AO DOUTO JUÍZO DO__ JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA
ESTADUAL E MUNICIPAL DA COMARCA DE MANAUS/AM.
RAIMUNDO FEITOSA DE SOUZA, brasileiro, casado, servidor público
estadual, portador do SI/PMAM nº 8853 e do CPF n.º 241.158.862-34,
residente e domiciliado à Rua Cel. Danizio, n° 208, Santa Etelvina, Manaus -
Am - CEP. 69.059-192, neste ato representado por sua advogada que esta
subscreve, conforme procuração em anexo e e-mail:
blenda_barros@[Link], onde recebe intimações e demais atos
processuais, vem a presença de Vossa Excelência, ajuizar a presente AÇÃO
ORDINÁRIA DE COBRANÇA C/C PEDIDO DE LIMINAR em face de
FUNDAÇÃO AMAZONPREV, entidade fundacional, inscrita no CNPJ sob o
n°04.986.163/0001-46, com sede na Rua Visconde de Porto Alegre, n° 486,
Centro, Manaus/AM, pelas razões de fato e de direito que passa a expor.
1. PRELIMINARMENTE:
1.1. DA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DA
JUSTIÇA:
A parte Requerente não possui condições de arcar com as custas
processuais, sem comprometer o seu orçamento familiar.
Conforme inteligência do art. 98 CPC (Lei nº 13.105/2015), define-se
o necessitado, para fins legais, aquele cuja situação econômica não lhe
permita pagar custas do processo e os honorários de advogado.
Desse modo, em consonância com atual legislação, na qual
assegura que a parte gozará dos benefícios da assistência judiciária,
mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em
condições de pagar às custas do processo e os honorários advocatícios, tem
por ser pessoa natural essa respectiva presunção, conforme se depreende
do art. 99, parágrafo 3º, CPC/2015:
“Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça
pode ser formulado na petição inicial, na
contestação, na petição para ingresso de
terceiro no processo ou em recurso.
§ 3º. Presume-se verdadeira a alegação de
insuficiência deduzida exclusivamente por
pessoa natural.”
Diante disso, requer a concessão do benefício da Justiça Gratuita,
em todos os seus termos, a fim que seja isento de qualquer ônus decorrente
do presente feito, conforme prova declaração de hipossuficiência juntada
em anexo.
1.2. DA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DA
JUSTIÇA:
Conforme estipulado pela Lei 12.153/2009, os Juizados Especiais da
Fazenda Pública têm competência para julgar litígios envolvendo o Estado, o
Distrito Federal, os Territórios e os Municípios, desde que o valor não
ultrapasse 60 salários mínimos, exceto nos casos previstos no Art. 2, § 1º,
da mencionada lei, veja:
Art. 2º. É de competência dos Juizados Especiais
da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar
causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o
valor de 60 (sessenta) salários mínimos.§ 1o Não
se incluem na competência do Juizado Especial da
Fazenda Pública:
I – as ações de mandado de segurança, de
desapropriação, de divisão e demarcação,
populares, por improbidade administrativa,
execuções fiscais e as demandas sobre direitos ou
interesses difusos e coletivos;
II – as causas sobre bens imóveis dos Estados,
Distrito Federal, Territórios e Municípios, autarquias
e fundações públicas a eles vinculadas;
III – as causas que tenham como objeto a
impugnação da pena de demissão imposta a
servidores públicos civis ou sanções disciplinares
aplicadas a militares.
Dado que não há restrição quanto ao assunto em questão nos autos,
o Juizado Especial da Fazenda Pública é competente para julgar a presente
demanda.
2. DO ESCORÇO FÁTICO E ARGUMENTOS
O requerente adentrou na briosa Polícia Militar do Amazonas
em 01/09/1988, tendo incorporado o direito a 2 (dois) quinquênios de
adicional por tempo de serviço (ATS) até 16 de junho de 1999.
É de conhecimento geral que até 16/06/1999, conforme
estabelecido pelo Art. 20 da Lei Estadual n° 1.502/81, o militar recebia, a
cada cinco anos de serviço, um adicional de 5% (cinco por cento) do soldo
correspondente ao seu posto/graduação, o qual era recebido diretamente
em seu contracheque.
No entanto, a partir de 2012, seguindo o parecer da Procuradoria
Geral do Estado no processo n. 3.068/2012-PGE, o Adicional por Tempo de
Serviço (ATS) dos policiais/bombeiros militares deixou de ser reajustado com
base no soldo, permanecendo “estagnado” desde então.
