Indicador de Consumo Consciente no Brasil
Indicador de Consumo Consciente no Brasil
Junho 2015
ÍNDICE
1. Introdução ....................................................................................................... 3
5. Conclusão ........................................................................................................ 26
6. Metodologia .................................................................................................... 32
2
1. INTRODUÇÃO
3
2. A VISÃO E HÁBITOS DE CONSUMO
CONSCIENTE DOS BRASILEIROS
Para quase metade dos consumidores ouvidos pelo SPC Brasil e Meu Bolso Feliz (46,8%), a concepção
de consumo consciente está associada a atitudes que evitam o desperdício e as compras não
necessárias. Para outros 33%, significa refletir sobre as consequências de uma compra antes de
concretizá-la, evitando prejuízos financeiros no presente e no futuro, e também considerando os
impactos sociais, ambientais e econômicos para todos. 9,7% acreditam que consumo consciente
tem a ver com atitudes que tem como foco economizar dinheiro, enquanto 6,4% dizem que é a
atitude de economizar pensando no meio ambiente.
Como se vê, apenas um terço dos consumidores tem uma visão de consumo consciente integrada, que
envolve as esferas ambiental, social e financeira, sendo que esse entendimento do conceito é mais
amplo entre os entrevistados da Classe A/B e aqueles com maior escolaridade, pois 45,2% e 48,0%
deles, respectivamente, respondem que o consumidor consciente reflete sobre as consequências
de uma compra antes de concretizá-la, considerando os impactos sociais, ambientais e econômicos
para todos.
1/3 dos
consumidores
tem uma visão de consumo
consciente integrada, que
envolve as esferas ambiental,
social e financeira
4
Consumidor atribui importância
significativa ao consumo consciente O brasileiro
compreende que
O brasileiro compreende que consumo consciente consumo consciente
é um assunto bastante importante. Perguntados é um assunto
sobre a relevância do tema, numa escala de 1 a 10, bastante importante.
os entrevistados deram nota 8,8, aumentando para
Perguntados sobre a
9,2 entre os consumidores mais velhos (56 anos ou
relevância do tema,
mais). Mas quando os respondentes são questionados
numa escala de 1 a 10,
sobre as principais vantagens do consumo consciente,
percebe-se que o benefício mais citado traduz um
os entrevistados
ganho financeiro: 35,5% falam em economizar e fazer o
deram nota 8,8
dinheiro render mais, com alta expressiva entre os mais
jovens (45,4%). Uma das principais
vantagens citadas do
Em segundo lugar vem uma ação com foco no bem
consumo consciente é o
estar coletivo, uma vez que 30,1% falam em sensação
ganho financeiro: 35,5%
de dever cumprido e de estar fazendo o que é correto
falam em economizar
para a sociedade (40,1% na Classe A/B, contra 27,2%
na Classe C/D/E). Do mesmo modo, 18,6% mencionam
e fazer o dinheiro
a satisfação por saber que estão fazendo algo positivo render mais
para o futuro das próximas gerações.
81,2%
1a4
5a7
15,7% 8 a 10
Não sabe
1,3%
1,8%
5
O SPC Brasil e Meu Bolso Feliz avaliaram também a
opinião dos entrevistados sobre o consumo de itens
como água, luz e alimentos, a fim de descobrir o
que motiva as pessoas a utilizarem esses recursos
básicos mais racionalmente. Percebe-se que o
principal motivador para fazer uso de água e luz
de forma mais econômica é não desperdiçar um
bem que é finito (32,7%), sobretudo entre os mais
jovens (37,9%, contra 22% entre os mais velhos).
Também foram citados ter a conta mais barata
(21,5%, aumentando para 28,1% entre os homens)
e dar exemplos aos filhos, família, amigos ou
vizinhos, de forma a influenciar a atitude deles
(17,1%, aumentando para 22,4% na Classe A/B).
6
Falta de tempo e esquecimento são os maiores impeditivos
para adoção de práticas de consumo consciente
O que impede as pessoas de tomarem atitudes conscientes, com relação ao consumo? O
fator mais citado entre os impeditivos da adoção de práticas de consumo consciente é a
falta de tempo (26,5%), principalmente entre os homens (30,3%) e os mais jovens (36,7%).
