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Desenvolvimento Embrionário: Etapas e Estruturas

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HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA

AULA 2

Prof.ª Fernanda Eliza Toscani Burigo


CONVERSA INICIAL

Etapas do desenvolvimento embrionário

Embora extraordinária e de grande complexidade, a fecundação é apenas


o passo inicial do desenvolvimento embrionário. De seu resultado – a célula-ovo
ou zigoto – formar-se-á um organismo pluricelular. Em todas as espécies
animais conhecidas, a embriogênese tem início após um evento denominado
segmentação ou clivagem, caracterizado por divisões mitóticas sucessivas da
célula-ovo. Poderemos perceber que os padrões de clivagem se diferenciam de
acordo com o tipo de célula-ovo em questão, principalmente influenciado pela
quantidade e distribuição de vitelo no citoplasma.
Após essa importante etapa, formam-se a mórula e blástula, as quais
evoluirão para a estrutura da gástrula, caracterizando o processo denominado
de gastrulação; nele, importantes episódios ocorrem, como a formação dos
folhetos embrionários, do início do tubo digestório e do celoma (quando é o
caso). Cada um desses acontecimentos será detalhado nos temas que se
seguem.
Por fim, tem-se a neurulação, episódio marcante principalmente para os
cordados, cujo tubo neural e cuja notocorda diferenciam-se nas estruturas do
sistema nervoso e da coluna vertebral, respectivamente. Nessa etapa, ocorre a
formação dos órgãos, em um evento denominado organogênese, durante o qual
acontece a ativação e a inativação de genes específicos.
Por último, mas não menos importante, abordaremos a formação dos
anexos embrionários, indicando suas funções, importância e ocorrência nos
diferentes grupos animais. Ainda daremos ênfase, em nossos estudos, ao
desenvolvimento embrionário humano.
São objetivos desta aula:
Geral: diferenciar as diferentes etapas do desenvolvimento embrionário e
a importância destas para o desenvolvimento morfofisiológico saudável.
Específicos:

• Reconhecer as etapas da clivagem e formação da mórula;


• Diferenciar, estruturalmente, blástula de gástrula;
• Identificar as estruturas da nêurula e a formação do sistema nervoso;

2
• Diferenciar os folhetos embrionários e conhecer o papel que estes
exercem na formação dos tecidos adultos;
• Pesquisar o perigo do uso de medicamentos e drogas no período
gestacional.

TEMA 1 – CLIVAGEM OU SEGMENTAÇÃO

Logo após a formação do zigoto, inicia-se uma série de mitoses


consecutivas – que caracterizam a fase de clivagem, resultando em um rápido
aumento da quantidade de células (hiperplasia), que se agregam em um
compacto e maciço celular, cujas células são menores e denominadas de
blastômeros. Tal estrutura lembra uma amora (fruto), sendo denominada de
mórula (Figura 1).

Figura 1 – Estrutura da mórula

Crédito: NOBEASTSOFIERCE/SHUTTERSTOCK

Tais acontecimentos ocorrem ainda na tuba uterina, local da fecundação.


No entanto, é importante ressaltar que a clivagem pode ocorrer de formas
diferentes, dependendo do animal e do tipo de óvulo (ou ovo, referindo-se à
célula-ovo) que produz, o qual pode ser classificado de quatro formas principais,
de acordo com a quantidade e distribuição de vitelo (substância nutritiva,
constituída por gotículas de lipídios) no citoplasma. São eles:

a) Ovo oligolécito (Fig. 2) – são óvulos pequenos, que possuem pouco


vitelo, distribuído de forma homogênea por todo o ovo. Ocorrem nos
poríferos, equinodermos e mamíferos.

3
b) Ovo telolécito incompleto ou heterolécito (Fig. 3) – óvulos com
quantidade mediana de vitelo, distribuído de forma desigual: forma o polo
animal (P.A. = divisões mitóticas rápidas, formará o embrião) e o polo
vegetativo (P. V. = reserva de vitelo, divisões mitóticas lentas). Ocorrem
nos anelídeos, moluscos, alguns peixes e anfíbios.
c) Ovo telolécito completo ou megalécito (Fig. 4) – são óvulos grandes,
com grande quantidade de vitelo, distribuído de forma heterogênea.
Também forma o polo animal e o polo vegetativo. Ocorrem nos répteis,
aves e mamíferos ovíparos.
d) Ovo centrolécito (Fig. 5) – óvulos pequenos, com vitelo distribuído na
porção central do ovo. Ocorrem nos artrópodes, como insetos, crustáceos
e aracnídeos.