Entretanto, o Tribunal de Contas do Estado – TCE/AM, em decisão
apropriada, adotou um entendimento oposto, considerando a ausência de
legislação que exclua o direito ao reajuste sobre o soldo, resultando na
emissão da Súmula nº 26 do TCE-AM.
Com o intuito de padronizar a interpretação, a Procuradoria Geral
do Estado emitiu um novo parecer (nº 37/2017-PPM/PGE), adotando
a mesma posição do Tribunal de Contas do Estado, superando assim
o posicionamento anterior (Parecer n. 3.068/2012-PGE).
No dia 2 de agosto de 2019, o Estado do Amazonas, por meio
da Lei 4904/2019, converteu a parcela ATS em Vantagem Individual
(VPNI), e estipulou a atualização das vantagens até a data dessa
legislação, conforme o Art. 2 da mencionada lei.
Entretanto, até o momento atual, a parte requerente permanece
recebendo valores desatualizados, devido à falta de pagamento do
adicional por tempo de serviço - ATS, calculado com base no soldo atual
e transformado em VPNI após 2019.
Devido à falta de correção dos valores no contracheque, a
parte requerente está sendo privada do direito à percepção integral de seus
vencimentos, afetando seu planejamento familiar. Importa salientar que o
montante devido, até o limite prescricional, totaliza a quantia abaixo
discriminada:
1° TENENTE
Além disso, a Procuradoria Geral do Estado do Amazonas, em sua
página web ([Link] ,
insta os militares a dirigirem-se à sua sede para negociar a correção dos
valores nos contracheques. Entretanto, ressalta-se que tal negociação
implica na renúncia de parte dos valores a que os militares têm
direito. Observa-se:
Meritíssimo, a parte autora não tem intenção alguma de renunciar ao
direito conquistado com muito esforço, ao longo de uma vida dedicada ao
serviço público, motivo pelo qual considera injusta qualquer proposta que
reduza seus direitos ou valores.
Nesse sentido, considerando o direito inequivocamente configurado
da parte requerente, a parte suplicante não visualiza outra alternativa
senão ingressar com a presente ação, visando receber a quantia
integralmente liquidada, acrescida de juros e correções, como um
imperativo de JUSTIÇA!
3. DO DIREITO:
1.1. DO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO – ATS
O direito suscitado pelo autor encontra-se expresso no art. 110, § 3º,
Constituição do Estado do Amazonas, e regulamentado no art. 20 da Lei
1.502/81, veja:
Art. 110. O Estado e os Municípios instituirão
conselho de política administrativa e remuneração
de pessoal integrado por servidores designados
pelos respectivos poderes.§ 3º A lei poderá
estabelecer requisitos diferenciados de admissão
quando a natureza do cargo o exigir, garantindo-se
aos servidores ocupantes de cargo público os
direitos dispostos no art. 7.º, IV, VII, VIII, IX, XII, XV,
XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX da Constituição
Federal, e ainda os que, nos termos da lei, visam à
melhoria de sua condição social e à produtividade
no serviço especialmente:
I - adicional por tempo de serviço;
Art. 20 da Lei 1.502/81:
Art. 20 - Ao completar cada quinquênio de
tempo de serviço, o policial-militar percebe a
Gratificação de Tempo de Serviço, cujo valor
é o número de cotas de 5% (cinco por cento)
do soldo do seu posto ou graduação, até o limite
de sete quotas.
A legislação em questão foi revogada em 16/06/1999, em
conformidade com a Lei 2.531/99, que trata do mesmo tema.
Art. 4º - Fica extinto o direito ao adicional por
tempo de serviço de que tratam os artigos 90, III,
e 94 da Lei nº 1.762, de 14 de novembro de 1986,
e demais regras similares do ordenamento jurídico
estadual, respeitadas as situações constituídas até
a data desta Lei.
No entanto, em virtude do direito adquirido, foi garantido aos
militares o recebimento dos quinquênios adquiridos antes da revogação da
lei, bem como sua base de cálculo: o SOLDO.
