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Classificação das Disfonias: Tipos e Causas

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DISFONIA

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 1


1. CLASSIFICAÇÃO DAS DISFONIAS

Vários critérios podem ser usados na classificação das disfonias, que envolve muito
mais do que uma lista de distúrbios, parâmetros ou alterações

1.1 Classificação pelo tempo do sintoma:


Podem ser classificadas em agudas ou crônicas
Estipula-se o o limite de 15 dias para o marco entre as duas
As disfonias por processo inflamatório como laringite, gripe e resfriado não
ultrapassam 15 dias geralmente
Caso os sintomas ultrapassem 15 dias, considera-se a disfonia como crônica

1.2 Classificação pela Dicotomia Orgânica e Funcional


Divide as disfonias em orgânicas ou funcionais
1.2.1 Disfonias orgânicas:
o Independem do uso da voz
o Engloba as disfonias neuológicas, endócrinas, congênitas, traumáticas,
inflamatórias e infecciosas, por neoplasia, por refluxo gastroesofágico
1.2.2 Disfonias funcionais:
o A disfonia é resultado apenas do mau uso ou abuso vocal

1.3 Classificação pelo Achado da Avaliação Clínica


É a classificação mais complexa e necessita de avaliação detalhada e esta dividida em 3
grupos:
1.3.1 Anormalidades estruturais
o A laringe é vulnerável ao estresse físico
o Há produção de reações teciduais (nódulos, úlcera...)
o As alterações podem ser consequência direto do uso inadequado da voz
o Podem ocorrer por traumatismos físicos (granuloma por intubação...)
1.3.2 Distúrbios do movimento
o As estruturas parecem normais, mas seus movimentos são afetados
o São disartrias associadas com lesões do SNC: cerebelar, paralisias uni ou
bilaterais do nervo laríngeo superior e/ou inferior
1.3.3 Ausência de impedimentos orgânicos ou funcionais

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 2


o Não se encontram alterações estruturais ao exame
o Nesta categoria estão as disfonias:
o Funcionais
o Psicogênicas
o Histéricas
o Do deficiente auditivo

1.4 Classificação pela Cinesiologia Laríngea


Classifica as disfonias de acordo com a existência de hipo ou hiperfunção vocal
Hipercinesia:
o Esforço vocal
o Movimentos laríngeos ineficiente
Hipocinesia
o Insuficiência muscular
o Movimentos laríngeos excessivos

1.5 Classificação Etiológica das Desordens vocais


Baseia-se nas identificações dos fatores causais das disfonias. Vários autores fizeram
classificações baseadas na etiologia, a mais usual no Brasil é a Classificação de
Behlau e Pontes (1990 e 1995)

Classificação de Behlau e Pontes (1990 e 1995)


A disfonia é apenas um sintoma presente em diferentes distúrbios. Classificam a
disfonia em 3 grandes categorias etiológicas

1.5.1 DISFONIAS FUNCIONAIS


São desordens do comportamento vocal que podem ter como mecanismo causal 3
fatores:
o Uso incorreto da voz
o Inadaptações vocais
o Alterações psicogênicas
São por excelência o campo de domínio do fonoaudiólogo. A reabilitação do paciente
depende diretamente do trabalho vocal realizado
[Link] Disfonias funcionais primárias por uso incorreto da voz

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o São casos funcionais puros
o Contece por:
o Falta de conhecimento vocal
o Modelo vocal deficiente
#Uso incorreto por falta de conhecimento vocal: Indivíduo sem noções básicas sobre a voz
e as possibilidades do aparelho fonador, realizando ajustes motores impróprios durante a
utilizacao da voz. Conhecimentos simples para nós não são para as pessoas, como:
Inspirar antes de falar
Articular corretamente e com a boca bem aberta
Não competir com ruído de fundo
Usar roupas confortáveis – pescoço e tórax
O uso incorreto traduz desvios simples do processo básico de produção natural da voz . Os
principais desvios do uso incorreto da voz são:
Em nível respiratório
o Inspiração insuficiente
o Início de emissão após expiração
Em nível glótico
o Compressão glótica excessiva ou insuficiente
Em nível ressonantal
o Uso excessivo ou ineficiente dos ressonadores

#Uso incorreto da voz por modelo vocal deficiente: Sao realizadas modificação dos ajustes
laríngeos na tentativa de aproximar a voz de um modelo (Ex: imitadores de vozes). Esse
processo nem sempre é consciente, pode até ser parte de um distúrbio psicológico por
dificuldade de aceitação pessoal

[Link] Disfonias por inadaptações vocais: Também designadas como disfonias


funcionais secundárias por não representarem quadros funcionais puros.
Dividida em 2 grupos: Inadaptações anatômicas e Inadaptações funcionais

Inadaptações anatômicas: Podem ser classificadas em 4 grupos:


o Assimetrias laríngeas
o Inadaptações laríngeas
o Desvios nas proporções glóticas

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o Alterações estruturais mínimas (AEM) das pregas vocais (PPVV)
Inadaptações funcionais: Podem decorrer de problemas de incoordenação
pneumofônica, fonodeglutitória; alterações miodinâmicas, respiratórias,
ressonantais, ou laríngeas: que sao mais comuns (fenda glótica, uso da prega
vestibular durante a fonação)

[Link] Disfonias funcionais por alterações psicogênicas: Alterações vocais estão


relacionadas às dificuldades dos pacientes. Relacionada a emoção na voz,
influenciando-a de forma negativa. Pode ser dividida em: Disfonias psicogênicas
com formas clínicas definidas, Síndrome da tensão músculo esquelética e
Disfonia espasmódica e Disfonias da muda vocal.

1.5.2 DISFONIAS ORGANOFUNCIONAIS: Disfonia de base funcional com lesões


secundárias. Representa uma etapa posterior da disfonia functional. São
consideradas lesões organofuncionais:
o Nódulos
o Pólipos
o Edema de Reinke
o Úlceras de contato
o Granulomas
o Leucoplasias de prega vocal (PV)

1.5.3 DISFONIAS ORGÂNICAS: Independem do uso da voz. Podem ser divididas em:
o Disfonias orgânicas por alterações com origem nos órgãos da comunicação
o Disfonias orgânicas por alterações com origem em outros órgãos e
aparelhos
[Link] Disfonias orgânicas por alterações com origem nos órgãos da comunicação
o Congênitas: malformações laríngeas
o Traumáticas: por arma branca ou arma de fogo
o Inflamatórias: não infecciosas e infecciosas
o Neoplásicas: tumores benignos ou malignos
o Problemas auditivos
[Link] Disfonias orgânicas por alterações em outros órgãos ou aparelhos
o Endócrinas

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o Por síndromes
o Desordens neurológicas
o Doenças renais
o Doenças auto-imunes
o Por refluxo gastroesofágico

2. DISFONIAS FUNCIONAIS

Possuem 3 diferentes mecanismos causais:


Interferência do comportamento vocal
Desvios embriogenéticos favorecedores de uma desordem comportamental
Desvios funcionais com simbolismo psicológico na comunicação
Podem, então, ser classificadas em 3 grandes categorias:
Disfonias funcionais primárias: disparadas pelo uso incorreto da voz
Disfonias funcionais secundárias: favorecidas por inadaptações vocais
Disfonias funcionais psicogênicas: instaladas por fatores relacionados ao simbolismo
vocal

2.1 DISFONIAS FUNCIONAIS PRIMÁRIAS POR USO INCORRETO DA VOZ:


Caracterizadas como uma disfunção vocal propriamente dita e causadas por
uso incorreto da voz, seja por falta de conhecimento vocal ou por modelo
vocal deficiente. A qualidade vocal pode ser alterada em grau variável e há
flutuações dos sinais e sintomas vocais. A resposta à reabilitação vocal é
geralmente rápida e boa e o paciente deve se conscientizar da necessidade de
adequar o comportamento vocal e deve modificar as condições ambientais
para favorecer uma produção vocal correta e saudável

2.1.2 Falta de Conhecimento Vocal: Quando indivíduo seleciona ajustes motores


impróprios a uma produção vocal saudável e utiliza esse ajuste a longo
prazo. Pode envolver desde questões relacionadas à postura corporal até
questões ambientais, como falar em forte intensidade com ruído de fundo.
Vários destes fatores utilizados constantemente podem ser a causa ou
contribuir para a instalação de uma disfonia.
Alguns fatores:

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Redução da movimentação corporal
Falta de coordenação entre respiração e fonação
Hiperextensão constante do pescoço
Intensidade excessivamente elevada
Intensidade excessivamente reduzida
Velocidade de fala aumentada
Cantar por longos períodos sem técnica adequada
Usar excessivamente freqüências muito agudas
Usar excessivamente freqüências muito graves
Usar constantemente ataques vocais bruscos
Usar roupas apertadas na laringe e no abdômen
Pigarrear e tossir com esforço
Não realizar aquecimento e desaquecimento vocal
Falar competindo com ruído de fundo
Imitar vozes

2.1.3 Modelo Vocal Deficiente: Pode ocorrer em qualquer período do


desenvolvimento humano. Na infância a criança pode receber um padrão
vocal inadequado que incorpora como habitual, imitando, por exemplo,
heróis de desenho animado, seriado ou ídolos de programas infantis que
podem ser fonte de modelo vocal e articulatórios inadequados, a sociedade
tende a reforçar a disfonia e distúrbio articulatório da criança: “é bonitinho
e engraçadinho”. Na idade adulta o uso de modelo vocal deficiente está
associado à eleição de determinadas vozes públicas de sucesso, como
profissionais de rádio e televisão. Se o modelo eleito for próximo aos ajustes
naturais e às possibilidades funcionais do indivíduo poderá não produzir
distúrbio vocal, caso contrario geralmente as modificações necessárias são
negativas e coloca em risco a saúde vocal

2.2 DISFONIAS FUNCIONAIS SECUNDÁRIAS


É caracterizada pela falta de adaptação das estruturas do aparelho fonador para a
fonação. O impacto mais comum é uma redução na resistência vocal, causando
fadiga à fonação. As inadaptações vocais podem ser divididas em anatômicas e

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funcionais. As inadaptações vocais anatômicas são genericamente conhecidas
como alterações estruturais mínimas (AEM)

2.2.1 Inadaptações Anatômicas: Ocorrem pequenas variações anatômicas que são


irrelevantes para os desempenhos das funções vitais laríngeas: respiração e
deglutição, mas são fatores prejudiciais para o bom rendimento vocal. Podem
englobar:
Assimetrias variadas das pregas vocais, pregas vestibulares e pregas
ariepiglóticas
Desproporções nas dimensões fonatória e respiratória da laringe
Alterações histológicas na cobertura das pregas vocais
Não constituem quadros de malformação congênita por serem discretas e interferirem
apenas na fonação e são consideradas desarranjos estruturais ocorridos na embriogênese
que podem se manifestar em qualquer idade, geralmente disparadas pelo uso intensivo e
abusivo da voz. As AEM podem ser classificadas em 4 categorias principais:
Assimetrias laríngeas
a) Assimetrias laríngeas:
Podem ser restritas ao tamanho e/ou massa das PPVV, mas podem incluir
outras estruturas laríngeas
Não existe relação direta entre simetria laríngea e voz normal e entre
assimetria laríngea e voz alterada
A assimetria é muitas vezes um achado ao exame sem que o indivíduo
apresente queixa vocal
Pode não comprometer a qualidade vocal
A emissão é adaptada em uma parte restrita da laringe
Outras vezes o uso intensivo de voz em pacientes com assimetria pode
ocasionar fadiga e alterações teciduais, além da necessidade de outras
estruturas se envolverem durante a fonação
b) Fusão laríngea posterior incompleta:
São conhecidas como fissura laríngea posterior
É uma malformação congênita rara
Ocorre uma falha na fusão da musculatura da região posterior da laringe
Pode comprometer a integridade pulmonar e causar aspiração severa e óbito

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Nos graus discretos e moderados as crianças apresentam pneumonia na
primeira infância
Quando ocorre algum comprometimento vocal, pode-se observar coaptação
incompleta na região posterior da laringe
Fissuras discretas podem ser categorizadas como inadaptação
Fissuras de graus maiores já seriam interpretadas como malformação congênita
por comprometer as funções básicas do órgão
c) Desvios na proporção glótica:
Autores descrevem com detalhes a porção fonatória e a porção respiratória da
glote como:
o Homens: proporção glótica (PG) = 1,3
o Mulheres: proporção glótica (PG) = 1
o A implicação desses achados é que o modo de coaptação glótica das
PPVV apresenta relação direta com essa proporção
Mulheres com PG ao redor de 1 frequentemente mostram coaptação glótica
incompleta
Nos homens a PG ao redor de 1,3 favorece o fechamento glótico completo
Valores menores do que os apresentados são representativos de desvios
estruturais e então considerados uma inadaptação laríngea à função vocal
Alterações na PG predispõem o aparecimento de lesões benignas de massa nas
PPVV
d) Alterações estruturais mínimas de cobertura das PPVV (AEMC):
Manifestam-se pelo aparecimento de dessarranjos histológicos indiferenciados
ou diferenciados na cobertura das PPVV
Prejudicam principalmente o ciclo vibratório
Podem ser classificadas em AEMC indiferenciadas ou diferenciadas
As AEMC indiferenciadas são alterações não definidas microscopicamente
Sugerem redução ou ausência de uma parte da mucosa da PV
No exame clínico muitas vezes observa-se apenas uma área de rigidez na
mucosa
As AEMC diferenciadas são alterações histológicas típicas, de características
próprias e bem definidas
Podem ser agrupadas em 5 tipos:
1. Sulco vocal

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2. Cisto epidermóide
3. Ponte de mucosa
4. Microdiafragma laríngeo
5. Vasculodisgenesia
1. Sulco vocal: É uma depressão na PV , pode ser assintomático, sintomático com
pequena alteração vocal ou sintomático com fadiga e disfonia severa. Pode se
apresentar de variadas formas: sulco oculto, sulco estria e sulco bolsa.

a) Sulco oculto: O impacto vocal é mínimo na voz falada habitual, pode haver
queixa de pouca resistência ao uso continuado da voz. Quando necessário o
tratamento é a reabilitação vocal com bons resultados
b) Sulco estria menor: A qualidade vocal é rugosa, freqüência um pouco mais
aguda, qualidade vocal é rouco-áspera, desagradável, pode ser bitonal.
Freqüência fundamental aguda ou hiperaguda. Tratamento: cirurgia com fono
pré e pós-operatória. Voz nunca fica ótima
c) Sulco bolsa: Formato de pochete, a voz varia de qualidade: pode ser mais ou
menos instável dependendo do inchaço do sulco bolsa.

2. Cisto Epidermóide: É uma lesão fechada, localizado profundamente no interior da


prega vocal, em geral na camada superficial da lâmina própria. Pode ser
assintomático, levemente assintomático ou com alteração vocal caracterizada por
rouquidão e voz grave. Ha aumento de massa na PV, pode ser uni ou bilateral.
Quando é unilateral com reação na outra PV pode ser facilmente confundido com

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nódulos. A principal opção de tratamento é a fonoterapia e quando equilíbrio vocal
não é conseguido com fonoterapia, fica indicada a cirurgia.

3. Ponte de mucosa: É uma alteração rara, é um arco de mucosa em forma de alça


situada ao longo da PV. O impacto vocal é pequeno, com leve aspereza e fadiga
vocal. Tratamento: fonoterapia ou cirurgia com fono pós-operatória.

4. Microdiafragma laríngeo: É uma pequena membrana de mucosa situado na


comissura anterior das PPVV. Caracterizado por disfonia discreta, freqüência
fundamental mais aguda. Tratamento de escolha é a fonoterapia

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5. Vasculodisgenesia: Alteração na rede vascular da laringe, presenca de“vasos”
rompidos ao longo da PV. O impacto vocal é pequeno.

