0% acharam este documento útil (0 voto)
83 visualizações84 páginas

(20241200-PT) E-Auto

Enviado por

Aniss elaskary
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
83 visualizações84 páginas

(20241200-PT) E-Auto

Enviado por

Aniss elaskary
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O AUTOMÓVEL NO PRESENTE E NO FUTURO www.e-auto.

pt
N TE
AO VOLA

N.º 8

KIA EV3
MENSAL

DEZ.2024
PT CONTINENTAL

GT-LINE

DESPORTIVOS DA ERA NOVA EM EXAME


• ABARTH 600e • ALPINE A290 • VW ID.3 GTX

ELÉT R IC O S
ACE S S ÍV E I S

S TESTES
PRIMEIRO
DACIA SPRING EXTREME ELETRIC
CITROËN Ë-C3 MAX

CONFRONTO JAGUAR
CHOCA
MEIO-MUNDO

FORD EXPLORER RWD CONTRA


RENAULT SCENIC E-TECH 100% ELÉTRICO
Reportagem Teste Editorial
E Por JOSÉ CAETANO
4 Jaguar Type-00
14 Citroën ë-C3 Max
Britânicos surpreendem tudo e
todos com imagem … extravagante!
Bateria com 44 kWh de capacidade
e até 320 km de autonomia Tavares sai de cena!

Novidade
26 Dacia Spring Extreme Electric 65 cv
Marca do Grupo Renault, a tempo
e horas, reage ao aumento da
concorrência
D omingo, 1 de dezembro, 19h40. No
correio eletrónico, comunicação da
Stellantis a informar(-nos) que o Con-
selho de Administração aceitava a renúncia
de Carlos Tavares, o homem por detrás da
fusão PSA-FCA na origem do consórcio, no

38 VW ID.7 Tourer Pro Urban


início de 2021. Surpreende apenas o momen-
to de separação programada para 2026, no
A variante e a versão mais atrativas
fim do contrato do português. Antes, rumores
e racionais da carrinha do segmen-
sobre a “saída de cena” do comando da (pro-
to médio
blemática) divisão norte-americana. Depois
do fumo, o fogo!
52 VW ID.3 GTX 79 kWh O adeus precoce de Tavares à Stellantis
Entre os “ingredientes”, chassis não significa apenas o fim de era. Expõe
preparado “à medida”, tração a fragilidade do setor. Os mercados finan-

8 AUDI E concept
Marca nova na China – sem os
traseira e 286 cv ceiros reagiram, antecipando turbulências
numa empresa que perdeu mais de 40%
quatro anéis e com letras
maiúsculas
58 Toyota GR Yaris Legend
do valor acionista durante este ano, após
abrandamentos expressivos nas vendas e,
Dinâmico, giro e levezinho: no consequentemente, nas receitas e nos lu-

10 Mais marcas chinesas


Dongfeng, Voyhah e M-Hero
segmento B, ainda há automóveis
“antissistema”
cros (mais de 18 mil milhões de euros em
2023). Só nos EUA, nos primeiros nove
apresentam-se no mercado meses de 2024, comparativamente ao pe-
português
64 Suzuki Swift 1.2 5MT Mild Hybrid S3
Dinâmico, giro e levezinho: no
ríodo homólogo do ano passado, menos
42% de faturação!
segmento B, ainda há automóveis Recentemente, Tavares, confronta-
“antissistema” do com os problemas na Stellantis, reco-
Opinião nheceu que admitia todos os cenários,

74 Aston Martin DBX707 MY25


incluindo o encerramento de fábricas. No

8 A queda dos elétricos


As razões para o abrandamento
Fabuloso V8 4.0 biturbo de origem
currículo do português, a recuperação da
PSA (Peugeot-Citroën), a partir de 2014,
Mercedes-AMG neste SUV
na procura do mercado europeu iniciando-se aí o programa expansionista
superdesportivo
que originou, em 2021, a fusão com a Fiat
Chrysler Automobiles, e a refundação da
Opel, após a compra da marca alemã, em

Ao volante Confronto 2017, à General Motors.


A Stellantis tem, também, a segunda
maior fábrica de automóveis em Portugal
20 Kia EV3
Neste SUV elétrico, três versões,
30 Ford Explorer contra Renault Scenic
As versões mais equipadas, mais
(só a Autoeuropa é maior). Encontra-se em
Mangualde, e, muito recentemente, depois
duas baterias e apenas um nível de potentes e com mais autonomias.
de investimento de mais de 100 milhões de
potência
euros, iniciou a produção de elétricos. Teo-
ricamente, demissão sem impacto, mas as
48 Alpine A290 GTS
Ao volante da versão mais des-
consequências são impossíveis de anteci-
par. Devido aos problemas da indústria na
portiva (220 cv) do “derivado” do
Europa, ainda maiores no Grupo VW, teme-
Renault 5 novo
-se pelo futuro. E bem! O aumento da con-
corrência chinesa, as crises na Alemanha e
68 Toyota Land Cruiser 250
Na geração nova, por 154.950 €,
em França, e as mudanças nos EUA, criam
“tempestade perfeita” com capacidade
turbodiesel com 204 cv. Saúda-se
destrutiva.
o regresso!

jcaetano@[Link]

2 [Link] | DEZEMBRO
NotíciasFlix
Novidade

E Por JOSÉ CAETANO Jaguar Type-00

A Chocante!
Jaguar prepara o futuro,
reinventando-se como
marca e privilegiando a
produção de automóveis
para competir no mercado
do luxo e do ultraluxo, as-
sim abandonando o segmento “premium” O Type-00, nome do estudo apresentado em Miami, EUA, durante a Semana da
em que competia, sem sucesso, com Audi, Arte, representa o início de era na marca britânica que comemora 90 anos em
BMW e Mercedes-Benz. A marca do con- 2025. O programa estratégico “reimagine” redefine a identidade e o posiciona-
sórcio JLR, entidade formada pela indiana mento de fabricante que passará a propor só automóveis elétricos nos merca-
Tata Motors em 2013, cinco anos depois da dos do luxo e do ultraluxo. Primeira missão cumprida com sucesso: exuberante,
compra à Ford tanto da Land Rover como extravagante e chocante, Jaguar “nova” nas “bocas do mundo”!
do fabricante emblemático que Sir William
Lyons fundou em 1935, interpretou, cor- O programa estratégico “reimagine” tável, abandonando os motores de com-
retamente, a necessidade de empreender não mantém “pedra sobre pedra” na Ja- bustão interna e adotando os elétricos.
uma mudança radical (e rápida) de rumo guar. No plano, produção de geração nova O processo está em marcha, com o fim
para continuar relevante numa indústria de automóveis. O processo é oportunidade progressivo da produção de todos os auto-
em transformação. de ouro para “agarrar” futuro mais susten- móveis térmicos. A partir de 2026, no catá-

4 [Link] | DEZEMBRO
Jaguar Type-00

logo, apenas elétricos e, anuncia-se, todos ‘Um Jaguar não deve ser uma cópia de linear das barras ou listras longitudinais,
muitíssimo mais caros do que os atuais, nada’. Adotados esta visão como filosofia para reconhecimento imediato da origem;
que estão a “sair de cena” – até ao arran- e criámos imagem audaz, dramática, mo- a paleta de cores exuberantes; e, por fim,
que da carreira do GT de 4 portas que an- derna. Durante mais de duas décadas, não reinterpretação do símbolo icónico do Ja-
tecipamos nestas páginas, fabricar-se-ão trabalhámos da forma mais correta e, en- guar e adoção de monograma para repre-
só mais alguns milhares de F-Pace. A ideia tretanto, o mundo mudou muito, proporcio- sentação da obra terminada e da perfeição
é fazer menos para ganhar mais, benefi- nando-nos esta oportunidade”, argumenta na construção.
ciando de margens de lucro maiores, o que Gerry McGovern, homem-forte do “design” “Para recuperarmos uma marca tão es-
pressupõe, ainda, a capacidade de atração da JLR. pecial, temos de ser destemidos, mudar as
de “audiências novas”. Esta Jaguar “nova” regras. Este processo é arriscado, admi-
apresentasse-nos sem medo, exuberan- “Marca elétrica nova” to-o, mas recupera a nossa originalidade”,
te e intrépida – e também extravagante e O processo inicia-se com a apresen- reconhece Rawdon Glover, administrador-
chocante! –, depois de reimaginada de fio tação da identidade nova, com imagem -delegado da Jaguar.
a pavio, inspirando-se no E-Type (1961) que expressiva provocadora de mais reações “A estratégia ‘Reimagine’ da JLR impõe-
Enzo Ferrari classificou como “o automóvel negativas do que positivas, considerando -nos a construção de marca nova e elétrica!
mais bonito do mundo”! o que lemos nas redes sociais, e que tem Fomos malsucedidos na tentativa de en-
Esta “fórmula” disruptiva (e, também quatro símbolos de mudança: a assinatura, trarmos na categoria “premium”, contra os
por isso, controversa), dizem os diretores que estreia fonte de letra (chama-se Ja- alemães, produzimos e vendemos menos
da marca, recupera o espírito do fundador guar Exuberant) combina formas geomé- do que antecipávamos. E, muitas vezes,
William Lyons, que nunca admitia “copiar tricas, simetria e simplicidade; o grafismo para olharmos em frente, primeiro, temos
nada” e ambicionava sempre diferenciar-se
pela audácia, originalidade, criatividade,
exclusividade e inovação do que fazia. A
equipa que pensou a identidade nova ins-
pirou-se nestes princípios e fê-lo de forma
ambiciosa e audaciosa, recriando todo o
universo da marca.
Modernismo Exuberante é o nome do
conceito criativo que apoia a transforma-
ção da Jaguar, expressando-se, por isso,
em todos as áreas de atividade de marca
que ambiciona sobressair na paisagem au-
tomóvel pela imagem atrevida, exuberante
(leia-se chocante e extravagante, sobre-
tudo para os adeptos mais conservado-
res, muitos excluídos da “audiência” nova
perseguida pelo construtor!) e, sobretudo,
muito original. “O nosso fundador dizia que

2024 | [Link] 5
Novidade Jaguar Type-00

de olhar para trás. A ideia é recapturar o ou sermos consensuais. “Este estudo não pode não agradar a todos. “Temos este
espírito de ícones como o E-Type de 1961, é a cópia de nada! Comercialmente, temos ‘ADN’ há 90 anos! Esperamos manter 50%
um automóvel exuberante destemido e dis- de reposicionar-nos… Os preços médios na dos clientes, aproveitando a base que te-
ruptivo”, diz Glover. Europa rondam os 50.000 € a 55.000 € e mos, mas também ambicionamos atrair
Gerry McGovern comandou a equipa apontamos para o patamar dos 100.000 quem nunca considerou a marca”, remata.
que desenhou a geração nova de automó- € a 110.000 €. A preposição correta para No exercício 2023-2024, o fabricante co-
veis e, di-lo Glover, missão muitíssimo bem a marca é ganhar mais dinheiro com me- mercializou 66.866 automóveis, apoiando-
cumprida. “É muito diferente de tudo o que nos automóveis. Não somos iguais a Audi, -se na procura de F-Pace e E-Pace. A am-
existe. Queremos destacarmo-nos, dar- BMW ou Mercedes”, sustenta. bição para o futuro é de 50.000/ano, com
mos nas vistas, não agradarmos a todos Glover reconhece que a Jaguar nova três elétricos.

GT de 4 portas em 2026 “desconcertante”, devido à imagem intrépida


e vibrante da identidade nova da Jaguar, tem
mais elementos marcantes, do “rosto” às
Na Jaguar, promete Glover, “18 meses te. Temos a mesma abordagem para os nomes superfícies planas, da traseira sem vidros ao
entusiasmantes pela frente”. A marca, após dos modelos, com a seleção de designações tejadilho panorâmico. A marca apresenta-o
o reconhecimento do fracasso da estraté- reminiscentes do nosso passado”, promete. em duas cores: Miami Pink e London Blue. As
gia “premium”, muda de rumo. O Type-00 O GT concorrente do Porsche Taycan tem portas imitam os movimentos das asas das
antecipa futuro muito diferente do presente. apresentação programada para o fim de 2025, borboletas e o interior tem apresentação mo-
Recentemente, o fabricante anunciou o fim encontrando-se o início da comercialização dernista – a coluna central de latão com 3,2 m
de XE, XF e F-Type, e confirmou, igualmente, a na Europa planeado para 2026, depois do de comprimento divide os monitores flutuantes
paragem na produção tanto do E-Pace como arranque da carreira nos EUA! E o Type-00 no painel de bordo. O habitáculo admite perso-
do I-Pace. Em 2025, na gama, só o F-Pace, apresenta-nos, igualmente, o desenho tanto nalização, utilizando a caixa Prism – arruma-se
Sport Utility Vehicle (SUV) que representa, do SUV adversário de Bentley Bentayga/Pors- em compartimento atrás de porta (elétrica)
números redondos, (quase) 35% das vendas. che Cayenne como da berlina para competir posicionada, lateralmente, na carroçaria e
O primeiro automóvel baseado na JEA, o com Bentley Flying Spur/Porsche Panamera), integra os três totens que reconfiguram tudo
acrónimo de Jaguar Electric Architecture, dois modelos no catálogo da Jaguar até 2028! no ambiente a bordo, do aroma à iluminação,
nome da arquitetura técnica nova, é um GT Neste “fastback” com rodas de 23’’ e desenho da sonoridade aos grafismos nos dois ecrãs.
com 4 portas, 4 lugares e dois motores elétri-
cos (potência mínima de 575 cv) e até 770 km
de autonomia. A tecnologia de recarregamen-
to rápida da bateria permite recuperar energia
para mais 321 km em apenas 15 minutos!
A plataforma, diz Glover, decidiu-se só após a
aprovação do desenho. A ordem dos fatores
explica-se. “Os automóveis elétricos são
muito semelhantes, talvez devido ao tempo
que estiveram em túneis de ventos para a
otimização da aerodinâmica e a extensão da
autonomia! A nossa ambição é romper com
isso”, diz, desmentindo, no entanto, a existên-
cia de quaisquer planos para mudanças no
símbolo da marca britânica. “Reinterpretá-lo,
sim; eliminá-lo, não, nunca! É muito importan-

6 [Link] | DEZEMBRO
Novidade

AUDI E concept

Maiúsculas em vez de anéis


Na Audi, mudança de estratégia na China, o maior mercado mundial, e apresenta a… AUDI. A marca nova não tem o
logotipo dos quatro anéis, trocando-o por representação gráfica do nome em letras maiúsculas. No plano de ação, três
automóveis, todos elétricos, com o primeiro prometido para 2025. Este E concept antecipa-o(s)!

E Por JOSÉ CAETANO entregaram, respetivamente, 10 e sete


vezes mais automóveis!

A Audi, na China, também está con-


frontada com abrandamento na
procura, facto que surpreende
pouco, considerando o momento que a
marca vive, de renovação da gama, o que
O E concept antecipa a geração nova de
automóveis da AUDI, marca que também
ambiciona recorrer mais a fornecedores e
tecnologias chineses. Os alemães, com a
SAIC, produziram arquitetura técnica es-
origina sempre perturbações na produção pecífica (Advanced Digitized Platform),
e nas vendas. Por outro lado, nos segmen- a base de três produtos. O primeiro, em
tos “premium”, a concorrência no mercado 2025, baseia-se no estudo exibido durante
“premium” continua a aumentar, com a en- a apresentação do projeto, em Shanghai,
trada em cena de muitos fabricantes chi- China. Trata-se de Sportback com 4,870
neses, que dispõem de capacidades téc- propor apenas no mercado asiático, com m de comprimento e 2,950 m entre eixos,
nicas e tecnológicas cada vez maiores e, dois objetivos prioritários: reconquistar painel de bordo com monitor 4K de grande
comercialmente, são muito competitivos, a quota perdida pelos fabricantes tradi- dimensão, sistema operativo vanguardis-
por contarem com recursos financeiros cionais chineses e estrangeiros para os ta (AUDI OS) e motores elétricos nos dois
massivos. concorrentes novos especializados em eixos – esta configuração assegura a tra-
E, na China, os fabricantes de automó- elétricos e híbridos, e propor produtos “à ção integral quattto e disponibiliza 570 kW
veis encontram outros problemas, a maio- medida” dos clientes-alvo. Nos primeiros (775 cv) e 800 Nm. Na agenda, após a in-
ria diferentes dos que têm na Europa (ou nove meses de 2024, a marca alemã re- trodução deste modelo, dois SUV.
na América do Norte). “Aqui, os clientes gistou menos de 15.000 elétricos, núme- O E concept tem bateria com 100 kWh
são muito mais jovens. A média de idades ros muito abaixo dos apresentados pelas de capacidade, o que permite anunciar até
no segmento ‘premium’ é de 30 a 35 anos rivais domésticas NIO ou XPENG, que 700 km de autonomia, segundo o protoco-
e, no resto do mundo, ronda os 55”, diz Fer- lo de homologação chinês CLTC. Devido à
min Soneira, o administrador-delegado da arquitetura elétrica de 800 V, os recarrega-
AUDI, marca nova criada, propositadamen- mentos são rapidíssimos, anunciando-se
te, para o mercado chinês. Diferencia-a o energia para mais 370 km com 10 minutos
facto de apresentar-se sem o logotipo dos de alimentação num ponto de carga rápido.
quatro anéis e com letras maiúsculas no Para o 0-100 km/h, a AUDI reivindica 3,6 s!
nome! Na China, a Audi, com outro construtor
A Audi, para a... AUDI, trabalha em doméstico (First Automotive Group, FAW),
colaboração com a SAIC, fabricante chi- já tem dois automóveis elétricos (Q4 e-tron
nês que mantém parceria e relação mui- e Q5 e-tron) e, atualmente, prepara-se
to próxima com o Grupo VW. A ideia, no para o arranque da produção do terceiro
imediato, é desenvolver e produzir três (Q6 e-tron). A marca encontra-se ativa no
automóveis novos, todos elétricos, para país asiático desde 1988.

8 [Link] | DEZEMBRO
O NOVO
OPEL GRANDLAND
#GOGRAND

#GOGRAND = VAI EM GRANDE. Opel Grandland Hybrid: Consumo de combustível (ciclo combinado WLTP): 5,5-5,6 l/km; Emissão de CO2 (ciclo combinado
WLTP): 124-128 g/km. Opel Grandland Plug-in Hybrid: Consumo de energia (ciclo combinado WLTP): 21,9-23,4 kWh/100 km; Emissão de CO2 (ciclo combinado
WLTP): 18-21 g/km; Autonomia (ciclo combinado): 85-87 km; Consumo de combustível (ciclo combinado WLTP): 0,8-0,9 l/km. Opel Grandland Electric: Consumo
de energia (ciclo combinado WLTP): 16,9-18,5 kWh/100 km; Emissão de CO2 (ciclo combinado WLTP): 0 g/km; Autonomia (ciclo combinado): 504-585 km;
De acordo com a metodologia de procedimento de teste WLTP R (CE) n.º 715/2007, R (UE) n.º 2017/1153 e R (UE) n.º 2017/1151.
bricante chinês. A Voyah apresenta-se com
Novidade ambição “premium” e gama mais diversifica-
da. O “ponta de lança” é o Courage. O SUV
prometido para o início de 2025 tem 4,725
m e duas versões (baterias com 80 kWh): na
Exclusive, tração traseira, 215 kW (292 cv) e
até 476 km de autonomia; na Luxury, tração
integral, 320 kW (435 cv) e até 446 km entre
Dongfeng, Voyah e M-Hero em Portugal recargas. 6,9 s no 0-100 km/h para a primeira
e 4,9 s para a segunda, 200 km/h de veloci-

Mais três marcas chinesas dade máxima para ambas.


