TUBERCULOSE AINDA UMA DOENÇA DE SAÚDE PÚBLICA
Prof: DIANDRA MANFROI
Introdução:
• Doença causada pela infecção do bacilo álcool-ácido resistente
Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch).
• 9 milhões de casos ativos de tuberculose notificados no mundo.
Transmissão:
Pessoa com TB pulmonar ou laríngea -> via aérea > elimina bacilos no ambiente
(caso fonte), por aerossóis oriundos da tosse, fala ou espirro (pairando no
ambiente).
“Bacilífero” : BAAR positivo.
Esses casos têm maior capacidade de transmissão.
Transmissão
Probabilidade de transmissão:
infectividade do caso-fonte;
duração do contato;
tipo de ambiente compartilhado.
Probabilidade de adoecimento:
Imunidade do hospedeiro.
ILTB: assintomáticos, não transmissores!!
Diagnóstico:
▪ TB pulmonar: forma mais
frequente e mais relevante para
a saúde pública
Sintomático respiratório
Pessoa que, durante a estratégia programática
de busca ativa, apresenta tosse por 3 semanas
ou mais.
Tosse ou expectoração >3 semanas
TUBERCULOSE PULMONAR
PRIMÁRIA:
• Ocorre após o primeiro contato com o bacilo (mais comum em crianças).
• Nem sempre a tosse está presente (irritação, febre baixa, sudorese noturna e
inapetência).
TUBERCULOSE PULMONAR
PÓS PRIMÁRIA / SECUNDÁRIA:
• É mais comum no adolescente e no adulto jovem;
• Tem como característica principal a tosse seca ou produtiva (mucoíde ou escarro
hemoptoico);
• Febre (até 38,5ºC), sudorese noturna, anorexia, emagrecimento;
• AP normal ou redução de MV;
TUBERCULOSE PULMONAR
MILIAR:
• Forma grave da doença (+ comum em imunocomprometidos).
• Pode ser aguda ou subaguda e menos comum apresenta-se como doença
crônica (idosos).
• Febre, astenia, emagrecimento e tosse ocorrem em 80% dos casos.
• Hepatomegalia (35% dos casos), alterações do sistema nervoso central (30%
dos casos) e alterações cutâneas do tipo eritemato-máculo-pápulo-vesiculosas
(incomum).
TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR
TB PLEURAL:
▪ TB extrapulmonar + comum em pessoas não infectadas pelo HIV.
▪ Jovens.
▪ Dor torácica pleurítica.
▪ TRÍADE: astenia, emagrecimento e anorexia (70%), e febre com tosse seca (60%).
▪ LÍQUIDO PLEURAL:
Exsudato, predomínio de linfócitos.
BAAR positivo em 5% e cultura em <15%.
ADA >40 U/L.
TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR
TB PLEURAL:
▪ TB extrapulmonar + comum em pessoas não infectadas pelo HIV.
▪ Jovens.
▪ Dor torácica pleurítica.
▪ TRÍADE: astenia, emagrecimento e anorexia (70%), e febre com tosse seca (60%).
▪ LÍQUIDO PLEURAL:
Exsudato, predomínio de linfócitos.
BAAR positivo em 5% e cultura em <15%.
ADA >40 U/L.
Escarro induzido <50%.
TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR
TB GANGLIONAR:
▪ TB extrapulmonar + comum em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e em
crianças.
Mais comum <dos 40 anos.
▪ Aumento subagudo, indolor e assimétrico das cadeias ganglionares cervicais
anterior e posterior, além da supraclavicular.
▪ PVHIV: acometimento bilateral, associado com maior comprometimento do
estado geral.
▪ Diagnóstico por biópsia.
TUBERCULOSE
EXTRAPULMONAR
TB MENINGOENCEFÁLICA
▪ Rara: (3% dos casos de TB em não HIV e 10%
em PVHIV).
▪ Ocorre doença pulmonar concomitante em até
59% dos casos.
▪ Cefaleia holocraniana, irritabilidade, alterações
de comportamento, sonolência, fotofobia e
rigidez de nuca por >2 semanas.
DIAGNÓSTICO BACTERIOLÓGICO
EXAME MICROSCÓPICO DIRETO – BACILOSCOPIA DIRETA – BAAR:
▪ A pesquisa do bacilo álcool-ácido resistente - pelo método de Ziehl-
Nielsen.
▪ Dx de 60% a 80% dos casos de TB pulmonar em adultos
▪ É usada para diagnóstico e para acompanhamento durante
tratamento.
DIAGNÓSTICO BACTERIOLÓGICO
EXAME MICROSCÓPICO DIRETO – BACILOSCOPIA DIRETA
• Deve ser realizada em duas amostras:
A primeira no momento da suspeita;
E outra, independentemente do resultado da primeira, no dia seguinte,
ao despertar, em jejum.
Sem escarro:
Lavado bronco-alveolar.
