Amplificação Raman em Fibras Microestruturadas
Amplificação Raman em Fibras Microestruturadas
São Paulo
Dezembro – 2007
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ALFREDO ALMEIDA DE ARAUJO
São Paulo
2007
Aos meus pais, Antonina e Laudi, que
me deram tudo na vida e fizeram de
mim o homem que sou.
AGRADECIMENTOS
Aos amigos de laboratório, Camila Dias, Daniel Ferreira, Suzanne Baruh pelas
dúvidas esclarecidas.
Ao grande amigo Profº MsC. Marcelo Zanateli pelos estudos em conjunto nos
tempos de ITA e pelas oportunidades dadas a mim para a passagem de
conhecimento a seus alunos, na UniFei.
Resumo
Esta dissertação tem como objetivo descrever as características básicas das fibras
realizadas simulações destes guias de onda com dados de uma fibra real descrita na literatura.
Também foram realizadas simulações para verificação do ganho líquido e figura de ruído de
um amplificador baseado nesta fibra e das vantagens de seu uso em um enlace óptico
This dissertation aims to describe the basic characteristics of microstructured fibers, their
concept and performance, and to investigate the application of a low loss microstructured
fiber to the development of Raman amplifiers. An analysis of the use of these amplifiers in
Telecommunication applications is described. To this end, simulations were carried out with
these waveguides with the data of a real fiber described in the literature. Simulations were
also carried out to determine the amplifier’s net gain and noise figure and to establish the
advantages of its use in a complete optical fiber span, including the compensation dispersion
in the O band (1260-1360 nm). As a result, it was demonstrated that the microstructured fiber
presents, in some aspects, a performance that is higher than that of conventional Raman
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................9
2 FIBRAS ÓPTICAS..............................................................................................................13
NF Noise Figure.
1 INTRODUÇÃO
Fibras ópticas microestruturadas (ou MOFs, do inglês microstructured optical fibres),
também chamadas de fibras de cristal fotônico (ou PCFs, do inglês photonic crystal fibers),
são guias de onda com um conjunto de furos preenchidos com ar que circundam o núcleo e
correm ao longo de todo o comprimento da fibra. O núcleo pode ser sólido ou vazado. MOFs
incomuns, como grande capacidade de controle de dispersão, maior controle dos efeitos não
lineares, ausência de freqüência de corte e alto confinamento de luz devido à maior diferença
entre índices de refração de núcleo e casca. Estas características diferenciam-nas das fibras
convencionais tanto com relação a propriedades quanto no que diz respeito a aplicações. Elas
direciona para uma não-linearidade muito alta. Porém, este último fato geralmente acarreta
em altas perdas (de pelo menos ~10 dB/km em 1550 nm), o que muitas vezes impossibilita o
uso prático das MOFs, por exemplo, em amplificadores Raman para telecomunicações
No entanto, é importante ressaltar que desde o primeiro uso das MOFs, a atenuação
óptica tem reduzido rapidamente. A mais baixa perda registrada é de 0,18 dB/km em 1550
nm, igualando a perda das melhores fibras convencionais, em uma MOF de comprimento de
1,5 km, fabricada por uma equipe de pesquisadores da Nippon Telegraph and
grande para uma MOF (da ordem de 12 µm de diâmetro), o que contribui para o resultado
mesma companhia havia reportado uma fibra de menor núcleo (~ 5,5 µm de diâmetro), maior
desde o início dos anos 1990 (BROMAGE, 2004). Inicialmente, foram desenvolvidos os
amplificadores de fibra dopada por Érbio (EDFA, do inglês Erbium-doped fiber amplifiers),
que possuem uma banda de ganho que estende-se de 1530 a 1610 nm, sendo ideais para
anos 70, sendo que seus benefícios surgiram em meados dos anos 80 (BROMAGE, 2004).
de diodo de alta potência. O ganho Raman requer maior potência de bombeamento, por volta
sistemas WDM, que atualmente necessitam trabalhar em outras bandas além da atual Banda C
(1530-1565 nm).
apresentar ganhos líquidos maiores (para uma potência de bombeamento fixa) na banda O
O amplificador Raman, por ser baseado em um processo não linear, tem seu ganho
significa que um pequeno diâmetro de núcleo, que aumenta a intensidade da luz, também
amplificador Raman.
baseados em uma MOF de não linearidade moderadamente alta, mas que possui baixa
freqüência de corte, apresentando guiamento monomodo por todo o espectro. Assim, elas
podem operar em comprimentos de onda mais curtos que uma fibra convencional. Além
inexistentes.
Este trabalho foi dividido da seguinte forma: no capítulo 2, foram abordados conceitos
Raman em MOFs, além das descrições das montagens e resultados das simulações realizadas;
Nas simulações realizadas, os seguintes objetivos foram almejados: (i) estudar a área
modal em função do comprimento de onda; (ii) estudar o ganho Raman versus a perda em
Raman com MOFs; (iv) implementar estes amplificadores em sistemas ópticos completos,
para verificação de ganho, figura de ruído e taxa de erro de bit (BER, do inglês bit error rate).
Mostra-se que em certas situações as MOFs podem ser mais adequadas para a amplificação
características da MOF que será utilizada neste trabalho serão as mesmas das demonstradas
fibras comuns em certas faixas de espectro. Além disso, atualmente, não existe um volume
grande de trabalhos na literatura que estude sistematicamente MOFs de baixa perda para
amplificação Raman.
