Bronislaw Malinowski: Argonautas do Pacífico Ocidental (1922)
Prefácio a esta edição Mariza Peirano
edição de 2018
Pelo pouco que li a introdução é muito mais sobre a interpretação dessa mulher sobre a obra e mais para o
meio é o texto do Bronislaw mesmo
Parte da amazon sobre o livro
. Esta edição conta com um prefácio novo de Mariza Peirano, uma introdução da antropóloga Eunice
Ribeiro Durham, e, da edição original, um prefácio do antropólogo Sir James G. Frazer. Um diferencial da
edição da Ubu foi o resgate de boa parte das imagens registradas por Malinowski na Nova Guiné, graças ao
arquivo Malinowski, que está sob o cuidado da London School of Economics, em Londres.
Publicado em 1922, o clássico Argonautas do Pacífico Ocidental, de Malinowski, foi uma etnografia
pioneira, definindo boa parte dos parâmetros de pesquisa vigentes até hoje. É a primeira vez que um
antropólogo, com repertório teórico e instrumentos metodológicos, vive entre uma população por longo
período, aprendendo sua língua e compartilhando seu cotidiano, realizando o que se chama de
"observação participante". Com Argonautas, desfaz-se definitivamente a visão das sociedades tribais
como fósseis vivos do passado, peças de museu, com crenças e costumes irracionais e desconexos.
Malinowski descreve como os habitantes das ilhas Trobriand dão sentido ao mundo, "do ponto de vista
nativo", e mostra a vivacidade e sofisticação dessa cultura. A introdução do livro é uma aula sobre os
fundamentos de uma pesquisa de campo científica, seus princípios e métodos.
PARTE ABAIXO FOI DA IA PERPLEXIT usando o livro de base
De acordo com o texto, Malinowski destaca algumas vantagens do seu método de pesquisa
etnográfica:
1. Permite ao etnógrafo aproveitar eventos importantes que ocorrem naturalmente
durante sua estadia, sem precisar sair à procura deles: "todas essas coisas ocorriam
bem diante de meus olhos e, por assim dizer, à soleira de minha porta; eu não
precisava sair à procura delas nem me preocupava com a possibilidade de perdê-las."
Pg 60
2. Possibilita que o etnógrafo aprenda sobre o comportamento e a mentalidade dos
nativos por meio da participação em suas atividades cotidianas: "Dessa forma, com a
capacidade de aproveitar sua companhia e participar de alguns de seus jogos e
divertimentos, fui começando a sentir que entrara mesmo em contato com os
nativos." Pg 60
3. Permite que o etnógrafo obtenha informações mais ricas e detalhadas ao questionar
os nativos sobre incidentes específicos, em vez de perguntas abstratas: "um fato
ocorrido incita os nativos a uma série de comentários, evocando neles expressões de
indignação, fazendo com que se dividam em suas opiniões; e provavelmente em tudo
isso não só encontraremos uma grande variedade de pontos de vista já formados e
censuras morais bem definidas, mas também descobriremos o mecanismo social
ativado pelo crime em questão." Pg 65
4. Possibilita que o etnógrafo identifique lacunas e problemas em sua pesquisa ao tentar
sintetizar os dados coletados: "Com efeito, passei alguns meses, no intervalo entre
minha primeira e segunda expedição – e bem mais de um ano entre a segunda e a
terc" pg 66
5. Contextualização e Compreensão Holística: Ao imergir na cultura dos nativos, o
etnógrafo pode contextualizar as práticas e crenças dentro do sistema cultural mais
amplo, proporcionando uma compreensão holística e aprofundada da sociedade em
estudo.
“Segundo o pensamento nativo, o mago agrícola controla, dessa forma, não apenas o
trabalho do homem, mas também as forças da Natureza. Age, além disso,
diretamente como supervisor dos trabalhos agrícolas, cuidando para que os nativos
realizem seus trabalhos com perfeição e rapidez. A magia é, portanto, uma influência
que regula, sistematiza e controla o trabalho da roça. Ao executar os diversos ritos, o
mago determina a marcha dos trabalhos forçando os nativos a se devotar a certas
tarefas e a realizá-las de maneira adequada e com a devida pontualidade. A propósito,
a magia também impõe à tribo muito trabalho extra e estabelece regras e tabus que
são aparentemente desnecessários e dificultosos. No fim das contas, porém, não
resta dúvida de que, por sua influência no sentido de ordenar, sistematizar e regular o
trabalho, a magia constitui elemento de inestimável valor econômico para os nativos.”
pg 123-124
Partes tiradas do livro mesmo
Bronislaw Malinowski (1884–1942) foi o primeiro pesquisador a introduzir a pesquisa de
campo prolongada como parte da investigação etnográfica com os então chamados “povos
primitivos”, sociedades pouco conhecidas no ocidente – em seu caso, os habitantes do
arquipélago de Trobriand, na Melanésia. Por essa inovação e pela relevância e
desdobramentos dos resultados que produziu, esta é sem dúvida a pesquisa de campo mais
reverenciada da história da antropologia.
