). Podem ser utilizados em situações especiais:
pacientes hipertensos com FA, IC ou DAC.
Diuréticos Tiazídicos
Mecanismo de ação: atuam no túbulo contorcido distal, inibindo o cotransportador sódio-cloro. Inicialmente reduz o volume
circulante. Em 4 a 6 semanas promove redução da RVP.
Efeitos colaterais: HIPO volemia, natremia, kalemia, magnesemia// HIPER glicemia, lipidemia, uricemia, calcemia// disfunção erétil.
Diuréticos de Alça
Indicações: ClCr ≤ 30mL/min// Creatinina > 2,0mg/dL// retenção de sódio e água// edema (ex.: IC, síndrome nefrótica).
Exemplo: espironolactona.
IECA
Confere nefroproteção (vasodilatação das arteríolas eferentes nos glomérulos – cuidado na associação com AINH, que atuam
promovendo vasoconstrição na arteríola aferente, resultando em queda na TFG e IRA).
Exemplos: captopril 25 a 150mg 8/8 ou 12/12h; enalapril 5 a 40mg 1vez ao dia ou 12/12h.
BRA
Exemplos: losartana 50-100mg 12/12h ou 1 vez ao dia (efeito uricosúrico: boa opção para pacientes com gota).
BCC
Mecanismo de ação: promovem vasodilatação por meio do bloqueio dos canais de cálcio na musculatura lisa das arteríolas,
resultando em menor RVP.
Di-Hidropiridínicos: causam mais vasodilatação. Ex.: anlodipino 2,5 a 10mg 1 vez ao dia, nifedipino.
Não Di-Hidropiridínicos: maior ação inotrópica e cronotrópica negativas. Ex.: verapamil, diltiazem. Promovem piora da
IC e bradicardia.
Efeitos colaterais: edema maleolar bilateral, cefaleia, tonturas, dermatite ocre – dose-dependentes.
Obs.: a associação de IECA e BRA promove aumento dos efeitos colaterais, como hipercalemia, hipotensão e disfunção renal,
sendo portanto proscrita.
BB
→ Obs.: pacientes portadores de Asma ou DPOC, optar por BB cardiosseletivos (ex.: bisoprolol).
Outros Anti-Hipertensivos
Alfabloqueadores: doxazosina.
Vasodilatadores diretos: podem ser úteis em pacientes com DRC e hipercalemia, mas não devem ser usados em monoterapia.
Ex.: hidralazina (efeitos colaterais: cefaleia, taquicardia, reação lúpus-like); minoxidil (ef. Colateral: hirsutismo).
Início do Tratamento
Iniciar tratamento medicamentoso: HAS estágio 2 e 3, HAS estágio 1 com RCV moderado ou alto e pré-hipertensos com RCV alto.
→ PA 130-139x85-89// HAS estágio 1 baixo risco// idosos frágeis: monoterapia.
→ HAS estágio 1 moderado ou alto risco// HAS estágio 2 ou 3:
o Terapia dupla: IECA/BRA + BCC/DIU
o Terapia Tripla: IECA/BRA + BCC + DIU
o Quarto fármaco: espironolactona.
Hipertensão Resistente
Definição: PA não controlada apesar do uso de 3 anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses otimizadas.
HAS Secundária
Devido a presença da placa aterosclerótica, a luz do vaso se torna menor e a entrega sanguínea portanto é menor. Diante de
situações de desequilíbrio entre a oferta e o consumo, ocorre isquemia do miocárdio.
Quadro Clínico
Angina típica: dor retroesternal/precordial, em aperto/peso/queimação, com irradiação para MSE, MSD ou mandíbula, com
duração de 5 a 20 minutos, associada a sudorese ou palidez, com piora ao estresse e esforço físico e melhora com repouso e
nitrato.
Quadros atípicos: DM, mulheres, idosos, pós-transplantados, demência. Cursam com epigastralgia, dispneia, náuseas e vômitos e
mal estar inespecífico.
Classificação da Dor
1) Dor retroesternal.
2) Desencadeada por esforço ou estresse.
3) Melhora com repouso ou nitrato.
Ao exame físico: durante o episódio anginoso pode haver B3, B4, estertores pulmonares, xantomas, pulsos diminuídos em MMII.