13
2 FIBRAS ÓPTICAS
2.1 BREVE HISTÓRICO DE FIBRAS ÓPTICAS
As fibras ópticas surgiram como um avanço nos estudos de propagação de ondas
fibra de vidro. Porém, somente em 1951, com a invenção do Fiberscope, equipamento para
de longo alcance e grande banda passante. Na mesma época, foi criada a primeira fibra com
estrutura de núcleo e casca pelo indiano radicado na Inglaterra Kapany e sua equipe
No início dos anos 70, no intuito de se obter fibras ópticas de baixa perda,
rodeado por ar e suspenso por estreitas pontes de vidro. A idéia foi logo abandonada com a
seção transversal destas fibras foi idealizada de modo a criar um cristal fotônico, apresentando
um bandgap que aprisionasse e guiasse a luz pelo núcleo da fibra. Em 1996 houve a primeira
demonstração de uma fibra de cristal fotônico (ou MOF) que mesmo sem apresentar bandgap
fotônico guiava a luz por reflexão interna total e apresentava uma série de características
incomuns. Conseqüentemente, pôde-se verificar os benefícios que este novo tipo de estrutura
poderia trazer, como uma maior diferença entre os índices de refração de núcleo e casca e a
núcleo utilizam o efeito de bandgap fotônico (PBG, do inglês photonic bandgap), no qual a
luz fica confinada ao núcleo por sofrer interferência destrutiva na casca microestruturada
(PCF Technology Tutorial, 2005). Na Figura 1, são mostradas MOFs de núcleo sólido (a) e
vazado (núcleo oco) (b), correspondendo respectivamente às categorias de alto e baixo índice
de núcleo.
Figura 1 – Tipos de fibras microestruturadas (a) MOF de núcleo sólido; (b) MOF de núcleo oco. (RUSSEL,
2007)
dado, numa análise de óptica de raios, pela lei da reflexão, que determina que o ângulo de
incidência seja igual ao de reflexão em uma interface entre dois meios diferentes de índices de
onde θ 1 é o ângulo do raio incidente com relação à normal à superfície, θ 2 é o ângulo do raio
refração do meio 2. Todos estes parâmetros podem ser visualizados na Figura 2(a).
refratada. Numa fibra, o meio 1 é o núcleo e o meio 2 é a casca, e n1 > n2. Desta forma,
verifica-se que θ 1 < θ 2 e que, portanto, quando θ 1 tende a um determinado valor (ângulo
limite), o ângulo θ 2 tende a 90º, fazendo com que a luz refratada tenda a zero (BISCUOLA,
MAIALI, 1997), como visto na Figura 2(b). No caso de haver uma incidência com um ângulo
maior, ocorrerá reflexão interna total, mostrada na Figura 2(c), técnica utilizada para prover
β = k sen θ 1 , (2)
refração efetivo do modo de propagação (nmodo), que permite escrever β de uma forma
2π nmod o
β= . (3)
λ
16
Figura 2 – Comportamento do feixe de luz com o ângulo de incidência menor (a), igual (b) e maior (c) que o
ângulo limite. (GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991)
propriedades do material e as condições de contorno que definem o meio pelo qual a luz
propaga. A sua formação pode ser entendida a partir de uma decomposição da onda
propagante dentro do núcleo da fibra em duas ondas planas. Uma onda plana se propaga ao
longo do eixo da fibra e tem como número de onda a constante de propagação β . A outra
onda plana se propaga transversalmente ao eixo da fibra, e tem a constante κ , vista na Figura
3, como número de onda. Devido a esta última estar ortogonal à interface casca-núcleo, ocorre
17
a formação de uma cavidade. Com isso, há a formação de uma onda estacionária (como
ocorre em uma corda quando esta está presa em ambas as pontas e aplicam-se movimentos
(a)
(b)
Figura 3 – Decomposição de dois modos de propagação nas componentes transversal e longitudinal, com
geração de onda estacionária. (adaptado de OKAMOTO, 2000). φ : ângulo entre o vetor de onda e o eixo da
fibra (z); λ p : comprimento de onda plana se propagando ao longo do eixo da fibra.
18
Em uma MOF, a análise da propagação por reflexão interna total deve levar em conta
que o índice de refração da casca (n2) não é bem definido. Neste contexto, um importante
parâmetro a ser analisado é a fração da área da casca ocupada por ar, chamada em inglês de
air-filling fraction, que, para uma matriz triangular de furos, é dada por:
Aar πd 2
f= = , (4)
Atotal 2 3Λ2
Quando f cresce, cresce também a quantidade de luz propagada nos furos, levando a
(índice do ar). Com isso, imensos contrastes de índice são obtidos, fazendo com que
Além disso, quanto maior o comprimento de onda, maior a quantidade de luz que se
propaga pelos furos, de modo que o índice de refração efetivo da casca diminui. Quanto maior
for f, mais acentuada será a variação do valor deste índice de refração efetivo com o
Figura 4 – Comportamento da freqüência normalizada em MOFs com matriz triangular de furos para diversos
valores da razão entre d e Λ . (adaptado de BJARKLEV, BROENG, BKARKLEV, 2003)
Em qualquer fibra operando por reflexão interna total pode-se definir uma freqüência
2π a
V= n12 − n 22 , (5)
λ
Para que haja somente um modo de propagação na fibra, o valor de V deve ser menor
onda de corte ( λ c ). Diante disto, é possível analisar que, para comprimentos de onda menores
comprimento de onda. Dependendo da razão entre d e Λ (e portanto de f), esta variação pode
abaixo de Vc (ver Figura 4). Neste caso tem-se na prática uma fibra monomodo para qualquer
V2
N~ , (6)
2
e tal equação se mostra adequada tanto para fibras convencionais quanto para MOFs.
