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Cola Administrativo

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810-15

COLA DA PROVA

Direito Administrativo
INSS
GABRIELA XAVIER

[Link]

Formula da Aprovação
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COLA DA PROVA

Direito Administrativo
INSS
Créditos

Texto
Gabriela Xavier

Colaboração
Amanda Bastos de Moura

Capa e Ilustrações
Cristina M Lima

Projeto Gráfico e Diagramação


Editora Mundo de Letras

Ilustrações Mapa Mental


Aline Cristina Fortunato Cruvinel

Ilustrações Charges
Bruno Wolf

Nos termos da lei 9.610/98, que resguarda os direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial,
de qualquer forma ou por qualquer meio - eletrônico ou mecânico, inclusive por processos xerográficos,
de fotocópia e de gravação - sem permissão, por escrito, do Autor.
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Clique no tópico e acesse o material

1- Estado, governo e Administração Pública: conceitos, elementos, poderes e organização;


natureza, fins e princípios

2- Direito Administrativo: conceito, fontes e princípios

3- Organização administrativa da União; administração direta e indireta

4- Agentes públicos: espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo,


emprego e função públicos; Regime Jurídico Único (Lei nº 8.112/1990 e suas alterações):
provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime
disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa

5- Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar;


poder de polícia; uso e abuso do poder

6- Ato administrativo: validade, eficácia; atributos; extinção, desfazimento e sanatória;


classificação, espécies e exteriorização; vinculação e discricionariedade

7- Serviços Públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle; forma, meios e


requisitos; delegação: concessão, permissão, autorização

8- Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle


judicial; controle legislativo; responsabilidade civil do Estado. Lei nº8.429/1992 (sanções
aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato,
cargo, emprego ou função da administração pública direta, indireta ou fundacional e dá
outras providências)

9- Lei n°9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo)


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1- Estado, governo e Administração tem como função a busca pelo bem comum, são con-
feridas PRERROGATIVAS E PODERES excepcionais
Pública: conceitos, elementos, po- que asseguram ao ente público uma posição jurídica de
deres e organização;natureza, fins superioridade frente ao particular. Integram esse ramo o
e princípios Clique aqui para a vídeo-aula Direito Constitucional, o Direito Administrativo, o Direito
Tributário, o Direito Penal e etc.
Pessoal, o Direito Administrativo é o ramo do direi-
to público que tem como objeto regulamentar as re- Destaca-se que, na maioria das situações, verifica-se
lações internas da Administração Pública (entre que os regimes público e privado se complementam.
os órgãos e entidades administrativas), as relações Assim sendo, as relações travadas entre particulares
entre a Administração e os administrados e as ati- serão regidas preponderantemente pelo direito privado
vidades da administração (prestação de serviços e subsidiariamente pelas normas de direito público.
públicos, atividades de fomento, intervenção e etc.). Da mesma forma, as relações travadas pelo Estado,
Tradicionalmente, o Direito é dividido em 2 grandes em inúmeras situações, sujeitam-se à aplicação
ramos: o direito público e o direito privado. O direito subsidiária do direito privado.
privado, como o próprio nome já diz, tem como objeto FICA A DICA

a disciplina das relações jurídicas firmadas entre par- Atualmente, a doutrina moderna divide o interesse público
ticulares. Desse modo, o direito privado tem como ali- em primário e secundário. O primeiro está relacionado rela-
cionado à finalidade da atuação do Estado, representa o
cerce o pressuposto de igualdade entre as partes que
verdadeiro interesse coletivo. Por sua vez, o segundo rep-
travam determinada relação jurídica. São integrantes resenta o interesse em minimizar os prejuízos públicos pat-
desse ramo o direito comercial, o direito civil e etc. rimoniais, subjetivamente pertinentes ao aparelho estatal.

REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO


2.1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O
ESTADO
A palavra Estado vem do latim status, que significa posi-
ção e ordem. Os termos “posição” e “ordem” transmitem
a ideia de manifestação de poder. Nesse sentido, pode-
mos conceituar o Estado como uma entidade pública
que possui poder soberano para governar o povo
dentro de uma área territorial delimitada.
“Como assim prof.?”
O Estado possui poderes/prerrogativas (todo grande e O Estado possui 3 elementos constitutivos, sendo que
PODEROSO na foto) de direito público que o particular não a falta de qualquer um deles descaracteriza a sua for-
possui - Princípio da Supremacia do Interesse Público frente mação, são eles: povo, território e governo soberano.
ao privado - entretanto, encontra-se sujeito a limitações Um Estado soberano é sintetizado pela máxima “Um
do ordenamento jurídico (suas mãos estão acorrentadas à
governo, um povo, um território”.
legislação) - Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público.

Supremacia do Interesse Público frente ao privado +


O Governo não se confunde com o Estado, sendo este
um dos elementos constitutivos do Estado. O Governo
Indisponibilidade do Interesse Público = Regime Jurídico
Administrativo. pode ser entendido em dois sentidos: a) subjetivo, re-
presentado pelo conjunto de órgãos e Poderes Consti-
tucionais e b) objetivo, que indicam as funções políticas
O direito público, por sua vez, tem como objeto a estatais básicas.
regulação dos interesses da coletividade, no sentido
FICA A DICA
de disciplinar as relações jurídicas travadas pelo Es-
Atualmente, encontra-se superada a tese de que o Estado pode
tado, primando pela busca do interesse público. No
ostentar dupla personalidade jurídica (de direito público e de
que se refere a esse ramo do direito, cumpre desta- direito privado) conforme a área de sua atuaçã[Link] modo,
car a presença da desigualdade entre as partes nas ainda que o Estado atue em âmbito privado, o ente público
relações jurídicas, uma vez que, no intuito de asse- sempre terá personalidade jurídica de direito público.
gurar o bem comum da sociedade, visando garantir a
supremacia do interesse público, tem-se que os inte-
resses da coletividade devem prevalecer sobre os
2.2. FUNÇÕES DO ESTADO
interesses privados. Portanto, ao ente estatal, que Após entender os conceitos centrais da matéria Direito
Número de acertos = ______ 13
Questões resolvidas
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Administrativo e a definição do Estado, iremos estudar penha funções típicas e atípicas, de modo que um
as funções do Estado. Afinal, quais são as funções que poder poderá exercer atipicamente uma função que é
o ente público desempenha? típica do outro poder, conforme previsto na Constitui-
ção Federal (modelo flexível). A título exemplificativo,
Segundo o filósofo Montesquieu, o exercício do
podemos citar o fato de o Poder Legislativo ter como
poder estatal de forma centralizada sempre leva
função atípica a realização de atividades administrati-
ao seu abuso e, por essa razão, é necessária uma
vas e a condução de determinado processo licitatório
composição na qual o poder possa controlar o
no momento que desejar realizar uma contratação, de-
próprio poder. Nesse sentido, o filósofo apresenta o
sempenhando, nesse caso, função que é correlata à
Princípio da Separação dos Poderes, que estabelece
função típica administrativa desempenhado pelo Poder
ser o poder estatal UNO E INDIVISÍVEL, entretanto,
Executivo. O Poder Judiciário, por sua vez, tem como
o exercício desse poder deve ser dividido entre 3
função atípica efetuar a gestão de seus órgãos, função
poderes estruturais, independentes e autonômos,
que se refere à uma atividade típica do Poder Execu-
quais sejam: Executivo, Legislativo e Judiciário.
tivo.
Nesse modelo, cada um dos poderes tem um conjunto
de atribuições/funções próprias e típicas, as quais são
obrigatoriamente desenvolvidas. Além disso, nessa
estrutura, nenhum dos poderes pode se sobrepor ATENÇÃO: Esse é o ponto mais cobrado desse tópico!
em relação aos demais. Dito em outras palavras, os
poderes atuam de forma harmônica, de modo a tornar
inviável qualquer abuso de poder. O exercício de funções atípicas possui caráter excep-
cional e só é possível porque a tripartição de pode-
res no Estado não é absoluta. Portanto, a separação
de funções entre os 3 poderes é realizada a partir do
CRITÉRIO DE PREPONDERÂNCIA, e não de exclu-
sividade, isto é, os poderes desempenham preponde-
rantemente suas respectivas funções típicas, e, em
determinadas situações admitidas na Constituição
Federal, realizam atividades atípicas. Portanto, o Po-
der Executivo PREPONDERANTEMENTE executa,
ATENÇÃO: No que se refere aos poderes estruturais, os pon- o Poder Legislativo preponderantemente legisla e o
tos mais cobrados são: o poder estatal é uno e indivisível, Poder Judiciário preponderantemente julga. Cumpre
contudo, o exercício desse poder é dividido entre três pode- ressaltar que as funções dos Poderes são reciproca-
res ESTRUTURAIS. Cada poder desempenha funções típicas
mente INDELEGÁVEIS – somente o texto constitucio-
e atípicas (correlatas as dos outros poderes), que estarão
previstas no texto constitucional (tanto as funções típicas nal pode estabelecer as hipóteses relacionadas às fun-
quanto as atípicas). A divisão dos poderes segue o critério da ções atípicas de cada poder. Segue abaixo a descrição
PREPONDERÂNCIA e não da exclusividade. das funções típicas e atípicas de cada um dos poderes
estruturais:

Clique aqui para ver a tabela


Destaca-se que essa é uma mera divisão estrutural
e funcional com vistas a garantir a especialização in-
terna de competências, no intuito de coibir a concen- FICA A DICA
tração e o abuso de poder. Desse modo, compete ao Os poderes estruturais do Estado (Executivo, Legislativo e
Poder Legislativo promover a edição das leis, ino- Judiciário) não se confundem com os poderes instrumen-
var no ordenamento jurídico e fiscalizar as contas pú- tais do Estado (Poder de Polícia, Poder Normativo, Poder
Disciplinar e Poder Hierárquico), que serão estudados nos
blicas, ao Poder Executivo realizar a administração
próximos capítulos.
da máquina pública para fins de alcançar o interesse
público, com fiel observância à lei, e ao Poder Judici-
ário solucionar as controvérsias apresentadas em Cumpre destacar que, para alguns autores, como Cel-
sociedade. so Antônio Bandeira de Mello, além das funções típi-
Entretanto, cumpre ressaltar que a separação dos po- cas e atípicas de cada um dos poderes, existe, ainda,
deres não é absoluta. Cada um dos poderes desem- a FUNÇÃO POLÍTICA OU FUNÇÃO DE GOVERNO.
Segundo esse ilustre doutrinador, essa função refere-
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-se aos atos políticos que são atos de gestão supe- comando do Poder Executivo, cumpre um mandato fixo
rior da atividade estatal, como a sanção e o veto de e acumula as funções de Chefe de Estado e Chefe de
lei, a declaração de guerra ou a decretação de Estado Governo. O parlamentarismo, por sua vez, é o sistema
de calamidade pública. Tratam-se das grandes deci- de governo em que há uma relação de cooperação
sões do Estado. entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. Nesse
sistema, a chefia de Estado é desempenhada pelo
FICA A DICA
Presidente ou pelo Monarca e a chefia do Governo,
Em conformidade com o art. 70, da CF/88, a fiscalização
por sua vez, é desempenhada pelo Primeiro-
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial
Ministro ou pelo Conselho de Ministros.
da União e das entidades da administração direta e indireta,
quanto à legalidade, será exercida pelo Congresso Nacional,
mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno * MACETE *
de cada Poder. Portanto, o Poder Legislativo possui a função
de fiscalização das contas públicas que será desempenhada SIstema de GOverno: SI + GO: SIGO O PRESIDENTE ----
com auxílio do Tribunal de Contas. PRESIDENCIALISMO
O Tribunal de Contas é um tribunal administrativo, que julga FOrma de GOverno: FO + GO: FOGO na República ---- For-
as contas de administradores públicos e demais responsáveis ma Republicana
pelo dinheiro, bens e valores públicos federais, bem como as
REgime de GOverno: RE + GO: REGO DEMOCRÁTICO.
contas de qualquer pessoa que der causa a perda, extravio ou Essa não faz nenhum sentido, porém é engraçada. Vocês irão
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário. Trata- lembrar! Vocês também podem se lembrar que o REGIME
se de um órgão independente, originário da Constituição e (para emagrecer) é coisa do DEMO (democrático) rsrs!
representativo dos Poderes de Estado - Legislativo, Executivo
Forma de Estado: F + E: FEDERALISMO
e Judiciário - sem qualquer subordinação hierárquica ou
funcional.
Destaca-se que as decisões dos Tribunais de Contas são As funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo
meramente administrativas, ou seja, não produzem “coisa podem, a grosso modo, ser conceituadas em confor-
julgada judicial”. Portanto, por não emanarem de órgãos midade com o âmbito de atuação do líder: o Chefe de
integrantes do Poder Judiciário (que possuem o monopólio da
Estado representa o país nas relações externas jun-
jurisdição), as decisões das Cortes de Contas formam apenas
to a outros países e o Chefe de Governo, por sua vez,
a “coisa julgada administrativa”.
atua no âmbito da política interna do país.

2.3. FORMA DE ESTADO


2.5. FORMA DE GOVERNO
A forma de Estado refere-se à organização política
do Estado, que poderá dar-se como Estado unitário A Forma de Governo refere-se à relação entre
ou Estado federado. O Estado unitário é aquele em governante e governados. Portanto, no caso em que
que há um poder central único, exclusivo, para todo o governante seja eleito mediante voto popular, por
o território nacional e sobre toda a população. O um certo período de tempo (não vitaliciedade), temos
Estado federado, por sua vez, é aquele Estado que é a forma de governo republicana. Nessa forma de
formado por várias entidades políticas autônomas, governo, o governante eleito tem a responsabilidade
distribuídas pelo território. Nesse Estado, são diversos de prestar contas dos seus atos e medidas. Contudo,
os centros de poder político (União, Estados, Distrito no caso em que a forma de governo for marcada
Federal e Municípios) autônomos. pela hereditariedade, vitaliciedade e ausência de
eleições, temos a monarquia.
No Estado federal brasileiro, coexistem uma
Administração Pública federal, estadual, distrital e
municipal. Destaca-se que não há hierarquia entre 3. DIREITO ADMINISTRATIVO E
eles, e sim uma relação de coordenação.
CORRENTES
2.4. SISTEMA DE GOVERNO
ATENÇÃO: Nesse ponto da matéria, o que é mais cobra-
O sistema de governo refere-se à relação existente
do é o conceito de Direito Administrativo e as
entre os poderes estruturais, podendo ser: sistema correntes legalistas e do serviço público
presidencialista ou sistema parlamentarista.
No sistema presidencialista, o presidente exerce o
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Conforme estudado, o Direito Administrativo é um um sistema de princípios jurídicos que regulamen-


ramo do direito público que tem como objeto as re- tam a atividade do Estado para a persecução do bem
lações internas da administração pública (órgãos comum da sociedade. Essa definição está correta,
e entidades administrativas), as relações entre a ad- porém, é insuficiente e demasiadamente ampla para
ministração e os administrados e as atividades definir uma área do Direito.
da administração não contenciosas voltadas para
• Corrente negativista: essa corrente traça o conceito
alcançar o interesse público (prestação de serviços
de Direito Administrativo por exclusão. Desse modo,
públicos, atividades de fomento, intervenção, etc).
o Direito Administrativo seria composto por toda a
Existem seis correntes que se propuseram a conceitu- atuação estatal que não é objeto de nenhum outro ramo
ar e definir o Direito Administrativo e devem ser estu- jurídico. Essa teoria, da mesma forma que as demais,
dadas, são elas: também não conseguiu definir o Direito Administrativo
de forma satisfatória, haja vista que utiliza um critério
• Corrente legalista (Escola Exegética, Empírica ou
negativo para estabelecer uma área do Direito, não
Caótica): para os legalistas, o Direito Administrativo
apresentando, portanto, uma definição clara.
se resume no conjunto de leis administrativas. Essa
corrente não prosperou ao longo dos anos em virtude Atualmente, a melhor conceituação é a trazida
de seu viés reducionista, uma vez que desconsidera o pelo critério funcional, segundo a qual, o Direito
papel de outras fontes normativas importantes, como a Administrativo é o ramo que tem por objeto a
doutrina, os costumes e etc. disciplina da FUNÇÃO administrativa necessária
à realização CONCRETA, DIRETA e IMEDIATA
• Corrente do Poder Executivo: essa corrente defi-
dos direitos fundamentais da coletividade,
ne o Direito Administrativo como um complexo de leis
independentemente de quem a exerça - Poder
disciplinadoras da atuação do Poder Executivo. Essa
Executivo (tipicamente), Legislativo (atipicamente)
corrente também não logrou êxito, uma vez que con-
ou Judiciário (atipicamente).
densa a noção de Administração Pública em um único
poder. Ora, conforme já estudado, os outros poderes
(Judiciário e Legislativo) também podem exercer a fun- 3.1. FONTES DO DIREITO ADMINIS-
ção administrativa de forma atípica. TRATIVO
• Corrente das relações jurídicas: essa corrente O termo “fonte” refere-se à origem, lugar de onde pro-
conceitua o Direito Administrativo como o ramo do Di- vém algo. No caso, de onde emanam as regras do Di-
reito que regula as relações jurídicas travadas entre reito Administrativo. Nesse caso, são fontes do Direito
o poder público e o particular. Contudo, esse é um Administrativo a Lei, a Jurisprudência, a Doutrina,
conceito incompleto, tendo em vista que outros ramos Costumes e os Princípios Gerais do Direito:
jurídicos (como o Direito Penal e o Direito Tributário)
também regulamentam relações jurídicas entre Esta- 1. Lei em sentido amplo: constitui uma fonte primá-
do X Particular. ria. Conforme regra constante no art. 5º, II, da Cons-
tituição Federal, “ninguém será obrigado a fazer ou
• Corrente do serviço público: segundo essa corren- deixar de fazer alguma coisa se não em virtude de lei”.
te, o Direito Administrativo seria o ramo do Direito que Em seu sentido amplo, a “lei” abrangerá as normas
disciplina a prestação de serviços públicos, tidos constitucionais, a legislação infraconstitucional e
como os serviços prestados pelo Estado e necessários os regulamentos administrativos;
aos cidadãos. Essa corrente surgiu com a Escola do
Serviço Público francesa e seguiu as orientações de 2. Jurisprudência: diz respeito às reiteradas decisões
Leon Duguit. Nessa época, o serviço público repre- judiciais que influenciam o Direito Administrativo. Tra-
sentava, basicamente, toda a atividade desempenha- ta-se de uma fonte secundária, haja vista que, em
da pelo Estado. Entretanto, essa teoria encontra-se regra, as decisões judiciais não possuem uma aplica-
superada, pois, atualmente, entende-se que a Adminis- ção geral nem efeito vinculante. Portanto, em regra,
tração Pública exerce diversas outras funções além as decisões judiciais não têm eficácia “erga omnes”,
da prestação de serviços. Entre elas, destacam-se o ou seja, eficácia perante sujeitos alheios ao processo.
exercício do poder de polícia, a exploração de ativida- (ex: em um processo de João contra o Estado, a deci-
de econômica, o fomento da atividade privada e etc. são do juiz influencia apenas as partes do processo).
Entretanto, como exceção, temos as súmulas vincu-
• Corrente teleológica ou finalística: segundo essa lantes, as decisões de mérito proferidas nas ações
corrente, o Direito Administrativo seria formado por
16 Número de acertos = ______
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diretas de inconstitucionalidade e nas ações declara- tadas pela sociedade, classificado como fonte secun-
tórias de constitucionalidade. dária indireta (secundum legem, praeter legem);
Nesse contexto, o art. 103-A, da Constituição Fede- 5. Princípios Gerais do Direito: conjunto de normas
ral dispõe que o STF pode, de ofício ou mediante pro- não escritas que são a base do direito, sem previsão
vocação, por meio de decisão proferida por 2/3 dos expressa no ordenamento jurídico. Ex: ninguém pode
seus membros, após reiteradas decisões sobre maté- alegar a própria torpeza em benefício próprio -> princí-
ria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua pio geral do direito.
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante
em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e
à ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA, ATENÇÃO: A lei é a única fonte primária do Direito
nas esferas federal, estadual e municipal. Portanto, a Administrativo. Existe GRANDE divergência doutrinária
acerca do enquadramento, ou não, dos atos normativos
Administração Pública e o Poder Judiciário devem se-
infralegais nessa fonte. Para fins de prova, considerem que
guir o entendimento exarado por meio da súmula vin- os regulamentos administrativos infralegais encontram-se
culante. Desse modo, se por um lado a jurisprudência inseridos nessa fonte. Em 2016, a banca CESPE considerou
em geral só vincula as partes que integram a relação correta essa assertiva. Contudo, parte minoritária da doutrina
processual, influenciando o ordenamento jurídico de entende que os referidos atos normativos seriam fontes
secundárias. Fiquem atentos para essa divergência!
forma abstrata, por outro, as súmulas vinculantes vin-
culam necessária e imediatamente a Administração
Pública, razão pela qual não podem ser considera- FICA A DICA
das meras fontes secundárias de Direito Adminis- O Direito Administrativo é dotado de princípios e objeto
trativo, mas SIM fontes principais ou diretas. próprios, com regras relacionadas ao desempenho das fun-
ções administrativas, sendo, por essa característica, consi-
Destaca-se que nem todas as súmulas editadas pelo derado um ramo autônomo. Outrossim, podemos afirmar
pelo Supremo Tribunal Federal são vinculantes, mas que é considerado, também, um ramo não codificado, pois,
apenas aquelas que foram editadas em conformidade a legislação administrativa é totalmente esparsa e não se
com o art. 103-A, da CF/88. encontra codificada. Portanto, não existe Código de Direito
Administrativo como, por exemplo, existe Código de Direito
Cabe destacar que o termo “jurisprudência” não Civil.
se limita às decisões do Poder Judiciário, pois os Conceitos importantes:
Tribunais Administrativos, assim como os Tribunais Estado: Estado é um ente soberano sintetizado pela máxi-
ma “um governo, um povo, um território”;
de Contas, também podem sistematizar os seus
Governo: cúpula diretiva do Estado, responsável pela con-
entendimentos. Desse modo, podemos observar que dução dos altos interesses estatais e pelo poder político.
vários entendimentos do Tribunal de Contas da Trata-se de um dos elementos do Estado.
União sobre licitações e contratos influenciam nas Poder Executivo: complexo de órgãos estatais estrutura-
decisões dos gestores públicos e elaboração de dos sobre a direção superior do Chefe do Executivo;
atos normativos acerca do tema. Administração Pública: conjunto de órgãos e agentes
estatais que atuam no exercício da função administrativa,
TRADUÇÃO JURÍDICA
independentemente de os órgãos pertencerem ao Poder
“Como assim prof.?” Executivo, Legislativo ou Judiciário.
“Nesse caso, a decisão proferida pelo Poder Judiciário irá
vincular a atuação da Administração Pública, que deverá seguir
esse entendimento? É sério isso? O Poder Judiciário pode 3.2. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR
fazer isso? E a independência dos poderes? ” Sem desespero, SOBRE DIREITO ADMINISTRATIVO
e é isso mesmo (rsrsrs)! Ao sedimentar um posicionamento
por meio da edição de Súmula Vinculante, pretende-se mitigar A competência para legislar sobre Direito Administra-
a insegurança jurídica e evitar a multiplicação de lides e tivo é concorrente, ou seja, trata-se de matéria que
processos em torno de uma mesma questão, razão pela qual
será regulamentada pela União, Estados, Distrito
esse entendimento VINCULA os demais órgãos do judiciário e a
atuação da Administração Pública que deverão segui-lo.
Federal e Municípios, sendo que aos Municípios com-
pete expedir normas relacionadas ao interesse local,
aos Estados e Distrito Federal regulamentar matéria
3. Doutrina: conjunto de teses e estudos acerca do de interesse regional e à União normas de interesse
Direito que influencia a elaboração das leis. Trata-se nacional. Contudo, destaca-se que algumas matérias
de uma fonte secundária; serão reguladas privativamente pela União, como, por
exemplo, questões relativas à desapropriação.
4. Costumes: conjunto de regras não escritas ado-
Número de acertos = ______ 17
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3.3. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO AD- 4.1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA –


MINISTRATIVO SENTIDOS SUBJETIVO E OBJETIVO
Em relação à interpretação das normas, atos e con- Administração Pública pode ser entendida como o
tratos de Direito Administrativos, Hely Lopes Meirelles conjunto de estruturas estatais voltado para o aten-
estabelece que sempre devem ser levados em conta dimento das necessidades da coletividade e como o
os aspectos abaixo: conjunto de funções desempenhadas pela máquina
estatal. Desse modo, a Administração pode ser con-
1. Desigualdade jurídica entre a Administração e os ceituada segundo os seguintes critérios abaixo:
administrados, tendo em vista a Supremacia do In-
teresse Público frente ao interesse privado; O Estado a) critério subjetivo/formal/orgânico: refere-se ao
possui mais poderes do que o particular haja vista que conjunto de órgãos, agentes e entidades que for-
busca atender ao interesse público; mam a estrutura que desempenha a função adminis-
trativa em conformidade com a lei (critério formal
2. Presunção de legitimidade e veracida- -> quem faz parte), manifestando-se, tipicamente,
de dos atos da administração: trata-se de por meio do Poder Executivo, mas, atipicamente, por
presunção relativa de legitimidade dos atos meio dos poderes Judiciário e Legislativo. O Brasil
administrativos, admitindo-se prova em contrário. Ou adota esse critério e, por essa razão, nenhum par-
seja, presume-se que o agente público agiu em con- ticular, ainda que esteja eventualmente no exercício
formidade com a lei e que os fatos alegados por ele de função administrativa, integra o conceito de Ad-
são verídicos; ministração Pública em sentido subjetivo. Ex: a lei
3. Necessidade de poderes discricionários para define que as Autarquias, Fundações, Empresas
que a Administração possa atender ao interesse pú- Públicas e Sociedade de Economia Mista fazem
blico, uma vez que o legislador não pode prever todas parte da Administração Indireta.
as situações possíveis de serem vivenciadas no caso b) critério objetivo/material/funcional: trata-se da
concreto. Além disso, o administrador público não é própria função ou atividade administrativa que
mero intérprete da lei, pelo contrário, sua atuação, por é realizada. Nesse sentido, as principais atividades
vezes, depende de escolhas, sempre dentro dos limi- administrativas são: prestação de serviços público,
tes da lei e com a finalidade de alcançar o interesse exercício do Poder de Polícia, atividades de fomento –
público. serviços de incentivo e atividade de estímulo que
a Administração realiza, intervenção no direito de
propriedade do particular, intervenção no domínio
4. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – social e etc.
SENTIDOS AMPLO E ESTRITO
FICA A DICA
O termo Administração Pública pode ser compreen-
As empresas privadas (concessionárias e permissionárias)
dido levando em consideração dois sentidos: amplo que prestam serviços públicos desempenham a função
e estrito. Administração Pública em sentido amplo administrativa em sentido material, mas não compõem a
abrange as funções administrativas desempenhadas administração pública em sentido formal/subjetivo.
pelos órgãos e as funções políticas, ligadas às ativi-
dades de comando superior do Governo.
5. SISTEMA INGLÊS E SISTEMA
A administração pública em sentido estrito, por sua vez,
FRANCÊS
refere-se somente às atividades de cunho administrativo
de execução dos programas governamentais, de forma O Sistema de controle administrativo refere-se ao re-
profissional e apartidária, desempenhada pelos órgãos gime de controle dos atos administrativos editados
e pessoas administrativas. pelo Estado, cujo sistema pode ser o sistema inglês
ATENÇÃO: Despenca nas provas e é fácil! PONTO MAIS ou o sistema francês. No sistema inglês, o controle
COBRADO DESSE CAPÍTULO. dos atos administrativos ilegais é realizado pelo Poder
Administração Pública: Judiciário (unicidade de jurisdição), haja vista que
1. Critério SUbjetivo/formal/orgânico: SUjeitos, órgãos, enti- esse poder é o único que possui competência para
dades que desempenham a função administrativa ->
decidir as controvérsias apresentadas em sociedade
em conformidade com a LEI (“SU” de SUbjetivo e de SUjeito)
2. Critério MAterial/objetivo: trata-se da MAtéria/função ou da
com força definitiva, formando coisa julgada.
própria atividade administrativa. No sistema francês, por sua vez, tem-se o sistema
18 Número de acertos = ______
Questões resolvidas
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de dualidade de jurisdição, ou seja, nesse sistema


compete ao contencioso administrativo (tribunais ATENÇÃO: Esse parágrafo responde a cerca de
70% das questões sobre esse tópico da matéria.
administrativos) decidir/julgar as controvérsias que
Isso você PRECISA MEMORIZAR.
envolvem os atos da Administração Pública, de modo A justiça no Brasil é inafastável – decisões com
que não compete ao Poder Judiciário a análise dos atos caráter definitivo/coisa julgada -> Poder Judiciário.
da administração. Esse poder fica restrito à jurisdição
comum e à solução dos demais litígios existentes entre Sistema Inglês
particulares. Trata-se, assim, de sistema de dualidade (adotado no Brasil)
de jurisdição: jurisdição administrativa e jurisdição
comum.
O Brasil adota o sistema inglês, no qual, conforme
Poder Judiciário
estudado, todos os litígios – administrativos ou pri- (julgamentos de todos os
vados – estão sujeitos ao controle do Poder Judici- litígios - públicos e privados)
ário, ao qual compete proferir decisões com caráter
definitivo. O referido sistema encontra-se consubs-
tanciado na Constituição Federal de 1988, no art. 5º, Sistema Francês
Tribunal de Conflitos
XXXV, que assim dispõe: “a lei não excluirá da apre- de competência
ciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
Destaca-se, novamente, que esse sistema não implica
em retirar da Administração Pública a possibilidade
Poder Judiciário Conselho de Estado
de controle dos seus próprios atos (autotutela admi- (julgamento das (julgamento dos atos
nistrativa), contudo, as decisões tomadas em âmbito causas comuns) administrativos)
administrativo não são dotadas de definitividade, não
geram, pois, coisa julgada e não possuem caráter
jurisdicional. Assim sendo, as decisões administrativas
ficam sujeitas à revisão pelo Poder Judiciário. Clique aqui para os esquemas
Cumpre ressaltar, ainda, que caso o particular opte
por instaurar um processo no âmbito administrativo,
em regra, o mesmo poderá, a QUALQUER tempo,
recorrer ao Poder Judiciário, antes ou depois de
esgotada a via administrativa. Portanto, o particular
não precisa “esgotar” a instância administrativa, ou
recorrer administrativamente, para que possa recorrer
ao Judiciário, uma vez que no Brasil a justiça é
inafastável (a qualquer tempo -> Judiciário).

FICA A DICA
Algumas decisões editadas pelo Poder Executivo e Poder
Legislativo não se sujeitam ao controle do Poder Judiciário,
como as questões atinentes aos atos políticos (sanção e
veto de lei e etc.), salvo quando lesivas ao patrimônio públi-
co. A título exemplificativo, cabe citar a decisão tomada pelo
Senado Federal quanto ao julgamento do processo de im-
peachment, em face da qual não cabe revisão pelo Poder
Judiciário.

Número de acertos = ______ 19


Questões resolvidas
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I. NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

O poder estatal é UNO E INDIVISÍVEL, entretanto, o seu exercício deve ser dividido
entre três poderes estruturais, quais sejam: Executivo, Legislativo e Judiciário.

A separação de funções entre os três poderes é realizada a partir do CRITÉRIO DE


PREPONDERÂNCIA e não de exclusividade, isto é, os poderes desempenham
preponderantemente suas respectivas funções típicas e, em determinadas situações
admitidas na Constituição Federal, realizam atividades atípicas. Cumpre destacar que
as funções dos Poderes são reciprocamente INDELEGÁVEIS.

A lei em sentido amplo constitui uma fonte primária. Conforme regra constante no
art. 5º, II, da Constituição Federal.

São fontes do Direito Administrativo a Lei, Jurisprudência, Doutrina, Costumes e os


Princípios Gerais do Direito.

Direito Administrativo é um ramo do direito público que tem como objeto as relações
internas à administração pública (órgãos e entidades administrativas), as relações entre
a administração e os administrados e as atividades da administração não contenciosas
voltadas a alcançar o interesse público (prestação de serviços públicos, atividades de
fomento, intervenção, etc.).

Administração Pública em conformidade com o critério subjetivo/formal/orgânico refere-


se ao conjunto de órgãos, agentes e entidades que forma a estrutura que desempenha
a função administrativa em conformidade com a lei (critério formal) – manifestando-se,
tipicamente, por meio do Poder Executivo, mas, atipicamente, por meio dos poderes
Judiciário e Legislativo.

Administração Pública em conformidade com o critério objetivo/material/funcional: trata-se


da própria função ou atividade administrativa que é realizada. Nesse sentido, as
principais atividades administrativas são: prestação de serviços público; exercício do
Poder de Polícia; atividades de fomento – serviços de incentivo e atividade deestímulo
que a Administração realiza; intervenção no direito de propriedade do particular;
intervenção no domínio social e etc.

TOTAL 66%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
I. NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO

Art. 1º CF A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a SOBERANIA;
II - a CIDADANIA 1 a 141
III - a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA;
IV - OS VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA;
V - o PLURALISMO POLÍTICO.

Art. 1º Parágrafo único CF: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
142 a 147
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Art. 2º CF São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o LEGISLATIVO, o


148 a 167
EXECUTIVO e o JUDICIÁRIO.

Art. 5º XXXV CF - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; 168

Art. 70 CF A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e


das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade,
169 a 177
aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante
controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

Art. 5º II CF - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de
178 a 197
lei.

Art. 103-A CF O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos
demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida
em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas,
acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração
pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre
questão idêntica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 198 a 212
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de
súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará
que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
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3- Organização administrativa da
NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS
União; administração direta e indi- DISTINTAS – não há controle hierárquico entre a
reta Clique aqui para a vídeo-aula Administração Pública Direta e a Administração Pública
Indireta -> há apenas o controle finalístico/supervisão
PONTOS MAIS COBRADOS – Os gráficos abaixo de- ministerial
monstram, entre os tópicos dessa matéria, quais são
os pontos mais cobrados. Essas entidades administrativas são pessoas
jurídicas que integram a Administração Indireta,
1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DI- possuem autonomia administrativa e capacidade
de autoadministração, contudo, não dispõem de
RETA E INDIRETA autonomia política. As entidades são criadas pelos
Em conformidade com Decreto-lei nº 200/67, a estru- entes federados mediante lei, e encontram-se
tura da Administração Pública é dividida em Adminis- vinculadas ao ente criador, que exerce o controle/
tração Pública Direta e Administração Pública Indireta: tutela/supervisão, com o intuito de verificar se a
instituição está cumprindo a finalidade legal para qual
foi criada. Entretanto, destaca-se que essas entidades
1.1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DI- não se encontram hierarquicamente subordinadas
RETA à pessoa política instituidora, há somente o controle
Aspectos mais cobrados A Administração Público finalístico/supervisão ministerial.
no que se refere à Direta é formada pela Desse modo, todas as entidades da Administração
Administração Pública
União, Estados, Municípios Pública Indireta submetem-se, em alguma medida, ao
Direta.
e Distrito Federal. Trata-se, controle finalístico, que tem o escopo de verificar se
portanto, das próprias entidades políticas, dotadas essas estão cumprindo a finalidade para a qual foram
de competências de natureza política, legislativa e instituídas. Compõem a Administração Pública Indire-
administrativa conferidas pela Constituição Federal. ta: Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Pú-
Esses entes criam as entidades administrativas que blicas e Sociedades de Economia Mista.
compõem a Administração Pública Indireta quando FICA A DICA
entendem que determinada competência constitucional
A Administração Pública Direta tem competência para cri-
pode ser desempenhada por outra pessoa jurídica de ar, por meio de lei, as Autarquias e autorizar a criação das
forma descentralizada. Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de
Economia Mista. Atenção: criar é diferente de autorizar! A
Os entes da Administração Direta se organizam in-
lei automaticamente cria a Autarquia e autoriza a criação das
ternamente em um conjunto de órgãos públicos, os Fundações Públicas com personalidade jurídica de Direito Pri-
quais estão subordinados ao chefe da esfera governa- vado e das Empresas Estatais, que somente serão constituí-
mental que os integram. Os órgãos são meras unida- das mediante registro dos seus atos constitutivos.
des de competência e, ao contrário dos entes políticos,
não possuem personalidade jurídica própria. Importante registrar que essas entidades somente po-
derão ser criadas e extintas mediante lei, em confor-
midade com o Princípio da Simetria ou Paralelismo
1.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA IN-
de Formas. Dito em outras palavras, se a entidade
DIRETA
foi criada por lei, por lei ela será extinta (paralelismo
A Administração Pública Indireta, por sua vez, é -> vem de paralelo). Além disso, a finalidade das en-
formada por entidades administrativas com persona- tidades que compõem a Administração Indireta será
lidade jurídica própria, patrimônio próprio, autono- determinada pela lei específica que as criou ou au-
mia administrativa e cujas despesas são custeadas torizou sua criação.
por meio de orçamento específico. A criação dessas Por fim, ao lado do Estado encontra-se o denomina-
pessoas jurídicas ocorre quando a Administração Pú- do Terceiro Setor que, sem integrar a Administração
blica Direta, para fins de garantir a eficiência, decide Pública, colabora com o ente público ao desempenhar
transferir a execução de determinados serviços atividades de interesse público não exclusivas de
públicos para outras pessoas jurídicas (Administra- Estado, sem possuir qualquer finalidade lucrativa.
ção Pública Indireta), que se especializarão na presta- Desse modo, o Terceiro Setor é formado por pessoas
ção dessa atividade (descentralização). jurídicas privadas que atuam ao lado do Estado. Tra-
Número de acertos = ______ 43
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ta-se das denominadas entidades paraestatais: Servi-


ços Sociais Autônomos, Organizações Sociais, Or-
ganizações da Sociedade Civil de interesse público CAI NA PROVA
e Entidades de Apoio. Essa matéria despenca em prova e é FÁCIL. NÃO PER-
CAM ESSE PONTO!
* MACETE *
2. ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRA- – Centralização: prestação de serviços de forma centralizada
ÇÃO – entes políticos/federados.

– Desc“O”ncentração: distribuição de competência entre


No momento em que estudamos o funcionamento e
“Ó”rgãos que compõem aquela pessoa jurídica. Os Órgãos nãO
a estruturação da Administração Pública, devemos possuem personalidade jurídica própria -> desc“O”ncentração,
conceituar os termos centralização, descentralização destaque para a letra “O” de “Ó”rgão.
e desconcentração:
– Desc“E”ntralização: transferência de competência a
Centralização: trata da prestação de serviços públi- “E”ntidades que possuem personalidade jurídica própria ->
cos de forma centralizada, realizada diretamente pelos desc“E”ntralização, destaque para letra “E” de “E”ntidade com
entes federados, ou seja, pela própria Administração personalidade jurídica própria.

Pública Direta. Destaca-se que o conjunto de órgãos


integrantes de cada entidade federativa também fa- União Concessionária Autarquia
zem parte da Administração Direta ou Administração União Vinculação
Fundação
centralizada. Centralização Descentralização

Desconcentração: refere-se ao fenômeno de


M. Esporte M. Eduação
distribuição de competências internas entre
os órgãos (repartição de competências entre os União {Hierarquia
Desconcentração
Ministérios, Secretarias e etc.) que compõem uma M. Fazenda M. Saúde
mesma pessoa jurídica. O órgão público não possui
Desconcentração
personalidade jurídica própria, isto é, não é titular de
direitos e obrigações, não responde pelos seus atos, DescEntralização:
não tem pessoal nem patrimônio próprio. O órgão nada repartição DescOncentração:
mais é do que um conjunto de competências, uma repartição
EXTERNA de
unidade administrativa integrante de uma pessoa funções para INTERNA de com-
jurídica responsável (Administração Pública Direta outras Entidades petências entre os
ou Indireta), estando sujeito ao controle hierárquico. com personalidade Órgãos;
Entre os órgãos de determinada pessoa jurídica há jurídica distinta;
hierarquia para fins de organização/estruturação da
entidade, que decorre do Poder Hierárquico. Desse modo, em razão do fato de a desconcentração
TRADUÇÃO JURÍDICA ocorrer no âmbito interno de uma pessoa jurídica,
“Como assim prof.? tem-se uma relação de hierarquia e subordinação
Veja a figura abaixo: o Ministério está inserido dentro da União. entre os órgãos, de modo a assegurar a organização
A União que é detentora da personalidade e titular de direitos e interna da entidade. A desconcentração ocorre,
obrigações.
exclusivamente, dentro de uma pessoa jurídica, seja
esta da Administração Pública Direta ou Indireta.
Entretanto, ressalta-se que, mesmo sem ter persona-
lidade jurídica, alguns órgãos públicos independentes
e autônomos possuem capacidade processual ativa
e podem figurar no pólo ativo de ações judiciais,
como a Assembleia Legislativa Estadual, a Mesa do
Senado, a Presidência da República (possuem capa-
cidade processual especial). Em algumas situações,
a capacidade processual ativa está relacionada com
a possibilidade de alguns órgãos realizarem a defesa
de suas prerrogativas em juízo (Ministério Público, De-

44 Número de acertos = ______


Questões resolvidas
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fensoria Pública -> mandado de segurança e habeas particulares por meio da celebração de contratos de
data). concessão/permissão. Diferentemente do que ocorre
na outorga, na delegação apenas a execução do ser-
Descentralização: trata acerca da prestação de
viço é transferida, de sorte que o Estado preserva
serviços públicos de forma descentralizada, mediante
a titularidade do serviço.
a transferência de competências da Administração
Direta para uma entidade da Administração Públi- Na delegação, o controle exercido pelo poder
ca Indireta ou para a um particular concessionário/ concedente é maior do que o controle decorrente
permissionário de serviço público. da descentralização por serviços, haja vista a
possibilidade de extinção unilateral da delegação pelo
A descentralização pode ocorrer mediante:
poder público (rescisão unilateral do contrato) motivada
– descentralização por outorga/por serviços/fun- pela prestação inadequada do serviço delegado. Cabe
cional: trata-se da transferência da titularidade e ex- destacar, novamente, que não há hierarquia entre
ecução do serviço público para ente da Administração a Administração e o particular, uma vez que não há
Pública Indireta, mediante lei. Nesse caso, a Admin- hierarquia entre pessoas jurídicas distintas.
istração Pública Direta, por meio da lei, cria e trans- FICA A DICA

fere para a entidade da Administração Pública Indireta
A doutrina majoritária entende que a outorga somente
determinada competência e, em conformidade com a
poderá ser conferida às pessoas jurídicas de direito
finalidade da instituição disposta em lei, desempenha público, como as Autarquias ou Fundações Públi-
o controle finalístico/supervisão ministerial frente às cas de direito público, uma vez que essas, em razão
atividades desempenhadas pela instituição. Ex.: cri- da outorga, se tornariam titulares do serviço, executan-
ação de universidade pública federal pela União, sob do-o por sua conta e risco, com permanência do con-
trole e da supervisão ministerial realizada pelos entes
a forma de Autarquia, com a finalidade de prestar
federativos. Desse modo, as Empresas Públicas e as
serviço público de ensino superior. Nesse caso, a uni- Sociedades de Economia Mista, a despeito de estarem
versidade estará sujeita ao controle finalístico/super- inseridas na Administração Pública Indireta, somente
visão ministerial realizado pela União . irão EXECUTAR os serviços públicos uma vez que
possuem personalidade jurídica de Direito Privado.
OUTORGA X DELEGAÇÃO
Desse modo, a outorga, também denominada de de-
Outorga scentralização por serviço ou descentralização fun-
Delegação cional, é concedida sempre mediante a edição de lei
específica que institui uma entidade e transfere para
ela a atividade pública. Nesse ponto, convém destacar
Delegação
Outorga que, mesmo quando a titularidade do serviço público é
transferida para outra pessoa jurídica, o Estado contin-
ua tendo responsabilidade pelos danos decorrentes do
–delegação/colaboração/descentralização
exercício da atividade, porém, de forma subsidiária.
contratual/descentralização negocial: transferência
da execução do serviço público mediante Descentralização territorial ou geográfica: acontece
contrato por prazo determinado para o particular na hipótese de criação de Território Federal, pessoa
(concessionário e permissionário). Ex: assinatura jurídica de direito público criada pela União com
de contratos de concessão e permissão de serviço limites territoriais e competências administrativas
público junto a pessoas jurídicas de direito privado. definidos (art. 18, § 2º, da CF/88). A doutrina entende
que os Territórios seriam verdadeiras Autarquias
que excepcionam o Princípio da Especialização.
* MACETE * Notem, portanto, que os Territórios não são entidades
Ou“T”orga: transferência da titularidade e execução do serviço federativas, trata-se de Autarquias territoriais que,
público para ente da Administração Pública Indireta, mediante
lei. Destaque para a letra “T” de ou “T”orga é o mesmo “T” de
como tal, não possuem autonomia política.
“T”itularidade.
Del “E”gação: transferência da execução do serviço público
mediante contrato por prazo determinado para o particular.
Destaque para a letra “E” de del“E”gação e “E” de “E”xecução.

Desse modo, a delegação corresponde à transferên-


cia da execução de determinado serviço público para
Número de acertos = ______ 45
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Conforme estudado, alguns órgãos públicos, ainda que


ATENÇÃO: não possuam personalidade jurídica própria, gozam
Não devemos confundir descentralização política com descen- de capacidade processual ativa, ou seja, possuem
tralização administrativa. A primeira, refere-se a repartição de maior independência e autonomia (Assembleia
competências entre os entes federados (entre Estados e Municí- Legislativa). Além disso, para órgãos que atuam
pios, por exemplo), por sua vez, a segunda representa o repasse em defesa de suas prerrogativas institucionais, sua
de funções para outra pessoa não pertencente à Administração capacidade processual ativa decorre da legislação
Direta. aplicável. O exemplo clássico apontado pela doutrina
é o Ministério Público e a Defensoria Pública, que
3. ÓRGÃO PÚBLICO possuem capacidade postulatória para propor uma
variedade de ações judiciais.
O art. 1º, §2º, I, da Lei nº 9784/99
ATENÇÃO: Ademais, segundo entendimento majoritário da
define o órgão público como uma
A criação e a extin-
unidade integrante de pessoa jurí- doutrina e da jurisprudência, a Teoria da Imputação
ção de órgão exige
dica, sendo um conjunto de compe- Volitiva estabelece que o agente público, ao editar
a edição de LEI!
tências que é parte de uma entida- atos administrativos, atua em nome do Poder Público
de. Vejamos: e, portanto, sua atuação é juridicamente imputada
Explicação da Lei Seca
ao Estado. Em consonância com essa tese e em
“§ 2º Para os fins desta Lei, consideram-se:
conformidade com os ditames da responsabilidade civil
I – órgão – a unidade de atuação integrante da objetiva do Estado, tem-se que o Estado responderá
estrutura da Administração direta e da estrutura da objetivamente pelos danos que seus agentes,
Administração indireta;” no exercício da atividade pública, causarem a
terceiros, haja vista que a conduta do agente é
QUESTÃO IDECAN 2019 imputada ao ente estatal.
Considera-se órgão, nos termos da Lei 9.784/99, a unidade
de atuação dotada de personalidade jurídica. Desse modo, essa teoria estabelece que as pessoas
Errado jurídicas manifestam sua vontade por meio dos órgãos
que as compõem. Portanto, no momento que o agente
Conforme estudado, a distribuição de competências público edita determinada medida administrativa, o
entre órgãos visa garantir maior eficiência e mesmo está atuando em nome do próprio Estado,
especialização no exercício da atividade pública. ou seja, a vontade do agente é imputada à pessoa
Destaca-se que é admitida a divisão de atribuições jurídica na qual o órgão encontra-se inserido.
entre os órgãos que compõem os entes da
Administração Direta e também dentro dos
entes da Administração Indireta, como é o caso
3.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS
das Autarquias e das Fundações Públicas. Ex:
PÚBLICOS
distribuição de competências entre as Diretorias O ilustre autor Hely Lopes Meirelles classifica os
que compõem uma Empresa estatal: Diretoria de órgãos públicos com base em 3 critérios distintos, são
Recursos Humanos, Diretoria de Contratos e etc. esses: hierárquico, estrutural e funcional.
FICA A DICA

Cumpre ressaltar que a criação e a extinção de órgãos públi- 3.1.1. Classificação Hierárquica
cos carece de INOVAÇÃO no ordenamento jurídico, razão
pela qual não podem ser feitas por meio de atos normativos Essa classificação considera os órgãos existentes em
infralegais (apenas mediante lei). Nesse sentido, o art. 84, uma mesma pessoa jurídica. Desse modo, os órgãos
VI, da Constituição Federal, ao admitir a expedição de decre- podem ser:
to regulamentar autônomo que, excepcionalmente, irá ino-
var no ordenamento jurídico, ao tratar da matéria de organi- 1. Independentes: são os órgãos que se encontram
zação administrativa, ressalta que esse decreto não poderá no topo da hierarquia. Ex.: Presidência da República,
ensejar a criação ou extinção de órgãos. Vejamos: Governadoria, Prefeitura;
“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da
República:...
2. Autônomos: órgãos subordinados aos órgãos
VI – dispor, mediante decreto, sobre: organização e independentes que se encontram na cúpula da
funcionamento da administração federal, quando não administração, mas que conservam a autonomia
implicar aumento de despesa nem criação ou extin- administrativa, técnica e financeira. Ex.: Ministérios,
ção de órgãos públicos;” Secretarias estaduais;
46 Número de acertos = ______
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3. Superiores: órgãos vinculados aos órgãos único órgão. Ex.: Presidência da República.
autônomos, mas que detêm poderes de direção e
2. Compostos: órgãos compostos por mais de um
controle, ou seja, possuem somente o poder de decisão.
órgão, o que enseja a desconcentração de sua ativi-
Não têm autonomia financeira nem administrativa. Ex.:
dade. Ex.: Congresso Nacional é formado pela Câma-
Procuradoria da Fazenda, Secretaria da Receita;
ra dos Deputados e Senado Federal.
4. Subalternos: órgãos que atuam somente na
execução da atividade administrativa (não possuem 3.1.3. Classificação Funcional (quanto
poder de decisão). Ex.: seções de expedientes; à atuação funcional)
1. Singulares: órgãos cuja titularidade pertence a um
O DIA EM QUE EU DESCOBRI QUE FUI TRAIDA único agente, chefe ou representante da entidade.
Pessoal, após vasculhar durante umas 4 horas o celular do Assim, a manifestação de vontade desse agente se
meu ex-namorado, eu acabei descobrindo vestígios CLAROS confunde com a manifestação de vontade do próprio
de uma traição. Então, comecei a tirar satisfação com o ra-
paz:
órgão. Ex.: Presidência da República.
- “Amor da minha vida, eu estava confuso. A culpa não foi 2. Colegiados: órgãos cuja atuação e poder de de-
minha, foi confusão da minha cabeça na época. Não fui eu,
cisão estão nas mãos de um colegiado de agentes.
eu fui traído pela minha própria mente”.
Ex.: Assembleia Legislativa.
- “Aqui, você já ouviu falar da Teoria da Imputação Volitiva?”
-“Oi?”
- “A vontade do seu cérebro (órgão) é imputada a você! O 3.1.4. Classificação segundo o âmbito
órgão não tem personalidade jurídica própria,não pode ser de atuação
responsabilizado. A culpa foi SUA!”
- “Mas aqui, não é bem assim... Alguns órgãos são independ- 1. Central: órgão que atua em TODO o âmbito da
entes e autônomos e eles podem até figurar no pólo ativo de pessoa jurídica na qual se encontra inserido. Ex.: a
uma ação judicial” (esse teve aula comigo)
Secretaria de Estado de Defesa Social é um órgão do
- “Aqui, tá bom. Eu entendi o seu raciocínio... Então, nessa
Estado de Minas Gerais que atua no âmbito de todo o
mesma medida, o que você acha a respeito do soco que você
está prestes a levar?!?!?!” Estado de MG.
-“Que horror, linda, você não era assim.” 2. Local: órgão que atua em parte do âmbito da pes-
-“Olhe, não sou eu que estou te dando um soco... É a minha soa jurídica no qual se encontra inserido. Ex: a De-
mão. Não sou eu!!!”
legacia de Polícia de Belo Horizonte é um órgão do
- “Perai, e a Teoria da Imputação Volitiva????”
Estado de Minas Gerais que atua somente na capital
Kkkkk
do Estado.
PS: é tudo BRINCADEIRA, não sei nem matar barata, e que
eu SAAAIBA não fui traída (mas vai saber, né meninas?),
quanto mais dar um soco. 3.1.5. Classificação quanto às funções
PS 2: se eu tivesse mesmo sido traída, um soco seria pouco.
O rapaz, nessa hora, já estaria no Cemitério da Lagoinha em 1. Ativos: órgãos que atuam diretamente no exercí-
Belo Horizonte. cio da função administrativa. Esses órgãos podem
PS 3: Se caso eu, supostamente, cometesse esse deslize assumir as funções de: a) prestação de serviços pú-
(kkkkk), eu responderei pelo crime realizado em razão da
minha mão descontrolada/justa (órgão) que disparou a arma.
blicos; b) execução de obras; c) exercício do poder de
“Prof. Meu deus! Você é vingativa assim? Credo, que horror”
polícia e etc.
Calma gente, eu estou brincando #sóquenão #tobrincan-
2. Consultivos: órgãos que prestam suporte e auxí-
dodenovo #tonadaeutôfalandosério #tobrincandodenovo
#nemtô #seeutivernaTPMéFATO #tobrincandogente kkkkkk- lio técnico ou jurídico aos demais órgãos estatais,
kkkkk #fiquemnadúvida por meio da emissão de pareceres. Ex.: Ministério Pú-
blico.

3.1.2. Classificação Estrutural (segun- 3. De controle: órgãos que exercem atividade de con-
do a estrutura) trole dos demais órgãos e agentes públicos. Esse con-
trole pode ser interno, no âmbito de um mesmo poder
Essa classificação não leva em consideração a quan- (Ex.: Controladoria Geral da União), ou externo, quan-
tidade de agentes públicos que integram o quadro do do um poder controla a atuação do outro (Ex.: Tribunal
órgão, e sim a inexistência de outros órgãos que com- de Contas da União que auxilia o Poder Legislativo no
põem a sua estrutura organizacional. que tange à atividade de controle de fiscalização das
1. Simples (ou unitários): órgãos formados por um contas públicas).
Número de acertos = ______ 47
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PONTO MAIS COBRADO


Clique aqui para ver a tabela está nesse parágrafo!

2. Lei Específica: de acordo com a Constituição


FICA A DICA Federal, a Lei específica cria as Autarquias e as
As autonomias gerencial, orçamentária e financeira dos Fundações Públicas com personalidade jurídica de
órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta direito público e autoriza a criação das Fundações
poderão ser ampliadas mediante contrato a ser firmado Públicas com personalidade jurídica de direito privado,
entre seus administradores e o poder público, que tenha por
Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.
objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
entidade. Essa previsão refere-se à matéria extremamente
Portanto, com a simples publicação da Lei, a
controversa, haja vista que o órgão não possui personalidade entidade autárquica já estará criada. Por sua vez,
jurídica (não é titular de direitos e obrigações) e, dessa forma, nos casos em que a lei somente autoriza a criação
não poderia firmar “contrato” entre os seus administradores. da instituição, é imprescindível o registro dos atos
De toda forma, essa possibilidade encontra-se prevista na constitutivos da entidade no Cartório de Pessoas
Constituição Federal, art. 37, § 8º, e é duramente criticada
Jurídicas (caso tratar-se de entidade que presta
pela doutrina. O referido texto constitucional é infeliz e
de difícil execução prática. Contudo, para fins de prova, a serviços públicos) ou na Junta Comercial (no caso
previsão encontra-se correta. das estatais que exploram atividade econômica).

