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Classificação de Microrganismos em Microbiologia

Resumos de Microbiologia

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Lilibetty Pinho

Medicina Dentária - UCP

Elaborado por:

Lilibetty Andreína Soares de Pinho


MI Medicina Dentária
2º ano 1º semestre
Página
Universidade Católica 1 de 46
Portuguesa
Lilibetty Pinho
Medicina Dentária - UCP

Falta o digestivo.

Classificação dos microrganismos


A taxonomia é a ciência da classificação (arranjo dos MO em grupos taxonómicos com base nas semelhanças e
relações), da nomenclatura (atribuição de nomes nos grupos taxonómicos de acordo com as regras internacionais) e
da identificação (ato e resultado de determinar que um novo isolado pertence a um táxon já estabelecido).

A definição de “procariota” foi substituída por “não-eucariota” dado que os eucariotas não derivam de Eubacteria ou
Archaea, mas sim todos derivam de um ancestral comum (hipótese apoiada pela análise do rRNA 16s).

O grupo taxonómico básico é a espécie, sendo que uma espécie bacteriana pode ser considerada como um conjunto de
estirpes que partilham varias características e diferem consideravelmente de outros grupos de estirpes. Assim, uma
estirpe é constituída pelos descendentes de um só isolado em cultura pura, cuja sucessão de culturas deriva de uma só
colónia. Ainda assim, uma espécie pode ser dividida em subespécie, que é o menor grau taxonómico válido. No fundo,
uma subespécie considera ser-se na divisão de uma espécie devido a pequenas, mas consistentes, mudanças
fenotípicas dentro da espécie ou em grupos de estirpes geneticamente determinadas dentro da espécie.

Uma espécie pode ainda ser dividida em taxoespécie (grupo de estirpes com elevada partilha de propriedads),
genoespécie (grupo de organismos capazes de trocas genéticas), espécie genómica (elevada partilha dada a
hibridização DNA-DNA) ou espécie nominal (grupo de organismos com um número de características comuns,
independentemente da sua validade noutros domínios). A partilha de DNA comum deve ser na ordem dos 70% para
organismos serem considerados da mesma espécie. Para além disto, analisa-se também a homologia do rRNA 16s, isto
porque a sua estrutura primaria é altamente conservada.

Atualmente a classificação é baseada no rRNA 16s, organizando os seres vivos em três domínios:

- Eubacteria;

- Archaea;

- Eukaria: engloba os reinos animália, plantae, fungi e protista.

As características dos três domínios podem ser descritas de acordo com diferenças nas suas estruturas,
nomeadamente:

1) Parede celular

Eubactéria: peptidoglicano e ácido murâmico.

Archaea: pseudo-peptidoglicano, polissacáridos, glicoproteínas.

Eukaria: celulose e quitina.

2) Lípidos

Eubactéria: ligações estér, bicamada, hopanóides (mesma função que o colesterol-estrutural).

Archaea: ligações estér, monocamada.

Eukaria: ligações estér, bicamada, colesterol.

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3) RNA polimerase

Eubactéria: 1 com 4 polipeptidos.

Archaea: 1 com 8 polipeptidos.

Eukaria: 3 cm 10/12 polipeptidos.

4) Síntese proteica

Eubactéria: ribossomas 70s, F-metionina, fatores de alongamento da tradução.

Archaea: ribossomas 70s, metionina, fatores de alongamento da tradução.

Eukaria: ribossomas 80s, metionina, fatores de alongamento da tradução.

Técnicas utilizadas em taxonomia microbiana

Dot-blot: estudo de semelhança de DNA utilizando as suas propriedades de renaturação. Se se misturar ssDNA de um
organismo com outro ssDNA de outro organismo, nas condições apropriadas (temperatura de fusão, pH alcalino –

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dissociação das cadeias), podem-se formar moléculas hibridas. Assim, quanto mais relacionados forem os organismos,
mais sequencias nucleotídicas terão em comum, sendo maior a percentagem de DNA hibridizado.

RFLP: baseia-se na restrição do DNA genómico com enzimas (endonuclease de restrição) de corte e separação dos
fragmentos por eletroforese convencional. O DNA é desnaturado por tratamento alcalino e transferido para uma
membrana por capilaridade. O DNA imobilizado no filtro é hibridizado com uma sonda de DNA marcado
radioactivamente ou quimicamente e efetuada a deteção dos fragmentos homólogos.

Macrorrestrição: imobilizam-se células individuais em blocos de agarose, impedindo quebras no DNA. Faz-se
restrição do DNA seguida de eletroforese em campo pulsado, permitindo a separação de grandes fragmentos de DNA.
O resultado final corresponde ao perfil de restrição do genoma de cada estirpe.

PCR fingerprint: originam um fingerprint de cada microrganismo. Extrai-se o DNA e realiza-se uma reação PCR com
o objetivo de amplificar a amostra, isto é, diferentes regiões do genoma. O resultado é um conjunto de amostras de
DNA especifico de cada organismos e visualizados em gel. Neste PCR é utilizado apenas um primer que pode hibridar
em diferentes locais do genoma. Importante na deteção de estirpes da mesma espécie, podendo ser utilizada em
procariotas e eucariotas. Este facto e o facto de ser rápido e simples de executar tornam este conjunto de técnicas
muito utilizadas em estudos de diversidade genómica de grandes grupos de estirpes que podem ser comparadas por
análise hierárquica.

SDS-Page: desnaturação de fragmentos de DNA em domínios em que a temperatura de desnaturação é a mesma. Se os


fragmentos forem submetidos a eletroforese em gel contendo gradiente desnaturante químico (DGGE) ou térmico
(TGGE) os fragmentos migram no gel ao longo do gradiente ate que seja atingido o ponto em que o primeiro domínio
começa a desnaturar. Aqui dá-se a transição da estrutura helicoidal característica das moléculas de DNA para uma
estrutura parcialmente desnaturada, passando a sua mobilidade a ser diferencial. Diferenças genómicas levam a
cinética de desnaturação distinta. Esta técnica permite a analise de moléculas de DNA de tamanho idêntico, mas com
diferenças sequenciais, sendo muito utilizada na analise de mutações. Atualmente é utilizada para o fingerprinting de
diversas comunidades. As bandas obtidas podem ser excisadas, reamplificadas e sequenciadas, dando a hipótese de
avaliação da estrutura da comunidade por analise filogenética.

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Célula microbiana

Diversidade morfológica

- Esférica (coco): pode agrupar-se e formar diplococos (pares), em cadeia (estreptococos), em cacho (estafilococos) ou
em tétradas;

- Bastonete (bacilo): vibriões (encurvados), fusiformes e ondulados ou espiralados.

Estrutura

Interiormente possuem nucleoide e citoplasma com ribossomas (r70s), sendo que externamente possuem um flagelo,
fímbrias, membrana celular, parede celular e glicocálice associado.

1) Membrana celular

Bicamada fosfolipídica com proteínas periféricas e integrais. Possui uma maior proporção proteínas/
fosfolípidos que a MC eucariota dadas as funções biossintéticas e energéticas.
Não possui esteróis (MC eucariota), mas sim hopanóides que ajudam a estabilizar a membrana, possuindo
uma função semelhante à do colesterol.

A MC de Archae possui glicerolípidos, sulfolípidos, glicolípidos e lípidos não polares, organizando-me em


mono ou bicamadas lipídicas.

As suas funções passam por ser uma barreira permeável à passagem de iões e solutos, constitui um suporte de
proteínas e ajuda na conservação e geração de energia.
Para isso possui proteínas transmembranares que procedem ao transporte desses mesmos solutos e sistemas
de transdução de sinal para o interior da célula. Estas proteínas possuem mais ou menos domínios
hidrofóbicos projetados para o exterior da célula.
Para além disso contem ainda proteínas periféricas ligadas à membrana por resíduos lipídicos, possuindo
funções de adesão celular.

2) Parede celular

Constitui uma proteção mecânica eficaz contra a rutura osmótica da célula bacteriana em ambientes
hipotónicos, sendo que o responsável por esta característica é o peptidoglicano, que se encontra em todas as
bactérias com PC, menos em Archaea.
A síntese do peptidoglicano é uma estratégia para o crescimento bacteriano. A bactéria, através de autolisinas
endógenas, lisa a sua própria parede celular em locais onde será formado o peptidoglicano, permitindo que a
bactéria cresça. Este método alberga 3 fases:
- Fase citoplasmática: formação de NAG e NAMA-pentapéptido que serão os “tijolos” do
peptidoglicano em construção. Em termos antibióticos um inibidor desta fase é a fosfomicina.
- Fase membranar: os “tijolos” são transportados através da MC. Forma-se o par NAG-NAMA
pentapéptido. Inibidores desta fase são os glicopéptidos.
- Fase parietal: os “tijolos” são colocados na parede e a sua ligação é promovida por enzimas que se
encontram no folheto externo da MC bacteriana, sendo que se liga o NAG-NAMA-pentapéptido ao
peptidoglicano pré formado. Um inibidor desta fase é o beta-lactâmico.