ocorre na fibra. Como o índice de refração varia com o comprimento de onda, as diferentes
grupo e com isso geram atraso entre si. Este atraso leva a um alargamento indesejado dos
pulsos propagados é chamado de dispersão (D). A dispersão pode ser decomposta em duas
contribuições principais:
D = Dm + D w , (7)
estrutura e confinamento oferecido pelo guia de onda e é função do índice de refração efetivo
do modo ( n mod o ). O comportamento destes componentes para uma fibra convencional pode
Em uma MOF, a dispersão do guia de onda D w pode ser muito grande devido tanto às
por estas fibras. Esta característica faz com que se tenha grande flexibilidade para se projetar
um bastão cilíndrico de vidro com uma região de sílica pura e outra dopada, que formarão o
conjunto núcleo / casca. A diferença de material criada a partir do nível de dopagem aplicado
dará origem à diferença de índice de refração entre núcleo e casca, necessária para o
guiamento óptico. Esta dopagem, baseada no processo de deposição de vapor químico (CVD,
desenvolvido nos anos 70 pelo Bell Laboratories e outros (KNIGHT, 2003) é feita em altas
temperaturas e gera óxidos dopantes, como por exemplo, GeO2, P2O2, e BO (Óxido de
Neste, a preforma, com eixo na vertical, passará por um forno com temperaturas entre 1800º e
2000 ºC. O vidro derretido e é então tracionado para baixo pela força gravitacional em uma
torre de fabricação de fibras e enrolado a uma determinada força de tração, como pode ser
visto na Figura 6.
monomodo o núcleo e a casca têm um índice de refração similar (diferindo em até ~1%), uma
fibra microestruturada pode ter um alto contraste de índice (de até aproximadamente 50%).
Este contraste é obtido devido ao ar existente na casca e exige que a fabricação da preforma
seja baseada no agrupamento (ou empilhamento) de tubos capilares de sílica, como visto na
Figura 7. Os capilares podem ter 20 mm de diâmetro, sendo que o capilar central é substituído
por um tubo sólido no caso de MOFs de núcleo sólido. A preforma então passa pelo mesmo
23
processo de puxamento descrito anteriormente, como mostra a Figura 7. Após esta etapa,
obtém-se a fibra em sua forma final, com a estrutura de furos e núcleo mostrada na Figura 8.
A estrutura perfurada das MOFs traz várias vantagens tanto para a fabricação quanto
material, é transparente em uma larga faixa espectral e tem um índice de refração inferior ao
Figura 8 - Fibra microestruturada com núcleo sólido. (adaptado de Photonic Crystal Fibers Technology
Tutorial)
24
microestruturada, as quais são causadas pelo alto contraste no índice de refração e pela
pequenas áreas modais, permite maior controle do número de modos guiados e afeta a
guia de onda nas MOFs com o núcleo pequeno e furos largos na casca (Figura 9). A dispersão
No caso de uma MOF, esta dispersão pode ser melhor controlada do que em uma fibra
convencional.
Figura 9 - Corte transversal de uma fibra microestruturada de núcleo pequeno. Escala do traço: 1 µm .
(KNIGHT, 2003)
25
de onda, o que faz com que a luz interaja com a estrutura da casca como um todo e não com
cada parte dela. Com isso, na prática, há uma média ponderada entre o índice de refração da
sílica e do ar, o que é chamado de índice de refração efetivo da casca ( n ef ) e que corresponde
ao modo de propagação fundamental nesta. Quanto mais área de ar na casca, menor este
índice efetivo, pois o índice de refração do ar é igual a 1, valor bem inferior ao da sílica
(~1,45).
Uma forma mais específica de se calcular o índice de refração efetivo da casca é fazer
uma análise da estrutura desta, separando-a em células hexagonais ao redor de cada furo.
β fsm
nef = , (8)
k0
onde k0 é a constante de propagação no vácuo. Como já mencionado na seção 2.2, nef depende
mostrado na Figura 10. A atenuação mínima conseguida pela equipe que desenvolveu o
trabalho foi de 0,37 dB/km para um comprimento de onda de 1,55 µ m e de 0,71 dB/km para
o comprimento de onda de 1,31 µ m. Estas eram as menores perdas conseguidas até então em
MOFs e se deviam a cuidados quanto à fabricação e para se evitar contaminação, mas também
ao núcleo não ser demasiadamente pequeno (porém muito menor do que o de uma fibra
Figura 10 - Espectro de atenuação da MOF de baixa perda analisada nesta dissertação. (TAJIMA, ZHOU,
NAKAJIMA, SATO, 2004)
com a de uma fibra convencional, como mostra a Tabela I. É possível verificar que a MOF se
perda total da MOF é apenas 0,36 dB/km e 0,17 dB/km superior à da fibra convencional em
1,31 µm e 1,55 µm, respectivamente. Pode-se observar também que a perda por rugosidade é
sendo uma ordem de grandeza maior naquela. Este tipo de perda é acentuado em uma MOF
superior na MOF (~0,11 dB/km maior). Esta característica pode ser atribuída à presença dos
furos da fibra, que fazem com que haja um depósito de umidade, fato que não ocorre em uma
TABELA I
Comparação de componentes de perda entre a MOF analisada e uma fibra
convencional
Fibra Monomodo
microestruturada convencional
Perda em 1,31µm, dB/km 0,71 0,35
Perda em 1,55µm, dB/km 0,37 0,2
Coeficiente de espalhamento 1 1
4
Rayleigh, dB/km/µm
Perda por rugosidade, dB/km 0,07 < 0,01
Perda por absorção de OH em 0,12 < 0,01
1,55µm, dB/km
Absorção IR em 1,55µm, dB/km 0,012 0,01
Figura 11 - Espectro de dispersão da MOF de baixa perda analisada nesta dissertação. (TAJIMA, ZHOU,
NAKAJIMA, SATO, 2004)
NTT conseguiu ainda novas melhorias de desempenho em suas fibras e demonstrou uma série
de aplicações para elas em Telecomunicações. Seis meses após o estudo original, foi atingida
a marca de 0,28 dB/km de perda em 1550 nm, através da redução da rugosidade da superfície
comprimento de onda densa (ou DWDM, do inglês dense wavelength division multiplexing)
em uma MOF com extensão de 100 km, dividida em quatro enlaces de 25 km. A MOF
possuía 60 furos e uma perda de 0,3 dB/km em 1550 nm e de 0,45 dB/km em 1310 nm
HAIBARA, 2006). O espalhamento Rayleigh conseguido neste caso foi menor do que numa
fibra convencional monomodo dopada com GeO2 que, somado ao fato de a fibra ter uma
grande extensão, comprova a real utilidade deste tipo de fibra em transmissões ópticas de
29
longa distância. Neste experimento também foi realizada a transmissão de sólitons, utilizando-
MOFs com fibras de compensação de dispersão (ou DCF, do inglês dispersion compensating
fiber). Com isso, foi atingida uma transmissão com baixa dispersão do sinal pelo mesmo
percurso de 100 km, com uma razão de erro de bit (BER) abaixo de 10-11, o que também
em 1550 nm (TAJIMA, 2007). O grupo obteve redução das perdas por rugosidade na fibra,
Rayleigh também apresentou menor valor do que o da fibra convencional, atingindo a marca
de 0,03 dB/km. A perda por absorção de OH, que no passado era superior à de uma fibra
deste feito, foi-lhe outorgado o Prêmio Nobel de Física em 1930 (All Nobel Laureates in
Physics, 2007). Porém, foi somente na década de 1970 que se iniciaram as pesquisas aplicadas
necessário em termos de ganho para o seu uso em larga escala. Somente do meio dos anos 90
(BROMAGE, 2003).
