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Monitoria - Teoria Geral

do Processo Civil
Princípios e Normas Fundamentais

UNIESP Centro Universitário


Introdução
Arts. 1 ao 14 do CPC

Os princípios são diretrizes gerais do ordenamento jurídico, que servem para fundamentar e interpretar as
demais normas. Os princípios têm origem nos aspectos políticos, econômicos e sociais vivenciados na
sociedade, assim como nas demais fontes do ordenamento

As regras, por outro lado, são prescrições específicas que disciplinam determinadas situações “no âmbito
daquilo que é fática e juridicamente possível”.

Embora as duas espécies normativas (princípios e regras) sejam cogentes, as regras esgotam em si
mesmas, ao passo que descrevem o que se deve e o que não se deve; o que se pode e o que não se pode.

A positivação principiológica no novo CPC demonstra que todo e qualquer processo deve ser permeado
pelos direitos fundamentais processuais previstos na Constituição, tornando­-o um instrumento de
participação democrática e promovendo decisões efetivamente justas.

Os princípios que forem utilizados em toda e qualquer decisão judicial devem ser explicitados pelo
julgador, não bastando a referência principiológica sem a necessária densificação do princípio jurídico
aplicável
Princípios dados em aula!
1- Princípio da Dignidade da Pessoa Humana
arts. 5º e 37º da CF e 8º do CPC

Ser humano no centro do ordenamento e o protegem em face do próprio Estado.

A dignidade humana é, pois, o valor supremo a ser buscado pelo ordenamento jurídico. É o
princípio basilar a partir do qual decorrem todos os demais direitos fundamentais.

Além disso, o indivíduo merece, em nome da dignidade da pessoa humana, não somente ter
acesso à justiça, mas também ter direito de receber uma resposta efetiva, célere e adequada do
Estado quando se sentir lesado em qualquer das suas prerrogativas.

O ser humano não será instrumentalizado pelos fins alheios. No processo, a parte não pode ser
reduzida a um objeto da atividade processual ou passivo destinatário de decisão-surpresa -
Coisificação
2- Princípio da Inércia/Ação/Demanda ou Dispositivo
Art. 2º CPC: “o processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as
exceções previstas em lei”. - casos em que medidas podem ser adotadas de ofício pelo magistrado.

O princípio da ação (ou da demanda) representa a atribuição à parte da iniciativa de provocar o


exercício da função jurisdicional.

A jurisdição é inerte, ou seja, só atua se provocada. E a ação é justamente o meio de se provocar e


requerer a tutela jurisdicional, a ser prestada pelo Estado­-juiz.

Uma vez instigada ou estimulada a jurisdição, o processo segue por impulso oficial,
independentemente de qualquer vontade das partes, o que se justifica ante o caráter público da
função jurisdicional.

O juiz não deve indagar às partes o que fazer. Apresentada a petição inicial em juízo, cabe ao
magistrado promover a continuidade dos atos procedimentais até a solução definitiva do litígio.

O juiz, de regra, não instaura processo de ofício (princípio da inércia), mas, em certos casos, como na
apreciação de matérias de ordem pública, pode agir de ofício (princípio do impulso oficial), mas tem
que ouvir as partes (contraditório). Vê-se que há uma certa imbricação entre tais princípios.
3- Princípio do Acesso à Justiça
Art. 3º do CPC

Todos podem provocar o judiciário; são fornecidos elementos para que todos tenham
acesso

Acesso é o direito a uma resposta jurisdicional

Se a resposta será positiva/procedente ou improcedente, não se sabe

Defensoria pública - instrumento de acesso à justiça para todos


4- Princípio da Isonomia

Perspectiva subjetiva, de colocar as partes em igualdade material e não meramente formal

Ideia de processo justo, no qual seja dispensado às partes e procuradores idêntico tratamento,
para que tenham iguais oportunidades de fazer valer suas alegações em juízo

A isonomia entre as partes significa “igualdade real”, uma vez que os sujeitos processuais (em
sua maioria) são diferentes, e devem ser respeitados em suas diferenças.
5- Princípio do Contraditório
Arts. 7º, 9º e 10º do CPC

Art. 7º: É ressaltada a igualdade entre as partes, a paridade de tratamento e de armas para o
litígio, devendo o juiz zelar pelo efetivo contraditório.

Art. 9º: Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.

Art. 10º: juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a
respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate
de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.

Segundo o princípio da vedação à decisão surpresa, inscrito nos artigos 9 e 10 do CPC, o


magistrado está impedido de decidir com base em fundamento a respeito do qual não tenha
dado às partes a oportunidade de se manifestarem, ainda que se trate de matéria de ordem
pública. O referido postulado jurídico objetiva evitar prejuízos a qualquer das partes com base
em fatos por elas ainda desconhecidos e não debatidos.
O princípio do contraditório, assim como o do devido processo legal, apresenta duas
dimensões. Em um sentido formal, é o direito de participar do processo, de ser ouvido. Mas essa
participação há de ser efetiva, capaz de influenciar o convencimento do magistrado. Não
adianta simplesmente ouvir a parte. A manifestação há de ser capaz de influenciar na formação
da decisão. A seu turno, o juiz tem o dever correspondente de levar a manifestação na decisão.

