Cola Administrativo
Cola Administrativo
810-15
COLA DA PROVA
Direito Administrativo
INSS
GABRIELA XAVIER
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Formula da Aprovação
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COLA DA PROVA
Direito Administrativo
INSS
Créditos
Texto
Gabriela Xavier
Colaboração
Amanda Bastos de Moura
Capa e Ilustrações
Cristina M Lima
Ilustrações Charges
Bruno Wolf
Nos termos da lei 9.610/98, que resguarda os direitos autorais, é proibida a reprodução total ou parcial,
de qualquer forma ou por qualquer meio - eletrônico ou mecânico, inclusive por processos xerográficos,
de fotocópia e de gravação - sem permissão, por escrito, do Autor.
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1- Estado, governo e Administração tem como função a busca pelo bem comum, são con-
feridas PRERROGATIVAS E PODERES excepcionais
Pública: conceitos, elementos, po- que asseguram ao ente público uma posição jurídica de
deres e organização;natureza, fins superioridade frente ao particular. Integram esse ramo o
e princípios Clique aqui para a vídeo-aula Direito Constitucional, o Direito Administrativo, o Direito
Tributário, o Direito Penal e etc.
Pessoal, o Direito Administrativo é o ramo do direi-
to público que tem como objeto regulamentar as re- Destaca-se que, na maioria das situações, verifica-se
lações internas da Administração Pública (entre que os regimes público e privado se complementam.
os órgãos e entidades administrativas), as relações Assim sendo, as relações travadas entre particulares
entre a Administração e os administrados e as ati- serão regidas preponderantemente pelo direito privado
vidades da administração (prestação de serviços e subsidiariamente pelas normas de direito público.
públicos, atividades de fomento, intervenção e etc.). Da mesma forma, as relações travadas pelo Estado,
Tradicionalmente, o Direito é dividido em 2 grandes em inúmeras situações, sujeitam-se à aplicação
ramos: o direito público e o direito privado. O direito subsidiária do direito privado.
privado, como o próprio nome já diz, tem como objeto FICA A DICA
a disciplina das relações jurídicas firmadas entre par- Atualmente, a doutrina moderna divide o interesse público
ticulares. Desse modo, o direito privado tem como ali- em primário e secundário. O primeiro está relacionado rela-
cionado à finalidade da atuação do Estado, representa o
cerce o pressuposto de igualdade entre as partes que
verdadeiro interesse coletivo. Por sua vez, o segundo rep-
travam determinada relação jurídica. São integrantes resenta o interesse em minimizar os prejuízos públicos pat-
desse ramo o direito comercial, o direito civil e etc. rimoniais, subjetivamente pertinentes ao aparelho estatal.
Administrativo e a definição do Estado, iremos estudar penha funções típicas e atípicas, de modo que um
as funções do Estado. Afinal, quais são as funções que poder poderá exercer atipicamente uma função que é
o ente público desempenha? típica do outro poder, conforme previsto na Constitui-
ção Federal (modelo flexível). A título exemplificativo,
Segundo o filósofo Montesquieu, o exercício do
podemos citar o fato de o Poder Legislativo ter como
poder estatal de forma centralizada sempre leva
função atípica a realização de atividades administrati-
ao seu abuso e, por essa razão, é necessária uma
vas e a condução de determinado processo licitatório
composição na qual o poder possa controlar o
no momento que desejar realizar uma contratação, de-
próprio poder. Nesse sentido, o filósofo apresenta o
sempenhando, nesse caso, função que é correlata à
Princípio da Separação dos Poderes, que estabelece
função típica administrativa desempenhado pelo Poder
ser o poder estatal UNO E INDIVISÍVEL, entretanto,
Executivo. O Poder Judiciário, por sua vez, tem como
o exercício desse poder deve ser dividido entre 3
função atípica efetuar a gestão de seus órgãos, função
poderes estruturais, independentes e autonômos,
que se refere à uma atividade típica do Poder Execu-
quais sejam: Executivo, Legislativo e Judiciário.
tivo.
Nesse modelo, cada um dos poderes tem um conjunto
de atribuições/funções próprias e típicas, as quais são
obrigatoriamente desenvolvidas. Além disso, nessa
estrutura, nenhum dos poderes pode se sobrepor ATENÇÃO: Esse é o ponto mais cobrado desse tópico!
em relação aos demais. Dito em outras palavras, os
poderes atuam de forma harmônica, de modo a tornar
inviável qualquer abuso de poder. O exercício de funções atípicas possui caráter excep-
cional e só é possível porque a tripartição de pode-
res no Estado não é absoluta. Portanto, a separação
de funções entre os 3 poderes é realizada a partir do
CRITÉRIO DE PREPONDERÂNCIA, e não de exclu-
sividade, isto é, os poderes desempenham preponde-
rantemente suas respectivas funções típicas, e, em
determinadas situações admitidas na Constituição
Federal, realizam atividades atípicas. Portanto, o Po-
der Executivo PREPONDERANTEMENTE executa,
ATENÇÃO: No que se refere aos poderes estruturais, os pon- o Poder Legislativo preponderantemente legisla e o
tos mais cobrados são: o poder estatal é uno e indivisível, Poder Judiciário preponderantemente julga. Cumpre
contudo, o exercício desse poder é dividido entre três pode- ressaltar que as funções dos Poderes são reciproca-
res ESTRUTURAIS. Cada poder desempenha funções típicas
mente INDELEGÁVEIS – somente o texto constitucio-
e atípicas (correlatas as dos outros poderes), que estarão
previstas no texto constitucional (tanto as funções típicas nal pode estabelecer as hipóteses relacionadas às fun-
quanto as atípicas). A divisão dos poderes segue o critério da ções atípicas de cada poder. Segue abaixo a descrição
PREPONDERÂNCIA e não da exclusividade. das funções típicas e atípicas de cada um dos poderes
estruturais:
-se aos atos políticos que são atos de gestão supe- comando do Poder Executivo, cumpre um mandato fixo
rior da atividade estatal, como a sanção e o veto de e acumula as funções de Chefe de Estado e Chefe de
lei, a declaração de guerra ou a decretação de Estado Governo. O parlamentarismo, por sua vez, é o sistema
de calamidade pública. Tratam-se das grandes deci- de governo em que há uma relação de cooperação
sões do Estado. entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. Nesse
sistema, a chefia de Estado é desempenhada pelo
FICA A DICA
Presidente ou pelo Monarca e a chefia do Governo,
Em conformidade com o art. 70, da CF/88, a fiscalização
por sua vez, é desempenhada pelo Primeiro-
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial
Ministro ou pelo Conselho de Ministros.
