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Inquérito Policial: Conceitos e Procedimentos

Direito processual penal

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Inquérito Policial: Conceitos e Procedimentos

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1.

Introdução ao Inquérito Policial


 Conceito: O inquérito policial é um procedimento administrativo
conduzido pela polícia judiciária, com o objetivo de investigar infrações
penais e reunir elementos que permitam ao Ministério Público decidir
sobre o oferecimento de denúncia.
 Natureza Jurídica: Não é um processo judicial, pois não há contraditório
nem ampla defesa. Serve apenas para a colheita de indícios e provas
preliminares, preparando o caminho para uma eventual ação penal.

2. Competência para Conduzir o Inquérito


 Polícia Judiciária: É a principal responsável pela condução do inquérito,
conforme o Artigo 4º do Código de Processo Penal (CPP), que determina
que a polícia deve investigar infrações penais nas suas circunscrições.
 Outras Autoridades:
 Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI): Têm poderes de
investigação próprios das autoridades judiciais, conforme o Artigo
58, §3º da Constituição Federal, podendo apurar fatos determinados
e por prazo certo.
 Ministério Público: Pode conduzir investigações criminais, com
base no entendimento do STF, que considera essa competência
implícita na função constitucional do MP de defender a ordem
jurídica e os interesses sociais.

3. Características do Inquérito Policial


 Escrito: Todas as provas são documentadas por escrito, conforme o
Artigo 9º do CPP, garantindo a integridade e a preservação dos elementos
colhidos.
 Inquisitivo: Caracteriza-se pela ausência de contraditório e ampla
defesa, o que significa que as partes não participam ativamente da
produção de provas. Essa característica assegura a eficácia da
investigação preliminar.
 Dispensável: Não é condição indispensável para a ação penal. A ação
pode ser proposta se houver provas suficientes, independentemente do
inquérito, conforme a jurisprudência consolidada.
 Indisponível: O delegado não pode arquivar o inquérito; tal decisão cabe
ao juiz, mediante requerimento do Ministério Público. Isso assegura que a
decisão sobre a suficiência das provas e a necessidade de arquivamento
seja feita por órgão imparcial.

ARQUIVOU? AÍ CABE REVISÃO MINISTERIAL


INDEFERIU? AÍ CABE RECURSO PARA O CHEFE DE POLÍCIA
 👩‍⚖️Acompanhamento jurídico: Flávia foi acompanhada pelo advogado à
Autoridade Policial para noticiar crimes de apropriação indébita e fraude
processual supostamente cometidos por seu ex-marido.
 📝 Relato detalhado: Descrição da prática do crime, fornecimento de dados
qualificativos do suposto autor e apresentação de rol de testemunhas.
 📑 Documentação: Anexação de documentos pertinentes à materialidade
delitiva e indícios de autoria.
 🚫 Decisão da Autoridade Policial: Após cinco dias do registro, o Delegado
indeferiu a instauração do Inquérito Policial e determinou a suspensão do
procedimento, sem que qualquer ato de verificação tenha sido realizado.

 Sigiloso: O sigilo é necessário para proteger a eficácia da investigação e


o interesse público, mas não se aplica a partes essenciais do processo,
como o juiz, o Ministério Público, o investigado e seu advogado. O sigilo
parcial visa evitar a obstrução da justiça.

4. Início do Inquérito Policial


 Ação Penal Pública Incondicionada: Pode ser iniciada de ofício pelo
delegado, por requisição do juiz ou do MP, ou por requerimento da vítima.
Essa flexibilidade permite uma resposta rápida e eficaz às infrações
penais.
 Ação Penal Pública Condicionada à Representação: Depende da
representação da vítima para iniciar, como em casos de ameaça,
garantindo que a ação penal só prossiga com o interesse da vítima.
 Ação Penal Privada: Inicia-se mediante queixa da vítima, geralmente
em crimes de menor potencial ofensivo, como calúnia e difamação,
respeitando o direito à proteção da honra.

5. Denúncia Anônima
 Investigação Preliminar: Antes de instaurar o inquérito, o delegado
deve realizar diligências preliminares para verificar a veracidade da
denúncia anônima, evitando abusos ou investigações infundadas. É
importante que a denúncia tenha elementos que justifiquem a abertura de
um inquérito.

não é cabível a interceptação quando o ilícito apurado for punível com pena de detenção
 🕵️‍♂️Recebimento de denúncia anônima: Delegacia iniciou verificação
preliminar sobre atividades ilícitas de telecomunicações de Juca (pena:
detenção de 2 a 4 anos).
 🧑‍⚖️Inquérito policial: Foi instaurado inquérito para apuração dos fatos.
 📞 Interceptação telefônica: Delegado solicitou e juiz deferiu a
interceptação das comunicações telefônicas de Juca.
 ⚖️Defesa de Juca: O advogado(a) de defesa deve alegar a nulidade das
provas obtidas pela interceptação telefônica.

6. Providências Durante o Inquérito


 Provas e Diligências: O delegado pode coletar diversos tipos de provas,
como depoimentos, perícias e acareações, conforme o Artigo 6º do CPP,
que lista as medidas que podem ser adotadas logo após o conhecimento
do crime.
 Condução Coercitiva: Permitida para vítimas e testemunhas, mas não
para investigados, respeitando o direito ao silêncio e a não
autoincriminação, conforme o entendimento do STF.

7. Reconhecimento e Interrogatório
 Condução Coercitiva para Reconhecimento: O investigado pode ser
conduzido para fins de reconhecimento, mas não para interrogatório, pois
este último implicaria em autoincriminação, enquanto o reconhecimento é
apenas um procedimento de identificação.
⚖️Coisa Julgada Material
🔒 Decisão Imutável: O conteúdo da decisão se torna imutável e indiscutível.
🏛️Mérito: O que se torna imutável é o próprio mérito da decisão judicial.
EX: Certeza da atipicidade do fato;
Certeza da extinção da punibilidade

⚖️Coisa julgada formal


Refere-se à imutabilidade e indiscutibilidade da decisão judicial.
📑 Conteúdo: Trata de questões formais, como pressupostos processuais e condições da
ação.
EX: Ausência de provas
Justa causa - é um lastro probatório mínimo que deve dar suporte aos fatos narrados na
peça inicial de acusação
Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não
pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

 🔍 Inquérito policial concluído: Apuração do crime de homicídio contra


Jonas.
 📑 Arquivamento solicitado: O Ministério Público pediu o arquivamento por
falta de identificação dos autores.
 ⚖️Homologação judicial: O juiz competente homologou o arquivamento.
 🕵️‍♂️Nova testemunha: Testemunha não identificada anteriormente surge
com informações sobre o autor do crime.
 👨‍⚖️Ação do advogado: O advogado deve esclarecer à família que, com
novas provas, o Ministério Público pode reabrir o caso e dar continuidade às
investigações.

1. Conceito de Ação Penal

A ação penal é o meio pelo qual o Estado, através do Ministério Público ou


do ofendido, busca a aplicação do direito penal em relação a um fato
criminoso. Ela pode ser classificada em duas espécies principais:

 Ação Penal Pública: O titular é o Ministério Público (MP), que age


em nome da sociedade. A ação penal pública se divide em:
 Incondicionada: Não requer qualquer condição específica para ser
iniciada.
 Fundamento Legal: Artigo 129 da Constituição Federal de
1988.
 Condicionada: Depende de uma condição específica, como a
representação do ofendido.
 Fundamento Legal: Artigo 24 do Código de Processo Penal
(CPP).

 Ação Penal Privada: O titular é o ofendido ou seu representante


legal, que inicia o processo por meio de queixa-crime.
 Fundamento Legal: Artigos 30 a 32 do CPP.

2. Modalidades de Ação Penal Pública

 Incondicionada: Ação que pode ser iniciada independentemente


da vontade da vítima, desde que haja indícios de autoria e
materialidade.
 Exemplo Prático: Crimes como homicídio e roubo.
 Fundamento Legal: Artigo 24 do CPP.

 Condicionada: Necessita da representação da vítima ou de


requisição do Ministro da Justiça para ser iniciada.
 Exemplo Prático: Crimes de ameaça e lesão corporal leve.
 Fundamento Legal: Artigo 24 do CPP.

3. Princípios da Ação Penal Pública

 Obrigatoriedade: O MP deve promover a ação penal sempre que


houver elementos que a justifiquem.
 Exceções:
 Transação Penal: Prevista na Lei nº 9.099/1995, que
permite acordos em crimes de menor potencial ofensivo.

MUTATIO LIBELLI: MODIFICA O CONTEÚDO

EMENDATIO LIBELLI: MODIFICA A TRANSCRIÇÃO DO CONTEÚDO

Transação Penal: Cabe para os crimes de menor potencial ofensivo, com pena máxima de até
2 anos.

Tráfico de Drogas: Pena de 5 a 15 anos de reclusão e multa.

Posse de drogas para uso pessoal: Não prevê pena de detenção ou reclusão, somente
advertência sobre seus efeitos, prestação de serviços a comunidade e medida educativa.

Portanto, se o Juiz entendeu que as drogas eram para uso próprio, poderá encaminhar ao
Ministério Público, para análise e transação penal.

 👤 Caio: Primário e de bons antecedentes, sem envolvimento com a polícia ou


judicial.
 💊 Acusação: Denunciado por suposto crime de tráfico de drogas.
 🗣️Entrevista com o advogado: Confirma que as drogas seriam para uso
pessoal.
 ⚖️Consulta ao advogado: Pergunta sobre as consequências se o juiz aceitar
sua versão no interrogatório.
 📜 Orientação ao cliente: O advogado deve esclarecer que, se o juiz
acreditar que as drogas eram para consumo próprio, poderá decidir de forma
mais favorável a Caio.

