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Amplificação Raman em Fibras Microestruturadas

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Alfredo Almeida de Araujo

Análise de Amplificação Raman em Fibras Microestruturadas


de Baixa Perda

São Paulo
Dezembro – 2007
Livros Grátis
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ALFREDO ALMEIDA DE ARAUJO

ANÁLISE DE AMPLIFICAÇÃO RAMAN EM FIBRAS MICROESTRUTURADAS DE


BAIXA PERDA

Dissertação apresentada à Universidade


Presbiteriana Mackenzie como requisito para a
obtenção do título de Mestre em Engenharia
Elétrica.

Orientador: Prof. Dr. Christiano J. S. de Matos

São Paulo
2007
Aos meus pais, Antonina e Laudi, que
me deram tudo na vida e fizeram de
mim o homem que sou.
AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Prof. Dr. Christiano J. S. de Matos, pelo comprometimento,


profissionalismo e dedicação, além do conhecimento transmitido, que foram
imprescindíveis para a realização deste trabalho. Muitas vezes sacrificando
momentos de sua vida particular, soube dar o incentivo necessário nos
momentos mais difíceis.

À agência MACKPESQUISA pelo suporte financeiro.

Ao Prof. Dr. Eunézio A. de Souza, conhecido como Thoróh, pelo conhecimento


transmitido.

À pesquisadora Prof MsC Lúcia A. Saito pelas dicas e conhecimento passado


nesta jornada.

Aos amigos de classe, Alexandre Bozolan, Emerson Bianchini, Erik Antonio,


Jackson Ong, Prof. MsC. Joaquim Filho, Rodrigo Lopes pelos estudos e ajuda
durante a realização das matérias.

Aos amigos de laboratório, Camila Dias, Daniel Ferreira, Suzanne Baruh pelas
dúvidas esclarecidas.

Aos amigos Eduardo Brunetti e Marcus Costa, da Porto Seguro, pela


flexibilidade de horários dada no trabalho.

Aos amigos Eduardo Medeiros, Jorge Ribeiro, Osmar Higashi e Roberto


Murillo, da RSI Informática, pela flexibilidade de horários dada no trabalho.

Ao grande amigo Profº MsC. Marcelo Zanateli pelos estudos em conjunto nos
tempos de ITA e pelas oportunidades dadas a mim para a passagem de
conhecimento a seus alunos, na UniFei.
Resumo

Esta dissertação tem como objetivo descrever as características básicas das fibras

microestruturadas, seu conceito e desempenho, e investigar a aplicação de uma fibra

microestruturada de baixa perda para o desenvolvimento de amplificadores Raman. Uma

análise do uso destes em aplicações de Telecomunicações é descrita. Para isso, foram

realizadas simulações destes guias de onda com dados de uma fibra real descrita na literatura.

Também foram realizadas simulações para verificação do ganho líquido e figura de ruído de

um amplificador baseado nesta fibra e das vantagens de seu uso em um enlace óptico

completo, incluindo compensação de dispersão para sinais da banda O (1260-1360 nm).

Como resultado, demonstrou-se um desempenho superior em alguns aspectos aos

amplificadores Raman convencionais, e complementar aos amplificadores disponíveis

atualmente no mercado, como os baseados em fibra dopada com Érbio.

Palavras-chave: fibras microestruturadas, amplificador Raman, espalhamento Raman,

dispersão cromática, atenuação óptica, fibra óptica.


Abstract

This dissertation aims to describe the basic characteristics of microstructured fibers, their

concept and performance, and to investigate the application of a low loss microstructured

fiber to the development of Raman amplifiers. An analysis of the use of these amplifiers in

Telecommunication applications is described. To this end, simulations were carried out with

these waveguides with the data of a real fiber described in the literature. Simulations were

also carried out to determine the amplifier’s net gain and noise figure and to establish the

advantages of its use in a complete optical fiber span, including the compensation dispersion

in the O band (1260-1360 nm). As a result, it was demonstrated that the microstructured fiber

presents, in some aspects, a performance that is higher than that of conventional Raman

amplifiers, and complementary to that of a commercial amplifiers, such as those based on

Erbium doped fiber.

Key words: microstructured fibers, Raman amplification, Raman scattering, chromatic

dispersion, optical attenuation, optical fiber.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................9

2 FIBRAS ÓPTICAS..............................................................................................................13

2.1 Breve histórico de fibras ópticas ....................................................................................13


2.2 Análise óptica da fibra....................................................................................................14
2.3 Geometria da fibra e fabricação......................................................................................21
2.4 Propriedades de MOFs com núcleo sólido .....................................................................24
2.5 Propriedades da MOF de baixa perda analisada.............................................................25
3 AMPLIFICAÇÃO RAMAN EM FIBRAS ÓPTICAS .....................................................30

3.1 Espalhamento Raman .....................................................................................................30


3.2 Propriedades do ganho Raman em fibras de sílica .........................................................33
3.3 Aplicações de amplificadores Raman.............................................................................37
3.3.1 Características..........................................................................................................37
3.3.2 Tipos de Amplificadores .........................................................................................37
4 AMPLIFICAÇÃO RAMAN EM FIBRAS MICROESTRUTURADAS........................41

4.1 Trabalhos realizados .......................................................................................................41


4.2 Metodologia aplicada na pesquisa..................................................................................43
4.3 Simulações......................................................................................................................46
4.4 Resultados e discussões ..................................................................................................54
4.4.1 Estimativa de ganho Raman em função do comprimento de onda de bombeamento
..........................................................................................................................................54
4.4.2 Modelagem de Amplificadores nas Bandas C e O..................................................60
4.4.3 Amplificação e Compensação na MOF para um Enlace na Banda O .....................65
5 CONCLUSÃO FINAL ........................................................................................................70

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS .................................................................................71


ABREVIATURAS

ASE Amplified Spontaneous Emission.

BER Bit Error Rate.

DCF Dispersion Compensating Fiber.

CVD Chemical Vapor Deposition.

DRA Distributed Raman Amplifier.

DWDM Dense Wavelength Division Multiplexing.

ECOC European Conference on Optical Communication.

EDFA Erbium-Doped Fiber Amplifier.

LRA Lumped Raman Amplifier.

MOF Microstructured Optical Fiber.

NF Noise Figure.

NTT Nippon Telegraph and Telephone.

NZDSF Non-zero Dispersion Shifted Fiber.

OSA Optical Spectrum Analyzer.

PCF Photonic Crystal Fiber.

PBG Photonic Bandgap.

SNR Signal to Noise Ratio.

WDM Wavelength Division Multiplexing.

VPI Virtual Photonics Incorporated.


9

1 INTRODUÇÃO
Fibras ópticas microestruturadas (ou MOFs, do inglês microstructured optical fibres),

também chamadas de fibras de cristal fotônico (ou PCFs, do inglês photonic crystal fibers),

são guias de onda com um conjunto de furos preenchidos com ar que circundam o núcleo e

correm ao longo de todo o comprimento da fibra. O núcleo pode ser sólido ou vazado. MOFs

são um meio de transmissão bastante interessante, pois podem apresentar propriedades

incomuns, como grande capacidade de controle de dispersão, maior controle dos efeitos não

lineares, ausência de freqüência de corte e alto confinamento de luz devido à maior diferença

entre índices de refração de núcleo e casca. Estas características diferenciam-nas das fibras

convencionais tanto com relação a propriedades quanto no que diz respeito a aplicações. Elas

podem possuir diâmetros de núcleo de ~1 µm e áreas efetivas muito pequenas, o que

direciona para uma não-linearidade muito alta. Porém, este último fato geralmente acarreta

em altas perdas (de pelo menos ~10 dB/km em 1550 nm), o que muitas vezes impossibilita o

uso prático das MOFs, por exemplo, em amplificadores Raman para telecomunicações

(MATOS, HANSEN, TAYLOR, 2003).

No entanto, é importante ressaltar que desde o primeiro uso das MOFs, a atenuação

óptica tem reduzido rapidamente. A mais baixa perda registrada é de 0,18 dB/km em 1550

nm, igualando a perda das melhores fibras convencionais, em uma MOF de comprimento de

1,5 km, fabricada por uma equipe de pesquisadores da Nippon Telegraph and

Telecommunications (NTT) (TAJIMA, 2007). Esta fibra apresenta um núcleo relativamente

grande para uma MOF (da ordem de 12 µm de diâmetro), o que contribui para o resultado

obtido. Em um trabalho anterior (TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA, SATO, 2004) o grupo da

mesma companhia havia reportado uma fibra de menor núcleo (~ 5,5 µm de diâmetro), maior

comprimento (10 km) e uma perda ainda baixa de 0,37 dB/km.

Os amplificadores ópticos, por outro lado, têm revolucionado as telecomunicações


10

desde o início dos anos 1990 (BROMAGE, 2004). Inicialmente, foram desenvolvidos os

amplificadores de fibra dopada por Érbio (EDFA, do inglês Erbium-doped fiber amplifiers),

que possuem uma banda de ganho que estende-se de 1530 a 1610 nm, sendo ideais para

transmissão numa janela de baixa perda espectral da fibra baseada em sílica.

As pesquisas de amplificadores Raman em fibras ópticas foram iniciadas ainda nos

anos 70, sendo que seus benefícios surgiram em meados dos anos 80 (BROMAGE, 2004).

Este fato adiou a implementação prática de amplificadores Raman para Telecomunicações.

Tal implementação é hoje viável devido a desenvolvimentos recentes na tecnologia de lasers

de diodo de alta potência. O ganho Raman requer maior potência de bombeamento, por volta

de dezenas de miliwatts por dB de ganho, comparado com poucos miliwatts por dB

requeridos em um amplificador EDFA para sinais de pequena potência (BROMAGE, 2004).

A utilização deste tipo de amplificador tem uma expectativa de crescimento em futuros

sistemas WDM, que atualmente necessitam trabalhar em outras bandas além da atual Banda C

(1530-1565 nm).

Em estudos realizados recentemente, utilizando-se uma fibra convencional com alta

não-linearidade, observou-se que o incremento de eficiência de ganho Raman à medida que o

comprimento de onda é reduzido (gerado pela redução da área efetiva e o incremento do

coeficiente de ganho Raman) pode compensar o aumento da perda (SAITO, TAVEIRA,

SOUZA, GAARDE, SOUZA, 2006). Desta forma, os amplificadores Raman podem

apresentar ganhos líquidos maiores (para uma potência de bombeamento fixa) na banda O

(1260-1360 nm) do que na banda C.

O amplificador Raman, por ser baseado em um processo não linear, tem seu ganho

dependente da densidade de potência (intensidade), e não da potência de bombeamento. Isto

significa que um pequeno diâmetro de núcleo, que aumenta a intensidade da luz, também

aumenta a eficiência do amplificador, já que a intensidade é inversamente proporcional à área


11

modal. Ou seja, em teoria, a utilização da fibra microestruturada aumenta o ganho do

amplificador Raman.

Esta dissertação tem como objetivo estudar o desempenho de amplificadores Raman

baseados em uma MOF de não linearidade moderadamente alta, mas que possui baixa

atenuação. Demonstra-se que tais amplificadores possuem um desempenho complementar ao

obtido com amplificadores convencionais (amplificadores EDFA e Raman baseados em fibras

monomodo). Devido às suas características, as fibras microestruturadas podem não possuir

freqüência de corte, apresentando guiamento monomodo por todo o espectro. Assim, elas

podem operar em comprimentos de onda mais curtos que uma fibra convencional. Além

disso, é possível controlar de maneira mais flexível a dispersão cromática. Estas

características propiciam a construção de amplificadores Raman com características até agora

inexistentes.