QUESTÃO IDECAN 2019 QUESTÃO


A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos CONSULPAM - 2019
órgãos e entidades da administração direta e indireta As autarquias são criadas e extintas por lei específica, a ne-
poderá ser ampliada mediante tratado unilateral, a ser cessidade de criação por lei especifica afasta a possibilidade
firmado pelo poder público, que tenha por objeto a fix- de criação da entidade por leis multitemáticas, isto é, a lei que
cria a autarquia deve tratar exclusivamente da criação da au-
ação de metas de desempenho para o órgão ou entidade.
tarquia.

Errado Correto

Ressalta-se que alguns órgãos públicos devem pos- Destaca-se que no que tange às fundações, em con-
suir CNPJ próprio, ligado ao CNPJ da pessoa jurídica formidade com o entendimento majoritário da doutrina,
que fazem parte, para fins de organização tributária. as mesmas poderão ser criadas com personalidade
jurídica de direito público e de direito privado. Nes-
se caso, as fundações que possuem personalidade
4. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA: jurídica de direito público serão criadas automatica-
AUTARQUIAS, FUNDAÇÕES PÚ- mente pela lei, uma espécie de autarquia fundacio-
BLICAS, SOCIEDADES DE ECO- nal, e a fundaçao com personalidade jurídica de direito
privado terá sua criação autorizada por lei (fundação
NOMIA MISTA E EMPRESAS PÚ-
governamental).
BLICAS Ademais, em observância ao princípio do paralelismo
Conforme estudado, a Administração Pública Indire- das formas, as referidas entidades serão criadas me-
ta da União, Estados, Distrito Federal e Municípios é diante lei e também serão extintas através da lei.
composta por pessoas jurídicas autônomas e, para FICA A DICA
tornar o aprendizado mais simples, inicialmente iremos A despeito de não haver hierarquia entre pessoas jurídicas
tratar acerca de algumas regras/semelhanças que distintas, a lei estabelece, em situações específicas, a possibi-
abrangem todos os entes que compõem a Administra- lidade de interposição de recurso hierárquico impróprio que
ção Pública Indireta (Autarquias, Fundações, Empre- decorre da tutela/supervisão ministerial realizada pela Admin-
istração Direta. Nesse caso, o referido recurso será interposto
sas Públicas, Sociedade de Economia Mista).
frente a uma decisão tomada pela entidade da Administração
1. Personalidade Jurídica: todas as entidades da Ad- Indireta e será endereçado ao ente da Administração Pública
ministração Pública Indireta possuem personalidade Direta.

jurídica própria, respondem por seus atos, são titula-


res de direitos e obrigações, possuem patrimônio pró- 3. A finalidade/atividade dos entes que compõem
prio, orçamento e pessoal próprio. a Administração Pública Indireta será determinada
por lei específica. A finalidade necessariamente será
48 Número de acertos = ______
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pública e a entidade não deve visar o lucro. Nesse julgamento de contas, aplicação de multas e outras
contexto, surge a seguinte pergunta: a entidade pode sanções aos agentes, realização de auditorias e
auferir lucro? Sim, poder pode, entretanto, a mesma emissão de pareceres, entre outras atribuições.
não será criada com essa finalidade. A finalidade
será sempre o interesse público.
4.1. EMPRESAS SUBSIDIÁRIAS
4. Controle: a Administração Pública Direta
realizará o controle finalístico (supervisão mi- A Constituição Federal de 1988 prescreve regras
nisterial/tutela administrativa) das entidades relevantes acerca da criação de empresas subsidiárias
da Administração Pública Indireta, entretanto, cumpre às empresas estatais, in verbis:
ressaltar que não há hierarquia e nem subordina- “Art. 37 (...) XX - depende de autorização legislativa,
ção entre pessoas jurídicas diferentes. Portanto, tal em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades
controle será exercido visando verificar se a entidade mencionadas no inciso anterior, assim como a
atende a finalidade legal pela qual foi criada. Lembrem- participação de qualquer delas em empresa privada”.
-se: NÃO há controle hierárquico desempenhado
As empresas subsidiárias atuam em colaboração e
pela Administração Direta frente aos atos pratica-
auxílio às atividades desempenhadas pelas empresas
dos pela entidade da Administração Indireta.
estatais. Entretanto, destaca-se que a doutrina
FICA A DICA majoritária entende que as empresas subsidiárias
Conforme dispõe a parte final do inciso XIX do art. 37, da
não fazem parte da Administração Indireta, haja
Constituição Federal, será editada lei complementar para
fins de dispor acerca das áreas passíveis de atuação das
vista que o Brasil adota o critério formal/subjetivo
fundações públicas. Entretanto, a referida lei ainda não foi para conceituar a Administração Pública, o qual
editada, contudo, em conformidade com o entendimento restringe a Administração Pública Indireta às quatro
majoritário da doutrina, sabe-se que as fundações públicas espécies arroladas na Constituição Federal (Autarquia,
devem atuar em áreas de interesse social. Fundação, Empresa Pública e Sociedade de Economia
A criação das entidades da Administração Pública Indireta
Mista).
depende de edição de lei específica, esta deve ser entendida
como lei ordinária. Além disso, as subsidiárias se sujeitam ao regime
predominante de Direito Privado, entretanto, devem
RECURSO HIERÁRQUICO IMPRÓPRIO observar subsidiariamente as normas de direito
público (vedação à acumulação remunerada de
“Como assim prof.? cargos, empregos e funções; sujeição aos regimes
O INSS é uma Autarquia Federal que está sujeita ao controle/ de remuneração dos agentes; sujeição ao controle
supervisão exercido pelo Ministério da Previdência. Nesse con- legislativo e controle dos tribunais; sujeição à exigência
texto, em uma situação hipotética, caso o particular interponha de licitação, etc). Destaca-se que a própria lei que deu
um requerimento perante um agente do INSS, este poderá ser
origem à entidade da Administração Indireta poderá
aceito ou negado. Em caso de negativa, caberá interposição de
recurso para o dirigente do INSS. O referido recurso interposto autorizar a criação de uma subsidiária. Nesse
decorre da hierarquia existente entre os órgãos/agentes dentro caso, será “dispensável a autorização legislativa para
de uma mesma pessoa jurídica. Sendo assim, pode-se falar que criação de empresas subsidiárias, desde que haja
esse recurso é efetivamente hierárquico e, portanto, designado previsão para esse fim na própria lei que instituiu a
pela doutrina como recurso hierárquico próprio.
empresa de economia mista matriz, tendo em vista
No entanto, se a decisão exarada pelo dirigente máximo apre-
sentar um vício de legalidade ou abuso de poder e, havendo
que a lei criadora é a própria medida autorizada.” (ADI
previsão legal, poderá ser apresentado recurso para o Ministé- 1.649/DF).
rio Supervisor (Administração Direta), que decorre do controle
de finalidade/supervisão ministerial (e não em razão da hierar-
quia) denominado recurso hierárquico impróprio. “Prof. porque
4.2. AUTARQUIA
chama recursos hierárquico IMPRÓPRIO?” Porque não existe
hierarquia entre duas pessoas jurídicas distintas.
Pode ser conceituada como pessoa jurídica de
direito público interno que se encontra sujeita ao
Ademais, assim como os entes da Administração Regime Jurídico de Direito Público, ou seja, faz uso de
centralizada, os entes da Administração Indireta, por todas as prerrogativas de Estado e está sujeita a todas
serem integrantes da estrutura do Estado e fazerem as limitações, exercendo atividade típica de Estado.
uso de verba pública, sujeitam-se ao controle do Características essenciais das Autarquias: a) pessoas
Tribunal de Contas, consoante a previsão do art. 71 jurídicas de Direito Público; b) criadas e extintas por lei
da Constituição Federal, o qual terá competência para específica, que defina, com precisão, o seu objeto e
Número de acertos = ______ 49
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suas atribuições; c) possuem autonomia gerencial, viços uns dos outros, configurando o que a doutri-
orçamentária e patrimonial: não estão subordinadas na designa como imunidade tributária recíproca. Em
à Administração Pública Direta, mas estão sujeitas ao dispositivo seguinte, o texto constitucional estende tal
controle finalístico/supervisão ministerial; benefício às autarquias. No entanto, ressalta-se que
CAI EM PROVA - Autarquia: embora seja denominada como imunidade tributá-
- pessoa jurídica de direito público criada por lei; ria, essa garantia abrange somente os impostos,
- exerce atividade típica do Estado; não se estendendo às demais espécies tributárias.
- possui autonomia -> supervisão ministerial;
- seus bens são públicos. Além disso, a responsabilidade civil será objetiva no
que tange aos danos causados pelos agentes públi-
d) nunca exercem atividade econômica: desempe- cos que atuam nas autarquias, ou seja, sempre que o
nham atividade típica de Estado; e) são imunes a dano for causado por agente da autarquia, a entidade
impostos (conforme preceitua o art. 150, §2º da Cons- responderá objetivamente e primariamente pelo dano,
tituição Federal); seus bens são públicos: impenhorá- restando ao ente político a responsabilização obje-
veis, alienabilidade condicionada, não onerabilidade e tiva subsidiária pelo mesmo fato. Portanto, o ente
imprescritíveis; praticam atos administrativos e cele- da Administração Pública Direta criador da entidade
bram contratos administrativos; h) o regime de seus da Administração Indireta será subsidiariamente res-
servidores públicos é estatutário e devem observar ponsável pelos danos causados.
a vedação constitucional de acumulação de cargos
Ademais, por ostentarem a qualidade de
públicos; i) respondem objetivamente pelos danos
causados por seus agentes no exercício da função pú-
5 pessoas jurídicas de direito público, todos
os bens pertencentes às entidades autár-
blica; j) gozam de prerrogativas processuais: gozam
quicas são bens públicos e, portanto, protegidos pelo
de prazos dilatados em juízo (prazo em dobro para
regime próprio aplicável a esses bens. Neste sentido,
qualquer manifestação do poder público); duplo
o art. 98 do Código Civil dispõe: “São públicos os bens
grau de jurisdição obrigatório ocorre em relação às
do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas
sentenças contrárias aos interesses da Fazenda Públi-
de direito público interno, todos os outros são particu-
ca -> reexame necessário. (ex: se um juiz prolata uma
lares, seja qual for a pessoa a que pertencerem”.
decisão desfavorável ao Estado de Minas Gerais, essa
decisão só produzirá efeitos depois de confirmada pelo Por fim, em virtude de gozarem de privilégios da
Tribunal - esse é um benefício da Fazenda Pública que Fazenda Pública, a doutrina e a jurisprudência
foi estendido para as autarquias e fundações públicas pacificaram o entendimento de que as autarquias
de direito público); a cobrança de seus débitos é rea- se submetem à prescrição quinquenal prevista
lizada através da execução fiscal; execução de suas no art. 1º do Decreto 20.910/32. Tal dispositivo legal
dívidas acontece em conformidade com o sistema de determina que “as dívidas passivas da União, dos
precatórios e etc. estados e dos municípios, bem assim todo e qualquer
direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou
ATENÇÃO: municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem
Cabe destacar que nem sempre ocorrerá o reexame necessário, em cinco anos contados da data do ato ou fato do
uma vez que a depender do valor da condenação e embasamento qual se originarem”. A aplicação deste dispositivo às
da sentença a decisão de primeira instância poderá produzir efeitos autarquias decorre do fato de que essas entidades
(veja o art. 496 do CPC). gozam dos privilégios da Fazenda Pública.

No que tange ao pagamento de débitos judiciais,


por meio dos precatórios estabelecido no art. 100 da
4.2.1. Espécies de Autarquias
CF/88, a Autarquia terá sua própria fila de precató- Autarquias em Regime Especial: é toda aquela au-
rios que não se confunde com a fila do ente federativo tarquia que a lei instituidora confere privilégios espe-
responsável por sua criação, por se tratar de ente da cíficos e aumenta sua autonomia comparativamente
Administração Indireta com personalidade jurídica pró- com as autarquias comuns, sem infringir os preceitos
pria. constitucionais pertinentes a essas entidades. São Au-
Quanto à imunidade tributária, por sua vez, destaca-se tarquias em Regime Especial as Agências Regulado-
que a Carta Magna estabelece ser vedado à União, ras e as Universidades Públicas.
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios ins- Autarquia Fundacional: fundação com personalidade
tituir impostos sobre o patrimônio, renda ou ser- jurídica de direito público criada mediante a afetação/
50 Número de acertos = ______
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destinação de patrimônio público a uma certa finalida- tes: os dirigentes dessas Autarquias são indicados pe-
de. Ex.: PROCON, FUNASA, etc. los membros da própria universidade (corpo docente e
Autarquias associativas: criada mediante a associa- discente) e cumprem um período de mandato certo e,
ção pública entre os entes federados formando con- portanto, possuem maior independência. A Lei que ins-
sórcio público com personalidade jurídica de direi- tituiu cada Universidade vai definir o prazo específico
to público. As mencionadas associações integram a do mandato certo.
Administração Pública Indireta de todos os entes fede- 3. O dirigente da Universidade Pública não pode
rados consorciados; ser exonerado livremente: o dirigente somente será
Autarquias de controle: entidades que possuem destituído do cargo mediante decisão judicial ou pro-
a prerrogativa de exercer o controle e a fiscalização cesso administrativo justificado, fato que confere
sobre o exercício de determinadas profissões, no maior independência à Autarquia.
âmbito do exercício do poder de polícia, visando
assegurar o interesse público. Ex: o Conselho 4.2.2 Agências Reguladoras
Regional de Medicina controla/condiciona a prática da
atividade médica àqueles que possuem um registro no As Agências Reguladoras Conceito
CRM, restringindo o direito individual do médico são Autarquias em MUITO cobrado!
de exercer a sua profissão livremente em nome do Regime Especial criadas
interesse público (Poder de Polícia). para regulamentar e controlar a prestação dos
serviços públicos realizada pelos particulares
FICA A DICA
concessionários e permissionários de serviço público.
A Ordem dos Advogados do Brasil não possui qualificação de
autarquia, o que a distingue dos outros conselhos de profis- As Agências Reguladoras ganharam força com as on-
são. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, das de privatização da década de 90. Nessa fase, a ini-
trata-se de um serviço público independente, uma catego- ciativa privada passou a prestar serviços de natureza
ria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes
no direito brasileiro. A OAB não está incluída na classe na
pública e fez-se necessário o investimento em novos
qual se inserem essas que se tem referido como “autar- instrumentos para fiscalizar essa execução. São ca-
quias especiais”. Por não consubstanciar uma entidade da racterísticas dessas autarquias:
Administração Indireta, a OAB não está sujeita ao controle
da Administração, nem a qualquer das suas partes está vin- 1. Forma diferenciada de escolha dos dirigentes:
culada. a escolha do dirigente será realizada pelo presidente
da República mediante aprovação do Senado, sendo
Autarquia territorial que a lei específica de criação da autarquia definirá o
prazo e a duração do mandato certo.
Conforme estabelece o art. 33 da Constituição
O dirigente escolhido deverá demonstrar que possui
Federal de 1988, a lei irá dispor sobre a organização
capacidade técnica e cumprirá um mandato fixo, sen-
administrativa e judiciária dos Territórios, definindo
do automaticamente desligado após o encerramen-
ainda que “os Territórios poderão ser divididos
to do mandato. Desse modo, esse agente somente
em Municípios”. Trata-se de hipótese de
será destituído do cargo mediante decisão judicial,
descentralização política e não administrativa, uma
processo administrativo disciplinar ou em razão
vez que a despeito de serem chamadas de autarquias
renúncia. Essa estabilidade conferida aos dirigentes
territoriais, não compõem a Administração Indireta.
garante às Agências Reguladoras maior autonomia
funcional.
AUTARQUIAS EM REGIME ESPECIAL RECURSO HIERÁRQUICO IMPRÓPRIO

Universidades Públicas “Como assim prof.? Qual é o prazo do mandato


desses dirigentes?
São Autarquias que estão sujeitas a um regime espe- A lei especifica de cada Agência reguladora irá estabelecer esse
cial e possuem algumas características/prerrogativas prazo. O prazo do mandato fixo oferece uma certa estabilidade
aos dirigentes, haja vista que esses somente perderão o cargo
específicas:
em situações bem específicas (renúncia do mandato, proces-
1. Gozam de autonomia pedagógica: a Universida- so administrativo disciplinar ou por sentença condenatória
ja transitada em julgado).
de Pública possui a prerrogativa de escolher a própria
metodologia de ensino;
2. Período de quarentena: o dirigente da Agência Re-
2. Forma diferenciada de escolha dos seus dirigen-
Número de acertos = ______ 51
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guladora deverá cumprir o período denominado como


O CARTÃO DE EMBARQUE
“quarentena” após sair do cargo. Durante esse perío-
do, o ex-dirigente não poderá prestar serviço a nenhu- Outro dia estava embarcando e escuto o aviso da INFRAERO
no microfone: “Conforme resolução da ANAC, os passageiros
ma das empresas que estejam sujeitas à regulação
devem segurar o cartão de embarque em mãos.” Imediatamente
pela Agência Reguladora, e continuará a receber re- (como uma boa professora de Direito Administrativo que sou)
muneração equivalente ao cargo de dirigente que entrei em contato com o rapaz da INFRAERO e falei: “Deixa
desempenhava. Segundo a Nova Lei das Agências eu te explicar, a ANAC é uma agência reguladora que tem
Reguladoras a quarentena terá a duração de 6 meses, como função realizar a regulação dos serviços de transporte
aéreo prestado pelas concessionárias. Portanto, o poder
sendo assegurado ao ex-dirigente uma remuneração
normativo que essa agência possui, para fins de regulamentar
compensatória. a prestação do serviço de transporte aéreo, pode criar
3. Regime estatutário: obrigações às empresas concessionárias que desempenham
Função normativa: essa atividade. Ou seja, a resolução da ANAC não pode me
função mais importante
o regime jurídico dos ser-
obrigar (o particular) a NADA!!!!! Nem mesmo a segurar o cartão
das agências vidores que atuam nas de embarque!” O rapaz olhou para mim, respirou bem fundo,
reguladoras Agências Reguladoras é cochichou no ouvido do outro rapaz, pensou uns 5 minutos, deu
o regime estatutário do uma voltinha, uma cambalhota, fez 10 polichinelos, consultou
servidor público, ora de- os universitários, virou para mim e disse: “Agência reguladora?
O que é uma agência reguladora?” Virei para ele, passei o meu
nominado como regime jurídico único, que será estu-
cartão e ainda ofereci um descontinho bacana para o pessoal
dado no Capítulo de Agentes Públicos. da INFRAERO.
4. Funções: as Agências Reguladoras exercem basi-
camente três funções: 4.2.3 Teoria da captura
Função normativa: essas Agências poderão expedir Trata-se da situação na qual a agência reguladora
normas gerais acerca da prestação dos serviços passa a atender interesses setoriais empresariais e
públicos que a autarquia regulamenta. Destaca-se não visa atender exclusivamente o interesse público,
que tal regulamentação não se trata tecnicamente de ou seja, passa a atender interesses privados dos
exercício de competência regulamentar, que é privati- segmentos regulados. Tal situação é denominada
va do presidente da República (art. 84, IV da CF/88), e “teoria da captura” e geralmente decorre da pressão
sim do exercício do Poder Normativo. do poder econômico das empresas reguladas realiza-
da frente às agências, representando uma ilegalidade
Tais normas serão editadas dentro dos limites da
passível de controle administrativo e judicial.
lei (secundum legem e possuem caráter infralegal) e
estabelecem regras acerca da prestação do serviço
4.2.4. Autarquia Fundacional ou Fun-
público que, conforme estudado, obrigam os presta-
dações Públicas
dores do serviço público, não os usuários/popula-
ção em geral. Trata-se, portanto, de atos normativos Trata-se de pessoa jurídica de direito público, criada
secundários. mediante lei, em razão da afetação de um patrimô-
Função Executiva: trata-se de uma manifestação do nio do Estado a uma finalidade pública específi-
Poder de Polícia -> as Agências Reguladoras devem ca. A referida fundação, também denominada como
fiscalizar a prestação do serviço pelas concessio- Fundação Pública com personalidade jurídica de
nárias e aplicar sanções visando garantir o cumpri- direito público, refere-se a uma espécie de Autarquia
mento da lei. (Autarquia Fundacional) que exerce atividades típicas
de Estado.
Função Judicante: poder de resolução de controvér-
sias no curso de procedimentos administrativos. Tal As Fundações Públicas que possuem personalidade
função não se confunde com a função jurisdicional jurídica de direito privado serão estudas em tópico es-
exercida pelo Poder Judiciário, uma vez que a deci- pecífico.
são administrativa não faz coisa julgada.
4.2.5. Agência Executiva – Autarquia
Comum
As Agências Executivas são autarquias ou funda-
ções púbicas com personalidade jurídica de direi-
to público que, por estarem ineficientes, celebram

52 Número de acertos = ______


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um contrato de gestão com o Ministério supervisor As Agências executivas NÃO SÃO AUTARQUIAS SU-
por iniciativa da Administração Direta. Através des- JEITAS A UM REGIME ESPECIAL estabelecido em
se contrato é conferida a essa Autarquia mais orça- lei. Desse modo, ao contrário das Agências regulado-
mento, mais autonomia administrativa e, em contra- ras, que se sujeitam a um regime especial em razão
partida, esta deverá cumprir um plano estratégico da lei que as instituiu, essas agências recebem a qua-
de reestruturação, atingir metas e resultados com lificação de Agência Executiva mediante assinatu-
vistas a alcançar a eficiência. Após a celebração do ra do contrato de gestão e publicação de Decreto
mencionado contrato de gestão (art. 37, §8º da CF/88), pelo chefe do Executivo.
será elaborado um plano estratégico de reestruturação
e o próprio chefe do poder executivo irá editar um De- 4.2.6. Associações Públicas
creto qualificando essa Autarquia como Agência
Conforme estabelece o art. 241 da Constituição Fe-
Executiva. Ex.: Agência executiva -> Inmetro.
deral, a União, os Estados, Distrito Federal e os Mu-
nicípios poderão firmar contratos de consórcios pú-
blicos autorizando a gestão associada de serviços
públicos pelos entes federados. O consórcio público
QUESTÃO QUADRIX 2019
é um negócio jurídico plurilateral de direito público que
As agências executivas são consideradas como autarquias de tem por objeto estabelecer medidas de mútua coope-
regime especial, muito embora sua natureza jurídica, prerrog-
ração entre as entidades federativas, resultando na
ativas e deveres destoem bastante das autarquias em geral.
Errado criação de uma pessoa jurídica autônoma. Os consór-
cios podem ser instituídos com personalidade jurídi-
ca de direito público e personalidade jurídica de
direito privado.

80% das questões sobre


Destaca-se que as pessoas jurídicas públicas
Agências Executivas são respondidas por esse parágrafo (associações públicas) e privadas, criadas no âmbito
acima. dos consórcios públicos (associação dos entes
federados – União, Estados, DF e Municípios), não
representam, verdadeiramente, novas entidades
Cabe destacar que a Lei 9.649/1998 estabelece que
administrativas. Desse modo, a associação pública
“ o Poder Executivo poderá qualificar como Agência
tem personalidade jurídica de direito público
Executiva a autarquia ou fundação que tenha cumpri-
possui natureza de Autarquia. Assim, todas as
do os seguintes requisitos:
regras aplicáveis às Autarquias valem para as
I - ter um plano estratégico de reestruturação e de de- Associações Públicas. Portanto, essas gozam de
senvolvimento institucional em andamento; privilégios processuais e tributários, se submetem
II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo a todas as restrições impostas ao Estado e irão
Ministério supervisor. compor a Administração Pública Indireta de cada
Explicação da Lei Seca
ente consorciado. Os consórcios com personalidade
§ 1o A qualificação como Agência Executiva será feita jurídica de direito privado, por sua vez, não compõem
em ato do Presidente da República. a Administração Pública indireta.
§ 2o O Poder Executivo editará medidas de organiza- Os entes da Federação consorciados respondem sub-
ção administrativa específicas para as Agências Exe- sidiariamente pelas obrigações do consórcio público.
cutivas, visando assegurar a sua autonomia de gestão, Entretanto, destaca-se que os agentes públicos in-
bem como a disponibilidade de recursos orçamentá- cumbidos da gestão do consórcio não responderão
rios e financeiros para o cumprimento dos objetivos e pessoalmente pelas obrigações contraídas pela
metas definidos nos Contratos de Gestão.” associação pública, mas responderão pelos atos
Portanto, para fins de qualificação como Agencia Exe- praticados em desconformidade com a lei ou com
cutiva a instituição deve ser uma Autarquia ou Funda- as disposições dos respectivos estatutos.
ção Pública, deve possuir um plano estratégico de re-
estruturação, celebrar um contrato de gestão e então Clique aqui para ver a tabela
será concedido o título de Agência Executiva, garan-
tindo aumento do repasse de verbas e ampliação da
autonomia da entidade.
Número de acertos = ______ 53
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4.3. FUNDAÇÕES PÚBLICAS regime de pessoal será estatutário e nas fundações


estatais de direito privado o regime de pessoal é
Conforme estudado, a Fundação pode ser qualificada celetista.
como pessoa jurídica formada por um patrimônio pú-
Os bens das fundações de direito público são bens pú-
blico personalizado, destacado pelo seu instituidor
blicos e das fundações de direito privado serão bens
para atingir uma finalidade específica e exercer uma
privados. Contudo, esses últimos gozam de algumas
atividade não lucrativa de interesse coletivo como
prerrogativas de direito público, caso estejam afeta-
educação, cultura, pesquisa e outros (qualquer pes-
dos à prestação de um serviço público, como a im-
soa pode criar uma fundação ex: Fundação Xuxa Me-
penhorabilidade.
neghel).”. As Fundações Públicas podem ser criadas
com personalidade jurídica de direito público, nesse FICA A DICA
caso serão verdadeiras autarquias fundacionais, e com As autarquias fundacionais, por gozarem de personalidade
personalidade jurídica de direito privado (fundação jurídica de direito público, estão abarcadas pelo art. 98 do Có-
governamental). digo Civil, que dispõe que são públicos os bens do domínio
nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público,
Características das Fundações Públicas: as Funda-
não sendo estendida essa qualidade aos bens das pessoas
ções Públicas, assim como as autarquias, estão sujei-
jurídicas de direito privado.
tas ao controle finalístico realizado pela Administração • os contratos das fundações dependem de licitação (art.
Pública – supervisão ministerial; as Fundações Pú- 37, XXI da CF), nos moldes definidos pelas leis 8.666/93 e
blicas podem ser criadas com personalidade jurídica 10.520/02, salvo as hipóteses de dispensa e inexigibilidade.
de Direito Público, quando estarão sujeitas ao regime • as autarquias fundacionais são beneficiadas pela imunidade
tributária recíproca, de acordo com o §2º do art. 150 da Con-
jurídico de direito público (prerrogativas e limitações
stituição Federal. As fundações governamentais não gozam
de Estado), e personalidade jurídica de Direito Priva- dessa prerrogativa.
do, quando encontram-se sujeitas ao regime jurídico
híbrido (público e privado), ou seja, não gozam das
Ademais, assim como os entes da Adminis-
prerrogativas públicas, porém estão sujeitas às limita-
5 tração Direta, as autarquias fundacionais
ções estatais.
se submetem à prescrição quinquenal
As fundações públicas de direito público são também prevista no art. 1º do Decreto 20.910/32, in verbis:
denominadas autarquias fundacionais e serão
criadas automaticamente por lei. As Fundações “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos estados
Públicas de Direito Privado são denominadas e dos municípios, bem assim todo e qualquer di-
fundações governamentais e, por sua vez, serão reito ou ação contra a Fazenda federal, estadual
criadas através autorização legal e mediante registro ou municipal, seja qual for a sua natureza, pres-
dos atos constitutivos em cartório. crevem em cinco anos contados da data do ato ou
fato do qual se originarem.”
Fundação Pública
Regime Jurídico de A aplicação deste dispositivo às Fundações Públicas
com personalidade de
Direito Público
direito público de direito público decorre do fato de que as mesmas
gozam dos privilégios de Fazenda Pública, entendi-
Fundação Pública
Regime Jurídico Hí- mento que está pacificado na doutrina e na jurispru-
com personalidade de
direito privado
brido dência.

Os empregados que atuam nas fundações 4.4. EMPRESAS ESTATAIS


públicas de direito privado serão aqueles
aprovados em concurso público e o vínculo que 4.4.1. Empresa Pública
esses estabelecem com a entidade da Administração é
um vínculo de emprego regido pela CLT (art. 37, II da As empresas públicas são pessoas jurídicas de di-
CF). Nas fundações públicas de direito público, por sua reito privado, criadas por meio de autorização legal,
vez, atuam os servidores estatutários, aprovados que possuem capital exclusivamente público, po-
em concurso público e que poderão, após 3 anos de dendo ser constituídas sob qualquer modalidade
efetivo exercício e uma avaliação de desempenho empresarial, para fins de promover a prestação de
satisfatória, alcançar a estabilidade. Portanto, nas serviços públicos ou para fins de explorar atividade
fundações estatais de direito público o econômica.

54 Número de acertos = ______


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A instituição da referida entidade deverá seguir as se- 4.4.2. Sociedade de Economia Mista
guintes etapas: edição de lei autorizativa, expedição
de decreto de regulamentação da mencionada lei, As sociedades de economia mista são pessoas jurídi-
registro dos atos constitutivos em cartório (caso cas de direito privado criadas mediante autorização
seja prestadora de serviço público) ou na junta co- legal para a prestação de serviços públicos ou para
mercial (caso seja exploradora de atividade econômi- exploração de atividade econômica, constituídas
ca). Portanto, ao contrário do que ocorre com a autar- por capital misto, público e privado (sendo que a maio-
quia, a qual é criada diretamente pela lei, a empresa ria do capital votante será público), e instituída somen-
pública tem sua criação autorizada por lei e somente te sob a forma empresarial de sociedade anônima.
será efetivamente criada através do registro de seus Ex.: Eletrobrás, Petrobras.
atos constitutivos.
Os pontos MAIS cobrados são os conceitos de Em-
presa Pública e Sociedade de Economia Mista,
QUESTÃO diferenças e semelhanças entre essas.
Prova Auditor de Controle Externo
As Autarquias e as Empresas Públicas integram a Inicialmente, iremos tratar acerca das diferenças e se-
Administração Indireta e assemelham-se quanto ao modo melhanças existentes entre essas entidades, são elas:
de criação e ao regime jurídico, pois a criação de ambas
depende de autorização legislativa e ambas submetem-se Diferenças:
tanto ao regime público como ao regime privado.
1. Capital: a Empresa Pública é formada por capital
Errado 100% público, nesse caso não é admitido investimen-
to privado. Na sociedade de economia mista, por sua
vez, o capital é misto, sendo que a maioria do capital
O ponto mais COBRADO são os conceitos
das empresas estatais
votante será público.
e as diferenças entre essas instituições 2. Forma jurídica: a sociedade de economia mista so-
mente poderá ser constituída sob a forma de Socie-
Destaca-se que, conforme estudado, as empresas dade Anônima, sendo que a empresa pública admite
públicas necessariamente possuem capital exclusi- qualquer forma societária.
vamente público, ou seja, o capital da empresa pú-
3. Deslocamento de competência: o art. 109, I CF/88
blica é oriundo exclusivamente de recursos da União,
estabelece que compete à Justiça Federal o julgamen-
dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A
to das ações judiciais em que a empresa pública figu-
regra, todavia, precisa ser analisada com o texto do
re como parte (deslocamento para a Justiça Federal).
parágrafo único do mesmo dispositivo (art. 3° da Lei
Nas ações em que a sociedade de economia mista
13.303/16) que permite a participação no capital social
figure como parte, não haverá esse deslocamento,
da empresa pública de outras pessoas jurídicas de
salvo quando se tratar de matéria de justiça espe-
direito público interno, bem como de entidades da
cializada e quando a União intervém como assis-
Administração Indireta dos entes federados da União,
tente ou opoente.
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ex:
Semelhanças:
Empresa Pública cujo capital é 50% do Estado de Mi-
nas Gerais e 50% da União. 1. A empresa pública e a sociedade de economia mista
possuem personalidade jurídica de direito privado.
Dessa forma, o capital de uma Empresa Pública Fede-
ral poderá ser constituído por capital da União, Estado FICA A DICA
e do Município, desde que seja exclusivamente pú- A empresa pública e a sociedade de economia mista
blico. São exemplos de empresas públicas: Correios, deverão possuir em sua estrutura societária Comitê de
Caixa Econômica Federal, Infraero e BNDES. Auditoria Estatutário como órgão auxiliar do Conselho
de Administração, ao qual se reportará diretamente.
ATENÇÃO: São exemplos de sociedades de economia
QUESTÃO - CESPE mista: Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras e Telebras.
As empresas públicas, entidades dotadas de personalidade
jurídica de direito privado, cuja criação é autorizada por lei,
possuem patrimônio próprio e podem ser unipessoais ou
2. As empresas estatais não gozam de nenhuma
pluripessoais.
prerrogativa pública, seguindo o mesmo regime
Correto das empresas privadas no que diz respeito às suas

Número de acertos = ______ 55


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obrigações, ou seja, não possuem privilégios fiscais, uma finalidade pública, podendo prestar serviço pú-
as obrigações trabalhistas são regidas pela CLT, não blico ou explorar atividade econômica:
gozam de prerrogativas dos contratos administrativos Prestação de serviços públicos: as empresas esta-
(contratos privados), e estão sujeitas ao mesmo regime tais prestadoras de serviço público estão sujeitas ao
das empresas privadas no que tange aos privilégios regime jurídico híbrido que se aproxima de DIREITO
processuais. PÚBLICO, uma vez que se aplicam a essas entidades
3. As empresas estatais não gozam das prerrogativas as normas e princípios no que tange à prestação dos
de Estado, entretanto, estão sujeitas às limitações de serviços públicos estabelecido pela Lei n. 8.987/95 e
Estado, trata-se da sujeição ao regime jurídico híbri- demais diplomas normativos (responsabilidade civil
do (parte público e parte privado). objetiva, bens atrelados à prestação do serviço são
impenhoráveis, etc.). Ex.: Empresa de Correios e Telé-
4. As estatais estão sujeitas ao controle realizado pelo
grafos. No que se refere à titularidade do serviço, para
Tribunal de Contas.
a doutrina majoritária as empresas estatais nunca se-
5. As empresas públicas e sociedade de economia mista rão titulares do serviço, recebendo apenas a execu-
exploradoras de atividade econômica, em regra, estão ção do serviço mediante delegação.
sujeitas as regras estabelecidas na lei acerca de lici- Exploração de atividade econômica: As empresas
tações e contratos, estando, ainda, obrigadas a seguir estatais exploradoras de atividade econômica estão
as regras constantes no estatuto das empresas estatais sujeitas ao regime jurídico híbrido que se aproxima
- Lei nº 13.303/2016. do DIREITO PRIVADO (seus bens estão sujeitos à pe-
Cumpre destacar que o referido regime de contratação nhora, não gozam de imunidade tributária recíproca, a
deve observar os princípios da administração pública, responsabilidade civil é subjetiva e etc.). As empresas
sendo que os atos abusivos praticados no âmbito estatais irão atuar na exploração da atividade econô-
de tais procedimentos licitatórios, sujeitam-se ao mica em situações de relevante interesse coletivo
controle realizado por meio de mandado de segu- ou em virtude de imperativo da segurança nacional.
rança. Em regra ambas entidades devem realizar o Ex.: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. Des-
procedimento licitatório prévio às contratações. taca-se que mesmo quando atuam na exploração de
FICA A DICA atividade econômica essas se submetem às restrições
As empresas estatais não são obrigadas a realizar o de direito público, haja vista que na celebração de seus
procedimento licitatório nas contratações relacionadas à contratos, EM REGRA, se submetem às licitações
execução de sua atividade fim. públicas, assim como devem realizar concurso
para contratação de pessoal e etc.
6. Os agentes das empresas estatais são emprega- Destaca-se que sejam essas empresas prestadoras de
dos públicos selecionados por intermédio de Concurso serviços públicos ou exploradoras de atividades eco-
Público, estão sujeitos ao regime celetista e celebram nômicas, não se aplica o regime de precatórios do art.
contrato de emprego com a empresa estatal. Des- 100 da Constituição Federal para pagamento de seus
taca-se que os empregados públicos estão sujeitos à débitos judiciais.
vedação quanto a ACUMULAÇÃO DE CARGOS, em- FICA A DICA
pregos ou funções públicas. • As empresas estatais não possuem finalidade lu-
crativa, a finalidade será sempre pública. Contudo,
7. Impossibilidade de falência: o regime falimentar essas entidades poderão auferir lucro.
das empresas privadas não se aplica às empresas • A exploração de atividade econômica é atividade
estatais. típica do particular, que almeja auferir lucro.
Contudo, em determinadas situações nas quais
8. As empresas públicas e sociedades de economia
a atividade econômica esteja ligada a relevante
mista prestadoras de serviços públicos respondem interesse coletivo ou imperativo da segurança
objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa nacional, o Estado poderá explorá-la através das
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito empresas estatais.
de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou • A Empresa de Correios e Telégrafos, por desempen-
culpa. As empresas estatais que exploram atividade har um serviço exclusivo e indelegável, estará sujeita
econômica respondem pelos danos de forma subje- ao regime jurídico de direito público gozando de to-
das as prerrogativas e se sujeitando a todas as limi-
tiva, conforme regime de direito privado.
tações de Estado.
9. A finalidade das Empresas Estatais será sempre

56 Número de acertos = ______


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Bens Entretanto, situação diversa ocorre em relação aos


dirigentes das estatais, uma vez que esses são
Os bens das Empresas Estatais não ostentam a qua- servidores detentores de cargo em comissão,
lidade de bens públicos. No entanto, em relação aos nomeados livremente pelo ente da Administração
bens das estatais que estejam atrelados à prestação Direta. Para esses agentes, pode-se aplicar uma dupla
de serviços públicos, aplicam-se algumas prerrogati- vinculação jurídica, pois vinculam-se à empresa
vas inerentes aos bens públicos, como a impenhora- estatal e também ao ente da Administração Direta
bilidade. que realiza o controle ministerial.
No que tange às empresas estatais que atuam na Destaca-se que os agentes das empresas estatais
exploração de atividades econômicas, não se pode também estão subordinados à regra constitucional
entender da mesma forma, ou seja, seus bens não que veda a acumulação de cargos e empregos
gozam de garantias, são bens privados para todos públicos de quaisquer entes da Administração
os efeitos, sendo, inclusive, possível a penhora e Direta ou Indireta, com ressalva para as hipóteses
a oneração destes bens com direitos reais de ga- autorizadas no próprio texto constitucional, sempre
rantia. que houver compatibilidade de horário: a) dois cargos
de professor, b) dois cargos de profissionais de
QUESTÃO CESPE saúde com profissão regulamentada; c) um cargo
técnico ou científico mais um cargo de professor;
CARGO: OFICIAL DE JUSTIÇA - TJ/PA
d) mandato de vereador e cargo público, havendo
A administração indireta inclui as sociedades de economia
mista, cujos agentes são: compatibilidade de horários.
A) empregados públicos regidos pela CLT e sujeitos às nor- ATENÇÃO
mas constitucionais relativas a concurso público e à vedação FICA A DICA MUITO IMPORTANTE!
de acumulação remunerada de cargos públicos.
Embora os empregados públicos não gozem de estabilidade, nos
B) empregados públicos regidos pela CLT que não se sub-
termos da Constituição Federal, existe divergência doutrinária e
metem às normas constitucionais relativas a concurso público
jurisprudencial acerca da possibilidade de dispensa imotivada
nem à vedação de acumulação remunerada de cargos públi-
desses agentes, haja vista terem sido contratados mediante con-
cos.
curso público. Nesse sentido, Celso Antônio Bandeira de Mello,
C) empregados públicos regidos pela CLT e sujeitos às nor-
acertadamente estabelece que “assim como não é livre a admis-
mas constitucionais relativas a concurso público, mas não à
são de pessoal, também não se pode admitir que os dirigen-
vedação de acumulação remunerada de cargos públicos.
tes da pessoa tenham o poder de desligar seus empregados
D) servidores públicos estatutários sujeitos às normas con-
com a mesma liberdade com que o faria o dirigente de uma
stitucionais relativas a concurso público e à vedação de acu-
empresa particular”.
mulação remunerada de cargos públicos.
Caso a estatal não receba recursos públicos para custeio em
E) servidores públicos estatutários sujeitos às normas con-
geral ou manutenção de seu pessoal. a entidade não estará
stitucionais relativas a concurso público, mas não à vedação
sujeita ao regramento do teto constitucional, portanto, poderão
de acumulação remunerada de cargos públicos.
existir empregados públicos recebendo salário maior do que o
R: A subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.

Agentes ATENÇÃO
A dispensa de um empregado de uma empresa estatal con-
Os agentes que atuam na prestação de serviços den- figura ato administrativo e, como tal, depende de motivação
tro da estrutura das empresas estatais são emprega- para ser praticado.
dos públicos que celebram com a Administração
Pública contratos de emprego regidos pela Conso-
lidação das Leis do Trabalho (CLT). QUESTÃO CESP
ATENÇÃO a Cespe já cobrou:
Considere que, há sete anos, Adriano é empregado da Caixa
QUESTÃO VUNESP 2019 Econômica Federal (CAIXA), que é uma empresa pública fed-
Nas sociedades de economia mista existem empregados eral. Nessa situação hipotética, julgue o item a seguir.
públicos, contratados pela CLT, que se submetem a concurso Por força constitucional, o fato de a CAIXA ser uma Empresa
público. Pública impede que Adriano possa ser demitido sem justa
Correto causa.
Errado
Número de acertos = ______ 57
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Privilégios fiscais liquidação de seu patrimônio, ao pagamento de seus


credores em situação de igualdade e à posterior ex-
Em se tratando de empresas públicas ou sociedades de
tinção. Não pode haver falência de empresa estatal,
economia mista que atuam na exploração de atividade
porque somente a lei pode determinar sua criação,
econômica, o regime tributário aplicado é o mesmo
dissolução ou extinção”.
definido para as empresas privadas, sujeitando-se a
todos os impostos e demais tributos aplicáveis às Defende o autor, ainda, que é incompatível com as
empresas privadas que executam atividades no empresas estatais o instituto da falência pelo fato
mesmo ramo. Cumpre ressaltar que, caso o ramo de de que, nesses casos, o controle da empresa será
atividade econômica que é objeto de exploração da transferido para um particular que irá atuar como
empresa estatal gozar de isenção legal de tributo, administrador judicial para dirigir os atos finais da
esta isenção será estendida a tal entidade. Todavia, a entidade. Ora, não se mostra plausível ou razoável
entidade da Administração Pública Indireta não pode transferir a um particular a direção dos atos de uma
gozar de qualquer privilégio fiscal DIFERENCIADO entidade da Administração Pública. Ademais, o au-
pelo fato de ser uma empresa estatal. tor explica que, em relação aos danos causados por
agentes das empresas estatais, o Estado tem respon-
Empresas subsidiárias das empresas sabilidade subsidiária o que torna impossível a rea-
estatais lização do procedimento da falência nos moldes
definidos na Lei.
As empresas subsidiárias são entidades societárias
autônomas, criadas para apoiar e executar atividades No entanto, o art. 173, §1º, II, da Constituição Fede-
de interesse e suporte à empresa estatal, auxiliando ral define que as empresas estatais que atuam na ex-
no exercício de suas atividades. Dessa forma, resta ploração de atividades econômicas se sujeitam ao
claro que a empresa subsidiária tem personalidade mesmo regime aplicável às empresas privadas, no
jurídica própria, sob a égide do direito privado. que tange às obrigações civis e comerciais. Desse
modo, estaríamos diante de uma aparente incompa-
Conforme estudado, a criação das empresas subsidiá-
tibilidade da lei com o texto constitucional, haja vista
rias depende de autorização por lei específica. Nes-
que o regime falimentar das empresas particulares se
se sentido, o art. 37, XX da Carta Magna dispõe que
configura regramento comercial, devendo, portanto,
“depende de autorização legislativa, em cada caso, a
ser estendido a essas entidades da Administração Pú-
criação de subsidiárias das entidades mencionadas no
blica. Contudo, entendemos nessa obra, em conformi-
inciso anterior, assim como a participação de qualquer
dade com o entendimento majoritário da doutrina, que
delas em empresa privada”.
as empresas públicas e sociedades de economia
TRADUÇÃO JURÍDICA
mista não estão sujeitas ao regime falimentar, haja
“Como assim prof.? vista que essas entidades são criadas mediante
A Petrobras tem várias subsdiárias que desenvolvem atividades
autorização legal para atender ao relevante interes-
auxiliares como a Transpetro (transporte e armazenamento
de petróleo e derivados, álcool e bio combustíveis), Petrobras se social e aos imperativos de segurança nacional,
Distribuidora, a Liquigás e etc. Cabe destacar que essas interesses esses que não poderiam ser afastados
entidades não pertencem a Administração Indireta, estando para fins de satisfação de interesses privados em
sujeitas a um regime 100% privado. um processo falimentar.
Ademais, caso a empresa estatal deseje contratar a sua
subsidiária , a mesma não precisará realizar prévio procedimento FICA A DICA
licitatório. Quando a empresa pública/sociedade de economia
mista explorar atividade econômica de produção ou
comercialização de bens ou de prestação de serviços,
poderão realizar licitação por procedimentos simplificados.
Falência
A empresa pública e a sociedades de economia mista Licitação e Contratos
não estão sujeitas à falência, conforme determina a
Lei 11.101/05, art. 2º: “Esta Lei não se aplica a: I – em- Conforme estudado, a realização do prévio procedi-
presa pública e sociedade de economia mista”. mento licitatório é uma obrigatoriedade e, portanto,
as estatais devem licitar conforme estabelece a Lei
Concordando com esse entendimento, Marçal Justen
13.303/2016.
Filho ensina que ‘’a falência é uma causa de disso-
lução da empresa derivada da insolvência, visando à No entanto, quando estivermos diante de uma contra-
tação realizada por uma estatal que presta serviços
58 Número de acertos = ______
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públicos, a mesma deverá seguir os procedimentos le- • Súmula n. 514: A CEF é responsável pelo forne-
gais sem derrogação. Contudo, quando a empresa pú- cimento dos extratos das contas individualizadas
blico desempenha uma atividade econômica, a mesma vinculadas ao FGTS dos Trabalhadores partici-
poderá licitar mediante procedimentos simplificados. pantes do Fundo de Garantia do Tempo de Servi-
ço, inclusive para fins de exibição em juízo, inde-
Súmulas do STF
pendentemente do período em discussão.
• Súmula 8-STF: Diretor de sociedade de economia
• Súmula n. 525: A Câmara de vereadores não
mista pode ser destituído no curso do mandato.
possui personalidade jurídica, apenas personali-
• Súmula n. 517: As sociedades de economia mista dade judiciária, somente podendo demandarem
só têm foro na justiça federal, quando a União in- juízo para defender os seus direitos institucionais.
tervém como assistente ou opoente.
• Súmula n. 556: É competente a justiça comum Clique aqui para os esquemas
para julgar as causas em que é parte sociedade
de economia mista.
• Súmula n. 620: A sentença proferida contra autar-
quias não está sujeita a reexame necessário, salvo
quando sucumbente em execução de dívida ativa.
Súmulas do STJ
• Súmula n. 39: Prescreve em vinte anos a ação
para haver indenização, por Responsabilidade ci-
vil, de sociedade de economia mista.
• Súmula n. 42: Compete à Justiça Comum Esta-
dual processar e julgar as causas cíveis em que
é parte sociedade de economia mista e os crimes
praticados em seu detrimento.
• Súmula n. 66: Compete à Justiça Federal proces-
sar e julgar execução fiscal promovida por Conse-
lho de fiscalização profissional.
• Súmula n. 116: A Fazenda Pública e o Ministério
Público têm prazo em dobro para interpor agravo
regimental no Superior Tribunal de Justiça.
• Súmula n.175: Descabe o depósito prévio nas
ações rescisórias propostas pelo INSS.
• Súmula n. 232: A Fazenda Pública, quando parte
no processo, fica sujeita à exigência do depósito
prévio dos honorários do perito.
• Súmula n. 324: Compete à Justiça Federal pro-
cessar e julgar ações de que participa a Fundação
Habitacional do Exército, equiparada à entidade
autárquica federal, supervisionada pelo Ministério
do Exército.
• Súmula n. 333: Cabe mandado de segurança
contra ato praticado em licitação promovida por
sociedade de economia mista ou empresa pública.
• Súmula n. 497: Os créditos das autarquias fede-
rais preferem aos créditos da Fazenda estadual
desde que coexistam penhoras sobre o mesmo
bem.
Número de acertos = ______ 59
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III. ORGANIZAÇÅO ADMINISTRATIVA


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

Desconcentração: refere-se à distribuição de competências internas entre os órgãos


que compõem uma mesma pessoa jurídica.

Descentralização: descentralização de atividades da administração direta à outras


pessoas jurídicas da Administração indireta ou empresas concessionárias e
permissionárias de serviço público.

A Lei especifica cria as Autarquias e autoriza a criação das Fundações Públicas,


Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.

A Administração Pública Direta realizará o controle finalístico das entidades da


Administração Pública Indireta.
Conforme estudado não há hierarquia e nem subordinação entre pessoas jurídicas
diferentes.

A Autarquia pode ser conceituada como pessoa jurídica de direito público interno que
se encontra sujeita ao Regime Jurídico de Direito Público, ou seja, faz uso de todas as
prerrogativas de Estado e está sujeita a todas as limitações, exercendo atividade típica
de Estado.

As Agências Reguladoras são Autarquias em Regime Especial, pertencentes a


administração pública indireta e regidas pelo direito público, criadas para regulamentar/
fiscalizar a prestação dos serviços públicos realizada pelos particulares concessionários
e permissionários.

As Agências Executivas são autarquias ou fundações púbicas que, por estarem


ineficientes, celebram um contrato de gestão com o Ministério supervisor por iniciativa
da Administração Direta.

As Empresas Públicas são pessoas jurídicas de Direito Privado, para a prestação de


serviços públicos ou para exploração de atividade econômica, criadas por meio de
autorização legal e registro de seus atos constitutivos em órgão competente. Possuem
capital exclusivamente público, podendo ser constituídas sob qualquer modalidade
empresarial.

As Sociedades de Economia Mista são pessoas jurídicas de direito privado criadas


mediante autorização legal para a prestação de serviços públicos ou para
exploração de atividade econômica, constituídas por capital misto, público e
privado, e instituída somente sob a forma empresarial de Sociedade Anônima.

TOTAL 74%
190
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
III. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

Art. 4° DECRETO LEI N. 200 DE 1967: A Administração Federal compreende:


I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da 1a5
Presidência da República e dos Ministérios.

Art. 4° DECRETO LEI N. 200 DE 1967: II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes
categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
6 a 47
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) fundações públicas. (Incluído pela Lei nº 7.596, de 1987)

Art. 6º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: As atividades da Administração Federal obedecerão aos
seguintes princípios fundamentais:
I - Planejamento.
II - Coordenação. 48 a 63
III - Descentralização.
IV - Delegação de Competência.
V - Controle.

Art. 11. DECRETO LEI N. 200 DE 1967: A delegação de competência será utilizada como instru-
mento de descentralização administrativa, com o objetivo de assegurar maior rapidez e objetivi- 64 a 65
dade às decisões, situando-as na proximidade dos fatos, pessoas ou problemas a atender.

Art. 1º, § 2º, I, da Lei nº 9784/99: § 2º Para os fins desta Lei, consideram-se:
I – órgão – a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da 66 a 72
Administração indireta.

Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita
73 a 148
próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu mel-
hor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.

Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se:
II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio
próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que
149 a 165
o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa po-
dendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. (Redação dada pelo Decreto-Lei
nº 900, de 1969)

Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se:
III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas 166 a 187
ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indi-
reta. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 900, de 1969)

Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se: IV - Fundação Pública
- a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em
virtude de autorização legislativa, para
o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou enti- 188 a 206
dades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio geri-do pelos
respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras
fontes. (Incluído pela Lei nº 7.596, de 1987)

191
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se que os cargos de Ministro de Estado e Secretário


Agentes públicos: espécies e clas-
são cargos políticos, haja vista que são cargos ligados
sificação; poderes, deveres e prer- à alta gestão, a despeito do fato de que o ingresso
rogativas; cargo, emprego e função desses agentes à máquina estatal não ocorre através
públicos; Regime Jurídico Único das eleições, e sim mediante a nomeação para o exer-
cício de cargos em comissão.
(Lei nº 8.112/1990 e suas alterações):
A competência dos agentes políticos encontra ex-
provimento, vacância, remoção, re-
pressa previsão constitucional e, em virtude do alto
distribuição e substituição; direitos escalonamento desses agentes, esses não estão su-
e vantagens; regime disciplinar; res- jeitos às regras gerais aplicáveis aos servidores públi-
ponsabilidade civil, criminal e admi- cos. Ademais, convém destacar que não há relação de
hierarquia entre os agentes políticos. Assim, é incor-
nistrativa Clique aqui para a vídeo-aula reto afirmar que um governador ou secretário de Es-
PONTOS MAIS COBRADOS – Os pontos mais cobra- tado, por exemplo, esteja subordinado ao Presidente
dos dessa matéria são: servidores públicos que ocu- da República.
pam cargo de provimento efetivo, questões atinentes Cumpre ressaltar que alguns autores, como Hely
ao acesso a esses cargos, concurso público, estágio Lopes Meirelles, entendem que os magistrados e
probatório, vencimentos e questões relativas ao PRO- os membros do Ministério Público também se
CESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. encontram inseridos nessa categoria de agentes
políticos. Há, ainda, corrente
CONCEITO Posicionamento do
que defende que os membros CESPE
O termo agente público é uma designação genérica dos Tribunais de Contas são
que abrange todas as pessoas que desempenham agentes políticos.
funções públicas, mandato, cargo ou emprego es-
tatal, de forma definitiva ou transitória, remunerada SERVIDORES EFETIVOS
ou gratuita. Nesse sentido, o art. 2º da Lei 8.429/1992
A palavra “efetivo” transmite a noção de continuidade,
define:
permanência, manutenção do agente na prestação
“Art. 2° Para os efeitos desta Lei, consideram- daquela atividade. De fato, os cargos de provimento
se agente público o agente político, o servidor efetivo serão ocupados, em caráter definitivo, por
público e todo aquele que exerce, ainda que tran- agentes admitidos por meio de Concurso Público.
sitoriamente ou sem remuneração, por eleição, Esses agentes, após aprovação no Concurso, esta-
nomeação, designação, contratação ou qualquer belecem um vínculo estatutário (não contratual - o
outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
Estatuto é a Lei da carreira) com o ente estatal e
cargo, emprego ou função nas entidades referidas
poderão adquirir a tão sonhada estabilidade. Esse re-
no art. 1º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº
gime garante a estabilidade/permanência do servidor
14.230, de 2021)” Explicação da Lei Seca público no exercício de suas funções, protegendo-o
Portanto, os agentes políticos, os militares, os servi- contra influências políticas e partidárias.
dores públicos, os particulares em colaboração e todos
O regime estatutário desses agentes é o regime ado-
aqueles que desempenham em algum momento a fun-
tado para fins de provimento de cargos públicos pe-
ção estatal são considerados agentes públicos.
los entes da Administração Pública Direta, Autarquias,
Fundações e Associações Públicas, ou seja, pelas en-
AGENTES POLÍTICOS tidades que possuem personalidade jurídica de direito
Os agentes políticos são aqueles que exercem a fun- público. Portanto, os servidores efetivos desempen-
ção pública de alta direção do Estado e compõem ham suas funções nessas entidades. Desse modo,
a cúpula diretiva do Governo. A vinculação desses dispõe o caput do art. 41 da CF/88:
agentes com o Poder Público é uma vinculação es- Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo
tatutária, estabelecida mediante o ingresso desses à exercício os servidores nomeados para cargo de
máquina estatal, em regra, por meio das eleições. Ex: provimento efetivo em virtude de concurso público.
Presidente da República, Parlamentares, Governa-
Explicação da Lei Seca
dores, Prefeitos, Ministros, Secretários, etc. Destaca-

54 Número de acertos = ______


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FICA A DICA
virtude de sentença judicial transitada em julgado
Em razão do fato de não se tratar de vínculo de natureza con-
ou de processo administrativo disciplinar no qual
tratual, o ente público poderá promover alteração unilateral lhe seja assegurada ampla defesa”
no regime aplicável aos servidores estatutários, desde que
Para além das hipóteses elencadas acima, de forma
sejam respeitados os direitos adquiridos.
Portanto, o servidor público não tem direito adquirido à
excepcional, o § 4º do art. 169 da Constituição Fed-
imutabilidade de seu regime jurídico, de sorte que não há eral de 1988 admite a exoneração de servidores
violação a direito quando se altera, por exemplo, a jorna- estáveis quando esta for imprescindível para o
da de trabalho ou escalonamento hierárquico da carreira. cumprimento do limite de despesa com pessoal
estabelecido em Lei Complementar. Vejamos:
Destaca-se que durante o período de três anos ini-
“A despesa com pessoal ativo e inativo e pensioni-
ciais de exercício, denominado período probatório, o
stas da União, dos Estados, do Distrito Federal e
agente será submetido a uma avaliação especial de
dos Municípios não pode exceder os limites esta-
desempenho e a aquisição da estabilidade estará
belecidos em lei complementar. (Redação dada
condicionada a um resultado satisfatório nessa
pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)[...]”
avaliação. Essa avaliação tem a finalidade de verificar
§ 3º Para o cumprimento dos limites estabeleci-
se o servidor, no exercício de suas funções, atende ao
dos com base neste artigo, durante o prazo fixado
Princípio da Eficiência previsto no caput do artigo 37
na lei complementar referida no caput, a União, os
da CR/88.
Estados, o Distrito Federal e os Municípios ado-
ATENÇÃO: tarão as seguintes providências:
o servidor público não tem direito adquirido à imutabilidade I - redução em pelo menos vinte por cento das
de seu regime jurídico despesas com cargos em comissão e funções de
confiança; Explicação da Lei Seca
QUESTÃO CESPE
II - exoneração dos servidores não estáveis.
O direito adquirido garante a imutabilidade de regime jurídico
e busca proteger os direitos dos cidadãos contra as alter- § 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo
ações que o Estado realiza nas leis que regem anterior não forem suficientes para assegurar o
o serviço público. cumprimento da determinação da lei complementar
Errado referida neste artigo, o servidor estável poderá
perder o cargo, desde que ato normativo motivado
Contudo, é importante lembrar que a avaliação de de cada um dos Poderes especifique a atividade
desempenho não acontece apenas durante o estágio funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto
probatório. A referida avaliação também será promovi- da redução de pessoal. [...]
da depois que o servidor já alcançou a estabilidade ad-
Na situação descrita temos a hipótese de exoneração
ministrativa, pois este deve continuar sendo eficiente
do servidor estável para fins de cumprimento dos lim-
na prestação dos serviços.
ites de gastos com despesas de pessoal. Nesse caso,
Adquirida a estabilidade, o servidor somente poderá não será possível que a lei crie novo cargo, emprego
perder o cargo nas hipóteses previstas no § 1º do art. ou função para suprir as mesmas atividades desem-
41 da CF/88: SEMPRE CAI EM penhadas pelo servidor que foi exonerado durante o
PROVA – TEM QUE prazo de quatro anos, nos termos do § 6° do art. 169
Art. 41, § 1º O servidor
DECORAR! da CR/88:
público estável só perderá
o cargo: Explicação da Lei Seca “Art. 169, § 6°. O cargo objeto da redução prevista
I - em virtude de sentença judicial transitada em nos parágrafos anteriores será considerado ex-
julgado; tinto, vedada a criação de cargo, emprego ou fun-
II - mediante processo administrativo em que lhe ção com atribuições iguais ou assemelhadas pelo
seja assegurada ampla defesa; prazo de quatro anos.” Explicação da Lei Seca
III - mediante procedimento de avaliação periódica
Ademais, nesse caso o servidor exonerado receberá,
de desempenho, na forma de lei complementar,
a título de indenização, um mês de remuneração rela-
assegurada ampla defesa.
tivo a cada ano de serviço prestado, em conformidade
As hipóteses dos incisos I e II também estão elen- com o art. 169, §5° da CR/88:
cadas na Lei 8.112/90: Explicação da Lei Seca § 5° O servidor que perder o cargo na forma
“Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em do parágrafo anterior fará jus a indenização
Número de acertos = ______ 55
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correspondente a um mês de remuneração por Art. 5º. São requisitos básicos para investidura em
ano de serviço. Explicação da Lei Seca cargo público:
I - a nacionalidade brasileira; - estrangeiros na
Destaca-se que para que esse servidor exonerado
forma da lei
retorne aos quadros administrativos, o único caminho
II - o gozo dos direitos políticos;
é prestar um novo concurso público.
III - a quitação com as obrigações militares e elei-
Por fim, conforme estabelece o art. 19 da Lei Com- torais;
plementar n. 101/2000, a despesa total com pessoal, IV - o nível de escolaridade exigido para o exercí-
em cada período de apuração, não poderá exceder os cio do cargo; Explicação da Lei Seca
seguintes percentuais de receita líquida: V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
• União: 50%
Por fim, destaca-se que aos servidores públicos
• Estados: 60%
estatutários são garantidos alguns direitos trabalhistas,
• Municípios: 60% são eles: garantia de salário, nunca inferior ao mínimo,
para os que percebem remuneração variável; décimo
FICA A DICA terceiro salário com base na remuneração integral ou
no valor da aposentadoria; remuneração do trabalho
Demissão
Destaca-se que, no caso de servidores efetivos que ainda noturno superior à do diurno; salário-família pago
não são estáveis, a demissão deverá ser precedida de um em razão do dependente do trabalhador de baixa
processo que o Supremo Tribunal Federal denomina como renda nos termos da lei; duração do trabalho normal
processo administrativo simplificado. Afinal, ainda que o não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
servidor não tenha adquirido a estabilidade, deve lhe ser
semanais, facultada a compensação de horários e a
assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa,
haja vista que a demissão, no Direito Administrativo,
redução da jornada, mediante acordo ou convenção
é uma PENALIDADE aplicada ao servidor público, seja coletiva de trabalho; repouso semanal remunerado,
ele estável ou não, em razão do cometimento de ilegalidade preferencialmente aos domingos; remuneração do
grave, como será visto adiante. serviço extraordinário superior, no mínimo, em
Nesse sentido, devemos lembrar que, caso verificado algum cinquenta por cento a do normal; gozo de férias
vício de legalidade ligado à aplicação da penalidade de
anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a
demissão do servidor público, esse ato deverá ser anulado
e, conforme determina o §2º do art. 41 da CF/88, o servidor mais do que o salário normal; licença à gestante, sem
que tiver seu ato de demissão anulado pela via judicial prejuízo do emprego e do salário, com a duração de
deverá ser reintegrado aos quadros do Poder Público: cento e vinte dias; licença-paternidade, nos termos
“Art. 41, § 2º. Invalidada por sentença judicial a demissão fixados em lei; proteção do mercado de trabalho da
do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual
mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da
ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo
de origem, sem direito a indenização, aproveitado
lei; redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio
em outro cargo ou posto em disponibilidade com de normas de saúde, higiene e segurança; proibição
remuneração proporcional ao tempo de serviço.” de diferença de salários, de exercício de funções e de
Ademais, o §3º do mesmo dispositivo ainda completa: critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, estado civil.
o servidor estável ficará em disponibilidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu FICA A DICA
adequado aproveitamento em outro cargo. • Conforme determinação da Lei nº 8.112/90 (art. 7º), “a in-
vestidura em cargo público ocorrerá com a posse.”
QUESTÃO DE PROVA RECORRENTE. NÃO • Quanto ao trabalho noturno, a Lei nº 8.112/90 determina,
PERCA ESSE PONTO! em seu art. 75, que “o serviço noturno, prestado em horá-
rio compreendido entre 22 horas de um dia e 5 horas do
dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25%, compu-
tando-se cada hora como cinquenta e dois minutos e trinta
segundos.”
REQUISITOS PARA INVESTIDURA
EM CARGO PÚBLICO QUESTÃO ESAF
Ao servidor público federal que prestar serviço entre as vinte
A Lei nº 8.112/90 dispõe sobre o regime jurídico dos
e duas horas de um dia e as cinco horas da manhã do dia
servidores públicos civis da União, das autarquias e seguinte, ainda que em regime de plantão, será devido ao
das fundações públicas de direito público federais. pagamento de adicional noturno.
Essa norma estabelece em seu art. 5º que: Correto
56 Número de acertos = ______
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CARGO PÚBLICO DE PROVIMENTO FICA A DICA


VITALÍCIO Os agentes militares possuem regime estatutário PRÓPRIO
e uma das maiores diferenças entre esses em relação aos
Os cargos de provimento vitalício são aqueles que servidores públicos civis é a vedação ao direito de sindica-
conferem ao ocupante a garantia de que somente lização, greve e filiação partidária aos militares.
poderá ser demitido diante do reconhecimento da
prática de infração para a qual seja cominada a pe- CARGO PÚBLICO DE PROVIMENTO
nalidade de demissão por meio de sentença judi- EM COMISSÃO
cial com trânsito em julgado.
O cargo de provimento em comissão, conhecido como
Ademais, nos cargos vitalícios o estágio probatório é
cargo de confiança, é aquele cujo ocupante pode ser
reduzido, tendo a duração de dois anos, após esse
livremente nomeado e exonerado, independente-
período o agente adquire a vitaliciedade. São deten-
mente da aprovação em concurso público. Esse
tores de cargo vitalício os Magistrados, membros
tipo de cargo encontra respaldo no art. 37, V da Con-
do Ministério Público e membros do Tribunal de
stituição Federal: Explicação da Lei Seca
Contas.
Art. 37, V As funções de confiança, exercidas
Clique aqui para ver a tabela exclusivamente por servidores ocupantes de
cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem
preenchidos por servidores de carreira nos casos,
FICA A DICA condições e percentuais mínimos previstos em lei,
Todo cargo público (lembre-se da diferença entre cargo e destinam-se apenas às atribuições de direção,
emprego público) encontra-se condicionado ao regime jurí- chefia e assessoramento.
dico estatutário.

ATENÇÃO – QUESTÃO
AGENTES MILITARES RECORRENTE NAS PROVAS
As funções de confiança não se confundem com os cargos
Os agentes militares formam uma categoria de servi- em comissão, visto que estes são ocupados transitoriamente,
dores públicos, que possuem vinculação estatutária sem a necessidade de concurso, e aquelas só podem ser
própria, organizados com base na hierarquia e na dis- titularizadas por servidores públicos ocupantes de cargos
ciplina. Nos termos do art. 42 da CF/88 são militares: efetivos.
Correto
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos
de Bombeiros Militares, instituições organizadas
Destaca-se que esses cargos são acessíveis a todos,
com base na hierarquia e disciplina, são militares
sendo de livre nomeação ou exoneração, podendo
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
esse agente ser desligado do cargo imotivadamente
Também são agentes militares os integrantes das For- (exceção ao Princípio da Motivação), sem instauração
ças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército de processo administrativo e sem direito ao
e pela Aeronáutica. Explicação da Lei Seca contraditório e a ampla defesa. Contudo, convém
destacar que, a despeito da exoneração tratar-se
Destaca-se que os agentes militares contribuem para
de uma exceção à obrigatoriedade de motivação
o regime PRÓPRIO de previdência, conforme dispõe o
dos atos administrativos, caso a autoridade pública
caput do artigo 40 da CR/88:
apresente motivo para exoneração e tal motivo
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos for falso, em conformidade com a Teoria dos Motivos
servidores titulares de cargos efetivos terá caráter Determinantes, o ato de exoneração será nulo, haja
contributivo e solidário, mediante contribuição do vista que o vício no motivo enseja o vício de legalidade
respectivo ente federativo, de servidores ativos, de no ato.
aposentados e de pensionistas, observados crité-
rios que preservem o equilíbrio financeiro e atu- Os cargos de confiança estão relacionados às
arial. (Redação dada pela Emenda Constitucional atribuições de direção, chefia e assessoramento (art.
nº 103, de 2019) 37, V da CF/88).
Explicação da Lei Seca

Número de acertos = ______ 57


Questões resolvidas
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FICA A DICA salubre e em serviço não penoso e não perigoso”.


Ao criar cargos públicos de provimento em comissão, o
legislador deve fixar um percentual desses cargos des- FUNÇÃO DE CONFIANÇA
tinado aos servidores que já são titulares de cargo
público de provimento efetivo, de sorte que as vagas A função pública de confiança encontra previsão no
remanescentes serão destinadas à nomeação de qualquer art. 37, V da CR/88:
pessoa, conforme escolha feita pela autoridade admi-
nistrativa. Nesse caso, o servidor efetivo pode ser nome-
“Art. 37, V. As funções de confiança, exercidas ex-
ado para exercer um cargo de direção, chefia ou asses- clusivamente por servidores ocupantes de cargo
soramento e receberá, adicionalmente à sua remuneração efetivo, exercidas exclusivamente por servidores
referente ao cargo efetivo, acréscimo decorrente do cargo ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em co-
em comissão. Ex: aquele que foi nomeado para o ocupar o missão, a serem preenchidos por servidores
cargo de provimento efetivo de Procurador do Estado po-
de carreira nos casos, condições e percentuais
derá ser nomeado para ocupar um cargo de provimento
em comissão de Procurador [Link] em Comissão mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
= X% servidores que ocupam cargo efetivo + X% Indivídu- atribuições de direção, chefia e assessoramento;
os que não possuem vínculo com a Administração = 100% [...]”. Explicação da Lei Seca
dos cargos em comissão;
Remuneração do servidor público estatutário nomea-
Portanto, conforme descrito acima, tanto no cargo
do para ocupar cargo em comissão: Remuneração re- público de provimento em comissão quanto na função
ferente ao cargo efetivo + X% Remuneração referente ao de confiança deve haver uma relação de confiança
cargo em comissão; entre aquele que nomeia e quem é nomeado, sendo
Remuneração do indivíduo nomeado para ocupar car- que ambos são de livre nomeação e de livre exoner-
go em comissão: Remuneração relativa ao Cargo em Co-
ação e destinam-se às atividades de direção, chefia ou
missão;
assessoramento.
Os ocupantes dos cargos de provimento em comissão
TRADUÇÃO JURÍDICA
contribuirão para o Regime GERAL de Previdência
Social do INSS estabelecido nos artigos 201 e segs. “Como assim prof.?”
É importante não confundir os conceitos função de confiança
da CF/88, em conformidade com o artigo 40, §13 da
e cargo em comissão. A função de confiança somente
CF/88, haja vista que não possuem vínculo de na- pode ser exercida por servidores públicos de carreira,
tureza definitiva com a Administração Pública. exclusivamente no exercício das atribuições de direção,
Conforme entendimento do STF, as gestantes titu- chefia e assessoramento. Portanto, ao contrário do cargo
de comissão que é de livre nomeação e exoneração a
lares de cargo de provimento em comissão gozam
qualquer pessoa, a função de confiança depende de vin-
de estabilidade provisória. Segundo o Supremo Tri- culação estatutária prévia com o serviço público. Ex.: um
bunal Federal: agente que ocupa o cargo de Procurador (vinculação es-
“O acesso da servidora pública e da trabalhadora tatutária prévia) e exerce a função de confiança de chefe da
gestante à estabilidade provisória, que se procuradoria.
Desse modo, os órgãos da Administração Pública terão à sua
qualifica como inderrogável garantia social de
disposição um número de cargos de comissão que em parte
índole constitucional, supõe a mera confirmação serão destinados aos servidores estatutários e noutra parte
objetiva do estado fisiológico de gravidez, para as pessoas que não possuem qualquer vínculo com a
independentemente, quanto a este, de sua prévia Administração Pública.
comunicação ao órgão estatal competente ou, 1. Cargos em Comissão = X% Servidores que ocupam car-
quando for o caso, ao empregador.” go efetivo + X% Indivíduos que não possuem vínculo com a
Administração;
QUESTÃO FCC 2. Função de Confiança: Servidores que ocupam cargo efe-
tivo
Servidora pública ocupante de cargo em comissão, no gozo
O regime jurídico aplicável aos detentores de função pública
de licença-gestante, tem direito à estabilidade provisória. será sempre o regime estatutário e o regime de previdência é
Correto o regime próprio do servidor do artigo 40 da CF/88.

Ademais, o parágrafo único do art. 69 da Lei nº CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA


8.112/90 determina que: “a servidora gestante ou A Função Pública Temporária encontra previsão no art.
lactante será afastada, enquanto durar a gestação 37, IX da CR/88:
e a lactação, das operações e locais previstos
neste artigo, exercendo suas atividades em local “Art. 37, IX. A lei estabelecerá os casos de con-
tratação por tempo determinado para atender a
58 Número de acertos = ______
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necessidade temporária de excepcional interesse decorrentes da expansão das instituições


público; (Vide Emenda constitucional nº 106, de federais de ensino, respeitados os limites e as
2020) condições fixados em ato conjunto dos Ministérios
Explicação da Lei Seca
do Planejamento, Orçamento e Gestão e da
QUESTÃO CESPE Educação. (Incluído pela Lei nº 12.425, de
Os agentes temporários que desempenham, por tempo 2011)
determinado, atividades de excepcional interesse público são XI - admissão de professor para suprir demandas
agentes públicos cuja contratação somente pode ser feita no
excepcionais decorrentes de programas e projetos
âmbito da administração direta.
Errado de aperfeiçoamento de médicos na área de
Atenção Básica em saúde em regiões prioritárias
para o Sistema Único de Saúde (SUS), mediante
Nesse sentido, a lei de cada ente federado deverá integração ensino-serviço, respeitados os limites e
trazer um rol taxativo de hipóteses urgentes ou excep- as condições fixados em ato conjunto dos Ministros
cionais, com caráter temporário, em que a Adminis- de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão,
tração direta, as Autarquias e as Fundações Públi- da Saúde e da Educação. (Incluído pela
cas poderão realizar contratações temporárias e Lei nº 12.871, de 2013)
excepcional, tendo em vista o relevante interesse XII - admissão de profissional de nível superior
público. HIPÓTESES destacadas especializado para atendimento a pessoas com
em negrito COBRADAS deficiência, nos termos da legislação, matriculadas
A Lei 8.745/93 regulamenta
NAS PROVAS DOS regularmente em cursos técnicos de nível médio
a contratação temporária
ÚLTIMOS ANOS e em cursos de nível superior nas instituições
no âmbito dos órgãos da
federais de ensino, em ato conjunto do Ministério
administração federal direta, bem como das Autar-
do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e
quias e Fundações Públicas. Nesse sentido, o art. 2º do Ministério da Educação. (Incluído pela Lei nº
da Lei 8.745/93 estabelece: 13.530, de 2017)
Art. 2º Considera-se necessidade temporária de FICA A DICA
excepcional interesse público:
Os casos urgentes são aqueles em que não há tempo sufi-
I - assistência a situações de calamidade pública; ciente para instaurar o concurso público.
II - assistência a emergências em saúde pública; A despeito do fato de que a referida contratação independe
III - realização de recenseamentos e outras de concurso público, a mesma deverá ser feita mediante
pesquisas de natureza estatística efetuadas pela processo simplificado de seleção. Entretanto, nas hipó-
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e teses excepcionais (calamidade pública e emergência
ambiental), tal processo simplificado é dispensado.
Estatística - IBGE;
IV - admissão de professor substituto e professor
visitante; Destaca-se que não é possível a contratação de
V - admissão de professor e pesquisador visi- servidores temporários para fins de substituição
tante estrangeiro; Explicação da Lei Seca de servidores efetivos. Nesse sentido, a lei esta-
VI - atividades (...)
belece que estes servidores não poderão receber
VII - admissão de professor, pesquisador e tec-
quaisquer atribuições ou funções não previstas no re-
nólogo substitutos para suprir a falta de pro-
spectivo contrato.
fessor, pesquisador ou tecnólogo ocupante de
cargo efetivo, decorrente de licença para exer- Esses servidores necessariamente contribuirão para o
cer atividade empresarial relativa à inovação. Regime Geral de Previdência Social INSS.
VIII - admissão de pesquisador, de técnico
com formação em área tecnológica de nível EMPREGO PÚBLICO
intermediário ou de tecnólogo, nacionais ou
estrangeiros, para projeto de pesquisa com Empregado público é o agente público que firma um
prazo determinado, em instituição destinada vínculo contratual de emprego com a Administração
à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação; Pública, regido pela CLT (Consolidação das Leis Tra-
IX - combate a emergências ambientais, na balhistas). O referido vínculo celetista é menos pro-
hipótese de declaração, pelo ministro de Estado tetivo do que o regime estatutário (os empregados
do Meio Ambiente, da existência de emergência públicos não podem adquirir estabilidade) e será
ambiental na região específica (...) estabelecido junto às pessoas jurídicas de direito pri-
X - admissão de professor para suprir demandas vado que compõem a Administração Pública Indireta
Número de acertos = ______ 59
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(Empresas Públicas, Sociedade de Economia Mista e a um período de experiência de 90 dias. Os emprega-


Fundações Públicas de Direito Privado). dos públicos contribuem necessariamente para o Re-
gime GERAL de Previdência Social – INSS dos artigos
Entretanto, destaca-se que esses agentes se subme-
201 e segs. da CF/88 e artigo 40 § 13° da CF/88.
tem a algumas restrições aplicadas aos servidores
públicos em geral no que se refere à vedação de acu- FICA A DICA
mulação de cargos ou empregos públicos, seus atos CARGO X EMPREGO”
estão sujeitos ao controle judicial (através dos remé- Cargo:
dios constitucionais), estão sujeitos à aplicação de Lei 1. criação mediante lei
de Improbidade Administrativa, devem prestar con- 2. extinção mediante lei
3. ingresso mediante concurso
curso público previamente à celebração do contrato
4. estágio probatório
de emprego, seus salários estão submetidos ao teto 5. Administração Direta, autarquias e fundações
constitucional e etc. 6. vinculo legal com o Estado
FICA A DICA 7. estabilidade

Destaca-se a possibilidade de vinculação de empregados


públicos às pessoas jurídicas de direito público que
compõem a Administração Pública Direta caso os mes- Emprego público:
mos tenham sido contratados antes da Constituição Federal 1. criação mediante lei
de 1988, momento em que não havia restrição quanto ao 2. extinção mediante lei
vínculo de emprego nessas entidades. 3. ingresso mediante concurso público
4. regime celetista
5. sem estágio probatório
A despeito do regime jurídico dos empregados ser es- 6. sem estabilidade
truturado pelo Direito do Trabalho, faz-se imperiosa 7. vinculo contratual com o Estado.

a realização de Concurso Público para a constitu-


ição do mencionado vínculo contratual. Entretanto,
mesmo diante da obrigatoriedade de prestar concurso AGENTES PARTICULARES EM CO-
público, os empregados não podem adquirir estabili- LABORAÇÃO COM O PODER PÚBLI-
dade. CO
Contudo, tal fato não significa dizer que esses agen- Trata-se dos particulares que não foram aprovados em
tes possam ser demitidos a qualquer tempo. A doutrina Concurso Público e nem integram os quadros adminis-
majoritária entende que os empregados públicos estão trativos, ou seja, não possuem vinculação permanente
sujeitos à demissão devidamente motivada. Tal as- e remunerada com o Estado. Contudo, exercem fun-
sertiva está fundamentada no fato de que o regime ções estatais. As principais categorias de particulares
jurídico aplicado ao empregado público é predomi- que atuam em colaboração com o poder público são
nantemente privado, mas não exclusivamente pri- as seguintes:
vado, sofrendo grande influência do regime jurídi-
• Agentes delegados ou delegatórios: são par-
co de direito público.
ticulares que exercem determinada atividade, obra
Entretanto, o Tribunal Superior do Trabalho tem
ou serviço público, em regime de concessão,
se posicionado pela aplicabilidade da dispensa
permissão ou autorização. Esses agentes ex-
imotivada do empregado público. Contudo, o Su-
ercem tais funções em nome próprio, por sua con-
premo Tribunal Federal, por sua vez, proferiu de-
ta e risco e sob a fiscalização do ente delegante.
cisão no sentido de que é obrigatória a motivação
Ex.: concessionárias prestadoras de serviço de
da dispensa unilateral de empregado por Empresa
transporte público.
Pública e Sociedade de Economia Mista. A despeito
do fato de tratar-se de julgado proferido em relação à • Agentes honoríficos, convocados, nomeados,
servidor da Empresa de Correios e Telégrafos, a qual requisitados, designados: são agentes
aplica-se o regime de Fazenda Pública, o entendi- convocados ou nomeados para a prestação de
mento vem se consolidando para fins de assegurar um serviço público relevante (munus público), de
o contraditório aos servidores de empresas estatais. caráter transitório e, em via de
HIPÓTESE
Fiquem atentos! regra, sem remuneração. Ex.:
MAIS COBRADA
jurados do Tribunal do Júri e
Além disso, após a posse, os empregados públicos mesários nas eleições.
não se sujeitam ao período de estágio probatório, mas
60 Número de acertos = ______
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• Gestores de negócio ou Agentes Necessários: razão da análise de títulos ou currículos.


são agentes que atuam voluntária e esponta- Entretanto, a exigência do concurso público não se
neamente em situações excepcionais, nas quais aplica em algumas situações, são elas: a) ocupação
a Administração Pública não consegue, por si só, de cargo em comissão; b) funções de confiança con-
atender uma demanda emergencial. Ex.: particu- ferida aos detentores de cargo efetivo; c) contratação
lares que auxiliam no resgate de pessoas em caso temporária nas hipóteses previstas; d) agentes
de enchentes ou catástrofes naturais. políticos que ingressam mediante eleições; e) particu-
• Delegados de função ou ofício público: titulares lares que atuam em colaboração com a Administração;
de cartório. f) contratação de agentes comunitários de saúde e
agentes de combate a endemias; g) magistrados que
ACESSO A CARGOS, EMPREGOS E ingressam no serviço público pelo quinto constitucion-
FUNÇÕES PÚBLICAS al; h) contratação de professores nas Universidades
A Constituição Federal permite o ingresso nas carreiras Federais.
públicas, desde que cumpridos os demais requisitos
FICA A DICA
da lei, aos brasileiros natos, aos naturalizados e
também aos portugueses equiparados (art. 12, §1°, • Conforme estabelece a súmula 266 STJ, “o diploma
da Constituição Federal). Em caráter excepcional a ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser
exigido na posse e não na inscrição para o concurso
Constituição da República define alguns cargos que
público”.
somente podem ser preenchidos por brasileiros natos. • O acesso a alguns cargos (como o cargo de juiz ou de
Ex: Presidente; Vice-Presidente da República; membro do Ministério Público) exige, no mínimo, três
Presidente da Câmara dos Deputados; Presidente anos de atividade jurídica. O Supremo Tribunal Federal
do Senado Federal e etc. Nesse sentido, o art. 37, I da definiu que os três anos de atividade jurídica contam da
data de conclusão do curso de direito e que o momento
CF/88 determina que: Explicação da Lei Seca de comprovação da atividade jurídica é a data de in-
“Art. 37. I os cargos, empregos e funções públicas scrição no concurso.
são acessíveis aos brasileiros que preencham os • A criação e extinção de cargos públicos deve ser reali-
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos zada mediante a edição de lei, cabendo destacar uma
exceção, prevista no art. 84, VI, ao estabelecer que
estrangeiros, na forma da lei;”
compete ao Presidente da República, mediante decreto,
Destaca-se que, em conformidade com o dispositivo dispor acerca da extinção de cargos e funções públicas,
transcrito, via de regra, a nacionalidade brasileira (nata quando vagos.
• Os critérios adotados pela banca examinadora de um
ou naturalizada) é um requisito para a ocupação de
concurso não podem ser revistos pelo Poder Judiciário.
cargos, empregos e funções públicas. Contudo, ex-
cepcionalmente, os estrangeiros podem ocupar cargos
públicos, desde que haja previsão legal. VALIDADE DO CONCURSO
Lado outro, o inciso II do art. 37 da CF/88, determina a É importante destacar que, nos termos do art. 37, III da
obrigatoriedade, em regra, da realização de concurso Constituição Federal, o concurso têm validade de dois
público para se tornar servidor público: anos, prorrogável por uma única vez, por igual período:
“Art. 37, A administração pública direta e indireta Art. 37, III. O prazo de validade do concurso públi-
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, co será de até dois anos, prorrogável uma vez,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá por igual período; Explicação da Lei Seca
aos princípios de legalidade, impessoalidade, O referido prazo será contado da data de ho-
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao mologação do concurso. Destaca-se que o edital
seguinte: Explicação da Lei Seca
poderá estabelecer prazo menor de validade do que 2
II. A investidura em cargo ou emprego público
anos. Entretanto, o prazo estabelecido vincula o prazo
depende de aprovação prévia em concurso
de prorrogação. Desse modo, caso tenha sido instau-
público de provas ou de provas e títulos, de acordo
rado concurso público com a validade de 6 meses, o
com a natureza e a complexidade do cargo ou
mesmo poderá ser prorrogado por mais 6 meses.
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas
as nomeações para cargo em comissão declarado Caso a validade do concurso público seja de 2
em lei de livre nomeação e exoneração;” anos, o mesmo poderá ser prorrogado por mais 2
anos.
O concurso público deve ser de provas ou de provas
Conforme estabelece o art. 37, IV, da Constituição
e títulos, proibidas contratações exclusivamente em
Número de acertos = ______ 61
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Federal: “durante o prazo improrrogável previsto no ponibilidade financeira para remuneração desses car-
edital de convocação, aquele aprovado em concurso gos.
público de provas ou de provas e títulos será convo- Destaca-se que a exigência de requisitos diferencia-
cado com prioridade sobre novos concursados para dos ao acesso a determinado cargo somente se jus-
assumir cargo ou emprego na carreira.” tifica quando a natureza ou complexidade da função
Portanto, impõe-se a conclusão de um concurso para a ser exercida exigir. Ex.: exigência de altura mínima
que novo concurso seja aberto, haja vista que “não para ocupação do cargo de delegado.
se abrirá novo concurso enquanto houver candidato
FICA A DICA
aprovado em concurso anterior com prazo de validade
• Em decorrência do inciso I do art. 37 da CF/88, é vedado
não expirado” (art. 12, §2º da Lei 8.112/90).
que os editais de concurso público estabeleçam exigên-
cias sem base legal, ou seja, a Administração não pode
CONTROLE DE LEGALIDADE DOS impor condições/requisitos para a participação no cer-
CONCURSOS tame. Nessa medida, é importante destacar que o edital
NÃO é instrumento idôneo para o estabelecimento de limite
A Administração Pública, caso verifique ilegalidade mínimo de idade para inscrição em concurso público, sendo
que para que seja legítima tal exigência, é imprescindível a
no procedimento de seleção, deve anular o concurso
previsão em lei.
público. Tal anulação pode ser realizada, ainda, pelo • O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no
Poder Judiciário o qual desempenha o controle de le- edital de determinado Concurso, deve ser comprovado no
galidade dos atos e procedimentos administrativos, momento de inscrição do certame.
desde que provocado. Caso o candidato, prejudicado • Súmula vinculante 44: “Só por lei se pode sujeitar a exame
psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público”
em razão dessa anulação, ajuíze mandado de segu- • Súmula 684 “É inconstitucional o veto não motivado à
rança, cabe ressaltar que o prazo de decadência para participação de candidato a concurso público”.
impetração de 120 dias conta-se da data do efetivo • A mera instauração de processo criminal ou inquérito
prejuízo sofrido pelo indivíduo e não da data de publi- policial não são suficientes para impedir o brasileiro
de ocupar cargo público ou concorrer para tanto, afinal,
cação do edital. conforme art. 5º, LVII da CF/88, “ninguém será considerado
FICA A DICA culpado até o trânsito em julgado de sentença penal con-
denatória”.
Conforme estabelece o Decreto 6.944/2009, a Administração
Direta, Autarquias e Fundações Públicas em âmbito federal
devem publicar integralmente, no Diário Oficial da União, edi- QUESTÃO CESPE
tal de concurso com antecedência mínima de sessenta dias Segundo o entendimento recente do STF e do STJ, o fato de
da realização da primeira prova (art. 18, I), salvo nos casos haver instauração de inquérito policial ou propositura de ação
em que o ministro de Estado, mediante ato motivado, reduzir penal contra candidato inscrito em concurso público é causa
o referido prazo. para a sua eliminação
do certame.
Errado
TIPOS DE CONCURSO
FICA A DICA
O concurso pode ser de provas ou de provas e títu- • A limitação de acesso a cargos públicos por motivo de
idade, sexo, estado civil, altura somente é possível em
los. O concurso de provas será realizado para a com-
razão das funções a serem exercidas pelo servidor que
posição dos quadros relativos a cargos e empregos de irá preencher o cargo objeto do concurso. Destaca-se que
menor complexidade. Os concursos de provas e títu- somente a lei pode definir os requisitos de ingresso, não
los, por sua vez, referem-se ao provimento de cargos podendo ser suprimida a ausência de determinação legal.
com maior complexidade. Nesse último caso, a ordem • Súmula Vinculante Nº. 43: “É inconstitucional toda modali-
dade de provimento que propicie ao servidor investir-se,
classificatória será definida pelo resultado da ponder- sem prévia aprovação e concurso público destinado ao
ação entre o resultado das provas e a pontuação de seu provimento, em cargo que não integra a carreira na
títulos. qual anteriormente investido”.
• Súmula Nº 683 “O limite de idade para a inscrição em con-
Não se admite concurso público exclusivamente de tí- curso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
tulos. A provas de títulos em concursos públicos não Constituição, quando possa ser justificado pela natureza
podem ostentar natureza eliminatória, tendo caráter do cargo a ser preenchido.”
exclusivamente classificatório. • Súmula Vinculante Nº 44 “Só por lei se pode sujeitar a
exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
São pressupostos para abertura de Concurso Público: público”.
a) necessidade de preenchimento das vagas; b) dis-

62 Número de acertos = ______


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Conforme entendimento do STF, a legalidade dos por bacharel em Direito, abarcando ainda o efetivo ex-
exames psicotécnicos em prova de concurso público ercício de advocacia em 5 (cinco) atos privativos de
está condicionada ao preenchimento de três requisitos: advogado em causas ou questões distintas.
previsão legal (é insuficiente a mera exigência no
edital); adoção de critérios objetivos e científicos;
VAGAS RESERVADAS PARA NE-
possibilidade de revisão do resultado pelas vias
GROS
recursais. MUITO
IMPORTANTE Em 09 de junho de 2014, foi publicada a lei 12.990/14,
que estabeleceu a reserva de um percentual de 20%
EXCEÇÕES AO CONCURSO PÚBLI-
das vagas de concursos públicos, no âmbito da Ad-
CO
ministração Direta e Indireta da União, para os
São exceções à regra do Concurso Público para provi- candidatos negros e pardos, nas situações em que o
mento de cargos: cargos em comissão de livre no- número de vagas estipulado no edital seja igual ou su-
meação e livre exoneração; cargos eletivos; servidores perior a três.
temporários contratados em razão de excepcional Nesse sentido, poderão concorrer às vagas reserva-
interesse público; ex-combatentes, agentes comuni- das a candidatos negros aqueles que se autodeclara-
tários de saúde e agentes de combate às endemias rem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso
(nesse caso a lei 11.350/06 prevê a realização de um público, conforme os quesitos da Fundação Instituto
processo seletivo público diferenciado); agentes de- Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Caso seja
tentores de mandatos eletivos; ex-combatentes; Min- constatada falsidade na declaração, o candidato será
istros dos Tribunais Superiores; quinto constitucional eliminado do concurso e, caso tiver sido nomeado, fi-
(art. 94 da CF/88) e empregados OAB. cará sujeito à anulação da sua nomeação, mediante
procedimento administrativo.

NULIDADE DO CONCURSO Destaca-se que, caso não seja suficiente o número de


candidatos negros aprovados para ocupar as vagas
Caso verificado alguma irregularidade no concurso
reservadas, essas vagas serão preenchidas pelos de-
público, a invalidação do certame enseja à invalidação
mais candidatos aprovados.
da nomeação realizada. Contudo, cabe destacar que
os atos praticados por este agente irregularmente in-
vestido, em razão da Teoria da Imputação Volitiva e DIREITOS DO SERVIDOR APROVA-
por terem sido editados com aparência de legalidade, DO EM CONCURSO
devem ser mantidos. Ademais, a nulidade do ato de
nomeação dos servidores não pode justificar o NÃO A aprovação em concurso público gera direito sub-
pagamento dos vencimentos pelos serviços prestados. jetivo à nomeação do candidato aprovado dentro do
A contraprestação pelo trabalho será devida, sendo ve- número de vagas (RE nº 598099). Portanto, a Adminis-
dado o enriquecimento ilícito pela Administração. tração encontra-se vinculada ao número de vagas pre-
vista no edital. No entanto, o STF entendeu que deve
ser levado em conta situações excepcionalíssimas.
ATIVIDADE JURÍDICA Desse modo, a Adminis­tração pode deixar de no-
Em determinadas carreiras públicas, para fins de mear até mesmo os candidatos aprovados dentro
preenchimento de cargos, conforme estabelece o texto do número de vagas disponibilizadas no edital em
constitucional, é exigido a demonstração de prazo de virtude de fato grave, imprevisível e superveniente.
exercício de atividade na área jurídica, no intuito de Ou seja, em situações excepcionais devidamente jus-
verificar a experiência necessária para execução de tificadas, a Administração poderá deixar de nomear
determinadas funções. candidatos aprovados em concurso público.

Nesse sentido, após a conclusão do curso de gradu- QUESTÃO DE PROVA


ação em Direito, inicia-se a contagem do tempo de De acordo com o entendimento mais recente do STF, a admin-
istração não é obrigada a nomear os candidatos aprovados no
atividade jurídica exigido para o preenchimento de al-
número de vagas definidas no edital de concurso, desde que
guns cargos (é vedada a contagem utilizando o tempo haja razão de interesse público decorrente de circunstâncias
de estágio acadêmico). A atividade jurídica pode ser extraordinárias, imprevisíveis e supervenientes.
conceituada como aquela exercida com exclusividade Correto
Número de acertos = ______ 63
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Destaca-se que o candidato aprovado em concurso meação.


público tem direito de precedência, ou seja, durante o FICA A DICA
período de vigência do concurso o candidato aprovado Súmula n. 15 do Supremo Tribunal Federal, a qual dispõe que
tem prioridade na convocação em relação aos aprova- “Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato apro-
dos em um novo concurso. Além disso, as nomeações vado tem o direito à nomeação, quando o cargo for preenchido
serão realizadas em conformidade com a ordem de sem observânda da classificação”.
clas­sificação, ou seja, os candidatos possuem direito
a não preterição na ordem classificatória.
CLÁUSULA DE BARREIRA
Nesse sentido, são situações em que candidatos apro-
vados em concurso público adquirem o direito de ser- A cláusula de barreira refere-se às limitações impostas
em nomeados, quais sejam: para que o candidato continue na disputa pelo cargo.
• Quando a aprovação ocorrer dentro do número de Ex: no concurso do Ministério Público prevê que so-
vagas estabelecido no edital; mente serão corrigidas as redações dos 300 primeiros
colocados.
• Hipótese de nomeação em preterição a ordem
classificatória, ocorre quando a Administração A mencionada cláusula retrata um critério meritório e,
Pública nomeia o 3º colocado e não o 1º colocado. conforme entendimento do STF, não enseja qualquer
Nessa situação, a mera expectativa de nomeação ofensa a dispositivos constitucionais.
transforma-se em direito adquirido líquido e
certo imediato à posse (amparado por mandado RESERVA DE VAGAS PARA PORTA-
de segurança), uma vez que outro candidato foi DORES DE DEFICIÊNCIA
nomeado em flagrante desrespeito à ordem clas-
sificatória; Conforme estabelece o §2º do art. 5, da Lei 8.112/90:
• Hipótese de contratação temporária para cargo “Art. 5º, §2º Às pessoas portadoras de deficiência é
cujo provimento poderia ser realizado por candi- assegurado o direito de se inscrever em concurso
dato aprovado em concurso público; público para provimento de cargo cujas atribuições
• Hipótese em que ocorre a requisição de servidores sejam compatíveis com a deficiência de que são
para o exercício de cargo cuja função poderia ser portadoras; para tais pessoas serão reservadas
realizada por candidato aprovado em concurso até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas
público; no concurso”. Explicação da Lei Seca
• Hipótese de desistência do candidato aprova- A mencionada previsão decorre da proibição de dis-
do na posição imediatamente anterior; criminação ao trabalhador. Nesse sentido, serão reser-
vadas vagas específicas que serão disputadas so-
• Hipótese que importe na prática de ato inequívoco
mente por portadores de deficiência, conforme regras
da Administração que torne incontestável a
estabelecidas no edital.
necessidade do preenchimento de novas vagas.
Cumpre ressaltar que a pessoa com deficiência física
participará de concurso em igualdade de condições
QUESTÃO DE PROVA
com os demais candidatos quanto ao conteúdo
Para o STJ, o candidato aprovado em concurso público,
mas classificado fora do número de vagas previstas no edi- das provas, avaliação e critérios de aprovação,
tal, tem direito subjetivo à nomeação se o candidato imediata- horário e local de aplicação e nota mínima exigida
mente anterior na ordem de classificação, aprovado dentro do para todos os candidatos. Entretanto, esses candida-
número de vagas e convocado, tiver manifestado a sua de- tos irão concorrer a vagas disputadas somente entre
sistência.
os portadores de deficiência.
Correto

Destaca-se que compete ao candidato o acompanha-


mento, via Diário Oficial ou internet, das publicações
referentes ao concurso público. Entretanto, a Adminis-
tração Pública tem o dever de intimar pessoalmente o
candidato quando houver decurso de tempo razoável
entre a homologação do resultado e a data da no-

64 Número de acertos = ______


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FICA A DICA
com denominação própria e vencimento pago pe-
los cofres públicos, para provimento em caráter
O STF (MS 26.310/DF) entendeu que é válido o edital de efetivo ou em comissão”
concurso para o preenchimento de duas vagas que não Explicação da Lei Seca
reserva nenhuma para deficientes. Isso porque, nesse FICA A DICA
caso, a reserva de uma vaga corresponderia a 50% das vagas,
Momentos da vida funcional do servidor público: 1º
percentual este muito acima do percentual estabelecido pela
Aprovação em Concurso Público; 2º Provimento; 3º Posse;
lei.
4º Exercício; 5º Estágio Probatório; 6º Avaliação de De-
Concurso para cadastro de reserva - o concurso realizado
sempenho; 7º Estabilidade; 8º Saída do Cargo.
para cadastro de reserva NÃO enseja direito subjetivo à
Destaca-se que a criação, transformação e a extinção de
nomeação.
cargo, emprego ou função sempre depende de lei. Entre-
No que se refere à nomeação de novas vagas durante o
tanto, caso tratar-se de cargo vago, e somente nessa
prazo de validade do concurso, a jurisprudência está longe
hipótese, o cargo poderá ser extinto mediante decreto
de um posicionamento pacífico.
(art. 84, VI, b da CF/88). Entretanto, atente-se ao fato de
No RE 837311 o plenário ressaltou que incumbe a
que algumas bancas de concursos entendem que a criação
Administração avaliar discricionariamente a necessidade
de empregos públicos nas Empresas Públicas e Socie-
de novas convocações. Desse modo, o surgimento de
dades de Economia Mista não depende de lei.
novas vagas não gera o direito à nomeação dos candidatos
aprovados fora das vagas do edital.
Entretanto, cabe destacar o posicionamento do STJ (RMS
33.875 - MT, Primeira Turma, DJe 22/6/2015; e AgRg nos EDcl DEFINIÇÕES IMPORTANTES:
nos EDcl no Ag 1398319-ES, Segunda Turma, DJe 9/3/2012)
segundo o qual o candidato aprovado fora do número das • Servidor Público: POSSE MEDIANTE PRO-
vagas previstas no edital de concurso público tem direito aquele investido em CURAÇÃO
Atenção para os conceitos
subjetivo à nomeação quando candidato imediatamente cargo público;
de POSSE e EXERCÍCIO
anterior na ordem de classificação, aprovado dentro do
número de vagas, for convocado e manisfestar desistência. • Provimento: ato
Nesse mesmo sentido, destaca-se que o candidato aprovado administrativo constitutivo hábil a promover o in-
fora do número de vagas previstas no edital de concurso gresso na Administração. O provimento pode ser
público tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato em cargo efetivo ou em cargo de comissão. Além
anterior na ordem de classificação manifestar a desistência
disso, o provimento pode ser originário (Ex.: no-
(RMS 33.875-MT, Primeira Turma)
meação) ou derivado, o qual pressupõe relação
jurídica prévia com o Estado (Ex.: promoção,
QUESTÃO DE PROVA readaptação, reversão, aproveitamento, reinte-
Conforme entendimento atual do STF, é dever da Adminis- gração e recondução).
tração Pública nomear candidato aprovado em concurso públi-
co dentro das vagas previstas no edital, em razão do Princípio
• Posse: ocorre com a assinatura do termo de pos-
da Boa-Fé e da proteção da confiança, salvo em situações se, na qual irão constar as atribuições, deveres,
excepcionais caracterizadas pela necessidade, superveniên- responsabilidades e direitos inerentes ao cargo.
cia e imprevisibilidade. O prazo para a posse é de 30 dias contados da
Correto publicação do ato de provimento, podendo se
dar mediante procuração específica. A pos-
OCUPANTES DE CARGO PÚBLICO se em cargo público dependerá de prévia in-
speção médica oficial.
O caput do art. 3º da Lei Federal nº 8.112/90 define
cargo público como: O prazo para posse será contado do término do im-
Explicação da Lei Seca
pedimento se o servidor estiver em uma das seguintes
“Art. 3º, caput. Cargo público é o conjunto de
situações na data de publicação do ato de provimento:
atribuições e responsabilidades previstas na es-
trutura organizacional que devem ser cometidas • Licença por mo- LICENÇAS MAIS COBRADAS
a um servidor” tivo de doença em ESTÃO ASSINALADAS EM
pessoa da família; NEGRITO
Neste sentido, o cargo público representa uma
• Licença por motivo de afastamento do cônjuge
posição/conjunto de atribuições na estrutura organiza-
ou companheiro
cional da administração. O parágrafo único do art. 3º
da Lei Federal nº 8.112/90 prescreve a necessidade • Licença para o serviço militar;
de lei para a criação de cargos públicos: • Licença para capacitação
“Art. 3º, parágrafo único Os cargos públicos, aces- • Férias;
síveis a todos os brasileiros, são criados por lei, • Participação em programa de treinamento regu-
Número de acertos = ______ 65
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larmente instituído ou em programa de pós-grad- o servidor terá direito somente às seguintes licen-
uação stricto sensu no País; ças e afastamentos: licença por motivo de doença
• Convocação pelo júri e outros serviços obrigatóri- na família; licença por afastamento do cônjuge ou
os por lei; companheiro; licença para serviço militar; licença
• Licença à gestante, à adotante e à paternidade; para atividade política; afastamento para exercício
de mandato eletivo; afastamento para estudo ou
• Licença para tratamento da própria saúde, até o
missão no exterior; afastamento para servir e or-
limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo
ganismo internacional no qual o Brasil participe;
do tempo de serviço público prestado à União, em
afastamento para participar de curso de formação
cargo de provimento efetivo;
decorrente de aprovação em concurso para outro
• Licença por motivo de acidente em serviço ou cargo na Administração Pública Federal.
doença profissional;
FICA A DICA
• Licença para capacitação, conforme dispuser o
regulamento; O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer
cargos de provimento em comissão ou funções de di-
• Licença por convocação para o serviço militar;
reção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade
• Deslocamento para a nova sede de que trata o art. de lotação.
18; Súmula Nº 22, STF: “o estágio probatório não protege o
• Participação em competição desportiva nacional funcionário contra a extinção do cargo”.
ou convocação para integrar representação de- Súmula Nº 21, STF: “funcionário em estágio probatório não
pode ser exonerado nem demitido sem inquérito ou sem
sportiva nacional, no país ou no exterior, conforme
as formalidades legais de apuração de sua capacidade”.
disposto em lei específica.
Portanto, é nula a dispensa de servidor em estágio probatório
sem o devido processo administrativo que garanta o contra-
O direito à licença e afastamento do servidor em estágio
probatório tem sido recorrente nas provas! ditório e ampla defesa.
Destaca-se, ainda, o disposto no art. 1º da Lei 9717/98:
Licenças para tratamento de assuntos particulares poderão
ser concedidas, por discricionariedade da administração “Art. 1º-A. O servidor público titular de cargo efetivo da
pública, a servidor ocupante de cargo efetivo, ainda que esteja
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
cumprindo o estágio probatório, pelo prazo de até três anos
consecutivos, desde que sem remuneração. ou o militar dos Estados e do Distrito Federal filiado a re-
gime PRÓPRIO de previdência social, quando cedido
Errado
a órgão ou entidade de outro ente da federação, com ou
MACETE sem ônus para o cessionário, permanecerá vinculado
Servidor em estágio probatório não abre a MA TRA CA! ao regime de origem”
Isso é, não tem direito a licença para:
MAndato Classista;
TRAtar de assuntos particulares; Avaliação especial de desempenho: avaliação ao
CApacitação.
qual o servidor está sujeito que, nos termos que a lei
dispuser, será realizada quatro meses antes de en-
Exercício: após a assinatura do termo de posse o cerrado o período de estágio probatório. Desse
servidor deverá entrar em exercício, ou seja, atuar no modo, sendo a avaliação favorável o servidor será
efetivo desempenho das atribuições do cargo ou fun- efetivado, caso a avaliação seja desfavorável o servi-
ção. O servidor tem o prazo de 15 dias para entrar em dor será exonerado (mediante processo administrativo
exercício, contados da data da posse, sob pena de ex- simplificado, assegurado o direito ao contraditório e à
oneração da função de confiança; ampla defesa);

Estágio Probatório: trata-se do período de avaliação Estabilidade: direito à permanência. O servidor


durante o qual se deve demonstrar capacidade e ap- estável somente perderá o cargo em razão de sentença
tidão para o exercício do cargo, função ou emprego. judicial transitada em julgado, processo administrativo
Desse modo, o servidor deve demonstrar: assidui- disciplinar (assegurado o direito ao contraditório e a
dade, disciplina, capacidade de iniciativa, produ- ampla defesa), procedimento de avaliação periódico de
tividade e responsabilidade. O prazo de duração do desempenho e nas situações em que seja necessário a
estágio probatório é de 3 anos, com exceção do está- redução de despesas.
gio probatório relativo a cargos vitalícios cuja duração Vencimento: parcela fixa definida em lei para
é de 2 anos. Além disso, durante o estágio probatório, remunerar uma determinada carreira de servi-
66 Número de acertos = ______
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dores estatutários – valor fixado em lei. O vencimento


acrescido das vantagens de caráter permanente é ir- QUESTÃO CESPE
Além do vencimento, poderão ser pagos ao servidor indeni-
redutível, podendo haver redução em algumas situ- zações, gratificações e adicionais, vantagens que serão incor-
ações, como nos casos de redução de valores do teto poradas ao seu vencimento.
constitucional. Errado
Vencimentos (no plural): é sinônimo de remuneração Cabe ressaltar que a ajuda de custo será realizada
e significa o conjunto de todas as parcelas quando do deslocamento permanente do servidor,
remuneratórias, permanentes ou não, recebidas deslocamento feito no interesse da população, sendo
pelo servidor estatutário. Assim, os vencimentos vedado o duplo pagamento. As diárias, por sua vez,
são compostos pela soma do vencimento-básico serão pagas se o deslocamento do servidor for tem-
mais todas as vantagens pecuniárias (adicionais, porário, feito no interesse da Administração e custeia
gratificações e verbas indenizatórias). O vencimento despesas com pousada, alimentação e locomoção.
do servidor somadas as vantagens permanentes é FICA A DICA
irredutível (respeitado o valor do teto constitucional),
Prof., todos os servidores que se deslocam em caráter tran-
sendo vedado o recebimento de remuneração inferior sitório terão direito a diárias?
a um salário mínimo. LEMBREM-SE: O VENCIMENTO Não! Vejamos o teor legal:
PODE SER INFERIOR ao salário mínimo, os Despesas extraordinária com pousada, alimentação e lo-
vencimentos NÃO. Destaca-se que somente comoção urbana, conforme dispuser em regulamento.
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
mediante lei poderá haver alteração na remuneração
§ 1º A diária será concedida por dia de afastamento, sendo
dos servidores públicos. devida pela metade quando o deslocamento não exigir per-
O vencimento, remuneração e proventos não serão noite fora da sede, ou quando a União custear, por meio
diverso, as despesas extraordinárias cobertas por diárias.
objeto de arresto, sequestro ou penhora, salvo nos ca-
(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
sos de prestação de alimentos resultantes de decisão § 2º Nos casos em que o deslocamento da sede constituir
judicial. exigência permanente do cargo, o servidor não fará jus a
Explicação da Lei Seca
diárias.
FICA A DICA
§ 3º Também não fará jus a diárias o servidor que se deslo-
É expressamente proibida a prestação de serviços gratuitos. car dentro da mesma região metropolitana, aglomeração
Subsídio: subsídio é o montante remuneratório único que urbana ou microrregião, constituídas por municípios limítro-
exclui a possibilidade de percepção de outras vantagens fes e regularmente instituídas, ou em áreas de controle in-
pecuniárias variáveis. Deve ser fixado por lei específica, tegrado mantidas com países limítrofes, cuja jurisdição e
e encontra-se previsto no artigo 39, §§ 4° e 8° da CR/88, competência dos órgãos, entidades e servidores brasileiros
segundo o qual: considera-se estendida, salvo se houver pernoite fora da
“Art. 39, § 8º A remuneração dos servidores públicos or- sede, hipóteses em que as diárias pagas serão sempre as
ganizados em carreira poderá ser fixada nos termos do fixadas para os afastamentos dentro do território nacional.
§ 4º. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Art. 39, § 4° O membro de Poder, o detentor de mandato
eletivo, os ministros de Estado e os secretários estad- FICA A DICA
uais e municipais serão remunerados exclusivamente por
Adicional de Insalubridade -> causam mal à saúde do servi-
subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de
dor.
qualquer gratificação adicional, abono, prêmio, verba de
Adicional de Periculosidade -> causam risco à vida de
representação ou outra espécie remuneratória, obedeci-
quem o exerce.
do, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.”
Adicional de Penosidade -> devido aos servidores que ex-
ercem suas atividades em zonas de fronteira ou em locali-
Indenizações: trata-se das gratificações ou adicionais dades que as condições justifiquem-no.
que não são incorporados ao vencimento. Ex: ajuda de Adicional de Serviço Extraordinário -> acréscimo de 50%
custo por mudanças, ajuda de custo por falecimento, em relação à hora normal de trabalho quando o servidor ex-
trapolar a sua jornada normal de trabalho.
diárias por deslocamento, indenização de transporte,
Auxílio-Moradia -> consiste no ressarcimento das despesas
auxílio-moradia. No caso de recebimento de diárias, comprovadamente realizadas pelo servidor com aluguel de
se o agente não se afastar da sede por algum moradia ou com meio de hospedagem administrado por em-
motivo de força maior, o servidor público ficará presa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da
obrigado a restituir integralmente o valor recebido, despesa pelo servidor.
no prazo de cinco dias;
Férias: o servidor tem direito a 30 dias de férias,
que podem ser acumuladas em até 02 períodos.