O Free também é Sport Utility Vehicle
(SUV), mas posiciona-se acima do Courage,
A Salvador Caetano Auto soma três marcas chinesas a portefólio que já tinha no segmento D, e mede 4,905 m. Este mo-
BYD e XPENG: Dongfeng, Voyah e M-Hero. Todas operam na dependência de delo com 360 kW (489 cv) e quatro rodas
empresa criada em 1969 que integra os “Big Four” sob propriedade do estado motrizes dispõe de bateria com 106 kWh
com capital em Pequim. No arranque, cinco automóveis elétricos – do Dongfeng de capacidade, o suficiente para até 500
Box, o “David”, ao Mhero 1, o “Golias”! km de autonomia. A marca chinesa anuncia
200 km/h, 0-100 km/h em 4,4 s. Entre o
equipamento de série, suspensão pneumá-
E Por JOSÉ CAETANO as estimativas mais conservadoras. E Portu- tica e painel de bordo com ecrã triplo ajus-
gal encontra-se no roteiro de muitos constru- tável. O topo de gama da Voyah, o Dream,

A corrida à eletrificação do automóvel


imposta pela União Europeia (UE),
imposta, politicamente, com a proibi-
ção do comércio de motores de combustão
interna em 2035, facilita o aparecimento de
tores do país asiático. São os casos da Don-
gfeng e das subsidiárias Voyah e Mhero, três
marcas que a Salvador Caetano Auto soma a
portefólio que já contava com BYD e XPENG!
Portugal, na eletrificação do automóvel,
tem arquitetura do tipo MPV, bateria com
108,7 kWh de capacidade (até 482 km de
autonomia). Este modelo com sete lugares,
como o Free, tem dois motores elétricos
(320 kW/435 cv) e tração integral.
muitos protagonistas num mercado concorri- encontra-se bem posicionado no pelotão O automóvel mais exclusivo do “mundo”
do e, por isso, competitivo. Os chineses per- europeu. Os números provam-no: os au- Dongfeng é o M-Hero I. O 4x4 tem quatro
ceberam-no muito rapidamente e adotaram tomóveis com a tecnologia representaram motores elétricos que rendem 800 kW/1088
a região como base para a implementação 28,2% das matrículas em outubro, en- cv e são alimentados por bateria com 142,7
de projetos expansionistas ambiciosos que quanto o acumulado de 2024 corresponde kWh, capacidade suficiente para até 450
somam problema aos muitos problemas com a 14,7% de quota de mercado. Trata-se, km de autonomia (estimada). Este “Golias”
que quase todos os fabricantes europeus portanto, de mercado excelente para o consegue acelerar de 0 a 100 km/h em 4,2 s
estão confrontados, uma vez que a obriga- Box, o subcompacto com que a Dongfeng apresenta-se com o estatuto de embaixador
ção de aumento na velocidade da mudança ambiciona contribuir para a massificação da capacidade técnica e da competência tec-
no paradigma tecnológico dominante, o que da alternativa número um aos motores tér- nológica do consórcio baseado em Wuhan,
pressupõe investimento, coincide com mo- micos! mas tem duas condicioantes quase tão “de-
mento de instabilidade económica e social Proposto por 26.750 € (22.750 €, utili- molidores” como o desenho à “Hummer”: é
que tem impacto nas vendas. zando o apoio ao abate de usados com idade muito caro (150.000 € a 200.000 €) e, devido
Bruxelas, para salvaguarda da indústria igual ou superior a 10 anos), este segmento às mais de 3,5 toneladas, requer habilitação
europeia, recorreu a política protecionista, B novo com 4,030 m dispõe de bateria com legal para condução de… pesados!
aumentando os impostos sobre os automó- 42,3 kWh de capacidade que permite per- A Dongfeng tem 55 anos de história, ven-
veis elétricos produzidos da China. Mal e tar- correr até 310 km entre recargas, de acordo deu cerca de 2,42 milhões de automóveis
diamente, “casa roubada, trancas à porta”!... com norma de homologação europeia WLTP. em 2023 e mantém parcerias industriais com
Em 2023, com 24 marcas ativas na Europa, No Box, motor com 70 kW/90 cv e 160 Nm, Honda, Nissan e Stellantis na China. Em Por-
a quota de mercado dos fabricantes chineses 140 km/h de velocidade máxima (limitada), tugal, rede com 15 pontos de venda até ao
atingiu os 2,5% (321.300 automóveis em bagageira com 326 a 945 litros e muito equi- final de 2025. Luís Santos lidera equipa que
12,81 milhões), antecipando-se que derrubem pamento. ambiciona 1000 matrículas durante o próxi-
a barreira dos 10% em 2034, de acordo com A Dongfeng é a marca generalista do fa- mo ano e 2000 em 2026.

10 [Link] | DEZEMBRO
A sorte
conduz-se.
Chegou o novo Hyundai TUCSON.
Opinião Mercado automóvel na Europa

E os subsídios disponíveis nalguns países

A queda dos elétricos não resolvem o problema. Quem dispõe de


usado com mais de 10 anos e a valer menos
de 5000 €, dificilmente compra um elétrico
por 30.000 €! Uma das razões do envelhe-
Opinião. Na Europa, nas vendas de automóveis cimento do parque automóvel na Europa,

elétricos, vive-se período de muita instabilidade, que tem impactos negativos no ambiente e
na segurança, entre outros.
com quedas inesperadas na procura, principalmente Esta é uma das razões para as emissões

considerando o que aconteceu no início do ano de CO2 não pararem de progredir, apesar
do aumento nas vendas de elétricos. O
e durante 2023. E o que explica este momento?! problema combater-se-ia melhor se todos

Como sempre, não faltam teorias que explicam a os citadinos a gasolina com mais de 10
anos fossem trocados por modelos novos,
situação, mas algumas são bem mais realistas do também a gasolina, muito mais baratos do

que outras. que os elétricos, e menos poluentes e mais


seguros do que os carros de há uma déca-
da. Subsidiar essa troca seria uma medida
muito mais realista, em vez de forçar ape-
nas a transição para os elétricos.
Outra tendência a registar é a de subi-
da nas vendas de híbridos Plug-In (PHEV)
– na China, no segundo trimestre do ano,
crescimento de 98%, na comparação com
o mesmo período de 2023. É bom notar
que as marcas chinesas, que desembarca-
ram na Europa quase todas só com elétri-
cos, também já começaram a jogar neste
“tabuleiro”, explorando mercado que be-
neficia de incentivos fiscais e descontos
irresistíveis nalguns países (sobretudo para
as contabilidades das empresas!). E este
território dominado, ainda, pelos fabrican-
E Por Francisco Mota* elétricos, mesmo nos postos rápidos públi- tes europeus pode proporciona-lhes mais

O
cos, os mais caros. As contas foram outras: crescimento.
quantas vezes que é preciso carregar o au- Em 2023, as vendas de elétricos na Eu-
ano prepara-se para ter- tomóvel por semana numa utilização real ropa aumentaram 17,4%, contabilizando
minar com registo tri- e quantos carregadores existem e funcio- os comerciais ligeiros, totalizando 3,15 mi-
mestral das vendas de nam na zona de residência e/ou trabalho. lhões de unidades. Contudo, os incentivos
automóveis elétricos na O aumento das vendas de elétricos não à compra acabaram em muitos países, no-
Europa muito instável, foi acompanhado pelo aumento do ritmo meadamente na Alemanha, com os resul-
antecipando-se que o da montagem de carregadores na via públi- tados que conhecemos. Muitos analistas
gráfico mostre um sobe e desce nos nú- ca, razão capaz de tornar a experiência de antecipam um abrandamento na procura
meros das matrículas os analistas não an- utilização pouco atrativa (as autonomias na ordem dos 2,5%. Confirmando-se, este
tecipavam em janeiro. No início de 2024, preocupam bem menos os potenciais clien- ano, a percentagem de registos rondará
recordamo-la, a expetativa era de aumento tes!). O progresso nas baterias acontece a os 20,4%, número abaixo dos 21,4% de
sustentado da procura, no seguimento do passo de caracol, mas os padrões do mer- 2023 ou dos 20,7% de 2022. Nos PHEV,
crescimento de 35% em 2023, compara- cado são cada melhores, com médias reais espera-se só um decréscimo de 0,2%
tivamente a 2022. Mas, não, não foi isso de 400 km entre os modelos do segmen- (prova-se, portanto, que a tecnologia tem
que aconteceu: o mercado “arrefeceu”, fac- to número um, o dos B-SUV. Regista-se, potencial).
to que não resulta só do suposto novo ceti- igualmente, o esforço de diversos A situação, reconheça-se, não é bri-
cismo dos potenciais compradores. Alguns construtores na redução dos custos de lhante, e os chineses ainda nem começa-
terão começado a fazer contas à vida, não produção. Mesmo assim, os elétricos são ram a baixar os preços e a fabricar automó-
tanto ao custo da eletricidade, que ainda mais caros do que os automóveis equiva- veis na Europa.
continua a ser um argumento a favor dos lentes equipados com motores térmicos. *Jurado do Carro do Ano na Europa (COTY)

12 [Link] | DEZEMBRO
Teste

Citroën ë-C3 Max

SEM COMPROMISSOS
Teste. A Citroën aposta forte na quarta geração do C3, desde logo por propor uma
versão 100% elétrica com preço acessível, mas sem fazer muitos compromissos.
Estreia plataforma e continua a perseguir o conforto num automóvel que é muito
mais do que um citadino.
E é, precisamente, “contra” o renovado “Smart Car”, plataforma que será utilizada

O
E Por FRANCISCO MOTA
Spring que a Stellantis posiciona este Ci- em todas as marcas da Stellantis que ve-
troën ë-C3, mas fá-lo mais no preço do que nham a contar com modelos equivalentes
Dacia Spring, conside- no produto. Claro que a marca francesa teve ao C3. Trata-se de uma arquitetura sim-
rando o preço absolu- de recorrer a um violento corte de custos plificada ao máximo, para reduzir custos,
to, tem sido a porta de para conseguir posicionar, comercialmente, sendo já utilizada na Índia e na América do
entrada para os elétri- um elétrico do segmento B próximo de um Sul em automóveis com motores de com-
cos, apesar de custar elétrico do segmento A. E promete-se que, bustão. Seja como for, tem alguns predica-
agora mais do que na em 2025, existirá uma versão ainda mais dos importantes. Desde logo, a suspensão
altura em que foi lan- acessível (19.990 €), equipada com uma é MacPherson à frente e eixo de torção
çado. A Dacia nunca escondeu nem as ori- bateria mais pequena e, por isso, capaz de atrás, mas usa os amortecedores com ba-
gens nem a execução do modelo, assumin- percorrer somente 200 km entre recargas. tentes progressivos duplos de série; tam-
do o seu posicionamento “value for money” A versão que temos em teste é a “normal”, bém tem bancos “advanced comfort” com
para conseguir colocar no mercado uma chamemos-lhe assim, que tem muito mais uma camada de espuma extra. O objetivo
proposta de baixo custo. Claro que teve de para conhecer do que apenas a arquitetura é conseguir um nível de conforto dinâmico
incorrer nalguns compromissos, tanto em elétrica. Trata-se da quarta geração do C3, semelhante ao dos modelos anteriores, um
matéria de qualidade do habitáculo como modelo que a Citroën introduziu na gama dos argumentos históricos da marca fran-
ao nível da habitabilidade, autonomia, 2002 e somou, até ao momento, um total de cesa.
prestações e dinâmica. Ainda assim, este 5,6 milhões de unidades produzidas. Antes de entrar nos detalhes, é im-
utilitário oferece o essencial, como que portante referir que o ë-C3 foi projetado,
tem sido o lema da marca romena proprie- Estreia da “Smart Car” industrializado e é produzido na Europa,
dade do Grupo Renault. Para começar, estreia na Europa da mais propriamente na Eslováquia. Em ter-

14 [Link] | DEZEMBRO
Citroën ë-C3 Max

mos de dimensões, no frente a frente com 120 Nm. Para este conjunto e um peso de a 80% (4h10 usando 7kW). Há, também,
o C3 precedente, o comprimento cresceu 1416 kg, a Citroën anuncia uma autonomia uma versão térmica, com uma versão re-
19 mm e a largura 6 mm. Este automó- WLTP de 320 km. Quanto ao carregamen- novada do motor 1.2 PureTech a gasolina,
vel tem 4,02 m (logo, é 4 cm mais curto to, pode fazer-se em carregadores rápidos com 100 cv.
do que o Peugeot 208) 1,76 m de largura até 100 kW, demorando 26 miunutos para O estilo mostra a linguagem nova da Ci-
e 1,57 m de altura. Dado interessante é a aumentar a carga armazenada de 20% troën, sendo fortemente influenciado pelo
altura ao solo, que atinge os 163 mm, um para 80%. Se carregada a 11 kW, a opera- estudo Oli apresentado em 2022. Exceto
número acima da média e que a marca ção demora 2h50, para os mesmos 20% o pára-brisas vertical, que o “concept” ti-
aponta como uma fórmula que facilita as
entradas e saídas do habitáculo, e melho-
ra a visibilidade para o exterior, à imagem
do que acontece nos Sport Utility Vehicles
(SUV). Curiosamente, a marca apresenta o
C3 novo como um “hatchback” de 5 portas,
talvez por existirem cada vez mais indiví-
duos que classificam os SUV como auto-
móveis pouco ecológicos.

Um “downsizing” elétrico
Quanto à arquitetura elétrica, o ë-C3
usa uma filosofia diferente da conhecida
de modelos como o Peugeot e-2008. Tra-
ta-se de uma abordagem a um nível de cus-
tos de produção mais moderados e que,
por isso, obrigou a algum “downsizing”. A
bateria usa a química LFP, mais barata que
a NMC, e tem apenas 44 kWh de capaci-
dade. O motor elétrico, colocado è frente
e tracionando as rodas dianteiras, gera
83 kW (113 cv) e um binário máximo de

2024 | [Link] 15
Teste

nha, mas era de produção inviável. Ainda é quase quadrado, mas a pega não se tor-
assim, como “sobreviveram” muitos traços, m m na muito estranha, e tem teclas plásticas
o C3 novo tem desenho original. E o símbo- fáceis de usar. À frente, há um friso que
lo oval de grandes dimensões do “double • Autonomia • Qualidade contém o painel de instrumentos, peque-
chevron” é uma estreia. • Estilo de materiais no, sim, mas fácil de ler. O monitor tátil
Tendo em conta o caderno de encar- • Habitabilidade • Falta central está no topo do “tablier” e a sua
gos, seria de esperar que o habitáculo • Preço de computador utilização é simples. Mais abaixo encon-
tivesse um ambiente “low cost”, mas a • Posição de condução de bordo tra-se o módulo físico da climatização e,
Citroën conseguiu um resultado simples • Piso alto no interior na consola, está posicionado o habitual
(mas não simplista). É claro que os plás- • Suspensão comando da transmissão da Stellantis.
ticos são todos duros, mas há uma faixa em mau piso Muito estranho é o facto de não haver,
têxtil que atravessa o painel de bordo e o • Direção nem no painel de instrumentos, nem no
desenho dá-lhe um bom aspeto. O volante muito assistida monitor central, um computador de bordo
com indicações sobre consumos médios e
instantâneos, nem da velocidade média.
As únicas informações que o condutor
tem são a distância percorrida depois de
colocar o contador parcial a zero, a indica-
ção da percentagem de carga restante da
bateria e a autonomia disponível estimada
pelo próprio sistema. É possível fazer um
cálculo do consumo e da autonomia, mas
com alguma margem de erro. Em cidade,
o consumo foi de 14,6 kWh/100 km, o que
equivale a uma autonomia de 301 km. Em
autoestrada e estabilizando a velocidade
nos 120 km/h, 19,5 kWh/100 km (e 226
km). Estes valores não andam muito longe
dos anunciados pela marca.

16 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Citroën ë-C3 Max

MOTOR
Tipo Elétrico, ímanes permanentes
Potência 113 cv (83 kW)
Binário 125 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão LFP/400 V
Capacidade (bruta/útil) 44 kWh
Carreg. de 20% a 80% 0H26 a 100 kW
Carreg. de 20% a 80% 4h10 a 7 kW
TRANSMISSÃO
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. MacPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,6 m
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comprimento/Largura/Altura 4,015/1,755/1,567 m
Largura das vias F/T 1,500/1,520 m
Distância entre eixos 2,540 m
Mala 310 litros
Pneus F 205/50 R17
Muito espaço a bordo tem resposta suficiente para deixar para
Pneus T 205/50 R17
O espaço no interior é bastante bom na trás a maioria dos “térmicos” e entrega o
Peso 1491 kg
frente, devido a uma consola central não binário de forma progressiva, sem brusqui-
Relação peso/potência 13,3 kg/cv
muito larga. Nos lugares de trás, há bastan- dão. Há um botão “C” que diminui a dispo-
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
te liberdade de momentos em comprimento nibilidade de binário e funciona como modo
Velocidade máxima 135 km/h
e altura. Já a altura, logicamente, é menos Eco, sem retirar demasiada força ao motor.
Aceleração 0-100 km/h 11,0 s
generosa, tanto mais que o piso alto deixa Os travões não são muito progressivos e
Consumo médio (WLTP) 17,4 kWh/100 km
as coxas mal apoiadas nos assentos. A mala não há sistema de regulação da intensidade
Autonomia (WLTP) 320 km
tem 310 litros de capacidade e rebate as da regeneração de energia durante as desa-
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
costas dos bancos em 1/3-2/3. Da rica lis- celerações (logo, é sempre a mesma e não
Mecânica 3 anos sem limite de km
ta de equipamento fazem parte faróis LED, faz “one pedal”, ou seja, não pára o carro).
Bateria 8 anos/160.000 km
travagem de emergência, Head-Up Display, Contudo, a calibração está bem feita para
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Cruise Control, vidros traseiros escureci- uma condução em ambientes variados.
Intervalos entre revisões 1 ano
dos, ar condicionado automático, carrega- A suspensão é confortável em pisos
Imposto de Circulação (IUC) Isento
dor sem fios para telemóveis, nagevação 3D de boa qualidade, mas sobre passadeiras
e câmara traseira, entre outros itens, consi- elevadas ou bandas sonoras reage com al-
PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)
derando a versão de topo (Max). guns solavancos mais desconfortáveis do
23.300 €* Em cidade, a sensação de posição de que o esperado, sobretudo a traseira. Tal-
*Versão You
condução alta percebe-se de imediato, tan- vez a “culpa” seja dos pneus 205/50 R17.
to no acesso como sentado no banco macio Em autoestrada, o ë-C3 é muito silencio-
Preço da unidade ensaiada e com apoio lateral suficiente. A direção é so, tanto em termos aerodinâmicos como
27.800 € muito assistida, ficando leve e com pouco de rolamento, ou mesmo do som do motor
Avaliação e-auto (3,5)
tato, mas exigindo pouco esforço. O motor elétrico e da transmissão. A estabilidade

2024 | [Link] 17
Teste Citroën ë-C3 Max

direcional mais do que satisfaz e regista-se 0-100 km/h de 11 segundos, registo razoá- com pouco tato numa estrada deste tipo,
pouca inclinação lateral ou sensibilidade vel para um modelo como este. Claro que a que também mostra os travões a funcionar
aos ventos laterais. O binário disponível potência vai decaíndo à medida que a ve- melhor em solicitações mais agressivas.
é suficiente para acompanhar o fluxo do locidade se aproxima do valor máximo de Tentando provocar a traseira com uma tra-
trânsito e até superá-lo nalgumas situa- 135 km/h. Por isso, o motor não coloca de- vagem tardia, entrada precoce do controlo
ções. As ajudas eletrónicas à condução masiados desafios ao chassis. Ainda assim, eletrónico de estabilidade.
funcionam razoavelmente. a inclinação lateral nota-se. Entrando em Este ë-C3 é um muito bom exercício
Passando a estradas secundárias, fica curva com alguma velocidade, regista-se que veremos noutros modelos das marcas
clara a vocação 100% familiar do ë-C3, uma tendência de subviragem, que ocorre da Stellantis e promete posicionar outros
como seria de esperar (e faz todo o sen- de forma progressiva e fácil de remediar elétricos em níveis de preço mais acessí-
tido). A Citroën anuncia uma aceleração (basta desacelerar). A direção continua veis.

18 [Link] | DEZEMBRO
Ao volante

E Por JOSÉ CAETANO

A
Kia EV3 GT-Line
Kia, independente-

AMBICIOSO
mente da instabili-
dade nas vendas de
automóveis elétricos
na Europa, com di-
minuição em vez de
aumento na procura
capaz de originar dores de cabeça a mui- Ao volante. EV3 é o nome do primeiro SUV
tos fabricantes, devido à necessidade de
reduzirem, rapidamente, as emissões de
compacto elétrico da Kia, modelo com que a
CO2, de forma a não arriscarem o paga- marca ambiciona contribuir para a massificação
mento de milhões de euros de multas à
União Europeia (EU), por incumprimento
da tecnologia na Europa. A gama tem três versões
dos limites muito restritivos que entram (Drive, Tech e GT-Line), duas baterias (58,3 kWh e
em vigor no próximo ano, não admite
mudanças no programa que definiu e na
81,4 kWh de capacidade) e um motor (150 kW/204
ambição de tornar-se “na marca núme- cv), que aciona só as rodas dianteiras. As primeiras
ro um na região, na mobilidade elétrica”.
Neste plano, 14 modelos com a tecno-
impressões de condução!
logia à venda no mercado europeu em
2027. O êxito da empreitada depende da so modo, 70% das matrículas novas no conta com este EV3 como contribuinte
democratização do acesso à “fórmula”, nosso País! ativo para aumentar o ritmo do movimen-
missão impossível com o EV6 de 2021 e Representada em Portugal pela Astara, to da transformação associada à transição
o EV9 (2023), mas possível com o EV3, a Kia tem gama cada vez mais numerosa, energética dos motores térmicos para os
compacto com 4,300 m de comprimento o que permite adaptar-se aos ritmos muito elétricos. E, em 2025, com base na mes-
e 2,680 m entre eixos capaz de compe- diferentes da eletrificação do automóvel ma arquitetura, a plataforma E-GMP, mais
tir com rivais posicionados em dois seg- na Europa (e reagir depressa a todas as duas novidades: EV4 e EV5! Os “alvos” do
mentos (B e C) que representam, gros- mudanças na procura no nosso País), mas compacto encontram-se bem definidos: de

20 [Link] | DEZEMBRO
Kia EV3 GT-Line

Cupra Born e VW ID.3 a Renault Megane ção (5’’) e o sistema multimédia (12,3’’). O xo do seletor que ativa o limpa para-brisas,
E-Tech 100% Elétrico e Volvo EX30, isto segundo “esconde-se” atrás do volante, o posicionamento que também não benefi-
é, das berlinas aos SUV. Comparado com a que não facilita a utilização. O terceiro tem cia a ergonomia, estão os comandos para
maioria dos concorrentes anunciados, Kia botões físicos. E, entre os dois, comandos “despertar” o automóvel, acionar o travão
em vantagem tanto na autonomia como no hápticos para acessos às funções utiliza- de parqueamento e controlar a caixa de
preço – muito bom cartão de visita. das com regularidade. velocidades. Entre os bancos dianteiros,
Na coluna da direção, em haste por bai- encontra-se consola com forma curiosa:
Muito boas sensações a bordo
Visualmente, com a adaptação da fi-
losofia de estilo “Opostos Unidos” ao for-
mato compacto, este EV3 aproxima-se do
EV9, mas sem perturbação da aerodinâmi-
ca, item superimportante nos automóveis
elétricos, devido ao impacto na autonomia.
A marca reivindica 0.263 de coeficiente de
resistência, que resulta da combinação de
elementos ativos e passivos na dianteira,
na traseira e até sob o automóvel. No inte-
rior, sobretudo no desenho e na tecnologia,
o modelo novo também é (muito!) próximo
do topo de gama. Partilham, por exemplo,
o Triple Panoramic Display com três moni-
tores no painel, posicionados lado a lado,
para a instrumentação (12,3’’), a climatiza-

