Filosofia
A filosofia de Arthur Schopenhauer
Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi um dos filósofos mais influentes do século
XIX. Sua filosofia é marcada por uma visão profundamente pessimista da existência,
que se baseia em sua interpretação do mundo como expressão de uma força irracional
e universal: a vontade. Aqui estão os principais aspectos de sua filosofia:
1. O Mundo como Representação e como Vontade
Schopenhauer expandiu e reinterpretou as ideias de Immanuel Kant, especialmente no
que diz respeito à distinção entre:
● Fenômeno: O mundo como ele aparece a nós, ou seja, o mundo percebido por
nossos sentidos e moldado pelas categorias da mente.
● Coisa-em-si: A realidade subjacente, que está além da nossa capacidade de
percepção direta.
Para Schopenhauer, a coisa-em-si é a vontade: uma força primordial, cega, irracional
e incessante que permeia toda a realidade. O mundo que percebemos (o mundo da
representação) é apenas a manifestação dessa vontade.
2. A Vontade como Fonte de Sofrimento
Schopenhauer via a vontade como a causa do sofrimento humano. Isso ocorre porque:
● A vontade é insaciável: ela nunca está plenamente satisfeita. Quando
alcançamos um objetivo, surgem novos desejos, criando um ciclo interminável
de insatisfação.
● O sofrimento é inerente à existência: a vida é caracterizada por dor, luta e
frustração, enquanto os momentos de prazer são breves e muitas vezes
ilusórios.
Essa visão fez de Schopenhauer um dos primeiros filósofos a propor um pessimismo
metafísico, segundo o qual a existência em si é algo doloroso.
3. Arte e Contemplação Estética
Apesar de seu pessimismo, Schopenhauer reconhece formas de escapar
temporariamente do sofrimento:
● A arte, especialmente a música, é uma maneira de transcender a vontade.
Quando contemplamos uma obra de arte, nos desligamos de nossos desejos e
sofrimentos, experimentando uma espécie de libertação temporária.
● A música, em particular, ocupa um lugar especial, pois Schopenhauer a
considerava a mais pura manifestação da vontade.
4. Renúncia e Ascetismo
Para Schopenhauer, a única maneira genuína de superar o sofrimento é negar ou
suprimir a vontade. Ele admirava a ascese, como a praticada por santos, místicos e
ascetas em diferentes tradições religiosas, como o budismo e o cristianismo.
Essa renúncia implica abandonar desejos, ambições e a busca por prazeres mundanos,
alcançando um estado de paz espiritual e libertação.
5. Influência Cultural
Schopenhauer influenciou profundamente várias áreas do pensamento e da arte:
● Filosofia: Inspirou pensadores como Friedrich Nietzsche (embora Nietzsche
tenha criticado partes de sua filosofia), Sigmund Freud e Emil Cioran.
● Literatura: Sua visão de mundo influenciou escritores como Thomas Mann,
Leo Tolstói e Marcel Proust.
● Arte e música: Richard Wagner, por exemplo, foi profundamente impactado
por suas ideias sobre música.
Conclusão
Schopenhauer apresentou uma visão sombria da existência, mas também ofereceu
insights profundos sobre a natureza humana, o papel do desejo e a possibilidade de
transcendência. Sua filosofia continua a ser um ponto de reflexão para aqueles que
exploram as questões fundamentais da vida, do sofrimento e da busca por significado.
A filosofia de Nietzsche
A filosofia de Friedrich Nietzsche (1844-1900) é uma das mais provocativas e
transformadoras da história do pensamento ocidental. Ele desafiou os valores
tradicionais da religião, da moral e da cultura, propondo uma nova maneira de
compreender a vida, o indivíduo e o poder. Aqui estão os principais aspectos de sua
filosofia:
1. Crítica à Moral Tradicional
Nietzsche foi um crítico feroz da moralidade cristã e dos valores que dominavam a
cultura ocidental. Ele argumentou que:
● A moral cristã é uma "moral de escravos", baseada na resignação, na fraqueza e
no ressentimento. Segundo ele, os valores cristãos como humildade, compaixão
e submissão são formas de negar a vida e a vitalidade.
