Comunicação E Dinamização de Grupos em Formação
Comunicação E Dinamização de Grupos em Formação
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Módulo 3
Formação Pedagógica Inicial de Formadores
M3
COMUNICAÇÃO
E DINAMIZAÇÃO
DE GRUPOS EM
FORMAÇÃO
formaçãode
formadores
COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR
Pretende-se que cada formando/a,, após a frequência
do módulo, esteja apto/a a:
1. Introdução................................................................................................................................ 4
2. Sub-Módulo COMUNICAÇÃO E COMPORTAMENTO RELACIONAL ............................................ 6
RELAÇÃO PEDAGÓGICA......................................................................................................................................... 7
COMUNICAÇÃO PEDAGÓGICA...............................................................................................................................8
MÉTODOS E TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO........................................................................................................10
PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA.................................................................................................................12
FATORES INIBIDORES DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL E COMUNICACIONAL....................................15
FATORES POTENCIADORES DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL E COMUNICACIONAL...........................16
ESTILOS DE COMUNICACÃO................................................................................................................................19
ESTILOS DE LIDERANÇA E OS SEUS EFEITOS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA..................................................... 23
O CONTRATO FORMATIVO: COMPROMISSO ENTRE LIBERDADE E RESPONSABILIDADE...............................24
EFICÁCIA E EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO: ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO.....................................................25
3. Sub-módulo DIVERSIDADE NO CONTEXTO DE FORMAÇÃO .................................................... 26
TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS DE CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO DE FORMAÇÃO............................................. 27
PAPEL do/a Animador/a DE GRUPO..............................................................................................................28
TRABALHO COLABORATIVO.................................................................................................................................31
MÉTODOS DE GESTÃO DA DIVERSIDADE............................................................................................................31
a individualidade no processo de aprendizagem.................................................................................35
PROCESSOS DE MEDIAÇÃO................................................................................................................................36
TÉCNICAS DE GESTÃO DE CONFLITOS..............................................................................................................36
4. Conclusão.............................................................................................................................. 39
5. Bibliografia............................................................................................................................. 41
6. Anexos................................................................................................................................... 43
1
1. INTRODUÇÃO
5
INTRODUÇÃO
Como formadores/as as nossas tentativas
de influência consistem em apelar à compreensão
e reflexão, dando no entanto a liberdade de escolha
ajustada ao modo de ser e de estar de cada um/a dos/
as formandos/as. Este é um comportamento formativo
na verdadeira aceção da palavra, pois cabe a cada
um/a de nós formadores/as proporcionar e facilitar o
desenvolvimento pessoal, a capacidade de iniciativa,
discernimento e decisão, através do fornecimento de
elementos e de instrumentos que possibilitem uma
análise pessoal e uma escolha consciente. Só assim
desenvolveremos uma atividade verdadeiramente
formativa.
RELAÇÃO PEDAGÓGICA
A relação pedagógica assume-se como um dos principais fatores do processo de aprendizagem. Assim, em
contexto de formação, relação pedagógica, é o conjunto de todas as interações que se estabelecem entre
formador/a e formandos/as com o intuito de se atingirem os objetivos/aprendizagem, promovendo a partilha de
experiências, os processos de funcionamento, motivação grupal e a compreensão mútua.
A relação pedagógica só tem sentido através do processo comunicacional, que permite ao/à formador/a
estabelecer uma relação com o grupo de formação. Contudo, a relação pedagógica assume diversas formas, ou
seja, reagimos de maneiras diversas em virtude de provocar atitudes e comportamentos diferentes.
O/a formador/a deve criar condições para que a comunicação comece, se concretize e possa continuar. Parte
importante do sucesso da formação passa pela relação formador/a/formando/a e esta só poderá ser claramente
positiva se o/a formador/a for um/a bom/boa comunicador/a, isto é, conhecer as regras da boa comunicação e as
aplicar.
COMUNICAÇÃO PEDAGÓGICA
É possível definir comunicação como troca ou partilha de ideias, sentimentos ou experiências, de um indivíduo para
outro, tendo em vista determinado comportamento. É um fenómeno dinâmico e evolutivo, cujo principal objetivo é
permitir a INTERAÇÃO entre indivíduos ou grupos. Neste sentido, o processo comunicativo diz respeito ao conjunto
de técnicas verbais e não verbais capazes de influenciar ou manipular o ambiente social.
A situação de ensino aprendizagem é um ambiente de comunicação por excelência. Da comunicação gerada no seio
do grupo em formação depende o sucesso da aprendizagem, o concretizar dos objetivos pedagógicos, o clima afetivo
e o nível motivacional do grupo e a realização pessoal do/a formador/a. Torna-se vital para o/a futuro/a formador/a
conhecer os fundamentos do processo comunicativo e algumas das suas implicações, para que lhe seja possível
gerir a comunicação de forma positiva, desenvolvendo uma relação pedagogicamente eficaz com s/as seus/suas
formandos/as.
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
A comunicação permite que se estabeleça uma relação interpessoal onde é possível a partilha e aquisição
de saberes.
CODIFICA DESCODIFICA
CANAL
RUÍDO
DESCODIFICA CODIFICA
MENSAGEM
CONTEXTO SOCIOCULTURAL
ASSIM:
1. Emissor/a: quem emite a mensagem;
2. Recetor/a: quem recebe a mensagem;
3. Mensagem: conjunto de informações transmitidas verbais e/ou não verbais;
4. Código: conjunto de sinais e regras, estabelecidas pelo/a emissor/a e recetor/a, que transformam o
pensamento em informação. É importante que o emissor e o recetor tenham o mesmo conhecimento do
código utilizado.;
5. Canal: meio/instrumento que permite a circulação da mensagem;
6. Feedback: resposta ou reação do/a recetor/a à mensagem enviada pelo/a emissor/a. Em contexto
formativo, as expressões dos/as formandos/as, a postura, as questões, as dúvidas, as brincadeiras, toda
a situação vivida em sala de formação é importante em termos de feedback, para que o/a formador/a
possa manter ou alterar a sua forma de comunicar com o grupo, de acordo com o feedback recebido;
7. Contexto sociocultural: conjunto de variáveis que rodeiam e influenciam a comunicação, isto é, inclui o
ambiente em que decorre a comunicação, num ambiente formal ou informal, o contexto emocional,
técnico, social e cultural do/a emissor/a e do/a recetor/a.