2024 | [Link] 21
Ao volante

combina apoio de braços e tabuleiro que o que origina piso plano. Os bancos tra- tra-se só nas versões de topo GT-Line. A
tem, na extremidade dianteira, os botões seiros são confortáveis, mas os assentos marca tem compromisso com a sustenta-
que ativam as câmaras de apoio ao esta- não podem regular-se longitudinalmente. bilidade, que cumpre com a utilização de
cionamento e o controlo de descida. Esta Nesta zona, os ocupantes podem coman- geração nova de materiais amigos do am-
estrutura, no GT-Line, desloca-se longitu- dar a climatização e dispõem de comparti- biente, de forma massiva (e explica-o em
dinalmente, ação que permite criar mesa mento para arrumações e duas tomadas do QR Code no painel de bordo, à direita!).
para refeições ligeiras ou base para PC – tipo USB-C instaladas, lateralmente, nos Existem tecidos reciclados no “tablier” ou
parando-se para carregar a bateria, trata- encostos dos bancos dianteiros. Por fim, nos revestimentos das portas, PET produ-
-se de apoio útil. Nesta zona sem compar- acessos amplos, para entradas e saídas zido a partir de garrafas de plástico ou de
timento fechado para arrumações, existe sem problemas. artigos de vestuário encontrados em lixei-
carregador sem fios para telemóveis. A qualidade das materiais e da monta- ras nos bancos, no forro do tejadilho, nos
Na habitabilidade, EV3 no topo da ca- gem surpreendeu-nos positivamente. Para apoios para braços nas portas e até nos
tegoria, por proporcionar-nos muita liber- o interior do EV3, a Kia criou três ambien- tapetes.
dade de movimentos a bordo, beneficiando tes, inspirando-se nos elementos “Ar, Terra, No EV3, mala com 460 litros, com os
do posicionamento da bateria entre eixos, Água”. O terceiro é em Preto Onyx e encon- encostos dos bancos traseiros posiciona-

22 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Kia EV3 GT-Line

MOTOR
Tipo Elétrico, síncrono, dianteiro
Potência 204 cv/150 kW
Binário 283 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão Iões de lítio/400 V
Capacidade (bruta/útil) 81,4 kWh
Carreg. de 20% a 100% 7h25 a 10,5 kW
Carreg. de 20% a 80% 0h31 a 128 kW
TRANSMISSÃO
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. MacPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos dos verticalmente, e compartimento de ar- e GT-Line), devido à disponibilidade de ba-
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m rumação complementar sob o “capot”, com terias com duas capacidades (58,3 kWh e
DIMENSÕES E CAPACIDADES 25 litros, capacidade limitada, sim, mas 81,4 kWh são os números brutos anuncia-
Comprimento/Largura/Altura 4,300/1,850/1,560 m suficiente para os cabos de carregamento dos, uma vez que a marca não anuncia os
Largura das vias F/T 1,610/1,607 m da bateria. Na bagageira, a plataforma de líquidos). A primeira combina-se com o ní-
Distância entre eixos 2,680 m carga permite dois posicionamentos em al- vel de equipamento Drive e a segunda com
Mala F+T 25+460-1250 litros tura, em função das necessidades de car- o Tech e o GT-Line. Independentemente da
Pneus F 215/50 R19 ga, e o portão, nas versões GT-Line, tem configuração, autonomia(s) acima da mé-
Pneus T 215/50 R19 comando elétrico. dia na categoria, com a promessa de até
Peso 1885 kg 436 km para o SUV com 58,3 kWh e até
Relação peso/potência 8,84 kg/cv Carregamento e equipamento 605 km para os compactos com 81,4 kWh.
PRESTAÇÕES E CONSUMOS No arranque da comercialização, EV3 O EV3 assenta numa variante da pla-
Velocidade máxima 170 km/h só com motor de 150 kW/204 cv e 283 Nm taforma E-GMP utilizada pela Kia tanto
Aceleração 0-100 km/h 7,9 s a acionar apenas as rodas dianteiras. No no EV6 como no EV9. Trata-se, todavia,
Consumo médio (WLTP) 16,2 kWh/100 km entanto, na gama, três versões (Drive, Tech de base com dimensões muito mais com-
Autonomia (WLTP)w 563 km

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

46.500 €*
*Empresas: 36.138 € + IVA (100% de dedutibilidade
do IVA e 0% de tributação autónoma); nas mesmas
condições, EV3 Drive por 30.447 €

2024 | [Link] 23
Ao volante

sem surpresa, pacote completo de as-


sistências à condução, inclui parqueamen-
to automático que pode ativar-se no exte-
rior, regulador de velocidade ativo que atua
em coordenação com a manutenção do
automóvel no centro da faixa de rodagem,
combinação que permite uma condução
do tipo semiautónoma, pois a tecnologia
nunca dispensa a supervisão do condutor,
e travagem automática de emergência.
Somam-se a Digital Key 2.0 (através de
aplicação para “smartphone”, destrancam-
-se e trancam-se as portas, adapta-se a
climatização ou autoriza-se a cedência da
utilização do automóvel…), equipamento
de som da Harman/Kardon e adaptação
da iluminação ambiente aos “humores” dos
condutores.
Transportando para o segmento dos
compactos características que encontra-
mos, habitualmente, só nos automóveis
que competem em categorias acima, o
caso do EV9, a Kia, no EV3, também tem
sistema Head-Up Display (12’’), aqueci-
mento dos bancos traseiros ou ventilação
dos dianteiros, teto de abrir panorâmico,
pactas e, sobretudo, arquitetura elétrica fórmula que reduz os custos de produção bomba de calor e portão elétrico no GT-
diferenciada, com 400 V em vez de 800 V. e, consequentemente, os preços. Em pon- -Line. No nível de topo, a apresentação do
E, assim, devido à tensão mais baixa, a po- to doméstico, com corrente alternada, nos SUV é mais desportiva, com “mão cheia”
tência máxima de carregamento também dois modelos, a potência máxima admitida de elementos (exteriores, interiores) dife-
diminui, posicionando-se (bastante!) abai- é de 11 kW (22 kW em 2026). renciados, e muitos apresentam-se pinta-
xo da “fasquia” de 200 kW com corrente O sistema no EV3 é bidirecional, a dos a preto brilhante. Entre os elementos
contínua proposta nos outros dois mem- exemplo do que acontece nos outros mem- específicos, jantes, para-choques, pedais,
bros da família – até 102 kW com a bate- bros da geração nova de automóveis elétri- revestimentos dos bancos, espelhos retro-
ria de 58,3 kWh e até 128 kWh com a de cos da Kia e, por isso, além do carregamen- visores ou volante com três braços em vez
81,4 kWh; na primeira, o armazenamento to da bateria, este dispositivo com tomada de dois). Os bancos dianteiros têm posição
de energia aumenta de 10% para 80% em Schuko alimenta equipamentos externos, “relax” pensada para utilização durante
29 minutos; na segunda, esta operação de- nomeadamente bicicletas, frigoríficos por- o carregamento da bateria e que otimiza
mora só mais 2 minutos. Em contrapartida, táteis, máquinas de café, PC, secadores de bastante o conforto a bordo.
considerando-se o posicionamento comer- café… Este recurso encontra-se disponível
cial do automóvel, percebe-se o recurso a apenas no topo de gama GT-Line. E, Dinâmica competente
No primeiro contacto com o EV3, orga-
nizado no nosso País, na região de Lisboa,
o Kia mais do que correspondeu às expe-
tativas. Este SUV tem condução agradável
e confortável, por contar com direção e
suspensão competentes (os amortecedo-
res não são adaptativos, mas dispõem de
válvulas duplas, por isso atuando bem quer
nas altas frequências, quer nas baixas, ou
durante os movimentos de compressão e
extensão). Favorecem-no, igualmente, o
centro de gravidade baixo e a repartição
otimizada do peso, características muito
positivas com origem no posicionamento

24 [Link] | DEZEMBRO
Kia EV3 GT-Line

PREÇOS
A PARTIR
DE 30.447 €
O EV3 tem o formato dominante nas duas
categorias-alvo: segmentos B e C: Sport Utility
Vehicle (SUV). A Kia, em Portugal, apresenta-o
como fundamental para mais crescimento,
depois de triplicar as vendas em 10 anos,
aproximando-se de 10.000 automóveis/ano –
matriculou 7003 em 2023, deve registar 7800
da bateria sob o piso do habitáculo, entre desportivo, o ímpeto parece-nos maior, em 2004. A Astara ambiciona comercializar
os eixos. mas essa sensação perde-se à medida que 1000 exemplares do elétrico novo em 2025,
O EV tem motor com 150 kW/204 cv e o ritmo aumenta. apoiando-se no canal das empresas (mais
283 Nm, mas também conta com bateria(s) O travão é de acionamento eletro-hi- de 90% da procura estimada…), por isso
pesada(s). Por isso, não sendo lento (0-100 dráulico e adaptamo-nos bem ao pedal. A baseando a comunicação no preço de 30.447
km/h em 7,5 s na versão com 58,3 kWh e Kia, no EV3, introduziu programa de recu- € (+IVA) da versão Drive – no caso das em-
7,7 s na com 81,4 kWh, sendo que ambas peração de energia na travagem. Este sis- presas, 100% de dedutibilidade do IVA e 0%
contam com as velocidades máximas de tema tem três níveis de atuação, do mínimo de Tributação Autónoma. Para particulares, o
170 km/h, para proteção da autonomia), ao máximo. A atuação depende tanto da EV3 tem preços desde 38.490 €. Também na
também não é rápido, principalmente nas via em que conduzimos, considerando-se gama, versões Tech e GT-Line, ambas equipa-
respostas aos movimentos no acelerador, curvas, rotundas & Cia., como da fluidez das com bateria “Long Range” (promete-se
que mudam em função do modo de con- do tráfego à nossa frente. E tem-se, ainda, até 650 km de autonomia), com 81,4 kWh
dução (Eco, Normal, Sport ou Snow, mais um i-Pedal (versão 3.0) que imobiliza o EV3 de capacidade – a primeira, para empresas,
o My Drive com a personalização de diver- sem necessidade de travarmos, função é proposta por 33.699 €+IVA (particulares,
sos sistemas do automóvel). No modo mais muito conveniente em cidade (ativa-se em 43.490 €) e a segunda por 36.138 €+IVA
patilha na coluna da direção, à esquerda, (46.500 €).
pressionando-a só durante 1 segundo, e
mantém-se em funcionamento nas mano-
bras de marcha-atrás).
Nos Kia, como na generalidade dos au-
tomóveis modernos, existem sinais sono-
ros a mais que alertam para os perigos de
diversas situações de condução. Como são
muitos e quase todos intrusivos, tornam-se
irritantes. Felizmente, no caso do EV3, de-
sativam-se dois e ambos no volante e no
comando do volume do som: os avisos de
violação do limite de velocidade e saída in-
voluntária da faixa. Menos mal!...

2024 | [Link] 25
Teste

Dacia Spring Extreme Electric 65 cv

A TEMPO E HORAS
Ao volante. No momento adequado, coincidindo com a introdução de propostas
no mercado que perseguem o mesmo público-alvo, a Dacia moderniza o Spring
quase fio de pavio e, por isso, este automóvel mais parece novo. Este “elétrico
para as massas”, devido ao preço acessível, não muda demasiadamente
de conceito, mas ganha mais e melhores argumentos para fazer frente à
concorrência, sobretudo nos capítulos do desenho e da tecnologia, dois itens
muito importantes. À prova, o modelo com 65 cv, na versão Extreme.

E Por PEDRO JUNCEIRO vez! Também por isso, o modelo em exame Esteticamente, o Spring incorpora as

O
tem a missão exigente de dar continuidade mais recentes tendências do desenho da
à herança. No entanto, agora, ao contrário Dacia, com os grupos óticos à frente e atrás
Dacia Spring, para mui- do que aconteceu anteriormente, conta agregados em faixas pretas, com assinatu-
tos condutores, foi o com rivais (Citroën ë-C3, Dongfeng Box, ras luminosas em Y, e os logótipos novos
automóvel de entrada Leapmotor T03, etc.). da marca. No entanto, o automóvel não
no mundo dos elétri- Antecipando facto com impacto na car- abandona o aspeto inspirado nos “crosso-
cos, tornando-se num reira comercial do Spring, a Dacia tratou vers”, graças à altura generosa ao solo e às
sucesso, principalmen- de dar ao seu elétrico urbano (apenas 3,7 proteções de plástico nos para-choques e
te entre os clientes par- metros de comprimento) uma “roupagem” nos guarda-lamas. Nesta versão Extreme,
ticulares, por combinação de fatores muito muito diferente e mais valências tecnoló- os primeiros também têm autocolantes
atrativa, como o preço e a ausência de con- gicas, embora sem nunca perder de vista “radicais” –beneficiam a imagem e melho-
correntes diretos. Segundo a marca, 93% tudo o que considera essencial – a acessi- ram a proteção contra os pequenos toques
dos proprietários do original compraram bilidade em termos de custos e a funciona- comuns durante as manobras de estacio-
carro sem mecânica térmica pela primeira lidade no dia-a-dia. namento!... –, e existem jantes de 15’’ com

26 [Link] | DEZEMBRO
Dacia Spring Extreme Electric 65 cv

embelezadores e, no interior, tapetes espe- itens, que inclui travagem de emergência Na habitabilidade, o Spring oferece
cíficos em borracha. atualizada (o sistema atua em ambientes ur- quatro lugares, com espaço suficiente para
banos e extraurbanos e tem a capacidade de os ocupantes dos lugares posteriores, tra-
Espartano, mas tecnológico detetar veículos, peões e ciclistas), também tando-se de adultos com estaturas em tor-
O habitáculo do Spring é totalmente encontramos câmara traseira ou sensores de no dos 1,75 m a 1,80 m, mas a liberdade
novo, para uma aparência muito mais mo- estacionamento. E, neste modelo, o condu- de movimentos encontra-se condicionada,
derna, a qual é reforçada pelo acréscimo tor pode adaptar os dispositivos às preferên- sobretudo ao nível das pernas, o que não
de tecnologia: a instrumentação assenta cias individuais e ativar só os que prefere no espanta, considerando os 2,423 m entre
num ecrã de 7’’, enquanto ao centro do pai- botão “My Safety”, na consola central. eixos. Finalmente, existem compartimen-
nel de bordo posiciona-se, agora, um mo- O volante é novo, tal como o seletor de tos para arrumações em número mais do
nitor tátil de 10’’, denominado Media Nav condução, e a coluna de direção regula-se que razoável e a mala tem 308 litros de
Live, equipamento de série neste Extreme. apenas em altura. Os bancos apresentam capacidade.
Dispondo de sistema multimédia simples revestimentos que combinam pele sinté-
e de fácil interação, propõe-se aquilo que tica (TEP) e tecido. Um detalhe que valo- Agilidade e eficiência
os clientes procuram nos tempos que cor- riza a apresentação… Todavia, o princípio A área técnica mantém-se inalterada.
rem: a ligação sem fios a Apple CarPlay e espartano de construção mantém-se, com Por isso, uma vez mais, o Spring tem mo-
Android Auto, navegação conectada com recurso massivo a plásticos duros, mesmo tores elétricos com 45 cv e 65 cv. A versão
informações de trânsito em tempo real e, que de boa aparência, alguns no “tablier” Extreme vende-se apenas com o segundo.
ainda, atualizações remotas gratuitas du- com pintura em branco que soma um “to- Uma vez que o peso do Dacia foi mantido
rante oito anos. Também há portas USB que” de irreverência. E a falta de isola- abaixo dos 1000 kg (em vazio) – o automó-
para o carregamento de dispositivos como mento na face interior da tampa da mala vel “engordou” só 14 kg –, trata-se de moto-
“smartphones” e vidros elétricos. “denuncia” que a marca se preocupou mais rização apta para “navegar” agradavelmen-
Na segurança, além de lista com mais com outras áreas. te em circuitos urbanos e periféricos, com

2024 | [Link] 27
Teste

acelerações e retomas de velocidade mui- revela-se muito poupado, sobretudo com-


to satisfatórias. Aliás, para suavização de
m m binando os programas “Eco” e “B”, com
respostas durante o “pára-arranca” comum consumos na ordem dos 10 kWh/100 km.
• Agilidade
nos ambientes urbanos, e também para No fim do teste, média de apenas 11 kWh.
em cidade • Carregador
maior autonomia, é recomendada a utiliza- A bateria tem 26,8 kWh de capacidade e a
• Conforto DC opcional
ção do modo “Eco”, que torna as respostas autonomia estimada de 225 km está cor-
• Eficiência energética • Ruído a alta
menos decididas. A função “B” da caixa reta. A unidade em exame apresentava o
• Mala velocidade
aumenta a intensidade da regeneração da carregador de bordo opcional (600 €), de
• Relação • Posição de
energia durante as desacelerações ou tra- 30 kW, que permite recuperar a carga ar-
custo-benefício condução
vagens, quase permitindo até a dispensa mazenada de 20% para 80% em menos
do recurso ao pedal do travão. de 45 minutos.
Onde os 65 cv começam a ser “curtos” numa autoestrada, ainda que este auto- Na dinâmica, sublinhe-se a facilidade de
é quando se entra em vias rápidas, pedin- móvel nos pareça mais ágil do que mo- condução em cidade, com amortecimento
do-se, assim, uma “leitura” mais atenta delo equivalente equipado com motor de suave e raio de viragem reduzido. O Spring
das condições do trânsito antes de entrar combustão interna. Além disso, o Spring privilegia o conforto e absorve muito bem

28 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Dacia Spring Extreme Electric 65 cv

MOTOR
Tipo Elétrico, dianteiro
Potência 65 cv (48 kW)
Binário 113 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão Iões de lítio
Capacidade (bruta/útil) 26,8 kWh
Carreg. de 20% a 100% 4h00 a 11 kW (AC)
Carreg. de 20% a 80% 0h45 a 30 kW (DC)
TRANSMISSÃO
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. MacPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,6 m
DIMENSÕES E CAPACIDADES
os buracos e as lombas, proporcionando cios favoráveis, a Dacia, na geração nova
Comprimento/Largura/Altura 3,701/1,583/1,519 mm
viagens tranquilas e seguras. A sublinhar do Spring, repete a fórmula, propondo
Distância entre eixos 2,423 m
este ponto está a posição de condução so- um automóvel de aparência jovial, tec-
Mala 308-1004 litros
brelevada, o que ajuda à visibilidade, em- nologicamente melhorado e que, no caso
Pneus F 165/65 R15
bora gostássemos de sentar-nos em banco da versão Extreme, oferece equipamento
Pneus T 165/65 R15
que admitisse a regulação em altura. Uma que preenche os requisitos dos clientes
Peso 984 kg
vez que a suspensão é supermacia, o Dacia modernos, por um preço de 19.900 €.
Relação peso/potência 15,1 kg/cv
“dispensa” abordagens mais audazes em Tecnicamente, é verdade, não existem
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
curva (e os bancos têm pouco apoio late- progressos, mas a máquina elétrica com
Velocidade máxima 125 km/h
ral), sendo preferível conduzi-lo de forma 65 cv tem desempenho mais do que su-
Aceleração 0-100 km/h 13,7 s
serena (e eficiente). ficiente para as necessidades diárias
Consumo médio (WLTP) 13,5 kWh/100 km
de mobilidade em ambiente urbano. O
Autonomia (WLTP) 225 km
Custos-benefícios Spring é despachado e eficiente ener-
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
Experiente na criação de automóveis geticamente, e tem todas as tecnologias
Mecânica 3 anos/100.000 km
que primam por relações custos-benefí- essenciais. O segredo do sucesso!...
Pintura/Corrosão 3 anos ou 100.000 km/6 anos
Intervalos entre revisões 1 ano/30.000 km
Imposto de Circulação (IUC)) Isento

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

19.900 €
Preço da unidade ensaiada
21.000 €
Avaliação e-auto (4)

2024 | [Link] 29
Confronto

CARA OU COROA?

