0% acharam este documento útil (0 voto)
22 visualizações48 páginas

Entendendo o Processo Civil Declarativo

Enviado por

anasofiacarapito
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
22 visualizações48 páginas

Entendendo o Processo Civil Declarativo

Enviado por

anasofiacarapito
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Processo Civil Declarativo

O Direito Processual Civil tem como objeto o Processo Civil.

Processo – significa caminhar para a frente. É um conjunto de atos processuais que estão
interrelacionados e que são tendentes a um certo resultado/resolução de um litígio

Procedimento Jurídico – conjunto de atos processuais que todos juntos formam um


processo

Tribunais – são órgãos de soberania que têm por função defender a legalidade e resolver os
conflitos que existem na sociedade

Processo judicial ou jurisdição – é através deste que os conflitos que existem na sociedade
vão ser resolvidos

Processo Civil – é um conjunto de atos processuais que vão ser praticados num Tribunal
Judicial, que de acordo com as regras de procedimento que estão mencionadas no Código
de Processo Civil, permitem no caso em concreto fazer reconhecer o direito e resolver o
litígio, sendo este litígio, resolvido de forma coerciva se for necessário

Importância do Decreto-lei 342/91 e Decreto-lei 267/98: permite que os advogados e


solicitadores possam receber procurações dos seus clientes sem reconhecimento notarial

Características do Direito Processual Civil:


- é um direito instrumental ou adjetivo do Direito Civil e do Direito Comercial (porque
permite que as regras gerais e abstratas que estão no Código Civil sejam aplicadas a casos
concretos)
- é um direito público (porque visa satisfazer o interesse público, que é, resolver os conflitos
das partes de forma justa)
Porque é que o Direito Processual Civil é importante?
Porque é importante para o Direito Civil e para o Direito Comercial, sendo um instrumento
que permite a sua aplicação aos casos concretos e determinados e porque é a base dos
outros direitos processuais que existem na lei

NOTA:
- Os juízes têm sempre que decidir (art.8º do CC) e em caso de dúvida decidem com base no
chamado “Ónus da prova” (art.342º do CC)
- O juiz quando aplica o direito em casos semelhantes, decide de forma semelhante
(art.8º/3 do CC)
- Os juízes só podem resolver o litígio de acordo com a equidade se a lei o permitir (art.4º
do CC) e só nestes casos:
339º/2; 496º/4; 437º; 489º/1; 556º; 566º/3; 812º; 992º/3 → todos do CC
- Os tribunais arbitrais podem decidir de acordo com a equidade se as partes assim o
decidirem (artigo nº1 da Lei 63/2011)
- É possível recorrer à analogia (art.10º do CC)
→ Princípio da proibição da autodefesa/art.1º do CPC

Aplicação das leis no tempo


→ Princípio geral da aplicação imediata das leis processuais (o princípio geral é, quando é
publicada em Diário da República uma lei nova, essa lei aplica-se imediatamente a todos os
atos processuais praticados no processo após a sua entrada em vigor, mesmo nos
processos pendentes) / o art.136º, nº1 do CPC está de acordo com a regra

MAS EXISTEM EXCEÇÕES → Lei 41/2013, art.5º/4 do CPC


→ A aplicação de uma lei nova não deve levar à invalidação de
atos anteriormente praticados/art.12º/1 do CC
Exemplo: Se uma perícia médica está a ser realizada por 3
médicos, se a lei nova vem dizer que as perícias passam a ser realizadas por 1 médico, a lei
nova não se aplica à perícia que esta a ser realizada. Se começou com 3 médicos, acaba
com 3 médicos porque se assim não fosse, seria invalidar o trabalho que foi feito até então
→ Art.136º/2 do CPC
Exemplo: Se eu dou entrada com um processo e no momento que
dou entrada deste a forma aplicada era o processo sumaríssimo, o processo é sumaríssimo
do princípio até ao fim

Porque é que se entende que a lei processual nova aplica-se também aos processos
pendentes?
Porque existe a ideia que a lei mais nova é mais aperfeiçoada e porque não gera conflitos
de interesses a aplicação da norma nova

IMPORTANTE: ART.297º do CC

Aplicação das leis no espaço


→ Princípio Lex Fori (quer dizer que nós devemos aplicar a lei processual civil portuguesa
aos atos processuais praticados em Portugal)

MAS EXISTEM EXCEÇÕES → Art.978º e seguintes do CPC


→ Art.182º/2 do CPC (carta rogatória - é uma carta em que um
tribunal pede a um tribunal de um país estrangeiro para praticar uma determinada
diligência no âmbito desse processo estrangeiro)
→ Princípio da garantia de acesso aos tribunais/art.2º do CPC (nós temos que ter sempre a
possibilidade por face da existência do direito e do poder de podermos recorrer aos
tribunais)

→ Princípio do dispositivo/art.3º, nº1 do CPC (assenta na ideia que o juiz é um mero


árbitro, ou seja, o juiz limita-se a fazer cumprir as normas de direito mas as partes é que são
o centro do processo)
O art.609º do CPC está de acordo com o princípio do dispositivo (o juiz tem que estar
vinculado ao que foi pedido pelas partes e não à verdadeira justiça material)

Este princípio do dispositivo tem na sua base uma concessão privatista do processo civil, ou
seja, são os interesses privados é que prevalece aqui e não o interesse público da justiça e
neste sentido o processo pertence às partes e só os seus interesses é que prevalecem e por
isso mesmo o processo dá-se início por causa deles, o desenvolvimento do processo deve-
se a eles e a sentença pode ser proferida de acordo com a vontade de ambas as partes.
Este princípio não é hoje acolhido no nosso código na sua plenitude, apenas em parte. Com
a reforma de 2013 foi um pouco mais enfraquecido, ou seja, hoje o juiz tem o poder de
promover o andamento do processo e tem o dever de procurar a verdade material, não
sendo assim um mero árbitro.

→ Princípio do inquisitório (é o oposto do princípio do dispositivo, que nos diz que o


processo não deve estar na disponibilidade das partes, ou seja, não são as partes que
devem dominar o processo, pelo contrário, o processo deve estar subjugado à vontade do
juiz que é, atingir a verdade material, isto é, procurar a verdade dos factos)

De acordo com este princípio, o juiz pode e deve fazer investigações por sua própria
iniciativa, ele próprio deve ir à procura da verdade e não deve ficar dependente dos factos
que são alegados pelas partes. Além disso, este princípio também diz que o juiz pode
condenar em mais do que foi pedido e inclusive em objeto diferente da sua coisa. O juiz
hoje, é um juiz ativo.
Este princípio ao contrário do princípio do dispositivo diz-nos que no processo o que
interessa é o interesse público e não o interesse privado.
O nosso código é uma mistura do princípio do dispositivo e do princípio do inquisitório.
Artigos que encaixam neste princípio: art.547º, 289º, 590º/4, 436º, 452º, 487º/2, 494º/1 e
526º do CPC.
Os art.5º e 6º do CPC é uma mistura do princípio do dispositivo e do princípio do
inquisitório.
→ Princípio da autorresponsabilidade das partes (princípio que está ligado ao princípio do
dispositivo, tem na sua base uma conceção privatística do processo)

→ Princípio da igualdade/art.4º do CPC (as partes no processo devem ter as mesmas


possibilidades para obter justiça, independentemente da sua capacidade económica e
independentemente do seu estatuto social)

→ Princípio do contraditório/art.3º do CPC (significa que o juiz não pode decidir sem que a
outra parte seja chamada para se pronunciar sobre o que é pedido e só depois de ouvir a
versão de ambas as partes é que ele pode decidir)

Este princípio se não for respeitado, tudo o que for feito posteriormente é anulado

→ Princípio da celebridade processual/art.2º, nº1 do CPC (significa que o juiz quando lhe é
apresentado um litígio tem obrigação de decidir rapidamente e tem que produzir uma
sentença que transite em julgado no prazo razoável bem como em prazo razoável tem que
ter a possibilidade, caso a decisão não seja cumprida, poder instaurar uma ação executiva)

→ Princípio da ponderação da justiça (está conjugado com o princípio da celebridade


processual, ou seja, por um lado a justiça tem que ser célebre/rápida mas por outro lado
tem que ser ponderada)

→ Princípio da procura da verdade material/art.607º, nº5, 1ªparte do CPC (significa a


verdade autentica)

→ Princípio da submissão do processo aos limites do direito substantivo/art.289º do CPC


(significa que se o direito processual civil existe para servir o direito civil, nunca pode levar a
resultados que ofendam o direito civil)

→ Princípio da legalidade dos trâmites processuais (significa que nós só podemos praticar
os atos que estão aqui elencados/CPC e só os podemos praticar da forma como estão aqui
elencados)
→ Princípio da adequação formal/art.547º do CPC (significa que o juiz a partir de agora
tem o poder de, após ouvir as ambas as partes, adaptar a tramitação do processo por sua
conta e iniciativa se assim o entender)

→ Princípio do dever de gestão processual/art.6º e 590º do CPC (tem haver com o


princípio do inquisitório e são atribuídos deveres/poderes ao juiz interventivos tendo em
vista a descoberta da verdade material)

Outros artigos ligados a este princípio: 411º; 193º; 146º; 591º/1, al. g); 602º/2, al. a);
511º/4 e 267º/1 (todos do CPC)

→ Princípio da limitação dos atos/art.130º do CPC

→ Princípio da forma dos atos/art.131º do CPC (os atos processuais obedecem a modelos
regulados pela entidade competente e se a lei diz que são obrigatórios, são obrigatórios)

→ Princípio da cooperação/art.7º do CPC

→ Princípio da boa-fé processual/art.8º do CPC (má-fé/art.542º do CPC)

→ Princípio do dever de recíproca correção/art.9º do CPC


Instância/art.259º ao 310º do CPC

Processo é um conjunto de atos que se vão praticando desde o início do processo, desde o
início da instância, que tem uma sequência própria que está definida no código e que
obedecem a regras que estão estabelecidas no código. Um processo em particular inicia-se
quando se dá entrada da petição inicial, inicia-se a instância, e depois cria-se uma série de
relações jurídicas, sabe-se quem é o autor, quem é o réu, quem são as partes
intervenientes, sabemos qual é o pedido, qual é a causa do pedido, ou seja, tudo isto é que
define a instância.

Cada processo tem uma individualidade própria que nós nominamos, uma relação jurídica
processual e esta relação jurídica processual chama-se instância.
A instância inicia-se pela proposição da ação inicial e termina quando se extingue a
instância.