2.2.2 INADAPTAÇÕES FUNCIONAIS: Podem ser divididas em 2 grupos:


Inadaptações funcionais por incoordenação
Incoordenação pneumofônica
Incoordenação fonodeglutitória: Não há harmonia entre movimentos de
deglutição durante as pausas do discurso
Inadaptações funcionais por alterações miodinâmicas
No uso abusivo da voz: Insuficiência respiratória nasal e rigidez da caixa toráxica
à fonação
Alterações nas cavidades de ressonância: nariz, boca, língua, faringe, véu
palatino, lábios e bochechas
Alterações posturais das pregas vocais:
Fendas glóticas: quando não há coaptação glótica completa, as PPVV não se
tocam totalmente durante a fonação
Há diversos tipos de fenda, como:
Fenda triangular
Fenda fusiforme
Fenda dupla
Fenda paralela
Fenda em ampulheta
Fenda irregular

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ALTERAÇÕES PSICOGÊNICAS: Existe relação entre variáveis psicológicas e os ajustes vocais,
porém nem todas as disfonias são devido a fatores psicológicos. Geralmente o início da
disfonia psicogênica é bruto e perde-se a voz repentinamente. Paciente tende a associar
com gripes, sinusite e dificilmente associa com questões emocionais. Os sintomas vocais
podem ser intermitentes com instantes, horas ou mesmo semanas de voz completamente
normal ou sem alterações. A reabilitação vocal geralmente é bem sucedida e quando há
recorrência do quadro é necessário encaminhamento psiquiátrico

3. DISFONIAS ORGANOFUNCIONAIS

São alterações vocais com lesões benignas decorrentes essencialmente do


comportamento vocal alterado e inadequado. As três principais lesões são: Nódulos, Pólipo
e Edema de Reinke.

3.1 Nódulos:
Lesões de massa benignas, geralmente bilaterais, esbranquiçada ou avermelhada.
Ocorre mais comumente em mulheres entre 25 e 35 anos e em crianças de ambos os
sexos. Acredita-se que seja a lesão laríngea mais comum. Quando iniciais a qualidade
vocal (QV) pode ser levemente rouca e soprosa, podendo ser adaptada; se são mais
antigos e rígidos a rouquidão é maior, podendo a QV ser também áspera. De modo geral
rouquidão e soprosidade são os principais sinais perceptivo-auditivos.
O paciente pode se queixar de: fadiga vocal, perda da potência da voz com o uso,
dor na laringe e/ou pescoço, dificuldade em produzir agudos. O grau da disfonia
depende do tamanho e da rigidez do nódulo. O tratamento prioritário é fonoterapia e o
paciente deve ser consciente, fazer os exercícios e mudar hábitos inadequados. Os
nódulos podem ser facilmente absorvidos com fonoterapia.

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3.2 Pólipos:
Lesões de massa geralmente unilaterais, de tamanhos e colorações variados. Podem
ocorrer em diferentes regiões da PV, mas geralmente surge em sua metade anterior.
Geralmente é disparado por um evento específico, único, de intenso fonotrauma.
Acomete mais homens na faixa etária de 35 a 45 anos.
Voz geralmente é rouca com soprosidade variável, há incoordenação pneumofônica
e os pacientes geralmente referem sensação de coisa estranha na garganta. O
tratamento é quase sempre cirúrgico. A possibilidade de regressão da lesão com
fonoterapia é muito reduzida. Contudo, deve-se fazer fonoterapia pré-operatória de
curta duração enfocando saúde vocal e após a remoção cirúrgica fica indicada
fonoterapia caso a voz não normalize em até 15 dias.

3.3 Edema de Reinke:


Lesão com acúmulo de líquido, apresenta coloração rosada e forma irregular. Ocorre em
indivíduos de ambos os sexos com idade entre 45 e 65 anos. Há freqüente associação com
uso intensivo da voz, abusos vocais variados e tabagismo e as mulheres tendem a procurar
mais o tratamento por apresentarem voz muito grave, chegando a serem confundidas com
homem ao telefone. O tratamento pode ser apenas fonoterapia ou cirurgia com fono pré e
pós-operatória e na conduta deve-se levar em consideração:
Extensão da lesão
Presença de alterações associadas
Impacto profissional e/ou social
Conscientização sobre a necessidade de interrupção do tabagismo

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3.4 Úlcera de Contato:
São escavações bilaterais de imagem erosiva. Geralmente é bilateral e ocorre em
indivíduos adultos do sexo masculino. É multifatorial: tensão muscular fonatória +
refluxo gastroesofágico. Geralmente são pacientes que usam a voz de modo autoritário
em sua profissão (políticos, advogados).
Os principais sintomas são pigarro constante e as vezes fadiga vocal. A voz pode ser
adaptada, levemente rouca e/ou soprosa, a freqüência pode ser grave ou muito grave,
intensidade excessiva e ataque vocal brusco. Muitas vezes há relato de desconforto na
laringe e odinofagia (dor ao deglutir).
Utiliza-se tratamento farmacológico antes de qualquer conduta para controle do
refluxo gastroesofágico. A médio prazo o resultado da fonoterapia tende a ser bom, mas
modificações vocais sao necessárias.

3.5 Granuloma:
Lesão de aspecto proliferativo e granular, tem coloração esbranquiçada, amarelada
ou avermelhada. Situa-se na região posterior da laringe e apresenta formato variável:
arredondado, rebordo irregular... Pode ser uni ou bilateral ocorre mais comumente em
homens após os 40 anos.
A emissão é necessariamente grave, tensa, com ataque vocal brusco e intensidade
tendendo a forte, a articulação pode ser travada e pode-se observar tensão músculo-
esquelética. Pode haver sensação de corpo estranho, “bola” na garganta, impressão de
fisgada.

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A reabilitação vocal é indicada quando há envolvimento do comportamento vocal e
portanto a fonoterapia deve envolver mudanças no comportamento vocal e redução do
impacto.

3.6 Leucoplasia:
São lesões esbranquiçadas, apresentando Imagens típicas de camada de gesso, tipo
“placa branca”. Pode ser uni ou bilateral e aparece em pontos isolados da PV com maior
prevalência no sexo masculino. O fumo é apontado como principal fator causal. A voz é
rouco-áspera, o ataque vocal pode ser soproso ou brusco, há fadiga vocal e falta de
resistência vocal, há dificuldade de sonorizar intensidades mínimas. Não regride com
tratamento clínico, sendo a conduta cirúrgica essecial. Há atuação fonoaudiologica no
pré e pós-operatório.

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4. AVALIAÇÃO PERCEPTIVO-AUDITIVA DA QUALIDADE VOCAL

É a avaliação clássica da Qualidade Vocal (QV). É a avaliação soberana e nem mesmo a


acústica sobressai, mesmo sendo subjetiva e com terminologias imprecisas. As vozes podem
ser medidas objetivamente, porém o paciente procura a clínica pela alteração auditiva que
ele e os outros percebem da voz. É uma ingenuidade acreditar que a análise Perceptivo-
Auditiva (PA) será abandonada. Apesar dos avanços na acústica, a avaliação PA foi e sempre
será o instrumento básico de atuação fonoaudiológica clínica na área de voz. Quando os
métodos de acústica falham, ainda sim podemos confiar na avaliação PA.
As estratégias usadas na aval. PA envolvem a comparação de vozes a um sistema de
referência pessoal do avaliador. Tal sistema interno é flutuante e instável e pode causar
variação nas avaliações. Alguns autores afirmam que o ouvido parece mais confiável para
avaliar vozes normais. Há diferenças individuais consideráveis na avaliação de vozes
alteradas e essas variações podem acontecer por diversos fatores, tais como: experiência e
treinamento anterior do avaliador, preferências do avaliador, aspectos relacionados a
tarefas de fala (emissão sustentada, fala encadeada) e erros casuais, porém a audição pode
e deve ser treinada clinicamente para se obter melhora dos escores obtidos.
Há uma série de escalas para avaliação PA da voz, entre as diferentes escalas e índices,
iremos focar em UMA delas, a Escala Japonesa GRBAS que foi amplamente divulgada por
Hirano (1981). É uma escala usada internacionalmente e é um método simples de avaliação
do grau global (G) da disfonia pela identificação de 4 fatores independentes considerados os
mais importantes na definição de uma voz disfônica:
R = Rugosidade (R=roughness)
B = Soprosidade (B=breathiness)
A = Astenia (A=asteny)
S = Tensão (S=strain)
Apenas os fatores astenia e tensão são excludentes entre si. O fator “R” engloba o
conceito de: Rouquidão, Crepitação, Bitonalidade e Aspereza. Uma escala de 4 pontos é
usada para identificação do grau de desvio de cada um dos fatores
0= significa normal ou ausente
1= discreto
2 = moderado
3 = severo

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Os resultados são anotados com os níveis de avaliação subscritos ao lado das iniciais dos
fatores.
Ex: professora com disfonia em grau global moderado, caracterizada por rugosidade
moderada, soprosidade discreta, sem astenia e sem tensão, seria classificada como:
G2R2B1A0S0
Esta escala é particularmente centrada em nível laríngeo, mas oferece uma aval. rápida,
compacta e confiável. É a escala mais utilizada internacionalmente e tem elevado grau de
confiabilidade, a tensão e astenia são os fatores menos consistentes nas avaliações. Outros
autores propuseram que se acrescente o fator I – instabilidade, que caracteriza flutuação na
QV. A escala GRBAS com a inclusão deste fator passaria a ser chamada GIRBAS . Em nossa
realidade brasileira, a maior dificuldade é onde encaixar as alterações relativas à aspereza,
que ora podem ser interpretadas como R, rugosidade, ora como S, tensão
Fatores da ESCALA GIRBAS
 G:
◦ Grau de alteração vocal
◦ Impressão global da voz
◦ Impacto da voz no ouvinte
◦ Identifica o grau da alteração vocal como um todo
 I: instabilidade
◦ Flutuação na frequência fundamental
◦ Flutuação na QV
 R:
◦ Irregularidade nas vibrações das PPVV
◦ Indica a sensação de rugosidade na emissão
 B:
◦ Soprosidade
◦ Turbulência audível como um chiado
◦ Escape de ar na glote
◦ Sensação de ar na voz
 A:
◦ Astenia
◦ Fraqueza vocal
◦ Perda de potência
◦ Energia vocal reduzida

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◦ Harmônicos pouco definidos
◦ Aval. PA da QV
 S:
◦ Tensão
◦ Impressão do estado hiperfuncional
◦ Frequência aguda
◦ Aval. PA da QV
Além da escala GIRBAS, é importante avaliar outros aspectos da voz, como:
◦ Sistema de ressonância
◦ Aspectos temporais da emissão sustentada
◦ Sensação de frequência e intensidade
◦ Articulação e pronúncia
◦ Aspectos ritmicos da emissão
◦ Resistência vocal
◦ Dinâmica respiratória
◦ Estruturas fonoarticulatórias
◦ Funções reflexovegetativas
◦ Avaliação corporal
◦ Habilidades gerais de comunicação
◦ Psicodinâmica vocal
◦ Aval. PA da QV

SISTEMA DE RESSONÂNCIA
É o conjunto de elementos do aparelho fonador que guarda íntima relação entre si
 Visa a moldagem e a projeção do som no espaço, com dois fatores importantes
◦ Fatores ressonantais intrínsecos
◦ Fatores ressonantais extrínsecos
 Fatores ressonantais intrínsecos
◦ Dependem da anatomofisiologia do aparelho fonador e das opções de uso
selecionadas
 Fatores ressonantais extrínsecos
◦ Depende o ambiente físico em que o falante está usando a voz
 Dentre as caixas de ressonância, as principais são as cavidades da:
◦ Laringe

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◦ Faringe
◦ Boca
◦ Nariz
 O uso equilibrado desse sistema confere à emissão um caráter de ajustamento
perfeito
◦ Dá sensação de que voz pertence ao falante
◦ Não há concentração excessiva de energia em nenhuma região específica
 O uso excessivo de laringe, contudo, pode provocar:
◦ Emissão tensa
◦ Ressonância “baixa”
◦ Voz parece estar presa na garganta
 Uso excessivo da faringe
◦ Emissão tensa também
◦ Foco não é tão baixo
◦ Característica metálica na voz
◦ Aval. PA da QV
 Uso excessivo da boca
◦ Confere à emissão uma característica “afetada”
◦ Revela personalidade narcisista
◦ Articulação dos sons da fala tendem a ser sobrearticulada
◦ É mais frequente nas classes sociais mais altas
 Uso excessivo da cavidade do nariz
◦ Ressonância “alta”
◦ Comumente associada às afecções que envolvem alterações da
anatomofisiologia do palato mole
 Fissura labiopalatina
 Insuficiência ou incompetência velofaríngea
 Hiponasal
 Hipernasal
 Emissão do /i/ = teste

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ASPECTOS TEMPORAIS DA EMISSÃO SUSTENTADA
 Tempos máximos de fonação (TMF)
◦ É um dos parâmetros mais fáceis para se obter as medidas respiratórias
◦ O valor é obtido pela medida que a pessoa consegue sustentar uma emissão
em uma única expiração
 Emissão de vogal sustentada (todas, ou “a”, “i” e “u”)
 Emissão sustentada de fonemas fricativos
 Emissão de contagem de números
Tradicionalmente se pede 3 vezes a emissão de uma mesma vogal e tira-se a média
 Homens: 20 a 35 segundos
 Mulheres: 12 a 25 segundos
 Valores menores que 10s devem ser considerados não normais
 Crianças até a puberdade: valor acompanha a idade
◦ 3 anos – 3s
◦ 5 anos – 5s
◦ 10 anos – 10 s
 Média:
◦ Mulheres: 14s
◦ Homens: 20s
 Recargas de ar devem ser feitas a cada 1/3 do TMF
◦ 18s = a cada 6s ocorre recarga de ar na fala encadeada
 Pessoas com técnica vocal inadequada usam todo seu TMF
◦ Recargas com inspirações longas e ofegantes
 Pode-se solicitar a sustentação das fricativas surdas e sonoras: “s” e “z”
◦ Chamada RELAÇÃO s/z
◦ “s”: avalia-se suporte aéreo pulmonar e habilidade de controlá-lo
 Não há vibração de PPVV
◦ “z”: pode-se observar comportamento vocal resultante
◦ Espera-se que a relação s/z seja igual a 1
◦ Quando os dois valores apresentam-se abaixo de 15s há comprometimento
do suporte respiratório
◦ Quando “z” é maior em até 3s do que “s”, constata-se hipercontração das
PPVV à fonação

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Pacientes com disfonia devido a distúrbios nas PPVV terão geralmente “s” normal e “z”
alterado. Valor de s/z maior ou igual a 1,2 é indicativo de falta de coaptação das PPVV à
fonação. Quanto maior o valor dessa proporção, menor o controle laríngeo à passagem de
ar expiratório

CARACTERÍSTICAS DA EMISSÃO: O QUE AVALIAR

1. ATAQUE VOCAL: É a maneira como se inicia o som. Está relacionado à configuração


glótica no momento da emissão e pode ser realizado de 3 modos:
◦ Isocrônico
◦ Brusco
◦ Soproso
 Ataque vocal isocrônico:
◦ É o esperado na maior parte das emissões
◦ É um ataque suave, equilibrado, “normal”
◦ Não há perda de ar e excesso de tensão
 Ataque vocal brusco:
◦ Comum em fonação hipertônica, sujeitos agressivos e alguns padrões
culturais
◦ Há forte adução das PPVV
◦ É muito comum na maioria dos disfônicos
◦ Encontrado em indivíduos normais em situações como:
 Desespero
 Ansiedade
 Agressividade
 Grito
 Ataque vocal soproso:
◦ Reflete coaptação insuficiente das PPVV
◦ Sugere:
 Hipotonia dos músculos da laringe
 Paralisia das PPVV
 Indivíduos normais em situações de:
 Medo
 Susto

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 Afetividade
 Sensualidade
Estudos recentes apontam que a maioria dos sujeitos (disfônicos ou não) iniciam a
emissão com ataque brusco, embora o isocrônico seja considerado o normal. O ataque vocal
deve ser classificado em: Discreto, Moderado ou Severo. Indivíduos com vozes adaptadas
podem ter ataque brusco ou soproso, desde que discreto ( = normal)