 Acordo de Não Persecução Penal (ANPP): Previsto pela


Lei nº 13.964/2019, para crimes sem violência e com pena
mínima inferior a 4 anos.
 ⚖️Requisitos para celebrar o ANPP: O acusado não pode ter
condenação definitiva por outro crime nem estar respondendo por crime
doloso.
1. 🚫 Arthur: Não pode celebrar o ANPP, pois já foi definitivamente
condenado.
2. ✅ Bruno: Pode celebrar o ANPP, pois a condenação ainda não é
definitiva.
3. ❌ Fernanda: Não pode celebrar o ANPP, pois já cumpriu suspensão
condicional do processo por outro crime.
4. 🆗 Camille: Pode celebrar o ANPP, pois foi absolvida e o recurso do
Ministério Público ainda não foi julgado (sem antecedentes criminais)
5. 🧑‍⚖️Arthur: condenado definitivamente por furto simples em 2020; não
pode celebrar Acordo de Não Persecução Penal.
6. ⚖️Bruno: condenado, mas recorreu; não pode celebrar Acordo de Não
Persecução Penal (pois ainda há recurso pendente).
7. 🛑 Fernanda: aceitou suspensão condicional do processo, já cumprida;
pode celebrar Acordo de Não Persecução Penal.
8. ❌ Camille: absolvida, mas com recurso do Ministério Público pendente;
não pode celebrar Acordo de Não Persecução Penal.

 Indisponibilidade: O MP não pode desistir da ação uma vez


iniciada.

a representação será irretratável na hipótese, por já ter sido oferecida a denúncia


 🥊 Desentendimento e lesão: Michele dá um tapa em Flávia durante festa,
causando lesão corporal leve.
 🚔 Representação policial: Flávia registra o ocorrido e manifesta interesse
em representar contra Michele, devido à ação penal pública condicionada.
 📝 Encaminhamento ao Juizado: Após investigação, o caso vai ao Juizado
Especial, e o Ministério Público oferece transação penal, que Michele recusa.
 💔 Retratação: Flávia se arrepende e, por meio de seu advogado, expressa o
desejo de retratar-se, destacando que ainda não foi recebida a inicial
acusatória.

Exceção: Lei Maria da Penha

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta
Lei, só será admitida a desistência à representação perante o juiz, em audiência
especialmente designada com tal finalidade, ANTES DO RECEBIMENTO da
denúncia e ouvido o Ministério Público.
 Oficialidade: A ação é conduzida por um órgão oficial, garantindo
imparcialidade.
 Fundamento Constitucional: Artigo 129 da Constituição Federal.

 Intranscendência: Apenas o autor do crime pode ser processado


penalmente.
 Fundamento Legal: Princípio implícito no sistema penal, reforçado
pelo artigo 5º, XLV, da Constituição Federal.

4. Princípios da Ação Penal Privada

 Oportunidade: A vítima decide se deseja ou não iniciar a ação


penal.
 Exemplo Prático: Crimes contra a honra, como injúria e
difamação.

 Disponibilidade: A vítima pode desistir da ação a qualquer


momento.
 Fundamento Legal: Artigo 50 do CPP.

 Indivisibilidade: A ação deve ser promovida contra todos os


autores do crime.
 Exemplo Jurídico: Se duas pessoas caluniam uma terceira, a
queixa deve ser contra ambas.

 Intranscendência: Apenas o autor do crime pode ser processado,


não se estendendo aos herdeiros.

5. Espécies de Ação Penal Privada

 Propriamente Dita: Regra geral para crimes de ação penal


privada, como os crimes contra a honra.
 Fundamento Legal: Artigos 145 do Código Penal e 30 do CPP.
 Exemplo Prático: Calúnia, onde a vítima tem 6 meses para
oferecer a queixa.

 Personalíssima: Apenas a vítima pode oferecer a queixa, e se


morrer, extingue-se a punibilidade.
 Exemplo Jurídico: Induzimento a erro essencial no casamento.

 Subsidiária da Pública: Utilizada quando o MP não promove a


denúncia no prazo legal.
 Fundamento Legal: Artigo 29 do CPP.
 Exemplo Prático: Se o MP não oferece denúncia em um crime de
ação pública, a vítima pode apresentar queixa dentro de 6 meses.
1. Extinção da Punibilidade

A. Conceito Geral

 Extinção da Punibilidade: Refere-se à perda do direito do Estado de


aplicar a sanção penal ao agente que praticou o crime. Isso significa que,
por motivos previstos em lei, o Estado não pode mais punir o infrator.

B. Hipóteses de Extinção

1. Decadência:
 Conceito: Extinção do direito de punir devido à inércia da vítima
em exercer seu direito de queixa ou representação dentro de um
prazo legalmente estipulado.
 Prazo: Geralmente, o prazo é de 6 meses a partir do conhecimento
da autoria do crime, conforme o artigo 38 do Código de Processo
Penal (CPP).
 Exemplo Prático: Se uma pessoa é vítima de difamação, ela tem 6
meses desde que soube quem é o autor para apresentar queixa;
caso contrário, o direito de punir se extingue.

2. Renúncia:
 Definição: Desistência do direito de ação penal antes de sua
propositura, sendo um ato unilateral da vítima.
 Tipos de Renúncia:
 Expressa: Declaração clara da vítima de não pretender
processar.
 Tácita: Comportamentos que demonstram a intenção de não
processar, como reatar relações com o agressor.
 Importância Jurídica: A renúncia só é possível antes da ação
penal ser proposta.

3. Perdão do Ofendido:
 Definição: Desistência da vítima em continuar com a ação penal já
iniciada, requerendo aceitação do réu.
 Tipos de Perdão:
 Expresso: Declaração clara do ofendido de que deseja
perdoar.
 Tácito: Ações que indicam que a vítima não deseja prosseguir
com a ação.
 Relevância Jurídica: O perdão pode ser negado pelo réu, o que
impede a extinção da punibilidade.

4. Perempção:
 Conceito: Perda do direito de ação penal privada por inércia do
querelante, conforme o artigo 60 do CPP.
 Hipóteses de Ocorrência: Abandono do processo por 30 dias
consecutivos ou não comparecimento a atos processuais sem
justificativa.
 Exemplo Prático: Se o querelante não promove o andamento do
processo, a ação pode ser considerada perempta.

Incapaz
Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou
perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da
Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá determinar a substituição da pena
por medida de segurança

SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO

⚖️Suspensão condicional do processo: Medida do Direito Penal que visa anular


um processo criminal.
⏳ Pena mínima: A pena não pode ser superior a um ano.
🚫 Não responder a outro processo: O acusado não pode estar sendo processado
em outro caso.
📜 Proposta do Ministério Público: O MP deve sugerir a suspensão do processo.
🤝 Aceitação do réu e defensor: O réu e seu advogado devem concordar com a
proposta.
👨‍⚖️Homologação judicial: O juiz deve aprovar o acordo.

NÃO se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA


 🏛 Suspensão condicional da pena (sursis): Benefício que suspende a
execução da pena privativa de liberdade, com objetivo de ressocialização.
 🕊️Objetivo: Evitar os efeitos colaterais da prisão, como perda de emprego
e marginalização social.
 ⚖️Requisitos para concessão:
 Pena não superior a 2 anos
 Réu primário em crime doloso
 Consideração de culpabilidade, antecedentes, conduta social e
personalidade
 Motivos e circunstâncias do delito devem permitir concessão
 Não ser possível substituir a pena por restritiva de direitos
 🚫 Revogação do sursis: Pode ser revogado se o condenado descumprir
as condições ou for condenado a outra pena.
 ✅ Extinção da pena: Caso o sursis não seja revogado antes do prazo, a
pena é extinta.

2. Crimes contra a Honra

A. Tipos de Crimes

1. Injúria: Atribuição de qualidade negativa à honra subjetiva da


vítima.
 Exemplo: Chamar alguém de "incompetente" em público.

2. Difamação: Imputação de um fato ofensivo à reputação da vítima,


mesmo que verdadeiro.
 Exemplo: Divulgar que uma pessoa foi demitida por roubo, ainda
que o fato seja verdadeiro.

3. Calúnia: Imputação falsa de fato definido como crime.


 Exemplo: Acusar alguém de furto sabendo que a pessoa não
cometeu tal crime.
B. Ação Penal nos Crimes contra a Honra

 Regra Geral: A ação penal é privada, ou seja, a vítima deve apresentar


queixa-crime.
 Exceções:
 Crimes contra Presidente ou Chefe de Governo Estrangeiro: Ação
pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça (art. 141, II
do Código Penal).
 Injúria Racial: Ação pública condicionada à representação, conforme
a Lei nº 7.716/1989.

🏛️Ação penal por crime contra a honra de servidor público pode ser proposta
por:
👨‍⚖️O ofendido, mediante queixa.
⚖️O Ministério Público, condicionado à representação do ofendido.
Magda é servidora pública federal, trabalhando como professora em instituição de Ensino
Superior mantida pela União no Estado do Rio de Janeiro.

3. Crimes de Lesão Corporal

A. Tipos de Lesão

1. Culposa: Lesão causada por imprudência, negligência ou imperícia,


sem intenção de causar dano.
 Exemplo: Acidente de trânsito causado por distração.

2. Dolosa: Lesão intencional ou quando o agente assume o risco de


produzir o resultado.
 Exemplo: Agressão física em uma briga.

B. Ação Penal nos Casos de Lesão Corporal

 Lesão Culposa e Dolosa Leve: Ação pública condicionada à


representação, exigindo manifestação da vítima.
 Lesão Dolosa Grave e Gravíssima: Ação pública incondicionada,
podendo o Ministério Público iniciar o processo independentemente da
vontade da vítima.

C. Exceções Importantes

 Lesão Corporal em Violência Doméstica: Conforme a Lei Maria da


Penha (Lei nº 11.340/2006), a ação é pública incondicionada, assegurando
proteção à mulher.
 Lesão Culposa no Trânsito com Agravantes: Ação pública
incondicionada se o motorista estiver embriagado ou participando de
racha, conforme o Código de Trânsito Brasileiro.

4. Reparação do Dano

A. Formas de Reparação

1. Execução Civil da Sentença Penal Condenatória:


 Procedimento: Após a condenação penal transitada em julgado, a
vítima pode executar a sentença no juízo civil para reparação dos
danos.
 Artigo 63 do CPP: A sentença penal condenatória deve fixar um
valor mínimo para reparação do dano.

2. Ação Civil Ex Delicto:


 Definição: A vítima pode ajuizar esta ação antes da conclusão do
processo penal para buscar reparação do dano.
 Exceções após Absolvição Penal: A ação civil ex delicto é
impedida se a absolvição penal for por inexistência do fato ou por
causa de exclusão da ilicitude, como legítima defesa.