Este trabalho foi dividido da seguinte forma: no capítulo 2, foram abordados conceitos

básicos sobre fibras ópticas convencionais e MOFs; no capítulo 3, foram introduzidos

conceitos de amplificação Raman; já no capítulo 4, foi explanada a realização de amplificação

Raman em MOFs, além das descrições das montagens e resultados das simulações realizadas;

e finalmente no capítulo 5 são apresentadas as conclusões finais do trabalho.

Nas simulações realizadas, os seguintes objetivos foram almejados: (i) estudar a área

modal em função do comprimento de onda; (ii) estudar o ganho Raman versus a perda em

função do comprimento de onda; (iii) modelar configurações específicas de amplificadores

Raman com MOFs; (iv) implementar estes amplificadores em sistemas ópticos completos,

para verificação de ganho, figura de ruído e taxa de erro de bit (BER, do inglês bit error rate).

Mostra-se que em certas situações as MOFs podem ser mais adequadas para a amplificação

Raman do que fibras convencionais, devido às suas propriedades únicas. A geometria e


12

características da MOF que será utilizada neste trabalho serão as mesmas das demonstradas

experimentalmente pela equipe da NTT (TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA, SATO, 2004).

Como resultado prático da realização do trabalho, tem-se a possibilidade de estender a

banda de transmissão e de fazê-lo baseado em novas tecnologias. No cenário de utilização de

amplificação Raman em MOFs, tem-se a possibilidade de realização de transmissões com

menores potências de bombeamento, devido às características da MOF aumentarem a

eficiência da amplificação Raman, obtendo possivelmente soluções de menor custo.

Amplificadores Raman em MOFs de baixa perda podem trazer ainda benefícios

quanto à eficiência de ganho e dispersão, sendo melhores que os amplificadores Raman em

fibras comuns em certas faixas de espectro. Além disso, atualmente, não existe um volume

grande de trabalhos na literatura que estude sistematicamente MOFs de baixa perda para

amplificação Raman.
13

2 FIBRAS ÓPTICAS
2.1 BREVE HISTÓRICO DE FIBRAS ÓPTICAS
As fibras ópticas surgiram como um avanço nos estudos de propagação de ondas

eletromagnéticas, desenvolvidos desde o início do século 20. No início, foram feitas

experiências em cilindros dielétricos e posteriormente, já na década de 30, em estruturas de

fibra de vidro. Porém, somente em 1951, com a invenção do Fiberscope, equipamento para

transmissão de imagens através de um feixe flexível de fibras, a tecnologia tomou impulso

(GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991). Contudo, somente em 1960 com a primeira

demonstração do laser pelo americano Theodore Maiman as pesquisas em fibras ópticas

tomaram novo rumo, abrindo a possibilidade de concepção de sistemas de transmissão óptica

de longo alcance e grande banda passante. Na mesma época, foi criada a primeira fibra com

estrutura de núcleo e casca pelo indiano radicado na Inglaterra Kapany e sua equipe

(GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991).

No início dos anos 70, no intuito de se obter fibras ópticas de baixa perda,

pesquisadores do Bell Laboratories propuseram e fabricaram fibras de vidro com o núcleo

rodeado por ar e suspenso por estreitas pontes de vidro. A idéia foi logo abandonada com a

demonstração de fibras totalmente sólidas apresentando perdas aceitáveis para

Telecomunicações. Em 1991, a idéia foi retomada e aprimorada em um novo contexto com a

preposição de fibras de cristal fotônico. A estrutura de buracos periodicamente dispostos na

seção transversal destas fibras foi idealizada de modo a criar um cristal fotônico, apresentando

um bandgap que aprisionasse e guiasse a luz pelo núcleo da fibra. Em 1996 houve a primeira

demonstração de uma fibra de cristal fotônico (ou MOF) que mesmo sem apresentar bandgap

fotônico guiava a luz por reflexão interna total e apresentava uma série de características

incomuns. Conseqüentemente, pôde-se verificar os benefícios que este novo tipo de estrutura

poderia trazer, como uma maior diferença entre os índices de refração de núcleo e casca e a

utilização de apenas sílica não dopada.


14

As MOFs podem ser divididas em duas categorias: as de alto e as de baixo índice de

refração do núcleo. As primeiras funcionam como as fibras convencionais, guiando a luz

através do princípio da reflexão interna total. Já as fibras de baixo índice de refração de

núcleo utilizam o efeito de bandgap fotônico (PBG, do inglês photonic bandgap), no qual a

luz fica confinada ao núcleo por sofrer interferência destrutiva na casca microestruturada

(PCF Technology Tutorial, 2005). Na Figura 1, são mostradas MOFs de núcleo sólido (a) e

vazado (núcleo oco) (b), correspondendo respectivamente às categorias de alto e baixo índice

de núcleo.

Figura 1 – Tipos de fibras microestruturadas (a) MOF de núcleo sólido; (b) MOF de núcleo oco. (RUSSEL,
2007)

2.2 ANÁLISE ÓPTICA DA FIBRA


Um dos princípios físicos básicos de funcionamento das fibras ópticas convencionais é

dado, numa análise de óptica de raios, pela lei da reflexão, que determina que o ângulo de

incidência seja igual ao de reflexão em uma interface entre dois meios diferentes de índices de

refração n1 e n2 , conforme apresentado na Figura 2(a). Também de importância crucial é a lei

de refração (também chamada de Lei de Snell), que é dada por:

n1 sen θ 1 = n2 sen θ 2 , (1)


15

onde θ 1 é o ângulo do raio incidente com relação à normal à superfície, θ 2 é o ângulo do raio

refratado, n1 é o índice de refração do meio de incidência (meio 1) e n2 é o índice de

refração do meio 2. Todos estes parâmetros podem ser visualizados na Figura 2(a).

Analisando a lei da refração na estrutura da fibra, é possível verificar que quando há

um aumento do valor de θ 1 , há também um aumento da luz refletida e uma diminuição da luz

refratada. Numa fibra, o meio 1 é o núcleo e o meio 2 é a casca, e n1 > n2. Desta forma,

verifica-se que θ 1 < θ 2 e que, portanto, quando θ 1 tende a um determinado valor (ângulo

limite), o ângulo θ 2 tende a 90º, fazendo com que a luz refratada tenda a zero (BISCUOLA,

MAIALI, 1997), como visto na Figura 2(b). No caso de haver uma incidência com um ângulo

maior, ocorrerá reflexão interna total, mostrada na Figura 2(c), técnica utilizada para prover

uma propagação com baixa perda em qualquer fibra convencional.

Um outro parâmetro importante a ser analisado em uma fibra óptica é a constante de

propagação β , correspondendo ao módulo da projeção do vetor de onda k no sentido

paralelo ao eixo da fibra, que é dado por:

β = k sen θ 1 , (2)

numa visão de óptica de raios, os possíveis valores de θ 1 e, portanto, de β caracterizam os

diferentes modos de propagação próprios da fibra. Pode-se também definir um índice de

refração efetivo do modo de propagação (nmodo), que permite escrever β de uma forma

bastante semelhante à forma do módulo do vetor de onda:

2π nmod o
β= . (3)
λ
16

onde λ é o comprimento de onda.

Figura 2 – Comportamento do feixe de luz com o ângulo de incidência menor (a), igual (b) e maior (c) que o
ângulo limite. (GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991)

Em termos de teoria eletromagnética (e óptica ondulatória), o modo de propagação é


ρ ρ
uma solução das equações de Maxwell para os campos elétricos, E , e magnético, H , numa

determinada geometria. Sendo assim, as características de um modo dependem das

propriedades do material e as condições de contorno que definem o meio pelo qual a luz

propaga. A sua formação pode ser entendida a partir de uma decomposição da onda

propagante dentro do núcleo da fibra em duas ondas planas. Uma onda plana se propaga ao

longo do eixo da fibra e tem como número de onda a constante de propagação β . A outra

onda plana se propaga transversalmente ao eixo da fibra, e tem a constante κ , vista na Figura

3, como número de onda. Devido a esta última estar ortogonal à interface casca-núcleo, ocorre
17

a formação de uma cavidade. Com isso, há a formação de uma onda estacionária (como

ocorre em uma corda quando esta está presa em ambas as pontas e aplicam-se movimentos

verticais à ela) constituindo a formação do modo.

(a)

(b)
Figura 3 – Decomposição de dois modos de propagação nas componentes transversal e longitudinal, com
geração de onda estacionária. (adaptado de OKAMOTO, 2000). φ : ângulo entre o vetor de onda e o eixo da
fibra (z); λ p : comprimento de onda plana se propagando ao longo do eixo da fibra.
18

Em uma MOF, a análise da propagação por reflexão interna total deve levar em conta

que o índice de refração da casca (n2) não é bem definido. Neste contexto, um importante

parâmetro a ser analisado é a fração da área da casca ocupada por ar, chamada em inglês de

air-filling fraction, que, para uma matriz triangular de furos, é dada por:

Aar πd 2
f= = , (4)
Atotal 2 3Λ2

onde d é o diâmetro do furo e Λ é o espaçamento entre furos.

Quando f cresce, cresce também a quantidade de luz propagada nos furos, levando a

um decréscimo de n2. Quando f tende a 1, o índice de refração da casca também tende a 1

(índice do ar). Com isso, imensos contrastes de índice são obtidos, fazendo com que

praticamente toda a luz fique confinada no núcleo da fibra.

Além disso, quanto maior o comprimento de onda, maior a quantidade de luz que se

propaga pelos furos, de modo que o índice de refração efetivo da casca diminui. Quanto maior

for f, mais acentuada será a variação do valor deste índice de refração efetivo com o

comprimento de onda (BJARKLEV, BROENG, BKARKLEV, 2003).


19

Figura 4 – Comportamento da freqüência normalizada em MOFs com matriz triangular de furos para diversos
valores da razão entre d e Λ . (adaptado de BJARKLEV, BROENG, BKARKLEV, 2003)

Em qualquer fibra operando por reflexão interna total pode-se definir uma freqüência

normalizada, V, que sumariza diversas propriedades do guia:

2π a
V= n12 − n 22 , (5)
λ

sendo a o raio do núcleo.

Para que haja somente um modo de propagação na fibra, o valor de V deve ser menor

que 2,405 em fibras convencionais, sendo este chamado então de Vc ou freqüência

normalizada de corte. Inserindo este valor na equação 5, pode-se calcular o comprimento de

onda de corte ( λ c ). Diante disto, é possível analisar que, para comprimentos de onda menores

que λ c , haverá mais de um modo de propagação e a fibra será multimodo. Em fibras

microestruturadas, como já mencionado, o índice da casca varia fortemente com o


20

comprimento de onda. Dependendo da razão entre d e Λ (e portanto de f), esta variação pode

compensar a variação explícita de V com λ , resultando em valores de V que estão sempre

abaixo de Vc (ver Figura 4). Neste caso tem-se na prática uma fibra monomodo para qualquer

comprimento de onda. No caso de haver muitos modos de propagação, o número total de

modos (N) é aproximadamente dado por:

V2
N~ , (6)
2

e tal equação se mostra adequada tanto para fibras convencionais quanto para MOFs.