Para além disto é responsável pela morfologia bacteriana e pelo duplo comportamento das bacterianas no que
toca à coloração, podendo ser Gram + ou Gram – (desenvolvido adiante).

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Antibioterapia

Relativamente à antibioterapia usada no combate ao crescimento celular são utilizados anéis beta-lactâmicos
dos quais se originam a cefalosporina e a penicilina. Estes ligam-se irreversivelmente às transpeptidases
(PBPs), inibindo a síntese de peptidoglicano. Desta forma os buracos realizados pela autolisinas não serão
preenchidos e a bactéria será destruída.
Em resposta a este sistema as bactérias desenvolveram um que destrói a os anéis beta lactâmicos, inativando o
antibiótico, sendo que esta destruição é realizada pelas beta lactamases.
Outro método antibiótico é a utilização de vancomicina, cuja função é impedir a ação das transpeptidases, de
modo a que se ligam ao substrato, isto é, ligam-se fortemente à D-alanina (local onde o aminoácido de um
peptidoglicano se liga ao aminoácido do peptidoglicano vizinho, formando uma malha).
Por último, são também usadas lisozimas que impedem a ligação glicosídica NAG e NAM, não se formando o
complexo onde se iria ligar o peptidoglicano pré formado.

Tipo de parede

Gram +

Corante cristal violeta confere-lhe uma cor


arroxeada devido à ausência de lípidos na parede
celular, resistindo à descoloração em acetona.

Pressão osmótica interna muito elevada devido


ao crescimento bacteriano em meio hipotónico, sendo
que é graças à parede celular 50% a 70% do peso seco
constituída por peptidoglicano que não se dá a lise
celular.

Localiza-se justaposta à MC em monocamada,


não existindo, praticamente, nenhum periplasma.

Relativamente às suas propriedades esta é permeável a macromoléculas nos dois sentidos, não oferecendo
resistência a antibióticos.

O tratamento com lisozima em meio adequado permite a destruição total da PC, originando protoplastos
(células arredondadas formadas unicamente por MC).

Quanto aos seus componentes estas possuem ácidos teitóicos, cuja função é oferecer suporte estrutural ao
peptidoglicano, estando associados ao NAMA. Podem também estar associados ao glicerol (ácidos lipoteicóicos) no
folheto externo da MC, tendo como função controlar as autolisinas endógenas. Possui ainda ácidos teicuróicos que
substituem os teicóicos quando o meio é pobre em fósforo. Por último, contém autolisinas já faladas anteriormente.

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Gram –

Muito mais complexa quanto à composição química e ultra-estrutura.

Nestas a pressão osmótica interna é mais baixa, não necessitando de grandes valores de peptidoglicano (10% do peso
seco). A sua função é conferir suporte à PC, impedindo a lise.

Contrariamente à PC das Gram + a PC das Gram - não é permeável a macromoléculas, sendo uma barreira a
compostos hidrofóbicos e hidrófilos.

Estruturalmente a PC possui duas camadas:

- Camada rígida/R: aqui encontra-se o peptidoglicano e membrana externa. Esta confere resistência mecânica à célula.

- Periplasma: camada que se encontra entre a ME e a MC, constituindo um reservatório de beta-lactamases. Possui
ainda enzimas de transporte de açucares e aminoácidos através da MC.

Os antibióticos, penetrando pelas porinas da ME terão de enfrentar as enzimas degradativas desses antibióticos
retidas no periplasma.

Quanto aos seus componentes, a PC celular destas bactérias é formada por:

- Lipopolissacarídeos (LPS): possuem uma toxicidade letal, estimulando a inflamação dado que ativam o
complemento, os linfócitos e os macrófagos. Para além disto possuem pirogenicidade, estimulam a reabsorção óssea e
a síntese de prostaglandinas, induzem TNFs e levam à hipotermia e hipotensão. Conclui-se, assim, que estes
funcionam como super antigénios;

- Fosfolípidos: funcionam como zonas de adesão e transporte;

- Proteínas: função estrutura, de transporte;


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- Lipoproteínas: função estrutural;

- Autolisinas;

Componentes estruturais da célula microbiana

Cápsulas e camadas viscosas: formada por glucanos e fructanos, corresponde ao resultado da agregação das bactérias
em biofilme.

Flagelos: órgãos de locomoção bacteriana, constituídos por flagelina, sendo de natureza proteica. As bactérias podem
possuir um único flagelo, sendo monótrica, um flagelo em cada extremidade, designando-se anfítricos, um tufo de
flagelos (lofótricos) ou pode cobrir toda a superfície bacteriana (perítrica).

Fímbrias e pili: são mais finas que os flagelos, só podendo ser visualizadas em ME. Estes medeiam o contacto entre
bactérias F+ e F-, permitindo, durante o processo de conjugação, a transferência de material genético. No Homem
estas estruturas reconhecem determinados recetores das mucosas, facilitando a infeção (ex.: infeção urinária).

Endósporos: funcionam como células dormentes de alta resistência, conseguindo sobreviver durante centenas de anos!
Estes resistem ao calor, radiações, dessecaçao, desinfetantes e antibióticos. Quando as condições são favoráveis dá-se
o seu crescimento até à forma vegetativa.

Célula Procariota VS Eucariota

A célula eucariota é maior e mais complexa, possuindo um núcleo com DNA dupla cadeia helicoidal associado a
histonas. Para além disso possui um citoesqueleto altamente organizado com organelos altamente complexos. R80s

Quanto à célula procariota esta possui um nucleoide com uma molécula de DNA circular cadeia única. Possui ainda
um citoplasma pobre em organelos. R70s

Apesar de o material genético bacteriano corresponder à molécula de DNA correspondente ao nucleoide, é conhecida
a existência de exceções que possuem mais genoma!

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Em bactérias a transcrição e a tradução realizam-se ao mesmo tempo, visto que o genoma não se encontra confinado
ao núcleo. Para alem disto, toda a molécula de DNA é transcrita, de modo a que não existem intrões.

As bactérias possuem ainda DNA circular denominado plasmídeo que não possui qualquer relação com o nucleoide
nem confere características à bactéria. Por outro lado, é o maior local de resistência a antibióticos como a penicilina,
cloramfenicol e eritromicina. Confere ainda resistência a arsénico, antimónio e mercúrio.

Transferência de genes

Horizontal

1) Transformação

Foi observada em bactérias patogénicas para o Homem como a Haemophilus, Neisseria, Acinetobacter,
Pseudomonas e Streptococcus.
Este fenómeno requer a exposição bacteriana a DNA extracelular libertado no meio ambiente, sendo que a
entrada deste DNA para o mio ambiente é continua e realizada por alguns géneros bacterianos.
As bactérias possuem um recetor que não descrimina o DNA a penetrar, sendo que esse processo se da com
dispêndio de energia. Uma cadeia é degradada por exonucleases, enquanto a outra atravessa a membrana em
direção ao DNA celular, com o qual faz trocas, formando-se um heteroduplex.

2) Transdução

Envolve um elemento móvel, podendo ser mediada por bacteriófagos, podendo ocorrer como transdução
generalizada ou restrita.
Pode infetar a célula no seu ciclo lisogénico (incorporam o DNA ficando dormentes) ou no ciclo lítico
(termina com a lise bacteriana, pois o DNA viral é expresso).

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2.1) Generalizada
Fragmentos inserem-se em qualquer região, levando sempre informação ao acaso.

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2.2) Especializada/ restrita


Utiliza tipos de vírus muito específicos, inserindo-se o material genético sempre no mesmo sitio, levando,
desta forma, sempre o mesmo material genético consigo. Conclui-se que codifica para uma região.

3) Conjugação do plasmídeo

Existe contacto direto mediado por pili em que ocorre passagem do plasmídeo sozinho ou associado a cromossoma.

Se a bactéria é HFR + significa que possui o plasmídeo. Esta bactéria vai-se associar a uma célula sem plasmídeo,
passando-o para essa mesma célula. Contudo, só parte do plasmídeo e do cromossoma bacteriano é que é transmitido,
isto porque, o plasmídeo é muito extenso e não consegue atravessar todo. Assim, a célula recetora continua HFR -.