Conceito de Questões Prejudiciais

1. Definição

 Questões Prejudiciais: São questões de mérito que precisam ser


resolvidas antes do julgamento da matéria principal em um
processo penal. Essas questões são chamadas "prejudiciais" porque
a decisão sobre elas pode influenciar significativamente o resultado
do processo principal.
 Distinção entre Prejudiciais e Preliminares:
 Questões Prejudiciais: Tratam de fatos ou direitos materiais que,
se não forem resolvidos, impedem o julgamento do mérito principal.
Elas têm a ver com a substância do direito em disputa.
 Questões Preliminares: Envolvem questões processuais que
precisam ser resolvidas antes de qualquer julgamento sobre o
mérito, como a validade do processo ou a competência do tribunal.

2. Classificações

a) Total ou Parcial

 Questão Prejudicial Total:


 Exemplo: No crime de furto, a questão sobre a propriedade do bem
subtraído. Se a coisa não for "alheia", não configura crime de furto
(art. 155 do Código Penal). A decisão sobre a propriedade pode
determinar a existência ou inexistência do crime.
 Importância: A resolução dessa questão pode determinar a
existência ou inexistência do crime, impactando diretamente a
continuidade do processo penal.

 Questão Prejudicial Parcial:


 Exemplo: Relação de parentesco no crime de homicídio (art. 61 do
Código Penal). O parentesco não anula o crime, mas pode agravar a
pena.
 Importância: Embora não influencie na tipicidade do crime, afeta a
dosimetria da pena, sendo crucial para a determinação da punição
adequada.

b) Homogênea ou Heterogênea

 Questão Prejudicial Homogênea:


 Exemplo: Em um processo de receptação, a verificação se o bem é
produto de crime (ambas as questões são de natureza penal).
 Importância: A questão homogênea tem a mesma natureza
jurídica da matéria principal e pode ser julgada no mesmo âmbito,
facilitando o processo.

 Questão Prejudicial Heterogênea:


 Exemplo: Discussão sobre a validade de um contrato civil que
pode impactar um processo penal por fraude.
 Importância: Essas questões têm natureza diversa da matéria
principal e geralmente requerem julgamento em foro distinto (por
exemplo, civil), podendo levar à suspensão do processo penal até a
resolução.

c) Obrigatória ou Facultativa

 Questão Prejudicial Obrigatória (Artigo 92 do CPP):


 Requisitos:
 Totalidade: Deve interferir na existência do crime.
 Seriedade e Fundamentação: A questão deve ser
considerada séria e bem fundamentada pelo juiz.
 Estado Civil: Deve versar sobre o estado civil das pessoas.
 Consequências:
 O processo penal é suspenso até que a questão seja decidida
no juízo competente, geralmente civil.
 Permite-se a produção de provas urgentes para garantir a
preservação de evidências.

 Questão Prejudicial Facultativa (Artigo 93 do CPP):


 Requisitos:
 Totalidade: Interfere na existência do crime.
 Não Versa sobre Estado Civil: Diferente das obrigatórias.
 Ação Civil Preexistente: A ação civil já deve ter sido
ajuizada e a questão deve ser de difícil solução.
 Consequências:
 O juiz pode optar por suspender o processo penal, mas não é
obrigado.
 A produção de provas urgentes também é determinada,
garantindo que as evidências necessárias sejam preservadas.

Exemplos Práticos e Análise Crítica

Exemplos Fornecidos:

 Questão Prejudicial Total: Propriedade no crime de furto, onde a


decisão sobre a propriedade do bem é crucial para determinar a
tipicidade do ato.
 Questão Prejudicial Parcial: Parentesco no crime de homicídio,
que influencia a pena, mas não a existência do crime.

Análise Crítica:

 Importância no Sistema de Justiça:


 As questões prejudiciais garantem que as decisões judiciais se
baseiem em fatos e direitos corretamente estabelecidos,
prevenindo erros judiciários.
 Elas asseguram que o julgamento do mérito principal seja justo e
baseado em uma compreensão completa do caso.

 Eficiência Processual:
 A correta identificação e resolução de questões prejudiciais podem
evitar a anulação de julgamentos futuros e promover um sistema
judicial mais eficiente e justo.
1. Conceito de Competência no Processo Penal
 Definição Detalhada: Competência refere-se à autoridade atribuída a
um tribunal ou juiz para julgar e decidir sobre casos específicos. É
essencial para assegurar que cada caso seja tratado por uma jurisdição
qualificada e apropriada.
 Fundamentação Jurídica: A competência é regulada por princípios
constitucionais e processuais, como a Constituição Federal e o Código de
Processo Penal (CPP), garantindo a ordem jurídica e a eficiência do
sistema judicial.
 Importância Prática: Evita conflitos de jurisdição e garante que o
julgamento seja realizado por um tribunal com o conhecimento e a
autoridade adequados, promovendo a confiança na justiça.

2. Espécies de Competência

 Competência de Justiça ou Jurisdição:


 Objetivo Detalhado: Determina qual ramo da justiça tem
autoridade para julgar um caso, com base na natureza do conflito
(ex. Federal, Estadual, Militar, Trabalho).
 Exemplo Jurídico: A Justiça Federal lida com casos que envolvem
interesses da União, enquanto a Justiça Estadual trata de questões
locais, conforme o artigo 109 da Constituição.

Súmula 42 do STJ: Compete a JUSTIÇA ESTADUAL processar e julgar crimes contra


sociedade de economia mista (Correios e Banco do Brasil)
Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos
de competência federal e estadual
 Furto na Caixa Econômica Federal (Art. 155): Caio subtraiu dinheiro e
bens públicos. 🏦
 Roubo de veículo (Art. 157): Ao fugir, subtraiu o carro de Cláudia, com
grave ameaça. 🚗
 Receptação (Art. 180): Caio estava com celular de crime anterior,
encontrado na prisão. 📱
 Conexão entre crimes: Furto, roubo e receptação são crimes conectados. 🔗
 Vara Criminal competente

 Competência Hierárquica ou por Prerrogativa de Função:


 Definição Detalhada: Refere-se à organização dos tribunais em
diferentes níveis hierárquicos, onde certos cargos ou funções
públicas têm direito a serem julgados por instâncias superiores.
 Exemplo Jurídico: Deputados e senadores são julgados pelo
Supremo Tribunal Federal (STF), conforme previsto no artigo 53 da
Constituição Federal.

SUSTAÇÃO DO PROCESSO : Suspende o prazo de prescrição do crime ou delito, enquanto


durar o mandato do parlamentar
📜 Denúncia recebida: STF recebe denúncia contra Senador ou Deputado por
crime após a diplomação.
🏛️Comunicação à Casa: STF informa à Casa legislativa correspondente.
🗳️Suspensão da ação: A Casa pode sustar o andamento da ação, se solicitado por
partido político.
🧑‍💼 Votação: A decisão depende do voto da maioria dos membros da Casa.
⏳ Até a decisão final: A ação pode ser suspensa até que haja uma decisão final.
 🕵️‍♂️Investigação do MP: Identificação de senador como autor de crime de
concussão durante o mandato.
 📅 Crime após diplomação: O crime teria ocorrido após a diplomação do
senador.
 ⚖️Indiciamento: O senador foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os
fatos.
 🗣️Direito de esclarecimento: O senador foi informado de que poderia se
manifestar se desejasse.
 👨‍⚖️Busca por aconselhamento: Preocupado com as consequências, o
senador procurou seu advogado.

 Competência Territorial:
 Objetivo Detalhado: Localiza geograficamente o foro competente
para julgar o caso, geralmente baseado no local onde o fato
ocorreu.
 Exemplo Jurídico: O Código de Processo Penal estabelece que o
foro competente é normalmente o do lugar onde o crime foi
consumado (artigo 70 do CPP), salvo algumas exceções.

 Competência de Juízo:
 Finalidade Detalhada: Após definir a justiça, instância e foro, a
competência de juízo define a vara específica que julgará o caso,
com base em critérios como a matéria e o valor da causa.
 Exemplo Jurídico: Dentro de uma comarca, existem varas
especializadas para julgar causas de família, criminais ou cíveis,
conforme a organização judiciária local.
3. Competência da Justiça do Trabalho

 Limites e Exceções Detalhadas:


 A Justiça do Trabalho não tem competência penal, ou seja, não julga
crimes, mas pode decidir sobre questões trabalhistas e ações
constitucionais como Habeas Corpus relacionadas ao trabalho.
 Exemplo Prático: Um trabalhador que se sente preso a um
contrato de trabalho pode utilizar um Habeas Corpus para garantir
sua liberdade de locomoção em casos específicos.

 Fundamento Constitucional: A competência da Justiça do


Trabalho é definida pela Constituição Federal, artigo 114, que
delimita sua atuação às relações de trabalho e questões
diretamente relacionadas.

4. Competência da Justiça Militar

 Definição de Crimes Militares:


 Fundamento Jurídico: Conforme o Código Penal Militar, artigo 9º,
crimes militares são aqueles que violam a hierarquia e a disciplina
das Forças Armadas, entre outros.
 Julgamento de Civis: Civis podem ser julgados pela Justiça Militar
se cometerem crimes que afetam diretamente interesses militares,
como espionagem ou sabotagem a instalações militares.

 Conexão de Crimes:
 Exemplo Prático: Se um crime militar está relacionado a um crime
comum, eles são julgados separadamente: o crime militar pela
Justiça Militar e o crime comum pela Justiça Comum.

 Crimes Dolosos contra a Vida:


 Mudança Legislativa (2017): Determina que crimes dolosos
contra a vida cometidos por militares contra civis são julgados pelo
Tribunal do Júri, exceto para militares das Forças Armadas em
serviço.

5. Competência da Justiça Eleitoral

 Fundamento Legal Detalhado:


 Código Eleitoral: Apesar de ser uma lei ordinária, as disposições
sobre competência foram recepcionadas como se fossem de lei
complementar, garantindo sua aplicação conforme a Constituição.

 Atribuições Específicas:
 A Justiça Eleitoral julga crimes eleitorais e os crimes conexos,
atraindo para si a competência para julgar todos os crimes
relacionados ao processo eleitoral em um mesmo procedimento.
 Exceções e Exemplos Detalhados:
 Crimes eleitorais praticados por prefeitos são julgados pelo Tribunal
Regional Eleitoral (TRE), enquanto crimes de governadores são
julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme a
hierarquia e a prerrogativa de função.