Figura 2 – Ovo oligolécito Figura 3 – Ovo heterolécito

Figura 4 – Ovo megalécito Figura 5 – Ovo centrolécito

4
Conforme citado anteriormente, cada tipo de ovo sofre um tipo distinto de
segmentação, a qual pode ser classificada em:

a) Holoblástica – quando todo o ovo se divide (holos = total). Pode gerar


células de mesmo tamanho e proporções, os blastômeros,
caracterizando a segmentação holoblástica igual (Fig. 6), presente nos
ovos oligolécitos. Também pode originar células de diferentes
tamanhos, devido a uma divisão desproporcional, formando os
micrômeros (oriundos da divisão do P. A.) e macrômeros (formados a
partir da divisão do P. V.). Neste caso, a clivagem é holoblástica
desigual (Fig. 7), visível nos ovos heterolécitos.

Figura 6 – Segmentação holoblástica igual

Holoblástica
(ovo igual =
oligolécito –
BLASTÔMEROS
Ovo
M
ór
Figura 7 – Segmentação holoblástica desigual

Holoblástica desigual =
MICRÔMEROS E
MACRÔMEROS = (ovo
Ovo (2n)
hoterolécito – anfíbio)

Mórula
5
b) Meroblástica – Nesse tipo de segmentação, somente o polo animal se
divide, sendo, portanto, uma segmentação parcial (meros = parcial).
Quando o P. A. se divide, formando um pequeno disco sobre o polo
vegetativo, denomina-se segmentação meroblástica discoidal (Fig. 8),
sendo característica dos ovos megalécitos. Já nos ovos centrolécitos,
a divisão ocorre no polo animal, gerando uma camada de células que se
sobrepõe ao vitelo de forma superficial, caracterizando a clivagem
meroblástica superficial (Fig. 9).

Figura 8 – Segmentação meroblástica discoidal

Meroblástica discoidal = só
PA se divide
(ovo telolécito – Répteis e aves)
Ovo (2n)

Mórula
Figura 9 – Segmentação meroblástica superficial

Ovo (2n)

Mórula
6
Após o período de clivagem – cerca de quatro dias após a fecundação –
a mórula chega ao útero e um pouco do fluido presente na cavidade uterina
começa a penetrar pelos espaços intercelulares do maciço celular. A partir de
então, formar-se-á a blástula (ou blastocisto nos embriões humanos - Figura
10).

Figura 10 – Processo de clivagem até a formação do blastocisto

Crédito: TIMONINA/SHUTTERSTOCK

TEMA 2 – BLASTULAÇÃO E GASTRULAÇÃO

No quinto dia após a fertilização, forma-se a blástula, estrutura composta


por uma camada de células, a blastoderme, e por uma cavidade preenchida por
fluido, a blastocele. Nos embriões humanos, a blástula se chama blastocisto e,
à medida que a quantidade de líquido aumenta na blastocele, são separadas as
camadas celulares em duas porções: o trofoblasto e o embrioblasto (Figura
11).
O trofoblasto é a camada de células que reveste o embrião e que dará
origem à placenta, promovendo a implantação do blastocisto na parede uterina.
Já o embrioblasto constitui-se por blastômeros responsáveis pela origem do
embrião; tais células são denominadas células-tronco embrionárias e, por
serem pluripotentes, têm capacidade de formar qualquer tipo celular.
De acordo com Sadler (2017), no trofoblasto ocorre modificação nas
camadas externa e interna (sinciciotrofoblasto e citotrofoblasto
respectivamente). O sinciciotrofoblasto secreta enzimas responsáveis por abrir
uma extensão nas células do endométrio e nutrir o embrião e é responsável pela
secreção do hormônio gonadotrofina coriônica humana (HCG), que inibe a

7
descamação do endométrio e uma nova ovulação; os níveis desse hormônio são
utilizados para os testes de gravidez. Já na camada mais interna, o
citotrofoblasto, o endométrio que nesse tempo cobre o embrião, forma
vilosidades do córion que origina a placenta. Contínuas transformações também
ocorrem no embrioblasto, que se constitui em uma placa bilaminar, composta
por duas camadas de células: o hipoblasto (que tem função na formação do
saco vitelínico e da alantoide) e o epiblasto (responsável por participar na
formação do embrião e do âmnio).
Por volta do sétimo dia após a fertilização, o zigoto já passou pelos
estágios de mórula e de blastocisto, e teve início a implantação na mucosa
uterina, que perdurará por mais alguns dias (Figura 12).