Logo depois vem o esquecimento, com 25,4% das respostas, aumentando entre os homens
(29,9%, contra 21% das mulheres) e pessoas mais jovens (34%). Para a especialista do SPC
Brasil, Marcela Kawauti, as respostas indicam que o consumidor ainda não vê o consumo
consciente como algo prioritário em sua vida. Ela ressalta que mudanças simples de atitude
poderiam fazer grande diferença, como planejar melhor as compras, diminuir o tempo no
banho e aprender a utilizar, de forma mais adequada, aparelhos domésticos como o ferro de
passar e a máquina de lavar.
7
3. INDICADOR ANUAL DE CONSUMO
CONSCIENTE (ICC- SPC BRASIL)
O sub-indicador de práticas financeiras avalia a habilidade do entrevistado para lidar com os apelos
do consumismo, bem como sua capacidade para gerenciar as próprias finanças sem fazer dívidas
ou comprometer o orçamento. Já o sub-indicador de práticas ambientais investiga a disposição
do consumidor para minimizar o impacto do consumo e agir de modo a não causar danos ao meio
ambiente, utilizando de forma racional os recursos que tem a seu dispor. Finalmente, o sub-indicador
de práticas de engajamento social mede a disposição do consumidor para pensar coletivamente,
atentando para as consequências de suas ações na sociedade, ao lado da capacidade de incentivar
os outros a procederem de maneira responsável.
INDICADOR DE
CONSUMO CONSCIENTE
8
A partir do cálculo do Indicador de Consciência para cada entrevistado, o estudo segmenta os
consumidores em três categorias, de acordo com intensidade da prática dos comportamentos
adequados:
Consumidor nada
Consumidor consciente: Consumidor em transição:
ou pouco consciente:
frequência acima frequência entre 60%
frequência abaixo
de 80% nas atitudes e 80% nas atitudes
de 60% nas atitudes
e comportamentos e comportamentos
e comportamentos
adequados. adequados.
adequados.
O Indicador de Consumo
100%
Consciente registrou, em
Consumidor
consciente
maio de 2015, 69,3% quando
80% analisado de forma geral,
Consumidor
Indicador de incluindo todas as variáveis
em transição 69,3% consumidor
sócio-demográficas ou as esferas
consciente
60% estudadas. Considerando a
escala que define que um
Consumidor consumidor consciente deveria
nada ou pouco
consciente ter desempenho maior ou
igual a 80%, percebe-se que
0% o desempenho da população
está abaixo do que julgamos
necessário.
69,3%
INDICADOR DE
CONSUMO CONSCIENTE
9
3.1. Sub-indicador de Práticas Financeiras (68,0%)
Dentre as práticas financeiras adequadas, as mais adotadas são aquelas que vão em direção contrária
a comportamentos tipicamente consumistas: 88,5% da amostra afirmam que ao ver colegas ou
amigos com coisas novas ou que estão na moda, não ficam com tanta vontade a ponto de comprar.
Essa atitude é mais admitida por homens (95,8%, contra 81,5% das mulheres), pessoas da Classe
A/B (95,4%) e aquelas com maior escolaridade (95,3%). Além disso, oito em cada dez entrevistados
(84,1%) garantem que não ligam para marcas, o importante é a qualidade do produto.
10
Por outro lado, entre as atitudes adequadas menos praticadas está a compra de itens com maior
durabilidade: 52,6% dos entrevistados afirmam deixar de comprar produtos baratos e que possam
trocar quando quiserem, em favor de itens que durem mais e possam ser consertados, mesmo
que estes sejam mais caros. Os percentuais, neste caso, são ainda menores para as mulheres (40%).
Outra atitude com baixa adesão, em relação às outras do bloco de finanças, é o aluguel ou uso
compartilhado de itens: apenas quatro em cada dez pessoas (40,9%) afirmam que preferem alugar
ou pegar emprestadas coisas que usam com pouca frequência, ao invés de comprá-las. Da mesma
forma, o não arrependimento em virtude de uma compra desnecessária não é muito comum entre
os consumidores ouvidos: apenas 17,6% garantem não ter se arrependido por ter comprado coisas
das quais não precisavam muito (23,5% na Classe A/B).
11
PRÁTICAS FINANCEIRAS
SEXO CLASSE IDADE ESCOLARIDADE
RU GERAL 56 ou Até 2º Sup. comp.