Número de acertos = ______ 67


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O servidor deve completar o período de 12 meses sembargadores do Tribunal de Justiça (limitado a


de exercício para ter direito a usufruir das férias. As 90,25% do subsídio mensal do ministro do STF) no
férias do servidor somente poderão ser interrompidas âmbito do Poder Judiciário, extensivo também aos
por motivo de calamidade pública, comoção interna, membros do Ministério Público, aos Procura-
convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou dores e Defensores Públicos.
por necessidade do serviço declarada pela autoridade Cumpre destacar que, em conformidade com o art. 37,
máxima do órgão ou entidade. §9º da Constituição Federal, as Empresas Públicas,
Sociedades de Economia Mista e suas subsidiárias
QUESTÃO FGV
A convocação para júri constitui hipótese de interrupção das estão submetidas ao teto remuneratório quando rece-
férias de servidor público. berem recursos oriundos da Administração Pública Di-
Correto reta para pagamento de custeio e despesa de pessoal.
Também convém destacar que, nos termos do art. 37,
Gratificações: as gratificações são vantagens X da CF/88, “a remuneração dos servidores públicos
oferecidas aos servidores quando da retribuição e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente
pelo exercício de função de direção, chefia e poderão ser fixados ou alterados por lei específica,
assessoramento; gratificação natalina (13º salário); observada a iniciativa privativa em cada caso, asse-
adicional pelo exercício de atividades insalubres, gurada revisão geral anual, sempre na mesma data e
perigosas ou penosas; adicional pela prestação de sem distinção de índices.”
serviço extraordinário (hora extra sendo remunerada
pelo acréscimo de 50% em relação à jornada normal); QUESTÃO CESPE
adicional noturno; adicional de férias (adicional de 1/3 No cômputo do limite remuneratório (chamado de teto constitu-
cional), devem ser consideradas todas as parcelas percebidas
da remuneração do período).
pelo agente público, incluídas as de caráter indenizatório.
FICA A DICA Errado
Conforme entendimento do STJ, “quando a Administração
Pública interpreta erroneamente uma lei, resultando em FICA A DICA
pagamento indevido ao servidor, cria-se uma falsa expec-
tativa de que os valores recebidos são legais e definitivos, A jurisprudência vem entendendo que se excluem do teto
impedindo, assim, que ocorra desconto dos mesmos, remuneratório as verbas indenizatórias, benefícios previden-
ante a boa-fé do servidor público.” (Resp. 1244182/PB, ciários, remuneração decorrente de cargos públicos de mag-
Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em istério acumuláveis, e o exercício de função cumulativa. No
10/10/2012). que tange às possibilidades em que é admissível a acumu-
A corte superior também já se posicionou acerca do auxílio- lação de cargos, empregos e funções, o teto remuneratório
transporte, definindo que ele tem o escopo de custear as será analisado em cada cargo. Desse modo, a soma das re-
despesas com o deslocamento dos servidores do local de munerações PODERÁ ultrapassar o limite remuneratório.
trabalho para a residência (e vice-versa), independente-
mente de o mesmo ser realizado por meio de veículo
próprio ou coletivo municipal, intermunicipal ou inter- LICENÇAS
estadual.
As licenças representam os benefícios nos quais o
TETO REMUNERATÓRIO servidor fica um tempo sem exercer suas funções.
Desse modo, o servidor público dispõe de modalidades
O teto remuneratório refere-se ao limite máximo de re- de afastamentos e de licenças que estão previstas por
muneração para quaisquer agentes públicos (art. 37, legislação específica e relacionadas pela necessidade
XI, Constituição Federal e Emenda Constitucional n. do servidor e da administração pública.
41/2003), incluídas as vantagens de qualquer natureza,
Em relação às modalidades e às suas especificidades,
sendo que esta não poderá exceder o subsídio dos
seguem os diferentes tipos de afastamentos e licenças
ministros do Supremo Tribunal Federal (R$39.200,00),
previstos pela legislação brasileira.
sendo que:
a) Por motivo de doença de familiar (art. 83): será
• O teto nos Municípios é o subsídio do Prefeito; concedida sem prejuízo dos vencimentos. Trata-se de
• O teto nos Estados e Distrito Federal: subsídio uma decisão vinculada da Administração Pública, con-
do Governador no âmbito do Poder Executivo, o tudo, a licença será deferida apenas se a assistência
subsídio dos Deputados estaduais e distritais no direta do servidor for indispensável e não puder ser
âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos De- prestada simultaneamente com o exercício do cargo

68 Número de acertos = ______


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ou mediante compensação de horário. Ademais, nos serviço público;


primeiros 60 dias o servidor permanece com a remu-
g) Para o desempenho do mandato classista (art. 92).
neração, entretanto, nos 90 dias seguintes, perde esse
direito. O prazo para esse tipo de licença é de até 150
dias. AFASTAMENTO
b) Por motivo de afastamento do cônjuge ou com- A Lei 8.112/90 prevê hipóteses de afastamento, são
panheiro (art. 84): concedida por prazo indeterminado elas:
(e sem remuneração) para o servidor acompanhar o • Para servir a outro órgão ou entidade (art. 93);
cônjuge que foi deslocado dentro do território nacional, • Para o exercício de mandato eletivo, sendo-lhe
para o exterior ou para o exercício de mandato eletivo facultado optar pela sua remuneração (art. 94);
dos poderes Executivo e Legislativo. Nesse caso, não (art. 94);
é devida a remuneração. • Para estudo ou missão no exterior (art. 95);
c) Para o serviço militar (art. 85): Ao servidor convo- • Para participação de programa de pós-graduação
cado para o serviço militar será concedida licença, na stricto sensu no país (art. 96-A).
forma e condições previstas na legislação específica; O servidor público pode, ainda, ausentar-se, sem pre-
juízo da remuneração:
d) Para exercício de atividade política (art. 86):
• Por um dia para doação de sangue;
O servidor terá direito a licença, sem remuneração,
• Por dois dias, para se alistar como eleitor;
durante o período que mediar entre a sua escolha
• Por oito dias em razão de casamento, falecimento
em convenção partidária, como candidato a cargo
do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou pa-
eletivo, e a véspera do registro de sua candidatura
drasto, filhos, enteados (...)
perante a Justiça. O servidor candidato a cargo eletivo
Para se ausentar do país para estudo ou missão ofi-
na localidade onde desempenha suas funções e que
cial, o servidor deve atender às exigências previstas
exerça cargo de direção, chefia, assessoramento,
nos arts. 95 e 96 da Lei nº8.112:
arrecadação ou fiscalização, dele será afastado, a
partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura “Art. 95. O servidor não poderá ausentar-se do país
perante a Justiça Eleitoral, até o décimo dia seguinte ao para estudo ou missão oficial, sem autorização do
do pleito eleitoral. Importante ressaltar que a partir do presidente da República, presidente dos Órgãos
registro da candidatura e até o décimo dia seguinte ao do Poder Legislativo e presidente do Supremo Tri-
da eleição, o servidor fará jus à licença, assegurados bunal Federal.
os vencimentos do cargo efetivo, somente pelo período § 1º A ausência não excederá a 4 (quatro) anos,
de três meses; e finda a missão ou estudo, somente decorrido
igual período, será permitida nova ausência.
QUESTÃO CESPE § 2º Ao servidor beneficiado pelo disposto neste
Como medida que contribui para a melhoria da qualidade de artigo não será concedida exoneração ou licença
vida do servidor público, lhe é facultado optar pela acumulação para tratar de interesse particular antes de decor-
de períodos de licença-capacitação, caso não seja possível rido período igual ao do afastamento, ressalvada a
usufruí-los após cada período aquisitivo. hipótese de ressarcimento da despesa havida com
Errado seu afastamento.
§ 3º O disposto neste artigo não se aplica aos
e)­ Para capacitação profissional (art. 87): a cada servidores da carreira diplomática.
quinquênio (05 anos) de efetivo exercício, o servidor § 4º As hipóteses, condições e formas para a au-
poderá afastar-se do exercício do cargo efetivo para torização de que trata este artigo, inclusive no que
participar de curso de capacitação profissional, no in- se refere à remuneração do servidor, serão discipli-
teresse da Administração, sem prejuízo da remu- nadas em regulamento.
neração, por até três meses. Caso o servidor não Art. 96. O afastamento de servidor para servir em
usufrua desse benefício, não haverá cumulação, organismo internacional de que o Brasil participe
ou com o qual coopere dar-se-á com perda total da
ou seja, a lei não permite a acumulação de dois pe-
remuneração.”
ríodos de licença-capacitação; Explicação da Lei Seca
f) Para tratar de interesses particulares (art. 91): será
concedida a critério da Administração para ocupante QUESTÃO PROVA
Em conformidade com a Lei n.º 8.112/1990, o servidor público
de cargo efetivo, pelo prazo de 3 anos sem remuner- poderá ser afastado do Brasil para missão oficial por tempo
ação. A licença poderá ser interrompida, a qualquer indeterminado.
tempo, a pedido do servidor ou no interesse do Errado
Número de acertos = ______ 69
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O afastamento para participação em programa de efeitos legais, exceto para promoção por mereci-
pós-graduação stricto sensu no país será concedido mento;
apenas se a participação não puder ocorrer V. na hipótese de ser segurado de regime próprio de
simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante previdência social, permanecerá filiado a esse regime,
no ente federativo de origem. (Redação dada pela
compensação de horário. Ademais, deve haver o
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)”
interesse da Administração, pois esse afastamento
não comprometerá a percepção de remuneração pelo
Clique aqui para ver a tabela
agente.
Ademais, o servidor terá que permanecer no exercício O descumprimento dessas vedações poderá ensejar
de suas funções após o seu retorno por um período a aplicação de penalidades administrativas. Contudo,
igual ao período do afastamento concedido. Caso esse para que isso seja feito, será necessária a instauração
servidor solicite exoneração do cargo ou aposen- de um processo administrativo disciplinar para fins de
tadoria antes do cumprimento desse período de apurar a falta cometida, no qual deve ser assegurado
permanência, será obrigado e ressarcir o órgão ou ao servidor o contraditório e a ampla defesa (art. 116 e
entidade pelos gastos em seu aperfeiçoamento. seguintes da lei nº 8.112/90).
Aplica-se, ainda, os seguintes prazos prescricionais
AFASTAMENTO PARA EXERCÍCIO para fins de instauração do processo e apuração das
DE MANDATO ELETIVO faltas cometidas:
Nos termos do art. 38 da CF/88: • 05 anos: faltas punidas com demissão, cassação de
“Art. 38. Ao servidor público da Administração Dire- aposentadoria ou de disponibilidade e destituição de
ta, Autárquica e Fundacional, no exercício de man- cargo em comissão;
dato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: • 02 anos: faltas punidas com suspensão;
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual • 180 dias: faltas punidas com advertência.
ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego
ou função; FORMAS DE PROVIMENTO
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado
O provimento é o ato administrativo de preenchimento
do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado
de cargo público, regulamentado no Brasil pela Lei Nº
optar pela sua remuneração;”
8.112, de 11 de novembro de 1990. De acordo com a
Destaca-se que quando o agente público, que ocupa legislação, o provimento poderá se dar mediante no-
cargo ou emprego público, passa a exercer mandato meação, promoção, readaptação, reversão, aproveita-
eletivo, a regra é que ele fique afastado do exercício mento, reintegração e recondução.
daquela atividade, percebendo apenas o subsídio ref-
erente ao mandato eletivo. Contudo, o agente poderá NOMEAÇÃO
exercer mandato de vereador e, caso houver compati-
bilidade de horários, poderá cumular as funções e Trata-se da única hipótese de provimento ORIG-
perceber tanto as vantagens remuneratórias refer- INÁRIO, dependendo de prévia aprovação em con-
entes ao cargo efetivo, vitalício ou emprego públi- curso público, no caso de servidor ocupante de cargo
co como o subsídio referente ao cargo eletivo de efetivo, ou na situação de ocupação de cargo de
vereador. Vejamos o que dispõe o inciso III do art. 38 comissão de livre nomeação e exoneração que in-
da CF/88: depende da aprovação em Concurso. Nos termos
do art. 9 da Lei 8.112/90: Explicação da Lei Seca
“Art. 38, III - investido no mandato de Vereador, ha-
vendo compatibilidade de horários, perceberá as “Art. 9º A nomeação far-se-á:
vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo
prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não isolado de provimento efetivo ou de carreira;
havendo compatibilidade, será aplicada a norma II - em comissão, inclusive na condição de interino,
do inciso anterior.” para cargos de /confiança vagos.
Explicação da Lei Seca
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo
Por fim, os incisos IV e V ,do mesmo dispositivo pre-
em comissão ou de natureza especial poderá
screvem que:
ser nomeado para ter exercício, interinamente,
“Art. 38, IV. Em qualquer caso que exija o afas- em outro cargo de co)nfiança, sem prejuízo das
tamento para o exercício de mandato eletivo, atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em
seu tempo de serviço será contado para todos os que deverá optar pela remuneração de um deles

70 Número de acertos = ______


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durante o período da interinidade.” nível de escolaridade e a equivalência de vencimentos


e, na hipótese e inexistência de cargo vago, o servidor
Provimento ocorre com a nomeação, razão pela qual,
exercerá suas atribuições como excedente.
a partir desse momento, existe a aplicação de alguns
impedimentos, proibições e deveres previstos na Lei
nº 8.112/1990 ao agente nomeado. REVERSÃO
ATENÇÃO Trata-se de modalidade de provimento derivado que
Os impedimentos, as proibições e os deveres previstos na Lei decorre das situações abaixo:
nº 8.112/1990 somente se aplicam ao servidor público após a
posse, momento em que ocorre a investidura no cargo.
• Retorno do servidor aposentado por invalidez
aos quadros da Administração Pública. Nesse caso,
Errado
a junta médica deverá declarar que são insub-
sistentes os motivos da invalidez.
PROMOÇÃO
• Retorno de servidor aposentado voluntariamente
A promoção, por sua vez, refere-se à forma de provi- no interesse da Administração. Nesse caso é
mento derivado que decorre do desenvolvimento de necessário que:
um servidor efetivo, que já possui vínculo estatutário 1. o servidor tenha solicitado a reversão;
com a Administração Pública em sua própria car-
reira. Ex.: servidor que sai do Nível 1A de sua carreira 2. a aposentadoria tenha sido voluntária;
e, após concluir o mestrado e atingir determinada pon- 3. o servidor fosse estável quando estava na ativi-
tuação na carreira, alcança o Nível 2B. dade;
4. a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos an-
READAPTAÇÃO teriores à solicitação;
Trata-se, assim como a promoção, de forma de provi- 5. existência de cargo vago.
mento derivado que consiste no provimento de servi-
MACETE
dor em cargo cujas atribuições sejam compatíveis
ReVersão: “V” de Velho -> Aposentado
com a limitação que tenha sofrido em sua capaci- Retorno do servidor aposentado por invalidez ou aposentado
dade física ou mental, conforme atestado da perí- voluntariamente.
cia médica.
TRADUÇÃO JURÍDICA FICA A DICA
• A reversão far-se-á no mesmo cargo ou em cargo result-
“Como assim prof.?” ante de sua transformação;
Determinado motorista de ônibus do Estado sofre um acidente • Encontrando-se ocupado o cargo, o servidor exercerá
e perde seu braço, ele poderá continuar sendo motorista? Não. suas atribuições como excedente;
Por essa razão será readaptado a outro cargo compatível com • O servidor aposentado voluntariamente que voltar ao
sua capacidade física e mental. exercício receberá, em substituição à aposentadoria, a
Destaca-se que a readaptação será realizada para cargos remuneração do cargo que voltar a exercer;
cujas atribuições sejam afins, considerando o nível de • O servidor com idade superior a 70 anos ou 75 anos não
escolaridade e a equivalência de vencimentos e, na poderá ser revertido (art. 40, II da CF/88).
hipótese de inexistência de cargo vago, o servidor
exercerá suas atribuições como excedente.
APROVEITAMENTO
QUESTÃO ESAF
Trata-se de provimento derivado que traduz o retorno
De acordo com a Lei nº 8.112/1990, tendo sofrido limitação
em sua capacidade física ou mental, verificada em inspeção
à atividade pública de servidor que estava em dis-
médica, o servidor público estará sujeito a readaptação, que ponibilidade a cargo de vencimento e atribuições
consiste na investidura em outro cargo de atribuições e re- compatíveis com o cargo anterior. Nesse caso, o
sponsabilidades compatíveis com as do cargo por ele anteri- servidor não entre em exercício no prazo legal, será
ormente ocupado. tornado sem efeito o aproveitamento, e cassada a sua
Correto disponibilidade, salvo no caso de doença comprovada
READAPTAÇÃO: FORMA DE PROVIMENTO MUITO CO- por junta médica.
BRADA NAS PROVAS

Destaca-se que a readaptação será realizada para REINTEGRAÇÃO


cargos cujas atribuições sejam afins, considerando o
Número de acertos = ______ 71
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A reintegração é a modalidade de provimento derivado FICA A DICA


que ocorre nos casos em que é invalidada a demis-
Disponibilidade: direito do servidor estável de ser posto em
são de servidor por decisão administrativa ou ju-
disponibilidade e ficar sem trabalhar, mas com remuneração
dicial, implicando retorno à atividade pública e o proporcional ao tempo de serviço, nas hipóteses de extinção
ressarcimento de todas as vantagens (art. 28 da do cargo ou declaração de desnecessidade e reintegração do
Lei 8.112/1190). Ressalta-se que, se o cargo do men- servidor que anteriormente ocupava o cargo. A disponibilidade
não possui caráter sancionatório. ATENÇÃO: No caso de
cionado servidor tiver sido extinto, este permanecerá
servidores que ainda se encontram em estágio probatório,
em disponibilidade, podendo ser aproveitado em outro essa proteção não existe. Portanto, extinto o cargo o mes-
cargo. Caso o cargo esteja ocupado por outro servi- mo será exonerado.
dor, o ocupante será reconduzido ao cargo de origem Exoneração: é a saída do servidor dos quadros da Adminis-
(aproveitado em outro cargo ou posto em disponibili- tração sem qualquer caráter punitivo. A exoneração pode se
dade), sem direito à indenização. dar: 1) a pedido do servidor; 2) quando o servidor recebe uma
avaliação de desempenho desfavorável no final do estágio pro-
batório; 3) quando o servidor não tomar posse ou entrar em
QUESTÃO DE PROVA
exercício no prazo estabelecido. No que se refere aos car-
Reintegração é o retorno do servidor aposentado à atividade,
gos de comissão, a exoneração pode se dar a pedido do
no mesmo cargo em que tenha sido aposentado ou em cargo
servidor ou da autoridade competente (sem necessidade
equivalente.
de qualquer motivação).
Errado Demissão: ato punitivo decorrente de decisão administrativa
ou judicial. Só pode ser demitido o servidor legalmente inves-
tido no cargo público.
MACETE Aposentadoria: Aposentadoria compulsória aos 70 anos
FICA A DICA – FORMAS DE PROVIMENTO ou 75 anos, com proventos proporcionais ao tempo de
PAN + 4R = Provimento + Aproveitamento + Nomeação + contribuição. A regra não se aplica aos servidores titu-
Readaptação + Reintegração + lares exclusivamente de cargo público de provimento em
R econdução + Reversão comissão.
Cargo Público: conjunto de atribuições e responsabilidades,
RECONDUÇÃO criado por lei e previsto na estrutura organizacional da Admin-
istração. (Ex.: cargo de Promotor de Justiça). Um cargo pode
Trata-se de modalidade de provimento derivado que ser provido por servidor efetivo, por servidor detentor de cargo
de confiança ou comissionado, estabelecendo com o ente
decorre das situações abaixo: público um vínculo estatutário.
• retorno do servidor estável ao cargo Emprego Público: conjunto de atribuições e responsabili-
anteriormente ocupado, no caso de inabilitação dades que se distingue do cargo público em virtude do vínculo
de emprego que é estabelecido entre o servidor e o Estado.
em estágio probatório relativo a outro cargo. Ex: Nesse caso, o vínculo é contratual regido pela CLT.
servidor público efetivo foi aprovado em Concurso
Público, contudo, não recebeu uma avaliação de VACÂNCIA
desempenho satisfatória. Nesse caso, ele será
A vacância é uma forma de deixar o cargo público vago.
reconduzido para o seu cargo anterior;
Conforme estabelece o art. 33 da Lei 8.112/90, são
• em razão da reintegração de servidor demitido hipóteses de vacância (cargo vago ou desocupado):
ilegalmente. Ex: o servidor que estava ocupando a) Exoneração; b) Demissão; c) Promoção; d)
o cargo daquele que foi demitido injustamente será Readaptação; e) Aposentadoria; f) Posse e outro cargo
reconduzido a sua antiga função. inacumulável; g) Falecimento.
Conforme estudado em outras situações já descritas, Cabe ressaltar que a demissão é a única forma de
estando provido o cargo o servidor será aproveitado vacância punitiva, a exoneração pode acontecer
em outros cargos equivalentes. a pedido do servidor ou nas situações legalmente
previstas, a readaptação e a promoção é ao mesmo
QUESTÃO CESPE tempo forma de provimento e de vacância.
A regra da aposentadoria compulsória por idade aplica-se ao
servidor público que ocupe exclusivamente cargo em comis- REMOÇÃO
são
Errado A remoção refere-se ao deslocamento do servidor
a pedido (a critério do Poder Público) ou de ofício
no interesse da Administração, no âmbito do mesmo
quadro, com ou sem mudança de sede. A remoção a

72 Número de acertos = ______


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pedido pode se dar nas seguintes situações de fato: Desenvolvimento, o Governo do Estado redistribui os
cargos de Especialista em Políticas Públicas (lotados
Para acompanhar cônjuge ou companheiro, tam-
na Secretaria de Planejamento e Gestão) para fins de
bém servidor civil ou militar, de qualquer das es-
compor os quadros da nova Secretaria. A redistribuição
feras federativas, que foi deslocado no interesse
é dos CARGOS.
da Administração; MUITO COBRADO!
FICA A DICA
Por motivo de saúde do
agente, cônjuge ou companheiro ou dependente; Conforme o art. 18 da Lei nº 8112/90, “o servidor que deva
ter exercício em outro município em razão de ter sido re-
Em virtude de processo seletivo, na hipótese em que movido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em
o número de interessados for superior ao número de exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo,
vagas (concurso de remoção). Nesta hipótese, a Ad- trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a
ministração Pública deve efetivar as remoções retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo,
incluído nesse prazo o tempo necessário para o desloca-
homologadas antes de qualquer ato de nomeação
mento para a nova sede.”
dos novos candidatos aprovados em concurso
público.
Em caso de remoção por interesse da Administração, ACÚMULO LÍCITO DE VÍNCULOS JU-
o servidor poderá receber ajuda de custo, com o RÍDICOS PELO SERVIDOR PÚBLICO
fito de compensar suas despesas com a mudança
Na grande maioria dos casos, o servidor deve exercer
de domicílio, sendo vedado o duplo pagamento de
apenas um cargo público OU um emprego público OU
indenização no caso de o cônjuge ou companheiro
uma função pública OU receber uma única aposenta-
que detenha também a condição de servidor, e vier a
doria do artigo 40 da CR/88:
exercer o mesmo cargo.
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos
servidores titulares de cargos efetivos terá caráter con-
ATENÇÃO!!! Os conceitos de tributivo e solidário, mediante contribuição do re-
remoção e redistribuição vem spectivo ente federativo, de servidores ativos, de
DESPENCANDO nas provas.
aposentados e de pensionistas, observados crité-
NÃO PERCA ESSE PONTO rios que preservem o equilíbrio financeiro e atu-
O servidor público federal tem direito de ser removido a pedi-
arial. (Redação dada pela Emenda Constitucional
do, independentemente do interesse da administração, para
nº 103, de 2019)
acompanhar cônjuge que, sendo empregado de empresa
pública federal, tenha sido deslocado para outra localidade no § 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes
interesse da administração. dos cargos acumuláveis na forma desta Consti-
Correto tuição, é vedada a percepção de mais de uma
aposentadoria à conta de regime próprio de pre-
vidência social, aplicando-se outras vedações, re-
gras e condições para a acumulação de benefícios
QUESTÃO CESPE
Ao servidor removido deverá ser concedido o prazo de, no
previdenciários estabelecidas no Regime Geral de
mínimo, dez e, no máximo, trinta dias para entrar em exercício Previdência Social. (Redação dada pela Emenda
na outra localidade para onde foi removido. Constitucional nº 103, de 2019)
Correto
Contudo, devemos estudar as exceções que são trazi-
das no inciso XVI do art. 37 da CF/88:
REDISTRIBUIÇÃO ATENÇÃO! “Art. 37, XVI. É vedada a acumulação remune-
rada de cargos públicos, exceto, quando hou-
Trata-se do deslocamento de um cargo de provi-
ver compatibilidade de horários, observado em
mento efetivo para outro órgão ou entidade no
qualquer caso o disposto no inciso XI.
interesse da Administração, assegurado a equiv-
a) a de dois cargos de professor;
alência de vencimentos, manutenção da essência das
b) a de um cargo de professor com outro técnico
atribuições, vinculação entre os graus de responsabili-
ou científico;
dade e complexidade, mesmo nível de escolaridade e c) a de dois cargos ou empregos privativos de
compatibilidade de funções. Ex: a Secretaria de Esta- profissionais de saúde, com profissões regulamen-
do de Desenvolvimento fora recém-criada e, haja vista tadas;”
que não há uma carreira específica para Analista de Explicação da Lei Seca

Número de acertos = ______ 73


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preenchida via processo seletivo simplificado.


QUESTÃO CESPE [...] (STJ, Informativo 559, REsp 1.298.503-DF,
O servidor que ocupa cargo em comissão ou função de confi- Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7/4/2015,
ança submete-se ao regime integral de dedicação ao serviço
e pode ser convocado sempre que houver interesse da ad-
DJe 13/4/2015.) ” Explicação da Lei Seca
ministração. Por fim, o art. 133 da Lei 8112 determina que:
Correto
“Art. 133. Detectada a qualquer tempo a acu-
Caso o servidor acumule licitamente dois cargos efe- mulação ilegal de cargos, empregos ou funções
tivos (Ex.: um servidor é promotor de justiça e profes- públicas, a autoridade a que se refere o art. 143
sor universitário) e venha a ser investido em cargo de notificará o servidor, por intermédio de sua chefia
provimento em comissão, ele ficará afastado de ambos imediata, para apresentar opção no prazo im-
os cargos efetivos e exercerá apenas o cargo de provi- prorrogável de dez dias, contados da data da
mento em comissão. Contudo, ele poderá cumular o ciência e, na hipótese de omissão, adotará pro-
cargo de comissão com um dos cargos efetivos se cedimento sumário para a sua apuração e regu-
houver compatibilidade de horário declarada pelas larização imediata, cujo processo administrativo
autoridades máximas dos órgãos ou entidades en- disciplinar se desenvolverá nas seguintes fases.”
volvidas. Explicação da Lei Seca
Destaca-se que, em regra, o ocupante de cargo em
QUESTÃO ESAF
comissão ou função de confiança submete-se a re-
Considere que Emanuel, servidor da SUFRAMA, tenha sido
gime de integral dedicação ao serviço.
aprovado em concurso público para analista administrativo em
A regra e suas exceções alcançam todos os entes da outra autarquia federal e passe a acumular os dois cargos,
ambos com jornada semanal de 40 horas. Nessa situação,
Administração Pública Direta e Indireta, em todas as
uma vez que as duas autarquias compõem a Administração
esferas federativas e, ainda, as sociedades controla- Indireta, não há violação do dispositivo constitucional que
das direta ou indiretamente pelo Poder Público nos veda a acumulação de cargos no serviço público..
termos do artigo 37, XVII da CR/88: Errado
“Art. 37, XVII - a proibição de acumular Se, por acumular dois cargos públicos remunerados para os
estende-se a empregos e funções e abrange quais não haja previsão legal de acumulação, uma servidora
autarquias, fundações, empresas públicas, for notificada pela autoridade competente, por intermédio de
sociedades de economia mista, suas sua chefia imediata, será dado o prazo de dez dias, impror-
subsidiárias, e sociedades controladas, direta rogáveis, para essa servidora apresentar sua opção por um
dos cargos.
ou indiretamente, pelo poder público.”
A proibição de acumular vínculos aplica-se também Correto
aos aposentados do regime próprio de previdência do
PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES
servidor do artigo 40 da CR/88. Nesse sentido,
segundo o artigo 37, § 10° da Constituição: Conforme estabelece o art. 40 da CF/88:
“Art. 37, § 10. É vedada a percepção simultânea Art. 40. O regime próprio de previdência social dos
de proventos de aposentadoria decorrentes do art. servidores titulares de cargos efetivos terá caráter
40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de contributivo e solidário, mediante contribuição do
cargo, emprego ou função pública, ressalvados os respectivo ente federativo, de servidores ativos, de
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, aposentados e de pensionistas, observados crité-
os cargos eletivos e os cargos em comissão de- rios que preservem o equilíbrio financeiro e atu-
clarados em lei de livre nomeação e exoneração.” arial. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019) Explicação da Lei Seca
Importante destacar que o STJ já manifestou entendi-
§ 20. É vedada a existência de mais de um re-
mento favorável à possibilidade de acumulação de
gime próprio de previdência social e de mais de
proventos de aposentadoria de emprego público
um órgão ou entidade gestora desse regime em
com remuneração de cargo público temporário:
cada ente federativo, abrangidos todos os po-
“[...] a vedação nele contida diz respeito apenas à deres, órgãos e entidades autárquicas e fundacio-
acumulação de proventos de aposentadoria com nais, que serão responsáveis pelo seu financia-
remuneração de cargo ou emprego público efetivo, mento, observados os critérios, os parâmetros e
categorias nas quais não se insere a função públi- a natureza jurídica definidos na lei complementar
ca exercida por força de contratação temporária, de que trata o § 22. (Redação dada pela Emenda
74 Número de acertos = ______
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Constitucional nº 103, de 2019) Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013.


Info 523).
Destaca-se que o mencionado regime não se aplica
a empregados públicos, aos contratados temporaria-
ATENÇÃO
mente e aos ocupantes de cargo em comissão, estan- O prazo de apresentação de defesa será de 10 dias. Porém,
do estes sujeitos ao regime GERAL de previdência. havendo mais de um indiciado, o prazo será comum de 20 dias.
Ademais, havendo necessidade de realização de diligências in-
FICA A DICA
dispensáveis, o prazo da defesa poderá ser prorrogado pelo
Conforme determinação do art. 40, § 2º da CF/88, § 2º Os dobro. Por fim, importante ressaltar que se o acusado estiver
proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores ao em lugar incerto e não sabido, ele será citado por edital para
valor mínimo a que se refere o § 2º do art. 201 ou supe- apresentar a defesa em 15 dias.
riores ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral
de Previdência Social, observado o disposto nos §§ 14 a
16. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de A comissão processante será formada por três servi-
2019) dores públicos que gozem de estabilidade, sendo que
o seu presidente deverá possuir cargo efetivo superior
PROCESSO ADMINISTRATIVO ou, ao menos, de mesmo nível do indiciado. Nos ter-
DISCIPLINAR mos da lei 8.112/90, analise: É hora de DECORAR
DESPENCA NAS PROVAS! “Art. 168 O julgamento acatará o relatório da co-
Para fins de prova, de-
ATENÇÃO A TODOS OS
vemos estudar dois pro- missão, salvo quando contrário às provas dos au-
PONTOS EM NEGRITO
cedimentos disciplinares tos. Explicação da Lei Seca
distintos: o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) Parágrafo único. Quando o relatório da co-
e a Sindicância. missão contrariar as provas dos autos, a au-
toridade julgadora poderá, motivadamente,
Sindicância: trata-se de uma investigação preliminar agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou
e facultativa, que objetiva apurar faltas leves, com isentar o servidor de responsabilidade.”
pena máxima de advertência ou suspensão por
até 30 dias. Como resultado da sindicância (caso
esta não seja arquivada) poderá haver a aplicação da ATENÇÃO
Conforme o art. 174 e seus parágrafos 1 e 2 da lei
penalidade de advertência, suspensão ou instauração 8.112/90, o processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer
do PAD. tempo, a pedido ou de ofício, quando se aduzirem fatos novos
ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do pu-
Processo Administrativo Disciplinar (PAD):
nido ou a inadequação da penalidade aplicada; em caso de fa-
Inicialmente, importante ressaltar que o órgão
lecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer
poderá instaurar o PAD sem que tenha instaurado pessoa da família poderá requerer a revisão do processo; no
previamente uma sindicância. Dito isto, temos caso de incapacidade mental do servidor, a revisão será req-
que o PAD é um procedimento que visa apurar e uerida pelo respectivo curador.
punir falta grave, isso é, fato que não enseja mera
advertência ou suspensão por até 30 dias. O PAD
será iniciado com a publicação do ato que constituir a FICA A DICA
comissão processante, se desenvolverá no Inquérito Provas utilizadas no PAD: não são admitidas provas ilíci-
Administrativo (que abarca a instrução, a defesa e tas no procedimento disciplinar.
o relatório) e terá fim com o julgamento. O ato que Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no pro-
inicia o PAD é a portaria de instauração. cesso administrativo disciplinar, desde que devidamente au-
torizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e
O processo disciplinar se desenvolve em três fases: in- a ampla defesa.
stauração; inquérito administrativo e julgamento (será
estudado nos próximos capítulos). Após o indiciamen-
to, o servidor deverá ser citado por mandado expedido FICA A DICA

pelo Presidente da Comissão para apresentar defesa O Processo Administrativo Disciplinar será sumário em casos
no prazo de 10 dias. Importante salientar que a de- de abandono de cargo, inassiduidade habitual e acumulação
cisão final do PAD não é determinada pela comissão ilegal de cargo, tendo duração de 30 dias, podendo ser pror-
rogado por mais 15. No PAD Sumário ocorrem as seguintes
processante, mas sim pela autoridade competente
fases: Instauração, Instrução Sumária (indiciação, defesa,
que baseará seu julgamento no relatório apresentado
relatório) e Julgamento (5 dias).
pela comissão. Segundo o STJ, apresentado este
relatório, não é obrigatório intimar o interessado
As penalidades às quais o indiciado pode ser submeti-
para alegações finais (STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF,
Número de acertos = ______ 75
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do ao praticar alguma falta são as seguintes: Explicação da Lei Seca


XI - corrupção;
Advertência: nos termos do art. 129 da Lei nº 8112/90, XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou
a advertência será aplicada por escrito, nos casos de funções públicas;
violação de proibição constante do art. 117, incisos I a XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.”
VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional pre-
visto em lei em regulamentação ou norma interna, que TA NA MODA questão sobre
não justifique imposição de penalidade mais grave. declaração de bens! ATENÇÃO
O agente público está obrigado a declarar bens e valores que
ADVERTÊNCIA componham o seu patrimônio privado — requisito que condi-
– punições mais leves ciona a sua posse em cargo ou função pública —, e poderá
ser demitido a bem do serviço público caso apresente falsa
– deve ser aplicada por escrito
declaração.
– Competência: chefe da repartição
– 180 dias a contar do conhecimento do fato irregular Correto
QUESTÃO CESPE
ATENÇÃO: as penalidades de advertência não ficarão regis- Considere que, alegando direito à privacidade, determinado
tradas no assentamento funcional do servidor. Após 3 anos de servidor, ao tomar posse em cargo público, tenha negado en-
exercício caso não haja tregar a devida declaração dos bens e valores que compõem o
seu patrimônio privado. Nessa situação, persistindo a recusa,
a pratica de nova infração disciplinar, o registro da
o servidor poderá ser demitido a bem do serviço público.
punição será cancelado com efeitos não retroativos. (ex nunc)
Correto
Suspensão: nos termos do art. 130 da lei nº 8112/90,
a suspensão será aplicada em caso de reincidência Nos termos do art. 13 da Lei nº 8.429\92, a penali-
de faltas punidas com advertência e violação das de- dade de demissão também pode ser aplicada caso
mais proibições que não tipifiquem infração sujeita a o agente se recusar a entregar declaração de bens:
penalidade de demissão não podendo exceder de 90 “Art. 13. A posse e o exercício de agente público fi-
(noventa) dias. cam condicionados à apresentação de declaração
de imposto de renda e proventos de qualquer na-
FICA A DICA
tureza, que tenha sido apresentada à Secretaria
A Administração poderá ordenar o cumprimento da sanção de Especial da Receita Federal do Brasil, a fim de
suspensão de duas formas: servidor fica sem trabalhar e sem ser arquivada no serviço de pessoal competente.
receber ou servidor permanece trabalhando e recebe metade
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021)
(-50%) do valor de sua remuneração durante o período de
suspensão.
§ 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº
14.230, de 2021)
Demissão: a penalidade de demissão somente poderá
ser aplicada em uma das hipóteses taxativamente pre- § 2º A declaração de bens a que se refere o caput
vistas no art. 132 da lei nº 8112/90: deste artigo será atualizada anualmente e na
data em que o agente público deixar o exercício
“Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes do mandato, do cargo, do emprego ou da função.
casos: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021)
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo; § 3º Será apenado com a pena de demissão, sem
III - inassiduidade habitual; prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente
IV - improbidade administrativa; público que se recusar a prestar a declaração dos
V - incontinência pública e conduta escandalosa, bens a que se refere o caput deste artigo dentro
na repartição; do prazo determinado ou que prestar declaração
VI - insubordinação grave em serviço; falsa. (Redação dada pela Lei nº 14.230, de
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a par- 2021)
ticular, salvo em legítima defesa própria ou de ou-
trem; § 4º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº
VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; 14.230, de 2021)
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em
razão do cargo; Explicação da Lei Seca
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do
patrimônio nacional;
76 Número de acertos = ______
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DEMISSÃO: DEMISSÃO SEM POSSIBILIDADEDE RETORNO


– punição mais grave O ex-servidor não poderá retornar ao serviço
– ocasiona a vacância do cargo público público nas seguintes situações:
– prescrição: cinco anos a contar do conheci-
- Crime contra a Administração Pública
mento do fato irregular
– Consequências: demissão pura e simples, de- - Lesão aos cofres públicos
missão + 5 anos sem retornar ao serviço, demis-
- Improbidade Administrativa
são sem possibilidade de retorno.
– Competência: autoridade máxima de cada - Corrupção
órgão, entidade ou poder. - Aplicação irregular dos dinheiros públicos
DEMISSÃO SEM POSSIBILIDADE DE RETORNO Cassação de aposentadoria ou disponibilidade:
C -> crime contra a Administração Pública nos termos do art. 134 da lei nº 8112/90, será cassa-
da a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo
L -> lesão aos cofres públicos e dilapidação do que houver praticado, quando em atividade, falta
patrimônio nacional punível com a demissão.
I -> improbidade administrativa Destituição de cargo em comissão: a aplicação
C -> corrupção dessa penalidade, nos termos do art. 135 da lei nº
8112/90, depende da constatação:
A -> aplicação irregular dos dinheiros públicos.
• da prática de infração (pelo detentor do cargo em
DEMISSÃO PURA E SIMPLES comissão) sujeita às penalidades de suspensão e
de demissão;
– participar de gerência ou administração de socie-
dade privada, personificada ou não personificada, • por ocupante de cargo não efetivo.
exercer o comércio, exceto na qualidade de acioni- Nesse caso, a exoneração será convertida em destitu-
sta, cotista ou comanditário; ição do cargo em comissão. Isso porque a exoneração
– receber propina, comissão, presente ou van- não é uma penalidade, mas uma mera faculdade e
tagem de qualquer espécie, em razão de suas a destituição do cargo possui caráter punitivo.
atribuições;
– aceitar comissão, emprego ou pensão de estado ATENÇÃO - CAI EM PROVA
estrangeiro; Considere que um servidor vinculado à administração uni-
– praticar usura sob qualquer de suas formas; camente por cargo em comissão cometa uma infração para
– proceder de forma desidiosa; a qual a Lei nº 8.112/1990 preveja a sanção de suspensão.
Nesse caso, se comprovadas a autoria e a materialidade da
– utilizar pessoal ou recursos materiais da repar-
irregularidade, o servidor sofrerá a penalidade de destituição
tição em serviços ou atividades particulares; do cargo em comissão.
– abandono de cargo
Correto
– inassiduidade habitual
– incontinência pública e conduta escandalosa, na
FICA A DICA
repartição
– insubordinação grave em serviço Destituição de função comissionada: a destituição do
cargo em comissão será aplicada nos casos de infrações
sujeitas às penalidades de SUSPENSÃO E DE DEMIS-
DEMISSÃO + 5 ANOS SÃO. A aplicação dessa penalidade é de competência da au-
toridade que fez a nomeação.
– valer-se do cargo para lograr proveito pessoal
ou de outrem, em detrimento da dignidade da Por fim, convém destacar que a responsabilização na
função pública; esfera administrativa do servidor não elide sua respon-
– atuar, como procurador ou intermediário, junto sabilidade nas demais esferas(civil e criminal). Quanto
a repartições públicas, salvo quando se tratar de a esta última, destaca-se, inclusive que alcançará
benefícios previdenciários ou assistenciais de tanto os crimes quanto as contravenções eventual-
parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou mente por ele praticadas no exercício de suas fun-
companheiro. ções. Contudo, conforme estudado e nos termos do

Número de acertos = ______ 77


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art. 126 da lei nº 8112/90:


PAD
“Art. 126. A responsabilidade administrativa do
Duração: 60 + 60 dias
servidor será afastada no caso de absolvição
Fases: Instauração, Inquérito administrativo; Julgamento;
criminal que negue a existência do fato ou sua
autoria.” Julgamento: 20 dias
Explicação da Lei Seca Comissão: 3 membros
FICA A DICA
Utilizado: apuração de diversas irregularidades
Merece destaque o fato de que o STF já declarou a incon-
stitucionalidade do art. 170 da Lei 8.112/90, de modo que
NÃO é possível o registro nos assentamentos do servi- PAD SUMÁRIO
dor por violação ao princípio da presunção de inocência.
Duração: 30 + 15 dias
“Art. 170. Extinta a punibilidade pela pre-
Fases: Instauração, Instrução Sumária; Julgamento;
scrição, a autoridade julgadora determinará
Julgamento: 5 dias
o registro do fato nos assentamentos individ-
Comissão: 2 membros
uais do servidor.”
Utilizado: apuração das irregularidades abandono de cargo,
Na situação em que foi extinta a punibilidade pela prescrição,
inassiduidade habitual e acumulação ilegal de cargos.
segundo a doutrina majoritária, registrar esse fato no assen-
tamento individual do servidor violaria o princípio constitu-
cional da presunção de inocência. Súmulas STF
• Súmula vinculante n. 44: Só por lei se pode su-
QUESTÃO CESPE jeitar a exame psicotécnico a habilitação de candi-
Durante o período de apuração dos deveres inerentes ao car- dato a cargo público.
go do servidor, as sanções administrativas decorrentes do pro-
• Súmula n. 686: Só por lei se pode sujeitar a ex-
cesso disciplinar poderão cumular-se com as sanções penais,
sendo afastada, entretanto, a responsabilidade administrativa ame psicotécnico a habilitação de candidato a
do servidor no caso de absolvição criminal. cargo público.
Errado • Súmula n. 683: O limite de idade para a inscrição
em concurso público só se legitima em face do art
Revisão: a superveniência de fatos novos, que possam 7º, , XXX, da Constituição, quando possa ser jus-
provar a inocência de servidor público punido pela tificado pela natureza das atribuições do cargo a
administração, viabiliza pedido de revisão da decisão, ser preenchido.
não podendo essa revisão, entretanto, resultar em • Súmula n. 684: É inconstitucional o veto não
agravamento da sanção que tiver sido imposta. motivado à participação de candidato a concurso
“Art. 65. Os processos administrativos de que re- público.
sultem sanções poderão ser revistos, a qualquer • Súmula vinculante n. 43: É inconstitucional toda
tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fa- modalidade de provimento que propicie ao servi-
tos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis dor investir-se, sem prévia aprovação em concur-
de justificar a inadequação da sanção aplicada. so público destinado ao seu provimento, em cargo
Parágrafo único. Da revisão do processo não que não integra a carreira na qual anteriormente
poderá resultar agravamento da sanção.” (Lei investido.
9784/99).
• Súmula n. 685: É inconstitucional toda modalidade
FICA A DICA de provimento que propicie ao servidor investir-se,
PAD SUMÁRIO sem prévia aprovação em concurso público desti-
O processo administrativo sumário poderá ser utilizado nos
nado ao seu provimento,em cargo que não integra
casos de abandono de cargo, inassiduidade habitual e acumu-
lação ilegal de cargos, Tratam-se de situações em que é mais
a carreira na qual anteriormente investido.
fácil demonstrar as irregularidades mencionadas. • Súmula n. 15: Dentro do prazo de validade do
concurso, o candidato aprovado tem o direito à
nomeação, quando o cargo for preenchido sem
observância da classificação.
• Súmula n. 16: Funcionário nomeado por concurso
tem direito â posse.

78 Número de acertos = ______


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• Súmula n. 17: A nomeação de funcionário sem culação do reajuste de vencimentos de servidores


concurso pode ser desfeita antes da posse. estaduais ou municipais a índices federais de cor-
reção monetária.
• Súmula n. 18: Pela falta residual, não compreen-
dida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível • Súmula vinculante n. 55: O direito ao auxílio-ali-
a punição administrativa do servidor público. mentação não se estende aos servidores inativos.
• Súmula n. 19: É inadmissível segunda punição de • Súmula n. 680: O direito ao auxílio-alimentação
servidor público, baseada no mesmo processo em não se estende aos servidores inativos.
que se fundou a primeira.
• Súmula n. 681: É inconstitucional a vinculação do
• Súmula vinculante n. 20: A Gratificação de De- reajuste de vencimentos de servidores estaduais
sempenho de Atividade Técnico~Administrativa- ou municipais a índices federais de correção mon-
GDATA, instituída pela lei 10.404/2002,deve ser etária.
deferida aos inativos nos valores correspondentes
• Súmula vinculante n. 37: Não cabe ao Poder Ju-
a 37,5 {trinta e sete vírgula cinco) pontos no pe-
diciário, que não tem função legislativa, aumentar
ríodo de fevereiro a maio de 2002 e, nos termos
vencimentos de servidores públicos sob funda-
do art. 5 (1, parágrafo único,da Lei 10-404/2002,
mento de lsonomie.
no período de junho de 2002 até a conclusão dos
efeitos do último ciclo de avaliação a ·que se refere • Súmula n. 21: Funcionário em estágio probatório
o art. 1(1 da Medida Provisória 198/2004, a partir não pode ser exonerado nem demitido sem inqué-
da qual passa a ser de 60 (sessenta) pontos. rito ou sem as formalidades legais de apuração de
sua capacidade.
• Súmula vinculante n. 34: A Gratificação de
Desempenho de Atividade de Seguridade So- • Súmula n. 20: É necessário processo adminis-
cial e do Trabalho - GDASST, instituída pela lei trativo, com ampla defesa, para demissão de fun-
10.483/2002, deve ser estendida aos inativos cionário admitido por concurso.
no valor correspondente a 6o (sessenta) pontos, • Súmula n. 47: Reitor de universidade não é livre-
desde o advento da Medida Provisória 198/2oo4, mente demissível pelo presidente da república du-
convertida na lei 10-971/2oo4,quando tais inativos rante o prazo de sua investidura.
façam jus à paridade constitucional.
• Súmula n. 22: O estágio probatório não protege o
• Súmula vinculante n. 16: Os arts. 7°, IV, e 39,§ 3° funcionário contra a extinção do cargo.
(redação da EC 19/98), da Constituição, referem-
se ao total da remuneração percebida pelo servi- • Súmula n. 39: À falta de lei, funcionário em dis-
dor. ponibilidade não pode exigir, judicialmente, o seu
aproveitamento, que fica subordinado ao critério
• Súmula vinculante n. 1: O cálculo de gratifi- de conveniência da administração.
cações e outras vantagens não incide,sobre o
abono utilizado para se atingir o salário minimo do • Súmula n. 359: Ressalvada a revisão prevista em
servidor público. lei, os proventos da inatividade regulam-se pela lei
vigente ao tempo em que o militar, ou o servidor
• Súmula vinculante n. 4: Salvo os casos previs- civil, reuniu os requisitos necessários.
tos na Constituição, o salário mínimo não pode ser
usado como indexador de base de cálculo de van- • Súmula n. 36: Servidor vitalício está sujeito à
tagem de servidor público ou de empregado, nem aposentadoria compulsória, em razão da idade.
ser substituído por decisão judicial. Súmulas do STJ
• Súmula Vinculante n. 6: Não viola a Constitu- • Súmula n. 377: O portador de visão monocular
ição o estabelecimento de remuneração inferior tem direito de concorrer, em concurso público, às
ao salário mínimo para as praças prestadoras de vagas reservadas aos deficientes.
serviço militar inicial.
• Súmula n. 378: Reconhecido o desvio de função,
• Súmula n. 682: Não ofende a Constituição a cor- o servidor faz jus às diferenças salariais decor-
reção monetária no pagamento com atraso dos rentes.
vencimentos de servidores públicos.
• Súmula n. 466: O titular da conta vinculada ao
• Súmula vinculante n. 42: É inconstitucional a vin- FGTS tem o direito de sacar o saldo respectivo
Número de acertos = ______ 79
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quando declarado nulo seu contrato de trabalho


por ausência de prévia aprovação em concurso
público.
• Súmula n. 552: o portador de surdez unilateral
não se qualifica como pessoa com deficiência para
o fim de disputar as vagas reservadas em concur-
sos públicos.

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80 Número de acertos = ______


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IX. AGENTES PÚBLICOS


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

Posse é a investidura no cargo público, e ocorre com a assinatura do termo de posse,


na qual irão constar as atribuições, deveres, responsabilidades e direitos inerentes ao
cargo. O prazo para a posse é de 30 dias contados da publicação do ato de provimento
(nomeação).

Estágio Probatório é o período de avaliação durante qual o servidor deve demonstrar


capacidade e aptidão para o exercício do cargo, função ou emprego. Desse modo, o
servidor deve demonstrar: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtivi-
dade e responsabilidade. Quando não satisfeitas às condições do estágio probatório,
dar-se de ofício, a exoneração.

A reintegração é a modalidade de provimento derivado que ocorre nos casos em que


é invalidada a demissão de servidor por decisão administrativa ou judicial, implicando
retorno à atividade pública e o ressarcimento de todas as vantagens.

A remoção refere-se ao deslocamento do servidor a pedido, a critério do poder público,


ou de ofício no interesse da Administração, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem
mudança de sede.

“Art. 37 da CF: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de le-
galidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
II. A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concur-
so público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade
do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo
em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;”

Art. 117. da lei 8112/90: Ao servidor é proibido:


III - recusar fé a documentos públicos;
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da
dignidade da função pública;
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou
não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou
comanditário;
XV - proceder de forma desidiosa;
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares;

TOTAL 38%
202
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
IX. AGENTES PÚBLICOS
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor públi-
co e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, no-
meação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Redação dada pela
Lei nº 14.230, de 2021) 1 a 31
Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas
nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio,
contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste admin-
istrativo equivalente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021)

Art. 41 da CF. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32 a 49
19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar,
assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Art. 3º da lei 8112/90 - Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na


50 a 71
estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor.

Art. 3º da lei 8112/90 - Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são
criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provi- 72 a 86
mento em caráter efetivo ou em comissão.

Art. 5º da lei 8112/90 - São requisitos básicos para investidura em cargo público:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; 87 a 171
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.

Art. 5º da lei 8112/90 - § 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se


inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com
172 a 189
a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento)
das vagas oferecidas no concurso.

Art. 7º da lei 8112/90 - A investidura em cargo público ocorrerá com a posse 190 a 218

Art. 8º da lei 8112/90 - São formas de provimento de cargo público: I - nomeação;


II - promoção;
III - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
IV - (Revogado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
V - readaptação;
219 a 328
VI - reversão;
VII - aproveitamento;
VIII - reintegração;
IX - recondução.

203
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5- Poderes administrativos: poder o excesso de poder.


hierárquico; poder disciplinar; O excesso de poder se manifesta em todas as situ-
poder regulamentar; ações nas quais o agente público atua fora dos
limites de sua competência legal. Trata-se de vício
poder de polícia; uso e abuso do poderIndiscutivel- de competência que pode ensejar a anulação do ato
mente o Poder de Polícia é o poder mais cobrado nas administrativo. Ex: Técnico do INSS edita ato adminis-
provas de Concurso Público. Clique aqui para a trativo de competência do Analista do INSS. O desvio
vídeo-aula de poder, por sua vez, ocorre quando o agente público
atua dentro dos limites da competência conferida a ele,
1. CONCEITO DE PODERES AD- contudo, visa alcançar finalidade diversa daquela pre-
MINISTRATIVOS vista em lei. Ex: o Governador edita Decreto para fins
de desapropriação de um imóvel com o intuito de prej-
Os poderes administrativos podem ser conceituados
udicar o proprietário. Nesse caso, a conduta não foi
como verdadeiros instrumentos que a Administração
editada visando atender ao interesse público -> desvio
Pública dispõe para alcançar a finalidade pública.
de finalidade.
Nesse sentido, em razão do fato de que o Estado
almeja alcançar o interesse público, ao ente estatal
FICA A DICA
são conferidas algumas prerrogativas e poderes es-
peciais que o particular não possui. Tais prerrogativas • Desvio de finalidade: ocorre quando o agente público
atua em conformidade com a sua competência, mas
são denominados poderes-deveres, haja vista que o
busca finalidade diversa daquela estabelecida em lei.
Estado deve fazer uso dessas ferramentas para alcan- • Excesso de poder: ocorre quando o gestor público
çar o bem da coletividade, são esses: Poder Norma- edita um ato administrativo que ultrapassa os limites
tivo, Poder de Polícia, Poder Hierárquico e Poder de sua competência legal.
Disciplinar. • O abuso de poder pode decorrer de condutas comis-
sivas ou condutas omissivas, quando o agente deixa
FICA A DICA de cumprir um dever legal.
Esses poderes são irrenunciáveis, ou seja, o gestor público
não pode dispor desses poderes livremente. Os poderes ad-
ministrativos devem ser usados como meio da consecução
do interesse público.
2. PODER DE POLÍCIA
Trata-se do poder que a
Administração possui de Esse conceito é
QUESTÃO FGV MUITO cobrado.
restringir o exercício de
Para o administrador público, a ação é um dever, não sendo
liberdades individuais, o
possível a renúncia de seus poderes administrativos.
uso, gozo e a disposição da propriedade privada,
Correto sempre na busca do interesse público. O Poder de
Polícia é fruto dos atos de supremacia geral do
1.2. USO E ABUSO DE PODER Poder Público em relação aos particulares, de
modo que o uso dessa prerrogativa administrativa
Conforme estudado, os poderes administrativos são
abrange toda a coletividade.
verdadeiros instrumentos conferidos ao Estado para
fins de alcançar o interesse público. Portanto, essas O Código Tributário Nacional apresenta a seguinte
ferramentas devem ser utilizadas estritamente para conceituação do Poder de Polícia:
fins de alcançar o bem da coletividade, ou seja, caso Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Es-
os atos forem praticados além dos limites legais do tados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios,
necessário, estaremos diante do abuso de poder. no âmbito de suas respectivas atribuições, têm
A doutrina descreve o termo “abuso de poder” como como fato gerador o exercício regular do poder
as situações em que o agente público atua visando de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de
uma finalidade diversa daquela ligada ao interesse serviço público específico e divisível, prestado ao
público e situações nas quais a autoridade pratica um contribuinte ou posto à sua disposição.
ato que extrapola sua competência legal. Portanto, o “Art. 78. Considera-se Poder de Polícia atividade
termo abuso de poder é um gênero que contempla da administração pública que, limitando ou disci-
duas espécies, quais sejam: o desvio de finalidade e plinando direito, interesse ou liberdade, regula a
Questões
Número de acertos = ______ 27
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prática de ato ou abstenção de fato, em razão f) Em regra, tem natureza preventiva (ex: norma
de interesse público concernente à segurança, à geral e abstrata que proíbe desmatar área de pro-
higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da teção ambiental) e, excepcionalmente, repressiva
produção e do mercado, ao exercício de ativi- (ex: dissolver passeata tumultuosa).
dades econômicas dependentes de concessão
ou autorização do Poder Público, à tranquilidade ATENÇÃO para essas características e para os pontos destaca-

pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos dos em negrito.

individuais ou coletivos.”
Explicação da Lei Seca QUESTÃO - Analista do MP
O conceito do Poder de Polícia reúne os seguintes
O poder de polícia administrativa,
aspectos, são eles: a) atividade desempenhada pela que incide sobre as atividades, os bens e os próprios
Administração Pública que estabelece limitações indivíduos, tem caráter eminentemente repressivo.
à liberdade individual e à propriedade privada
Errado
dos particulares em prol do interesse coletivo;
b) regula a prática de ato ou a abstenção de fato,
contudo, em regra manifesta-se por intermédio de g) Indelegável: trata-se de poder de império do Es-
deveres negativos, criando obrigações de não fazer; tado que só pode ser delegado a pessoas jurídicas
c) manifesta-se por meio de atos normativos gerais de direito público. Entretanto, cumpre ressaltar que
e abstratos (ex.: regras municipais acerca do o exercício de atividades meramente materiais e de
direito de construir) e atos individuais (ex: licença fiscalização poderão ser delegadas a particulares;
e autorização); d) baseado na lei: a expedição de atos
h) Não gera indenização;
administrativos no exercício do Poder de Polícia deve
encontrar-se em conformidade com a lei. O Poder de Polícia apresenta os seguintes atributos:

Trata-se de poder que, assim como os demais, decorre a) Discricionariedade: nos casos de atividade de fis-
da supremacia geral do Estado que se aplica frente a calização desempenhada no exercício do Poder de
todos os particulares, sem a necessidade de demon- Polícia, a lei confere à Administração Pública certa
stração de qualquer vínculo de natureza especial. margem de liberdade entre agir ou não agir, agir
agora ou depois, atender um, dois ou três condiciona-
FICA A DICA
mentos, produzir este ou aquele efeito jurídico. Es-
Conforme a doutrina moderna, o Poder de Polícia pode ser sas situações exigem da autoridade administrativa um
entendido no sentido amplo e no sentido estrito. Em sentido
juízo de conveniência e oportunidade denominado mé-
amplo, o poder de polícia compreende todas as atividades
legislativas e executivas que limitem direitos individuais em
rito administrativo. Entretanto, destaca-se que existe
benefício da coletividade (ex: Código de Trânsito). Por sua a previsão legal de edição de atos vinculados decor-
vez, em sentido estrito, o Poder de Polícia engloba apenas rentes do exercício do poder de polícia. Ex.: Licença
os atos do Poder Executivo que tenham como escopo a – ato administrativo vinculado.
limitação dos direitos individuais.

