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Protocolo Malária Actualizado

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REPÚBLICA DE ANGOLA

MINISTÉRIO DA SAÚDE
DIRECÇÃO NACIONAL DOS HOSPITAIS

ESPECIALIDADE: PEDIATRIA PROTOCOLO Nº 02.INF. HPBD

TÍTULO : Malária Nº de páginas: 23

CID 10 - B50 à B54

Lista de Abreviaturas

ACT- Derivados de artemisinina


AL- Artemeter+Lumefantrina
ALT- Alanina aminitransferase
AST- Aspartato aminotransferase
BD- Bilirrubina directa
BT- Bilirrubina total
DNSP- Direcção Nacional de Saúde Pública
EOT- Entubação Orotraqueal
FA- Fosfatase alcalina
FC- Frequência cardíaca
FR- Frequência Respiratória
GGT- Gamaglutamiltransferase
Hb- Hemoglobina
Hct- Hematócrito
HCO3- Bicarbonato
LRA- Lesão Renal Aguda
O2.- Oxigénio

1
OMS- Organização Mundial da Saúde
PA- Pressão arterial
PfHRP2- Plasmodium falciparum histidine-rich-protein 2
PfEMP1- Proteína 1 da membrana eritrocitária do Plasmodium falciparum
SF0,9%- Soro fisiológico ou Cloreto de sódio à 0,9%
SNG- Sonda nasogástrica
SO2- Saturação de Oxigénio
Tª- Temperatura
TDR- Testes de Diagnóstico Rápido
TNF-- Factor de necrose tumoral

1. INTRODUÇÃO
1.1. Definição

A Maláriaé uma das doenças infecciosas, parasitária, mais comum no mundo, endêmica
em mais de 90 países, que afecta aproximadamente 40% da população mundial. A sua
transmissão dá-se pela picada de mosquito Anopheles e é causada por cinco
protozoários: Plasmodium falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale, e mais
recentemente implicado o P.knowlesi.

A evolução da doença é variável podendo se apresentar com sintomas leves tal como
evoluir com graves complicações e consequentemente morte. O parasita mais prevalente
e patogênico da malária, mais comumente associado a doença grave e morte,
especialmente na região africana da OMS, responsável por 99,7% dos casos e 90% das
mortes por malária, é o P. falciparum.

1.2. Epidemiologia

A OMS em 2020 reportou 229 milhões de casos de malária em todo o mundo e cerca de
409 mil mortes no ano de 2019, com relevância as crianças <5 anos e a mulher grávida.

África foi responsável por cerca de 94% dos casos e mortes a nível mundial no ano de
2020 e Angola ocupou o oitavo lugar no ranking dos países com maior prevalência da
doença à nível do continente.

2
Em Angola, segundo dados do Boletim epidemiológico da Direcção de Higiene e
Vigilância Epidemiológica da DNSP de 2019, a incidência da doença incrementou de
3.180.021 casos novos em 2014, para 7.051.349 no ano de 2019.

Houve diminuição da taxa de mortalidade e letalidade por malária nos anos de 2018 e
2019.Nas crianças < 5 anos, em 2018 e 2019 foram notificados 2.207.661 e 2.722.463
casos e os óbitos foram 6003 e 4184 respectivamente. No HPDB no Iº semestre de 2021
foram registados um total de 2010 casos com 172 mortes (8,6%).

O uso da terapia combinada à base de derivados da artemisinina (ACTs) tem se refletido


com redução global na morbimortalidade por malária por se terem mostrado de alta
eficácia e boa tolerância.

1.3. Justificativa

Com base na alta prevalência e morbimortalidade em Angola, principalmente num dos


grupos mais vulneráveis que são as crianças, em especial as menores de <5 anos,
achamos de mister importância a elaboração e definição de normas de conduta e
abordagem desta patologia em crianças.

2. ETIOPATOGENIA

Fonte: Adaptado de CDC Atlanta

3
Embora a fisiopatologia da malária seja multifatorial, algumas interações importantes
entre o parasita e o hospedeiro podem determinar o desfecho clínico da doença, tais
como: padrões de endemicidade, idade do hospedeiro,toxinas do hospedeiro (citocinas,
TNF-, etc.), grau de imunidade natural, virulência do parasita (cito-
aderência,formação de rosetas, obstrução da microvasculatura, falência orgánica), taxa
de multiplicação, variação antigênica(PfEMP1) eas toxinas maláricas.