A ideia-chave de captar o ponto de vista nativo por meio da pesquisa de campo continua a
definir a antropologia. Para Malinowski, o início da pesquisa era inevitavelmente repleto de
“mistérios etnográficos”, cujo desvendamento só poderia ocorrer por meio de investigação
minuciosa, intimidade e diálogo no lento processo de identificar o ponto de vista nativo. PG5
A publicação, em 1899, das extensas investigações desenvolvidas por Spencer e Gillen entre
os aborígenes australianos demonstrou definitivamente as grandes potencialidades do
trabalho de campo e a importância das informações obtidas por meio de observação direta
para a resolução dos problemas teóricos colocados pela antropologia.
FUNDAMENTOS DA ESCOLA FUNCIONALISTA
O desenvolvimento do trabalho de campo sistemático produziu uma enorme quantidade de
novos conhecimentos e colocou em xeque o modo tradicional de manipular os dados
empíricos. A nova geração de antropólogos britânicos, cujos expoentes são justamente
Radcliffe-Brown e Malinowski, promoveu a crítica radical dos postulados evolucionistas e
difusionistas que dominavam a antropologia clássica, estabelecendo um novo método de
investigação e interpretação que ficou conhecido como “escola funcionalista”. O
funcionalismo, na antropologia, desenvolve-se em três linhas um pouco distintas: a dos
discípulos de Boas, nos Estados Unidos; a de Malinowski e a de Radcliffe-Brown, na
Inglaterra. PG15
As pesquisas de campo anteriores dependiam quase inteiramente de inquéritos realizados
com uns poucos informantes bilíngues ou de questionários aplicados com o auxílio de
tradutores. A observação direta do comportamento era breve e superficial, por ser realizada
durante visitas de curta duração às aldeias indígenas. Mediante essas técnicas de
investigação, é possível acumular grande número de informações e, inclusive, testar a
veracidade dos informes com informantes diferentes. PG18
O trabalho difere bastante das monografias tradicionais. Não é uma descrição de toda a
cultura trobriandesa. Também não é uma análise especializada de um dos aspectos nos
quais os antropólogos normalmente decompõem a cultura: economia, parentesco e
organização social, religião, ritual e mitologia, cultura material. Consiste, na verdade, em
todos esses aspectos vistos da perspectiva de uma única instituição, o Kula. A escolha da
análise institucional constitui, portanto, a solução encontrada por Malinowski para
reconstituir, na descrição etnográfica, a integração e a coerência ou, em outras palavras, a
totalidade integrada que a técnica da investigação lhe havia permitido captar no trabalho de
campo. PG20
É fácil citar muitas obras de grande reputação e cunho aparentemente científico, nas quais se
fazem as mais amplas generalizações, sem que os autores nos revelem algo sobre as
experiências concretas que os levaram às suas conclusões. Em obras desse tipo, não há
nenhum capítulo ou parágrafo destinado ao relato das condições sob as quais foram feitas as
observações e coletadas as informações. A meu ver, um trabalho etnográfico só terá valor
científico irrefutável se nos permitir distinguir claramente, de um lado, os resultados da
observação direta e das declarações e interpretações nativas e, de outro, as inferências do
autor, baseadas em seu próprio bom senso e intuição psicológica.5 O resumo que apresento
mais adiante (seção 6 deste capítulo) ilustra a linha de pesquisa a ser observada. É
necessária a apresentação desses dados para que os leitores possam avaliar com precisão,
num passar de olhos, quão familiarizado está o autor com os fatos que descreve e sob que
condições obteve as informações dos nativos. Pg53
Embora os nativos jamais nos possam fornecer regras gerais e abstratas, há sempre a
possibilidade de os interpelarmos sobre a solução que dariam a determinados problemas.
Assim, por exemplo, se quisermos saber seu modo de tratar ou punir os criminosos, uma
pergunta direta do tipo “Como são tratados e punidos os criminosos?” é inútil – e, além de
tudo, impraticável, pois não existem na linguagem nativa, ou mesmo no inglês pidgin, palavras
adequadas para expressá-la. Mas um incidente imaginário – ou, melhor ainda, uma
ocorrência real – estimula o nativo a expressar sua opinião e a fornecer muitas informações.
Com efeito, um fato ocorrido incita os nativos a uma série de comentários, evocando neles
expressões de indignação, fazendo com que se dividam em suas opiniões; e provavelmente
em tudo isso não só encontraremos uma grande variedade de pontos de vista já formados e
censuras morais bem definidas, mas também descobriremos o mecanismo social ativado
pelo crime em questão. PG65
parte do chat gpt caso ajude
"O método de pesquisa de campo, conforme delineado por Malinowski e interpretado
por Peirano, oferece uma abordagem imersiva que permite uma compreensão profunda
e contextualizada das culturas estudadas. Ao se envolver diretamente com os
participantes, o pesquisador tem a oportunidade de capturar as complexidades das
práticas sociais e culturais em seu contexto natural, revelando nuances que seriam
perdidas em métodos de pesquisa mais distantes. A pesquisa de campo, portanto,
oferece uma perspectiva única e enriquecedora, permitindo uma análise aprofundada
das dinâmicas sociais e culturais." - Baseado nos princípios de "Argonautas do Pacífico
Ocidental" de Bronisław Malinowski, editado por Mariza Peirano.