Ford Explorer RWD Premium vs Renault Scenic E-Tech 100% Elétrico Iconic

E
E Por ANTÓNIO DE SOUSA PEREIRA
Confronto. Enfim em Portugal, o novo Explorer, o
m face da (aparente) irre- primeiro membro da família nova de automóveis
dutibilidade das autorida-
des europeias de rever a
elétricos da Ford criada a pensar no mercado
decisão que determinou europeu. Para aquilatar do seu potencial, frente
que, no Velho Continente,
a partir de 2035, vendas
a frente com o Renault Scenic E-Tech 100%
de automóveis novos só Elétrico, em ambos os casos nas versões com
totalmente elétricos, são cada vez mais as
propostas do género que chegam ao mer-
tração a apenas um dos eixos, mais equipadas, mais
cado, com particular incidência, sobretudo potentes, e com mais autonomias.
entre as marcas ditas “generalistas”, nos
segmentos que representam maiores volu- Antes do “combate”, dois esclareci- riante mais poderosa, com um motor por
mes de vendas. Um deles, obrigatoriamen- mentos. Primeiro: apesar de ambos con- eixo, logo, transmissão às quatro rodas).
te, o dos familiares compactos, em que o tarem com versões mais acessíveis, e Segundo: não obstante ser anunciado
formato da moda não pára de ganhar pro- mais diretamente comparáveis, com 170 como o primeiro membro de uma nova fa-
tagonismo. E, por isso, aqui em confronto, cv, também porque a clientela, no caso mília de elétricos desenvolvidos na Euro-
dois “C-SUV” acabados de chegar a Portu- dos elétricos, parece ser muito sensível pa, e para os europeus, pela casa da oval
gal, ambos com plataformas dedicadas (só aos argumentos tanto do “rendimento- azul, e até ser produzido na cidade alemã
podem montar mecânicas 100% elétricas), -performance”, como, em especial, da de Colónia, a verdade é que o Explorer é
nos seus níveis de equipamento de topo: autonomia, comparámos as mais poten- o primeiro fruto da parceria estratégica
de um lado, o Renault Scenic E-Tech 100% tes, e com bateria de maior capacidade, estabelecida com o Grupo VW em 2019,
Elétrico Iconic, vencedor do último embate ambas com tração a apenas um dos eixos no sentido de permitir à divisão euro-
realizado por E-AUTO na categoria; do ou- (o dianteiro, no caso do Renault; o trasei- peia do fabricante de Dearborn (Detroit,
tro, o Ford Explorer RWD 286 cv Premium. ro, no do Ford, que ainda propõe uma va- EUA) utilizar a plataforma MEB do maior

30 [Link] | DEZEMBRO
Ford Explorer RWD Premium vs Renault Scenic E-Tech 100% Elétrico Iconic

construtor europeu, por isso partilhando tejadilho ser “flutuante”. Quanto ao Scenic, Abram-se as portas
inúmeros componentes com vários mo- só podia ser um Renault, e um Renault dos Portas abertas, e, pese embora a agradá-
delos conhecidos, nomeadamente o ID.4. tempos modernos, perdendo em originali- vel decoração bicolor, desvanece-se, quase
Objetivo final: dispor de uma gama 100% dade, por partilhar com outros modelos da por completo, essa sensação de identidade
elétrica na Europa a partir de 2030. gama a linguagem estilística, o que ganha própria do Explorer. São inúmeros os com-
Essa proximidade existente entre Ex- em dinamismo e ousadia. ponentes partilhados com os ID. da VW, do
plorer e ID.4 poderia fazer prever ser o Ford
um produto menos genuíno, uma espécie
de “sucedâneo” do seu “primo” alemão.
E se há domínios em que tal acontece, o
desenho exterior não é, de todo, um deles,
acabando, mesmo, por ser um dos seus
atributos fundamentais, e, porventura, o
seu principal elemento diferenciador. Não
sendo, propriamente, inovadoras ou van-
guardistas, as linhas da carroçaria são sufi-
cientemente invulgares para lhe conferirem
um visual pouco comum, não tão arrojado
quanto o do seu rival de ocasião, mas mais
personalizado, porque diferente do de qual-
quer outro Ford, além de que mais aventu-
reiro. Em que se destacam, na frente, as
formas arredondadas, a grelha fechada,
e os faróis montados em plano elevado; a
traseira mais vertical; e os pilares pintados
de preto, para transmitir a impressão de o

2024 | [Link] 31
Confronto

comando da transmissão ao painel de instru- entre ambas as opções através de um botão ecrã de 14,6” do sistema multimédia – mon-
mentos minimalista e pouco personalizável, adicional que, não raras vezes, se aciona in- tado na vertical, funciona como a respetiva
passando, entre vários outros, pelo contro- voluntariamente. tampa, basculando 30° para a frente, por
lo deslizante do volume do sistema de som, Pelo contrário, marcam a diferença o forma a lidar com os diferentes ângulos de
pelos interruptores dos faróis, pelos bancos enorme compartimento (17 litros) de arru- incidência da luz solar e, ao mesmo tempo,
dianteiros “Ergo”, e pelos comandos dos vi- mação montado entre os lugares diantei- permitir o acesso ao mesmo, além de ficar
dros montados na porta do condutor, com ros (onde é possível colocar, por exemplo, bloqueado quando o veículo está trancado.
o anacronismo dos botões que operam, si- computadores portáteis de até 15”), e, prin- Quanto ao sistema multimédia propriamen-
multaneamente, os dianteiros e traseiros do cipalmente, o não pouco generoso espaço te dito, tem por base o novo sistema opera-
mesmo lado, função que obriga a comutar (com tomadas USB-C) existente atrás do tivo Ford Sync Move, e é completo, embo-
ra peque pelo excesso de menus que não
facilitam a operação, mormente durante a
condução, e padeça de algumas idiossin-
crasias, como o modo mais permissivo do
ESP ser ativado no menu “Travar” – além de
que o português utilizado parece ter pro-
vindo diretamente de um “software” de tra-
dução do mais elementar que existe. Já os
botões montados no volante multifunções,
tal como o próprio, têm um “design” dife-
rente do conhecido dos VW, mas desem-
penham as mesmas funções, e sofrem da
mesma hipersensibilidade ao toque, sendo
recorrente, por exemplo, ligar-se o aqueci-
mento do volante quando apenas se pre-
tende descrever uma curva de forma mais
empenhada.
No Renault, o ambiente interior é, niti-

32 [Link] | DEZEMBRO
Ford Explorer RWD Premium vs Renault Scenic E-Tech 100% Elétrico Iconic

damente, mais sofisticado, original e con- falantes, um deles instalado em posição e a função de estacionamento automático.
dizente com o visual exterior, do mesmo central no “tablier”. Ao que o Scnenic con- Com dimensões exteriores muito seme-
modo que também não faltam espaços de trapõe, entre os programas avançados de lhantes, a não ser em altura e na distância
arrumação, mesmo que não tão funcionais. assistência à condução, o airbag “central” entre eixos, duas quotas mais generosas no
O sistema multimédia, esse, continua a ser dianteiro e o sistema de saída segura dos Ford, os protagonistas deste embate apro-
continua a ser, muito provavelmente, o me- ocupantes (que o Ford não tem), assim ximam-se bastante, também, em termos de
lhor da atualidade na classe, seja pela sua como a assistência à manutenção na faixa habitabilidade, mas com vantagem para o
organização muito lógica e intuitiva, deci- de rodagem, e a câmara de 360°, disposi- Explorer em todas as direções, tanto à frente,
siva para uma operação fácil; seja pela ra- tivos que a Ford inclui, por 1149 €, no Pack como atrás, provando o bom trabalho no que
pidez de resposta; seja pela multiplicidade Driver, em conjunto com o Head-Up Display respeita ao aproveitamento do espaço pro-
de funções que oferece – a que se junta um
painel de instrumentos maior, mais com-
pleto e informativo, e com diversas possi-
bilidades de visualização. A rever, o datado
satélite para comando do sistema de som,
instalado na coluna de direção, junto às
alavancas de comando da transmissão e
dos “piscas”, e à patilha direita para regu-
lação da intensidade da regeneração de
energia em desaceleração, que torna uma
autêntica odisseia escolher, a cada mo-
mento, a mais certa.
Em termos de equipamento de série,
muito equilíbrio, com ligeira vantagem para
o Explorer, mercê da inclusão do alarme,
dos bancos com regulações elétricas de
12 vias e memórias, e do sistema de som
Bang&Olufsen mais evoluído, com 11 alti-

2024 | [Link] 33
c FICHA TÉCNICA
Confronto
Ford Explorer RWD 286 cv Premium Renault Scenic E-Tech 100% Elétrico Iconic
MOTOR
Elétrico, síncrono, traseiro Tipo Elétrico, síncrono, dianteiro
286 cv/210 kW Potência 220 cv/160 kW
545 Nm Binário 300 Nm
BATERIA
Iões de lítio/400 V Tipo/Tensão Iões de lítio/400 V
82/77 kWh Capacidade (bruta/útil) 92/87 kWh
5h00 a 11 kW Carregamento de 0% a 100% 8h00 a 11 kW
0h28 a 135 kW Carregamento de 10% a 80% 0h37 a 150 kW
TRANSMISSÃO
Traseira Tração Dianteira
Automática de 1 vel. Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Ind. MacPherson Suspensão F Ind. MacPherson
Ind. multibraços Suspensão T Ind. multibraços
Discos ventilados/Tambores Travões F/T Discos ventilados
Elétrica/10,8 m Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,9 m
DIMENSÕES E CAPACIDADES
4,468/1,870/1,630 m Comprimento/Largura/Altura 4,470/1,864/1,571 m
1,578/1,588 m Largura das vias F/T 1,598/1,569 m
2,767 m Distância entre eixos 2,785 m
525-1455 litros Mala 545-1670 litros
235/50 R20 Pneus F 235/45 R20
porcionado pela plataforma e pelo formato
255/45 R20 Pneus T 235/45 R20
da carroçaria. Por oposição, a capacidade da
2090 kg Peso 1917 kg
bagageira é maior no Scenic, seja com os cin-
7,30 kg/cv Relação peso/potência 8,71 kg/cv
co lugares montados, seja, sobretudo, com o
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
banco traseiro rebatido – ambos os modelos
180 km/h Velocidade máxima 170 km/h
oferecendo o piso amovível, para uma melhor
6,4 s Aceleração 0-100 km/h 7,9 s
arrumação dos pertences.
14,7 kWh/100 km Consumo médio (WLTP) 17,2 kWh/100 km
Para encerrar a análise do habitáculo, su-
572 km Autonomia (WLTP) 609 km
blinhe-se que estes dois SUV não primam por
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
oferecer uma qualidade de materiais, propria-
3 anos sem limite de km Mecânica 3 anos/120.000
mente, coerente, conjugando plásticos duros
8 anos/160 000 km Bateria 8 anos/160 000 km
e pouco nobres (quase todos no Ford) com
3/12 anos Pintura/Corrosão 6/12 anos
outros de nível bastante aceitável (bastan-
24 meses Intervalos entre revisões 30.000 km/12 meses
Isento Imposto de Circulação (IUC) Isento

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR) PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

56.073 € 53.477 €
Preço da unidade ensaiada Preço da unidade ensaiada
60.464 € 58.727 €
(4) Avaliação e-auto Avaliação e-auto (4)

34 [Link] | DEZEMBRO
Ford Explorer RWD Premium vs Renault Scenic E-Tech 100% Elétrico Iconic

tes mais no Renault), o que, naturalmente, visibilidade para trás, especialmente a três mais 86 cv e 245 Nm, não só é mais céle-
concorre para que o ambiente a bordo do quartos, que não é a melhor. re nas acelerações (anuncia-se menos 1,5
Renault seja bem mais aprazível, acolhedor e segundos nos 0-100 km/h, o que a prática
requintado – no Explorer, são raras as super- Liguem-se os motores confirma, à semelhança do que acontece
fícies de toque macio, a não ser uma faixa no Até aqui fazendo jogo praticamente com as retomas de velocidade), como al-
“tablier” e nos forros interiores das portas, e a igual, é na mecânica, e na dinâmica, que cança os 180 km/h de velocidade máxima
pele sintética que reveste os bancos. Bancos estas versões do Explorer e do Scenic mais (170 km/h no Renault) – e o diferencial só
esses, com apoios de cabeça integrados, que se diferenciam, desde logo porque o Ford não é superior, porque regista, na balança,
oferecem um mais substancial suporte late- combina uma motorização mais potente quase mais 173 kg de peso.
ral, e acabam por conferir-lhe vantagem no (286 cv e 545 Nm “contra” 200 cv e 300 Ainda assim, ambos não só são sufi-
que ao posto de condução diz respeito, ele- Nm) com uma bateria com menor capaci- cientemente expeditos para automóveis de
vado em ambos os casos, mas não demasia- dade utilizável (77 kWh “contra” 87 kWh). vocação iminentemente familiar, como os
do, suficientemente correto, nas como uma Como seria de esperar, ao beneficiar de seus potenciais compradores estarão mais

2024 | [Link] 35
Confronto
c PONTUAÇÃO
INTERIOR MAX
Espaço à frente 9 7 10
Espaço atrás 9 8 10
Qualidade 5 7 10
Bagageira 12 14 15
Acessibilidade/Funcionalidade 14 13 15
SUBTOTAL 49 49 60

CONFORTO
Suspensão 13 13 15
Posição de condução 7 6 10
Ergonomia 6 6 10
Equipamento 18 16 20
Insonorização 4 4 5
SUBTOTAL 48 45 60

MOTOR/TRANSMISSÃO
Bateria/Capacidade 6 8 10
Acelerações 14 13 15
Recuperações 14 12 15
Carregamento 11 11 15
Velocidade máxima 4 3 5
SUBTOTAL 49 47 60

DINÂMICA
Comportamento 19 17 20
Direção 8 8 10
Facilidade de condução 9 9 10
Travagem 8 8 10
Equipamento de segurança 7 9 10
SUBTOTAL 51 51 60

ECONOMIA
Consumo 13 12 15
Autonomia 12 13 15
Garantia/Manutenção 8 8 10
Preço 14 16 20
SUBTOTAL 47 49 60

TOTAIS 244 241 300


preocupados com as distâncias que cada 583 km em estrada, 381 km em autoestra-
um permitirá percorrer com uma única da e 508 km em cidade, a que corresponde
carga de bateria. Neste ponto, vantagem a uma média ponderada de 488 km (606 mericano” apenas oferece a posição “B” da
teórica do Scenic (609 km anunciados no km, 535 km e 497 km, nos mesmos per- transmissão, o representante da casa do
ciclo combinado WLTP, “contra” 572 km cursos, para o Explorer, traduzidos numa losango conta com patilhas no volante, que
no opositor), que as medições de E-AU- média ponderada de 475 km). permitem alternar entre quatro patamares,
TO, em condições reais de utilização, em Para tornar mais fácil a condução, es- mostrando-se, por isso, mais completo e
parte desmentem, reduzindo-a para cer- pecialmente em meio urbano, e otimizar a eficiente neste particular. Já relativamente
ca de metade: voltando a revelar-se algo reposição de eletricidade na bateria duran- aos modos de condução, tudo muito se-
gastadora, a motorização do SUV francês te a marcha, Explorer e Scenic contam com melhante: não se identificando diferenças
não lhe permite desfrutar, na medida do es- soluções que permitem fazer variar a inten- assim tão substantivas entre elas, a não ser
perado, da vantagem de uma bateria com sidade da regeneração de energia em de- na mais dinâmica, em que são disponibili-
maior capacidade, tendo este conseguido saceleração, mas em diferentes graus de zadas, de imediato, toda a potência e todo
cumprir, com uma única carga completa, intensidade. Ou seja: enquanto o “norte-a- o binário, e é mais pronta a resposta ao

36 [Link] | DEZEMBRO
Ford Explorer RWD Premium vs Renault Scenic E-Tech 100% Elétrico Iconic

traseira, que são sempre ligeiras. Será algo


decisivo para os compradores de um SUV
familiar? Só se for para uma muito pequena
minoria… Mas os adeptos de uma condução
mais divertida e envolvente não deixarão de
apreciá-lo.
Contas feitas, e mesmo que por escassa
margem, o novo Ford Explorer RWD 286 cv
Premium, não obstante ser um pouco mais
caro, acaba por vencer o Renault Scénic
E-Tech 100% Elétrico Iconic, comprovando a
validade da opção da marca norte-americana
de recorrer a soluções de terceiros, mas evo-
luídas, para, rapidamente, dispor de produto
num mercado em crescendo, ainda que, pelo
caminho, abdicando de alguma identidade.
Ambos são modelos que cumprem na ple-
nitude a sua missão, mas o vencedor deste
confronto tira, natural e esperado partido,
acima de tudo, da sua mecânica mais pode-
rosa (que o seu rival não consegue devida-
contar com um comportamento muito são, e mente compensar, em termos de autonomia,
sempre honesto e previsível, neutro na maio- com uma bateria de maior capacidade), e de
ria das circunstâncias, estável em estrada uma dinâmica um pouco mais apurada. Dirão
aberta, e suficientemente eficaz em curva. alguns, muitos, com razão, que não são fato-
Se bem que, neste particular, é difícil que as res decisivos neste género de proposta, mas
preferências dos mais exigentes não pendam é a frieza dos números que o dita, e cada qual
para o lado do Explorer: graças à tração tra- valorize, na medida das suas preferências, os
seira, e ao modo mais permissivo do controlo prós e contras de cada qual. Até porque, ten-
eletrónico de estabilidade (de que o Scenic do em conta o poder de compra em Portugal,
não dispõe), há menos interferências sobre a e a utilização que a maioria dá ao seu auto-
acelerador – opções Eco, Comfort, Sport e
direção nas acelerações mais vigorosas, e a móvel elétrico, a escolha mais racional de
Perso no Renault, e Eco, Normal, Sport e
agilidade em curva é um pouco maior, devi- cada um destes modelos, no nosso País, po-
Individual no Ford.
do às (muito fáceis de controlar) derivas de derá muito bem ser as suas versões de 170 cv.

Bem-comportados
Porventura ainda mais relevante, a fa-
cilidade com que o pedal da direita permi-
te gerir, em qualquer circunstância, e em
qualquer dos modos de condução, o biná-
rio disponível – sem brusquidão na respos-
ta, e com acelerações progressivas, mas
suaves; tal como o silêncio quase absoluto
a bordo até velocidades próximas das per-
mitidas na maioria das autoestradas euro-
peias. Os dois brilhando, ainda, pelo ótimo
conforto de marcha com que brindam os
seus ocupantes, o que não se estranhará
no Scenic, mas merece redobrados elogios
no Explorer, fruto do bom trabalho realiza-
do pelos engenheiros da Ford para torná-lo
dinamicamente mais cómodo do que o seu
congénere da VW.
Já quem pretender adotar ritmos mais
“acelerados”, em qualquer dos casos, poderá

2024 | [Link] 37
Teste

E Por ANTÓNIO DE SOUSA PEREIRA

S
VW ID.7 Tourer Pro Urban

OPÇÃO CERTA
e a eletrificação do automó-
vel vai fazendo o seu cami-
nho a ritmo relativamente
acelerado em diversos mer-
cados, incluindo no portu-
guês, existem segmentos
que tardam a encarrilar na
chamada “mobilidade do futuro”. O das car- Ao volante. No catálogo do automóvel posicionado
rinhas é um deles, mas este “status quo”,
aparentemente, está a mudar: atente-se
no topo da gama da VW, a variante carrinha promete
na VW ID.7 Tourer, primeira “break” 100% dominar as vendas. E, na oferta da única “break”
elétrica do seu segmento, e uma das raras
propostas do mercado com uma motoriza-
100% elétrica disponível neste segmento, a versão
ção deste género, aqui analisada na versão de acesso ID.7 Tourer Pro Urban apresenta-se como
de acesso, por ser a que tenderá a ser a
escolha mais racional, em particular em
a opção mais racional, graças a um invejável leque de
países como Portugal. atributos, nos mais variados domínios.
Primeira curiosidade, a nomenclatura.
Se a casa de Wolfsburg, Alemanha, conta
com carrinhas na sua oferta desde o início preterida em função do nome Tourer. Ga- Considerandos de “marketing” à parte,
dos idos de 1960, desta feita, a emblemá- nhar-se-á, quiçá, no sublinhar do tipo de importa começar por destacar que, em boa
tica designação Variant, que as identificou cadeia cinemática utilizada; perde-se, se- parte para reduzir custos (desenvolvimen-
ao longo de cerca de seis décadas, foi guramente, em diferenciação, pois o epíte- to, aquisição de componentes, processo
to tem pouco de original, e nada de único. de fabrico, etc.), a ID.7 Tourer partilha qua-
se tudo com o ID.7 com carroçaria de três

38 [Link] | DEZEMBRO
VW ID.7 Tourer Pro Urban

volumes (e 4 portas) de que deriva. Não es- ros e traseiros unidos por uma faixa de luz; parte traseira acarretem benefícios impor-
pantando que seja a parte traseira o que, e os logótipos iluminados, à frente e atrás. tantes para quem opte pela carrinha. Um
realmente, a distingue, algo que, à partida, deles, naturalmente, diz respeito à baga-
pode parecer pouco, mas, na prática, faz Benefícios interiores geira, seja pelo melhor acesso, seja pela
muita diferença. Também não deixa de ser sintomático sua capacidade, que aumentou 73 litros
Desde logo, no plano estilístico. Por via que as dimensões exteriores sejam rigo- com os cinco lugares montados, e 128 li-
do prolongamento do tejadilho, da menor rosamente as mesmas na ID.7 Tourer e no tros quando o banco traseiro está total-
inclinação do óculo traseiro, e dos pilares ID.7, embora o referido prolongamento do mente rebatido, pelo que espaço é o que
C um pouco mais volumosos, o visual exte- tejadilho e o diferente formato de toda a não falta para transportar os pertences da
rior não só é mais elegante, como beneficia
de um toque extra de dinamismo e, até, de
jovialidade, ou não estivessem as carrinhas
associadas a um estilo de vida mais ativo.
Sendo, de igual modo, evidente que as li-
nhas da carroçaria estão orientadas para
garantir, mais do que uma forte identidade
visual, uma elevada eficiência aerodinâmi-
ca, comprovada por um Cx de 0,25, pouco
superior ao da berlina.
Visualmente, o resultado não é o mais
original, ou ousado, mas também não será
isso o que o cliente típico da marca mais
procura. Pois não restam dúvidas de que
estamos em presença de um VW, e de que
o seu porte generoso, conjugado com uma
elevada linha de cintura, não permite à ID.7
Tourer passar, propriamente, despercebida
– contribuindo, ainda, para uma forte pre-
sença na estrada, os grupos óticos diantei-

