Causas e Tipos de Dor Pélvica Feminina
Causas e Tipos de Dor Pélvica Feminina
Etiologia
Isadora Sousa
• A endometriose pode ser encontrada em
outros locais, também, tais como colo do
DEFINIÇÃO útero, trato gastrointestinal, septo
retovaginal, trato urinário, bem como em
• A endometriose é definida como a presença cicatrizes cirúrgicas e umbilicais.
de endométrio fora da cavidade uterina • Uma forma menos frequente de
• A endometriose, geralmente, acomete a endometriose é o endometrioma de parede
pelve, mais frequentemente os ovários, o abdominal, que pode aparecer nas
fundo de saco, os ligamentos uterossacros e proximidades de uma incisão cirúrgica,
os ligamentos largos. Mas, a endometriose embora essas lesões possam ocorrer em
pode ser encontrada, também, fora da pelve, mulheres sem histórico de cirurgia ou
no abdômen, tórax, cérebro e, até mesmo, na histórico de endometriose
pele. • Mais raramente, tem sido relatada
• É uma doença benigna endometriose na mama, pâncreas, fígado,
• O tecido endometrial ectópico causa vesícula biliar, rim, uretra, extremidades,
inflamação, produzindo os sintomas de vértebras, ossos, nervos periféricos, baço,
dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crônica diafragma, sistema nervoso central, hímen e
e infertilidade. A endometriose é uma doença pulmão
dependente do estrogênio que afeta as
mulheres, principalmente, durante o período EPIDEMIOLOGIA
reprodutivo, mas, em alguns casos, até
• Acredita-se que a prevalência da
mesmo antes da menarca e após a
endometriose seja de 5% a 10% das mulheres
menopausa
na idade reprodutiva (menacme).
• É uma doença que pode comprometer,
• É difícil determinar a incidência e a
expressivamente, a qualidade de vida da
prevalência da endometriose, porque existem
mulher e gera consequências
mulheres assintomáticas ou
socioeconômicas importantes, devido ao seu
oligossintomáticas, que não são consideradas
alto custo com diagnóstico e tratamento
nas estatísticas
• Dividimos a endometriose em três doenças
• O pico de prevalência da endometriose ocorre
distintas:
em mulheres de 25 a 35 anos de idade, mas a
→ Endometriose peritoneal: Presença de doença também pode ocorrer em meninas
implantes superficiais peritônio antes da menarca e em 2% a 5% das mulheres
→ Endometriose ovariana: Implantes na pós-menopausa
superficiais ou cistos • Por outro lado, se analisarmos a prevalência
(endometriomas) de endometriose em pacientes que foram
→ Endometriose profunda: Lesão que se submetidas à cirurgia, temos números bem
estende sobre ou sob o peritônio; mais altos. Dentre as pacientes que são
Lesões nodulares, que podem invadir operadas sob a hipótese de endometriose,
estruturas adjacentes e distorcer a cerca de 60% têm seu diagnóstico
arquitetura anatômica; Lesões no confirmado.
septo retovaginal, reto, sigmóide, • Em pacientes sintomáticas, a endometriose
bexiga, ureter, ligamentos uterinos e apresenta uma prevalência muito maior. A
vagina. endometriose está presente em 70% das
LOCAIS MAIS FREQUENTES pacientes com dor pélvica e 50% das
pacientes com infertilidade
• Os locais mais frequentes de acometimento
pela endometriose são, em ordem
decrescente de frequência - ovários, fundo de
saco anterior e posterior, ligamentos
uterossacros, ligamentos largos posteriores,
útero, trompas, cólon sigmóide, apêndice e
ligamentos redondos
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FISIOPATOLOGIA ! teoria mais aceita PATOGÊNESE
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• Os implantes de endometriose apresentam também, devido à distorção da anatomia
uma diminuição dos receptores de pélvica pelas aderências e implantes de
progesterona e desenvolvem uma resistência endometriose.
local. Com isso, os implantes de endometriose
tornam-se, praticamente, “imunes” à ação
antiproliferativa da progesterona.
