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ÍNDICE
Capítulo III-Revisão da literatura..........................................................................9
9
CAPÍTULO III-REVISÃO DA LITERATURA
3.1- Definições de Termos e Conceitos
3.1.1 Comércio
O comércio é o acto de comprar, vender ou trocar coisas (GOMES, 1967, p. 11).
Troca de valores ou de produtos, visando o lucro. Os actos de comércio promovem a
transferência de mercadorias entre os indivíduos, deslocando-os de regiões onde são
abundantes para outras onde não existem em quantidades suficientes para satisfazer o
consumo. SANDRONI (1999).
O comércio corresponde actividade de venda de bens novos ou usados feito em
estabelecimentos, feiras e mercados, ao domicílio, por correspondência em vendas
ambulantes e por outras formas destinados ao consumo público em geral. 3
Portanto o comércio pode ser entendido como acto de distribuir a produção para o
consumo intermédio e final através da circulação das mercadorias e dos transportes.
3.1.2 Crescimento económico
O Crescimento económico é o aumento na capacidade de uma economia em produzir
bens e serviços, no âmbito da comparação de um período de tempo com outro. (REIS,
2004, p. 8)
Crescimento Económico é o crescimento contínuo do produto nacional em termos
globais ou per capita, ao longo do tempo” (SILVA, 1984, p. 130)
O termo crescimento económico traduz o aspecto quantitativo de uma economia e que
corresponde ao aumento da produção total de um país durante um certo período de
tempo. (SOARES, 2010, p. 65)
O crescimento económico é o aumento da capacidade produtiva de um país em gerar
renda, consumo e investimento.
_______________________
10
3
SOARES, José Carlos. Dicionário de Economia. Lisboa: Plátano, 2010, p. 47
3.2 Fundamentação Teórica.
3.2.1- Noções Gerais sobre o comércio
O Comércio é uma das actividades mais importantes e mais úteis na vida de um país. A
sua principal contribuição para a riqueza da nação é a de aumentar a utilidade dos
produtos indústria e de agricultura, deslocando-os das fábricas ou dos campos, onde são
produzidos para os locais de consumo.
O Comércio faz assim, com que os produtos passem da posse daqueles a quem sobejam
para as do outro a que fazem falta. Os que vendem, adquirem dinheiro, o que lhes vai
permitir comprar por sua vez outros artigos de que necessitam. Os que compram, têm a
sua disposição artigos que eles talvez nem conhecessem, ou que não poderia obter se
tivessem de os ir comprar a origem, porque lhes ficariam muito caros. 4
Portanto, a actividade comercial contribui poderosamente para o progresso
da nação porque compra os artigos nos locais onde são produzidos,
transporta-os, e, vende-os nos locais onde residem aqueles que dele
precisam. Encoraja também a produção de mais artigos por tornar mais
fácil e barata a sua compra. (GOMES, 1967, p. 12,13)
3.2.2 Descrição Histórica do comércio.
A ciência económica como qualquer outra ciência para a sua existência conta com os
préstimos de outras ciências auxiliares. Tomando neste caso a história, queremos
demostrar que a economia não pode desprezar a história, é por esta causa que fizemos
uma descrição histórica do tema e sua evolução ao longo do tempo, do ponto de vista da
história do pensamento económico.
[Link] Abordagem fisiocrata
A fisiocracia foi uma reação ao mercantilismo e as características feudais do antigo
regime na França e, ainda assim, não conseguiu fugir completamente dos conceitos
medievais que impregnavam a sociedade francesa.
Nesta perspectiva, os trabalhadores que atuam na agricultura compõem a “classe
produtiva” e os demais, que se dedicam ao comércio e ás manufacturas (trabalho
improdutivo), constituem as “classes estéreis”. A vinculação que os fisiocratas
estabeleciam entre agricultura e geração de excedente decorria, em primeiro lugar, de
uma concepção da riqueza segundo uma perspectiva
_______________________
11
4
Gomes, R. H, (1967). O Comércio. Lisboa: Ministério da Educação Nacional, p. 234
estritamente quantitativa, isto é, concebiam a criação da riqueza como uma
multiplicação física dos bens de consumo, fenômeno que só ocorre na agricultura, pois
nos demais sectores, segundo argumentavam, matérias-primas pré-existentes eram
apenas transformadas em bens de consumo. 5
Em segundo lugar, na agricultura pode-se observar da forma mais simples e directa que
o produto obtido por um trabalhador rural ao longo de um ano. Em condições de
produtividade média, supera de maneira significativa as necessidades de consumo e de
reprodução desse trabalhador, restando em excedente que pode ser comercializado. Na
agricultura, fica evidente que os valores de uso criados pelo trabalho e pela
“generosidade” do solo superam a quantidade de valores de uso necessários para a
reprodução do produtor direto. (BRUE, 2006, p. 33)
Quesnay demostrou como o excedente produzido na agricultura circula e se distribui
entre as classes sociais de forma a garantir a reprodução do conjunto de sistema
económica para o ano seguinte. No modelo criado pelos fisiocratas, fica implícito que o
excedente agrícola não é apenas uma pré-condição para a rede de relações de troca que
surge na sociedade, mas também condiciona e dita o ritmo de desenvolvimento das
actividades manufatureiras e comerciais na medida em que o lucro nesses sectores e a
massa de trabalhadores que eles empregam só podem crescer de acordo com o aumento
da produtividade e do excedente agrícola.
Dessa maneira, o desenvolvimento, ou, dito de outra forma, a disponibilidade de capital
para investimento torna-se função do nível de produtividade da agricultura.
Percebe-se, entretanto, que a fisiocracia apresenta a agricultura como elemento essência
para o comércio, ou seja, o sector primário possui uma relação directa com o comércio.
Pois, é a agricultura que fornece produtos a indústria e consequentemente ao comércio.
_______________________
12
5
OLIVEIRA, R. d., & GENNARI, A. M. (2009). História o Pensamento Económico. São Paulo: Saraiva, p 56
[Link] Abordagem Mercantilista
Mercantilismo é o sistema político econômico que evolui com o estado moderno e que
procura assegurar a soberania econômica e política de uma nação em sua rivalidade com
outras. De acordo com esse sistema, o dinheiro é considerado um depósito de riqueza; o
objectivo de um estado é o acúmulo de metais preciosos obtidos através da exportação
da maior quantidade possível de seus produtos e a importância do mínimo possível,
assim estabelecendo uma balança comercial favorável.6
A classe mercantilista surge num contexto de Crise no século XIV, a qual teve o papel
decisivo na desorganização do feudalismo europeu. A Guerra do Cem Anos (1337-
1453), a peste bubônica (1348), a fome e as revoltas camponesas tiveram como
consequência uma redução na esfera do poder privado da nobreza feudal, um
enfraquecimento dos laços de servidão, a desurbanização e a retração das atividades
comerciais que vinham-se desenvolvendo desde o século XI. Com a nobreza feudal,
desorganizada e enfraquecida pelas guerras e revoltas servis da fase anterior, não podia
mais oferecer a proteção e a segurança necessárias às feiras, às actividades comerciais e
ao transporte de valores e mercadorias.
Segundo essa visão, o poder do Estado era função directa da riqueza do reino, cuja
grandeza se definia pelo acúmulo de metais preciosos. Avaliava-se que a
disponibilidade crescente de ouro e prata dotava as casas reais de capacidade para
organizar mecanismos abrangentes e eficientes (burocracia, tropas mercenárias
etc.) Para o exercício e afirmação do poder no plano interno e externo7
Percebe-se que a identificação dos metais com a riqueza e a constatação de que sua
disponibilidade no mercado europeu era fixa (ou variava muito pouco no tempo)
implicavam na conclusão de que a acumulação por parte de uma nação significava uma
perda correspondente para os demais, criando assim uma íntima relação entre os fluxos
comerciais e monetários e as relações de poder entre os Estados. Em síntese, o acúmulo
de metais preciosos como objectivo prioritário das monarquias nacionais contribuía para
a potencialização das hostilidades e dos conflitos comerciais entre os Estados
emergentes.