entre o campo óptico e os modos de vibração moleculares. Esta troca de energia ocorre em
quantidades discretas, denominadas fônons. Desta forma, os fótons incidentes podem receber
ou perder quantums de energia com valores que dependem das moléculas envolvidas no
espontâneo.
energia do fóton, diz-se que a rede molecular foi aquecida, pois há um aumento da vibração
das moléculas que compõem a estrutura do meio. A perda de energia altera a freqüência do
fóton, diminuindo-a. Quando o fóton ganha energia, a rede é resfriada, pois ocorre o efeito
Quando o fóton espalhado tem energia (freqüência) menor que a do incidente, ele é
chamado de linha de Stokes. Quando a energia do fóton espalhado é maior que a do fóton
espontâneo pode ser entendido da seguinte forma (ver Figura 12): após a incidência do fóton,
decaimento para um nível real, Nfinal, correspondendo a uma energia de vibração diferente
daquela relativa ao nível inicial, Ninicial. Quando Nfinal é menor que Ninicial, o processo é
Figura 12 – Diagramas de níveis de energia. (a) Linha Stokes (b) Linha anti-Stokes. (SAITO, 2006)
material que compõe as fibras analisadas por este trabalho, e os fótons de sinal e
32
ao original, de forma que este processo pode ser utilizado para se obter amplificação óptica.
Figura 13 – Demonstração gráfica da amplificação por espalhamento Raman estimulado em uma fibra óptica de
sílica. (adaptado de BROMAGE, 2003)
decomposto numa cópia do fóton inicial de sinal (fóton originalmente transmitido) e o fônon,
amplificando, desta forma, o sinal inicial. Para que o espalhamento Raman seja estimulado, a
freqüência do sinal deve ser deslocada em relação à de bombeamento de um valor que esteja
dentro da banda de ganho Raman do material. Para a sílica, o pico Raman corresponde a um
deslocamento de 13,2 THz, conforme visto no espectro de ganho Raman mostrado na Figura
14. A largura a meia altura da curva vista na Figura 14 é de ~ 8 THz, indicando que uma larga
durante um projeto de amplificadores. Uma delas é que o ganho Raman está ligado
Uma outra característica é que o ganho está relacionado com a área efetiva de
propagação. Para sinais de baixa potência, caso em que pode-se desprezar o decréscimo de
ganho líquido (ganho já descontadas as perdas) é dado por (HEADLEY, AGRAWAL, 2005):
gR
CR = . (10)
Aeff
Leff é o comprimento efetivo da fibra que leva em conta a perda sofrida pelo bombeamento
1 − exp (−α p L)
Leff = . (11)
αp
P ( z ) = P0 e −αz , (12)
P ( z ) = P0 xPlinear , (13)
onde P(z) é a potência óptica a uma distância z, P0 é a potência óptica inicial, e Plinear é a perda
espectro de g R é conhecido para uma determinada região espectral (na qual tem valor g RREF ),
2005):
λ REF [nm]
g R = g RREF , (16)
λ [nm]
2001) para λ REF = 1046 nm. A área efetiva para a interação Raman (equação 10) é dada por:
∞ ∞
( ∫ ∫ I p ( x, y )dxdy ) ( ∫ ∫ I s ( x, y )dxdy )
−∞ −∞
Aeff = ∞ , (17)
∫∫−∞
I p ( x, y ) I s ( x, y )dxdy
Analisando a equação 10 ainda, pode-se verificar que fibras com núcleos menores têm
um ganho incrementado em relação às de núcleos maiores. Este fato faz com que a utilização
36
de MOFs seja indicada, pois o núcleo destas pode ser consideravelmente menor que o de
linearidade como, por exemplo, uma fibra fabricada pela empresa OFS, que possui um pico de
eficiência de ganho Raman em 1550 nm de 2,5 W-1km-1 (OFS Raman Fiber Catalog). Para
fins de comparação, pode-se mencionar que uma fibra padrão de Telecomunicações possui
2002).
A propagação do sinal pode ser feita em qualquer sentido da fibra amplificadora, pois
entre o sinal e o bombeamento. Há, entretanto, uma dependência do ganho Raman com a
polarização da luz, sendo que caso a polarização do sinal seja igual à do bombeamento, o
eficiência de ganho Raman é duas vezes menor do que no caso de sinal e bombeamento co-
fibra é longa (~1 km ou mais), já que a evolução da polarização dos dois feixes torna-se
descorrelacionada.
terem um maior tempo de vida do estado excitado. Na realidade, o estado excitado no caso do
espalhamento Raman é um nível virtual e, portanto, o seu tempo de vida é praticamente nulo.
Este fato faz com que em amplificadores Raman as flutuações de bombeamento sejam
diretamente transferidas para o sinal. Por outro lado, os EDFAs podem operar somente na
faixa em torno de 1550 nm, o que limita muito a sua utilização se comparado a um
amplificador Raman, que pode operar em qualquer banda de transmissão, dependendo apenas
do bombeamento.