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(superficial), quando existe lesão no hímen,
períneo ou cicatriz de episiotomia.
• Dor pélvica crônica (acíclica): mais comum do
endometrioma de ovário
• Infertilidade: A endometriose causa distorção
da arquitetura pélvica, assim como aderências
e, além disso, disfunções imunológicas na
cavidade pélvica. Tudo isso faz com que a
endometriose torne a cavidade pélvica
“tóxica”, prejudicando a fertilização e a
implantação embrionária.
• Alterações Urinárias: disúria, hematúria,
polaciúria e urgência
FATORES DE RISCO E DE PROTEÇÃO
• Disfunção intestinal: mudança do hábito
Fatores de risco intestinal, distensão do abdome, presença de
sangue nas fezes, disquezia, constipação,
• Menarca precoce/menopausa tardia diarreia ou dor anal. Sintomas como dor para
• Fluxo menstrual aumentado/Menstruações defecar e sangramento retal podem estar
mais frequentes relacionados à presença de implantes
• História familiar endometrióticos no septo retovaginal ou
• Nuliparidade fundo de saco posterior.
• Gestação tardia • Dor lombar
• Malformações uterinas (müllerianas) • Fadiga crônica
• Estenose cervical
• Raça branca ou asiática Exame físico
• Índice de massa corpórea baixo/paciente • Inspeção: em alguns casos, podemos
longilínea visualizar o endometrioma de parede na
• Consumo de gordura transinsaturada cicatriz da cesárea ou da episiotomia.
• Exposição ao dietilestilbestrol intraútero • Exame especular: em alguns casos, podemos
• Exposição à dioxina visualizar lesões arroxeadas no colo uterino
• Exposição ao abuso físico ou sexual na ou no fundo de saco e, em outros casos, o
infância/adolescência colo do útero deslocado lateralmente, devido
ao acometimento e encurtamento unilateral
Fatores de proteção
de um dos ligamentos uterossacros, que
• Multiparidade traciona o colo na direção do lado acometido.
• Intervalos prolongados de amamentação • Toque bimanual: o toque bimanual pode
• Menarca tardia (após os 14 anos) revelar algumas alterações que sugerem a
• Consumo de ácidos graxos ômega 3 endometriose. A palpação dos ligamentos
• Uso de pílulas anticoncepcionais (proteção uterossacros com dor e nodularidade é um
contra o endometrioma). sinal da doença. A palpação de um anexo
aumentado, móvel ou fixo, sugere a presença
QUADRO CLÍNICO de um endometrioma de ovário. Também
Sintomas podemos encontrar um útero retrovertido
fixo, ou pouco móvel, doloroso ao toque.
• Dismenorreia (progressiva) • Toque retal: o toque retal é importante na
• Dispareunia (dor durante a relação sexual no avaliação de acometimento retal e do septo
fundo da vagina): Isso acontece devido a retovaginal, além de possibilitar uma melhor
lesões de endometriose nos fundos de saco avaliação do acometimento dos ligamentos
anterior e posterior, ligamentos uterossacros uterossacros.
e parede retal anterior. A paciente com
endometriose também pode referir, mais
raramente, dispareunia de penetração
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DIAGNÓSTICO irregulares, geralmente espiculadas, que
parecem infiltrar-se no tecido adjacente
• Os principais exames indicados para a
• O ultrassom com preparo intestinal também
investigação diagnóstica da endometriose são
pode visualizar a endometriose do trato
o ultrassom pélvico ou transvaginal com
urinário. Os achados sugestivos, nesses casos,
preparo intestinal, a ressonância magnética e
são os nódulos, aderência de estruturas
a videolaparoscopia.