Um outro fator importante a ser analisado é a dispersão da velocidade de grupo que

ocorre na fibra. Como o índice de refração varia com o comprimento de onda, as diferentes

componentes espectrais que compõem um pulso se propagam com diferentes velocidades de

grupo e com isso geram atraso entre si. Este atraso leva a um alargamento indesejado dos

pulsos propagados é chamado de dispersão (D). A dispersão pode ser decomposta em duas

contribuições principais:

D = Dm + D w , (7)

onde D m é a dispersão do material e D w é a dispersão do guia de onda, que depende da

estrutura e confinamento oferecido pelo guia de onda e é função do índice de refração efetivo

do modo ( n mod o ). O comportamento destes componentes para uma fibra convencional pode

ser visualizado na Figura 5.


21

Figura 5 – Composição dos componentes da dispersão. (SAITO, 2006)

Em uma MOF, a dispersão do guia de onda D w pode ser muito grande devido tanto às

grandes variações de n2 com o comprimento de onda quanto ao alto confinamento oferecido

por estas fibras. Esta característica faz com que se tenha grande flexibilidade para se projetar

a dispersão total da fibra.

2.3 GEOMETRIA DA FIBRA E FABRICAÇÃO


Para a fabricação de uma fibra convencional, são montadas preformas constituídas de

um bastão cilíndrico de vidro com uma região de sílica pura e outra dopada, que formarão o

conjunto núcleo / casca. A diferença de material criada a partir do nível de dopagem aplicado

dará origem à diferença de índice de refração entre núcleo e casca, necessária para o

guiamento óptico. Esta dopagem, baseada no processo de deposição de vapor químico (CVD,

do inglês Chemical Vapor Deposition) (GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991),

desenvolvido nos anos 70 pelo Bell Laboratories e outros (KNIGHT, 2003) é feita em altas

temperaturas e gera óxidos dopantes, como por exemplo, GeO2, P2O2, e BO (Óxido de

Germânio, Fósforo e Boro respectivamente).

Após o processo de dopagem, a preforma irá passar pelo processo de puxamento.


22

Neste, a preforma, com eixo na vertical, passará por um forno com temperaturas entre 1800º e

2000 ºC. O vidro derretido e é então tracionado para baixo pela força gravitacional em uma

torre de fabricação de fibras e enrolado a uma determinada força de tração, como pode ser

visto na Figura 6.

Figura 6 - Processo de fabricação da fibra convencional. (GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991)

Um fator relevante no desenvolvimento das novas fibras ópticas é a capacidade de se

controlar as características do guia de onda. Enquanto que numa fibra convencional

monomodo o núcleo e a casca têm um índice de refração similar (diferindo em até ~1%), uma

fibra microestruturada pode ter um alto contraste de índice (de até aproximadamente 50%).

Este contraste é obtido devido ao ar existente na casca e exige que a fabricação da preforma

seja baseada no agrupamento (ou empilhamento) de tubos capilares de sílica, como visto na

Figura 7. Os capilares podem ter 20 mm de diâmetro, sendo que o capilar central é substituído

por um tubo sólido no caso de MOFs de núcleo sólido. A preforma então passa pelo mesmo
23

processo de puxamento descrito anteriormente, como mostra a Figura 7. Após esta etapa,

obtém-se a fibra em sua forma final, com a estrutura de furos e núcleo mostrada na Figura 8.

Figura 7 - Processo de fabricação da fibra microestruturada. (adaptado de Photonic Crystal Fibers


Technology Tutorial)

A estrutura perfurada das MOFs traz várias vantagens tanto para a fabricação quanto

para o uso destas: o ar é mecânica e termicamente compatível com praticamente qualquer

material, é transparente em uma larga faixa espectral e tem um índice de refração inferior ao

de outros materiais em freqüências ópticas.

Figura 8 - Fibra microestruturada com núcleo sólido. (adaptado de Photonic Crystal Fibers Technology
Tutorial)
24

2.4 PROPRIEDADES DE MOFS COM NÚCLEO SÓLIDO


As MOFs possuem diversas características incomuns a outros tipos de fibras, o que

possibilita aplicações que se baseiam em algumas propriedades especiais da casca

microestruturada, as quais são causadas pelo alto contraste no índice de refração e pela

natureza bidimensional da microestrutura. A microestrutura afeta a dispersão, permite obter

pequenas áreas modais, permite maior controle do número de modos guiados e afeta a

birrefringência da fibra, que é caracterizada pela capacidade da fibra em separar modos de

polarização (GIOZZA, CONFORTI, WALDMAN, 1991).

A dispersão de velocidade de grupo pode ser radicalmente afetada pela dispersão de

guia de onda nas MOFs com o núcleo pequeno e furos largos na casca (Figura 9). A dispersão

leva a um alargamento dos pulsos propagados, o que em comunicações gera um crescimento

da taxa de erro de bit devido à superposição de pulsos, degradando a informação transmitida.

No caso de uma MOF, esta dispersão pode ser melhor controlada do que em uma fibra

convencional.

De forma complementar, outras propriedades podem ser projetadas: podem-se criar

estruturas com enorme birrefringência ou que suportem apenas um modo independentemente

do comprimento de onda ou escala da microestrutura.

Figura 9 - Corte transversal de uma fibra microestruturada de núcleo pequeno. Escala do traço: 1 µm .
(KNIGHT, 2003)
25

Um outro fator importante a ser analisado é o conceito de índice de refração efetivo da

casca. A dimensão da microestrutura em si é da mesma ordem de grandeza do comprimento

de onda, o que faz com que a luz interaja com a estrutura da casca como um todo e não com

cada parte dela. Com isso, na prática, há uma média ponderada entre o índice de refração da

sílica e do ar, o que é chamado de índice de refração efetivo da casca ( n ef ) e que corresponde

ao modo de propagação fundamental nesta. Quanto mais área de ar na casca, menor este

índice efetivo, pois o índice de refração do ar é igual a 1, valor bem inferior ao da sílica

(~1,45).

Uma forma mais específica de se calcular o índice de refração efetivo da casca é fazer

uma análise da estrutura desta, separando-a em células hexagonais ao redor de cada furo.

Encontra-se então os modos de propagação nestas células aplicando-se condições de contorno

periódicas (BJARKLEV, BROENG, BJARKLEV, 2003). Define-se finalmente o índice

efetivo da casca, a partir da constante de propagação do modo fundamental na célula:

β fsm
nef = , (8)
k0

onde k0 é a constante de propagação no vácuo. Como já mencionado na seção 2.2, nef depende

fortemente do comprimento de onda e da fração de ar na casca (f).

2.5 PROPRIEDADES DA MOF DE BAIXA PERDA ANALISADA


O artigo que motivou e serviu como base para o estudo desta dissertação, descreve a

fabricação e caracterização de uma MOF com 90 furos de 2,5 µ m de diâmetro (d) e

espaçamento ( Λ ) de 4 µ m, com variações de cerca de 1% (TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA,

SATO, 2004). O comprimento fabricado foi de 10 km e o seu espectro de atenuação é


26

mostrado na Figura 10. A atenuação mínima conseguida pela equipe que desenvolveu o

trabalho foi de 0,37 dB/km para um comprimento de onda de 1,55 µ m e de 0,71 dB/km para

o comprimento de onda de 1,31 µ m. Estas eram as menores perdas conseguidas até então em

MOFs e se deviam a cuidados quanto à fabricação e para se evitar contaminação, mas também

ao núcleo não ser demasiadamente pequeno (porém muito menor do que o de uma fibra

monomodo convencional) e à relação d/ Λ ter valor relativamente baixo.

Figura 10 - Espectro de atenuação da MOF de baixa perda analisada nesta dissertação. (TAJIMA, ZHOU,
NAKAJIMA, SATO, 2004)

No artigo analisado, a magnitude dos diversos componentes da perda foi comparada

com a de uma fibra convencional, como mostra a Tabela I. É possível verificar que a MOF se

aproxima de uma fibra monomodo convencional em termos de vários destes componentes. A

perda total da MOF é apenas 0,36 dB/km e 0,17 dB/km superior à da fibra convencional em

1,31 µm e 1,55 µm, respectivamente. Pode-se observar também que a perda por rugosidade é

um dos principais parâmetros de diferença entre a MOF e a fibra monomodo convencional,

sendo uma ordem de grandeza maior naquela. Este tipo de perda é acentuado em uma MOF

devido à rugosidade da superfície dos furos.


27

Além da rugosidade, a perda por absorção devido ao OH também é significativamente

superior na MOF (~0,11 dB/km maior). Esta característica pode ser atribuída à presença dos

furos da fibra, que fazem com que haja um depósito de umidade, fato que não ocorre em uma

fibra convencional, que somente absorve umidade durante a fabricação.

TABELA I
Comparação de componentes de perda entre a MOF analisada e uma fibra
convencional

Fibra Monomodo
microestruturada convencional
Perda em 1,31µm, dB/km 0,71 0,35
Perda em 1,55µm, dB/km 0,37 0,2
Coeficiente de espalhamento 1 1
4
Rayleigh, dB/km/µm
Perda por rugosidade, dB/km 0,07 < 0,01
Perda por absorção de OH em 0,12 < 0,01
1,55µm, dB/km
Absorção IR em 1,55µm, dB/km 0,012 0,01

Fonte: TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA, SATO, 2004

A MOF analisada possui valores altos de dispersão cromática, que, em 1550 nm e


1300 nm, têm valores de 75 ps/nm/km e 55 ps/nm/km, respectivamente, como pode ser
observado na Figura 11.
Este perfil de dispersão é bastante diferente dos obtidos em fibras convencionais, onde
dispersão positiva só pode ser obtida acima de ~1300 nm.
28

Figura 11 - Espectro de dispersão da MOF de baixa perda analisada nesta dissertação. (TAJIMA, ZHOU,
NAKAJIMA, SATO, 2004)

Vale mencionar que depois do estudo relatado acima, o grupo de pesquisadores da

NTT conseguiu ainda novas melhorias de desempenho em suas fibras e demonstrou uma série

de aplicações para elas em Telecomunicações. Seis meses após o estudo original, foi atingida

a marca de 0,28 dB/km de perda em 1550 nm, através da redução da rugosidade da superfície

e da absorção de OH, devido a melhorias no processo de fabricação (TAJIMA,

KUROKAWA, NAKAJIMA, SANSAWA, 2005). Entretanto, esta fibra possuía um núcleo

maior que o da fibra escolhida para o presente estudo.

Ainda em 2005 foi realizado um estudo de transmissão por multiplexação por

comprimento de onda densa (ou DWDM, do inglês dense wavelength division multiplexing)

em uma MOF com extensão de 100 km, dividida em quatro enlaces de 25 km. A MOF

possuía 60 furos e uma perda de 0,3 dB/km em 1550 nm e de 0,45 dB/km em 1310 nm

(KUROKAWA, TAJIMA, TSUJIKAWA, NAKAJIMA, MATSUI, SANSAKAWA,

HAIBARA, 2006). O espalhamento Rayleigh conseguido neste caso foi menor do que numa

fibra convencional monomodo dopada com GeO2 que, somado ao fato de a fibra ter uma

grande extensão, comprova a real utilidade deste tipo de fibra em transmissões ópticas de
29

longa distância. Neste experimento também foi realizada a transmissão de sólitons, utilizando-

se um circuito com amplificadores dopados a Érbio (EDFA) e intercalando os segmentos de

MOFs com fibras de compensação de dispersão (ou DCF, do inglês dispersion compensating

fiber). Com isso, foi atingida uma transmissão com baixa dispersão do sinal pelo mesmo

percurso de 100 km, com uma razão de erro de bit (BER) abaixo de 10-11, o que também

comprova a qualidade e a usabilidade das MOFs.