O período de incubação é variável:


– P. falciparum é de : 10- 12 dias
– P. vivax: 14 dias
– P. ovale:14 dias
– P. malariae: 30 dias
– P. knowlesi: 12 dias

3. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Os sinais e sintomas da malária são inespecíficos e não existe uma combinação destes
que distinga fielmente a malária de outra causa de febre; o diagnóstico baseado apenas
nas características clínicas tem baixa especificidade e pode resultar em
sobretratamento.A OMS classifica a doença em: Malária simples ou não complicada e
grave ou complicada.
3.1. Malária simples ou não complicada

A OMS define malária simples (ou não complicada), a presença de sintomas sem sinais
clínicos ou laboratoriais que indiquem gravidade ou disfunção vital dos órgãos. As
crianças são mais propensas a apresentar sintomas não específicos e gastrointestinais,
dentre eles:

- Febre
- Cefaleia
- Astenia
- Mal-estar
- Dores mioarticulares
- Náuseas

4
- Vômitos
- Cólicas abdominais
- Sonolência

Em crianças pequenas pode haver: recusa alimentar, tosse e letargia.

3.2. Malária grave ou complicada

Definida na presença de um teste para malária positivo (com formas assexuadas), ou


dois testes negativos nas 2 horas seguintes à admissão, ou na ausência de possibilidades
de fazer testagem e, após exclusão de outras causas de síndrome febril agudo e que
apresente uma ou mais das seguintes manifestações:
• Alteração da consciência: Glasgow <11 (crianças maiores) ou Blantyre <3
(crianças pequenas)
• Prostração: não consegue sentar, ficar em pé ou andar sem ajuda
• Convulsões: mais de dois episódios em 24 horas
• Acidose: déficit de base de> 8 mEq/L, HCO3<15 mmol/L ou lactatos ≥ 5mmol/L.
Clinicamente (respiração rápida, profunda e difícil).
• Hipoglicemia: glicemia capilar ou venosa ≤40mg/dl ou <2,2 mmol/L
• Anemia grave: Hb ≤5g/dL ou Hct ≤ 15% em <12A (<7 g/dL e <20%,
respectivamente, em crianças maiores) com parasitemia >10.000/μL
• Insuficiência renal: creatinina sérica >3mg/dL ou uréia sérica > 56 mg/dl
• Icterícia: bilirrubina >3mg/dL com contagem de parasitas > 100.000/μL
• Edema pulmonar: confirmado radiologicamente ou SO2<92% em ar ambiente,
FR >30/min, frequentemente crepitantes na ausculta
• Sangramento significativo: epistaxis, gengivorragia ou locais de venopunção;
hematemese ou melena
• Choque: extremidades frias, preenchimento capilar ≥ 3s, hipotensão, PA sistólica
<50mm/Hg.
• Hiperparasitemia: Parasitemia por P. falciparum> 10%

5
4. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA MALÁRIA

É essencial o diagnóstico laboratorial para a confirmação diagnóstica. O exame padrão


ouro é a gota de sangue espessa e extensões finas.

Recomendado testes de Diagnóstico Rápido (TDR), em todos os doentes com suspeita


de malária, seguido por microscopia para confirmação e quantificação da parasitémia.

Os TDR’s para detectar PfHRP2 podem ser úteis para pacientes que receberam
tratamento antimalárico incompleto, nos quais os esfregaços de sangue podem ser
negativos. Isso pode ocorrer se o paciente tiver recebido recentemente uma dose de um
ACT.

Se o exame de esfregaço inicial for negativo em pacientes com manifestações


compatíveis com malária grave deve-se:

1. Examinar esfregaços em intervalos de 6 a 12 horas


2. Ou realizar TDR (de preferência um que detecte PfHRP2)
3. Se o exame de lâmina e os resultados do TDR forem negativos, é extremamente
improvável o diagnóstico de malária devendo ser investigadas e tratadas outras
causas da doença.

5. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

A malária faz diagnóstico diferencial com inúmeras patologias, devido a sua


característica de afectação multiorgânica como exemplo: febre tifóide, febres
hemorrágicas virais (como Ébola, febre de Lassa, hantavirose, etc.); as hepatites,
dengue e outras arboviroses; a febre entérica, gripe aviária, infecções por MERS/SARS-
CoV2, HIV, meningite e encefalite, síndromes tóxicas e eventos vasculares ou
mecânicos intracranianos.

