Aluno(a): Ana Carolina Marcelo da Silva
Data: 08/11/2024
Título: DeviceNet
Introdução
A automação industrial, impulsionada pela busca constante por maior
eficiência e produtividade, tem experimentado um avanço significativo com a adoção
de redes de campo. Dentre essas redes, o DeviceNet se destaca como um
protocolo de comunicação industrial amplamente utilizado, conectando uma
variedade de dispositivos em ambientes industriais, facilitando a conexão entre
sensores, atuadores e controladores e impactando na eficiência operacional.
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise aprofundada do
DeviceNet, com foco em suas formas de conexão, protocolos de comunicação e
características distintivas. A rede DeviceNet, desenvolvida originalmente pela
Allen-Bradley e atualmente gerenciada pela Open DeviceNet Vendor Association
(ODVA), oferece uma solução robusta e flexível para a integração de diversos
equipamentos em sistemas de automação, sendo uma rede de baixo nível e
protocolo aberto, conectando até 64 nós em uma rede. [1]
Ao longo deste estudo, serão explorados os diferentes tipos de conexões
suportados pelo DeviceNet, as topologias de rede mais comuns e os protocolos de
comunicação utilizados para garantir a troca eficiente de informações entre os
dispositivos. Além disso, serão discutidas as principais características do DeviceNet,
como tempo de resposta, determinismo, capacidade de diagnóstico e robustez em
ambientes industriais.
A relevância deste trabalho reside na importância do DeviceNet para a
indústria, que busca soluções de automação cada vez mais eficientes e confiáveis.
Ao compreender as nuances do DeviceNet, profissionais da área poderão otimizar a
implementação de sistemas de automação, garantindo maior produtividade e
flexibilidade nos processos industriais.
Desenvolvimento
DeviceNet
O DeviceNet é um protocolo de comunicação industrial amplamente utilizado
para conectar diversos dispositivos em ambientes de automação. Ele permite a
integração de sensores, atuadores, controladores e outros equipamentos, facilitando
a troca de informações e o controle de processos.
A rede DeviceNet opera com alimentação de 24 volts contínuos e utiliza cinco
condutores para a transmissão de dados. Para garantir a integridade do sinal, são
necessários dois resistores de terminação de 121 ohms e 1/4 watt, instalados em
cada extremidade da rede. O protocolo suporta tanto entradas e saídas (I/Os)
quanto mensagens explícitas direcionadas a um único dispositivo. Essa flexibilidade
permite realizar configurações, monitoramento e controle de forma precisa e
eficiente. [1]
O DeviceNet se baseia no protocolo CAN (Controller Area Network), que
garante a comunicação robusta e determinística entre os dispositivos. Essa
estrutura permite que até 64 nós sejam conectados em uma mesma rede, formando
uma topologia em linha tronco ou em árvore. A comunicação entre os dispositivos
pode ocorrer de forma produtor/consumidor, mestre/escravo ou peer-to-peer,
dependendo da aplicação. [1]
Tecnicamente, o DeviceNet funciona através de um cabo principal, chamado
de tronco, ao qual os dispositivos são conectados. Cada dispositivo possui um
endereço único que o identifica na rede. A comunicação ocorre através de
mensagens, que são transmitidas pelo cabo em formato digital.
O protocolo CAN garante que as mensagens sejam transmitidas de forma
confiável, mesmo em ambientes com ruídos eletromagnéticos. Além disso, o
DeviceNet possui mecanismos de detecção e correção de erros, o que aumenta a
confiabilidade da comunicação. A configuração da rede DeviceNet é realizada
através de software específico, que permite definir os parâmetros de comunicação e
as funções de cada dispositivo.
Figura 01: DeviceNet e CAN.
Fonte: SEIXAS FILHO [3].
A rede DeviceNet permite a conexão de até 64 nodos. O mecanismo de
comunicação é peer to peer com prioridade. O esquema de arbitragem é herdado
do protocolo CAN e se realiza bit a bit. [1]
Figura 02: Aplicações da rede DeviceNet.
Fonte:Sense [2].