Concluindo, se uma célula é F+ ela ligar-se-á, através dos pili, a uma outra que seja F- (processo auxiliado por
proteínas). Assim, existem dois resultados: ou o plasmídeo é transferido na totalidade e a célula recetora passa a F+ ou
é parcialmente transferido e a célula recetora mantém-se F-.

Quanto à célula dadora, como o plasmídeo transferido é uma cópia do seu, mantém-se F+.

4) Transposição

As mutações por transposões não são processos de troca de material genético, mas de o alterar de forma a dar/retirar
capacidade de codificação.

As transposases cortam fragmentos de DNA, que serão reinseridos noutros locais do cromossoma.
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Crescimento e nutrição dos microrganismos

Crescimento matematicamente exponencial: uma célula da origem a duas.

Fase Lag: poucas células, pois estão a entrar no meio de cultura e a alterar a maquinaria bioquímica para sobreviverem
naquele meio. É a altura em que as células são pequenas e a taxa de crescimento é praticamente nulo.

Fase exponencial: fase de crescimento máximo, em que as células exploram os nutrientes.

Fase estacionária: escassez nutritiva; não há aumento de células e o número de células mortas corresponde ao número
de células que crescem.

Fase de declínio/morte: toxicidade; há mais células a morrer do que a nascer na população.

Fatores que influenciam o crescimento

1) Temperatura

- Psicrófilos: Tót baixa;

- Mesófilos: Tót media;

- Termófilos: Tót elevada;

- Hipertermófilos: Tót muito elevada.

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2) Disponibilidade de oxigénio

- Aeróbios obrigatórios: proliferam nas condições atmosféricas normais de oxigénio. Dentro destes tem-se os
microaerófilos que proliferam em baixa quantidade de O;

- Anaeróbios obrigatórios: só proliferam na ausência de O2;

- Anaeróbios facultativos: proliferam com ou sem O2.

3) Concentração do ião sódio

- Não halófilo: baixa concentração de sódio;

- Halófilo moderado (organismo marinho);

- Halófilo extremo (Halobacterias).

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Nutrição

Nutrientes provêm do meio, sendo degradados por


neuraminidases para poderem ser utilizados pelas
células bacterianas.

O transporte dos nutrientes pela membrana é


realizado por proteínas específicas como as do sistema
Fosfotransferase (PTS). Alguns exemplos de proteínas
envolvidas são a glucose 6 P, maltose 6 P, trehalose 6
P, N acetilmuramico 6 P, arbutina, salicina e cellobiose
6 P, N acetilglucosamina 6 P e beta glucosides 6 P.

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Microbioma Humano

Corpo humano como Habitat

Pode concluir-se que a boca é o local com maior variedade e quantidade de microrganismos, sendo que predominam o
Staphylococcus e o Streptococcus.

Na pele predominam bactérias Gram negativas devido à


pressão osmótica e descamação, como é o caso da
Staphylococcus, Lactobacillus, etc.

O intestino é o único ambiente com E. Coli e, tal como o


trato respiratório superior está isento de fungos.

Apesar de estes locais estarem colonizados existem


órgãos e fluidos corporais normalmente estéreis, tais
como:

- Ouvido médio e interno;


- Olho interno;
- Medula vermelha;
- Músculos;
- Glândulas;
- Órgãos;
- Sistema circulatório;
- Cérebro e medula espinal;
- Ovários e testículos;
- Sangue;
- Fluido cefalorraquidiano;
- Saliva antes de ser lançada na cavidade oral;
- Urina nos rins e bexiga;
- Sémen antes de entrar na uretra.

Defesas antimicrobianas

Podem ser de dois tipos, sendo que a fagocitose e o


sistema complemento são exemplos de defesas usadas
nos mesmos tipos:

- Inatas: codificadas na linha germinal e são mais


imediatas e inespecíficas.

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Podem ser barreiras mecânicas e físicas (mucocutâneas), como a pele (queratinização, junções intercelulares,
descamação, sebo, baixa humidade) ou as mucosas, sendo estas mais suscetíveis, mas não indefesas, pois possuem
cílios, muco, pH e IgAs.
Existe também a lisozima, lactoferrina e antibióticos naturais de natureza proteica, como as histadinas, defensinas,
criptidinas, dermocidinas, catelecidina e hepcidina.
Defesas internas como a fagocitose e fatores solúveis (aglutininas, precipitinas, opsoninas).
Proteínas de fase aguda: proteína C reativa, fibrinogénio e alfa I-antitripsina.
Interferões.
Complemento.
Moléculas que reconhecem manose e outros hidratos de carbono microbianos.

-Específicas: resultam de rearranjos clonais em linfócitos e precisam de exposição prévia ao antigénio com tempo para
se “diferenciarem”.
São exemplos: linfócitos, produção de anticorpos e células citotóxicas.

Infeções da pele e feridas

Pele como habitat

A pele possui características como um pH de 5.5, uma temperatura que varia entre os 30 e os 37 graus e a existência de
nutrientes. Este órgão pode ainda ser definido como um habitat em dois sentidos: habitat superficial ou profundo.
Para alem disto a pele sofre ainda erosão, a típica descamação da camada superficial de células mortas, o que dificulta
a agregação dos microrganismos.

Os MO presentes na pele são essencialmente Gram + devido às condições mais difíceis de suportar que esta
proporciona, como a elevada pressão osmótica. Como as bactérias Gram + possuem maior quantidade de
peptidoglicano, ser-lhes-á mais fácil suportar esta pressão. Assim, estão presentes na pele os seguintes
microrganismos:

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- Staphylococcus
- Corynebacterium
- Propionibacterium
- Micrococcus
- Bacilos Gram –
- Malassesia.

1) Staphylococcus

Nariz, axilas, períneo e interdigital: S. aureus (35% fossas nasais, 20% períneo, 5-10% axilas e interdigitais)
Ouvidos: S. auricularis
Cabeça: S. capitis
Pés: S. Cohnii e xylosus
Cabeça e tórax: S. epiderdimis
Tórax: S. haemoiticus
Braços e pernas: S. hominis
Rosto: S. saccharolyticus

Os fatores de virulência do S. aureus passam pela produção de toxinas que causam danos na MC, choque
tóxico, exfoliação e emesis. Produz também fibrina e fibronectina, bem como danifica os tecidos. Por fim,
possui coagulases (S. epidermis, S. haemolyticus e S. hominis), leucotoxinas, leucocidinas, etc.

Quanto às infeções, estas classificam-se em:

- Localizadas: foliculite e furúnculos, infeções de feridas, impetigo e queilite angular.

- Sistémicas: intoxicação alimentar, síndrome de choque tóxico, pneumonia, artrites, osteomilite, endocardite
e infeções associadas a cateteres.

2) Corynebacterium

Estão presentes na pele as espécies C. minutissimum, C.


jeikeium, C. urealyticum e C. diphteriae.

3) Propionibacterium

Presentes a P. acnes e P. granulosum.

Causadora da acne.

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4) Streptococci

Provocam infeções mais “profundas” e são menos comuns no MI.

Strep. pyogenes
São causadoras de patologias como a celulite e a fascite necrótica. Esta ultima levando à gangrena e, por fim, à
toxémia e choque.

5) Brevibacterium

B. epidermidis e B. casei.
Encontradas, por exemplo, no queijo.

6) Bacilos Gram –

Acinetobacter, Pseudomonas aeruginosa, Proteus mirabilis e Enterobacteria.

7) Malassezia (dermatofito)/ candidíase

Causa dermatite seborreica.


Pitiriasis versicolor.
A pele fica irritada, inclusivamente a do couro cabeludo.

As doenças dermatológicas não são unicamente devidas a bactérias, mas também a vírus, como é o caso do herpes
simplex, varicela zooster e epstein-Barr, que são vírus com manifestações orais, causando ulceração da mucosa oral.

Infeções de feridas

Cerca de ¼ das infeções são nosocomiais, isto é, apanhados em ambiente hospitalar.


As feridas cirúrgicas podem ser classificadas em limpas, contaminadas e infetadas.
Quanto à origem do microrganismo infecioso esta pode ser interna (MI) ou externa (ambiente). As infeções são ainda
geralmente polimicrobianas, isto é, resultado da conjugação de mais do que um microrganismo. Assim sendo, podem
ser causadas por:

- Staph. Aureus e E. coli;


- Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella, Clostridia e Bacteroides.