6. TRATAMENTO

O tratamento apenas com base na suspeita clínica só deverá ser considerado no caso de
impossibilidade de se realizar o diagnóstico parasitológico por microscopia óptica ou
TDR.
6
Malária não grave ou não complicada – P. Falciparum

É indispensável o cumprimento do tratamento com um ACT altamente eficaz, quer o


paciente seja ou não considerado semi-imune.

Tratamento P. Vivax e P Ovale

- Tratar com um dos ACT aprovados seguido de Primaquina (0.25 a 0.5mg/dia)


durante 14 dias.
- Despiste de deficiência G6PD deve ser efectuado antes da prescrição da
Primaquina
Se Déficit G6PD 0.75mg/Kg uma vez/semana durante 8 semanas.

Embora a OMS tenha aprovado até ao momento cinco combinações terapêuticas em


Angola apenas está orientado o uso das três seguintes formulações:

Artemether-lumefantrina (A-L -20/120mg) (Coartem ®)

Peso (Kg): Idade Nº Comp. Total Comp.


2x/dia (x3dias)

5-14Kg 6m-2 anos 1 comp 6comp

15-24Kg >3-8 anos 2comp 12comp

24-34Kg >8-14 anos- 3comp 18comp

>35Kg >14anos 4comp 24comp

Esquema de tratamento com Arteméter + Lumefantrina (80/480mg

Peso Idade Nº Comp. Total comp.


2x/dia (x3dias)

>35Kgs >14anos 1comp 6

7
Artesunato -Amodiaquina (AS-AQ)

Peso (Kg) Idade Nº Comp./dia Total comp.(x3dias)

4,5- 8Kg 2m- 11meses 1 comp 3comp


lactentes 25mg/67,5mg

9-17Kg 1- 5anos 1comp 3comp


Cças 50mg/135mg
pequenas

18-35Kg 6-13 anos- 1comp 3comp


crianças 100mg/270mg

>35Kg >14anos 2comp 6comp


Adolescent 100mg/270mg
es

Dihidroartemisinina + Piperaquina (DHA-PPQ) (40/320mg)

Peso (Kg): Idade Nº Comp. Total Comp.


(Dia)
<5-10Kg 6m- <1 ano 1/2 comp 1 +meio comp

11-20Kg 1 < 8 anos 1comp 3 comp

21-40Kg 9 <14 anos 2comp 6 comp

60- 40Kg ≥ 14anos 3comp 9 comp

61-80Kg 4comp 12 comp

>80Kg 5comp 15 comp

Malária Grave ou complicada


1ª Linha:
Artesunato E.V ou I.M 1x/dia: 1ª dose (Hora 0), 2ª dose (Hora 12), 3ª dose e restantes
(Hora 24)

8
• <20 kg - 3 mg/kg por dose
• >20kg - 2,4 mg/kg por dose

2ª Linha:
Artemeter I.M 1ª dose(Hora 0); 2ª e restantes doses 1x/dia(Hora 24)
• 3,2 mg/kg/dia; Hora 0
• 1,6 mg/kg/dia; Hora 24 e restantes

3a Linha:
Dihidrocloridrato de quinine E.V ou I.M1a dose (Hora 0); 2a dose (8h após a 1a dose)
e restantes doses 8h/8h;diluído em 10ml/kg de dextrose a 5% ou SF0,9%
• 20 mg/kg infundido em 4 h; Hora 0
• 10mg/kg/dia; Hora 8 e restantes, durante 4h

NB: - É imprescindível tratamento com antimaláricos injectáveis por no mínimo 24h na


malária grave.

- 24h depois de se verificar tolerância dever-se-á administrar medicação por via oral.O
tratamento retal ou parenteral inicial deve sempre ser seguido por um esquema
completo de 3 dias de um ACT.

- A injeção IM de Quinino deve ser diluída em solução salina normal para uma
concentração de sal de 60-100 mg/ml e posteriormente administrada em dois locais
diferentes (preferir região anterior da coxa; evitar glúteos por risco de lesão nervo
ciático) a fim de diminuir a dor e evitar a administração de um grande volume num
único local.