8. Ruído: conjunto de fenómenos que dificultam a comunicação. Assim, por vezes a mensagem não chega
corretamente ao/à recetor/a porque o/a emissor/a fala baixo ou existe barulho no local onde estes/as se
encontram, o facto de um texto estar ilegível também pode ser considerado um ruído à comunicação. As
crenças e perceções que o/a recetor/a tem, assim como, o cansaço ou a preocupação com um
determinado problema podem também ser um ruído à comunicação. Deste modo, isto são condições que
afetam de formas diferentes e por diferentes causas a receção da mensagem.
TIPOS DE COMUNICAÇÃO
Comunicar excede o mero ato de informar, uma vez que envolve resposta ou ações à mensagem que foi
enviada. Comunicar é diferente de informar.
COMO SE COMUNICA?
COMUNICAÇÃO VERBAL
ESCRITA ORAL
Livros Rádio COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL
Cartas Televisão Gestos Expressões faciais
A maioria das vezes, a linguagem não verbal acompanhada da linguagem verbal oferece um significado mais
profundo e verdadeiro que esta última. Podemos impedir a nossa comunicação, facilmente, não utilizando a
linguagem verbal. Mas, não podemos impedir a linguagem não verbal, sendo que é através deste tipo de linguagem
que transmitimos cerca de 90% daquilo que comunicamos.
Os gestos, as expressões, os olhares, a entoação de voz, são componentes da comunicação que devem estar em
sintonia com o que se diz, auxiliando e antecipando a mensagem oral. As discrepâncias entre os dois níveis de
comunicação - verbal e não verbal - dificultam a relação e originam, frequentemente, mal-entendidos e conflitos. Um/a
comunicador/a expressivo/a recorre aos gestos como complemento e suporte da expressão oral.
As pesquisas demonstram que oradores/as que mantém o contacto visual com os/as seus/suas interlocutores/as,
sorriem e utilizam gestos e expressões faciais amigáveis são considerados mais credíveis.
Não se deve falar nem muito baixo nem muito alto Não se devem cruzar braços ou pernas
Não se deve falar nem muito depressa, nem muito devagar, Olhar sempre para os/as formandos/as e não para um ponto
deve ser equilibrado abstrato
Devem pronunciar-se corretamente as palavras, articulando Deve-se evitar ficar encostado a algum objeto, mas sim
corretamente todas as palavras circular pela sala
Não se deve utilizar um tom monocórdico Não deve mastigar pastilha elástica
Não responder a uma pergunta com outra pergunta Revelar distanciamento em relação ao/à interlocutor/a
PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA
DIZ-SE:
PROGRAMAÇÃO NEURO LINGUÍSTICA
porque permite organizar de forma porque se baseia, tal como todo porque esses processos neurológicos
eficiente um conjunto de variáveis que o comportamento, em processos são expressos através de linguagem
captamos através dos nossos sentidos; neurológicos (visão, audição, olfato, verbal e corporal.
paladar, tato e sensação);
SISTEMAS DE REPRESENTAÇÃO
A forma como percecionamos o mundo influencia a nossa maneira de comunicar. Desta feita, a forma como
comunicamos reflete a perceção que temos do exterior, a maneira como vivenciamos as experiências. Como sabemos,
a realidade chega-nos através dos sentidos, é através deles que representamos as experiências interiores e exteriores.
As pessoas, habitualmente, desenvolvem mais um sentido do que os restantes, tornando-se mais sensíveis a ele,
significando que temos sentidos preferenciais.
A PNL designa três formas de pensamento utilizadas por todos/as, no entanto, apenas uma delas constitui a base da
nossa forma de pensar.
VISUAL: implica a capacidade de recordar imagens vistas em tempo anterior e a possibilidade de criar novas, bem
como estruturar as já vistas. Estas pessoas necessitam que o tema a ser abordado seja mostrado. Assim, perante
pessoas com este estímulo o melhor será mostrar uma fotografia, um desenho, um esquema;
AUDITIVO: implica a capacidade de recordar palavras ou sons ouvidos anteriormente e de criar novos. Para estas
pessoas o importante está na forma como se fala (o tom de voz, o ritmo, a clareza das palavras). As pessoas com
este estímulo podem por vezes parecer distantes ou desinteressadas, porque podem estar a falar enquanto olham
para outro sítio, mas para elas o importante é ouvir;
CINESTÉSICO: capacidade de reter sensações corporais táteis, viscerais, propriocetivas, emoções, sabores, cheiros.
Pessoas que utilizam este estímulo sensorial têm maior influência para a aprendizagem, uma vez que, através deste
estímulo estas pessoas sentem-se incluídas dentro dos grupos e compreendem melhor o que está a ser abordado.
Para estas pessoas são as palavras que representam emoções e sentimentos que as fazem estar mais atentas;
Logo, o estudo da Programação Neurolinguista permite facilitar os processos de aprendizagem, desde que se criem
dinâmicas, atividades, ferramentas que estejam adequadas aos diferentes estímulos sensoriais. Assim, existem
testes de frequência sensorial que permitem avaliar o tipo de estímulo dos/as formandos/as e com isto fazer uma
melhor planificação das suas aulas de formação.