[Link] DA EMISSÃO: Avalia-se com a emissão sustentada de vogais, contagem de


números, etc. Uma não-sustentação adequada pode indicar:
◦ Falta de treinamento vocal
◦ Alterações emocionais
◦ Doenças neurológicas
Objetivo: avaliar a qualidade da duração do som emitido
A voz não estável, ou seja, presença de instabilidade, pode refletir em:
◦ Quebras de sonoridade
◦ Quebras de frequencia
◦ Bitonalidade
◦ Flutuações na frequencia e intensidade

[Link]ÇÃO DE FREQUENCIA: Tambem conhecida como“pitch” = é a sensação psicofísica


da frequencia fundamental. Pode ser: Adequado, Agravado ou Agudizado. Pode variar de
acordo com o discurso:
◦ Alegre: + agudo
◦ Triste: + grave

[Link]ÇÃO DE INTENSIDADE: Tambem chamamos de “loudness”. É a sensação psicofísica


da intensidade. O som é forte ou fraco? Pode ser considerada: Adequada, Forte ou Fraca.
Ao iniciar a aval. deve ser descartada a possibilidade de Disturbio Auditivo ou alteracoes
neurológicas, o que poderiam justificar o uso inadequado da intensidade
 Articulação e Pronúncia
 Articulação diz respeito ao processo de ajustes motores dos OFAs na produção e
formação dos sons
 Articulação com sons bem definidos indica:
◦ Controle da dinâmica fonoarticulatória

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◦ Transmite franqueza ao ouvinte, desejo de ser compreendido e clareza de
idéias
◦ Confere credibilidade ao falante, mesmo se a QV não for bela e potente

[Link]ÇÃO E PRONÚNCIA: A falta de exatidão nas palavras, com sons distorcidos ou


emitidos sem precisão pode fazer com que fatos admiráveis passem despercebidos A
articulação mal definida pode também indicar:
◦ Dificuldade na organização mental
◦ Não-preocupação em ser compreendido
◦ Falta de vontade em se comunicar
◦ Articulação e Pronúncia
 Articulação exagerada pode indicar:
◦ Narcisismo
Todas as pessoas apresentam variações na qualidade da articulação dependendo do
domínio do discurso e nivel de conforto ao falar. A imprecisão articulatória temporária
expressa apenas perda de controle em determinada situação. A articulação pode ser
avaliada pela leitura, repetição de uma listas de palavras ou pelo discursoe pode ser
classificada como: Normal, Precisa (geralmente profissionais da voz), Travada ou Exagerada.
Além da articulação é importante a detecção de alguma pronúncia particular
 Pronúncia:
◦ Uso de determinadas substituições de sons nas palavras ou variações
articulatórias de um mesmo som
◦ É resultado da exposição a um código linguístico de uma população
particular
 Regionalismo
 Sotaque

[Link] RÍTMICOS DA EMISSÃO: Os principais aspectos rítmicos da emissão são: Ritmo
de fala, Velocidade de fala e Diadococinesia . Ritmo e velocidade de fala são parâmetros
conectados à articulação e exigem controle neurológico refinado. Alterações no ritmo e na
velocidade de fala são frequentes em disfonias neurológicas. Diadococinesia verifica a
habilidade de realizar rápidas repetições de segmentos simples de fala, como:
 A-a-a-a-a = avaliada em nível laríngeo
 Pa-pa-pa-pa-pa = nível de fala

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 Pa-ta-ka, pa-ta-ka, pa-ta-ka = movimentos sequencializados
A avaliação da diadococinesia reflete:
 Adequação da maturação e a integração neuromotora
 É considerado teste de habilidade neurológica
 Paciente é orientado a:
◦ Repetir o segmento selecionado o mais rapidamente e longo possível (+ - 7
segundos)
◦ Deve manter frequencia e intensidade habituais
◦ Verificar ritmo, velocidade de fala e precisão articulatória
Alteração de velocidade de fala frequentemente compromete a efetividade da comunicação
 Reduzida/Lenta
◦ Passa impressão de lentidão de pensamento e falta de organização de idéias
◦ “desliga o ouvinte”
 Aumentada
◦ Expressa vontade de omitir dados do discurso
◦ Não dá espaço para interlocutor
◦ Reflete ansiedade e tensão
 Adequada

[Link]ÊNCIA VOCAL : É a habilidade de um falante em usar a dinâmica vocal na fala


encadeada intensamente, sem cansaço e mantendo QV inicial. Não existe nenhum teste
elaborado para isso, mas segue uma estratégia clínica:
 Solicitar ao paciente que conte de 100 a 1, para atuar com elaboração mental,
verificando-se como esta contagem é realizada
 Analisar: QV, ritmo, modulação, CPFA, frequência e intensidade
É importante observar se o paciente consegue ou não manter esses parâmetros durante
toda contagem. Alguns pacientes, por fadiga vocal ou ansiedade, interrompem o teste antes.
Este teste ainda não tem sua representatividade comprovada.

[Link]ÂMICA RESPIRATÓRIA: A análise respiratória envolve a avaliação qualitativa da


respiração:
Classificação do tipo e modo respiratório
Obtenção de medidas respiratórias

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O objetivo é avaliar a coordenação entre respiração e fonação. Durante a fonação, a
inspiração deve ser de modo buconasal alternado, rápida, silenciosa e efetiva. Tanto a
inspiração exclusivamente nasal como exclusivamente bucal são inadequadas. Pode ser
verificado através de observação atenta ou pedir ao paciente para que fique 2 min
mantendo os lábios unidos. Pode-se pedir para manter também a união dos lábios com água
na boca, se paciente não conseguir fica configurado respiração predominantemente bucal
 Modo respiratório:
◦ Bucal/oral
◦ Nasal
◦ Buconasal
 Tipo respiratório:
◦ Superior (clavicular)
◦ Média (mista ou torácica)
◦ Inferior (abdominal)
◦ Completa (diafragmático-abdominal, costodiafragmático-abdominal)
1 – superior:
◦ Expansão somente da parte superior da caixa torácica
◦ Elevação visual dos ombros
2 – mista:
◦ É a mais observada na população
◦ Pouca movimentação superior ou inferior
◦ É a respiração que utilizamos na maior parte do dia (fala coloquial e
repouso)
◦ É inadequada para profissionais da voz (canto)
3 – inferior:
◦ Caracteriza-se por ausência de movimentos na região superior e expansão
da inferior
◦ Aparece em pessoas com pouca energia
4 – completa:
◦ Expansão harmônica de toda caixa torácica
◦ Não há excessos nas regiões sup. e inf.
◦ Há o aproveitamento de toda a área pulmonar
◦ É a mais eficaz para voz profissional

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Uma respiração média é suficiente para a voz habitual. A respiração completa é mais
exigida para cantores e outros profissionais da voz. A Coordenacao
Pneumofonoarticulatoria (CPFA) é resultado da interrelação harmônica das forças
esxpiratórias, mioelásticas da laringe.

5. AVALIAÇÃO CORPORAL E HABILIDADES GERAIS DE COMUNICAÇÃO

A Avaliação Corporal é muito importante e deve ser feita no paciente disfônico, pois
revela dados sobre a comunicação não-verbal e permite a análise da integração corpo-voz.
Pacientes com disfonia tem pouca ou nenhuma consciência das regiões corporais envolvidas
nesse distúrbio.
Deverá ser observado como o indivíduo mantém a postura corporal durante a fala, pois
o corpo deve estar livre para espontaneamente acompanhar o discurso: sem movimentação
excessiva (cansa o ouvinte e gera ansiedade) e sem rigidez (robótico). A cabeça e corpo
devem estar alinhados, eretos, para permitir maior movimentação de laringe e melhor
projeção vocal.
Pessoas com problema de voz geralmente apresentam: Postura com poucos gestos, com
pouca expressão facial e/ou corporal ou postura com excesso de movimentação, gestos e
mímica facial.
Durante a Avaliação Corporal deve-se verificar:
Apoio do corpo igual nos dois pés?
Peso distribuído com harmonia?
Gestos acompanham intenção do discurso?
Falante faz contato visual com o ouvinte?
Se paciente é profissional da voz: Avaliar postura corporal também durante o
uso da voz no trabalho
As regiões de tensão mais frequentes no disfônico são: Cintura escapular, Face, Peito e
Costas .
Cintura escapular:
Geralmente disfônico tem tensão excessiva nesta região
Posição de pescoço e ombros alterada
Desequilibra estrutura corporal
Há compensação funcional do aparelho fonador

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O pescoço pode estar:
Anteriorizado
Posteriorizado
Inclinado lateralmente
Com aumento de massa muscular na nuca ou lateralmente: zonas de concentração
de energia

Ombros podem estar: anteriorizados, caídos, erguidos


Face: Expressa a habilidade de relacionamento social, É a parte mais exposta em nossa
cultura. Pode-se observar:
Tensão na testa (enrugada)
Tensão nos olhos: comprimidos ou saltados
Tensão na boca e mandíbula: travamento na abertura

Peito: Pode estar:


Expandido
Tenso
Contraído: achatamento da caixa torácica
Pode ser observado:
Aumento de massa muscular nas costas
Desvios de coluna

Em todas as estruturas:
Deve-se definir o grau da hipertonicidade: leve, moderado, severo ou extremo
Deve-se verificar a dor que o paciente apresenta ao toque nestas estruturas
Muitas vezes tonicidade severa ou extrema pode não indicar dor
Os dados da avaliação corporal devem ser associados aos dados da avaliação das
estruturas da fonação
As disfonias por tensão muscular são o exemplo didático da interrelação corpo-voz
Pacientes com disfonia por tensão muscular geralmente apresentam:
Compressão torácica
Elevação de ombros
Aumento da massa muscular no pescoço e nuca
Hipertonicidade da cintura escapular com dor à palpação

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Veias túrgidas à fonação
Laringe alta no pescoço
Travamento de mandíbula
Cabeça hiperestendida
Mímica facial “congelada”
Habilidades Gerais de Comunicação:
Verificar dificuldades em:
Fluência da fala
Expressão de idéias
Comunicação gráfica
Audição
Podem estar diretamente associadas à disfonia, desencadeando ou mantendo-a
Distúrbios que envolvem a comunicação como um todo têm reflexo na produção da voz:
Deficiência auditiva – voz típica
Paralisia cerebral – espasticidade vocal: afeta inteligibilidade de fala
Síndrome de Down – voz pastosa e instabilidade vocal

6. PSICODINÂMICA VOCAL

É a descrição do impacto psicológico produzido pela qualidade vocal do sujeito e deve-se


considerar: aspectos fonatórios, elementos de fala (ritmo e velocidade), personalidade,
sentimentos e emoções. Deve-se descrever a impressão transmitida pela voz usada e
verificar a possibilidade de rejeição e aceitação social através da voz. O fonoaudiólogo
precisa realizar treinamento auditivo para conseguir perceber corretamente uma voz e
avaliar as interferências que podem surgir através dela, sem projetar suas dificuldades e
preconceitos. Para isso é necessário seguir 4 passos:
Ouvir a voz sem convicções pessoais sobre a expressão do falante
Não contaminar a percepção com as próprias emoções
Separar a mensagem verbal da expressão vocal
Qual a intenção verdadeira do indivíduo?
Deve-se observar toda e qualquer reação motora ou emocional proveniente do
estímulo vocal e descrever, sem julgamentos ou interpretações pessoais, a impressão da

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voz. Evitar conceitos como: bom/ruim, gosto/não gosto. Cada parâmetro avaliado pode
trazer informações muito ricas sobre a repercussão da voz no ouvinte. Não há diretrizes para
avaliação da psicodinâmica vocal, há apenas algumas relações básicas entre ajustes
motores, personalidade e os efeitos causados no ouvinte e são essas relações que o
fonoaudiólogo deve compreender na avaliação.
A QV varia de acordo com a situação e o contexto, portanto, o sujeito pode apresentar
mais de um tipo de voz. Há alguns efeitos clássicos da voz no ouvinte e impressões
transmitidas pelo tipo de voz, tais como:

VOZ ROUCA:
Cansaço
Estresse
Esgotamento
Dificilmente chega a ser desagradável
6. Impressões transmitidas pelo tipo de voz

VOZ ÁSPERA:
Agressividade
Incômodo
Aflição
É sempre desagradável
7. Impressões transmitidas pelo tipo de voz

VOZ SOPROSA:
Fraqueza
Falta de potência
Sensualidade

VOZ SUSSURRADA:
Impressão de que se quer contar segredo
Confere caráter intimista à emissão

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VOZ FLUIDA:
Confere sensualidade ao falante
Passa sedução ao ouvinte

VOZ COMPRIMIDA:
Falante com caráter “rígido”
Emoções contidas
Esforço para tudo
Necessidade de controle da situação

VOZ TENSA-ESTRANGULADA:
Causa impacto negativo
Desespero
Tensão
Aflição
Angústia
Falta de ar
Parece que sujeito necessita relaxar

VOZ BITONAL:
Causa sensação de estranheza
Indefinição de personalidade
Indefinição do sexo do falante

VOZ MONÓTONA:
Não captura o ouvinte
Falante passa a ser considerado: Monótono, chato, repetitivo, sem vida,
desinteressante

VOZ TRÊMULA:
Sensibilidade excessiva
Fragilidade
Indecisão
Medo

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Senilidade

VOZ PASTOSA:
Sensação de limitações mentais
Falta de maturidade psicoemocional
Intoxicação por álcool ou drogas

VOZ CREPITANTE:
Estranheza
Medo
Aflição
Em casos extremos:
o Assustadora
o Vinda do sobrenatural
o Voz de “sepultura”
o Voz de “monstro”

VOZ INFANTILIZADA:
Ingenuidade
Falta de amadurecimento psicológico

VOZ VIRILIZADA: Característica de masculinidade

VOZ PRESBIFÔNICA:
Julgamentos negativos relativos à senilidade
Deterioração física
Doenças

VOZ HIPERNASAL:
Grau discreto:
Sensação de afetividade
Carinho
Sensualidade

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Grau moderado ou severo: Estigma de “fanho”, “fanhoso”, limitações intelectuais e
físicas, falta de energia, inabilidade social

VOZ HIPONASAL:
Limitação intelectual
Limitação física
Falta de energia

RESSONÂNCIA EQUILIBRADA:
Facilidade de exteriorizar a emoção
Equilíbrio psicoemocional

RESSONÂNCIA LARINGOFARÍNGEA:
Tensão
Dificuldade de trabalhar sentimentos de agressividade

RESSONÂNCIA EXCESSIVAMENTE ORAL:


Personalidade de caráter narcisista
Excesso de preocupação em esclarecer fatos
Nível sócio-econômico alto

RESSONÂNCIA NASAL: Características emocionais de sensualidade e afetividade

VOZES MAIS GRAVES: Indivíduos autoritários e energéticos

VOZES MAIS AGUDAS:


Pessoas menos dominadoras
Mais dependentes
Infantis
Frágeis

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TONS AGUDOS:
Discurso de clima alegre
Ênfase mais marcada
Maior velocidade de fala

TONS GRAVES:
Clima triste e melancólico
Intensidade reduzida
Menor velocidade de fala

INTENSIDADE ADEQUADA:
Consciência exata da dimensão do outro
Refinado controle de projeção de voz

INTENSIDADE ELEVADA:
Franqueza de sentimentos
Vitalidade e energia
Falta de educação e de paciência
Invasão do outro
Recurso para intimidação
Modelo familiar

INTENSIDADE REDUZIDA:
Falta de experiência nas relações interpessoais
Timidez
Medo da reação
Complexo de inferioridade
Educação repressora
Auto-imagem negativa

ARTICULAÇÃO BEM DEFINIDA:


Clareza de idéias
Desejo de ser compreendido
Preocupação com o ouvinte

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ARTICULAÇÃO IMPRECISA:
Dificuldade na organização mental
Desinteresse em comunicar-se
Desinteresse em ser compreendido