Masculino Feminino A/B C/D/E 18 a 29 30 a 55
mais Grau ou mais
Ao ver colegas ou amigos com
coisas novas ou que estão
na moda, não fico com tanta 88,5% 95,8% 81,5% 95,4% 86,5% 86,8% 89,3% 88,9% 87,8% 95,3%
vontade a ponto de comprar*
Eu não ligo para marcas, o
importante é a qualidade do 84,1% 81,2% 86,9% 82,7% 84,5% 84,6% 88,2% 74,7% 84,0% 85,4%
produto
Geralmente compro um
produto quando avalio antes
se posso pagar por ele sem 83,6% 88,2% 79,1% 91,4% 81,3% 85,7% 81,1% 85,8% 82,5% 93,6%
prejudicar as minhas finanças e
compromissos já assumidos
Deixo de comprar um produto
novo enquanto o que tenho
ainda pode ser utilizado ou 80,9% 73,0% 88,3% 74,8% 82,6% 78,0% 79,7% 87,4% 80,2% 87,3%
consertado
Eu sempre pesquiso preço de
tudo, mesmo quando compro 80,8% 76,4% 85,0% 68,6% 84,3% 69,8% 85,0% 87,4% 81,1% 78,3%
itens baratos
Sempre peço descontos em
79,3% 80,5% 78,0% 74,3% 80,7% 77,8% 77,7% 84,6% 79,4% 78,3%
minhas compras
Fazer compras não é meu lazer
79,0% 89,4% 69,1% 90,6% 75,7% 69,0% 84,3% 81,9% 77,5% 93,8%
preferido*
Não recorro ao cheque
especial ou ao limite do cartão
de crédito para conseguir 77,1% 79,5% 74,9% 78,9% 76,6% 79,8% 76,8% 74,1% 76,1% 87,1%
fechar as contas do mês*
Geralmente quando sinto
vontade de comprar um
produto pergunto a mim 75,3% 71,1% 79,3% 79,7% 74,0% 67,1% 77,9% 81,5% 74,0% 88,3%
mesmo se realmente preciso e,
se não, prefiro não comprar
Sempre planejo as
compras do dia a dia, como
supermercados, feiras e 75,0% 67,5% 82,2% 68,0% 77,0% 74,1% 68,9% 89,3% 75,7% 68,8%
pequenas compras que faço
Não gasto mais do que o
previsto em promoções por
medo de arrepender por não 70,7% 79,3% 62,5% 88,2% 65,7% 60,8% 73,2% 79,5% 69,4% 83,2%
ter comprado o que queria*
Evito fazer compras parceladas
para não comprometer o meu 68,3% 63,0% 73,4% 61,9% 70,2% 71,5% 68,0% 64,5% 68,1% 70,1%
rendimento mensal
Procuro consumir somente
frutas e verduras da época, 62,7% 70,0% 55,9% 53,6% 65,4% 43,4% 68,4% 78,0% 62,7% 62,8%
pois são mais baratas
Não gasto mais do que o
previsto em promoções
por medo de perder a 62,5% 74,1% 51,4% 83,4% 56,5% 56,2% 61,9% 72,7% 60,7% 79,8%
oportunidade de um preço
menor*
Sempre planejo as compras de
61,8% 57,2% 66,2% 70,2% 59,4% 53,1% 72,5% 51,3% 60,8% 71,2%
produtos mais caros
Prefiro comprar produtos que
duram mais ou que podem ser
consertados, ainda que sejam
mais caros, do que comprar 52,6% 65,9% 40,0% 73,7% 46,6% 41,6% 60,8% 50,9% 51,1% 67,8%
produtos baratos que duram
pouco*
Prefiro alugar ou pegar
emprestadas coisas que uso
com pouca frequência em vez 40,9% 39,9% 41,8% 39,0% 41,4% 48,2% 36,7% 39,3% 40,6% 43,4%
de comprá-las
Não me arrependi por ter
comprado coisas que não 17,6% 17,1% 18,0% 23,5% 15,9% 17,8% 13,8% 25,3% 17,0% 23,3%
precisava muito*
*As frases foram invertidas pra manter o padrão – sim como resposta adequada.
12
Uso consciente de telefonia celular
Oito em cada dez pessoas ouvidas (79,9%) garantem controlar o valor da conta do telefone mês
a mês, visando economizar, com percentuais mais expressivos entre as mulheres (86,5%) e os
consumidores mais velhos (86,3%).
Praticamente a mesma proporção (78,9%) admite falar apenas o necessário ao telefone celular,
preferindo deixar as conversas para os encontros pessoais, atitude que é mais comum entre os
homens (83,4%) e pessoas mais velhas (94,5%). Finalmente, metade da amostra (51,8%) garante ter
chip de telefone celular de mais de uma operadora para aproveitar diferentes promoções (54,7%
na Classe C/D/E, contra 41,8% na Classe A/B).