Diagnóstico
Exames Laboratoriais
Pacientes crônicos: HMG/ Cr/ perfil lipídico/ perfil glicídico/ ECG (se normal, não exclui DAC)/ Radiografia de tórax (diagnósticos
diferenciais, suspeita de IC)/ Ecocardiograma (avaliação da função sistólica, alterações de contratilidade sugestivas de DAC).
Contraindicações: IAM recente (< 2 dias)/ dissecção aguda de aorta/ estenose valvar/ pericardite ou miocardite aguda/ DAOP.
Padrões no ECG que não permitem avaliação de isquemia: bloqueio de ramo esquerdo, ritmo de marca-passo, infra de ST ≥
1mm. Obs.: não impedem a avaliação da capacidade funcional.
Realizada em repouso e sob estresse físico ou farmacológico associado à radiofármaco. Possui maior sensibilidade e especificidade
que o teste ergométrico.
Angiotomografia de Coronárias
Indicada à pacientes com probabilidade intermediária ou que apresentem teste não invasivo com resultado inconclusivo.
Apresenta alto valor preditivo negativo.
Cateterismo Cardíaco
Indicações:
Lesões relevantes: > 50% em tronco de coronária esquerda ou lesão > 70% em outras coronárias.
Tratamento
Anti-hipertensivo – preferencialmente IECA: para todos os pacientes, principalmente se portadores de IC ou DM. Substituir por
BRA se contraindicação ou efeitos colaterais.
BB: 1ª escolha. Aumentar a dose até melhora dos sintomas. Meta: manter FC próxima a 60bpm.
BCC: 2ª escolha se contraindicações ao BB. Ex.: verapamil ou diltiazem (Obs.: não podem ser associados à BCC não di-
hidropiridínicos. Pode-se associar aos BCC di-hidropiridínicos – ex.: anlodipino). Devem ser utilizados na angina vasoespástica.
Nitratos de ação prolongada: 3ª escolha. Promovem venodilatação coronariana. Para alívio dos sintomas agudo pode-se usar
nitratos de ação rápida.
Revascularização
Insuficiência Cardíaca
Definição: anormalidade na estrutura e/ou função cardíaca que compromete a capacidade de enchimento (diástole) ou ejeção
(sístole) do sangue pelo VE.
Sintomas
Classificações:
Direita/esquerda;
Aguda/crônica;
Alto débito/baixo débito;
FE preservada/FE reduzida;
Estágios
Medicações já podem ser utilizadas desde o estágio B (pacientes com alteração estrutural, assintomáticos).
Exames Complementares
Básicos: HMG, eletrólitos, perfil glicídico e lipídico, função renal, hepática e tireoidiana. Na classe IIA, cinética do ferro (ferritina,
ferro sérico, saturação de transferrina).
Sobrecarga de pressão e de volume: BNP ou NT-proBNP. Indicações para solicitação: dúvida diagnóstica (dispneia de origem
cardíaca ou pulmonar), prognóstico e também é recomendado para avaliar resposta ao tratamento.
Ecocardiograma: avaliação inicial de todos os pacientes com suspeita de IC e diante de mudanças do estado clínico. Após o
tratamento, permite identificar se houve remodelamento reverso.
Tratamento
IC com FE Reduzida
Ação inotrópica negativa, pode cursar com piora inicial dos sintomas, mas promove benefício a longo prazo. Recomenda-se início
no estágio B, com doses baixas (ex.: carvedilol 3,125mg 12/12h). Pacientes com asma ou DPOC, optar por BB seletivo (ex.:
bisoprolol).
1) IECA/BRA
2) BB
3) Espironolactona
INRA – Inibidor da Neprilisina e do Receptor da Angiotensina – Sacubitril Valsartana: inibe a degradação do BNP.
Obs.: suspender IECA 36h antes de prescrever Sacubitril Valsartana, devido ao risco de angioedema.
Obs.: seu uso pode elevar o BNP, mas não o NT-Pro-BNP.
O uso do INRA no lugar do IECA pode ser considerado.
Reduz mortalidade.
Mecanismo de ação: inibe a reabsorção de glicose, levando a perda de glicose pela urina e consequentemente de agua, levando
à redução da pré e pós carga e da PA.