_______________________
13
6
HAZLITT, H. (2010). Economia numa única lição 4º edição. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, p. 25
7
OLIVEIRA, R. d., & GENNARI, A. M. (2009). História o Pensamento Económico. São Paulo: Saraiva, p 41
Precisamos ainda enfatizar que a maior preocupação dos mercantilistas era com o
controle das condições de comércio, por meio do monopólio, do domínio das fontes de
oferta e das principais rotas de abastecimento. E consideravam ainda:
O desempenho da balança comercial de um país é que determinava a parcela que
lhe cabia no volume total de metais disponível nesse mercado. Em outras
palavras, a parcela que cabia a um país do total de metais disponível no mercado
internacional era directamente proporcional à sua participação nesse mercado e
aos ganhos que nele obtinha por meio da balança comercial. OLIVEIRA, R d., &
GENNARI, A.M. (2009), p 43
Na última fase do mercantilismo, o impulso intervencionista tendeu a deslocar-se
novamente, transferindo suas prioridades da balança comercial para o sector
manufatureiro. A mudança de foco traduziu-se num conjunto de medidas de caracter
protecionista cujo objectivo era apoiar as manufaturas, estimular as exportações e
reduzir as importações.
Em geral, tais medidas traduziam-se em práticas protecionistas como taxação ou
proibição de importação de determinados artigos, proibição de exportação de
ferramentas e de transferência de operários especializados para outros países, estímulo à
importância de matérias-primas, apoio aos que pretendessem produzi-las no país e
controle da qualidade dos produtos elaborados pelas manufaturas emergentes.
O reconhecimento da importância da produção nacional e a adoção de políticas
protecionistas destinadas ao sector manufatureiro desempenharam papel decisivo na
implantação, proliferação e crescimento das manufaturas, mas, a partir de um certo
estágio de desenvolvimento do sector manufatureiro-industrial, o sistema de proteção
parecia inadequado como meio para incrementar a eficiência e potencializar
acumulação. Consolidam a sua ideia ao afirmar:
A unificação do mercado nacional e as agressivas políticas de comércio no plano
internacional potencializaram a acumulação do capital, principalmente sob as
formas do capital comercial, numa primeira fase, e manufatureiro, na segunda. 8
14
_______________________
8
OLIVEIRA, R. d., & GENNARI, A. M. (2009). História o Pensamento Económico. São Paulo: Saraiva, p 49
[Link] – O Comércio e a Revolução Industrial
Conjunto das transformações tecnológicas, econômicas e sociais ocorridas na Europa e
particularmente na Inglaterra nos séculos XVIII e XIX, e que resultaram na instalação
do sistema fabril e na difusão do modo de produção capitalista9
De acordo com a perspectiva histórica, o desenvolvimento econômico é um processo de
acumulação de capital com incorporação sistemática de progresso técnico que se
manifestou historicamente quando a organização da produção social assumiu a forma
capitalista ou moderna. Apenas a partir daí o progresso técnico que se identifica
inicialmente com a Revolução Industrial - o momento em que se completa a Revolução
Capitalista-passou a ocorrer d forma acelerada, e o reinvestimento dos lucros com
incorporação de tecnologias cada vez mais eficientes e sofisticadas tornou-se uma
condição de sobrevivência dos empresários e de suas empresas.
Os historiadores económicos concordam geralmente em que existe uma aceleração
bastante nítida da produção industrial, do investimento e do comércio na Inglaterra e
França. Percebe-se, portanto, que este avanço foi impulsionado pela inovação, o
investimentos, produção e comércio.
Se considerarmos que a inovação social a produção fabril constitui uma das mais
fundamentais mudanças na revolução industrial, precisado admitir também que o
comércio que +e a forma como a produção é distribuída ou alocada aos consumidores,
constitui como um elemento complementar a produção10
[Link].1 Revolução Comercial
Conjunto de transformações ocorridas nas relações de troca entre a Europa e o resto do
mundo no período que vai do século XV ao XVII. Decorreu da formação dos mercados
nacionais e do desenvolvimento do comércio no continente europeu, a partir do século
XI. Incrementado a economia monetária e o comércio com o Oriente, dominado até fins
do século XV por genoveses e venezianos.
A Revolução Comercial foi o factor determinante da destruição do feudalismo. O
ponto culminante da Revolução Comercial foi a descoberta do caminho das Índias
através do Atlântico por Vasco da Gama (1498) , o que acabou com a hegemonia
das cidades
_______________________
9
SANDRONI, Paulo (1999). Novicismo Dicionário de Economia. São Paulo: Best seller, p 528
15
10
FREEMAN, C.; & LOUÇA, F (2004). Ciclos e crise no capitalismo global: Das revoluções industrial à renovação
da informação. Porto: Edições Afrontamento, p. 164
Italianas que dominavam as rotas comerciais entre o Ocidente e o Oriente pelo
Mediterrâneo.11
A ampliação do comércio mundial, englobando quatro continentes, tornava-se uma
monumental fonte de recursos para os mercadores europeus. Só na primeira viagem d
Vasco da Gama os portugueses auferiram lucros de 6000%. A Europa abarrotava-se de
seda, chá, noz-moscada, pimenta, cravo-as famosas especiarias-, até então trazidas do
Oriente com dificuldade e a preços elevados.
Formaram-se então grandes companhias de comércio (Índias Ocidentais e Índias
Orientais), que, aliadas ás Coroas europeias, empreenderam a luta pelo domínio das
fontes de metais preciosos e especiarias. Com isso, desenvolveu-se o mercantilismo,
fruto da acirrada concorrência entre Inglaterra, Holanda, França, Portugal e Espanha. O
ouro e a prata proveniente do México e Peru vieram atender à crescente necessidade de
cunhagem de moedas, pois, a falta desses metais na Europa constituía, havia muito
tempo, um obstáculo ao desenvolvimento das relações comerciais no continente e no
comércio com o Oriente.
O desenvolvimento do comércio e as grandes viagens transoceânicas, bem como a
construção de navios e armamento de tropas para garantir a cada potência europeia
regiões conquistadas ou descobertas, levaram a um incremento sem precedentes das
actividades bancárias; muitos historiadores chegam mesmo a chamar o período da
Revolução Comercial de Idade dos Fugger, a casa bancária mais importante da Europa.
A riqueza acumulada na Europa com o comércio colonial, junto com o tráfico de
escravos, o saque das terras descobertas e os metais preciosos provenientes do Novo
Mundo foram alguns dos elementos económicos que possibilitaram ao continente os
recursos monetários posteriormente aplicados nas actividades produtivas que
viabilizaram a Revolução Industrial.
3.2.3- Comércio Interno
Por comércio interno entende-se o comércio que é realizado dentro das fronteiras de um
país e seus territórios. As compras que todos nós realizamos para adquirir artigos de que
necessitamos para no nosso uso ou sustento, ou para de nossas famílias, são simples
actos de consumo pessoal.
Mas há pessoas que compram artigo que na sua grande maioria não se destinam ao seu
próprio consumo. Desempenham assim papel de intermediários entre os produtores e os
consumidores.
16
_______________________
11
SANDRONI, Paulo (1999). Novicismo Dicionário de Economia. São Paulo: Best seller, p 528
17
3.2.4. Teorias explicativa do comércio
Comércio e desenvolvimento humano têm uma relação complexa. Para compreende-la,
é necessário entender a complexidade da política comercial e ver o desenvolvimento
humano como parte de uma política de desenvolvimento em sentido mais amplo.12
[Link] Teoria Clássica
Uma das grandes teorias clássicas sobre o comércio é a apresentada por David Ricard.