Elementos essenciais da instância:


Partes principais – autor (quem dá início ao processo), réu e tribunal
Partes acessórias/eventualmente (partes que intervêm para defender o interesse das
partes principais e ficam subordinadas a elas) – assistentes/art.326º do CPC, Ministério
Público/art.325º do CPC e intervenção provocada/art.321º do CPC
Objeto – é o pedido que o autor faz contra o réu, que é sustentado na causa de pedido (na
causa de pedido tem que se invocar os factos)

Ação declarativa e Ação executiva/art.10º do CPC

Ação declarativa (quanto à finalidade) → de simples apreciação (podem ser positivas ou


negativas e aqui apenas se pede que o juiz perante uma situação de incerteza, que declare
se o direito existe ou não existe)
→ de condenação (aqui já se pede ao tribunal que
ordene ao réu que ele realize uma prestação correspondente à pretensão do autor como
por exemplo o pagamento de uma quantia pecuniária etc. e tem estas vertentes, tem
sempre que pedir o reconhecimento da existência do direito e depois a reintegração do
direito, que é a ordem que é emitida ao réu para que cumpra o direito)
→ constitutivas (aqui não se pede a condenação de
ninguém, porque o efeito jurídico que se pretende com a sentença acontece
independentemente da vontade do réu, isto é, nasce da própria sentença) normalmente
estas ações tem haver com direitos potestativos/direito que existe e se impõe à outra parte
e vai ser cumprido mesmo que a outra parte não queira “por exemplo uma ação de
divorcio”

IMPORTANTE: Podemos ter ações declarativas de natureza mista, ou seja, existem ações
que são uma mistura de ações declarativas de condenação e de ações declarativas
constitutivas.
Exemplo: Um inquilino que não paga a renda e tem por hábito deixar o lixo à porta de casa
e fazer grandes festas até altas horas
Esta ação tem 2 vertentes, tem uma 1ª em que se pede a resolução do contrato/ação
declarativa constitutiva extintiva (pelo facto do inquilino ter violado as regras de higiene, de
sossego e de não ter pago a renda) e tem uma 2ª em que se pede a entrega da coisa/ação
declarativa de condenação

Ação executiva → pagamento de quantia certa


→ prestação de facto
→ entrega de coisa certa

O que é que distingue uma ação declarativa de uma ação executiva?


Na ação declarativa o tribunal declara se o direito existe ou não, se foi violado e se o direito
for demonstrado e demonstrado que foi violado, dá uma ordem à outra parte para cumprir
a sua obrigação. Pede-se ao tribunal que declare o direito.
Na ação executiva já existe um documento, que é o nominado título executivo, pode ser
uma sentença ou outros que estão mencionados no art.703º do CPC e com base nesse
documento nós vamos pedir ao tribunal, que através do uso da força faça cumprir, o direito
violado (já não se discute quem é o titular do direito e quem é que o violou).
Nós só vamos para a ação declarativa, se não tivermos título executivo e na ação
declarativa o que se pretende é que se declare o direito.
Formas de processo

As ações podem seguir a forma de processo comum ou a forma de processo especial nos
termos do art.546º/1 do CPC. A regra é que sigam a forma de processo comum.
O processo especial aplica-se aos casos expressamente designados na lei/art.546º/2 do
CPC.
As providências cautelares e também os incidentes da instância não são processos
especiais, são ações que são intentadas e que normalmente estão dependentes da ação
principal.

Enquanto aos processos especiais/art.878º e seguintes do CPC:


● Tutela da personalidade/art.878º e seguintes do CPC
● Da justificação da ausência/art.881º e seguintes do CPC
● Do acompanhamento de maiores/891º e seguintes do CPC (o juiz afere a situação
concreta do maior que carece de acompanhamento e define na sentença quais são os atos
que ele pode praticar e não praticar em função da sua situação concreta, é adaptado à
pessoa e nomeia uma pessoa)
● Da prestação de caução/art.906º e seguintes do CPC
● Da divisão de coisa comum/art.905º e seguintes do CPC
● Do divórcio e separação sem consentimento do outro cônjuge/art.931º e 932º do CC
● Da liquidação da herança vaga em benefício do Estado/art.938º, 939º e 940º do CC
(alguém morreu e não existem sucessores do mesmo, nos termos do direito sucessório a
herança fica vaga para o Estado, o que implica que posteriormente tem que haver uma
liquidação do património do falecido a favor do Estado e essa liquidação vai ser feita nos
termos do art.938º e seguintes do CPC)
● Da prestação de contas/art.941º e seguintes do CPC
● Reforma de autos/art.959º e seguintes do CPC
● Da ação de indemnização contra magistrados/art.967º e seguintes do CPC
● Da revisão de sentenças estrangeiras/art.978º e seguintes do CPC (um cliente que se
casou cá, mas divorciou-se na África do Sul e ele quer que o divórcio seja averbado cá em
Portugal e para tal tem que ir buscar a sentença Sul Africana, tem que a traduzir para
Português, tudo com certidões e tem que ir pedir ao Tribunal da Relação competente que
reconheça essa mesma sentença como válida em Portugal e que seja averbado o divórcio
cá)
● Fixação judicial do prazo/art.1026º e 1027º do CPC
● Notificação para preferência/art.1028º e seguintes do CPC
● Do processo de inventário/art.1082º e seguintes do CPC
● Processo de injunção/DL 269/98 de 1 de setembro (este processo tem 2 variantes: tem
uma ação especial para cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos e
tem o processo de injunção/ quanto à 1ª variante tem uma limitação de valores, não pode
ultrapassar os 15000€ e tem que estar em causa o não cumprimento do contrato e segue
os tramites especiais que estão fixados no DL 269/98 de 1 de setembro e quanto à 2ª
variante não há qualquer limitação de valor, mas só podemos ir para a injunção se tivermos
perante transações comerciais e que estejam comerciantes de ambos os lados); (o processo
de injunção face ao processo declarativo comum, é mais simples, é mais barato, se não
houver oposição é muito mais rápido e não é preciso constituir advogado nem solicitador
para interpor o processo); (é um processo simplificado que permite ao credor pedir o
pagamento do seu crédito sem sequer interpor um verdadeiro processo judicial, o processo
dá entrada no tribunal mas o processo não é distribuído ao juiz, vai para o secretário, o
secretário notifica a outra parte e se a outra parte não contesta, automaticamente tem um
título executivo, um documento que equivale a uma sentença, só que no processo de
injunção se temos 2 comerciantes no litígio, nós podemos por a injunção
independentemente do valor, se temos de um lado um comerciante e outro não
comerciante, há a limitação dos 15000€ e ultrapassando este valor temos que instaurar
uma ação declarativa processo comum); (o processo de injunção face ao processo
declarativo comum, é mais simples, é mais barato, se não houver oposição é muito mais
rápido e não é preciso constituir advogado nem solicitador para interpor o processo)

Qual é o procedimento que se aplica a cada um destes processos (processos especiais)?


Em primeiro aplicam-se as normas que são próprias, depois aplicam-se as normas gerais e
comuns a todos os processos que estão nos art.130º a 545º do CPC e depois tudo o que não
estiver aqui previsto numas e noutras notas vamos ao processo comum.

No processo de execução também existe a forma de processo comum e a forma de


processo especial e está regulado no processo de execução no art.550º e 551º do CPC.

Porque é que a execução por alimentos/art.933º do CPC não segue a tramitação do


processo comum?
Porque aqui está em causa a subsistência de uma pessoa.
Estrutura da relação jurídica processual:
As partes
Na ação declarativa → do lado ativo chama-se, autor (partes principais)
→ do lado passivo chama-se, réu (partes principais)
Na ação executiva → do lado ativo chama-se, exequente/credor da prestação
→ do lado passivo chama-se, executado/devedor da prestação
Nos procedimentos cautelares → do lado ativo chama-se, requerente
→ do lado passivo chama-se, requerido
No recurso → do lado ativo chama-se, recorrente
→ do lado passivo chama-se, recorrido

Um processo tem que ter pelo menos 2 partes, um autor e um réu, mas existem processos
em que existe pluralidade de partes. Existem situações em que a pluralidade de partes é
obrigatória, outras é facultativa.
No que diz respeito à pluralidade de partes temos 2 figuras jurídicas distintas: litisconsórcio
e a coligação.

Pluralidade de partes
Litisconsórcio/art.32º e seguintes do CPC (várias pessoas no mesmo processo)

O litisconsórcio pode ser → inicial (significa que desde o inicio do processo existe uma
pluralidade de partes, ou seja, por exemplo temos 2 autores desde o inicio)
→ sucessivo ( significa que o processo se iniciou
apenas por exemplo com 1 autor mas num momento posterior vai ser chamado aos autos
de forma espontânea/art311º do CPC ou provocada/art.316º do CPC mais um autor)

O litisconsórcio pode ser → voluntário/art.32º e 35º, 1ª parte do CPC (existe uma relação
jurídica que é comum a várias pessoas, mas essas pessoas só intervêm todas naquele
processo se o quiserem/Exemplo: art.534º e 512º do CC)
→ necessário /art.33º do CPC (não podemos intentar a ação sem
ter lá as pessoas todas, e essas pessoas têm que lá estar quando a lei, quando o negócio
jurídico ou quando a própria natureza da relação jurídica de direito substantivo se discute
no processo assim o impuser)
→ necessário legal (é uma pluralidade de partes em que têm que
estar obrigatoriamente presentes todos os sujeitos relativos à relação material
controvertida porque a lei o impõe/Exemplo: art.419º e535º do CC)
→ necessário convencional (é o próprio negócio jurídico
celebrado entre as partes que obriga a que aqueles sujeitos tenham que lá estar todos)
→ necessário natural/art.33º/2 do CPC (se não estiverem lá todos
os sujeitos a sentença não produz o seu efeito normal ou até pode nem produzir efeito
nenhum, a falta de um deles leva à ilegitimidade dos outros)
→ subsidiário/art.39º do CPC (aqui o legislador, se existir uma
duvida sobre quem é que são os sujeitos da relação material controvertida, por exemplo
quem é que deve ser o réu, quem é que deve ser o autor, permite que se deduza um
pedido subsidiário/só é apreciado se o 1º não for)

Litisconsórcio ≠ Coligação → o que é que os distingue?


Tanto no litisconsórcio como na coligação existe uma pluralidade de partes, só que no
litisconsórcio nós temos uma única relação de direito substantivo que se discute no
processo enquanto que na coligação nós temos várias relações de direito substantivo que
se discute no processo.

Coligação/art.36º e 37º do CPC

A coligação ao contrário do litisconsórcio é normalmente sempre facultativa. Existe apenas


uma situação em que por efeitos da lei, a coligação é obrigatória, estamos a falar, no seio
da ação executiva, o chamado concurso de credores que está no art.786º do CPC.