13
3.2. Sub-indicador de Práticas Ambientais (71,7%)
14
A análise do bloco de questões do meio ambiente sugere que
grande parte dos consumidores já busca meios de contribuir
para a preservação do ambiente: diminuir as impressões e o Muitas pessoas não
gasto com papel, buscar a troca de produtos ao invés de jogar possuem ainda a
fora ou comprar outro, deixar o carro em casa, todas essas consciência de que é
são atitudes que demonstram certo amadurecimento por importante observar
parte do brasileiro. Ao mesmo tempo, ações importantes são a postura das
deixadas de lado por parte considerável dos entrevistados: empresas que atuam
a reciclagem do lixo, algo que, em princípio, está ao alcance junto à sociedade, a
de todo consumidor em sua própria casa, é um hábito ainda fim de ajudar a coibir
pouco disseminado. Além disso, muitas pessoas não possuem
práticas condenáveis
ainda a consciência de que é importante observar a postura
por parte do
das empresas que atuam junto à sociedade, a fim de ajudar a
mercado
coibir práticas condenáveis por parte do mercado, sejam elas
econômicas, sociais ou ambientais.
PRÁTICAS AMBIENTAIS
SEXO CLASSE IDADE ESCOLARIDADE
RU GERAL 56 ou Até 2º Sup. comp.
Masculino Feminino A/B C/D/E 18 a 29 30 a 55
mais Grau ou mais
Antes de jogar fora um
produto que não quero mais,
procuro doar ou mesmo trocar 83,5% 79,2% 87,6% 87,8% 82,3% 72,6% 86,6% 92,4% 82,9% 89,3%
com alguém
Evito imprimir papéis para
evitar gastar e ter cuidado com 77,7% 71,2% 83,8% 75,0% 78,5% 81,8% 72,8% 82,2% 78,2% 72,8%
o meio ambiente
Não uso o carro para ir em
76,4% 75,1% 77,6% 73,9% 77,1% 79,6% 76,8% 71,1% 76,9% 71,8%
qualquer lugar*
No meu tempo livre, prefiro ir
a uma praça, parque ou fazer
atividades ao ar livre a fazer 68,8% 65,6% 71,8% 62,0% 70,7% 68,8% 68,6% 69,3% 69,0% 67,1%
compras
Sempre dou preferência a
produtos cujas embalagens 64,1% 61,4% 66,6% 54,4% 66,9% 59,5% 66,7% 65,1% 64,5% 60,1%
são recicláveis
Consumo somente frutas e
verduras da época, pois são
mais saudáveis para mim e 60,7% 63,9% 57,7% 48,4% 64,2% 48,7% 66,0% 66,4% 60,7% 60,2%
para o meio ambiente
Sempre separo o lixo para
53,2% 47,8% 58,4% 60,4% 51,2% 33,8% 54,9% 77,3% 52,6% 59,7%
reciclagem
Geralmente analiso produtos
e marcas e se a empresa
produtora adotar práticas
prejudiciais ao meio ambiente 50,7% 54,1% 47,5% 49,7% 51,0% 35,4% 53,5% 66,4% 50,3% 55,1%
ou à sociedade desisto da
compra
Só vale a pena abastecer o
carro com álcool em vez de 41,4% 34,5% 48,0% 25,4% 46,0% 33,3% 45,7% 43,8% 42,6% 30,0%
gasolina
*As frases foram invertidas pra manter o padrão – sim como resposta adequada.
15
Uso da água
As questões que compõem o bloco da prática Ação mais difundida
ambiental do consumo consciente tiveram 74% de é a de fechar a torneira
comportamento adequado com relação ao uso da enquanto escova
água, sendo que a ação mais difundida é a de fechar os dentes:
90,4%
a torneira enquanto escova os dentes: 90,4%. Outra
ação bastante comum é a de não lavar a casa ou a
calçada com mangueira (88,3%), aumentando para
92,2% entre os homens e 92,8% na Classe A/B. Oito
em cada dez consumidores ouvidos (81,2%) afirmam
ainda que controlam o valor da conta mês a mês
Apenas 68,0%
dizem fechar a torneira
visando a economizar, aumentando para 89,9% entre
enquanto ensaboam o
as mulheres e 93,3% entre os mais velhos.
corpo durante o banho
Por outro lado, o desempenho é pior no que se refere
37,6% afirmam
ao momento do banho e na hora de lavar roupas
na máquina: apenas 68,0% dizem fechar a torneira
enquanto ensaboam o corpo durante o banho (84,7% usar a máquina de lavar
entre os mais velhos), enquanto apenas 37,6 % afirmam
na capacidade máxima
usar a máquina de lavar na capacidade máxima (49,7%
entre aqueles com maior escolaridade).