● Em oposição, ele defendeu uma "moral de senhores", que valoriza a força, a
criatividade, o orgulho e a afirmação da vida.
2. A Morte de Deus
Uma de suas ideias mais famosas é o conceito da "morte de Deus", apresentado na
obra A Gaia Ciência. Para Nietzsche, a morte de Deus significa o colapso das bases
religiosas e metafísicas que sustentavam a moral e o sentido da vida no Ocidente. Isso
não é apenas uma rejeição de Deus, mas um reconhecimento de que a crença em
valores absolutos não é mais sustentável na era moderna.
● Com a morte de Deus, surge o desafio: como viver e criar sentido em um
mundo sem fundamentos transcendentais?
3. O Niilismo
Nietzsche acreditava que a morte de Deus levaria ao niilismo, a percepção de que a
vida não tem sentido, propósito ou valor intrínseco. Ele via o niilismo como um
perigo, mas também como uma oportunidade:
● O niilismo passivo é a aceitação resignada do vazio.
● O niilismo ativo é a destruição criativa, que abre caminho para novos valores e
significados.
4. O Além-do-Homem (Übermensch)
No livro Assim Falou Zaratustra, Nietzsche apresenta o conceito do Übermensch
(frequentemente traduzido como "além-do-homem" ou "super-homem"). O
além-do-homem é alguém que supera a moralidade tradicional e cria seus próprios
valores:
● Ele não busca aprovação externa ou verdades universais, mas afirma sua
própria vontade e criatividade.
● O além-do-homem é um ideal de emancipação e transcendência humana.
5. A Vontade de Poder
Outro conceito central é a vontade de poder, que Nietzsche descreve como a força
fundamental que move toda a vida:
● Mais do que o desejo de sobrevivência (como em Darwin) ou de prazer (como
em Schopenhauer), a vontade de poder é a busca por expansão, expressão e
superação.
● A vida é um constante exercício de poder e transformação, tanto individual
quanto coletivo.
6. O Eterno Retorno
O "eterno retorno" é uma ideia metafísica e existencial apresentada por Nietzsche, que
propõe imaginar que a vida que vivemos será repetida infinitamente, sem alterações.
Essa ideia desafia a pessoa a viver de forma a aceitar e afirmar cada momento como
algo digno de ser vivido para sempre.
● Pergunta central: "Você aceitaria viver esta mesma vida, com todas as suas
dores e alegrias, infinitamente?"
7. Crítica à Metafísica e à Verdade Absoluta
Nietzsche rejeitou a noção de uma verdade absoluta e universal. Ele argumentou que:
● A verdade é uma construção humana, criada para atender às necessidades
práticas e sociais.
● Não há realidade objetiva ou fundamento último; o que chamamos de verdade
são interpretações moldadas por perspectivas históricas e culturais.
8. Estilo Literário e Filosofia como Arte
Nietzsche rompeu com a linguagem técnica e formal da filosofia tradicional. Suas
obras são marcadas por:
● Estilo aforístico: ideias concisas e provocativas.
● Uso de metáforas, mitos e personagens, como Zaratustra.
● A filosofia como expressão artística, que busca inspirar e provocar o leitor.
9. Influência e Legado
Nietzsche influenciou profundamente o pensamento moderno e contemporâneo:
● Filosofia: Existencialismo (Jean-Paul Sartre, Albert Camus) e Pós-modernismo
(Michel Foucault, Jacques Derrida).
● Psicologia: Sigmund Freud e Carl Jung.
● Artes e literatura: Autores como Franz Kafka e Hermann Hesse foram
inspirados por suas ideias.
Conclusão
Nietzsche desafiou os fundamentos da cultura ocidental, propondo uma filosofia que
exige coragem para viver sem certezas absolutas, afirmando a vida em toda a sua
complexidade e criando novos valores. Ele não oferece respostas fáceis, mas convida
à transformação e à superação, tanto individual quanto coletiva.
Existencialismo - Kierkegaard, Sartre
O existencialismo é uma corrente filosófica que enfatiza a liberdade, a
responsabilidade e a experiência individual no processo de criação de significado na
vida. Embora Søren Kierkegaard e Jean-Paul Sartre sejam frequentemente associados
a essa tradição, suas abordagens diferem significativamente devido a suas influências
religiosas e seculares, respectivamente.