da União e das entidades da administração direta e indireta,
quanto à legalidade, será exercida pelo Congresso Nacional,
mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno * MACETE *
de cada Poder. Portanto, o Poder Legislativo possui a função
de fiscalização das contas públicas que será desempenhada SIstema de GOverno: SI + GO: SIGO O PRESIDENTE ----
com auxílio do Tribunal de Contas. PRESIDENCIALISMO
O Tribunal de Contas é um tribunal administrativo, que julga FOrma de GOverno: FO + GO: FOGO na República ---- For-
as contas de administradores públicos e demais responsáveis ma Republicana
pelo dinheiro, bens e valores públicos federais, bem como as
REgime de GOverno: RE + GO: REGO DEMOCRÁTICO.
contas de qualquer pessoa que der causa a perda, extravio ou Essa não faz nenhum sentido, porém é engraçada. Vocês irão
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário. Trata- lembrar! Vocês também podem se lembrar que o REGIME
se de um órgão independente, originário da Constituição e (para emagrecer) é coisa do DEMO (democrático) rsrs!
representativo dos Poderes de Estado - Legislativo, Executivo
Forma de Estado: F + E: FEDERALISMO
e Judiciário - sem qualquer subordinação hierárquica ou
funcional.
Destaca-se que as decisões dos Tribunais de Contas são As funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo
meramente administrativas, ou seja, não produzem “coisa podem, a grosso modo, ser conceituadas em confor-
julgada judicial”. Portanto, por não emanarem de órgãos midade com o âmbito de atuação do líder: o Chefe de
integrantes do Poder Judiciário (que possuem o monopólio da
Estado representa o país nas relações externas jun-
jurisdição), as decisões das Cortes de Contas formam apenas
to a outros países e o Chefe de Governo, por sua vez,
a “coisa julgada administrativa”.
atua no âmbito da política interna do país.
diretas de inconstitucionalidade e nas ações declara- tadas pela sociedade, classificado como fonte secun-
tórias de constitucionalidade. dária indireta (secundum legem, praeter legem);
Nesse contexto, o art. 103-A, da Constituição Fede- 5. Princípios Gerais do Direito: conjunto de normas
ral dispõe que o STF pode, de ofício ou mediante pro- não escritas que são a base do direito, sem previsão
vocação, por meio de decisão proferida por 2/3 dos expressa no ordenamento jurídico. Ex: ninguém pode
seus membros, após reiteradas decisões sobre maté- alegar a própria torpeza em benefício próprio -> princí-
ria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua pio geral do direito.
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante
em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e
à ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA, ATENÇÃO: A lei é a única fonte primária do Direito
nas esferas federal, estadual e municipal. Portanto, a Administrativo. Existe GRANDE divergência doutrinária
acerca do enquadramento, ou não, dos atos normativos
Administração Pública e o Poder Judiciário devem se-
infralegais nessa fonte. Para fins de prova, considerem que
guir o entendimento exarado por meio da súmula vin- os regulamentos administrativos infralegais encontram-se
culante. Desse modo, se por um lado a jurisprudência inseridos nessa fonte. Em 2016, a banca CESPE considerou
em geral só vincula as partes que integram a relação correta essa assertiva. Contudo, parte minoritária da doutrina
processual, influenciando o ordenamento jurídico de entende que os referidos atos normativos seriam fontes
secundárias. Fiquem atentos para essa divergência!
forma abstrata, por outro, as súmulas vinculantes vin-
culam necessária e imediatamente a Administração
Pública, razão pela qual não podem ser considera- FICA A DICA
das meras fontes secundárias de Direito Adminis- O Direito Administrativo é dotado de princípios e objeto
trativo, mas SIM fontes principais ou diretas. próprios, com regras relacionadas ao desempenho das fun-
ções administrativas, sendo, por essa característica, consi-
Destaca-se que nem todas as súmulas editadas pelo derado um ramo autônomo. Outrossim, podemos afirmar
pelo Supremo Tribunal Federal são vinculantes, mas que é considerado, também, um ramo não codificado, pois,
apenas aquelas que foram editadas em conformidade a legislação administrativa é totalmente esparsa e não se
com o art. 103-A, da CF/88. encontra codificada. Portanto, não existe Código de Direito
Administrativo como, por exemplo, existe Código de Direito
Cabe destacar que o termo “jurisprudência” não Civil.
se limita às decisões do Poder Judiciário, pois os Conceitos importantes:
Tribunais Administrativos, assim como os Tribunais Estado: Estado é um ente soberano sintetizado pela máxi-
ma “um governo, um povo, um território”;
de Contas, também podem sistematizar os seus
Governo: cúpula diretiva do Estado, responsável pela con-
entendimentos. Desse modo, podemos observar que dução dos altos interesses estatais e pelo poder político.
vários entendimentos do Tribunal de Contas da Trata-se de um dos elementos do Estado.