16
Percebe-se que boa parte dos consumidores já assimilaram regras básicas para o uso racional da
água, como deixar de lavar o passeio ou a casa com mangueira e fechar a torneira ao escovar os
dentes. Além disso, o controle da conta funciona bem como um estímulo para economizar esse
recurso. Em contrapartida, os consumidores ainda podem melhorar no que diz respeito ao bom
uso de eletrodomésticos, como a máquina de lavar. Essa ação simples e ao alcance de todos ainda
mostra baixa adesão, o que sugere que pode ser útil insistir na propagação desse tipo de informação.
*As frases foram invertidas pra manter o padrão – sim como resposta adequada.
Energia elétrica
As questões que compõem o bloco das práticas ambientais do consumo consciente tiveram 76%
de comportamento adequado com relação ao uso da energia. O hábito mais comum é o de apagar
as luzes de ambientes que não estão sendo utilizados (97,1%), ao lado da utilização de lâmpadas
fluorescentes em casa (90,9%, aumentando para 98,5% entre os mais velhos) e do controle do valor
da conta mês a mês, visando a economizar (83,7%, aumentando para 93,5% entre os mais velhos).
97,1%
17
Já os comportamentos menos adotados são o de compartilhar o uso da TV entre os moradores da
casa, para economizar energia (60,6%) e o de retirar das tomadas os aparelhos elétricos quando
não são utilizados: 51,9%, aumentando para 61,6% entre as mulheres e 55,7% na Classe C/D/E.
Assim como ocorre no caso da água, boa parte dos consumidores já parece agir, em seu dia a dia, de
maneira predominantemente racional, a fim de economizar energia elétrica. Deixar a luz apagada
quando o ambiente está desocupado, ou mesmo usar lâmpadas mais econômicas são, hoje, atitudes
básicas e já incorporadas aos hábitos das pessoas. Mais uma vez, observa-se que a possibilidade de
economizar é um estímulo importante, ainda mais levando em consideração os recentes reajustes
que incidiram sobre a conta de luz. Quanto a retirar da tomada os aparelhos que não estão sendo
utilizados, esse é um hábito ainda pouco comum, o que talvez mostre que os consumidores não
estão conscientes dos benefícios envolvidos em atitudes simples como essa.
18
3.3. Sub-indicador de Práticas de Engajamento social (68,1%)
As questões que compõem o bloco engajamento social do consumo consciente tiveram 68,1% de
média de comportamento adequado, com percentuais maiores observados entre as pessoas mais
velhas (74,9%).
19
Entre as atitudes menos difundidas, no bloco de engajamento social, está a que diz respeito à
pirataria: 59,9% garantem que nunca compram produtos não originais porque não querem financiar
o crime organizado (caindo para 42,4% entre os mais jovens). O reaproveitamento de vestuário
também está entre as ações com menor grau de adesão: 52,6% dizem que geralmente transformam
as roupas que não servem ou não gostam mais em outras peças para reutilizá-las, sendo que esse
hábito é um pouco mais frequente entre as mulheres (63,6%) e pessoas mais velhas (61,8%). Ao
mesmo tempo, apenas 53,7% dos consumidores mais jovens garantem adotar essa prática.
A atitude menos adotada entre os consumidores, no caso do engajamento social, diz respeito ao
apelo do mercado de itens não originais: apenas 50,6% da amostra garantem deixar de comprar
produtos não originais, mesmo quando o preço é muito atrativo. A resistência cai ainda mais entre
as mulheres (44,2%), os pertencentes à Classe C/D/E (46,2%) e os mais jovens (30,8%).
20
PRÁTICAS DE ENGAJAMENTO SOCIAL
SEXO CLASSE IDADE ESCOLARIDADE
RU GERAL 56 ou Até 2º Sup. comp.