2024 | [Link] 39
Teste

família. tatuto da ID.7 Tourer, de topo de gama da ção). Mas ainda pode, e deve, ser aperfei-
O tejadilho mais plano também tem VW, o ambiente interior é bastante mais re- çoado: o novo painel de instrumentos con-
como vantagem o facto de proporcionar finado do que em qualquer outro automó- tinua a ser minimalista, exibindo apenas as
um acesso ainda mais fácil aos lugares vel da gama elétrica ID. Veja-se o formato informações essenciais (mas a sua missão
traseiros. E, aí chegados, está bom de ver novo do painel de bordo, elemento que é é, agora, complementada pelo Head-Up
que se a ID.7 Tourer é grande por fora, é atravessado por uma faixa de LED, e uma Display com realidade aumentada, o pri-
enorme por dentro. Graças a uma distância qualidade geral muito superior à dos res- meiro da classe proposto de série, proje-
entre eixos de 2,971 m (mais 13,4 cm do tantes membros da família, apesar de, aqui tando no para-brisas diversas informações
que na geração nova da carrinha Passat), e ali, ser possível encontrar alguns mate- úteis relacionadas com a condução); ao
a habitabilidade é fantástica, permitindo riais menos nobres, pecadilho de algum passo que o ecrã central tátil de 15” pro-
que até pessoas de elevada estatura via- modo compensado pela perfeição dos fusamente personalizável tem, finalmente,
gem atrás com enorme liberdade de movi- acabamentos e da montagem, o garante retroiluminação dos comandos táteis infe-
mentos e muito espaço para as pernas. E da ausência quase absoluta de ruídos pa- riores e uma interação totalmente renova-
só não se recomenda o transporte de um rasitas. da, patente numa organização bem mais
terceiro passageiro traseiro devido ao for- Nota positiva, merece, ainda, o siste- intuitiva, mesmo que continuem a existir
mato do banco, extremamente confortável ma multimédia, sobretudo na comparação demasiados menus.
para dois ocupantes (dispõem até de regu- com os dispositivos montados noutros Destaque, ainda, para o ar condiciona-
lação da inclinação dos encostos, ajuste modelos da VW, prima por uma aparência do inteligente de três zonas, com saídas de
independente da climatização e tomadas e por um grafismo bem mais sofisticados, ventilação automáticas, capaz de manter a
USB-C), mas com um lugar central bem por ser bastante mais fácil de operar, e por temperatura homogénea em todo o habi-
menos acolhedor. dispor de processadores mais potentes e táculo, independentemente das condições
A somar a tudo isto, e reiterando o es- de um novo “software” (já é a quarta gera- exteriores. E para o engenhoso teto pano-

40 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
VW ID.7 Tourer Pro Urban

MOTOR
Tipo Elétrico, síncrono, traseiro
Potência 286 cv/210 kW
Binário 550 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão Iões de lítio/350V
Capacidade (bruta/útil) 82/77 kWh
Carregamento de 0% a 100% 8h00 a 11 kW
Carregamento de 10% a 80% 0h28 a 175 kW
TRANSMISSÃO
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. MacPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,9 m
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comprimento/Largura/Altura 4,961/1,862/1,551 m
Largura das vias F/T 1,598/1,569 m
Distância entre eixos 2,971 m
Mala 605-1714 litros
Pneus F 235/45R20
Pneus T 255/40R20
râmico SmartGlass, com sete camadas de parte alguns elementos essenciais para a
Peso 2195 kg
filtro, e dotado da tecnologia de cristais lí- condução, que a seu tempo abordaremos.
Relação peso/potência 7,67 kg/cv
quidos dispersos em polímeros, integrados
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
no próprio vidro (a um toque num botão, Dinâmica convincente
Velocidade máxima 180 km/h
passa de opaco a transparente, embora, Usufruindo de uma boa posição de con-
Aceleração 0-100 km/h 6,6 s
nos dias de sol mais intenso, não proteja dução – garantida pelos bancos dianteiros
Consumo médio (WLTP) 14,4 kWh/100 km
tão bem o interior quanto uma cortina con- com regulações elétricas, aquecidos, com
Autonomia (WLTP) 605 km
vencional). Trata-se de um opcional inte- função de massagem, e um apoio para o
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
grado no Pack Interior Styling Plus com te- corpo mais do que suficiente para uma car-
Mecânica 3 anos sem limite de km
jadilho panorâmico (2144 €), item montado rinha familiar, pelo volante de dimensões e
Bateria 8 anos/160 000 km
na unidade testada, de que fazem também pega muito corretas e amplos ajustes em
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 24 meses
Imposto de Circulação (IUC) Isento

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

60.787 €
Preço da unidade ensaiada
65.924 €
Avaliação e-auto (4)

2024 | [Link] 41
Teste

na coluna de direção, pode ser seleciona-


da a posição “B” da transmissão, que ati-
va o nível mais elevado da regeneração de
energia em desaceleração, ajudando a in-
crementar um pouco a autonomia em meio
urbano, além de facilitar a condução.
Quanto ao motor, instalado no eixo tra-
seiro, com 286 cv e 545 Nm, garante uma
resposta ao acelerador sempre imediata e
intensa, mas muito progressiva, e extrema-
mente fácil de dosear. E se o objetivo for ti-
rar todo o partido deste rendimento, a ID.7
Tourer Pro também não se faz rogada, ofe-
recendo prestações dignas de registo para
um automóvel com quase 5 m de compri-
mento e cerca de 2200 kg de peso – mais
uma vez beneficiando do facto de partilhar
quase tudo com a berlina: ao pesar apenas
mais 23 kg, perde tão-somente um décimo
de segundo no arranque 0-100 km/h.
Só que, por muito rápida que a ID.7
Tourer Pro consiga ser, os pontos que
mais se destacas são o notável conforto e
a grande facilidade de utilização. E, aqui,
regresso ao tal pacote de equipamento
opcional, porque do mesmo também fa-
zem parte a direção com assistência va-
profundidade e altura, e pela ótima visibili- riável e a suspensão DCC com amorte-
dade em todas as direções –, quem estiver m cimento pilotado. Informação importante
aos comandos da ID.7 Tourer Pro Urban porque, tal como no ID.7, a ID.7 Tourer,
começará por avaliar a autonomia, invaria- • Espaço quando equipada com suspensão ativa,
velmente, a preocupação maior de quem para passageiros mostra-se algo bamboleante, a velocida-
conduz um automóvel 100% elétrico. Em e bagagens des mais elevadas, nos ajustes mais ma-
condições reais de utilização, dificilmente • Dinâmica competente cios do amortecimento. Nada que se não
percorrerá, em média, muito mais do que • Qualidade geral m resolva facilmente: basta ativar o modo
500 km com uma única carga de bateria • Agrado e facilidade de condução personalizável Individual, e
(nas medições de E-AUTO, foi possível de utilização • Autonomia muito selecionar, de entre os quinze níveis de
cumprir 664 km em estrada, 420 km em aquém do anunciado firmeza disponíveis, o intermédio ou mes-
autoestrada, e 490 km em cidade), o que, • Sistema multimédia mo um dos mais firmes – com isto, a ID.7
não deixando de ser um bom registo, está (ainda) melhorável Tourer deixa de parecer dançar sobre as
longe dos 605 km anunciados pela marca
para o ciclo combinado WLTP.
Porém, e apesar de a VW afirmar que
não efetuou quaisquer alterações no siste-
ma desde que o ID.7 chegou ao mercado,
nem mesmo ao nível do “software”, a ges-
tão de energia parece ter melhorado face
ao conhecido da berlina com o mesmo sis-
tema de propulsão, pois os consumos, ape-
sar da ligeira desvantagem da carrinha, em
termos de peso e de eficácia aerodinâmica,
foram nitidamente inferiores em todos os
ciclos medidos. E, em cidade, é importan-
te não esquecer que, através do manípulo
rotativo existente na alavanca posicionada

42 [Link] | DEZEMBRO
VW ID.7 Tourer Pro Urban

rodas, mas continua a filtrar primorosa- vulgar num VW, mas que se saúda, pelo um pouco menos de 60.787 €, a mais inte-
mente as irregularidades, mesmo as mais extra de agilidade que proporciona. ressante para Portugal, já que, para a maio-
acentuadas, e até quando equipada com No final, insistência no facto de a ID.7 ria, os quase 5000 € de investimento adicio-
as opcionais jantes de 20” (custam 437€, Tourer fazer uso da maioria dos componen- nal dificilmente justificarão os 85 km extra
e estão revestidas por pneus Bridgesto- tes da berlina, porque tal é determinante, de autonomia prometidos para a congénere
ne Turanza Enliten, de medida 235/45 também, em termos de preço: não mais do que tem bateria com 86 kWh de capacidade
na frente e 255/40 na traseira), para que que 589 € é o que separa as duas confi- e o mesmo nível de potência; e a derivação
nada perturbe a tranquilidade dos seus gurações de carroçaria nesta matéria. Por GTX, com um motor por eixo, tração inte-
ocupantes. isso, e por não ter quaisquer rivais diretos gral, 340 cv, 560 Nm, e capaz de fazer me-
Já numa condução mais empenhada, na classe, não surpreenderá que seja a car- nos 1,1 segundos no arranque 0-100 km/h,
o modo de condução Sport cumpre bem rinha a dominar por completo, como se pre- ao estar disponível desde 71.483 €, desti-
o seu papel, oferecendo uma resposta ao vê, as vendas da gama, sendo esta versão nar-se-á, decerto, a uma clientela bastante
acelerador ainda mais rápida e vigorosa, de acesso Pro Urban, proposta a partir de específica (e pouco numerosa…).
conjugada com um controlo praticamente
perfeito dos movimentos da carroçaria, e
com uma enorme estabilidade a alta velo-
cidade. E, uma vez que a frente se inscreve
na trajetória com rapidez e precisão, e a ex-
celente motricidade permite acelerar com
confiança à saída das curvas, raramente
obrigando o controlo de estabilidade a in-
tervir, este é um automóvel de tração tra-
seira extremamente seguro e agradável
de conduzir, em que é fácil, quem está ao
volante, rapidamente esquecer quer o por-
te avantajado, quer o peso considerável,
até pela bem-vinda tendência muito ligei-
ramente sobreviradora nos limites, pouco

2024 | [Link] 43
Ao volante

Abarth 600e

ESTA PICADA É ELÉTRICA!

A
E Por PEDRO JUNCEIRO
Ao volante . Na marca italiana, desportivo novo!
Abarth não muda de Entre os objetivos do 600e, a confirmação de que a
rumo na caminhada
da eletrificação do
tecnologia elétrica pode proporcionar tanta diversão
automóvel, apresen- na condução como os motores de combustão
tando-nos, agora, o
seu segundo mode-
interna. E, para o sucesso da empreitada ambiciosa,
lo sem motores de recurso ao departamento de competição da
combustão interna, o 600e, que anuncia
como o desportivo de série mais potente
Stellantis durante o processo de desenvolvimento
na história da marca fundada há 75 anos de automóveis que contará com duas versões,
e propriedade da Fiat desde 1971. Desen-
volvido com a colaboração dos técnicos
a Turismo (240 cv) e a Scorpionissima (280 cv).
da divisão de competição do consórcio Experimentámos só a mais potente.
Stellantis, este compacto baseado na
mesma arquitetura do 600 distingue-se a maioria dos comentários negativos à todas os concorrentes com motores de
pelo comportamento irreverente e o foco transição energética protagonizada pela combustão interna, incluindo no preço”.
na diversão durante a condução, o que marca são feitas por quem nunca condu- A plataforma eCMP é bem conhecida e
desmistifica ideia preconcebida errada- ziu automóveis elétricos, nomeadamente não apenas da Fiat, uma vez que é a base
mente! da Abarth, por isso desconhecendo o po- de diversos automóveis da Stellantis que
Gaetano Thorel, responsável das ope- tencial desses produtos. E até arrisca esta competem nos segmentos B (subcompac-
rações europeias de Fiat e Abarth, diz que promessa: “O 600e aproxima-se muito de tos) e C (compactos). No entanto, aqui,

44 [Link] | DEZEMBRO
Abarth 600e

apresenta-se numa variante superotimiza- Interior mais digital universo dos videojogos, e o volante co-
da, pois os engenheiros da Abarth sabem A bordo do 600e, a Abarth investiu na berto por Alcantara também é específico
que os condutores dos desportivos da mar- apresentação desportiva, com elementos deste modelo.
ca italiana procuram sempre máquina mais em Alcantara entre os materiais utilizados O tipo de sistema multimédia também
audaz e irreverente tanto na imagem como na construção de interior que também so- depende da versão do Abarth 600e: no Tu-
no temperamento (leia-se desempenho bressai pela qualidade da montagem, mes- rismo, o ecrã tem 10,25’’ e existem seis al-
dinâmico e “performances”. E, assim, em mo mantendo-se o predomínio de plásticos tifalantes; no Scorpionissima, a dimensão
colaboração com a Stellantis Motorsport, duros. Os bancos desportivos merecem- do monitor é a mesma, mas há navegador
produziram a Perfo eCMP, designação que -nos uma referência especial, por existirem TomTom com informações de trânsito em
remete, precisamente, para a orientação duas opções, ambas da Sabelt: no topo de tempo real. Todos os menus são de fácil
“racing” desta versão do 600. A vontade gama (versão Scorpionissima), mais bem acesso e dispositivo disponibiliza ligação
de não deixar ninguém indiferente expres- equipado, “bacquets” quase de competi- sem fios aos “smartphones” Android Auto
sa-se até no desenho, sobretudo quando ção, que proporcionam apoios notáveis e Apple CarPlay, assistente de voz para co-
o modelo italiano está pintado com uma durante uma condução mais empenhada. mando de funções de bordo, atualizações
das cores de lançamento, “Verde Acid” ou A instrumentação é apresentada em ecrã remotas e inteligência artificial ChatGPT.
“Hypnotic Purple” (a segunda é inspirada TFT com 7’’, que tem grafismo inspirado no E este nível superior de conectividade per-
no efeito hipnótico pós-picada do escor-
pião!).
Exteriormente, no Abarth 600e, com-
bina-se forma e função, facto que obrigou
a muitas horas de trabalho no desenvolvi-
mento da aerodinâmico: os para-choques
volumosos diferenciam-se pelas formas
retangulares, com linhas gravadas nas
superfícies que criam textura atrativa. A
dianteira destaca-se, ainda, pelo “nariz de
tubarão”, pelos menos 25 mm de altura ao
solo e, ainda, pelo aumento da largura das
vias (30 mm à frente, 25 mm atrás).
Existem jantes de 19’’ e 20’’, equipa-
mento inédito na Abarth, que deixam ex-
postos os travões e as pinças – a tampa
do cubo é inspirada nas porcas de aperto
central que conhecemos dos automóveis
de competição. E nota, ainda, para o es-
corpião eletrificado que encontramos em
diversos locais (guarda-lamas, superfícies
pretas dos para-choques e “spoiler”.

2024 | [Link] 45
c FICHA TÉCNICA
Ao volante

MOTOR
Tipo Elétrico, síncrono, dianteiro
Potência 280 cv (207 kW)
Binário 345 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão Iões de lítio/400 V
Capacidade (bruta/útil) 54,0/51,0 kWh
Carreg. de 20% a 100% 5h45 a 11 kW
Carreg. de 20% a 80% 0h27 a 100 kW
TRANSMISSÃO
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. MacPherson
mite, por exemplo, o planeamento de rotas Stellantis Motorsport nos monolugares das Suspensão T Eixo de torção
mais eficientes, recurso importante num duas marcas com que compete no Mundial Travões F/T Discos ventilados/Discos
automóvel elétrico. de Fórmula E (DS Automobiles e Maserati). Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,5 m
O 600e mantém o gerador de som es- As “performances” impressionam, com 0 a DIMENSÕES E CAPACIDADES
treado no 500e, que procura mimetizar a 100 km/h em 5,85 s no Scorpionissima e Comprimento/Largura/Altura 4,189/1,808/1,505 m
sonoridade tão peculiar dos motores de 6,24 s no Turismo – para proteção da au- Largura das vias F/T 1,538/1,520 m
combustão interna da Abarth, mas o sis- tonomia, a velocidade máxima encontra-se Distância entre eixos 2,560 m
tema apresenta evoluções e, agora, ad- limitada, eletronicamente, a 200 km/h. A Mala 360-1231 litros
mite ativação e desativação mais simples bateria tem 54 kWh de capacidade e sis- Pneus F 225/40 R20
no monitor do sistema multimédia, que é tema de refrigeração que otimiza as “per- Pneus T 225/40 R20
exclusivo, recorde-se, da versão Scorpio- formances”. E o sistema permite carrega- Peso 1625 kg
nissima. mentos rápidos (corrente contínua) até Relação peso/potência 5,8 kg/cv
100 kW. Os italianos anunciam até 334 km PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Diversão e emoção garantidas de autonomia no Turismo e até 317 km no Velocidade máxima 200 km/h
As duas versões Abarth do 600e, Turis- Scorpionissima, de acordo com a homolo- Aceleração 0-100 km/h 5,85 s
mo com 240 cv e Scorpionissima com 280 gação WLTP. Consumo médio (WLTP) 19 kWh/100 km
cv (345 Nm de binário máximo em qualquer Nas duas versões, a entrega da potên- Autonomia (WLTP) 317 km
dos casos), prometem diversão e emoção cia e do binário varia em função do modo
na condução, por ação do motor elétrico de condução selecionado (existem três): PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)
desenvolvido internamente, com recurso no Turismo, “genica” limitada; no Scorpion
a ferramentas de simulação utilizadas pela Street, a “barreira” dos limites dinâmicos
49.000 €

46 [Link] | DEZEMBRO
Abarth 600e

apresenta-se mais alta; no Scorpion Track, der (ou já perdeu!) o controlo do automóvel. para seduzir adeptos da condução desporti-
sente-se a picada do escorpião, devido à Além disso, usando o modo mais desporti- va que equacionam a compra de automóvel
calibração desportiva do pedal do acelera- vo, a travagem faz-se de forma hidráulica, elétrico. Primeiras unidades no nosso País
dor, à direção mais direta e, ainda, ao ESP o que elimina o efeito da regeneração de em janeiro de 2025 (Turismo por 45.000
menos intrusivo. energia no pedal – logo, proporciona-nos €, Scorpionissima por 49.000 €). O topo
Neste modo, o 600e consegue divertir- sensações muito mais fidedignas. de gama tem outra particularidade (muito)
-nos (e muito!), por também contar com re- Curiosamente, nada disto penaliza o valorizada: produção limitada a 1949 unida-
cursos como diferencial mecânico Torsen conforto de rolamento, já que o amorteci- des, número que remete para o ano da cria-
(JTEKT), pneus derivados de competição mento nunca é demasiado firme, pelo me- ção da marca pelo ítalo-austríaco – mudou
(Michelin Pilot Sport EV) e travões com dis- nos nas estradas em que rolámos, todas de nome, de Karl Albert Abarth para Carlo
cos dianteiros de 380 mm (Alcon). Depois regulares. Logo, o 600e da Abarth tem tudo Abarth, depois de ganhar a cidade italiana).
de testes em estrada e no Centro Técnico
de Balocco, Itália, ficámos rendidos ao “ta-
lento” do 600e Scorpionissima, automóvel
com reações mais fáceis de controlar do
que rápidas, por beneficiar de chassis pre-
parado de forma competente.
Se a aceleração do 600e impressiona,
é a velocidade em curva que mais impres-
siona, devido à inexistência de movimentos
estranhos da carroçaria nas transferências
de massa (de resto, comparado com o ho-
mónimo da Fiat, este modelo apresenta in-
cremento de 140% na rigidez, por contar
com barras estabilizadoras novas e sus-
pensão “à medida”, com progresso de 41%
na firmeza). A atuação do diferencial auto-
blocante assegura a ausência de perdas de
tração e a atuação do sistema até permite
que a traseira escorregue ligeiramente,
sem que o condutor pense que está a per-

2024 | [Link] 47
Ao volante

Alpine A290 GTS

DIVERTIDO
Ao volante. No arranque da construção da “garagem de sonho” da marca
francesa, que apenas contará com automóveis elétricos, produção de
“derivado” do Renault 5 E-Tech 100% Elétrico mais potente, rápido e divertido
de conduzir, como tivemos oportunidade de confirmar durante o primeiro
contato dinâmico, em estrada e em pista, em Palma de Maiorca, Espanha.
Entregas apenas a partir da primavera.