O princípio da vantagem comparativa, descrito primeiramente por David Ricardo,
constitui a base teórica para a teoria tradicional do comércio e oferece o fundamento
lógico para o livre comércio. Tal princípio afirma que, mesmo que um país produzisse
todos os bens a um custo mais baixo do que outras nações, ele beneficiar-se-ia da
especialização na exportação de seu bem mais barato (ou do bem em que ele possui uma
vantagem comparativa).
Alguns economistas clássicos acreditavam que a vantagem comparativa decorria das
diferenças nas técnicas de produção. Posteriormente, os desenvolvimentos teóricos
identificaram as diferenças na dotação de factores com a base principal da vantagem
comparativa. A análise tradicional do comércio reconheceu o argumento em prol da
intervenção governamental (protecionismo) e as falhas de mercado exigissem uma
proteção temporária das indústrias nascentes- embora os subsídios directos ainda fossem
considerados preferíveis. A intervenção também seria justificável, embora ainda
desencorajada, se pudesse melhorar os termos de troca de uma nação por meio do
aumento do poder de mercado. Entretanto, todas essas ideias eram exceções ao princípio
geral de que o livre comércio é o mais recomendável.
A teoria tradicional do comércio tem sido contestada porque, muitas vezes, não
consegue explicar os padrões reais do comércio. Pesquisas empíricas cuidadosas
mostram que muitos dos pressupostos básicos da teoria- concorrência perfeita, pleno
emprego, perfeita mobilidade de factores nos países, imobilidade de factores entre
países- não são realistas nem condizentes com os prognósticos teóricos. Quando tais
pressupostos se afrouxam, o bem-estar e outros resultados ficam menos claros. Além
disso, a introdução de pressupostos sobre os efeitos diferenciais na aprendizagem, sobre
as externalidades positivas e sobre as alterações técnicas associadas a actividades
econômicas diferentes cria a possibilidade teórica de que o comércio proporcione
ganhos escassos (se chegarem a existir) aos países especializados em produtos de baixo
valor agregado e intensivos em mão-de-obra. (COSTA & SOUSA-SANTOS, 2010, p.
34)
_______________________
18
12
KRUGMAN, Paul (1981). Intraindustry specialization and the gains from trade. Journal of Political Enonomy,
89, n. 5, p 959-973.
Vários analistas têm buscado modificar, expandir ou rejeitar algumas das conclusões da
teoria tradicional do comércio. Os novos teóricos citam o papel das economias de escala
e dos mercados de concorrência imperfeita na determinação dos padrões de comércio
intra-industriais entre países industrializados. Essa visão leva os teorizadores de
estratégias em mercados internacionais oligopolistas. A literatura recente sobre
comércio também enfatiza que, em termos dinâmicos, pode se criar uma vantagem
comparativa com base no capital humano, na aprendizagem, na tecnologia e na
produtividade. Ela também pode mudar com o tempo graças à política econômica.
Outras respostas provêm dos teóricos que questionam a validade do princípio da
vantagem comparativa, argumentando que a vantagem absoluta ou competitiva é um
determinante mais confiável dos resultados do comércio. Uma dessas respostas é uma
análise de nível macroeconômico que examina o comércio num contexto caracterizado
por baixa demanda agregada, desemprego estrutural e ajustes salariais e inflexíveis.
Outra afirma que a competitividade industrial internacional é determinada pela
diferença tecnológica entre as nações. (MADEIRA, 2013, p. 43)
O fio condutor comum a todas essas diferentes teorias é que o comércio pode contribuir
para o crescimento ao expandir os mercados, facilitar a competição e disseminar
conhecimento. Persiste a controvérsia em torno da eficácia da intervenção
governamental na promoção do crescimento. E a literatura especializada, por sua vez,
diz pouco sobre como o comércio e a política comercial se relacionam com o
desenvolvimento humano ao longo do tempo.
Neste caso, O comércio pode gerar ganhos significativos e estáveis em termos de bem-
estar, à medida que aumenta a eficiência da alocação de recursos e o uso da capacidade,
proporciona economias de escala na produção e gera uma variedade maior de produtos
para consumo. Mas nenhum desses benefícios é garantido, e o comércio pode impor
fortes custos de ajustes a certos segmentos da população e, em alguns casos, a economia
com um todo. O comércio também tem efeitos dinâmicos, mas não é tão fácil
determinar de que modo ele afeta o crescimento da economia e, por sua vez, como tal
crescimento afeta o desenvolvimento humano. (MADEIRA, 2013, p. 43)
[Link] Novas teorias sobre o comércio
As novas teorias do comércio se caracterizam por contemplar as chamadas economias
de escala. Ausente das teorias convencionais, as economias de escala podem advir de
factores tecnológicos e de estruturas dos mercados. Tipicamente, esses fatores se
19
complementam. Essenciais a essas teorias, são comuns igualmente às teorias de
crescimento endógeno. Tecnologias que permitem rendimentos crescentes de escala
garantem condições favoráveis de competição às firmas que as detêm. Em geral,
verificam-se nos modelos dois tipos de estruturas de concorrência imperfeita.:13:
a) Concorrência monopolística, apoiada por preferência dos consumidores à
variedade de produtos;
b) Equilíbrios estratégicos de mercado, por exemplo, na forma de duopólio. As
novas teorias do comércio foram inicialmente elaboradas, entre 1978 e 1985,
em artigos seminais de Krugman (1979, 1980), Helpman (1981), entre
outros.
Desenvolveram-se em amplo e rico corpo teórico. Sua evolução pode ser classificada
em três gerações ou vertentes:
a) Comércio Intra indústria;
b) Política comercial estratégica (strategic trade policy);
c) Nova geografia econômica. As novas teorias do comércio substituíram as
hipóteses de concorrência perfeita por hipótese alternativas de concorrência
imperfeita, como base de funcionamento dos mercados.
Assumiram economias de escala ou rendimentos crescentes de escala, ao invés de
rendimentos constantes. Essas novas hipóteses haviam sido difundidas, com sólida
fundamentação microeconômica, em estudos de organização das indústrias,
notadamente no marco do modelo de Dixit e Stiglitz (1977). Semelhante abordagem
teórica foi inspirada, de um lado, das contribuições seminais de Joan Robinson e
Edward H. Chaberlin, respectivamente em “The Economics of Imperfect Competition”
e “The Theory of Monopolistic Competition”, ambos publicados em 1933. Do outro
lado, remontam a argumentos anteriormente feitos por Adam Smith, Alfred Marshall e
Bertil Ohlin. (saquais, 2011, p. 36).
[Link].1 Comércio Intra indústria.
O Comércio Intra indústria é medido na literatura pelo índice desenvolvido por Grubel e
Lloyd (1975). Este calcula a proporção da corrente de comércio que corresponde ao
comércio Intra indústria. Quanto menos concentradas as exportações e as importações
em sectores ou produtos diferentes, mais elevado é o índice. Seu nível máximo seria
100%, caso em que todo o comércio seria praticado entre os menos sectores produtivos
ou mediante a troca equitativa
_______________________
20
12
SARQUIS, S. J. (2011) Comércio Internacional e Crescimento no Brasil. Brasília: Fundação Alexandre de
Gusmão, p. 36
de bens equivalentes, embora diferenciados. O índice eleva-se à medida que se fortalece
a capacidade de o país indistintamente impor e exportar bens dentro de um mesmo
sector. Reduz-se quando o país passa a concentrar a exportação em um conjunto de bens
e a importação em outro conjunto de bens.