7. MANEJO DAS COMPLICAÇÕES

7.1 Anemia severa


Definida como Hct ≤15% ou Hb ≤5g/dl, manifestação frequente e precoce,
principalmente devido à grande destruição ou sequestro dos eritrócitos.
Manifestações clínicas:
- Palmas e plantas esbranquiçadas (palidez relevante)
- Mucosas oral e conjuntivais pálidas
- Taquicardia/polipneia
9
- Extremidades frias – Choque
- Letargia
- Distress respiratório
- Depressão de consciência

Abordagem
Medidas gerais
- Se polipneia/dispneia O2 3L/min
- Se Hb ≤5 g/dl: Transfusão de concentrado de eritrócitos 10-15 ml/kg.
- Se Hb ≤8 g/dl em criança em coma, transfundir concentrado de eritrócitos.

7.2 Malária cerebral

Presença de coma (<11 na escala de Glasgow, ou < 3 na escala de Blantyre), por +30
minutos após uma convulsão ou mais de 2 episódios de convulsões nas 24h. Deve-se
excluir outras causas de coma tratáveis (hipoglicemia, meningite, etc).

Manifestações clínicas
- Depressão da consciência
- Convulsões – estado de mal epiléptico
- Encefalopatia simétrica (pode haver focalização)
- Hipo ou hiperreflexia
- Opistótonus
- Hemorragias ou exsudados retinianos

Abordagem
- Oxigenoterapia 3L/min
- Protecção da via aérea (lateralização do pescoço, se possível Guedel)
- SNG aberta (diminui o risco de pneumonias aspirativas)
- Monitorização rigorosa ( FC, FR, PA,Tª)
- P.Plasmodium seriadas e glicemias capilares a cada 6h
- Gasimetrias e ionogramas 8/8 horas
- Controlo das convulsões (verifique glicemia): Diazepan rectal ou E.V. 0,1-0,4
mg/kg/dose; (Ou Midazolam ou Lorazepam). Se persistência, seguir protocolo
das convulsões.
10
- EOT se necessário

7.3 Hipoglicemia

Comum em crianças com malária grave, associada à anorexia e hiperinsulinemia.

Manifestações clínicas
- Prostração
- Sudorese
- Taquicárdia
- Convulsões
- Alteração de consciência (coma)
- Mimetização de palidez ( sugerindo anemia)

Diagnóstico
O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível. Confirmado quando
glicemia <2,2 mmol/L ou 40 mg/dL.

Abordagem
- Glucose 10 % em perfusão rápida 5 ml/kg E.V

8.1. Insuficiência renal aguda

Definida como diminuição do débito urinário, <0,5mL/kg/h (em <1ano) ou <1ml/kg/h


(crianças). Excluir causas pré-renais, verifique balanço hídrico e sódio urinário;

Diagnóstico
- Creatinina: > 265 mmol/L ou > 3 mg/dL
- Ureia: > 40 mg/dL

Abordagem
- Monitorização hemodinâmica cuidadosa
- Colocar algália e medir a diurese
- Volume: soro fisiológico 20-30 ml/kg E.V em 30-60 min
- Furosemida: 1 mg/kg/dose, ir aumentado até 4 mg/kg/dose, em perfusão contínua
0,1-0,3 mg/kg/h aumentar até 1-2 mg/kg/h
Se não houver resposta, hemodiálise ou diálise peritoneal, após avaliação de nefrologia.

11
7.4 Insuficiência hepática

Alterações na gliconeogênese contribuindo para a ocorrência da hipoglicemia e acidose


láctica. Redução na síntese dos factores de coagulação.

Manifestações Clínicas
- Icterícia
- Hemorragias
- Hipoglicemia recorrente
- Edemas

Diagnóstico
- Hemograma (trombocitopenia)
- Coagulograma (se sangramentos)
- AST; ALT; FA; GGT, albumina
- BT; BD
- Glicemia

Abordagem
Se trombocitopénia sintomática:
- Transfusão de plaquetas: 1 unidade/10Kg
Se hemorragia digestiva alta:
- Omeprazol (40 mg/ 10 ml) 2 mg/kg/d
- Plasma Fresco Congelado (10 ml/kg)
Se aumento da bilirrubina:
- Vit K 10 mg I.M para cada 10 kg/dia
Prevenção de Encefalopatia- Redução Amónia
- Metronidazol 30-50 mg/kg/dia V.O (de preferência) ou E.V 8/8h.
- Dextrose 10%
- Ponderar lactulose pela SNG

7.5 Insuficiência respiratória

7.5.1 Distress respiratório (acidose metabólica)


Frequente na malária cerebral, anemia grave, hipoglicemia. Associado a um risco
aumentado de morte.