Requisitos da coligação:
- os pedidos têm que ser compatíveis entre si/art.555º do CPC
- a causa de pedir (fundamentos) tem que ser a mesma ou quando não for a mesma os
pedidos estejam entre si numa relação de prejudicialidade ou de dependência/art.36º, nº1
do CPC
- quando embora a causa de pedir seja diferente, a procedência dos pedidos principais
dependa essencialmente da apreciação dos mesmos factos(Exemplo: os casos de acidentes
de viação que envolvem várias situações diferentes)/art.36º, nº2 do CPC
- quando embora a causa de pedir seja diferente esteja em causa a aplicação das mesmas
regras de direito ou de cláusulas de contratos perfeitamente análogas/art.36º, nº2 do CPC
- quando os pedidos deduzidos contra os vários réus se baseiam na invocação da obrigação
cartular quanto a uns e da respetiva relação subjacente quanto a outros/art.36º, nº3 do
CPC

Obstáculos à coligação/art.37º do CPC

Se estivermos perante uma coligação ilegal, isso implica a absolvição da instância, o que
significa que o réu vai ser absolvido da instância, o processo vai terminar e o juiz não chega
a conhecer o pedido/art.576º, nº2 e 577º, al. f) do CPC

Pressupostos processuais

Pressupostos processuais – são pressupostos que têm que estar presentes sob pena de o
processo não poder prosseguir seus termos, têm que estar presentes para nós podermos
dar entrada com o processo.

Pressupostos processuais relativos às partes (só se estes pressupostos estiverem presentes


é que o juiz mais tarde pode apreciar o mérito da causa):
● a personalidade judiciária/art.577º, al. c) do CPC e art.11º e 12º do CPC
● a capacidade judiciária/art.577º, al. c) do CPC e art.15º do CPC
● a ilegitimidade das partes/art.577º, al. e) do CPC
● o patrocínio judiciário obrigatório/art.577º, al. h) do CPC
● interesse processual ou exigível (é de construção doutrinal ou jurisprudência)

Personalidade judiciária – é o poder que eu tenho de requerer uma providência qualquer


junto do tribunal.
A falta de personalidade judiciária em regra é insanável, leva à absolvição da instância, no
entanto existem 2 situações em que de facto pode ser sanada a falta de personalidade
judiciária/art.351º e art.14º do CPC.

Capacidade judiciária – consiste na suscetibilidade de estar, por si, em juízo/art.15º do CPC.


(ver também os art.16º; 17º; 18º; 21º; 22º; 27º; 28º; 29º; 577º, al. c) e 278º/1, al. c) do
CPC)
Se estamos perante uma incapacidade judiciária (exceção dilatória/art.577º, al. c) do CPC),
a consequência do não suprimento dessa incapacidade é diferente consoante estejamos do
lado do autor ou estejamos do lado do réu. Se estamos do lado do autor e se a
incapacidade judiciária não for sanável, ou seja, se o representante legal não aceitar os atos
anteriormente praticados pelo incapaz, isso implica a absolvição da instância por parte do
réu, pelo contrário, se o réu contesta e não tem capacidade judiciária, se não for sanada a
incapacidade judiciária, não implica a absolvição da instância por parte do réu.

Legitimidade – é quem tem legitimidade como autor, ou seja, é quem juridicamente pode
fazer valer o direito que invoca e é quem tem legitimidade como réu, ou seja, é quem
juridicamente pode opor-se a essa mesma pretensão. Se o autor e o réu não estiverem no
processo a sentença não produz nenhum efeito e se não for suprida a falta de um deles,
estamos perante uma exceção dilatória que é a legitimidade que leva à absolvição da
instância do réu/art.278º/1, al. d) do CPC.

Quem tem legitimidade para intervir como autor é o titular da relação material
controvertida do lado ativo e quem tem legitimidade para intervir como réu é o titular da
relação material controvertida do lado passivo.

Legitimidade singular – quando na relação material controvertida tem que estar


apenas um sujeito, quer no lado ativo, quer no lado passivo (1 autor e 1 réu).
Legitimidade plural – quando na relação material controvertida tem que estar mais
que um sujeito, quer no lado ativo, quer no lado passivo.
Quando não estão lá todas as pessoas que devem estar do lado ativo ou do lado passivo,
falamos em ilegitimidade plural. A ilegitimidade plural acontece quando não se cumpre o
litisconsórcio (necessário, legal, convencional ou natural), é o caso da legitimidade contra
os cônjuges/art.34º do CPC e art.1682º, 1682º-A e 1682º-B do CC

A legitimidade é suprida através da intervenção espontânea/art.311º do CPC e da


intervenção provocada/art.316º do CPC + 261º do CPC
A falta de legitimidade no caso dos cônjuges é suprida:
1º → através da obtenção do consentimento
2º → se não houver consentimento, através do suprimento do consentimento/art.1000º do
CPC (é o juiz que vem suprir) e art.34º/2 do CPC
3º → através da intervenção provocada/art.316º do CPC
Se por ventura nada disto for possível, a consequência é a absolvição da instância por parte
do réu/art.278º/1, al. d) do CPC

Patrocínio judiciário obrigatório – é um pressuposto processual que consiste na


necessidade de a parte ou as partes serem representadas por advogado. Na prática o
patrocínio judiciário é a assistência técnica que é prestada por um profissional forense na
condução do processo.
Quando falamos em patrocínio judiciário em Portugal, falamos no exercício de poderes de
representação perante o tribunal e esse exercício de poderes de representação perante o
tribunal cabe ao profissional do foro, que conduz, orienta o processo, estando a falar de
uma coisa que se chama, mandato judicial.
Esse mandato judicial, assenta num contrato que se chama, contrato de mandato que é
celebrado entre as partes, cliente/constituinte e o mandatário que é o advogado, advogado
estagiário ou solicitador.

Porque é que em certos processos é obrigatório o patrocínio judiciário, ou seja, porque é


que a parte tem que estar representada por mandatário judicial?
Por 2 razões fundamentais, a 1ª tem a ver com razões de ordem psicológica e 2ª por razões
de ordem técnica.

Como é que se confere uma procuração?


Uma procuração pode ser conferida com poderes gerais e ou com poderes especiais.

Procuração com poderes forenses gerais – é uma procuração com poderes suficientes para
que os advogados representem as partes em todos os atos processuais e incidentes, mas é
a procuração que se pode conferir com menos poderes, ou seja, tudo o que implique
conferências, desistência do pedido, desistência da instância, acórdãos, o advogado não
pode. Esta procuração não permite ao advogado praticar esses atos processuais.
Se os advogados quiserem praticar alguns dos atos atrás mencionados, tem que ser uma
procuração com poderes forenses especiais,art.45º/2 do CPC.
Substabelecimento do mandato, art.44º/2 e art.44º/3 do CPC – é uma transferência parcial
ou total de poderes, parcial se for com reserva, total se for sem reserva.
Substabelecimento com reserva/o colega substituí só naquela diligência
Substabelecimento sem reserva/o colega fica com o processo.

Quando é que o patrocínio judiciário é obrigatório?


Art.40º/1 do CPC

O que é que acontece se nós dermos entrada com um processo desacompanhado de


advogado?
A falta de constituição de advogado é uma exceção dilatória/art.577º do CPC. Se formos
autores e se não constituirmos advogado, mesmo depois da notificação por parte do juiz, o
réu é absolvido da instância, pelo contrário, se formos réus e se não constituirmos
advogado, mesmo depois da notificação por parte do juiz, o processo prossegue sem que
seja considerada a contestação que foi junta aos autos, estamos a falar da revelia, ou seja,
não há contestação/art.41º do CPC.

Interesse processual – é um pressuposto que não está no CPC. Este pressuposto processual
tem relevância quer da parte do autor, quer da parte do réu.
Existe interesse processual quando há uma necessidade justificada, razoável de
interposição do processo, de fazer prosseguir a ação, porque se este interesse não existir, a
ação é inútil e é desnecessária.
Nas ações declarativas de simples apreciação, há interesse processual quando se quer por
termo a uma situação de incerteza que é objetiva (que existe) e grave (quando pode vir a
provocar prejuízo).
Nas ações declarativas constitutivas, há interesse processual quando o direito potestativo
não pode ser exercido pelas vias normais, tem que ser através do tribunal.
Nas ações declarativas de condenação, há interesse processual quando a obrigação é
exigível.

Consequências da falta de interesse processual/art.610º, nº2 do CPC/art.535º do CPC


RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 1

1) Estamos perante uma ação declarativa de natureza mista, porque ela em primeiro lugar,
é uma ação declarativa de condenação, nos termos do art.10º/3, al. b) do CPC, condena os
réus, a entrega da coisa/imóvel mas simultaneamente é uma ação declarativa constitutiva
extintiva, nos termos do art.10º/3, al. c) do CPC, porque se pede a resolução do contrato de
arrendamento. A resolução do contrato, opera mediante a prova de factos que estão
contidos no código que demonstram que há um incumprimento grave do contrato e
provando-se estes factos a sentença decreta a resolução do contrato, mesmo que os
arrendatários não o queiram, ou seja, por mero efeito da sentença, põe-se fim à relação
jurídica, que é a relação jurídica de arrendamento.
Esta ação prossegue a forma de processo comum, nos termos do art.548º do CPC, porque
não existe nenhuma forma especial para o processo de despejo.

2) António não poderá intentar por si só a ação, nem demandar apenas Carlos, porque
estamos perante uma situação de litisconsórcio necessário legal do lado ativo, do lado do
autor e também do lado passivo, do lado do réu sob pena de se incorrer em ilegitimidade
plural do lado ativo e do lado passivo, porque de acordo com o art.34º/1 e art.34º/3 do
CPC, têm que ser propostas por ambos os cônjuges, ou por um deles com consentimento
do outro, as ações que possa resultar perda ou oneração de bens que só por ambos possam
ser alienados ou a perda de direitos que só por ambos possam ser exercidos, o que é o
caso, António e Berta estão casados no regime da comunhão geral e sendo assim a ação
não só tinha que ser intentada por ambos, uma vez que ambos eram titulares do direito em
causa, como também estando em causa o arrendamento que nos diz que estando perante
a casa de morada de família ao abrigo do art.34º/1 e art.34º/3 do CPC, também Carlos e
Dionísia teriam ambos que ser réus.
Resta dizer que se tal não fosse cumprido, estaríamos perante uma situação de
ilegitimidade plural, sendo esta uma exceção dilatória, nos termos do art.576º/1, 1ª parte
do CPC, que implica a absolvição da instância, nos termos do art.576º/2, art.577º, al. e) e
art.278º/1, al. d) do CPC.
A ilegitimidade pode ser suprida através da intervenção espontânea, art.311º do CPC ou
através da intervenção provocada, art.316º do CPC.
RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 2

1) Quanto à forma, nos termos do art.546º/1 do CPC, o processo pode ser comum ou
especial, no entanto, esta ação prossegue a forma de processo comum declarativa, nos
termos do art.548º do CPC, porque não existe nenhuma forma de processo especial para o
pagamento do preço com base na violação de um direito de crédito.
Quanto à finalidade, as ações declarativas podem ser de 3 tipos, poderá ser uma ação de
simples apreciação, em que se requer ao tribunal, tão só, que se declare a existência ou
inexistência de um direito ou de um facto, o que não é o caso, porque aqui pede-se o
pagamento do preço, poderá ser uma ação constitutiva, em que se requer ao juiz que emita
uma sentença, que conduza a alteração na esfera jurídica do réu, o que não é o caso,
porque aqui não se emite nenhuma ordem dirigida ao réu, não se pede a condenação do
réu e poderá ser uma ação de condenação, em que se pede o reconhecimento de um
direito, pede-se ao tribunal que reconheça que esse direito foi violado e pede-se a
reintegração do direito condenando o réu a uma prestação, o que é o caso.
Concluindo, estamos perante uma ação declarativa de condenação, nos termos do
art.10º/3, al. b) do CPC, porque se exige a prestação de uma coisa, o pagamento do preço,
pressupondo a violação de um direito, neste caso de um direito de crédito.