adjacentes na bolsa vesicouterina ou a
• A videolaparoscopia é o exame padrão-ouro
hidronefrose
para o diagnóstico da endometriose. A
• A histerossonografia, com injeção de solução
videolaparoscopia foi, por muito tempo, o
salina na vagina, é útil para o diagnóstico da
único exame para o diagnóstico da doença. Os
endometriose retovaginal. A ultrassonografia
exames de imagem têm a capacidade de
retal pode avaliar melhor o envolvimento do
sugerir, com boa acurácia, a presença de
reto e da pelve posterior
endometriose profunda e endometriomas
ovarianos. São menos invasivos, mas Ressonância magnética
apresentam limitação para o diagnóstico da
• A ressonância magnética tem sido cada vez
endometriose superficial
mais usada como método não invasivo para
• O diagnóstico definitivo é feito pela avaliação
diagnóstico da endometriose. É útil, também,
histológica de uma lesão biopsiada
para o diagnóstico dos endometriomas de
cirurgicamente
ovário, sendo o método de imagem padrão-
• Ainda que o diagnóstico definitivo precise de
ouro para o diagnóstico dessas lesões
biópsia da lesão e confirmação histológica, o
• Pode diagnosticar a endometriose torácica em
quadro clínico, juntamente com achados de
até 95% dos casos
imagem, pode ser usado para fazer um
diagnóstico presuntivo e não cirúrgico da Videolaparoscopia ! padrão ouro
endometriose. O diagnóstico clínico pode ser
suficiente para iniciar o tratamento empírico • Costuma ser indicada para os casos em que o
(com anticoncepcionais combinados ou quadro clínico da paciente, juntamente com
progestágenos, por exemplo) os exames de imagem, não puderam
esclarecer o diagnóstico de endometriose, nos
Ultrassonografia casos de falha do tratamento clínico ou nos
casos em que há indicação de tratamento
• A ultrassonografia pélvica ou transvaginal
cirúrgico para a doença. Não é rotina indicar a
(simples – sem preparo intestinal) é um ótimo
videolaparoscopia "puramente" diagnóstica,
exame para a detecção de endometriomas de
já que a endometriose é uma doença crônica,
ovário e pode afastar outras causas de dor
que pode afetar a mulher durante toda a vida
pélvica.
e devemos economizar nos procedimentos
• Os endometriomas de ovário apresentam-se
cirúrgicos
como formações císticas hipoecogênicas e
• As lesões apresentam-se com cores variáveis,
homogêneas. Porém, os endometriomas são
que podem ser vermelhas, negras ou brancas
chamados de “os grandes imitadores”, porque
• A inflamação presente nos implantes
também podem apresentar-se com outras
endometrióticos provoca a lise dos glóbulos
características ultrassonográficas, tais como
vermelhos e resulta na formação de
septações e paredes espessadas com focos
histiócitos pigmentados e macrófagos
hiperecogênicos, o que torna importante
contendo hemossiderina. Quanto mais antiga
fazer o diagnóstico diferencial com os cistos
a lesão, mais pigmentada ela se torna, até que
funcionais (hemorrágicos) e outros tumores
essa pigmentação é substituída pela fibrose.
anexiais. O Doppler colorido mostra fluxo ao
Por isso, durante a videolaparoscopia,
redor do cisto e não dentro do cisto
encontramos lesões de cores diferentes
• Também é bastante útil para o diagnóstico da
(vermelha, negra ou branca). As lesões
endometriose da parede abdominal, que
vermelhas são mais recentes e bastante
aparece ao ultrassom como uma massa
vascularizadas; as lesões negras são menos
hipoecoica, vascular e sólida, com margens
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vascularizadas e as lesões brancas Tratamento clínico
apresentam intensa fibrose e pouca
• Os fatores que influenciam a decisão sobre o
vascularização
tratamento clínico são a intensidade da dor e
o desejo reprodutivo da paciente. O principal
objetivo do tratamento clínico é o alívio da
dor. O tratamento clínico da endometriose
não leva à diminuição das aderências e nem
dos endometriomas de ovário.