Indicações: disfunção de VE sintomática, apesar de terapia tripla otimizada, para reduzir sintomas em pacientes
hospitalizados// FA associada a disfunção do VE sintomática em paciente em terapia otimizada = controle de FC.
Contraindicações: disfunção de VE assintomática// ICFEP em ritmo sinusal.
Hidralazina + Nitrato
Indicações:
Disfunção sistólica sintomática em NYHA II a IV em pacientes com contraindicação ao uso de IECA ou BRA.
Pacientes negros em NYHA III-IV, apesar de terapêutica otimizada.
Disfunção sistólica sintomática refratária à terapêutica otimizada, independente de raça.
Obs.: reduzem mortalidade em afrodescendentes em terapia otimizada.
Mecanismo de ação: inibe a corrente IF do nó sinusal. Portanto, o paciente precisa ter ritmo sinusal.
Indicações: disfunção de VE sintomática, em paciente com terapêutica otimizada, em ritmo sinusal e com FC > 70.
Indicação (principal): disfunção sistólica com FEVE ≤ 35%, sintomática, em classe funcional II – III (NYHA), de etiologia isquêmica,
pelo menos 40 dias após infarto e 90 dias após revascularização, com terapêutica otimizada e boa expectativa de vida para
prevenir novos eventos.
IC com FE Preservada
Classificação Clínico-Hemodinâmica
Sintomas de Congestão: DPN, ortopneia, estertores crepitantes, edema de MMII, turgência jugular a 45º, ascite, B3, refluxo
hepatojugular.
Sintomas de Má-Perfusão: extremidades frias com perfusão reduzida, PAS < 90mmHg, rebaixamento do nível de consciência,
oligúria, lactato elevado.
Exames Complementares
Eletrocardiograma (Identificar IAM, arritmias como FA), RX de tórax, ecocardiograma, peptídeos natriuréticos (dispneia de origem
cardíaca ou pulmonar), troponina, função renal, eletrólitos, HMG, coagulograma, TGO, TGP.
Condutas
Tratar sintomas congestivos com diuréticos EV (a VO não é indicada, porque as alças intestinais podem estar
edemaciadas, comprometendo absorção).
Dose equivalente a dose oral ou o dobro.
Vasodilatadores (IECA, nitrato sublingual, nitroglicerina, nitroprussiato).
Obs.: pacientes em uso de INRA não devem usar IECA (risco de angioedema).
Onda P bífida (sobrecarga atrial esquerda) geralmente se associa à estenose de valva mitral.
Onda p pontiaguda (sobrecarga atrial direita): cor pulmonale, hipertensão pulmonar, estenose e insuficiência tricúspide, tetralogia
de fallot, anomalia de ebstein.
Causas de sobrecarga ventricular esquerda: HAS mal controlada, estenose aórtica, insuficiência mitral, cardiomiopatias.
BRD: pode ser fisiológico, mas pode estar presente em algumas doenças, como Chagas.
Hipocalemia: onda U.
Infra de ST
Infra em derivações precordiais: supra em v7, v8 e v9 (imagem em espelho)
Bradicardias: FC < 50
Bradicardia Sinusal: intervalo PR normal (<5mm), FC < 50. Pode ser fisiológico, ex.: atletas.
BAV 1º grau: inervalo PR > 200ms, porém toda onda P gera um QRS. Pode ser fisiológico e geralmente não gera sintomas.
BAV de 2º grau Mobtiz 1: toda onda p gera um QRS, mas a cada batimento o intervalo PR aumenta, até que em um momento a
onda p não gera QRS. Costuma ser benigno.
BAVT ou 3º grau: átrios e ventrículos apresentam ritmos diferentes. Dissociação completa entre átrios e ventrículos/ ausência de
condução AV.
Taquicardia sinusal: toda onda p gera um complexo QRS, FC > 100bpmm, QRS estreito.
Fibrilação Atrial: ausência de onda p (fibrilação do átrio), intervalo RR irregular, ritmo irregular, QRS estreito, ondas f.
Taquissupra (Taquicardia Paroxística Supravntricular): ocorre por reentrada nodal – ausência de onda P, ritmo regular, QRS
estreito.