2.1. CARACTERÍSTICAS DO PODER O atributo de discricionariedade do Poder de Polícia


DE POLÍCIA: é muito cobrado pelas provas!

a) Trata-se de atividade restritiva e preventiva – poder


negativo; b) Presunção de legitimidade: presumem-se legíti-
b) Possui, em regra, natureza discricionária. Con- mas as condutas da Administração Pública, ou seja,
tudo, alguns atos que decorrem do Poder de Polícia presume-se que essas condutas encontram-se em
estão vinculados aos termos da lei, como o ato de con- conformidade com o ordenamento jurídico. Trata-se
cessão de licença; de presunção relativa, ou seja, admitindo prova em
contrário.
c) Possui caráter liberatório: o Poder de Polícia
autoriza o exercício de uma atividade. Ex: c) Imperatividade: trata-se de atributo do ato ad-
autorização para dirigir; ministrativo que impõe a obrigatória submissão ao
ato a todos que se encontrem em seu círculo de
d) O Poder de Polícia é geral: destinado à generalidade
incidência. Ou seja, é o poder do Estado de impor
dos indivíduos;
obrigações ao particular unilateralmente, ainda que
e) Cria, em regra, obrigações de não fazer; o particular não concorde. Ex: limitação administrativa
28 Número de acertos = ______
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que estabelece um limite de altura aos prédios locali- No que se refere ao Poder de Polícia, cumpre destacar
zados a beira mar. a diferenciação entre Polícia Administrativa e Polícia
Judiciária, esta incide sobre pessoas que praticam
d) Exigibilidade/Coercibilidade: poder
ilícitos criminais e a Polícia Administrativa, por sua
que a Administração Pública possui de esta-
vez, refere-se à restrição de direitos individuais, uso
belecer obrigações ao particular, independ-
e gozo da propriedade privada para fins de alcançar o
entemente da autorização prévia do Poder
interesse público.
Judiciário, mediante a imposição do cumprimento da
medida através de meios indiretos de coerção, como
a multa. A coercibilidade torna o ato obrigatório. QUESTÃO CESPE 2019 PRF
FICA A DICA Constitui poder de polícia a atividade da adminis-
tração pública ou de empresa privada ou conces-
Conforme entendimento do STJ, o Poder Público, pode, inclu-
sionária com delegação para disciplinar ou limitar
sive, condicionar a liberação de veículo apreendido à quitação
direito, interesse ou liberdade, de modo a regular a
de multas de trânsito vencidas, como forma de constranger o
prática de ato em razão do interesse público relativo
condutor a pagá-las. Quanto a essa hipótese em específico,
à segurança.
merece relevância a Súmula 510 do STJ, que estabelece:“A
liberação de veículo retido apenas por transporte irregular Errado
de passageiros não está condicionada ao pagamento de
multas e despesa”
FICA A DICA

e) Autoexecutoriedade/Executoriedade: trata-se da Mas prof., a autoexecutoriedade exclui o direito à ampla


possibilidade em que a própria Administração executa defesa e contraditório?
É evidente que não! Em casos de situações de urgência, haverá
suas medidas. Esse atributo é mais específico e se
um contraditório diferido, no qual a Administração confere
exterioriza nos atos decorrentes do Poder de Polícia ao particular um momento posterior para a apresentação da
em que é determinado a interdição de atividades, sua defesa. Ex: digamos que a Administração interditou um
demolição de prédios prestes a ruir, apreensão e restaurante. Nesse caso, o dono do restaurante não teve
destruição de produtos deteriorados. O atributo da direito ao contraditório prévio à interdição (ato de urgência).
Entretanto, poderá, de forma diferida, apresentar a sua
autoexecutoriedade decorre de previsão legal ou de
defesa em momento posterior em observância ao princípio
uma situação de urgência. Ex.: reboque de veículo constitucional da ampla defesa
estacionado no meio da avenida. Nesse caso, tendo
em vista que o automóvel está bloqueando toda a via,
não cabe ao poder público apenas multar o motoris- * MACETE *
ta, essa não seria uma medida eficaz. Portanto, em ATRIBUTOS DO PODER DE POLÍCIA
razão da urgência e conforme previsão legal, o policial
de trânsito deve providenciar o reboque do veículo e DISCRICIONARIEDADE
AUTO executar a medida. IMPERATIVIDADE

QUESTÃO Defensor Público COERCIBILIDADE

A multa, como sanção resultante do exercício do Poder AUTOEXECUTORIEDADE


de Polícia administrativa, não possui a característica da
autoexecutoriedade.
POLÍCIA JUDICIÁRIA
Correto
Atua a partir da ocorrência do ilícito penal:
Por fim, o Poder de Polícia se manifesta mediante Polícia Civil e Federal.
atos preventivos (ex: licença para construir -> o poder
público previamente controla/fiscaliza as construções A polícia judiciária é preparatória para a futura
realizadas pelo particular no intuito de assegurar o atuação da jurisdição penal.
interesse público) e atos repressivos (Ex.: multa de
trânsito). Além disso, o referido Poder pode se mani- Incide sobre os indivíduos (aqueles a quem se
festar por meio de normas gerais (Ex.: norma que atribui a pratica do ilícito penal).
estabelece que em um determinado local é proibido
estacionar) ou atos individuais que atingem um in- Predominantemente repressiva.
divíduo especifico (ex: licença para construir). Ex.: punição de crimes.
Número de acertos = ______ 29
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decisórios ou atos que gozem de fé pública, mas


POLÍCIA ADMINISTRATIVA
tão somente a possibilidade de execução das ordens
Atua na prevenção e repressão do ilícito postas pelo ente público. Ex: a definição da veloci-
administrativo. dade máxima de uma determinada via é estipulada
mediante o exercício do Poder de Polícia desempen-
A polícia administrativa basta a si própria. hado por pessoas jurídicas de direito público, contudo,
a simples colocação de radar de velocidade na via é
ato material de mera execução que admite delegação
Incide sobre atividades, bens e
a empresas privadas.
direitos individuais.
Desse modo, a delegação abrange as atividades
Predominantemente preventiva. Ex.: imposição
materiais de execução, não havendo transferência de
de multas, advertências e suspensão de ativi-
qualquer prerrogativa para edição de atos decisórios
dades;
de legislação, tão somente a execução das ordens
2.2. DELEGAÇÃO DOS ATOS DE emanadas pelo poder público.
POLÍCIA Por fim, no que tange à possibilidade de delegação
O exercício do Poder de Polícia é considerado ativi- do Poder de Polícia, o Supremo Tribunal Federal,
dade típica de Estado e, portanto, será exercido por ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº
pessoas jurídicas de direito público que compõem a 1717, declarou que os conselhos reguladores de
Administração Direta ou a Administração Indireta. profissão possuem natureza jurídica de Autarquia,
uma vez que atuam no exercício do Poder de
Contudo, o STF, no final do ano de 2020, estabeleceu
Polícia ao estabelecer restrições ao exercício da
entendimento segundo o qual é possível existir dele-
liberdade profissional. Ex.: O médico que acabou de
gação dos atos do poder de polícia às pessoas jurídi-
formar não pode desempenhar atividade médica antes
cas de direito privado que integram a Administração
que tenha um registro no CRM (Conselho Regional de
Indireta, de capital majoritário público, que prestem
Medicina). Portanto, esse conselho está limitando o
exclusivamente serviço público de atuação própria
direito individual do médico de atuar no exercício de
do Estado. Entretanto, NEM TODA empresa estatal
sua profissão executando, portanto, o poder de polícia.
pode exercer o poder de polícia, SOMENTE aquelas
que prestem serviços públicos de atuação própria do FICA A DICA

Estado e em regime não concorrencial. Em regra, o exercício do Poder de Polícia compete ao ente
federado ao qual a Constituição outorgou a competência
para legislar sobre determinada matéria. Ex: compete priva-
DELEGAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA tivamente à União legislar sobre serviço postal (art. 22, V,
Atividades de consentimento, fiscalização e sanção de CF/88). Logo, a União detém competência para exercer o
polícia são passíveis de delegação a pessoas jurídicas de Poder de Polícia sobre essa atividade. Contudo, quando o
direito privado (que tenham capital majoritariamente públi- texto constitucional atribuir competência concorrente entre os
co e prestem serviço público) que integram a Administra- entes federados para legislar sobre o tema, também fará em
ção Pública Indireta. relação ao exercício do Poder de Polícia. Ex: nos termos do
art. 23, VII da CF/88, “É competência comum da União, dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios preservar as
EM RESUMO florestas, a fauna e a flora”

A partir de 2020 os atos de consentimento, fiscalização e san-


ção podem ser delegados às pessoas jurídicas de direito pri-
Uma questão controversa acerca desse tema refere-se
vado que integram a Administração Indireta, tenham capital
majoritariamente público e prestem exclusivamente serviço
à constitucionalidade das leis municipais que atribuem
público próprio do Estado e atuem em regime não concor- aos guardas municipais o poder de polícia de trânsito,
rencial. Entretanto, cabe destacar que os atos de legislação uma vez que o § 5º do art. 144 da CF/88 dispõe que
não podem ser delegados, pois decorrem de competências “às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a
constitucionais. preservação da ordem pública”. Contudo, o STF firmou
entendimento no sentido de que:
Além disso, destaca-se a possibilidade de delegação “É constitucional a atribuição às guardas munici-
de atividades meramente materiais de execução pais do exercício de poder de polícia de trânsito,
do Poder de Polícia ao particular, não se transfer- inclusive para imposição de sanções administrati-
indo qualquer prerrogativa para emissão de atos vas legalmente previstas. [....] O exercício daquele
não seria prerrogativa exclusiva das entidades
30 Número de acertos = ______
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policiais, a quem a Constituição outorgara, com TRADUÇÃO JURÍDICA


exclusividade, no art. 144, apenas as funções de “Como assim prof.?
promoção da segurança pública. Ademais, a fis- 1ª Etapa: norma de polícia estabelece a exigência de possuir
uma Carteira de Habilitação para dirigir (ORDEM DE POLÍ-
calização do trânsito com aplicação das sanções
CIA)
administrativas legalmente previstas, embora pu- 2ª Etapa: você é aprovado no exame e sua CNH é emitida
desse se dar ostensivamente, constituiria mero ex- (CONSENTIMENTO)
ercício de Poder de Polícia. Não haveria, portanto, 3ª Etapa: é constantemente realizada uma fiscalização para
verificar se você está, ou não, seguindo as regras de trânsito
óbice ao seu exercício por entidades não policiais.” ao dirigir (FISCALIZAÇÃO)
(STF. Plenário. RE 658570/MG, rel. orig. Min. Mar- 4ª Etapa: se porventura você descumprir as normas de trân-
co Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, sito você será multado (APLICAÇÃO DE PENALIDADES)
julgado em 6/8/2015, Informativo 793).
2.4. PRESCRIÇÃO DAS SANÇÕES
2.3. CICLO DO PODER DE POLICIA DE POLÍCIA
Conforme estudado acima, o Poder de Polícia é par- No que se refere à prescrição das sanções de polícia,
cialmente delegável e, segundo a doutrina majoritária, destaca-se que a Lei 9.873/99, em seu art. 1º, define
esse poder se divide em quatro ciclos de atividades: que:
1- ordem de polícia, 2- consentimento de polícia; “Prescreve em cinco anos a ação punitiva
3- fiscalização e 4- sanção de polícia.
5 da Administração Pública Federal, direta e
A ordem de polícia refere-se à imposição, pelo poder indireta, no exercício do Poder de Polícia,
público, de restrições ao particular que decorrem do objetivando apurar infração à legislação em vigor, con-
atributo da imperatividade (1ª etapa). O consentimento tados da data da prática do ato ou, no caso de infração
de polícia, por sua vez, refere-se às situações em que permanente ou continuada, do dia em que tiver ces-
o exercício de determinada atividade encontra-se sado” .
Explicação da Lei Seca
condicionada a concordância do poder público (2ª Contudo, a legislação prevê a possibilidade de
etapa -> ex: licença para construir). O 3ª etapa reflete a prescrição intercorrente, trienal, diante da inércia da
prerrogativa que o Estado possui de fiscalizar e con- Administração Pública no julgamento do processo
trolar as atividades que se encontram submetidas administrativo para fins de punir o particular em
ao poder de polícia, no intuito de verificar o cumpri- decorrência do descumprimento das imposições de
mento das ordens de polícia (ex: fiscalização de trân- polícia. De fato, conforme art. 1º, § 1º da referida Lei
sito, fiscalização realizada pela vigilância sanitária e nº 9.873/99 “Incide a prescrição no procedimento
etc). Por fim, o descumprimento das ordens de polícia administrativo paralisado por mais de três anos,
pelo particular pode ensejar a aplicação de penali- pendente de julgamento ou despacho, cujos autos
dades (4ª etapa). serão arquivados de ofício ou mediante requerimento
No que tange à delegação das atividades que decor- da parte interessada, sem prejuízo da apuração da
rem do Poder de Polícia, as etapas 2ª e 3ª seriam responsabilidade funcional decorrente da paralisação,
delegáveis a particulares que não fazem parte da se for o caso”. Saliente-se, ainda, que a prescrição da
Administração Indireta, tratam-se de atividades de ação punitiva será interrompida pela notificação ou
execução do Poder de Polícia. Contudo, os 1ª e 4ª eta- citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio
pas seriam indelegáveis em razão do fato de que de Edital, por qualquer ato inequívoco, que importe
decorrem do poder de império do Estado. apuração do fato, pela decisão condenatória recorrível
ou por qualquer ato que importe em manifestação
Cabe destacar, novamente, que as atividades de con-
expressa de tentativa de solução conciliatória no
sentimento, fiscalização e sanção de polícia são pas-
âmbito interno da administração pública.
síveis de delegação a pessoas jurídicas de direito pri-
vado (que tenham capital majoritariamente público e
prestem serviço público) que integram a Administração 3. PODER HIERÁRQUICO
Pública Indireta.
Trata-se de poder interno ligado à estruturação/organi-
zação da Administração Pública. A hierarquia pode
ser representada pelo símbolo da pirâmide que se
refere à estrutura das pessoas jurídicas da Adminis-

Número de acertos = ______ 31


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tração Pública Direta e Indireta, sendo que no cume para um órgão que se encontre hierarquicamente
dessa pirâmide encontra-se o Chefe do Executivo em posição inferior (delegação vertical) e para
(Presidente da República, Governador de Estado e órgão que se encontre no mesmo nível hierárquico
Prefeito municipal). A hierarquia pode se manifestar (delegação horizontal). Cumpre ressaltar que a
também verticalmente, através das relações de sub- delegação de competência é temporária e pode
ordinação e, horizontalmente, mediante atividades ser revogada a qualquer tempo pela entidade
de coordenação. delegante, sendo que o ato de delegação especificará
os poderes transferidos, limites, duração, objetivos
DELEGAÇÃO e etc.
X
AVOCAÇÃO FICA A DICA
Esses são os pontos mais cobrados atinentes a esse poder
Em regra, aplica-se a cláusula de reserva, ou seja, o agente
que delegou a medida permanecerá competente para edi-
Decorrem do poder hierárquico os seguintes deveres a tar os atos, apenas a ampliando a competência, mantendo-se
serem desempenhados pelo chefe da repartição públi- competente após a delegação conjuntamente com o agente
ca: dever de fiscalização, anulação e revogação delegado.
dos atos praticados pelo subordinado hierárquico,
delegação e avocação de competências. Entenda:
Avocação: refere-se à tomada de competência
Anulação: possibilidade de anulação/invalidação do
TEMPORÁRIA de um órgão hierarquicamente
ato administrativo pelo superior hierárquico. Ou seja,
inferior por um órgão hierarquicamente superior
quando verificada a prática de conduta ilegal por
temporariamente, diante de motivos devidamente
parte do subordinado, compete ao superior hierárquico
justificados. Portanto, trata-se de situação em que um
anular o ato administrativo. Nesse sentido, a súmula
órgão superior chama para a si a responsabilidade
nº. 473 do Supremo Tribunal Federal enuncia que:
de execução de uma atividade de competência do
“A administração pode anular seus próprios atos, órgão que se encontra em posição inferior (por conta
quando eivados de vícios que os tornam ilegais, disso, a avocação, necessariamente, terá de ser
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, vertical). Nesse caso, as atribuições não podem ser
por motivo de conveniência ou oportunidade, respeita- de competência exclusiva do órgão. Desse modo,
dos os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os enquanto a delegação pode ser vertical ou horizontal,
casos, a apreciação judicial.“ a avocação só pode ser vertical.
Revogação: ocorre quando a conduta realizada pelo FICA A DICA
subordinado é lícita, contudo, a escolha feita pelo
Conforme estabelece a Súmula nº 510 do STF, a responsab-
agente, dentro das margens de discricionariedade, ilidade pela prática do ato é atribuída àquele que praticou
não foi a mais interessante para fins de alcançar o a medida e não ao agente que delegou a competência.
interesse público. Nesse caso, a medida poderá ser Portanto, o ato praticado por delegação deve ser considerado
revogada pelo superior hierárquico, gerando efeitos como praticado pelo agente delegado.
ATENÇÃO: Enquanto a delegação pode ser vertical ou hori-
ex nunc (efeitos que não retroagem à data de edição
zontal, a avocação, necessariamente, terá de ser vertical,
do ato). pois ocorre quando o superior chama para si a responsabili-
dade de um subordinado.
* MACETE *
Características do Poder Hierárquico: SODA TRADUÇÃO JURÍDICA
S UBORDINAÇÃO
“Como assim prof.?
O RDEM Gabriela delegou competência para um subordinado seu “Tia-
D ELEGAÇÃO go” que praticou uma besteira causando um dano a “Camila”,
A VOCAÇÃO que impetrou Mandado de Segurança contra a autoridade
coatora que, no caso, é o Tiago. Desse modo, aquele que pra-
Delegação: trata-se da transferência/ampliação ticou o ato é o responsável pela conduta (aquele que recebeu
a competência mediante delegação). Além disso, cabe RES-
TEMPORÁRIA de competências de um órgão para
SALTAR que a Gabriela nunca faria uma besteira! Nunca né
outro órgão, ou seja, determinação de que a atividade pessoal!!
a ser exercida por um órgão será implementada por
outro (ampliação da competência). A delegação será
Cumpre salientar que a lei, expressamente, proíbe a
realizada mediante a transferência de competências
delegação de competência e consequentemente, a
32 Número de acertos = ______
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avocação, nas três situações a seguir descritas: a seguir as decisões tomadas pelos juízes superiores,
salvo no que se refere às Súmulas Vinculantes.
• Competência exclusiva definida em DECORE!
lei; CAI EM FICA A DICA
• Decisão de recurso hierárquico; PROVA! Não há hierarquia entre os poderes Executivo, Legislativo e
• Edição de atos normativos. Judiciário. Contudo, há a manifestação do Poder Hierárquico
no âmbito interno de cada uma desses poderes, haja vista
3.1. SUPERVISÃO MINISTERIAL a distribuição interna de competências entre órgãos nessas
entidades e o fato que esses poderes exercem função admin-
No que tange ao poder hierárquico, cumpre diferenciar istrativa ainda que atipicamente.
o controle hierárquico desempenhado entre os órgãos
no âmbito interno de uma pessoa jurídica e o controle 4. PODER DISCIPLINAR
ministerial/finalístico realizado pela Administração
Pública Direta frente aos atos editados pela Ad- Trata-se do poder que a Administração Pública utiliza
ministração Pública Indireta. Conforme estudado, o para fins de aplicar sanções a todos àqueles
referido controle, ao contrário do controle hierárquico, que possuem vínculo de natureza especial com
não envolve a revisão de atos, avocação e delegação o Estado, como os servidores públicos e os
de competências, restringindo-se tão somente a veri- particulares que celebraram contratos com o
ficar se a referida entidade cumpre a finalidade Poder Público. Trata-se, como próprio nome já diz,
pela qual foi criada. Nesse sentido, dispõe o art. 19 de poder punitivo/sancionatório -> disciplinar.
do Decreto-Lei n.200/67:
O Poder Disciplinar consiste em um sistema punitivo
* MACETE * interno, não permanente, que irá se manifestar
Atos que não admitem delegação somente quando o servidor cometer uma falta funcional
ou quando particular descumprir as obrigações
CE Competência Exclusiva
contratuais e, por isso, não se pode confundir este
NO Edição de Atos Normativos poder com o sistema punitivo exercido pela justiça
RA Decisão de Recurso Administrativo penal, muito menos com o exercício do Poder de
Explicação da Lei Seca Polícia.
“Art. 19. Todo e qualquer órgão da Administração Trata-se de um dever vinculado, ou seja, caso veri-
Federal, direta ou indireta, está sujeito à super-
ficada a ocorrência de uma infração, a Administração
visão do ministro de Estado competente, excetu-
será obrigada a punir o agente. Deve-se destacar que,
ados unicamente os órgãos mencionados no art.
32, que estão submetidos à supervisão direta do antes da aplicação de qualquer penalidade decorrente
Presidente da República”. desse poder, há SEMPRE a necessidade de instau-
ração do devido processo legal administrativo no qual
Destaca-se que a referida vinculação decorre da cri-
seja assegurado o direito ao contraditório e a ampla
ação, por meio de lei, das entidades descentralizadas
defesa.
do Poder Público (ex: Autarquias, Fundações e etc).
Cumpre ressaltar que, a despeito do fato de que não Entretanto, é importante asseverar que parte da dout-
há subordinação e hierarquia entre esses entes, em rina entende que esse poder tem como característi-
casos excepcionais e conforme previsão legal especí- ca a discricionariedade, que se encontra limitada à
fica, admitir-se-á a interposição de recurso contra de- extensão da sanção. Nesse sentido, a autoridade
cisão de entidades da Administração Pública Indireta administrativa poderá definir, segundo a margem de
endereçado à Administração Direta, denominado re-
liberdade conferida pela lei, a intensidade da sanção
curso hierárquico impróprio, estudado em tópico
a ser aplicada em conformidade com a gravidade da
anterior.
infração. Ex: a penalidade de suspensão ao servidor
A hierarquia refere-se à característica ligada à função deve ser aplicada por até 90 dias. Ou seja, a suspen-
administrativa do Estado, exercida tipicamente pelo são pode ser aplicada por 60 dias, 70 dias, 80 dias, fi-
poder executivo e, atipicamente, pelos demais poderes. cando a critério do agente público definir a intensidade
No que tange à função legislativa desempenhada pelo da penalidade a ser aplicada.
Estado, destaca-se que a repartição de competências
no âmbito desse poder decorre do texto constitucional e
no que diz respeito ao Poder Judiciário cumpre ressaltar
que vigora o livre convencimento, independência e
imparcialidade do juízo, não estando o juiz vinculado
Número de acertos = ______ 33
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FICA A DICA
ATENÇÃO para os pontos abaixo:
• Sistema punitivo interno (não permanente) àqueles que pos- • A punição administrativa pelo ilícito praticado pelo agente
suem um vínculo de natureza especial com o Estado; público não impede que haja responsabilização, pelo
• Característica: discricionariedade; mesmo fato, na esfera penal e na esfera civil. Ou seja,
• Dever vinculado: caso for verificado a ocorrência da in- aquela mesma infração administrativa pode ensejar um
fração, a Administração será obrigada a punir o agente; dano, desencadeando a responsabilização civil, e pode ser
• Aplicação de penalidade carece de instauração de processo enquadrada como um crime, ensejando a responsabilização
administrativo (ASPECTO MAIS COBRADO) penal. Em regra, as referidas instâncias são independentes.
Entretanto, o ordenamento jurídico, seguido pela
jurisprudência dos tribunais superiores, estabelece que a
TRADUÇÃO JURÍDICA absolvição criminal que decorra da inexistência do fato
“Como assim prof.? ou negativa de autoria enseja a absolvição do agente nas
Veja esses exemplos: demais esferas. Além disso, a condenação na esfera penal
implica na responsabilização nas outras esferas.
Paola verificou indícios que Carlos Daniel (seu subordinado) • O poder disciplinar pode incidir sobre o servidor aposentado
está exercendo atividade incompatível com seu cargo e horário – aplicação da penalidade de cassação aposentadoria -
de trabalho. Nesse caso, Maria tem escolha para fazer “vista sanção aplicada aos servidores públicos que encontram-se
grossa” e “fingir que não viu?” NÃO. Maria tem o DEVER VIN- aposentados ou em disponibilidade e que tenham cometido,
CULADO de instaurar um processo administrativo disciplinar. em atividade, infrações puníveis com demissão.
Será, então, instaurado o processo e, se constatada a culpa, • O Poder Hierárquico é um poder interno da Administração,
a punição será aplicada (DEVER VINCULADO). Entretanto, no assim como o Poder Disciplinar. Contudo, cabe diferenciar
que tange à definição acerca de “qual punição será aplicada, ou que o Poder Hierárquico é exercido permanentemente pela
qual a severidade da mesma (se suspensão ou multa)” depende Administração Pública e o Poder Disciplinar, por sua vez, é
exercido somente em situações episódicas quando for
A referida discricionariedade está presente, também, evidenciado irregularidade/descumprimento do servidor
quando estamos diante de conceitos jurídicos inde- público ou pelo particular contratado.
terminados. Trata-se de conceitos legais que carecem
de uma valoração/interpretação do poder público. FICA A DICA

TRADUÇÃO JURÍDICA
“Como assim prof.? O poder de polícia é o poder que a Administração possui para
Determinada norma estabelece que o policial deverá conter restringir o exercício de liberdades individuais, o uso, gozo
“tumulto”. Mas peraí, o que é tumulto? Tumulto para mim é uma e a disposição da propriedade privada, sempre na busca
grande confusão com umas 100 pessoas, brigando, gritando. do interesse público. Ex: todos estão sujeitos ao cumprimento
Entretanto, para a minha avó, tumulto é uma discussão que das normas de trânsito. O Poder Disciplinar, por sua vez,
envolve três pessoas. Nesse caso, para ela, estaríamos diante consiste em um sistema punitivo interno, não permanente,
de um grande tumulto. Você consegue perceber que o mesmo que irá se manifestar somente quando o servidor cometer uma
termo “tumulto” é entendido de forma diversa? Portanto, falta funcional ou quando particular descumprir as obrigações
quando o agente público está diante de um conceito jurídico contratuais. O Poder de Polícia aplica-se à todos os cidadãos
indeterminado, o mesmo deve interpretá-lo fazendo uso da e o Poder Disciplinar, por sua vez, atinge apenas aqueles que
margem de discricionariedade/liberdade que possui para fins de possuem vínculo de natureza especial com o Estado.
definir qual é a melhor conduta a ser adotada no caso concreto. A aplicação de penalidade de advertência ao servidor refere-se
ao exercício dos poderes hierárquico e disciplinar. Destaca-se
que a aplicação de penalidades implica na instauração prévia
Convém destacar que o exercício do poder punitivo de processo administrativo disciplinar no qual será assegurado
decorrente do Poder Disciplinar não está limitado pela o contraditório e a ampla defesa.
rígida tipicidade fechada, como ocorre no Direito Pe- Exemplificando o Poder Disciplinar:
nal. Em outras palavras, o Direito Administrativo ad- Jorginho é chefe do setor de contabilidade da Administração
Pública. Certo dia, juntou indícios de que um de seus subordi-
mite tipos abertos, ou seja, a descrição da conduta in-
nados estava exercendo atividade incompatível com o seu car-
fracional pode se valer de elementos genéricos. go e horário de trabalho. Nesse caso, Jorginho DEVE instau-
Destaca-se, por fim, que nem toda penalidade decorre rar um processo administrativo disciplinar contra o funcionário
(DEVER VINCULADO). Constatada a culpa, a Administração
do Poder Disciplinar, uma vez que estão sujeitos ao
deverá puni-lo, aplicando as penalidades disciplinares. Nesse
Poder Disciplinar somente aqueles que possuem um ponto, insta ressaltar que a Administração terá DISCRICION-
vínculo especial com a Administração Pública (disci- ARIEDADE para definir qual punição será aplicada e, quando
plina interna da Administração). O vínculo é o que houver conveniência para o servidor, a penalidade de suspen-
justifica a aplicação da pena. são poderá ser convertida em multa.

34 Número de acertos = ______


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5. PODER NORMATIVO E PODER Conforme estudado, a Administração Pública não


REGULAMENTAR poderá criar, por força própria, obrigações que
não tenham sido previstas em lei. Destaca-se,
Trata-se do poder que a Administração Pública possui novamente, que o exercício do Poder Normativo se
para expedir atos normativos gerais e abstratos que dará secundum legem, ou seja, em conformidade
valem para uma série de pessoas indeterminadas, com o conteúdo da lei e nos limites que esta impuser.
gerando efeitos erga omnes. O Poder Normativo não Portanto, esse poder será desempenhado com
se refere à inovação no ordenamento jurídico, uma vistas a clarificar/facilitar a fiel execução da lei, isto
vez que a competência para inovar no ordenamento é, o ato normativo irá minudenciar o texto legal.
jurídico pertence ao Poder Legislativo, refere-se tão Nesse sentido, dispõe o art. 84, IV da CF:
somente a possibilidade de edição de atos normativos
“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da
com caráter infralegal. Explicação da Lei Seca República: (...) IV – sancionar, promulgar e fazer publicar
De fato, o artigo 5º, II da CR/88 traz a seguinte redação: as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para
“Art. 5º (...) II – ninguém será obrigado a fazer ou sua fiel execução.” Explicação da Lei Seca
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de Tal competência constitucional descrita acima se es-
lei;” tende por simetria aos Governadores e Prefeitos.
Portanto, o Poder Normativo será exercido para fins de FICA A DICA
edição de normas complementares à lei, elaborados
secundum legem, ou seja, seus atos são inferiores a
lei, minudenciando e clarificando os seus termos. Em razão do princípio da separação dos poderes, o
Congresso Nacional pode sustar os atos do Poder Executivo
TRADUÇÃO JURÍDICA que exorbitem o poder regulamentar conforme estabelece
“Como assim prof.? o artigo 49, V da CR/88. Além disso, o Poder Judiciário,
quando provocado, pode exercer o controle de legalidade das
A lei de drogas é um consagrado exemplo de lei penal em medidas administrativas, o que abrange os atos normativos.
branco, isto é, que precisa de complemento de um outro ato
normativo para a sua completa execução. Portanto, a referida
lei estabelece a vedação ao tráfico de drogas, contudo, não ATENÇÃO!
especifica quais seriam as substâncias entendidas como dro- ESSE PONTO É MUITO COBRADO
ga. Nesse sentido, um ato normativo é editado pelo executivo
em complementação à referida lei, conceituando quais seriam
as substâncias qualificadas como “droga”. 5.1. ESPÉCIES DE REGULAMENTOS
- REGULAMENTOS ADMINISTRA-
A expressão regulamentar tradicionalmente era TIVOS DE EXECUÇÃO E AUTÔNO-
entendida como sinônimo de Poder Normativo, MOS
contudo, modernamente a doutrina estabelece
que não se tratam de sinônimos uma vez que o Poder Conforme estabelece o artigo 84 da Constituição Fed-
Normativo refere-se à edição de diversos atos (De- eral:
creto, Portaria, Resolução) e o Poder Regulamentar, “Art. 84. Compete privativamente ao presi-
por sua vez, seria o poder de editar regulamento dente da República: (...) VI dispor, mediante
cuja forma é o Decreto (veículo do regulamento), sendo decreto, sobre: organização e funcionamento
este ato privativo do chefe do Executivo. Portanto, para da administração federal quando não implicar
a doutrina moderna, o Poder Regulamentar (espécie do aumento de despesa nem criação ou extinção
Poder Normativo) encontra-se inserido em uma catego- de órgãos públicos.”
ria ampla denominada Poder Normativo. Este último in-
Conforme estudado, o Poder Executivo poderá editar
clui a edição de regimentos, deliberações, portarias, etc.
decretos para a fiel execução da lei, haja vista que
Contudo, para fins de Concurso Público, vocês verão
compete ao Poder Legislativo inovar no ordenamento
que diversas vezes os termos ainda são usados como
jurídico (regulamentos executivos). Entretanto, segun-
sinônimos.
do preceito constitucional transcrito, o chefe do Poder
FICA A DICA Executivo poderá, nessa hipótese específica descrita
O regulamento é o ato normativo e o decreto é a forma do
no artigo acima, editar decretos que dispõem sobre
ato. Destaca-se que o regulamento é um ato privativo do a organização e funcionamento da administração
Chefe do Poder Executivo. Em outras palavras, podemos federal em SUBSTITUIÇÃO À LEI. Trata-se de De-
dizer que o Regulamento é expedido através do decreto. creto substituto da lei, tendo em vista que são editados

Número de acertos = ______ 35


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sem contemplar lei anterior. EM RESUMO

ATENÇÃO -> Os decretos editados para clarificar O Regulamento Executivo é editado para fins de facilitar/com-
plementar o conteúdo da lei, sem inovar no ordenamento juríd-
e garantir a fiel execução da lei são denominados
ico. Ex: a Constituição Federal estabeleceu a obrigatoriedade
REGULAMENTOS EXECUTIVOS, atos estes que não
de realização do procedimento licitatório nas compras públicas
inovam no ordenamento jurídico e foram estudados no (NORMA SUPREMA DO ESTADO) ->a Lei 8.666/93 então
tópico acima. Contudo, os regulamentos previstos estabeleceu as normas acerca do procedimento licitatório (LEI
no art. 84, VI são editados em substituição à lei, ORDINÁRIA) -> e então o Decreto 7.892/2013 detalhou o sis-
denominados REGULAMENTOS AUTÔNOMOS. tema de registro de preços (REGULAMANTO EXECUTIVO).
Esses últimos estabelecem normas sobre matérias O Regulamento Autônomo, noutra medida, tem a função de
substituir a lei, inovando no ordenamento jurídico. Contudo, o
não disciplinadas em lei.
referido decreto autônomo que inova no ordenamento jurídico
Devemos lembrar que os referidos regulamentos trata EXCLUSIVAMENTE acerca da organização e funciona-
autônomos serão editados para tratar unicamente mento da Administração e extinção de funções ou cargos
públicos quando vagos.
sobre organização e funcionamento da
Administração Pública quando não implicar em 6. PODER VINCULADO E PODER
aumento de despesa, nem criação ou extinção de
órgãos públicos.
DISCRICIONÁRIO
Ao longo do estudo do Direito Administrativo em diver-
Ademais, conforme estudado em tópico anterior, a
sas ocasiões foram utilizados os termos “vinculado” e
competência para edição de regulamentos executivos
“discricionário”. Desse modo, cabe definir de uma for-
é matéria INDELEGÁVEL, entretanto, o parágrafo úni- ma mais detalhada os mencionados poderes.
co do art. 84 da Constituição Federal 1988 estabelece
a possibilidade de: O Poder Vinculado será utilizado pela Administração
nas situações em que a atuação estatal esteja es-
“O presidente da República poderá delegar as tritamente vinculada aos termos da lei. Ou seja,
atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, nesse caso o gestor público deve tão somente seguir
primeira parte, aos MINISTROS DE ESTADO, AO os mandamentos legais, e não há qualquer margem de
PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA OU AO discricionariedade ou liberdade de atuação conferida
ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO, que observarão os ao agente. Ex: o procedimento licitatório que ante-
limites traçados nas respectivas delegações.” cede a contratação de uma empresa Concessionária
Destaca-se, ainda, que pelo Princípio da Simetria de serviço público DEVE (atuação vinculada) ser reali-
Constitucional, os Chefes do Poder Executivo em zado mediante a modalidade concorrência. Portanto,
a lei encarrega-se de prescrever, com detalhes, quan-
âmbito municipal e estadual também podem editar
do e como a Administração deve agir, determinando
Regulamentos Autônomos.
claramente os elementos e requisitos necessários
FICA A DICA para a prática de tais atos.

Os Regulamentos Executivos produzem atos normativos de


O Poder discricionário, por sua vez, é aquele poder no
cunho primário ou secundário? Conforme estudamos, os atos qual a Administração fará uso diante de uma situação
normativos executivos possuem cunho secundário, uma vez em que foi conferida ao agente público uma margem
que decorrem das leis, não inovando em nosso ordenamento de liberdade (mérito administrativo -> conveniência e
jurídico. Entretanto, em se tratando de regulamento autôno- oportunidade) para decidir a atuação mais adequada
mos, como não existe uma lei prévia, este se caracteriza um que esteja voltada a atender o interesse público. Ex:
ato originário e irá inovar no ordenamento jurídico. concessão de autorização de porte de arma a um de-
terminado cidadão (a Administração PODE, OU NÃO,
conceder a autorização -> há uma margem de liber-
dade).
Conforme estudado, a discricionariedade está pre-
sente dentro das margens de liberdade conferida
pela lei ao agente público. Entretanto, também eviden-
ciamos discricionariedade quando estamos diante de
“conceitos jurídicos indeterminados”. Os mencionados
conceitos são aqueles termos que possuem alta carga
de subjetividade. Vejamos, por exemplo, o art. 132 da
Lei 81112/1990 que assim dispõe: “A demissão será
aplicada nos seguintes casos: V - conduta escanda-

36 Número de acertos = ______


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losa na repartição.” Mas o que seria conduta escan- Súmula Vinculante n. 5: A falta de defesa técnica por
dalosa, para a minha avô beijar na boca em público é advogado no processo administrativo disciplinar não
conduta escandalosa e para você? “Prof. para mim ta ofende a Constituição.
de boa” (ow, endoidou? ta falando no meu livro!!! Aqui
quem fala sou eu! rsrsrs)
Brincadeiras a parte, esse é um conceito que carece Clique aqui para os esquemas
de um certo grau de “interpretação pessoal” do agente
público. Portanto, nessa situação também estamos
diante do atributo de discricionariedade, na medida
em que a autoridade pública precisa analisar o caso
concreto para verificar se está, ou não, diante de uma
situação de “conduta escandalosa”.
Súmulas do STF
Súmula n. S5: Militar da reserva está sujeito a pena
disciplinar.
Súmula n. 56: Militar reformado não está sujeito a
pena disciplinar.
Súmula n. 397: O poder de polícia da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, em caso de crime
cometido nas suas dependências, compreende, con-
soante o regimento, a prisão em flagrante do acusado
e a realização do inquérito.
Súmula n. 419: Os municípios têm competência para
regular o horário do comércio local, desde que não in-
frinjam leis estaduais ou federais válidas.
Súmula Vinculante 5: A falta de defesa técnica por
advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a Constituição.
Súmula n. 473: A administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os tor-
nam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportuni-
dade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada,
em todos os casos, a apreciação judicial.
Súmula n. 645: É competente o município para fixar
o horário de funcionamento de estabelecimento com-
ercial.
Súmula n. 646: Ofende o princípio da livre concorrên-
cia lei municipal que impede a instalação de estabelec-
imentos comerciais do mesmo ramo em determinada
área.
Súmula n. 649: É inconstitucional a criação, por Con-
stituição Estadual, de órgão de controle administrativo
do Poder Judiciário do qual participem representantes
de outros poderes ou entidades.
Súmula n. 674: A anistia prevista no art. 8º do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias não alcança
os militares expulsos com base em legislação discipli-
nar ordinária, ainda que em razão de atos praticados
por motivação política.

Número de acertos = ______ 37


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V. PODERES ADMINISTRATIVOS
RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

O Poder de Polícia estabelece limitações à liberdade individual e à propriedade privada


dos particulares em prol do interesse coletivo. Em regra, manifesta-se através de deveres
negativos, criando obrigações de não fazer;
O Poder de Polícia tem natureza preventiva e, excepcionalmente, repressiva.

O exercício do Poder de Polícia é considerado atividade típica de Estado e, portanto,


somente poderá ser exercido por pessoas jurídicas de direito público, salvo no que
diz respeito às atividades meramente materiais que podem ser delegadas a pessoas
jurídicas de direito privado.

Exigibilidade/Coercibilidade é o atributo que a Administração Pública possui de


estabelecer obrigações ao particular, por meio de meios indiretos de coerção.

Autoexecutoriedade/Executoriedade: Consiste na possibilidade em que a própria


Administração executa suas próprias medidas, impondo aos particulares, de forma
coativa (situações de urgência e conforme previsão legal).

Poder Hierárquico representa a relação de coordenação e subordinação entre órgãos


dentro da mesma pessoa jurídica. Tem como características: revisão de atos, delegação
e avocação competências, edição de atos normativos de efeitos internos e distribuição
competências internas.

O Poder Disciplinar trata do poder que a Administração Pública possui para aplicar
punições a todos àqueles que possuem vínculo de natureza especial com o Estado.

O Poder Normativo trata-se do poder que a Administração Pública possui para expedir
atos normativos gerais e abstratos (secundum legem) que valem para uma série de
pessoas indeterminadas, gerando efeitos erga omnes. Clarificar/facilitar a fiel execução
da lei. O Poder Regulamentar é o poder de editar regulamento, cuja
forma é o Decreto, sendo este ato privativo do Chefe do Executivo.

Em razão do princípio da separação dos poderes, o Congresso


Nacional pode sustar atos do Poder Executivo que exorbitem o poder
regulamentar segundo o artigo 49, V da CR/88.

TOTAL 75%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
V. PODERES ADMINISTRATIVOS

Art. 77. CTN: As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municí-
pios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder
de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao
contribuinte ou posto à sua disposição. 1a4
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspon-
dam a impôsto nem ser calculada em função do capital das emprêsas. (Vide Ato Complementar nº
34, de 1967)

Art. 78 CTN: Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão
de intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da
produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos 5 a 132
individuais ou coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966)
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo
órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de
atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

Art 1º, Lei 9.873/99 Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal,
direta e indireta, no exercício do Poder de Polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor,
133 a 136
contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em
que tiver cessado.

SÚMULA 473 STF


A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por mo- 137 a 177
tivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e res-
salvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Questões
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6- Ato administrativo: validade, 1.2. ATOS DA ADMINISTRAÇÃO


eficácia; atributos; extinção, desfa- Ato da Administração: Gênero
zimento e sanatória; classificação, Ato Administrativo: Espécie
espécies e exteriorização; vincu-
Deve-se destacar que nem todo ato jurídico praticado
lação e discricionariedade pelo poder público é um ato administrativo. Os
Clique aqui para a vídeo-aula denominados “atos da administração” referem-se a
PONTOS MAIS COBRADOS – Os tópicos Elemen- todos os atos editados pela Administração Pública
tos do Ato Administrativo, Atributos do Ato Ad- como, a título exemplificativo, os atos políticos, os atos
ministrativo e Extinção dos Atos Administrativos administrativos, os atos regidos pelo direito privado e
são os pontos mais cobrados nas provas de Con- etc. Ou seja, em algumas situações a Administração
curso Público. Pública poderá editar um ato cujas características
não traduzem o conceito de ato administrativo e não
encontra-se sujeito ao Regime Jurídico Administrativo,
1. ATO ADMINISTRATIVO como os atos regidos pelo Direito Privado. Ex.: doação
sem encargo.
Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, o ato ad-
Além disso, destaca-se que a prática dos atos ad-
ministrativo pode ser conceituado como a “declaração
ministrativos não se encontra restrita às medidas ex-
do Estado, ou de quem lhe faça as vezes, no ex-
aradas pela Administração Pública, uma vez que até
ercício das prerrogativas públicas, manifestada e
mesmo os particulares concessionários e permis-
diante providências jurídicas complementares da
sionários de serviço público poderão editar atos
lei a título de lhe dar cumprimento e sujeitas a con-
administrativos, caso tratar-se de medida editada
trole de legitimidade por órgãos jurisdicionais.”
no exercício da função pública/prestação de serviços
públicos.
1.1. ATO E FATO JURÍDICO TRADUÇÃO JURÍDICA
Ao iniciarmos os estudos acerca da temática atos ad- “Como assim prof.?”
A empresa concessionária de serviço público recebeu, me-
ministrativos faz-se imperiosa a diferenciação entre
diante delegação contratual, a competência para prestar
fatos e atos jurídicos. Em sucinta análise, os fatos ju- determinado serviço público. O exercício de prestar essa
rídicos referem-se a todo e qualquer acontecimen- atividade configura o desempenho de uma atividade admin-
to que é relevante para o Direito, podendo ser um istrativa, certo? Sim. Portanto, a despeito de tratar-se de
evento da natureza (morte do servidor público) ou um uma empresa privada que não faz parte da Administração
Pública, a mesma poderá editar atos administrativos, tendo
comportamento voluntário que deriva de atos adminis- em vista que, naquele momento, encontrava-se no exercício
trativos, atividade pública material de cumprimento de da função administrativa.
uma decisão administrativa.
Portanto, a grosso modo, podemos estabelecer que
ATENÇÃO ato da administração é um gênero que contempla as
O conceito do ato é MUITO cobrado, atenção para o Regime
várias espécies de atos praticados pela Administração,
Jurídico de Direito Público do ato administrativo e para o atos privados, atos políticos, os atos administrativos e
fato de as concessionárias e permissionárias também etc.
podem editar Atos Administrativos.
FICA A DICA

TRADUÇÃO JURÍDICA • Nem todo ato da administração é ato da administrativo;


“Como assim prof.?” • Nem todo ato administrativo é praticado pela Administração;
Fato jurídico: a queda de uma árvore, em virtude de uma
tempestade, sobre um veículo segurado trará consequências 1.3. ATOS POLÍTICOS
jurídicas caso esse sinistro estiver contemplado no contrato
celebrado entre o proprietário do automóvel e a seguradora. São atos praticados no exercício da função política de
Os atos jurídicos, por sua vez, decorrem de uma manifes- alta gestão do Estado, nos quais o poder público goza
tação de vontade, podem ser lícitos, caso tenham sido prati- de uma margem ampla de discricionariedade. Ex.:
cados em conformidade com os padrões legais estipulados, anistia presidencial, o veto de lei ou a declaração de
ou ilícitos, caso tenham sido conduzidos fora dos limites da
guerra. Podem exercer atos políticos os membros do
lei.

38 Número de acertos = ______


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Legislativo, Judiciário e Executivo.


Destaca-se que esses atos também estão sujeitos ao
controle de legalidade e de constitucionalidade. ATENÇÃO
caiu nas provas de Concurso para Auditor e
Defensor Público.
1.4. ATOS PRIVADOS O Ato Administrativo deve ser escrito, registrado e publicado, não
se admitindo no direito público o silêncio como forma de manifes-
Os atos privados são os atos tação de vontade da admi-nistração.
editados pela Administração Pública
Correto
que serão regidos pelo regime de
direito privado, ou seja, atos nos
quais a Administração Pública atua Cumpre ressaltar que o silêncio pode desencadear
sem as prerrogativas públicas, em pé de igualdade a manifestação de vontade da Administração nos
com o particular. A título exemplificativo podemos citar casos em que houver expressa previsão legal. A
os atos ligados à exploração de atividade econômica título exemplificativo cabe tratarmos acerca do direito
por empresas públicas e sociedades de economia de preempção no que tange à situação de alienação
mista, os atos de doação sem encargo, entre outros. de bens que encontram-se sujeitos ao direito de
preferência do Município. Nesse caso, o particular
deverá notificar a Administração acerca do seu inter-
1.5. ATOS LEGISLATIVOS esse em vender o bem, sendo que o poder público
Os atos legislativos são atos praticados pelo Poder Ex- poderá exercer o seu direito de preferência para fins
ecutivo no exercício da função atípica correlata à fun- de aquisição do imóvel. Caso o poder público não se
ção desempenhada pelo Poder Legislativo. Ex.: edição manifestar e se manter em silêncio durante 30 dias
de medida provisória pelo Presidente da República. contados da notificação, a inércia configurar-se-á
em manifestação de vontade negativa da Adminis-
tração.
1.6. ATO ADMINISTRATIVO
• Os atos administrativos possuem caráter infrale-
Segundo Maria Sylvia Zanella di Pietro, o ato admin- gal e complementar à lei: os atos administrativos
istrativo é a “declaração do Estado ou de quem o rep- encontram-se subordinados à lei e devem respeitar os
resente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com ditames do ordenamento jurídico - editados secudum
observância da lei, sob regime jurídico de direito legem;
público e sujeito ao controle pelo Poder Judiciário.”
• Com a finalidade de produzir efeitos jurídicos.
Para José dos Santos Carvalho Filho, por sua vez, o
Portanto, o ato administrativo pode ser conceituado
ato administrativo representa “a exteriorização da
como toda manifestação unilateral de vontade da
vontade dos agentes da Administração Pública ou
Administração Pública, consistente na emissão de
de seus delegatórios, nessa condição, que, sob re-
comandos complementares à lei, que tem por fim
gime de direito público, vise à produção de efeitos
resguardar, adquirir, modificar, extinguir e declarar
jurídicos, com o fim de atender ao interesse público.”
direitos ou impor obrigações aos administrados ou
Considerando a conceituação descrita acima, cumpre a si própria. Trata-se de ato expedido no exercício da
destacar algumas características do ato administrativo: função administrativa, com caráter infralegal, com a fi-
nalidade de produzir efeitos jurídicos, sob o regime de
• Manifestação de vontade expedida pelo ente es-
DIREITO PÚBLICO, ensejando manifestação de von-
tatal: os atos administrativos poderão ser editados pelo
tade do Estado ou de quem lhe faça as vezes.
Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário
e pelas concessionárias e permissionárias de serviço
público quando estiverem no exercício da função ATENÇÃO
administrativa. Em regra, o ato administrativo deve ser Esse é o ponto MAIS
escrito, registrado e publicado. Contudo, excepcional- cobrado na parte conceitual
mente, são admitidas formas alternativas de manifes-
tação de vontade (Ex.: semáforo, ordem de parada de O ato administrativo em sentido estrito reúne aspec-
um guarda de trânsito e etc.). tos que são de ordem material, subjetiva e formal. São
eles:
Número de acertos = ______ 39
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• Aspecto Formal – o ato administrativo será regido Desse modo, esse elemento não pode ser alterado
pelo Regime Jurídico de Direito Público e deve por vontade das partes ou do administrador públi-
ser editado em conformidade com a forma prevista co, haja vista que a competência é elemento do ato
no ordenamento jurídico. administrativo sempre VINCULADO, ou seja, mesmo
• Aspecto Material – o ato administrativo consiste diante de atos em que é conferido ao agente certa
na manifestação de vontade da Administração ca- margem de discricionariedade estabelecida em lei,
paz de produzir efeitos jurídicos concretos e vá- a competência para a edição do ato será vinculada.
lidos em uma dada situação. Dessa maneira, não há margem de escolha ao agente
• Aspecto Subjetivo – o ato administrativo em seu público no que tange à legitimidade para a prática da
aspecto subjetivo refere-se à manifestação de von- conduta, devendo esta encontrar-se definida em lei.
tade dos órgãos, agentes do Estado e particu- Destaca-se que o ato administrativo deve ser pratica-
lares concessionários e permissionários no do por um agente público, amplamente considerado.
exercício da função administrativa - existente Isso significa que a edição desses atos não se re-
em todos os Poderes da República de todas as stringe aos servidores públicos, mas a toda e qualquer
esferas federativas (Federal, Estadual Distrital e pessoa que atue em nome do Estado, sob regime
Municipal). jurídico de direito público, a qualquer título e ainda que
A conjugação dos aspectos formal, material e subjetivo sem remuneração.
compõe o conceito de Ato Administrativo em sentido Além disso, a competência administrativa para
restrito: manifestação de vontade da administração a pratica do ato administrativo é irrenunciável e
pública capaz de produzir consequências imedia- intransferível pelo agente público, em razão do
tas, jurídicas e concretas sobre a qual incide do princípio da indisponibilidade do interesse público, e
regime jurídico administrativo. é também imprescritível. Portanto, a competência
não se extingue com a inércia do agente público
2. ELEMENTOS OU REQUISI- no decorrer do tempo. Assim, ainda que o agente
TOS DO ATO ADMINISTRATIVO E não pratique as condutas a ele atribuídas, seja pela
não ocorrência dos pressupostos legais ou seja pela
SEUS VÍCIOS
simples inércia e descumprimento do dever de atuar,
A edição dos atos administrativos deve respeitar este não será penalizado com a perda de sua
os seguintes requisitos, quais sejam: competência, competência.
finalidade, forma, motivo e objeto.
MACETE
Excesso de poder e funcionário de fato são os dois vícios
MACETE
de competência mais cobrados. Lembrete: vícios sanáveis no
ELEMENTOS DO ATO
elemento competência são passíveis de convalidação. Para
Como Ficar Fortão?
convalidar é necessário ter FOCO!
Óbvio, Musculação!
As iniciais de cada palavra da frase acima são as iniciais dos São passíveis de convalidação os vícios sanáveis nos elementos
requisitos do Ato Administrativo FORMA e COMPETÊNCIA.
C (competência) + F (finalidade) + FO (de forma) + CO (de competência) = FOCO!
F (forma) + O (objeto) + M (motivo) Para convalidar vício sanável/relativo é preciso ter FOCO.

2.1. COMPETÊNCIA TRADUÇÃO JURÍDICA

O elemento competência refere-se às atribuições, “Como assim prof.?”