Masculino Feminino A/B C/D/E 18 a 29 30 a 55
mais Grau ou mais
Incentivo as pessoas da minha
casa a economizarem água 89,3% 86,5% 92,0% 90,9% 88,9% 86,5% 87,2% 97,9% 88,7% 95,5%
e luz
Prefiro passar o tempo livre
com família ou amigos do que
passear em shoppings ou fazer 86,2% 85,4% 86,9% 93,4% 84,1% 75,8% 88,9% 95,2% 85,8% 90,2%
compras
A propaganda deveria ser mais
controlada, pois tem o poder
de influenciar o consumo das 74,9% 75,2% 74,6% 64,1% 77,9% 70,2% 76,1% 78,9% 75,4% 70,0%
pessoas
Aconselho outras pessoas
a pensar se elas realmente
precisam daquilo que vão 71,9% 63,5% 79,8% 81,7% 69,0% 67,4% 70,4% 81,2% 71,7% 73,1%
comprar ou se é apenas um
desejo passageiro
Incentivo as pessoas da minha
casa a pechincharem nas 67,8% 65,6% 70,0% 64,0% 69,0% 63,0% 64,1% 82,7% 67,1% 74,7%
compras
Não jogo alimentos fora,
pois sempre consumo o que
compro dentro do prazo de 60,0% 66,0% 54,3% 72,8% 56,4% 61,3% 63,3% 51,1% 58,9% 71,2%
validade*
Nunca compro produtos não
originais porque não quero 59,9% 57,0% 62,8% 63,9% 58,8% 42,4% 67,4% 68,8% 60,6% 53,3%
financiar o crime organizado
Geralmente transformo as
roupas que não servem ou não
gosto mais em outras peças 52,6% 40,9% 63,6% 58,2% 51,0% 53,7% 47,5% 61,8% 53,6% 42,5%
para reutilizá-las
Não compro produtos não
originais, mesmo o preço 50,6% 57,3% 44,2% 66,0% 46,2% 30,8% 60,8% 56,7% 50,5% 51,1%
sendo muito atrativo*
*As frases foram invertidas pra manter o padrão – sim como resposta adequada.
21
4. QUAL O PERFIL DO
CONSUMIDOR CONSCIENTE?
Os resultados mostram que apenas dois em cada dez entrevistados (21,8%) atendem, hoje,
aos requisitos necessários para que sejam considerados consumidores conscientes. É possível
estabelecer uma série de características que compõem o perfil deste consumidor na comparação
com a população em geral: a maior parte deles tem entre 30 e 55 anos (51,4%, contra 46,8% no
geral) e possui 2º grau (51,2%, contra 42,3% no geral). Além disso, há maior participação da Classe
A/B dentre os consumidores conscientes quando comparados ao geral (27,1%, contra 22,2% no
geral). Os conscientes também tem, proporcionalmente, maior frequência na região Norte (19,1%,
contra 12,8% no geral), com maior predominância de famílias financeiramente equilibradas (34,4%,
contra 26,4% no geral) e de um ambiente familiar que incentivava o uso racional de água e luz,
sempre evitando o desperdício (49,6%, contra 40,3% no geral).
51,2%
Consumidor consciente
21,8%
Consumidor em transição
Nada ou pouco consciente
27%
21,8%
dos entrevistados
atendem, hoje,
aos requisitos
necessários para que
sejam considerados
consumidores
conscientes
22
A maior proporção de
entrevistados nada
ou pouco conscientes
é encontrada,
justamente, na faixa
de 18 a 29 anos
Observa-se que entre os consumidores em transição, ou seja, aqueles cujos hábitos estão mudando
e que ainda combinam atitudes adequadas e inadequadas é maior a participação das mulheres
quando comparada ao grupo pesquisado: 60,2%, contra 51,3% no geral. Já entre os consumidores
pouco ou nada conscientes, é expressiva a participação masculina: 61,3%, contra 48,7% no total.
No que diz respeito à idade, a pesquisa revela que, ao contrário do que supõe o senso comum, os
mais jovens não apresentam, necessariamente, maior consciência financeira, ambiental ou social.
A maior proporção de entrevistados nada ou pouco conscientes é encontrada, justamente, na faixa
de 18 a 29 anos (46,3%, contra 31,2% no geral).
A esse respeito, é provável que os jovens, por vivenciarem uma fase muito particular e marcada pela
necessidade de pertencimento a determinados grupos, acabem expressando por meio do consumo
o desejo de distinguirem-se dos outros. A necessidade de pertencer e diferenciar-se, portanto, toma
forma a partir do consumo de produtos repletos de significados que têm o poder de demarcar a
identidade, promovendo o consumo exagerado, contínuo e imediatista1.
Considerando a classe social, percebe-se que entre aqueles em transição rumo ao consumo
consciente há maior presença de entrevistados da Classe C/D/E em relação ao total da pesquisa
(81,7%, contra 77,8% no total). É possível observar, ainda, uma relação entre alta escolaridade e
grau de consciência: apenas 7,1% dos pouco ou nada conscientes possuem nível superior ou mais.