União sobre licitações e contratos influenciam nas Poder Executivo: complexo de órgãos estatais estrutura-
decisões dos gestores públicos e elaboração de dos sobre a direção superior do Chefe do Executivo;
atos normativos acerca do tema. Administração Pública: conjunto de órgãos e agentes
estatais que atuam no exercício da função administrativa,
TRADUÇÃO JURÍDICA
independentemente de os órgãos pertencerem ao Poder
“Como assim prof.?” Executivo, Legislativo ou Judiciário.
“Nesse caso, a decisão proferida pelo Poder Judiciário irá
vincular a atuação da Administração Pública, que deverá seguir
esse entendimento? É sério isso? O Poder Judiciário pode 3.2. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR
fazer isso? E a independência dos poderes? ” Sem desespero, SOBRE DIREITO ADMINISTRATIVO
e é isso mesmo (rsrsrs)! Ao sedimentar um posicionamento
por meio da edição de Súmula Vinculante, pretende-se mitigar A competência para legislar sobre Direito Administra-
a insegurança jurídica e evitar a multiplicação de lides e tivo é concorrente, ou seja, trata-se de matéria que
processos em torno de uma mesma questão, razão pela qual
será regulamentada pela União, Estados, Distrito
esse entendimento VINCULA os demais órgãos do judiciário e a
atuação da Administração Pública que deverão segui-lo.
Federal e Municípios, sendo que aos Municípios com-
pete expedir normas relacionadas ao interesse local,
aos Estados e Distrito Federal regulamentar matéria
3. Doutrina: conjunto de teses e estudos acerca do de interesse regional e à União normas de interesse
Direito que influencia a elaboração das leis. Trata-se nacional. Contudo, destaca-se que algumas matérias
de uma fonte secundária; serão reguladas privativamente pela União, como, por
exemplo, questões relativas à desapropriação.
4. Costumes: conjunto de regras não escritas ado-
Número de acertos = ______ 17
Questões resolvidas
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FICA A DICA
Algumas decisões editadas pelo Poder Executivo e Poder
Legislativo não se sujeitam ao controle do Poder Judiciário,
como as questões atinentes aos atos políticos (sanção e
veto de lei e etc.), salvo quando lesivas ao patrimônio públi-
co. A título exemplificativo, cabe citar a decisão tomada pelo
Senado Federal quanto ao julgamento do processo de im-
peachment, em face da qual não cabe revisão pelo Poder
Judiciário.
O poder estatal é UNO E INDIVISÍVEL, entretanto, o seu exercício deve ser dividido
entre três poderes estruturais, quais sejam: Executivo, Legislativo e Judiciário.
A lei em sentido amplo constitui uma fonte primária. Conforme regra constante no
art. 5º, II, da Constituição Federal.
Direito Administrativo é um ramo do direito público que tem como objeto as relações
internas à administração pública (órgãos e entidades administrativas), as relações entre
a administração e os administrados e as atividades da administração não contenciosas
voltadas a alcançar o interesse público (prestação de serviços públicos, atividades de
fomento, intervenção, etc.).
TOTAL 66%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
I. NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO
Art. 1º CF A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municí-
pios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a SOBERANIA;
II - a CIDADANIA 1 a 141
III - a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA;
IV - OS VALORES SOCIAIS DO TRABALHO E DA LIVRE INICIATIVA;
V - o PLURALISMO POLÍTICO.
Art. 1º Parágrafo único CF: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
142 a 147
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 5º XXXV CF - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; 168
Art. 5º II CF - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de
178 a 197
lei.
Art. 103-A CF O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos
demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida
em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas,
acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração
pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre
questão idêntica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 198 a 212
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de
súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará
que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
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3- Organização administrativa da
NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS
União; administração direta e indi- DISTINTAS – não há controle hierárquico entre a
reta Clique aqui para a vídeo-aula Administração Pública Direta e a Administração Pública
Indireta -> há apenas o controle finalístico/supervisão
PONTOS MAIS COBRADOS – Os gráficos abaixo de- ministerial
monstram, entre os tópicos dessa matéria, quais são
os pontos mais cobrados. Essas entidades administrativas são pessoas
jurídicas que integram a Administração Indireta,
1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DI- possuem autonomia administrativa e capacidade
de autoadministração, contudo, não dispõem de
RETA E INDIRETA autonomia política. As entidades são criadas pelos
Em conformidade com Decreto-lei nº 200/67, a estru- entes federados mediante lei, e encontram-se
tura da Administração Pública é dividida em Adminis- vinculadas ao ente criador, que exerce o controle/
tração Pública Direta e Administração Pública Indireta: tutela/supervisão, com o intuito de verificar se a
instituição está cumprindo a finalidade legal para qual
foi criada. Entretanto, destaca-se que essas entidades
1.1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DI- não se encontram hierarquicamente subordinadas
RETA à pessoa política instituidora, há somente o controle
Aspectos mais cobrados A Administração Público finalístico/supervisão ministerial.
no que se refere à Direta é formada pela Desse modo, todas as entidades da Administração
Administração Pública
União, Estados, Municípios Pública Indireta submetem-se, em alguma medida, ao
Direta.
e Distrito Federal. Trata-se, controle finalístico, que tem o escopo de verificar se
portanto, das próprias entidades políticas, dotadas essas estão cumprindo a finalidade para a qual foram
de competências de natureza política, legislativa e instituídas. Compõem a Administração Pública Indire-
administrativa conferidas pela Constituição Federal. ta: Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Pú-
Esses entes criam as entidades administrativas que blicas e Sociedades de Economia Mista.