INEXATIDÃO ARTICULATÓRIA TEMPORÁRIA: Perda de controle emocional em uma


determinada situação

ARTICULAÇÃO EXAGERADA: Certo grau de narcisismo, “afetação”

ARTICULAÇÃO TRAVADA:
Agressividade
Contenção de sentimentos
Sobretudo raiva

7. ABORDAGEM GLOBAL DAS DISFONIAS

A Abordagem Global da disfonia corresponde a uma abordagem de natureza ECLÉTICA e


de natureza holística, pois é um programa terapêutico que integra: Respiração, Fonação e
Ressonância e o objetivo é tratar o disfônico, considerando: os diferentes sistemas do
aparelho fonador, as dimensões biológicas, psicológicas e emocionais, a integração entre
sujeito e relações de comunicação. A disfonia deve ser vista como um distúrbio da
comunicação e, portanto, deve-se considerar: as causas da disfonia, os parâmetros vocais
alterados, as configurações laríngeas: fonação e não fonação, o histórico emocional do
paciente, a psicodinâmica vocal e os papéis de comunicação desempenhados pelo sujeito. A
Abordagem Global considera o processo de produção de voz, dos aspectos emocionais até
ação mecânica.
A atuação fonoaudiológica de ter foco na produção de QV mais adequada e eficiente e
para isso deve-se lançar mão das provas terapêuticas a fim de favorecer uma mudança vocal
imediata. A Abordagem Global consta de 3 trabalhos interligados:
▫ Orientação vocal
▫ Psicodinâmica vocal
▫ Treinamento vocal

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ORIENTAÇÃO VOCAL
• Inclui esclarecimento sobre:
▫ Fonação
▫ Saúde vocal
• Auxilia no processo de conscientização do paciente
• Orientação Vocal
• Explicação quanto a fonação
▫ Usar termos simples
▫ Como a voz é produzida?
▫ Falar da necessidade da articulação precisa: necessidade de fala clara e
inteligível para passar mensagem
• Higiene Vocal
▫ O que faz bem para a voz?
▫ O que prejudica a voz?
• Saúde vocal
▫ Capacidade de variar a voz sem prejuízo de acordo com ambiente, situação
e contexto de comunicação
 Qualidade
 Frequência
 Intensidade
 Modulação
▫ Informações que auxiliam a preservação da saúde vocal
▫ Prevenção ao aparecimento de lesões e doenças
• Informar fatores de risco para a voz
1. Fumo
▫ Resseca mucosa
▫ Agride PPVV e sistema respiratório
▫ Orientar quanto aos efeitos nocivos
2. Álcool
▫ Irritação do aparelho fonador
▫ Anestesia da faringe
 Redução da sensibilidade na região laríngea e faríngea
▫ Geralmente está associado com fumo
▫ Usado para “esquentar a voz” por cantores

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▫ Orientar quantos aos efeitos
▫ Apoiar o paciente a reduzir o consumo
 Continuidade: limite terapêutico deve ser abordado
3. Poluição
▫ Irritação
▫ Alterações vocais laríngeas
▫ Tosse
▫ Rouquidão
▫ Dificuldade de respiração
4. Poluição sonora também
▫ Efeito LOMBARD
▫ Orientação Vocal
5. Drogas
▫ Ação direta sobre a laringe e voz
▫ Inúmeros efeitos nocivos
▫ Explicar os efeitos na voz e na vida
▫ Apoio à interrupção do consumo
▫ Limites terapêuticos
6. Medicamentos
▫ Administração incorreta pode desencadear prejuízo vocal
▫ Analgésicos: hemorragia de PV
▫ Sprays nasais: ressecamento e edema
▫ Diuréticos: ressecamento, pigarro persistente
7. Hábitos vocais inadequados
▫ Pigarrear
▫ Tossir
▫ Gritar
▫ Sussurrar
8. Ar condicionado
▫ Agressão às mucosas das PPVV
▫ Ressecamento do trato vocal
 Voz com tensão e esforço
9. Alimentação inadequada
▫ Pesados e condimentados

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 Lentifica digestão
 Dificulta movimentação do diafragma
10. Vestuário incorreto
11. Esportes
▫ Boxe, vôlei, musculação, tênis: favorecem produção vocal comprimida e
tensa
12. Alterações hormonais
13. Falta de repouso adequado

PSICODINÂMICA VOCAL

Como visto anteriormente, é a descrição do impacto psicológico produzido pela QV do


indivíduo e devem-se aproveitar os dados para conscientizar paciente com o objetivo de
levar o indivíduo a reconhecer os elementos de sua QV e os impactos que ela provoca no
ouvinte. O trabalho deve ser realizado de modo cuidadoso e considerar todos os aspectos de
comunicação. Implica em identificação pelo paciente do impacto causado pelo desvio vocal
apresentado
▫ Como paciente percebe sua voz?
▫ Como os outros percebem a voz do paciente?
Paciente deve identificar:
▫ Quais os aspectos positivos de sua voz?
▫ Quais os aspectos negativos de sua voz?
▫ Nomes de pessoas públicas com vozes que paciente gosta e não gosta
 Qual o impacto dessas vozes?
▫ Pedir para paciente identificar quantas vozes diferentes ele usa no seu dia-a-
dia com, por exemplo: pai, chefe, trabalho, autoridade, diferentes
situações...

TREINAMENTO VOCAL

É a realização de exercícios selecionados para fixar os ajustes motores e


extremamente necessários para o novo padrão vocal. É importante para modificar a
produção da voz. Os exercícios privilegiam determinados parâmetros vocais e engloba:
▫ Técnicas universais

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 Trabalho com QV como um todo
 Pode ser aplicadas a todos os pacientes
 Melhoram globalmente a produção vocal
 Ocupam boa parte da nossa terapia
 Dependem em grande parte da avaliação ORL
▫ Técnicas específicas
 Mudanças laríngeas específicas
▫ PROVA TERAPÊUTICA: é essencial, uma estratégia direta, ativa e prática e
elemento educacional para paciente e seu tratamento
 São consideradas provas terapêuticas: Manobras, técnicas,
exercícios, modificações...
 Deve-se fazer a observação de provável mudança/alteração e
explorar a resposta vocal do paciente
 Deve ser registrada – gravação
 Solicitações:
 Emitir vogal prolongada
 Contar de 1 a 10
 Fazer determinado exercício de 1 a 3 minutos
 Repetir fala gravando
 Comparar resultado pré e pós exercício
 Pode ser:
 Positiva
• Quando há redução da disfonia
 Negativa
• Quando há aumento da disfonia
 Neutra
 Auxilia a definir a conduta de tratamento
 Pode contribuir para diagnóstico

As abordagens de Treinamento Vocal são apresentadas como uma série de exercícios e


finalidades específicas e tem como objetivos contribuir na mudança do comportamento
vocal e favorecer novo ajuste muscular. Na prática do Treinamento Vocal não existe
normatização de frequência ou seleção de exercícios, por isso é necessário aliar:
conhecimento, racionalidade, experiência e bom senso.

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 39


O planejamento terapêutico adequado deve considerar os critérios de seleção de
abordagens, que são altamente individuais e baseados no diagnóstico, na avaliação do caso,
no objetivo da terapia, na eficiência da técnica selecionada, na personalidade do paciente e
na familiaridade do terapeuta com a técnica. O diagnóstico médico e a avaliação
fonoaudiológica são fundamentais para o programa de reabilitação
• Ex: lesão de massa. Objetivo fonoaudiológico será:
▫ Redução do atrito sobre a lesão
▫ Reabsorção
▫ Utilizar técnicas de sons nasais
Não é o diagnóstico médico isolado que define a abordagem fonoaudiológica, pois um
mesmo diagnóstico médico pode levar a caminhos diferentes. Deve-se considerar:
▫ Comportamento vocal
▫ Compensações musculares
▫ Aspectos associados
Deve-se avaliar o impacto da disfonia pela percepção do próprio paciente, além
disso, o terapeuta deve desenvolver sensibilidade para compreender o anseio do paciente.
Antes de escolher uma técnica, deve-se ter em mente que uma técnica não é indicada para
todos os casos e resistir à tentação de insistir em determinada técnica, principalmente se foi
eficiente em outro caso, mas não no atual. Não se pode esquecer que as provas terapêuticas
são fundamentais e avaliam o efeito da técnica e lembre-se:
▫ Um exercício/técnica com resposta negativa hoje poderá apresentar uma
resposta positiva em meses
▫ Pode ser que a mudança pós exercício não seja em QV, mas em facilidade e
conforto fonatório
 Nestes casos a prova terapêutica é positiva
▫ Características de personalidade de um paciente podem contribuir positiva
ou negativamente no resultado
 Ex: método mastigatório costuma ser mais fácil para atores
Algumas técnicas podem ser vilãs quando feitas de maneira errada, causando:
▫ Tensão
▫ Timidez
▫ Constrangimento
▫ Sensação de ridículo
Explicações excessivas sobre uma técnica podem produzir frustração ao paciente

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 40


▫ Não conseguir executá-la
▫ Resultado negativo
▫ Paciente pode treinar em casa, tentando conseguir e haver piora do quadro
Quanto mais familiaridade o terapeuta tem com a técnica, maior sua habilidade
para aplicá-la de modo correto
▫ + fácil identificação de aspecto negativo/positivo
▫ + fácil identificação do erro de produção e correção
• Ex: sons nasais
▫ Refere paciente ao produzir:
 Ardência
 Coceira
 Irritação
▫ Tais sensações não são esperadas e não devem ocorrer
▫ ERRO: dizer para paciente continuar até que sensação passe
Tenha certeza do seu domínio com as técnicas, cuidado com inovações e uso de técnicas
que você não esteja familiarizado. Procure um colega mais experiente para auxiliá-lo. Não é
possível pré-determinar quantas vezes ao dia e por quanto tempo devem ser feito os
exercícios, uma base racional é a EXPERIÊNCIA CLÍNICA, tendo-se conhecimento da fisiologia
do exercício e os efeitos do exercício no paciente. A frequência da terapia e exercícios varia
e a Literatura descreve de 4 a 51 sessões para problemas de voz; a duração em minutos das
sessões também varia e a Literatura descreve de 30 min, 1h, 1:30h a até 4h. Para se calcular
a frequência da terapia e exercícios várias são as questões a serem consideradas, como:
▫ Periodicidade da terapia
▫ Dosagem
▫ Periodicidade e variação dos exercícios
▫ Evolução do tratamento
▫ Disponibilidade do paciente
• Tradicionalmente:
▫ 2 sessões por semana
• Geralmente pacientes no início do tratamento devem ir mais vezes
▫ Depois as sessões podem ser espassadas
• Situações que requerem atendimento 2 a 3 vezes por semana:
▫ Pós-operatório imediato
▫ Necessidade de controle de abuso vocal

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▫ Métodos específicos: Lee Silverman
▫ Disfonia infantil: criação de vínculo
• Exercícios:
▫ Dosagem, variação e periodicidade é sempre uma questão de dúvida
▫ Muitos exercícios de uma vez:
 Impossível identificar efeitos
 Confunde paciente
 Fadiga vocal
No início do tratamento principalmente deve-se focar em poucos exercícios por vez
para paciente fazer em casa e na sessão de terapia pode-se usar diversas técnicas com a
mesma finalidade a fim de SELECIONAR O DE MELHOR EFEITO OU CONFORTO PARA SER
FEITO EM CASA. Solicitar exercícios para casa é a melhor maneira de criar conscientização
vocal e o paciente deve ser estimulado a fazer exercícios fora da sala de terapia. Cada
exercício deve ser repetido de 3 a 5 vezes. No início do tratamento deve-se restringir o
número de exercícios: 2 a 5 no máximo a ser executado uma média de 3x por dia. Nunca
ultrapassar o tempo de 10 min continuados de tratamento. Contudo cada situação deve ser
avaliada de acordo com o tipo de disfonia, o envolvimento e a fixação de ajustes musculares
e as características individuais do paciente.
Deve-se dar atenção à POSTURA CORPORAL: o ideal é manter coluna reta e corpo
apoiado em uma cadeira. Alguns exercícios exigem movimentação corporal e então se deve
orientar quanto ao posicionamento dos pés, ombros e cabeça. Algumas pessoas por falta de
tempo fazem exercícios no carro, banho, escritório, e isto pode ser viável ou não e deve ser
cuidadosamente analisado, pois muitos pacientes têm pouca disponibilidade de tempo para
frequentar terapia e então deve-se adaptar tratamento. Criar motivação para realizar
exercícios em casa é essencial e deve-se acompanhar o paciente por telefone, emails ou
mensagens. O sucesso terapêutico está diretamente relacionado ao empenho e dedicação
do paciente.
Para a alta fonoaudiológica deve-se considerar:
 Diagnóstico médico e fonoaudiológico inicial
 Evolução do tratamento
 Possibilidade de controle do comportamento vocal pelo próprio
paciente
▫ Pode-se optar por alta relativa com reavaliações periódicas

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 42


A alta definitiva não necessariamente indica voz sem desvios, mas sim a melhor
ADAPTAÇÃO obtida e a alta médica não necessariamente indica alta fonoaudiológica. É
necessério, ainda, reconhecer quando o paciente tem dificuldades reais de seguir as
orientações e/ou sinais de resistência à terapia (errar dias da terapia, chegar sempre
atrasado, não realizar exercícios, queixar-se constantemente do problema de voz, ou
mostrar-se descrente dos resultados). Tais situações devem ser calmamente colocadas ao
paciente para ele reconhecer a importância de sua colaboração, do contrário o tratamento
deve ser suspenso. A relação terapeuta x paciente deve encolver: cordialidade, respeito
mútuo, confiança e participação ativa de ambos. O terapeuta deve ser modelo positivo de
comunicação, deve ter competência comunicativa e deve ser sensível às dificuldades do
paciente. Na relação comprometida, devem-se procurar as causas e solucioná-las, do
contrário deve-se encaminhar o paciente para um colega.

8. LINHAS FILOSÓFICAS NO TRABALHO VOCAL

“Somente o terapeuta limitado ou inconsequente aderiria a uma única orientação filosófica


de terapia de voz” (Stemple, 1993).

As linhas filosóficas no trabalho vocal são:

1. Terapia Vocal Sintomatológica


Foco:
▫ Modificação direta dos sintomas
Premissa:
▫ Maior parte das disfonias tem como causa:
 Abuso ou mau uso da:
 Frequencia
 Intensidade
 Respiração
Vantagens:
▫ Modificação direta dos sintomas pode oferecer:
 Resultados vocais imediatos
 Até mesmo surpreendentes
 Paciente fica motivado

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 43


 Trabalho direto com a voz
Críticas:
▫ Causa pode continuar operante
 Disfonia retornar
▫ Exige grande participação do paciente
 Muitas vezes não colaborativo
Indicação:
▫ É excelente nos casos de alterações isoladas de parâmetros vocais
 Frequencia muito aguda,
 Muda vocal incompleta,
 Intensidade elevada,
 Abuso vocal,
 Profissionais da voz.

