DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA
CRÔNICA – DPOC
Prof. Jackson Damasceno
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Definição de DPOC
A DPOC é uma condição respiratória caracterizada por sintomas
respiratórios crônicos secundários a alterações enfisematosas – enfisema -
(do parênquima pulmonar) ou das vias aéreas (bronquite), de caráter
persistente, frequentemente progressiva, caracterizada pela obstrução do
fluxo aéreo. Ela é resultado de uma interação genética e de fatores
ambientais sendo o cigarro o principal fator causador.
Global Initiative For Chronic Obstructive Lung Disease
GOLD, 2023
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Definição de DPOC
É um estado patológico caracterizado pela limitação do fluxo de ar e que não é
plenamente reversível onde o indivíduo apresenta sintomas respiratórios
crônicos, como tosse, dispneia e escarro.
leva a uma obstrução persistente do fluxo aéreo de forma persistente e até
progressiva.
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Dados epidemiológicos no Brasil
Principal causa da DPOC: Tabagismo
Estima-se que 15-25% dos tabagistas evoluem para DPOC e que até 80% dos casos sejam
secundários ao tabagismo.
Em 2010, foram contabilizadas cerca de 141.994 hospitalizações
A DPOC também foi responsável por 7.937 mortes
2016 e 2018, foram hospitalizadas no Brasil aproximadamente 345.527 pessoas
Brasil é considerada a 3ª causa de morte
No mundo ocupa a 4ª posição em causa de morte
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Fisiopatologia
Limitação do fluxo aéreo pulmonar
A DPOC diminui a circulação de oxigênio no sangue
devido a uma resposta inflamatória
(acúmulo de mediadores
e dispara substâncias inflamatórias pelo organismo;
inflamatórios – migração de
neutrófilos, os macrófagos, linfócitos Provoca modificações nos brônquios como a
CD8 e células epiteliais, que migram bronquite crônica e no parênquima pulmonar como o
em grande quantidade para o
enfisema pulmonar
pulmão, onde são ativadas e
ocasiona a reação inflamatória) das
pequenas vias aéreas e destruição , que causa alterações estruturais e estreitamento
parenquimatosa através da inalação das pequenas vias aéreas, e assim será responsável
de partículas ou exposição a agentes pelo aprisionamento e limitação ao fluxo aéreo.
nocivos;
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Fisiopatologia
Outras causas: infecções respiratórias 13 recorrentes e desnutrição na infância,
deficiências genéticas, suscetibilidade individual, vulnerabilidade social;
Principais sintomas: dispneia aos esforços, fadiga, tosse produtiva ou
intermitente, produção de escarro, sibilância e chiado no peito.
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Fisiopatologia
Os sintomas, normalmente, começam a se
manifestar após esforços moderados;
Além de alterações nutricionais pode ocasionar a
perca de peso.
Com o grau de gravidade da doença, recorrente
a hipoxemia, pode se verificar o
braqueteamento digital;
Também, observam-se distúrbios emocionais como
depressão, ansiedade e isolamento social
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Fatores de risco
• 80% da DPOC desenvolve-se por causa do hábito excessivo de fumar.
• Tabagismo passivo
• Exposição ocupacional
• Poluição do ar ambiente – fumaça de lenha queimada
• infecções respiratórias graves na infância e condições socioeconômicas ruins.
• Anormalidades genéticas (deficiência de alfa1- antitripsina, um inibidor enzimático
que se contrapõe à destruição do tecido pulmonar por outras determinadas
enzimas), desnutrição e prematuridade
(CRUZ, 2020).
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Fatores de risco
(CRUZ, 2020).
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Manifestações clínicas
• Inicialmente, tosse, produção de escarro e dispnéia aos esforços.
• Tosse crônica, produção de escarro e limitação do fluxo de ar.
• Dispnéia intensa que dificulta a realização de atividades e exercícios brandos.
• Perda de peso.
• Utilização da musculatura acessória ao respirar.
• Hiperinsuflação crônica “tórax em barril”
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Diagnóstico
• Idade acima de 40 anos
• História de vida do paciente
• Exposição aos fatores de risco
• História médica pregressa (doenças respiratórias??)