37
específicas, que os diferenciam dos EDFAs. No que se seguem, estas características são
3.3.1 Características
• É possível utilizá-los com qualquer tipo de fibra óptica, sendo que sua implantação foi
existentes;
discreta em um ponto do enlace óptico, da mesma forma que ocorre com um amplificador
amplificadores de linha. Amplificadores LRA podem possuir três geometrias diferentes para o
bombeamento no que diz respeito ao seu sentido de propagação na fibra relativo ao sentido do
38
Cada uma das geometrias de bombeamento do LRA possui suas características e suas
TABELA II
Comparação de tipos de bombeamento
Combinado Co-propagante Contra-propagante
Ganho Médio Alto Baixo
Ruído * Médio Alto Baixo
Efeito não-linear Alto Médio Baixo
Fonte: SAITO, 2006
* devido ao acoplamento com o laser de bombeamento
SNR, do inglês Signal Noise Ratio) e é definida pela expressão (BROMAGE, 2004):
39
SNRin
NF = , (18)
SNR out
potência do sistema, necessitando de fontes de sinal com menor potência. Além disso, a
geração de outros efeitos não lineares é reduzida, pois o sistema trabalha com menores níveis
sinal longe da região de ruído mostrada na Figura 16. Com a aplicação deste modo, pode-se
ter uma amplificação mais uniforme ao longo de todo o enlace, se comparado ao modo
discreto.
LRA com aquela no modo DRA. A queda do sinal amplificado é devida à atenuação na fibra
de transmissão. A linha vermelha é a evolução da potência de sinal com o uso do DRA nas
fibras de transmissão. Já a linha preta é a mesma evolução com a utilização do LRA. Pode-se
notar que no caso do DRA, a eficiência do sistema é maior, pois curva de ganho não entra nas
Figura 16 – Comparação entre comportamento do sinal amplificado no enlace com amplificação discreta e
distribuída. (SAITO, 2006)
41
flexibilidade em se projetar a dispersão pode também ser explorada como uma funcionalidade
adicional das MOFs. Além disso, as MOFs monomodo em todo o espectro (endlessly single-
Até pouco tempo atrás, a perda das MOFs era grande, gerando, portanto, baixos
ganhos líquidos. A primeira observação de ganho Raman ocorreu em uma fibra de 75m de
comprimento e uma área efetiva de 2,85 µm2 (YUSOFF, LEE, BELARDI, MONRO, TEH,
Pouco depois um trabalho mostrou que uma MOF apresentando área efetiva de 7 µm2
e perda de 12,4 dB/km em 1550 nm apresentava ganho líquido inferior ao de uma fibra padrão
Com o advento das MOFs de baixa perda, foram geradas novas possibilidades para
amplificação Raman apesar das maiores áreas efetivas apresentadas por estas.
onda de 1580 nm foi de 0,55 dB/km, porém a BER do sistema outrora analisado situou-se
abaixo de 10-11, comprovando mais uma vez as possibilidades de utilização deste tipo de fibra
em uma MOF de 6,0 km de comprimento, na região espectral de 850 nm. Neste caso, foi
aplicado um laser de bombeamento de 822 nm, para que houvesse uma diferença de 13,2 THz
em relação ao comprimento de onda de sinal, com o intuito de obter o maior ganho possível.
Como resultado, foi medida uma perda líquida de 1,6 dB no enlace, o que corresponde a 0,27
SANKAWA).
dispersão em MOFs. Em um destes trabalhos, foi atingido um ganho Raman líquido de 1,5 dB
comprimento. Além disso, foram atingidos valores de dispersão de -70 ps/nm/km em 1540
nm e de -125 ps/nm/km em 1560 nm. O baixo ganho obtido foi devido às perdas da sílica
Nesta linha, ainda foi realizado um trabalho numérico, no qual foi atingido um ganho
5 dB/km, com um sinal de entrada em 1550 nm e uma potência de bombeamento de 520 mW.
ROBERTS, 2007).
43
dispersão, foi simulada a utilização de uma MOF com comprimento de 3,6 km em um enlace
de fibra monomodo de 100 km, com transmissão WDM de 16 canais (1546 a 1558 nm) na
banca C. A perda da MOF era de ~0,8 dB/km e a dispersão variava entre -467 e -486
ps/nm/km. A eficiência de ganho obtida foi de 20,26 W-1km-1, o que viabiliza este tipo de
fibra para as aplicações propostas. Além disso, foi feita uma comparação com uma DCF,
sendo que a MOF superou-a tanto em ganho quanto em compensação de dispersão (CANI,
desempenho do ganho Raman de uma MOF de baixa perda (TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA,
SATO, 2004) por uma larga faixa espectral e testar a fibra em uma aplicação real de
aplicativo Mode Solutions, da empresa Lumerical, para determinação dos modos guiados na
fibra e suas características, como índice modal, perda e distribuição transversal dos campos
diferenças finitas e foi escolhido por oferecer um tempo de simulação baixo e uma interface
Como o Mode Solutions faz somente a análise transversal do modo de propagação, foi
ópticos ao longo do enlace da fibra, para a obtenção de ganhos, figuras de ruído e evolução de
A partir dos resultados do Mode Solutions, foi possível uma determinação precisa da
área efetiva do modo fundamental para ganho Raman, que está diretamente ligada à eficiência
deste efeito. Esta área efetiva é calculada a partir dos vetores de Poynting nos comprimentos
de modos guiados, que é uma característica importante, já que para amplificação Raman em
simulações do amplificador Raman, como pode ser visto na Figura 17. Neste aplicativo,
foram analisados o ganho do amplificador Raman nas bandas C e O, além das respectivas
figuras de ruído. Nestas simulações foram realizadas seis configurações diferentes, variando-
para a banda O utilizando uma fibra de dispersão deslocada não nula (ou NZDSF, do inglês
non-zero dispersion shifted fiber) de mercado como fibra de transmissão e a MOF estudada
Figura 18. Para este circuito, foram escolhidos 70 km da fibra TrueWave RS Fiber, da
empresa OFS, que possui uma perda de 0,35 dB/km e uma dispersão de –8 ps/km.nm em 1,31
uma taxa de 10 GHz e com uma potência média de 0,7 mW. O amplificador / compensador de
dispersão otimizada. A perda da MOF em 1,3 µm era de 0,71 dB/km. Os valores de rampa de
dispersão (em inglês, dispersion slope) utilizados foram de 0,047 ps/nm2/km para a NZDSF e
Para a geração do ganho Raman na MOF, foi inserido um laser de bombeamento com
levadas em conta, com valores de 1 dB, na entrada e na saída da MOF. Para recepção do sinal,
sinal.