compõem a Administração Pública Indireta quando FICA A DICA
entendem que determinada competência constitucional
A Administração Pública Direta tem competência para cri-
pode ser desempenhada por outra pessoa jurídica de ar, por meio de lei, as Autarquias e autorizar a criação das
forma descentralizada. Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de
Economia Mista. Atenção: criar é diferente de autorizar! A
Os entes da Administração Direta se organizam in-
lei automaticamente cria a Autarquia e autoriza a criação das
ternamente em um conjunto de órgãos públicos, os Fundações Públicas com personalidade jurídica de Direito Pri-
quais estão subordinados ao chefe da esfera governa- vado e das Empresas Estatais, que somente serão constituí-
mental que os integram. Os órgãos são meras unida- das mediante registro dos seus atos constitutivos.
des de competência e, ao contrário dos entes políticos,
não possuem personalidade jurídica própria. Importante registrar que essas entidades somente po-
derão ser criadas e extintas mediante lei, em confor-
midade com o Princípio da Simetria ou Paralelismo
1.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA IN-
de Formas. Dito em outras palavras, se a entidade
DIRETA
foi criada por lei, por lei ela será extinta (paralelismo
A Administração Pública Indireta, por sua vez, é -> vem de paralelo). Além disso, a finalidade das en-
formada por entidades administrativas com persona- tidades que compõem a Administração Indireta será
lidade jurídica própria, patrimônio próprio, autono- determinada pela lei específica que as criou ou au-
mia administrativa e cujas despesas são custeadas torizou sua criação.
por meio de orçamento específico. A criação dessas Por fim, ao lado do Estado encontra-se o denomina-
pessoas jurídicas ocorre quando a Administração Pú- do Terceiro Setor que, sem integrar a Administração
blica Direta, para fins de garantir a eficiência, decide Pública, colabora com o ente público ao desempenhar
transferir a execução de determinados serviços atividades de interesse público não exclusivas de
públicos para outras pessoas jurídicas (Administra- Estado, sem possuir qualquer finalidade lucrativa.
ção Pública Indireta), que se especializarão na presta- Desse modo, o Terceiro Setor é formado por pessoas
ção dessa atividade (descentralização). jurídicas privadas que atuam ao lado do Estado. Tra-
Número de acertos = ______ 43
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fensoria Pública -> mandado de segurança e habeas particulares por meio da celebração de contratos de
data). concessão/permissão. Diferentemente do que ocorre
na outorga, na delegação apenas a execução do ser-
Descentralização: trata acerca da prestação de
viço é transferida, de sorte que o Estado preserva
serviços públicos de forma descentralizada, mediante
a titularidade do serviço.
a transferência de competências da Administração
Direta para uma entidade da Administração Públi- Na delegação, o controle exercido pelo poder
ca Indireta ou para a um particular concessionário/ concedente é maior do que o controle decorrente
permissionário de serviço público. da descentralização por serviços, haja vista a
possibilidade de extinção unilateral da delegação pelo
A descentralização pode ocorrer mediante:
poder público (rescisão unilateral do contrato) motivada
– descentralização por outorga/por serviços/fun- pela prestação inadequada do serviço delegado. Cabe
cional: trata-se da transferência da titularidade e ex- destacar, novamente, que não há hierarquia entre
ecução do serviço público para ente da Administração a Administração e o particular, uma vez que não há
Pública Indireta, mediante lei. Nesse caso, a Admin- hierarquia entre pessoas jurídicas distintas.
istração Pública Direta, por meio da lei, cria e trans- FICA A DICA
–
fere para a entidade da Administração Pública Indireta
A doutrina majoritária entende que a outorga somente
determinada competência e, em conformidade com a
poderá ser conferida às pessoas jurídicas de direito
finalidade da instituição disposta em lei, desempenha público, como as Autarquias ou Fundações Públi-
o controle finalístico/supervisão ministerial frente às cas de direito público, uma vez que essas, em razão
atividades desempenhadas pela instituição. Ex.: cri- da outorga, se tornariam titulares do serviço, executan-
ação de universidade pública federal pela União, sob do-o por sua conta e risco, com permanência do con-
trole e da supervisão ministerial realizada pelos entes
a forma de Autarquia, com a finalidade de prestar
federativos. Desse modo, as Empresas Públicas e as
serviço público de ensino superior. Nesse caso, a uni- Sociedades de Economia Mista, a despeito de estarem
versidade estará sujeita ao controle finalístico/super- inseridas na Administração Pública Indireta, somente
visão ministerial realizado pela União . irão EXECUTAR os serviços públicos uma vez que
possuem personalidade jurídica de Direito Privado.
OUTORGA X DELEGAÇÃO
Desse modo, a outorga, também denominada de de-
Outorga scentralização por serviço ou descentralização fun-
Delegação cional, é concedida sempre mediante a edição de lei
específica que institui uma entidade e transfere para
ela a atividade pública. Nesse ponto, convém destacar
Delegação
Outorga que, mesmo quando a titularidade do serviço público é
transferida para outra pessoa jurídica, o Estado contin-
ua tendo responsabilidade pelos danos decorrentes do
–delegação/colaboração/descentralização
exercício da atividade, porém, de forma subsidiária.
contratual/descentralização negocial: transferência
da execução do serviço público mediante Descentralização territorial ou geográfica: acontece
contrato por prazo determinado para o particular na hipótese de criação de Território Federal, pessoa
(concessionário e permissionário). Ex: assinatura jurídica de direito público criada pela União com
de contratos de concessão e permissão de serviço limites territoriais e competências administrativas
público junto a pessoas jurídicas de direito privado. definidos (art. 18, § 2º, da CF/88). A doutrina entende
que os Territórios seriam verdadeiras Autarquias
que excepcionam o Princípio da Especialização.