12
Manifestações clínicas
- Dispneia
- Tiragem subcostal
- Respiração acidótica
- Sem alteração à auscultação pulmonar
- Sinais de má perfusão tissular

Abordagem
- Gasimetria
- Oximetria de pulso
- Corrigir causas reversíveis de acidose (desidratação, anemia grave, etc)
- Encaminhar para UTI se necessário (EOT)
Se Hct <18% ou Hb <6g/dl + sinais de acidose metabólica:
- Sangue total (10ml/kg) por 30min e mais 10ml/kg em 1-2h sem diuréticos
- Verificar FR e FC 15/15min. Se aumento, diminuir velocidade de perfusão para
evitar edema pulmonar
- Monitorização contínua: gasimetria/ionograma, Hct, Hb, glicemia, uréia.

7.5.2 Edema agudo do pulmão

Manifestações clínicas:
- Dispneia
- Tosse seca ou produtiva
- Hemoptise
- So2<92% ao ar ambiente
- Fervores Crepitantes

Diagnóstico:
- Rx do tórax (sinais de congestão)

Abordagem
Medidas gerais:
- Leito em 45º
- Oxigenoterapia 3L/min
- Suspender fluidoterapia E.V

13
- Diuréticos
- Monitorização cuidadosa
- Se SO2 <90% com O2 suplementar proceder aEOT

7.6 Desidratação

- Prega cutânea lenta


- Sinais de má perfusão periférica
- Urémia > 6,5 mmol/l ou >36 mg/dl
- Acidose metabólica
- Se oligúria e desidratação, pode haver na urina: cetonas, sódio urinário baixo e
sedimento urinário normal, indicando desidratação em vez de lesão renal

Abordagem
- Ressuscitação volémica EV rápida com Ringer Lactato ou SF0,9% de acordo o
protocolo de desidratação seguido de terapia de rehidratação oral.
- Repetir protocolo se pulso radial fraco ou não palpável
- Se D.U<1ml/kg/h e uréia e/ou creatinina elevadas suspeitar de LRA
- Se suspeita de LRA complicada por sinais de sobrecarga de fluidos (edema
pulmonar, hepatomegalia), administrar furosemida: 2 mg/kg; se não resposta,
duplique a dose de 1h/1h até um máx: 8mg/kg (cada dose deve ser administrada
durante 15 minutos).

7.7 Choque

Manifestações clínicas
- Sinais de má perfusão (preenchimento capilar> 2s; extremidades frias)
- Hipotensão moderada: TA sistólica <70 mm/Hg em bebês <1 ano e <80 mm/Hg
em crianças> 1 ano
- Hipotensão grave: TA sistólica <50 mm/Hg

Abordagem
- Corrigir hipovolémia com fluidos de manutenção de 3–4ml/kg/h
- Coletar sangue para cultura
- Iniciar antibióticos de amplo espectro imediatamente
- Adequar antibioterapia à hemocultura e TSA logo que disponíveis