[Link] Política Comercial Estratégica
A Política Comercial Estratégica (Strategic Trade Policy) se conforma como conjunto
de recomendações de política que derivam das novas teorias do comércio. Confronta-se
com as propostas livre-cambistas das teorias clássica e neolística. Essencialmente, as
novas teorias podem fundamentar intervenção governamental via, por exemplo, tarifas e
outras barreiras à importação, estímulos e subsídios à exportação, à inovação, à pesquisa
e ao desenvolvimento.
As formas de intervenção podem permitir os investimentos necessários para o
surgimento e a consolidação de empresas em sectores mais desenvolvidos
tecnologicamente, que operam em ambiente de concorrência imperfeita e com
possíveis rendimentos crescentes de escala que podem derivar de investimento
internos das firmas em inovação, bem como externos às firmas nas áreas de
educação e de capacitação científica e tecnológica.14
[Link] Nova Geografia Econômica
A Nova Geografia Económica procura projectar a produção e o comércio na dimensão
espacial, como sugere o termo geografia. Destarte, passa a prover as novas teorias do
comércio de atributos adicionais para aproximar potencialmente estas de uma
compreensão do comércio como aspecto indissociável do crescimento econômico.
A nova Geografia Económica se fundamenta nas mesmas hipóteses essenciais das novas
teorias e acrescenta importantes elementos antes negligenciados, sobretudo pelas teorias
tradicionais de comércio. Entre esses elementos, sobressaem15:
a) Os custos de transação no espaço, em particular custos de transporte;
b) O Tamanho das economias ou a escala dos mercados; e
c) As cadeias verticais de produção – a montante e a jusante.
_______________________
14
SARQUIS, S. J. (2011) Comércio Internacional e Crescimento no Brasil. Brasília: Fundação Alexandre de
Gusmão, p. 36
15
Ibdem.
21
3.2.5. O Comércio interno como factor de crescimento económico.
As diferentes teorias sobre o comércio, apresentadas anteriormente chegam a um ponto
comum, que é, considerar o comércio como meio para se atingir o crescimento
econômico e consequentemente o desenvolvimento. Porém sabe-se ainda que o
comércio não é uma actividade isola, pois para que a mesma existe é preciso que haja
uma perfeita mobilidade de pessoas e bens, implicando existência de estradas, pontes,
aeroportos e outras estruturas úteis para faze-lo funcionar.
[Link] Comércio com estratégia para industrialização e desenvolvimento.
Nos países menos desenvolvidos, por exemplo, as prescrições políticas convencionais
das duas últimas décadas defenderam a liberalização comercial como um caminho para
sair da pobreza.
[Link].1 Industrialização por substituição de importações.
O Comércio de forma consistente fomenta Industrialização por substituição de
importações. A industrialização por substituição de importações baseia-se na ideia de
que o investimento interno e as capacidades tecnológicas nacionais podem ser
fomentados quando se concede aos produtores domésticos uma proteção (temporária)
contra as importações. A industrialização por substituição de importações catalisou o
crescimento, ao criar mercados nacionais protegidos e, portanto, rentáveis para os
empresários nacionais investirem. Contrariando a sabedoria convencional, essa
abordagem não produziu defasagens tecnológicas nem grandes deficiências em termos
de economias de escala16.
[Link].2 Industrialização por substituição de exportações.
Industrialização orientada para o exterior é comum os “tigres” do Leste Asiático serem
apresentados como exemplos do crescimento impulsionado pelas exportações, no qual a
abertura para a economia mundial desencadeou uma potente diversificação industrial e
o avanço tecnológico.
Mas essa descrição convencional não leva em conta no papel ativo desempenhado pelos
Governos de República da Coréia e de Taiwan, província da China (e pelo do Japão,
antes deles), no planejamento da alocação de recursos. Nenhuma dessas duas economias
implementou uma liberalização significativa das importações logo no início do processo
de crescimento. A maior
_______________________
16
“Economia de escala é actividade que organiza o processo produtivo de maneira que se elcanse utilização dos
factores produtivos envolvidos… “SOARES (2010), p 97
22
parte de sua liberação comercial ocorreu na década de 1980, depois que o alto
crescimento já estava consolidado.
3.2.6 Comércio Interno Grossista e Retalhista
A existência de grossistas e retalhistas são aceites e reconhecidas como indispensável.
Imaginemos só para demostrar a utilidade dos retalhistas, os inconvenientes que
resultariam para o consumidor se tivesse que se dirigir as fábricas ou ao campo cada vez
que de adquirir artigos para o seu consumo. Ou as dificuldades de organização ou de
capital que teriam de enfrentar as fábricas e os produtos se tivessem que montar postos
de venda dos seus produtos em todas a localidades.17
Além disso, o retalhista está em contacto permanente com os clientes da sua área,
conhece-os na sua maioria sabe dos seus gastos e necessidades, e pode por isso defender
os seus interesses. É só assim, comprando o melhor possível, vendendo com um lucro
justo, atendendo ao gosto e interesse dos seus clientes, realiza a tarefa social e
economicamente útil que lhe confere o direito a ser considerado um comerciante.
O papel dos intermediários grossistas é menos importante do que os dos retalhistas,
mas, principalmente em certos ramos do comércio, ainda prestam bons serviços.
O aspecto mas útil da sua actividade é o de facilitarem as transações dos produtos e dos
retalhistas pelo facto de comprarem a pronto os produtos àqueles e os venderem a
crédito aos retalhistas facilitando desde modo a produção e a venda.
A actividade dos grossistas também facilita o comércio de importação, e é útil ainda por
outros motivos menos importantes como regularização das quantidades em armazém e
manutenção do nível de preços. (GOMES, 1967, pp. 32,33)
[Link] A Oferta e a procura
Explicaremos agora o que é a oferta e o que é a procura em termos comerciais:
Se alguém produzir qualquer artigo, seja porque o fabricou, seja porque o colheu nas
suas terras e o pretende vender, temos a (oferta). Se alguém precisa de qualquer artigo e,
o pretende comprar, temos a (procura).
É fácil compreender que há uma estreita relação entre a oferta e a procura. Dependem
uma da outra e ajudam-se mutuamente. Em épocas normais estão sempre mais ou
menos equilibradas, isto é, não há grandes excessos de procura em relação a oferta e
vice-versa.
23
_______________________
17
GOMES, R. H. (1967). O Comércio. Lisboa: Ministério da Educação Nacional, p.32
Quando assim não acontece a vida comercial não corre normalmente porque o excesso
de oferta provoca o abaixamento de preços, o que prejudica quem produz, e o excesso
de procura da origem a uma subida de preços, e portanto, do custo de vida, o que
prejudica o consumidor, que somos todos nós. 18
Em todas os países os Governos esforçam-se para que haja grandes desequilíbrios entre
a oferta e a procura, quer estimulando a produção de mercadorias, principalmente as de
consumo indispensável, como os produtos alimentares, para evitar especulações. Vem a
propósito dizer que se entende por especulação o acto de alguém tirar partido de
qualquer situação fora do normal quanto a oferta ou procura, ou de a provocar, a fim de
obter lucros exagerados e ilícitos o que é puído por Lei. Grossita e Retalhista
[Link] A Concorrência
Um dos aspectos principais da actividade comercial é a concorrência. Para melhor
compreendermos o que vem a ser a concorrência temos de nos lembrar de que o
vendedor e o comprador têm interesses contrários. Ao vendedor interessa valorizar o
mais possível os seus produtos. Ao comprador, por sua vez, interessa comprar as
mercadorias pelo menor preço
Disto resulta que o produtor tem de se esforçar para produzir melhor e mais barato visto
que, se não o fizer, quem lhe compra a mercadoria, neste caso o comerciante, prefira a
de outro produto. Por sua vez o comerciante tem de oferecer a mercadora ao público nas
melhores condições de qualidade e de preço porque no caso contrário ao público prefira
os outros comerciantes.