Por ultimo, o local preferencial de infeção são as queimaduras dado que neste local a colonização é mais fácil. Também
neste caso as infeções são polimicrobianas, geralmente por:

- Streptococcus pyogenes;
- Pseudomonas aeruginosa;

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- Staphylococcus aureus.

Prevenção da infeção

Manter o protocolo de assepsia, ventilar o local, isolar os contaminados e profilaxia.

Sistema cardiovascular

Bacterémia/Septicémia/ Sépsis

É assintomática e transitória, causando febre, hipotensão e tremores, dado que ocorre uma multiplicação de
microrganismos na corrente sanguínea.
A resposta sistémica a esta proliferação anormal é mediada por citocinas.

Fatores de predisposição para Septicémia

-Sistema imune pouco competente, infeção por instrumentação ou cirurgia ou sépsis localizada.

Factor Agente

Sépsis Abdominal Enterobacteria


Bacteroides fragilis
Streptococcus fecalis
Feridas e queimaduras infectadas Staphylococcus aureus
Streptococcus pyogenes
Enterobacteria
Osteomilite Staphylococcus aureus
Pneumonias Streptococcus pneumoniae

Próteses intravasculares Staphylococcus aureus


Staphylococcus epiderdimis
Enterobacteria
Intoxicação alimentar Salmonella
Campylobacter

Meningite Streptococcus pneumoniae


Neisseria meningitidis
Haemophilus influenzae
Imunosupressão Enterobacteria
Staphylococcus aureus, etc

Infeções do coração

Aortite, miocardite, endocardite infeciosa e pericardite.


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Etiologia

Turbulência leva à agregação de plaquetas e fibrinas, que causam trombos. Os trombos são locais preferenciais de
agregação microbiana, formando-se êmbolos (massa intravascular que migra pela corrente, chegando a um local
distante do de origem) e dão-se os sintomas clínicos.

Fatores e predisposição

Doença reumática, válvulas cardíacas prostéticas, patologia cardíaca congénita como a alteração das válvulas, defeitos
do septo cardíaco, historia previa de endocardite, cirurgia cardíaca previa (by-pas coronário), transplantados ou
utilizadores de drogas por via intravenosa.

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Patologia reumática
Endocardite infeciosa

Características clínicas

Os sintomas da endocardite passam por:

- Infeção das válvulas;


- Embolização de órgãos;
- Bacteremia;
- Circulaão de fatores imunogénicos, levando a uma resposta inflamatória.
- Febre;
- Murmúrio cardíaco;
- Manifestações dérmicas (ptéquias);
- Aumento do baço (esplenomegália);
- Complicações sépticas, como a meningite e a pneumonia.

Microbiologia

Grupo Espécies OBS

streptococci Viridans Strep. oralis, S. sanguinis, S. 40-50% casos.


mitis, S. gordonii e S. parasanguis De onde são característicos?

Enterococci Enterococcus fecalis Após infecção genitourinária


Strep. bovis Após infecção gastrointestinal
[Link] Raro

Staphylococci Staph. aureus Frequente. Infecção rápida e letal.


Staph. Coagulase negativos Depois de cirurgia cardiaca
Válvulas prostéticas e UDI

Fungos Candida albicans Válvulas prostéticas e UDI

Outros Rickettsia burnetti Raro


Anaeróbios

Fatores de virulência dos MO associados

A virulência dos microrganismos causadores de endocardite infeciosa está a associada à sua capacidade de produção
de exopoisacarideo extracelular, como é o caso do dextrans, a capacidade de adesão à fibronectina e o estímulo de
agregação plaquetária.

Diagnóstico microbiológico

Procede-se à cultura, fazendo-se antibioterapia ou testes serológicos ou moleculares.


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Prevenção

- Manutenção da saúde oral;


- Profilaxia antimicrobiana quando: há válvulas prostéticas, defeitos congénitos não corrigidos ou quando a correção
foi feita há menos de 6 meses, em caso de transplantados cardíacos com patologia valvular ou quando há história
familiar de endocardite infeciosa.

Contudo, existem casos em que a profilaxia não deve ser realizada, sendo esses:
- Radiografia intraoral;
- Lesões, com sangramento, dos lábios e da mucosa oral;
- Colocação e manutenção de aparelhos prostéticos ou ortodônticos;
- Exfoliação de dentes decíduos;
- Anestesia por injeção em tecidos não infetados.

Próteses

Próteses internas, sejam elas intravasculares ou articulares requerem sempre cuidados adicionais e constituem risco
para EI;
São fatores de endotelizaçao, formação de coágulos e êmbolos que proporcionam adesão microbiana.

Sistema Locomotor

Este sistema possui macrófagos especializados nas membranas sinoviais das articulações, sendo que o
líquido sinovial possui algumas células mononucleadas, complemento e lisozimas. Possui ainda
vascularização da medula e córtex do osso, contendo as defesas associadas à corrente sanguínea.

Os principais agentes patogénicos deste sistema, de acordo com os constituntes, são:

- Espinal medula: Mycobacterium tuberculosis, Brucella spp., Cryptococcus spp.

- Osso: Staphylococcus aureus, Mycobacterium tuberculosis, Coliformes, Salmonella (Typhi), Brucella spp.

- Articulação: Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae, Mycobacterium tuberculosis, Neisseria meningitidis e N.


gonorrheae, Brucella spp., Treponema pallidum.

Quanto às principais infeções:

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1) Artrite sética aguda

Causada essencialmente por Mycobacterium tuberculosis, Salmonella spp. e Brucella spp., mas também por
Staphylococcus aureus, Hamephilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, Neisseria gonorrheae e anaeróbios não
formadores de esporos como os bacteroides.

Sinais clínicos: edema, dor e vermelhidão.

Origem: trauma da capsula articulas, inoculação hematogenica geralmente devida a septicemia,


extensão da osteomilite ou outro foco circundante, complicações da artrite reumatoide e infeção de
articulações protésicas.

Esta patologia ocorre mais frequentemente em crianças, sendo que as causas podem ser sepsis previa
da pele, nasofaringe, seios nasais, pulmões e trato genital. Em caso de rotese pode originar do
paciente ou equipa medica ou bloco operatório.

Diagnostico: obseraçao direta do biofilme e cultura do fluido aspirado, hemocultura, cultura do foco
primário suspeito ou testes serológicos a Salmonela e Brucella.
Tratamento: antibioterapia imediata baseada em antibiograma, podendo ser isquémica ou localizada.

2) Artrite reativa

Corresponde à artrite aguda que afeta uma ou mais articulações.


Causada por Chlamydia trachomatis, Salmonella, Shigella, Yersinia ou Campylobacter.
Patologia mediada por mecanismos imunológicos específicos.

3) Osteomilite

3.1.) Aguda

Mais comum em crianças de idade inferior a 10 anos, causada por Staph aureus, H influenzae, Strep
pyogenes, S pneumoniae, Salmonella, Brucella e anaeróbios não formadores de esporos.

3.2) Cronica

Mais comum em adultos, sendo causada por Staph. Aureus, Mycobacterium tuberculoris, Pseudomonas
aeruginosa, Salmonella, Brucella spp.

Patogenese: qualquer lesão sética e trauma exposto.

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4) Osteomilite e MD

Mais comum na mandibula, sendo facilitada por patologia óssea, irradiação e trauma em condições
debilitadas.

Sistema Nervoso

Caracteriza-se por ser estéril, sendo que raramente ocorrem infeções; contudo, quando acontecem são
geralmente fatais e caracterizadas pela sua compartimentalização, são separadas da corrente sanguínea, não
possui sistema imunitário intrínseco e constituem uma estrutura única e compacta.

Possui uma barreira hematocefálica constituída por endotélio frenestrado, epitélio do plexo coroide, uma
membrana basal e o líquido cefalorraquidiano. Este último possui poucos anticorpos e complemento,
apresentando-se estéril nas culturas bacteriológicas regulares. Quando ocorre infeção deste líquido este
pode levar à infeção da membrana pia-aracnóide.

1) Meningite

Origem bacteriana (Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae), viral (enterovirus)
ou fúngica.

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Os sinais clínicos são vários, de acordo com o microrganismo que a causa. Desta forma, podemos ter que:

- Neisseria meningitidis: afeta crianças e adolescentes, possuindo um inicio agudo (6-24h apos infeção) e causa
erupção cutânea. A taxa de mortalidade é de 7 a 10%, tendo uma baixa probabilidade de deixar sequelas no
hospedeiro.

Transmissão por contacto com partículas

Fatores de virulência: capsula, endotoxinas e protéases IgA

Diagnostico: cultura do liquido cefalorraquidiano, sangue, teste rápido de antigénios.