Taquicardia supraventricular paroxística – ocorre por reentrada acessória: onda delta, intervalo PR curto (< 120ms);
Fibrilação Ventricular
Definição: elevação acima do percentil 99 da troponina + pelo menos 1 das alterações: sintomas de isquemia miocárdica/ nova
alteração no ECG/ desenvolvimento de onda Q patológica/ imagem com nova perda de miocárdio viável ou anormalidade no
movimento de uma parede (corresponde a isquemia)/ trombo coronariano no CATE ou necropsia.
Obstrução total da coronária acometida, levando a isquemia miocárdica transmural, levando ao supra de ST no ECG.
Quadro Clínico
Dor precordial, em aperto, queimação ou peso, com irradiação para MSD ou MSE, pescoço e mandíbula, com duração superior
a 20-30 minutos, associada a elevação da PA, taquicardia, sudorese (simpático/ acometimento de parede anterior) ou redução
da PA, bradicardia, náuseas e vômitos (parassimpático/ acometimento de parede inferior).
Quadro atípico: comum em mulheres, idosos e diabéticos. Pode cursar com dor epigástrica.
Eletrocardiograma
Mulheres: ≥ 1,5mm.
Homens acima de 40 anos: ≥ 2mm
Homens abaixo de 40 anos: ≥ 2,5mm
Derivações V3R, V4R, V7, V8 e V9: ≥ 0,5mm.
IAM com supra de ST com QC clássico e ECG alterado: não aguardar troponina para iniciar condutas.
Sempre que identificar infra em V1, V2 e V3: solicitar derivações posteriores V7, V8, V9.
Classificação de Killip (Prognóstico)
Tratamento
Se falha da trombólise, encaminhar com urgência para realização de angioplastia. Em caso de sucesso na trombólise, encaminhar
o paciente para realização de CATE em até 24h.
Angioplastia é melhor.
Via radial é superior à via femoral.
Preferência por stent farmacológico.
Só pode ser realizada em até 12h após infarto, ou se persistir a dor por mais tempo.
Prescrição no IAMSST
2º) Clogidogrel
Anticoagulação
Trombólise: 30mg EV em bolus (<75 anos), após, 1mg/Kg 12/12h (15 minutos após bolus)
Morfina: apenas se dor refratária ao uso de nitratos, pois pode afetar a absorção do 2º antiagregante plaquetário.
V3R e V4R
Coronária direita
Supra ≥ 0,5mm.
Não utilizar nitrato: promove vasodilatação.
Betabloqueador
o Nas primeiras 24h.
o Pacientes sem sinais de IC de baixo débito.
o Preferencialmente VO.
o EV – hipertensão, taquiarritimia, isquemia recorrente.
o Contraindicações:
o FC < 60bpm
o PAS < 100mmHg
o BAV de 2º grau e BAVT
o Killip ≥ II
IECA/BRA
Nas primeiras 24h se PA estável para pacientes com IC, HAS, DM, IAM anterior. Deve ser iniciado em doses baixas.
Espironolactona
Estatinas
Iniciar na internação
Estatinas de alta potência
Meta LDL < 50mg/dL (paciente de alto RCV).
SCA sem supra de ST: ocorre pela obstrução parcial de uma ou várias coronárias, levando a uma isquemia subendocárdica.
Subdivide-se em:
IAM sem Supra de ST: cursa com elevação de marcadores de necrose miocárdica.
Eletrocardiogrma
Quadro Clínico
Troponina convencional
Troponina ultrassensível
Reinfarto
Tratamento
Analgesia
1º) Nitratos: isossorbida ou nitroglicerina. Contraindicados se hipotensão ou uso recente de inibidores da fosfodiesterase.
2º) Betabloqueadores
3º) Morfina: apenas se já foi utilizado nitratos e betabloqueadores, na dose de 2 a 4mg. Não é uma boa opção porque o edema
de alças intestinais pode prejudicar a absorção do fármaco e também aumenta mortalidade.
Cateterismo
Instabilidade hemodinâmica;
Choque cardiogênico;
Angina refratária;
IC aguda;
Arritmia maligna/PCR;
Alterações dinâmicas no segmento ST.
CATE em 24 horas: pacientes de alto risco
Teste não invasivo para pacientes de baixo risco: teste ergométrico, cntilografia miocárdica, angioTC de coronárias.