6. Considerações Finais
 Importância do Estudo da Competência:
 Compreender a competência é crucial para a correta aplicação da
justiça e para que advogados possam defender adequadamente
seus clientes.
 Relevância Prática:
 O conhecimento sobre competência permite uma defesa mais
precisa e fundamentada, evitando nulidades processuais e
garantindo o devido processo legal.

1. Competência por Prerrogativa de Função

 Definição e Justificativa:
 A competência por prerrogativa de função é um mecanismo que
visa proteger a função pública exercida por certos cargos,
permitindo que agentes políticos sejam julgados em tribunais
superiores. Essa proteção é essencial para assegurar que as
funções do Estado não sejam comprometidas por julgamentos em
primeira instância, que podem ser influenciados por pressões locais
e contextos políticos adversos.

 Base Legal:
 Prevista na Constituição Federal, especialmente no artigo 53, que
assegura que parlamentares sejam julgados pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) em casos de crimes comuns. Essa previsão busca
garantir um julgamento mais imparcial e técnico, afastando
influências locais que poderiam comprometer a justiça.

 Exemplos Práticos:
 Um prefeito acusado de corrupção é julgado pelo Tribunal de
Justiça do Estado. Se a acusação for de crime eleitoral, o
julgamento cabe ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que
possui especialização em questões eleitorais.
 Um senador envolvido em um escândalo de desvio de verbas
federais será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF),
refletindo a gravidade e a relevância do cargo.

Queixa crime contra Carlos - levando a competência para processamento e julgamento à Vara
Criminal (e não ao Juizado Especial_ art. 61 da Lei 9.099). Carlos não possui foro por
prerrogativa de função.

Exceção da verdade contra Tício

Será julgada pelo STJ, já que Tício é desembargador e possui foro por prerrogativa de função

 Carlos, advogado em Campinas: Afirmou que o desembargador Tício


exigiu R$ 50.000,00 para proferir voto favorável em processo criminal.
 ⚖️Acusação de calúnia: Tício, ao saber da conversa, apresentou queixa-
crime contra Carlos, acusando-o de calúnia majorada (Art. 138 c/c Art. 141, II,
CP).
 📜 Pena prevista: A calúnia majorada pode resultar em pena de 6 meses a 2
anos e multa, aumentada em 1/3.
 🛡️Exceção da verdade: Carlos pretende provar que sua afirmação era
verdadeira, apresentando exceção da verdade, e busca orientação jurídica
para adotar as medidas cabíveis.

- STJ “Compete à Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba
sujeita a prestação de contas perante órgão federal.”

 Críticas ao Foro Privilegiado:


 O foro privilegiado é frequentemente criticado por ser visto como
um escudo que protege políticos de julgamentos justos e céleres,
resultando em processos mais lentos e, por vezes, em impunidade.
Esse mecanismo pode gerar desigualdade no tratamento judicial
entre cidadãos comuns e autoridades, reforçando a percepção de
que a justiça não é igual para todos.

2. Competência Territorial

 Regra Geral:
 A competência territorial é determinada pelo local onde o crime se
consumou. Para crimes como homicídio, o julgamento ocorre onde a
vítima faleceu, mesmo que a ação que levou ao resultado tenha
ocorrido em outro lugar.
 Artigo 70 do CPP: "A competência será, de regra, determinada
pelo lugar em que se consumar a infração."

 Exceções:
 Lei 9.099/95: Nos juizados especiais criminais, a competência é
pelo local da conduta, priorizando o acesso à justiça e a celeridade
processual, facilitando a resolução de conflitos menores.
 Jurisprudência: Em casos onde a maior parte das provas e
testemunhas está no local da conduta, a competência pode ser
transferida para esse local, mesmo que o resultado ocorra em outro
lugar, para garantir uma melhor instrução do processo.

 Casos de Crime à Distância:


 Artigo 70 §1º do CPP: Em crimes onde a conduta e o resultado
ocorrem em locais diferentes, a competência pode ser determinada
pelo último ato de execução no Brasil, permitindo que o tribunal
mais próximo da ação tenha jurisdição sobre o caso.

3. Competência de Juízo

 Definição:
 A competência de juízo refere-se a qual vara ou seção do tribunal é
responsável pelo julgamento de um caso específico. É crucial para a
organização judiciária e para evitar conflitos de competência,
garantindo que os casos sejam tratados por juízes com a
especialização adequada.

 Exemplo de Varas Especializadas:


 Vara do Júri: Julga crimes dolosos contra a vida, como homicídio.
No entanto, não julga crimes como latrocínio (roubo seguido de
morte), que é considerado crime contra o patrimônio e tratado em
varas criminais comuns.
 Crimes Conexos: Quando crimes relacionados são julgados juntos,
como no caso de homicídio e ocultação de cadáver, que podem ser
interligados em um único processo, evitando decisões
contraditórias.

4. Competência nos Crimes de Ação Penal Privada


 Escolha pelo Querelante:
 A vítima ou seu representante legal tem a prerrogativa de escolher
onde processar o acusado, podendo optar pelo local do resultado ou
pelo domicílio do acusado. Essa flexibilidade é importante para
facilitar o acesso à justiça e garantir que a vítima possa escolher o
foro mais conveniente, promovendo uma maior efetividade no
processo penal.
5. Inovações e Atualizações
 Crime de Estelionato por Cheque Sem Fundo:
 A partir de 2021, a competência para julgar este tipo de crime
passou a ser pelo domicílio da vítima. Essa mudança reflete um
esforço para proteger mais eficazmente os direitos das vítimas e
evitar a multiplicação de processos em locais diferentes,
concentrando-os no foro mais conveniente para a parte lesada.

alegar, desde que seja procurador com poderes especiais, a falsidade do documento
para fins de instauração de incidente de falsidade.
. A argüição de falsidade, feita por procurador, exige poderes especiais

 🧑‍⚖️Acusação: Luiz foi denunciado por estelionato.


 📑 Documento apresentado: O ofendido apresentou um documento
supostamente assinado por Luiz, confirmando a prática do crime.
 ❌ Contestação: Luiz informou ao seu advogado que tinha certeza de que o
documento era falso, pois não foi ele quem assinou.

Considerações Finais

A correta aplicação das regras de competência é fundamental para o


devido processo legal. Ela garante que os casos sejam julgados no foro
adequado, respeitando direitos constitucionais e evitando nulidades
processuais. A compreensão aprofundada dessas regras ajuda a promover
um sistema judicial mais justo e eficiente, essencial para a confiança da
sociedade na justiça.

1. Prova Ilícita

 Definição e Fundamento Legal:


 Constituição Federal (Art. 5º, LVI): As provas obtidas por meios
ilícitos são inadmissíveis no processo.
 Código de Processo Penal (CPP, Art. 157): Esclarece que as
provas obtidas de forma ilícita devem ser desentranhadas do
processo e inutilizadas, garantindo a proteção dos direitos
fundamentais.

 Características:
 Uma prova é considerada ilícita quando sua obtenção viola direitos
fundamentais, como a privacidade e a liberdade.
 Exemplos de Provas Ilícitas:
 Interceptação telefônica sem autorização judicial.
 Busca e apreensão sem mandado judicial.

 Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada:


 Fundamento: Se uma prova é obtida de forma ilícita, todas as
provas que dela derivam também são consideradas ilícitas.
 Aplicação no CPP: Art. 157, §1º, que trata da contaminação das
provas derivadas, assegurando a inadmissibilidade das provas que
dependem de uma prova ilícita.

2. Exame de Corpo de Delito

 Obrigatoriedade:
 CPP, Art. 158: O exame de corpo de delito é obrigatório em
infrações que deixam vestígios. Este exame não pode ser
substituído pela confissão do acusado, garantindo a objetividade da
prova.
 Exceções: Quando os vestígios são inexistentes ou desapareceram,
a prova testemunhal pode suprir a falta (Art. 167 do CPP).

 Aplicação Prática:
 Infrações com Vestígios: Homicídios, furto com arrombamento,
onde a coleta de evidências é vital para a elucidação do crime.
 Infrações sem Vestígios: Furto simples, onde não há vestígios
materiais a serem examinados, podendo depender mais de
testemunhas.

3. Papel do Perito

 Tipos de Peritos:
 Perito Oficial: Nomeado pelo juiz, geralmente um especialista
registrado em sua área.
 Peritos Não Oficiais: Podem ser utilizados na ausência de um
perito oficial, desde que aceitos pelas partes e pelo juiz.

 Funções e Procedimentos:
 Laudo Pericial: Deve ser entregue em um prazo razoável. A não
entrega no prazo não gera sanção, mas pode atrasar o processo.
 Quesitos Complementares: O perito pode esclarecer pontos
adicionais mediante quesitos apresentados pelas partes, com
antecedência mínima de 10 dias antes da audiência, garantindo que
todas as dúvidas sejam abordadas.

 Decisão sobre Laudo ou Depoimento: O juiz decide se o perito


apresentará um laudo escrito ou comparecerá para depoimento em
audiência, conforme a necessidade do caso.

4. Cadeia de Custódia

 Definição:
 CPP, Art. 158-A e Seguintes: Trata da história cronológica do
vestígio, desde a coleta até a apresentação em juízo, assegurando
que as provas não sejam adulteradas.

 Importância:
 Garante a integridade e a autenticidade dos vestígios, essencial
para a credibilidade das provas apresentadas.
 Procedimentos:
 Isolamento da área do crime para evitar contaminação.
 Controle rigoroso sobre quem tem acesso aos vestígios.
 Recolhimento e armazenamento conforme normas técnicas,
como a utilização de embalagens adequadas.

 Consequências da Violação: A quebra da cadeia de custódia


pode resultar em nulidade relativa, comprometendo a validade da
prova no processo, o que pode levar à absolvição do réu.

5. Interrogatório

 Condução Coercitiva:
 O Supremo Tribunal Federal vedou a condução coercitiva para fins
de interrogatório, considerando-a inconstitucional, exceto para
testemunhas e vítimas, protegendo assim os direitos do réu.