Desta concorrência constante resulta o comprador pagar as mercadorias pelo seu justo
valor, em estabelecimentos embelezados e tornados mais confortáveis, com pessoal
Cortez, e por vezes com outras vantagens coo a entrega dos artigos em casa do
comprador, as facilidades de pagamento, os brindes, etc (GOMES R. H 1967, p 33).
24
_______________________
18
GOMES, R. H. (1967). O Comércio. Lisboa: Ministério da Educação Nacional, p.33
Tabela nº 1 Características dos Clientes
Tipos de Características Modo de Atendimento
Cliente
Tímidos São acanhados e custa-lhes dizer o que Deve mostrar-lhe o maior número
pretendem; possível de artigos, indicando preços, de
São clientes fáceis que aceitam bem os forma a que eles vão pondo de parte os
conselhos do vendedor, tem a obrigação de que lhes não interessam;
se esforçar para que comprem realmente o Normalmente, quendo encontram o que
que querem e que vão o melhor servidos querem, compram sem demora
possível
Volúveis Mudam muitas vezes de opinião. Devem ser atendidos cortesmente, mas
Escolhe demais; quase em silêncio sem os entusiasmar
Parecem querer comprar tudo e logo a com este ou aquele artigo. Eles se
seguir desistem; cansarão de ver tantos artigos diferentes e
São clientes difíceis se solverão por um ou dois;
Nesta altura fazer-lhes ver as vantagens
de um dos artigos sem abrandar, até
comprarem.
Indecisos Não se resolvem a escolher, parecendo Devem ser atendidos com calma e sem
estarem sempre à espera de um artigo demasiadas palavras, pois quanto mais se
melhor, mais barato, sendo, por isso, o tipo lhes fizer ver as qualidades dos vários
mais difícil de cliente; artigos menos eles sabem qual hão de
São clientes que muitas vezes acabam por escolher;
não comprarem nada Geralmente só se resolvem a escolher
passado certo tempo, daí o convir que o
vendedor espere com paciência, fazendo
pro compreender as suas hesitações, e
mostrando, até, que também não sabe
bem qual dos artigos é que há de
aconselhar.
Apressados Querem ser atendidos antes dos outros Deverão ser atendidos com rapidez e com
clientes; clareza
Geralmente são pessoas abastadas;
Sabem bem o que querem e desejam se
25
atendidos bem e de pressa;
São clientes fáceis.
Presumidos São pessoas vaidosas e convencidas da sua Devem ser atendidas sem demasiadas
inteligência e saber; palavras, deixando-os falar a vontade e
São clientes fáceis. mostrando atenção pelos seus esforços
para se evidenciarem.
Decididos Sabem o que querem e não mudam de Devem ser atendidos com rapidez e de
opinião; bom grado;
Se encontrarem o que querem, são clientes Deve-se evitar qualquer dito que contrarie
fáceis a ideia de compra que trazem.
Curiosos Pretendem saber, por miúdo, tudo o que se Deve procurar-se responder a todas as
relaciona com os artigos que procuram, suas perguntas;
como são feitos, onde por quem, etc; Mostrar interesse pelas suas opiniões,
Gostam de dar conselhos e ideias; embora sem prolongar demasiado a
São clientes difíceis. conversa;
Evitar faltas de paciência.
Desinteressados Mostram pouco entusiasmo pelo que O vendedor deve mostrar pouco interesse
querem comprar, duvidando da sua boa pela venda, para que não desconfiem que
qualidade; lhes estão a mentir para fazer a venda a
Ás vezes são maldizentes; todo custo;
São clientes difíceis. Informá-los de outras pessoas ou firmas
importantes que tenham comprado o
mesmo artigo.
Teimosos Tem suas ideias sobre os artigos e ninguém Não deve falar-se demais na qualidade
os convence do contrário; dos artigos e só apresentar argumentos
São clientes difíceis, a não ser que encontre que não possam ser desmentidos.
logo o que procuram por já o conhecimento
Fonte: Elaboração própria com base (GOMES 1967, p. 95-98)
26
3.2.7 Efeitos do comércio interno
O comércio interno, como qual actividade económica pode apresentar diversos efeitos, e
estes podem ser negativos como positivos. Porém para maior sistematização
descrevemo-os conforme se segue.
3.27.1 Efeitos do comércio interno na Pobreza
A pobreza constitui um conjunto de problemas dos mais complexos a economia actual,
da má distribuição nasce a pobreza, ou seja, uma situação em que o acesso aos bens
necessários para satisfazer as necessidades está abaixo de um certo nível considerado
norma. A pobreza é, naturalmente, a principal questão dentre os problemas de
distribuição.
Uma situação generalizada de privação, por parte de alguns agentes ou de populações
inteiras, na satisfação das suas necessidades constitui uma realidade que representa a
principal motiva para os estudos de distribuição.
A pobreza resulta de uma desigualdade de acesso aos bens produzidos, causados pro
desigualdades sociais e económicas. (NEVES J. C., 2013, p. 338)
A condição da pobreza é capaz de afectar hoje mais de um quarto da população
mundial, com particular relevância para os países em via de desenvolvimento. No
entanto, a partir da segunda metade da década de 80 a pobreza deixou de ser um
fenómeno exclusivo dos países menos desenvolvidos, registando-se situações
catastróficas mesmo nos países desenvolvidos e que afectam, sobretudo, as minorias
étnicas e raciais.
A pobreza provoca de imediato, a exclusão social, uma vez que a ausência de instrução
e de rendimento impede o acesso aos direitos materiais e imateriais facultados por uma
sociedade, uma análise da actual situação social do país leva-nos a concluir que o
comércio interno se for bem incentivado tende a diminuir o índice de pobreza das
populações (ROCHA, 2009, p. 147).
Logo o comércio ao facilitar a sobrevivência das pessoas, directa ou indirectamente
assim como a agricultura familiar faz, ele também ajuda na alimentação básica, e do
mínimo rendimento familiar. Portanto vale ainda ressaltar que o comércio informal é o
que tem esse efeito apresentado, devido as características o mesmo possui.
27
[Link] – Efeitos do Comércio Interno no Emprego e consumo das famílias
Além de seus benefícios directos para o desenvolvimento humano por meio do
crescimento econômico, o comércio pode ampliar as possibilidades de escolha das
pessoas, expandindo os mercados de bens e serviços e proporcionando renda mais
estável para as famílias. Além disso, o aumento do emprego leva a rendas mais altas
que, se gastas na saúde e na educação, aumentam a capacidade das pessoas.
(CARDOSO, 2010, p. 45)
Embora o comércio tenha um efeito ambíguo na distribuição da riqueza, os governos
podem aproveitar seus benefícios econômicos para promover as desigualdades entre os
grupos diferentes. Em muitos países em desenvolvimento, grande parte da população
não participa dos mercados e da economia formal. Sem mecanismos para distribuir os
ganhos do comércio, é improvável que as pessoas pobres e vulneráveis se beneficiem
dele. Os padrões de propriedade são reforçados, deixando poucas oportunidades para a
disseminação dos ganhos.
3.2.8 – As políticas comerciais adotadas por parte do Governo
Entende-se por política comercial, na accepção tradicional, o conjunto coerente de
meios que os poderes públicos têm á sua disposição para actuar sobre o comércio
externo, com vista a alcançar determinados objectivos. Actualmente, a noção de
políticas comerciais deve ser alargada, entrando em linha com:
As medidas e instrumento do poder político que restringem os acessos aos
mercados e que, por via disso, afectam as condições de troca internacional. Isto
é, se de uma componente relativa as práticas restritivas de índole comercial e a
dificuldade de acesso dos produtores estrangeiros ao mercado nacional;
As legislações que, embora não tenham ligação directa com os fluxos
comerciais, visam a competitividade interna e internacional de empresas
nacionais;
O Comportamento do sector privado cujo efeito altera as condições das trocas
internacionais. É o caso das estratégias empresariais, bem como o das formas de
cartelização.