2. Terapia Vocal Psicológica


Foco:
▫ Identificação e modificação dos distúrbios emocionais e psicossociais
 Associados ao início ou manutenção da disfonia
Premissa:
▫ Há sempre causas emocionais subjacentes
▫ Necessidade, portanto, de determinar a dinâmica emocional do problema
Vantagens:
▫ A terapia de voz é também um processo de autoconhecimento
▫ A compreensão da “história emocional da disfonia” pode propiciar
conhecimento sobre o comportamento emocional do sujeito
Críticas:
▫ A compreensão da dinâmica emocional não assegura uma nova produção
vocal
▫ O paciente pode ficar ansioso
 Ausência de meios concretos para conseguir uma melhor voz
Indicação:
▫ Bastante efetiva nos casos em que a voz é usada como um meio para
extravasar o conteúdo emocional
▫ Disfonias psicogênicas

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 44


3. Terapia Vocal Etiológica
Foco:
▫ Eliminação da causa do distúrbio
Premissa:
▫ É essencial a identificação e a modificação/eliminação das causas da disfonia
ou fatores correlatos
Vantagens:
▫ Eliminada a causa da disfonia, as chances de retorno são praticamente
inexistentes
▫ O paciente sente-se confortável
 Vivencia o seu tratamento embasado na eliminação da gênese do
distúrbio
Críticas:
▫ Nem sempre se pode eliminar ou até mesmo identificar a causa de uma
disfonia
 Mesmo assim há recursos para se tratar o paciente
▫ A relação causa x efeito não é necessariamente direta e única
▫ Muitas disfonias apresentam causa inoperante
 Voz continua alterada por fixação funcional dos ajustes motores
inadequados
Indicação:
▫ Quando a causa pode ser controlada
 Refluxo Laringo-faríngeo
 Quadros de abuso vocal
 Edemas de PPVV

4. Terapia Vocal Fisiológica


Foco:
▫ Modificação da atividade fisiológica inadequada
Premissa:
▫ Dados das funções fonatória e laríngea são essenciais para modificar as
relações musculares e respiratórias
Vantagens:

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 45


▫ Os dados fonatórios e fisiológicos podem contribuir enormemente na
solução rápida de muitas disfonias
▫ O monitoramento visual da dinâmica laríngea ou acústica vocal permite a
identificação da contribuição da fonte (laringe) e dos filtros (sistema de
ressonância) na produção vocal
Críticas:
▫ A fisiopatologia pode ser não modificável
 Mesmo assim há recursos para se tratar paciente
▫ As causas emocionais, não sendo consideradas, podem ser restritivas às
modificações fisiológicas
▫ Pode-se ficar hiperfocado no fisiológico
 Erro de tratar a alteração laríngea e vocal, e não o indivíduo
▫ Só pode ser feita com o auxílio de instrumentação
Indicação:
▫ Melhor opção nos casos de inadaptação vocal
▫ Alteração Estrutural Mínima
▫ Disfonia neurológica

5. Terapia Vocal Eclética


Foco:
▫ Produção de uma melhor voz e uma comunicação mais efetiva
Premissa:
▫ Teses de sistemas diversos oferecem um tratamento mais abrangente para
o paciente
Vantagens:
▫ Terapeuta percebe que tem maior número de recursos de atuação
 O que lhe dá mais segurança
▫ O maior número de recursos se traduz em maior chance de reabilitação
completa do paciente
Vantagens:
▫ O efeito da aplicação de procedimentos de diversas naturezas auxilia na
melhor compreensão da disfonia
▫ O processo de seleção das abordagens a serem utilizadas é um excelente
exercício profissional e de desenvolvimento da mente científica

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 46


Críticas:
▫ Exige conhecimento profundo e amplo de diversas áreas relacionadas à voz
 Comunicação, psicologia, medicina
▫ Terapeutas pouco experientes podem se sentir perdidos
 Poucas condições de uma atuação satisfatória
▫ Paciente pode se sentir bombardeado de procedimentos
▫ Questões peculiares podem ser colocadas em segundo plano
Indicação:
▫ É a melhor orientação nos casos complexos de disfonia orgânico-funcional
multifatorial
 Exemplo: nódulos vocais e granulomas de laringe

9. REABILITAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NAS DISFONIAS

9.1 MÉTODO CORPORAL

Preconiza produção vocal equilibrada com técnicas que envolvem movimentos corporais
globais e específicos da região laríngea, trabalhando os músculos do próprio aparelho
fonador r produz efeitos mais imediatos. Utiliza-se de movimentos e mudanças de postura,
busca harmonia entre voz e corpo. Envolve algumas regras básicas, como: verificar as
limitações físicas do paciente, saber identificar os movimentos anormais (contrações,
tensões: excessivas ou desnecessárias), ter boa experiência para trabalhar com massagem. A
vantagem é que este método desenvolve a conscientização do corpo, de seus movimentos e
da relação com a produção vocal. Há inúmeras possibilidades de trabalho e algumas técnicas
são:

1. Técnica de movimentos corporais associados à emissão de sons facilitadores:


◦ Pode ser empregada movimentação de todo corpo
◦ Pode-se trabalhar regiões mais específicas, como pescoço e ombros
 Possibilita ao paciente desenvolver uma expressão corporal associada à voz
equilibrada
 Procedimentos básicos:
◦ Movimentações amplas do corpo associadas a sons facilitadores
 Objetivos:

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 47


◦ Relaxamento dinâmico
◦ Melhor integração corpo-voz
◦ Método Corporal
 Aplicações principais:
◦ Voz profissional
◦ Disfonia por tensão muscular
◦ Disfonia infantil
 Variações:
◦ Movimentação de corpo com emissão de pequenos textos
◦ Movimentação de corpo associada à emissão de vogais
 Observações:
◦ Verificar se há limitação na movimentação corporal
◦ Problemas de labirintite
◦ Tontura na execução dos execícios

2. Técnica de mudança de posição de cabeça com sonorização:


 Deve-se procurar em qual posição de cabeça o paciente apresenta melhor produção
vocal. As posições utilizadas podem ser no plano horizontal ou vertical
PLANO HORIZONTAL
 Procedimento básico:
◦ Descolamento horizontal da cabeça para direita ou esquerda, durante
emissão selecionada
 Objetivos:
◦ Melhor aproximação das PPVV em linha mediana
◦ Reduzir rouquidão ou soprosidade
◦ Reduzir bitonalidade
◦ Estabilizar QV
 Aplicações principais:
◦ Disfonias neurológicas
◦ Sobreexcursão da PV sadia – movimentação homolateral ao lado paralisado
◦ Estimulação da PV parética – movimentação contralateral ao lado paralisado
◦ Desnível de PV – cabeça inclinada apresenta melhores resultados
 Variações:
◦ Usar inclinação de cabeça

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 48


 Bitonalidade
 Paralisia/paresia de PV
◦ Usar emissão nos extremos dos movimentos
◦ Manter emissão durante toda movimentação
◦ Associar a sons facilitadores: nasais, fricativos
◦ Gravar as emissões nas diferentes posições
 Mostrar ao paciente
◦ Usar a técnica como monitoração da evolução do paciente
PLANO VERTICAL
Cabeça para trás:
 Procedimento básico:
◦ Emissão, com a cabeça para trás, dos sons plosivos posteriores “k” e “g”, em
sílabas repetidas
 Objetivos:
◦ Aproximação das estruturas em nível glótico e/ou supraglótico
◦ Favorecimento da constrição ântero-posterior
◦ Método Corporal
 Aplicações principais:
◦ Fendas fusiformes de natureza orgânica
◦ Fendas irregulares por retração cicatricial
◦ Pós-laringectomias parciais
◦ Método Corporal
 Variações:
◦ Emissões nos extremos
◦ Emissões durante movimento
◦ Usar sons nasais sustentados
 Fendas fusiformes
◦ Usar vogais
 Para movimentação de pregas vestibulares não desejada
 Método Corporal
Cabeça para baixo:
 Procedimento básico:
◦ Emissão com a cabeça inclinada em direção ao peito, associada a sons
nasais, sustentados ou em sílabas

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 49


◦ Objetivos:
◦ Suavizar a emissão
◦ Eliminar a interferência das PP vestibulares
◦ Elevar o foco de ressonância
 Aplicações principais:
◦ Disfonia vestibular
◦ Disfonias por tensão muscular
◦ Variações:
 Emissões nos extremos
 Emissões durante movimento
 Usar vogais
Cabeça e tronco para baixo:
 Procedimento básico:
◦ Dobrar o tronco (de pé ou sentado), emitir o som facilitador enquanto se
sobe o tronco devagar
 Objetivos:
◦ Vibrar a mucosa a favor da força da gravidade
◦ Dissipar energia no trato vocal
◦ Afastar PP vestibulares
 Aplicações principais:
◦ Ressonância laringofaríngea
◦ Edema de Reinke
◦ Disfonia por aproximação de PP vestibulares
◦ Voz profissional
 Variações:
◦ Usar vogais
◦ Usar sons nasais
 Observações gerais importantes:
◦ Verificar sempre limitações muscoloesqueléticas, articulares e do labirinto
◦ Nos casos de exs prolongados em uma só posição, fazer a compensação
muscular do lado contrários sem emissão
 Observações gerais importantes:
◦ Nos casos de Edema de Reinke, verificar se o paciente fica com restrição
respiratório com a cabeça para baixo

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 50


◦ Cabeça e tronco para baixo: verificar equilíbrio do paciente
 Preferir fazer manobra com paciente descalço

3. Técnica de massagem na cintura escapular:


 Atua diretamente na musculatura cervical quando contraída
 É importante considerar o grau de desconforto e dor gerados
◦ Inicialmente paciente pode não referir dor, após sessões pode referir –
resposta positiva ao procedimento
 Procedimento básico:
◦ Movimentos de toque, pressionamento, estiramento e massagem na
musculatura cervical, costas e ombros
◦ Exercícios corporais globais
◦ Massageadores elétricos
◦ Calor úmido
◦ Bolsas térmicas nas regiões
 Objetivo:
◦ Reduzir hipercontração da musculatura da cintura escapular
 Aplicações principais:
◦ Disfonia por tensão muscular
◦ Fenda triangular médio-posterior
◦ Hipertonicidade secundária ao quadro orgânico de base
 Variações:
◦ Massagem após aplicação de calor
◦ Massagem com sonorização
 Observação importante:
◦ Não usar essa massagem quando o pac rejeita toque ou se sente
desconfortável com massagem

4 Técnica de Manipulação Digital da Laringe:


 Consiste na massagem da musculatura paralaríngea
◦ Relaxar musculatura supra-hióidea e membrana tireo-hióidea
 Procedimento básico:
◦ Massagem na musculatura paralaríngea com movimentos digitais
descendentes e

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 51


◦ pequenos deslocamentos laterais da laringe
◦ Movimentos circulares na membrana tireo-hióidea
◦ Pressão ântero-posterior sobre a laringe
◦ Envolver vocalização durante ou após manipulação
 Objetivos:
◦ Reduzir a hipertonicidade laríngea
◦ Abaixar levemente a frequência fundamental
◦ Reduzir a sensação de “bolo” na laringe
 Aplicações principais:
◦ Disfonia por tensão muscular
◦ Muda vocal incompleta
◦ Sulco vocal
◦ Disfonias tensionais secundárias a pós-operatórios com rigidez de mucosa
◦ Método Corporal
 Variações:
◦ Massagem após aplicação de calor local
◦ Massagem associada à sonorização induzida relaxada
◦ Massagem associada a emissão de sons nasais ou bocejos
 Observação importante:
◦ Não usar quando o paciente demonstra rejeição ao toque na região da
laringe
 Pode-se substituir a massagem para a nuca e ombros

5. Técnica de Massageador associado à Sonorização Glótica:


 Utiliza-se um massageador a pilha ou elétrico levemente posicionado na quilha da
cartilagem tireóide
 Procedimento básico:
◦ Acoplar o massageador na quilha da cart. Tireóidea e produzir um som nasal
ou vogal prolongada
 Emissão em fraca intensidade
 De modo relaxado
 Objetivos:
◦ Suavizar a emissão
◦ Relaxar musculatura laríngea

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 52


◦ Reduzir fenda triangular médio-posterior
◦ Aumentar a propriocepção da sonorização
◦ Aplicações principais:
◦ Disfonia por tensão muscular
◦ Rigidez de mucosa
◦ Muda vocal incompleta
◦ Auxiliar na produção de som basal
 Variações:
◦ Utilizar massageador na testa e/ou no crânio
◦ Utilizar diferentes consoantes prolongadas, nasais ou fricativas sonoras
 Emitidas isoladamente ou com vogais
 Observação:
◦ Não usar quando pac sentir-se desconfortável com massageador
 Pode-se passar para manipulação digital

6. Técnica de Movimentos Cervicais:


 Usa exercícios cervicais associados ou não à emissão de sons
 Contribui para uma emissão mais relaxada
 Movimentação deve ser lenta
 A emissão deve ser suave e controlada
 Procedimento básico:
◦ Movimento “sim”: cabeça para frente e para trás
◦ Movimento “não”: cabeça para um lado e o outro
◦ Movimento “talvez”: cabeça de um ombro para outro
◦ Movimento em “círculos”: rotação ampla de cabeça
◦ Pode-se incluir rotação de ombros associado
◦ Associar à emissão de vogais ou sons facilitadores
◦ Podem ser realizados pelo paciente no chuveiro:
 Maior relaxamento
 Ressonância aumenta: melhor monitoramento da QV
 Objetivos:
◦ Suavização de ataques vocais
◦ Redução da compressão mediana das PPVV
◦ Aumento do TMF

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 53


◦ Ressonância difusa
 Aplicações principais:
◦ Disfonias por tensão muscular
◦ Nódulos de PPVV
◦ Disfonias hipercinéticas
◦ Remoção de compensações negativas nas paralisias laríngeas
◦ Voz profissional
 Variações:
◦ Emissão do som durante todo o movimento
◦ Emissão do som na segunda etapa do movimento
◦ Emissão do som até acabar o ar (sem forçar)
◦ Primeira etapa com emissão de som facilitador com passagem para vogal e
segunda etapa só com movimento
 Observações:
◦ Verificar se há contra indicações para movimentação cervical, labirinto,
muscular ou articular
◦ Controlar a postura geral do paciente
◦ Controlar “travamento” mandibular
 Cabeça levemente abaixada

7. Técnica de Rotação de Ombros:


 Movimentos de ombros possibilitam expansão torácica
◦ Emissão mais equilibrada
 Procedimento básico:
◦ Emissão com rotação de ombros no sentido horário, de frente para trás,
bilateralmente
◦ Associada à emissão de vogais ou sons facilitadores
 Objetivos:
◦ Redução da tensão da musculatura da cintura escapular e pescoço
◦ Aplicações:
◦ Disfonias por tensão muscular
◦ Nódulos vocais
◦ Remoção de compensações negativas nas paralisias laríngeas
◦ Laringectomias totais

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 54


 Variações:
◦ Associação com técnica de vibração de língua ou lábios
◦ Emissão de boca aberta
◦ Associação com técnica de movimentação dos OFAs
 Observação:
◦ Verificar se há limitações ma movimentação ou dores nos ombros

9.2 MÉTODO DE COMPETÊNCIA GLÓTICA

 Visa:
◦ Posicionamento correto das PPVV
◦ Alongamento das PPVV correspondente à frequência da voz requerida
◦ Resistência glótica adequada

1. Técnica do Sussuro
 Procedimento Básico:
◦ Emissão de sequência articulatórias, textos, falas automáticas e leitura em
voz sussurrada, sem esforço
 O mais soproso possível
 Objetivos:
◦ Coaptação anterior das PPVV
◦ Reforço da ação do músculo TA
◦ Aumento da resistência glótica
 Aplicações Principais
◦ Fendas glóticas anteriores e fusiformes
◦ Arqueamento de PPVV
◦ Granulomas e lesões de região posterior
 Fecha região anterior e “libera” região posterior
 Variações:
◦ Usar ataques soprosos
◦ Iniciar emissão no sussurro e gradualmente passar à emissão soprosa –
fluida – neutra
◦ Usar monitoramento visual por nasoendoscopia e comparar o áudio às
emissões
 Observações:
◦ Verificar configuração glótica na realização do sussuro – junto com ORL
◦ Observar possibilidade de tontura com uso conrinuado do exercício
◦ Orientar o paciente a ingerir água durante exercício
 Evitar ressecamento de mucosa

2. Técnica de Emissão em TMF:


 Procedimento básico:
◦ Emissão De vogais sustentadas, no TMF, com abertura de boca adequada,s
em esforço muscular excessivo, controlando-se a QV ao longo da emissão
 Objetivos:
◦ Aumentar resistência glótica
◦ Melhorar estabilidade fonatória