Nos casos de pacientes com IAM de alto risco e que irão para a angioplastia, não será necessário fazer o 2º antiagregante. Será
feito após a cirurgia pelo hemodinamicista, pois seu uso contraindicaria a cirurgia.
Anticoagulação
HBPM – Enoxaparina
Obs.:
Betabloqueadores: VO nas primeiras 24h, se baixo risco de choque cardiogênico. Contraindicações: intervalo PR > 240ms, FC <
60, PAS < 90, BAV 2º Grau e BAVT, Killip > 2.
Bloqueadores dos canais de cálcio (BCC):
Diidropiridínicos: anlodipino
Isquemia refratária
IECA/BRA
Espironolactona
Estatinas
IBPs (pantoprazol se em uso de clopidogrel): pacientes com risco de sangramento gastrointestinal. Ex.: úlcera péptica, H. Pylori,
DRGE.
Fibrilação Atrial
Principal arritmia sustentada, apresenta elevada prevalência, tipicamente acomete átrio esquerdo e é importante fator de risco
para AVE tromboembólico. Raramente é uma condição única, mas sim uma consequência de outras patologias.
Fisiopatologia
Confirmação diagnóstica pelo eletrocardiograma: arritmia sustentada por pelo menos 30 segundos.
Quadro Clínico
Escore EHRA
→ I – Assintomático
→ IIa – sintomas leves, sem repercussão no dia a dia.
→ IIb – sintomas moderados, atividades diárias não são afetadas, mas incomoda o paciente.
→ III – sintomas graves, que afetam as atividades diárias.
→ IV – sintomas incapacitantes.
Classificação
Paroxística: arritmia que dura até 7 dias e termina espontaneamente ou após intervenção.
Persistente: dura de 7 dias a 12 meses.
Permanente: optado por não reverter a arritmia.
Escores
Obs.: não calcular escore Chadsvasc para FA valvar (estenose mitral ou prótese metálica) , estes serão de alto risco para eventos
tromboembólicos independente da pontuação.
Tratamento
Inibidores do Fator Xa
São preferenciais.
Os NOACs são proscritos para pacientes com prótese mecânica ou estenose mitral moderada à grave (FA valvar). Opção: varfarina
(marevan) na dosagem necessária para manter INR entre 2 e 3.
Alguns pacientes não toleram anticoagulação a longo prazo (ex.: custo, mobilidade, monitorização do INR). Opção: oclusão do
apêndice atrial esquerdo, seguido de anticoagulação por 45 dias com varfarina.
Controle de Ritmo
Indicações: 1º episódio de FA, pacientes jovens, poucas ou nenhuma comorbidade, pacientes muito sintomáticos com FA
paroxística, átrio esquerdo normal ou pouco aumentado, pacientes sem cardiopatia estrutural, opção do paciente, evidência de
taquicardiomiopatia.
Opções:
Cardioversão elétrica;
Cardioversão química:
→ Pacientes com cardiopatia estrutural (HAS com HVE, DAC, IC): amiodarona EV.
→ Pacientes sem cardiopatia estrutural: propafenona VO.
Após reversão para o ritmo sinusal, serão necessárias medicações que auxiliem na manutenção do ritmo, portanto essas
medicações serão mantidas. A ablação é sempre uma opção.
Controle de Frequência
Passadas as 4 semanas, utilizar o escore ChadsVascs para avaliar cada caso.
A anticoagulação oral independe da escolha entre controle de ritmo ou de frequência cardíaca. Também independe da duração
da FA. Ela é guiada pelo escore ChadsVasc.
Taquiarritmias e Bradiarritmias
Taquiarritimias
Flutter Atrial
Características do ECG
Tratamento definitivo: ablação do “istmo cavo-tricuspídio”através cateter de radiofrequência, com taxa de sucesso de 92% se
procedimento único e 97% se procedimento múltiplo. Até a realização do procedimento, é realizado controle de FC com BB e
BCC não-diidropiridínicos. O Flutter Atrial também responde bem à cardioversão (50J), que pode ser realizada antes do tratamento
definitivo. Antiarrítmicos (amiodarona) não são indicados para controle de ritmo, pois as taxas de sucesso são baixas.