• Tratamento não hormonal: Os anti-
inflamatórios não esteroides são o tratamento
de primeira escolha para a dor pélvica crônica,
incluindo a endometriose e a dismenorreia
primária. São medicamentos que apresentam
um bom custo-benefício, podem ser utilizados
Exames laboratoriais em associação com o tratamento hormonal e,
também, podem ser indicados para as
• Não há exame laboratorial definitivo para o
pacientes que desejam engravidar
diagnóstico da endometriose. O CA 125 pode
estar elevado em mulheres com • Tratamento hormonal: O bloqueio hormonal
endometriose (> 35 U/mL), mas somente nos pode ser feito com diferentes medicamentos,
casos avançados. Nos casos iniciais, o CA 125 como, por exemplo, os contraceptivos orais
costuma estar inalterado. Além disso, o CA combinados, os progestágenos e os agonistas
125 é um exame muito pouco específico, do hormônio liberador de gonadotrofina
apresentando-se alterado em diversas (GnRH). Todos eles são, igualmente, eficazes
patologias em reduzir a dor, mas têm efeitos colaterais e
custos diferentes
DIAGNÓSTCO DIFERENCIAL → Anticoncepcional combinado:
primeira escolha para a maioria das
mulheres com dor e que não desejam
engravidar, devido à praticidade,
disponibilidade e custo do
medicamento. O mecanismo de ação
desses anticoncepcionais é similar ao
dos progestágenos e agem induzindo
a decidualização (descamação) e
atrofia do tecido endometrial
ectópico
→ Progestágenos: agem bloqueando a
ovulação e inibindo a proliferação
TRATAMENTO endometrial, o que provoca a atrofia
das lesões endometrióticas. Lembre-
• Os fatores que devem ser levados em
se de que os progestágenos têm um
consideração para definir o tratamento da
efeito de “oposição” em relação ao
endometriose são: idade da paciente,
estrógeno e que a endometriose é
intensidade da dor, desejo reprodutivo da
uma doença dependente do
paciente, presença de endometrioma de
estrogênio. O acetato de
ovário e sua dimensão, a extensão e
noretisterona é um dos
localização da doença, os efeitos colaterais
progestágenos orais mais utilizados
dos medicamentos e o risco de complicações
no tratamento da endometriose. Os
cirúrgicas
efeitos colaterais dos progestágenos
são: ganho de peso, alteração de
humor e perda de massa óssea
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(associados, principalmente, ao de administrar do que os agonistas do
acetato de medroxiprogesterona de GnRH, porque têm a opção de serem
depósito). administrados por via oral. A terapia
→ Danazol: É um medicamento derivado add back também pode ser usada nos
da testosterona e age inibindo a casos em tratamento com
liberação de hormônio luteinizante antagonistas do GnRH.