2) Quando falamos em mandatário, estamo-nos a referir a um pressuposto processual,


patrocínio judiciário, nos termos do art.40º e seguintes do CPC, que consiste nas partes
serem representadas por advogado. Este pressuposto processual é obrigatório por razões
de ordem psicológica e de ordem técnica que pode ser conferido por procuração forense,
nos termos do art.43º, al. a) do CPC de poderes gerais, nos termos do art.45º/1 do CPC e ou
poderes especiais, nos termos do art.45º/2 do CPC, podem ainda ser de forma verbal, nos
termos do art.43º, al. b) do CPC ou de nomeação oficiosa, nos termos do art.51º ou 52º do
CPC.
Neste caso o valor da causa é de 20000€ o que significa que estamos perante um processo
em que é admissível recurso ordinário, em que estamos perante um valor superior à alçada
do tribunal de 1ª instância, pelo que, nos termos do art.40º/1, al. a) do CPC, é obrigatória a
constituição de advogado.
Caso não seja cumprida a obrigação de constituir advogado, o próprio juiz oficiosamente ou
a requerimento da parte contrária determina a sua notificação para constituir dentro do
prazo certo, sob pena do réu ser absolvido da instância, caso seja o autor a não cumprir
com a obrigação, de não ter seguimento o recurso ou de ficar sem efeito a defesa no caso
do réu, nos termos do art.41º do CPC. Tendo em mente que é uma exceção dilatória, nos
termos do art.576º e art.577º, al. h) do CPC.
3) Conjugando o nº1, nº2 e nº3 do art.30º do CPC, chegamos à conclusão quem são
titulares da relação material controvertida.
Do lado ativo é a empresa Carros, Lda., porque tem interesse direto em demandar, é útil
para si a interposição da ação, uma vez, que é o credor e sendo o credor tem direito a
receber o preço.
Do lado passivo temos 2 pessoas que adquiriram, e segundo o art.34º/3 do CPC, devem ser
propostas contra ambos os cônjuges as ações emergentes de facto praticado por ambos e
nos termos do art.1691º/1, al. a) do CC, são da responsabilidade de ambos os cônjuges as
dívidas contraídas, antes ou depois da celebração do casamento, pelos dois cônjuges, o que
é o caso, estando assim perante uma situação de litisconsórcio necessário legal passivo de
acordo com os artigos acima mencionados. Aqui ambos têm que ser demandados, porque
se assim não o for, estamos perante uma situação de ilegitimidade, sendo esta uma
exceção dilatória, nos termos do art.576º/1, 1ª parte do CPC, que implica a absolvição da
instância, nos termos do art.576º/2, art.577º, al. e) e art.278º/1, al. d) do CPC.
A ilegitimidade pode ser suprida através da intervenção espontânea, art.311º do CPC ou
através da intervenção provocada, art.316º do CPC.

4) Ao abrigo do art.34º/3, parte final do CPC e ao abrigo do art.1691º/1, al. b) do CC é


instaurada a ação contra ela/Maria também, porque ela tem legitimidade para intervir e se
assim for, segundo o art.1695º/1 do CC, pelas dívidas que são da responsabilidade de
ambos os cônjuges respondem os bens comuns do casal, e, na falta ou insuficiência deles,
solidariamente, os bens próprios de qualquer dos cônjuges.
Tribunais

Tribunal em 2 vertentes:
- organização judiciária (conceito, estrutura, classificação dos tribunais e funcionamento)
- competência (poder jurisdicional que cada um dos tribunais tem)

Organização judiciária
Que princípios fundamentais é que presidem à administração da justiça?
1º independência (os tribunais são independentes dos outros órgãos de soberania e apenas
devem obediência à lei, art.203º da CRP)
2º os tribunais quando atuam têm direito à coadjuvação de outras autoridades, art.202º/3
da CRP
3º as decisões proferidas pelos tribunais vinculam todas as entidades, sejam públicas ou
privadas, art.205º/2 da CRP
4º obrigação de fundamentação de todas as decisões que não sejam de mero expediente,
art.205º/1 da CRP
5º as audiências dos tribunais são públicas (princípio da publicidade), art.206º da CRP

Classificação dos tribunais:


→ Tribunais Arbitrais que funcionam com 3 árbitros e temos dois tipos, tribunais arbitrais
voluntários que são regulados pela Lei 63/2011, pela LAF e nascem da vontade das partes e
tribunais arbitrais necessários que são impostos pela lei, ou seja, é a própria lei é que
consigna que em caso de litígio naquela matéria que o litígio tem que ser obrigatoriamente
decidido pelo tribunal arbitral, art.1136º e seguintes do CPC.
→ Tribunais Permanentes, que é o tribunal constitucional, é o tribunal de contas, são os
tribunais administrativos e fiscais e é os tribunais judiciais (são os que vamos estudar), e a
regulamentação dos tribunais judiciais encontra-se na Lei 62/2013 e no DL 49/2014.
Em relação aos Tribunais Judiciais vamos falar do Supremo Tribunal de Justiça, dos
Tribunais da Relação (2ª Instância) e dos Tribunais de 1ª Instância (em regra são os
Tribunais de Comarca).

● Tribunais de 1ª Instância (em regra são os T. de Comarca) – são os tribunais em que o


processo vai ser julgado pela 1ª vez
● Tribunais de 2ª Instância (T. da Relação) – são os tribunais em que o processo é
submetido a uma 2ª apreciação e eventualmente julgamento
● Supremo Tribunal de Justiça – apenas intervém em casos limitados, só para julgar o
direito

Tribunais de competência territorial alargada (são tribunais


que têm competência em mais de uma comarca ou até sobre
todo o território nacional/art.83º da Lei 62/2013 → comp.
Tribunais de 1ª Instância especializada)
(juízes de direito)
Tribunais de comarca (comp. genérica e comp. especializada/)
art.81º da Lei 62/2013)

Os tribunais de comarca desdobram-se em juízos locais (competência genérica), juízos


centrais (competência especializada) e juízos de proximidade.

Tribunais da Relação/art.67º e seguintes da Lei 62/2013 (juízes embargadores)

Supremo Tribunal de Justiça/art.45º e seguintes da Lei 62/2013 (juízes conselheiros)

Dentro dos tribunais trabalham, os magistrados judiciais (juízes), Ministério Público e os


funcionários judiciais.

A magistratura judicial tem algumas características:


1º lugar – eles apenas dependem do conselho superior de magistratura
2º lugar – irresponsabilidade (significa que os juízes por regra não respondem pelos erros
das suas decisões)
3º lugar – inamovibilidade (significa que os juízes são nomeados vitaliciamente para os
seus cargos e não podem ser transferidos)
O que faz o Ministério Público?
Representa o Estado junto dos tribunais, as regiões autónomas, as autarquias locais e em
certas situações os menores/os incertos/os incapazes/os ausentes.

O Ministério Público tem diferentes denominações:


- na 1ª Instância → chamam-se procuradores da república
- nos Tribunais da Relação → chama-se procuradores gerais adjuntos
- no Supremo Tribunal da Justiça → chama-se procurador geral da república

Os funcionários judiciais, atendem o público, recebem os articulados e juntam-nos aos


processos respetivos, auxiliam os juízes no decurso do julgamento, redigem as atas de
acordo com o que se passou e de acordo com as instruções do juíz/do Ministério Público ,
fazem citações, alguns ainda fazem penhoras, notificações, etc.

Competência interna dos tribunais

Na ordem interna, a jurisdição reparte-se pelos diferentes tribunais segundo a matéria, o


valor da causa, a hierarquia judiciária e o território/art.60º do CPC.

Competência em razão da matéria:


Tudo o que não seja entregue ao Tribunal de Contas, ao Tribunal Administrativo e Fiscal e
ao Tribunal Constitucional, cabe aos Tribunais Judiciais.

Competência em razão do valor:


Pode haver uma repartição de competência nas instâncias centrais e locais em função do
valor da causa/art.66º do CPC
Competência em razão do território:
- Foro real/art.70º do CPC
- Foro obrigacional/art.71º do CPC
- Foro marítimo/art.74º do CPC e art.75º do CPC
- Foro do autor/art.72º do CPC
- Foro do réu/art.80º, nº1 do CPC, art.81º, nº1 do CPC e art.82º, nº1 do CPC
- Foro dos juízes e seus familiares/art.84º do CPC
- Foro territorial processual/art.78º do CPC
- Foro das notificações judiciais avulsas/art.79º do CPC
- Foro dos recursos/art.83º do CPC
- Forro por conexão/art.73º do CPC

Competência convencional/art.95º do CPC (As partes podem convencionar em caso de


litígio, onde irá decorrer o julgamento, alterar a competência territorial. Tem que ser feito
de modo formal, por escrito e bem fundamentado, mas existem limitações que derivam da
lei/ver art.104º do CPC)

Vamos admitir que está em causa a reivindicação de um prédio rustico, sito aqui na vila de
Idanha-a-Nova e o prédio rustico vale 100000€. Onde é que nós vamos dar entrada do
processo?
1º lugar – temos que ir aos artigos 70º e seguintes/identificar o foro competente → neste
caso foro real
2º lugar – temos que ver qual é a comarca competente sobre um determinado município →
neste caso vimos que existe a comarca de Castelo Branco/art.74º do DL 49/2014 e de
seguida vamos ao mapa III do DL 49/2014 e vimos em que municípios incide a Comarca de
Castelo Branco → neste caso vimos que incide sobre o município de Idanha-a-Nova.
3º lugar – temos que ver o valor da causa/art.296º e seguintes do CPC → neste caso o valor
da causa é de 100000€ por força do art.302º do CPC
4º lugar – temos que ir ao art.117º/1 da Lei 62/2013 → neste caso era o juízo central cível
de Castelo Branco
RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 3

1) O foro no caso em concreto é o foro obrigacional, nos termos do art.71º/2 do CPC


porque os acidentes de viação provocam responsabilidade civil baseada em facto ilícito ou
fundada no risco e neste caso o tribunal competente é o correspondente ao lugar onde o
facto ocorreu.
Com base no mapa anexo III anexo ao DL 49/2014 chegamos à conclusão que a comarca
competente é a Comarca de Castelo Branco porque a Comarca de Castelo Branco tem
competência sobre o município da Sertã, local onde o facto ilícito ocorreu.
Com base no art.74º e o mapa anexo III do DL 49/2014 chegamos à conclusão que
relativamente aos juízos a Comarca de Castelo Branco possui juízo central cível de Castelo
Branco e juízo de competência genérica da Sertã, tendo aqui duas hipóteses. Afim de saber
qual o juízo em vigor tem que se determinar o valor da causa, que deve ser um valor certo,
expresso em moeda legal, qual representa a utilidade económica imediata do pedido, nos
termos do art.296º do CPC, sendo assim o valor da causa é de 75000€, nos termos do
art.301º do CPC.
Conclui-se que o tribunal competente é o juízo central cível de Castelo Branco pelo disposto
nos termos do art.117º/1, al. a) da Lei 62/2013, uma vez que a ação tem um valor superior
a 50000€.