Figura 11 – Estrutura do blastocisto

Crédito: DESIGNUA/SHUTTERSTOCK

Figura 12 – Da fecundação à implantação do blastocisto

Crédito: UDAIX/SHUTTERSTOCK
8
Assim, em torno da terceira semana de gestação inicia-se uma nova fase:
a gastrulação. Nesta etapa, alguns eventos marcantes para a formação do
embrião são observados. Dentre eles, o desenvolvimento de um disco
embrionário trilaminar – a gástrula, responsável por formar os folhetos
embrionários, caracterizado por células germinativas, que irão formar os mais
variados tecidos do embrião (Figura 13). Os folhetos embrionários ou
germinativos são: ectoderme, endoderme e mesoderme.
Sabe-se que a invaginação de células desloca o hipoblasto, criando o
endoderma embrionário, e outras ficam entre o endoderma recém-criado e o
epiblasto, originando o mesoderma embrionário; as células que permanecem no
epiblasto dão origem ao ectoderma, sendo o epiblasto a fonte de todas as células
germinativas, ou seja, dele se formarão todas as estruturas do embrião. Os
animais que só possuem dois folhetos (ectoderme e endoderme) são
denominados diblásticos – é o caso dos cnidários, exclusivamente. Já os
outros animais possuem os três folhetos, sendo denominados de triblásticos.
A ectoderme é responsável pela formação do tecido epitelial de
revestimento e seus anexos, como unhas e cabelos, pela formação das
glândulas e do sistema nervoso. A mesoderme, por sua vez, forma o tecido
conjuntivo (nos seus diferentes tipos), músculos, rins e medula óssea. Por fim, a
endoderme dá origem ao pâncreas, fígado, revestimento do sistema digestório
e genito-urinário e do trato respiratório, incluindo os pulmões.

Figura 13 – Ectoderme, endoderme e mesoderme

Crédito: VECTORMINE/SHUTTERSTOCK
9
Além disso, na gastrulação ocorre a invaginação da blastoderme, reduzindo a
blastocele e originando uma nova cavidade, o arquêntero – o intestino primitivo
do animal – e um pequeno orifício – o blastóporo – que dará origem à boca ou
ao ânus (Figura 14). No primeiro caso, são chamados protostômios e incluem
os grupos de cnidários a artrópodes; no segundo caso, denominam-se
deuterostômios e incluem os equinodermos e todos os cordados.

Figura 14 – Formação do arquêntero e do blastóporo

A redução da blastocele leva à formação de uma cavidade completamente


revestida pela mesoderme, que circunda o arquêntero e se preenche de fluido,
cuja função é alojar e permitir o desenvolvimento dos órgãos, protegendo-os de
impactos: o celoma. O desenvolvimento deste constituiu um acontecimento
importante para o desenvolvimento da estrutura corporal dos animais,
contribuindo para um aumento das dimensões e, sobretudo, da complexidade
estrutural, embora não esteja presente em todos os animais – os celomados
compreendem os grupos tomando como base os moluscos. Resumidamente,
pode ser formado por dois processos: esquizocélico e enterocélico.
No primeiro, o celoma se forma por separação das porções de
mesoderme formadas de células na região do blastóporo, ao passo que no
segundo se forma das "bolsas" existentes no arquêntero, quando da separação
inicial da mesoderme da endoderme. Estas bolsas se soltam, posteriormente, e
tornam-se os compartimentos celômicos (Figura 15).

10
Figura 15 – Formação do celoma pelos processos esquizocélico (A) e
enterocélico (B)

Fonte: <[Link] Acesso em: 26 jul. 2019.

Ao final desse estágio, o embrião está preparado para a formação dos


primeiros órgãos.