Imagine a situação em que você foi nomeada para ser delega-
deveres, poderes do agente público definidos em lei.
da de um município que tem 5.000 habitantes, cidade pacata
Cada carreira pública possui uma competência es- do interior de Minas Gerais (trem bão demais sô). Nessa cidade
pecífica, logo, quando o servidor exercer qualquer não ocorrem crimes, no máximo furto de galinha. Então você
atividade em desconformidade com a lei/estatuto da passou 10 anos sendo delegada e NUNCA prendeu ninguém
durante esse tempo. Aí eu te pergunto: em razão do decurso
carreira, o ato administrativo será ilegal em relação ao do tempo, sem fazer o uso dessa competência, você acaba
elemento competência. perdendo os poderes para prender um indivíduo que cometeu
um crime? NÃO, haja vista que a competência é imprescritível
Portanto, o elemento em exame será definido em Lei e não se extingue com o desuso.
ou em atos administrativos gerais, bem como, em
algumas situações, na própria Constituição Federal.
40 Número de acertos = ______
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Da mesma forma, como meio de evitar o descumpri- FICA A DICA


mento das normas postas, a competência é impror- A despeito da vedação da delegação da competência para
rogável, isto é, a competência não pode ser atribuída edição de atos normativos, o art. 84 da CF/88 estabelece a
ao agente público que praticou o ato para o qual possibilidade de delegação de algumas atribuições do Presi-
não tinha competência, mesmo nos casos em que dente da República para os Ministros do Estado, bem como
não há objeção de terceiros. para o Advogado Geral da União e Procurador Geral da
República (parágrafo único do art. 84 da Constituição Federal
TRADUÇÃO JURÍDICA 1988).
“Como assim prof.?”
Imagine a vida de um advogado recém-formado, assistente de Vícios relativos à competência
Desembargador, trabalhando feito cachorro e estudando para
Concurso Público. Vamos falar a verdade, aqui entre nós, ele O vício quanto ao elemento competência representa
está na m*!Ele trabalha, trabalha, trabalha e o Desembarga- um vício de legalidade. Em todos os casos abaixo,
dor, que vai no Gabinete só na parte da manhã, simplesmente verifica-se um vício. Vejamos:
assina o voto que ele escreveu, sem ao menos ler. Então, um
belo dia ele acordou revoltado, resolveu deixar de ser “trouxa” e • Usurpação de função: situação na qual o particu-
assinou um ato com o seu nome: “Fulano da Silva – Desembar- lar não investido em cargo público, emprego ou fun-
gador”. Peraí, ele tem competência para editar esse ato? NÃO. ção pratica o ato administrativo. Nesse caso, o Poder
Conforme estudado, a competência não pode ser atribuída ao
Público não possui ciência da atitude do usurpador,
agente público que praticou o ato para o qual não tinha com-
petência. Moral da história: o Desembargador se irritou com sendo este ato considerado inexistente.
ele e acabou exonerando o rapaz, agora ele está em um nível Essa conduta é considerada crime previsto no art. 328
abaixo da m*! kkkkkkkkkk (Pessoal, isso é uma brincadeira. Eu
do Código Penal, vejamos:
sei bem o que é ser concurseira, o que é ficar estudando horas
a fio. Eu sei bem. O esforço de vocês vai valer a pena! EU NÃO Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:
TENHO DÚVIDA!) Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
No que tange à impossibilidade de renúncia da com-
TRADUÇÃO JURÍDICA
petência conferida aos administradores públicos, o art.
11 da Lei 9.784/99 estabelece: “Como assim prof.?”
Imagina que um belo dia você acordou com o pé esquerdo e
Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce decidiu pegar um talão de multas falso, se vestiu de policial e
pelos órgãos administrativos a que foi atribuída saiu multando o carro de todo mundo (eu te entendo, concur-
como própria, salvo os casos de delegação e avo- seiro é tudo doido rsrsrs #jáfuiassim). Nesse caso, as multas
cação legalmente admitidos. são atos existentes? Produzem algum efeito perante o órgão
de trânsito? Não, é claro que não. Trata-se de ato inexistente
No que se refere a esse último aspecto, cabe assev- em razão de um vício GRAVE no elemento competência.
erar a possibilidade de delegação de competências
para a prática do ato. Conforme estudado, a delegação
é um ato temporário de ampliação de competências, • Excesso de poder: situação em que o servidor públi-
por meio da qual um indivíduo concede ao outro a co excede os limites de sua competência.
competência para editar uma medida, que pode ser
• Funcionário de fato/Função de fato: ocorre quando
revogada a qualquer tempo e não implica em renúncia
o servidor público encontra-se irregularmente investido
de competências.
no cargo, emprego ou função pública, mas age com a
Tal delegação é específica, ou seja, serão estabeleci- aparência de legalidade.
dos os limites de atuação do agente delegado, haja
vista que os atos de delegação genérica são nulos. TRADUÇÃO JURÍDICA
Ademais, salvo disposição em contrário, como regra “Como assim prof.?”
geral, presume-se a cláusula de reserva, ou seja, o Determinado servidor público já aposentado continua trabal-
agente delegante não transfere totalmente sua com- hando com aparência de legalidade e edita diversos atos ad-
petência para terceiro, apenas a amplia, mantendo- ministrativos. Nesse caso, conforme entendimento da doutrina
se competente após a delegação conjuntamente e jurisprudência, admite-se a convalidação/correção desse
vício relativo de competência, haja vista que o agente público
com o agente delegado.
estava atuando com aparência de legalidade e suas condutas
Cumpre asseverar que admite-se a atribuição da mes- são imputadas à pessoa jurídica na qual o mesmo encontra-se
ma competência para mais de um agente público, não inserido (funcionário de fato -> Teoria da Imputação Volitiva).
sendo possível a atribuição de determinada competên-
cia a um número ilimitado de agentes.
Número de acertos = ______ 41
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2.2. FINALIDADE 2.3. FORMA


A finalidade pública refere-se ao objetivo que se pre- A forma é o aspecto exterior que reveste o ato ad-
tende alcançar com a prática do ato administrativo. ministrativo e a exigência de tal requisito reside no
Tal como todos os outros elementos, sua definição é fato de que os atos administrativos decorrem de
sempre legal, portanto, a violação ao elemento finali- procedimento administrativo prévio.
dade ocorre sempre que a finalidade buscada pelo ato Assim, para que o ato seja válido devem ser atendi-
não traduzir aquela definida em lei. dos os critérios formais previamente definidos em lei.
Destaca-se o desrespeito às formalidades específicas
DESVIO DE PODER/FINALIDADE É MATÉRIA FACIL, QUE CAI
EM PROVA! definidas em lei não gera a inexistência da medida,
mas sim a sua ilegalidade.
NÃO PERCA ESSE PONTO!
Cumpre ressaltar que a forma escrita prevalece
FICA A DICA – ABUSO DE PODER: na maioria dos atos administrativos, uma vez que
gênero que contempla as espécies: esta forma prestigia o princípio da publicidade e
Desvio de Poder: vício de finalidade (também denominado permite o controle/transparência das medidas da
desvio de finalidade). O agente pratica o ato administrativo Administração. Entretanto, da mesma forma que se
para o qual tem competência, contudo, com o objetivo de exige a formalização para garantir a regular prática
atingir finalidade diversa do interesse público.
dos atos administrativos, deve-se ter em mente
Excesso de Poder: vício de competência: ao praticar o ato que a forma não configura a essência do ato, ou
administrativo, o agente público extrapola os limites de sua seja, trata-se tão somente de um mero instrumento
competência.
necessário para que a conduta administrativa alcance
Ressalta-se que em determinadas situações o ato é os seus objetivos. Nesse sentido, a doutrina costuma
praticado em conformidade com o interesse público, apontar o princípio da instrumentalidade das formas,
mas com desvio de finalidade específica da medida, dispondo que a forma não é essencial à prática do
como ocorre na situação em que o servidor público é ato, mas tão somente o meio, definido em lei, pelo
exonerado pelo seu superior que possui a intenção qual o poder público irá alcançar seus objetivos.
de puni-lo. Nesse caso, mesmo que o servidor tenha Por essa razão, em uma dada situação em que o ato
cometido alguma infração administrativa grave e que apresenta um mero vício de forma e encontra-se apto
a punição seja devida, o ato foi praticado de forma para alcançar a finalidade legal e atender ao interesse
viciada, uma vez que a exoneração se refere à hipótese público, o ato não será anulado, devendo operar-se a
de perda do cargo que não possui qualquer caráter convalidação/ratificação dos vícios.
punitivo, diferentemente do ato de demissão. Nessa TRADUÇÃO JURÍDICA
situação, o vício de finalidade é um vício de legalidade
“Como assim prof.?”
que irá ensejar a anulação do ato. No bojo de um processo administrativo disciplinar, a Admin-
istração deve notificar por escrito o agente público para que
Lembrem-se que, EM REGRA, o vício de finalidade
o mesmo se manifeste formalmente. Contudo, um dos mem-
não é passível de convalidação. Todavia, existem bros da comissão processante resolveu notificar o agente me-
exceções. No ato de desapropriação, caso houver o diante uma mensagem de WhatsApp. Isso está certo? Não, a
desvio da finalidade da específica mantendo-se a fi- forma correta não foi adotada -> vício de forma. Entretanto, o
agente, após receber a mensagem do WhatsApp, encamin-
nalidade genérica do ato, qual seja a busca pelo in-
hou a sua defesa.
teresse público, não haverá ilegalidade. Portanto, o ato, a despeito de ter sido editado em desconfor-
TRADUÇÃO JURÍDICA midade com a forma prevista em lei, alcançou a sua finali-
dade (assegurar a manifestação do agente público). Portanto,
“Como assim prof.?” nesse caso estamos diante de um vício de forma relativo, que
Após a efetivação da desapropriação de um terreno privado é passível de correção/convalidação, haja vista que o ato,
com o propósito de construir uma escola (finalidade específica ainda que viciado, alcançou a finalidade prevista.
do ato), o agente público decide construir um hospital naquele
espaço. Nesse caso, desde que a alteração da finalidade
do ato tenha o escopo de satisfazer o interesse público, Destaca-se que a forma é sempre um ELEMENTO
não haverá vício no ato de desapropriação, trata-se de VINCULADO, ou seja, não há margem de conveniên-
tredestinação lícita.
cia e oportunidade para o agente público definir a
Finalidade geral: interesse público
forma do ato, mesmo nos atos discricionários a forma
Finalidade específica: inicialmente construir a escola e depois encontra-se estabelecida em lei.
construir o hospital.

42 Número de acertos = ______


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FICA A DICA Ademais, cumpre ressaltar que a motivação integra


um dos elementos formais do ato administrativo, vez
• Vícios relativos a forma: o defeito sanável no elemento
forma torna o ato anulável, sendo possível a convalidação que representa a explicação, por escrito, da razão do
do vício de forma, em conformidade com o Princípio da Poder Público ter tomado as suas decisões.
Instrumentalidade das Formas. MACETE: para convali- TRADUÇÃO JURÍDICA
dar é preciso ter FOCO = FO (Forma) + CO (Competên-
“Como assim prof.?”
cia). Os vícios relativos nos elementos forma e competên-
Considere que, no exercício do poder discricionário, deter-
cia são passíveis de convalidação.
minado agente público indique os motivos fáticos que justi-
Contudo, em algumas situações, o vício de forma é in-
fiquem a realização do ato. Nessa situação, verificando-se
sanável, quando atinge diretamente o próprio conteúdo do
posteriormente que tais motivos não existiram, o ato adminis-
ato, como ocorre, por exemplo, nas situações em que foi
trativo deverá ser anulado
expedida uma Instrução Normativa declarando a utilidade
pública de um bem imóvel para fins de desapropriação. EXEMPLIFICANDO: Carlos foi exonerado do cargo em co-
Sabe-se que para desapropriar um bem a legislação exige missão que ocupava em razão da alegação de que a institu-
a edição de um decreto. ição precisava realizar um conte de verbas. Entretanto, no dia
• Silêncio administrativo: conforme estudado, o silêncio posterior à sua nomeação, Bruno foi nomeado para ocupar
não produz qualquer efeito, salvo as hipóteses em que a exatamente o lugar de Carlos. Nessa situação, verifica-se que
lei estabelece que a ausência de manifestação do Estado o motivo alegado é falso. Nessa medida, o ato de exoneração
implica em aceitação tácita de determinado fato ou até se torna viciado. O vicio no motivo -> enseja o vício no ato. .
mesmo negativa em razão do decurso de tempo.
Excepcionalmente admite-se a utilização de outras formas que TRADUÇÃO JURÍDICA
não sejam escritas. Ex: os agentes de trânsito emitem coman-
dos sonoros, um silvo breve significa “siga”, dois silvos significa
“Como assim prof.?”
A motivação pode ser uma motivação aliunde quando o ad-
“pare”.
ministrador justifica a prática do seu ato com base em uma
motivação anterior. EXEMPLICANDO: uma autoridade pode
No que se refere ao silêncio administrativo, nas situ- decidir editar um ato administrativo com base nos fundamen-
ações em que o poder público é omisso e descumpre tos apontados em um [Link]ção se torna viciado.
um dever legal, cabe controle pelo Poder Judiciário O vicio no motivo -> enseja o vício no ato. .
que poderá ser efetivado mediante a provocação de
qualquer interessado. Nesse sentido, o Poder Ju-
FICA A DICA
diciário pode determinar que o agente público pratique
o ato em conformidade com a lei. Trata-se de controle O ato administrativo editado, sem expor fundamentos de
fato e de direito que justifique a negativa do pedido feito à
de legalidade e não controle de mérito.
Administração, é um ato viciado –> vício no elemento forma. O
ato foi emanado sem o devido motivo, ou seja, não seguiu os
requisitos/forma legal prevista.
2.4. MOTIVO
O motivo é elemento importantíssimo e deve enca- No que se refere ao tema, em relação a concursos
beçar todo ato administrativo, uma vez que refere-se públicos, a súmula 684 do Supremo Tribunal Federal
ao fundamento jurídico que autoriza a prática do dispõe que “É inconstitucional o veto não motivado à
ato. Trata-se, portanto, de um elemento discricionário participação de candidato a concurso público.”
que confere certa margem de escolha ao agente públi-
co. Destaca-se que o motivo é o fundamento jurídico que
autoriza a pratica do ato administrativo e a motivação,
Cumpre ressaltar que a Teoria dos Motivos por sua vez, refere-se à exposição dos motivos do ato,
Determinantes define que os motivos apresentados estabelecendo uma fundamentação lógica entre a situ-
como justificadores da prática do ato administrativo ação descrita em lei e os fatos efetivamente ocorridos.
vinculam este ato e, caso as razões apresentadas
estejam viciadas, o ato será nulo. Ou seja, os motivos Vícios relativos ao motivo: inexistência ou falsidade
alegados pela Administração passam a integrar a do motivo.
conduta praticada e, caso esses sejam ilegais, o ato
restará viciado. Neste sentido, dispõe o art. 50, §1°, 2.5. OBJETO
da lei 9.784/99, que ‘’A motivação deve ser explícita, Todo ato administrativo quando praticado gera um
clara e congruente, podendo consistir em declaração efeito jurídico, que chamamos de objeto. O objeto é
de concordância com fundamentos de anteriores o efeito causado pelo ato administrativo, a conduta
pareceres, informações, decisões ou propostas, que, estatal, o resultado da prática do ato. Vícios relativos
neste caso, serão parte integrante do ato”.
Número de acertos = ______ 43
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ao objeto: vincular terceiros a deveres jurídicos impostos pela


Administração. Destaca-se que apenas os atos que
a) Objeto materialmente impossível: ato que prevê o
impõem obrigações gozam de imperatividade. Os
impossível. Ex.: Decreto proibindo a morte;
atos enunciativos e negociais não são revestidos de
b) Objeto juridicamente impossível: o resultado do imperatividade. Ou seja, a imperatividade é atributo
ato viola a lei, defeito este que torna nulo o ato. Ex.: o presente apenas nos atos administrativos que
ato que autoriza a pratica de crime. imponham restrições a direitos, não se aplicando aos
O objeto deve ser lícito (expedido em conformidade atos ampliativos de direitos. Ex: a concessão de uma
com a lei), possível, definindo uma situação viável de licença para construir não goza deste atributo, haja vista
fato e determinado ou determinável. tratar-se de concessão de um benefício concedido pelo
ente estatal diante de pedido do particular interessado.
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 3. Exigibilidade ou coercibilidade: trata-se da pos-
Competência, finalidade e forma: elementos vinculados; sibilidade de aplicação de punição, imposição de
Motivo e objeto: elementos discricionários; meios indiretos de coerção, para fins de coibir o par-
ATENÇÃO: no ato vinculado, TODOS os elementos são ticular a cumprir determinada medida do Poder Público
vinculados. Ex.: multa.
Nos atos discricionários, por sua vez,
a discricionariedade residirá nos 4. Autoexecutoriedade ou executoriedade: trata-se
elementos motivo ou objeto. da prerrogativa na qual a Administração, em uma de-
Exemplificando: A vigilância sanitária interditou um restaurante terminada situação de emergência ou em razão de
em virtude do risco iminente à saúde dos seus consumidores. expressa previsão legal, executa diretamente uma
Essa atuação da Administração Pública ensejou a abertura de medida fazendo uso de meios diretos, compelindo
um Processo Administrativo, que está seguindo os trâmites le- materialmente o particular a cumpri-la (independente-
gais. Nessa situação, qual é o objeto do ato administrativo? mente da intervenção do Poder Judiciário). Ex.: re-
Este é sempre a ação da Administração (verbo no infinitivo).
boque de veículo estacionado na calçada; apreensão
Nesse caso, o OBJETO do ato foi INTERDITAR. O elemento
de mercadorias contrabandeadas (execução material).
COMPETÊNCIA é demonstrado nos poderes que a vigilância
sanitária possui. O MOTIVO esta ligado ao risco eminente que Esse atributo não está presente em todos os atos ad-
a comida do restaurante representa para a população. A FI- ministrativos.
NALIDADE foi a interdição do local para fins de assegurar o
Cabe destacar que a autoexecutoriedade faz com que
interesse público, feita por meio de procedimento formal (FOR-
MA). Portanto, o objeto do ato é garantir a própria suspensão
o agente público não precise pedir para praticar o ato.
das atividades comerciais do estabelecimento (INTERDITAR)! Contudo, caso ocorram excessos pelo administrador,
existirá sim o controle judicial de legalidade. Lembre-
se: com a violação do princípio da razoabilidade (caso
3. ATRIBUTOS DO ATO ADMINIS- a medida adotada pelo agente público seja despropor-
TRATIVO cional) o ato se torna viciado, tornando-se passível de
1. Presunção de Legitimidade (validade do ato em anulação/controle judicial.
conformidade com a lei) e de Veracidade (verdade 5. Tipicidade (Maria Sylvia Zanella di Pietro): trata-
dos fatos): presume-se que os atos administrativos se do atributo que estabelece que para cada finalidade
são verídicos e foram praticados em conformidade a ser alcançada, a lei prevê a figura/espécie de ato
com a ordem jurídica. Desse modo, o ato possui administrativo determinado. Ou seja, esse atributo
capacidade de produção de efeitos enquanto não for está ligado ao respeito a cada espécie de ato administr-
decretada a sua invalidade pela própria Administração ativo. Trata-se de limitação ao agente público, para fins
ou pelo Judiciário. Destaca-se que se trata de uma de coibir a prática de atos não previamente estipulados
presunção relativa, podendo ser afastada diante de por lei. Ex: a desapropriação será declarada mediante
prova da ilegalidade do ato. Em decorrência desse Decreto -> o ato do tipo “Decreto” deve ser respeitado.
atributo, presume-se, até que se prove em contrário,
que os atos administrativos foram editados em
observância da lei.
2. Imperatividade: prerrogativa de que goza o ato
administrativo para impor obrigações ao particular
dentro dos limites da lei, independentemente da
vontade do administrado. Também denominado poder
extroverso do Estado, trata-se da capacidade de

44 Número de acertos = ______


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mente materiais e juridicamente irrelevantes;


A PATI e os ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO • Inexistência de fato: refere-se a àquilo que nunca
Patrícia (ou Pati para os íntimos) é uma menina cheia de ocorreu de fato;
atributos, muito rica e queridinha do papai sempre mandou
e desmandou na sua casa. Como uma legítima patricinha, 2. Validade: o requisito de validade trata acerca da
costuma ser chata e mimada. regularidade do ato, que decorre da conduta dos
Como ela é muito certinha, presume-se que ela sempre está agentes estatais em conformidade com os requisitos
agindo corretamente (1°). Manda na sua casa, impõe a sua estabelecidos pelo ordenamento jurídico. O juízo de
vontade...você já viu (4°). E quando os outros não fazem o que validade pressupõe a existência do ato. São pressu-
ela quer, ela costuma penalizar as pessoas, para fazer com
que os familiares cumpram suas ordens nas próximas vezes
postos de validade do ato administrativo a presença
(5°). Além disso, quando o que ela impõe é algo muito urgente, dos elementos: competência, motivo, objeto, forma e
e as pessoas não a obedecem, ela mesma vai lá e faz tudo finalidade.
(2°). Mas ela não faz tudo da “cabeça dela”, tudo que ela faz
está em conformidade com o regulamento da família, ela só 3. Eficácia: trata-se da aptidão do ato para produzir
toma as medidas que estão previstas nesse regulamento (3°). os efeitos desejados. Contudo, algumas situações
Vocês sabem quais são os ATRIBUTOS dessa patricinha? condicionam a geração dos efeitos do ato, tais como:
FÁCIL DEMAIS, está no nome dela PATrICia! “Como assim
prof?” Pessoal, são os mesmos atributos do ato administrativo, • Condição suspensiva: somente após aconteci-
olha só: mento futuro e incerto o ato passará a produzir
1° P resunção de legitimidade efeitos;
2° A utoexecutoriedade
• Termo inicial: o início da produção de efeitos do
3° T ipicidade (MSZP)
ato se dará após a ocorrência de evento futuro e
4° rI mperatividade
certo;
5° C oercibilidade ia
P A Tr I C ia (letras maiúsculas atributos do ato administrativo) • Termo final: o ato produzirá efeitos por determi-
E ai, decorou? nado tempo, até a data do termo final.
Os atos administrativos produzem efeitos próprios e
4. FASES DE CONSTITUIÇÃO DO impróprios. Os efeitos próprios são os efeitos típicos do
ato, sendo assim, o efeito principal de um ato de reinte-
ATO ADMINISTRATIVO – EXISTÊN- gração de um servidor público demitido ilegalmente é o
CIA, VALIDADE E EFICÁCIA retorno e provimento do servidor público demitido
injustamente aos quadros da Administração Públi-
Para que o ato administrativo produza efeitos regu-
ca. Entretanto, os atos podem, ainda, produzir efeitos
larmente no mundo jurídico, o mesmo deve passar
impróprios reflexos, efeitos que atingem situação/pes-
pelo cumprimento de algumas etapas de constituição
soas alheias àquela situação inicial.
necessárias, quais sejam:
TRADUÇÃO JURÍDICA
1. Existência: refere-se ao ciclo de formação do ato
administrativo. O ato torna-se existente e perfeito “Como assim prof.?”
A reintegração de servidor demitido ilegalmente ensejará a re-
quando editado por agente público no exercício da
condução do servidor que encontrava-se investido/ocupando o
função pública e preencher os requisitos de con- cargo, ou seja, a reintegração gera efeitos a terceiros alheios
teúdo, forma, objeto. Ex.: a folha não preenchida no ao ato.
talão de multas é ato inexistente (falta de conteúdo);
Nessa medida, o ato pode ser ato perfeito + válido +
o Decreto proibindo a morte é ato inexistente (exige o
eficaz (o ato completou seu ciclo de formação), ato
impossível); o ato administrativo trancado na gaveta é
perfeito + inválido + eficaz (o ato completou seu ciclo
ato inexistente; a promoção de servidor que já morreu
de formação mas é ilícito), ato perfeito + válido + inefi-
é ato inexistente em razão o objeto e etc.
caz (ato completou todo o seu ciclo de formação mas
A inexistência do ato administrativo pode se dar em não esta apto a produzir a efeitos e ato perfeito + invá-
razão de: lido + ineficaz.
• Inexistência administrativa: os atos não são Ademais, os atos poderão produzir o denominado
imputáveis aos agentes públicos no exercício da efeito prodrômico, efeito que enseja/impõe uma out-
função administrativa. Ex: atos praticados pelo ra atuação administrativa. Tal efeito está presente nos
usurpador de função. atos complexos que são formados pela manifestação
• Inexistência jurídica: refere-se aos atos mera- de vontade de mais de um órgão. Nesse caso, a mani-
festação de vontade do primeiro órgão impõe/obriga
Número de acertos = ______ 45
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a manifestação de vontade do outro órgão. Desse TRADUÇÃO JURÍDICA


modo, no momento de formação desses atos,
quando a primeira autoridade se manifestou surge “Como assim prof.?”
Quer dizer que o Poder Judiciário pode controlar o mérito
a obrigação de uma segunda autoridade também
administrativo? NÃO. O Poder Judiciário irá controlar os
fazê-lo. Esse efeito de quebra da inércia adminis-
LIMITES do mérito administrativo, em conformidade com a lei
trativa é o que chamamos de efeito podrômico. -> controle de legalidade.
Portanto, esse efeito surge antes do ato concluir seu Entretanto, destaca-se que o Poder Judiciário
ciclo de formação, consubstanciando-se em situ- poderá controlar a discricionariedade do ato
ação de PENDÊNCIA de alguma outra formalidade. A administrativo quanto aos limites de razoabilidade/
primeira manifestação de vontade enseja a obrigato- proporcionalidade da aplicação daquele ato (limites
riedade de uma segunda manifestação de vontade que do mérito estabelecidos na lei) e quanto ao eventual
ainda está pendente. Portanto, este efeito se configura desvio de finalidade praticado. Ou seja, caso o agente
com o dever da segunda autoridade de se manifestar público aplique a penalidade de demissão a um
quando a primeira já se manifestou. servidor que se ausentou no serviço por apenas um dia,
FICA A DICA tem-se a aplicação de uma sanção desproporcional à
O Ato Administrativo pode ser: gravidade do ato e, haja vista que tal determinação
a) Existente, válido e eficaz; ofende o princípio da razoabilidade (ilegalidade), a
b) Existente, inválido e ineficaz; mesma deverá ser anulada pelo Judiciário.
c) Existente, válido e ineficaz;
d) Inexistente: atos que não produzem efeitos jurídicos na Cumpre ressaltar que o controle realizado pelo Poder
esfera de interesses do administrado, uma vez que o ato é Judiciário NÃO irá, diante da anulação do ato, editar
juridicamente ineficaz. O vício de inexistência não admi- novo ato administrativo em flagrante usurpação de
te convalidação ou conversão. funções administrativas.

5. CONTROLE DO MÉRITO DO
ATO ADMINISTRATIVO 6. ESPÉCIES DE ATOS ADMINIS-
TRATIVOS
O mérito do ato administrativo refere-se à margem de
liberdade/escolha conferida à Administração para at- [Link] gerais ou normativos: os atos normativos
uar em conformidade com a conveniência e oportuni- são aqueles que contêm um comando geral do
dade do poder público. Conforme estudado, a referida Poder Executivo, visando à correta aplicação da lei.
margem de discricionariedade, quando presente nos O objetivo imediato de tais atos é explicitar/clarificar
atos administrativos, residirá nos elementos motivo o conteúdo legal a ser observado pela Administração
e objeto do ato discricionário. Contudo, destaca-se e pelos administrados. Ex: Decretos; Regulamentos;
que no ato vinculado, TODOS os elementos são Instruções Normativas; Regimentos; Resoluções;
vinculados. Deliberações.

ATOS ORDINATÓRIOS:
ATENÇÃO:
Elementos vinculados: Competência, Forma e Finalidade C -> Circular
Elementos discricionários: Motivo e Objeto. O -> Ofício
No ato vinculado, TODOS os elementos são vinculados. P -> Portaria
A -> Aviso
FICA A DICA D -> Despacho
O Poder Judiciário exercerá tão somente o controle quanto
O -> Ordem de serviço
à legalidade do ato administrativo e não analisará o mé- I -> Instrução
rito administrativo (competência do Poder Executivo), em
respeito ao Princípio da Separação dos Poderes. Con­­­tudo, • Regulamento: ato normativo privativo do chefe do
em atenção ao princípio da razoalibilidade, o poder judiciário Poder Executivo - expedição de Decreto;
poderá controlar os limites do mérito administrativo, sendo
este um controle de legalidade das medidas administrativas
a) Regulamentos executivos: atos editados para a
que desrespeitarem o princípio da proporcionalidade. fiel execução da lei - não inovam no ordenamento
jurídico;
b) Regulamentos autônomos: atuam em substi-

46 Número de acertos = ______


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tuição a lei e inovam no ordenamento jurídico –> • Licença: ato administra- “L”icença -> “L” de Lei
regulamentos que versam sobre organização ad- tivo vinculado que con- -> vinculado
ministrativa; cede determinado ben-
• Aviso: é o ato normativo expedido pelos Ministéri- efício ao particular, caso
os ou Secretarias estaduais e municipais para dar seja verificado que o Espécies de atos mais

conhecimento à sociedade de questões ligadas à mesmo atende a todas as cobrados nas provas de
exigências legais naque- Concurso Público
atividade daquele órgão;
la determinada situação.
• Instrução normativa: trata-se de atos expedidos Ex.: licença para o exer-
para fins de execução de decretos e regulamentos; cício de uma profissão, licença para construção de
• Regimento: configura-se ato normativo para um edifício em terreno próprio, etc. Trata-se de ato
definição de normas internas; vinculado e será concedido desde que cumpridos
• Deliberações: ato normativo expedido pelos os requisitos objetivamente definidos em lei.
órgãos colegiados – representação da maioria; Ou seja, caso o particular preencha todos os req-
uisitos legais, o mesmo adquire o direito subjetivo
• Resolução: ato normativo dos órgãos colegiados à concessão da licença.
que disciplina matéria de sua competência especí-
fica; Cabe destacar a polêmica que envolve a possibili-
dade de revogação da licença. Tal polêmica deve-
2. Atos Ordinatórios: são os atos que visam disci- se ao fato de que parte da doutrina se posiciona no
plinar o funcionamento/organização da Adminis- sentido de que não é possível a revogação de atos
tração e a conduta funcional de seus agentes. Dentre vinculados, contudo, doutrina e a jurisprudência
os atos ordinatórios merecem exame: as Instruções; recente vem se firmando no sentido de que nesse
Circulares; Avisos; Portarias; Ordens de Serviço; Ofí- caso é possível a sua revogação, desde que justi-
cios; Despachos; ficada por razões e interesse público.
• Portaria: trata-se de ato administrativo que esta- • Autorização: ato administrativo discricionário e
belece ordens e determinações internas a indi- precário mediante o qual o Poder Público torna
víduos específicos; possível ao indivíduo a realização de certa ativi-
• Circular: normas uniformes a todos os servidores dade, serviço ou a utilização de determinado bem
subordinados a um determinado órgão; público de forma exclusiva ou no seu predomi-
• Ordem de Serviço: ato de ordenação de determi- nante interesse particular. Ex.: autorização para
nado serviço; funcionamento de uma escola privada -> ativi-
dades materiais que dependem de fiscalização
• Despacho: ato mediante o qual as autoridades do Poder Público (autorização de polícia); autori-
públicas proferem decisões acerca de determina- zação de uso de bem público de forma anormal e
das situações específicas; privativa - festa de casamento na praia (situações
• Memorando: configura-se ato de comunicação in- transitórias).
terna, enviada dentro de um mesmo órgão público; • Permissão: ato administrativo negocial,
• Ofício: atos de comunicação externa entre autori- discricionário e precário, pelo qual o poder
dades públicas ou entre estas e particulares; público faculta ao particular a execução de
serviços de interesse coletivo, ou o uso especial de
ATOS NORMATIVOS
bens públicos em conformidade com o interesse
DE -> Decreto da coletividade, a título gratuito ou remunerado,
RE -> Regimento nas condições estabelecidas pela Administração.
DE -> Deliberações Ex.: banca de revista colocada na calçada; uso de
RE -> Resoluções determinado bem público de forma anormal, no
IN -> Instruções Normativas interesse da coletividade, para realização de feira
de artesanato em praça pública que beneficie a
comunidade como um todo.
3. Atos negociais: são todos aqueles atos que con-
têm uma declaração de vontade da Administração • Aprovação: ato administrativo discricionário
Pública apta a concretizar determinado negócio juríd- pelo qual o Poder Público verifica a legalidade e o
ico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas con- mérito de outro ato ou de situações e realizações
dições impostas ou consentidas pelo poder público. materiais de seus próprios órgãos, de outras en-
São eles: tidades ou de particulares, dependentes de seu
Número de acertos = ______ 47
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controle. conhecimento. O atestado comprova um fato ou


• Admissão: ato administrativo unilateral e vincula- uma situação existente, mas não constante nos
do que verifica a satisfação de todos os requisitos livros, papéis ou documentos em poder da Ad-
legais, defere ao particular determinada situação ministração. Ex: atestado da perícia médica que
jurídica de seu exclusivo ou predominante in- comprove a incapacidade de um servidor público.
teresse, como ocorre no ingresso de alunos aos • Pareceres: manifestação de órgão técnico so-
estabelecimentos de ensino público. bre assuntos submetidos a sua consideração. Há
• Visto: ato administrativo unilateral e vinculado pelo situações em que a ausência de parecer enseja
qual o Poder Público controla outro ato da própria a nulidade do ato por vício na regularidade. Ex.:
Administração ou ato do particular, aferindo sua parecer jurídico nas situações de inexigibilidade
legitimidade para dar-lhe exequibilidade. de licitação.

• Homologação: ato unilateral e vinculado de con- Destaca-se que o agente público não está vin-
trole pelo qual a autoridade superior examina a le- culado às conclusões do parecer, razão pela
galidade e a conveniência de outro ato da própria qual o parecerista só é responsabilizado por ato
Administração para dar-lhe eficácia. administrativo no caso de culpa ou dolo. Lembre-
se, contudo, que no caso do parecer obrigatório,
• Renúncia: ato pelo qual o Poder Público extingue não sendo ele emitido, o processo administrativo
unilateralmente um direito, liberando definitiva- não terá seguimento até a sua apresentação.
mente a pessoa obrigada perante a Administração
Pública.
ATENÇÃO: O tema acerca da responsabilização do
• Dispensa: ato discricionário que exime o particu- parecerista é um tema polêmico, parte da doutrina
lar quanto ao cumprimento de determinada obrig- entende que quando estivermos tratando de parecer
vinculante, ou seja, aquele que vincula a atuação da
ação. Administração, que deverá agir em conformidade com os
ATOS NEGOCIAIS seus termos, o parecerista será responsabilizado.

P -> Permissão
A -> Autorização ATOS ENUNCIATIVOS
L -> Licença C -> Certidão
A -> Admissão A -> Atestado
D -> Dispensa P -> Parecer
A -> Aprovação A -> Apostila
R -> Renúncia
V -> Visto • Apostila ou averbação: ato administrativo através
H -> Homologação do qual o ente estatal acrescenta informações
constantes em um registro público.
FICA A DICA 5. Atos Punitivos: são os atos que contêm uma san-
A autorização de uso é concedida no interesse do particular, ção imposta pela Administração àqueles que infringem
enquanto a permissão é sempre concedida no interesse disposições legais ou regulamentares. Espécies:
público. Destaca-se que em determinadas situações a
permissão de uso será concedida por prazo determinado. • Multa: toda imposição pecuniária a que se sujeita
o administrado a título de compensação em razão
do dano presumido da infração;
4. Atos enunciativos: são todos aqueles atos em que
a Administração se limita a certificar ou a atestar um • Interdição administrativa: punição que se fun-
fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, da no poder de polícia administrativa. Exemplo:
razão pela qual não se sujeitam à discricionariedade proibição do exercício de determinada atividade;
do administrador. São espécies de atos enunciativos: • Destruição de coisas: é o ato sumário da Admin-
• Certidões (administrativas): cópias ou fotocó- istração pelo qual se inutilizam alimentos, sub-
pias fiéis e autenticadas de atos ou fatos con- stâncias, objetos ou instrumentos imprestáveis ou
stantes no processo, livro ou documento que se nocivos ao consumo ou de uso proibido por lei.
encontre nas repartições públicas. Ex: certidão de
casamento.
• Atestados: atos pelos quais a Administração com- 7. PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES
prova um fato ou uma situação de que tenha DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
48 Número de acertos = ______
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7.1. QUANTO AO SEU ALCANCE III – Atos de mero expediente: destinam-se a dar
I – Atos internos: ato destinado a produzir efeitos andamento aos processos e papéis que tramitam
internos na repartição administrativa e, por essa pelas repartições públicas.
razão, incide unicamente sobre os órgãos e agentes
da Administração que os expediu. 7.4. QUANTO AO SEU REGRAMENTO
II – Atos externos: alcançam os administrados, os I – Atos vinculados ou regrados: aqueles para os
contratantes e, em certos casos, os próprios servi- quais a lei estabelece os requisitos e condições de
dores. sua realização. Nesse caso, as imposições legais ab-
sorvem a liberdade do administrador e sua ação fica
adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma
7.2. QUANTO AOS SEUS DESTINA-
legal.
TÁRIOS
II – Atos discricionários: atos nos quais a Adminis-
I – Atos normativos ou regulamentares: atos nor- tração possui certa margem de escolha quanto ao seu
mativos gerais e abstratos expedidos sem destina- conteúdo, motivo, destinatário, conveniência, oportuni-
tários determinados, alcançando todos os sujeitos que dade e modo de realização.
se encontram naquela situação abrangida por seus
preceitos. São atos de comando abstrato e impessoal.
7.5. QUANTO À FORMAÇÃO DO ATO
II – Atos individuais ou especiais: atos que se di-
ATENÇÃO para essa classificação!
rigem a destinatários certos, podendo abranger um
ou vários sujeitos, desde que sejam individualizados.
Os atos individuais normalmente geram direitos sub- I – Ato simples: atos que resultam da manifestação de
jetivos para seus destinatários, como também criam vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado.
encargos pessoais. Ex.: promoção do servidor público. II – Ato complexo: ato que se forma pela conjugação
FICA A DICA de vontades independentes de mais de um órgão
administrativo. No ato complexo, integram-se as
O ato individual pode se referir a vários indivíduos, que es-
tarão identificados no ato administrativo. Ex: nomeação de
vontades de órgãos distintos para a formação de
candidatos aprovados no Concurso Público. um mesmo ato. O ato complexo só se aperfeiçoa
com a integração das vontades e, a partir desse
momento, torna-se atacável por via administrativa
7.3. QUANTO AO SEU OBJETO ou judicial. O ato complexo é formado pelo somatório
I – Atos de império ou de autoridade: atos praticados de vontades de órgãos públicos independentes, de
pela Administração usando de sua supremacia sobre o mesmo nível hierárquico.
administrado, impondo o seu obrigatório atendimento. III – Ato composto: ato que resulta da manifestação
Ex.: desapropriação. de vontade de um único órgão, mas depende da veri-
ficação por parte de outro para se tornar exequível.
Banca: CESPE - Órgão: PGE-BA Ex.: uma autorização que dependa do visto de autori-
Prova: Procurador do Estado dade superior. Esse ato é composto por dois atos, sen-
Com relação ao processo administrativo, regulamentado na do um ato principal e o outro acessório.
Lei Estadual n.º 12.209/2011, julgue os itens que se seguem.
“Não são passíveis de questionamento por via recursal os FICA A DICA
atos administrativos de mero expediente”. Nos atos complexos e compostos, temos um fenômeno con-
hecido como efeito atípico prodrômico, que é a situação
Correto
de pendência de alguma formalidade para que o ato con-
clua seu ciclo de formação. Desse modo, quando a primeira
II – Atos de gestão: atos que a Administração pratica autoridade já se manifesta surge a obrigação de uma seg-
sem usar de sua supremacia sobre os destinatários. unda autoridade a também fazê-lo. Essa obrigação traduz o
efeito prodrômico, que surge antes do ato concluir seu ciclo
Tal situação ocorre nas medidas de administração
de formação. Trata-se de situação de pendência de alguma
dos bens e serviços públicos e nos atos negociais formalidade para fins de aperfeiçoamento do ato.
que não exigem o cumprimento de obrigações pelos
interessados. Ex.: locação de imóvel; alienação de
bem público. Trata-se de condutas que não impõem
restrições ao particular.
Número de acertos = ______ 49
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TRADUÇÃO JURÍDICA necessários à sua exequibilidade, apresentando-se


apto e disponível para produzir seus regulares efeitos.
“Como assim prof.?”
Ato complexo: o ato complexo é um verdadeiro casamento. II – Ato imperfeito: ato que apresenta-se incompleto
Quando o Padre pergunta para o noivo se ele aceita se casar
na sua formação ou carente de um ato complementar
com você e ele disse: “sim”, já existe casamento? NÃO! Você
precisa aceitar né? Ou seja, não basta a manifestação de só
para tornar-se exequível e operante.
de um dos noivos. É necessário a soma de vontades!!! III – Ato pendente: embora perfeito, por reunir todos
E é mais ou menos assim que funciona o preenchimento de
os elementos de sua formação, não produz seus efei-
vaga de Ministro do STF: indicação do nome pelo Presidente
da República + Aprovação do nome pelo Senado Federal
tos, haja vista que depende de condição suspensiva
Ato composto: o ato composto é um pouco diferente, pois ou termo inicial para sua exequibilidade ou operativi-
existe uma manifestação de vontade é principal e a outra é dade. Ex.: autorização concedida para produzir efeitos
acessória. Ex: um servidor expediu uma multa, mas essa só daqui a três meses.
poderá produzir efeitos após a homologação pelo seu superior
hierárquico. IV – Ato consumado: ato que produziu todos os seus
efeitos, tornando-se, por isso mesmo, irretratável ou
7.6. QUANTO AO CONTEÚDO imodificável.
I – Ato constitutivo: ato que cria uma nova situação TRADUÇÃO JURÍDICA
jurídica para seus destinatários em relação à Admin- “Como assim prof.?”
istração. Dessa forma, o ato pode ser:
II – Ato extintivo ou desconstitutivo: ato que põe a) ato perfeito + válido + eficaz: o ato completou o seu
ciclo de formação.
termo situações jurídicas. Ex.: a cassação de autori-
b) ato perfeito + inválido + eficaz: ato que possui um vicio
zação e a encampação de serviço. de legalidade e ainda não foi anulado.
III – Ato declaratório: ato que visa preservar direitos, c) ato perfeito + válido + ineficaz: ato que completou todo
reconhecer situações preexistentes ou até mesmo o seu ciclo, porém ainda não está apto a produzir efei-
possibilitar seu exercício. Ex.: apostila de títulos de no- tos. Trata-se um ato pendente. Ex: ato de autorização para
meação, expedição de certidões, etc. casar na praia é um ato perfeito, entretanto, só produzirá
efeitos no dia marcado para celebração do casamento.
IV – Ato alienativo: ato que opera a transferência de d) ato perfeito + inválido + ineficaz: o ato possui irregulari-
bens e direitos de um titular para outro. dades e não está apto a produzir efeitos.
V – Ato modificativo: ato que possui a finalidade de
alterar situações preexistentes, sem suprimir direitos 7.9. QUANTO AO MODO DE EX-
ou obrigações. Ex.: alteração do local da reunião. ECUÇÃO
VI – Ato abdicativo: ato pelo qual o titular abre mão I – Ato autoexecutório: ato que traz em si a possi-
de um direito. A peculiaridade desse ato é seu caráter bilidade de ser executado pela própria Administração,
incondicional e irretratável. independentemente de ordem judicial.
II – Ato não autoexecutório: depende de pronuncia-
7.7. QUANTO À EFICÁCIA mento judicial para produção de seus efeitos. Ex.: ex-
I – Ato válido: ato que provém de autoridade com- ecução fiscal.
petente para praticá-lo e reúne todos os requisitos
necessários à sua validade.
7.10. QUANTO AOS RESULTADOS
II – Ato nulo: ato que nasceu afetado de vício insanáv-
el ou defeito substancial em seus elementos constitu- I – Atos ampliativos: atos que conferem prerrogativas
tivos ou no procedimento formativo. ao destinatário, ou seja, ampliam sua esfera jurídica.
III – Ato inexistente: atos que têm apenas aparên- Ex.: outorga de direito de uso de recursos hídricos a
cia de manifestação regular da Administração, mas determinado particular.
não chega a se aperfeiçoar como Ato Administra- II – Atos restritivos: atos que restringem a esfera ju-
tivo pois possui vício grave. Ex.: ato praticado pelo rídica do destinatário, ou seja, operam a cassação de
usurpador da função pública.
direitos ou impõem obrigações. Ex.: placa que proíbe
o estacionamento em determinada via.
7.8. QUANTO À EXEQUIBILIDADE
I – Ato perfeito: ato que reúne todos os elementos 8. EXTINÇÃO DOS ATOS ADMI-
50 Número de acertos = ______
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NISTRATIVOS má-fé.
Em algumas situações excepcionais, os atos nulos po-
A extinção dos atos administrativos dar-se-á nas
dem ter seus efeitos mantidos por meio da aplicação
seguintes situações:
da Teoria da Aparência, Teoria da Convalidação ou
1. Cumprimento de seus efeitos: configurar-se-á Princípio da Proteção à Confiança. Destaca-se que
o cumprimento do ato quando se opera a execução trata-se de entendimento doutrinário recente no sen-
de todos os efeitos do ato administrativo. Ex.: de- tido de que a anulação de atos unilaterais ampliativos,
molição de um prédio. Nesse caso, após a execução desde que comprovada a boa-fé do beneficiário, irá
da ordem (ato administrativo), cumprem-se os efeitos gerar efeitos ex nunc. Trata-se de hipótese que ainda
do ato e o ato é extinto naturalmente. gera muita discussão doutrinária quanto à sua apli-
2. Advento do termo final ou da condição resolu- cação, fiquem atentos a essa exceção.
tiva: extinguem-se os atos sujeitos a prazo determi- TRADUÇÃO JURÍDICA
nado ou que dependam da ocorrência de condição “Como assim prof.?”
resolutiva. Ex.: autorização para porte de arma conce- Vamos imaginar que um determinado servidor tenha sido
dida por um ano. nomeado para um cargo de provimento efetivo sem prévia
aprovação em concurso público. Nesse caso, a nomeação
3. Renúncia: nesse caso o próprio particular abre é nula. Entretanto, os atos praticados por esse agente, que
mão do benefício. O particular abre mão do benefício estava atuando na máquina pública com aparência de legali-
concedido à Administração por meio da edição do ato dade, possuem um vício de competência que será convali-
dado, em atenção ao princípio da segurança jurídica e Teoria
administrativo.
da Imputação Volitiva. Nessa medida, não haverá devolução
4. Desaparecimento do sujeito ou do objeto: a con- dos salários desse agente, sob pena de enriquecimento da
Administração Pública. Trata-se de uma anulação que gera
duta estatal se extingue ao se esvair o objeto ou em
efeitos ex nunc.
decorrência do desaparecimento da pessoa atin-
gida por ele. Ex.: falecimento de servidor público que Destaca-se que a anulação configura ato adminis-
seria promovido. trativo constitutivo que deve ser realizado através de
5. Retirada: ato concreto do Poder Público extintivo processo administrativo prévio, em que se respeite o
do ato anterior. Apresenta nas seguintes hipóteses: contraditório e ampla defesa, sempre que a anu-
lação puder gerar prejuízos na esfera individual dos
• Anulação ou Invalidação;
particulares.
• Revogação;
ATENÇÃO
FICA A DICA
• Cassação; CAI EM PROVA
Competência para anular: • A Administração pode anular seus atos de ofício ou
• Caducidade; - Administração Pública e a requerimento do interessado. Contudo, o Poder
• Contraposição. Poder Judiciário; Judiciário só pode anular atos administrativos se for
- Prazo decadencial de 5 anos; provocado.
• Em geral, a anulação do ato administrativo não enseja o
8.1. ANULAÇÃO pagamento de indenização, contudo, caso comprovado
que a anulação implica em dano anormal ao particular
Trata-se da retirada do ato administrativo ilegal do que agiu de boa-fé, admite-se o pagamento de
mundo jurídico, apagando todos os efeitos por ele indenização.
produzidos, como se esse ato não tivesse sido prati- • A anulação do ato administrativo viciado é um dever
cado. A competência para anular o ato administrativo VINCULADO da Administração, ou seja, caso verificado
o vício de legalidade o Poder Público DEVE anular a
ilegal pertence à própria Administração e ao Poder Ju-
medida.
diciário. • Teoria da Aparência/funcionário de fato: a nomeação
A anulação do ato produz efeitos EX TUNC, ou seja, de servidor sem concurso público é nula, contudo, os
atos praticados por esse agente enquanto encontrava-
efeitos que retroagem à data da origem do ato, aniqui-
se em exercício são válidos perante terceiros, em
lando todos os efeitos até então produzidos. atenção ao Princípio da Segurança Jurídica e Teoria da
Destaca-se que a anulação dos atos admin- Imputação Volitiva.

5 istrativos que decorram efeitos favoráveis Na anulação será editado um novo ato, denominado
para os destinatários deve ser realizada no ato anulatório, secundário, constitutivo para extin-
prazo de 5 anos (prazo decadencial), nos termos do guir o ato anterior.
Art. 54 da Lei nº 9784/99. Salvo, claro, se comprovada
Número de acertos = ______ 51
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Limites do dever de anular • Quando a convalidação possa gerar prejuízos


a terceiros.
A doutrina majoritária entende que a anulação não
será realizada quando ultrapassado o prazo decaden- • Quando tratar-se de defeitos graves.
cial legal, quando houver consolidação dos efeitos do
ato e quando houver possibilidade de convalidação (ví- ATENÇÃO
Na convalidação será editado um ato convalidatório a fim de
cio sanável).
sanar o vício existente no ato originário, e com isso restaurar
a legalidade.
8.1.1. Convalidação
Desde que não cause prejuízo a terceiros, haven- Por fim, cabe asseverar que a convalidação do vício
do nulidade relativa (vício sanável), o ato praticado sanável no ato administrativo depende de uma análise
poderá ser convalidado. Neste sentido, são requisitos de conveniência e oportunidade da administração (dis-
de convalidação (correção ou ratificação dos vícios ou cricionariedade).
defeitos de um ato):
a) a convalidação não deve desencadear lesão ao in-
8.2. REVOGAÇÃO
teresse público e nem a terceiros;
Trata-se de forma de extinção do ato administrativo,
b) o ato deve possuir defeitos sanáveis (passíveis de
cabível quando o ato é lícito, contudo, é inconveniente
convalidação – vícios relativos nos elementos forma e
ou inoportuno. Na revogação, o ato é legal, contudo,
competência).
não foi a melhor escolha dentro daquela pequena
Destaca-se que são margem de liberdade que a lei conferiu ao administrador
passíveis de convalidação PONTO MAIS público. A revogação gera efeitos ex nunc, ou seja, os
os atos com defeitos COBRADO efeitos jurídicos até então gerados pelo ato revogado
SANÁVEIS nos elementos devem ser preservados. ATENÇÃO
competência e na forma. Os defeitos no objeto,
A competência para revogar pertence à Administração
motivo e finalidade são insanáveis. Ademais, a
Pública (princípio da autotutela), sendo que o Poder
convalidação gera efeitos ex tunc, ou seja, efeitos
Judiciário não possui tal competência. Destaca-se que
que retroagem a data de edição do ato como se o
não é possível a revogação dos seguintes atos: atos
ato tivesse sido editado sem qualquer vício.
consumados (aqueles que já produziram seus efeitos);
FICA A DICA atos irrevogáveis nos termos da lei; atos que geram
Conforme estabelece a doutrina majoritária, a convalidação direitos adquiridos; atos vinculados; atos enunciativos
pode ser de três espécies: (atestam situações ou emitem mera opinião da Admin-
Ratificação: quando é feita pela mesma autoridade que pra-
istração); atos que geram direitos adquiridos; atos de
ticou o ato originário.
Confirmação: quando é feita por uma autoridade diferente. controle; atos já exauridos; atos enunciativos; um sim-
Saneamento: quando é realizada pelo particular. Ex: ato que ples ato do procedimento licitatório (notem, é possível
dependa da manifestação de vontade do indivíduo. a anulação de um único ato do processo licitatório,
contudo, caso haja revogação, esta deve contemplar
O ato anulatório pode ser vinculado quando se trata a Licitação integralmente).
de hipótese de ato maculado com vícios insanáveis,
FICA A DICA
ou discricionário, quando estivermos diante de ato
que possui vícios sanáveis. Nesse último caso, a Ad- • A doutrina majoritária nega o EFEITO REPRISTI-
ministração pode optar pela convalidação ou anulação NATÓRIO DO ATO ADMINISTRATIVO, ou seja, a
revogação do ato revocatório não ressuscita o primeiro
do ato.
ato revogado.
Não podem ser objeto de convalidação os atos: • Na revogação, será editado um novo ato, denominado
ato revocatório, para extinguir o ato anterior. Des-taca-
• Ato com vícios nos elementos objeto, motivo e se que a competência para revogar o ato administrativo
finalidade. é IRRENUNCIÁVEL e INTRANSMISSÍVEL.
• É impossível revogar a anulação.
• Atos que possuem defeitos graves nos elemen-
tos competência e forma que são insanáveis e
cuja convalidação possa causar lesão ao inter-
esse público.
52 Número de acertos = ______
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REVOGAÇÃO cial.
– Ato inconveniente ou inoportuno
Súmulas do STJ
– Natureza discricionária
– Competência da Administração • Súmula n. 127: É llegal condicionar a renovação
– Efeito ex nunc da licença de veículo ao pagamento de multa, da
ANULAÇÃO
qual o infrator não foi notificado.
– Ocorrência de ilegalidade
– Natureza vinculada • Súmula n. 311: Os atos do presidente do tribunal
– Competência: administração e poder judiciário
que disponham sobre processamento e pagamen-
– Efeitos ex tunc
– Prazo de 5 anos
to de precatório não têm caráter jurisdicional.
• Súmula n. 312: No processo administrativo para
8.3. CASSAÇÃO
imposição de multa de trânsito, são necessárias as
Ocorre quando o particular beneficiado pelo ato notificações da autuação e da aplicação da pena
deixa de cumprir os requisitos para permanência da decorrente da infração.
vantagem conferida pela Administração. Ex.: cassação
• Súmula n. 333: Cabe mandado de segurança
da carteira de habilitação veicular em decorrência do
contra ato praticado em licitação promovida por
excesso de multas.
sociedade de economia mista ou empresa pública.

8.4. CADUCIDADE
Extinção do ato administrativo em razão de lei su- Clique aqui para os esquemas
perveniente que impede a manutenção do ato ini-
cialmente editado. Ex.: perda do direito de utilizar
o imóvel com fins comerciais, haja vista a edição de
nova lei que transforma a área em zona residencial.

8.5. CONTRAPOSIÇÃO (DERRUBA-


DA)
Quando outro ato de efeitos opostos ao ato original
é praticado, extinguindo ato anterior. Ex.: ato de no-
meação de servidor público é extinto com o ato de ex-
oneração do mesmo.
Súmulas do STF
• Súmula Vinculante n. 03: Nos processos perante
o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão
puder resultar anulação ou revogação de ato ad-
ministrativo que beneficie o interessado, excetu-
ada a apreciação da legalidade do ato de con-
cessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
• Súmula n. 473: A administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam Ilegais, porque deles não se otiginam diret-
tos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apredação judi-
cial.
• Súmula n. 510: Praticado o ato por autoridade,
no exercício de competência delegada, contra ela
cabe o mandado de segurança ou a medida judi-
Número de acertos = ______ 53
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VI. ATOS ADMINISTRATIVOS


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

Os atos administrativos devem observar os requisitos: competência, finalidade ou fim,


forma, motivo e objeto.