 Ordem dos Atos da Audiência:


 Estabelecida para garantir a defesa e a ampla oportunidade de
apresentação de provas e argumentos. A violação dessa ordem
pode levar a nulidade relativa do ato processual, prejudicando o
andamento do processo.

 Direito ao Silêncio:
 O réu tem o direito de permanecer em silêncio e não ser obrigado a
responder perguntas que possam incriminá-lo, conforme o princípio
da não autoincriminação.
 Silêncio Parcial: Permite que o réu escolha responder apenas
perguntas de seu advogado, prática aceita pela jurisprudência do
STF e STJ, garantindo um equilíbrio entre defesa e acusação.

1. Confissão

 Retratabilidade da Confissão:
 A confissão é considerada retratável, permitindo ao acusado mudar
sua declaração ao longo do processo. Isso reflete o direito à ampla
defesa e ao contraditório, garantindo que a pessoa possa reavaliar
sua posição, especialmente se a confissão foi feita sob pressão ou
sem pleno conhecimento das consequências.
 Exemplo Prático: Um acusado pode confessar um crime durante o
inquérito policial, mas, ao ser assistido por um advogado, pode
optar por se retratar em juízo, apresentando uma nova versão dos
fatos.

 Divisibilidade da Confissão:
 A confissão é divisível, permitindo que o acusado admita
parcialmente os fatos. Por exemplo, em um caso com múltiplas
acusações, o réu pode confessar apenas uma delas.
 Exemplo Prático: Um acusado de roubo e agressão pode
confessar apenas o roubo, negando a agressão. Isso pode
influenciar a análise do juiz sobre a credibilidade e a extensão da
confissão.

 Súmulas do STJ:
 Súmula 545: Determina que a confissão, quando existente, é uma
circunstância atenuante na aplicação da pena, conforme o artigo
65, inciso III, alínea "d" do Código Penal. Essa atenuante pode
reduzir a pena, mas não abaixo do mínimo legal.
 Súmula 630: No contexto do tráfico de drogas, para que a
confissão seja considerada atenuante, é necessário que o acusado
admita a posse e a intenção de traficar. Apenas admitir a posse não
é suficiente.
2. Prova do Ofendido (Vítima)

 Condução Coercitiva:
 A condução coercitiva do ofendido é permitida se ele faltar sem
justificativa. Isso assegura que a justiça tenha acesso a
depoimentos cruciais para o esclarecimento dos fatos.
 Exemplo Prático: Se uma vítima de furto não comparecer à
audiência sem motivo, o juiz pode ordenar sua condução coercitiva
para garantir seu depoimento.

 Indeferimento da Oitiva:
 O juiz pode indeferir a oitiva do ofendido se considerar que seu
depoimento não é relevante ou necessário, desde que justifique
essa decisão.
 Exemplo Prático: Em um caso onde a vítima já forneceu
depoimento claro e consistente em outras fases do processo, o juiz
pode dispensar sua nova oitiva para agilizar o processo.

3. Prova Testemunhal

 Testemunha Dispensada (Artigo 206 do CPP):


 Pessoas com relação de parentesco com o acusado podem ser
dispensadas de testemunhar para evitar conflitos de interesse e
assegurar imparcialidade.
 Exemplo Prático: Um pai chamado a testemunhar contra seu filho
em um caso de roubo pode ser dispensado para evitar um
depoimento parcial.

 Testemunha Proibida (Artigo 207 do CPP):


 Profissionais que possuem dever de sigilo, como médicos e
advogados, são proibidos de testemunhar sobre informações
protegidas, a menos que o sigilo seja expressamente dispensado
pelo beneficiário.
 Exemplo Prático: Um psicólogo não pode revelar informações
obtidas em sessões de terapia, a menos que o paciente consinta e o
juiz autorize.

 Cross Examination:
 Este método permite que ambas as partes (acusação e defesa)
questionem a testemunha diretamente para testar a veracidade e a
consistência de seus depoimentos. A ordem correta do
interrogatório deve ser respeitada para garantir um julgamento
justo.
 Exemplo Prático: Durante o julgamento, a acusação questiona a
testemunha sobre detalhes do crime, seguida pela defesa que
busca esclarecer ou contestar as informações apresentadas.
4. Prisão

 Audiência de Custódia:
 A audiência de custódia garante que o preso seja apresentado
rapidamente a um juiz, que avalia a legalidade da prisão e se houve
maus-tratos. É um mecanismo importante para prevenir abusos e
garantir direitos fundamentais.
 Exemplo Prático: Um detido por suspeita de roubo é levado à
audiência de custódia, onde o juiz verifica se a prisão foi legalmente
efetuada e se o detido foi tratado humanamente.

 Prisão em Flagrante:
 Modalidades (Artigo 302 do CPP):
 Flagrante Próprio: Ocorre quando a pessoa é capturada
cometendo ou imediatamente após cometer o crime.
 Flagrante Impróprio: Quando a pessoa é perseguida logo
após cometer o crime e presa durante a perseguição.
 Flagrante Presumido: Quando a pessoa é encontrada logo
depois do crime com objetos que a incriminem.

Sujeito Ativo do crime de Receptação NUNCA pode ser o autor do crime anterior!

Sobre o flagrante, ele foi "pego" na semana seguinte.


será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena
privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos;
 👨‍⚖️Fato: André subtraiu o computador de Gustavo enquanto ele estava
distraído em via pública.
 📅 Data: O furto ocorreu numa sexta-feira e a descoberta foi feita na terça-
feira seguinte.
 🎥 Evidência: Gustavo identificou André por meio de câmeras de vigilância.
 🚔 Ação policial: Gustavo acionou a Polícia Civil, que encontrou o computador
com André em via pública.
 ⚖️Crime: André foi preso em flagrante por receptação, na modalidade
"conduzir" produto de furto.
 ⏳ Pena: As penas para furto e receptação variam de 1 a 4 anos.

A prisão de Jairo era ilegal, pois, ainda que fosse, inicialmente, uma situação de quase-
flagrante (ou flagrante imprópio), a perseguição foi encerrada em Toledo, tanto que os
policiais militares se dirigiram à Delegacia de Polícia do município para confecção do
Boletim de Ocorrência. Restava cessada a situação a caracterizar um flagrante delito.
Posterior prisão cautelar somente caberia por ordem judicial.

 🚔 Roubo e perseguição: Policiais militares avistaram Jairo roubando um


carro em Toledo (PB) e o perseguiram por 28 horas.
 📞 Informação sobre a localização: A Delegacia de Toledo recebeu uma
ligação do lesado, Luiz, informando que Jairo estava em um bar em Córdoba
(PB) com o carro roubado.
 🍻 Prisão em flagrante: Jairo foi encontrado no bar, portando apenas
documentos e dinheiro, negando o crime. Foi preso em flagrante e o auto de
prisão foi lavrado com base na quase flagrante.
 📝 Reconhecimento: Os policiais que o perseguiram e o lesado reconheceram
Jairo como autor do crime.
 ⚖️Fundamento para a liberdade: Na audiência de custódia, o advogado
pode argumentar que a prisão de Jairo foi realizada sem flagrante efetivo,
pois a diligência não foi concluída no momento da prisão e o Boletim de
Ocorrência ainda não foi finalizado, além de não haver indícios suficientes de
crime em flagrante para justificar a manutenção da prisão.

 Duração e Legalidade: A perseguição deve ser contínua para que


a prisão em flagrante seja legal. Interrupções quebram o estado de
flagrância.
 Exemplo Prático: Se a polícia persegue um suspeito de roubo,
mas perde seu rastro e só o encontra dias depois, a prisão não é
mais em flagrante.

5. Considerações Finais
 Prisão de Ofício e Artigo 282 do CPP:
 Prisões preventivas não podem ser decretadas sem requerimento
do Ministério Público ou representação do delegado, conforme o
artigo 282 do CPP. Isso assegura que o poder de prender seja
exercido com parcimônia e supervisão adequada.
1. Prisão em Flagrante

1.1. Flagrante Preparado

 Definição: É a situação em que a autoridade policial induz ou provoca o


indivíduo a cometer um delito que, de outra forma, não seria praticado
sem essa intervenção. Esse tipo de flagrante é considerado um "crime
impossível" porque a intenção criminosa é artificialmente criada pela
polícia.
 Validade Jurídica: A jurisprudência brasileira considera que o flagrante
preparado não é válido, pois retira a espontaneidade do ato criminoso,
infringindo o princípio da não autoincriminação.
 Exemplo Prático: Se um policial finge ser um comprador de drogas e
instiga alguém a vender-lhe substâncias ilícitas apenas para prendê-lo,
essa prisão pode ser considerada inválida.

1.2. Flagrante Esperado/ esperado

 Definição: Ocorre quando a polícia tem conhecimento prévio de um crime


iminente e aguarda o momento da sua execução para efetuar a prisão.
Não há qualquer tipo de intervenção ou provocação por parte das
autoridades.
 Validade Jurídica: Este tipo de flagrante é considerado válido porque não
há violação da vontade do agente; a ação da polícia é meramente
preventiva e de vigilância.
 Exemplo Prático: A polícia intercepta comunicações e descobre que um
indivíduo planeja transportar drogas. Os policiais observam e prendem o
indivíduo no ato da aquisição ou transporte das substâncias.

organização criminosa) – não precisa ter autorização judicial, precisa ter somente a
comunicação judicial e ministerial.
 📞 Escuta telefônica: Policiais investigam organização criminosa de
contrabando de armas.
 💼 Informação crucial: Marcelo receberia grande quantidade de armamento
para repassar a Daniel, chefe da facção.
 🚔 Ação policial: Policiais vão ao local combinado, informam à autoridade
policial e aguardam o encontro de Marcelo com Daniel.
 🔫 Entrega das armas: Marcelo repassa as armas contrabandeadas a Daniel.
 ⚖️Prisões: Ambos são presos em flagrante pelos policiais que monitoravam a
operação.
 🏛️Defesa legal: Os presos contatam um advogado para questionar a
validade das prisões.
2. Prisão Preventiva
caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do
querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.

