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Dispersão Urbana em Moçambique: Desafios e Impactos

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Shelton Sérgio Licoze

Resumo do artigo sobre dispersao hurbana em Moçambique

Licenciatura em Educação Visual

Universidade Pedagógica de Maputo

Novembro de 2024
2

Shelton Sérgio Licoze

Resumo do artigo sobre dispersao hurbana em Moçambique

Trabalho de pesquisa a ser apresentada na disciplina de


Planeamento físico, no curso de Licenciatura em
Educação Visual na Faculdade de Engenharias e
Tecnologias sob orientação do Docente: Mestre
Arsénio Nhavotso.

Universidade Pedagógica de Maputo

FET

2024
3

Dispersão Urbana: Conceitos, Contextos e o Caso de Moçambique

Introdução

A dispersão urbana, ou "urban sprawl", é um fenômeno contemporâneo que reflete as profundas


transformações ocorridas nas cidades ao longo do século XX e início do século XXI. Essa
dinâmica caracteriza-se pela expansão horizontal e descontínua das áreas urbanas, acompanhada
de baixa densidade populacional, fragmentação do território e forte dependência de automóveis.
Surgida em resposta ao avanço tecnológico, ao aumento da mobilidade e às mudanças nos
padrões de vida, a dispersão urbana gera impactos significativos na organização espacial, na
qualidade de vida e na sustentabilidade ambiental das cidades.

No contexto de Moçambique, o fenômeno da dispersão urbana ganha contornos específicos


devido à herança colonial, à guerra civil e ao rápido crescimento populacional. A capital Maputo
é um exemplo emblemático dessa realidade, combinando desafios históricos com demandas
contemporâneas. Este texto examina os aspectos gerais da dispersão urbana, seus impactos
globais e suas particularidades no caso de Moçambique, com ênfase na cidade de Maputo.
4

Contextualização da Dispersão Urbana

A dispersão urbana é uma das principais transformações das cidades contemporâneas, marcada
pela expansão fragmentada, descontínua e de baixa densidade, contrastando com o modelo
tradicional de cidade compacta. Conhecida como urban sprawl (inglês) ou étalement urbain
(francês), caracteriza-se pela expansão horizontalizada do tecido urbano.

Esse fenômeno intensificou-se com o surgimento dos automóveis, que aumentaram a mobilidade
e permitiram a expansão das cidades em múltiplas direções. Suas principais características
incluem:

 Crescimento disperso e descontínuo.


 Ineficiência no uso do espaço urbano.
 Alta dependência do automóvel.
 Baixa densidade populacional.
 Fragmentação territorial.

Características Fundamentais

Entre os principais traços da dispersão urbana, destacam-se:

 Crescimento Descontínuo: Áreas urbanas que se desenvolvem de maneira fragmentada,


com vazios entre bairros.
 Ineficiência no Uso do Espaço: Grandes extensões de terra ocupadas para habitação com
baixa densidade populacional.
 Alta Dependência do Automóvel: A falta de planejamento integrado exige
deslocamentos longos e onerosos.
 Fragmentação Territorial: Separação física e funcional entre bairros residenciais,
comerciais e industriais.

Causas do Fenômeno

A dispersão urbana é impulsionada por fatores como:

 Acesso facilitado ao transporte individual.


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 Especulação imobiliária.
 Desejo por habitações em áreas suburbanas, longe dos centros densamente povoados.
 Planejamento urbano inadequado, com políticas que priorizam o crescimento horizontal.

Impactos e Consequências da Dispersão Urbana

Saúde Pública

Em cidades dispersas, o uso intenso do automóvel reduz a prática de atividades físicas, como
caminhadas e ciclismo. Esse estilo de vida contribui para o aumento de doenças crônicas, como
obesidade e problemas cardiovasculares. Além disso, áreas periféricas muitas vezes carecem de
acesso a serviços de saúde, agravando ainda mais os desafios de saúde pública.

Aspectos Econômicos

A expansão horizontal aumenta os custos de infraestrutura urbana. Redes de transporte,


saneamento e energia precisam cobrir distâncias maiores, encarecendo sua implementação e
manutenção. O aumento das distâncias também eleva os custos de deslocamento diário,
impactando negativamente as populações de baixa renda.

Impactos Ambientais

A dispersão urbana contribui para a degradação ambiental, pois o crescimento das cidades
frequentemente substitui áreas verdes por construções. Essa mudança diminui a capacidade das
cidades de regular o clima, aumenta as emissões de gases de efeito estufa e reduz a
biodiversidade.