Presume-se que os atos administrativos são verídicos e foram praticados em confor-


midade com a ordem jurídica. Destaca-se que trata-se de uma presunção relativa, po-
dendo ser afastada diante de prova da ilegalidade do ato. Em razão dessa presunção, o
ato produzirá efeitos enquanto não for declarada sua invalidade (incumbe ao particular
provar a existência do vício).

Imperatividade: prerrogativa de que goza o ato administrativo de impor obrigações ao


particular dentro dos limites da lei, independentemente da vontade do administrado.

Autoexecutoriedade: trata-se da possibilidade na qual a Administração, em uma deter-


minada situação de emergência ou em razão de expressa previsão legal, executa direta-
mente uma medida fazendo uso de meios diretos de coerção, compelindo materialmente
o particular a cumpri-la.

Anulação do ato refere-se à retirada do ato administrativo ilegal do mundo jurídico,


apagando todos os efeitos por ele produzidos, como se esse ato não tivesse sido praticado.
A competência para anular o ato administrativo ilegal pertence à própria Administração
e ao Poder Judiciário. A anulação do ato produz efeitos extunc, ou seja, que retroagem
à data da origem do ato, aniquilando todos os efeitos até então produzidos. Destaca-
se que a anulação dos atos administrativos que decorram efeitos favoráveis para os
destinatários deve ser realizada no prazo de 5 anos (prazo decadencial).

Desde que não cause prejuízo a terceiros, havendo vício sanável, o ato poderá ser
convalidado. Destaca-se que são passíveis de convalidação os atos com defeitos
sanáveis nos elementos competência e na forma, os defeitos no objeto, motivo e
finalidade são insanáveis.

A revogação é uma forma de extinção do ato administrativo, cabível quando o ato é


lícito, contudo, é inconveniente ou inoportuno. Na revogação o ato é legal, contudo,
não foi a melhor escolha dentro daquela pequena margem de liberdade que a lei
conferiu ao admin-istrador público. A revogação gera efeitos ex nunc, ou seja, os
efeitos jurídicos gerados pelo ato revogado devem ser preservados.

TOTAL 48%
196
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
VI. ATOS ADMINISTRATIVOS

Art. 22 DA LEI 9.784/99: Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada
senão quando a lei expressamente a exigir.
1a5
§ 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de
sua realização e a assinatura da autoridade responsável.

Art. 50 DA LEI 9.784/99: Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos
e dos fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; 6 a 34
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos,
propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.

Art. 50 DA LEI 9.784/99 § 1º: A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir
em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões 34 a 38
ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.

SÚMULA 684
40
É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público.

Art. 53 DA LEI 9.784/99: A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício
de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os di- 41 a 135
reitos adquiridos.

Art. 54 DA LEI 9.784/99: O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decor-
ram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram 136 a 231
praticados, salvo comprovada má-fé.

Art. 55 DA LEI 9.784/99: Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse
público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convali- 232 a 273
dados pela própria Administração.

SÚMULA VINCULANTE 3
Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla de-
fesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie 274 a 294
o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria,
reforma e pensão.

SÚMULA 473
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por mo-tivo de conveniência ou 295 a 335
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e res-salvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.

SÚMULA 510
Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado 336 a 339
de segurança ou a medida judicial.

197
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7- Serviços Públicos: conceito, de serviço público e conceito de poder de polícia, uma


vez que o Poder de Polícia refere-se à prerrogativa
classificação, regulamentação e que a Administração Pública possui de limitar direitos
controle; forma, meios e requisitos; individuais visando assegurar o bem-estar da coletivi-
delegação: concessão, permissão, dade. O serviço público, por sua vez, traz vantagens
pessoais e diretas ao seu usuário.
autorização Clique aqui para a vídeo-aula
Elemento Subjetivo – o serviço público, como regra,
Os PONTOS MAIS IMPORTANTES desse capítulo
é prestado pelo Estado. Contudo, a prestação desse
são: conceito de SERVIÇO PÚBLICO; classificação
serviço poderá ser descentralizada para particulares
uti singuli e uti universi; classificação serviços próprios
ponto que será estudado a seguir. Entretanto, dest-
e impróprios; contrato de concessão de serviços públi-
aca-se que o serviço público SEMPRE pertence à
cos (também estudado no capítulo de Contratos).
Administração Pública Direta ou Indireta (União,
Estados, Distrito Federal, Municípios, territórios,
1. CONCEITO Autarquias e Fundações Públicas), somente a sua
EXECUÇÃO poderá ser delegada a empresas pri-
Os serviços públicos podem ser conceituados como vadas.
aqueles serviços prestados pela Administração, ou por Portanto, quanto à execução do serviço, existem duas
quem lhe faça as vezes, em conformidade com o re- hipóteses a serem consideradas:
gime de direito público, visando atender ao interesse
público. Nesse sentido dispõe Hely Lopes Meirelles: 1. Execução direta: ocorre quando o titular do serviço
público (União, Estados, Distrito Federal e Municípios)
“serviço público é todo aquele prestado pela Ad- prestam a atividade DIRETAMENTE, ou seja, por meio
ministração ou por seus delegados, sob normas dos agentes públicos que integram seus órgãos, sem
e controles estatais, para satisfazer necessidades delegar a atividade a nenhuma outra pessoa jurídica.
sociais essenciais ou secundárias da coletividade
ou simples conveniência do Estado.” 2. Execução indireta: ocorre quando outra pessoa ju-
rídica presta a atividade;
Os serviços públicos podem ser prestados pelo Estado
direta ou indiretamente, conforme previsão do artigo 2.1. Execução indireta por outorga: prestação
175 da CR/88: do serviço público por pessoas jurídicas que com-
põem a Administração Pública Indireta.
“Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma
2.2. Execução indireta por delegação: ocorre
da lei, diretamente ou sob regime de concessão
quando o serviço público é prestado pelo particu-
ou permissão, sempre através de licitação, a pre-
lar contratado (concessionário ou permissionário
stação de serviços públicos.
de serviço público).
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I – o regime das empresas concessionárias e per- Elemento Formal – refere-se ao fato de que o serviço
missionárias de serviços públicos, o caráter espe- público traduz uma atuação definida pela lei ou pela
cial de seu contrato e de sua prorrogação, bem Constituição Federal como dever estatal (vontade do
como as condições de caducidade, fiscalização e legislador) que é regido pelas normas do Regime
rescisão da concessão ou permissão; Jurídico Administrativo, o qual determina o cumpri-
II – os direitos dos usuários; mento de uma série de regras. Ex: a modalidade de
III- política tarifária; licitação a ser utilizada para assinatura de contratos
IV – a obrigação de manter serviço adequado.” que tenham por objeto a concessão de serviço público
deve ser a concorrência; os bens diretamente empre-
Para que uma atividade possa ser considerada serviço gados na prestação de serviço público são impen-
público, é necessária a conjugação de três elementos, horáveis; a responsabilidade civil extracontratual da
são eles: Explicação da Lei Seca pessoa jurídica de direito privado que presta o serviço
Elemento Material – o serviço público é uma atividade público é SEMPRE objetiva, etc.
prestada que deve oferecer uma utilidade ou comodi- FICA A DICA
dade material diretamente fruível pelo usuário (ampli- Destaca-se que a Lei n. 8.987/95 admite subsidiariamente
ação da esfera de interesses do particular). a aplicabilidade das regras do Código de Defesa do Con-
sumidor, no que se refere aos direitos do usuário do serviço
Essa é uma das grandes diferenças entre o conceito público.
Número de acertos = ______ 81
Questões resolvidas
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2. ATIVIDADES QUE NÃO ESTÃO FICA A DICA

COMPREENDIDAS NO CONCEITO Ressalte-se que decorre do Princípio da Continuidade do


Serviço Público a possibilidade de preenchimento, me-
DE SERVIÇO PUBLICO diante institutos como a delegação e substituição, das
funções públicas temporariamente vagas.
1. Obra: a execução obra não é considerada pela dout-
rina majoritária como serviço público, uma vez que a Modicidade das tarifas: o Princípio da Modicidade
obra possui início, meio e fim e o serviço público, das Tarifas estabelece a orientação de que o valor
por sua vez, tem como característica marcante a exigido do usuário, a título de contraprestação pelo
continuidade. serviço prestado, deve ser o menor possível, com
2. Poder de Polícia: refere-se à prerrogativa da Ad- intuito de torná-lo acessível ao maior número de
ministração Pública de restringir o direito individual do usuários beneficiados.
particular em prol da coletividade. Portanto, exercício O ordenamento jurídico prevê três formas de remu-
do poder de polícia refere-se à restrições e não a co- neração quanto à prestação de serviços públicos, são
modidades asseguradas aos particulares. elas:
3. Exploração de atividade econômica: nesse caso o • Taxa: contrapartida tributária paga em virtude de
Estado atua no domínio econômico como agente nor- um serviço OBRIGATÓRIO, específico e divisível,
mativo e regulador, sendo que a exploração direta de prestado diretamente pelo Estado (Administração
atividade econômica pelo ente público somente será Pública Direta ou Indireta). Em razão do fato de
permitida quando necessária aos imperativos de se- tratar-se de contrapartida que possui natureza
gurança nacional ou à relevante interesse coletivo tributária, as taxas serão criadas por lei.
(art. 173 da CF/88). Nesses casos, diferentemente do
que ocorre na prestação de serviços públicos, essa • Tarifa: remuneração paga pelo usuário referente
atividade será realizada, predominantemente, em con- à contraprestação de serviços uti singuli prestados
formidade com o Regime Jurídico de Direito Privado por particulares, concessionárias e permissionárias
(Regime Jurídico Híbrido que se aproxima do Regime de serviço público. Trata-se de contraprestação
Jurídico de Direito Privado). que não possui natureza tributária e é também
denominada preço público: Ex.: serviço de tel-
efonia;
3. PRINCÍPIOS CONSTITUCION-
QUESTÃO DE PROVA
AIS IMPLÍCITOS DO SERVIÇO Os serviços públicos podem ser remunerados mediante taxa
PÚBLICO (ART. 175 DA CF/88) ou tarifa.
Correto
Os serviços púbicos encontram-se regulamentados
pela Lei nº 8.987/95 e, portanto, todos os princípios • Imposto: receita tributária utilizada para custear a
administrativos incidem sobre a prestação desses prestação de serviços uti universi. Ex.: serviço de
serviços, entretanto, cabe destacar alguns princípios limpeza pública.
que são próprios dessa atividade:
Destaca-se, ainda, a possibilidade na qual a conces-
Continuidade do Serviço Público: em conformidade sionária de serviço público, conforme previsão con-
com as orientações que decorrem desse princípio, tratual, apresente outras formas alternativas de receita
os serviços públicos não podem sofrer interrupções atreladas a prestação do serviço. Ex.: as Empresas
desarrazoadas em sua prestação. Contudo, existem concessionárias do serviço público de transporte públi-
algumas exceções em que a paralisação dos serviços co podem utilizar o espaço da traseira do veículo para
públicos é possível, são elas: situações de emergência, inserir propagandas/banners, auferindo renda medi-
situações em que sejam evidenciados problemas de ante a comercialização desses espaços publicitários.
ordem técnica ou de segurança das instalações e Essas fontes alternativas de receita garantem a
paralisação decorrente da falta de pagamento pelo modicidade das tarifas que serão cobradas ao
usuário, mediante prévio aviso. usuário e tal previsão de utilização desses espaços
deve estar constante no Edital de Licitação.
Princípio da cortesia: esse princípio prescreve o dev-
er de cortesia e urbanidade do prestador do serviço em
82 Número de acertos = ______
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relação ao usuário. Portanto, o serviço público deve desempenhando a atividade de forma centralizada. A
ser prestado sempre com polidez e educação. descentralização, por sua vez, ocorre quando o ente
público, visando à especialização na execução da
Igualdade entre os usuários: esse princípio esta-
atividade administrativa, descentraliza a prestação
belece que todos os cidadãos possuem o mesmo di-
de determinados serviços públicos para entes da
reito de usufruir do serviço público em igualdade de
administração indireta ou transfere a execução para
condições, sendo vedado tratamento discriminatório.
particulares (contratos de concessão e permissão).
Nesse diapasão, deve-se tratar igualmente os
iguais e desigualmente os desiguais na medida A referida descentralização pode se dar mediante out-
em que se desigualam. Portanto, os serviços devem orga ou delegação de serviço público, institutos já es-
ser prestados sem privilégios ou discriminações em tudados em momento anterior.
relação aos usuários.
5. CLASSIFICAÇAO DOS
QUESTÃO CESPE
O Princípio da Igualdade, que pressupõe a não diferenciação SERVIÇOS PÚBLICOS
entre usuários na prestação de serviço público, é inaplicável à
determinação legal de isenção de tarifas para idosos e deficientes. Levando-se em conta o critério da essencialidade,
Errado podemos classificar os serviços públicos em:
Serviços públicos propriamente ditos – serviços
Adequação do serviço público: a Lei Geral de que a Administração presta diretamente à comuni-
Serviço Público Lei nº 8.987/95 traz no seu artigo 6º dade, por reconhecer sua essencialidade, sendo ess-
a exigência de que o serviço seja prestado de forma es privativos do Poder Público. Ex.: serviços de defesa
adequada. O referido diploma legal define: nacional, os de polícia, etc.
§ 1º Serviço adequado é o que satisfaz as Serviços de utilidade pública – serviços que não
condições de regularidade, continuidade, são indispensáveis para a sociedade (serviços con-
eficiência, segurança, atualidade, generalidade, venientes e oportunos), os quais a Administração
cortesia na sua prestação e modicidade das pode prestar diretamente ou indiretamente (mediante
tarifas. Explicação da Lei Seca concessionárias, permissionárias ou autorizatárias de
serviço público), nas condições regulamentadas, mas
Note que, dessa maneira, a adequação se reveste de
por conta e risco dos prestadores, mediante cobrança
cláusula geral que regulamenta a prestação de serviço
de tarifa paga pelos usuários. Ex.: transporte coletivo,
público, sendo que a Administração terá o dever de
energia elétrica.
prestar o serviço observando o que a lei impõe.
Universalidade: Conforme estudado, deve-se buscar
5.1. QUANTO À ADEQUAÇÃO
prestar o serviço público de maneira a abranger/alcan-
çar o maior número de usuários/pessoas possíveis. Serviço próprios do Estado – serviços relacionados
Adaptabilidade ou Atualidade: O serviço público intimamente com as atribuições essenciais do Poder
deve ser prestado fazendo uso de técnicas modernas, Público, prestado em regra gratuitamente (Ex: saúde
que acompanham o desenvolvimento da realidade so- pública, etc.) e, para sua execução, a Administração
cial. Sendo assim, o retrocesso não é permitido, dev- usa de sua supremacia sobre os administrados.
endo ser disponibilizado aos administrados um serviço Serviços impróprios do Estado – serviços que não
que, no mínimo, seja compatível com o desenvolvi- afetam substancialmente as necessidades da co-
mento da sociedade atual. munidade, mas que satisfazem interesses comuns
e, por isso, a Administração os presta remunerada-
4. FORMAS DE PRESTAÇÃO DO mente, através de seus órgãos e entidades descen-
tralizadas ou delega sua prestação. Ex.: serviço de
SERVIÇO PÚBLICO telefonia fixa.
O serviço público é de titularidade do Estado, que pode
efetivar sua execução de forma direta ou mediante QUESTÃO ESAF
O serviço prestado por um taxista é classificado como serviço
descentralização. A prestação direta ocorre quando a
público impróprio, porque atende às necessidades coletivas, mas
atividade é efetivada pelos próprios entes federativos, não é executado pelo Estado.
ou seja, União, Estados, Municípios e Distrito Federal, Correto
Número de acertos = ______ 83
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5.2. QUANTO À FINALIDADE serviço efetivamente utilizado, sendo que a contrapre-


stação deve ser feita mediante a cobrança de tarifas
Serviços administrativos – serviços que a Admin- ou preços públicos (não possui natureza tributária).
istração executa para atender às suas necessidades FICA A DICA
internas ou para fins de preparar outros serviços que É inconstitucional a taxa instituída para arcar com os custos de
serão prestados ao público. Ex.: Imprensa Oficial. um serviço indivisível, como é o caso da iluminação pública.

Serviços industriais/econômicos – serviços que


produzem renda para quem os presta, mediante a QUESTÃO FGV
Uma campanha de vacinação contra a gripe que se destine
remuneração da utilidade consumida. Os serviços in-
a imunizar determinadas comunidades carentes classifica-se
dustriais são impróprios do Estado, por tratarem de como serviço público coletivo, pois se destina a um número
atividades econômicas que só poderão ser exploradas indeterminado de pessoas.
diretamente pelo Poder Público quando relacionadas Correto
aos imperativos da segurança nacional ou a re-levante
interesse coletivo, conforme definidos em Lei (CR/88, Os serviços de coleta de lixo foram considerados, pelo
artigo 173). STF, como serviços “uti singuli”, conforme a Súmula
Vinculante nº 19: “A taxa cobrada exclusivamente em
razão dos serviços públicos de coleta, remoção e trata-
5.3. SERVIÇOS PÚBLICOS UTI UNI-
mento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes
VERSI E UTI SINGULI
de imóveis não viola o artigo 145, II, da Constituição
Serviços uti universi ou gerais ou coletivos – são Federal”. O referido dispositivo determina que:
aqueles serviços que a Administração presta para at-
“Art. 145. A União, os estados, o Distrito Federal e
ender à coletividade como um todo. Ex: os serviços de
os municípios poderão instituir os seguintes tribu-
polícia, iluminação pública, calçamento e outros dessa
tos:
espécie. Estes serviços são, em regra, indivisíveis,
II - taxas, em razão do exercício do poder de
ou seja, não é possível mensurar o quantum de
utilização do serviço por cada cidadão, haja vista polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial,
que essa atividade não cria vantagens particulariza- de serviços públicos específicos e divisíveis,
das para cada usuário. Por essa razão, essas ativi- prestados ao contribuinte ou postos a sua dis-
dades são mantidas pela receita geral de impostos, posição;” Explicação da Lei Seca
e não mediante a cobrança de taxa ou tarifa. Esses TRADUÇÃO JURÍDICA
serviços são prestados compulsoriamente, inde-
“Como assim prof.?”
pendente da anuência do usuário. Determinado aluno outro dia enviou para mim o seguinte
Serviços uti singuli ou individuais: refere-se aos questionamento “Prof. Eu passei três meses inteiros na Eu-
ropa viajando (Huuuuuum, RICO rsrsr) e eu não quero pagar
serviços que possuem usuários determinados, e
a taxa de coleta de lixo, haja vista que eu não fiz uso desse
que criam benefícios individuais. Portanto, sua serviço nesse período”. Bom, você NÃO TEM ESCOLHA haja
utilização é particular e mensurável para cada vista que o serviço de coleta trata-se de um serviço obrigatório
destinatário, como ocorre com o serviço de que foi colocado À SUA DISPOSIÇÃO. Portanto, mesmo que
telefone, água e energia elétrica domiciliares. Esses você não tenha utilizado efetivamente o serviço, o pagamento
da taxa será devido.
serviços devem ser remunerados mediante a cobrança
de taxa (tributo) ou tarifa (preço público).
5.4. CLASSIFICAÇÃO DO AUTOR
No que tange aos serviços públicos divisíveis, esses
CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE
podem ser classificados em compulsórios e faculta-
MELO:
tivos. Os serviços compulsórios são essenciais à co-
letividade, sendo custeados mediante a cobrança de Serviços públicos exclusivos indelegáveis: serviços
taxa pelo poder público em decorrência do ente ter públicos que o Estado deve prestar exclusivamente e
colocado o serviço à disposição dos cidadãos. Nesse são indelegáveis. Esses serviços só podem ser pre-
caso, o não pagamento da taxa poderá ensejar a co- stados pelo Estado. Ex.: serviço de segurança pública,
brança por meio de execução fiscal. serviço postal.
Os serviços facultativos, por sua vez, são prestados Serviços públicos exclusivos de delegação obrig-
buscando alcançar os interesses da coletividade e atória: serviços que o Estado presta, mas não pode
podem, ou não, ser utilizados pelos usuários. Nesse desempenhar em regime de monopólio. Ou seja, o Es-
caso, a contraprestação será realizada em razão do tado executa diretamente, mas também tem o dever
84 Número de acertos = ______
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de delegar essas atividades (serviços que não podem realizada mediante a assinatura de contrato junto a
ser prestadas somente pelo ente público). Ex.: tel- pessoas jurídicas ou consórcios de empresas. A
evisão e rádio. permissão, por sua vez, será firmada junto a pes-
Serviços públicos delegáveis: o Estado pode prestar soas FÍSICAS ou jurídicas. A assinatura do contrato
esse serviço diretamente ou de forma indireta medi- de concessão exige a realização da licitação na mo-
ante delegação a particulares. Ex.: fornecimento de dalidade concorrência, enquanto no contrato de per-
gás canalizado. missão, por sua vez, qualquer modalidade pode ser
utilizada.
Serviços públicos não exclusivos de Estado
(serviço de utilidade pública): nesse caso, o Esta- Ressalte-se, ainda, que a concessão comum (regula-
do tem o dever de prestar diretamente o serviço sem, mentada pela lei 8.987/95) pode ser dividida em duas
contudo, deter a titularidade exclusiva desse serviço. espécies, a saber:
Portanto, o particular também pode prestar esse a) Concessão simples: transferência da execução do
serviço, em seu próprio nome, independentemente de serviço público para o particular, mediante cobrança
delegação estatal. Diante disso, o particular executa de tarifas dos usuários.
o serviço por sua conta e risco, enquanto o Estado irá
apenas autorizar, regulamentar e fiscalizar, por meio b) Concessão precedida de obra: contrato de con-
do exercício do Poder de Polícia, essa atividade. Ex.: cessão precedido de obra pública executada pelo par-
o fato de existir um sistema público de saúde, não ticular e indispensável à prestação do serviço público
impede que os particulares também exerçam essa delegado.
atividade e construam um hospital privado.
6.1. PODER CONCEDENTE
6. CONCESSÃO E PERMISSÃO DE O art. 2°, Ida lei 8.987/95 define que é considerado
poder concedente “a União, o Estado, o Distrito Feder-
SERVIÇO PÚBLICO al ou o Município, em cuja competência se encontre o
Aspectos Gerais serviço público, precedido ou não da execução de obra
pública, objeto de concessão ou permissão”. Excep-
Em conformidade com o art. 22, XXVII, compete à
cionalmente, a lei atribui o poder de delegar serviços
União editar normas gerais sobre licitações e contratos
públicos a entidades da administração indireta, como
administrativos, normas essas que devem ser
é o caso do poder atribuído a ANATEL - autarquias em
observadas por todos os demais entes da federação.
regime especial.
Nesse diapasão, a União editou a Lei nº 8.987/95
que trata acerca das normas gerais sobre os regimes FICA A DICA
de concessão e permissão de serviços públicos. Os Os contratos de concessão e permissão de serviço público
incisos II e IV do art. 2 da Lei 8.987/95, assim definem devem sempre ser precedidos de licitação. Nesse sentido,
essas modalidades de concessão. é incompatível com o art. 175 da CF/88 a dispensa e a
inexigibilidade de licitação, haja vista o comando constitucional.
• Concessão de serviço público: delegação da • O art. 15 da Lei 8.987/95 estabelece os critérios de
prestação do serviço público realizada pelo poder julgamento a serem adotados nas licitações prévias à
público, mediante licitação na modalidade concor- concessões, o critério escolhido deverá estar explicito no
edital;
rência, à PESSOA JURÍDICA OU CONSÓRCIO
• A Lei 8.987/95, no art. 18, faculta ao edital a previsão
DE EMPRESAS que demonstre capacidade para de inversão das fases de habilitação e julgamento no
o seu desempenho, por tempo determinado. processo licitatório.

• Permissão de serviço público: delegação da


prestação de serviço público, mediante licitação 6.2. PRAZO
em qualquer modalidade, feita pelo poder con-
cedente à PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA que A Lei 8.987/95 não estabelece os prazos máximos
demonstre capacidade no seu desempenho, por e mínimos de duração dos contratos de concessão,
sua conta e risco. sendo que cabe a lei editada por cada ente federado
dispor acerca do prazo de duração. Portanto, não há
Ao ler as definições acima elencadas, já conseguimos
uniformização de prazos em âmbito nacional, exceto
identificar as principais diferenças dos dois institutos.
no que tange às parcerias público-privadas.
Primeiramente, cabe assinalar que a concessão será
Número de acertos = ______ 85
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Portanto, cabe ressaltar que não são aplicáveis às FICA A DICA


concessões e permissões de serviço público, os pra- O art. 13 da Lei 8.987/95 prevê a possibilidade de cobrança
zos de duração dos contratos administrativo estabele- de tarifas diferenciadas em função das características técni-
cidos na Lei 8.666/93, haja vista que nas concessões cas dos usuários (isonomia material), vedado sobre qualquer
a remuneração do particular contratado é realizada pretexto o benefício singular.
pelo usuário do serviço e não pela administração.
6.4. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO
Ou seja, o contrato de concessão não vincula o or-
USUÁRIO
çamento público, estando a duração desses adstrita
à vigência dos créditos orçamentários. Entretanto, o Leitura obrigatória art. 7º da Lei 8.987/95 -> Desta-
contrato deverá ser firmado com prazo determina- ca-se que entre a concessionária de serviço público e
do. Desse modo, a desvinculação ao art. 57 da lei o usuário existe uma relação de consumo, o usuário é
8.666/93 não significa celebração do contrato de o consumidor e, por essa razão, podem sem utilizadas
concessão de serviços por prazo indeterminado. em seu favor as normas constantes no Código de De-
fesa do Consumidor.
6.3. SUBCONCESSÃO
6.5. OBRIGAÇÕES DA CONCES-
Conforme estudado, os contratos administrativos pos-
SIONÁRIA
suem natureza personalíssima e, por essa razão, são
causas de extinção do vínculo contratual a falência ou Leitura obrigatória art. 31 da Lei 8.987/95 -> Deve-
extinção da empresa concessionária e o falecimento se destacar a previsão constante no inciso VI que
do titular da empresa individual. No entanto, cabe as- prevê a possibilidade das concessionárias de execu-
severar a possibilidade na qual a empresa conces- tar desapropriações e constituir servidões admin-
sionária de serviço realiza a contratação de ter- istrativas necessárias à prestação dos serviços
ceiros para fins de desenvolvimento de atividades públicos. Nesse sentido, cabe ressaltar que a decre-
acessórias ou complementares à atividade princi- tação de utilidade ou necessidade pública é competên-
pal desempenhada. A celebração desses contratos cia exclusiva do poder público, sendo que somente a
entre a concessionária e outros particulares possui na- execução da desapropriação pode ser realizada pela
tureza jurídica de contrato privado, sem qualquer ne- concessionária.
cessidade de consentimento ou participação do poder
público (subcontratação parcial).
6.6. PRERROGATIVAS DO PODER
Na subconcessão, ao contrário do que ocorre CONCEDENTE
nos contratos privados celebrados pela empresa
concessionária (descrito no parágrafo acima), o Conforme estudado, assim como ocorre nos demais
próprio poder público que outorga a subconcessão contratos administrativos, o poder público goza de in-
e não a em­presa concessionária. Nos termos do art. úmeras prerrogativas de direito público no bojo dos
26 da Lei 8.987/95, admite-se a subconcessão do contratos de concessão, são essas:
serviço público concedido à empresa concessionária,
nos termos do contrato de concessão, mediante • Alteração unilateral do contrato;
autorização pelo poder concedente e licitação • Extinção unilateral do contrato;
na modalidade concorrência. Portanto, a • Fiscalização da execução do contrato;
concessionária irá solicitar ao Poder Público que • Aplicação de sanções;
promova a subconcessão parcial do objeto do contrato • Decretação da ocupação temporária.
nos termos da lei e, nesse caso, diferentemente do
que ocorre nos casos de sub­contratação descrito no
parágrafo anterior, não há relação jurídica entre a 6.7. EXTINÇÃO
concessionária e a subconces­sionária, há relação
contratual entre a subconcessionária e o poder Cabe destacar a temática acerca da extinção dos con-
público que irá conduzir o procedi­mento licitatório tratos de concessão ou permissão enumeradas na Lei,
de subconcessão. são essas: extinção em virtude do advento do termo
contratual, encampação, caducidade, rescisão judicial,
anulação, falência ou extinção da empresa conces-
sionária e falecimento ou incapacidade do titular no
86 Número de acertos = ______
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caso de empresa individual. Nessas situações, haverá do interesse público superveniente. Nesse sentido,
a imediata assunção do serviço pelo poder conceden-
te, autorizada a ocupação das instalações e a utili-
MACETE
zação de todos os bens reversíveis.
CADUC I DADE (6° letra, letra I de INADIMPLEMENTO):
FICA A DICA rescisão unilateral por razões de Inadimplemento da empresa
Extinta a concessão tornam-se propriedade do poder con- contratada.
cedente todos os bens reversíveis, expressamente descritos ENCAM P AÇÃO (6° letra, letra P de PÚBLICO): rescisão
no contrato, e imediatamente ocorrerá a assunção do serviço unilateral por razões de interesse Público superveniente.
pelo poder público, o que autoriza a ocupação das instalações Vocês também podem pensar que quando alguém fica mais
e a utilização, pelo poder público, de todos os bens rever- velho... essa pessoa começa a CADUCAR, certo? Aí já não
síveis. Ex: ao final do contrato de concessão de transporte lembra mais das coisas, inclusive esquece até de cumprir as
público, o poder público se tornará proprietário dos ônibus obrigações contratuais. Não é mesmo?
utilizados pela empresa concessionária para fins de garantir
a continuidade da prestação do serviço – princípio da continui-
dade do serviço público. são requisitos para encampação: interesse público
superveniente, lei autorizativa específica e pagamento
6.7.1. Intervenção na concessão prévio de indenização à empresa.

Na Lei 8987/95 a intervenção da concessão está prevista 6.7.4. Caducidade


e regrada nos arts. 32 e 34 e será declarada em razão
da prestação de serviço inadequado, determinada A caducidade refere-se à modalidade de rescisão
por decreto do poder público que deverá conter a unilateral em razão da inexecução total ou parcial
designação do interventor, o prazo da intervenção, do contrato por parte da concessionária. Nessa
os objetivos e limites da intervenção. Decretada a situação, haverá necessidade de instauração de um
intervenção, o Poder Público terá o prazo de trinta procedimento administrativo no qual será averiguado
dias para instaurar o procedimento administrativo os descumprimentos contratuais. Caso verificada a in-
para fins de apurar as responsabilidades. Tal adimplência do contratado no processo, a caducidade
procedimento administrativo deverá ser concluído será imposta por decreto do poder concedente.
no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de ser
Destaca-se que a transferência de concessão ou do
considerada inválida a intervenção.
controle societário da concessionária, sem prévia
A intervenção refere-se a mero procedimento anuência do Poder concedente, enseja a caduci-
acautelatório que visa assegurar a continuidade na dade da concessão. Na caducidade, a indenização
prestação do serviço, enquanto o ente público apura
eventuais irregularidades. Por essa razão, a intervenção ENCAMPAÇÃO
é decretada desde logo, sem contraditório e ampla – Interesse Público
defesa prévios, contudo, destaca-se que durante o – Lei específica
procedimento administrativo está assegurado o direito – Prévia Indenização
ao contraditório. CADUCIDADE
– Culpa -> concessionária
6.7.2. Advento do termo – Decreto

Trata-se da possibi-lidade de extinção do não é prévia, inclusive a Administração Pública poderá


contrato de concessão em razão do advento cobrar indenização em razão dos prejuízos sofridos
do termo contratual. Nessa situação, chega ao fim o pelo poder público, podendo descontar da garantia
prazo do contrato e os bens reversíveis passam a apresentada no momento da assinatura do contrato.
se tornar propriedade do poder concedente.
6.7.5. Rescisão Judicial
6.7.3. Encampação
A rescisão da concessão por iniciativa da conces-
A encampação refere-se à rescisão unilateral sionária será sempre judicial. Destaca-se que os
e retomada do serviço pelo poder público em serviços prestados pela concessionária não poderão
razão ser interrompidos ou paralisados até a decisão judi-
cial com trânsito em julgado. Portanto, nos contratos

Número de acertos = ______ 87


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de concessão não se aplica a cláusula de exceção do cuniária paga pelo parceiro público. Destaca-se
contrato não cumprido diferida, que se aplica nos de- que em qualquer modalidade parceria público-privada
mais contratos administrativos, nos quais o contratado haverá uma contraprestação pecuniária a ser paga
é obrigado a suportar 90 dias de inadimplência da Ad- pelo parceiro público ao parceiro privado, no entanto,
ministração Pública para paralisar o serviço. Nesse na concessão administrativa a contraprestação será
caso, a paralisação ocorre somente em razão de sen- o próprio valor que a Administração Pública paga na
tença judicial definitiva. qualidade de usuária direta ou indireta dos serviços
QUESTÃO CESPE prestados.
Para a contratação de PPP, é imprescindível a realização de A Lei 11.079/04, que regulamenta as Parceria Públicos
licitação, que deverá ser feita, unicamente, na modalidade de Privadas, determina que o certame para a realização
concorrência. desse tipo de contrato, será realizado, em regra, na
Errado modalidade concorrência (excepcionalmente na
modalidade leilão).
6.7.6. Anulação
A anulação é a extinção do contrato em razão de vício 6.8.1. Características do Contrato de
de legalidade. PPP
• o prazo de vigência do contrato não será inferior a
6.8. PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA 5 (cinco) nem superior a 35 (trinta e cinco) anos e
no bojo desse contrato haverá uma repartição de
A Lei nº 11.179 de 2004 define duas espécies de parce- riscos e ganhos entre as partes;
ria público-privadas: • o compartilhamento com Administração Pública de
• Concessão patrocinada: trata-se da concessão ganhos econômicos efetivos do parceiro privado;
de serviços públicos, precedida ou não de obras, • mecanismos para a preservação da atualidade da
quando há o pagamento, adicionalmente a tarifa prestação dos serviços, evitando-se a prestação
cobrada dos usuários, de contraprestação pecu- de serviços obsoletos, o que comprometeria dire-
niária paga pelo parceiro público. A intenção desta tamente sua eficiência e adequação;
contraprestação é a garantia da modicidade de
• o compartilhamento com a Administração Pública
tarifas aos usuários.
de ganhos econômicos efetivos do parceiro pri-
• Concessão administrativa: o contrato de pre- vado.
stação de serviço público no qual a Administração
• a realização de vistoria dos bens reversíveis pelo
poder público.
CONCESSÃO COMUM
• os fatos que caracterizem a inadimplência pecu-
– povo usa o serviço
niária do parceiro público, os modos e o prazo de
– povo paga pelo serviço
regularização e, quando houver, a forma de acion-
CONCESSÃO PATROCINADA amento da garantia prestada pela Administração;
– povo usa o serviço • A Parceria Público-Privada deve ser gerida por
– povo e administração pagam pelo serviço uma sociedade de propósito específico, criada
CONCESSÃO ADMINISTRATIVA previamente à celebração do contrato, ficando re-
– administração usa o serviço sponsável pela implantação da parceria.
– administração paga pelo serviço No mínimo, o contrato de parceria pública-privada terá
o valor de 10 milhões de reais.

Pública é a usuária direta ou indireta do serviço. As obrigações pecuniárias contraídas pela Adminis-
Ex: contrato firmado com uma determinada em- tração Pública poderão ser garantidas mediante vin-
presa para que ela execute a construção de um culação de receitas de impostos, fundos especiais,
presídio ficando responsável pela prestação do contratação de seguro garantia e outros mecanismos
serviço penitenciário. admitidos em lei.

Portanto, nas parcerias públicos-privadas, ao contrário


da concessão comum, há uma contraprestação pe-
6.8.2. Licitação prévia a contratação
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de Parcerias Público-Privadas público a particulares que executarão a atividade por


sua conta e risco. Confira:
As parcerias público-privadas serão precedidas de
licitação, em regra, na modalidade de concorrência. “Art. 40. A permissão de serviço público será for-
A abertura do procedimento licitatório é condicionada à malizada mediante contrato de adesão, que obser-
autorização da autoridade competente, fundamentada vará os termos desta Lei, das demais normas per-
tinentes e do edital de licitação, inclusive quanto à
TRADUÇÃO JURÍDICA

“Como assim prof.?” ATENÇÃO


Na época em que atuei como Gerente do Projeto da Copa O contrato de permissão deve prever um prazo a ser respei-
do Mundo no Estado de Minas Gerais, acompanhei de perto tado. Nesse caso, havendo rescisão antecipada, cabe o direito
a Parceria Público-Privada firmada pelo Estado junto a um à indenização. Porém, FIQUEM ATENTOS AS PROVAS DE
consórcio de empresas que, mediante a assinatura do con- CONCURSOS! Algumas Bancas cobram o texto da lei que
trato de concessão, se tornou responsável pela operação do apenas menciona: a permissão é um contrato de adesão,
Estádio de futebol Mineirão. Mas como isso aconteceu? Após precário, e que, por isso, não acarreta direitos indenizatórios
a escolha de Belo Horizonte como Cidade-sede do evento ao contratado.
Copa do Mundo, mostrou-se necessário a realização de uma
reforma no Estádio para fins de atender os requisitos FIFA.
Contudo, na época o Estado de Minas Gerais não possuía
precariedade e à revogabilidade unilateral do con-
recursos para custear a reforma e mostrou-se conveniente a trato pelo poder concedente.”
realização de um contrato de concessão. Através da assinat- O Supremo Tribunal Federal já se manifestou acerca
ura do contrato de concessão, o Estado transfeririu a gestão
da matéria na ADI 1.491, que não há qualquer distinção
e operação de jogos e eventos que acontecem no Estádio a
uma concessionária que receberia, em contraprestação aos
entre concessão e permissão de serviço público, no
serviços prestados, tarifas (ingressos de jogos e eventos) co- que tange à sua natureza, podendo ambos serem
bradas dos usuários. considerados contratos administrativos.
Contudo, a referida concessão dos serviços foi, para fins
de cumprimento dos requisitos FIFA, precedida de obra: a
reforma do Estádio. Nessa medida, o consórcio de empre- 7. AUTORIZAÇÃO DE SERVIÇO
sas contratado realizou um grande investimento para fins de PÚBLICO
conclusão da obra e reforma do estádio, cujo retorno se daria
mediante cobrança de tarifa paga pelos usuários do serviço. A autorização é um ato administrativo, unilateral, dis-
Entretanto, tendo em vista a obra milionária realizada no cricionário e precário. Portanto, sendo um ato discri-
Estádio de futebol, seria necessário, para fins de garantir o cionário e precário o particular não terá direito à indeni-
retorno do investimento realizado pela concessionária, a co- zação, caso o poder público revogue o benefício.
brança de uma tarifa de alto valor aos usuários. Contudo, se
os ingressos para os jogos de futebol passassem a custar Súmulas do STF
R$400,00, somente uma parcela restrita de cidadãos poderia • Súmula Vinculante n. 19: A taxa cobrada exclusi-
assistir aos jogos, você não concorda? Dessa maneira, para vamente em razão dos serviços públicos de coleta,
fins de garantir a modicidade das tarifas cobradas pela con-
remoção e tratamento ou destinação de lixo ou re-
cessionária e visando assegurar o acesso a esse serviço pelo
síduos provenientes de imóveis, não viola o artigo
maior número de pessoas, adicionalmente à tarifa cobrada
pelos usuários, o Estado de Minas Gerais realiza o pagamen-
145, il, da constituição federal.
to/contraprestação de uma quantia à concessionária -> trata- • Súmula Vinculante n. 27: Compete à justiça es-
se de exemplo típico de parceria público-privada. tadual julgar causas entre consumidor e conces-
sionária de serviço público de telefonia, quando a
em estudo técnico e deve encontrar-se prevista no Anatei não seja litisconsorte passiva necessária,
plano plurianual. O julgamento da licitação pode assistente, nem o poente.
adotar como critério o menor valor da tarifa do serviço • Súmula Vinculante n. 29: É constitucional a
público a ser prestado, melhor proposta em razão da adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais
combinação de critérios menor valor da tarifa e melhor elementos da base de cálculo própria de determi-
técnica e menor valor da contraprestação a ser paga. nado imposto, desde que não haja integral identi-
dade entre uma base e outra.
Explicação da Lei Seca
• Súmula n. 157: É necessária prévia autorização
6.9. PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLI- do presidente da república para desapropriação,
CO pelos estados, de empresa de energia elétrica.
A permissão de serviços públicos também encontra- • Súmula n. 344: Sentença de primeira instân-
se prevista no texto constitucional e regulamentada, cia concessiva de «habeas corpus», em caso de
na lei 8.987/95, como forma de delegação de serviço crime praticado em detrimento de bens, serviços
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ou interesses da união, está sujeita a recurso «ex


officio».
• Súmula n. 477: As concessões de terras devolu-
tas situadas na faixa de fronteira, feitas pelos es-
tados, autorizam, apenas, o uso, permanecendo
o domínio com a união, ainda que se mantenha
inerte ou tolerante, em relação aos possuidores.
• Súmula n. 516: O serviço social da indústria
(SESI) está sujeito à jurisdição da justiça estadual.
• Súmula n. 545: Preços de serviços públicos e
taxas não se confundem, porque estas, diferente-
mente daqueles, são compulsórias e têm sua co-
brança condicionada à prévia autorização orça-
mentária, em relação à lei que as instituiu.
• Súmula n. 670: O serviço de iluminação pública
não pode ser remunerado mediante taxa.
Súmulas do STJ
• Súmula n. 356: É legítima a cobrança da tarifa
básica pelo uso dos serviços de telefonia fixa.
• Súmula n. 391: O ICMS incide sobre o valor da
tarifa de energia elétrica correspondente à de-
manda de potência efetivamente utilizada.
• Súmula n. 407: É legítima a cobrança da tarifa
de água fixada de acordo com as categorias de
usuários e as faixas de consumo.
• Súmula n. 506: A Anatei não é parte legítima nas
demandas entre a concessionária e o usuário de
telefonia decorrentes de relação contratual.

90 Número de acertos = ______


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XI. SERVIÇOS PÚBLICOS


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade,


eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade
das tarifas. A atualidade compreende a modernidade das técnicas, do equipamento e
das instalações e a sua conservação, bem como a melhoria e expansão do serviço.

Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação


de emergência, por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, por
inadimplemento do usuário.

Serviços “uti universi” ou gerais ou coletivos são aqueles serviços que a Administração
presta para atender à coletividade no seu todo. Estes serviços são, em regra, indivisíveis,
isto é, não é possível mensurar a utilização do serviço por cada cidadão, não criam
vantagens particularizadas para cada usuário. Por essa razão esses serviços são
mantidos pela receita geral de impostos.

A assinatura do contrato de concessão exige a realização de licitação na modalidade


concorrência, enquanto no contrato de permissão, por sua vez, qualquer modalidade
pode ser utilizada.

A encampação refere-se à rescisão unilateral do contrato de concessão pelo poder


público em razão do interesse público superveniente.

A caducidade refere-se à modalidade de rescisão unilateral em razão da inexecução


total ou parcial do contrato por parte da concessionária.

TOTAL 59%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
XI. SERVIÇOS PÚBLICOS
Art. 175 CF: Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão
ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter espe-
cial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e 1a4
rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

Art. 6º lei nº 8.987/95 Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado
ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no
respectivo contrato. 5 a 37
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência,
segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas.
Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:
I - poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se
encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão
ou permissão;
II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, me-
diante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio
de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo
determinado; (Redação dada pela Lei nº 14.133, de 2021)
III - concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou
38 a 72
parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse públi-
co, delegados pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo
competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua
realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado
e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; (Redação
dada pela Lei nº 14.133, de 2021)
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação
de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capaci-
dade para seu desempenho, por sua conta e risco.

Art. 6º § 3º lei nº 8.987/95 Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção
em situação de emergência ou após prévio aviso, quando:
73 a 106
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.

Art. 7º- A lei nº 8.987/95 As concessionárias de serviços públicos, de direito público e privado, nos
Estados e no Distrito Federal, são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês
107 a 109
de vencimento, o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus
débitos.

Art. 11 lei nº 8.987/95 No atendimento às peculiaridades de cada serviço público, poderá o poder
concedente prever, em favor da concessionária, no edital de licitação, a possibilidade de outras
fontes provenientes de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos asso-
ciados, com ou sem exclusividade, com vistas a favorecer a modicidade das tarifas, observado o
110 a 115
disposto no art. 17 desta Lei.
Parágrafo único. As fontes de receita previstas neste artigo serão obrigatoria-mente
consideradas para a aferição do inicial equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

Art. 25 lei nº 8.987/95: Incumbe à concessionária a execução do serviço con-cedido, cabendo-


lhe responder por todos os prejuízos causados ao poder con-cedente, aos usuários ou a
116 a 129
terceiros, sem que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou atenue essa
responsabilidade.
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8- Controle e responsabilização da
administração: controle administra- QUESTÃO DE PROVA
tivo; controle judicial; controle leg- O controle exercido pela Corregedoria do Tribunal de Justiça
de um estado sobre os atos praticados por serventuários da
islativo; responsabilidade civil do justiça é classificado, quanto à natureza do controlador e à

Estado. Lei nº8.429/1992 (sanções extensão, como controle administrativo e interno.


Correto
aplicáveis aos agentes públicos
nos casos de enriquecimento ilícito 1. CLASSIFICAÇÃO DAS FORMAS
no exercício de mandato, cargo, DE CONTROLE
emprego ou função da adminis- O controle dos atos administrativos pode ser dividido
tração pública direta, indireta ou em diversas categorias, são elas:

fundacional e dá outras providên-


cias) 1.1. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO
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MOMENTO DO EXERCÍCIO
Analisando as questões relacionadas a esse
capítulo, resta claro que o controle externo dos atos Controle Prévio: pode ser definido como aquele
administrativos, em particular o controle realizado pelo controle que é desempenhado antes da prática do
Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas ato administrativo, ou seja, antes mesmo de sua
É UM ASSUNTO MUITO COBRADO nas provas de edição. O ato administrativo poderá se sujeitar a esse
Concurso Público. controle quanto ao preenchimento dos seus requisitos
formais, bem como de seu mérito, de forma que sua
O tema “Controle da Administração” encontra eficácia poderá ficar suspensa até a aprovação pelo
fundamento no fato de que a Administração Pública órgão controlador. Um exemplo desse tipo de controle
tem como função realizar a gestão da coisa pública que encontra-se no art. 49, II, da Constituição Federal:
pertence ao povo (titular do patrimônio público), razão
pela qual a administração deve respeitar os limites “Art. 49. É da competência exclusiva do Congres-
que decorrem do princípio da “Indisponibilidade do so Nacional: Explicação da Lei Seca
Interesse Público”. Portanto, como mera gestora da II – autorizar o presidente da República a decla-
coisa pública, a Administração deve atuar em estrita rar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
observância ao Princípio da Legalidade e primar, a estrangeiras transitem pelo território nacional ou
todo o momento, pela busca pelo interesse público. nele permaneçam temporariamente, ressalvados
os casos previstos em lei complementar;”
Nesse sentido, esse tópico estuda os instrumentos
de fiscalização da atuação administrativa. Esse Note que uma eventual declaração de guerra pelo
aspecto pode ser conceituado como o conjunto de in- presidente da República só terá eficácia mediante
strumentos de controle dos atos, medidas, agentes, a aprovação pelo Congresso Nacional. Em geral,
órgãos e entidades administrativas, sejam esses esse tipo de controle ocorre nas hipóteses em que um
mecanismos utilizados pela própria Administração, controle posterior seria ineficaz.
Poder Judiciário e Legislativo e ainda pelo próprio Controle Concomitante: refere-se ao controle re-
povo. alizado no momento da realização do ato e permite
a verificação de sua regularidade. Nessa situação,
FICA A DICA
o ato administrativo se sujeita ao controle durante
O termo Controle da Administração não se confunde com a sua edição e, caso for considerado irregular, terá
“Controle Administrativo”.Conforme explicado, o termo sua eficácia suspensa. Ex.: fiscalização que o órgão
“Controle da Administração” refere-se aos meios de
fiscalizador exerce sobre a prestação de serviços
controle dos atos e entidades administrativas e contempla
o controle interno, externo e popular. Já o termo Controle públicos pela Admi-nistração Indireta ou por conces-
Administrativo refere-se apenas ao controle interno sionário/permissionário de serviço.
realizado pela própria Administração que deriva do poder
Controle Posterior: ocorre após a edição do ato
hierárquico e princípio da autotutela.
administrativo, o órgão de controle irá analisar o ato
administrativo, podendo corrigi-lo, desfazê-lo ou con-
firmá-lo. Conforme estudado, o ato administrativo está
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sujeito à declaração de nulidade, caso verificado vício nos órgãos e entidades da administração
de legalidade, e à revogação, caso o mesmo não seja federal, bem como da aplicação de recursos
conveniente e oportuno. Destaca-se que o ato está su- públicos por entidades de direito privado;
jeito até mesmo ao controle para fins de conferir III – exercer o controle das operações de crédito,
eficácia ao ato administrativo como ocorre na ho- avais e garantias, bem como dos direitos e haveres
mologação de um determinado procedimento lici- da União; Explicação da Lei Seca
tatório. IV – apoiar o controle externo no exercício de sua
missão institucional.
QUESTÃO § 1º Os responsáveis pelo controle interno,
QUADRIX 2019 ao tomarem conhecimento de qualquer
O controle judicial sobre a Administração é exclusi-vamente
irregularidade ou ilegalidade, dela darão
posterior, sob pena de vulneração do princípio da separação
de poderes.
ciência ao Tribunal de Contas da União, sob
pena de responsabilidade solidária. [...]”
Errado
QUESTÃO ESAF
Segue abaixo um exemplo de controle posterior (tam- O controle interno da Admi-nistração Pública se caracte-riza
bém chamado de a posteriori ou subsequente), no art. pela fiscalização que ela exerce sobre os atos e atividades
49, I da CF/88: Explicação da Lei Seca de seus órgãos e das entidades descentralizadas vinculadas
a ela.
“Art. 49. É da competência exclusiva do Congres- Correto
so Nacional:
V – sustar os atos normativos do Poder Executivo
QUESTÃO CESPE
que exorbitem do poder regulamentar ou dos lim-
O controle pode ser interno ou externo, conforme o órgão seja
ites de delegação legislativa;” integrante, ou não, da estrutura em que se insere o órgão con-
ATENÇÃO
trolado.

1.2. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À Correto


ORIGEM
Controle Externo: refere-se ao controle realizado por
Controle interno: refere-se ao controle exercido den- entidade alheia ao poder que editou o ato adminis-
tro do âmbito de um mesmo poder, ou seja, controle trativo, ou seja, trata-se do controle exercido por um
que é exercido pelo próprio poder que editou aquela poder sobre as medidas editadas por outro poder. Ex.:
medida. Esse controle será desempenhado pelo próp- o Poder Judiciário poderá anular o ato administrativo
rio órgão que editou a medida administrativa, por ilegal expedido pelo Poder Executivo.
órgãos que estejam hierarquicamente superiores
àquele e se manifesta, ainda, no controle que é re- Controle Popular: em razão do fato de que “a coisa
alizado pela administração direta frente aos entes pública” pertence à coletividade e em atenção ao
da administração indireta. Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público, o
texto constitucional estabelece mecanismos de con-
FICA A DICA
trole popular quanto aos atos editados pela Adminis-
Convém destacar que o referido órgão que editou o ato não tração, no sentido de verificação da legalidade da atu-
será, necessariamente, integrante do Poder Executivo, uma
ação do Poder Público. Nesse sentido, o art. 5º, LXXIII
vez que os poderes Judiciário e Legislativo, também, ex-
ercem funções administrativas, ainda que atipicamente.
da Constituição estabelece que “qualquer cidadão é
Nesse sentido, dispõe o art. 74 da Constituição Federal: parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou entidade de
que o Estado participe, à moralidade administrativa,
“Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.”
Judiciário manterão, de forma integrada, sistema
de controle interno com a finalidade de:
I – avaliar o cumprimento das metas previstas 1.3. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO
no plano plurianual, a execução dos programas ASPECTO CONTROLADO
de governo e dos orçamentos da União;
II – comprovar a legalidade e avaliar os Controle de Legalidade: é realizado no sentido de
resultados, quanto à eficácia e eficiência, da verificar se o ato foi editado em conformidade com o
gestão orçamentária, financeira e patrimonial ordenamento jurídico legal (normas constitucionais,
leis complementares, leis ordinárias e etc). No que
92 Número de acertos = ______
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tange ao controle de legalidade, cumpre salientar fins de ocupação do cargo de dirigente da Agência
que a partir da EC 45/2004 tornou-se obrigatória a Reguladora. Esse ato é um ato de mérito do Poder
observância, pela Administração Pública, do texto Legislativo que goza de discricionariedade, contudo, a
das súmulas vinculantes editadas pelo Supremo não aprovação não enseja a revogação ou substitui
Tribunal Federal. Nesse sentido, dispõe o art. 103-A o ato de escolha do Presidente, tão somente impede
da Constituição Federal: que este ato produza efeitos.
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, Além disso, ressalta-se que a despeito do fato de que
de ofício ou por provocação, mediante decisão de o Poder Judiciário não exerce o controle de mérito
dois terços dos seus membros, após reiteradas dos atos administrativos editados pelo Executivo, a
decisões sobre matéria constitucional, aprovar este poder compete a análise quanto os limites da
súmula que, a partir de sua publicação na impren- atuação discricionária administrativa que deve se
sa oficial, terá efeito vinculante em relação aos de- dar em conformidade com a lei. Conforme estudado,
mais órgãos do Poder Judiciário e à administração a Administração Pública deve observar os princípios
pública direta e indireta, nas esferas federal, es- administrativos, orientações normativas quanto à sua
tadual e municipal, bem como proceder à sua re- atuação, dentre esses o princípio da razoabilidade e
visão ou cancelamento, na forma estabelecida em proporcionalidade. Nesse sentido, em atenção a es-
lei. ses mandamentos, o Poder Judiciário poderá verificar
se a medida administrativa discricionária foi editada
Destaca-se que o controle de legalidade pode ser
pelo Executivo em observância a esses princípios ou
desempenhado pela própria Administração, quan-
se fora praticada em flagrante abuso de poder, ou seja,
do do exercício da autotutela, e também pode ser
caso for verificado que a conduta administrativa ex-
exercido pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legis-
trapola os limites da razoabilidade, o Poder Judiciário
lativo, nas hipóteses previstas na Constituição. Nos
poderá decidir que medida discricionária da admin-
termos da Súmula nº 347 do STF, “O Tribunal de
istração é ilegal, ensejando a anulação do ato.
Contas, no exercício de suas atribuições, pode
apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos Portanto, o Poder Judiciário poderá anular um ato ad-
do poder público”. ministrativo discricionário que fora editado em desre-
speito aos princípios constitucionais. Cumpre
Controle de Mérito: o controle de mérito está ligado à
destacar que em qualquer situação o controle desem-
conveniência e oportunidade de edição daquela medida.
penhado pelo Poder Judiciário ensejará a anulação
Em regra, o controle de mérito será desempenhado
da medida (não há controle de mérito). Portanto, em
exclusivamente pelo próprio poder que editou
nenhuma hipótese é possível a revogação do ato ad-
o ato administrativo. Portanto, em razão do fato
ministrativo editado pelo Poder Executivo pelo Poder
de que todos os poderes estruturais desempenham,
Judiciário. Isto é, somente o controle de mérito realiza-
ainda que atipicamente, funções administrativas,
do pela Administração poderá ensejar a revogação da
esses poderão, nessa medida, revogar seus próprios
medida, que refere-se à retirada do mundo jurídico
atos que já não mais se mostram convenientes e
de atos válidos, porém, inconvenientes e inoportunos.
oportunos. Ou seja, quando determinado poder, seja
este Executivo, Legislativo e Judiciário, editar uma A revogação enseja a retirada do ato válido, resguar-
medida administrativa, o mesmo poderá revogá-la. dados os direitos adquiridos, gerando efeitos ex nunc,
ou seja, efeitos prospectivos.
Mas existem situações em que um Poder irá
desempenhar o controle de mérito de um ato TRADUÇÃO JURÍDICA

editado por um outro Poder? “Como assim prof.?”