Taquicardia Paroxística Supraventricular
TRN/ TRAV
Sintomas: palpitações, tonturas, dispneia, precordialgia, sinal de frog (pulsações no pescoço). É mais comum em mulheres.
Tratamento – TRN
Pacientes estáveis:
Manobras vasovagais (valsalva/ valsalva modificada/ massagem de seio carotídeo – pacientes sem DAC);
Medicações: adenosina EV (acesso calibroso + flush – meia vida de 10 segundos) 6mg (1ª dose)/ 12mg (2ª dose).
Contraindicações: BAV 2ºgrau ou BAVT/ broncoespasmo/ doença do nó sinusal.
Outras opções: metoprolol (BB), verapamil/diltiazem (BCC);
Cardioversão elétrica: se não respondeu às medidas anteriores.
Múltiplos focos ectópicos atriais, resultando em ondas p com morfologias diferentes. É comum em pacientes com DPOC. O
tratamento é focado nas doenças de base do paciente e tratamento de distúrbios eletrolíticos.
Pré-Excitação Ventricular
ECG: intervalo PR curto (<120ms), onda delta, alargamento do QRS (> 100ms), alterações na repolarização ventricular (onda T
negativa).
Wolff-Parkinson-White: paciente com pré-excitação ventricular associada à sintomas (palpitação/taquicardia por reentrada
atrioventricular/síncope).
Taquicardia Ventricular
Na arritmia ventricular, o estímulo começa no ventrículo, indo em direção aos átrios. No ECG, o QRS será positivo em
aVR.
Corresponde à 80% das taquicardias de QRS largo.
Tratamento
Critérios de Instabilidade:
Tratamento
Paciente estável: sulfato de magnésio 1 a 2g EV em 15 minutos/ atenção com eletrólitos/ revisar prescrição (medicações que
podem prolongar intervalo QT).
Alargamento progressivo do intervalo PR, até o momento em que uma onda p é bloqueada.
Tratamento
Bradicardias sintomáticas (FC < 40): angina, dispneia, RNC, sinais de choque.
Medicações
Ex.: cefaleia, migrânea, ansiedade, estresse, síndrome do pânico. São os sintomas que levam a elevação da PA e não o contrário.
Conduta: ambiente calmo, acolhimento, tratamento sintomático (ex.: analgésicos para enxaqueca, ansiolítico para ansiedade).
Retorno médico.
Urgências Hipertensivas
Não há lesão aguda de órgão alvo (não há risco iminente de morte), mas tem risco se não realizar o tratamento.
Conduta: ambiente calmo, medicação VO com meta de redução da PA em 24 a 48h. Opções: captopril 25 a 50mg ou Clonidina
0,1 a 0,2mg. Retorno ambulatorial precoce.
Emergências Hipertensivas
PAS ≥ 180mmHg e/ou PAD ≥ 120mmHg com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo, com risco iminente de morte. Ex.: AVEi,
dissecção aguda de aorta, IAM, eclampsia, HELLP, AVEh, EAP, encefalopatia hipertensiva.
Conduta: medicação endovenosa. Opções: nitroprussiato de sódio (nepride), nitroglicerina (tridil) (vasodilatadores diretos).
Ao chegar o desfibrilador, ligar, colar as pás no tórax do paciente, conectar o cabo no aparelho. Manter as compressões até que
o DEA forneça as instruções.
Parada Respiratória
Realizar com bolsa e máscara 1 ventilação a cada 6 segundos, cada uma com duração de 1 segundo, verificar a elevação do tórax
e checar pulso a cada 2 minutos.
Causas reversíveis:
5Hs:
Hipovolemia;
Hipóxia;
Hidrogênio (acidose);
Hipo/hipercalemia;
Hipotermia;
5Ts
Quando intubar o paciente? Se a causa da PCR for hipóxia. Se a ventilação com bolsa-válvula-máscara for eficiente, não é
necessário intubar. Caso não seja eficiente, optar por medidas não invasivas e por fim via aérea avançada (intubação). A partir de
então, são feitas compressões contínuas e 1 ventilação a cada 6 segundos.
Capnografia
Dislipidemias
Classificação Bioquímica
Aterosclerose significativa (obstrução ≥ 50%) em artérias coronárias, cerebrovasculares ou vascular periférica, com ou sem eventos
clínicos.