Prevenção: vacina conjugada, tetraciclina

- Hameophilus influenzae: crianças de idade inferior a 5anos, possuindo um inicio menos audo (1-2dias apos a
infeção) e uma taxa de mortalidade da ordem dos 5% e uma probabilidade de sequelas d 9%.

Transmissão: contacto com paticulas

Virulência: capsula

Diagnostico: cultura em agar chocolate

Prevenção: Vacina Hib

- Streptococcus pneumoniae: todas as idades, mas mais nas crianças de idade inferior a 2 anos e idosos. Nestes
últimos pode ter um inicio agudo, seguido de pneumonia e/ou septicemia. A taxa de mortalidade ronda os
20-30% e a probabilidade de sequelas é de 15 a 20.

Transmissão: contacto com partículas

Virulência: capsula, indução da apoptose, hemolisina e produção de peroxido de hidrogénio.

Diagnostico: cultura de liquido cefalorraquidiano

Prevenção: cozinhar comida, evitando produtos não pasteurizados.

1.1. Meningite neonatal

- Streptococcus agactiae: transmissão via vertical (durante o parto), possuindo a capsula como fator de
virulência. Para diagnostico coloca se em cultura de agar de sangue fluido genital da mãe ou faz-se uma
cultura do CFS (liquido cefalorraquidiano). A prevenção passa por tratar previamente a mãe.

- Escherichia Coli: transmissão vertical, não possuindo fatores de virulência. Diagnostico por cultura e não
existe prevenção.

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- Listeria monocytogenes: transmissão vertical, sendo que o fator de virulência seja o crescimento
intracelular. O diagnostico faz-se por testes rápidos como o enriquecimento frio. A prevenção passa por
cozinhar os alimentos, evitando-se os não pasteurizados.

2) Abcessos

Etiologia: Staph. Auerus e bacteroides, numa associação isquémica (sem O2)


Manifestações clínicas: dor de cabeça, sinais focais e espasmos, podendo não haver ocorrência de
febre. RM, TAC e cultura de FCE estéril estão na base do diagnostico.
O tratamento passa por apenas dregangem ou antibioterapia sistémica, dependendo da
encapsulação.

3) Encefalite

- Herpes simplex 1 ou 2: transmissão vertical ou reativação de infeção latente. Não possui fatores de
virulência e o diagnostico passa por PCR, Ab fests e crescimento de vírus em cultura de células.

- JC vírus: diagnóstico por cultura em PCR do FCE.

4) Infeções crónicas

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5) Outras infeções: poliomielite, raiva, tétano, botulismo, doença do sono.

5.1.) tétano

Clostridium tetani

Tetanotoxina: Espasmos musculares por inibição da libertação de um inibidor da transmissão do


impulso nervoso.
Transmissão: entra pela ferida, percorrendo o axónio ou corrente sanguínea por transporte
retrogrado.

Tetanolisina: hemolisina.

A contaminação é feita por esporos da bactéria existentes no solo, sendo que a prevenção passa por
vacinação e o tratamento por antídotos (infeção precoce) ou alívio dos sintomas (ventilação
artificial).

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Trato Urogenital

É estéril ao nível dos ureteres, rins e bexiga.

O trato genital feminino possui mais de 50 especies e um biofilme cobrindo o epitélio urogenital predominantemente
composto por lactobacilli.

Microbiotas associados: E. coli, enterobacterium fecalis, Staphylococcus saprophyticus e Streptococcus grupo beta hemolítico.

Os fatores de virulência passam pela adesão às células epiteliais e adesinas (hemolisinas, aerobactinas e antigénios
capsulares, todas pertencentes à E. coli), fimbrias (pap e adesina S), proteína T extracel, aerobactinas, adesinas DR,
genes guaA e argC (degradação da D-serina) e lipopolissacarídeo com domínio O4.

Lactobacilli: forma de bastonetes, Gram +, anaeróbios estritos/facultativos. Necessitam de muitos requisitos de


crescimento, sendo um deles um ambiente acídico (ácidos, biosurfactantes, peroxido de hidrogénio, bacteriocinas).

Infeções na mulher

1) Abcesso renal

Bacteroides spp e coliformes

2) Infeção do parênquima renal

Leptospira interrogans e mycobacterium tuberculosis

3) Pielonefrites

E coli, proteus, klebsiella, pseudomonas, strep fecalis, staph epidermidis.

4) Cistites
Infeção urinaria, tal como nas pielonefrites.

5) Infeções do colo uterino

Neisseria gonorrhoeae, treponema pallidu, herpes simplex, chlamydia spp.

6) Vaginite

Candida spp., trichomonas vaginalis.

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Infeções no homem

1) Infeções da uretra

Neisseria gonorrhoeae, chlamydia trochomatis, ureplasma urealyticum.

2) Balanite

Coliformes, streptococci, staphylococci, treponema pallidum.

Microrganismos das vias genitais: lactobacilli (fatores de aderência), staphylococci, streptococci e enterobacteria.

Candidiase vaginal

Causada por um fungo dimórfico: hifas, que são favorecidas por um pH elevado e temperatura acima dos 37ºC). Em
forma comensal existe em cerca de 20 a 25% dos indivíduos.

Relativamente à sua virulência leva a uma inoculação direta, baixas do Sistema Imune e possui outros fatores de
virulência. No hospedeiro a virulência é causada por questões endógenas (hormonais ou imunes) ou exógenas como a
antibioterapia.

O agente infecioso: antigénios, produção de hidrólases e resistência a antibióticos.

Quanto aos mecanismos de defesa estes são maioritariamente celulares.

Infeções sexualmente transmissíveis

- herpes: causada pelo vírus herpes simplex, resultando em lesões vesiculosas na zona genital.

- SIDA: causada pelo vírus HIV.

- Cancro do colo do útero: causada pelo vírus do Papilloma e resulta em lesões ulcerosas do cérvix ou assintomático.

- Inflamação pélvica: causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, resultando numa infeção da uretra e do cérvix.

- Gonorreia: causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, resultando em infeções da uretra com descargas purulentas.

- sífilis: causada pela Sífilis; possui 4 fases: ulceras genitais, ulcerais orais e da pele, necrose das ulceras orais e sífilis
cardíaca e neurológica.

- Vaginite: trichomonas vaginalis (protozoário flagelado).

- Micose vaginal: candida albicans.

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Sistema Respiratório

O sistema respiratório possui locais estéreis e localizados, tendo um microbioma com disseminação hematogénica.
Constitui uma porta de entrada a agentes patogénicos estritos como a Mycobacterium tuberculosum, o Strep. Pyogenes beta
ou o Pneumocystis carinii).

Para sua proteção possui fatores de defesa, sendo eles:

- Fatores mecânicos: sistema ciliar, glândulas mucosas e de goblet, broncoconstrição e tosse.


- Fatores químicos: lactoferrina e lisozimas.
- fatores imunológicos: IgA e sistemas de macrófagos específicos nos alvéolos.

Em medicina dentária os aerossóis são responsáveis pela adesão, crescimento e proliferação dos microrganismos.

Microbioma mais comum

Gram + Gram -

Strep. pyogenes Branhamella catarrhalis


Staph. aureus Haemophilus parainfluenzae
Staph. epiderdimis Haemophilus influenzae (sem capsula)
Propiniobacterium Haemophilus influenzae tipo B
Micrococcus

Agentes infeciosos mais comuns

1) Vírus

Reinovirus, adenovírus, parainfluenza, influenza, coxsackie A e outros enterovirus, EBV, HSVI e II.

2) Bactérias

Strep. Pyogenes, Corynebacterium diphterae, Haemophilus influenzae e Mycobacterium tuberculosis.

3) Fungos

Hitoplasma capsulatum, Blastomyces dermatiditis, Cryptococus neoformans e Aspergilosis.

Mecanismos de virulência mais comuns


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Polissacarídeos capsulares, protéases IgA I, pneumolisinas (hemoisina que atua no tecido pulmonar e é especifica de
Streptococci), fímbrias e LPS.

As alterações no microbioma normal do sistema respiratório podem alterar-se devido a diferentes fatores como a idade
do hospedeiro, a barreira mucosa e o sistema imunitário (IgA e fagocitose), alterando os fatores normais de defesa.
Neste caso é necessária antibioterapia prolongada.

Colonização de zonas estéreis

A aspiração de secreções pode levar ao desenvolvimento de uma infeção localizada capaz de destruir os tecidos. O
passo seguinte será a disseminação hematogénica, podendo atingir o sistema imunitário e o baço.