TEMA 3 – NEURULAÇÃO

A interação entre os folhetos embrionários, em especial entre a


mesoderme e a ectoderme que a recobre, pode ser caracterizada como uma das
interações mais importantes de todo o desenvolvimento, pois dá início a um
evento singular para o embrião: a organogênese, ou seja, a criação de tecidos
e órgãos específicos, a qual se estende da terceira à oitava semana. Em tal
interação, a mesoderme induz a ectoderme acima dela a se desenvolver em um
tubo oco, o tubo neural, que se diferenciará em cérebro e medula espinhal
(Figura 16). Caso o tubo neural não se feche completamente, pode provocar má
formação, dentre elas a anencefalia (Figura 17) e a espinha bífida.

11
Figura 16 – Formação do tubo neural

Crédito: VASILISA TSOY/SHUTTERSTOCK

Figura 17 – Anencefalia

Crédito: MEDICAL ART INCQ/SHUTTERSTOCK

A formação desse tubo marca uma nova fase, a neurulação,


caracterizada pela formação do tubo neural e da notocorda, bastão dorsal
flexível, que constitui o eixo de sustentação dos protocordados e vertebrados, e,

12
para estes últimos se desenvolve em coluna vertebral. Nesta etapa, o embrião é
chamado de nêurula (Figura 18).

Figura 18 – Estrutura da nêurula

Fonte: <[Link] Acesso


em: 26 jul. 2019.

O ectoderma embrionário dá origem à placa neural, que se espessa e


se desloca para cima a fim de formar as pregas neurais – as quais se fundem
e formam o tubo neural; enquanto isso, um sulco em forma de U surge no centro
da placa, dividindo os futuros lados direito e esquerdo do embrião: é o sulco
neural. Por fim, as células da porção mais dorsal do tubo neural se transformam
nas células da crista neural, as quais darão origem às células pigmentares e às
células do sistema nervoso periférico, como dos gânglios nervosos e também às
meninges. A ectoderma superficial dará origem à epiderme e seus anexos e
epitélios sensoriais.
O mesoderma de um embrião pode ser dividido em sub-regiões, dentre
as quais se destaca a que forma os somitos, blocos individualizados de células,
responsáveis pela formação dos tecidos de sustentação do corpo, tais como
cartilagem, osso, músculos e derme (Figura 19). O número total de somitos
formados é característico para cada espécie, e é o melhor indicador da idade do
embrião tomando como base a contagem daqueles. Por exemplo: um embrião
com 20 dias possui entre 1 e 4 somitos, ao passo que um embrião com 30 dias
possui entre 34 e 35 somitos. Ainda, a mesoderme é responsável pela formação
do sistema vascular e urogenital (exceto bexiga) e baço.

13
Por fim, a endoderme tem por função o revestimento dos tratos
digestório, respiratório e genito-urinário. Forma também pâncreas, fígado,
tireoide e paratireoides.
Com cerca de sessenta dias o embrião já está praticamente formado. Até
o final da gestação irá praticamente crescer e se desenvolver; por isso a
importância dos cuidados no primeiro trimestre de gestação. Importante ressaltar
que a diferenciação tecidual e orgânica ocorre no sentido cefalocaudal. Além
disso, a diferenciação dos eixos corporais (como a formação da cabeça), a
lateralidade, dentre outros eventos marcantes dessa fase são regulados por uma
cascata de moléculas e de genes sinalizadores.

Figura 19 – Estrutura e formação dos somitos

Cortes de um embrião de 23 dias.


A – esquema de uma vista dorsal evidenciando o tubo neural, somitos e neuroporos anterior e posterior.
B – Vista dorsal do embrião.
C – Microscopia eletrônica de varredura da região dorsal do embrião. O ectoderma foi parcialmente
removido para a visualização das estruturas. Imagem C modificada por Fátima Brito.

Fonte: Sadler, 2017.

Enquanto isso, o trofoblasto progride rapidamente; a formação de


capilares que se conectam entre si constitui o sistema viloso, que já está
disponível a fornecer nutrientes e oxigênio ao embrião.