* MACETE * Notem, portanto, que os Territórios não são entidades
Ou“T”orga: transferência da titularidade e execução do serviço federativas, trata-se de Autarquias territoriais que,
público para ente da Administração Pública Indireta, mediante
lei. Destaque para a letra “T” de ou “T”orga é o mesmo “T” de
como tal, não possuem autonomia política.
“T”itularidade.
Del “E”gação: transferência da execução do serviço público
mediante contrato por prazo determinado para o particular.
Destaque para a letra “E” de del“E”gação e “E” de “E”xecução.
Cumpre ressaltar que a criação e a extinção de órgãos públi- 3.1.1. Classificação Hierárquica
cos carece de INOVAÇÃO no ordenamento jurídico, razão
pela qual não podem ser feitas por meio de atos normativos Essa classificação considera os órgãos existentes em
infralegais (apenas mediante lei). Nesse sentido, o art. 84, uma mesma pessoa jurídica. Desse modo, os órgãos
VI, da Constituição Federal, ao admitir a expedição de decre- podem ser:
to regulamentar autônomo que, excepcionalmente, irá ino-
var no ordenamento jurídico, ao tratar da matéria de organi- 1. Independentes: são os órgãos que se encontram
zação administrativa, ressalta que esse decreto não poderá no topo da hierarquia. Ex.: Presidência da República,
ensejar a criação ou extinção de órgãos. Vejamos: Governadoria, Prefeitura;
“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da
República:...
2. Autônomos: órgãos subordinados aos órgãos
VI – dispor, mediante decreto, sobre: organização e independentes que se encontram na cúpula da
funcionamento da administração federal, quando não administração, mas que conservam a autonomia
implicar aumento de despesa nem criação ou extin- administrativa, técnica e financeira. Ex.: Ministérios,
ção de órgãos públicos;” Secretarias estaduais;
46 Número de acertos = ______
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3. Superiores: órgãos vinculados aos órgãos único órgão. Ex.: Presidência da República.
autônomos, mas que detêm poderes de direção e
2. Compostos: órgãos compostos por mais de um
controle, ou seja, possuem somente o poder de decisão.
órgão, o que enseja a desconcentração de sua ativi-
Não têm autonomia financeira nem administrativa. Ex.:
dade. Ex.: Congresso Nacional é formado pela Câma-
Procuradoria da Fazenda, Secretaria da Receita;
ra dos Deputados e Senado Federal.
4. Subalternos: órgãos que atuam somente na
execução da atividade administrativa (não possuem 3.1.3. Classificação Funcional (quanto
poder de decisão). Ex.: seções de expedientes; à atuação funcional)
1. Singulares: órgãos cuja titularidade pertence a um
O DIA EM QUE EU DESCOBRI QUE FUI TRAIDA único agente, chefe ou representante da entidade.
Pessoal, após vasculhar durante umas 4 horas o celular do Assim, a manifestação de vontade desse agente se
meu ex-namorado, eu acabei descobrindo vestígios CLAROS confunde com a manifestação de vontade do próprio
de uma traição. Então, comecei a tirar satisfação com o ra-
paz:
órgão. Ex.: Presidência da República.
- “Amor da minha vida, eu estava confuso. A culpa não foi 2. Colegiados: órgãos cuja atuação e poder de de-
minha, foi confusão da minha cabeça na época. Não fui eu,
cisão estão nas mãos de um colegiado de agentes.
eu fui traído pela minha própria mente”.
Ex.: Assembleia Legislativa.
- “Aqui, você já ouviu falar da Teoria da Imputação Volitiva?”
-“Oi?”
- “A vontade do seu cérebro (órgão) é imputada a você! O 3.1.4. Classificação segundo o âmbito
órgão não tem personalidade jurídica própria,não pode ser de atuação
responsabilizado. A culpa foi SUA!”
- “Mas aqui, não é bem assim... Alguns órgãos são independ- 1. Central: órgão que atua em TODO o âmbito da
entes e autônomos e eles podem até figurar no pólo ativo de pessoa jurídica na qual se encontra inserido. Ex.: a
uma ação judicial” (esse teve aula comigo)
Secretaria de Estado de Defesa Social é um órgão do
- “Aqui, tá bom. Eu entendi o seu raciocínio... Então, nessa
Estado de Minas Gerais que atua no âmbito de todo o
mesma medida, o que você acha a respeito do soco que você
está prestes a levar?!?!?!” Estado de MG.
-“Que horror, linda, você não era assim.” 2. Local: órgão que atua em parte do âmbito da pes-
-“Olhe, não sou eu que estou te dando um soco... É a minha soa jurídica no qual se encontra inserido. Ex: a De-
mão. Não sou eu!!!”
legacia de Polícia de Belo Horizonte é um órgão do
- “Perai, e a Teoria da Imputação Volitiva????”
Estado de Minas Gerais que atua somente na capital
Kkkkk
do Estado.
PS: é tudo BRINCADEIRA, não sei nem matar barata, e que
eu SAAAIBA não fui traída (mas vai saber, né meninas?),
quanto mais dar um soco. 3.1.5. Classificação quanto às funções
PS 2: se eu tivesse mesmo sido traída, um soco seria pouco.
O rapaz, nessa hora, já estaria no Cemitério da Lagoinha em 1. Ativos: órgãos que atuam diretamente no exercí-
Belo Horizonte. cio da função administrativa. Esses órgãos podem
PS 3: Se caso eu, supostamente, cometesse esse deslize assumir as funções de: a) prestação de serviços pú-
(kkkkk), eu responderei pelo crime realizado em razão da
minha mão descontrolada/justa (órgão) que disparou a arma.
blicos; b) execução de obras; c) exercício do poder de
“Prof. Meu deus! Você é vingativa assim? Credo, que horror”
polícia e etc.