Já em 2007, um novo trabalho do grupo reportava um valor de 0,18 dB/km de perda

em 1550 nm (TAJIMA, 2007). O grupo obteve redução das perdas por rugosidade na fibra,

tornando-as menores do que as de uma fibra monomodo convencional. O espalhamento

Rayleigh também apresentou menor valor do que o da fibra convencional, atingindo a marca

de 0,03 dB/km. A perda por absorção de OH, que no passado era superior à de uma fibra

convencional, neste experimento teve uma equiparação em termos de valor.


30

3 AMPLIFICAÇÃO RAMAN EM FIBRAS ÓPTICAS

3.1 ESPALHAMENTO RAMAN


O espalhamento Raman espontâneo foi descoberto pelo físico indiano radicado no

Reino Unido, Sir Chandrasekhara Venkata Raman em fevereiro de 1928 e em decorrência

deste feito, foi-lhe outorgado o Prêmio Nobel de Física em 1930 (All Nobel Laureates in

Physics, 2007). Porém, foi somente na década de 1970 que se iniciaram as pesquisas aplicadas

deste fenômeno no campo de comunicações ópticas, com o desenvolvimento das fibras

ópticas (AGRAWAL, 2001). Durante os anos 80, houve as primeiras implementações de

amplificadores baseados neste processo, porém ainda com um desempenho inferior ao

necessário em termos de ganho para o seu uso em larga escala. Somente do meio dos anos 90

foi possível o seu uso comercial, devido às melhorias de desempenho implementadas

(BROMAGE, 2003).

O espalhamento Raman é um fenômeno quântico que descreve que quando há

incidência de um feixe (campo) óptico em uma molécula, ocorre transferência de energia

entre o campo óptico e os modos de vibração moleculares. Esta troca de energia ocorre em

quantidades discretas, denominadas fônons. Desta forma, os fótons incidentes podem receber

ou perder quantums de energia com valores que dependem das moléculas envolvidas no

processo (BROMAGE, 2003). Neste caso, o processo é chamado de espalhamento Raman

espontâneo.

O espalhamento Raman pode ocorrer em qualquer material. Quando há a perda de

energia do fóton, diz-se que a rede molecular foi aquecida, pois há um aumento da vibração

das moléculas que compõem a estrutura do meio. A perda de energia altera a freqüência do

fóton, diminuindo-a. Quando o fóton ganha energia, a rede é resfriada, pois ocorre o efeito

inverso e, neste caso, a freqüência aumenta.


31

Quando o fóton espalhado tem energia (freqüência) menor que a do incidente, ele é

chamado de linha de Stokes. Quando a energia do fóton espalhado é maior que a do fóton

original, ele é conhecido como linha anti-Stokes. Quanticamente, o espalhamento Raman

espontâneo pode ser entendido da seguinte forma (ver Figura 12): após a incidência do fóton,

ocorre a mudança do estado do sistema para um nível virtual V1 e imediatamente o

decaimento para um nível real, Nfinal, correspondendo a uma energia de vibração diferente

daquela relativa ao nível inicial, Ninicial. Quando Nfinal é menor que Ninicial, o processo é

chamado de Stokes. Quando Nfinal é maior que Ninicial o processo é o anti-Stokes.

A diferença de freqüência entre o fóton incidente e o fóton espalhado corresponde à

própria freqüência do fônon gerado (quando há perda de energia no fóton) ou eliminado

(quando há absorção de energia no fóton), como pode-se verificar na Figura 12.

Figura 12 – Diagramas de níveis de energia. (a) Linha Stokes (b) Linha anti-Stokes. (SAITO, 2006)

O processo de espalhamento Raman pode ser estimulado pela presença de um fóton

Stokes no momento da interação do fóton causador do espalhamento (chamado de

bombeamento) com a molécula. Neste caso, o processo é chamado de espalhamento Raman

estimulado. A Figura 13 mostra o fenômeno envolvendo moléculas de sílica (Si-O-Si),

material que compõe as fibras analisadas por este trabalho, e os fótons de sinal e
32

bombeamento. A presença do fóton de sinal estimula a emissão de um fóton Stokes idêntico

ao original, de forma que este processo pode ser utilizado para se obter amplificação óptica.

Vale mencionar que a presença de um fóton anti-Stokes não desencadeia processo

semelhante, sendo apenas absorvido no processo de espalhamento Raman estimulado. Sendo

assim, não há ganho óptico para o anti-Stokes.

Figura 13 – Demonstração gráfica da amplificação por espalhamento Raman estimulado em uma fibra óptica de
sílica. (adaptado de BROMAGE, 2003)

Na Figura 13, o fóton de bombeamento (fóton causador do espalhamento) é

decomposto numa cópia do fóton inicial de sinal (fóton originalmente transmitido) e o fônon,

amplificando, desta forma, o sinal inicial. Para que o espalhamento Raman seja estimulado, a

freqüência do sinal deve ser deslocada em relação à de bombeamento de um valor que esteja

dentro da banda de ganho Raman do material. Para a sílica, o pico Raman corresponde a um

deslocamento de 13,2 THz, conforme visto no espectro de ganho Raman mostrado na Figura

14. A largura a meia altura da curva vista na Figura 14 é de ~ 8 THz, indicando que uma larga

faixa de freqüências pode ser amplificada


33

Figura 14 – Espectro de ganho Raman para a sílica. (SAITO, 2006)

3.2 PROPRIEDADES DO GANHO RAMAN EM FIBRAS DE SÍLICA


Algumas propriedades do espalhamento Raman em fibras devem ser observadas

durante um projeto de amplificadores. Uma delas é que o ganho Raman está ligado

diretamente à diferença de freqüências entre o sinal e o bombeamento. O melhor ganho ocorre

quando esta diferença é de 13,2 THz.

Uma outra característica é que o ganho está relacionado com a área efetiva de

propagação. Para sinais de baixa potência, caso em que pode-se desprezar o decréscimo de

potência de bombeamento devido à amplificação e em que não há saturação de ganho, o

ganho líquido (ganho já descontadas as perdas) é dado por (HEADLEY, AGRAWAL, 2005):

Gnet = exp(C R P0 Leff − α s L) , (9)

onde L é o comprimento da fibra, P0 é a potência de bombeamento na entrada da fibra, α S é

o coeficiente de atenuação do sinal e C R é a eficiência de ganho Raman, que pode ser

expressa a partir do coeficiente de ganho Raman ( g R ) e da área efetiva ( Aeff ) como:


34

gR
CR = . (10)
Aeff

Leff é o comprimento efetivo da fibra que leva em conta a perda sofrida pelo bombeamento

durante a propagação e é dado por (HEADLEY, AGRAWAL, 2005):

1 − exp (−α p L)
Leff = . (11)
αp

Nesta equação, α p é o coeficiente de atenuação do bombeamento. Uma relação entre

o coeficiente de atenuação α e a perda em dB/km, comumente fornecida por fabricantes, é

obtida ao se igualar as seguintes equações:

P ( z ) = P0 e −αz , (12)

P ( z ) = P0 xPlinear , (13)

onde P(z) é a potência óptica a uma distância z, P0 é a potência óptica inicial, e Plinear é a perda

em escala linear obtida pela propagação.

Igualando-se as duas equações, chega-se à equação:

e −αz = Plinear = 10 zPdB / 10 , (14)

onde PdB é a perda dada em dB por unidade de comprimento. Consequentemente:


35

α = PdB / 4,343 . (15)

Ainda para o cálculo da equação 10, é necessário o espectro do coeficiente de ganho

Raman, g R , que é uma característica do material que compõe a fibra. A amplitude de g R

varia com o comprimento de onda de bombeamento, sendo inversamente proporcional ao

comprimento de onda do pico do espectro de ganho correspondente. Desta forma, se o

espectro de g R é conhecido para uma determinada região espectral (na qual tem valor g RREF ),

atingindo um máximo em um comprimento de onda λ REF , pode-se determinar g R em outra

região (em torno de um comprimento de onda λ ) utilizando (HEADLEY, AGRAWAL,

2005):

λ REF [nm]
g R = g RREF , (16)
λ [nm]

Neste trabalho, utilizou-se como g RREF os resultados disponíveis em (AGRAWAL,

2001) para λ REF = 1046 nm. A área efetiva para a interação Raman (equação 10) é dada por:

∞ ∞
( ∫ ∫ I p ( x, y )dxdy ) ( ∫ ∫ I s ( x, y )dxdy )
−∞ −∞
Aeff = ∞ , (17)
∫∫−∞
I p ( x, y ) I s ( x, y )dxdy

onde Ip e Is são as intensidades de campo do bombeamento e do sinal, respectivamente, e x e y

são os eixos ortogonais ao eixo central da fibra.

Analisando a equação 10 ainda, pode-se verificar que fibras com núcleos menores têm

um ganho incrementado em relação às de núcleos maiores. Este fato faz com que a utilização
36

de MOFs seja indicada, pois o núcleo destas pode ser consideravelmente menor que o de

fibras monomodo convencionais, incluindo-se aí as fibras convencionais com alta não

linearidade como, por exemplo, uma fibra fabricada pela empresa OFS, que possui um pico de

eficiência de ganho Raman em 1550 nm de 2,5 W-1km-1 (OFS Raman Fiber Catalog). Para

fins de comparação, pode-se mencionar que uma fibra padrão de Telecomunicações possui

um pico de eficiência de ganho Raman de 0,4 W-1km-1 (BROMAGE, ROTTWITT, LINES,

2002).

A propagação do sinal pode ser feita em qualquer sentido da fibra amplificadora, pois

o ganho Raman, fora do regime de saturação, independe da direção de propagação relativa

entre o sinal e o bombeamento. Há, entretanto, uma dependência do ganho Raman com a

polarização da luz, sendo que caso a polarização do sinal seja igual à do bombeamento, o

ganho Raman terá um melhor desempenho. Quando o bombeamento é despolarizado, a

eficiência de ganho Raman é duas vezes menor do que no caso de sinal e bombeamento co-

polarizados. Este também é o caso quando sinal e bombeamento são contra-propagantes e a

fibra é longa (~1 km ou mais), já que a evolução da polarização dos dois feixes torna-se

descorrelacionada.

Um fator que diferencia os amplificadores Raman dos EDFAs é o fato de os últimos

terem um maior tempo de vida do estado excitado. Na realidade, o estado excitado no caso do

espalhamento Raman é um nível virtual e, portanto, o seu tempo de vida é praticamente nulo.

Este fato faz com que em amplificadores Raman as flutuações de bombeamento sejam

diretamente transferidas para o sinal. Por outro lado, os EDFAs podem operar somente na

faixa em torno de 1550 nm, o que limita muito a sua utilização se comparado a um

amplificador Raman, que pode operar em qualquer banda de transmissão, dependendo apenas

do bombeamento.
37

3.3 APLICAÇÕES DE AMPLIFICADORES RAMAN


As aplicações de amplificadores Raman são decorrentes de suas características

específicas, que os diferenciam dos EDFAs. No que se seguem, estas características são

sintetizadas e os tipos de amplificadores revisados.