2) Têm legitimidade para intervir como autores a Ana, o Victor e o Manuel porque têm
interesse direto em demandar, nos termos do art.30º/1 do CPC, porque beneficiam com a
entrada do processo e porque são titulares da relação material controvertida, são
intervenientes do acidente. E tem legitimidade para intervir como réu a seguradora porque
a responsabilidade civil é transferida por efeito da celebração do contrato de seguro e é a
exceção que está no art.30º/3 do CPC, existe uma lei contrária e por tal confere
legitimidade à seguradora e não ao Sr. João para intervir.
Os filhos de Victor e a vizinha de Ana, não tinham legitimidade para intervir porque não são
titulares da relação material controvertida, não são intervenientes do acidente.

3) No litisconsórcio há apenas uma única relação material controvertida que está em


discussão no processo, pelo contrário na coligação há uma pluralidade de relações
materiais controvertidas que está em discussão no processo.
Quando estamos perante um acidente de viação com vários autores estamos perante uma
coligação ao abrigo do art.36º/2 do CPC, ou seja, num acidente de viação a causa de pedir
de cada um dos autores não é a mesma, é diferente. Embora parta da apreciação dos
mesmos factos, a causa de pedir de cada um dos autores é diferente, porque os prejuízos
não são os mesmos, os danos que cada um sofreu serão diferentes.
Concluindo, a Ana, o Victor e o Manuel podem ser simultaneamente autores na presente
ação porque estamos perante uma pluralidade de partes do lado ativo e o fundamento da
pluralidade de partes do lado ativo é a coligação de autores que consta do art.36º/2 do
CPC.
RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 4

1) O foro no caso em concreto é o foro obrigacional, nos termos do art.71º/1 do CPC


porque o que está aqui a ser pedido é o cumprimento de uma obrigação pecuniária e neste
caso a ação tem que ser proposta no tribunal do domicílio do réu.
Com base no mapa anexo III anexo ao DL 49/2014 chegamos à conclusão que a comarca
competente é a Comarca de Castelo Branco porque a Comarca de Castelo Branco tem
competência sobre o município de Proença-a-Nova, onde residem os réus.
Com base no art.74º e o mapa anexo III do DL 49/2014 chegamos à conclusão que
relativamente aos juízos a Comarca de Castelo Branco possui juízo central cível de Castelo
Branco e juízo de competência genérica de Oleiros que tem competência sobre o município
de Proença-a-Nova, tendo aqui duas hipóteses. Afim de saber qual o juízo em vigor tem que
se determinar o valor da causa, que deve ser um valor certo, expresso em moeda legal, qual
representa a utilidade económica imediata do pedido, nos termos do art.296º do CPC,
sendo assim o valor da causa é de 30000€, nos termos do art.301º do CPC.
Conclui-se que o tribunal competente é o juízo de competência genérica de Oleiros pelo
disposto nos termos do art.117º/1, al. a) da Lei 62/2013, uma vez que a ação não tem um
valor superior a 50000€.

Porque é que é o juízo local?


Porque o art.130º/1 da Lei 62/2013 diz que os juízos locais vão julgar as causas que não
sejam atribuídas a outros juízos ou tribunal de competência territorial alargada, ou seja, é
uma competência residual.

2) Nos termos do art.13º do CPC, conjugado com os artigos 11º e 12º do CPC a sucursal tem
personalidade judiciária, uma vez que estas podem demandar ou ser demandadas quando
a ação proceda de facto por ela praticado, art.13º/1 do CPC ou se a administração principal
tiver a sede ou o domicílio em país estrangeiro, as sucursais estabelecidas em Portugal
podem demandar e ser demandadas, ainda que ação derive de facto praticado por aquela,
quando a obrigação tenha sido contraída com um português ou com um estrangeiro
domiciliado em Portugal, art.13º/2 do CPC.
Tem legitimidade, uma vez que tem interesse direto em demandar, porque beneficia com a
entrada do processo e porque é titular da relação material controvertida.
No entanto a sucursal não está devidamente representada em juízo, ou seja, o funcionário
que está a representar a sucursal não tem poderes de representação, a representação cabe
ao administrador ou ao gerente da sucursal, estando assim perante uma irregularidade de
representação.
Esta irregularidade é uma exceção dilatória que se não for sanada leva à absolvição da
instância. Esta irregularidade de representação é sanada, nos termos conjugados do art.27º
e art.28º do CPC, em que o juiz por sua própria iniciativa ou a pedido da outra parte manda
citar o legal representante da sucursal.
Se o legal representante, uma vez citado ratificar os atos anteriormente praticados, o
processo segue como se o vício não existisse, no caso contrário, fica sem efeito todo o
processado e o réu é absolvido da instância.
O mais importante num processo judicial, é o mérito da causa, é saber se o pedido é
procedente ou se é improcedente.
→ Pedido – é o que o autor pretende com o processo que deu entrada, é o efeito jurídico
que se pretende obter numa ação.

O pedido está interligado com a causa de pedir, não pode haver pedido sem causa de pedir
e o pedido não pode estar em contradição com a causa de pedir e vice-versa/art.186º, nº1
e nº2, al. a) e al. b) do CPC.

O pedido é importante, porque é o pedido que vai determinar o valor da causa, é o pedido
que muitas vezes determina a forma de processo, é através do pedido que é feito é que nos
ficamos a saber qual é o tribunal competente, se há recurso ou se não há recurso, etc.

Características do pedido:
- tem que ser inteligível (não pode ser obscuro, se não leva à ineptidão da petição
inicial/art.186º, nº1, nº2 – al. a) e art.278º/1, al. b) do CPC e levará à absolvição do réu da
instância).
- tem que ser idóneo (tem que ter sustentação legal).
- tem que ser preciso (se não for → art.590º/3 do CPC).
- é permitido no mesmo processo, na mesma petição, cumularmos vários pedidos, mas não
podemos cumular nem causas de pedir, nem pedidos substancialmente
incompatíveis/art.186º/2, al. c) do CPC, porque leva à ineptidão da petição inicial e à
absolvição do réu da instância.
- não pode estar em contradição com a causa de pedir/art.186º, nº2 – al. b) do CPC.

→ Causa de pedir/art.581º, nº4 do CPC


É o fundamento do pedido, são os factos concretos e determinados que permitem que o
pedido seja julgado procedente.
Na causa de pedir temos que descrever os factos de forma objetiva, não se utiliza
conceitos, se não invocarmos factos concretos a consequência será a ineptidão da petição
inicial por falta de causa de pedir/art.186º, nº2 – al. a) e b) do CPC, art.278º, nº1 – al. b) do
CPC e art.577º, al. b) do CPC.

→ Sujeitos – são as partes que intervêm, mas do ponto de vista jurídico, não físico.
O que identifica uma ação são os sujeitos, o pedido e a causa de pedir.
A identidade de um processo afere-se pelos sujeitos, pelo pedido e pela causa de pedir.
Litispendência e caso julgado/art.580º e seguintes do CPC

Qual é a diferença entre a litispendência e o caso julgado?


Em ambas nós estamos perante uma repetição do mesmo processo.
Quando temos o mesmo sujeito, pedido e causa de pedir, ou seja, quando temos outro
processo exatamente igual, podemos estar perante uma litispendência ou um caso julgado.
● Estamos perante uma litispendência, quando a causa se repete estando ainda a
anterior em decurso.
● Estamos perante um caso julgado, quando nós temos um processo que correu os
seus termos, com sujeito, pedido e causa de pedir, o processo terminou, já foi proferida
sentença, essa sentença já não pode ser impugnada, já não admite recurso nem
reclamação, o caso já está julgado e depois mais tarde vamos intentar outro processo
exatamente igual.

Quer a litispendência, quer o caso julgado são exceções dilatórias que implicam a
absolvição do réu da instância/art.577º, al. i) do CPC.

Atenção: podemos intentar outro processo com os mesmos sujeitos, com o mesmo
pedido, mas com uma causa de pedir diferente (o fundamento do pedido tem que ser
diferente).

O professor disse que é importante para o teste saber definir o que


são os sujeitos, o pedido e a causa de pedir e também referir quais as
exceções (litispendência e caso julgado).
Atos processuais
Normalmente os atos processuais têm como destino o juiz, como por exemplo, a
contestação, a petição, a citação, a notificação, a perícia, a inquirição de testemunhas, etc.

Citação/art.225º ao art.246º do CPC


Notificações/art.247º ao art.258º do CPC

O que é o prazo processual?


É o período de tempo durante o qual o ato pode ser realizado – prazo perentório.
O prazo é dilatório ou perentório/art.139º/1 do CPC.

Ver art.279º do CC

Matéria para a 2ª frequência

Forma do processo comum

4 fases que compõem o processo comum:


1ª fase → fase dos articulados (petição inicial, contestação, etc.)
2ª fase → fase do saneamento e condensação
3ª fase → fase da instrução (prova)
4ª fase → fase da audiência final (que inclui a audiência, discussão e julgamento e também
a prorrogação da sentença)

→ fase dos articulados


A fase dos articulados é absolutamente essencial porque é a fase da narração dos factos
por parte das partes (os factos essenciais tem que ser obrigatoriamente alegados pelas
partes).
Existem articulados normais (petição inicial/produzida pelo autor e a
contestação/produzida pelo réu) e articulados eventuais/podem acontecer ou não
(réplica/produzida pelo autor e articulados supervenientes). Os articulados eventuais
apenas podem ocorrer nos casos expressamente previstos pelo CPC.

● Petição inicial é um articulado que faz nascer o processo. É o articulado pelo qual o autor
vem dar início ao seu processo, deduzindo o seu pedido e fundamentando o seu pedido na
exposição dos factos que o fundamentam. É um articulado absolutamente fundamental, é
com este articulado que nasce a instância e este articulado fixa a data em que a ação é
proposta.