Predicados em PNL (ver exemplo em anexos) são os elementos da linguagem que nos permitem identificar o sistema
representacional preferido de cada indivíduo. Uma maneira de detetar o canal representacional dominante de uma
pessoa é ouvi-la falar, estando particularmente atento às palavras de base sensorial.
Ao descrever-nos a sua experiência, o/a nosso/a interlocutor/a, seleciona em geral, num nível inconsciente, as
palavras que a representam melhor. Aquele/a que lhe diz que está a ver claramente o centro da questão indica que
naquele momento está a construir a sua experiência interna de forma visual. O/a que alega não ter contato consigo
ou que está sob muita pressão, indica que está a avaliar a experiência que possui do relacionamento consigo de modo
cinestésico.
A habilidade de utilizar termos no mesmo sistema representacional que a pessoa com quem estamos a conversar
está a utilizar, ou tem como preferencial, aumenta automaticamente o nosso rapport (“imitação” dos comportamentos
e atitudes dos/as outros/as com quem estamos a comunicar) com ela.
Além das palavras escolhidas existem também pistas não verbais que nos ajudam a identificar o sistema
representacional utilizado. A postura, os gestos, bem como, os movimentos oculares adotados pelos indivíduos
quando estão a estruturar um pensamento podem refleti-lo com a ajuda do sistema representacional que essa pessoa
utiliza:
VISUAL | Pessoas com as costas apoiadas na cadeira, com a cabeça e os ombros erguidos. Os gestos são feitos
acima da linha dos olhos.
AUDITIVO | Corpo inclinado para a frente, costas para trás e a cabeça voltada para o lado. Gestos muito próximos das
orelhas.
CINESTÉSICO | Cabeça baixa e ombros curvados. Gestos realizados na linha da cintura.
À SEMELHANÇA DAS EXPRESSÕES CORPORAIS, OS MOVIMENTOS OCULARES TAMBÉM SÃO PERFEITOS “ESPELHOS” PARA DENUNCIAR
OS PENSAMENTOS DO NOSSO DO/A NOSSO/A INTERLOCUTOR/A.
Para melhor comunicarmos com as diferentes pessoas, devemos conhecer em primeiro lugar o nosso canal sensorial
dominante, mas importantíssimo, também será conhecer o canal sensorial dominante do nosso/a interlocutor/a,
para que desta forma possamos “falar a mesma língua”. Deve-se por esta razão recorrer aos predicados de acordo
com o sistema representacional do/a nosso/a interlocutor/a.
- Fatores Pessoais: dificuldade em expressar de forma simples e clara determinados conceitos, pouco nível de
conhecimentos da matéria e aspetos relacionados com a comunicação não verbal - a aparência, movimentos
corporais, expressão facial, fluência, articulação, ritmo, timbre.
- Fatores sociais: Falta de à-vontade para abordar assuntos que as convenções sociais ou pressões morais
consideram tabus.
- Fatores de Personalidade: pouca curiosidade, experiências negativas relacionadas com o/a interlocutor/a ou conteúdo
da mensagem, incapacidade emocional para exteriorizar, distração, desinteresse ou indiferença manifestados pelo/a
interlocutor/a.
ESCUTA ATIVA
É, contudo, aconselhável não colocar questões diretas que possam ser sentidas pelos/as participantes como um
pouco inquisidoras. Não basta ouvir, é necessário entendermos o significado daquilo que ouvimos, ou seja, saber
interpretar para podermos dar um feedback positivo. Se o/a formador/a escutar corretamente a mensagem emitida
pelos/as formandos/as irá conseguir retribuir com um feedback e consecutivamente dar-lhes-á um reforço positivo,
estimulando desta forma a sua participação e aprendizagem.
FEEDBACK
É um conjunto de sinais (verbais e não verbais) que podemos usar para manter e
reforçar uma comunicação, como por exemplo, acenar a cabeça, fazer interjeições, usar
expressões do rosto que revelem atenção e interesse, colocar questões, etc.
Para além de permitir que se estabeleça uma relação nos dois sentidos, permite permite
ao/à emissor/a certificar-se de que a sua mensagem foi corretamente percebida pelo/a
recetor/a.
É também necessário, depois de o/a ouvir, que saiba fornecer feedback construtivo de modo a não prejudicar a relação.
As pessoas que são consideradas “boas comunicadoras” normalmente estão atentas aos sinais comunicativos do/a
interlocutor/a; são boas observadoras de reações.
EMPATIA
A forma como se encontra organizado o espaço onde decorre a formação é também um dos fatores
que devem ser levados em conta. Para além das condições ambientais essenciais, tais como a luminosidade e a
temperatura da sala de formação, há que ter em conta os recursos (físicos e humanos) presentes e a forma como
eles são dispostos. Para obter um clima de empatia e comunicação, é aconselhável que a sala não esteja organizada
conforme o modelo da escola tradicional.
O formato em U das mesas e cadeiras permite uma maior comunicação entre todos/as, bem como a visualização
de todos os elementos (comunicação face a face), o que favorece o espírito e noção de grupo. Naturalmente os
seus olhares convergem para o centro-frente, posição ocupada tradicionalmente pelo/a formador/a.
Por outro lado, este tipo de disposição faz com que, a nível sócio afetivo, todos/as se encontrem no mesmo “patamar”:
o/a formador/a deixa de estar no seu “pedestal” e os/as formandos/as estão todos/as em situação de igualdade entre
si. Os/as formandos/as mais dominantes, extrovertidos/as, autoconfiantes tendem a ocupar posições centrais. As
zonas intermédias ou mesmo extremidades são normalmente preferidas pelos/as formandos/as mais tímidos/as,
introvertidos/as. Os/as observadores/as passivos/as ficam, assim, resguardados do olhar do formador e dos colegas.