As políticas comerciais adoptadas no mundo procuram como denominador comum
obter pela via da exportação a componente do crescimento económico de cada país, o
que significa maximizar o bem-estar da respectiva população. O balizamento das
medidas da política comercial de âmbito internacional reside entre o livre-cambismo e o
protecionismo. O primeiro destes visa a eficiência na afectação dos recursos factoriais
28
através do sistema de preços, com base numa dada distribuição do rendimento a nível
mundial. O segundo, ou seja, o protecionismo aponta falhas existentes no mercado
internacional, apelidado, tantas vezes, de não concorrencial, com o consequente
falseamento do sistema de preços. Daí, o lançar mão de medidas neo-protencionistas,
com incidência sectorial, a fim de salvaguardar uma actividade económica.
(MADEIRA, 2013, pp. 95,111).
Cotas de importação – consiste em limitar a quantidade de bens importados que
podem entrar no país. O seu mecanismo consiste na lógica de reduzir a quantidade de
bens importados, resultando na menor quantidade total ofertada e, assim, elevando os
preços internos para equilibrar a oferta e a demanda. De outro lado, isso resulta em
maior incentivo aos produtores nacionais para ofertarem mais bens no mercado interno
devido ao maior preço. (COSTA & SOUSA-SANTOS, 2010, p. 99).
Restrições Voluntárias a exportação – Consiste na solicitação do país importador para
que a nação exportadora restrinja voluntariamente a quantidade exportadora de
determinado produto. Isso normalmente ocorre quando o país importador sabe que não
tem condições de competir com a produto importado, mas dentro de uma política de
bom relacionamento comercial envolvendo uma gama muito maior de interesses e
produtos, solicita e é atendido pelo país exportador em relação a limitação de suas
importações (COSTA & SOUSA-SANTOS, 2010, p. 99).
[Link] Relação vendedor e comprador
Durante o acto da venda o vendedor deve informar claramente o cliente das
características do artigo e das condições da venda, de maneira a que ele fique com
qualquer ideia exagerada acerca das actividades das virtudes da mercadoria, que podem
não corresponder a realidade, o que poderia leva-los a sentir-se arrependido da compra
feita, o que é sempre mau, visto geralmente acarretar a sua perda.
Ao atender um cliente, o vendedor deve lembrar-se que é seu interesse realizar a venda
naquele dia de maneira que não impeça outras vendas no futuro. Para isso é necessário
servir o cliente de forma a ter a certeza que ele vai ficar satisfeito com a compra.
Durante a sua actividade comercial o vendedor deve saber:
Deixar o cliente escolher o que que e reforçar esse seu desejo.
Para cada comprador há um modo de atender, de acordo com as suas
características.
29
O Vendedor deve pôr-se no lugar do comprador para procurar saber o que ele
deseja e para o servir o melhor possível.
Não deve forçar-se as vendas. Cliente que acaba por comprar por vergonha de
ter dado muito trabalho, compra contrariado e não volta.
Cliente bem servido é cliente para mais vezes.
O Cliente tem sempre razão (GOMES, 1967, pp. 90-93)
3.2.7 Tipos de comércio
Do ponto de vista do comércio interno, o comércio pode ser classificado em duas
categorias, que são nomeadamente o comércio formal e informal. A apresentação da
tipologia, ajuda-nos a compreender a especialidade da nossa análise.
[Link] O Comércio Formal e Informal
O Comércio informal é geralmente praticado no mercado informal não obedecendo
procedimentos legais. O mercado informal não deve ser conotado com pobreza,
exploração e marginalidade (cada um deles descrevendo uma condição), mas antes deve
ser visto como um processo que poder gerar tanto rendimento elevados com baixos,
envolvendo muitas empresas independentes, assim como trabalhadores com baixas
qualificações, e podendo ter uma contribuição significativa para a produção total do
país.
As actividades informais tentam efectuar transações para além das leis, regras ou outras
instituições que as possam de algum modo restringir. Com efeito, a actividade informal
é uma actividade que cria rendimentos evadindo-se da lei (DINI, 2010, p. 315).
Em Angola o Sector informal tornou-se cada vez maior, em termos de geração de
emprego e de rendimentos, devido a morosidade do sector formal da economia a ao
crescimento rápido da população urbana.
Em Angola o sector informal urbano é actualmente dominado por vendedores pobres
em situação de auto-emprego, dando a impressão de que apenas os pobres pertencem a
esse sector. De facto, é no sector informal que alguns dos elementos mais ricos da
sociedade Angolana também produzem grande parte do rendimento familiar (MOSCA
& ZANZALA, 2006, p. 65).
30
[Link] – Factores que influenciam o Comércio Informal
O comércio informal é influenciado por uma multiplicidade de factores. É a partir desta
que surge o nosso desejo de apresentar de uma sintética os mesmos factores e a forma
com estão correlacionados com o comércio informal.
A existência da Economia Informal reflecte um desajustamento dos interesses
colectivos da sociedade, tal como entendidos pelo Estado, e os incentivos individuais
(SILVA, Omarildo, p.10).
Do ponto de vista da acção do Estado a economia informal tem como origem as
seguintes fontes 19.
1. Modelos económicos não adptados a realidade sociocultural dos países
2. Fraca capacidade de geração de emprego na economia.
3. Inexistência do subsídio de desemprego;
4. Processo de formalização extremamente oneroso;
a) Emolumentos de licenciamento elevados;
b) Encargos fiscais altos;
c) Regulamentação inexistente/inadequada ou excessivamente exigente.
5. A Existência de Barreiras a entrada de novas micro, pequenas e médias
empresas:
a) Falta ou acesso deficiente a informação sobre o mercado;
b) Desconhecimento/falta de divulgação de informação sobre os serviços públicos;
c) Fraco acesso a informação sobre novas tecnologias e formação na matéria.
6. Administração burocrática e ineficiente;
7. Corrupção.
8. Do ponto de vista dos factores socioeconómicos a economia informal tem como
origem as seguintes fontes:
a) Pobreza;
b) Falta de instrução e/ou instrução deficiente;
c) Êxodo rural que tem como origem fundamental: a guerra e a existência de
economias de enclave e/ou centros financeiros de enclavel.
_______________________
31
19
ERNESTO, A., & CAPILO, G. (2016). A Economia Informal em Angola: Caracterização do Trabalhador
Informal. Luanda: OSISA, p. 9
[Link] Diferença entre economia Informal e Formal
As diferenças entre a economia formal e informal são de ordem variada. Países que
vivem o fenómeno da economia informal enfrentam o problema da bipolaridade na
organização quer do sistema económico como o do ciclo económico. Por outras
palavras, para um mesmo produto comercializado, há pelo menos dois mercados com
regras de organização diferentes e conceito de produto, preço e qualidade também
diferentes. A tabela abaixo demostra as principais diferenças entre os dois mercados.
Tabela nº 2 Diferença entre a Economia Informal e Formal.
Diferenciação do ponto de
vista de: Formal Informal
Dependentes de Conta apenas a iniciativa
Arranque da actividade autorização oficial. pessoal
Sociedade legalmente Individual ou familiar, livre
Organização constituída e flexível
Instalações Obrigatórias. Geralmente inexistentes
Capital de investimento Elevado Fraco
Capital de reserva Essencial Geralmente inexistente
Importada e de alto nível Inexistente ou primitiva e
Tecnologia ou reproduzida localmente adaptada
Reduzido em relação ao
Trabalho Abundante, sem
volume e ao valor da
especialização.
produção
Ao abrigo de contrato de
Salário e vínculo Acordo entre pessoas, sem
trabalho segundo normas
vínculo.
legais
Quando muito, pequenas Quando muito, pequenas
Armazenamento
quantidades e de fraca quantidades e de fraca
qualidade qualidade.