No entanto, como citado acima, a partir de julho de 2012, embasado
em parecer da PGE (n. 3.068/2012-PGE), o pagamento do adicional de
tempo de serviço dos policiais e bombeiros militares deixou de ser
reajustado sobre o soldo atual, tendo permanecido “estagnado” desde
então, conforme contracheque e destaque na planilha “VALOR
RECEBIDO”, isto é, além do valor percebido está defasado em decorrência
do congelamento ilegal – súmula nº 26 do TCE-AM, também é direito do
autor receber toda a monta não paga, de acordo com o
demonstrado no cálculo anexo.
Conforme entendimento sumulado do TCE:
SUMULA Nº 26 TCE/AM: O ADICIONAL POR
TEMPO DESERVIÇO, INCORPORADO AOS
PROVENTOS DOS MILITARES, DEVEM SER
CALCULADOS COM BASE NO SOLDO ATUAL,
ANTE A AUSENCIA DE LEI FORMAL EXPRESSA
DETERMINANDO OCONGELAMENTO DO
VALOR DA REFERIDA GRATIFICAÇÃO.
Diante do pedido de manifestação sobre o entendimento em questão,
a PGE emitiu seu pronunciamento.
“PARECER Nº 37/2017-PPM/PGE ADMINISTRATIVO.
CONSULTA. MILITARES ESTADUAIS. ADICIONAL POR
TEMPO DE SERVIÇO. EXTINÇÃO PELA LEI Nº
2531/99. ATUALIZAÇÃO COM BASE NO SOLDO
ATUAL. AUSÊNCIA DE NORMA
DETERMINANDO O CONGELAMENTO.
RECOMENDAÇÃO DE POSICIONAMENTO.
NECESSICADE DE EDIÇÃO DE LEI ESPECÍFICA.
ORIENTACAODO CHEFE DO EXECUTIVO.
- Esta Procuradoria tem firmado entendimento de
que a Lei Estadual nº 2531/99, ao extinguir o
adicional por tempo de serviço, automaticamente,
operou o congelamento de tal gratificação, de
modo a sujeita-la apenas a reajuste conforme os
índices de revisão geral dos servidores.”
- Em sentido contrário, o Tribunal de Contas do
Estado do Amazonas editou a Súmula nº 26,
dispondo que, enquanto não editada Lei tratando
especificamente sobre o congelamento do ATS
incorporado pelos militares estaduais, tal
gratificação se sujeita ao cálculo com base no
soldo atual. - Diferentemente das carreiras
militares, quanto às carreiras civis foi opção do
Chefe do Executivo propor a edição de leis
convertendo os adicionais por tempo de serviço já
incorporado sem vantagem pessoal nominalmente
identificada – VPNI.
– Nos processos judiciais que tratam sobre o
tema, tem amplamente prevalecido a tese
adotada pelo TCE. - Recomendação pela
superação de posicionamento, para o fim de
uniformizá-lo ao da Corte de Contas.
O parecer mencionado resultou na promulgação da Lei n. 4.904/2019,
que converteu o ATS em Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada
(VPNI). Vejamos.
Art. 1.º O artigo 1.º da Lei n. 3.725, de 19 de
março de 2012, passa a vigorar com a inclusão do
§ 5.º, com a seguinte redação:
“Art.1.º ....................................................................
..............
§ 5.º A importância relativa ao Adicional por
Tempo de Serviço, extinto pelo artigo 4.º da
Lei n. 2.531, de 16 de abril de 1999, passa a
constituir vantagem nominalmente
identificada, tomando por base de cálculo o
valor do soldo estabelecido na Lei n. 3.725,
de 19 de março de 2012, com as alterações
procedidas pela Lei n. 4.618, de 5 de julho de
2018,sujeita, exclusivamente, à atualização
decorrente da revisão geral da remuneração
dos servidores públicos estaduais.”
Art. 2.º As vantagens atualizadas até a data
desta Lei serão revistas e o valor excessivo
será segregado em rubrica específica e
mantido inalterado.
O tema em questão, inclusive, foi recentemente analisado pelo
Egrégio Tribunal do Amazonas, em um caso de remédio constitucional. Veja:
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO
ADMINISTRATIVO. ADICIONAL DE TEMPO DE
SERVIÇO JÁ INCORPORADO. CORREÇÃO
DEVIDA. ILEGITIMIDADE DO GOVERNADOR.
TEORIA DA ENCAMPAÇÃO. COMPETÊNCIA DO
TRIBUNAL PLENO. Aplicação do enunciado da
Súmula 26 do TCE/AM. Aplicação do parecer
37/2017 da PGE. Segurança concedida.