3.3.1 Características

Como características dos amplificadores Raman, pode-se destacar:

• É possível utilizá-los com qualquer tipo de fibra óptica, sendo que sua implantação foi

facilitada com o surgimento de novos lasers de bombeamento possuindo uma potência

maior, disponíveis em uma faixa relativamente larga do espectro de interesse para

comunicações ópticas. Os amplificadores Raman são, ainda, compatíveis com

amplificadores EDFA existentes, podendo desta forma ser implantados em sistemas já

existentes;

• Também é possível a utilização de fibras ópticas com menor diâmetro de núcleo,

como por exemplo, as MOFs, aumentando assim a eficiência do ganho;

• Existem dois tipos de dispositivos: amplificadores Raman distribuídos (ou DRA, do

inglês Distributed Raman Amplifier) e amplificadores Raman discretos (ou LRA, do

inglês Lumped Raman Amplifier), que serão descritos a seguir.

3.3.2 Tipos de Amplificadores

Como descrito acima, existem basicamente duas formas de implementação de

amplificadores Raman: DRA e LRA. No caso do LRA, o amplificador é inserido de forma

discreta em um ponto do enlace óptico, da mesma forma que ocorre com um amplificador

EDFA. Os LRAs funcionam, portanto, como pré-amplificadores, pós-amplificadores ou

amplificadores de linha. Amplificadores LRA podem possuir três geometrias diferentes para o

bombeamento no que diz respeito ao seu sentido de propagação na fibra relativo ao sentido do
38

sinal: co-direcional, contra-direcional ou combinada (co-direcional + contra-direcional), dos

quais a primeira pode ser visualizada na Figura 15.

Figura 15 - Esquema de um LRA com geometria de bombeamento combinada.

Cada uma das geometrias de bombeamento do LRA possui suas características e suas

aplicabilidades, conforme visto na Tabela II.

TABELA II
Comparação de tipos de bombeamento
Combinado Co-propagante Contra-propagante
Ganho Médio Alto Baixo
Ruído * Médio Alto Baixo
Efeito não-linear Alto Médio Baixo
Fonte: SAITO, 2006
* devido ao acoplamento com o laser de bombeamento

A figura de ruído visualizada na tabela relaciona-se à degradação ocorrida no

amplificador quando o sinal é amplificado, através do decréscimo da relação sinal-ruído (ou

SNR, do inglês Signal Noise Ratio) e é definida pela expressão (BROMAGE, 2004):
39

SNRin
NF = , (18)
SNR out

onde os índices in e out referem-se à entrada e saída, respectivamente, do dispositivo.

Já na implantação distribuída (DRA), a própria fibra de transmissão é utilizada como

amplificador e com isso, tem-se como característica a possível melhoria do orçamento de

potência do sistema, necessitando de fontes de sinal com menor potência. Além disso, a

geração de outros efeitos não lineares é reduzida, pois o sistema trabalha com menores níveis

de potência de entrada de sinal. A figura de ruído também é melhorada, pois se mantém o

sinal longe da região de ruído mostrada na Figura 16. Com a aplicação deste modo, pode-se

ter uma amplificação mais uniforme ao longo de todo o enlace, se comparado ao modo

discreto.

Na Figura 16 é possível comparar o comportamento da amplificação Raman no modo

LRA com aquela no modo DRA. A queda do sinal amplificado é devida à atenuação na fibra

de transmissão. A linha vermelha é a evolução da potência de sinal com o uso do DRA nas

fibras de transmissão. Já a linha preta é a mesma evolução com a utilização do LRA. Pode-se

notar que no caso do DRA, a eficiência do sistema é maior, pois curva de ganho não entra nas

regiões de efeitos não-lineares e de ruído do sistema.


40

Figura 16 – Comparação entre comportamento do sinal amplificado no enlace com amplificação discreta e
distribuída. (SAITO, 2006)
41

4 AMPLIFICAÇÃO RAMAN EM FIBRAS MICROESTRUTURADAS

4.1 TRABALHOS REALIZADOS


A amplificação Raman em MOFs de núcleos sólidos é interessante devido ao maior

confinamento da luz nestas do que em fibras convencionais, o que aumenta a intensidade de

bombeamento e, conseqüentemente, o ganho para uma mesma potência utilizada. A

flexibilidade em se projetar a dispersão pode também ser explorada como uma funcionalidade

adicional das MOFs. Além disso, as MOFs monomodo em todo o espectro (endlessly single-

mode fibres) possibilitam a operação em qualquer banda de transmissão, enquanto que em

certas fibras convencionais a obtenção de ganho em bandas de comprimentos de onda mais

curtos requereriam bombeamento em uma região multimodo.

Até pouco tempo atrás, a perda das MOFs era grande, gerando, portanto, baixos

ganhos líquidos. A primeira observação de ganho Raman ocorreu em uma fibra de 75m de

comprimento e uma área efetiva de 2,85 µm2 (YUSOFF, LEE, BELARDI, MONRO, TEH,

RICHARDSON, 2001). Entretanto, a fibra apresentava uma perda de 40 dB/km e requeria

altas potências (6,7 W foram utilizados) para a obtenção de ganhos significativos.

Pouco depois um trabalho mostrou que uma MOF apresentando área efetiva de 7 µm2

e perda de 12,4 dB/km em 1550 nm apresentava ganho líquido inferior ao de uma fibra padrão

de Telecomunicações, apesar de apresentar eficiência de ganho Raman 10 vezes maior

(MATOS, HANSEN, TAYLOR, 2003).

Com o advento das MOFs de baixa perda, foram geradas novas possibilidades para

amplificação Raman apesar das maiores áreas efetivas apresentadas por estas.

Em um experimento reportado por uma equipe de pesquisadores da NTT, foi realizada

a amplificação Raman distribuída, de um sistema DWDM de 8 canais na faixa de 1571,5 a

1583,1 nm com espaçamento de 200 GHz (FUKAI, NAKAJIMA, ZHOU, TAJIMA,

KUROKAWA, SANKAWA, 2004). A taxa de transmissão total foi de 80 Gbit/s, sobre um


42

enlace de MOF de 12,7 km de extensão. Neste caso, a atenuação obtida no comprimento de

onda de 1580 nm foi de 0,55 dB/km, porém a BER do sistema outrora analisado situou-se

abaixo de 10-11, comprovando mais uma vez as possibilidades de utilização deste tipo de fibra

para futuros sistemas de transmissão de alta capacidade de largura de banda.

Em outro trabalho, foi verificada a aplicabilidade da amplificação Raman distribuída

em uma MOF de 6,0 km de comprimento, na região espectral de 850 nm. Neste caso, foi

aplicado um laser de bombeamento de 822 nm, para que houvesse uma diferença de 13,2 THz

em relação ao comprimento de onda de sinal, com o intuito de obter o maior ganho possível.

Como resultado, foi medida uma perda líquida de 1,6 dB no enlace, o que corresponde a 0,27

dB/km de perda na fibra (NAKAJIMA, FUKAI, KUROKAWA, TAJIMA, MATSUI,

SANKAWA).

Um grande número de trabalhos combina amplificação Raman e compensação de

dispersão em MOFs. Em um destes trabalhos, foi atingido um ganho Raman líquido de 1,5 dB

em 1583 nm, utilizando-se um bombeamento de 1,5 W em uma fibra de 100 m de

comprimento. Além disso, foram atingidos valores de dispersão de -70 ps/nm/km em 1540

nm e de -125 ps/nm/km em 1560 nm. O baixo ganho obtido foi devido às perdas da sílica

utilizada na fabricação da MOF (DIGWEED-LYYTIKAINEN, DE FRANCISCO, SPADOTI,

JURIOLLO, ROSOLEM, AYRES NETO, BORGES, CANNING, ROMERO, 2007).

Nesta linha, ainda foi realizado um trabalho numérico, no qual foi atingido um ganho

de 8,3 dB em uma MOF para compensação de dispersão de 1 km de comprimento e de perda

5 dB/km, com um sinal de entrada em 1550 nm e uma potência de bombeamento de 520 mW.

Além disso, foi feita a compensação da dispersão de um enlace de 70 km de fibra monomodo,

deixando uma dispersão residual de +- 50 ps/nm (VARSHNEY, SAITOH, KOSHIBA,

ROBERTS, 2007).
43

Por fim, também com o intuito de se obter amplificação Raman e compensação de

dispersão, foi simulada a utilização de uma MOF com comprimento de 3,6 km em um enlace

de fibra monomodo de 100 km, com transmissão WDM de 16 canais (1546 a 1558 nm) na

banca C. A perda da MOF era de ~0,8 dB/km e a dispersão variava entre -467 e -486

ps/nm/km. A eficiência de ganho obtida foi de 20,26 W-1km-1, o que viabiliza este tipo de

fibra para as aplicações propostas. Além disso, foi feita uma comparação com uma DCF,

sendo que a MOF superou-a tanto em ganho quanto em compensação de dispersão (CANI,

DE FRANCISCO, SPADOTI, NASCIMENTO, BORGES, CALMON, ROMERO, 2007).

4.2 METODOLOGIA APLICADA NA PESQUISA

Como mencionado anteriormente, o objetivo do trabalho aqui descrito é analisar o

desempenho do ganho Raman de uma MOF de baixa perda (TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA,

SATO, 2004) por uma larga faixa espectral e testar a fibra em uma aplicação real de

amplificação Raman. O desenvolvimento deste projeto se deu basicamente de forma teórica e

numérica, utilizando softwares para simulação e análise. Inicialmente, foi utilizado o

aplicativo Mode Solutions, da empresa Lumerical, para determinação dos modos guiados na

fibra e suas características, como índice modal, perda e distribuição transversal dos campos

elétrico e magnético. Este software baseia-se numa implementação vetorial do método de

diferenças finitas e foi escolhido por oferecer um tempo de simulação baixo e uma interface

gráfica que simplifica a implementação de estruturas.

Como o Mode Solutions faz somente a análise transversal do modo de propagação, foi

utilizado também o aplicativo VPI TransmissionMaker, que simula a propagação de sinais

ópticos ao longo do enlace da fibra, para a obtenção de ganhos, figuras de ruído e evolução de

pulsos ao longo da MOF.


44

A partir dos resultados do Mode Solutions, foi possível uma determinação precisa da

área efetiva do modo fundamental para ganho Raman, que está diretamente ligada à eficiência

deste efeito. Esta área efetiva é calculada a partir dos vetores de Poynting nos comprimentos

de onda de sinal e bombeamento e conseqüentemente das respectivas intensidades, como

mostrado a seguir. Os resultados numéricos também possibilitaram a determinação do número

de modos guiados, que é uma característica importante, já que para amplificação Raman em

comunicações deseja-se operar em uma região espectral monomodo.

As áreas efetivas obtidas por simulação foram primeiramente utilizadas em expressões

analíticas simplificadas para se obter o desempenho de amplificadores Raman baseados na

fibra estudada em função do comprimento de onda de bombeamento.

Em seguida, foi utilizado o aplicativo VPI TransmissionMaker, para a realização de

simulações do amplificador Raman, como pode ser visto na Figura 17. Neste aplicativo,

foram analisados o ganho do amplificador Raman nas bandas C e O, além das respectivas

figuras de ruído. Nestas simulações foram realizadas seis configurações diferentes, variando-

se o comprimento de fibra, entre 1 e 10 km, e a potência de bombeamento, entre 100 e 500

mW, em cada uma das bandas, para efeito comparativo de desempenho.