Infeções mais prevalentes

1) Infeções das vias aéreas superiores

Possuem uma alta morbilidade e origem virusal, podendo ter implicações sistémicas.

- Faringites: essencialmente virusal;

- Faringites bacterianas: Strep. Pyogenes. Pode progredir para amigdalite;

- Febre reumática: resulta da faringite bacteriana e tem efeito no tecido cardíaco;

- Glomeronefrite aguda: origem na faringite bacteriana e tem efeito no tecido renal;

- Constipação comum: essencialmente virusal, podendo levar a infeção bacteriana;

- Angina pseudomembranosa, branca ou Difteria: Corynobacterium diphteriae que liberta uma exotoxina cardio
ou neurotóxica;

- Angina de Vincent: fusobacteria e espiroquetas, depende da higiene oral e estado nutritivo. Causa gengivite
ulcerativa e necrosante.

2) Seios nasais e ouvido médio

Este tipo de infeção pode ser aguda ou até mesmo crónica, normalmente devida a flora indígena oportunista.

- Otites: agudas (secundarias, apos constipação e causadas por Hemophilus influenzae, Strep. Pneumoniae e S.
pyogenes) ou crónicas (caracterizada por descargas purulentas que podem ser recorrentes);

- Sinusites: agudas (secundaria apos constipação, Hemophilus influenzae, Strep. Pneumoniae e S. pyogenes) ou cronicas
(devido à “ajuda” das Staph. Aureus e Bacteroides, estando associadas a sintomas severos e persistentes, incluindo
cefaleias e dores de dentes).

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3) Traqueia e brônquios

Comuns apos infeções de origem virusal e infeçoes associadas a secreções mucosas.

- Bronquites: resultam de complicações da infeção das vias aéreas superiores devido a Hemophilus influenzae,
Strep. Pneumoniae, Branhamella catarrhalis e Mycoplasma pneumoniae, podendo ser agravadas por fatores do
hospedeiro;

- Fibrose quística: defeito congénito da produção de muco, devido a Staphylococcus aureus, Strep. Pneumoniae e
Pseudomonas aeruginosa, essencialmente esta última;

- Tosse convulsa: baixa mortalidade, mas potencial morbilidade. Contudo, existe vacina para o antigénio da
bactéria que a causa que é a Bordetella pertussis.

4) Pulmões

Infeções muito graves com potencial mortalidade.

- Pneumonia: pode classificar-se em lobular, broncopneumonia ou atípica.

Lobular: só um dos pulmões é afetado, sendo que o agente infecioso tem origem externa e é o
pneumococcus. Contudo, Haemophilus influenzae e Staph. Aureus podem estar implicados. O que acontece é que as
bactérias competem com as células pulmonares por nutrientes. Ocorre a produção de pneumolisinas, sendo
ainda resistentes à fagocitose devido às suas capsulas.

Broncopneumonia: semelhante à lobular.

Atípica: causada por Mycoplasma e vírus.

- Doença de legionário: sintomas respiratórios, bem como confusão, falhas renais e gastroenterite. É causada
por Legionella pneumophila e outras legionellas, sendo o microrganismo disseminado por águas estagnadas;
- Tuberculose: causada pela Mycobacterium tuberculosis, apresenta uma multirresistência a antibióticos e causa
imunossupressão.

Os microrganismos

Streptococcus pneumoniae

5-10% em adultos e 20-40% em crianças.


Possui várias estirpes diferentes.
Indivíduos mais suscetíveis a infeção em determinada estação do ano, quando as infeções virais são mais recorrentes,
danificando o epitélio das vias aéreas superiores.
A prevenção passa pela vacinação.

Características: pneumococcus, catálase -, gemólise alfa, 90 serótipos e polissacáridos C (tecoico) e F (lipotecoico).

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Fatores de virulência: cápsula e fagocitose, adsao, IgA I ase, hialouridase, neuroaminase, inflamação e resistência a
fagocitose.

Haemophilus influenzae

Bactéria Gram -, pleimorfico, com Fe e estirpes encapsuladas de a a f, sendo que 50 a 80% não são encapsulados e 3 a
5% são-no.

Fatores de virulência: capsula, HMW I e II, fímbrias, alterações fenotípicas e antigénicas, LPS, protéase IgA I, camada
epitelial fica debilitada.

A infeção é facilitada pela entrada a partir do trato respiratório ou infeção viral antecedente.
Contudo, o sistema imunitário é eficaz por anticorpos e baço e a prevenção passa pela vacinação por Hib.

Neisseria meningites

Corresponde a um diplococo Gram – aeróbio (5 a 8% CO2). Testes em agar de sangue e chocolate, TSA, M-H.
Produz autolisinas.

Fatores de virulência: cápsula (13 serotipos sendo 8 patogénicos, tendo a maioria da população serotipos sem cápsula;
contudo, podem ter serotipos com capsula e estes serem assintomáticos), LPS e LOS com variação antigénica,
adesinas fimbrilares, Opa (adesão ao epitélio), protéases de IgA I.

Causa meningite, sendo rápida e fulminante, no fim do inverno e inicio da primavera. É endémica até aos 5 anos e
epidémica dos 5 aos 19.

Esta bactéria na mucosa não causa problemas.


Produz uma endotoxina que causa extravasamento capilar e coagulopatia intravascular.
É pouco resistente à ação de antibióticos e um diagnostico precoce é extremamente importante para prevenir com
vacina (A, C , Y e W-135), sendo importante fazê-lo em pacientes sem baço ou com um SI deficitário.
O tratamento é realizado com penicilina IV

Vírus

Estrutura

RNA ou DNA, dependendo do tipo de vírus.


Proteínas: constituem a cápside viral que protege o genoma viral de agentes físicos, químicos e enzimas e
possui os determinantes de ligação aos recetores celulares, permitindo a entrada do vírus no hospedeiro. Pode
ainda desempenhar funções importantes ao nível da replicação. Um vírus com o genoma e capside proteica
chama-se virião.

Involucro viral: bicamada de natureza fosfolipídica com origem membranar no hospedeiro. Os vírus sem este
involucro designam se vírus nus.

Nucleocapside: natureza ácido nucleico-proteina, sendo protegida pela capside.

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Morfologia

Dimensões variáveis na ordem dos 20-400nm. Contudo, existem vírus de dimensões semelhantes a pequenas
bactérias.
Podem apresentar uma morfologia filiforme, mais ou menos longos, mais ou menos flexíveis, com forma
esférica ou outros mais complexos, combinando características morfológicas de formas elementares.

Comparativamente aos restantes os vírus nus possuem uma estrutura mais rígida que os vírus com involucro,
cujos podem apresentar morfologia variável (pleomorfismo).

Relativamente à simetria: helicoidal (vertical, associados estreitamente ao genoma viral, que adota uma forma
helicoidal) ou icosaédrica.

Classificação de Baltimore

Grupo I

Genoma constituído por uma cadeia de DNA dupla, sendo ela linear ou circular.
Ex.: bacteriófagos com cauda, vírus herpes, papilomavirus, adenovírus e poxvirus.
Replicam-se na célula hospedeira, utilizando essencialmente enzimas codificadas pel genoma do hospedeiro
ou por enzimas virais. Contudo, é comum a síntese de componentes estruturais dos viriões dá-se sempre dado
que se replica o DNA viral.

Grupo II

DNA de cadeia simples.


Ex.: Bacteriofagos, parvovírus e anelovirus.
Utilizam DNA de cadeia dupla através da ação combinada de proteínas virais e celulares como base da
transcrição do mRNA e replicação do genoma.

Grupo III

RNA de cadeia dupla simples positivo.


Ex.: citovírus (infetam bactérias) e reovírus (infetam animais, plantas e fungos).
Estes replicam no citoplasma das células hospedeiras. Assim, moléculas de RNA +, produzidas por RNA
polimerases dependentes do RNA viral servem de matrizes para a tradução do mRNA e replicação dos
genomas virais, decorrendo no interior de pro-capsides.

Grupo IV

RNA de polaridade positiva.


Picornavírus, flavivírus ou coronavírus.

Grupo V

RNA de polaridade negativa.


Filovírus, paramixovírus, ortomixovírus e rabdovírus.

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Grupo VI

Genoma dimérico, RNA polaridade positiva.


Retrovírus.

Grupo VII

Moléculas de DNA parcialmente em cadeia dupla.


Hepadnavírus e caulimovírus.

Vírus de DNA

- Papovírus: vírus do papiloma (transformantes-benignos e malignos) e vírus do polioma (utilizado para


provocar carcinogénese em modelos animais).

- Adenovírus: provoca infeções respiratórias e oculares.