14
8. ASSINATURAS

Autor (es): Função Assinatura Data


Margarida Correia1 Médica Especialista 19/09/2021

Rosalon Pedro2 Médico Especialista 19/09/2021

Márcia Dolongo3 Médica Especialista 19/09/2021

Marilene Soares4 Médica Especialista 19/09/2021

Hailton Soares5 Interno de Especialidade 19/09/2021

Anizeth Kutatela5 Interna de Especialidade 19/09/2021

Marisa Napoleão5 Interna de Especialidade 19/09/2021

Ana Zingath5 Interna de Especialidade 19/09/2021

Lídia Torres5 Interna de Especialidade 19/09/2021

João Kusungama5 Interno de Especialidade


19/09/2021

Aprovado por Função Assinatura Data


César Freitas6 Médico Especialista 20/09/2021

Sílvia Silvestre7 Médica Especialista 20/09/2021

1
Directora Clínica do Hospital Pediátrico David Bernardino
2
Médico Pediatra, Clínica Sagrada Esperança
3
Médica Pediatria, Hospital Pediátrico David Bernardino
4
Médica Pediatria, Clínica Girassol
5
Médico(a) interno (a) de Pediatria, Hospital Pediátrico David Bernardino
6
Director Pedagógico do Hospital Pediátrico David Bernardino
7
Chefe de Serviço dos Cuidados Intermédios I do Hospital Pediátrico David Bernardino; Coordenadora
do Módulo de Pneumologia do internato de Pediatria do Hospital Pediátrico David Bernardino
8
Chefe de Serviço de Pediatria Especial do Hospital Pediátrico David Bernardino
9
Coordenador clínico do Serviço de Cirurgia do Hospital Pediátrico David Bernardino
10
Coordenador do Módulo de Infecciologia I do internato de Pediatria do Hospital Pediátrico David
Bernardino

15
Joaquina Magalhães8 Médica Especialista 20/09/2021

Mbemba Makubica9 Médico Especialista 20/09/2021

Leite Cruzeiro10 Médico Especialista 20/09/2021

Manza Makubica3 Médica Especialista 20/09/2021

Revisto por Função Assinatura Data

Nº Revisão:

16
ANEXOS
I.

FLUXOGRAMA DE ABORDAGEM DA MALÁRIA GRAVE


FEBRE+PESQUISA DE PLASMODIUM E/OU TESTE RÁPIDO DE MALÁRIA POSITIVO COM UMA
OU MAIS COMPLICAÇÕES ABAIXO REFERIDAS

ADMINISTRAR LOGO:
1ª Opção ARTESUNATO (EV/IM) dose 3 mg/kg/dose < 20kg OU 2.4 mg/kg/dose > 20 Kg
1ª dose (Hora 0), 2ª dose (Hora 12), 3ª dose e restantes (Hora 24)1A
2ª Opção: ARTEMETHER (IM) 1ª dose (Hora• 0) 3,2 mg/kg, 2ª dose(Hora 24) 1,6 mg/Kg1A
3a Opção: QUININO (E.V/I.M)1a dose (Hora 0) 20mg/kg; 2a dose (Hora 8) e restantes 10mg/kg de
8h/8h; diluído em 10ml/kg de dextrose a 5% ou SF0,9%1A
Após via oral permeável iniciar antimaláricos (ACT´s) VO

SOLICITAR:Hemograma, glicemia, ureia, creatinina, transaminases, bilirrubinas (se icterícia), coagulograma (se
sangramento), Rx do tórax (se dispneia)
HIDRATAÇÃO:avaliação individual/ressuscitação com fluidos com base no déficit estimado
contraindicado bólus de colóide ou cristaloides 1A

AVALIAR E VIGIAR:Consciência, mucosas, preenchimento capilar, frequência respiratória (FR),frequência cardíaca


(FC), tensão arterial (TA)

Hemotransfusão 1A
ANEMIA
Mucosas hipocoradas, preenchimento capilar >3s, taquipneia • Concentrado de eritrócitos 10 ml/Kg/4h
35-60 cpm, hipotensão. Hb≤5 g/dL ou Hto abaixo de 15%

Monitorizar 1A
HIPOGLICEMIA • Dext 10% ( 5 ml/Kg) em bólus; manutenção
Sudorese, prostração, taquicardia, convulsões 70ml/kg
Glicemia inferior a 2.2 mmol/L ou 40 mg/dL • Manutenção:necessidades basais com
glucossalino/Vigiar a consciência

Monitorizar 1A
MALÁRIA CEREBRAL • Protecção da via aérea, Oxigénio, verificar
Alteração de consciência (coma, convulsões persistentes mais glicemia, Soro glucofisiológico,
de 2x em 24h) • Diazepam EV, dose 0,3 mg/Kg/dose se convulsões
( se persistir ver protocolo das convulsões)

INSUFICIÊNCIA RENAL Monitorizar 1A


Oligúria: DU <0,5mL/kg/h (em <1ano) ou <1ml/kg/h • Soro fisiológico 20ml/kg
(crianças) ; • Furosemida EV dose de 1 mg/Kg à 4 mg/Kg (até 2
Creatinina: 3 mg/dl vezes, sem resposta, avaliação de Nefrologia)