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 55


◦ Adequar a coaptação glótica
◦ Melhorar competência de saída do som quando fala
 Aplicações Principais:
◦ Hipotonia laríngea
◦ Fendas fusiformes
◦ Doença de Parkinson
◦ Projeção vocal
◦ Estabilização da QV
◦ Voz profissional
◦ Aperfeiçoamento vocal
 Variações:
◦ Produção de consoantes fricativas ou nasais no TMF
◦ Modificar vogais em dupla, trio ou mais vogais
 [Link].... Aiu,.[Link]... [Link]
◦ Modificar consoante: vzjvzjvzjvzjvzjvzj...
 Observações:
◦ Controlar a qualidade da emissão durante exercício
◦ Verificar se o TMF não é realizado com tensão excessiva ou envolvimento de
outras estruturas supraglóticas – junto com ORL

3. Técnica de Esforço (EMPUXO):


 Procedimento Básico:
◦ Emissão de plosivos sonoros associada a socos no ar
◦ Emissão sonora acompanha do ato de empurrar ou levantar pesos
◦ Emissão de vogais sustentadas com mãos em gancho ou entrelaçadas,
empurrando as palmas das mãos entre si
 Objetivos:
◦ Aproximação das estruturas laríngeas
◦ Mãos em gancho: adução firme das PPVV na linha média, sem ação das
pregas vestibulares
◦ Melhorar o esfíncter laríngeo para garantir função deglutitória
 Aplicações principais:
◦ Paralisia unilateral de PV
◦ Grandes fendas glóticas
◦ Disfonias hipocinéticas
◦ Laringectomias parciais
◦ Paralisias de véu palatino
◦ Hipernasalidade
◦ Transtornos de muda vocal
◦ PPVV arqueadas
◦ Quadros psicogênicos com voz sussurrada ou articulada
◦ Disfagias discretas
 Variações:
◦ Monitorar a emissão enquanto reduz o movimento de empuxo, procurando
manter a QV obtida
◦ Pensar no empuxo e procurar transferir a ativação muscular para laringe,
sem tem que realizar movimento auxiliar
◦ Associar à técnica de mudança de postura de cabeça

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 56


◦ Usar várias sílabas com um único movimento de empuxo ou emissão de
frases completas durante empuxo
◦ Empurrar paredes com as mãos associando emissão de vogais
 Observações:
◦ Nos exercícios de socos no ar não pressionar excessivamente a laringe
◦ Monitorar cuidadosamente a dosagem da técnica
 Riscos potenciais de lesões nas PPVV ou constrição supraglótica

4. Técnica de Firmeza Glótica


 Procedimento básico:
◦ Ocluir quase totalmente a boca com a palma da mão sobre os lábios
entreabertos, produzindo uma emissão semelhante a “u’ ou “v”, mantendo
a língua relaxada em posição baixa na boca
 Repetir a emissão por pelo menos 5 vezes
 Evitar inflar bochechas
 Objetivos:
◦ Favorecer os ajustes da musculatira laríngea
◦ Expandir o trato vocal
◦ Melhorar a coaptação glótica
◦ Reduzir a interferência supraglótica
◦ Estimular o aumento da ressonância
◦ Estimular elevação de palato mole
◦ Proporcionar melhor CPF
◦ Desenvolver monitoramento proprioceptivo da voz
 Aplicações Principais:
◦ Fonação ventricular ou envolvimento supraglótico
◦ Pós-operatório de lesões laríngeas com presença de fenda glótica
◦ Fendas glóticas em geral
◦ Aperfeiçoamento vocal
◦ Vozes de qualidade destimbrada
 Variações:
◦ Início com mínima intensidade, aumentando-se ao longo da emissão
◦ Usar dedo em gesto de silêncio na frente dos lábios e emitir som de “u”/”v”
(finger kazoo)
◦ Produzir o som de “u” dentro de um canudinho em copo cheio de água
fazendo bolhas
◦ Usar canidinhos “de pirulito” fazendo “u” sustentado
 Observações:
◦ Verificar se há pressão excessiva ou bochechas infladas durante exercício
◦ Controlar presença de sinais de esforço fonatório: tosse, pigarro, ardor e dor
◦ Controlar a QV

9.3 MÉTODO DE FALA

Indicados para promover melhora global na emissão, sem manipulação de certos


parâmetros. Os exercícios propiciam uma QV mais harmônica e redução do grau de
alteração vocal, melhor coordenação de músculos, ar, e articulação dos sons, favorece

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 57


equilíbrio da CPFA e coordenação entre deglutição e fala e aumenta resistência vocal. É
indicado no APERFEIÇOAMENTO VOCAL.

1. Técnica da Voz Salmodiada:


 Emissão semelhante às cantilenas dos salmos
 Favorece a percepção de outros estilos de produção vocal
 Procedimentos básico:
◦ Produzir uma sequência de sílabas, fala automática ou leitura, com emissão
repetida em padrão de frequência e intensidade
 Em cantinela – voz salmodiada
 Ajuste do trato vocal nesta emissão é menos tenso que o habitual
 Coaptação de PPVV mais suaves
 Foco de ressonância mais distribuído = Melhor projeção da
voz
 Objetivos:
◦ Redução do ataque vocal e do esforço vocal global
◦ Aumento da resistência vocal
◦ Quebra do padrão habitual de voz e fala
 Variações:
◦ Usar estrofes, provérbios, poesias, “mananhá”, “vazájá”
◦ Reduzir gradativamente voz salmodiada para fala natural
◦ Finalizar a emissçao com variação para grave ou agudo – trabalha extensão
vocal
 Observações:
◦ Substituir esta técnica por outra, como som nasal, ou leitura somente de
vogais, caso o paciente não se sinta à vontade com o exercício

2. Técnica de Monitoramento por Múltiplas Vias


 O monitoramento da própria voz é de grande importância para fonação equilibrada
 Disfônicos geralmente utilizam poucas informações que sejam de natureza auditiva,
visual ou tátil-proprioceptiva para controlar suas emissões
 Procedimento básico para monitoramento visual:
◦ Observar a emissão em frente a um espelho
 Verificar:
 Regiões de tonicidade excessiva
 Movimentos compensatórios
 Posição, postura e gestos inadequados
 Procedimento básico para monitoramento visual:
◦ Monitorar a própria voz através da expressão corporal e reações dos
interlocutores
◦ Monitorar a emissão em qualquer sistema de registro visual da onda sonora
(programas acústicos)
 Procedimento básico do monitoramento auditivo
◦ Oclusão digital de uma ou ambas as orelhas para aumento do retorno
auditivo por via óssea
◦ Mãos em concha sobre as orelhas
◦ Posicionamento de mãos em concha atrás das orelhas, aumentando
artificialmente o pavilhão auricular
 “orelha de cachorro”
 Procedimento básico do monitoramento auditivo

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 58


◦ Mãos unidas em concha sobre a boca e o nariz, durante a emissão de som
nasal (“m...”), abrindo-se as mãos com a passagem do som nasal para uma
vogal:
 Mmmmmmmmmmmmmm....a
◦ Emissão com o uso de fones de ouvido acoplados a gravador de som, para
retorno da voz amplificada
 Procedimento básico do monitoramento auditivo
◦ Retorno monoaural da emissão de sons prolongados, como a vogal “u”, por
meio de tubo flexível de borracha da boca ao conduto auditivo externo
◦ Retorno auditivo da informação sonora da laringe, captada por um
estetoscópio posicionado na lâmina da cartilagem tireóidea
 Procedimento básico do monitoramento auditivo
◦ Gravação da voz do paciente e playback via fones de ouvido, dirigindo-se a
atenção auditiva do paciente para alguns parâmetros vocais específicos
 Procedimento básico do monitoramento tátil-proprioceptivo
◦ Identificação de sensações e sintomas proprioceptivos indicativos ou
sugestivos de uma emissão incorreta
 Aperto
 Pigarro
 Dor/Ardor
 Secura
 Bolo na garganta, sensação de garganta raspando
 Coceira
 Procedimento básico do monitoramento tátil-proprioceptivo
◦ Emissão com mãos posicionadas sobre a cabeça, testa, face e cavidades de
ressonância
 Incluindo asas do nariz, pescoço e tórax
 Procedimento básico do monitoramento tátil-proprioceptivo
◦ Mãos unidas em concha sobre a boca e o nariz, durante a emissão de som
nasal (“m...”), abrindo-se as mãos com a passagem do som nasal para uma
vogal:
 Mmmmmmmmmmmmmm....a
◦ Serve também para monitoramento tátil-cinestésico
◦ Dirige-se a atenção do paciente para as sensações nas mãos
 Objetivos:
◦ Formação de um esquema corporal vocal
◦ Disfonias por técnica vocal deficiente
◦ Uso de voz em ambientes pouco propícios
 Variações:
◦ Enfatizar um dos monitoramentos
◦ Excluir um dos monitoramentos
◦ Desenvolver análise visual, auditiva e tátil-propriceptiva das emissões dos
outros
 Observações:
◦ Se uma via é muito “pobre” para o paciente, insistir em seu
desenvolvimento para que ela tenha um mínimo de informação adicional

3. Técnica de modulação de Frequência e Intensidade


 Visa reunir condições mínimas para obter plasticidade vocal adequada e saudável
 Utilizar monoaltura ou monointensidade na fala habitual geram:
◦ Psicodinâmica negativa

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 59


◦ Desgaste do aparelho fonador = Fadiga vocal
 Procedimento básico:
◦ Exercícios com frases especiais para treino de modulação, leitura de versos
com entonação marcada e conversação espontânea com foco na intenção
do discurso
◦ Sons facilitadores em diversas frequências e intensidades
 Objetivos:
◦ Técnica universal
◦ Suavizar a emissão
◦ Reduzir a QV monótona
◦ Controle consciente das alts na extensão e dinâmica vocal
◦ Aumentar resistência vocal
 Aplicações principais:
◦ Disfonia por tensão muscular
◦ Paralisia de PV
◦ Vozes profissionais
◦ Fadiga vocal
◦ Aperfeiçoamento vocal
 Variações
◦ Técnica do bocejo-suspiro com modulação
◦ Escalas ascendentes e descendentes contínuas ou em degraus, explorando
os extremos da emissão
 Mesmo que os sons não tenham qualidade musical
◦ Modular a frequência mantendo-se intensidade
◦ Modular a intensidade mantendo-se a frequência
 Observações
◦ Alguns pacientes têm dificuldades para perceber variações de frequência
 Utilizar instrumentos musicais
 Teclado: facilita a execução correta do exercício
◦ Observar se as modulações realizadas não são muito limitadas, excessivas
ou artificiais

4. Técnica de Leitura somente de Vogais


 Trabalha fonte (PPVV) e amplificador
 Procedimento básico:
◦ Eliminar as consoantes e ler apenas as vogais de um texto de forma
encadeada e modulada
◦ Método de Fala
 Objetivos:
◦ Controle da fonte glótica
◦ Redução das constrições no trato vocal
◦ Melhora do padrão articulatório
◦ Estabilização da qualidade vocal
◦ Conscientização vocal
 Aplicações:
◦ Travamento articulatório
◦ Falta de volume e projeção
◦ Voz profissional
 Variações:

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 60


◦ Produzir as vogais encadeadas de frases simples, poesias e sequências
automáticas de fala
◦ Cantar pequenas músicas somente com as vogais da letra
◦ Associar à técnica de voz salmodiada
◦ Método de Fala
 Observações:
◦ Observar se a emissão fica truncada
◦ Trabalhar inicialmente apenas com pesquenas frases moduladas e
conhecidas
◦ Controlar a emissão dos ataques vocais, evitando-se que sejam bruscos

5. Técnica de Sobrearticulação:
 Procedimento básico:
◦ Emissão com movimentação fonoarticulatória exagerada, com ampla
excursão muscular e grande abertura de boca
 Objetivos:
◦ Redução da hipertonicidade laríngea
◦ Maior volume e projeção vocal
◦ Aumento da precisão articulatória
◦ Aumento da resistência vocal
◦ Diminuir velocidade de fala
 Aplicações principais:
◦ Voz profissional
◦ Disfonias neurológicas
◦ Hipernasalidade
◦ Disfonia por fissura labiopalatina
◦ Velocidade de fala excessiva
◦ Reorganização muscular fonoarticulatória
 Variações:
◦ Usar espelho para monitoramento visual
◦ Realizar os exercícios articulatórios com uma pequena rolha (altura máxima
de 1cm) entre os dentes, posicionada mais para fora do que para dentro da
boca
 Variações:
◦ Usar indicador dobrado entre os dentes
 Auxilia o controle do travamento articulatório
◦ Usar calor local na região dos masseteres e temporal para relaxar, então
trabalhar com a técnica
 Observações:
◦ Não privilegiar apenas o trabalho de abertura vertical de boca, mas também
na movimentação horizontal dos lábios
◦ Verificar o envolvimento excessivo da musculatura do pescoço e da testa
◦ Quando utilizar rolha, controlar a saliva e deglutir; sem tirar a rolha de
posição, selando-se firmemente os lábios ao redor da cortiça

6. Técnica de Fala Mastigada:


 Procedimento básico:
◦ Emissão vocal como na técnica mastigatória, associada à contagem de
números, emissão de sequências automáticas ou leitura de textos

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 61


◦ Inicia-se mastigando de maneira evidente e exagerada, depois os
movimentos são reduzidos e, finalmente, apenas pensando neste ato deixa-
se a emissão sair mais livre
 Objetivos:
◦ Redução da hipertonicidade excessiva
◦ Aumento da dinâmica fonoarticulatória
◦ Melhor equilíbrio ressonantal
◦ Aplicações principais
◦ Situações de grande exigência vocal
◦ Profissionais da voz falada e cantada
◦ Aumento da resistência vocal
◦ Disfonia por deficiência auditiva
◦ Disfonia por fissura labiopalatina
 Variações:
◦ Usar goma de mascar durante a emissão, se não houver problemas de ATM
e restringir tempo
◦ Usar calor local na face para relaxar os masseteres e então trabalhar com a
técnica
 Observações:
◦ Pode haver sensações doloridas em função de tensão musculoesquelética
 Nestes casos a utilização desta técnica não é aconselhada!

9.4 MÉTODO DE OFAS: Método de Órgãos Fonoarticulatórios

Preconiza a associação de movimentos ou funções dos OFAs à função vocal. Usam-se


diversos exercícios da Motricidade Orofacial envolvendo as seguintes estruturas: lábios,
língua, bochechas, mandíbula e musculatura faríngea, por exemplo. Devem-se verificar
desequilíbrios musculares e articulatórios que impeçam a realização dos exercícios antes de
iniciá-los. Alguns pacientes podem apresentar problemas de voz associados a problemas de
MO e o exercício pode auxiliar para os dois problemas.