E Por JOSÉ CAETANO

O
Grupo Renault tem planos
ambiciosos para a Alpine,
marca que reintroduziu
no mapa da indústria e
da competição automó-
vel. O programa prevê a
construção de “garagem de sonho” apenas
com automóveis elétricos. O primeiro, este
A290, não é mais do que um sucedâneo do
5 E-Tech 100% Elétrico, modelo com que a
marca do losango espera contribuir, ativa-
mente, para a democratização da tecnolo-
gia de substituição dos motores de combus-
tão interna.
A Alpine, para o A290, propõe quatro
versões, duas com 180 cv (GT e GT Pre-
mium) e duas com 220 cv (GT Performance
e GTS). Todas apresentam baterias de iões
de lítio com 52 kWh de capacidade e bene-

48 [Link] | DEZEMBRO
Alpine A290 GTS

ficiaram de desenvolvimentos específicos, deste elétrico com “atitude” desportiva. tre eixos, pormenor sem impacto percetível
de forma a proporcionarem experiências de O A290 tem, também, motores dife- na condução! Finalmente, tratando-se de
condução divertidas, o que pressupõe agi- rentes do 5 – 6AM nos Alpine, 6AK nos desportivo, sistema de travagem mais po-
lidade, precisão, rapidez e segurança. Os Renault. Os primeiros, no rendimento, são tente e resistente à fadiga. A marca, neste
preços arrancam nos 38.700 €, contra os superiores aos segundos, apresentando-se capítulo, socorreu-se do apoio de especia-
33.000 € do Renault 5 E-Tech 100% Elé- com duas configurações (220 cv/300 Nm lista, a Brembo, que disponibilizou equipa-
trico mais potente (150 cv). Por 46.200 €, ou 180 cv/285 Nm) e montados em chassis mento para o eixo dianteiro semelhante ao
Première Edition baseado no topo de gama, de alumínio e não de aço. A desmultiplica- que encontramos no A110, com pinças fixas
edição com produção limitada a 1955 uni- ção da direção mantém-se, mas o diâmetro de quatro pistões e discos de 320 mm de
dades, número que remete para o ano da de viragem diminui muito ligeiramente, devi- diâmetro. Já no eixo traseiro, pinças de um
fundação da marca por Jean Rédélé. do à diminuição de 0,9 cm na distância en- pistão e discos de 288 mm. Por fim, para as
O A290 tem a mesma base do Renault 5
E-Tech 100% Elétrico, a plataforma AmpR
Small, encontrando-se, todavia, diferenças
milimétricas nas dimensões exteriores dos
dois automóveis. O primeiro, comparado
com o segundo, mede mais 7 cm em com-
primento, 5 cm em largura e 2 cm em altura.
O Alpine tem, ainda, vias maiores (6 cm).
Estas mudanças parecem-nos quase irre-
levantes, mas “abriram a porta” à otimiza-
ção do chassis, que melhorou, sobretudo,
o comportamento do automóvel em curva.
A suspensão, por exemplo, inclui amorte-
cedores mais firmes e batentes hidráulicos
para suavização do movimento do pistão
no fim do curso, recurso que preserva o
conforto de rolamento, mesmo tratando-
-se de carro que também conta com molas
mais rígidas – logo, menos elasticidade na
compressão e na extensão. As barras es-
tabilizadoras também foram submetidas o
desenvolvimento, de forma a adaptarem-
-se mais às características da condução

2024 | [Link] 49
Ao volante

rodas, só jantes de 19’’ e pneus 255/40. Normal, Sport ou Perso), que modifica a e as travagens. Existem quatro níveis, mas
O A290 tem outros conteúdos e recur- potência disponível sob o pé direito (220 nem o mais potente pára o A290 de modo
sos técnicos e tecnológicos indisponíveis cv apenas no programa mais desportivo, autónomo.
no 5, nomeadamente o Alpine Torque Te- mesmo pressionando o acelerador a fundo No A290, a caixa tem os mesmos co-
chnology, sistema que atua como controlo e ativando o “kick-down”; nos demais, 190 mandos do A110, e também estão arruma-
de tração, por limitar, de forma momentâ- cv no Normal e 156 cv no Save, o que pri- dos na consola entre os bancos dianteiros
nea, a potência do motor e travar a roda vilegia a eficiência energética, para menos e não numa haste no volante, como sucede
que perde aderência. E o desportivo, por consumo e mais autonomia). Há alternativa no Renault 5, o que é ponto a favor do Al-
contar com muito equipamento específico, para “libertar” a potência máxima: no vo- pine. Para a instrumentação, monitor com
é cerca de 30 kg mais pesado do que o R5 lante, à direita, pressionando o botão ver- 10,25’’ que admite reconfiguração (Iconi-
(mais grama, menos grama). Distribuição melho OV (acrónimo de “overtake”, ou ul- que, Navigation, ADAS ou Minimal). Para
da massa: 57% à frente, 43% atrás. trapassagem), 10 segundos com o sistema o sistema multimédia, monitor com 10,1’’
O primeiro automóvel elétrico da Alpine no topo do rendimento; depois de ativada, compatível (sem fios) com Android Auto e
tem poucos concorrentes – Abarth 500e e função disponível de novo só 30 segundos Apple CarPlay. O programa tem menu es-
600e, Mini Cooper E e Aceman E, e pouco depois. O programa não funciona em Save pecífico, o Alpine Telemetrics, e três tipos
mais... –, facto que aumenta o potencial de e, em Sport, é redundante. de serviços: Live Data, Coaching e Challen-
atração de modelo que também tem habi- Também no volante, mas à esquerda, ges. No primeiro, informação detalhada so-
táculo diferente “q.b.” do Renault 5 de que comando RCH (para “recharge”, ou recar- bre o automóvel, sobretudo as temperatu-
deriva. O volante “agarra-se” melhor e inte- ga), que adapta a intensidade da regenera- ras de bateria, motor, pneus e travões, e as
gra o botão de modos de condução (Save, ção de energia durante as desacelerações forças laterais e longitudinais. O segundo

50 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA Alpine A290 GTS

MOTOR
Tipo Elétrico, síncrono, dianteiro
Potência 220 cv/160 kW
Binário 300 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão Iões de lítio/400 V
Capacidade (bruta) 54 kWh recomenda fórmulas de melhorar a nossa confortável e não consome energia a mais.
Carregamento de 10% a 80% 3h20 a 11 kW técnica de condução, incluindo segredos Adotando estilo e ritmo desportivos, o “de-
Carregamento de 15% a 80% 0h30 a 100 kW para controlar as sobreviragens. O banco rivado” do Renault 5 E-Tech 100% Elétrico
TRANSMISSÃO tem apoios ótimos, é muito envolvente e comporta-se sempre de forma ágil, precisa
Tração Dianteira valoriza a posição de condução, e a mala e segura, impressionando a reposta nas
Caixa de velocidades Automática de 1 vel. tem 300 litros de capacidade. mudanças de trajetória. Em pista, aliviando
CHASSIS O Alpine A290 GTS com 220 cv acelera o acelerador em curva, a reação de subvi-
Suspensão F Ind. MacPherson de 0 a 100 km/h em 6,4 s e tem velocidade ragem até beneficia a manobra e o condu-
Suspensão T Ind. multibraços máxima limitada a 170 km/h. A bateria com tor recupera o controlo do automóvel de
Travões F/T Discos ventilados/Discos 52 kWh de capacidade (anunciam até 362 forma fácil e também beneficia da atuação
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,2 m km de autonomia, de acordo com a homo- discreta das assistências eletrónicas. O
DIMENSÕES E CAPACIDADES logação WLTP, mas o raio de ação é muito sistema que simula a ação do diferencial
Comprimento/Largura/Altura 3,997/1,823/1,512 m dependente do tipo de condução) admite autoblocante (trava a roda que perde tra-
Distância entre eixos 2,534 m carregamentos rápidos (potência máxima ção) condiciona a rapidez com que ganha-
Mala 300 litros de 100 kW), com corrente contínua, ou mos velocidade, como confirmámos em
Pneus F 225/40 R19 com corrente alternada (11 kW). O sistema pista, e o chassis admite mais potência.
Pneus T 225/40 R19 bidirecional permite a disponibilidade das Outro ponto a rever: admite-se a eleição de
Peso 1554 kg tecnologias V2L e VG2. duas sonoridades artificiais, mas nenhuma
Relação peso/potência 7 kg/cv Dinamicamente, Alpine A290 surpreen- satisfaz verdadeiramente, o que penaliza a
PRESTAÇÕES E CONSUMOS dente. Conduzindo-o com “moderação”, é emoção na condução.
Velocidade máxima 170 km/h
Aceleração 0-100 km/h 6,4 s
Consumo médio (WLTP) 16,6 kWh/100 km
Autonomia (WLTP) 362 km

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

44.900 €

2024 | [Link] 51
Teste

Volkswagen ID.3 GTX 79 kWh

ATITUDE, TEM!
Teste. A Volkswagen soma automóvel à gama GTX, introduzindo versão do
renovado ID.3 que tem carácter mais de acordo com a filosofia desportiva
que associamos ao acrónimo: 286 cv, tração traseira e chassis com regulação
específica são alguns “ingredientes” de modelo com atributos capaz de
garantir-lhe o estatuto de alternativa real aos famosos GTI produzidos
pela marca alemã. Também neste domínio, mais motores elétricos, menos
mecânicas térmicas!…
E Por PEDRO JUNCEIRO

A
Volkswagen, marca
alemã que tem história
marcada pela designa-
ção GTI, que introduziu
há quase cinco déca-
das (1976), no compac-
to Golf (1.6, 110 cv para
832 kg, 0-100 km/h em 8,8 s, 180 km/h)
procura trazer para a era da eletrificação o
mesmo apelo emocional associado aos mo-
delos desportivos que desfrutaram daquela
sigla. Para o efeito, criou a “fórmula” GTX,
que aplica apenas aos automóveis elétri-
cos mais dinâmicos e “temperamentais”
(classifiquemo-los assim!). O membro mais
recente da “família” nova é este ID.3, sendo

52 [Link] | DEZEMBRO
Volkswagen ID.3 GTX 79 kWh

que a introdução do topo de gama quase culo do compacto elétrico da Volkswagen.


coincide com a atualização do compacto m A marca alemã, nesta intervenção,
nos mercados europeus desde 2020. também reforçou a componente tecnológi-
Todavia, no caso do ID.3 GTX, essa vo- • Comportamento m ca do modelo e, assim, além do painel de
cação desportiva não se percebe logo ao • Consumo instrumentos digital que apresenta só as
primeiro olhar, já que o desenho exterior do • Habitabilidade • Tato do pedal do informações essenciais (o indicador dos
compacto sobressai pela discrição, facto • Prestações travão consumos é novo), o ID.3 tem monitor tátil
que não surpreende, e muito menos é iné- • Tecnologia • Preço dos opcionais com 12,9’’ para comandar (quase…) todas
dito!, na Volkswagen, mesmo nos modelos
mais potentes do fabricante de Wolfsbur-
go, Alemanha. Ainda assim, encontramos
elementos diferenciadores neste modelo,
da grelha dianteira inferior às saias laterais
ou o difusor traseiro em preto brilhante,
também a cor das jantes de 20’’. Comple-
mentarmente, a assinatura luminosa ex-
clusiva contribui para a impressão de que
o automóvel tem mais do que 1,809 m de
largura!

No interior, novidades
A bordo, o GTX também tem novidades,
por beneficiar da modernização do ID.3,
destacando-se, nomeadamente, o incre-
mento da qualidade dos acabamentos (so-
bretudo nas portas e no painel de bordo),
com os pespontos vermelhos a contribuí-
rem para o ambiente desportivo no habitá-

2024 | [Link] 53
Teste

as funções disponíveis no automóvel, da durante a condução, não é sistema mais voz (assistente IDA), dispositivo com de-
climatização à navegação, dos assistentes prático. E o mesmo pode dizer-se sobre o sempenho aquém das expetativas tanto no
de segurança aos modos de condução. Os comando elétrico dos vidros montado nas capítulo da interação como no domínio da
menus apresentam-se de forma hierarqui- portas dianteiras e dos comandos hápticos rapidez de resposta às instruções.
zada, o que não simplifica a utilização, mas no volante. Em contrapartida, elogia-se a Em matéria de apresentação despor-
existem “atalhos” para as funções e pro- retroiluminação (nova) dos controlos táteis tiva, o ID.3 GTX também é modesto, mas
gramas mais comuns – encontram-se na sob o ecrã posicionado no centro do painel tem volante em pele (com a inscrição da
“barra” superior de ecrã que admite a per- de bordo. versão e pespontos vermelhos), revesti-
sonalização pelo condutor tanto da apre- O sistema multimédia tem conetividade mentos “à medida” tanto nas portas como
sentação como da organização; a inferior sem fios para “smartphones” Android Auto no painel de bordo e bancos com mais e
é preenchida pela climatização, arrumação ou Apple CarPlay, acesso a loja de aplica- melhores apoios – neste caso, o Paco-
que melhora a interação, mas, insistimos, ções “online” e sistema de comando por te Top Sport Plus, opcional proposto por

54 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Volkswagen ID.3 GTX 79 kWh

MOTOR
Tipo Elétrico, traseiro
Potência 286 cv (210 kW)
Binário 545 Nm
BATERIA
Tipo/Tensão Iões de lítio/400 V
Capacidade (bruta/útil) 84,0/79,0 kWh
Carregamento de 0% a 100% 8h30 a 11 kW (AC)
Carregamento de 0% a 80% 0h26 a 185 kW (DC)
TRANSMISSÃO
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. MacPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,5 m
3744 €, beneficia o ambiente a bordo, por o espaço a bordo adequado para famílias
DIMENSÕES E CAPACIDADES
integrar itens importantes como os bancos pequenas. Os bancos de trás são amplos e
Comprimento/Largura/Altura 4,264/1,809/1,564 m
dianteiros ergoActive com regulação elétri- confortáveis. Neste ponto, Volkswagen em
Largura das vias F/T 1,549/1,526 m
ca, Head-Up Display com realidade aumen- bom nível.
Distância entre eixos 2,770 m
tada, som da Harman Kardon e para-brisas
Mala 385-1267 litros
com isolamento (acústico e térmico) refor- “Nervo” desportivo
Pneus F 215/45 R20
çado, entre outros elementos. Comparado com os outros GTX na
Pneus T 215/45 R20
Na habitabilidade, por assentar na pla- gama ID. da Volkswagen, este ID.3 di-
Peso 1985 kg
taforma MEB desenvolvida pelo consórcio ferencia-se bastante! O compacto tem
Relação peso/potência 6,9 kg/cv
alemão para a geração nova de automóveis apenas um motor elétrico, com 286 cv
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
elétricos, o GTX mantém todos os predica- (210 kW) e 545 Nm, e tração traseira.
Velocidade máxima 180 km/h
dos reconhecidos ao ID.3, nomeadamente Ora, esta opção, combinada com chassis
Aceleração 0-100 km/h 594 s
Consumo médio (WLTP) 14,6 kWh/100 km
Autonomia (WLTP) 603 km
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
Mecânica 3 anos sem limite km
Bateria 8 anos/160.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 2 anos
Imposto de Circulação (IUC) Isento

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

49.191 €
Preço da unidade ensaiada
57.609 €
Avaliação e-auto (4)

2024 | [Link] 55
Teste

aprimorado ao nível da suspensão (amor- Próximo dos limites da aderência, a e as rodas de 20’’ penalizam o conforto
tecimento mais firme “q.b.”) e da direção eletrónica do ID.3 é “permissiva” nas de- de rolamento, mas nada que perturbe de-
(muito precisa e rápida), explica o “ner- rivas da traseira, e é-o na medida certa, masiado a utilização do automóvel no dia
vo” de desportivo capaz de proporcionar uma vez que permite desfrutar mais con- a dia.
muitas emoções na condução, sobretu- dução, mas mantendo o GTX sempre sob O ID.3 GTX, devido aos 286 cv, é enér-
do selecionando o programa “Sport”. A controlo. E, em curva, o centro de gra- gico nas acelerações (0-100 km/h em 5,9
entrega do binário ao eixo posterior faz vidade muito baixo, devido à arrumação s) e rápido nas recuperações. Precisando
com que o compacto tenha reações mais da bateria entre os eixos, permite passa- de aumentar o ritmo de forma expedita, o
difíceis de controlar, se “baixarmos a gens rápidas e seguras, devido, também, Volkswagen surpreende-nos pela forma
guarda” e reduzirmos os níveis de con- à aderência do equipamento pneumáti- fácil como ganha velocidade. Infelizmente,
centração. co. Todavia, a firmeza do amortecimento tratando-se de modelo desportivo, espera-

56 [Link] | DEZEMBRO
Volkswagen ID.3 GTX 79 kWh

va-se que o tato do pedal do travão fosse Muito próximo do GTI elétrico aproxima-se, mas não iguala (ain-
mais consistente. Aproximando-se do espírito GTI, o ID.3 da?!) as capacidades dinâmicas excecio-
A bateria com 79 kWh de capacidade per- GTX pode convencer quem procura despor- nais do Golf GTI. Existe versão Performance
mite autonomias (reais) que superam os 550 tivo eficaz, assumindo-se como o Volkswa- (326 cv) do ID.3 GTX. Tem “performances”
km. No nosso teste, o consumo médio regis- gen elétrico com condução mais excitante, melhores, é verdade, mas o desempenho
tado foi de 14,7 kWh/100 km – muito positivo. pelas qualidades de “sprinter”, sim, mas do automóvel não muda de forma signifi-
Além disso, o sistema admite “reabasteci- também, e sobretudo, pelo comportamento cativa, mantendo-se, portanto, a conclusão
mentos” rápidos (corrente contínua) com po- em curva, bastante ágil, apesar deste auto- que apresentamos em cima. A unidade en-
tências até 185 kW, o que permite aumentar móvel pesar quase duas toneladas. A tração saiada, por contar com diversos opcionais,
a energia no acumulador, de 10% para 80% traseira é o “o sal e a pimenta” que nenhum incluindo o Vermelho Kings da carroçaria
da carga máxima, em 26 minutos. adepto de compacto assim dispensa! Este (1002 €) custava 57.609 €.

2024 | [Link] 57
Teste
Toyota GR Yaris Legend T/A

CLÁSSICO INSTANTÂNEO
Teste. Incorporando muita da experiência de competição da Toyota, o GR
Yaris ocupa um lugar especial entre os “pequenos” desportivos, pelas suas
características cada vez mais raras. Agora, está mais potente, mais dinâmico e mais
focado no condutor. Mas uma das maiores novidades é mesmo a versão com caixa
automática de 8 velocidades. Receita para um clássico instantâneo!

E
E Por PEDRO JUNCEIRO
através da pouca utilização. Embora te- ração distintas, e assinaturas luminosas
nha como base a mais recente geração diferentes, à frente e atrás.
nquanto desportivo, o do Yaris “normal”, o seu carácter não po- Outros elementos mantêm-se, e de-
GR Yaris é uma propos- deria ser mais distinto, já que o foi de- monstram o carácter extremo do GR Yaris,
ta praticamente úni- senvolvido de raiz pela Gazoo Racing. como o tejadilho em CFRP (Polímero Refor-
ca, tanto no conceito, çado com Fibra de Carbono), a dupla saída
como na competência Reforço de carácter de escape, ou as jantes em liga leve de 18
dinâmica, constituindo Nesta renovação, a divisão desportiva polegadas, atrás das quais escondem-se
um sucesso logo desde do maior construtor do mundo, que tem discos ranhurados com pinças em verme-
o seu lançamento, em 2020. A compro- dado cartas nos ralis e na resistência, cen- lho. A cor cinza “Heavy Metal” (950€) tam-
vá-lo estão os números de vendas des- trou-se no que os clientes foram apontan- bém é nova.
te Toyota mais extremo – mais de 20 mil do como pontos a melhorar, sobretudo na
unidades matriculadas globalmente, das vertente técnica. O que não significa que Focado no condutor
quais 256 em Portugal (até outubro de a imagem não tenha sido (ligeiramente) A bordo encontram-se modificações
2024) –, com os dados recolhidos pela modificada: para-choques dianteiro novo mais substantivas, introduzidas com o in-
marca a indicarem que perto de metade com grelhas metálicas (dividido em três
dos seus compradores usam-no apenas secções, que podem ser substituídas iso-
como modelo secundário, quiçá uma for- ladamente em caso de dano), aberturas de
ma de preservar o seu valor futuro refrige-

58 [Link] | DEZEMBRO
Toyota GR Yaris Legend T/A

tuito de tornar o GR Yaris um automóvel ceções, como uma parte dos painéis das forço. Na bagageira, meros 174 litros, valor
mais focado no condutor e nas necessi- portas em microfibra, ou o fole da alavanca muito limitado.
dades da condução desportiva. Toda a da caixa em pele (igualmente com pes-
consola central foi alterada, tornando-se pontos em branco). Também o lado prático “Ready, set, go!”
mais simples de utilizar, e passando a es- está longe de ser o melhor, faltando locais Mas isso são detalhes num automóvel
tar orientada 15° no sentido do condutor. de arrumação para os smartphones, ao feito para ser conduzido. E depressa. Ao
Ganha validade o conceito “Driver First” passo que o espaço nos bancos traseiros abrigo da sua estratégia de desenvolvi-
(o condutor em primeiro lugar), ao abrigo é escasso (e apenas para dois ocupantes), mento, que passa por testar as suas cria-
do qual privilegiou-se a visibilidade para a com entrada e saída a exigirem algum es- ções até ao limite, a Toyota Gazoo Racing
estrada: o ecrã central tátil de 8” passa a
estar montado numa posição 50 mm mais
baixa, por oposição ao que sucede com
o retrovisor, agora montado 15 mm mais
acima do que anteriormente. Ao mesmo
tempo, o banco do condutor está monta-
do numa posição 25 mm mais baixa, com
a Gazoo Racing a ter em conta possíveis
montagens de “baquets”.
Nota, ainda, para a instrumentação em
ecrã TFT de 12,3 polegadas (personalizá-
vel), a que se juntam, na consola central,
comandos com posicionamento revisto. De
resto, os bancos desportivos propostos de
série são exímios no suporte do corpo, com
regulação ampla (manual), e revestimento
numa combinação de microfibra e pele
(com pespontos em branco).
Ainda assim, o habitáculo não esconde
a sua origem mais “humilde”, já que predo-
minam os plásticos duros, com parcas ex-

2024 | [Link] 59
Teste

reforçou bastante a rigidez torsional, seja de caixa automática a dispor de radiador meiros metros, pela sensação de que a
através da soldadura por pontos, ou do específico no lado dianteiro esquerdo. sua afinação tem o propósito muito claro
maior número de adesivos estruturais Fundamental, o motor 1.6 de três cilin- de proporcionar uma condução capaz de
(mais 20%). Além disso, fruto da filosofia dros está 20 cv mais potente, passando a entusiasmar, e de se demarcar por reações
“quebra e repara”, os suportes superiores debitar 280 cv, ao passo que o binário má- altamente divertidas e de fácil exploração
da suspensão dianteiros foram reforçados ximo foi incrementado 30 Nm, para 390 pelo condutor.
substancialmente, o mesmo se aplicando Nm. Tudo isto resultando num pequeno Com tração integral (GR-Four), revista
ao sistema de refrigeração, com a versão desportivo que sobressai, desde os pri- na distribuição do binário entre os dois ei-

60 [Link] | DEZEMBRO
Toyota GR Yaris Legend T/A

xos (agora com modos “Normal”, “Gravel” a automática é ponto muito positivo, com cada momento. Nem falta o modo de arran-
e “Track”), o GR Yaris consegue impulsio- atuação muito rápida, e que, em termos de que (“launch start”), para colocar a potên-
nar-se com tremenda eficácia, com esta entrosamento, não lhe fica atrás. No seu cia no piso de modo rápido e eficaz.
nova caixa de velocidades automática de desenvolvimento, a Toyota retirou muitos
oito velocidades a representar um acrés- ensinamentos da competição, recorrendo Máquina de sensações
cimo surpreendentemente interessante a componentes mais resistentes ao des- O desempenho do motor é “intempesti-
para a gama. Se muitos preferirão a inte- gaste, e a um “software” específico, que vo” e traduz a expressão do que é um des-
ração proporcionada pela caixa manual, “lê” melhor as necessidades do condutor a portivo agressivo, combinando-se muito