O 1º requisito formal da petição inicial é que tem que ser deduzida por artigos. Depois
existem os requisitos de conteúdo.
A petição inicial divide-se em 4 partes:
- parte do preâmbulo → cabeçalho ou intróito (art.552º/1, al. a), b) e c) do CPC)
- narração (artigos); (art.552º/1, al. d) do CPC); (é absolutamente essencial porque o juiz vai
basear-se na narração para fazer o despacho saneador/art.595º e art.596º do CPC e é a
parte central da petição inicial e tem que ser deduzida por artigos nos termos do art.147º/2
do CPC)
- conclusão (parte do pedido)
- indicações complementares (declarar o valor da causa/indicar os documentos que são
juntos para prova dos factos que são alegados na narração/comprovar o prévio pagamento
da taxa de justiça devida ou a concessão do benefício de apoio judiciário, na modalidade de
dispensa do mesmo/assinatura eletrónica/juntar a procuração) (requerer a citação urgente)

CITAÇÃO
Na citação tem que conter expressamente algumas advertências:
- o réu tem que ser advertido do prazo que tem para contestar
- o réu tem que ser advertido se há ou não há necessidade de constituir advogado
- o réu tem que ser advertido das consequências da não contestação
- duplicado da petição inicial e da cópia dos documentos que a acompanhem
Modalidades da citação
A citação de pessoas singulares é pessoal ou edital/art.225º/1 do CPC.
Na citação edital, mesmo que não haja contestação, não se consideram provados os factos
alegados pelo autor, tem que haver julgamento, porque nunca há certeza absoluta de que o
réu tenha tomado conhecimento que a ação foi intentada contra ele. A revelia é não
operante.

Citação de pessoas coletivas/art.246º do CPC

MUITO IMPORTANTE/PODE SAIR NA FREQUÊNCIA


Quais os efeitos da citação?
1º lugar → interrupção da prescrição/art.323º do CC
2º lugar → faz cessar a boa-fé do possuidor/art.564º, al. a) do CPC e art.1260º/1 do CC
3º lugar → funciona como interpelação do devedor ao cumprimento/art.805º/1 do CC
4º lugar → torna estáveis os elementos essenciais da causa, nos termos do art.260ºdo
CPC/art.564º, al. b) do CPC
5º lugar → inibe o réu de propor contra o autor ação destinada à apreciação da mesma
questão jurídica/art.564º, al. c) do CPC

Contestação
Se não se contestar estamos perante uma situação que se chama revelia.
Revelia – é uma atitude que se traduz em não contestar a ação.
A revelia pode ser absoluta ou relativa e pode ser por sua vez também operante ou
inoperante.
Revelia absoluta – quando o réu não contesta, não constitui mandatário, não junta
procuração aos autos, não faz requerimentos, nem comparece em juízo.
Revelia relativa – quando o réu não contesta mas pratica algum ato processual (ou junta
procuração ou comparece em juízo, ou algum outro ato processual).
Defesa por impugnação/art.571º e art.574º do CPC
● quando venho dizer que aquele facto é falso
● quando admito que o facto é verdadeiro, mas não pode produzir aquele efeito jurídico

Defesa por exceção/art.571º, art.576º e art.577º do CPC


● quando venho alegar factos que levam à absolvição da instância → estou a alegar
exceções dilatórias
● quando venho alegar factos que levam à improcedência total ou parcial do pedido →
estou a alegar exceções perentórias

→ As exceções são dilatórias quando o réu vem invocar factos novos, diferentes dos factos
que são narrados pelo autor mas que obstam à apreciação do mérito da causa e levam à
absolvição da instância ou à remessa do processo para outro tribunal/art.576º, nº2 do CPC.
São de carater formal e tem a ver com pressupostos processuais que têm que estar
presentes e se não estiverem o juiz já não vai apreciar o mérito da causa (o processo
termina prematuramente) ou remete o processo para outro tribunal.
Salvo a incompetência absoluta, que está mencionada no art.577º, al. a) do CPC, são de
conhecimento oficioso (todas as outras exceções dilatórias descritas no art.577º do CPC),
ou seja, o tribunal conhece delas mesmo oficiosamente, mesmo que ninguém lhe
peça/art.578º do CPC.

→ As exceções perentórias têm a ver com a substância do processo, com o mérito da causa,
porque aqui o juiz já se pronuncia sobre o que é pedido.
Estas importam a absolvição total ou parcial do pedido e consistem na invocação de factos
que impedem, modificam ou extinguem o efeito jurídico dos factos articulados pelo
autor/art.576º, nº3 do CPC.
Por norma não são de conhecimento oficioso, têm que ser expressamente invocadas pelo
réu.

Quando estamos a contestar devemos começar pelas exceções dilatórias, depois pelas
exceções perentórias e depois pela defesa por impugnação.
Reconvenção/art.583º do CPC
A contestação pode ter na sua parte final uma reconvenção/art.583º do CPC
Ver também o art.93º e art.266º do CPC/fazem parte da reconvenção
A reconvenção não é um articulado, pode ser deduzida na parte final da contestação, é uma
ação que é intentada pelo réu contra o autor no mesmo processo, para que a reconvenção
seja possível têm que estar presentes estes requisitos de conexão entre a ação principal e o
pedido reconvencional, o valor da ação passa a ser a soma entre o pedido reconvencional e
o valor da ação principal, só podemos deduzir a reconvenção se o tribunal continuar a ser
competente em razão da matéria, obviamente em razão do valor será remetido para o
tribunal competente, oficiosamente. No final da reconvenção temos que indicar o valor,
sob pena de a reconvenção não ser atendida/art.583º, nº2 do CPC.

Réplica/art.584º ao art.587º do CPC

Articulados supervenientes/art.588º e art.589º do CPC


Entre a data do último articulado e a data do julgamento podem acontecer factos que são
essenciais para a boa decisão da causa, ou seja, que tem um interesse absolutamente
fulcral, decisivo para o que o autor invoca ou eventualmente para que o réu também invoca
através da sua defesa.

Tudo o que nós fazemos (os mandatários), requerimentos que damos entrada no tribunal
até à contestação, é o próprio tribunal que notifica a contraparte, é o próprio tribunal que
envia a notificação para o mandatário da outra parte.
Após a contestação (como é o caso já da réplica), o tribunal já não notifica a outra parte,
somos nós próprios (os mandatários) no CITIUS, que notificamos a contraparte.
RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 5

1) O foro no caso em concreto é o foro do autor, nos termos do art.72º do CPC e de acordo
com este artigo, para as ações de divórcio é competente o tribunal do domicílio ou da
residência do autor.
Conjugando o art.74º com o mapa anexo III do DL 49/2014, chegamos à conclusão que o
Tribunal Judicial da Comarca de Castelo Branco tem competência sobre todo o distrito de
Castelo Branco, abrangendo o município de Idanha-a-Nova, ou seja, é o Tribunal Judicial da
Comarca de Castelo Branco que tem competência sobre o município onde reside o autor,
que é Idanha-a-Nova.
Nos termos do art.122º/1,al. c) da Lei 62/2013, os tribunais de família têm competência
para julgar as ações de separação de pessoas e bens e de divórcio, no entanto verificamos,
no mapa anexo III do DL 49/2014, que o juízo de família e menores de Castelo Branco não
tem competência sobre o município de Idanha-a-Nova e o juízo de família e menores da
Covilhã não tem competência sobre o município de Idanha-a-Nova, pelo que, nos termos
do art.130º/1 da Lei 62/2013, os juízos locais cíveis, locais criminais e de competência
genérica possuem competência na respetiva área territorial, quando as causas não sejam
atribuídas a outros juízos ou tribunal de competência territorial alargada, logo, é o juízo
local de Idanha-a-Nova/juízo de competência genérica de Idanha-a-Nova que vai julgar esta
questão, porque os juízos locais têm competência residual, decidem tudo o que os juízos de
competência especializada não podem ou não querem julgar.

2) Se não se contestar estamos perante uma situação que se chama revelia, o que é o caso,
e esta pode ser absoluta ou relativa.
Neste caso estamos perante uma revelia absoluta, uma vez que o réu não contesta, nem
tem qualquer intervenção no processo. Estando perante uma revelia absoluta, nos termos
do art.566º do CPC, o tribunal tem que verificar se a citação foi feita com as formalidades
legais e ordena a sua repetição quando encontre irregularidades.
A consequência da revelia absoluta é que, consideram-se confessados os factos articulados
pelo autor (art.567º/1 do CPC), o que significa que os factos que foram narrados pelo autor
na petição inicial, se consideram como verdadeiros, estando assim perante uma revelia
operante, tendo o processo uma tramitação simplificada daí em diante na medida em que
não haveria em princípio julgamento, o processo seria confiado a ambos os mandatários
para exame e para alegarem por escrito e depois o juiz iria proferir sentença, podendo ser
uma sentença simplificada em que ele se limitava a aderir ao que era pedido pelo autor.
No entanto neste caso prático, estamos perante uma revelia inoperante, uma vez, que
estamos perante uma das exceções, que é a alínea c) do art.568º do CPC, que refere que
mesmo o réu não tendo contestado, não se consideram como verdadeiros os factos
alegados pelo autor, quando a vontade das partes for ineficaz para produzir o efeito
jurídico que pela ação se pretende obter. Sendo assim o autor terá que fazer prova em sede
de audiência de discussão e julgamento dos factos que alega e portando haverá as fases
normais do processo declarativo incluindo a audiência de discussão e julgamento.

3) Estamos perante uma exceção de litispendência. Nos termos do art.580º/1 do CPC, a


litispendência pressupõe a repetição de uma causa. Há lugar à litispendência, se a causa se
repete estando a anterior ainda em curso. Repete-se a causa quando se propõe uma ação
idêntica a outra quanto aos sujeitos, ao pedido e à causa de pedir (art.581º/1 do CPC).
A exceção da litispendência tem por fim evitar que o tribunal seja colocado na alternativa
de contradizer ou de reproduzir uma decisão anterior (art.580º/2 do CPC).
Neste caso prático tendo a Ana sido citada posteriormente, ao abrigo do art.582º/2 do CPC
é o processo intentado pelo Mário que tem que terminar. Isto é uma exceção dilatória, nos
termos do art.577º, al. i) do CPC e é uma exceção de conhecimento oficioso, nos termos do
art.578º do CPC.
As exceções dilatórias obstam a que o tribunal conheça do mérito da causa e dão lugar à
absolvição do réu da instância, nos termos do art.576º/2 do CPC.
RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 6

1) O foro no caso em concreto é o foro real, nos termos do art.70º/1 do CPC, uma vez que
estamos perante uma ação de despejo e de acordo com este artigo, deve ser proposta no
tribunal onde se situa o imóvel que se pretende ver despejado.
Conjugando o art.74º com o mapa anexo III do DL 49/2014, chegamos à conclusão que o
Tribunal Judicial da Comarca de Castelo Branco tem competência sobre todo o distrito de
Castelo Branco, abrangendo o município do Fundão.
Analisando o mapa III do DL 49/2014, verificamos que existe o juízo central cível de Castelo
Branco, que tem competência sobre toda a comarca de Castelo Branco e existe o juízo local
cível do Fundão, que tem competência sobre o município do Fundão.
Nos termos do art.117º/1 da Lei 62/2013, o juízo central cível só é competente se
estivermos perante uma ação declarativa cível de processo comum de valor superior a
50000€. Uma vez que neste caso o valor é inferior a 50000€ e de acordo com o art.130º/1
da Lei 62/2013, que nos diz que, os juízos locais cíveis, locais criminais e de competência
genérica possuem competência na respetiva área territorial, quando as causas não sejam
atribuídas a outros juízos ou tribunal de competência territorial alargada, concluímos que é
o juízo local cível do Fundão que vai julgar esta questão.