1. Søren Kierkegaard (1813-1855) – O Pai do Existencialismo Cristão
Kierkegaard é amplamente considerado o precursor do existencialismo. Ele focou na
experiência subjetiva do indivíduo, particularmente na relação com Deus e na busca
por autenticidade.
Principais Ideias:
● A Escolha e a Angústia Existencial:
○ Para Kierkegaard, a vida é definida por escolhas. A angústia (ou
"ansiedade") surge porque, ao fazer escolhas, enfrentamos a liberdade
absoluta e o risco de errar.
○ Essa angústia é essencial para a existência humana, pois nos força a
confrontar nossa relação com o infinito e com nós mesmos.
● Os Estágios da Vida: Kierkegaard descreveu três "esferas de existência", modos
pelos quais as pessoas podem viver suas vidas:
○ Estético: Focado no prazer e na satisfação imediata, mas que leva à
insatisfação.
○ Ético: Voltado para responsabilidade, dever e moralidade, mas que ainda
não resolve os dilemas mais profundos da existência.
○ Religioso: Um salto de fé, no qual o indivíduo encontra significado ao
aceitar a relação pessoal com Deus.
● O Salto de Fé:
○ Kierkegaard acreditava que a existência humana é marcada por
paradoxos e incertezas que não podem ser resolvidos pela razão. A única
solução é um salto de fé em Deus, que transcende a lógica e conecta o
indivíduo ao eterno.
2. Jean-Paul Sartre (1905-1980) – O Existencialismo Ateu
Sartre foi o principal representante do existencialismo ateu no século XX, rejeitando
qualquer ideia de transcendência ou essência predeterminada. Sua visão enfatiza que o
ser humano é completamente responsável pela sua existência.
Principais Ideias:
● A Existência Precede a Essência:
○ Para Sartre, o ser humano não tem uma essência fixa ou propósito dado
por Deus ou pela natureza. Em vez disso, ele "se faz" por meio de suas
escolhas e ações.
○ O ser humano nasce como uma "tábula rasa" e deve criar significado
para sua vida.
● Liberdade Radical e Responsabilidade:
○ Sartre argumentava que somos radicalmente livres, mas essa liberdade
traz consigo uma enorme responsabilidade.
○ Somos responsáveis não apenas por nossas escolhas individuais, mas
também pelo impacto delas na humanidade como um todo.
● Angústia, Desespero e Abandono:
○ A angústia surge da consciência de que somos livres e responsáveis por
tudo o que fazemos.
○ O desespero reflete a limitação de nossas ações diante das circunstâncias
externas.
○ O abandono é o sentimento de desamparo diante de um universo sem
Deus, em que devemos criar nosso próprio sentido.
● Má-fé:
○ Sartre descreveu a "má-fé" como a tendência de se enganar para evitar a
responsabilidade pela liberdade. Isso ocorre quando alguém se conforma
a papéis sociais ou a normas externas, negando sua capacidade de
escolha.
● Autenticidade:
○ A autenticidade, para Sartre, consiste em aceitar plenamente a liberdade
e viver de acordo com os valores que criamos para nós mesmos, em vez
de adotar valores impostos externamente.
Semelhanças e Diferenças
Aspecto Kierkegaard Sartre
Religião Cristão, a relação com Deus é Ateu, rejeita Deus e qualquer
central. transcendência.
Fonte do Significado Fé e relação com o divino. Ações e escolhas individuais.
Angústia Ligada ao confronto com o Ligada à liberdade e à ausência
infinito e o paradoxo da fé. de essência.
Liberdade Importante, mas subordinada à Radical e absoluta.
vontade divina.
Conclusão:
● Kierkegaard propôs que a vida ganha significado ao transcender os dilemas
humanos por meio da fé em Deus.
● Sartre argumentou que a vida é intrinsecamente desprovida de sentido,
cabendo a cada indivíduo criar seu próprio propósito.
Ambos, no entanto, compartilham a ideia de que a existência humana é marcada pela
angústia, liberdade e responsabilidade, estabelecendo a base para o pensamento
existencialista.