Figura 17 – Amplificador Raman proposto.


45

Num próximo passo, para demonstração de uma aplicação prática em que as

características da MOF desempenham papel fundamental, foi montado um circuito óptico

para a banda O utilizando uma fibra de dispersão deslocada não nula (ou NZDSF, do inglês

non-zero dispersion shifted fiber) de mercado como fibra de transmissão e a MOF estudada

para compensação da dispersão e amplificação do sinal. O circuito utilizado é mostrado na

Figura 18. Para este circuito, foram escolhidos 70 km da fibra TrueWave RS Fiber, da

empresa OFS, que possui uma perda de 0,35 dB/km e uma dispersão de –8 ps/km.nm em 1,31

µm (OFS TrueWave RS Fiber Catalog, 2007). O sinal em 1300 nm consistia de pulsos

ópticos de 30 ps de um gerador de sinais gaussianos emitindo seqüências pseudo-aleatórias a

uma taxa de 10 GHz e com uma potência média de 0,7 mW. O amplificador / compensador de

dispersão baseado na MOF posicionava-se após a NZDSF (imediatamente antes do receptor).

Um comprimento de MOF de 10 km foi escolhido por propiciar uma compensação de

dispersão otimizada. A perda da MOF em 1,3 µm era de 0,71 dB/km. Os valores de rampa de

dispersão (em inglês, dispersion slope) utilizados foram de 0,047 ps/nm2/km para a NZDSF e

0,11 ps/nm2/km para a MOF.

Para a geração do ganho Raman na MOF, foi inserido um laser de bombeamento com

300mW de potência através de um acoplador. Isoladores com perda de inserção de 1 dB

foram posicionados na entrada e saída do amplificador. As perdas devido a emendas foram

levadas em conta, com valores de 1 dB, na entrada e na saída da MOF. Para recepção do sinal,

foi escolhido um diodo receptor, com características de ruído realistas, ligado a um

osciloscópio. Receptores e osciloscópios idênticos foram também posicionados na saída do

gerador de sinais e após a fibra NZDSF, para monitoramento da evolução da degradação do

sinal.
46

Figura 18 – Enlace na banda O incluindo 70 km de NZDSF e um amplificador Raman baseado em 10 km de


MOF de baixa perda.

Com o circuito descrito, foram feitas as análises de diagrama de olho e evolução do

perfil do pulso transmitido devido à dispersão nos três pontos ao longo do enlace mencionado

acima.

4.3 SIMULAÇÕES
No software Lumerical, foi feita a construção de uma MOF com as mesmas

características da apresentada na seção 2.5. O perfil de índice de refração da seção transversal

(plano xy) da fibra modelada pode ser visto na Figura 19.


47

Figura 19 – Perfil de índices de refração da MOF simulada.

A partir deste perfil, foram realizadas simulações que determinaram as características

modais de sinais em comprimentos de onda que variaram de 1100 a 1650 nm, com

espaçamento de 50 nm, assim como as características modais dos bombeamentos, com o

espaçamento entre o sinal e o bombeamento de 13,2 THz. Como resultado destas simulações,

foram geradas matrizes com as distribuições transversais discretizadas dos campos

magnéticos e elétricos do modo fundamental da fibra para sinal e bombeamento, de modo que

a variação da área efetiva para interação Raman com comprimento de onda fosse obtida.

Discretizando-se expressão (14), tem-se:

(∑ colunas ∑ linhas I p ) * (∑ colunas ∑ linhas I s )


Aeff = ∆x∆y , (19)
(∑ colunas ∑ linhas I s )
48

onde ∆x e ∆y são os passos em x e y utilizados na simulação. As intensidades foram

tomadas como sendo as componentes z da média temporal do vetor de Poynting:

1
I =< S > = Re {E x H *} , (20)
2

que, para propagação ao longo do eixo z e para bombeamento (p) e sinal (s), assume as

formas:

1
I p = < S z , p > = Re {E x H y * − E y H x *} p , (21)
2

1
I s = < S z , s > = Re {E x H y * − E y H x *}s . (22)
2

Com as respectivas áreas efetivas calculadas, o próximo passo foi calcular o

coeficiente de ganho Raman (gR) em função do comprimento de onda, utilizando-se a equação

(16), onde foi utilizado o valor de 1×10-13 m/W para gR1046, que assume um bombeamento

despolarizado. Diante destes valores, o próximo passo foi calcular a eficiência de ganho

Raman, através da equação (10).

Um outro fator necessário para os cálculos de ganho é o coeficiente de atenuação α, do

bombeamento e do sinal, que é obtido a partir da perda (em dB/km) através da equação (15).

Os valores de perda foram colhidos do gráfico disponibilizado em (TAJIMA, ZHOU,

NAKAJIMA, SATO, 2004).


49

De posse destes valores, foi possível então calcular o ganho líquido (Gnet) em uma

fibra de comprimento L, com uma potência de bombeamento P0, a partir da equação (9). Para

convertê-lo em decibéis (dB):

G net [dB ] = 10 log G net . (23)

Esta última expressão é importante, pois dá o ganho da fibra da forma mais usual,

permitindo que sejam feitas comparações com outros sistemas de amplificação, como por

exemplo, o EDFA. Foram utilizados inicialmente os valores de potência P0 = 0,3 W e o

comprimento de fibra de L = 4 km. Num segundo momento, foram feitas variações tanto de

P0 quanto de L, para estudo do comportamento destes.

Vale mencionar que em todos os comprimentos de onda investigados o software de

simulação encontrou apenas um modo de propagação, indicando que a MOF é monomodo na

região estudada. Na Figura 20 pode ser visualizado o modo de propagação confinado no

núcleo da fibra para um comprimento de onda de 1550 nm.


50

Figura 20 – Distribuição de intensidade normalizada (em código de cores) do modo de propagação.

Ainda no aplicativo Mode Solutions foi feita uma análise da perda por confinamento

na fibra e verificou-se que esta é desprezível, encontrando-se dentro da margem de erro do

aplicativo (~2.10-8 dB/km). No artigo da equipe da NTT (TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA,

SATO, 2004), um valor calculado em 0,01 dB/km é mencionado.

Para a caracterização de amplificadores Raman no aplicativo VPI TransmissionMaker

foi implantado o circuito visto na Figura 21, com de 51 canais, nas faixas de 1500 à 1600 nm

e de 1250 à 1350 nm, com espaçamento de 2 nm, que foram utilizados meramente para

caracterizar ganho e figura de ruído em função do espectro. Estes sinais eram ideais (não

apresentavam ruído) e possuíam uma potência de -50 dBm para que o amplificador estivesse

no regime de pequenos sinais. Para a recepção do sinal, foram incluídos um analisador de

espectro óptico e um caracterizador de amplificadores (Test Set Amplifier), equipamento que,


51

no aplicativo, mede o ganho e a figura de ruído. Estes equipamentos também eram ideais e

não introduziam ruído na medição.

Figura 21 – Montagem do amplificador baseado em MOF no aplicativo VPI TransmissionMaker.

Para cada uma das faixas de sinal – bandas C e O – foram simuladas as seguintes

situações:

• Potência de bombeamento de 300 mW e comprimento de fibra de 4 km;

• Potência de bombeamento de 300 mW e comprimento de fibra de 1 km;

• Potência de bombeamento de 300 mW e comprimento de fibra de 10 km;

• Potência de bombeamento de 100 mW e comprimento de fibra de 4 km;

• Potência de bombeamento de 500 mW e comprimento de fibra de 4 km;

• Potência de bombeamento de 500 mW e comprimento de fibra de 1 km.

Para a implementação da simulação, é necessária a criação de vários arquivos de

configuração para os diversos parâmetros existentes no VPI TransmissionMaker, como


52

eficiência de ganho Raman, atenuação e dispersão na fibra. No primeiro deles, foi tomado

como base o arquivo padrão do próprio aplicativo válido para fibras convencionais com

núcleo de sílica, no qual foram feitas as alterações necessárias para utilização nas faixas de

freqüência de interesse e para incorporação das áreas efetivas calculadas para a MOF em

estudo. Os demais parâmetros foram obtidos a partir dos gráficos disponíveis em (TAJIMA,

ZHOU, NAKAJIMA, SATO, 2004). Nestas simulações, foram desconsiderados os efeitos

não-lineares de espalhamento Brillouin, modulação de fase e mistura de quatro ondas.

A figura de ruído (NF) de um dispositivo é definida pela equação (18). Em um

amplificador, a NF também é dada por (ISLAN, 2004):

+
1 PASE
NF = .( + 1) , (24)
G hν B0

+
onde G é o ganho, PASE é a potência de ruído emitido espontaneamente co-propagante com o

sinal, h é a constante de Planck, ν é a freqüência do sinal e B0 é a resolução espectral da

medida óptica.

Na montagem para demonstração de aplicação da MOF em um sistema de

transmissão, os parâmetros da fibra NZDSF foram configurados de acordo com o exposto na

seção 4.2. O comprimento de 70 km foi determinado de modo que 10 km de MOF

compensassem a dispersão do enlace. No gerador de pulsos, foi configurada a freqüência de

emissão de 1300 nm, a uma taxa de 10 Gbit/s. O comprimento de onda do laser de

bombeamento foi ajustado para 1229 nm para obter a máxima eficiência (espaçamento sinal-

bombeamento de 13,2 THz) e a sua potência era de 300 mW. A Figura 22 mostra o diagrama

do VPI TrasmissionMaker utilizado. A perda de 1 dB estimada para as emendas entre a MOF


53

e as fibras convencionais foi incorporada na perda do isolador de entrada e dos atenuadores

mostrados no diagrama.

Figura 22 – Diagrama do aplicativo VPI TransmissionMaker, modelando um enlace de 70 kn de NZDSF


seguido do amplificador baseado na MOF estudada.

Nesta montagem, foi verificada a qualidade do sinal gerado nos três osciloscópios

implementados no sistema, onde foram analisados o diagrama de olho do sinal e a duração

dos pulsos. Através de análise do diagrama de olho, o aplicativo fornecia também uma

estimativa da BER em cada ponto do sistema. A BER é dada por (GHATAK,

THYAGARAJAN, 1998):

bits lidos com erro em um período τ


BER = . (25)
total de bits enviados emτ
54

4.4 RESULTADOS E DISCUSSÕES


4.4.1 Estimativa de ganho Raman em função do comprimento de onda de bombeamento

A Tabela III mostra os comprimentos de onda de sinal e bombeamento escolhidos para

estimar o desempenho de ganho dos amplificadores Raman operando em várias regiões

espectrais. Em cada caso, os comprimentos de onda de bombeamento e sinal são separados de

13,2 THz, de forma que todos os ganhos calculados correspondem aos valores de pico.

Também são visualizados na Tabela III os valores calculados de área efetiva e os coeficientes

de atenuação para os comprimentos de onda de sinal e bombeamento ( α s e α p

respectivamente). Já a Tabela IV mostra outros parâmetros que foram calculados para o

estudo em questão, como o coeficiente de ganho Raman (gR), a eficiência de ganho Raman

(CR), as perdas para os comprimentos de onda de sinal e de bombeamento (em dB/km), o

comprimento efetivo da MOF (Leff) e os ganhos líquidos (Gnet), expressos em dB.