- Herpes vírus: são os principais responsáveis pelas infeções orais, causando infeção latente e é normalmente
associada à infeção de nervos.

- Poxvírus: lesões da pele.

- Parvovírus: pequenos vírus ecosaedricos.

- Hepadenovírus: responsáveis pela infeção e cancro do fígado, resultando em hepatites.

Vírus de RNA

- Picorna: pequenas dimensões, incluindo enterovírus existentes no intestino de forma assintomática.

- Ortomixo: estão incluídos os Influenza (causadores das gripes), os H (hemaglutininas), N (neuraminidases),


H5NI e HINI.

- Paramixo: RSV: epidemiologias invernais de bronquite/pneumonia.

- Corona: constipações e gripes.

- Retrovírus: lentivírus (HIV) e oncovírus (HTLV-I)

- Outros: togavírus, arenavírus, rhabdovírus e filovírus.

Fases da infeção da célula eucariota

1- Iniciação: absorção, penetração (endocitose, translocação e fusão) e descapsidação do vírus.


2- Replicação: replica-se o genoma viral, expressando-se.

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3- Montagem e extrusão.

Patologias associadas

1) Hepatite

Ocorre inflamação e necrose do tecido hepático por variadas causas, sendo a infeção a causa mais comum.
Os sintomas incluem mau estar geral, fadiga, icterícia, escurecimento da urina e fezes gordurosas e
descoradas.

Transmissão: variada, tal como os sintomas e sequelas.

1.1) Hepatite A

Causada pelo picrona vírus, não havendo grande risco associado à pratica da medicina dentária, pois
vírus existe em poucas quantidades na saliva, raramente se transmite por picada de agulha e tomadas as
normas de controlo normais não há espaço para erros.

1.2) Hepatite B

Causada pelo hepadnovirus, sendo que pode resultar em três respostas:

- resposta imunitária fraca


Adequada: hepatite aguda sub aguda com recuperação a 96%
Desadquada: passa a cronica, ocorrendo dano hepático (cirrose), hepatocarcionoma celular e por fim a
morte.

- resposta imunitária nula


Resulta em hepatite cronica e persistente, porem o portador é saudável.

- resposta forte
Hepatite aguda clinica, passado a fulminante e morte.

No caso da hepatite B viral esta constitui um maior risco em medicina dentaria, mais precisamente para
cirurgiões orais e periodontologistas (sulco gengival e saliva).
É, assim, importante a vacinação e o controlo da infeção cruzada, sendo estas medidas suficientes.

1.3) Hepatite C

Infeções cronicas persistentes, causando danos em cerca de 70% dos indivíduos infetados.
Manifestações orais: Lichen planus, cancro oral e patologias de glândulas salivares.
A possibilidade de infeção por picada é baixa, ronda os 3-10%.

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1.4) Hepatite D

Associada à B, pois partilha o mesmo envelope viral (co-infeçao com HBV ou super infeção a HBV).
Em poucos casos esta a associada à transmissão em consultório.

1.5) Hepatite E

Transmissão por água contaminada por fezes, apresentando um padrão infecioso semelhante ao da
hepatite A.

1.6) Hepatite G (não A-E)

Não parece induzir uma resposta imune forte nem há dados de transmissão.
Não esta confirmada a existência de uma hepatite F.

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HIV - Vírus da Imunodeficiência Humana

Constitui um retrovírus que pode afetar o sistema imunitário (lentivírus :HIV-1 e HIV-2), causar cancro
(oncovírus :HTLV-I e HTLV-II) ou ser spumavírus.

Para infetar as células cujo genoma seja DNA, ele necessita de uma maquinaria capaz de, através do seu
genoma (RNA) criar DNA, de modo a ser compatível. Assim, este vírus possui: transcriptases reversas que
criam DNA a partir de RNA, cápside P24 altamente antigénica e matriz P27 (proteção), no seu interior.
Exteriormente é formado por gp120 (proteínas de acoplamento), gp41 (glicoproteínas transmembranares)
e uma membrana lipídica proveniente do hospedeiro.

Replicação

As glicoproteínas de acoplamento (GP120) ligam-se aos


recetores CD4 dos linfócitos T-helper, havendo
transcrição reversa, em que o RNA viral é
“transformado” em DNA e é posteriormente integrado
no DNA do hospedeiro, migrando para o núcleo. Desta
forma, o DNA viral é replicado como sendo próprio. O
genoma viral replicado é então usado para a formação
de proteínas virais e integrado numa vesicula exocítica
posteriormente “expulsa” da célula hospedeira,
formando-se, desta forma, um HIV imaturo. Quando o
vírus se liberta no espaço extracelular este sofre
maturação pela libertação de proteínas virais pelas
protéases.

Estabilidade do vírus

O vírus mantem-se ativo a uma temperatura de 37ºC durante


aproximadamente 15 dias.
Para o inativar basta colocar material infetado em lixivia durante 30s.

Transmissão

O vírus pode ser transmitido por:


- sangue infetado;
- fluidos corporais como o sémen ou o leite materno;

Contudo, este geralmente não é transmitido pela saliva dado que esta não é infeciosa, pois:

- não existe vírus dado que não há células, logo não há hospedeiro para infetar (<1partícula viral por ml),
IgA (p24, gp120, gp160) e porque a saliva possui mucinas e inibidores proteicos.
- se o vírus estiver 30min em saliva perde a virulência. Assim, se o HIV contactar por 30min com a mucosa
oral não causa infeção, o mesmo não acontecendo com o contacto com a mucosa vaginal.

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Complicações associadas

O HIV leva a uma supressão do sistema imunitário, deixando espaço livre para:

1) Infeções oportunistas
Pneumonia, toxoplasmose cerebral, meningite, encefalite, doenças mucocutâneas (candidíase,
infeções por HSV,…) e doenças gastrointestinais (Giardia, Cryptosporidia e Microsporidia).

2) Neoplasias
Sarcoma de Kaposi, Linfomas e Leucemias.

3) Outras
Encefalopatia, Lúpus e Dermatite seborreica.

Estágios de infeção

Infeção primária: grande número de linfócitos TCD4+ com pequeno número de cópias de vírus HIV.

Síndrome agudo de HIV: aumento bastante considerável o numero de copias de HIV, com dimimuiçao
acentuada do numero de linfócitos TCD4+.

Latência clínica: o numero de linfócitos aumenta um pouco e o de copias de HIV diminui, mas rapidamente o
oposto acontece. Aqui o estado do paciente começa a ser crítico, começam a dar-se os primeiros sintomas (fase
sintomática), as doenças oportunistas aparecem e, se o processo não for atenuado, dá-se a morte, quando o numero de
linfócitos chega perto do 0 e o numero de vírus é enorme.

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Manifestações orofaciais de infeção

1) Fúngicas
Candidíase oral, eritema gengival linear e queilite angular.

2) Infeções virais
Leukoplakia, sarcoma de Kaposi, infeções herpéticas e Papillomas.

3) Infeções bacterianas
Gengivite e periodontite.

4) Linfadenopatias e linfomas.

Diagnóstico laboratorial

Faz-se o diagnostico serológico pelo teste de Elisa (2% falsos positivos e negativos), sendo que o positivo é feito mais
que uma vez em duplicado.

Posteriormente faz-se a confirmação de ELISA por Western Blot, isolamento do vírus e deteção dos ácidos nucleicos
virais ou antigenes.

Tratamento

1) Inibidores da transcriptase reversa


Análogos de nucleósidos (AZT) e inibidores não análogos (Nevirapine).

2) Inibidores de protéases (essencialmente TR, mas também integrase)


Saquinavir, ritonavr ou indinavir.

3) HAART (Highly Active AntiRetroviral Therapy)


Mistura de vários inibidores.

4) Profilaxia de infeções

Prevenção

Programas de educação.
Em clínica dentaria o risco de transmissão é de apenas 0.4%.

Indivíduos imunodeprimidos

É necessário um cuidado especial com estes pacientes em termos de procedimentos e terapêutica.


A imunodeficiência pode ser classificada em dois tipos:

- Primária: constitutiva, podendo ser herdada ou desenvolvida.

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- Secundária: causas medicamentosas, neoplasias (radioterapia), infeciosas, deficiências nutritivas, doenças auto-
imunes ou diabetes.

Para além disso pode provir de dois ambientes:

- Endógenos: candidíase;

- Exógenos: do ambiente, incluindo o nosocomial. Aqui terão de ser verificados a duração da imunossupressão, a
antibioterapia atual e anterior e a higiene oral.