TESTE RÁPIDO MOLECULAR PARA
TUBERCULOSE (TRM-TB)
É um teste de amplificação de ácidos nucleicos.
S: 90% = superior ao BAAR.
Faz diagnóstico e triagem de cepas resistentes à rifampicina pela técnica de
reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real.
Resultado em 2 horas, sendo necessária somente uma amostra de escarro.
TESTE RÁPIDO MOLECULAR PARA
TUBERCULOSE (TRM-TB)
• Não deve ser utilizado para diagnóstico nos casos de retratamento.
• TR TB não identifica outras formas de micobacterioses (MNTB).
CULTURA
▪ Aumenta em até 30% o diagnóstico.
▪ Tempo de detecção de 14 a 30 dias.
▪ Os fármacos testados são: estreptomicina, isoniazida, rifampicina, etambutol e
pirazinamida.
BIÓPSIA
GRANULOMAS COM NECROSE CASEOSA
BACILOS NO TECIDO
LBA + BX: 60-70%
TB PLEURAL:
BX: 80%
Cultura do líquido pleural: 50- 60%
ADA
ADENOSINA DEAMINASE - metabolismo das purinas (principalmente nos linfócitos).
S: 70% E: 80-95%
Lembrando que: BAAR no líquido pleural é positivo em 5%!!
Corte: 35-40U/L
Lembrar que é elevada em:
LES / AR
Empiema
Linfoma
DIAGNÓSTICO POR
IMAGEM
RX DE TÓRAX
Método de escolha na avaliação inicial e no acompanhamento da TB pulmonar.
Deve ser solicitada para todo paciente com suspeita clínica de TB pulmonar.
TC DE TÓRAX
É indicada na suspeita de TB pulmonar quando a radiografia inicial é normal, e
na diferenciação com outras doenças torácicas.
TB PRIMÁRIA:
▪ Foco primário ou nódulo de Ghon – processo inflamatório granulomatoso.
▪ Em adultos: mais nos lobos superiores.
▪As apresentações:
Cavidades, consolidações, nódulos, massas ou opacidades retículo-nodulares.
Nódulo de Ghon + linfonodomegalias hilares = Complexo de Ranke.
TB PÓS-PRIMÁRIA:
▪ > lobos superiores e segmentos superiores dos lobos inferiores.
▪ As cavidades podem ser únicas ou múltiplas e suas paredes geralmente são
espessas na fase ativa da doença.
▪ Em idosos: segmentos inferiores. Não faz cavidade.
▪ DM: segmentos inferiores. Faz cavitação.
ACHADOS DE TB PULMONAR EM
EXAMES DE IMAGEM
▪SINAL DE ATIVIDADE:
▪ Nódulos centrolobulares de distribuição segmentar (82% a 100%): árvores em
brotamento.
▪ Parede da cavitação espessa.
▪Espessamento de brônquios.
▪ Tuberculomas: opacidades redondas ou ovaladas, geralmente localizadas em
lobos superiores, e podem representar sequela ou doença em atividade.
TRATAMENTO
Melhor tratamento
É necessário:
1) Ter atividade bactericida precoce -> isoniazida, estreptomicina e rifampicina.
2) Ser capaz de prevenir a emergência de bacilos resistentes -> etambutol
(bacteriostático).
3) Ter atividade esterilizante -> rifampicina e pirazinamida
TRATAMENTO
** FASE INTENSIVA = ATAQUE
- Reduzir rapidamente a população bacilar
- Eliminar bacilos com resistência natural
- Diminuir o contágio
- Medicamentos bactericidas
** FASE MANUTENÇÃO
- Eliminar bacilos latentes ou persistentes
- Reduzir reicidivas
- Medicamentos bactericidas e esterilizantes
Considerações:
* Diária e uma única vez
* Extrapulmonar são 6 meses, exceto meningoencéfalica e osteoarticular.
* Se não apresentar evolução clínica favorável, a manutenção poderá ser
prolongado por 4-7meses:
- Evolução clinica e/ou radiológica insatisfatória;
- Baciloscopia positiva no quinto ou sexto mês – investigar TB resistente;
- Imagem com múltiplas cavitações, especialmente se baciloscopia
positiva no final do segundo mês de tratamento – investigar TB
resistente.
Considerações:
Internar se:
- TB meningoencefálica;
- Intolerância aos medicamentos, estado geral ruim;
- Vulnerabilidade social.
SEGUIMENTO
SEGUIMENTO
▪ Espera-se a negativação da baciloscopia a partir do final da segunda semana de
tratamento.
▪ Se BAAR positivo após 60 dias -> manter RHZE por mais 30 dias e avaliar
cultura.
▪ TRM-TB não deve ser utilizado para controle de tratamento, podendo ser
realizado somente para investigação da resistência à rifampicina.
▪ Necessário 2 BAAR negativos para comprovar cura.
OBRIGADA.
@dra.diandramanfroi