Alto Risco
Pacientes em prevenção primária com ERG > 20% em homens e 10% em mulheres OU condições agravantes (LDL ≥ 190, DRC
com ClCr < 60mL/min, aneurisma de aorta abdominal, aterosclerose subclínica, DM com comorbidades.
Aterosclerose subclínica: placas ateroscleróticas na AngioTC de coronárias, USG de carótidas com presença de placas,
escore de cálcio > 100U, índice tornozelo braquial < 0,9.
ERG: avaliação do risco de eventos cardiovasculares em 10 anos (AVE, IAM, IC e doença arterial periférica). Variáveis: idade, HDL,
CT, PAS em tratamento e não tratada, tabagismo e diabetes.
Risco Intermediário
Homens com ERG de 5 a 20%, mulheres com ERG de 5 a 10% e pacientes com DM sem estratificadores de risco e doença arterial
subclínica.
Risco Baixo
Fórmula de Friedwald:
Não é necessário jejum para coleta do perfil lipídico, exceto de TG > 440mg/dL.
Tratamento
Estatinas
Deve ser tomada à noite (a síntese do colesterol endógeno é maior à noite, por isso a Sinvastatina, que possui meia vida mais
curta, deve ser tomada à noite. Atorvastatina e Rosuvastatina, que possuem meia vida maior, podem ser tomadas em qualquer
horário do dia).
Principal efeito colateral: miopatia com dor muscular, câimbra, rabdomiólise. Quando aparecerem, pode-se trocar a classe da
medicação.
Ezetimiba
Fibratos
Obs.: a associação de estatinas com gemfibrozil é proscrita pelo risco de rabdomiólise. Outros fibratos podem ser associados às
estatinas.
Síncope
Definição de Síncope: perda total, súbita e transitória da consciência. É causada por hipofluxo cerebral. Apresenta início agudo,
curta duração e recuperação total e espontânea do nível de consciência.
Etiologias
1) Reflexa ou Neuromediada
Vasovagal: estresse ortostático, medo, dor, sintomas prodrômicos (palidez, sudorese, mal-estar, visão embaçada); Comum em
jovens, sem comorbidades e sem cardiopatia estrutural, em dias quentes, precedida por pródromos.
→ Tratamento: tranquilizar a paciente, medidas não farmacológicas, evitar situações desencadeadoras, aumentar ingesta
hídrica e salina, orientar se surgirem sintomas prodrômicos manobras de contrapressão.
Formas atípicas.
2) Cardíaca
Etiologias:
Taquiarritmias, bradiarritmias.
Doença cardíaca estrutural (SCA)/ estenose aórtica/ cardiomiopatia hipertrófica.
História Clínica:
Eletrocardiograma:
Isquemia aguda;
BAV 2º grau Mobtiz II – BAVT;
Bradicardia persistente < 40bpm ou pausas > 3 segundos;
Bloqueio de ramo;
Sinais de sobrecarga ventricular;
TV ou TSV;
Exame Físico
Sopro cardíaco;
PAS < 90mmHg;
Bradicardia < 40bpm;
Sangramento digestivo;
Caso clínico clássico: paciente adulto, de meia idade ou idoso, com comorbidades e cardiopatia estrutural, achados de alto risco
na história clínica e ausência de pródromos. Conduta: internação.
3) Hipotensão Ortostática
Queda da PAS > 20mmHg ou da PAD > 10mmHg ao se levantar ou queda da PAS para menos de 90mmHg.
Comum em idosos com comorbidades ou em uso de diuréticos, BB, e em diabéticos ao se levantarem muito rápido.
Valvopatias Aórticas
Estenose Aórtica
Dispneia 2 anos;
Síncope 3 anos;
Angina 5 anos;
Etiologia
Aterosclerótica/degenerativa.
o Sensibiliade – calcificação valvar.
o Rrelacionada à aterosclerose;
o Associaçõ com DAC (50% dos caos
o Insuficiência Aórtica
Reumática
o Acometimento mtroaórtico.
o Faixa etáia mais jovem
o Associada a graus variados de insuficiência aórtica.