A UTILIZAÇÃO QUE O/A FORMADOR/A FAZ DO ESPAÇO É DEVERAS IMPORTANTE NA DEFINIÇÃO DO ESTILO
COMUNICATIVO DO GRUPO.
ESTILOS DE COMUNICACÃO
O estilo comunicativo define a relação entre os/as agentes da comunicação. Muito embora não existam duas
pessoas que ajam exatamente da mesma maneira, todos os indivíduos têm modos mais ou menos estáveis de
comunicar e comportar-se. Mesmo que um indivíduo conheça diferentes formas de reagir a uma determinada
situação, acaba sempre por adotar a forma como mais gosta de comunicar com os/as outros/as.
Assim sendo, podemos considerar que existem determinados estilos comunicacionais que determinam as
relações interpessoais. No entanto, os diferentes estilos que vamos aqui analisar estão presentes simultaneamente
na pessoa, embora haja um/a ou mais que são os/as “preferidos/as” e que, por esse motivo, se destacam num
determinado indivíduo.
As pessoas têm determinadas tendências comunicacionais que podem facilitar ou dificultar o processo de
comunicação. Antes de os apresentarmos, convém fazer duas pequenas ressalvas: cada estilo comportamental é
eficaz em função da situação em que se aplica; a utilização indiscriminada e constante de um determinado estilo
dará origem a problemas interpessoais.
De uma forma geral, podemos identificar quatro grandes estilos comportamentais: o AGRESSIVO, o PASSIVO, o
MANIPULADOR e o ASSERTIVO.
Desta forma, o indivíduo passivo é aquele que, frequentemente, “se deixa levar” pelas
opiniões e preferências das outras pessoas; é aquele/a que prefere “ser conduzido/a”
em detrimento de ”conduzir”. Obviamente que este tipo de comportamento não é
saudável, quando adotado de forma sistemática e rígida de funcionamento.
É sabido que a passividade gera desrespeito. Porém, tem ainda alguns efeitos adicionais nos/as outros/as que
convivem com o indivíduo passivo, tais como: pena, indiferença ou evitamento, irritação ou ainda culpabilização
ou exploração. No/a próprio/a, a passividade gera ainda: frustração, revolta ou agressividade, autocomiseração,
depressão/problemas psicossomáticos e ainda leva à consequente perda da autoestima.
De uma forma geral, os indivíduos agressivos adotam certos comportamentos particulares, tais como o autoritarismo,
a coerção, intolerância e hostilidade, a contestação sistemática (“do contra”), tem uma presença “ruidosa”, a sua
participação no grupo é descontrolada e interrompe frequentemente os/as outros/as.
A agressividade gera mais agressividade. Nos/as outros/as, o indivíduo agressivo provoca temor/inibição,
agressividade/cólera, frustração/humilhação e depressão. Porém, o indivíduo agressivo também se prejudica a si
mesmo, já que o seu comportamento lhe pode provocar um sentimento de poder, mas também de culpa, frustração
e depressão.
Porém, nem sempre levam a melhor; a manipulação acaba por gerar desconfiança, bem como uma série de efeitos
nos/as outros/as que convivem com um/a manipulador/a: sentimentos de culpa e de exploração, indiferença ou
evitamento, agressividade ou cólera e, ainda, desconfiança. No próprio indivíduo, a manipulação leva a sentimentos
de poder, mas também de frustração e depressão e de isolamento ou solidão.
AS SITUAÇÕES ONDE A ASSERTIVIDADE É MUITO ÚTIL SÃO AQUELAS EM QUE: (Chalvin, 1994)
- Quando é preciso dizer algo desagradável a alguém
- Quando é preciso dizer “não” correndo o risco de desagradar
- Para reagir a críticas
- Para reagir a tentativas de manipulação
- Perante manifestações de humilhação ou quando alguém nos tenta rebaixar.
Entende-se por liderança a influência que o/a líder exerce sobre as pessoas de modo a modificar, intencionalmente,
o seu comportamento através da forma como utiliza o seu poder e autoridade. Aqui surgem os diferentes tipos de
liderança, isto é, o tipo de comportamento do/a líder - o que faz e como faz - no seu relacionamento com aquele/a
que lhe é subordinado/a.
Neste tipo de liderança autoritária ou autocrática é o líder que toma decisões sem consultar o grupo.
O/a Formador/a desenvolve uma atitude diretiva tanto quanto ao conteúdo das mensagens como quanto às redes
de comunicação. Dá a voz a quem bem entende, determina os canais e os meios que considera melhores. Os/as
emissores/as e recetores/as só participam quando autorizados/as para tal.
O feedback é limitado e o cruzamento de experiências reduzido. O/a formador/a transforma-se no/a único/a
emissor/a, rejeitando ou ignorando mensagens dos/as outros/as e reduz a maior parte do grupo a recetores/as
totalmente passivos.
É uma liderança não-diretiva, em que o/a formador/a conserva uma atitude não direta tanto quanto ao conteúdo das
mensagens como às redes de comunicação. É aleatória a intervenção dos/as participantes que poderão funcionar
como emissores/as e/ou recetores/as, em qualquer altura, sobrepondo a emissão de mensagens, utilizando canais
e meios a seu belo prazer.
Este ambiente tende a transformar-se rapidamente num espaço de comunicação caótico e facilmente saturado.
O nível de ruído é muito elevado, o que impossibilita a captação de mensagens e a sua posterior descodificação.
Geralmente uma tendência para a desmotivação e a uma participação excessiva num primeiro momento, numa fase
posterior é frequente um afastamento progressivo.
3. ESTILO DEMOCRÁTICO
O/a formador/a mantém uma atitude pouco diretiva quanto ao conteúdo das mensagens, permitindo a livre
expressão e a livre circulação das ideias, mas disciplinando as trocas, isto é, sendo diretivo/a quanto à gestão da
rede.