2) Neste caso em concreto a constituição de advogado é obrigatória uma vez que estamos
perante uma causa em que é admissível recurso, independentemente do valor (art.40º/1,
al. b) do CPC). Nos termos do art.629º/3, al. a) do CPC, quando estamos a discutir a
validade, a subsistência ou a cessação de contratos de arrendamento, com exceção dos
arrendamentos para habitação não permanente ou para fins especiais transitórios,
independente do valor, é sempre admissível recurso para a Relação.
Estando aqui em causa o pedido da cessação do contrato de arrendamento e entrega do
imóvel, logo, aqui é sempre obrigatório a constituição de advogado.
Se não fosse constituído mandatário, o juiz devia oficiosamente ou a requerimento da parte
contrária fixar um prazo para que fosse constituído advogado, sob pena de, se o autor não
constituir advogado, o réu ser absolvido da instância. Por outro lado, se o réu contestar
sem constituir advogado, ele vai ser notificado para no prazo fixado pelo juiz constituir
advogado, sob pena, se não o fizer, ficar sem efeito a sua defesa, ou seja, é desentranhada
a contestação e o processo corre à revelia (art.41º do CPC).
A falta de constituição de mandatário é uma exceção dilatória, nos termos do art.577º, al.
h) do CPC e é uma exceção de conhecimento oficioso, nos termos do art.578º do CPC.
As exceções dilatórias obstam a que o tribunal conheça do mérito da causa e dão lugar à
absolvição do réu da instância, nos termos do art.576º/2 do CPC.
3) Se não se contestar estamos perante uma situação que se chama revelia, o que é o caso,
e esta pode ser absoluta ou relativa.
Estamos perante uma revelia absoluta, quando os réus não contestam, nem têm qualquer
intervenção no processo.
Estamos perante uma revelia relativa – quando os réus não contestam mas praticam algum
ato processual (ou junta procuração ou comparece em juízo, ou algum outro ato
processual).
Neste caso estamos perante uma revelia absoluta, uma vez que os réus não contestam,
nem têm qualquer intervenção no processo. Estando perante uma revelia absoluta, nos
termos do art.566º do CPC, o tribunal tem que verificar se a citação foi feita com as
formalidades legais e ordena a sua repetição quando encontre irregularidades.
A consequência da revelia é que, consideram-se confessados os factos articulados pelo
autor (art.567º/1 do CPC), o que significa que os factos que foram narrados pelo autor na
petição inicial, se consideram como verdadeiros, estando assim perante uma revelia
operante, tendo o processo uma tramitação simplificada daí em diante na medida em que
não haveria em princípio julgamento, o processo seria confiado a ambos os mandatários
para exame e para alegarem por escrito e depois o juiz iria proferir sentença, podendo ser
uma sentença simplificada em que ele se limitava a aderir ao que era pedido pelo autor.
No entanto neste caso prático, estamos perante uma revelia inoperante, uma vez, que
estamos perante uma das exceções, que é a alínea b) do art.568º do CPC, que refere que
mesmo os réus não tendo contestado, não se consideram como verdadeiros os factos
alegados pelo autor, quando houver sido citados editalmente e permaneça na situação de
revelia absoluta. Sendo assim o autor terá que fazer prova em sede de audiência de
discussão e julgamento dos factos que alega e portando haverá as fases normais do
processo declarativo incluindo a audiência de discussão e julgamento.

4) O que está aqui a ser pedido é um pedido reconvencional, nos termos do art.583º do
CPC.
Nos termos do art.93º/2 do CPC, quando por virtude da reconvenção, o tribunal deixe de
ser competente em razão do valor, deve o juiz oficiosamente remeter o processo para o
tribunal competente. Tendo neste caso um valor de 9500€ (4500€ + 5000€), nos termos do
art.117º do CPC, faz com que seja competente na mesma, o tribunal do Fundão.
A reconvenção só é possível se respeitar todos os requisitos de admissibilidade que estão
no art.93º do CPC e no art.266º do CPC.
Neste caso o que o réu pretende, é em face do despejo tornar efetivo o direito a
benfeitorias ou despesas relativas à coisa cuja entrega lhe é pedida e portando existe aqui
uma conexão em razão da nacionalidade, da matéria, da hierarquia e também existe uma
conexão do ponto de vista substancial, nos termos do art.266º/2, al. b) do CPC, sendo
assim, temos aqui um pedido reconvencional admissível.
Depois de elaborado o pedido reconvencional, o pedido reconvencional é notificado para a
outra parte e o autor pode vir responder na réplica, art.584º e seguintes do CPC. O autor
pode-se defender tanto como por impugnação como por exceção.
RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 7

1) Neste caso temos 2 pessoas que se divorciaram no estrangeiro, nomeadamente no Dubai


e Anabela pretende que a sentença produza efeitos em Portugal, ou seja, que esteja
divorciada também em Portugal. Tratando-se de um país como o Dubai é necessário
instaurar o processo de revisão de sentenças estrangeiras, nos termos do art.978º e
seguintes do CPC, segue a forma especial, é um processo que consiste na verificação dos
requisitos mencionados no art.980º do CPC. Se estiverem verificados os requisitos
mencionados do art.980º do CPC, o tribunal da Relação competente é que irá rever e
confirmar a sentença como válida em Portugal.
Nos termos do art.981º do CPC, apresentado com a petição o documento de que conste a
decisão a rever, é a parte contrária citada para no prazo de 15 dias, deduzir a sua oposição,
o que significa, que não está aqui prevista a hipótese de marcação de uma audiência prévia.

2) Nos termos do art.979º do CPC, para a revisão e confirmação é competente o tribunal da


Relação da área em que esteja domiciliada a pessoa contra quem se pretende fazer valer a
sentença, observando-se, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos 80º a 82º
do CPC, sendo assim seria no Dubai. No entanto analisando os artigos 80º a 82º do CPC,
verificamos através do art.80º/3 do CPC que se o réu tiver o domicílio e a residência em
país estrangeiro, é demandado no tribunal do lugar em que se encontrar e não se
encontrando em território português é demandado no do domicílio do autor, o que aqui se
verifica. Sendo assim, se Anabela vive em Aveiro, e de acordo com o Mapa II do DL 49/2014
chegamos à conclusão que é o Tribunal da Relação do Porto o competente para tramitar
este processo de revisão de sentenças estrangeiras, uma vez que este tem competência
sobre Aveiro.

3) Ao abrigo do art.40º/1, al. c) do CPC é obrigatória a constituição de advogado, nos


recursos e nas causas propostas nos tribunais superiores.
Este processo dá entrada num tribunal superior, ou seja, dá entrada no tribunal da Relação
e sendo assim é sempre obrigatório a constituição de advogado.

4) O valor da ação não está correto, embora não exista nenhum artigo que esclareça qual é
o valor de uma ação de revisão de sentenças estrangeiras, no entanto, o que está aqui em
discussão é o estado civil das partes, ou seja, é no fundo o estado das pessoas, saber se
deverão considerar-se ou não divorciados em Portugal. Sendo assim, e nos termos do
art.303º/1 do CPC, que refere que as ações sobre o estado das pessoas ou sobre interesses
imateriais consideram-se sempre de valor equivalente à alçada da Relação e mais € 0,01.
A alçada da relação nos termos do art.44º/1 da Lei 62/2013 é de 30000€.
Sendo assim conjugando o art.44º/1 da Lei 62/2013 com o art.303º/1 do CPC, a ação passa
a ter um valor de 30000,01€.
Resumindo e concluindo, o próprio juiz por sua própria iniciativa ou na sequência de um
incidente deduzido pela parte contrária deveria corrigir o valor para 30000,01€.

É 30000,01€ para permitir se necessário, recorrer até ao Supremo Tribunal de Justiça.


RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO 8

1) O foro no caso em concreto é o foro obrigacional, nos termos do art.71º/1 do CPC


porque o que está aqui a ser pedido é o cumprimento de uma obrigação e neste caso a
ação tem que ser proposta no tribunal do domicílio do réu.
Conjugando o art.74º com o mapa anexo III do DL 49/2014, chegamos à conclusão que o
Tribunal Judicial da Comarca de Castelo Branco tem competência sobre todo o distrito de
Castelo Branco, abrangendo o município de Idanha-a-Nova, ou seja, é o Tribunal Judicial da
Comarca de Castelo Branco que tem competência sobre o município de Idanha-a-Nova,
onde residem os réus.
Analisando o mapa III do DL 49/2014, verificamos que existe o juízo central cível de Castelo
Branco, que tem competência sobre toda a comarca de Castelo Branco e existe o juízo de
competência genérica de Idanha-a-Nova, que tem competência sobre o município de
Idanha-a-Nova.
Nos termos do art.117º/1 da Lei 62/2013, o juízo central cível só é competente se
estivermos perante uma ação declarativa cível de processo comum de valor superior a
50000€. Uma vez que neste caso o valor é inferior a 50000€ e de acordo com o art.130º/1
da Lei 62/2013, que nos diz que, os juízos locais cíveis, locais criminais e de competência
genérica possuem competência na respetiva área territorial, quando as causas não sejam
atribuídas a outros juízos ou tribunal de competência territorial alargada, concluímos que é
o juízo de competência genérica de Idanha-a-Nova.