Formas de Conexão
Topologia é o termo adotado para ilustrar a forma de conexão física entre os
instrumentos que compõem a rede DeviceNet. As derivações da rede devem ser
instaladas com cabo fino (menor diâmetro) e sua limitação é de 6m por lance
independente de sua taxa de transmissão.
Figura 03: Tipos de topologias de conexão física.
Fonte: Sense [2].
Dentre as quais podemos descrever as principais sendo: Tronco, Árvore e Linha. [3]
Topologia em Linha Tronco (Trunk-line)
● Descrição: É a topologia mais utilizada, onde um cabo principal (tronco)
percorre a rede, e os dispositivos são conectados a ele através de derivações
(drop-lines).
● Vantagens: Simplicidade de instalação, expansão modular e boa resistência
a falhas.
● Limitações: Distância máxima entre os dispositivos e o tronco é de 6 metros.
Topologia em Árvore
● Descrição: Uma variação da topologia em linha tronco, onde o cabo principal
se ramifica em várias sub-redes, formando uma estrutura similar a uma
árvore.
● Vantagens: Permite uma maior distribuição dos dispositivos e hierarquização
da rede.
● Limitações: Maior complexidade de instalação e configuração.
Topologia em Linha
● Descrição: Uma topologia linear, onde os dispositivos são conectados em
série, um após o outro.
● Vantagens: Simplicidade em redes pequenas.
● Limitações: Menos flexível e mais suscetível a falhas, pois a interrupção de
um dispositivo pode afetar toda a rede.
Além disso, temos alguns modelos de rede:
Figura 04: Tipos de modelos de rede.
Fonte: SEIXAS FILHO [3].
O DeviceNet oferece diversos modelos de rede para atender a diferentes
necessidades de comunicação e controle em ambientes industriais. Cada modelo
define como os dispositivos se relacionam e trocam informações na rede.
Modelos Principais [2]
● Produtor/Consumidor: Neste modelo, um dispositivo (produtor) gera dados
de forma espontânea e os coloca à disposição na rede. Outros dispositivos
(consumidores) acessam esses dados quando necessário.
● Mestre/Escravo: Um dispositivo mestre controla e coordena as ações dos
demais dispositivos (escravos) da rede. O mestre inicia as comunicações e
os escravos respondem às suas solicitações.
● Peer-to-peer: Neste modelo, todos os dispositivos da rede têm a mesma
capacidade de comunicação e podem iniciar e responder a solicitações. Não
existe um dispositivo centralizado controlando a comunicação.
Modelos Adicionais e Características [2]
● Multi-mestre: Embora não seja um modelo fundamental, o DeviceNet pode
suportar múltiplos mestres em uma mesma rede. Cada mestre controla um
conjunto específico de escravos, e os mestres podem se comunicar entre si.
● Mudança de estado dado: O DeviceNet permite que os dispositivos
notifiquem outros dispositivos sobre mudanças em seus estados. Por
exemplo, um sensor pode enviar uma mensagem quando detecta uma
condição de alarme.
● Produção cíclica de dados: Muitos dispositivos no DeviceNet produzem
dados em intervalos regulares (cíclicos). Isso permite que os sistemas de
controle monitorem as variáveis do processo em tempo real.
Protocolos
O DeviceNet utiliza uma estrutura em camadas para garantir a comunicação
eficiente entre os dispositivos. A camada física é baseada no protocolo CAN
(Controller Area Network), que define como os dados são transmitidos eletricamente
através do meio físico. [2]
As camadas superiores do DeviceNet são definidas pelo protocolo CIP
(Common Industrial Protocol). O CIP é responsável por estabelecer as regras de
comunicação entre os dispositivos, permitindo a troca de informações de forma
padronizada. [2]
Principais características do CIP no DeviceNet [3]:
● Orientado a objetos: O CIP trata os dispositivos como objetos, com atributos
e métodos específicos. Isso facilita a configuração e o gerenciamento da
rede.
● Flexibilidade: O CIP permite a criação de diferentes tipos de mensagens,
adaptando-se a diversas aplicações.
● Interoperabilidade: O CIP é um protocolo aberto, o que garante a
compatibilidade entre dispositivos de diferentes fabricantes.
