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05/12/2024, 15:34 contracampo :: revista de cinema

REFLEXÕES ACERCA DA CRÍTICA

A reflexão crítica é parte integral da realização


cinematográfica. Não consigo conceber o cinema sem ela, é
a ponta de um ciclo criativo que faz a engrenagem da
invenção continuar girando. Desde adolescente passei a
acreditar profundamente na força da crítica através da
leitura de livros da editora Perspectiva (coleção Debates). Foi
nessa época que conheci e li os livros teóricos e críticos de
poetas como Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Ezra
Pound, Octavio Paz, Michel Butor, Marcel Duchamp, entre
outros.

Desde então venho tentando encontrar esse tipo de


conhecimento e prazer nos livros e revistas de cinema.
Encontrei coisas bem interessantes, mas rapidamente o poço
secou e o que sobrou foram alguns blogs cujas fontes
pareciam infinitas, mas que, ao mesmo tempo,
proporcionavam apenas uma relação fugaz e instantânea.
Conseguiram saciar a minha ansiedade por esse contato com
a crítica, mas não cheguei a reencontrar aquilo que os livros
teóricos dos poetas haviam me dado: o prazer prolongado e
aprofundado da fruição artística.

Hoje, quando penso nesse assunto, sinto a iminência do


fracasso. Me pergunto: a plena realização da crítica de
cinema está fadada ao fracasso? Espero muito que não, pois
pra mim isso é o mesmo que dizer que a plena realização
dos filmes está fadada ao fracasso. Ou mais ainda: a fruição
cinematográfica está fadada à mediocridade. Essa
possibilidade me deixa puto, preciso então entender o que
seria a plena realização da crítica e reencontro nesses
poetas algumas reflexões (nas quais eu acredito, mas que
de forma alguma são totalizantes):

1- Ver um filme três vezes ou mais. Nunca escrever sobre


um filme que você viu apenas uma ou duas vezes.

2- Make it new: a crítica é renovação, não regeneração.


Considero improdutivo uma crítica preocupada em apontar
falhas, como se isso fosse adequar o filme ao que ele
"deveria ser". Mais interessante é uma crítica de espírito
livre, que anarquize a sua relação com a obra.

3- Transcriação: mergulho pleno na obra a ponto de borrar a


fronteira entre autor e espectador/crítico. Adoraria ler uma
crítica que me fizesse sentir que a minha relação com a obra
vem tanto do realizador quanto do crítico.

4- Exercer uma relação com a História de forma não-linear. É


uma maneira de tornar o exercício crítico mais criativo e
menos categórico. Pra perceber algo em Lumière talvez seja
necessário perceber antes algo em Straub, e vice-versa
dependendo de onde se quer chegar (a origem e o fim
habita todos os tempos).

5- Se a crítica literária cabe perfeitamente num livro (com


direito a trechos de poemas, comparações de tradução etc.),
então a crítica cinematográfica cabe perfeitamente na
internet (com direito a trechos de filmes no youtube, fotos,
etc.). Use os meios a favor da criatividade, não transponha

www.contracampo.com.br/100/artreflexoespretti.htm 1/2
05/12/2024, 15:34 contracampo :: revista de cinema
simplesmente o jornal pra internet. A nossa mediocridade se
revela nessas transposições: procedimento pobre de
imitação.

6- Generosidade. Os críticos muitas vezes confundem


generosidade com condescendência. É necessário ser
generoso, principalmente com filmes novos, pois ainda são
recém-nascidos. Acho importante observar com atenção os
seus primeiros passos. Lembrando que sempre existe a
possibilidade de simplesmente deixá-lo pra lá. É mais digno
deixar pra lá a observar com um coração mesquinho.

7- Acreditar no que você diz. Não existe um bom crítico com


pudor de colocar pra fora aquilo que acredita e sente. Nunca
ter medo de se expor e de errar. O erro apaixonado é
infinitamente mais rico que o acerto frígido.

8- Não esquecer de viver a vida, pois é na vida que


encontramos todas as nuances.

9- Destruir o absolutismo. O papel da crítica é não deixar a


arte se cristalizar, virar puro objeto de museu. Crítica
oficialesca não existe.

10- Desaprender, se colocar em risco.

Ricardo Pretti

Abril de 2013

www.contracampo.com.br/100/artreflexoespretti.htm 2/2

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