Zela para que cada elemento do grupo tenha as mesmas hipóteses de ser emissor/a e recetor/a, está atento/a aos
canais de comunicação, suscitando a sua abertura permanente, orienta a escolha dos meios mais adequados e
promove o feedback, suscitando momentos de esclarecimentos e de síntese. Isto faz com que sejam retidos os
elementos mais importantes e leva o grupo na direção dos objetivos.
Dada a grande diversidade de caraterísticas individuais dos/as formandos/as, o/a formador/a tem de procurar uma
adaptação permanentemente da sua conduta, face à heterogeneidade e natureza dos grupos em formação. O estilo
de liderança do/a formador/a deve estar adaptado ao desenvolvimento do processo formativo, assim como aos
diferentes tipos de formandos/as.
De relacionamento interpessoal, utilizando face a cada um/a deles/as estratégias diferentes. Não
existe um estilo único de liderança. Há diferentes formas do/a líder exercer a sua influência e de se
relacionar com os elementos do grupo. Os diferentes tipos de liderança geram diferentes atitudes
dentro dos grupos, assim como diferentes comportamentos individuais.
A formação profissional deve resultar numa negociação constante entre o/a formador/a e os/as formandos/as,
tendo como finalidade a descoberta dos objetivos a atingir durante a sessão a partir da análise das necessidades e
das expetativas dos/as formandos/as, organizando em conjunto o processo pedagógico.
1. Reconhecimento de que sou uma pessoa com sentimentos, os quais influenciam as minhas comunicações;
2. Tolerância perante os sentimentos dos/as outros/as que afetam a sua emissão/receção de mensagens;
3. Intenção de induzir, como emissor/a, sentimentos de segurança, no/a recetor/a;
4. Intenção de ouvir segundo a perspetiva do/a emissor/a e não do meu ponto de vista de recetor/a;
5. Disposição para assumir metade da responsabilidade pelo sucesso/insucesso da comunicação (como emissor/a
ou como recetor/a);
6. Esforço suficiente para dar/receber feedback em todas as comunicações em que estou envolvido/a;
7. Esforço para não agir/reagir segundo ideias preconcebidas (razões, rótulos) que “estão por detrás” da mensagem
do/a outro/a;
8. Reconhecimento de que as comunicações são imperfeitas, evitando o cinismo resultante das dificuldades.
3
Técnicas e Estratégias de Caracterização do Grupo de Formação
27
DEFINE-SE GRUPO :
como um conjunto de indivíduos em interação durante um período
de tempo considerável e que desenvolvem uma atuação coletiva com vista à prossecução
de objetivos partilhados.
Quando o grupo está a ser constituído é provável que os seus membros sintam alguma dificuldade em se ajustar. A
integração plena no grupo exige a identificação pessoal com os objetivos do grupo e a participação do/a formando/a,
traduzida na colaboração e cooperação de acordo com as capacidades e o seu desempenho.
A adaptação ao grupo implica a vontade de aceitar os/as outros/as e o desejo de ser aceite.
Os grupos de formação, apesar de constituírem grupos artificiais, pois não existe familiaridade entre os membros e a
sua duração é limitada no tempo, desenvolvem dinâmicas próprias.
“A eficácia de um grupo em formação depende, por um lado, do facto de cada um dos formandos
estar consciente das motivações subjacentes aos outros formandos e, por outro, do formador
querer que estes atinjam os objetivos pedagógicos”
(Segurado, M.1999)
O grupo de formação é muito mais do que a soma dos seus participantes. Enquanto formadores/as é importante
termos em conta as fases de desenvolvimento pelas quais um grupo passa para estarmos mais preparados/as
para lidarmos com os/as mesmos/as.
A caraterização de um grupo de formação não é um fim (nem uma mera formalidade), mas sim um meio, um
instrumento de trabalho para o/a formador/a construir hipóteses sobre as dinâmicas de grupo, e de aprendizagem
que se podem instalar.
1ª DIFICULDADE DE «ARRANQUE» - período em que são evidentes expressões de nervosismo (silêncios prudentes,
expectantes, por vezes «pesados», olhares interrogativos e risos, expressões faciais de rigidez preventiva/defensiva…
nítidas dificuldades de comunicação verbal, caraterísticas de embaraço e insegurança iniciais);
3ª TENTATIVAS DE ORGANIZAÇÃO - surgem intervenções, ainda dispersas, pontuais, desorganizadas, que procuram
chamar o grupo à tarefa e outras que pretendem um melhor conhecimento mútuo, convidando os/as outros/as a
abrirem-se e deixando cair as próprias máscaras (aumento das interações);
4ª DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO - a comunicação interpessoal é cada vez mais fácil e autêntica (cada
membro é capaz de ouvir os/as outros/as e começa a sentir-se escutado/a e aceite por eles/as), o que conduz à
instalação de um sentimento de confiança mútua e ao desejo de avançar na concretização da atividade;
1. MOTIVAR O GRUPO PARA A APRENDIZAGEM, IMPLICANDO CADA UM/A DOS/AS FORMANDOS/AS NESSE
PROCESSO
2. PROVOCAR A DISCUSSÃO, O TRABALHO INDIVIDUAL E O TRABALHO EM EQUIPAS
Há muitos indivíduos que apesar de revelarem uma boa capacidade intelectual e de aprendizagem, obtêm resultados
muito baixos no seu desempenho escolar. O que falta a estes indivíduos não é a capacidade, mas a motivação. A
relação entre a motivação e a aprendizagem é evidente, pois sem motivação não há aprendizagem, o que equivale a
dizer, que a motivação é condição necessária para haver aprendizagem.
A aprendizagem acontece quando o indivíduo está realmente interessado em aprender; aprende-se aquilo que
corresponde a uma necessidade ou a um interesse.