Camada Descrição Protocolo
Física Transmissão de bits CAN
através do meio físico
Ligação de dados Enquadramento e CAN, CIP
controle de erros
Rede Roteamento e CIP
endereçamento
Transporte Garantia de entrega dos CIP
dados
Sessão Gerenciamento de CIP
conexões
Apresentação Formatação de dados CIP
Aplicação Serviços específicos da CIP
aplicação
Tabela 01: Camada e protocolo em DeviceNet.
Fonte: A autora.
Características da Rede
Características Principais [1]
● Topologia em Linha Tronco: A topologia mais comum é a linha tronco, onde
um cabo principal percorre a rede e os dispositivos são conectados através
de derivações. Essa topologia é simples de instalar e permite a expansão da
rede de forma modular.
● Protocolo CAN: O DeviceNet utiliza o protocolo CAN (Controller Area
Network) como base para a comunicação, garantindo alta confiabilidade,
determinismo e imunidade a ruídos.
● Multiplexação: Permite a comunicação de diversos dispositivos em um único
meio físico, otimizando o uso de cabos.
● Flexibilidade: Suporta diferentes tipos de dispositivos, como sensores,
atuadores, controladores, e permite a criação de redes com diferentes
topologias.
● Robustez: A topologia em linha tronco oferece redundância e tolerância a
falhas, aumentando a confiabilidade da rede.
● Facilidade de instalação: A instalação e configuração da rede são
relativamente simples.
● Compatibilidade: Existe uma grande variedade de dispositivos compatíveis
com DeviceNet.
● Velocidade de transmissão: A velocidade de transmissão dos dados na
rede DeviceNet pode variar de acordo com a aplicação, mas é suficiente para
a maioria das aplicações industriais.
● Número de nós: O número máximo de dispositivos que podem ser
conectados a uma rede DeviceNet é limitado, geralmente a 64 nós.
● Distância: A distância máxima entre os dispositivos é limitada, geralmente a
6 metros por lance de cabo.
● Alimentação: A rede DeviceNet é alimentada por 24Vcc, o que facilita a
integração com outros equipamentos industriais.
Outras Características
● Protocolo CIP: O DeviceNet utiliza o protocolo CIP (Common Industrial
Protocol) para a comunicação entre os dispositivos, permitindo a
interoperabilidade com outros protocolos da família CIP.
● Configuração: A configuração da rede DeviceNet pode ser realizada através
de software específico, que permite definir os parâmetros de comunicação e
as funções de cada dispositivo.
● Diagnóstico: O DeviceNet possui ferramentas de diagnóstico que permitem
identificar e solucionar problemas na rede.
Conclusão
Em conclusão, a análise do DeviceNet realizada neste estudo demonstrou a
importância desta tecnologia para a automação industrial. A flexibilidade nas formas
de conexão, a robustez dos protocolos de comunicação e as características que
atendem às demandas dos ambientes industriais fazem do DeviceNet uma escolha
atraente para diversas aplicações.
No entanto, é importante ressaltar que o DeviceNet, assim como qualquer
outra tecnologia, apresenta limitações. A distância máxima entre os dispositivos, o
número máximo de nós em uma rede e a velocidade de comunicação são alguns
dos fatores que devem ser considerados ao projetar um sistema de automação
baseado nessa tecnologia.
Em suma, o DeviceNet se consolida como uma tecnologia relevante para a
automação industrial, oferecendo uma solução eficaz para a comunicação entre
dispositivos em diversos segmentos. A compreensão profunda de suas
características e funcionalidades é fundamental para que os profissionais da área
possam projetar e implementar sistemas de automação robustos e eficientes.
Referência
1. KALATEC. DeviceNet: tudo o que você precisa saber. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 nov. 2024.
2. SENSE. Manual de Instruções: Rede DeviceNet. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 10 nov. 2024.
3. SEIXAS FILHO, Constantino. DeviceNet. Minas Gerais: UFMG –
Departamento de Engenharia Eletrônica, 2020. Disponível em:
[Link]
R2_DeviceNet.pdf. Acesso em: 10 nov. 2024.