46
perfil do pulso transmitido devido à dispersão nos três pontos ao longo do enlace mencionado
acima.
4.3 SIMULAÇÕES
No software Lumerical, foi feita a construção de uma MOF com as mesmas
modais de sinais em comprimentos de onda que variaram de 1100 a 1650 nm, com
espaçamento entre o sinal e o bombeamento de 13,2 THz. Como resultado destas simulações,
magnéticos e elétricos do modo fundamental da fibra para sinal e bombeamento, de modo que
a variação da área efetiva para interação Raman com comprimento de onda fosse obtida.
1
I =< S > = Re {E x H *} , (20)
2
que, para propagação ao longo do eixo z e para bombeamento (p) e sinal (s), assume as
formas:
1
I p = < S z , p > = Re {E x H y * − E y H x *} p , (21)
2
1
I s = < S z , s > = Re {E x H y * − E y H x *}s . (22)
2
(16), onde foi utilizado o valor de 1×10-13 m/W para gR1046, que assume um bombeamento
despolarizado. Diante destes valores, o próximo passo foi calcular a eficiência de ganho
bombeamento e do sinal, que é obtido a partir da perda (em dB/km) através da equação (15).
De posse destes valores, foi possível então calcular o ganho líquido (Gnet) em uma
fibra de comprimento L, com uma potência de bombeamento P0, a partir da equação (9). Para
Esta última expressão é importante, pois dá o ganho da fibra da forma mais usual,
permitindo que sejam feitas comparações com outros sistemas de amplificação, como por
comprimento de fibra de L = 4 km. Num segundo momento, foram feitas variações tanto de
Ainda no aplicativo Mode Solutions foi feita uma análise da perda por confinamento
foi implantado o circuito visto na Figura 21, com de 51 canais, nas faixas de 1500 à 1600 nm
e de 1250 à 1350 nm, com espaçamento de 2 nm, que foram utilizados meramente para
caracterizar ganho e figura de ruído em função do espectro. Estes sinais eram ideais (não
apresentavam ruído) e possuíam uma potência de -50 dBm para que o amplificador estivesse
no aplicativo, mede o ganho e a figura de ruído. Estes equipamentos também eram ideais e
Para cada uma das faixas de sinal – bandas C e O – foram simuladas as seguintes
situações:
eficiência de ganho Raman, atenuação e dispersão na fibra. No primeiro deles, foi tomado
como base o arquivo padrão do próprio aplicativo válido para fibras convencionais com
núcleo de sílica, no qual foram feitas as alterações necessárias para utilização nas faixas de
freqüência de interesse e para incorporação das áreas efetivas calculadas para a MOF em
estudo. Os demais parâmetros foram obtidos a partir dos gráficos disponíveis em (TAJIMA,
+
1 PASE
NF = .( + 1) , (24)
G hν B0
+
onde G é o ganho, PASE é a potência de ruído emitido espontaneamente co-propagante com o
medida óptica.
bombeamento foi ajustado para 1229 nm para obter a máxima eficiência (espaçamento sinal-
bombeamento de 13,2 THz) e a sua potência era de 300 mW. A Figura 22 mostra o diagrama
mostrados no diagrama.
Nesta montagem, foi verificada a qualidade do sinal gerado nos três osciloscópios
dos pulsos. Através de análise do diagrama de olho, o aplicativo fornecia também uma
THYAGARAJAN, 1998):
13,2 THz, de forma que todos os ganhos calculados correspondem aos valores de pico.
Também são visualizados na Tabela III os valores calculados de área efetiva e os coeficientes
estudo em questão, como o coeficiente de ganho Raman (gR), a eficiência de ganho Raman
TABELA III
Sumário dos parâmetros utilizados para cálculo da eficiência Raman e ganho Raman
líquido
Comprimento de Comprimento de
onda de sinal onda de
2
[nm] µm ] αs [km-1]
bombeamento [nm] Aeff [µ αp [km-1]
1100 1049 15,16 0,18 0,41
1150 1095 15,26 0,16 0,18
1200 1140 15,35 0,14 0,23
1250 1185 15,44 0,28 0,18
1300 1230 15,53 0,14 0,14
1350 1274 15,62 0,51 0,25
1400 1319 15,71 1,84 0,17
1450 1363 15,81 0,23 0,86
1500 1407 16,02 0,09 1,84
1550 1451 16,07 0,09 0,23
1600 1495 16,16 0,09 0,10
1650 1538 16,25 0,10 0,09
55
TABELA IV
Sumário dos parâmetros necessários para cálculo do ganho Raman líquido com 4 km de
MOF e 300 mW de bombeamento
Comprimento de Perda Perda
-14 -3
onda de sinal gR (*E ) CR (*E ) sinal bombeamento Leff Gnet
-1 -1
[nm] [m/W] [W m ] [dB/km] [dB/km] [km] [dB]
1100 9,51 6,27 0,80 1,80 1,95 12,76
1150 9,10 5,96 0,70 0,80 2,83 19,19
1200 8,72 5,68 0,60 1,00 2,61 16,95
1250 8,37 5,42 1,20 0,80 2,83 15,19
1300 8,05 5,18 0,60 0,60 3,07 18,35
1350 7,75 4,96 2,20 1,10 2,51 7,45
1400 7,47 4,76 8,00 0,75 2,89 -14,10
1450 7,21 4,56 1,00 3,75 1,12 2,67
1500 6,97 4,35 0,40 8,00 0,54 1,48
1550 6,75 4,20 0,40 1,00 2,61 12,70
1600 6,54 4,05 0,40 0,45 3,27 15,66
1650 6,34 3,90 0,45 0,40 3,35 15,21
onda de sinal. Pode-se observar que esta grandeza cresce conforme o comprimento de onda
cresce. Entretanto, a variação observada é menor do que aquela estimada para uma fibra
medida que o comprimento de onda decresce, a diminuição da área efetiva em conjunto com o
Raman. É notado que em todo o espectro esta eficiência é maior do que a obtida com uma
fibra Raman convencional (Fibra Raman OFS) (SAITO, TAVEIRA, SOUZA, GAARDE,
SOUZA, 2006).