ESTRATÉGIAS DE MOTIVAÇÃO
- O/a formador/a deverá ter sempre em conta que, para que a aprendizagem seja significativa, o/a formando/a deverá
ter uma atitude positiva e favorável, ou seja, tem de estar motivado/a para acrescentar o que está a aprender ao que
já conhece. - É desta forma que se modificam as estruturas cognitivas já existentes.
- O/a formador/a deve respeitar os/as formandos/as, ser espontâneo e autêntico.
- Facilitar ambientes informais onde todos/as se sintam com liberdade e espaço para esclarecer dúvidas, colocar
questões e participar ativamente na formação.
- Deve comunicar os objetivos da sessão.
- Contextualizar e fundamentar o interesse e a aplicabilidade dos assuntos, criando a necessidade e fomentando a
participação e a curiosidade.
- Reforçar adequadamente as intervenções e em tempo real.
- O/a formador/a deve recolher informação acerca dos/as formandos/as (interesses, motivações, preocupações,
condições físicas, capacidade de aprendizagem) e a partir daí programar sessões estimulantes.
- O/a formador/a deve ser empático/a e comunicar sentimentos de confiança.
- Deve ainda considerar os exemplos dados pelos/as formandos/as e utilizá-los/as, sempre que possível no
desenvolvimento dos temas.
- Recorrer frequentemente a exemplos do dia-a-dia para reforçar as explicações teóricas.
Animar um grupo consiste fundamentalmente em exercer uma ação facilitadora da sua evolução. Isto implica que
a atuação do/a animador/a se vá adequando à medida que o grupo se desenvolve. As técnicas dinâmicas de grupo
são um instrumento que permite uma abordagem aberta e voluntária de um grupo, que facilita o desenvolvimento das
capacidades dos indivíduos que compõem esse grupo, uma vez que este instrumento requer a exposição de opiniões
e a comunicação.
Porém, convêm ter presente que estas atividades não devem constituir um fim em si mesmas, mas antes um meio,
um recurso que podemos utilizar quando pretendemos alcançar objetivos específicos no nosso trabalho com grupos.
Ou seja, não servem, não devem servir, como simples brincadeiras para entreter um grupo ou para preencher um
buraco numa qualquer atividade que se está a fazer com o grupo.
DINÂMICAS DE GRUPO
Existem várias maneiras de organizar as atividades de formação em grupo. Apresentam-se, a seguir, as mais
habituais:
• Dinâmicas de Apresentação: dizem respeito às dinâmicas que procuram eliminar o stress e proporcionar um ambiente
de simpatia e aceitação mútua. Este tipo de dinâmica é utilizado para o conhecimento imediato das pessoas do grupo
no momento inicial;
• Dinâmicas de Integração e Conhecimento: voltadas para grupos já iniciados, permitem reforçar determinado
conteúdo, de forma a favorecer assimilação do mesmo pelos/as participantes;
• Dinâmicas de Aprendizagem: são utilizadas para analisar os conhecimentos adquiridos, permitindo que se faça
também um ponto de situação dos pontos fortes e fracos, pontos a melhorar;
Ao criar dinâmicas de grupo estamos a criar a oportunidade de se desenvolver a função social através de
comunicação e da troca, na medida em que existe diversidade e diferenças a serem trabalhadas. É necessário para
quem vai orientar a dinâmica:
A qualidade do trabalho de grupo aumenta até um certo número de participantes (quatro a cinco elementos). Depois,
se o número aumentar, a eficácia diminui. A maturidade de cada elemento não basta para o grupo ser maduro. O/a
formador/a tem de assegurar os processos de amadurecimento do grupo, enquanto tal. A igualdade de participação
de todos/as os/as elementos tem de ser mantida pelo/a formador/a e por processos internos de funcionamento. A
livre comunicação de ideias tem de ser garantida.
TRABALHO COLABORATIVO
O trabalho colaborativo pode ser definido como uma situação de trabalho de grupo, em que vários/as formandos/as
participam na elaboração/construção de um determinado trabalho ou projeto. Assim, no trabalho colaborativo tudo
é desenvolvido em conjunto, existindo discussão, negociação, divisão, apoio nas tarefas, e concretização das
mesmas até à obtenção do resultado final.
Neste sentido, o trabalho colaborativo leva a um aumento e melhoramento da aprendizagem, uma vez que existe uma
maior interação entre vários elementos, uma maior reflexão e crítica, uma negociação que procura o consenso, a escuta
de diferentes opiniões e a superação de conflitos, sendo este trabalho como referido anteriormente desenvolvido em
grupo, grupo este, constituído por pessoas com diferentes perspetivas/opiniões, formas de ser e estar, idade, sexo,
cultura, etc … o que leva à construção de grupos heterogéneos.
A sala de formação é o espaço onde se desenvolve o processo ensino aprendizagem de um determinado grupo
de formandos/as, sendo este processo, basicamente, uma relação de comunicação entre o/a formador/a e os/as
formandos/as.
Efetivamente, nas salas de formação atuais cruzam-se formandos/as de meios familiares diversificados, de
diferentes realidades sócio económicas, culturais, linguísticas, de diferentes nacionalidades, raças, etnias, género,
convicções religiosas, ritmos e estilos de aprendizagem, entre outros.
Perante isto, os/as formadores/as não podem continuar a direcionar as suas práticas para um padrão único de
formando/a, de currículo e de estratégias pedagógicas. É necessário que eles/as apostem em teorias e práticas
pedagógicas inclusivas, capazes de oferecer oportunidades de aprendizagem para todos/as, concebendo,
igualmente, as diferenças como um trunfo para otimizar o processo educativo e não como um empecilho à própria
aprendizagem.