TEMA 4 – ANEXOS EMBRIONÁRIOS

Anexos embrionários são estruturas derivadas dos folhetos germinativos,


mas que não pertencem ao corpo do embrião. Nos tópicos anteriores já
mencionamos uma breve formação dos principais anexos, agora detalharemos
um pouco mais, destacando suas funções para o embrião e grupos de
14
ocorrência. Em nosso estudo iremos abordar: vesícula vitelínica, âmnio,
córion, alantoide e a placenta (Figura 20).

Figura 20 – Anexos embrionários

Fonte: <[Link] Acesso em: 26 jul. 2019.

a) Vesícula vitelínica: tem início nas células do hipoblasto; pela


diferenciação da mesoderme e do tubo neural forma-se uma membrana
que envolve o vitelo, compondo o saco ou vesícula vitelínica, ligada ao
intestino do embrião. Conforme o embrião cresce, a reserva de vitelo vai
sendo consumida, reduzindo-se, até desaparecer. Esse anexo é bem
desenvolvido em peixes (único anexo desses animais), répteis e aves,
mas não nos mamíferos, uma vez que estes apresentam ovo pobre em
vitelo; para estes, a vesícula não tem papel significativo na nutrição, mas
na formação das primeiras hemácias. Nos anfíbios, a vesícula não segue
o padrão, embora presente.
b) Âmnio: origina-se das células do epiblasto, desenvolvendo uma
membrana que reveste completamente o embrião, preenchendo a
cavidade com um líquido – o líquido amniótico. Sua principal função é o
amortecimento de impactos (choque mecânico) e o impedimento da
dessecação (desidratação) do embrião. Aves e répteis absorvem
praticamente todo o líquido até o final de seu desenvolvimento; nos
mamíferos, a ruptura da bolsa é um indicativo da proximidade do parto.
c) Córion: inicia sua formação pelo trofoblasto (citotrofoblasto), que também
dará origem à placenta nos mamíferos. É uma membrana mais externa,
que reveste o embrião e todos os outros anexos. Localiza-se logo abaixo
15
da casca dos ovos de répteis e aves, atuando diretamente nas trocas
gasosas desses animais, juntamente com o alantoide.
d) Alantoide: é um anexo que deriva da porção posterior do intestino do
embrião. Nos mamíferos, se fundirá com o córion para a formação da
placenta e cordão umbilical; nas aves e répteis, participa das trocas
gasosas (com o córion), na transferência de cálcio da casca para o
embrião e no armazenamento de excretas nitrogenadas (nesse caso,
o ácido úrico, que é atóxico para o novo ser).
e) Placenta (Figuras 21, 22 e 23): originada do citotrofoblasto, que se
caracteriza por formação de várias vilosidades, dando à placenta um
aspecto radial. Conforme o blastocisto se implanta no útero, produz
enzimas que digerem a parede do útero, produzindo as vilosidades
coriônicas que se infiltram no útero e estabelecem a conexão entre mãe
e feto. A placenta, portanto, é uma estrutura em parte fetal, em parte
materna. A parte fetal se desenvolve pelas modificações do saco
coriônico, ao passo que a materna deriva do endométrio.
A placenta é exclusiva dos mamíferos (exceto os ovíparos) e exerce
papel fundamental para o embrião, uma vez que permite a nutrição do
feto e a troca de substâncias entre este e mãe – dentre elas, anticorpos
e gases respiratórios – além realizar a excreção de produtos do
metabolismo fetal e a síntese de hormônios. O cordão umbilical,
importante estrutura que conecta a placenta ao feto, é derivada da junção
de anexos – a membrana do âmnio, que reveste o saco vitelínico, e o
alantoide. Fazendo-se o corte do cordão umbilical (Figura 24), pode-se
observar a presença de duas artérias, que conduzem o sangue rico em
CO2 do embrião para a placenta e para a mãe, que realizará as trocas
gasosas, e uma veia, responsável por levar sangue oxigenado para o
feto. Tais vasos são circundados por um tecido mucoso, a geleia de
Wharton, cuja função é garantir proteção aos vasos umbilicais, evitando,
por exemplo, uma compressão.