TABELA III
Sumário dos parâmetros utilizados para cálculo da eficiência Raman e ganho Raman
líquido
Comprimento de Comprimento de
onda de sinal onda de
2
[nm] µm ] αs [km-1]
bombeamento [nm] Aeff [µ αp [km-1]
1100 1049 15,16 0,18 0,41
1150 1095 15,26 0,16 0,18
1200 1140 15,35 0,14 0,23
1250 1185 15,44 0,28 0,18
1300 1230 15,53 0,14 0,14
1350 1274 15,62 0,51 0,25
1400 1319 15,71 1,84 0,17
1450 1363 15,81 0,23 0,86
1500 1407 16,02 0,09 1,84
1550 1451 16,07 0,09 0,23
1600 1495 16,16 0,09 0,10
1650 1538 16,25 0,10 0,09
55

TABELA IV
Sumário dos parâmetros necessários para cálculo do ganho Raman líquido com 4 km de
MOF e 300 mW de bombeamento
Comprimento de Perda Perda
-14 -3
onda de sinal gR (*E ) CR (*E ) sinal bombeamento Leff Gnet
-1 -1
[nm] [m/W] [W m ] [dB/km] [dB/km] [km] [dB]
1100 9,51 6,27 0,80 1,80 1,95 12,76
1150 9,10 5,96 0,70 0,80 2,83 19,19
1200 8,72 5,68 0,60 1,00 2,61 16,95
1250 8,37 5,42 1,20 0,80 2,83 15,19
1300 8,05 5,18 0,60 0,60 3,07 18,35
1350 7,75 4,96 2,20 1,10 2,51 7,45
1400 7,47 4,76 8,00 0,75 2,89 -14,10
1450 7,21 4,56 1,00 3,75 1,12 2,67
1500 6,97 4,35 0,40 8,00 0,54 1,48
1550 6,75 4,20 0,40 1,00 2,61 12,70
1600 6,54 4,05 0,40 0,45 3,27 15,66
1650 6,34 3,90 0,45 0,40 3,35 15,21

A Figura 23 mostra o comportamento da área efetiva em função do comprimento de

onda de sinal. Pode-se observar que esta grandeza cresce conforme o comprimento de onda

cresce. Entretanto, a variação observada é menor do que aquela estimada para uma fibra

convencional desenvolvida para amplificação Raman (SAITO, 2006).

As Figuras 24 e 25 mostram o coeficiente de ganho Raman e a eficiência de ganho

Raman respectivamente como função do comprimento de onda de sinal. Como esperado, à

medida que o comprimento de onda decresce, a diminuição da área efetiva em conjunto com o

incremento do coeficiente de ganho Raman causam um aumento da eficiência de ganho

Raman. É notado que em todo o espectro esta eficiência é maior do que a obtida com uma

fibra Raman convencional (Fibra Raman OFS) (SAITO, TAVEIRA, SOUZA, GAARDE,

SOUZA, 2006).

A Figura 26 mostra o pico de ganho Raman líquido (Gnet) como função do

comprimento de onda de sinal em uma MOF com 4 km de comprimento e uma potência de

bombeamento de 0,3 W (em princípio atingível com um diodo de bombeamento). O

comprimento de onda de bombeamento está sempre deslocado do comprimento de onda de


56

sinal conforme a tabela III. Uma importante constatação é que há um ganho maior do que 10

dB tanto nas bandas C e L quanto na faixa entre 1100 nm e 1340 nm. Em particular, um

ganho líquido acima de 18 dB é atingido na banda O, indicando que esta MOF pode ser

especialmente interessante para amplificação nesta região espectral. De acordo com

(TAJIMA, ZHOU, NAKAJIMA, SATO, 2004) a dispersão na MOF em 1300 nm é de

aproximadamente 55 ps/nm/km. Este alto valor de dispersão anômala não é atingido com

fibras convencionais na banda O. Como conseqüência, o amplificador proposto aqui pode

incorporar a função adicional de ajustar a dispersão no enlace de fibra para sinais na banda

mencionada. A Figura 26 também mostra que um ganho líquido negativo é atingido na banda

S (1460-1530 nm) devido à alta atenuação de bombeamento gerada pelo pico de absorção de

água em 1380 nm.

16,40

16,20

16,00
Aeff (µ m )
2

15,80

15,60

15,40

15,20

15,00
1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1450 1500 1550 1600 1650
Comprimento de onda (nm)

Figura 23 – Curva de área efetiva em função do comprimento de onda de sinal.


57

10,00

9,50

9,00
-14

8,50
gR (m/W) *10

8,00

7,50

7,00

6,50

6,00
1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1450 1500 1550 1600 1650
Comprimento de onda (nm)

Figura 24 – Curva do coeficiente de ganho Raman em função do comprimento de onda de sinal.

6,50

6,00
-3

5,50
C R (W m ) *10
-1

5,00
-1

4,50

4,00

3,50
1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1450 1500 1550 1600 1650
Comprimento de onda (nm)

Figura 25 – Curva da eficiência de ganho Raman em função do comprimento de onda de sinal.


58

30,00

20,00
Gnet (dB)

10,00

0,00

-10,00

-20,00
1100 1200 1300 1400 1500 1600
Comprimento de onda (nm)

Figura 26 – Máximo ganho Raman líquido (Gnet) em função do comprimento de onda de sinal.

A Figura 27 mostra a variação do espectro de Gnet obtida quando o comprimento da

fibra é alterado, para uma potência de bombeamento de 0,3 W. É possível observar que o uso

de fibras mais longas é benéfico para todas as regiões onde o ganho líquido excede 10 dB no

caso mostrado na Figura 26. Isso significa que o ganho nestas regiões ainda não é limitado

pelas atenuações de bombeamento e sinal, caso em que um incremento do comprimento da

fibra resulta numa diminuição do ganho (como ocorre, por exemplo, em 1400 nm).
59

40,00

20,00
Gnet (dB)

0,00 1 km
4 km
10 km
-20,00

-40,00

-60,00
1100 1200 1300 1400 1500 1600
Comprimento de onda (nm)

Figura 27 – Máximo ganho Raman líquido (Gnet) em função do comprimento de onda de sinal, variando-se o
comprimento de fibra, para uma potência de bombeamento de 0,3 W.

50,00

25,00
G net (dB )

0,1 W
0,00 0,3 W
0,5 W

-25,00

-50,00
1100 1200 1300 1400 1500 1600
Comprimento de onda (nm)

Figura 28 – Máximo ganho Raman líquido (Gnet) em função do comprimento de onda de sinal, variando-se a
potência de bombeamento, para um comprimento de fibra de 4 km.

Finalmente, o pico do espectro do ganho líquido foi obtido com a variação da potência

de bombeamento para um comprimento da MOF de 4 km e o resultado é visualizado na

Figura 28. O formato do espectro permanece praticamente inalterado com somente variação

da amplitude. A figura mostra que a ainda razoável potência de bombeamento de 0,5 W leva a

um ganho acima de 30 dB na banda O e de aproximadamente 25 dB para as bandas C e L.

Também foi verificada a variação obtida no ganho Raman se a razão d Λ é variada.

Para tal, foi feita uma variação de 5% para mais e para menos no diâmetro d dos furos da
60

MOF analisada. Para um sinal em 1550 nm, observou-se que a variação total do diâmetro dos

furos (de 10 %) levou a uma variação da área efetiva de 8,8 % No cenário de 4 km de

comprimento de fibra e 300 mW de potência de bombeamento, obteve-se uma variação de

ganho líquido de 14% (0,57 dB). Demonstra-se, portanto, a robustez do ganho Raman obtido

na MOF contra variações na seção reta causadas por problemas de fabricação.

4.4.2 Modelagem de Amplificadores nas Bandas C e O

Na montagem no aplicativo VPI TransmissionMaker para o modelamento de

amplificadores Raman baseados na MOF estudada, foram obtidos os espectros de ganho e

figura de ruído, como descrito anteriormente. Para cada banda de transmissão, variou-se a de

potência de bombeamento e o comprimento de fibra.

A Figura 29 mostra os ganhos líquidos obtidos quando a potência de bombeamento foi

fixada em 300 mW e foi variado o comprimento de fibra entre 1 e 10 km, para a faixa de

freqüências da banda C.

24,0

20,0

16,0
Gnet (dB)

12,0 Ganho 1 km - 300 mW


Ganho 4 km - 300 mW
8,0 Ganho 10 km - 300 mW

4,0

0,0

-4,0
94
00
06
12
18
24
30
37
43
49
56
62
69
75
82
89
95
14
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15

Comprimento de onda (nm)

Figura 29 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação de
comprimento da fibra e bombeamento de 300 mW.
61

Em seguida, foi mantido o comprimento da fibra em 4 km e foi alterada a potência de

bombeamento para os valores de 100, 300 e 500 mW. Os ganhos neste caso são vistos na

Figura 30.

24,0

20,0

16,0
Gnet (dB)

12,0 Ganho 4 km - 100 mW


Ganho 4 km - 300 mW
8,0 Ganho 4 km - 500 mW

4,0

0,0

-4,0
94
00

06
12
18

24
30
37

43
49
56

62
69
75

82
89
95
14
15
15
15
15
15
15
15
15
15
15

15
15
15

15
15

15
Comprimento de onda (nm)

Figura 30 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação da
potência de bombeamento e 4 km de comprimento.

A Figura 31 e 32 mostram as figuras de ruído obtidas para as configurações estudadas

nas Figuras 29 e 30 respectivamente. Destes gráficos conclui-se que ganhos superiores a 10

dB são obtidos para potências de bombeamento maiores ou iguais a 300 mW. Nestas

condições e para um comprimento de fibra de 4 km, a figura de ruído é praticamente

independente da potência de bombeamento, permanecendo abaixo de 6 dB por toda a faixa

investigada. Por outro lado, observou-se que a figura de ruído crescia com o aumento do

comprimento da fibra (com potência de bombeamento fixa em 300 mW), atingindo valores de

quase 8 dB para 10 km. Entretanto, mesmo neste último caso valores abaixo de 6 dB eram

obtidos próximo ao pico de ganho Raman.


62

Figura de Ruído (dB) 8,0

6,0

NF 1 km - 300 mW
4,0 NF 4 km - 300 mW
NF 10 km - 300 mW

2,0

0,0
94

00

06

12

18

24

30

37

43

49

56

62

69

75

82

89

95
14

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15
15

15

15

15
15
Comprimento de onda (nm)

Figura 31 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação de
comprimento da fibra e potência de bombeamento de 300 mW.

8,0
Figura de Ruído (dB)

6,0

NF 4 km - 100 mW
4,0 NF 4 km - 300 mW
NF 4 km - 500 mW

2,0

0,0
94

00

06

12

18

24

30

37

43

49

56

62

69

75

82

89

95
14

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

15

Comprimento de onda (nm)

Figura 32 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda C, com a variação da potência de
bombeamento e 4 km de comprimento.

Numa comparação entre os valores calculados anteriormente e os simulados através do

aplicativo, pode-se verificar que, no primeiro caso, obteve-se um ganho líquido de 12,70 dB e

no segundo caso um ganho de 12,37 dB para a situação de 4km de fibra e 300 mW de

potência de bombeamento, em 1550 nm. Esta proximidade nos valores valida o modelo
63

implementado, pois a diferença apresentada refere-se à aproximações de cálculos feitos pelos

aplicativos utilizados.