Em um determinado Processo Administrativo Disciplinar a Ad-
Em algumas hipóteses constitucionalmente previstas, ministração opta por aplicar uma penalidade severa que não
o Poder Legislativo desempenhará o denominado corresponde à gravidade da infração leve que fora cometida
pelo servidor público. Nesse caso, o Poder Judiciário poderá
controle político, que trata acerca do controle de
anular esse ato discricionário da Administração em razão à
mérito desempenhado por esse poder quando ofensa ao princípio da proporcionalidade.
o ato praticado pelo Executivo carece de prévia
autorização do Legislativo. A título exemplificativo,
podemos citar o ato de aprovação pelo Senado dos 1.4. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO
nomes escolhidos pelo Presidente da República para ÓRGÃO CONTROLADOR
Número de acertos = ______ 93
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Controle Administrativo: trata-se do controle inter- Reguladora.


no, ou seja, aquele que é exercido pelo próprio poder Portanto, a discricionariedade e o controle de mérito
que editou o ato administrativo. desempenhado pelo Legislativo, nessas hipóteses
Esse controle pode ser realizado: previstas na Constituição, não se refere à possibilidade
• pelo próprio órgão que editou o ato administrativo; de revogar uma medida tomada pelo Poder
Executivo e sim ao controle político previsto no texto
• pelo órgão hierarquicamente superior ao que edi-
constitucional, tão somente no sentido de impedir que
tou o ato administrativo;
o ato produza efeitos.
• por um órgão especializado.

FICA A DICA QUESTÃO ESAF


Autotutela Compete ao Poder Judiciário, como mecanismo de controle
A Administração pode anular os atos ilegais ou revogar judicial, sustar, de ofício, os atos normativos do Poder Execu-
os atos inconvenientes e inoportunos. O controle tivo que exorbitem do
administrativo encontra fundamento no poder-dever de poder regulamentar.
autotutela, que poderá ser exercido de ofício ou mediante Errado
provocação dos administrados. Cumpre ressaltar que em
razão do fato de que cada poder desempenha, ainda que
atipicamente, funções administrativas, todos os poderes Controle legislativo direto: exercido pelos seguintes
poderão desempenhar o controle interno de suas órgãos legislativos -> Congresso Nacional; Assem-
próprias medidas. bleias Legislativas; Câmaras de Vereadores; Comis-
sões Parlamentares.
2. CONTROLE LEGISLATIVO OU A Constituição estabelece em seu art. 49, X a
competência ao Poder Legislativo para controlar os
PARLAMENTAR
atos do Poder Executivo. Trata-se de um controle com
O controle legislativo refere-se ao controle realizado caráter político e financeiro realizado pelo Poder
pelo Poder Legislativo frente aos atos administrativos, Legislativo, exercido em hipóteses expressamente
sejam esses editados pelo Poder Executivo, Judiciário previstas no texto constitucional, com o escopo de
ou até mesmo pelo próprio Poder Legislativo. proteger o princípio da separação dos poderes. Cumpre
ressaltar que o Poder Legislativo deve exercer controle
CONTROLE LEGISLATIVO financeiro, orçamentário, contábil, operacional e
É MUITO COBRADO patrimonial das entidades responsáveis pela gestão
QUESTÃO CESPE de dinheiro público e, para tanto, conta com o
Nos governos presidencialistas, o controle do Poder Legislativo auxílio do Tribunal de Contas.
sobre
São instrumentos de controle do Poder Legislativo:
a Administração Pública tem efeito
direto, podendo o • Art. 49, V: sustar os atos do Poder Executivo que
Congresso Nacional anular exorbitem o Poder Regulamentar: o art.84, IV da
atos administrativos ilegais. Constituição Federal confere ao Chefe do Poder
Errado Executivo o poder de regulamentar de editar
O controle que o Poder Legislativo realiza frente aos decretos visando a fiel execução da lei. Entretanto,
atos editados pelos outros poderes possui fundamen- o mencionado poder regulamentar deverá ser
to constitucional, ou seja, somente a Constituição desempenhado em conformidade com a lei, ou
estabelece as hipóteses em que esse controle irá seja, não poderá o presidente da República fazer
se manifestar. Trata-se de controle externo de cunho uso desse poder para fins de promover a inovação
no ordenamento jurídico. Desse modo, nos casos
político, superando a mera análise legal e abrangendo,
em que o poder regulamentar ultrapassar os seus
em algumas situações previstas na Constituição Fed-
limites e promover qualquer inovação desse tipo,
eral, o controle quanto a conveniência e oportuni-
caberá ao Poder Legislativo sustar as disposições
dade, ou seja, o mérito da medida administrativa.
do decreto.
Nesse último caso, o Poder Legislativo atua com ampla
Nesse mesmo sentido, na situação em que o
discricionariedade. A título exemplificativo cabe
Presidente receber, mediante delegação do
citar as situações em que é necessária autorização
Congresso Nacional, a competência para edição
(discricionária) do Poder Legislativo para a prática
de leis delegadas e caso a lei extrapolar os limites
de um ato pelo Poder Executivo, como acontece na da delegação definidos em resolução, compete
situação de escolha do dirigente de uma Agência
94 Número de acertos = ______
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ao Poder Legislativo sustar as disposições A fiscalização contábil e financeira atinge todas as en-
exorbitantes. tidades que façam uso de recursos públicos e será
• Art.50: convocar Ministro de Estado ou quais- realizada nos termos do art.70 da Constituição Federal
quer titulares dos órgãos diretamente subordina- que assim estabelece: Explicação da Lei Seca
dos à Presidência da República para prestarem “Art. 70. A fiscalização contábil, financeira,
informações sobre assunto determinado. orçamentária, operacional e patrimonial da
• Art. 58: instauração das Comissões União e das entidades da administração direta
Parlamentares de Inquérito. Nesse sentido, e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
dispõe o art. 58 da Constituição Federal: economicidade, aplicação das subvenções
e renúncia de receitas, será exercida pelo
“§ 3º - As comissões parlamentares de inquérito,
Congresso Nacional, mediante controle externo, e
que terão poderes de investigação próprios das
pelo sistema de controle interno de cada Poder.
autoridades judiciais, além de outros previstos nos
regimentos das respectivas Casas, serão criadas Parágrafo único. Prestará contas qualquer
pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Fed- pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que
eral, em conjunto ou separadamente, mediante re- utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre
querimento de um terço de seus membros, para a dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a
apuração de fato determinado e por prazo certo, União responda, ou que, em nome desta, assuma
sendo suas conclusões, se for o caso, encamin- obrigações de natureza pecuniária.”
hadas ao Ministério Público, para que promova a
Em conformidade com o texto transcrito acima, tem-
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.”
se que o controle externo realizado pelo Poder
• Art. 71: sustar execução de contrato Legislativo conta com o auxílio do Tribunal de Contas
administrativo objeto de impugnação perante competente. Além disso, o mencionado diploma
o Tribunal de Contas da União. legal ressalta, ainda, o controle interno que será
Compete ao Congresso Nacional sustar os desempenhado por cada poder. Nesse sentido, no
contratos administrativos que apresentem qualquer âmbito da União, o controle interno referente aos
ilegalidade. Cabe destacar que, caso o Congresso repasses de recursos federais para os municípios é
Nacional e o Poder Executivo não realizarem as realizado pela Controladoria-Geral da União e isso
medidas cabíveis para promover a sustação do não fere a autonomia municipal ou a competência
contrato no prazo de 90 dias, caberá ao Tribunal do Tribunal de Contas da União de desempenhar o
de Contas decidir a respeito. controle externo. MUITA ATENÇÃO
• Art. 49, IX: julgar anualmente as contas presta- O mencionado controle externo
dos pelo presidente República. visa assegurar o correto uso da verba pública, sen-
Destaca-se que trata-se do controle quanto às do este um controle financeiro de legalidade quanto à
contas dos Chefes do Poder Executivo pelo gestão dos recursos públicos, com vistas a preser-
Poder Legislativo nas diversas esferas federativas var o erário.
(Congresso Nacional, Assembleia Legislativa,
Câmara Municipal ou Câmara Legislativa do
Distrito Federal). Ou seja, as contas dos chefes 4. TRIBUNAL DE CONTAS
do Poder Executivo serão julgadas pelo Poder Os Tribunais de Contas são órgãos que se
Legislativo, contudo, as contas dos demais encontram vinculados ao Poder Legislativo,
administradores públicos serão julgadas pelo
uma vez que auxiliam esse poder no controle das
Tribunal de Contas da União, Estado ou do
contas do Executivo, entretanto, não se encontram
Município no qual o agente encontra-se inserido.
hierarquicamente subordinados a esse Poder.
• Art. 49, XII, XVI, XVIII: autorizar ou aprovar deter- Esses tribunais possuem a competência para
minados atos do Poder Executivo. fiscalização de quaisquer pessoas físicas ou jurídicas,
• Art. 70, caput: exercer a competência contábil, fi- públicas ou privadas, que façam uso de recurso
nanceira e orçamentária federal. público.
Explicação da Lei Seca Destaca-se que os Tribunais de Contas, a despeito da
3. FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FI- denominação que recebem, não exercem função de
jurisdição com caráter de definitividade.
NANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA
Número de acertos = ______ 95
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FICA A DICA Público, excetuadas as nomeações para cargo


O TCU (assim como a banca CESPE) entende que os tribu- de provimento em comissão, bem como a das
nais de contas não integram o Poder Legislativo, ou seja, tra- concessões de aposentadorias, reformas e
ta-se de um órgão de extração constitucional, independente pensões, ressalvadas as melhorias posteriores
e autônomo. que não alterem o fundamento legal do ato
concessório;
Atualmente, existem no Brasil: Tribunal de Contas da IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos
União, Tribunais de Contas dos Estados, Tribunal de Deputados, do Senado Federal, de Comissão téc-
Contas do Distrito Federal, Tribunal de Contas do nica ou de inquérito, inspeções e auditorias de
Município do Rio de Janeiro e Tribunal de Contas natureza contábil, financeira, orçamentária, opera-
do Município de São Paulo (sendo somente esses cional e patrimonial, nas unidades administrativas
dois tribunais de contas municipais). dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e
demais entidades referidas no inciso II;
CONTROLE DESEMPENHADO PELO TRIBUNAL DE CON- V - fiscalizar as contas nacionais das empresas
TAS DESPENCA NAS PROVAS! supranacionais de cujo capital social a União
Cabe aos Tribunais de Contas o exercício da fiscalização por participe, de forma direta ou indireta, nos ter-
meio de controle externo no que diz respeito à legalidade, à mos do tratado constitutivo;
legitimidade, à economicidade e à aplicação das subvenções
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos re-
e renúncia de receitas.
Correto passados pela União mediante convênio, acordo,
ajuste ou outros instrumentos congêneres, a es-
tado, ao Distrito Federal ou a município;
Compete aos Tribunais de Contas a possibilidade de VII - prestar as informações solicita legalidade,
sustar atos administrativos viciados (art. 71, I CF/88), legitimidade, das pelo Congresso Nacional, por
contudo, tal prerrogativa não se estende aos contra- qualquer de suas Casas, ou por qualquer das re-
tos administrativos, haja vista que nesse último caso spectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil,
a sustação se dará pelo próprio Congresso Nacional financeira, orçamentária, operacional e patrimonial
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo que e sobre resultados de auditorias e inspeções re-
tome as medidas cabíveis. Caso o Poder Legislativo alizadas;
tenha sido notificado para tal e, após 90 dias, não de- VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegali-
cidir sobre o tema, o Tribunal de Contas decidirá a re- dade de despesa ou irregularidade de contas, as
speito. Em suma, compete ao Tribunal de Contas da sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre
União (leiam todo o artigo): outras cominações, multa proporcional ao dano
causado ao erário;
MUITA ATENÇÃO
“Art. 71. O controle IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade
nesse artigo e nos
externo, a cargo do adote as providências necessárias ao exato cum-
pontos destacados em
Congresso Nacional, negrito primento da lei, se verificada ilegalidade;
será exercido com o X - sustar, se não atendido, a execução do ato im-
auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual pugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
compete: Explicação da Lei Seca Deputados e ao Senado Federal;
I - apreciar as contas prestadas anualmente XI - representar ao Poder competente sobre irreg-
pelo presidente da República, mediante parec- ularidades ou abusos apurados.
er prévio que deverá ser elaborado em sessen- § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será
ta dias a contar de seu recebimento; adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
II - julgar as contas dos administradores e de- que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as
mais responsáveis por dinheiros, bens e va- medidas cabíveis.
lores públicos da administração direta e indire- § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Exec-
ta, incluídas as fundações e sociedades instituídas utivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as
e mantidas pelo Poder Público federal, e as con- medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal
tas daqueles que derem causa a perda, extravio decidirá a respeito.
ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao § 3º As decisões do Tribunal de que resulte
erário público; imputação de débito ou multa terão eficácia de
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade título executivo.
dos atos de admissão de pessoal, a qualquer § 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Na-
título, na Administração Direta e Indireta, incluídas cional, trimestral e anualmente, relatório de suas
as fundações instituídas e mantidas pelo Poder atividades.”
96 Número de acertos = ______
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do contraditório e ampla defesa ao particular.


QUESTÃO CESPE
Compete ao controle externo exercido pelo Tribunal de Con- FICA A DICA
tas da União fiscalizar as contas das empresas supranacion-
A Constituição Federal 1988 assegura a qualquer cidadão,
ais de cujo capital social a União participe excepcionalmente
partido político, associação ou sindicato é parte legítima para
de forma direta.
denunciar irregularidades perante o Tribunal de Contas (art.
Errado 74, §2º, CF).

4.1. OS TRIBUNAIS DE CONTAS E O


PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E ATENÇÃO para o controle realizado
pelo Poder Judiciário. CAI EM PROVA!
AMPLA DEFESA Considere que, constatada a ausência de servidores em uni-
dades de determinada autarquia no estado do Acre e no de
Em 2007, o Supremo Tribunal Federal aprovou a
Minas Gerais, o presidente da Autarquia tenha determinado
Súmula Vinculante nº 3 que estabelece que, “nos pro-
a remoção de um servidor do Distrito Federal para a unidade
cessos perante o Tribunal de Contas da União asseg- no Acre. Considere, ainda, que o servidor tenha ajuizado ação
uram-se o contraditório e a ampla defesa quando da pleiteando a remoção para a unidade de Minas Gerais, mais
decisão puder resultar anulação ou revogação do ato próxima de seu domicílio atual. Nessa situação, hipotética, o
administrativo que beneficie o interessado, excetuada Poder Judiciário poderá determinar a revogação do ato ad-
a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial ministrativo de remoção, determinando que o servidor seja
de aposentadoria, reforma ou pensão”. Portanto, nos removido para a unidade mineira.
processos em que o TCU realiza a análise dos atos Errado
de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão, não há direito a contraditório e a ampla
defesa. Entretanto, nos processos administrativos em QUESTÃO FCC
que o Tribunal aprecia os atos de admissão de pes- O Poder Judiciário só tem competência para revogar os atos
soal na Administração Pública, deve ser assegurado administrativos por ele mesmo produzidos.
o contraditório e a ampla defesa ao administrado Correto
quando a decisão implicar a anulação de ato que ben-
eficie o particular. QUESTÃO IDECAN 2019
O controle político ou administrativo também é exercido pelo
O texto da referida súmula reside no fato de que o ato Poder Judiciário quando, no exercício de sua função jurisdi-
de concessão de aposentadoria é um ato complexo, cional, aprecia a legalidade dos atos praticados pela Admin-
ou seja, ato que somente se aperfeiçoa mediante a istração Pública.
conjugação de duas manifestações de vontade de Errado
dois órgãos distintos, do órgão de lotação do agente
público e do Tribunal de Contas. Portanto, no momen-
to em que o órgão de lotação do servidor manifesta 5. CONTROLE JUDICIAL
vontade pela concessão de aposentadoria o ato não
resta perfeito. Trata-se de um ato incompleto, que so- O controle judicial, como o próprio nome já diz,
mente irá se aperfeiçoar mediante registro da aposen- refere-se ao controle realizado pelo Poder Ju-
tadoria pelo Tribunal, quando o ato se torna completo diciário sobre os atos administrativos editados,
e concluído. Portanto, antes da manifestação de von- tipicamente pelo Poder Executivo e, atipicamente,
tade pelo TCU não há qualquer espécie de negativa pelo Poder Legislativo e pelo próprio Poder Ju-
do direito do administrado, haja vista que o direito não diciário.
foi concedido (o ato não chegou a se aperfeiçoar) e,
Conforme estudado, o Controle Judicial atinge apenas
portanto, não há contraditório e ampla defesa en-
a legalidade dos atos administrativos e nunca o mérito
quanto o ato está sendo formado.
administrativo, inclusive aspectos da legalidade ligado
No tocante a esse tema, cabe destacar que o TCU tem
aos limites de discricionariedade administrativa,
o prazo de cinco anos para efetuar a aprovação, para
independentemente de qual poder o tenha editado. Em
fins de registro, do ato de concessão inicial de aposen-
outras palavras, o Poder Judiciário pode anular atos
tadoria. Após esse prazo, opera-se a aprovação tácita
administrativos, mas não pode revogá-los, exceto
do ato de concessão de aposentadoria. Ou seja, o
se estiver exercendo controle interno (função
Tribunal de Contas ainda poderá apreciar a legalidade
do ato de concessão mas, nesse caso, haja vista a atípica) dos seus PRÓPRIOS atos administrativos
aprovação tácita do direito de aposentar (o ato já se (quando o Poder Judiciário desempenha atipicamente
aperfeiçoou), o Tribunal deverá assegurar o exercício a função administrativa e determinar a revogação do
ato administrativo editado por ele).
Número de acertos = ______ 97
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Desse modo, não cabe ao judiciário, via de regra, re- judicial no qual caiba recurso com efeito suspensivo
alizar qualquer valoração quanto ao mérito administra- e de decisão transitada em julgado” (art. 5 da Lei
tivo de edição, ou não, daquele determinado ato ad- 12.016/2009).
ministrativo pelo Poder Executivo.
Além disso, conforme estabelece a Súmula 266 do
FICA A DICA STF “não cabe mandado de segurança contra lei em
Via de regra, a declaração de nulidade do ato administrativo tese”, somente leis de efeitos concretos haja vista que
tem a aptidão de suprimir o ato do ordenamento jurídico estas possuem destinatários diretos e podem violar,
desde o seu nascedouro. Em outras palavras, a anulação
diretamente, direitos individuais. Ademais, o manda-
gera efeitos “ex tunc”. Contudo, em algumas hipóteses,
conforme estudado no capítulo de atos administrativos, do de segurança não pode ser impetrado como ação
poderá haver modulação de efeitos em respeito ao princípio da substitutiva da ação de cobrança (Súmula 269 do
segurança jurídica e então teremos anulação gerando efeitos STF) nem tampouco com escopo de substituir a
ex nunc.
O controle judicial depende da provocação do juízo ação popular (Súmula 101 do STF).
competente por meio de uma das ações judiciais
específicas. As principais são: I – Mandado de Segurança; QUESTÃO DE PROVA
II – Ação Popular – Ação Civil Pú[Link]- Habeas Corpus; Suponha que uma autoridade administrativa delegue determi-
V – Mandado de Injunção; VI- Habeas Data; VII- Ação Civil
nada competência a um subordinado e que, no exercício des-
Pública; VIII- Ação de Improbidade.
sa delegação, este pratique ato ilegal que fira direito líquido e
certo. Nessa situação, eventual mandado de segurança deve
5.1. MANDADO DE SEGURANÇA ser impetrado em face da autoridade delegante.
Errado
Nos termos do art. 5º, LXIX da Constituição Federal
de 1988:
Por fim, o mandado de segurança não pode ser ajuiza-
“LXIX - conceder-se-á mandado de segurança do para proteger direito amparado por habeas corpus
para proteger direito líquido e certo, não amparado ou habeas data, tendo, portanto, natureza residual.
por habeas corpus ou habeas data, quando o re-
sponsável pela ilegalidade ou abuso de poder for 5.1.1. Mandado de segurança coletivo
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
no exercício de atribuições do Poder Público;” A disciplina processual do mandado de segurança
coletivo é a mesma do mandado de segurança
Desse modo, quando direito líquido e certo de pes-
individual e, assim como mandado de segurança
soa física ou jurídica for violado ou sofrer ameaça de
individual, o mandado de segurança coletivo tem como
lesão por um ato ilegal, caberá o ajuizamento do man-
pressuposto a existência de direito líquido e certo
dado de segurança. Portanto, será protegido o direito
violado ou ameaçado de lesão. Os direitos protegidos
subjetivo líquido e certo que esteja sendo violado ou
pelo mandado de segurança coletivo podem ser, nos
ameaçado de lesão por um ato de autoridade ilegal.
termos do art. 21 da Lei 12.016/2009:
Tem-se como direito líquido e certo aquele que pos-
sa ser comprovado sem necessidade de instrução I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta
processual de produção de provas, já na petição Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de
inicial. que seja titular grupo ou categoria de pessoas li-
gadas entre si ou com a parte contrária por uma
O mandado de segurança pode ser repressivo ou
relação jurídica básica;
preventivo, ou seja, poderá ser impetrado após a
II - individuais homogêneos, assim entendidos,
lesão ou diante da ameaça de lesão ao direito líquido e
para efeito desta Lei, os decorrentes de origem
certo do impetrante. Em suma, pretende-se através do
comum e da atividade ou situação específica da
mandado de segurança obter uma decisão judicial que
totalidade ou de parte dos associados ou mem-
determine a anulação do ato, ou exigência de uma
bros do impetrante.
dada atuação no caso de mandado de segurança
contra uma omissão administrativa, ou imponha Nos termos do art. 5º, LXX da Constituição Federal:
uma abstenção da administração quando se tratar
“LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser
de mandado de segurança preventivo.
impetrado por:
Destaca-se que não caberá mandado de segurança a) partido político com representação no Congres-
de “ato do qual caiba recurso administrativo com efeito so Nacional;
suspensivo, independentemente de caução; decisão b) organização sindical, entidade de classe

98 Número de acertos = ______


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ou associação legalmente constituída e em


funcionamento há pelo menos um ano, em defesa COMPETÊNCIA DO STF
dos interesses de seus membros ou associados;” São autoridades coautoras:
No que se refere à competência para impetrar o Presidente da República, Mesas da Câmara dos
mandado de segurança destaca-se que a exigência Deputados e do Senado Federal, Tribunal de Con-
de um ano de constituição e funcionamento tas da União, Procurador-Geral da República e
destina-se APENAS as associações, o partido Supremo Tribunal Federal.
político deve possuir representação de pelo menos um
deputado federal ou senador, em efetivo exercício no COMPETÊNCIA DO STJ
mandado. Essas entidades atuam em substituição São autoridades coautoras: Ministro de Estado,
processual, uma vez que postula, em nome próprio, Comandantes da Marinha, do Exército e da Aer-
direito de terceiros. Desse modo, a coisa julgada onáutica e Superior Tribunal de Justiça.
somente alcança os membros do grupo ou categoria
substituídos pelo impetrante (art.22). COMPETÊNCIA DO TRF

Conforme transcrito anteriormente, o mandado de São autoridades coautoras: ato do próprio Tribunal
segurança coletivo não induz litispen-dência para e Juiz Federal.
as ações individuais, ou seja, não induz a extinção da COMPETÊNCIA DO TJ
ação individual sem resolução de mérito, que ocorre
São autoridades coautoras as definidas nas Con-
quando verificado uma outra ação idêntica em curso.
stituições Estaduais.
Portanto, ainda que tenha sido ajuizado o mandado
de segurança coletivo em defesa dos membros de COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL
uma associação, qualquer um desses membros
São autoridades coautoras as definidas nas Con-
pode pleitear o mesmo direito em ação individual.
stituições Estaduais.
Entretanto, cumpre ressaltar que “os efeitos da coisa
julgada não beneficiarão o impetrante a título individual COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL
se não requerer a desistência de seu mandado de São autoridades coautoras: ato de autoridade fed-
segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da eral, com exceção daqueles de competência dos
ciência comprovada de mandado impetração da Tribunais Federais.
segurança coletiva”.
5.2. AÇÃO POPULAR
5.1.2. Diferença entre o mandado de
segurança e ação popular Nos termos do art. 5º, LXXIII da Constituição Federal
de 1988: Explicação da Lei Seca
A principal diferença entre essas ações reside no fato
de que o mandado de segurança coletivo visa defender “LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para
direito subjetivo, líquido e certo de titularidade dos propor ação popular que vise a anular ato lesivo
substituídos processuais. A ação popular, por sua ao patrimônio público ou de entidade de que o
vez, visa anular ato lesivo ao patrimônio público, à Estado participe, à moralidade administrativa, ao
moralidade administrativa, ao meio ambiente ou ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
patrimônio histórico e cultural. ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento
de custas judiciais e do ônus da sucumbência;”
Em se tratando de Mandado de Segurança a com-
petência para julgamento depende de quem foi a enti- Portanto, trata-se de uma ação para fins de anular o
dade coautora. Vejamos: ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade admin-
istrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e
cultural. Considera-se patrimônio público, para efeito
de tutela por meio da ação popular, “os bens e direi-
tos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou
turístico”. Destaca-se que não se exige a compro-
vação de prejuízo financeiro aos cofres públicos,
a mera ilegalidade é suficiente para configurar a
lesão ao patrimônio público.

Número de acertos = ______ 99


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A Lei 4.717/1965 estabelece que, além de anular o ato, e ação popular, nesta a legitimidade ativa é outorgada
a sentença condenará ao pagamento de perdas e da- ao cidadão e na ação civil pública, por sua vez, a legit-
nos aos responsáveis pelo ato e determinará a restitu- imidade é atribuída ao Ministério Público, à Defensoria
ição de valores indevidamente percebidos. Portanto, a Pública, aos entes federados, às entidades da Admin-
sentença terá natureza condenatória (comprovada a istração Pública Indireta e as associações.
culpa dos responsáveis pelo ato lesivo) e desconsti- Na ação popular, o pedido principal é a anulação do
tutiva (anulação do ato). ato de lesão ou ameaça de lesão aos bens jurídicos
tutelados e na ação civil pública, por sua vez, o pedido
Na ação popular, a lesão ou ameaça de lesão pode
refere-se ao cumprimento de obrigação de fazer ou
decorrer de um ato ou de uma conduta omissiva de
obrigação de não fazer ou condenação em dinheiro.
efeitos concretos. Destaca-se que não cabe ação
Contudo, cabe asseverar que tem sido aceito pelos
popular para fins de declaração com eficácia geral tribunais, inclusive pelo STF, o uso da ação civil pública
(erga omnes) da inconstitucionalidade de uma lei. com a finalidade de anulação de atos jurídicos, público
ou privados, em conformidade com a legislação.
QUESTÃO DE PROVA
É incabível a ação popular em modalidade preventiva, exig- Além disso, na ação popular, a sentença tem como
indo-se, para seu cabimento, lesão efetivamente já ocorrida. conteúdo principal a anulação o ato (sentença descon-
Errado stitutiva) e, subsidiariamente, a sentença será conde-
natória em perdas e danos, desde que comprovado
5.2.1. Sujeitos a culpa dos responsáveis pelo ato lesivo. Na ação
civil pública, por sua vez, a sentença é preponderante-
O legitimado na ação popular é o cidadão – nato ou
mente condenatória e não terá, em regra, natureza
naturalizado – eleitor – no gozo de direitos políticos. O
desconstitutiva.
legitimado passivo, por sua vez, encontra-se no art. 6º
da Lei 4.717/1965: Habeas corpus (art. 5º, LXVIII, CF: ação cabível
sempre que alguém sofrer ou for ameaçado de sofrer
“Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas coação na sua liberdade de locomoção, por ilegali-
públicas ou privadas e as entidades referidas dade ou abuso de poder.
no art. 1º, contra as autoridades, funcionários Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI, da CF/88): ação
ou administradores que houverem autorizado, cabível sempre que a falta de norma regulamentadora
aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, inviabiliza o exercício de direitos e liberdades constitu-
ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à cionais.
lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo.” Habeas data (art. 5º, LXXII, da CF): ação cabível
para fins de assegurar o conhecimento, retificação ou
5.3. AÇÃO CIVIL PÚBLICA contestação de informações da pessoa que impetrou o
habeas data, constantes nos registros públicos.
A ação civil pública visa a “proteção do patrimônio Ação de improbidade: estudada no próximo tópico.
público e social, do meio ambiente e de outros
interesses difusos e coletivos” (interesses públicos que
pertencem a grupos indeterminados de pessoas ou a
toda a sociedade). Desse modo, qualquer interesse
difuso ou coletivo pode ser tutelado pela ação civil
pública, independentemente de estar discriminado no
art. 1º da Lei 7.347/1985. Contudo, cabe ajuizamento de
ação civil pública para tutela de interesses individuais
homogêneos e interesses sociais relevantes.
A referida ação poderá ser preventiva ou repressiva e
o objeto do pedido poderá ser a condenação em din-
heiro ou o cumprimento da obrigação de fazer ou não
fazer (art. 3º).

5.3.1. Diferenças entre ação civil públi-


ca e ação popular
No que tange às diferenças entre a ação civil pública

100 Número de acertos = ______


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XII. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

Controle interno: O controle interno refere-se ao controle exercido dentro do âmbito de


um mesmo poder, ou seja, controle que é exercido pelo próprio poder que editou aquela
medida. Esse controle será desempenhado pelo próprio órgão que editou a medida
administrativa, por órgãos que estejam hierarquicamente superiores àquele, por órgãos
especializados.
Se manifesta, ainda, apesar de inexistir a hierarquia, no controle que é realizado pela
administração direta aos entes vinculados a ela, pertencentes a administração indireta,
chamado de Tutela Extraordinária, ou Ministerial.

O Controle Externo: refere-se ao controle realizado por entidade alheia ao poder que
editou o ato administrativo. Ou seja, trata-se do controle exercido por um poder sobre
as medidas editadas por outro poder. Esse controle pode ser exercido tanto por outros
órgãos Estatais (Tribunal de Contas), como pelos próprios administrados (Mandado de
Segurança, Ação Popular). Exemplo: o Poder Judiciário poderá anular o ato administra-
tivo ilegal expedido pelo Poder Executivo.

O controle de legalidade pode ser desempenhado pela própria Administração, quando


do exercício da autotutela, e também pode ser exercido pelo Poder Judiciário e pelo
Poder Legislativo, nas hipóteses previstas na Constituição. Nos termos da Súmula nº
347 do STF, “O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”.

“Art. 70 da CF. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial


da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será
exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle
interno de cada Poder.”

Conforme estudado, o Controle Judicial atinge o controle apenas quanto à legalidade


dos atos administrativos e nunca o mérito administrativo, inclusive aspectos da
legalidade ligada aos limites de discricionariedade administrativa, sempre mediante
provocação, independentemente de qual poder o tenha editado. Em outras palavras,
o Poder Judiciário pode anular atos administrativos, mas não pode revogá-los,
exceto se estiver exercendo controle interno dos próprios atos administrativos editados
pelo judiciário (função atípica).

TOTAL 40%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
XII. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO
Art. 49 CF É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de del- 1 a 12
egação legislativa;

Art. 74 CF: Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle
interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos
orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, 13 a 16
financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos
públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

Art. 70 CF A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades
da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções
e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de
17 a 25
controle interno de cada Poder.

Art. 71 CF O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Con-
tas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá
ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da ad-
ministração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo
ao erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na admin-
istração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as no-
meações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e
pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso
II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma
direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou
outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
26 a 36
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer
das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e
sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções
previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da
lei, se verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados
e ao Senado Federal;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará,
de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previs-
tas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.

ART. 5º LXXIII CF - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à morali-dade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
37 a 40
judiciais e do ônus da sucumbência.
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9- Lei n°9.784/1999 (Lei do Proces-


Princípio da Oficialidade é muito cobrado!
so Administrativo) Clique aqui para a
O Princípio da Oficialidade impõe à autoridade administrativa
vídeo-aula
competente a obrigação de impulsionar os processos administra-
Os pontos mais cobrados nesse capítulo são os tivos, para resolver adequadamente as questões, podendo essa
princípios que incidem no Processo Administrativo e os autoridade, inclusive, produzir provas para proteger o interesse
atos do procedimento em si. Cumpre destacar que os dos administrados.
recursos administrativos tem sido matéria frequente Correto
nas provas.
• Informalismo: no processo administra-
O processo administrativo pode ser conceituado como tivo impera a informalidade, ou seja, os atos devem
uma série de atos sucessivos e ordenados com a fi- adotar forma simples, suficientes para proporcionar
nalidade de assegurar a prática de uma medida ad- segurança jurídica e garantir o contraditório e am-
ministrativa. O processo administrativo poderá ser pla defesa. Em regra, os atos serão escritos ou, em
instaurado pela própria administração (autotutela algumas situações autorizadas, verbais e reduzidos
administrativa) ou mediante a provocação através a termo. Entretanto, a despeito do Princípio do Infor-
de uma das diversas hipóteses de petições adminis- malismo, nas situações em que uma norma legal esta-
trativas. Ademais, conforme já estudado, o particular belece uma forma determinada para a prática do ato, a
poderá a qualquer tempo, a despeito de ter sido instau- mesma deverá ser observada, sob pena de nulidade.
rado ou não o processo administrativo, recorrer ao
Poder Judiciário e pleitear seu direito judicialmente, o
QUESTÃO CESPE
que implicará automaticamente na renúncia e extin-
A adoção de formas simples, suficientes para propiciar
ção da discussão na esfera administrativa. adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos
dos administrados é um critério a ser observado nos processos
Cumpre destacar que a Lei 9.784/1999 que regulamenta administrativos no âmbito da União.
o processo administrativo é uma lei administrativa Correto
federal, ou seja, os ditames legais previstos nesse
diploma aplicam-se à Administração Pública Federal, • Instrumentalidade das formas: trata acerca da
Direta e Indireta, inclusive aos órgãos dos poderes noção de que a forma do ato admi-nistrativo é um
Legislativo e Judiciário da União. Portanto, esse mero instrumento para que o mesmo alcance os
diploma não obriga os Estados e Municípios ou Distrito resultados pretendidos com aquela medida. Nesse
Federal. Entretanto, caso inexista norma específica
sentido, caso a medida administrativa tiver sido
regulando um determinado processo administrativo,
praticada sem a observância da forma prescrita
este será disciplinado pela Lei 9.784/1999. Destaca-
em lei, entretanto, o ato alcançar a sua finalidade,
se que a Lei 9.784/99 também se aplica aos Poderes
considera-se sanada a irregularidade (FOCO =
Legislativo e Judiciário quando esses estiverem
forma + competência -> vícios sanáveis).
desempenhando a função administrativa de forma
atípica. • Verdade material: refere-se a busca pela
administração quanto a verdade/fato que
efetivamente ocorreu. Ou seja, ao contrário
1. PRINCÍPIOS do processo judicial, no qual interessa apenas
Conforme estudado, as orientações normativas e os a verdade formal dos fatos trazidos aos autos
princípios aplicáveis à Administração deverão ser ob- do processo, no processo administrativo busca-
servados nos processos administrativos, com destaque se a verdade real dos fatos. Nessa medida,
para os mandamentos abaixo: nos processos administrativos a Administração
Pública pode se fazer valer de qualquer prova, EM
• Oficialidade: esse princípio refere-se ao fato
QUALQUER FASE DO PROCESSO, que auxiliem
de que cabe à Administração Pública realizar
a apuração dos fatos ocorridos. Destaca-se,
a movimentação e prosseguimento do pro-
ainda, que é possível a denominada reformatio
cesso, denominado “impulso oficial do pro-
in pejus nos processos administrativos
cesso”. Esse princípio permite que os agentes
(inadmissível nos processos judiciais), ou seja,
públicos atuem de ofício no que tange a todos os
é possível a reforma da decisão administrativa
atos necessários a dar seguimento ao processo
inicial de forma DESFAVORÁVEL ao particular,
(produção de provas, tomada de depoimentos,
“piorando” a sua situação.
etc.).

Número de acertos = ______ 101
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O princípio da verdade material respeito aos direitos dos administrados (seguran-


também é muito cobrado! ça jurídica e informalismo);
ATENÇÃO para os pontos em negrito X - garantia dos direitos à comunicação, à apre-
QUESTÃO CESPE sentação de alegações finais, à produção de pro-
Em razão da incidência das garantias constitucionais, vige no vas e à interposição de recursos, nos processos
processo administrativo o Princípio da Verdade Formal, isto de que possam resultar sanções e nas situações
é, as decisões em processo administrativo devem limitar-se de litígio (ampla defesa e contraditório);
ao que as partes demonstrarem no procedimento, evitando-se XI - proibição de cobrança de despesas proces-
decisões arbitrárias.
suais, ressalvadas as previstas em lei (gratuidade
Errado nos processos administrativos);
• Gratuidade: esse princípio estabelece que nos XII - impulsão, de ofício, do processo administra-
processos administrativos não serão cobrados tivo, sem prejuízo da atuação dos interessados
valores como custas, ônus de sucumbência, (oficialidade);
honorários de advogados e outras despesas XIII - interpretação da norma administrativa da
cobradas nos processos judiciais. forma que melhor garanta o atendimento do fim
público a que se dirige, vedada aplicação retroati-
No artigo 2º da Lei 9.784/1999 são estabelecidos al-
va de nova interpretação (segurança jurídica).”
guns critérios a serem observados nos processos ad-
ministrativos, os quais decorrem dos princípios admin- Explicação da Lei Seca
istrativos a serem observados: 2. DIREITOS E DEVERES DOS AD-
“Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre MINISTRADOS
outros, aos princípios da legalidade, finalidade,
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, Em conformidade com o art. 3º da Lei 9.784/1999 são
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança direitos dos administrados: ter ciência da tramitação
jurídica, interesse público e eficiência. de processos administrativos no qual seja inter-
Parágrafo único. Nos processos administrativos, essado, direito de ter vista dos autos e de obter
serão observados, entre outros, os critérios de: cópias dos documentos, direito de conhecer as
I - atuação conforme a lei e o Direito (legalidade); decisões proferidas, direito de formular alegações
II - atendimento a fins de interesse geral (impes- e apresentar documentos até antes da decisão
(princípio da verdade material), direito de atuar
soalidade), vedada a renúncia total ou parcial de
sem constituir advogado (princípio do informal-
poderes ou competências, salvo autorização em
ismo) e direito constitucional quanto à razoável
lei (indisponibilidade do interesse público);
duração do processo e meios que garantam a ce-
III - objetividade no atendimento do interesse
leridade da tramitação (art. 5º, LXXVIII) (princípio
público (finalidade), vedada a promoção pessoal
da celeridade processual).
de agentes ou autoridades (impessoalidade);
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, A Lei 9.784/1999 estabelece, ainda, deveres do ad-
decoro e boa-fé (moralidade); ministrado, são esses:
V - divulgação oficial dos atos administrativos, res- Art. 4º São deveres do administrado perante a
salvadas as hipóteses de sigilo previstas na Con- Administração, sem prejuízo de outros previstos
stituição (publicidade); em ato normativo: I - expor os fatos conforme a
VI - adequação entre meios e fins, vedada a verdade; II - proceder com lealdade, urbanidade
imposição de obrigações, restrições e sanções em e boa-fé; III - não agir de modo temerário; IV -
medida superior àquelas estritamente necessárias prestar as informações que lhe forem solicitadas e
ao atendimento do interesse público (razoabilidade colaborar para o esclarecimento dos fatos.
e proporcionalidade);
Explicação da Lei Seca
VII - indicação dos pressupostos de fato e de di-
reito que determinarem a decisão (motivação); 3. PROCESSO ADMINISTRATIVO
VIII – observância das formalidades essenciais à
O processo administrativo terá início mediante
garantia dos direitos dos administrados (seguran- iniciativa da própria administração pública (de ofício)
ça jurídica); ou mediante provocação (a pedido). No caso em que
IX - adoção de formas simples, suficientes para o processo se der mediante provocação (a pedido), o
propiciar adequado grau de certeza, segurança e particular deverá apresentar requerimento por escrito
102 Número de acertos = ______
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que deverá conter: órgão ou autoridade administrativa mente com o interessado ou respectivo côn-
a que se dirige; identificação do interessado ou de juge ou companheiro.
quem o represente; domicílio do requerente ou local Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em
para recebimento das comunicações; formulação do impedimento deve comunicar o fato à autoridade
pedido com exposição dos fatos e fundamentos, data competente, abstendo-se de atuar.
e assinatura do requerente. Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar
o impedimento constitui falta grave, para efeitos
Destaca-se que é vedada a simples recusa imotivada
disciplinares.
de receber o requerimento, caso faltar elementos es-
Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autori-
senciais ao pedido. Nesse caso, a administração de-
verá orientar o particular para supri-lo. dade ou servidor que tenha amizade íntima ou
inimizade notória com algum dos interessados
Nos termos do art. 9º da Lei 9.784/1999, são legitima- ou com os respectivos cônjuges, companhei-
dos no processo: ros, parentes e afins até o terceiro grau.
Art. 9º São legitimados como interessados no pro- Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição
cesso administrativo: poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspen-
I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como sivo.”
Explicação da Lei Seca
titulares de direitos ou interesses individuais ou no
exercício do direito de representação; QUESTÃO QUADRIX 2020
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou a
têm direitos ou interesses que possam ser afeta- autoridade que esteja litigando judicial ou administrativamente
dos pela decisão a ser adotada; com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro.
III - as organizações e associações representati- Correto
vas, no tocante a direitos e interesses coletivos;
IV - as pessoas ou as associações legalmente con-
IMPEDIMENTO
stituídas quanto a direitos ou interesses difusos. – Interesse direto ou indireto no processo
Art. 10. São capazes, para fins de processo admin- – Perito, testemunha ou representante: servidor, cônjuge, com-
istrativo, os maiores de dezoito anos, ressalvada panheiro, parente até o 3º grau
previsão especial em ato normativo próprio.” – Em litígio judicial ou administrativo contra o interessado no
processo ou cônjuge/companheiro do interessado
Explicação da Lei Seca
SUSPEIÇÃO
3.1. IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO – Amizade íntima e inimizade notória com: interessado no pro-
Para fins de preservar uma atuação imparcial do cesso, cônjuge/companheiro do interessado ou parente até o
agente público no âmbito do processo administrativo, 3º grau do interessado.

em observância ao Princípio da Impessoalidade, a


Lei traz hipóteses de impedimento e suspeição, 3.2. DIREITO A REGIME DE TRAMI-
figuras típicas do direito processual. As situações TAÇÃO PRIORITÁRIA
de impedimento e suspeição refere-se às situações
na qual restaria comprometida a imparcialidade do Nos termos do art. 69-A da Lei 9.784/1999 terão priori-
agente público. Nesse sentido, encontra-se impedido e dade na tramitação, em qualquer órgão ou instância,
suspeito de atuar no processo administrativo o servidor os procedimentos em que figure como parte:
ou autoridade que: “I - pessoa com idade igual ou superior a 60
“Art. 18. É impedido de atuar ATENÇÃO para (sessenta) anos;
em processo administrativo o os pontos em II - pessoa portadora de deficiência, física ou
servidor ou autoridade que: negrito desse mental;
I - tenha interesse direto ou artigo! IV - pessoa portadora de tuberculose ati-
indireto na matéria; va, esclerose múltipla, neoplasia maligna,
II - tenha participado ou venha a participar hanseníase, paralisia irreversível e incapacit-
como perito, testemunha ou representante, ou ante, cardiopatia grave, doença de Parkinson,
se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, espondiloartrose anquilosante, nefropatia
companheiro ou parente e afins até o terceiro grave, hepatopatia grave, estados avança-
grau; dos da doença de Paget (osteíte deforman-
III - esteja litigando judicial ou administrativa- te), contaminação por radiação, síndrome de
Número de acertos = ______ 103
Questões resolvidas
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imunodeficiência adquirida, ou outra doença Destaca-se, ainda, que o fato de o particular de-
grave, com base em conclusão da medicina satender a intimação não importa no efeito de presun-
especializada, mesmo que a doença tenha ção de culpa, de confissão, ou renuncia a direito, e não
sido contraída após o início do processo;” . opera preclusão do direito de defesa do administrado.
Explicação da Lei Seca Nesse sentido, dispõe o art. 27 da mencionada Lei:
3.3. INTIMAÇÃO DO INTERESSADO “Art. 27. O desatendimento da intimação não im-
O art. 28 da Lei 9.784/1999 estabelece os atos que porta o reconhecimento da verdade dos fatos,
impõem deveres, ônus, sanções ou restrição ao ex- nem a renúncia a direito pelo administrado.
ercício de direitos e atividades devem ser intimados. Parágrafo único. No prosseguimento do processo,
Nesse sentido, destaca-se: será garantido direito de ampla defesa ao
interessado.”
“Art. 26. O órgão competente perante o qual tram- Explicação da Lei Seca
ita o processo administrativo determinará a inti-
mação do interessado para ciência de decisão ou 3.4. INSTRUÇÃO E DECISÃO
a efetivação de diligências.
(....) § 3º A intimação pode ser efetuada por A instrução do processo administrativo refere-
ciência no processo, por via postal com se à averiguação e comprovação dos dados para
aviso de recebimento, por telegrama ou outro tomada de decisão, conforme estabelece o art. 29
meio que assegure a certeza da ciência do da Lei 9.784/1999. A Administração Pública poderá na
interessado. fase de instrução determinar a realização de diligências,
Art. 27. O desatendimento da intimação não produção de provas, intimar os administrados para
importa o reconhecimento da verdade dos fatos, prestar depoimentos e realizar todas as medidas para
nem a renúncia a direito pelo administrado. fins de adequada instrução ao processo (inclusive é
Parágrafo único. No prosseguimento do processo, admitida a utilização de provas emprestadas advindos
será garantido direito de ampla defesa ao interes- dos processos judiciais. Portanto, durante a fase de
sado. instrução devem ser realizadas todas as medidas
Explicação da Lei Seca
Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do cabíveis para fins de elucidação dos fatos relativos
processo que resultem para o interessado em im- ao processo, lembrando que é inadmissível nos
posição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao processos administrativos e judiciais a utilização de
exercício de direitos e atividades e os atos de outra provas obtidas por MEIOS ILÍCITOS.
natureza, de seu interesse.” Importante destacar que o ônus probatório incumbe
àquele que alegar o fato. Nos termos dos art. 36 e 37
QUESTÃO CESPE
da Lei 9.784/99:
Instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar
a infração, caso o servidor, devidamente notificado, não apre- “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fa-
sente defesa no prazo legal, ser-lhe-ão declarados os efeitos tos que tenha alegado, sem prejuízo do dever
da revelia, reputando-se como verdadeiros os fatos a ele im-
atribuído ao órgão competente para a instrução
putados.
e do disposto no art. 37 desta Lei.
Errado Art. 37. Quando o interessado declarar que fa-
tos e dados estão registrados em documentos
Em conformidade com os ditames do princípio da in- existentes na própria Administração responsável
strumentalidade das formas, a forma estipulada visa pelo processo ou em outro órgão administrativo,
que o ato cumpra os seus fins, sendo a forma um mero o órgão competente para a instrução proverá, de
instrumento do ato. Portanto, nas situações em que a ofício, à obtenção dos documentos ou das respec-
finalidade do ato tenha sido alcançada, mesmo que tivas cópias.” Explicação da Lei Seca
não tenha sido observada a norma/forma prescrita,
Encerrada a fase de instrução, abre-se o prazo máxi-
considera-se sanada a irregularidade (FOCO).
mo de dez dias para manifestação do interessado, sal-
vo se outro prazo for legalmente fixado (art. 44). Con-
MACETE cluída a instrução, a Administração terá o prazo de
Vícios relativos nos elementos Forma e Competência dos atos trinta dias para emitir decisão, prazo este que pode
administrativos são passíveis de convalidação/correção. ser prorrogado por igual período.
Neste ponto destacamos que, no âmbito do processo
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administrativo, a administração poderá proferir uma será submetida a nova análise pela autoridade
decisão fundamentada para fins de arquivamento do administrativa competente. Entretanto, os recursos
processo nas situações em que as informações e pro- administrativos poderão, adicionalmente ao
vas levadas ao processo forem insuficientes e quando efeito devolutivo, ter efeito suspensivo desde que
a matéria não se mostrar suficientemente relevante. previsto expressamente na lei. Ou seja, efeitos
que suspendem a eficácia do ato que é objeto
ATENÇÃO
de questionamento no processo administrativo (no
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:
silêncio da lei, o recurso administrativo terá apenas
I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
efeito devolutivo).
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autori-
dade.
QUESTÃO CESPE
Recurso administrativo protocolado perante órgão incompe-
MACETE JURÍDICO: tente não será conhecido, contudo a autoridade competente
CE -> competência exclusica será indicada ao recorrente, sendo-lhe devolvido o prazo para
NO -> edição de atos normativos recurso.
RA -> decisão de recursos administrativos Correto
FICA A DICA
3.5. RECURSOS ADMINISTRATIVOS
Em algumas situações específicas e em se tratando de
processos com um rito específico, o recurso poderá ser
Esse trecho responde inúmeras questões
endereçado à autoridade que se encontra fora da estrutura
hierárquica em relação ao agente que proferiu a primeira
O termo “recurso administrativo” refere-se à petição
decisão, são os denominados recursos hierárquicos
apresentada pelo particular para fins de pleitear uma impróprios.
nova análise e reapreciação de uma decisão tomada Importante destacar que, assim como ocorre com o pedido
pela Administração Pública, no âmbito de um processo de reconsideração, o recurso tempestivo interrompe a
administrativo, que é desfavorável ao particular. O prescrição.
recurso será dirigido ao agente que proferiu a decisão
e, caso este não reconsidere no prazo de 5 dias,
encaminhará aquela petição à autoridade superior. QUESTÃO CESPE
Recursos administrativos são todos os meios utilizáveis pelos
Em regra, cabe recurso das decisões administra- administrados para provocar o reexame do ato administrativo
tivas em face de razões de legalidade e de mérito. pela administração pública e, pelo fato de o processo admin-
istrativo ter impulsão de ofício, tais recursos não podem ter
O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a
efeito suspensivo em hipótese alguma.
decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de
cinco dias, o encaminhará à autoridade que se en-
Errado
contra em uma posição hierarquicamente superior.
Conforme estudado, no processo administrativo, em
Veja-se que em situações específicas o recurso não conformidade com o texto da Súmula Vinculante nº 21,
será conhecido: qual seja “é inconstitucional a exigência de depósito
“Art. 63. O recurso não será conhecido quando in- ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para
terposto: admissibilidade de recurso administrativo”, ou
Explicação da Lei Seca
I - fora do prazo; seja, é inconstitucional a exigência de depósito prévio,
II - perante órgão incompetente; arrolamento de bens como condição de aceitabilidade
III - por quem não seja legitimado; de recursos.
IV - após exaurida a esfera administrativa. FICA A DICA
§ 1° Na hipótese do inciso II, será indicada ao re- O prazo para interposição de recurso é de dez dias e, após re-
corrente a autoridade competente, sendo-lhe de- cebimento do recurso, a Administração deve intimar os demais
volvido o prazo para recurso. interessados para apresentarem suas alegações no prazo de
§ 2° O não conhecimento do recurso não impede a cinco dias uteis. E a Administração deve decidir no prazo de
30 dias, podendo ser prorrogado por igual período, mediante
Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde
justificação expressa.
que não ocorrida preclusão administrativa.”
Os recursos administrativos no processo
3.6. RECURSO HIERÁRQUICO E RE-
administrativo possuem, em regra, efeito
CURSO HIERÁRQUICO IMPRÓPRIO
devolutivo. Ou seja, toda a matéria recorrida
Número de acertos = ______ 105
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Os recursos hierárquico e hierárquico impróprio


se diferem em razão do simples fato de que o
recurso hierárquico (próprio) é aquele endereçado à
autoridade pública que se encontra em uma posição
hierarquicamente superior àquela que proferiu a
primeira decisão, no âmbito daquela mesma pessoa
jurídica. O recurso hierárquico impróprio, por sua
vez, não é um recurso hierárquico, haja vista que
será interposto frente a um órgão ou autoridade que
não se encontra em posição hierárquica superior
àquele que proferiu a decisão inicial. Nesse caso,
o recurso hierárquico será cabível caso exista lei que
expressamente os preveja.

3.7. CONTAGEM DE PRAZOS


• Os prazos começam a correr a partir da data de
cientificação oficial, excluindo-se o dia do começo
e incluindo-se o vencimento;
• Os prazos em dias contam-se de forma contínua;
• Em regra, os prazos não se suspendem, salvo mo-
tivo de força maior;
• O prazo para interpor o recurso é de 10 dias, salvo
se existir alguma disposição específica;
• O prazo para a Administração decidir é de 30 dias,
podendo ser prorrogado por igual período, medi-
ante justificação expressa.
• O pedido recursal tramitará por no máximo em 03
instâncias.

3.8. REVISÃO
Caso surjam fatos novos, poderá o interessado a
qualquer tempo ingressar com um pedido de revisão.
Nesse caso, não poderá haver reformatio in pejus (a
reformatio in pejus é cabível somente em relação aos
recursos).

106 Número de acertos = ______


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XIV. PROCESSO ADMINISTRATIVO NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL


RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA

Lei 9784/1999 - Art. 5o O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido


de interessado

Cumpre destacar que a Lei 9.784/1999 refere-se à uma lei administrativa federal, ou
seja, os ditames legais previstos nesse diploma aplicam-se à administração pública
federal, direta e indireta, inclusive aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário
da União. Portanto, esse diploma não obriga os estados e municípios ou Distrito
Federal. Entretanto, caso inexista lei específica regulando um determinado processo
administrativo, será este intimamente disciplinado pela Lei 9.784/1999.

Oficialidade: esse princípio refere-se ao fato de que cabe à administração pública realizar
a movimentação e prosseguimento do processo, “impulso oficial do processo”.

Informalismo ou formalismo moderado: no processo administrativo impera a informalidade,


em regra, os atos devem adotar forma simples, suficiente para proporcionar segurança
jurídica e garantir o contraditório e ampla defesa. Nos termos do art. 22 da lei nº 9.784/99,
“os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando
a lei expressamente a exigir”.

Art. 13. da Lei 9784/1999 - Não podem ser objeto de delegação: I - a edição de atos
de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade

TOTAL 48%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
XIV. PROCESSO ADMINISTRATIVO NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL

Art. 2º DA LEI 9784/99 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legali-
dade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contra- 1 a 162
ditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Art 2º, Parágrafo único DA LEI 9784/99. Nos processos administrativos serão observados, entre
outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito; II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia
total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei;
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou
autoridades;
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na
Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em
medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;
163 a 264
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e
respeito aos direitos dos administrados;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas
e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de
litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim
público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.

Art. 5º DA LEI 9784/99 O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interes-
165 a 284
sado.

Art. 9º DA LEI 9784/99 São legitimados como interessados no processo administrativo:


I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou
no exercício do direito de representação;
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados 285 a 320
pela decisão a ser adotada;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos;
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.

Art. 18. DA LEI 9784/99 É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade
que:
I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais 321 a 357
situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou
companheiro.

Art. 58. da Lei 9784/1999 - Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I - os titulares de
direitos e interesses que forem parte no processo;
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela de-cisão recorrida;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e inter-esses coletivos; 358 a 375
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.

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