1. Técnica do deslocamento lingual


 Três manobras básicas com a língua
◦ Anteriorização
◦ Posteriorização
◦ Exteriorização
 Procedimentos básico:
◦ Anteriorização, Posteriorização ou Exteriorização da língua
 Objetivos:
◦ Uniformizar a área circular do trato vocal
◦ Posteriorização: maior aproveitamento da cavidade oral
◦ Anteriorização: ressonância posteriorizada
◦ Exteriorização: disfonias hipercinéticas com constrição mediana ou vibração
de pregas vestibulares
 Variações:
◦ Deslocamento lingual com sonorização associada

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 62


◦ Deslocamento lingual com movimentos da musculatura perioral e de
pescoço
 Observações:
◦ Reflexo nauseoso
◦ Constrangimento
◦ Em casos de DTM a exteriorização pode causar dor

2. Técnica de rotação de língua no vestíbulo


 Procedimento básico:
◦ Rotação de língua no vestíbulo bucal
 Lentamente
 Lábios unidos
 Duas vezes em cada sentido
 Aumentar o número de rotações em cada série
 Associar rotação com emissão do som nasal “m” prolongado, juntar
saliva e engoli-la
 Após rotação pode-se inspirar profundamente e emitir vogais
bocejadas
 Objetivos:
◦ Redução das constrições de trato vocal
◦ Reposição da língua e laringe
◦ Ampliação da faringe
 Aplicações principais:
◦ Reorganização muscular fonoarticulatória
◦ Redução da tensão laringofaríngea
◦ Voz com emissão faríngea ou ressonância posterior
 Variações:
◦ Substituir o movimento de rotação por “varrer o palato”, dos dentes ao véu
palatino
 Nos dois sentidos
 Sonorizado
◦ Associar ao exercício de rotação de ombros
◦ Gravar e comparar a emissão antes e depois
 Observações:
◦ Pode haver sensações musculares dolorosas na língua
◦ Não realizar o exercício quando o paciente tem lesões de boca (aftas por
exemplo)
◦ O uso de aparelhos ortodônticos ou próteses dentárias pode dificultar ou
mesmo impedir a realização do exercício

3. Técnica do estalo de língua associado ao som nasal


 Dois exercícios básicos feitos associados
 Estalo de língua: movimenta laringe verticalmente no pescoço
◦ Favorece melhor tonicidade da musculatura laríngea
◦ Dificulta manutenção de foco de ressonância baixo
 Produção de som nasal “n”
◦ Reduz esforço laríngeo
◦ Difunde a ressonância no trato vocal
 Procedimentos básicos:
◦ Estalar ponta da língua de modo constante e repetido, associando à emissão
do som nasal “n” prolongado

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 63


◦ Pode-se iniciar tanto pelo estalo como pelo som
 Objetivos:
◦ Relaxamento da musculatura supra-hióidea
◦ Reequilíbrio fonatório
◦ Movimentação vertical da laringe
◦ Sintonia fonte-filtro
◦ Auxilia ressonância oral
◦ Disfagia discreta
 Aplicações principais:
◦ Travamento articulatório
◦ Foco ressonantal baixo ou posterior
◦ Disfonias por tensão muscular
◦ Disfonias por muda vocal incompleta
 Variações:
◦ Associação da técnica com rotação de ombros
◦ Associação da técnica com mudança de postura de cabeça
 Observações:
◦ Verificar se há tensão excessiva na produção dos dois sons:
 Estalo
 Som nasal “n”

4. Técnica do Bocejo-suspiro
 O bocejo e o suspiro são funções naturais da laringe capazes de liberar a constrição
vocal
 Bocejo:
 Após inspiração profunda boca se abre amplamente
 Laringe se abaixa
 Faringe se amplia
 Facilita a emissão de som mais suave com boa QV
 Todo trato vocal fica aberto
 Resistência à saída do ar é menor
 Ondas sonoras são amplificadas livremente
 Procedimento básico:
 Inspirar profundamente e imitar um bocejo, com língua baixa e
anteriorizada
 Sonorizar com uma vogal aberta (a, é, ó)
 Aproveitar principalmente os bocejos naturais
 Método de Órgãos Fonoarticulatórios
 Objetivos:
 Redução de ataques vocais bruscos
 Ampliação do trato vocal e faringe
 Abaixamento da laringe
 Projeção vocal
 Sintonia fonte-filtro de ressonância
 Ajuste motor mais equilibrado das estruturas do aparelho fonador
 Aplicações principais:
 Travamento articulatório
 Ressonância laringofaríngea
 Nódulos vocais
 Disfonia por tensão muscular
 Fonação vestibular

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 64


 Auxilia na aquisição da voz esofágica
 Desaquecimento vocal
 Fissura labiopalatina
 Exercício preparatório para técnica do som basal e técnica do som nasal
 Variações:
 Provocar bocejos com todas as vogais
 Bocejar com grande variação de frequência
 Bocejar terminando a emissão com “mmm...” prolongado
 Bocejos múltiplos
 Fazer bocejo silencioso com lábios unidos e soltando ar pelo nariz, emitindo
em seguida muáááá, muéééé
 Observações:
 Verificar se há limitações na abertura de boca para a realização da técnica
 Dar instruções detalhadas para que paciente não oclua a saída do som
reduzindo a abertura de boca ou posteriorizando a língua
 Substituir pela ténica do som nasal, caso haja constrangimento do paciente

5. Técnica Mastigatória:
 Procedimento básico:
◦ Mastigar ativamente com a boca aberta e movimentos amplos dos lábios, da
mandíbula, língua e bochechas, emitindo uma grande variedade de sons
 Evitar sons monótonos
 Objetivos:
◦ Técnica universal
◦ Equilíbrio da qualidade vocal
◦ Redução de constrições inadequadas
◦ Aquecimento vocal
◦ Aumento da resistência vocal
◦ Deficiente auditivo
 Aplicações principais:
◦ Disfonias por tensão muscular
◦ Foco ressonantal baixo
◦ Aquecimento vocal
◦ Aumentar a resistência vocal
◦ Melhorar a coordenação fonodeglutitória
◦ Melhorar padrão articulatório
◦ Favorecer a projeção vocal
 Variações:
◦ Usar goma de mascar nos lados da boca, enquanto emite-se os sons
 Verificar limitação por DTM/Diabetes
◦ Fazer repetição de frases ou leitura com mastigação “selvagem”
◦ Fazer contagem de números com mastigação “selvagem”
 Observações:
◦ Verificar se há limitações na abertura de boca
◦ Substituir por outra técnica como som nasal mastigado, associado à
produção de vogais, caso haja constrangimento

6. Técnica de abertura de boca:


 Reduz resistência à saída da produção glótica
 Reduz tensão em nível glótico
 Favorece volume e projeção da voz no espaço

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 65


◦ Com ressonância adequada
 Procedimento básico:
◦ Emissão de sons da fala isolados, em sequência automática ou em leitura de
texto, com a boca o mais aberta possível
◦ Objetivos:
◦ Reduzir constrições do trato vocal
◦ Ampliar as cavidades de ressonância
◦ Melhorar articulação
 Aplicações principais:
◦ Disfonias com travamento articulatório
◦ Baixa resistência vocal
◦ Projeção e volume vocal
◦ Redução de atrito entre as PPVV
◦ Uso profissional da voz
 Variações:
◦ Emissão de boca aberta em frente a um espelho
◦ Emissão de boca aberta associada à rotação de ombros
◦ Emissão de boca aberta antecedendo o trabalho de sons nasais
 Observações:
◦ Alterações da ATM podem limitar a abertura de boca
 Impossibilidade de fazer a técnica
 O paciente deve ser encaminhado a um especialista quando a
limitação é importante
 Inúmeras repercussões negativas

9.5 MÉTODO DOS SONS FACILITADORES

São usados sons facilitadores da emissão com o objetivo de favorecer melhor equilíbrio
funcional da produção vocal. Trabalha diretamente com fonte glótica, mas favorece outros
aspectos vocais.

1. Técnica de Sons Nasais


 É também conhecida como técnica de ressonância
 Ao emitir som nasal ocorre maior dissipação de energia sonora no trato vocal
◦ Ar sonorizado é dirigido para cavidades nasal e oral
 Procedimento básico:
◦ Emissão dos sons “m” com a boca fechada, “n” ou “nh”, contínuos,
sutentados, modulados ou em escalas
 Objetivos:
◦ Suavizar a emissão
◦ Reduzir o foco de ressonância laringofaríngea
 Aumentando componente oral da ressonância nasal
◦ Aumentar TMF sem esforço
◦ Auxiliar monitoramento da voz
◦ Dissipar a energia sonora no trato vocal = melhor projeção vocal
 Aplicações principais:
◦ Técnica universal
◦ Fenda triangular médio-posterior
◦ Nódulo vocal

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 66


◦ Variações:
◦ Isolados ou associados à técnica mastigatória, vogais, escalas, alternados
com vibração
 M......brrrrrr....mmm....brrrr
 N.....drrrrr.....nnnnn....drrrr
◦ Produção de “mmmmm...” associado à bocejo com boca fechada =
expansão interna = ressonância
 Variações:
◦ Mini-mini-mini-mini...aaaa, mananhá – menenhé....
 Associada à voz salmodiada
◦ Som nasal + estalo de língua
◦ Treinamento de unidades fonatórias curtas e repetidas: “m..m..m..m..m”
 Favorecer início da emissão simétrico e harmônico
 Observações:
◦ Se o paciente referir incômodo, ardor, coceira verificar a execução da
técnica ou usá-la com auxílio de bocejo
 Reduz sintomas negativos
◦ É esperada uma certa coceira ou sensação de vibração nos lábios, face e
nariz
 No início alguns pacientes podem parar para coçar essas regiões –
deixar: não é negativo

2. Técnica de Sons Fricativos:


 Procedimento básico:
◦ Emissão dos sons “f”, “s” ou “x” contínuos
◦ Emissão dos mesmos sons em passagem de sonoridade
 “sssssss........zzzzzz”
 “xxxxxx........jjjjjjjjjjj”
 “ffffffffff........vvvvvvv”
 Objetivos:
◦ Direcionar fluxo aéreo para ambiente
◦ Suavizar ataque vocal
◦ Controlar a sonorização glótica
◦ Melhorar CPFA
◦ Trabalhar apoio respiratório e controle de intensidade sem usar fonte
glótica (fricativos surdos)
 Aplicações Principais:
◦ Pós-operatório imediato de lesões laríngeas
◦ Padrão hipertenso de fonação
◦ Ataques vocais bruscos persistentes
◦ IPFA
◦ Aumentar TMF
 Variações:
◦ Emissão de “vzj, vzj, vzj”
◦ Projetar curtas emissões surdas “sss...” com diferentes níveis de pressão de
ar
◦ Trabalho de passagem de sonoridade com associação de vogais
 “ffffff....vvvvv....aaaaaaa”
 Observações:
◦ A emissão continuada pode dar leve tontura por oxigenação excessiva

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 67


◦ Se a articulação for distorcida, melhor usar outra técnica – tensão adicional
◦ De modo geral, o par “f,v” é muito abstrato para o paciente, o “x,j” exige
gasto maior de ar, o “s,z” tende a ser o mais fácil para o paciente

3. Técnica de Sons Vibrantes:


 Conhecida também como técnica de vibração
 Favorece o fechamento glótico
 Otimiza a produção vocal
 Método de Sons Facilitadores
 Procedimento básico:
◦ Emissão sonora com vibração continuada de língua ou de lábios “trrrrrrr....”,
“brrrrrrrr....”
 Objetivos:
◦ Mobilizar a mucosa
◦ Equilibrar a CPFA
◦ Reduzir esforço fonatório
◦ Aquecimento vocal
 Aplicações principais:
◦ Técnica universal
◦ Laringites agudas, gripes ou resfriados
◦ Nódulo vocal
◦ Edema de Reinke
◦ Cicatrizes na mucosa
◦ Sulco vocal
◦ Edema em geral (day after)
 Variações:
◦ Emissões sustentadas, moduladas ou em escalas musicais, associadas às
vogais
◦ Alternar “trrrrrr” e “brrrrr” para treinamento de controle laríngeo e
suavização de ataque vocal
◦ Técnica de vibração de língua com movimentos amplos de lábios
 Bico e sorriso abertos = soltura dos mm. da face
 Variações:
◦ Alternar som vibrante com nasal: “brrrr...m....brrr...m”
 Favorece emissão “solta” e ressonância anterior
◦ Emissões pequenas e repetidas
◦ Associar com movimentos de cabeça
◦ Vibrar língua com lábios levemente protruídos
 Observações:
◦ Vibração de língua inconstante geralmente se regulariza com o treinamento
continuado
◦ A vibração de lábios pode ser facilitada apoiando-se os dedos indicadores na
lateral da rima labial
◦ Se as vibrações forem realizadas com esforço haverá piora da voz ou
sensações desagradáveis
 Observações:
◦ Caso paciente não consiga fazer nem vibração de língua, nem de lábios,
pode-se optar por realizar uma vibração posterior sonorizada
 De véu palatino ou úvula

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 68


 Será como um “gargarejo sonoro” com um pequeno gole de água
auxiliando
 Cuidado com possível aspiração da água

4. Técnica de Sons Plosivos


 Procedimento básico:
◦ Emissão repetida de “p”, “t”, “k” ou “b”, “d”, “g”
 Pataka, peteke, pitiki...
 Objetivos:
◦ Favorecer a coaptação das PPVV
◦ Reforçar ressonância oral
◦ Clareza de emissão
◦ Estabilizar emissão
◦ Estimular vibração de mucosa – plosivos sonoros
◦ Método de Sons Facilitadores
 Aplicações principais:
◦ Disfonias hipocinéticas
◦ Doença de Parkinson
◦ Paralisia unilateral de PV
◦ Pós-laringectomias parciais
◦ Quando não se pode usar empuxo (esforço)
◦ Voz profissional – adquirir precisão articulatória
 Variações:
◦ Emissões associadas às vogais, técnica de esforço e mudança postural de
cabeça
◦ Emissões com variação de ritmo e intensidade
 Observações:
◦ Evitar a realização desse exercício com excesso de força, inflando-se as
bochechas

5. Técnica de Som Basal:


 Registro basal apresenta as frequências mais graves de toda tessitura vocal
 Procedimento básico:
◦ Emissão contínua de som basal com auxílio de “a” em som pulsátil
 Objetivos:
◦ Contrair efetivamente o m. Tireoaritenoídeo
◦ Relaxar o m. cricotireóideo
◦ Relaxar o m. Cricoaritenóideo posterior
◦ Mobilizar e relaxar a mucosa
◦ Favorecer melhor coaptação glótica
◦ Promover fonação confortável após exercício
◦ Favorecer o decréscimo da F0
◦ Aumentar o componente oral da ressonância
 Aplicações principais:
◦ Nódulo vocal
◦ Disfonia por tensão muscular
◦ Fenda triangular médio-posterior
◦ Muda vocal incompleta
◦ Fonação desconfortável
◦ Monitoramento do equilíbrio laríngeo

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 69


◦ Hipernasalidade
 Variações:
◦ Emissão com a sílaba “lá”, “ba, da, ga, ma, na, nha” repetidas vezes
◦ Emissões com cabeça para trás podem auxiliar na produção do som
◦ Emissão com passagem lenta de uma vogal para outra
 “i..., ê..., é...”, “ó..., ô..., u...”: com articulação precisa e aberta
 Observações:
◦ O som basal feito de forma tensa tem frequência mais aguda e deve ser
corrigido imediatamente
◦ Na impossibilidade de produzir o som, trabalhar com sons graves, estimular
bocejo e exercícios cervicais
◦ Não sugira exercício para casa caso paciente tenha dificuldade
◦ Verificar se paciente está produzindo apenas som crepitante: deve ser basal
– grave

6. Técnica de Som Hiperagudo:


 Procedimento básico:
◦ Emissão contínua em falsete – usar “i”
 Ação máxima do m. Cricotereóideo (CT)
 Objetivos:
◦ Relaxar m. Tireoaritenóideo (TA)
◦ Contrair o m. CT
◦ Aumentar ressistência vocal
 Aplicações principais:
◦ Disfonia vestibular
◦ Constrição mediana do vestíbulo
◦ Paralisia unilateral de PV
◦ Edema de Reinke
◦ Nódulo residual
◦ Fendas fusiformes
◦ Disfonias de natureza hipercinética
 Variações:
◦ Emissão associada às diferentes vogais ou consoantes sonoras selecionadas
(contrução CV)
◦ Associar o sopro à emissão do som hiperagudo
 Iniciar com sopro e depois sonorizar
◦ Associar com sequência nasal; “mini-mini-mini...”
 Observações:
◦ Exige trabalho muscular elevado, porém não deve ser observado tensão
excessiva
◦ Mudar tom e intensidade até que paciente consiga emitir em caso de
dificuldade

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 70


Questões de provas anteriores:

1) Em relação ao processo vocal, é incorreto afirmar que:


(A) o timbre varia de indivíduo para indivíduo segundo a idade, e o sexo, e depende da
constituição anatômica e das alterações das cavidades de ressonância e o tom ou altura
vocal varia em parte com a velocidade da corrente aérea e de acordo com sexo, largura e
diâmetro das PPVV.
(B) as teorias mioelásticas, neurocronáxicas, miondulatórias procuram explicar como ocorre
a emissão do som vocal.
(C) entre os músculos abdutores das PPVV estão: o cricoteireoídeo, os cricoaritenoídeos
laterais, o aritenoídeo transverso e o tiroaritenoídeo.
(D) alguns tipos de fendas glóticas que estão relacionadas a quadros de disfonias podem se
apresentar como fenda triangular em toda a extensão, fenda em ampulheta, fenda duplo-
fuso, fenda fusiforme anterior, fenda fusiforme central, fenda triangular posterior grau 1,
fenda triangular posterior grau 2, fenda fusiforme em toda a extensão.
(E) gritar sem suporte respiratório, falar com golpes de glote, tossir ou pigarrear
excessivamente, falar em ambientes ruidosos ou abertos, utilizar tom grave ou agudo
demais, falar excessivamente durante quadros gripais ou crises alérgicas são todos exemplos
de abusos vocais.