• História familiar
• Padrão dos sintomas
• História de hospitalizações prévias
• Presença de comorbidades
• Provas de função pulmonar (espirometria)
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Diagnóstico espirométrico
A espirometria é um exame que consiste em medir os volumes e fluxo do ar expirado pelos pulmões. É
realizado por meio de uma máquina chamada o espirômetro, um aparelho no qual o paciente assopra
em um tubo que é capaz de registrar o volume e velocidade das inalações e exalações durante a
respiração, sendo um exame simples e não invasivo;
O marco do diagnóstico da doença é a presença de obstrução na prova de função pulmonar,
tradicionalmente representada por uma relação VEF1/CVF < 0,7 após o uso de broncodilatadores;
Volume Expiratório Forçado (VEF1) /Capacidade Vital Forçada (CVF)
(GRAFINO, 2022). 12
CLASSIFICAÇÃO
Pré-DPOC é o termo que vem sendo utilizado para definir indivíduos de qualquer
idade sintomáticos, que possuem algum grau de enfisema na tomografia de tórax ou
anormalidades funcionais como hiperinsuflação, redução de VEF1 e CVF, ainda sem a
presença de obstrução na prova de função pulmonar.
(GOLD, 2023). 13
CLASSIFICAÇÃO - TAXONOMIA
(GOLD, 2023). 14
CLASSIFICAÇÃO - TAXONOMIA
DPOC-G: doença relacionada a alterações genéticas como a deficiência de alfa-1-antitripsina.
DPOC-D: doença precoce caracterizada por alterações no desenvolvimento ou prematuridade.
DPOC-C: aquela relacionada à exposição ao cigarro.
DPOC-P: causada por exposição à poluição do ar e à biomassa.
DPOC-I: associado a infecções como HIV, pós tuberculose, ou infecções da infância.
DPOC-A: associada a presença de asma.
DPOC-U: doença de origem indeterminada.
(GOLD, 2023). 15
CLASSIFICAÇÃO ESPIROMÉTRICA DA GRAVIDADE DA DPOC
Com base nos valores de VEF1 pós-broncodilatação, podemos classificar o grau de obstrução no
DPOC como leve (GOLD 1), moderado (GOLD 2), grave (GOLD 3) ou muito grave (GOLD 4).
(GOLD, 2023). 16
CLASSIFICAÇÃO DAS EXACERBAÇÕES
O grupo A: mantém-se aquele com poucos sintomas e até uma
exacerbação, sem internação hospitalar.
O grupo B: são os pacientes muito sintomáticos, também com até
uma exacerbação e sem internações.
O Grupo E: são os exacerbadores, independente dos sintomas,
apresentando mais de duas exacerbações ou uma internação.
(GOLD, 2023). 17
Tratamento farmacológico
Para controlar sintomas, melhorar a tolerância ao exercício e a qualidade de vida, e
reduzir frequência e gravidade das exacerbações.
• Uso regular de broncodilatadores de ação prolongada mais efetivo que os
broncodilatadores de ação curta;
• Teofilina e seus derivados, devido à baixa potência broncodilatadora (segunda
opção);
• Uso de corticóides inalados restrito a pacientes com VEF1< 50% e exacerbações
freqüentes
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Complicações
• Insuficiência e falência respiratórias podem ser crõnicas com a DPOC grave ou
agudas com o broncoespasmo grave ou pneumonia no paciente com DPOC grave.
• Outras complicações da DPOC englobam a pneumonia, atelectasia, pneumotórax
e cor pulmonale.
• Uso de suporte ventilatório em alguns casos.
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Tratamento cirúrgico
Bulectomia indicado para pacientes com enfisema bolhoso, pode reduzir a
dispnéia e melhorar a função pulmonar.
Cirurgia de redução de volume pulmonar em pacientes com DPOC em estágio
terminal (estágio III), remoção do parênquima pulmonar doente.
Transplante de pulmão, indicado em paciente no enfisema em estágio terminal.
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Tratamento de Enfermagem
• Exercícios respiratórios
• Treinamento da musculatura inspiratória
• Compassando a atividade
• Atividades de autocuidado
• Condicionamento físico
• Terapia com oxigênio
• Terapia nutricional
• Medidas de enfrentamento
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Diagnósticos de Enfermagem do portador
de DPOC
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Referências Bibliográficas
• JARDIM, J.; OLIVEIRA, J.; NASCIMENTO, O. II Consenso Brasileiro de Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica. J Bras Pneumol 2004; 30: S1-S42.
• BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. 10 ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. v. 1, p. 600-632.
• CRUZ, Marina Malheiro; PEREIRA, Marcos. Epidemiologia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica no Brasil: uma revisão
sistemática e metanálise. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 11, p. 4547-4557, 2020.
• GRAFINO, Monica et al. Espirometria para o diagnóstico de obstrução das vias aéreas em pacientes com fatores de risco para
DPOC: os critérios GOLD e limite inferior da normalidade. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 47, 2022.
• https://goldcopd.org/2023-gold-report-2/
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