, impedindo que o juiz decrete prisão preventiva sem qualquer pedido

2.1. Aplicabilidade

 Crimes Dolosos: Prevista no Art. 312 do Código de Processo Penal, a


prisão preventiva é decretada para crimes dolosos, ou seja, aqueles
cometidos com intenção.
 Exemplo: No caso de um motorista que intencionalmente atropela
alguém, a prisão preventiva pode ser decretada para garantir a ordem
pública, especialmente se houver risco de fuga ou reiteração do crime.

A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou
pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa

admitida a decretação da prisão preventiva:

III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,


adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das
medidas protetivas de urgência

, será admitida a decretação da prisão preventiva:

I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4
(quatro) anos;

II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado
(reincidência

2.2. Artigo 312 do CPP

 Garantia da Ordem Pública:


 Reiteração de Condutas Criminosas: Avaliada pela existência de
antecedentes criminais ou processos pendentes, mas não pode ser
usada para aumentar penas.
 Gravidade Concreta do Crime: A prisão preventiva pode ser
aplicada se o crime for cometido com extrema violência ou em
circunstâncias que causem grande comoção social.

 Conveniência da Instrução Criminal:


 Interferência no Processo: A prisão pode ser justificada se o réu
tentar intimidar testemunhas ou destruir provas, comprometendo a
investigação.

 Assegurar a Aplicação da Lei Penal:


 Indícios de Fuga: Há necessidade de evidências concretas de que
o acusado pode fugir, como tentativas anteriores de evasão.

2.3. Atualidade da Prisão Preventiva

 Critério Temporal: Os fundamentos para a prisão devem ser atuais no


momento da decretação. Se um crime ocorreu anos atrás, a prisão só é
justificável se houver novos desenvolvimentos, como o réu estar foragido.

3. Prisão Temporária

3.1. Lei 7.960/89

 Rol Taxativo de Crimes: A prisão temporária só pode ser decretada para


crimes expressamente mencionados na lei, como homicídio, sequestro,
entre outros.

3.2. Critérios de Aplicação

 Residência Fixa: O STF declarou inconstitucional a prisão temporária


baseada apenas na falta de residência fixa, pois isso discriminaria pessoas
em situação de vulnerabilidade.
 Não para Interrogatório: A prisão temporária não pode ser utilizada
para pressionar o investigado a confessar ou colaborar, respeitando o
direito ao silêncio.

3.3. Procedimento

 Aplicável Apenas no Inquérito: Diferente da prisão preventiva, a


temporária é restrita ao período de investigação policial.
 Prazos: A duração é de 5 dias prorrogáveis por mais 5, ou 30 dias
prorrogáveis por mais 30 para crimes hediondos, conforme a gravidade do
delito em questão.
 Prorrogação: A prorrogação não pode ser realizada automaticamente,
necessitando de justificativa formal por parte da autoridade competente.
RELAXAMENTO DE PRISÃO prisão ilegal

será admitida a decretação da prisão preventiva:

I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro)
anos;

II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado,

relaxamento da prisão, em razão da ausência de situação de flagrante


 🚗 Data e local: Em 15 de maio de 2017, Caio dirigia um veículo em via
pública, quando foi abordado em uma blitz.
 🔎 Veículo roubado: Os policiais descobriram que o veículo era produto de
um roubo ocorrido em 13 de maio de 2017.
 ⚖️Prisão: Caio foi preso sob suspeita de receptação e encaminhado à
Delegacia.
 👥 Reconhecimento: A vítima do roubo compareceu à delegacia e
reconheceu Caio como o autor do crime.
 📑 Auto de prisão: A autoridade policial lavrou auto de prisão em flagrante
por roubo, considerando o reconhecimento da vítima.
 ⚖️Audiência de custódia: O Ministério Público pediu a conversão da prisão
em flagrante para preventiva, levando em conta a reincidência de Caio.

Revogação da Prisão

Art. 316 do CPP

Pedido cabível diante da insubsistência dos requisitos à manutenção da prisão cautelar, e como
tal, foi previsto no Art. 316 do CP, ou seja, o pedido de Revogação é cabível em virtude de a
prisão ser desnecessária, à falta dos pressupostos do artigo 312 do CPP. Revogação
= Ausência do periculum libertatis (perigo da liberdade) depois da prisão preventiva ser
decretada;

Liberdade provisória

Art. 310, III do CPP


é cabível após a prisão em flagrante e antes da prisão preventiva, buscando impedir a
conversão em prisão cautelar (preventiva).

Pedido de Liberdade Provisória = Ausência do periculum libertatis (perigo da


liberdade) antes da prisão preventiva ser decretada.

1. Procedimento Comum Ordinário


 Definição:
 Trata-se do procedimento padrão utilizado para a tramitação de
processos penais comuns, exceto quando a lei prevê um
procedimento especial.
 Etapas:
 Denúncia: Início do processo com a apresentação da acusação
pelo Ministério Público.
 Recebimento da Denúncia: O juiz decide se aceita a denúncia,
dando início ao processo.
 Citação: Notificação formal do réu para que ele tome ciência do
processo e possa se defender.
Caso o acusado não seja citado pessoalmente, apenas citado por edital, o processo será
suspenso

⚖️O processo seguirá sem a presença do acusado.


📬 Caso o acusado seja citado ou intimado pessoalmente e não compareça, sem
justificativa, o processo prosseguirá.
🏠 Se o acusado mudar de residência, ele deve comunicar o novo endereço ao
juízo.

 ⚖️Acusação: Rogério foi denunciado por homicídio qualificado ocorrido em


2017.
 📜 Resposta à acusação: Apresentou defesa, mas não compareceu aos atos
processuais, sendo declarado réu à revelia.
 🏛️Decisão de pronúncia: Em audiência do Tribunal do Júri, sem sua
presença, foi proferida a decisão de pronúncia.
 📍 Mudança de endereço: Rogério mudou-se e não comunicou o juízo,
resultando em intimação por edital.
 ⏳ Prosseguimento do processo: O processo seguiu sem a participação de
Rogério, com sessão plenária marcada.
 🚫 Decisão de não comparecer: Ao ser informado, Rogério comunicou ao
advogado que não tinha interesse em comparecer à sessão plenária.
 Resposta à Acusação: Defesa preliminar do réu, onde pode
apresentar argumentos e provas.
 Audiência de Instrução e Julgamento: Apresentação de provas,
oitiva de testemunhas, debates e, finalmente, a sentença.

2. Desclassificação Antecipada
 Conceito:
 Alteração da classificação jurídica do fato imputado ao réu antes do
julgamento.
 Emendatio Libelli (Art. 383 do CPP):
 Permite ao juiz ajustar a tipificação penal dos fatos sem alterar a
descrição dos mesmos.
 Exemplos:
 Mudança de Competência: Se a nova tipificação do crime altera
a competência do juízo (por exemplo, de um crime federal para um
estadual).
 Direito Surgido: Quando a reclassificação permite a aplicação de
um benefício legal, como o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).

3. Rejeição da Denúncia
 Hipóteses Legais:
 Denúncia Inepta (Art. 395, I, CPP): Falta de clareza ou precisão
na denúncia, impossibilitando a defesa.
 Falta de Pressuposto Processual (Art. 395, II, CPP): Ausência
de condições básicas para o desenvolvimento do processo, como a
legitimidade das partes.
 Falta de Justa Causa (Art. 395, III, CPP): Insuficiência de provas
para sustentar a acusação.
 Exemplo:
 Uma denúncia que descreve de forma vaga o fato criminoso pode
ser rejeitada por inepta.

4. Recursos contra a Rejeição


⚖️Recurso em Sentido Estrito (RESE): Instrumento jurídico para
contestar decisões interlocutórias no processo penal, previsto no
Código de Processo Penal (CPP), artigo 581.
🚨 Casos Cabíveis: Aplicável para contestar o recebimento ou rejeição
de denúncia e concessão de habeas corpus.
🔄 Função: Utilizado para questionar decisões que não encerram o
processo, mas influenciam seu andamento.
⏳ Prazo para Interposição: 5 dias (exceto para impugnação da lista
de jurados, que é 20 dias).
📑 Apresentação de Razões: Após interposição, juiz intima o
recorrente a apresentar razões no prazo de 2 dias.
 Exceções no Juizado Especial Criminal:
 No âmbito dos Juizados Especiais, a decisão pode ser recorrida por
apelação, conforme o art. 63 da Lei 9.099/95.

A denúncia ou queixa será rejeitada quando:

I - for manifestamente inepta;

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença

:I - que não receber a denúncia ou a queixa

Caberá recurso em sentido estrito (RESE).

XXV – que recusar homologação à proposta de ANPP

 ⚖️Crime e ANPP: Leonardo cometeu um crime que poderia ser resolvido


com acordo de não persecução penal (ANPP).
 👨‍⚖️Recusa do Promotor: O Promotor de Justiça rejeitou a proposta de ANPP,
alegando que a conduta de Leonardo era habitual.
 🏛️Reenvio ao MP: O juiz de Cascais, atendendo ao pedido da defesa,
remeteu o caso ao MP para reconsideração.
 💼 Proposta do MP: O MP apresentou nova proposta de ANPP para
homologação pelo juiz.
 💰 Condicionalidade Insuficiente: O juiz considerou insuficiente a proposta
de pagamento de dois salários-mínimos como prestação pecuniária.
 ❌ Rejeição da Homologação: O juiz de Cascais recusou a homologação da
proposta, pois o MP manteve a condição financeira inalterada.

5. Citação
 Modalidades:
 Citação Real: Realizada por oficial de justiça quando o réu é
encontrado.
 Citação por Edital: Utilizada quando o réu está em local
desconhecido.
 Citação por Hora Certa: Quando o réu se oculta para evitar ser
citado.
 Relevância:
 A citação válida é fundamental para assegurar o direito de defesa
do réu, conforme o princípio do contraditório.

6. Resposta à Acusação
 Prazos e Procedimentos:
 Prazo de 10 dias para apresentação da defesa, contados da efetiva
citação do réu (Art. 396 do CPP).
 Importância:
 A resposta à acusação é obrigatória e permite ao réu apresentar
sua versão dos fatos e requerer provas.