sinal conforme a tabela III. Uma importante constatação é que há um ganho maior do que 10
dB tanto nas bandas C e L quanto na faixa entre 1100 nm e 1340 nm. Em particular, um
ganho líquido acima de 18 dB é atingido na banda O, indicando que esta MOF pode ser
aproximadamente 55 ps/nm/km. Este alto valor de dispersão anômala não é atingido com
incorporar a função adicional de ajustar a dispersão no enlace de fibra para sinais na banda
mencionada. A Figura 26 também mostra que um ganho líquido negativo é atingido na banda
S (1460-1530 nm) devido à alta atenuação de bombeamento gerada pelo pico de absorção de
16,40
16,20
16,00
Aeff (µ m )
2
15,80
15,60
15,40
15,20
15,00
1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1450 1500 1550 1600 1650
Comprimento de onda (nm)
10,00
9,50
9,00
-14
8,50
gR (m/W) *10
8,00
7,50
7,00
6,50
6,00
1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1450 1500 1550 1600 1650
Comprimento de onda (nm)
6,50
6,00
-3
5,50
C R (W m ) *10
-1
5,00
-1
4,50
4,00
3,50
1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1450 1500 1550 1600 1650
Comprimento de onda (nm)
30,00
20,00
Gnet (dB)
10,00
0,00
-10,00
-20,00
1100 1200 1300 1400 1500 1600
Comprimento de onda (nm)
Figura 26 – Máximo ganho Raman líquido (Gnet) em função do comprimento de onda de sinal.
fibra é alterado, para uma potência de bombeamento de 0,3 W. É possível observar que o uso
de fibras mais longas é benéfico para todas as regiões onde o ganho líquido excede 10 dB no
caso mostrado na Figura 26. Isso significa que o ganho nestas regiões ainda não é limitado
fibra resulta numa diminuição do ganho (como ocorre, por exemplo, em 1400 nm).
59
40,00
20,00
Gnet (dB)
0,00 1 km
4 km
10 km
-20,00
-40,00
-60,00
1100 1200 1300 1400 1500 1600
Comprimento de onda (nm)
Figura 27 – Máximo ganho Raman líquido (Gnet) em função do comprimento de onda de sinal, variando-se o
comprimento de fibra, para uma potência de bombeamento de 0,3 W.
50,00
25,00
G net (dB )
0,1 W
0,00 0,3 W
0,5 W
-25,00
-50,00
1100 1200 1300 1400 1500 1600
Comprimento de onda (nm)
Figura 28 – Máximo ganho Raman líquido (Gnet) em função do comprimento de onda de sinal, variando-se a
potência de bombeamento, para um comprimento de fibra de 4 km.
Finalmente, o pico do espectro do ganho líquido foi obtido com a variação da potência
Figura 28. O formato do espectro permanece praticamente inalterado com somente variação
da amplitude. A figura mostra que a ainda razoável potência de bombeamento de 0,5 W leva a
Para tal, foi feita uma variação de 5% para mais e para menos no diâmetro d dos furos da
60
MOF analisada. Para um sinal em 1550 nm, observou-se que a variação total do diâmetro dos
ganho líquido de 14% (0,57 dB). Demonstra-se, portanto, a robustez do ganho Raman obtido
figura de ruído, como descrito anteriormente. Para cada banda de transmissão, variou-se a de
fixada em 300 mW e foi variado o comprimento de fibra entre 1 e 10 km, para a faixa de
freqüências da banda C.
24,0
20,0
16,0
Gnet (dB)
4,0
0,0
-4,0
94
00
06
12
18
24
30
37
43
49
56
62
69
75
82
89
95
14
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
Figura 29 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação de
comprimento da fibra e bombeamento de 300 mW.
61
bombeamento para os valores de 100, 300 e 500 mW. Os ganhos neste caso são vistos na
Figura 30.
24,0
20,0
16,0
Gnet (dB)
4,0
0,0
-4,0
94
00
06
12
18
24
30
37
43
49
56
62
69
75
82
89
95
14
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
Comprimento de onda (nm)
Figura 30 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação da
potência de bombeamento e 4 km de comprimento.
dB são obtidos para potências de bombeamento maiores ou iguais a 300 mW. Nestas
investigada. Por outro lado, observou-se que a figura de ruído crescia com o aumento do
comprimento da fibra (com potência de bombeamento fixa em 300 mW), atingindo valores de
quase 8 dB para 10 km. Entretanto, mesmo neste último caso valores abaixo de 6 dB eram
6,0
NF 1 km - 300 mW
4,0 NF 4 km - 300 mW
NF 10 km - 300 mW
2,0
0,0
94
00
06
12
18
24
30
37
43
49
56
62
69
75
82
89
95
14
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
Comprimento de onda (nm)
Figura 31 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação de
comprimento da fibra e potência de bombeamento de 300 mW.