(LH) e a esteroidogênese ovariana, → Inibidores da aromatase: O tecido
aumentando a testosterona livre. endometrial é capaz de produzir,
Apresenta muitos efeitos colaterais localmente, a enzima aromatase, que
devido à atividade androgênica, já é responsável pela conversão da
que é derivado da testosterona androstenediona em estradiol. Ou
→ Gestrinona: É um antiprogestágeno, seja, o tecido endometriótico tem a
antiestrogênico androgênico. capacidade de produzir o estrogênio
Também apresenta efeitos colaterais localmente. Além disso, ocorre a
androgênicos, tais como a acne e o conversão de andrógenos em estrona
hirsutismo. na gordura periférica. Provavelmente
→ Análogos agonistas do GnRH: Agem por isso algumas mulheres continuam
no hipotálamo, ocupando os tendo endometriose mesmo após a
receptores do GnRH e provocando a menopausa
inibição da liberação de FSH e LH pela
Tratamento cirúrgico
hipófise. Consequentemente, ocorre
um estado de hipoestrogenismo e
anovulação, semelhante ao observado
no climatério. Demoram 14 dias para
começar a fazer efeito, porque, de
início, ocorre o estímulo dos
receptores até que esses sejam
saturados (efeito flare up). A eficácia
dos análogos do GnRH é similar
àquela de outras opções
medicamentosas. O hipoestrogenismo
(menopausa medicamentosa)
causado pelos agonistas do GnRH
pode acarretar sintomas climatéricos
como fogachos, secura vaginal,
redução de libido e perda de massa • A cirurgia conservadora é a exérese ou
óssea. Por isso, devemos evitar o uso cauterização dos implantes endometrióticos,
prolongado (não devemos estender preservando o útero e o máximo de tecido
mais que 6 a 12 meses). Existe a ovariano possível. A cirurgia conservadora (de
opção do uso de reposição hormonal preferência pela via laparoscópica) é a
de estrógeno e progesterona em primeira escolha de tratamento cirúrgico da
baixas doses (add-back therapy) para endometriose, porque preserva a fertilidade e
reduzir esses efeitos a produção de hormônios, é menos invasiva e
→ Análogos antagonistas do GnRH: Eles a recuperação é mais rápida. A desvantagem
inibem a produção das da cirurgia conservadora é a maior taxa de
gonadotrofinas (LH e FSH) e criam um recorrência dos sintomas em comparação à
estado hipoestrogênico (menopausa cirurgia definitiva
medicamentosa). Ao contrário dos • A cirurgia definitiva para o tratamento da
agonistas do GnRH, esses agentes são endometriose é a histerectomia, com ou sem
imediatamente eficazes, pois não ooforectomia. É indicada para mulheres com
apresentam o efeito flare up. Os sintomas refratários aos outros tipos de
antagonistas da GnRH são mais fáceis tratamento, com prole constituída. Lembre-se
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de que a endometriose é uma doença → distorção da arquitetura da cavidade
dependente do estrogênio. As pacientes pélvica (implantes e aderências)
submetidas à ooforectomia apresentam → alteração do fluido peritoneal com
menor risco de recorrência que as pacientes aumento de prostaglandinas e
que preservam os ovários citocinas devido ao processo
inflamatório
Tratamento do endometrioma de ovário
→ resistência do tecido endometrial à
• O endometrioma de ovário é um cisto ação da progesterona
resultante do tecido endometrial ectópico • Tudo isso leva à dificuldade para liberar os
dentro do ovário. Ele contém fluido espesso, óvulos, e a captação desses pelas trompas, à
marrom, sendo comumente chamado de diminuição da mobilidade dos
"cisto de chocolate", “cisto café com leite” ou espermatozoides e ao prejuízo da fecundação
cisto com conteúdo de “vidro fosco”. e implantação do embrião
• O tratamento clínico (medicamentoso) é uma
!!! A dificuldade para engravidar não está diretamente
boa opção para o tratamento da dor pélvica,
relacionada ao estádio da endometriose. Isso
mas não é eficaz para o tratamento dos
acontece porque, mesmo nos estádios iniciais, em que
endometriomas de ovário
não há distorção da cavidade pélvica, temos a
• Se por um lado é importante fazer sua
alteração do líquido peritoneal pelos fatores
exérese para tratar a dor, por outro lado, essa
inflamatórios
pode afetar a fertilidade da paciente devido à
retirada de parte do tecido ovariano. Por isso, • Para a decisão do tratamento, levamos em
operamos os endometriomas somente consideração, principalmente, a idade da
quando estão sintomáticos e grandes (> 5-6 paciente e o tempo de infertilidade. A idade é
cm). Quando são assintomáticos e pequenos, muito importante, porque após os 35 anos
a melhor opção é o acompanhamento através ocorre queda na qualidade e quantidade dos
de exame de imagem óvulos, que leva a uma menor taxa de
• Deve ser realizada a exérese completa do fecundação e maior taxa de aborto. O único
endometrioma (cistectomia ou ooforoplastia), medicamento que pode ser usado para os
e não a punção, para evitar sua recorrência casos de infertilidade devido à endometriose
é o análogo do GnRH, que é administrado por
3 meses antes da FIV
• O tratamento de escolha para a infertilidade
devido à endometriose é o cirúrgico
(videolaparoscopia), porque a cauterização ou
exérese dos implantes endometrióticos
restaura a arquitetura da pelve e diminui os
fatores inflamatórios no líquido peritoneal
Tratamento da infertilidade
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Tratamento da endometriose do trato urinário de tamanho, ficar roxo e sangrar durante o
período menstrual. O tratamento é feito com
• Está indicado o tratamento cirúrgico quando
a exérese da lesão.