2) A voz profissional se refere a uma forma de comunicação oral utilizada por indivíduos que
dela dependem para exercer sua atividade ocupacional. É comum que ocorram alterações
de voz nas atividades nas quais ela é exigida como instrumento de trabalho. As alterações de
voz, caracterizadas por uma lesão estrutural benigna secundária ao comportamento vocal
inadequado ou alterado, marcadas por diversas circunstâncias de sobrecarga do aparelho
fonador e que não são tratadas, são chamadas de:
(A) Disfonias orgânico-funcionais.
(B) Disfonias funcionais.
(C) Disfonias orgânicas.
(D) Afonias.

3) Qual a lesão benigna de prega vocal mais comum causada pelo abuso contínuo da laringe
e pelo mau uso da voz?
(A) falsete.
(B) disartria.

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 71


(C) papiloma.
(D) nódulo vocal.
(E) granuloma.

4) Com relação a voz, laringe e suas disfunções, assinale a alternativa incorreta.


A) A abertura da laringe permite a entrada e a saída livre do ar, sendo garantida pela ação
do músculo cricoaritenoideo lateral.
B) A laringe possui uma série de funções, das quais as mais importantes são: respiratória,
deglutitória, fonatória e de proteção.
C) Para Behlau, as disfonias funcionais secundárias por inadaptações anatômicas englobam:
as assimetrias laríngeas, fusão laríngea posterior incompleta, desvios na proporção glótica e
alterações estruturais mínimas da cobertura das pregas vocais.
D) Os pólipos de prega vocal desenvolvem-se na borda livre da prega vocal, podem ser uni
ou bilaterais, sésseis ou pediculados, o tratamento é quase sempre cirúrgico, no entanto,
fonoterapia pode ser indicada no pré e pós-cirúrgico.
E) Cistos, sulcos e pontes de mucosa são modificações da mucosa não diretamente
relacionada ao abuso vocal.

5) São achados clínicos e vocais esperados nos pacientes com granuloma de prega vocal.
A) A reabilitação vocal é indicada somente quando há envolvimento do comportamento
vocal, podendo ser antes ou imediatamente após a remoção cirúrgica do granuloma, para
prevenir a recorrência do mesmo pelo comportamento vocal inadequado.
B) É uma lesão de massa na borda livre da prega vocal, uni ou bilaterais apresentando
imagem exofítica, esbranquiçada ou avermelhada na região mediana de prega vocal.
C) Em especial, nos casos de origem orgânica, o paciente apresenta voz rouco-soprosa,
frequência dicrótica, incoordenação pneumofonoarticulatória e fadiga vocal.
D) Nos casos de granulomas pós-entubação o risco de recidiva após ressecção da lesão é
muito pequeno, assim como nos casos ligados ao comportamento vocal.
E) O fechamento glótico é geralmente completo e o ataque brusco garante a coaptação
glótica, com exceção das lesões extremamente volumosas.

6) Analise as alternativas abaixo que inferem sobre a atuação fonoaudiológica em casos de


paralisia unilateral de prega vocal, em seguida, assinale a opção correta.

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 72


A) A reabilitação é o tratamento de eleição, mas a cirurgia pode ser indicada em casos de
paralisia unilateral de prega vocal de longo prazo.
B) A terapia fonoaudiológica objetiva-se em promover sonorização adequada, reduzir a
fenda glótica, minimizar o esforço compensatório, além de melhorar a função deglutitória
da laringe quando houver disfagia.
C) Técnica de sons vibrantes, sons facilitadores com escalas para agudos, firmeza glótica e
sons nasais são a base inicial para desenvolver a terapia.
D) A aplicação de técnicas terapêuticas contraindica qualquer forma de técnicas que
objetivem a diminuição da compensação supra-glótica, uso de banda vestibular e o esforço
transglótico durante fonação independente do objetivo terapêutico e da condição funcional
do paciente.
E) As técnicas de empuxo e sons plosivos com aumento gradual do tempo de exercício
podem não ser muito positivas, no entanto, a técnica messa di você e de modulação de
frequência apresentam excelente eficácia a curto e longo prazo.

7) É um músculo único em que um de seus feixes estende-se da base de uma cartilagem


aritenóidea, no processo muscular, ao ápice da outra cartilagem aritenóidea, bilateralmente,
sua contração aproxima as pontas das cartilagens. Assinale a opção que contenha o nome
do músculo laríngeo em questão.
A) Músculo aritenóideo transverso.
B) Músculo cricoaritenoideo lateral.
C) Músculo cricoaritenoideo posterior.
D) Músculo interaritenóideo oblíquo.
E) Músculo tireoaritenoideo.

8) A técnica de _________ objetiva-se a reduzir a ressonância laringofaríngea, aumentar o


componente oral, suavizar a emissão, aumentar o tempo máximo de fonação e dissipar a
energia sonora do trato vocal. (BEHLAU, 2004).
A) sons vibrantes.
B) escalas musicais.
C) sons fricativos.
D) sons nasais.
E) voz salmodiada.

Apostila elaborada pela Fga. Msc. Michelle Ferreira Guimarães Página 73


9) Nódulos nas pregas vocais, podem ser classificados no grupo patológico
(A) malformação congênita.
(B) disfonia psicogênica.
(C) disfonia funcional com alteração orgânica secundária.
(D) disfonia funcional.
(E) alteração fonética.

10) Na fonoterapia para disfonia infantil, é importante que


(A) haja repouso vocal após as sessões, visto a existência de fadiga fonatória.
(B) a reeducação do padrão vocal da criança seja realizada após intervenção cirúrgica.
(C) os procedimentos terapêuticos, sempre que possível, sejam sincronizados com a
expiração, visto a existência de alteração na coordenação pneumofônica.
(D) os procedimentos terapêuticos sejam voltados para o agravamento da voz, a fim de se
coordenar a articulação.
(E) não exista outro comprometimento associado, especialmente de origem emocional, caso
contrário a terapia não será efetiva.

11) Assinale a alternativa que melhor define a disfonia funcional:


(A) é aquela que apresenta sua causa em outras alterações, cuja etiologia independe do uso
da voz.
(B) é aquela que apresenta alteração visível ao exame laringoscópico.
(C) é aquela que decorre do próprio uso da voz ou de conflitos gerados nos valores inerentes
à voz.
(D) é aquela que tem como principal característica a presença de nódulos ou pólipos vocais.
(E) é aquela que necessita de intervenção fonoterápica tanto antes quanto depois da
cirurgia das pregas vocais.

12) Sobre o nervo laríngeo, pode-se afirmar que:


(A)O superior inerva o tireoaritenóideo e é responsável pelo controle da freqüência da voz e
dos sons mais agudos.
(B) O superior inerva o músculo cricoaritenóideo (CT), responsável pelo controle da
freqüência da voz e dos sons mais agudos.
(C)Divide-se em laríngeo superior, médio e inferior.

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(D)O inferior inerva o músculo cricoaritenóideo (CT), responsável pelo controle da
freqüência da voz e dos sons mais agudos.

13) Um paciente de 44 anos de idade, após realizar tireoidectomia total, apresentou grandes
alterações de voz, tais como: fadiga vocal, diminuição da intensidade, disfonia e disfagia. A
qualidade vocal apresentava-se rouco-soprosa de grau severo. Após esta avaliação, qual é o
diagnóstico para o caso?
(A)Paralisia unilateral.
(B) Nódulos bilaterais.
(C)Cisto epidermóide.
(D)Pólipo.
(E) Edema de Reinke.

14) Behlau & Cols. (1997) apontam a psicodinâmica vocal como uma das etapas de
reabilitação vocal. Assinale a alternativa que traduz o objetivo do trabalho de psicodinâmica
vocal.
a) Levar o indivíduo a reconhecer os elementos de sua qualidade vocal;
b) Conscientizar sobre a importância do uso correto da voz;
c) Controlar os abusos vocais;
d) Fixar os ajustes motores para reestruturação do padrão fonatório alterado;
e) Orientar sobre como evitar as crises disfônicas.

15) Com relação às modificações ocorridas no period da puberdade (Andrews & Summers,
1988) qual é a alternative que apresenta a seqüência que caracteriza o desenvolvimento
correto:
a) Crescimento dos pêlos das axilas e da face; crescimento dos pêlos púbicos;
desenvolvimento genital dos testículos; aumento da estatura física, da laringe e das pregas
vocais;
b) Crescimento dos pêlos púbicos; desenvolvimento genital dos testículos; aumento da
estatura física, da laringe e das pregas vocais; crescimento dos pêlos das axilas e da face;
c) Desenvolvimento genital dos testículos; aumento da estatura física, da laringe e das
pregas vocais; crescimento dos pêlos púbicos; crescimento dos pêlos das axilas e da face;
d) Aumento da estatura física, da laringe e das pregas vocais; desenvolvimento genital dos
testículos; crescimento dos pêlos púbicos; crescimento dos pêlos das axilas e da face;

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e) Aumento da estatura física, da laringe e das pregas vocais; crescimento dos pêlos púbicos;
desenvolvimento genital dos testículos; crescimento dos pêlos das axilas e da face.

16) Assinale a característica vocal ou anatômica não observada na senescência.


a) Atrofia dos músculos laríngeos intrínsecos;
b) Aumento das pausas articulatórias;
c) Menor tessitura vocal;
d) Aumento dos tempos máximos de fonação;
e) Pitch grave nas mulheres e agudo nos homens.

17) Assinale a alternativa incorreta sobre o método mastigatório.


a) Considerado um exercício universal da voz por sua enorme utilização mundial.
b) Foi descrito a partir de observações fisiológicas sobre a relação entre mastigação e
fonação.
c) Usa uma função mais primitiva para harmonizar uma função superposta.
d) É indicado nas disfonias hipo e hipercinéticas.
e) Facilitador para alcançar uma fonação equilibrada euma articulação precisa dos sons da
fala.

18) Em um paciente com nódulos vocais bilaterais e fenda dupla poderíamos utilizar as
seguintes técnicas de treinamento vocal.
a) Empuxo, mastigatório, basal;
b) Hiperagudo, ataques vocais aspirados, vibrantes;
c) Exercícios corporais, mastigatório, fonação inspiratória;
d) Vibrantes, cervicais sonorizados, mastigatório;
e) Fricativos, vibrantes, deglutição incompleta sonorizada.

19) Assinale a alternativa que indica os três mecanismos causais da disfonia funcional.
a) Uso incorreto da voz, inadaptações vocais e alterações psicoemocionais;
b) Uso incorreto da voz , fendas e alterações endocrinológicas;
c) Uso incorreto da voz, alteração estrutural mínima e alterações biopsicoemocionais;
d) Uso exagerado da voz , inadaptações vocais e alterações emocionais;
e) Hipocinesia laríngea, alteração estrutural mínima e alterações fisiológicas.

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20) Assinale a alternadiva que contém três quadros típicos observados nas disfonias
psicogênicas.
a) Uso divergente de registros, falsete hipocinético e registro basal;
b) Fonação sussurrada, falsete psicológico e sonoridade intermitente;
c) Espasmos de adução, uso divergente de freqüências e disfonia de conversão;
d) Afonia de conversão, sonoridade persistente e uso divergente de qualidade vocal;
e) Espasmos de abdução intermitente, sonoridade intermitente e falsete de conversão.

21) Assinale a alternadiva que contém os objetivos específicos dos sons hiperagudos
utilizados na reabilitação vocal de pacientes com disfonia:
a) Propiciar melhor ajuste fonatório pela quebra do ciclo da laringe isométrica devido ao
relaxamento dos músculos tíreo-aritenóideos e contração do músculo cricotireóideo;
b) Reduzir a viscosidade e aumentar a flexibilidade da mucosa, de modo semelhante ao que
ocorre com a hidratoterapia;
c) Suavizar a emissão e dissipar a energia sonora pelo trato vocal;
d) Promover o alongamento e encurtamento das pregas vocais;
e) Facilitar uma emissão normotensa e equilibrada, recurso efetivo para mobilização de
mucosa.

22) Por voz fluida entendemos:


a) Uma emissão tensa com predomínio de ressonância laringo-faríngea;
b) Um estágio de contração glótica intermediária entre a voz neutra e a voz soprosa;
c) Um extremo da voz soprosa, sem modulação do ar pela glote;
d) Uma condição extrema de irregularidade na qualidade vocal, com rouquidão,
soprosidade, aspereza e diplofonia;
e) Dois diferentes sons produzidos pelas pregas vocais com altura, intensidade e qualidade
vocal diversas.

23) Na reabilitação do paciente disfônico o exercício mais adequado para constrição


mediana de grau severo é:
a) / b/ prolongado;
b) Fonação inspiratória;
c) Humming;
d) Vocal fry (som basal);

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e) Fricativo.

24) Marque a alternativa abaixo que não traduz a adequada correlação da lesão laríngea
com a sua descrição:
a) Nódulo vocal: lesão mais superficial da lâmina própria, geralmente acompanhada por
espessamento epitelial e constituído por variada composição de edema e fibrose, sem
vascularização exuberante;
b) Edema de Reinke: aspecto edematoso, por vezes polipóide, geralmente bilateral,
assimétrico, estende- se por toda a borda livre de pregas vocais;
c) Sulco: depressão na túnica mucosa em forma de canaleta, geralmente paralela a borda
livre de prega vocal;
d) Laringocele: lesão hiperplásica que compromete a camada superficial da túnica mucosa,
enrijecendo-a; de origem orgânica, causa desconhecida, porém, com predisposição genética;
e) Vasculodisgenesia: alterações da rede vascular subepitelial, visíveis na superfície da prega
vocal com variações de trajeto ou de conformação capilar.

25) Qual das técnicas abaixo tem como objetivo eliminar lesão granulomatosa através de
microtraumatismos em sua base?
a) empuxo;
b) sussurro;
c) basal;
d) arrancamento;
e) fonação inspiratória.

26) A partir da descrição do caso abaixo e da imagem da avaliação laringoscópica, assinale o


objetivo primário do tratamento fonoterápico para esse paciente. Mulher, 42 anos, faz uso
profissional da voz, nega tabagismo e etilismo, queixa de rouquidão há 10 anos, refere piora
da voz no final do dia. Durante a avaliação do comportamento vocal a prova de resistência
vocal demonstrou piora significativa da qualidade vocal, padrão respiratório e articulatório;
articulação travada; média dos Tempos Máximos de Fonação de 7 segundos; ataque vocal
isocrônico, loudness reduzida; pitch grave; importante tensão de cintura escapular.

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a) Maximizar o uso da voz do paciente;
b) Promover a reabsorção da lesão;
c) Auxiliar o paciente a aceitar a nova voz;
d) Desenvolver compensações por uso das estruturas remanescentes;
e) Prevenir a instalação de lesões orgânicas secundárias.

27) Assinale a alternativa em que não há correspondência do tipo de voz e a impressão


transmitida pela mesma:
a) Voz trêmula: sensibilidade excessiva, fragilidade e indecisão;
b) Voz rouca: cansaço, sensação de estresse e esgotamento;
c) Voz comprimida: caráter rígido e emoções contidas;
d) Voz sussurrada: franqueza e falta de potência, mas também sensualidade;
e) Voz fluida: sedução.

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