Deste modo, iremos abordar de seguida alguns métodos de gestão da diversidade por parte do/a formador/a:
- Realização de atividades abertas e variadas, que possam ser abordadas por formandos/as com diferentes níveis
de compreensão e desempenho, sem ser destacados/as os que sabem mais em detrimento dos/as que sabem
menos;
- Realização de debates, onde todos/as tenham a oportunidade de participar e dar o seu contributo;
- Utilização de uma aprendizagem cooperativa, em que todos/as participam e confiem uns/umas nos/as outros/as,
o que permite adquirir capacidades sociais para eliminar os níveis de incerteza;
- Realizar atividades que tenham mais em atenção a interação e a qualidade Pedagógica entre os/as formandos/
as do que o perguntar e o avaliar;
- Conhecer a diversidade existente naquele contexto de forma a formar grupos de trabalho;
- Ensinar a importância da cooperação e a resolução de conflitos de forma positiva;
- Em casos muito específicos utilizar diferentes métodos/técnicas de avaliação, o que deverá ser sempre analisado
por toda a equipa pedagógica de forma a não se criar uma discriminação na forma de avaliação;
- Ser portador/a de uma atitude positiva, usando as diferenças individuais como uma oportunidade para aprender
e não como um problema para resolver;
- Ser capaz de reconhecer os talentos e limitações dos/as seus/suas formandos/as e fazer uma planificação da
sua sessão adequada;
- Identificar e respeitar as diferenças socioculturais dos/as formandos/as;
Em situação de ensino - aprendizagem os/as formandos/as podem assumir diversos papéis. É relativamente
aos papéis que cada um/a dos/as formandos/as assume, em situação de formação, que o grupo se organiza na
prossecução dos seus objetivos pedagógicos. Existem várias tipologias descritivas dos perfis típicos usualmente
encontrados nos pequenos grupos. Apresentam-se de seguida algumas delas.
O/A TÍMIDO/A
Extremamente preocupado/a em não errar. Receia o Dirigir-lhe perguntas fáceis, de modo pouco diretivo;
julgamento dos/as outros/as, tem muita dificuldade Reforçar as suas intervenções, chamando a atenção
em expor-se ou ser alvo da atenção do grupo enquanto dos/as outros/as participantes para elas.
fala. No entanto, tem ideias e interessa-se pela vida do
grupo. Muitas vezes é um/a observador/a atento/a.
O/A DEMODÉ
Tem ideias muito próprias e antiquadas. É rígido/a e Respeitar a sua suscetibilidade. Não o/a criticar
conservador/a. Dirige-se ao grupo com atitudes de diretamente, mas apresentar correções como
superioridade, marcando um certo distanciamento. Tem sugestões ou na forma dubitativa, “sim, mas…”
aversão ao trabalho de grupo.
O/A BOCAS
Está noutra onda. É distraído/a e distrai os/as outros/ Colocar-lhe perguntar diretas e fáceis tratando-o/a
as. Os seus interesses são essencialmente lúdicos, pelo seu nome, para o/a “ligar à terra”. Perguntar-lhe a
daí que as suas colaborações são esporádicas e sem opinião sobre o que acaba de ser dito.
grande investimento de esforço.
O/A MARRETA
É de ideias fixas, gosta de discutir e está sempre no Não se deixar envolver nos conflitos. Aproveitar as
contra. Critica os desempenhos dos/as outros/as, ideias interessantes que possa ter, fazendo-o/a sentir-se
tenta impor-se pela agressividade. Ninguém gosta de membro do grupo.
trabalhar com ele/a e no entanto parece ter orgulho em
ser assim…
O/A EXTROVERTIDO/A
É alegre, amigo/a do grupo, companheiro. Partilha as Procurar obter sua contribuição; Reforçar a sua
suas experiências, conta piadas interessantes, anima o conduta, agradecendo-lhe.
grupo
O/A CRIANÇOLA
Preguiçoso/a, gosta de tudo bem mastigado. Não se Intervir, no sentido de o responsabilizar e interessar
empenha com o resto do grupo, mas gosta de obter pelas atividades, salientando os benefícios.
ganhos, mesmo sem fazer nada por isso…
A INDIVIDUALIDADE NO PROCESSO DE
APRENDIZAGEM
A aprendizagem pode ser considerada como o resultado do funcionamento de um sistema no qual as componentes
são essencialmente escolhidas pelo sujeito. A tarefa do/a formador/a é a de orientar as opções do/a formando/a, de
forma a proporcionar uma maior eficácia na aprendizagem.
Sendo a aprendizagem sobretudo a mobilização de saberes pré-adquiridos que, em ligação com novas informações,
permitem a projeção no futuro e, desta forma, alterar ou mesmo originar novos comportamentos, temos que concluir
que a principal característica de aprendizagem é a de ser um processo.
A aprendizagem implica sempre a adesão voluntária dos/as participantes. Só quando o/a formador/a tem consciência
da individualidade de cada um/a dos/as formandos/as, das suas diferenças e das suas necessidades é que pode
mobilizar o conjunto das diversas capacidades do grupo para uma real atividade e partilha.
O conceito individual de aprendizagem não põe em causa a relação formador/a/formando/a nem a relação formando/a/
grupo. Pelo contrário, o estudo prévio dos elementos do grupo implica a rentabilização dos conhecimentos e mesmo
do tempo disponível. Ao falarmos deste ponto de caráter individual/voluntário do processo de aprendizagem, estamo-
nos a referir-nos ao segundo filtro da memória (memória imediata) que poderá ser ultrapassado através da correta
utilização das técnicas de dinâmica de grupos. Neste ponto de vista, o carácter individual da formação passa pelo
grupo e não se limita à relação Formador/a/Formando/a.