7. Absolvição Sumária
 Conceito:
 Julgamento antecipado do réu, resultando em absolvição antes da
fase de instrução, quando evidente a ausência de crime.
 Hipóteses (Art. 397, CPP):
 Quando há manifesta causa de exclusão da ilicitude ou da
culpabilidade.
 Quando o fato não constitui crime.
 Indubio Pro Reo:
 Princípio que favorece o réu em caso de dúvida, aplicado na fase de
julgamento, mas não na absolvição sumária.

Nos crimes que deixam vestígios, é indispensável o exame de corpo de delito, direto ou
indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado

 🚨 Ocorrência de agressão: Lorena foi agredida por seu ex-companheiro


Manuel em 01/01/2019, por ciúmes do novo relacionamento, deixando
marcas em sua barriga.
 👮‍♂️Atuação policial: Policiais militares chegaram ao local após os gritos de
Lorena, mas não presenciaram a briga nem verificaram lesões. Ambos foram
levados à Delegacia.
 🩺 Lesões e não interesse da vítima: Lorena não procurou atendimento
médico e não quis processar Manuel, apesar das marcas. Não esclareceu os
fatos.
 🗣️Confissão de Manuel: Manuel confessou a agressão, dizendo que deu um
soco no estômago de Lorena, causando as marcas.
 🏠 Seguimento do caso: Lorena foi para casa sem exame técnico. Manuel foi
denunciado por lesão corporal no contexto de violência doméstica (Art. 129, §
9º, CP, Lei nº 11.340/06).
 🗂️Provas e ausência da vítima: Apenas a Folha de Antecedentes Criminais
de Manuel foi anexada. Lorena não compareceu à audiência.
 ⚖️Defesa de Manuel: No momento das alegações finais, o novo advogado
de Manuel poderá intervir no caso.

8. Audiência de Instrução, Debates e Julgamento


 Sequência de Atos:
 Oitiva do ofendido, testemunhas de acusação e defesa, peritos, e,
por fim, o interrogatório do réu.
 Importância:
 Esta fase é crucial para a formação do convencimento do juiz, onde
são apresentados e confrontados todos os elementos probatórios.

9. Diligências
 Requerimento:
 Após o interrogatório, as partes podem requerer diligências que se
mostrem necessárias com base nos fatos emergentes na audiência.
 Exemplo:
 Solicitação de uma perícia para esclarecer divergências surgidas
durante os depoimentos.

10. Conclusão e Debates


 Encerramento do Procedimento:
 Se não houver diligências ou estas forem indeferidas, procede-se
aos debates, que consistem na apresentação das alegações finais
pelas partes.
1. Audiência de Instrução, Debates e Julgamento

 Prazo para Acusação e Defesa:


 Explicação Detalhada: Após a fase de instrução, onde são
colhidas as provas, há um momento dedicado aos debates orais.
Nesse espaço, tanto a acusação quanto a defesa apresentam seus
argumentos finais. Cada parte tem um tempo estipulado para expor
suas razões, visando influenciar a decisão do juiz.
 Base Legal: Código de Processo Penal (CPP), art. 403.
 Exemplo Prático: Em um caso de roubo, a promotoria pode usar
seu tempo para reforçar a veracidade dos depoimentos das
testemunhas, enquanto a defesa utiliza seus minutos para
questionar a confiabilidade dessas mesmas testemunhas.

 Prazo para o Juiz:


 Explicação Detalhada: Diferente das partes, o juiz não tem um
prazo específico para proferir sua decisão após os debates,
permitindo que ele analise cuidadosamente todos os argumentos e
evidências apresentadas.
 Razoabilidade: Essa ausência de prazo é justificada pela
necessidade de uma decisão ponderada e justa.

2. Assistente de Acusação

 Quem pode ser?


 Explicação Detalhada: O assistente de acusação é geralmente a
vítima ou seus sucessores legais que, durante o processo, auxiliam
o Ministério Público (MP) no processo penal. Isso permite que a
vítima tenha uma representação direta no processo, aumentando a
percepção de justiça.
 Base Legal: CPP, art. 268.
 Exemplo Prático: Em um caso de lesão corporal grave, a vítima
pode atuar como assistente de acusação para garantir que todos os
aspectos do sofrimento causado sejam devidamente considerados.

 Habilitação do Assistente de Acusação:


 Explicação Detalhada: A habilitação como assistente de acusação
só é possível durante o andamento do processo judicial, não
cabendo durante o inquérito policial. A decisão do juiz sobre essa
habilitação é irrecorrível, mas cabe mandado de segurança se
houver ilegalidade.
 Base Legal: CPP, art. 271.
 Exemplo Prático: Mesmo que o juiz negue a habilitação, a vítima
pode buscar um mandado de segurança alegando que seus direitos
fundamentais estão sendo violados.

3. Debates no Processo Penal


 Ordem dos Debates:
 Explicação Detalhada: O assistente de acusação deve falar após
o promotor, mas antes da defesa, para reforçar os argumentos da
acusação. Isso garante que a vítima ou seus sucessores tenham
uma voz no processo.
 Base Legal: Não há uma previsão específica no CPP, mas a prática
orienta essa sequência.
 Exemplo Prático: Se o assistente de acusação tem novas
evidências que corroboram a acusação, ele pode apresentá-las
antes da defesa ter a oportunidade de refutar.

4. Conversão de Debates Orais em Memoriais Escritos


 Quando pode ocorrer?
 Explicação Detalhada: A conversão dos debates orais em
memoriais escritos pode ocorrer em casos complexos, com
múltiplos réus ou quando há a necessidade de diligências
adicionais. Isso permite uma análise mais detalhada e
fundamentada das questões do processo.
 Base Legal: CPP, art. 403, §3º.
 Exemplo Prático: Em um caso de corrupção envolvendo várias
partes e provas complexas, os memoriais escritos facilitam a
apresentação detalhada dos argumentos e a estruturação lógica
das defesas e acusações.

5. Colaboração Premiada
 Ordem de Fala:
 Explicação Detalhada: Na colaboração premiada, o delator deve
falar antes do delatado, garantindo que sua colaboração seja
efetiva e reconhecida pelo Judiciário. Essa ordem é crucial para
validar a eficácia da delação.
 Base Legal: Lei 12.850/2013, art. 4º.
 Exemplo Prático: Em um esquema de lavagem de dinheiro, o
delator que revelou detalhes do esquema fala primeiro, para que o
delatado tenha a oportunidade de responder às acusações
específicas feitas.

6. Memoriais da Defesa
 Obrigatoriedade:
 Explicação Detalhada: A apresentação de memoriais pela defesa
é obrigatória, exceto na primeira fase do Júri. Isso garante que o réu
tenha todas as oportunidades de defesa, essencial ao contraditório
e à ampla defesa.
 Base Legal: Constituição Federal, art. 5º, LV.
 Exemplo Prático: Se a defesa não apresentar memoriais, o juiz
deve garantir que o réu tenha um defensor dativo nomeado para
fazê-lo, evitando nulidades processuais.

7. Rito do Júri
 Competência:
 Explicação Detalhada: O tribunal do júri é competente para julgar
crimes dolosos contra a vida, ou seja, aqueles onde há intenção de
matar. Isso inclui homicídios consumados, tentados e crimes
conexos, como ocultação de cadáver.
 Base Legal: Constituição Federal, art. 5º, XXXVIII.
 Exemplo Prático: Em um caso de tentativa de homicídio, mesmo
que a vítima sobreviva, o julgamento será realizado pelo júri
popular.

a competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por


prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual
 🏛️Defensor Público: Gregório é defensor público no Estado do Rio de
Janeiro.
 ⚖️Prerrogativa de Função: A Constituição do RJ garante foro por
prerrogativa de função no Tribunal de Justiça local.
 🎭 Encontro durante o Carnaval: Gregório encontra seu irmão, Sandro,
durante a dispersão do bloco carnavalesco em Salvador/BA.
 ⚔️Crime: Gregório mata Sandro com golpes de espada em uma rua erma.
 🏙️Foro Competente

8. Primeira Fase do Júri


 Decisões:
 Explicação Detalhada: As possíveis decisões na primeira fase do
júri incluem pronúncia (quando há indícios suficientes para levar o
caso a julgamento pelo júri), impronúncia, desclassificação e
absolvição sumária. Cada decisão tem implicações específicas
sobre o andamento do processo.
 Base Legal: CPP, arts. 413 a 415.
 Exemplo Prático: Se um réu é impronunciado, significa que não
há provas suficientes para levá-lo a julgamento, mas novas provas
podem reabrir o caso.

9. Pronúncia

 Requisitos:
 Explicação Detalhada: Para a pronúncia, é necessário haver
indícios suficientes de autoria e prova da materialidade do crime.
Isso significa que há evidências que justificam que o caso seja
julgado pelo júri.
 Base Legal: CPP, art. 413.
 Exemplo Prático: Em um caso de homicídio, a presença de
testemunhas que viram o acusado no local do crime pode ser
suficiente para a pronúncia.

 Eloquência Acusatória:
 Explicação Detalhada: O juiz deve evitar linguagem parcial ou
emocional ao proferir a pronúncia para não influenciar
indevidamente o júri. A eloquência acusatória pode levar à anulação
do julgamento.
 Exemplo Prático: Um juiz que descreve o réu como "monstruoso"
estaria excedendo sua função e comprometendo a imparcialidade
do processo.