Já dentre os conscientes com a mesma escolaridade (superior ou mais) chegam a 12,4%. Além
disso, entre os consumidores conscientes a maior participação é de entrevistados que possuem 2º
grau (51,2%, contra 42,3% no total).
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Maior parte dos consumidores conscientes garante ter vindo de
famílias que incentivavam uso racional de água e luz
No que diz respeito ao ambiente familiar, o estudo sugere que há uma relação positiva entre
consumo consciente e famílias tidas (pelos respondentes) como financeiramente equilibradas:
34,4% dos consumidores conscientes dizem vir desse perfil de família, contra 26,4% na população em
geral. Em contrapartida, 15,3% dos pouco ou nada conscientes afirmam vir de famílias gastadoras
ou descontroladas financeiramente, contra 6,7% entre os conscientes.
21,9% 28,7%
29,7%
38,0%
28,5%
30,0% 27,6%
35,7%
49,6% 43,7%
40,3%
26,3%
Finalmente, perguntados sobre o que pensam a respeito das próprias atitudes, o estudo indica que
os entrevistados atribuem boa nota a eles mesmos: média de 7,5, numa escala de 1 a 10. Ao
mesmo tempo, entre os pouco ou nada conscientes há maior proporção de pessoas equivocadas,
já que 37,6% definem-se como muito conscientes. Ainda é possível observar que os consumidores
conscientes são aqueles que mais avaliam corretamente a própria condição: 70,8% deles
consideram-se muito conscientes (média de 8,1).
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COMPARATIVO ENTRE OS PERFIS DE CONSUMIDORES CONSCIENTES
Vêm de famílias
Vêm de famílias gastadoras
financeiramente equilibradas Garantem ter crescido
(6,9%), financeiramente
(34,4%) e cresceram num num ambiente familiar que
descontroladas (8,4%) e
ambiente familiar que incentivava o uso racional de
que não incentivavam o uso
incentivava o uso racional de água e luz (43,7%).
racional (35,7%).
água e luz (49,6%).
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5. CONCLUSÃO
Os resultados indicam que os respondentes não sabem bem o que significa consumo consciente.
O entendimento da maioria das pessoas ainda apresenta um viés financeiro, como se comprar de
forma consciente significasse, essencialmente, garantir o melhor uso do dinheiro em cada aquisição.
Afinal, 46,8% dos entrevistados afirmam que o consumo consciente está associado a atitudes que
evitam o desperdício e as compras não necessárias, sobretudo na Classe C/D/E (48,8%).
A dimensão financeira fica mais evidente quando se apresentam os resultados da pesquisa sobre as
vantagens envolvidas no consumo consciente: 35,5% falam que a principal delas é economizar e
fazer o dinheiro render mais. Por outro lado, vantagens de fundo altruísta também são mencionadas,
como a sensação de dever cumprido e de estar fazendo o que é correto para a sociedade (30,1%) e
a satisfação por saber que está fazendo algo positivo para o futuro das próximas gerações (18,6%).
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Observa-se que a palavra ‘desperdício’ aparece em destaque, quando se trata de questões
relacionadas ao uso da água, energia elétrica e alimentos. O principal motivador para economizar
água e luz, por exemplo, é não desperdiçar um bem que é finito (32,7%). Quanto aos alimentos, a
maior parte da amostra (52,8%) se posiciona contra o desperdício, por princípio.
Já os fatores que impedem o consumo consciente sugerem que os consumidores ainda não enxergam
esta postura como prioridade em seu dia a dia: 26,5% citam a falta de tempo, comprovando a
importância relativamente menor ocupada pelo assunto no cotidiano dos entrevistados e 25,4%
falam em esquecimento, ao justificar o que os impede de tomar atitudes conscientes de consumo.
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Indicador de Consumo Consciente (ICC)
A partir do presente estudo, o SPC Brasil e Meu Bolso Feliz instituem um indicador anual de
consumo consciente (ICC – SPC Brasil), que terá o objetivo de acompanhar, ao longo do tempo,
as transformações nos hábitos de consumo dos brasileiros. O Indicador de Consumo Consciente é
constituído a partir dos comportamentos considerados adequados, podendo variar de 0% a 100%:
quanto maior o índice, maior o nível de consumo consciente.