O Caso de Moçambique

Contexto Histórico e Características


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Herança Colonial:
Durante o período colonial, as cidades moçambicanas foram planejadas para facilitar a
exploração de recursos naturais e a exportação, com portos desempenhando um papel central.
Esse planejamento reforçou a segregação social e racial, institucionalizando a divisão entre a
"Cidade de Cimento" (áreas centrais com infraestrutura moderna) e a "Cidade de Caniço"
(periferias precárias).

Período Pós-Independência:
Após a independência, o país enfrentou uma guerra civil (1977-1992) que destruiu grande parte
das infraestruturas urbanas. Esse cenário, aliado a mudanças econômicas e sociais, resultou em
migrações massivas para os centros urbanos, levando ao crescimento desordenado de
assentamentos informais.

Características da Urbanização Moçambicana

Hibridização Urbana:
Moçambique combina traços de urbanização nativa, baseada em padrões tradicionais das
sociedades africanas pré-coloniais, com elementos de urbanização ocidentalizada, alinhados a
lógicas modernas e industriais.

Assentamentos Informais:
Cerca de 80% da população urbana vive em assentamentos informais, caracterizados pela
ausência de infraestrutura básica, como saneamento e eletricidade. Essas áreas apresentam alta
densidade habitacional, com cerca de 70 habitações por hectare, refletindo as condições precárias
e a carência de planejamento urbano.

Maputo: Um Exemplo Representativo

A capital Maputo exemplifica os desafios da dispersão urbana no contexto moçambicano:

 Evolução Histórica: Originalmente planejada como Lourenço Marques, a cidade


experimentou um rápido crescimento populacional após a independência.
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 Configuração Atual: A cidade combina um centro verticalizado, herança do período


colonial, com extensas periferias marcadas por habitações precárias e falta de
infraestrutura.

Problemas Urbanos

 Segregação Socioespacial: A histórica divisão entre "Cidade de Cimento" e "Cidade de


Caniço" persiste, perpetuando desigualdades.
 Mobilidade Urbana: O transporte público é insuficiente para atender às demandas da
população, levando à dependência de transportes informais.
 Especulação Imobiliária: A valorização das terras centrais desloca populações
vulneráveis para áreas ainda mais periféricas.

Tendências Recentes

 A expansão dos assentamentos informais continua, enquanto novos empreendimentos


voltados para as classes mais abastadas acentuam a segregação.
 A modernização da cidade tem sido limitada em termos de inclusão social, mantendo
desigualdades estruturais.

Conclusão

A dispersão urbana é um fenômeno que reflete as complexas interações entre história, economia e
sociedade. Em Moçambique, a urbanização desordenada é marcada pela coexistência de legados
coloniais e dinâmicas contemporâneas. A cidade de Maputo exemplifica como o crescimento
urbano, sem planejamento adequado, pode perpetuar desigualdades históricas, mesmo em
contextos de modernização.

Para enfrentar os desafios da dispersão urbana, é necessário implementar políticas públicas que
promovam o uso eficiente do solo, melhorem o transporte público e reduzam a segregação
socioespacial. Somente com um planejamento inclusivo será possível transformar a dispersão
urbana em uma oportunidade para cidades mais justas, resilientes e sustentáveis
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REFERÊNCIAS
ABRAMO, P. A cidade com-fusa: a mão inoxidável do mercado e a produção da estrutura
urbana nas grandes metrópoles latino- americanas. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e
Regionais, 9(2), 2007, p.25-54.
ALTVATER, E. Globalization and the informalization of the urban space. In:
BRILLEMBOURG, A., FEIREISS, K. e KLUMPNER,
H. (eds.). Informal city. Caracas case. Prestel: German Federal Cultural Foundation. 2005,p.
51-7.
AMARO, A. B. O processo de dispersão urbana e a questão ambiental: Uma comparação da
literatura estrangeira com o fenômeno no Brasil. In: Revista Formação (online). Presidente
Prudente, v. 4, n. 23, set-dez/2016. p. 107-136. ARAÚJO, M. G. M. Espaço
urbano demograficamente multifacetado: As cidades de Maputo e da Matola.
2006. Disponível em: www.apdemografia.pt. Acesso em: 08 abr. 2012.
ARAÚJO, M. G. M. Ruralidade – Urbanidade em Moçambique. Conceitos ou Preconceitos?
Revista da Faculdade de Letras-Geografia. I série. Vol. XVII-XVIII. Porto, 2002.
ARAÚJO, M. G. M. Os espaços urbanos em Moçambique. Geousp-Espaço Tempo, São Paulo,
nº 14, p.165-182, 2003.

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