10. Intimação da Pronúncia


 Procedimento:
 Explicação Detalhada: A intimação da pronúncia deve ser feita
pessoalmente ao réu, garantindo que ele esteja ciente das
acusações e possa preparar sua defesa adequadamente. Se não
encontrado, a intimação é feita por edital.
 Base Legal: CPP, art. 420.
 Exemplo Prático: Se um réu está em local incerto e não sabido, o
edital permite que o processo continue sem que a justiça fique
paralisada.
1. Fases do Júri e Recursos

Impronúncia (Artigo 414 do CPP)

 Definição: A impronúncia ocorre quando o juiz não encontra indícios


suficientes de autoria ou materialidade do crime, ou seja, não há provas
suficientes para levar o caso a julgamento pelo tribunal do júri.
 Implicações: O processo é arquivado, mas não extinto. Se novas provas
surgirem, como um depoimento que traga informações novas e
relevantes, o processo pode ser desarquivado.
 Exemplo: Uma testemunha que surge com um novo relato que não foi
considerado anteriormente pode levar ao desarquivamento do processo.
Recurso: -> APELAÇÃO

Desclassificação (Artigo 419 do CPP)

 Definição: A desclassificação ocorre quando o juiz entende que o crime


não é doloso contra a vida (como homicídio), podendo ser um crime de
outra natureza, como lesão corporal.
 Procedimento: O juiz remete o caso a um juízo competente para julgar o
crime desclassificado.
 Exemplo: Em um caso onde o réu é inicialmente acusado de homicídio,
mas as evidências sugerem lesão corporal, o juiz pode desclassificar o
crime.
Recurso: -> RESE

Absolvição Sumária (Artigo 415 do CPP)

 Definição: A absolvição sumária acontece quando há provas evidentes


que exoneram o réu, dispensando o julgamento pelo tribunal do júri.
 Hipóteses: Legítima defesa comprovada é um exemplo clássico onde a
absolvição sumária pode ser aplicada.
 Exemplo: Se todas as evidências e testemunhos confirmam que o réu
agiu em legítima defesa, o juiz pode absolvê-lo sumariamente.
Recurso: -> APELAÇÃO

⚖️Absolvição sumária: Juiz tem certeza da inocência do réu.


🕵️‍♂️Pronúncia: Juiz tem certeza da culpa do réu.
🤔 Impronúncia: Juiz tem dúvida sobre a autoria do crime.
⚠️Desclassificação: Juiz reconhece a culpa, mas não o dolo.
2. Teoria Geral dos Recursos

Efeitos dos Recursos

Efeito Devolutivo

 Definição: Todo recurso possui efeito devolutivo, que é a capacidade de


levar a matéria discutida novamente para análise de um tribunal superior.
 Exemplo: Um recurso de apelação devolve ao tribunal a análise dos fatos
e do direito aplicado na decisão recorrida.

O tribunal não pode reconhecer de ofício uma nulidade sem que ela tenha sido pleiteada.

Súmula 160 do STF: "É nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não
arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício."

Deveria tão só reconhecer se fosse o caso, que a decisão dos jurados era manifestamente
contrária a prova dos autos.

 ⚖️Acusação e sentença: Ricardo foi pronunciado por homicídio qualificado


e, em 23/10/2018, foi absolvido pelo Tribunal do Júri.
 📑 Documentos apresentados: O defensor público apresentou documentos
(antecedentes criminais da vítima, matérias jornalísticas e fotografias) no dia
anterior à sessão.
 🚨 Surpresa do Ministério Público: O MP não foi informado sobre os
documentos apresentados e foi pego de surpresa durante o julgamento.
 🏛️Manutenção do julgamento: O juiz presidente manteve a sessão
agendada, e Ricardo foi absolvido pelos jurados.
 ⏳ Apelação do Ministério Público: Em 29/10/2018, o MP recorreu,
alegando que a decisão dos jurados foi contrária às provas do processo.
 ⚖️Decisão do Tribunal de Justiça: O Tribunal de Justiça anulou o
julgamento e determinou nova sessão, alegando que os documentos foram
apresentados fora do prazo.
 👩‍⚖️Ação a ser tomada: Como advogado de Ricardo, questionar a decisão do
Tribunal, alegando que a anulação do julgamento não se justifica, pois o juiz
presidiu a sessão e permitiu a apresentação dos documentos sem objeções, e
a defesa agiu dentro dos limites da lei.

Efeito Suspensivo

 Definição: O efeito suspensivo impede que a decisão judicial produza


efeitos enquanto o recurso não for julgado. Não é aplicado
automaticamente a todos os recursos.
 Exemplo: Em casos de condenação, o indivíduo não é preso
automaticamente se o recurso possuir efeito suspensivo, mantendo-se a
presunção de inocência.

3. APELAÇÃO

📜 Objetivo da Apelação Criminal: Reverter, modificar ou anular uma sentença penal


proferida em primeira instância.
🏛️Quem pode interpor: O réu, o Ministério Público ou o assistente de acusação.
📅 Prazo: 15 dias após a intimação da sentença (Art. 593 do CPP).
⚖️Análise: Feita por um tribunal superior, que revisa os fundamentos da decisão,
considerando erros de fato ou de direito.
📝 Tipo de Apelação:
Plena: Recorrendo ao inteiro teor da decisão.
Parcial: Contestando apenas uma parte da decisão.
⏳ Apresentação Extemporânea: Irregularidade, mas não impede o conhecimento do
recurso.

das decisões do Tribunal do Júri, quando:

d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.

§ 3o Se a apelação se fundar no no III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se convencer


de que a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, dar-lhe-á
provimento para sujeitar o réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo
motivo, segunda apelação
 💼 Condenação de Luiz: Condenado em primeira instância por homicídio
qualificado devido a recurso que dificultou a defesa da vítima.
 🗣️Interrogatório de Luiz: Durante o julgamento, Luiz confessou o crime,
mas negou a qualificadora, alegando que estava discutindo com a vítima no
momento do crime.
 ⚖️Recurso de apelação: O advogado de Luiz recorreu imediatamente da
sentença, questionando a prova da qualificadora, que não teria sido
comprovada pelos jurados.
4. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL
⚖️Agravo em execução penal: Recurso para contestar decisões do juiz da
execução criminal que prejudiquem as partes.
📜 Previsão legal: Art. 197 da Lei de Execução Penal (LEP).
⏰ Prazos:
Interposição: 5 dias.
Apresentação das razões e contrarrazões: 2 dias.
👩‍⚖️Procedimento: Interposto diretamente ao juiz que proferiu a decisão.
🔄 Decisão do juiz: Pode reconsiderar ou encaminhar ao Tribunal de Justiça.
🔁 Efeito devolutivo: O Tribunal reanalisará a questão; sem efeito suspensivo.
📜 Recurso subsequente: Carta Testemunhável contra a decisão que não recebe o
agravo.

É vedada a aplicação das penas substitutivas que estão previstas


no artigo 44 do CP, como uma condição para se conceder o regime
aberto ao apenado
de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido
 📜 Intimação de Paulo: Advogado intimado sobre duas decisões no Rio de
Janeiro.
 ⚖️Primeira decisão (Lúcio): Perda de 1/5 dos dias remidos devido à prática
de falta grave, com procedimento regular.
 🏅 Segunda decisão (Flávio): Pedido de progressão de regime deferido, com
condição de prestação de serviços à comunidade no regime aberto.

5. Embargos Infringentes (Artigo 609 do CPP)


 Definição: Aplica-se quando há voto vencido favorável à defesa em
julgamentos de apelação ou agravo em execução.
 Efeito Devolutivo Restrito: Somente as questões abordadas no voto
vencido podem ser discutidas nos embargos infringentes.
 Exemplo Prático: Se um voto discordante sugere uma pena mais branda,
os embargos podem discutir essa questão, mas não novos argumentos
como a insignificância do delito.

em Recurso Ordinário CONSTITUCIONAL

os remédios constitucionais

SEQUESTRO
 💰 Recai sobre bens determinados de origem ilícita.
 🏠 Pode ser sobre bens móveis ou imóveis (desde que ilícitos) – art. 126.
 ⚖️Visa garantir o ressarcimento da vítima e impedir benefícios ao criminoso.

Margot pode opor embargos ao sequestro, alegando que a aquisição


ocorreu a título oneroso e de boa-fé

 🏡 Margot comprou imóvel de Cesar: Aquisição de boa-fé e a título


oneroso, mas não registrou no Registro de Imóveis.
 ⚖️Sequestro de bens: Cesar foi acusado de crimes, e todos os seus bens
imóveis foram sequestrados, incluindo o imóvel de Margot.
 📜 Ação necessária: Como advogado de Margot, é importante contestar o
sequestro do imóvel, pois ela adquiriu de boa-fé e não sabia de qualquer
envolvimento criminoso de Cesar.
 📝 Defesa adequada: Segundo o Código de Processo Penal, Margot pode
solicitar a suspensão do sequestro ou a devolução do imóvel, já que a boa-fé
e a falta de registro não a envolvem no ilícito penal de Cesar.

ARRESTO
 🔒 Recai sobre bens indeterminados de origem lícita (garantia legítima do acusado).
 🛠️Aplica-se a bens móveis.
 ⚖️Visa garantir o ressarcimento da vítima.
HIPOTECA LEGAL
 🏡 Recai sobre bens indeterminados de origem lícita (garantia legítima do acusado).
 🏠 Aplica-se apenas a bens imóveis.
 ⚖️Visa garantir o ressarcimento da vítima.

 🏠 Crime contra o patrimônio: Paulo foi ofendido por um crime dessa


natureza.
 💰 Excelente condição financeira: Mesmo com boa situação econômica, ele
foi vítima do crime.
 🕵️‍♂️Identificação do autor: Descobriu-se quem cometeu o crime.
 🏡 Aquisição de bem imóvel: O autor do crime usou o produto da infração
para adquirir um imóvel.
 ⚖️Busca por medidas cabíveis: Paulo procurou o advogado(a) para tomar
as ações legais adequadas.

Suspeição

O instituto da Suspeição delimita as hipóteses em que o magistrado fica impossibilitado de


exercer sua função em determinado processo, devido a vinculo subjetivo (relacionamento) com
algumas das partes, fato que compromete seu dever de imparcialidade.

Impedimento

No instituto do Impedimento, a lei relaciona expressamente os casos em que o magistrado fica


impossibilitado de atuar, independe de sua intenção no processo ou de sua relação com as
partes.

As causas de impedimento também decorrem do dever de imparcialidade do juiz, mas se


referem à sua relação com o processo.

 🕵️‍♂️Investigação: Matheus é investigado por uso de documento público


falso.
 ⚖️Decisão Judicial: O juiz autorizou busca e apreensão na residência do
investigado.
 📝 Denúncia: A promotora Lúcia ofereceu denúncia por crime do Art. 304 do
Código Penal (uso de documento falso).
 📜 Recebimento da Denúncia: O juiz recebeu a denúncia e intimou a defesa
de Matheus.
 💸 Dívida: O advogado de Matheus descobriu que ele devia R$ 2.000,00 a
Lúcia por um serviço não prestado anteriormente.
 ⚖️Possível Ação: O advogado de Matheus pode questionar a imparcialidade
da promotora ou adotar outras medidas cabíveis no caso.

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