(MANDADO DE SEGURANÇA Nº 4003547-
65.2018.8.04.0000, Relator: Des. Flávio Humberto
Pascarelli Lopes Relator, data do julgamento:
12/03/2019).
Assim, fica evidente o direito do suplicante, sendo todas as
divergências superadas.
2. DA TUTELA DE URGÊNCIA
É evidente, através dos autos, que a aparência do direito, requisitada
pelo artigo 300 do Código de Processo Civil, e que corresponde à
probabilidade do direito pleiteado e ao perigo de dano para a parte autora,
está presente nos fatos expostos e nas provas anexadas à exordial. Este
conjunto probatório é essencial para a concessão da cognição sumária,
necessária para a tutela de urgência.
Repise-se, o autor vem sendo lesado há anos, por conta da ausência
do reajuste do ATS sobre o soldo e posterior transformação em
VPNI, haja vista que permanece “congelado” desde então, e impor ao
requerente o pesado ônus de aguardar pelo julgamento final desta
demanda, postergando desnecessária angústia pelo desejo de justiça,
quando concedida de maneira tardia, se revelaria grande desserviço da
Justiça.
Há fumus boni iuris pois o direito da parte suplicante é clarividente,
ante o direito adquirido quanto a quota e seu reflexo percentual com base
no SOLDO atual, em flagrante violação aos direitos do militar, tais como o
princípio do direito adquirido e da legalidade.
A verossimilhança das alegações é evidente mediante o conjunto
probatório dos autos, incluindo o chamado de acordo e o parecer do TCE,
entre outros.
O perigo da demora é evidente, pois o autor vem sendo lesado há
anos por negligência do Estado em promover a retificação do reajuste do
ATS/VPNI, cuja base de cálculo é o soldo, que está “congelado” desde julho
de 2012.
Nesse sentido, requer de imediato, em sede de cognição sumária, a
concessão da tutela antecipada, inaudita altera pars, para compelir a
parte Ré a REAJUSTAR O ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO –
ATS/VPNI, CALCULADO COM BASE NO SOLDO ATUAL, com a imposição
de multa diária em caso de descumprimento, além de outras medidas que
Vossa Excelência considere necessárias.
3. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS
Em face ao exposto, requer a Vossa Excelência:
a) A CONCESSÃO LIMINARMENTE DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA,
para seja expedido a competente ordem com o fito de obrigar a parte
Ré a REAJUSTAR O ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO –
ATS/VPNI, CALCULADO COM BASE NO SOLDO ATUAL, sob pena de
multa a ser arbitrada por este Juízo;
b) A CONCESSÃO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA, haja vista que a
requerente não possui meios de arcar com as custas processuais e
honorários advocatícios sem prejuízo do seu próprio sustento, nos
termos do art. 98 e seguintes do CPC;
c) A CITAÇÃO DO REQUERIDO, por intermédio de seus representantes
legais ou quem suas vezes fizer, para querendo, contestar a presente
ação, sob pena dos efeitos da revelia e confissão;
d) seja DISPENSADA a realização de AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E
MEDIAÇÃO, NOS MOLDES DO § 5º, DO ART. 334, DO NOVO CÓDIGO
DE PROCESSO CIVIL;
e) a intimação do representante do Ministério Público para emissão de
parecer;
f) A PROCEDÊNCIA DA AÇÃO, no sentido de CONDENAR O
REQUERIDO A PAGAMENTO na monta de R$ xxxxxxx (),
decorrentes das verbas não pagas ao autor a título de Adicional por
Tempo de Serviço (ATS), de acordo com sua patente e no
percentual (quotas) devido, conforme cálculos anexos, com a
aplicação de juros e correção monetária oficial, sem prejuízo das
parcelas vincendas consoante art. 323 do CPC;
g) Seja a RÉ condenada a pagar as despesas, custas e honorários
advocatícios com valor a ser arbitrado por Vossa Excelência;
A advogada que assina a presente Ação, usando as prerrogativas
que lhe são conferidas por lei, declara a veracidade por semelhança aos
originais de todos os documentos anexos a presente petição inicial.
Dá-se a causa o valor de R$ 63.929,53 (sessenta e três mil
novecentos e vinte e nove reais e cinquenta e três centavos).
Termos em que, Pede Deferimento.
Manaus-AM, 10 de junho de 2024.
Ivan Gleidson Trindade de Souza Farias
OAB/AM 11.9011