Conteúdos revisados no Enem e vestibulares:
filosofia antiga, filosofia medieval, filosofia moderna,
filosofia contemporânea.
Os conteúdos de Filosofia cobrados no ENEM e em vestibulares frequentemente
abordam as grandes áreas do pensamento filosófico de forma panorâmica, destacando
conceitos-chave, escolas de pensamento e filósofos influentes. Aqui está um resumo
organizado por períodos filosóficos:
1. Filosofia Antiga
Características gerais:
● Surge na Grécia antiga, centrada na investigação da natureza, do conhecimento
e da ética.
● Enfoque na busca da verdade e na construção de uma vida virtuosa.
Temas e Filósofos Importantes:
● Pré-socráticos: Investigação da physis (natureza) e da origem do cosmos.
○ Tales, Anaximandro, Heráclito (mudança), Parmênides (ser imutável).
● Sofistas e Sócrates:
○ Sofistas: relativismo moral e retórica (Protágoras, Górgias).
○ Sócrates: busca pela verdade através do diálogo, maiêutica e ética
baseada na virtude.
● Platão:
○ Teoria das Ideias (dualidade entre mundo sensível e mundo inteligível).
○ Política: a República e a ideia do governante-filósofo.
● Aristóteles:
○ Investigação sistemática (lógica, ética, metafísica, política).
○ Teoria das quatro causas e a ideia de virtude como equilíbrio (ética da
justa medida).
2. Filosofia Medieval
Características gerais:
● Integração entre filosofia e religião (principalmente cristianismo, mas também
islamismo e judaísmo).
● Enfoque na relação entre fé e razão.
Temas e Filósofos Importantes:
● Patrística: Período inicial, marcado pela defesa do cristianismo.
○ Santo Agostinho: ideia do tempo como percepção interna, influência do
platonismo.
● Escolástica: Período de sistematização e síntese entre fé e razão.
○ Santo Tomás de Aquino: tomismo, filosofia aristotélica aplicada à
teologia, prova da existência de Deus (cinco vias).
○ Anselmo de Cantuária: argumento ontológico.
○ Averróis e Maimônides: filosofia islâmica e judaica como intermediárias
do pensamento grego.
3. Filosofia Moderna
Características gerais:
● Ruptura com a filosofia medieval e maior ênfase na razão, ciência e no
indivíduo.
● Desenvolvimento do racionalismo, empirismo e iluminismo.
Temas e Filósofos Importantes:
● Racionalismo:
○ René Descartes: "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum), método da
dúvida, dualismo mente-corpo.
○ Espinosa: panteísmo, ética baseada na razão.
○ Leibniz: ideia das mônadas e otimismo metafísico.
● Empirismo:
○ John Locke: teoria do conhecimento (a mente como "tábula rasa").
○ David Hume: ceticismo, crítica à ideia de causalidade e à religião.
● Iluminismo:
○ Voltaire, Rousseau, Montesquieu: questionamento da tradição,
valorização da liberdade, igualdade e contrato social.
● Kant: síntese entre racionalismo e empirismo.
○ Teoria do conhecimento: estrutura a priori da mente molda a
experiência.
○ Ética: imperativo categórico e autonomia da razão.
4. Filosofia Contemporânea
Características gerais:
● Diversificação de correntes de pensamento.
● Reflexões sobre a sociedade moderna, linguagem, cultura e política.
Temas e Filósofos Importantes:
● Existencialismo:
○ Kierkegaard: liberdade e fé, angústia existencial.
○ Sartre: liberdade radical, "existência precede essência".
● Fenomenologia:
○ Husserl: estudo da experiência subjetiva e da consciência.
○ Heidegger: ser e tempo, a questão do ser.
● Marxismo:
○ Karl Marx: crítica ao capitalismo, materialismo histórico, luta de
classes.
● Filosofia da Linguagem:
○ Wittgenstein: análise da linguagem, limites do pensamento.
● Niilismo e Pós-modernismo:
○ Nietzsche: crítica aos valores tradicionais, "morte de Deus", vontade de
poder.
○ Foucault: poder e saber, genealogia das instituições.
● Teoria Crítica:
○ Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer, Marcuse): crítica da razão
instrumental e da indústria cultural.