Calma gente, eu estou brincando #sóquenão #tobrincan-
2. Consultivos: órgãos que prestam suporte e auxí-
dodenovo #tonadaeutôfalandosério #tobrincandodenovo
#nemtô #seeutivernaTPMéFATO #tobrincandogente kkkkkk- lio técnico ou jurídico aos demais órgãos estatais,
kkkkk #fiquemnadúvida por meio da emissão de pareceres. Ex.: Ministério Pú-
blico.
3.1.2. Classificação Estrutural (segun- 3. De controle: órgãos que exercem atividade de con-
do a estrutura) trole dos demais órgãos e agentes públicos. Esse con-
trole pode ser interno, no âmbito de um mesmo poder
Essa classificação não leva em consideração a quan- (Ex.: Controladoria Geral da União), ou externo, quan-
tidade de agentes públicos que integram o quadro do do um poder controla a atuação do outro (Ex.: Tribunal
órgão, e sim a inexistência de outros órgãos que com- de Contas da União que auxilia o Poder Legislativo no
põem a sua estrutura organizacional. que tange à atividade de controle de fiscalização das
1. Simples (ou unitários): órgãos formados por um contas públicas).
Número de acertos = ______ 47
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Errado Correto
Ressalta-se que alguns órgãos públicos devem pos- Destaca-se que no que tange às fundações, em con-
suir CNPJ próprio, ligado ao CNPJ da pessoa jurídica formidade com o entendimento majoritário da doutrina,
que fazem parte, para fins de organização tributária. as mesmas poderão ser criadas com personalidade
jurídica de direito público e de direito privado. Nes-
se caso, as fundações que possuem personalidade
4. ADMINISTRAÇÃO INDIRETA: jurídica de direito público serão criadas automatica-
AUTARQUIAS, FUNDAÇÕES PÚ- mente pela lei, uma espécie de autarquia fundacio-
BLICAS, SOCIEDADES DE ECO- nal, e a fundaçao com personalidade jurídica de direito
privado terá sua criação autorizada por lei (fundação
NOMIA MISTA E EMPRESAS PÚ-
governamental).
BLICAS Ademais, em observância ao princípio do paralelismo
Conforme estudado, a Administração Pública Indire- das formas, as referidas entidades serão criadas me-
ta da União, Estados, Distrito Federal e Municípios é diante lei e também serão extintas através da lei.
composta por pessoas jurídicas autônomas e, para FICA A DICA
tornar o aprendizado mais simples, inicialmente iremos A despeito de não haver hierarquia entre pessoas jurídicas
tratar acerca de algumas regras/semelhanças que distintas, a lei estabelece, em situações específicas, a possibi-
abrangem todos os entes que compõem a Administra- lidade de interposição de recurso hierárquico impróprio que
ção Pública Indireta (Autarquias, Fundações, Empre- decorre da tutela/supervisão ministerial realizada pela Admin-
istração Direta. Nesse caso, o referido recurso será interposto
sas Públicas, Sociedade de Economia Mista).
frente a uma decisão tomada pela entidade da Administração
1. Personalidade Jurídica: todas as entidades da Ad- Indireta e será endereçado ao ente da Administração Pública
ministração Pública Indireta possuem personalidade Direta.
pública e a entidade não deve visar o lucro. Nesse julgamento de contas, aplicação de multas e outras
contexto, surge a seguinte pergunta: a entidade pode sanções aos agentes, realização de auditorias e
auferir lucro? Sim, poder pode, entretanto, a mesma emissão de pareceres, entre outras atribuições.
não será criada com essa finalidade. A finalidade
será sempre o interesse público.
4.1. EMPRESAS SUBSIDIÁRIAS
4. Controle: a Administração Pública Direta
realizará o controle finalístico (supervisão mi- A Constituição Federal de 1988 prescreve regras
nisterial/tutela administrativa) das entidades relevantes acerca da criação de empresas subsidiárias
da Administração Pública Indireta, entretanto, cumpre às empresas estatais, in verbis:
ressaltar que não há hierarquia e nem subordina- “Art. 37 (...) XX - depende de autorização legislativa,
ção entre pessoas jurídicas diferentes. Portanto, tal em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades
controle será exercido visando verificar se a entidade mencionadas no inciso anterior, assim como a
atende a finalidade legal pela qual foi criada. Lembrem- participação de qualquer delas em empresa privada”.
-se: NÃO há controle hierárquico desempenhado
As empresas subsidiárias atuam em colaboração e
pela Administração Direta frente aos atos pratica-
auxílio às atividades desempenhadas pelas empresas
dos pela entidade da Administração Indireta.
estatais. Entretanto, destaca-se que a doutrina
FICA A DICA majoritária entende que as empresas subsidiárias
Conforme dispõe a parte final do inciso XIX do art. 37, da
não fazem parte da Administração Indireta, haja
Constituição Federal, será editada lei complementar para
fins de dispor acerca das áreas passíveis de atuação das
vista que o Brasil adota o critério formal/subjetivo
fundações públicas. Entretanto, a referida lei ainda não foi para conceituar a Administração Pública, o qual
editada, contudo, em conformidade com o entendimento restringe a Administração Pública Indireta às quatro
majoritário da doutrina, sabe-se que as fundações públicas espécies arroladas na Constituição Federal (Autarquia,
devem atuar em áreas de interesse social. Fundação, Empresa Pública e Sociedade de Economia
A criação das entidades da Administração Pública Indireta
Mista).