Relativamente à prevenção, terá de existir uma vigilância constante, uso d antibioterapia e isolamento.
No que toca ao tratamento, terá de ser gerido de duas formas:

- Gestão pré tratamento: antes da radio ou quimio será necessária a remoção dos dentes não restauráveis e passiveis de
vir a provocar infeção e ainda será necessário reforçar a educação para a higiene oral.

- Gestão durante o tratamento: necessário incluir um médico na equipa que acompanha o paciente.

Ex.: Xerostomia – poderá ser causada pela idade, terapêutica, radioterapia ou síndrome de Sjorgren, causando cáries
dentárias, periodontite, candidíase, infeções das glândulas salivares e facilita a infeção por Staph. Aureus.

Diagnóstico microbioloógico

O diagnóstico microbiológico é um modo de saber se determinado microrganismo está ou não presente num
indivíduo.
Assim sendo, é necessário um pedido de exame, seguido da colheita de um fluido do individuo que requer o exame.
Dá-se o transporte da amostra até ao laboratório onde o exame é efetuado e o resultado é apresentado. Interpreta-se o
exame, faz-se o diagnostico e a terapia e segue-se novamente ao paciente.

O resultado pode ser ambíguo, isto é, existe a necessidade de saber que tipo de resultado se terá, dado que a
sensibilidade e a especificidade de resultados varia.
Assim, temos que o resultado pode ser positivo para a presença do microrganismo (V+), mas também verdadeiro para
a ausência do microrganismo (V-) e temos que o resultado pode ser falso para a presença do microrganismo (F-) e
falso para a ausência do microrganismo (F+).

Os métodos de diagnóstico podem ser designados por “métodos genotípicos diretos” em que a amostra é analisada
sem se fazer a cultura antes.
De um modo geral, os métodos genotípicos baseiam-se em sondas moleculares (cadeias únicas de ácidos nucleicos
com o qual se podem hibridizar). Um exemplo de uma aplicação é usar estas sondas moleculares que hibridizem com
genoma bacteriano, de forma a ficarmos “ligados” a essa bactéria.

Controlo positivo: muitas cópias de DNA, concluindo-se que o primer de DNA está bom.
Controlo negativo: tudo do PCR, menos o DNA.

Categorias

Métodos não baseados em cultura

1) Observação direta

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- Utilização do microscópio ótico (visualização de bactérias, parasitas e fungos) ou do microscópio eletrónico


(visualização de vírus).
- Dá para quantificar os microrganismos e determinar a sua forma e estado de agregação, bem como as
alterações em células infetadas por vírus ou magnitude da resposta inflamatória pela presença de leucócitos
no esfregaço.

Esta observação direta pode ser por:

1.1) Colorações
Determinadas substancias/ microrganismos têm afinidade com colorações, sendo que quando aplicada a
coloração eles obtêm a cor.

1.2) Microscopia eletrónica


Permite visualizar microrganismos de dimensões reduzidas como é o caso dos vírus.

1.3) Imunocitoquímica
Permite detetar antigénios específicos de dado antigénio. Pode ser por três tipos:

- Reação de aglutinação: utiliza partículas de bactérias, eritrócitos ou latex revestidas com anticorpo
específico para aquele antigénio, sendo utilizadas para detetar antigénios solúveis.

-Imunoensaios enzimáticos: aqui os anticorpos revestem uma fase sólida. Para deteção dos antigénios são
usadas substancias como antiglobulinas marcada por um isótopo (RIA) ou por uma enzima (EIA). Por
fim, e como é o caso da deteção do HVB, utilizam-se anticorpos marcados com uma enzima e revelados
por uma reação colorimétrica (ELISA).

- Imunofluorescência: utilizam-se anticorpos específicos conjugados com um composto fluorescente,


diretamente colocado no esfregaço a analisar. Depois de um período de incubação de forma a dar-se a
reação anticorpo/antigénio e posterior lavagem, o esfregaço é levado a um microscópio de fluorescência
onde é analisado. Esta técnica é utilizada na deteção de Chlamydia trachomatis.

Métodos baseados em cultura

Os meios de cultura têm como função proporcionar o ambiente e os nutrientes necessários à proliferação de
determinado microrganismo, dado que pode ser simples (urina, liquido cefalorraquidiano e sangue) ou a amostra terá
de ser previamente tratada e só depois colocada em meio de cultura especial.

No caso dos fungos, bactérias e alguns parasitas existem meios de cultura adequados à sua proliferação; no entanto,
no caso dos vírus e alguns parasitas intracelulares obrigatórios será necessária a utilização de células.

Relativamente ao tempo de incubação este varia consoante o microrganismo, porém ronda as 18 a 24h para os MO de
crescimento rápido como é o caso da E. Coli ou tempo mais prolongado para MO de crescimento como é o caso da M.
tuberculosis (3 a 8 semanas) ou anaeróbios estritos (48 a 96h).

O meio de cultura é depois incubado a uma temperatura e quantidade de oxigénio perfeitos ao desenvolvimento dos
MO.

Os testes para saber se o MO está ou não presente são realizados através de reações entre o MO e o meio de cultura,
como é o caso do teste ao Streptococcus beta hemolítico.
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Apos a cultura segue-se a identificação e a tipagem (serotipagem, biotipagem, tipagem de fagos, tipagem de
bacteriocinas, MEE, PFGE, RFLP, Ribotyping).

Resposta Imunitária

Procura-se determinado antigénio pela utilização de anticorpos, marcando-se o anticorpo com fluorescência de forma
a ser possível visualizar a ligação.

1) Método de aglutinação

União entre os complexos anticorpo/antigénio, permitindo quantificar o numero de anticorpo/antigénio


presentes.

2) Teste do complemento

Recolhe-se o soro do paciente e procura-se o anticorpo contra o microrganismo.


Se o anticorpo estiver presente, este ligou-se e bloqueou o antigénio. Se não estiver presente os antigénios
ficam na amostra.
Por fim, junta-se complemento. Se o antigénio estiver presente o complemento ativa-se. Se já tiver sido
bloqueado por anticorpos não ocorre ligação.

3) Anticorpos fluorescentes

Corresponde a um método direto, contudo, acaba por ser fenotípico, dado que analisa o fenótipo da bactéria
quanto aos antigénios que ela produz.
Neste teste usa-se 1 anticorpo.

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4) ELISA

Usam-se antigénios e anticorpos “presos” a uma


superfície.
Junta-se a amostra com antigénio de modo a saber se
o tubo possui o anticorpo que se quer. Se ele estiver
presente ligar-se-á aos antigénios da parede do tubo.

5) ELISA sandwich

Aqui fixo no substrato está o anticorpo,


pelo que um segundo anticorpo é utilizado
como marcador fluorescente, para que a
ligação seja visível.
São, desta forma, utilizados dois
anticorpos, em que um serve de local de
ligação para o antigénio e o outro dá a cor.

Um aspeto desfavorável dos testes imunológicos é a quantidade de tempo de que necessita.

Deteção de moléculas

PCR

Técnicas de método direto cada vez mais utilizadas, pois, muito embora sejam mais caras, o resultado é obtido mais
rapidamente e consegue-se detetar microrganismos particularmente difíceis de detetar em cultura ou cujo ambiente
de cultura não e praticável.

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Depois de extraído o genoma dá-se a sua ampliação por hibridização, de forma a que a mais pequena sequência possa
ser analisada.

Funções: deteção e identificação direta de microrganismos, deteção e caracterização de genes que codificam fatores de
resistência, dterminaçao da presença de genes responsáveis pela resistência antimicrobiana e subipagem dos
microrganismos para estudos epidemiológicos.

A deteção é feita por sondas moleculares (possuem locais de ligação às sequencias especificas que se tenta encontrar)
e FISH.

1) Real Time

Primers com fluorescência associada, permitindo fazer a contagem das copias existentes, podendo fazer-se
uma estimativa de quantas moléculas se ligaram ao primer.

2) Reverse transcription

Neste tipo de PCR o molde é RNA, usando-se uma transcriptase reversa de modo a se obter DNA.

3) Multiplex PCR

Adicionam-se mais genes, sendo maior o poder discriminatório e podendo dizer-se qual a espécie.
Tem-se, desta forma, vários pares de primers, aumentando-se a necessidade de controlo.
Permite a deteção de vários microrganismos numa só reação PCR.

4) Nested PCR

As moléculas mais abundantes são mais fáceis de hibridizar.

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Aqui têm-se genes bacterianos no meio de genes eucariotas e dois primers: um mais genérico e outro mais
específico.
O produto obtido numa reação PCR é submetido a outra, havendo maior probabilidade de contaminação.

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