há obstrução das vias urinárias, o que
costuma aparecer nas questões com a Tratamento da endometriose intestinal
presença de hidronefrose.
• A endometriose do intestino pode ser tratada
clinicamente com o uso de medicamentos
como os anti-inflamatórios, pílulas
anticoncepcionais combinadas ou de
progesterona ou análogos do GnRH, ou
cirurgicamente através da excisão da lesão.
• O tratamento cirúrgico é obrigatório, caso
haja sinal de obstrução, mesmo que parcial.
→ Shaving ou excisão superficial: Só
pode ser realizada nas lesões
superficiais, que ultrapassam a serosa.
Pode ser feita pela cauterização ou
pelo laser.
→ Ressecção discoide: A lesão é
ressecada em toda a espessura da
parede intestinal. Após a ressecção da
lesão, a parede intestinal é suturada
manualmente em duas camadas.
→ Ressecção segmentar do intestino e
anastomose: Indicada para lesões
obstrutivas (estenosantes), maiores
que 3 cm, ou que atinjam mais da
metade da circunferência intestinal,
ou lesões multifocais
DEFINIÇÃO
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importante e à perda da capacidade funcional FISIOPATOLOGIA
não são considerados síndrome pré
• A fisiopatologia da SPM e do DDPM não está
menstrual.
bem elucidada. Sabe-se que há um
EPIDEMIOLOGIA componente multifatorial que envolve fatores
biológicos, psicológicos, ambientais e sociais.
• Devido à dificuldade em definir os critérios
• Há uma relação direta entre a SPM e as fases
para SPM, sua prevalência na população
do ciclo menstrual, porém, ao avaliarmos os
acaba sendo superestimada. Acredita se que
níveis hormonais em mulheres acometidas,
mais de 80% das mulheres apresentam
não existe diferença significativa em relação à
alguma mudança de humor ou alteração física
população em geral. Supõe-se que não sejam
na fase lútea do ciclo menstrual, porém essa
os níveis dos hormônios que levam aos
estimativa não leva em conta a gravidade dos
sintomas, mas sim a resposta anormal às
sintomas.
flutuações hormonais do ciclo. Portanto, para
• Estima-se que a SPM clinicamente significativa
a ocorrência desses sintomas, é fundamental
acometa 3 a 8% das mulheres, enquanto o
a presença de ciclos ovulatórios, com
DDPM afeta 2% das mulheres.
variações nos esteroides sexuais
• O início dos sintomas geralmente ocorre na
• Os esteroides sexuais também influenciam a
segunda década de vida, enquanto a procura
síntese e a ação de neurotransmissores no
por tratamento tem seu ápice no meio da
sistema nervoso central (SNC), por esse
terceira década.