Da mesma forma, foram realizadas as simulações para a banda O. Os resultados

obtidos variando-se o comprimento da fibra e fixando-se a potência de bombeamento em 300

mW são mostrados nas Figuras 33 e 35 para ganho líquido e figura de ruído respectivamente,

enquanto estes mesmos parâmetros são mostrados nas Figuras 34 e 36 para um comprimento

de fibra de 4 km e três valores de potência de bombeamento.

36,0
30,0
24,0
18,0
Gnet (dB)

12,0 Ganho 1 km - 300 mW


6,0 Ganho 4 km - 300 mW
Ganho 10 km - 300 mW
0,0
-6,0
-12,0
-18,0
-24,0
50
56
61
67
73
79
84
90
96
02
08
14
21
27
33
39
46
12
12
12
12
12
12
12
12
12
13
13
13
13
13
13
13
13

Comprimento de onda (nm)

Figura 33 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação de
comprimento da fibra e bombeamento de 300 mW.

Estes resultados confirmam, como previsto na análise da seção 4.4.1, que os ganhos

obtidos na banda O são maiores do que na banda C, e ganhos superiores a 18 dB foram

obtidos para potências de bombeamento maiores ou iguais a 300 mW. As figuras de ruído

apresentam comportamentos similares aos já discutidos para a banda C, mas crescem

substancialmente à medida que se afasta do centro da banca O, tanto na direção de

comprimentos de onda mais curtos quanto para comprimentos de onda mais longos, devido ao

acentuado crescimento das perdas na MOF. Entretanto, a figura de ruído para uma potência de
64

300 mW permanece abaixo de 8 dB por largas faixas, chegando a um valor inferior a 6 dB no

pico do ganho Raman.

36,0
30,0
24,0
18,0
Gnet (dB)

12,0 Ganho 4 km - 100 mW


6,0 Ganho 4 km - 300 mW
Ganho 4 km - 500 mW
0,0
-6,0
-12,0
-18,0
-24,0
50
56
61
67
73
79
84
90
96
02
08
14

21
27
33
39
46
12
12
12
12
12
12
12
12
12
13
13
13
13
13
13
13
13
Comprimento de onda (nm)

Figura 34 – Ganho Raman líquido em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação da
potência de bombeamento e 4km de comprimento.

24,0

20,0
Figura de Ruído (dB)

16,0
NF 1 km - 300 mW
12,0 NF 4 km - 300 mW
NF 10 km - 300 mW

8,0

4,0

0,0
50

56

61
67

73

79
84

90

96

02

08

14

21

27
33

39

46
12
12

12

12

12

12

12

12

12
13

13

13
13

13

13

13

13

Comprimento de onda (nm)

Figura 35 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação de
comprimento da fibra e bombeamento de 300 mW.
65

10,0

8,0
Figura de Ruído (dB)

6,0 NF 4 km - 100 mW
NF 4 km - 300 mW
NF 4 km - 500 mW
4,0

2,0

0,0
50

56

61
67

73

79

84
90

96

02

08

14
21

27

33

39
46
12

12

12

12

12

12

12
12

12

13

13

13

13

13

13

13

13
Comprimento de onda (nm)

Figura 36 – Figura de ruído em função do comprimento de onda para a banda O, com a variação da potência de
bombeamento e 4km de comprimento.

4.4.3 Amplificação e Compensação na MOF para um Enlace na Banda O

Para a demonstração prática do uso do amplificador baseado em MOF, foi

implementado o circuito da Figura 22 e foram feitas as medidas nas três posições indicadas,

através dos osciloscópios. No primeiro caso, onde o osciloscópio está na saída do gerador de

sinais, pode-se verificar a alta qualidade dos pulsos e da seqüência de bits, como mostrado na

Figura 37.

6,00E-03

5,00E-03

4,00E-03
Potência (u.a.)

3,00E-03

2,00E-03

1,00E-03

0,00E+00

-1,00E-03
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0
Tempo (ns)

Figura 37 – Seqüência de bits na saída do gerador de sinais.


66

Ao longo da NZDSF, ocorre a degradação do sinal tanto devido à atenuação existente

no meio (perda total de 24,5 dB), quanto devido à dispersão, como pode ser visto na Figura

38. Neste caso, o sinal torna-se ilegível para um receptor, necessitando de uma regeneração

para que possa ser interpretado.

2,50E-05

2,00E-05

1,50E-05
Potência (u.a.)

1,00E-05

5,00E-06

0,00E+00

-5,00E-06

-1,00E-05

-1,50E-05
0,000
0,213
0,425
0,638
0,850
1,063
1,275
1,488
1,700
1,913
2,125
2,338
2,550
2,763
2,975
3,188
3,400
3,613
3,825
4,038
4,250
4,463
4,675
4,888
5,100
5,313
5,525
5,738
5,950
6,163
6,375
Tempo (ns)

Figura 38 – Seqüência de bits na saída da NZDSF.

Após a passagem pelo amplificador baseado em 10 km de MOF, na qual ocorre a

amplificação do sinal e compensação de dispersão, o sinal volta a um estado onde pode ser

lido pelo receptor, como pode ser visto na Figura 39.

5,00E-04

4,00E-04
Potência (u.a.)

3,00E-04

2,00E-04

1,00E-04

0,00E+00

-1,00E-04
0,000
0,209
0,419
0,628
0,838
1,047
1,256
1,466
1,675
1,884
2,094
2,303
2,513
2,722
2,931
3,141
3,350
3,559
3,769
3,978
4,188
4,397
4,606
4,816
5,025
5,234
5,444
5,653
5,863
6,072
6,281

Tempo (ns)

Figura 39 – Seqüência de bits na saída do amplificador.


67

Para quantificar o alargamento dos pulsos na NZDSF e a eficácia da recompressão na

MOF sem que a atenuação da fibra prejudique a análise com a adição de ruído, o formato de

um pulso individual foi analisado em cada um dos três pontos do sistema, desligando-se a

perda na NZDSF e o ganho na MOF. A Figura 40 mostra pulsos individuais normalizados

nestes 3 pontos. É possível verificar a forma gaussiana do pulso original de 30 ps – na saída

do gerador de pulsos (linha azul). Na saída da NZDSF (linha verde), o sinal está alargado,

possuindo uma duração de 66 ps. Por fim, na saída do amplificador, o pulso é novamente

recomposto, apresentando formato próximo ao gaussiano e duração de 25 ps. A razão para a

compressão da duração do pulso para valores ligeiramente inferiores ao original não é

compreendida, já que o pulso original não apresentava varredura em freqüência e as fibras não

apresentam auto-modulação de fase, o que poderia levar a um alargamento do espectro.

Atribui-se, portanto, este fato a problemas de caráter numérico.

1,2
Potência normalizada

0,8

Gerador
0,6
NZDSF
Amplificador
0,4

0,2

-0,2
0,450 0,481 0,513 0,544 0,575 0,606 0,638

Tempo (ns)

Figura 40 – Formato dos pulsos medidos na saída do gerador (azul), na saída da NZDSF (verde) e na saída do
amplificador (vermelho).

As Figuras 41, 42 e 43 mostram os diagramas de olho obtidos na saída do gerador, na

saída da NZDSF e na saída do amplificador, respectivamente. Através destes diagramas de


68

olho, pode-se verificar mais uma vez a melhora do sinal ocorrida após a amplificação Raman,

e compensação da dispersão no meio, já que o olho deixa a NZDSF totalmente fechado. A

BER estimada a partir dos diagramas de olho confirma a ótima regeneração obtida:

• BER na saída do gerador: zero (desprezível);

• BER na saída da NZDSF: 0,14289;

• BER na saída do amplificador: zero (desprezível).

Figura 41 – Diagrama de olho na saída do gerador de sinais.


69

Figura 42 – Diagrama de olho na saída da NZDSF.

Figura 43 – Diagrama de olho na saída do amplificador.

Assim, demonstra-se a dupla utilidade da MOF no sistema. Ressalta-se que nenhuma

fibra convencional poderia realizar a compensação da dispersão demonstrada.


70

5 CONCLUSÃO FINAL

A presente dissertação estudou teórica e numericamente o ganho Raman obtido em

uma MOF de baixa perda demonstrada experimentalmente, com diâmetro de núcleo

moderadamente pequeno. Altos valores de ganho líquido (> 10 dB) foram previstos em três

das principais regiões espectrais (bandas O, C e L), com uma fibra de 4 km de comprimento e

uma potência de bombeamento de 0,3 W. O uso de fibras mais longas demonstrou ser

benéfico, principalmente porque a perda na fibra não limita o desempenho no caso estudado.

O uso de 0,5 W de potência de bombeamento resulta em ganhos de pelo menos 25 dB nas

bandas previamente mencionadas.

Simulações de um apmplificador Raman baseado na MOF estudada confirmam os

valores de ganho obtidos e indicam que figuras de ruído próximas de 4 dB podem ser obtidas

em determinadas situações. Considerando ganho e figura de ruído, o melhor desempenho

obtido foi o de 4 km de comprimento de MOF e 500 mW de potência de bombeamento, tanto

na banda C quanto na banda O.

Um ponto interessante nestas MOFs é a alta dispersão anômala disponível em

toda a região espectral analisada. Esta funcionalidade pode ser explorada para projeto de

mapas de dispersão específicos em enlaces de fibra ou para compensação da dispersão na

região de 1300 nm, como demonstrado nesta dissertação. Para isso, foi simulado um circuito

óptico completo, onde se utilizou a MOF para amplificação e regeneração de um sinal de 10

Gbit/s transmitido através de uma NZDSF. O sinal regenerado apresentou níveis desprezíveis

de BER.
71

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4 1 1 pelo o
4 2 1 pelo o
4 3 1 pelo o
4 4 1 MsC M.Sc.
4 4 1 pelas as
4 5 2 MsC. M.Sc.
4 6 1 pelas as
4 7 1 pela as
4 8 2 pela as
4 9 1 MsC. M.Sc.
4 9 1 pelos os
4 9 3 pelas as
9 1 3 furos micro-capilares
10 2 4 lasers de diodo diodo-lasers
10 4 2 , e não da e da
13 2 6 buracos capilares
18 1 4 furos capilares
18 1 6 furos capilares
18 2 1 quantidade intensidade
18 2 1 furos capilares
18 3 1 quantidade intensidade
18 3 2 furos capilares
19 legenda 1 furos capilares
23 1 2 furos capilares
24 2 2 furos capilares
25 3 2 furos capilares
26 2 8 furos capilares
27 1 3 furos capilares
28 2 4 furos capilares
30 3 2 foi aquecida recebeu energia
30 3 4 é resfriada perde energia
44 Figura 17 - DWDM 51 canais 51 canais com espaçamento de 2 nm
baixa perda e comprimento de onda
46 legenda 2 baixa perda de bombeamento de 1229 nm
52 2 2 ISLAN ISLAM
2006), que tem pico de 2,45×10-3 W-
1
55 2 7 2006) .m-1 para 1453 nm
56 1 2 bandas C e L bandas C e L (1565-1625 nm)
59 2 2 furos capilares
60 1 2 furos capilares
60 2 1 modelamento modelagem
70 2 1 apmplificador amplificador
71 5 2 January janeiro
71 6 3 January janeiro
71 7 4 July julho
72 6 1 August agosto
76

72 7 4 January janeiro
72 9 2 March março
73 5 2 October outubro
73 8 2 August agosto
73 10 3 January janeiro
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