depende de edição de lei específica, esta deve ser entendida
como lei ordinária. Além disso, as subsidiárias se sujeitam ao regime
predominante de Direito Privado, entretanto, devem
RECURSO HIERÁRQUICO IMPRÓPRIO observar subsidiariamente as normas de direito
público (vedação à acumulação remunerada de
“Como assim prof.? cargos, empregos e funções; sujeição aos regimes
O INSS é uma Autarquia Federal que está sujeita ao controle/ de remuneração dos agentes; sujeição ao controle
supervisão exercido pelo Ministério da Previdência. Nesse con- legislativo e controle dos tribunais; sujeição à exigência
texto, em uma situação hipotética, caso o particular interponha de licitação, etc). Destaca-se que a própria lei que deu
um requerimento perante um agente do INSS, este poderá ser
origem à entidade da Administração Indireta poderá
aceito ou negado. Em caso de negativa, caberá interposição de
recurso para o dirigente do INSS. O referido recurso interposto autorizar a criação de uma subsidiária. Nesse
decorre da hierarquia existente entre os órgãos/agentes dentro caso, será “dispensável a autorização legislativa para
de uma mesma pessoa jurídica. Sendo assim, pode-se falar que criação de empresas subsidiárias, desde que haja
esse recurso é efetivamente hierárquico e, portanto, designado previsão para esse fim na própria lei que instituiu a
pela doutrina como recurso hierárquico próprio.
empresa de economia mista matriz, tendo em vista
No entanto, se a decisão exarada pelo dirigente máximo apre-
sentar um vício de legalidade ou abuso de poder e, havendo
que a lei criadora é a própria medida autorizada.” (ADI
previsão legal, poderá ser apresentado recurso para o Ministé- 1.649/DF).
rio Supervisor (Administração Direta), que decorre do controle
de finalidade/supervisão ministerial (e não em razão da hierar-
quia) denominado recurso hierárquico impróprio. “Prof. porque
4.2. AUTARQUIA
chama recursos hierárquico IMPRÓPRIO?” Porque não existe
hierarquia entre duas pessoas jurídicas distintas.
Pode ser conceituada como pessoa jurídica de
direito público interno que se encontra sujeita ao
Ademais, assim como os entes da Administração Regime Jurídico de Direito Público, ou seja, faz uso de
centralizada, os entes da Administração Indireta, por todas as prerrogativas de Estado e está sujeita a todas
serem integrantes da estrutura do Estado e fazerem as limitações, exercendo atividade típica de Estado.
uso de verba pública, sujeitam-se ao controle do Características essenciais das Autarquias: a) pessoas
Tribunal de Contas, consoante a previsão do art. 71 jurídicas de Direito Público; b) criadas e extintas por lei
da Constituição Federal, o qual terá competência para específica, que defina, com precisão, o seu objeto e
Número de acertos = ______ 49
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suas atribuições; c) possuem autonomia gerencial, viços uns dos outros, configurando o que a doutri-
orçamentária e patrimonial: não estão subordinadas na designa como imunidade tributária recíproca. Em
à Administração Pública Direta, mas estão sujeitas ao dispositivo seguinte, o texto constitucional estende tal
controle finalístico/supervisão ministerial; benefício às autarquias. No entanto, ressalta-se que
CAI EM PROVA - Autarquia: embora seja denominada como imunidade tributá-
- pessoa jurídica de direito público criada por lei; ria, essa garantia abrange somente os impostos,
- exerce atividade típica do Estado; não se estendendo às demais espécies tributárias.
- possui autonomia -> supervisão ministerial;
- seus bens são públicos. Além disso, a responsabilidade civil será objetiva no
que tange aos danos causados pelos agentes públi-
d) nunca exercem atividade econômica: desempe- cos que atuam nas autarquias, ou seja, sempre que o
nham atividade típica de Estado; e) são imunes a dano for causado por agente da autarquia, a entidade
impostos (conforme preceitua o art. 150, §2º da Cons- responderá objetivamente e primariamente pelo dano,
tituição Federal); seus bens são públicos: impenhorá- restando ao ente político a responsabilização obje-
veis, alienabilidade condicionada, não onerabilidade e tiva subsidiária pelo mesmo fato. Portanto, o ente
imprescritíveis; praticam atos administrativos e cele- da Administração Pública Direta criador da entidade
bram contratos administrativos; h) o regime de seus da Administração Indireta será subsidiariamente res-
servidores públicos é estatutário e devem observar ponsável pelos danos causados.
a vedação constitucional de acumulação de cargos
Ademais, por ostentarem a qualidade de
públicos; i) respondem objetivamente pelos danos
causados por seus agentes no exercício da função pú-
5 pessoas jurídicas de direito público, todos
os bens pertencentes às entidades autár-
blica; j) gozam de prerrogativas processuais: gozam
quicas são bens públicos e, portanto, protegidos pelo
de prazos dilatados em juízo (prazo em dobro para
regime próprio aplicável a esses bens. Neste sentido,
qualquer manifestação do poder público); duplo
o art. 98 do Código Civil dispõe: “São públicos os bens
grau de jurisdição obrigatório ocorre em relação às
do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas
sentenças contrárias aos interesses da Fazenda Públi-
de direito público interno, todos os outros são particu-
ca -> reexame necessário. (ex: se um juiz prolata uma
lares, seja qual for a pessoa a que pertencerem”.