Já sabemos que o indivíduo é um ser que tem uma história de vida, social, cultural e biológica que faz com que ele seja
uma entidade individual. Assim, as características/individualidade de cada ser é reflexo do ambiente onde cresceu,
da sua relação com o meio que o envolve. Assim, e apesar de ainda ser colocado um pouco de lado esta ideia, sendo
mais importante outros fatores a verdade é que devíamos acima de tudo dar atenção à individualidade de cada
formando/a para o sucesso da sua aprendizagem.
Assim, torna-se importante que o/a formador/a em contexto formativo tenha em atenção a individualidade de cada
formando/a e a sua própria individualidade.
PROCESSOS DE MEDIAÇÃO
A mediação é um método que procura a resolução de um determinado conflito, através da qual o/a mediador/a, que
é uma pessoa neutra ao conflito, leva as pessoas envolvidas no conflito a dialogarem e encontrarem uma solução.
Assim, trata-se de um processo voluntário que procura encontrar soluções que sejam mutuamente satisfatórias.
Neste sentido, a mediação é um meio construtivo para a resolução de problemas, sendo um meio através do qual se
pode desenvolver a comunicação assertiva, o respeito pelo/a outro/a, a compreensão e aceitação da forma de o/a
outro/a entender o meio que o envolve.
No contexto formativo para o conflito ser resolvido é necessário desenvolver capacidades e competências para se
conseguir gerir o mesmo, tendo o/a mediador/a que potenciar a modificação de posturas, o desenvolvimento de uma
comunicação assertiva. Assim sendo, o contexto formativo é um local, marcado por conflitos de diversas naturezas,
uma vez que o espaço formativo é constituído por indivíduos com histórias de vida diversificadas.
Deste modo, o papel de mediador/a torna -se importante, para resolver os conflitos que possam surgir, devendo este
ser um dominador da comunicação e relacionamento interpessoal.
Atualmente, a abordagem ao conflito é positiva, pois é encarado como um fator de mudança e um estimulador à
criatividade e à inovação. A abordagem tradicional ao conflito é exatamente o oposto. É algo negativo, assustador e a
evitar. Tanto uma abordagem como a outra são aceitáveis e referem aspetos positivos e negativos do conflito.
AFASTAMENTO /EVITAMENTO:
Esta estratégia traduz-se por uma atitude de fuga e não resolve verdadeiramente o conflito. No entanto, pode
ser eficaz:
- quando se criam situações demasiado desagradáveis, que impossibilitam a concretização de soluções viáveis.
- quando uma discussão se torna violenta e o afastamento pode proporcionar tempo para as pessoas envolvidas
se acalmarem;
- quando o impacto negativo de uma situação é muito prejudicial ou desgastante para as partes envolvidas; -
quando é necessário mais tempo;
ACOMODAÇÃO:
Esta estratégia implica que uma das partes abdique da sua posição, aceitando a do/a outro/a. Esta poderá ser
adequada:
- quando é mais importante preservar a relação do que discutir o assunto;
- quando o assunto é mais importante para a outra pessoa do que para nós;
- quando queremos incentivar os/as outros/as a exporem os seus pontos de vista;
- quando queremos que os/as outros/as aprendam através das suas escolhas e ações.
COMPETIÇÃO:
Nesta estratégia, uma das partes é demasiado afirmativa e tenta defender os seus interesses, sem se preocupar
com os/as outros/as, usando todo o seu poder para que a sua opinião prevaleça. Esta estratégia pode ser
adequada:
- em situações que requerem uma solução imediata (necessidade de uma acção rápida e decisiva);
- quando o assunto é de pouca importância.
COMPROMISSO:
Através desta estratégia, cada um das partes está disposta a ceder alguns dos seus interesses de forma a
conseguir uma solução comum que seja minimamente satisfatória para ambas. Pode ser útil:
- quando se pretende atingir acordos temporários em relação a assuntos complexos;
- quando a colaboração ou a competição não permitiram obter resultados satisfatórios.
COLABORAÇÃO:
A colaboração é a estratégia mais eficaz uma vez que permite implementar soluções que possam trazer
vantagens para ambas as partes. Esta implica o estabelecimento de um clima em que cada pessoa examina e
entenda o ponto de vista do/a outro/a, sendo especialmente indicada:
- quando são necessários os recursos de ambas as partes para a resolução do problema (resolução
de uma questão complexa e vital para ambas as partes em complementaridade);
- quando se trata de assuntos complexos e se dispõe de tempo para os resolver;
- para aumentar a criatividade, explorando em conjunto as outras alternativas.
A resolução dos conflitos depende essencialmente da vontade dos elementos envolvidos; no entanto, o/a formador/a,
enquanto líder formal do grupo e animador/a da formação, deve fazer tudo para clarificá-los, equacioná-los e, se
possível, resolvê-los.
O/a formador/a não deve demitir-se deste papel, ignorando ou sendo indiferente às situações de conflito expressas
ou latentes. É importante estar atento a todos os sinais e indícios e, sempre que verificar a sua existência, procurar
diagnosticar as suas causas, conhecer a sua gravidade e as suas consequências na eficácia e qualidade do
processo formativo.
O/a formador/a deverá adotar sempre uma postura ganhar/ganhar na resolução do conflito, através da negociação,
fomentando um relacionamento honesto e aberto.
• Tentar desativar o conflito, isto é, suspender a sua progressão, procurando acordos em aspetos menores,
procurando mais informação e esclarecendo as perspetivas;
• Procurar criar um clima de abertura e disponibilidade para a resolução do diferendo;
• Fomentar a escuta empática, assim como a expressão de todas as opiniões e posições, no sentido da compreensão
mútua e do ajustamento da solução;
• Tratar contradições e gerir divergências, num procedimento de consciencialização, filtragem e reformulação.
De qualquer forma, o/a formador/a só deverá intervir e envolver-se quando necessário, ou seja, quando os conflitos
ameaçam as bases das relações interpessoais e/ou os objetivos do grupo.
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
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York: Springer
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INDICADORES VERBAIS
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