O cálculo do percentual de atitudes conscientes para cada consumidor resulta em três sub-
indicadores: ambiental, financeiro e social. A média desses sub-indicadores é utilizada para calcular
o Índice Geral de Consciência, o que, por sua vez, permite a segmentação dos consumidores em
três categorias:
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1. Sub-indicador de Práticas Financeiras
Com média de 68,0% de comportamento adequado, o bloco de finanças indica que a atitude mais
comum é a de não se deixar influenciar pelo consumismo das pessoas ao redor: 88,5% da amostra
afirmam que ao ver colegas ou amigos com coisas novas ou que estão na moda, não ficam com
tanta vontade a compro de comprar. Ao lado disso, 84,1% dos respondentes garantem não ligar
para marcas, o importante é a qualidade do produto. Em contrapartida, ainda é preciso lidar
melhor com questões como o uso compartilhado e as compras desnecessárias: apenas quatro em
cada dez pessoas (40,9%) dizem que preferem alugar ou pegar emprestadas coisas que usam com
pouca frequência, e somente 17,6% afirmam não ter se arrependido por comprar algo de que não
precisavam muito.
A média de comportamento adequado é de 71,7% para as questões deste bloco, sendo que a
medida mais adotada é a que envolve doação/troca: 83,5% garantem que antes de jogar fora um
produto que não querem mais, procuram doar ou trocar com alguém. Mais uma vez, percebe-se
que a adesão dos mais jovens a este comportamento é menor, em relação às outras faixas etárias:
72,6%, contra 92,4% entre os consumidores mais velhos. Praticamente oito em cada dez pessoas
(77,7%) dizem que evitam imprimir, para não gastar e ter cuidado com o meio ambiente.
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Por outro lado, em comparação a diversas outras atitudes deste bloco, ainda é relativamente
baixo o percentual de pessoas que se importam com a postura e a correção das ações de
uma empresa: metade da amostra (50,7%) afirma desistir da compra, ao analisar produtos
e marcas e descobrir que a empresa adota práticas prejudiciais ao meio ambiente ou à
sociedade. Da mesma forma que em inúmeros outros pontos destacados no estudo, os mais
jovens são os menos suscetíveis a barreiras de ordem ética: 35,4%.
A exemplo da água, a média de ações adequadas no uso da energia elétrica também é elevada,
chegando a 76%. Apagar as luzes em ambientes que não estão sendo utilizados (97,1%)
e utilizar lâmpadas fluorescentes (90,9%) parecem ser hábitos já bastante incorporados à
rotina das pessoas. Por outro lado, não é tão difundida a prática de retirar da tomada os
equipamentos elétricos que não estão sendo utilizados (51,9%).
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3. Sub-indicador de Práticas de Engajamento Social
A média de comportamentos adequados é de 68,1% nas questões deste bloco, sendo que a ação
mais comum é a de incentivar as pessoas da própria casa a economizarem água e luz (89,3%).
Já entre as atitudes menos comuns, destaca-se a baixa adesão ao reaproveitamento de roupas:
52,6% dizem que geralmente transformam as roupas que não servem mais em outras peças para
reutilizá-las, com percentual ainda menor entre os mais jovens (42,4%). E finalmente, apenas 49%
dos entrevistados garantem deixar de comprar produtos não originais, mesmo sendo o preço
muito atrativo, sendo que os mais suscetíveis à potencial vantagem econômica da pirataria são as
mulheres (44,2%), os mais jovens (30,8%) e os pertencentes à Classe C/D/E (46,2%).
A partir da pesquisa conduzida pelo SPC Brasil e Meu Bolso Feliz, pode-se concluir que apesar de
os consumidores reconhecerem a importância do consumo consciente, a grande maioria não vê
como prioridade as práticas sustentáveis de consumo, e ainda prevalece o entendimento de que
a dimensão financeira é a mais importante, ficando em segundo plano as questões ambientais e
sociais.
Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, é preocupante perceber que essa visão
utilitarista é mais frequente entre os mais jovens, justamente aqueles que, em princípio, deveriam
ser os protagonistas das mudanças necessárias para a adoção do consumo consciente. Vignoli
acredita que o indicador de consumo consciente (ICC) estabelecido na presente pesquisa poderá
servir como um referencial abrangente e útil para a sociedade civil, empresas e governos. A partir
deste indicador será possível acompanhar as transformações no comportamento de consumo dos
brasileiros, identificando avanços e retrocessos, a fim de que sejam propostas ações capazes de
estimular mudanças positivas no comportamento dos consumidores.
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6. METODOLOGIA
Público alvo: residentes nas 27 capitais brasileiras, com idade igual ou superior a 18 anos,
ambos os sexos, de todas as classes sociais.
Tamanho amostral da Pesquisa: 605 casos, gerando margem de erro no geral de 4,0 p.p para
um intervalo de confiança a 95%.
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