16
Figura 21 – Formação da placenta – interação entre os tecidos materno e fetal

Crédito: UDAIX/SHUTTERSTOCK

Figura 22 – Anatomia da placenta

Crédito: SILBERVOGEL/SHUTTERSTOCK

17
Figura 23 – Estrutura real da placenta

Crédito: STEFAN DINSE/SHUTTERSTOCK

Figura 24 – Corte transversal do cordão umbilical

Crédito: MRIMAN/SHUTTERSTOCK

TEMA 5 – PESQUISA – O PERIGO DO USO DE MEDICAMENTOS SEM


ORIENTAÇÃO MÉDICA NO PERÍODO DE DESENVOLVIMENTO
EMBRIONÁRIO

O desenvolvimento de um novo ser está diretamente relacionado a uma


complexa coordenação de divisões, migrações e interações celulares, além do
envolvimento de diversos genes e diferenciação celular. Assim, qualquer agente

18
que interfira em qualquer um desses processos pode levar à malformação fetal.
Os agentes causadores de malformações são denominados teratogênicos;
dentre os principais, destacam-se as drogas e substâncias químicas.
A talidomida, um sedativo leve, foi banida da classe farmacêutica por
causar anomalias congênitas, como a focomelia, em razão da qual o bebê
nascia com os ossos longos dos membros ausentes ou muito reduzidos. A
tragédia da talidomida, que provocou a malformação de milhares de crianças,
mostra a importância e limites para testar os efeitos das principais drogas no
desenvolvimento embrionário, uma vez que espécies diferentes metabolizam
diferentemente as drogas.
Tomando como base esse exemplo, pesquise o efeito de outras drogas,
em especial medicamentos, sobre o desenvolvimento do embrião, destacando
a importância da prescrição médica para tal. Investigue, ainda, quais são as
outras classes de teratogênicos, fazendo um breve resumo sobre elas.

NA PRÁTICA

• Desenvolva modelos com massa de modelar (ou biscuit) das principais


etapas do desenvolvimento do embrião: mórula, blástula, gástrula e
nêurula, indicando suas principais estruturas por meio de uma legenda.
• Leia o artigo científico A importância do uso das células-tronco para a
saúde pública, escrito por Lygia da Veiga Pereira, do Departamento de
Genética e Biologia Evolutiva, Instituto de Biociências, USP. Disponível
em: <[Link]
81232008000100002>, e reflita sobre os seguintes tópicos: diferenças
entre células-tronco embrionárias e adultas; possibilidades de terapias
com ambas; polêmica e dilemas éticos.
• Além dos medicamentos, as drogas lícitas (álcool e tabaco) e ilícitas
também podem provocar inúmeras alterações na formação do embrião.
Pesquise sobre elas e sua atuação na embriogênese, organizando suas
ideias em um mapa conceitual.

FINALIZANDO

Nesta aula, abordamos as principais etapas do desenvolvimento


embrionário, resumidas a seguir:

19
GASTRULAÇÃO
• GÁSTRULA
• CÉLULA-OVO OU • MÓRULA
ZIGOTO • NEURULAÇÃO
• BLÁSTULA

SEGMENTAÇÃO ORGANOGÊNESE

Em relação à segmentação, observamos que ela pode seguir diferentes


tipos de padrões, de acordo com o tipo de ovo envolvido:

SEGMENTAÇÃO

HOLOBLÁSTICA MEROBLÁSTICA

IGUAL DESIGUAL DISCOIDAL SUPERFICIAL


OVOS OVOS OVOS OVOS
OLIGOLÉCITOS HETEROLÉCITOS MEGALÉCITOS CENTROLÉCITOS

Por fim, destacamos os anexos embrionários, apresentados a seguir, em


ciclo, conforme presença nos grupos de cordados:

20
21
REFERÊNCIAS

FERNÁNDEZ, C. G.; GARCIA, S. M. L. G. Embriologia. 3. ed. Dados


eletrônicos. Porto Alegre: Artmed, 2012.

GILBERT, S. F. Biologia do desenvolvimento. Tradução de Márcia Maria


Gentile Bitondi e Zilá Luz Paulino Simões. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira
de Genética, 1994.

LOPES, S.; ROSSO, S. Biologia. São Paulo: Saraiva, 2005, volume único.

PAOLI, S. de. Citologia e embriologia. 1. ed. São Paulo: Pearson Education do


Brasil, 2014.

SADLER, T. W. Langman – embriologia médica. 13. edição. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2017.

22

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