2024 | [Link] 61
Teste

bem com a caixa para ganhos de velocida- de mão parece estar “lá” para nos dar essa
de muito rápidos, no que se poderia definir
m “liberdade”). Mas, com tração GR-Four, so-
como “pocket rocket”. Estes dois atributos bressai, também, a excelente motricidade,
fazem com que o condutor possa concen- • Dinâmica mesmo em pisos de menor aderência (o
trar-se noutra parte da condução, que é o • Diversão ao volante diferencial Torsen desempenha, neste par-
dinamismo– e, aí, o GR Yaris é exímio: a • Prestações ticular, um papel fulcral), enquanto a trava-
suspensão firme (como não poderia deixar • Caixa auto eficaz gem é assaz competente. Já a sonoridade
de ser, penalizando o conforto), e a dire- do motor, embora melhor, continua a não
• Equipamento
m
ção muito direta, permitem que o “piloto” ser excitante...
de ocasião possa jogar com as transferên- • Funcionalidade Os modos de condução “Normal”,
cias de massa a seu gosto, e, até, ajudar • Espaço atrás/mala “Sport” e “Eco” alteram diversos parâme-
nas provocações em curva, permitindo de- • Preço face ao tros do chassis e do motor, desde a ace-
rivas mais controladas (até porque o travão manual leração aos regimes em que são efetua-

62 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Toyota GR Yaris Legend T/A

MOTOR
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 1618 cc
Alimentação Injeção mista direta/multiponto,
turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12V
Potência 280 cv/6500 rpm
Binário 390 Nm/3250 – 4600 rpm
TRANSMISSÃO
Tração Integral (GR-Four)
Caixa de velocidades Automática de 8 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Independente
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Cremalheira elét./11,3 m
DIMENSÕES E CAPACIDADES
das as passagens de caixa, servindo para em CFRP, câmara traseira e Toyota Safe-
Comprimento/Largura/Altura 3995/1805/1455 mm
distintos momentos e condições, e com ty Sense 3, entre outros), o GR Yaris de
Largura das vias F/T 1532/1572 mm
diferenças sensíveis entre eles. Optando- caixa automática sintetiza, num formato
Distância entre eixos 2560 mm
-se pelo “Eco” beneficiam-se os consumos, muito compacto, uma série de atributos
Mala 174 litros
que, neste ensaio, revelaram-se muito que são típicos de automóveis destinados
Depósito de combustível 50 litros
aceitáveis (média de 8,6 l/100 km). a tornarem-se de culto. Não só pela ousa-
Pneus F 225/40 R18
dia da Toyota, de continuar a propor algo
Pneus T 225/40 R18
Yaris lendário assim – 280 cv num modelo do segmento
Peso 1300 kg
Disponível apenas no nível de equipa- B –, mas, também, por possuir um carác-
Relação peso/potência 4,6 kg/cv
mento Legend, já de si bastante rechea- ter tão forte, e vincadamente orientado
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
do (com assistente de máximos, controlo para a condução desportiva, divertida, e a
Velocidade máxima 230 km/h
ativo de ruído, bancos dianteiros despor- pedir abordagem mais extrema. As presta-
Aceleração 0-100 km/h 5,2 s
tivos, ar condicionado bi-zona, tejadilho ções são uma parte dessa aura única que
Consumo médio (WLTP) 9,5 l/100 km
caracteriza o GR Yaris, mas é pela súmula
Emissões de CO2 (WLTP) 215 g/km
de qualidades que este quase mito melhor
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
sobressai, já que ao condutor fica reser-
Mecânica 10 anos ou 200.000 km
vada uma experiência gratificante, que
Pintura/Corrosão 3 anos sem limite
pode ser aproveitada em diferentes tipos
de km/12 anos sem limite km
de piso e de condições.
Intervalos entre revisões 1 ano/15.000 km
Incontornável, o preço: a versão de
Imposto de Circulação (IUC) 353,68 €
transmissão automática (T/A) tem um cus-
to de base de 65.000 €, valendo a pena
considerar que a versão com caixa manual
PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)
(T/M) está disponível por um valor subs-
65.000 € tancialmente inferior – 58.000 €. Para os
mais puristas, o GR Yaris manual pode ter
Preço da unidade ensaiada a preferência, mas, em termos de eficácia,
65.950€ (s/ despesas) a caixa automática tem tudo para se tornar
Avaliação e-auto (4,5)
numa opção muito plausível.

2024 | [Link] 63
Teste

O
E Por JOÃO ISAAC

Suzuki Swift 1.2 5MT Mild Hybrid S3


s SUV, automóveis

ANTISSISTEMA
com imagens mais
aventureiras, forma-
tos mais volumosos e,
habitualmente, equi-
pados com rodas de
grandes dimensões,
não param de somar adeptos. O facto, não
Teste. Num mercado cada vez mais dominado
sendo novo, ainda surpreender, pelos nú- por propostas do tipo “crossover” e Sport Utility
meros incríveis das vendas. A Suzuki não
é exceção à regra, uma vez que também
Vehicle (SUV), o segmento B tradicional, que
tem modelos com a arquitetura da moda tinha, maioritariamente, 5 portas, perdeu a aura de
na gama, que propõe, sobretudo, nos seg-
mentos em que tem notoriedade, e equi-
invencibilidade e regista bastante menos procura.
pando-os com motores que beneficiam, Mas, este Suzuki Swift novo, dinâmico, giro e
também, de sistemas de eletrificação.
No entanto, embora menos desejados,
levezinho, ainda tem ingredientes mais do que
utilitários como o Swift, com formato mais suficientes para ser bem-sucedido. No Japão, é
convencional (“hatchback” com 5 portas e
comprimento inferior a 4 metros), são, e pen-
“Carro do Ano”!…
sa-se que continuarão a sê-lo, propostas tão
ou mais válidas para o dia a dia, comparando- O nome Swift tem história no segmento e regiões de todo o mundo. Assim, não é
-os com os “crossovers” de dimensões equi- B. O subcompacto comercializado fora do de estranhar que a Suzuki, na mais recen-
valentes – desde logo por terem, habitual- Japão somente a partir de 2004 acumula te atualização do modelo, fosse prudente
mente, preços inferiores. Mas, como veremos mais de 9 milhões de unidades vendidas, na abordagem e privilegiasse a evolução
adiante, apresentam outras vantagens. contabilizando os registos em 169 países à revolução. Exteriormente, as novidades

64 [Link] | DEZEMBRO
Suzuki Swift 1.2 5MT Mild Hybrid S3

concentram-se, essencialmente, na gre- o recurso à sobrealimentação, o segmento


lha e nos grupos óticos (faróis, farolins). O
m da Suzuki não consegue apenas cumpre 0
automóvel nipónico, na imagem, apresen- a 100 km/h em 12,5 s como satisfaz pela
• Consumo
ta-se mais moderno, sim, mas mantém a disponibilidade sempre que recorremos ao
• Dinâmica
personalidade diferenciada e diferenciado- pedal do acelerador. E, sim, também é im-
m
• Facilidade
ra que sempre o caraterizou (na estrada, é possível permanecer indiferente à facilida-
de condução
impossível confundi-lo com outro qualquer • Sistema multimédia de com que conseguimos consumos muito
• Preço/Equipamento
concorrente na categoria número um no • Alguns materiais moderados (neste teste, registámos uma
mercado nacional). do habitáculo média de 5,1 l/100 km em ciclo combinado,
Para o Swift novo, a Suzuki propõe 13 • Capacidade da mala mas passámos muito tempo com números
cores exteriores, considerando-se as qua-
tro pinturas bicolores da carroçaria, três
níveis de equipamento, caixa do tipo CVT
em alternativa à manual de 5 velocidades
e, ainda, uma versão com sistema de tra-
ção integral.

Sistema “mild hybrid” no 1.2 novo


Todos os Swift partilham motorização a
gasolina com sistema “mild hybrid”. Trata-
-se de mecânica com 3 cilindros, 1,2 litros,
82 cv e 112 Nm que tem “pulmão” mais do
que à dimensão das exigências, sobretudo
por estar devidamente apoiada pela máqui-
na elétrica (pequena) que acumula funções
de motor de arranque e gerador de energia
durante as fases de desaceleração e trava-
gem. Com esta configuração, e mesmo sem

2024 | [Link] 65
Teste

na ordem dos 4,5 litros, conduzindo, sere- lhe faltam elementos como os bancos dian-
namente, em estradas nacionais). teiros com aquecimento, as luzes de má-
Parte da eficiência e da genica do Swift ximos automáticas e as ligações sem fios
explica-se, facilmente, com o peso inferior para “smartphones”. Em termos de digita-
a 950 kg. Somam-se as rodas devidamente lização, o sistema multimédia dispõe de
dimensionadas (as borrachas têm 185 mm monitor tátil com 9’’, agora em posição de
de largura e as jantes 16’’ de diâmetro. As- destaque no topo do “tablier”. Conta com
sim, boa aderência sem excessos de atrito funções como navegação e encontra-se as-
que penalizariam o consumo de combustí- sociado a uma câmara traseira de apoio ao
vel. estacionamento, mas peca, pontualmente,
pela sua lentidão na resposta e por não ter
Muito divertido de conduzir o grafismo e a definição mais modernos.
A leveza do Swift sente-se, também, na do amortecimento também contribui para Na zona inferior da consola, onde estão
condução. O pequeno Suzuki tem sempre o dinamismo, sem que isso penalize o con- colocadas as soluções de carregamento,
reações ágeis e seguros, mesmo provo- forto. Negativamente, destaca-se apenas a faz falta pequeno LED para a iluminação
cando-o. Prova-se, pois, que conseguimos “antiguidade” do travão de estacionamento da zona. O painel de instrumentos tem um
divertir-nos ao volante até de modelos sem mecânico. pequeno (mas completo…) “display” com
muita potência. E ainda que não seja a refe- A bordo, o interior do Swift não é sober- 4,2’’ para o computador de bordo. A de-
rência dinâmica do segmento B, este auto- bo em matéria de qualidade dos materiais, mais informação, analógica, permite uma
móvel encontra-se, seguramente, no topo uma vez que estes são, na sua maioria, ri- leitura clara dos elementos que são mesmo
da lista dos melhores, por combinar o con- jos. No entanto, a montagem é sólida. Os importantes. Também a consola da climati-
trolo competente dos movimentos da car- bancos têm desenhos simples, mas são zação merece elogios, com botões físicos
roçaria com comandos ligeiros e precisos. confortáveis e contribuem para a posição fáceis de utilizar, não provocando, assim,
A direção, como se pretende nos utilitários, de condução excecional que encontramos quaisquer distrações perigosas. Exemplo
é leve, mas sem ser “desligada” (perceba- no Suzuki. Em termos de equipamento, em funcionalidade e ergonomia! Nos lu-
-se muito pouco informativa!), e a afinação sendo este um nível S3, topo de gama, não gares traseiros, o Swift, com os seus 3,86

66 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Suzuki Swift 1.2 5MT Mild Hybrid S3

MOTOR
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 1197 cc m de comprimento ou 2,45 m entre eixos, davia, é suficiente para o dia a dia. Debaixo
Alimentação Injeção eletrónica multiponto não é a melhor proposta do segmento B do piso de carga, embora esteja lá o local
Distribuição 2x2 a.c.c./12V para quem privilegie o espaço. Por outro para o receber, não há pneu suplente, o
Potência 82 cv/5700 rpm lado, considerando, outra vez, as dimen- que é uma pena.
Binário 112 Nm/4500 rpm sões muito compactas, é inegável que to- O novo Swift é, sem dúvida, um exem-
TRANSMISSÃO dos os centímetros disponíveis estão bem plo de como a leveza de um automóvel é
Tração Dianteira aproveitados, por isso permitindo que dois tão benéfica em diversas vertentes. Desde
Caixa de velocidades Manual de 5 vel. adultos de estatura média-alta viajem com logo por não obrigar à utilização de motor
CHASSIS conforto. Destaque ainda para as janelas maior e mais potente. Os consumos (exce-
Suspensão F Ind. MacPherson traseiras que podem ser abertas na totali- lentes, sublinhe-se) e a dinâmica saem be-
Suspensão T Eixo de torção dade, um pormenor cada vez menos visto neficiados por esta opção. Com as atuais
Travões F/T Discos ventilados/Tambores no mercado. A bagageira do Swift tem 265 campanhas em vigor, a versão S3 aqui en-
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/9,6 m litros, o que significa que a maioria dos ri- saiada custa 21.252 €, valor que, no mer-
DIMENSÕES E CAPACIDADES vais têm malas com mais capacidade. To- cado atual, é muito apelativo.
Comprimento/Largura/Altura 3,860/1,735/1,495 m
Largura das vias F/T 1,520/1,520 m
Distância entre eixos 2,450 m
Mala 265 litros
Depósito de combustível 37 litros
Pneus F 185/55 R16
Pneus T 185/55 R16
Peso 949 kg
Relação peso/potência 11,57 kg/cv
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima 165 km/h
Aceleração 0-100 km/h 12,5 s
Consumo médio (WLTP) 4,4 l/100 km
Emissões de CO2 (WLTP) 99 g/km
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
Mecânica 5 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 20.000 km/1 ano
Imposto de Circulação (IUC) 111,46 €

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

18.608 €
Preço da unidade ensaiada
21.252 €
Avaliação e-auto (4)

2024 | [Link] 67
Ao volante

E Por ANTÓNIO DE SOUSA PEREIRA

Toyota Land Cruiser 250

É
o modelo do maior cons-
trutor do mundo há mais
tempo em comercializa-
Bem-vindo de volta!
ção: 72 anos. Soma 10,4 Ao volante. Enfim, início de comercialização na
milhões de unidades ven-
didas desde 1952, em 170
Europa da mais recente geração de um dos mais
países e regiões (incluído emblemáticos todo-o-terreno de sempre. O preço
as produzidas em Portugal, da versão des-
tinada à Africa do Sul). Mais do que um au-
em Portugal é para muito poucos (desde 154.950
tomóvel, o Toyota Land Cruiser é uma refe- €), ainda assim, mais do que aqueles que, por
rência da indústria, muito em especial para
os que querem ter a garantia de chegar a
via das novas normas de proteção ambiental,
qualquer lugar, sejam quais for as condi- conseguirão adquirir este novo Toyota Land Cruiser
ções que tenham de enfrentar.
Um mito que começou a tomar forma
250 com motor turbodiesel de 4 cilindros, 2,8
em 1950, com o protótipo BJ, desenvol- litros e 204 cv. E-AUTO testou-o de forma muito
vido para uso militar; e teve a primeira
aplicação comercial pouco depois, com
exaustiva em Marrocos e é bom saber que ainda
o emblemático Toyota B. A designação existem automóveis assim!
Land Cruiser foi estreada em 1954, com a
segunda geração do modelo, e perdurou TO já teve oportunidade de conduzir em nada como ir, antes do mais, aos factos. O
até hoje, com inúmeras gerações, e qua- Marrocos, nas montanhas do Altas. primeiro, o conceito que esteve subjacente
se incontáveis declinações – inauguran- Por grande que fosse a tentação de de- ao seu desenvolvimento: “regresso às ori-
do-se, agora, um novo capítulo nesta já dicar, aqui, todas as palavras à experiência gens”, ou seja, criar um todo-o-terreno ca-
longa história, com o início de comercia- de condução, há (muito) mais que importa paz de lidar com qualquer tipo de estrada
lização do Land Cruiser 250, que E-AU- saber sobre o novo Land Cruiser. E, assim, e de piso, com uma condução acessível à

68 [Link] | DEZEMBRO
Toyota Land Cruiser 250

maioria, e indesmentíveis predicados em ergonomia não merece reparos de maior;


termos de qualidade, durabilidade e fiabi- e até os muitos botões, na sua maioria
lidade. E a ilustrar na perfeição essa ambi- colocados na ampla (como é tradição
ção está, desde logo, o desenho exterior, no Land Cruiser) consola central, estão
domínio em que as imagens falarão por montados no local mais correto e são
si, voltando a valer mais do que mil pala- de muito fácil manuseamento – atributo
vras: uma fusão entre legado, tradição e para que terá sido determinante o contri-
modernidade (vejam-se as aplicações nas buto dado pelos pilotos profissionais de
portas, para canalizar os fluxos de ar, ou ralis que participaram no desenvolvimen-
o deflector traseiro, elementos destinados to, de modo a que o manuseamento dos
a melhorar o desempenho aerodinâmico) mais importantes e utilizados não obri-
aplicada num automóvel em que é impossí-
vel não reparar, com um porte imponente,
mas, apesar disso, gracioso, e senhor de
uma aparência robusta, porém, elegante e
distinta.

Conjugação perfeita
Estilisticamente, o interior está em
perfeita consonância com o visual exte-
rior. A decoração consegue ser simples e
refinada, o que ilustra as aptidões de mo-
delo pronto para partir rumo à aventura,
mas sem dispensar inúmeras mordomias,
nem negligenciar valores caros à Toyota,
por forma a que as estadias no habitácu-
lo sejam o mais aprazíveis possível, mes-
mo as mais longas e duras. Espaços de
arrumação não faltam; a visibilidade para
o exterior é boa em todos os lugares; a

2024 | [Link] 69
Ao volante

gue a desviar os olhos da estrada, ou a com todos os bancos montados e uns im- e a uma montagem perfeita, ao ponto de,
alterar a postura ao volante. pressionantes 2000 litros quanto todos mesmo nos pisos mais demolidores, serem
Com tão generosas dimensões exterio- os de trás estão rebatidos e as costas dos quase impercetíveis quaisquer ruídos para-
res, a habitabilidade só poderia ser exce- dianteiros são “dobradas”. sitas. A tecnologia aplicada a bordo não lhe
lente, tanto na frente, como nos lugares Numa proposta de topo da Toyota, a fica atrás, provando-o o Head-Up Display
traseiros, havendo ainda espaço para dois qualidade geral só poderia ser de alto ní- com 10”, o painel de instrumentos digital
bancos adicionais montados no piso da vel, aflorando o luxo, graças a materiais, (repleto de informações) e o ecrã central
mala, que aumentam a lotação para sete na sua maioria, muito bons (macios aque- tátil central, ambos com 12,3” e profusa-
lugares (valência incluída de série no mer- les em que se toca com maior frequência, mente personalizáveis, ou o novo sistema
cado português). Quanto à capacidade da duros e planos os aplicados nas chamadas multimédia, que é do mais evoluído e com-
mala, varia entre uns simbólicos 130 litros áreas funcionais), a ótimos acabamentos, pleto que existe.

70 [Link] | DEZEMBRO
Toyota Land Cruiser 250

Muito bem-dotado binário constante entre as 1600-2800 rpm tegral com diferencial traseiro de bloqueio
Tanto, ou mais, importante do que tudo – a partir de 2025, esta unidade será dispo- eletrónico, e diferencial central mecânico
o até aqui referido, é a dotação mecânica. nibilizada numa variante “mild hybrid” a 48 totalmente bloqueável (quando não, tem
Assente na nova plataforma GA-F (chassis V. Estando a transmissão a cargo de uma uma repartição estática de 40/60, auto-
de longarinas e travessas, com rigidez au- nova caixa automática de 8 velocidades, maticamente variável em função das con-
mentada face ao anterior, ao qual é fixada 25% mais rápida, com caixa de transfe- dições de condução).
a carroçaria), o Land Cruiser 250 recorre rências (“redutoras”), relações mais curtas, Para enfrentar as agruras do todo-o-
(na Europa, pois noutras latitudes estão e um novo conversor de binário mais com- -terreno, conte-se, ainda, com uma ro-
disponíveis mais motorizações) a um te- pacto, com uma embraiagem de bloqueio busta suspensão traseira por eixo rígido,
tracilíndrico turbodiesel de 2,8 litros, me- de pratos múltiplos, para uma sensação com taragem dos amortecedores revista
cânica capaz de debitar 204 cv e 500 Nm, mais direta; e de um sistema de tração in- (para maior estabilidade no fora de estra-

2024 | [Link] 71
Ao volante

da, sem perder capacidades em termos de nível apenas quando as “redutoras” estão não só foi relativamente curto, como as
cruzamento de eixos), braço de guiamen- ligadas, mantém a velocidade entre cinco condições de circulação na via pública,
to lateral e barra estabilizadora; com uma patamares – 1 a 5 km/h – elegíveis pelo típicas de Marrocos, como habitualmente,
suspensão dianteira por duplos triângulos, condutor, e, à semelhança do DAC, mas não foram de molde a poder avaliar-se em
com barra estabilizadora desconectável nas subidas, permite evoluir no “TT” atuan- pleno as respetivas competências nestas
até aos 30 km/h (aumenta em 10% o cur- do apenas sobre a direção). circunstâncias. Ainda assim, seja qual for
so das rodas, e em 50 mm a articulação do o modo de condução eleito (Eco, Normal
eixo); e com vários auxiliares eletrónicos. Condução sem medos ou Sport), referência para o muito elevado
Sejam os modos de condução específicos Enfim ao volante do novo Land Cruiser conforto de marcha (embora o motor seja
disponibilizados pelo sistema Multi Ter- 250, ao longo de dois dias, cerca de 300 sempre audível, principalmente quando
rain Select (Dirt, Sand, Mud, Deep, Rock km, e, não raro, a mais de 2200 m de alti- sob maior carga, ou a regimes mais ele-
e Auto); seja o controlo de descidas DAC tude, a Toyota preparou, sem receios, um vados), para a boa precisão da direção
(possível de ativar tanto em “altas” como exigente percurso que visou, principalmen- assistida eletricamente, e para um com-
em “baixas”, pode funcionar entre os 4 e te, comprovar o potencial no todo-o-terre- portamento surpreendentemente eficaz,
os 30 km/h); seja o sistema Crawl (dispo- no. Isto porque o tempo passado no asfalto tendo em conta os quase cinco metros de
comprimento e as mais de 2,5 toneladas de
peso.
Fora de estrada, em traçados que in-
cluíram praticamente todo o tipo de obstá-
culos e situações de exigente superação, o
Land Cruiser 250 mostrou-se exemplar. O
motor tem força suficiente para satisfazer
seja que solicitação for; a caixa automática
secunda-o na perfeição (e até pode sem-
pre ser comandada manualmente através
do seletor, lamentando-se, apenas, que
no sentido oposto ao que a lógica manda,
isto é, desmultiplicando para a frente, e
reduzindo para trás…); e a tração integral,
as suspensões, e os auxiliares de condu-
ção eletrónicos combinam-se com enorme