-30F
17
ALTA PARASITÉMIA
Vigiar consciência, Preenchimento capilar, mucosas, FR,
P.P ≥100.000 parasitas/mm3 sangue ou ≥40.000
FC e Hb. 1A
parasitas/μl

Monitorizar 1C
INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA
• Soro glucofisiologico;
Icterícia, alteração de consciência, transaminases elevadas, • Se sangramento: vitamina k dose 0,5 -
sangramentos, hipoglicemia persistente 1mg/dose;Trombocitopenia ( PFC 10 ml/Kg; PLT
1U/10kg);

Profilaxia encefalopatia hepática


Monitorizar 1C
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA (Edema Agudo Pulmão) • Leito a 45º
Dispneia, Tosse, Crepitantes • Suspender fluidoterapia E.V
Lesão ao RX • O2 3L/min
• Diuréticos
• EOT se necessário

INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA (SDRA)


FR>30 cpm, sat O2 92% Monitorizar 1C
Acidose respiratória, BE 8mEq/L, bicarbonato inferior 15 • EOT se necessário
mmol/L, Lactato ≥5 mmol/L

ALTA PARASITÉMIA Vigiar consciência, Preenchimento capilar, mucosas,


P.P ≥100.000 parasitas/mm3 sangue ou ≥40.000 FR, FC e Hb. 1A
parasitas/μl

18
FLUXOGRAMA PARA REFERÊNCIA DO DOENTE GRAVE
FEBRE+PP E/OU TESTE RÁPIDO DE MALÁRIA POSITIVA OU NÃO, COM
ALGUM SINAL DE COMPLICAÇÃO
Referenciar o doente grave à uma unidade diferenciada, quando limitação de tratamento

Se possibilidade de administração de injectáveis Se não possibilidade de injectáveis


- Administrar 1ª dose de antimalárico doses - Artesunato rectal à dose de 10mg/kg (dose única) 2B
habituais (excepto se transferência em <6h) 1B Se expelir em <30min, repetir e pressionar glúteos
por 10min

<6A Artesunato I.M; artesunato retal ou artemether I.M


>6A Artesunato I.M ou artemether I.M

19
II. Indicadores de avaliação
• Taxa de mortalidade
• Cumprimento do Protocolo

III. Escalas de coma

Escala de coma de Blantyre (para crianças menores)


Variáveis Pontuação
Não chora à estímulos dolorosos 0
Resposta verbal Choro anormal à dor ou gemidos 1
Choro apropriado 2
Não responde à dor ou resposta 0
Resposta motora inapropriada
Retira o membro à estímulos dolorosos 1
Localiza estímulos dolorosos 2
Resposta ocular Não direciona 0
Movimento ocular direcionado 1
Total 0-5 pontos

Escala de coma Glasgow para crianças menores (<2A)


Variáveis Pontuação
Espontânea 4
Ao som 3
Abertura ocular À dor 2
Nunca 1
Vocalização apropriada, sorriso, interage 5
(murmúrio, balbucia), segue objectos
Choro, irritação 4
Resposta verbal Choro à dor 3
Gemido à dor 2
Nenhuma 1
Movimentos espontâneos (obedece comando 6
verbal)
Retira ao toque 5
Resposta motora Retira â dor 4
Flexão anormal (descorticação) 3
Extensão anormal (descerebração) 2
Nenhuma 1
Reactividade pupilar
Inexistente Unilateral Bilateral
-2 -1 0

20
Escala de coma de Glasgow modificado (ECG-P)
Variáveis Pontuação
Abertura ocular Espontânea 4
À fala 3
À dor 2
Nunca 1
Resposta verbal Orientada 5
Confusa 4
Palavras inapropriadas 3
Ruídos incompreensíveis 2
Nenhuma 1
Resposta motora Obedece comandos 6
Localiza a dor 5
Movimento de Retirada 4
Flexão anormal 3
Extensão anormal 2
Nenhuma 1
Reactividade pupilar
Inexistente Unilateral Bilateral
-2 -1 0
Total: 3-15 pontos; <8 - Intubação

21
IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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North America, 64(4), 851–866. https://doi.org/10.1016/j.pcl.2017.03.004

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Universidade de São Paulo. Recuperado de
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