32
Preços Tabelados oficialmente Objecto de negociação
Pessoal ou familiar,
Operações bancárias;
recurso a instituições
empréstimos ou subsídios
Crédito tradicionais (associação de
estatais; investimentos
poupança e crédito, e
estrangeiros
banqueiros do povo)
Elevado por unidade mas
Pequena por unidade ma
pequena por volume de
Margem de Lucros alta pelo volume de
negócios; capitalização
negócios, capitalização
rara
Custos Fixos Substanciais Não Contabilizados
Inexistentes ou, quando
Contabilidade e
Ambas obrigatórias por lei muito, a primeira em
apresentação de contas
moldes rudimentares.
Reciclagem de De pessoa a pessoa,
Raramente
desperdícios quando existe.
Importante e intensiva, por
Publicidade meios próprios ou por via Muito frequente.
da mídia
Sociedade legalmente
Legalidade dos constituídas e sociedades
Sociedades legalmente
fornecedores de bens e ou fornecedores não
constituídas.
serviços constituídos dentro da
legalidade
Dependência do exterior Grande, com contratos Pequena ou nenhuma
Fonte: Elaboração própria com base Ilídio do Amaral (2005) apud (ERNESTO &
CAPILO,2016, p.10)
33
3.3 Caracterização do Campo de Estudo
3.3.1 História
O Ministério do Comércio é o órgão do Governo responsável pela elaboração,
execução, supervisão e controlo da política comercial, visando regular e disciplinar o
exercício da actividade do comércio, promover o desenvolvimento, ordenamento e a
modernização das infraestruturas comerciais, bem com assegurar a livre e leal
concorrência entre comerciantes, salvaguardando os direitos dos consumidores.
Sabe-se, portanto, que, numa das etapas da criação os Ministérios que se ocupavam da
actividade comercial, Ministério do Comércio Interno e Ministério do Comércio
Externo. Essa decisão vem se materializar em 1989, ao adoptar a denominação de
Ministério da Indústria, passando assim a ser denominado Ministério do Comércio e
Indústria. Essa experiência foi efémera uma vez que deu-se por conta que não havia
melhor articulação no desempenho das funções no seio da nova estrutura ministerial.
Após essa cisão com o Senhor da Indústria, o Sector do Comércio passou a ser chamado
Ministério do Comércio e Turismo, porque já nessa altura havia maior interesse em
desenvolver a área de Turismo e Hotelaria. Na senda da descentralização das decisões,
passou para a designação única de Ministério do Comércio.20
3.3.2 Missão
O Ministério do comércio te as seguintes missões:
Coordenar com os demais sectores a implementação da política comercial;
Reger e licenciar toda a actividade comercial;
Propor as regras e os procedimentos para o licenciamento e cadastramento de
cada acividade comercial, em estreita colaboração co o Departamento
Ministerial responsável pelo sector da justiça;
Regulamentar e fiscalizar o exercício do comércio, da prestação de serviços
mercantis e da assistência técnica pós-venda;
Regulamentar o circuito comercial, zelando pela defesa do consumidor;
_______________________
20
[Link] acessado aos 20 de Novembro de 2019 pelas 20h00.
34
3.3.3 Valor
Rigor;
Responsabilidade e Disciplina;
Transparência e Isenção;
Competência;
Busca contínua da excelência.
35
CAPÍTULO IV- ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS.
3.1 Breve historial do comércio em Angola.
A actividade comercial data desde que o homem pensou em trocar alguns bens com os
que lhe faziam falta por necessidade. Ao longo dos anos instituições foram criadas por
forma a organizar essa actividade.
Em Angola, na época colonial a estrutura que respondia pela actividade comercial era a
Secretária do estado da Economia. As transformações que marcaram a actividade
comercial nos períodos pré e pôs-independência foram caracterizadas por três grandes
etapas:
1. De 1974 a 1984 – Organização Administrativa e Empresarial do Comércio e
Monopolização pelo Governo;
2. De 1985 a 1995 - Liberalização da Actividade Comercial e de Prestação de
Serviços Mercantis;
3. De 1996 a 2007 – Criação de Bases Gerais e Jurídicas Legais sobre Reformas
do Comércio e criação de novas estruturas físicas modernas para o comércio.
O Processo político no período de transição para independência e o sistema político
adoptado log após a independência foram o motor para essas transformações; pois,
houve fuga generalizada de muitos técnicos do Sector do Comércio, camionistas e
comerciantes para o exterior do país, deixando um grande caos nesse sector.
Primeira etapa: 1974 a 1984
Segundo as estatísticas, até 31 de Dezembro de 1974 foram licenciados 30.207
estabelecimentos comerciais no País, sendo 5.600 em Luanda.
Como aparelho do Estado para o Comércio foi criado na fase de transição para a
independência o Secretariado de Estado do Comércio e Economia, que funcionou até o
ano de 1976, passando a partir de 1977 a ser denominado Ministério do Comércio
Interno. Na mesma altura também foi criado o Ministério do Comércio Externo com o
papel preponderante nas transações comerciais com o exterior.
Criação da Empresa Pública de abastecimento “EMPA” com vocação para actividade
importadora, grossista, retalhista e também da gestão dos hotéis, restaurantes e
similares.
36
Segunda Etapa: 1985 a 1995
Nesta etapa, já se vislumbrava a ideia da fusão dos dois Ministérios que se ocupavam da
actividade comercial, Ministério do Comércio Interno e Ministério do Comércio
Externo.
Esta decisão vem se materializar em 1989, ao adoptar a denominação de Ministério do
Comércio Interno e Externo.
Terceira Etapa: 1996 a 2007
A partir de 1996, foi retirado a esse Sector toda actividade ligada ao Turismo, Hotelaria
e Similares para ser criado o Ministério de Hotelaria e Turismo. Dái, o Sector do
Comércio ficou denominado Ministério do Comércio até a presente data.
3.2 Descrição do Sector do comércio na economia angolana.
Tabela nº 3 – Descrição do sector comercial.
Indicadores 2014 2015 2016 2017
Nº de Estabelecimento comercial 11 505 12 656 13 921 15 314
licenciado
Nº de Armazéns Municipais construído 4 4 3 3
Nº de lojas de aproximidade criadas 20 30 20 63
Empregos criados 34 516 37 967 41 764 45 941
Fonte: Elaboração própria com base ao PND 2013-2017.
O objectivo do Governo no Plano Nacional de Desenvolvimento Nacional 2013-2017,
quanto ao sector comercial é promover e manter o dinamismo do sector, reduzir
actuações monopolistas e oligopolistas, promover o aumento relativo da
comercialização de produtos de origem nacional.21
_______________________
21
MINFIN. Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017, p. 88
37
38
Gráfico nº 1- Discrição do sector
Fonte: Elaboração própria com base ao PND 2013-2017
Tabela nº 4 – Serviços mercantis / Taxa de crescimento do PIB (%)
Ano 2015 2017 2017 2018
Serviços Mercantis 30,47 30,81 27,8 27,8
Variação Real do PIB 0,94 -2,58 -2,5 2,3
Fonte: Elaboração própria com base os dados do BNA 2018.