72 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Toyota Land Cruiser 250

MOTOR
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 2755 cc
Alimentação Injeção direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16V
Potência 204 cv/3000-3400 rpm
Binário 500 Nm/1600-2800 rpm
TRANSMISSÃO
Tração Integral permanente + “redutoras”
Caixa de velocidades Automática de 8 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. triângulos duplos
Suspensão T Eixo rígido
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,8 m
DIMENSÕES E CAPACIDADES mestria para tornar, aparentemente, fácil que ainda existe quem acredite, como os
Comprimento/Largura/Altura 4,925/1,980/1,935 m aquilo que, na realidade, está ao alcance responsáveis da Toyota, haver espaço para
Largura das vias F/T 1,664/1,668 m de poucos. os verdadeiros TT e a aventura – e, den-
Distância entre eixos 2,850 m Fosse a lidar com acentuadas penden- tro do género, o Land Cruiser 250 é, sem
Ângulos TT (ataque/saída/ventral) 32º/23º/17° tes, tanto no sentido ascendente como dúvida, um dos melhores modelos da atua-
Altura ao solo 215,3 mm descente; a ultrapassar “regueiras” que lidade. O problema poderá ser adquiri-lo.
Capacidade de vau 700 mm obrigavam a acentuados cruzamentos de E, curiosamente, no caso português, não
Mala 130-556-1053-2000 litros eixos; a passar sobre pedras e rochas, al- será tanto pelo pouco acessível preço de
Depósito de combustível 80 litros gumas de não pequeno tamanho; a enfren- 154.950 €, já que, entre nós, apenas é co-
Pneus F 265/60R20 tar cursos de água, que exigiam tração adi- mercializada a versão de sete lugares com
Pneus T 265/60R20 cional sobre seixos, pedras, rochas e piso nível de equipamento de topo VX-L, em
Peso 2550 kg molhado; a superar desníveis que exigiam que nada falta, e apenas são opções as
Relação peso/potência 12,5 kg/cv o máximo do curso das suspensões; ou a pinturas metalizada (1000 €) e metalizada
PRESTAÇÕES E CONSUMOS suportar ritmos mais acelerados em estra- especial (1250 €). Será mais pela reduzida
Velocidade máxima 170 km/h dões onde as pedras afiadas exigiam cui- quota de unidades atribuída ao mercado
Aceleração 0-100 km/h — dados redobrados com os pneus – o Land nacional, ditada pelas novas normas euro-
Consumo combinado (WLTP) 10,7 l/100 km Cruiser 250 tudo suplantou com assinalá- peias de proteção ambiental: as cinco uni-
Emissões de CO2 (WLTP) 281 g/km vel mérito. E, no limite, lá estavam as câ- dades da série especial First Edition desti-
maras a projetar, no ecrã central, diversas nadas ao nosso País (3000 outorgadas à
panorâmicas do exterior do veículo em alta Europa) esgotaram num ápice, e o mesmo
resolução, reduzindo, notoriamente, a pos- aconteceu com as restantes 10 disponíveis
sibilidade de erro humano. até final do ano, e mesmo para 2025 é se-
Numa época em que o mercado au- guro que o número de encomendas supe-
PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)
tomóvel está cada vez mais inundado de rará, em muito, o de exemplares disponí-
154.950 € Sport Utility Vehicle (SUV), é bom saber veis para venda…

2024 | [Link] 73
Teste

Aston Martin DBX707 MY25

Escolha simples
Teste. Nascido como versão de topo do primeiro SUV na história do seu
construtor, o seu êxito foi tal, e de tal forma imediato, que rapidamente
tornou residuais as vendas da variante de acesso. Resultado (expectável):
na atualização a meio do ciclo do Aston Martin, DBX disponível apenas na
opção 707! O modelo marca de Gaydon, evolui no que precisava de melhorar,
mantendo intocados, felizmente, todos os atributos que lhe permitem ser
considerado um superdesportivo.

E Por ANTÓNIO DE SOUSA PEREIRA Não sendo, como por alturas do seu batimento giratório e câmaras integradas

O
nascimento, o SUV de produção em série (para melhor imagem tridimensional de
mais potente à venda no mercado automó- 360° nas manobras de parqueamento).
limite para o aumento de vel, o DBX707 continua a ser dos mais in- Combinando, como poucos, classe com
popularidade dos Sport críveis, inclusive no plano estilístico – dos agressividade, é o centro das atenções
Utility Vehicle (SUV) con- mais bonitos do momento, quiçá, de todos onde quer que se encontre, e por onde
tinua fora da linha do ho- os tempos. Nesta atualização, as novida- quer que passe, ganhando ainda maior
rizonte, mas a verdade é des são os puxadores das portas retráteis apelo quando monta opcionais como os
que continuam a subsistir automáticos; e os espelhos retrovisores emblemas e os “letterings” em preto (1640
condutores que não são adeptos do con- exteriores com maior campo de visão, re- €), o pacote que inclui diversos elementos
ceito. No entanto, até esses, dificilmente,
acabam por deixar-se seduzir pelos encan-
tos de algumas propostas com o formato
automóvel da moda. Uma é, decerto, o
DBX707: nascido em 2022, enquanto ver-
são posicionada no topo da gama, rapida-
mente passou a garantir 90% das vendas
do modelo, facto que levou a Aston Mar-
tin, à “boleia” da primeira atualização re-
velante do produto, a tomar uma decisão
expectável: descontinuar a anterior versão
de “acesso”, que tinha “apenas” 550 cv.
E-AUTO, obviamente, não podia enjeitar a
oportunidade de efetuar um teste comple-
to a um dos raros “SUV superdesportivos”
do mercado, já depois de renovado, apro-
veitando a sua presença em Portugal por
apenas uns dias!

74 [Link] | DEZEMBRO
Aston Martin DBX707 MY25

em fibra de carbono (8485 €) ou as enor- Se é fácil gostar do DBX707 por fora, de ponta (veja-se a deliciosa decoração
mes jantes de 23”, revestidas por pneus é praticamente impossível não soçobrar bicolor, com costuras contrastantes na
Pirelli P Zero com as medidas 285/35 à perante o seu interior extremamente refi- mesma cor do logotipo da Aston Martin
frente e 325/30 atrás (5461 €). nado, tendo sido aqui que este automóvel, bordado nos apoios de cabeça, ou os aca-
comparado com o original, mais evoluiu. bamentos e a montagem perfeitos, do me-
Mais do que “só” Totalmente redesenhado, acompanhan- lhor que se faz em toda a indústria). E, ao
superdesportivo do o conceito estreado nos novos DB12 e mesmo tempo recebendo materiais ainda
O que o DBX707 não consegue contor- Vantage, é dominado por uma arquitetura mais nobres, e manípulos de abertura das
nar são as suas dimensões consideráveis mais moderna, e por uma preciosa combi- portas, e saídas de ventilação verticais,
e a distância entre eixos enorme, o que nação entre manufatura, luxo e tecnologia redesenhados.
começa por pagar dividendos ao nível do
espaço livre para passageiros e bagagens.
Além de ampla, a mala inclui comandos
para rebater as costas do banco traseiro
e reduzir a altura ao solo (50 mm), por
forma a simplificar as operações de car-
gas e descargas, e facilitar as entradas e
saídas dos passageiros. A habitabilidade,
nomeadamente atrás, é ótima (das melho-
res da classe, tanto em altura, como em
termos do espaço disponível para pernas),
muito contribuindo para que estes sejam
excelentes lugares para viajar com todo o
conforto, numa espécie de classe execu-
tiva, não faltando, sequer, a regulação in-
dependente da climatização, e os bancos
aquecidos (em opção, por 2828 €, tam-
bém podem contar com ventilação).

2024 | [Link] 75
Teste

Mas a maior progresso reside no siste- agora, o ecrã central Pure Black de 10,3”, teriores, e uma operação extremamente
ma multimédia de última geração, dos pon- que passou a ser tátil e ganhou comandos fácil, porque muito lógica e intuitiva.
tos mais criticados no modelo anterior. O capacitivos, de dimensões relativamente Menção, ainda, para os novos siste-
painel de instrumentos digital tem 12,3” e pequenas (comparando-as com a tendên- mas avançados de assistência à condu-
conta com várias possibilidades de confi- cia dominante no sector), mas com um ção, dispondo o DBX707 de quase tudo
guração; perfeitamente integrado no cen- grafismo e uma combinação cromática que o que a tecnologia atual permite oferecer
tro do novo painel de bordo encontra-se, condizem com a classe e a sobriedade in- nesta matéria. E para o facto de quem

76 [Link] | DEZEMBRO
Aston Martin DBX707 MY25

ocupar o melhor lugar a bordo beneficiar plana, e enormes patilhas metálicas fixa- um automóvel tão especial é a mecânica.
de soberbo banco desportivo com apoio das à coluna de direção, para comando E se, neste domínio, as alterações foram
de cabeça integrado, que até permite re- sequencial do programa manual da caixa poucas, nem por isso este modelo deixa
gular eletricamente o apoio lateral para de velocidades. de ser um dos SUV mais emocionantes
pernas e tronco; e de um volante multi- da atualidade, mas sem abdicar das suas
funções novo, irrepreensível em termos Muitas competências familiares capacidades enquanto transportador
de dimensões e pega, com parte inferior Só que o que, de facto, faz do DBX707 de toda a família, que não são poucas,

2024 | [Link] 77
Teste

e até chegam a surpreender. O posto caixa nem do motor, que roda a regimes
de condução, embora muito correto e
m bastante baixos, o que se traduz numa
envolvente, é, obrigatoriamente, alto e condução muito tranquia, isenta daquela
dominador, o que até facilita a condução • Desempenho agressividade permanente que caracteri-
em meio urbano, onde as avantajadas dinâmico de referência za alguns dos seus rivais.
dimensões não ajudam muito a circular • Mecânica m Predicado que, em conjunto com o
nas ruas mais estreitas. Selecionado o e prestações sistema que desativa metade dos cilin-
modo de condução mais “pacato” (Grand • Competências • Dimensões dros quando as solicitações são pouco
Tourer), e adotando um ritmo tipicamen- familiares do ecrã do sistema exigentes, também ajuda a garantir con-
te familiar, como a cerca de 60 km/h já • Polivalência multimédia sumos comedidos (considerando o rendi-
se circula em quinta velocidade, pratica- • Estilo, luxo • Preço ao alcance mento excecional do motor…), com a mé-
mente não se sente o funcionamento da e exclusividade de (muito) poucos dia a ficar, inclusivamente, o que é muito

78 [Link] | DEZEMBRO
c FICHA TÉCNICA
Aston Martin DBX707 MY25

MOTOR
Arquitetura 6 cilindros em V a 90°
Capacidade 3982 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2x2 a.c.c./32V
Potência 707 cv/6000 rpm
Binário 900 Nm/2600-4500 rpm
TRANSMISSÃO
Tração Integral permanente
Caixa de velocidades Automática de 9 vel.
CHASSIS
Suspensão F Ind. triângulos sobrepostos,
pneumática
Suspensão T Ind. multibraços, pneumática
Travões F/T Discos carbocerâmicos
ventilados e perfurados
raro, abaixo do anunciado (14,2 l/100 km Ao mesmo tempo, como o isolamento
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,4 m
no ciclo combinado WLTP, tendo E-AUTO acústico é excelente, e o pisar firme e só-
DIMENSÕES E CAPACIDADES
registado, em condições reais de utiliza- lido não impede a sofisticada suspensão,
Comprimento/Largura/Altura 5,039/1,998/1,680 m
ção, e cumprindo os pressupostos legais, com molas pneumáticas (de três câma-
Largura das vias F/T 1,698/1,664 m
9,8 l/100 km em estrada, 13,2 l/100 km ras), amortecimento pilotado, e barras
Distância entre eixos 3,060 m
em autoestrada, e 15,1 l/100 km em cida- estabilizadoras ativas, de absorver de
Mala 683 litros
de, para uma média ponderada de 13,66 forma primorosa todas as irregularidades
Depósito de combustível 85 litros
l/100 km). Convém é não esquecer que com que é confrontada, mesmo em pisos
Pneus F 285/35 R23
quaisquer devaneios na relação com o menos bem conservados. Por isso o con-
Pneus T 325/30 R23
pedal da direita rapidamente levarão os forto de marcha acaba por ser uma das
Peso 2245 kg
valores para patamares bem menos sim- grandes qualidades do DBX707, sobre-
Relação peso/potência 3,17 kg/cv
páticos… tudo quando se leva em linha de conta
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima 310 km/h
Aceleração 0-100 km/h 3,3 s
Consumo médio (WLTP) 14,2 l/100 km
Emissões de CO2 (WLTP) 323 g/km
GARANTIAS/MANUTENÇÃO
Mecânica 3 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/6 anos
Intervalos entre revisões 16.000 km/12 meses
Imposto de Circulação (IUC) 992,25 €

PREÇO (CLIENTE PARTICULAR)

340.066 €
Preço da unidade ensaiada
404.050 €
Avaliação e-auto (4,5)

2024 | [Link] 79
Teste

tudo o que é capaz de fazer a ritmos mais km/h, que, para mais, se atinge com incrí- faltam argumentos ao DBX707 para curvar
acelerados! vel facilidade. Não podendo faltar o “launch como poucos SUV o conseguem, e mais ain-
control”, o controlo de arranque a que As- da agora, depois de ter recebido uma reca-
Emoção, adrenalina e… ton Martin prefere chamar Race Start, e, libração dos elementos elásticos da suspen-
polivalência nos modos de condução Sport e Sport+, são. Apesar dos 2245 kg de peso, o controlo
Passando, realmente, à ação, o que garante que os 0-100 km/h são cumpridos dos movimentos da carroçaria é perfeito em
primeiro se impõe é o fabuloso V8 4.0 bi- em pouco mais de três segundos, com a cai- todas as circunstâncias, a estabilidade dire-
turbo de origem Mercedes-AMG, que rapi- xa automática de 9 velocidades a trocar de cional permanece imperturbável a qualquer
damente prova que o seu ronronar a baixo mudanças quase à velocidade da luz! velocidade, as mudanças de direção são
regime esconde uma “fera adormecida”, Fazendo fé na máxima que afirma que imediatas, e a precisão na inscrição em cur-
que se transfigura muito depressa, e des- de nada vale a potência sem controlo, não va, quase milimétrica, é, a todos os títulos,
perta com um espetacular rugido, quando
se esmaga o acelerador. De tal forma que,
a não ser que se queira tirar o máximo par-
tido das capacidades do sistema de som da
Bowers & Wilkins (tem dupla amplificação,
1600 Watt de potência e 23 altifalantes,
e custa 9616 €), a partir das 4000 rpm, é
essa a melodia que passa a dominar o in-
terior, aumentando, exponencialmente, na
razão direta do regime de funcionamento
do motor, e mais ainda quando ativados os
dois modos mais radicais das válvulas de
escape, capazes de tornar ainda mais en-
corpada tão estimulante sonoridade.
E como à disposição do pé direito estão
707 cv e 900 Nm, conte-se com acelera-
ções vertiginosas, capazes de esmagar os
ocupantes contra as costas dos bancos, e
com uma velocidade máxima superior a 300

80 [Link] | DEZEMBRO
Aston Martin DBX707 MY25

notável. Existindo, nos limites da física, dois Por fim, importa sublinhar que a Aston específico (“Terrain”), também é capaz de
elementos essenciais para fazer deste um Martin não se limitou, o que já não seria algumas incursões fora de estrada, embo-
automóvel terrivelmente eficaz: o diferencial pouco, a fazer do DBX707 um SUV super- ra seja conveniente não o colocar perante
traseiro autoblocante de controlo eletróni- desportivo com impressionantes capacida- obstáculos muito extremos, sobretudo de-
co, e o sistema de tração integral capaz de des dinâmicas sobre o asfalto. Graças à al- vido ao reduzido perfil dos pneus, uma vez
transferir até 100% do binário para as rodas tura ao solo variável (175 mm por omissão, que os ângulos característicos até não são
de trás, mas que automaticamente começa reduzida em 30 mm em condução despor- de menosprezar (ataque, saída e ventral
a enviá-lo também para as da frente quando tiva, e aumentada em 45 mm no “TT”), à de, respetivamente, 22,2-27,5°, 24,3-27,1°
as traseiras já não conseguem colocar toda a tração integral e a um modo de condução e 15,1-18,8°, somando-se-lhes a capacida-
potência no chão. de de vau de 500 mm). É de imaginar ser
Garante-se, assim, uma extrema efi- este um território por onde a esmagadora
cácia dinâmica, uma apreciável agilidade, maioria dos seus proprietários dificilmente
e muita diversão ao volante, sobretudo terá coragem de se aventurar, mas não dei-
quando se desliga o controlo eletrónico de xará de gostar de saber que poderá fazê-lo.
estabilidade, para desfrutar de derivas de Por uma das suas melhores criações
traseira relativamente simples de provo- de sempre, a Aston Martin pede, em Por-
car, e muito fáceis de controlar. Ao ponto tugal, 340.066 €, ou 404.050€ no caso de
de a forma como todo o conjunto lida com um DBX707 da nova geração com a confi-
um peso e umas dimensões assinaláveis guração aqui presente. É o preço a pagar
rapidamente fazer esquecer estes dois por um dos melhores, e mais completos,
teóricos “handicaps”. Já para o poderoso representantes de um dos mais exigentes
e infatigável sistema de travagem, com segmentos do mercado, em que a concor-
enormes discos carbocerâmicos, sobram rência é tão escassa quanto feroz. Não ha-
elogios, extensíveis à aderência propor- vendo, porventura, rival que consiga igua-
cionada pelos não menos impressionantes lar a sua capacidade para ser, ao mesmo
pneus – pelo que só há que lembrar que, tempo, um míssil balístico em formato de
numa condução realmente “a fundo”, como SUV, digno do epiteto de superdesportivo,
em circuito, onde o DBX707 também não mas extremamente fácil, seguro e agradá-
faz nada má figura, a média de consumo é vel de utilizar enquanto familiar, e sem uma
capaz de superar os 45 l/100 km… alergia congénita ao todo-o-terreno.

2024 | [Link] 81
E-AUTO TAMBÉM
EM EDIÇÃO DIGITAL
E POR APENAS 1,50 €!

Mensalmente, revista à venda antes no PC, no “tablet” ou no


“smartphone” do que nas bancas ou nos quiosques e por metade
do preço. E, em arquivo, todas as edições publicadas prontas para
“download”, também com uma poupança de 50%.
E-AUTO, O AUTOMÓVEL NO PRESENTE E NO FUTURO Ficha Técnica
EDITORA E PROPRIETÁRIA
JC Edições e Publicações, Unipessoal Lda.
Sócio-Gerente: José Caetano
NIF: 517999200
Sede: Rua do Alfaiate, 19, 2890-347 São Francisco

REDAÇÃO
Diretor
José Caetano
Redator Principal
Pedro Junceiro
Colaboram nesta edição
António de Sousa Pereira, Francisco Mota
(COTY) e João Isaac
Fotografia
Gonçalo Martins
Design Gráfico e Paginação
Ricardo Emanuel da Silva,
OpulentPeak - Design e Comunicação
Projeto Online
Mercado Digital
Produção Online e Vídeo
José Piqueiro
Contactos
geral@[Link] (e-mail)

REDAÇÃO E PUBLICIDADE
Rua do Alfaiate, 19, 2890-347 São Francisco
Departamento comercial
(Marketing, Publicidade e Brand Content)
publicidade@[Link]

IMPRESSÃO: VASP-DPS
DISTRIBUIÇÃO: VASP, Media Logistics Park,
[Link] EN 250-1; Quinta do Grajal, Venda Seca,
2739-511 Agualva-Cacém
Contatos: 214 337 000 (telefone)
geral@[Link] (e-mail)
E E-AUTO, O AUTOMÓVEL NO PRESENTE cíficos e basear-se mais na atualidade do
E NO FUTURO não existe apenas na edição automóvel. Online, por exemplo, notícias,
impressa que tem nas mãos. Vivemos galerias de imagens/vídeos, impressões TIRAGEM: 4000 exemplares
na era da digitalização e do acesso de condução e testes a modelos novos,
(quase) instantâneo à informação, o que etc.! Subscreva e receba tudo em primeira
pressupõe, necessariamente, a disponi- mão, incluindo “newsletters” com as “últi- NÚMEROS DOS REGISTOS NA ENTIDADE
bilização de conteúdos nos formatos da mas” do setor… REGULADORA DA COMUNICAÇÃO SOCIAL:
moda, somando imagens (fotografias, EDITORA E PROPRIETÁRIA – 224135
PUBLICAÇÃO PERIÓDICA – 128007
infografias e vídeos) aos textos, para uma E E-AUTO, O AUTOMÓVEL NO PRESENTE
apresentação mais atrativa e interativa. E NO FUTURO, tem, também, canal próprio
ISSN: 2976-0437
no YouTube e atividade intensa nas redes NÚMERO DE REGISTO DE DEPÓSITO LEGAL: 529307/24
E E-AUTO, O AUTOMÓVEL NO PRESENTE sociais (Facebook e Instagram ativos…).
E NO FUTURO, naturalmente, encontra-se Independentemente dos formatos, intera- ESTATUTO EDITORIAL de “E-AUTO, O AUTOMÓVEL
na Internet, em [Link], numa tividade com o leitor prioritária, para que NO PRESENTE E NO FUTURO” em [Link]
edição com identidade própria diferente da nenhuma dúvida ou pergunta fique sem
impressa, por dispor de conteúdos espe- esclarecimento ou resposta. MEMBRO (auditoria solicitada)

2024 | [Link] 83

Você também pode gostar