Valva aórtica bicúspide. (congênita)
Exames Complementares
Radiografia de tórax: índice cardiotorácico normal (hipertrofia concêntrica), sinais de congestão pulmonar (por disfunção
ventricular).
Ecocardiograma
Fatores Complicadores
Insuficiência Aórtica
Etiologia
Reumática
Aterosclerótica
Valva Bicúspide
Etiologia secundária: doenças aórticas (ex.: aortite sifilítica, síndrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos, espondilite
anquilosante).
Sintomas
Epônimos
Pulso em martelo d´água ou de Corrigan: ascensão rápida de alta amplitude com término súbito.
Sinal de Traube/ Pistol Shot: sons audíveis na sístole e diástole ao auscultar a artéria femoral.
Sinal de Musset: movimentos similares ao aceno da cabeça.
Sinal de Hill: a PA dos MMII é 60mmHg maior que a dos membros superiores.
Sinal de Quincke: pulsação visível no leito ungueal.
Sinal de Muller: pulsação da úvula.
Sinal de Becker: pulsação das artérias da retina.
Exames Complementares
Fatores Complicadores
Falha na abertura dos folhetos mitrais, resultando em sobrecarga atrial esquerda, poupando o ventrículo esquerdo. Resulta em
um sopro diastólico em ruflar com reforço pré-sistólico (contração final do átrio), presença de B1 e B2 hiperfonéticas (B2
aumentada é sugestivo de hipertensão pulmonar), estalido de abertura, congestão pulmonar (estertores bilateralmente) e IC
direita.
Etiologia
Principal: febre reumática, com surgimento dos sintomas entre 3ª e 4ª década de vida.
Degenerativa: calcificação, em idosos.
Causas raras: doença de fabry// síndrome carcinoide// LES// AR.
Sintomas
Outros: palpitações (surgimento de FA), hemoptise (hipertensão pulmonar), disfonia, disfagia (compressão de estruturas
mediastinais – esôfago e nervo laríngeo – pelo AE aumentado).
Exames Complementares
Radiografia de tórax: ICT normal// elevação do brônquio fonte esquerdo/ duplo contorno atrial à direita/ quarto arco na silhueta
cardíaca à esquerda/ sinais de congestão pulmonar.
Ecocardiograma: área valvar mitral < 1,5cm2// gradiente diastólico médio átrio esquerdo/ventrículo esquerdo ≥ 10mmHg/ pressão
sistólica da artéria pulmonar ≥ 50mmHg em repouso/ pressão sistólic da artéria pulmonar ≥ 60mmHg com esforço.
Fatores Complicadores:
Obs.: na FA valvar (estenose mitral) não é necessário calcular o Chadsvasc, pois o paciente já será considerado de alto risco. Para
estes pacientes só podemos usar varfarina.
Tratamento Clínico (melhora dos sintomas): diuréticos de alça, BB (aumenta o tempo da diástole, permitindo maior ejeção do
sangue pelo ventrículo esquerdo, com menor represamento do sangue no VE).
Intervenção: valvuloplastia mitral por cateter-balão (etiologia reumática)// troca valvar cirúrgica// implante valvar mitral
transcateter.
Insuficiência Mitral
Falha na coaptação dos folhetos da valva mitral após a diástole atrial, dessa forma o sangue volta do VE para o AE durante a
sístole ventricular. O sangue que regurgitou unido ao sangue que vem das veias pulmonares, um grande volume é direcionado
ao VE, resultando em hipertrofia ventricular excêntrica. Outros sinais são B1 hipofonética, B3 hiperfonética (hipertensão pulmonar),
B3. O sopro é sistólico regurgitativo holossistólico.
Exames Complementares
Eletrocardiograma: sobrecarga de camaras esquerdas, arritmias atriais ou ventriculares (extrassístoles e taquicardia) e fibrilação
atrial.
Radiografia de Tórax: aumento da silhueta cardíaca com dilatação do ventrículo esquerdo e do átrio esquerdo, sinais de congestão
pulmonar.
Fatores Complicadores
Ecocardiograma: fração de ejeção < 60%/ volume do átrio esquerdo > 60mL/m2.
Tratamento
Clínico: alívio dos sintomas congestivos: vasodilatadores, diuréticos. No entanto, o tratamento clínico não impede a progressão
da doença.
Intervenção