Gráfico nº 2- Serviços mercantis / variável real do PIB (%)
Fonte: Elaboração própria com base os dados do BNA
O quadro e a representação gráfica acima espelham uma realidade bastante complexa da
economia angolana, pois percebe-se que 2015 é o ano da intensificação da crise
económica que assola o país desde o segundo 2014, onde os serviços mercantis ocupava
30% da actividade económica do país mas esta por sua proporcionou juntamente com
outros sectores de economia, uma variação positiva do PIB real tendo registado 0,94%,
39
o que aconteceu nos anos que se seguiram. Verifiquemos que, apesar dos serviços
mercantis terem registado uma variação positiva de 0,34 de 2015 para 2016, o
crescimento foi negativo, pois com a crise económica aumentou a informalidade e ao
mesmo tempo a fuga ao fisco, e os anos seguintes segue-se a mesma lógica. A figura a
seguir mostra essa demostra-se:
Sectores de Actividade 2015 2016 2017 2018
Agricultura 13,17 14,21 6,1 6,2
Pesca (pescas e derivados) 0,38 0,39 2,2 2,2
Diamantes e outras
Indústrias Extrativas 0,98 0,96 1,2 1,2
Petróleo 24,01 22,23 24,6 24,4
Indústria Transformadora 9,19 8,93 5,7 5,6
Construção 12,17 12,69 17,3 17,1
Energia 0,23 0,28 1,6 2,5
Serviços Mercantis 30,47 30,81 27,8 27,8
Outros 9,39 9,49 13,5 13,2
Tabela nº 5 Produto Interno Bruto por Ramos de Actividade (2015-2018) em
%
Fonte: Elaboração própria com base nos Relatórios de contas do BNA 2018.
Constata-se que produtividade por sector é relativamente um factor que depende os
investimentos, do ambiente económico. E como tal no período em estudo (2015-2018),
verifica-se um certo decréscimo em alguns sectores como é o caso dos serviços
mercantis 30,47% em 2015 para 30,81% em 2016, e uma redução de 27,8 para 2017,
para 2018, o que implica uma redução no sector.
Portanto pode-se inferir que a conjuntura económica que assola o país desestruturou o
sector comercial, aumentando a informalidade e a fuga ao fisco. Apesar disto em os
serviços mercantis são as que mais contribuem percentualmente na redução ao
desemprego. O gráfico a seguir mostra as variações.
40
Gráfico nº 3 – Distribuição do PIB por sector (em milhões de usd)22
Outros
Serviços Mercantis
Energia
Construção
Indústria Transformadora
Petróleo
Diamantes e Outras Indústrias Extrativas
Pesca (pescas e derivados)
Agricultura
Fonte: Elaboração própria com base no Relatório de contas do BNA 2018.
Tabela nº 6 Taxa de empregabilidade por sector 2015-2016
Sectores de actividade Distribuição Percental
Comércio e Serviços 57,1
Agricultura 34,2
Indústria, construção, energia e água 8,1
Não declarado 0,6
Fonte: Elaboração própria com base os dados do INE
_______________________
22
Ponderamos os dados, retirando os sectores mais importantes na economia, pelo que em caso de inquietação
recomendamos ler os anexos.
41
Gráfico nº 4 – Taxa de empregabilidade por sector 2015-2016
Fonte: Elaboração própria com base os dados do INE
O quadro e o gráfico acima ilustram a contribuição de cada sector. Percebe-se que o
sector comercial que mais contribui na taxa de empregabilidade com 57,1% em
comparação do sector agrícola, indústria e outros não declarados (34,2%, 8,1 e 0,6%
respectivamente). Portanto o que está na base disso é o facto de o sector comercial ser
bastante flexível, conforme mostramos nos factores que influenciam o comércio. Por
outra, fazendo uma inferência sobre os dados apresentados, pode se perceber que grande
parte deste emprego no sector do comércio é oriundo das actividades informais
relativamente a agricultura (34,2%), tem sustenta-se devido as pequenas cooperativas e
a agricultura familiar, fazendo com que o sector agrícola, sobretudo a familiar torne-se
uma forma de autoemprego e redução da pobreza, a indústria por sua vez (81,1%)
justifica-se devido a ausência de muitas indústrias no país. Por outro lado, é o sector que
muito é exigente em termos de mão-de-obra e que menos emprega.
42
Tabela nº 7 – Principais factores que limitam a actividade das empresas do sector
comercial (%)
Indicadores 2017 2018
Roptura de stock 53 52
Excesso de Burocracia e regulamentação 36 51
Dificuldades de mão-de-obra qualificada 20 18
Insuficiência da procura 52 36
Dificuldades financeiras 36 35
Fonte: Elaboração própria com base os dados INE.23
Gráfico nº 5 – Factores que limitam a actividade das empresas do sector comercial
Como demostramos na fundamentação teórica, existem muitos factores que podem
influenciar as actividades comerciais, dentre muitas destacamos a roptura de stock com
53% em 2017 e 52% em 2018, o excesso de burocracia é considerado um factor
importante, pois os empresários ligados ao sector, sentiram-se cada vez desincentivados
em desenvolver as suas actividades devido a corrupção, ao abuso de poder, a
morosidade no tratamento dos documentos. Porém não menos importante podemos
verificar a insuficiência da procura e dificuldades financeiras com 52% e 36%, 32% e
35% respectivamente. A insuficiência da procura deveu-se devido a redução da
demanda agregada, causada pela redução do poder de compra dos consumidores, esta
por sua vez pela crise económica que assola o país desde o segundo semestre de 2014. 24
E as dificuldades financeiras devem-se essencialmente pela conjuntura económica que o
país vive.
_______________________
23
INE. Relatório sobre a Conjuntura económica 2018, p. 24
23
BNA: Relatório de Esabilidade Económica e Financeira, Luanda 2018. 30p
43
CAPÍTULO V- CONCLUSÕES E SUGESTÕES
5.1 Conclusões
O desenvolvimento do presente estudo0 possibilitou compreender que o contributo do
sector comercial não é apenas positivo, mas também negativo. Percebemos, entretanto,
desde as sociedades primitivas o comércio foi uma actividade que serviu de alavanca
para o crescimento económico das sociedades, esta consideração foi extraída do
pensamento dos fisiocratas, mercantilistas e a sociedades capitalistas modernas.
Também constatamos que a relação entre o comércio interno com a potencialização do
Crescimento Económico é directamente proporcional, sendo esta uma meta da política
económica e consequentemente no Plano Nacional para Desenvolvimento 2013-2017.
De um modo geral e de acordo com a literatura consultada para a fundamentação teórica
apresentada nesta investigação, o comércio possui muitos efeitos, dentre muitos,
destacamos os efeitos sobre a pobreza, onde mostramos que o comércio interno, sobre
tudo o informal, é uma das formas de reduzir a pobreza, e ainda constitui fonte de
receitas para o Estado, através dos impostos sobre as actividades comerciais e por outra
considerado um dos grandes criadores de postos de empregos. Por outro lado, o sector
comercial é um elemento determinante do crescimento económico devido a sua função
de complementar o sector primário e secundário de qualquer economia.
44
5.2 Sugestões
Após a apresentação sistemática do presente estudo e as devidas conclusões, sugerimos:
Aos fazedores de políticas a fim de criar leis que dinamizam o sector produtivo
da economia, pois, o sector comercial é resultado do funcionamento do sector
primário e secundário.
As empresas ligadas ao sector, sugere-se que auxiliem o estado na definição das
políticas comerciais, servindo de alavanca da economia angolana, através do
comprimento das suas funções.
Ao Governo, sugerimos a construção de infraestruturas sociais, com é o caso de
estradas, pontes, e aeroportos bem como a criação e ordenamento de centros
comerciais. Porque a produção chega ao consumidor através destes meios
referidos. Através desta, o Estado pode incentivar a produtividade, formalizar a
economia e obter mais receitas para fazer face as despesas públicas.
A sociedade académica, a fazer estudo sobre a temática em causa, buscando o
seu contributo na economia, incentivando ao pagamento de imposto a criação de
condições de comerciais.
A Comunidade em geral, sugerimos que criem iniciativas empreendedoras, e que
saibam que o Sector ainda contribui para o PIB, mas ainda assim é oportunidade
de fazer alavanca-lo, criando assim autoemprego;
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[Link], acessado aos20 de Novembro de 2019
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