2) Conjugando o nº1, nº2 e nº3 do art.30º do CPC, chegamos à conclusão quem são
titulares da relação material controvertida.
Tem legitimidade para intervir como autor/legitimidade ativa a empresa Móveis Feliz, Lda.,
porque tem interesse direto em demandar, é útil para si a interposição da ação, uma vez,
que é o credor e sendo o credor tem direito a receber o preço.
Tem legitimidade para intervir como réus/legitimidade passiva, 2 pessoas/Luís e Luísa que
adquiriram, e segundo o art.34º/3 do CPC, devem ser propostas contra ambos os cônjuges
as ações emergentes de facto praticado por ambos e nos termos do art.1691º/1, al. a) do
CC, são da responsabilidade de ambos os cônjuges as dívidas contraídas, antes ou depois da
celebração do casamento, pelos dois cônjuges, o que é o caso, estando assim perante uma
situação de litisconsórcio necessário legal passivo de acordo com os artigos acima
mencionados. Aqui ambos têm que ser demandados, porque se assim não o for, estamos
perante uma situação de ilegitimidade, sendo esta uma exceção dilatória, nos termos do
art.576º/1, 1ª parte do CPC, que implica a absolvição da instância, nos termos do
art.576º/2, art.577º, al. e) e art.278º/1, al. d) do CPC.
A ilegitimidade pode ser suprida através da intervenção espontânea, art.311º do CPC ou
através da intervenção provocada, art.316º do CPC.
3) Quanto à forma, nos termos do art.546º/1 do CPC, o processo pode ser comum ou
especial, no entanto, esta ação prossegue a forma de processo comum declarativa, nos
termos do art.548º do CPC, porque não existe nenhuma forma de processo especial para o
pagamento do preço com base na violação de um direito de crédito.
Quanto à finalidade, as ações declarativas podem ser de 3 tipos, poderá ser uma ação de
simples apreciação, em que se requer ao tribunal, tão só, que se declare a existência ou
inexistência de um direito ou de um facto, o que não é o caso, porque aqui pede-se o
pagamento do preço, poderá ser uma ação constitutiva, em que se requer ao juiz que emita
uma sentença, que conduza a alteração na esfera jurídica do réu, o que não é o caso,
porque aqui não se emite nenhuma ordem dirigida ao réu, não se pede a condenação do
réu e poderá ser uma ação de condenação, em que se pede o reconhecimento de um
direito, pede-se ao tribunal que reconheça que esse direito foi violado e pede-se a
reintegração do direito condenando o réu a uma prestação, o que é o caso.
Concluindo, estamos perante uma ação declarativa de condenação, nos termos do
art.10º/3, al. b) do CPC, porque se exige a prestação de uma coisa, o pagamento do preço,
pressupondo a violação de um direito, neste caso de um direito de crédito.

4) Existem articulados normais (petição inicial/produzida pelo autor e a


contestação/produzida pelo réu) e articulados eventuais/podem acontecer ou não
(réplica/produzida pelo autor e articulados supervenientes). Os articulados eventuais
apenas podem ocorrer nos casos expressamente previstos pelo CPC.
A petição inicial, está prevista no art.552º e seguintes do CPC, é um articulado que faz
nascer o processo. É o articulado pelo qual o autor vem dar início ao seu processo,
deduzindo o seu pedido e fundamentando o seu pedido na exposição dos factos que o
fundamentam. É um articulado absolutamente fundamental, é com este articulado que
nasce a instância e este articulado fixa a data em que a ação é proposta.
O 1º requisito formal da petição inicial é que tem que ser deduzida por artigos. Depois
existem os requisitos de conteúdo.
A petição inicial divide-se em 4 partes:
- parte do preâmbulo → cabeçalho ou intróito (art.552º/1, al. a), b) e c) do CPC)
- narração (artigos); (art.552º/1, al. d) do CPC); (é absolutamente essencial porque o juiz vai
basear-se na narração para fazer o despacho saneador/art.595º e art.596º do CPC e é a
parte central da petição inicial e tem que ser deduzida por artigos nos termos do art.147º/2
do CPC)
- conclusão (parte do pedido)
- indicações complementares (declarar o valor da causa/indicar os documentos que são
juntos para prova dos factos que são alegados na narração/comprovar o prévio pagamento
da taxa de justiça devida ou a concessão do benefício de apoio judiciário, na modalidade de
dispensa do mesmo/assinatura eletrónica/juntar a procuração) (requerer a citação urgente)
A contestação, está prevista no art.569º e seguintes do CPC, é um articulado no qual o réu
de uma ação, chamado a juízo para se defender, responde à petição inicial apresentada
pelo autor. Se não se contestar estamos perante uma situação que se chama revelia.
Nos termos do art.571º/1 do CPC, na contestação cabe tanto a defesa por impugnação
como por exceção.
A réplica, está prevista no art.584º e seguintes do CPC, só é possível em duas situações,
quando o autor quer se defender do pedido reconvencional que foi deduzido (art.584º/1 do
CPC) e quando estamos perante uma ação de simples apreciação negativa (art.584º/2 do
CPC).
Os articulados supervenientes, estão previstos no art.588º e art.589º do CPC, podem existir
ou não e podem ser deduzidos para vir trazer aos autos, factos importantes para a boa
decisão da causa mas que não puderam ser invocados antes porque ainda não tinham
acontecido, só aconteceram mais tarde (superveniência objetiva) ou então já tinham
acontecido mas as partes não tinham conhecimento deles (superveniência subjetiva). São
supervenientes os factos ocorridos posteriormente ao termo dos prazos marcados nos
artigos anteriores (superveniência objetiva), art.588º/2 1ª parte do CC e são supervenientes
os factos anteriores de que a parte só tenha conhecimento depois de findarem esses
prazos, devendo neste caso produzir-se prova da superveniência (superveniência subjetiva),
art.588º/2 2ª parte do CC.
Fase da Instrução
Significa que é a fase em que se reúne a prova e consta do art.341º ao art.396º do CC e do
art.410º e seguintes do CPC

Existe a prova por presunção, existe a prova por confissão, existe a prova documental,
existe a prova pericial, existe a prova por inspeção judicial (que hoje pode ser feita por um
técnico), existe a prova testemunhal e ainda existe a chamada apresentação de coisas
móveis ou imóveis que consta do art.416º do CPC.

→ Prova por presunções/art.349º ao art.351º do CC


As presunções podem ser legais/art.350º do CC ou podem ser judiciais/art.351º do CC.
As presunções podem ser ilidíveis (podem ser destruídas pela prova em contrário) ou não
ilidíveis (não admitem prova em contrário).

→ Prova por confissão/art.352º ao art.361º do CC


A confissão pode ser judicial (feita no âmbito do próprio processo) ou extrajudicial (fora do
processo)/art.355º, nº1 do CC.
A confissão é irretratável (uma vez depois de feita, não pode ser indiscriminadamente
retirada, é difícil depois retirá-la)/art.465º do CPC.

→ Prova documental/art.362º ao art.387º do CC


Documentos autênticos fazem prova plena (Escritura Pública e Testamento).
Os documentos particulares autenticados, os documentos autenticados têm a mesma força
provatória e portanto nós só podemos por em crise os factos que lá estão declarados
mediante arguição da sua falsidade, somos nós que temos que demonstrar que o que lá
está não corresponde à verdade dos factos.
Se tivermos perante documentos particulares não autenticados, o juiz tem inteira liberdade
para decidir se o documento é verdadeiro ou não é verdadeiro.
Se tivermos perante documentos particulares não autenticados, mas assinados, se a outra
parte impugnar a assinatura, é a parte que apresentou o documento é que tem que
oferecer prova bastante que comprova a veracidade daquele documento, normalmente
através de prova pericial.

→ Prova pericial/art.388º do CC e art.467º do CPC


Existem 2 tipos de provas periciais:
- os exames que são feitos a coisas móveis ou a pessoas/as vistorias que são feitas a coisas
imóveis
- as avaliações é quando é necessário recorrer-mos a peritos para que se determine o valor
de um bem ou de um direito
O tribunal não está obrigado a seguir necessariamente o que consta do relatório da perícia,
o juiz aprecia livremente as perícias que são realizadas, ou seja, a força provatória da prova
pericial que for feita, é livremente apreciada pelo tribunal/art.489º do CPC e art.389º do
CC.

A prova pericial pode ser requerida pelas partes (pelo autor ou pelo réu) ou também
oficiosamente pelo próprio juiz/art.475º, art.476º e art.477º do CPC

Relatório pericial/art.484º do CPC

→ Prova por inspeção judicial/art.490º ao art.494º do CPC e art.390º e art.391º do CC


Artigos mais importantes – art.490º/1 e art.494º/1 do CPC, e art.390º e art.391º do CC

→ Prova testemunhal
Nem sempre é possível, nem todas as pessoas podem depor como testemunhas (art.495º
do CPC), as partes não podem depor como testemunhas (art.496º do CPC)

Recusa legítima a depor/art.497º do CPC

A apresentação das testemunhas é feita em articulado/art.552º do CPC

Podemos alterar ou substituir uma testemunha por outra, ou prescindir de uma


testemunha ou até aditar mais alguma testemunha/art.598º do CPC

Identificação das testemunhas/art.498º do CPC.

Temos um número limite de testemunhas/art.511º, nº1 do CPC

Durante a inquirição das testemunhas podem acontecer 3 incidentes:


- impugnação/art.514º do CPC (se está alguma testemunha a depor e não pode, nós
impugnamos a testemunha e invocamos os factos respetivos pelo qual entendemos que a
testemunha não pode depor)
- contradita/art.521º do CPC
- acareação/art.523º do CPC (quando uma testemunha diz uma coisa, vem outra a seguir
diz outra completamente diferente, em oposição, nós podemos requerer que essas 2
testemunhas sejam colocadas na presença uma da outra para que nós possamos averiguar
qual é que está a mentir)
Audiência de discussão e julgamento/art.599º ao art.606º do CPC

O julgamento é presidido por um juiz/art.599º do CPC

Artigo 604º e art.605º do CPC → IMPORTANTES

Sentença/art.607º e seguintes do CPC

Recursos/art.627º e seguintes do CPC

Quanto a espécie os recursos podem ser/art.627º, nº2 do CPC:


- recursos ordinários (recursos de apelação e recursos de revista/da relação para o
supremo)
- recursos extraordinários/em situações absolutamente excecionais (recursos para
uniformização de jurisprudência e recurso de revisão)

Para nós podermos recorrer/interpor um recurso de apelação ou um recurso de


revista/recurso ordinário a 1ª condição que tem que estar presente é a decisão não ter
ainda transitado em julgado, porque que se já tiver transitado em julgado eu já não posso
interpor um recurso ordinário. A decisão transita em julgado quando já não for suscetível
de recurso ordinário ou reclamação, ou seja, quando já tiver passado o prazo, quer para eu
proceder à reclamação, quer para eu recorrer.

No recurso extraordinário, a decisão já transitou em julgado, mas eu só poderei interpor


um recurso extraordinário, se a decisão/sentença a qual eu quero recorrer se formou em
circunstâncias anormais.

Quanto ao efeito do recurso pode ser:


- suspensivo (a decisão já não pode ser executada)
- meramente devolutivo (a decisão pode ser executada na pendência do recurso)
Quanto ao modo de subida do recurso interposto:
- subida nos próprios autos (significa quando eu recorro todo o processo vai para Coimbra,
vai para a relação)
- subida em separado (significa que o processo não vai todo para Coimbra, não vai todo
para a relação)

O recurso é interposto por via eletrónica/as peças processuais hoje são praticadas por via
eletrónica.

Você também pode gostar