Em razão da garantia fundamental ao contraditório, deve o magistrado possibilitar a prévia


manifestação das partes sobre a questão a ser decidida, ainda que se trate daquelas que pode
decidir de ofício, para só posteriormente proferir sua decisão.
6- Princípio da cooperação
Art. 6º - Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo
razoável, decisão de mérito justa e efetiva

O processo seria o produto da atividade cooperativa triangular (entre o juiz e as partes).

A moderna concepção processual exige um juiz ativo no centro da controvérsia e a participação ativa
das partes, por meio da efetivação do caráter isonômico entre os sujeitos do processo.

O dever de cooperação estaria voltado eminentemente para o magistrado, de modo a orientar sua
atuação como agente colaborador do processo, inclusive como participante ativo do contraditório,
não mais se limitando a mero fiscal de regras.

Entretanto, não somente o juiz deve colaborar para a tutela efetiva, célere e adequada. Todos aqueles
de atuam no processo (juiz, partes, oficial de justiça, advogados, Ministério Público etc.) têm o dever
de colaborar para que a prestação jurisdicional seja concretizada da forma que prescreve a Carta de
1988.

Afastar o individualismo do processo


O processo deve, pois, ser um diálogo entre as partes e o juiz, e não necessariamente um combate
ou um jogo de impulso egoístico.

O dever de cooperação, entretanto, encontra limites na natureza da atuação de cada uma das
partes. O juiz atua com a marca da equidistância e da imparcialidade, a qual não pode ser
comprometida por qualquer promiscuidade com as partes. Por outro lado, o dever do advogado é
a defesa do seu constituinte. A rigor, não tem ele compromisso com a realização da justiça. Ele
deverá empregar toda a técnica para que as postulações do seu cliente sejam aceitas pelo
julgador.
Exercício!
O pós-positivismo inaugura o encontro da norma com a ética, introduzindo no ordenamento
jurídico as ideias de justiça e legitimidade materializadas em princípios, assim nominados os
valores compartilhados pela sociedade em um dado momento e lugar. Os princípios, além de
condensarem valores, dão unidade ao sistema jurídico e condicionam o trabalho
interpretativo. Nesse sentido o CPC em harmonia com a CF também delineia princípios que
se tornam positivado no referido diploma legal.

Desta feita o processo civil rege-se pelo princípio do acesso à justiça e o processo começa e
se desenvolve apenas por iniciativa da parte, de forma que sob pena de malferir o princípio
da imparcialidade, o juiz não deve apontar às partes eventuais deficiências formais do
processo para permitir as devidas correções. Registre-se ainda que a proibição de decisão
surpresa instituído pelo contraditório, conforme previsto no Art. 10 do Código de Processo
Civil, não se aplica quando a matéria sobre a qual o juiz deva decidir seja de ordem pública
ou possa ser conhecida de ofício.

Posicione-se acerca deste último texto no sentido de aferir se as proposituras estão


devidamente em harmonia com o direito processual civil. Fundamente.
A afirmação de que o processo “começa e se desenvolve apenas por iniciativa da parte” está em
desacordo com o princípio da Inércia/dispositivo (art. 2º do CPC), que diz que o processo
começa por iniciativa das partes e se DESENVOLVE por impulso oficial.

Dessa forma, o juiz, no Brasil, não é uma figura totalmente passiva. O princípio da cooperação,
previsto no art. 6º do CPC, estabelece que as partes e o juiz devem atuar de forma colaborativa
para promover a decisão justa. Assim, o juiz pode, e muitas vezes deve, orientar as partes quanto
a deficiências formais, sem que isso comprometa sua imparcialidade. A afirmativa do texto,
proibindo o juiz de apontar deficiências processuais, é, na verdade, um desrespeito ao Princípio
da Cooperação, que exige que ele assegure o cumprimento de normas processuais,
principalmente quando estas possam inviabilizar o andamento regular do processo.

O art. 10 do CPC, que trata do Princípio do Contraditório, com a proibição de decisão surpresa,
exige que o juiz ouça as partes antes de proferir decisões sobre questões não debatidas por
elas. Assim, é garantido que as partes tenham a oportunidade de se manifestar sobre todos os
pontos que possam influenciar na decisão judicial.
O texto afirma que esse princípio não se aplica em matérias de ordem pública. Entretanto, ainda
que se trate de matérias de ordem pública (como competência absoluta, prescrição, decadência
e nulidades processuais), que podem ser decididas pelo juiz sem provocação (se o juiz, por
exemplo, verificar que há uma prescrição, ele pode de ofício declinar, ainda que as partes não
tenham mencionado a questão), ainda assim, mesmo com ele podendo declinar de ofício, ele
precisa dar às partes o direito de se manifestarem. Logo, o Princípio do Contraditório também se
aplica quando se tratar de matéria de ordem pública.

As proposições do texto estão, em sua maior parte, em desarmonia com o direito processual
civil brasileiro, pontuando-se 3 falhas; com relação ao Princípio do Contraditório, ao Princípio da
Inércia e ao Princípio da Imparcialidade.
Obrigada!

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