8,0
Figura de Ruído (dB)
6,0
NF 4 km - 100 mW
4,0 NF 4 km - 300 mW
NF 4 km - 500 mW
2,0
0,0
94
00
06
12
18
24
30
37
43
49
56
62
69
75
82
89
95
14
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
Figura 32 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação da potência de
bombeamento e 4 km de comprimento.
aplicativo, pode-se verificar que, no primeiro caso, obteve-se um ganho líquido de 12,70 dB e
potência de bombeamento, em 1550 nm. Esta proximidade nos valores valida o modelo
63
aplicativos utilizados.
mW são mostrados nas Figuras 33 e 35 para ganho líquido e figura de ruído respectivamente,
enquanto estes mesmos parâmetros são mostrados nas Figuras 34 e 36 para um comprimento
36,0
30,0
24,0
18,0
Gnet (dB)
Figura 33 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação de
comprimento da fibra e bombeamento de 300 mW.
Estes resultados confirmam, como previsto na análise da seção 4.4.1, que os ganhos
obtidos para potências de bombeamento maiores ou iguais a 300 mW. As figuras de ruído
comprimentos de onda mais curtos quanto para comprimentos de onda mais longos, devido ao
acentuado crescimento das perdas na MOF. Entretanto, a figura de ruído para uma potência de
64
36,0
30,0
24,0
18,0
Gnet (dB)
21
27
33
39
46
12
12
12
12
12
12
12
12
12
13
13
13
13
13
13
13
13
Comprimento de onda (nm)
Figura 34 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação da
potência de bombeamento e 4km de comprimento.
24,0
20,0
Figura de Ruído (dB)
16,0
NF 1 km - 300 mW
12,0 NF 4 km - 300 mW
NF 10 km - 300 mW
8,0
4,0
0,0
50
56
61
67
73
79
84
90
96
02
08
14
21
27
33
39
46
12
12
12
12
12
12
12
12
12
13
13
13
13
13
13
13
13
Figura 35 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação de
comprimento da fibra e bombeamento de 300 mW.
65
10,0
8,0
Figura de Ruído (dB)
6,0 NF 4 km - 100 mW
NF 4 km - 300 mW
NF 4 km - 500 mW
4,0
2,0
0,0
50
56
61
67
73
79
84
90
96
02
08
14
21
27
33
39
46
12
12
12
12
12
12
12
12
12
13
13
13
13
13
13
13
13
Comprimento de onda (nm)
Figura 36 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação da potência de
bombeamento e 4km de comprimento.
implementado o circuito da Figura 22 e foram feitas as medidas nas três posições indicadas,
através dos osciloscópios. No primeiro caso, onde o osciloscópio está na saída do gerador de
sinais, pode-se verificar a alta qualidade dos pulsos e da seqüência de bits, como mostrado na
Figura 37.
6,00E-03
5,00E-03
4,00E-03
Potência (u.a.)
3,00E-03
2,00E-03
1,00E-03
0,00E+00
-1,00E-03
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0
Tempo (ns)
no meio (perda total de 24,5 dB), quanto devido à dispersão, como pode ser visto na Figura
38. Neste caso, o sinal torna-se ilegível para um receptor, necessitando de uma regeneração
2,50E-05
2,00E-05
1,50E-05
Potência (u.a.)
1,00E-05
5,00E-06
0,00E+00
-5,00E-06
-1,00E-05
-1,50E-05
0,000
0,213
0,425
0,638
0,850
1,063
1,275
1,488
1,700
1,913
2,125
2,338
2,550
2,763
2,975
3,188
3,400
3,613
3,825
4,038
4,250
4,463
4,675
4,888
5,100
5,313
5,525
5,738
5,950
6,163
6,375
Tempo (ns)
amplificação do sinal e compensação de dispersão, o sinal volta a um estado onde pode ser
5,00E-04
4,00E-04
Potência (u.a.)
3,00E-04
2,00E-04
1,00E-04
0,00E+00
-1,00E-04
0,000
0,209
0,419
0,628
0,838
1,047
1,256
1,466
1,675
1,884
2,094
2,303
2,513
2,722
2,931
3,141
3,350
3,559
3,769
3,978
4,188
4,397
4,606
4,816
5,025
5,234
5,444
5,653
5,863
6,072
6,281
Tempo (ns)
MOF sem que a atenuação da fibra prejudique a análise com a adição de ruído, o formato de
um pulso individual foi analisado em cada um dos três pontos do sistema, desligando-se a
do gerador de pulsos (linha azul). Na saída da NZDSF (linha verde), o sinal está alargado,
possuindo uma duração de 66 ps. Por fim, na saída do amplificador, o pulso é novamente
compreendida, já que o pulso original não apresentava varredura em freqüência e as fibras não
1,2
Potência normalizada
0,8
Gerador
0,6
NZDSF
Amplificador
0,4
0,2
-0,2
0,450 0,481 0,513 0,544 0,575 0,606 0,638
Tempo (ns)
Figura 40 – Formato dos pulsos medidos na saída do gerador (azul), na saída da NZDSF (verde) e na saída do
amplificador (vermelho).
olho, pode-se verificar mais uma vez a melhora do sinal ocorrida após a amplificação Raman,
BER estimada a partir dos diagramas de olho confirma a ótima regeneração obtida:
5 CONCLUSÃO FINAL
moderadamente pequeno. Altos valores de ganho líquido (> 10 dB) foram previstos em três
das principais regiões espectrais (bandas O, C e L), com uma fibra de 4 km de comprimento e
uma potência de bombeamento de 0,3 W. O uso de fibras mais longas demonstrou ser
benéfico, principalmente porque a perda na fibra não limita o desempenho no caso estudado.
valores de ganho obtidos e indicam que figuras de ruído próximas de 4 dB podem ser obtidas
toda a região espectral analisada. Esta funcionalidade pode ser explorada para projeto de
região de 1300 nm, como demonstrado nesta dissertação. Para isso, foi simulado um circuito
Gbit/s transmitido através de uma NZDSF. O sinal regenerado apresentou níveis desprezíveis
de BER.
71
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Valtemir; BORGES, Ben-Hur V.; CALMON, Luiz de C.; ROMERO, Murilo A.
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