motivo os estudos têm buscado encontrar
• Parece que a prevalência é maior em
associações entre eles. Apesar de os níveis de
mulheres brancas do que em negras
progesterona e estrogênio serem similares
FATORES DE RISCO nas pacientes com transtornos pré-
menstruais, alguns metabólitos da
• Diversos estudos mostram que existe um progesterona têm sido investigados. A
forte componente genético envolvido; alguns alopregnanolona é o mais estudado. Esse
sugerem que uma mutação no gene ESR1 metabólito ativa receptores de GABA (ácido
(gene alfa do receptor de estrogênio) estaria gama-aminobutírico), promovendo efeito
associada ao DDPM. ansiolítico. Nas pacientes com SPM, os níveis
• A adoção de hábitos de vida saudáveis parece de alopregnanolona estão diminuídos,
ser um fator de proteção para SPM. O reduzindo a ação desse neurotransmissor. A
aumento da ingestão de tiamina, riboflavona, serotonina é outro neurotransmissor que
ferro e zinco parece ser um fator protetor, parece envolvido na SPM, pois as pacientes
enquanto a elevada ingesta de potássio é um acometidas apresentam menores índices
fator de risco. A atividade física, além de ser séricos de serotonina e menor captação na
uma das possibilidades terapêuticas, é um placa neural. A queda rápida dos esteroides
fator protetor, pois está associada à redução na fase lútea poderia ocasionar esse efeito.
do IMC e do risco de síndrome metabólica, • Quanto aos sintomas de inchaço e de ganho
que são fatores de risco para SPM. de peso, parece haver uma relação com a
• Outros fatores de risco são o tabagismo, a ação dos esteroides sexuais sobre o sistema
história de eventos traumáticos prévios e os renina-angiotensina-aldosterona. A
transtornos de ansiedade progesterona tem um efeito
antimineralocorticoide e o estrogênio ativa o
sistema, aumentando a retenção hídrica. A
dieta, parece ter papel na gênese dos
sintomas pré-menstruais. Alguns alimentos
parecem exacerbar os sintomas, como
chocolate, cafeína, álcool e sucos de frutas.
• A deficiência de B6 e magnésio também é
considerada, porém seu uso como tratamento
não demonstrou efeito nos estudos
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exceto se houver outra hipótese para o
quadro que precise ser descartada
QUADRO CLÍNICO
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utilizados medicamentos profiláticos, como
betabloqueadores.
• Já nos casos em que a queixa é de mastalgia
cíclica, acompanhada ou não de galactorreia,
podem ser empregados agonistas
dopaminérgicos, como bromocriptina e
cabergolina
• O uso de diuréticos por períodos curtos pode
melhorar os sintomas de inchaço abdominal,
mastalgia e edema de membros inferiores. A
espironolactona em baixas doses é a mais
utilizada
• Como a SPM e o DDPM têm sua fisiopatologia
associada a flutuações hormonais, a
supressão ovariana com uso de
anticoncepcionais é uma possibilidade de
tratamento. O uso de anticoncepcionais
hormonais orais combinados (ACHO) é a
principal escolha, principalmente em
pacientes que também desejam evitar
gestação. O uso pode ser contínuo ou com
pequenos intervalos.
• O progestagênio que compõe a pílula é
importante, pois pode influenciar na
ocorrência de sintomas. A drospirenona, por
seu efeito antimineralocorticoide, é um dos
mais utilizados. O uso do mesmo de forma
isolada não traz melhora dos sintomas, apesar
de também inibir a ovulação
• Em mulheres que não respondem ao uso de
ACHO e de antidepressivos, o uso de análogos
de GnRH pode ser empregado. Essas
medicações agem em nível central, reduzindo
a secreção de gonadotrofinas e,
consequentemente, de esteroides sexuais.
Apesar de terem eficácia no controle dos
sintomas pré menstruais, apresentam
diversos efeitos colaterais associados ao
hipoestrogenismo, não sendo a primeira linha
de tratamento.
• O uso de fitoterápicos pode ser utilizado para
o alívio de sintomas pré-menstruais.
• Os inibidores seletivos da recaptação de
serotonina são a primeira escolha no
tratamento de SPM grave e de DDPM, com
eficácia entre 60 e 70%. As medicações mais
usadas são a fluoxetina, a sertralina e a
paroxetina
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1. Estudar as principais causas de dor pélvica
2. Conhecer a endometriose
3. Entender a TPM
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