decisão desfavorável ao Estado de Minas Gerais, essa
decisão só produzirá efeitos depois de confirmada pelo Por fim, em virtude de gozarem de privilégios da
Tribunal - esse é um benefício da Fazenda Pública que Fazenda Pública, a doutrina e a jurisprudência
foi estendido para as autarquias e fundações públicas pacificaram o entendimento de que as autarquias
de direito público); a cobrança de seus débitos é rea- se submetem à prescrição quinquenal prevista
lizada através da execução fiscal; execução de suas no art. 1º do Decreto 20.910/32. Tal dispositivo legal
dívidas acontece em conformidade com o sistema de determina que “as dívidas passivas da União, dos
precatórios e etc. estados e dos municípios, bem assim todo e qualquer
direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou
ATENÇÃO: municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem
Cabe destacar que nem sempre ocorrerá o reexame necessário, em cinco anos contados da data do ato ou fato do
uma vez que a depender do valor da condenação e embasamento qual se originarem”. A aplicação deste dispositivo às
da sentença a decisão de primeira instância poderá produzir efeitos autarquias decorre do fato de que essas entidades
(veja o art. 496 do CPC). gozam dos privilégios da Fazenda Pública.
destinação de patrimônio público a uma certa finalida- tes: os dirigentes dessas Autarquias são indicados pe-
de. Ex.: PROCON, FUNASA, etc. los membros da própria universidade (corpo docente e
Autarquias associativas: criada mediante a associa- discente) e cumprem um período de mandato certo e,
ção pública entre os entes federados formando con- portanto, possuem maior independência. A Lei que ins-
sórcio público com personalidade jurídica de direi- tituiu cada Universidade vai definir o prazo específico
to público. As mencionadas associações integram a do mandato certo.
Administração Pública Indireta de todos os entes fede- 3. O dirigente da Universidade Pública não pode
rados consorciados; ser exonerado livremente: o dirigente somente será
Autarquias de controle: entidades que possuem destituído do cargo mediante decisão judicial ou pro-
a prerrogativa de exercer o controle e a fiscalização cesso administrativo justificado, fato que confere
sobre o exercício de determinadas profissões, no maior independência à Autarquia.
âmbito do exercício do poder de polícia, visando
assegurar o interesse público. Ex: o Conselho 4.2.2 Agências Reguladoras
Regional de Medicina controla/condiciona a prática da
atividade médica àqueles que possuem um registro no As Agências Reguladoras Conceito
CRM, restringindo o direito individual do médico são Autarquias em MUITO cobrado!
de exercer a sua profissão livremente em nome do Regime Especial criadas
interesse público (Poder de Polícia). para regulamentar e controlar a prestação dos
serviços públicos realizada pelos particulares
FICA A DICA
concessionários e permissionários de serviço público.
A Ordem dos Advogados do Brasil não possui qualificação de
autarquia, o que a distingue dos outros conselhos de profis- As Agências Reguladoras ganharam força com as on-
são. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, das de privatização da década de 90. Nessa fase, a ini-
trata-se de um serviço público independente, uma catego- ciativa privada passou a prestar serviços de natureza
ria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes
no direito brasileiro. A OAB não está incluída na classe na
pública e fez-se necessário o investimento em novos
qual se inserem essas que se tem referido como “autar- instrumentos para fiscalizar essa execução. São ca-
quias especiais”. Por não consubstanciar uma entidade da racterísticas dessas autarquias:
Administração Indireta, a OAB não está sujeita ao controle
da Administração, nem a qualquer das suas partes está vin- 1. Forma diferenciada de escolha dos dirigentes:
culada. a escolha do dirigente será realizada pelo presidente
da República mediante aprovação do Senado, sendo
Autarquia territorial que a lei específica de criação da autarquia definirá o
prazo e a duração do mandato certo.
Conforme estabelece o art. 33 da Constituição
O dirigente escolhido deverá demonstrar que possui
Federal de 1988, a lei irá dispor sobre a organização
capacidade técnica e cumprirá um mandato fixo, sen-
administrativa e judiciária dos Territórios, definindo
do automaticamente desligado após o encerramen-
ainda que “os Territórios poderão ser divididos
to do mandato. Desse modo, esse agente somente
em Municípios”. Trata-se de hipótese de
será destituído do cargo mediante decisão judicial,
descentralização política e não administrativa, uma
processo administrativo disciplinar ou em razão
vez que a despeito de serem chamadas de autarquias
renúncia. Essa estabilidade conferida aos dirigentes
territoriais, não compõem a Administração Indireta.
garante às Agências Reguladoras maior autonomia
funcional.
AUTARQUIAS EM REGIME ESPECIAL RECURSO HIERÁRQUICO IMPRÓPRIO
um contrato de gestão com o Ministério supervisor As Agências executivas NÃO SÃO AUTARQUIAS SU-
por iniciativa da Administração Direta. Através des- JEITAS A UM REGIME ESPECIAL estabelecido em
se contrato é conferida a essa Autarquia mais orça- lei. Desse modo, ao contrário das Agências regulado-
mento, mais autonomia administrativa e, em contra- ras, que se sujeitam a um regime especial em razão
partida, esta deverá cumprir um plano estratégico da lei que as instituiu, essas agências recebem a qua-
de reestruturação, atingir metas e resultados com lificação de Agência Executiva mediante assinatu-
vistas a alcançar a eficiência. Após a celebração do ra do contrato de gestão e publicação de Decreto
mencionado contrato de gestão (art. 37, §8º da CF/88), pelo chefe do Executivo.
será elaborado um plano estratégico de reestruturação
e o próprio chefe do poder executivo irá editar um De- 4.2.6. Associações Públicas
creto qualificando essa Autarquia como Agência
Conforme estabelece o art. 241 da Constituição Fe-
Executiva. Ex.: Agência executiva -> Inmetro.
deral, a União, os Estados, Distrito Federal e os Mu-
nicípios poderão firmar contratos de consórcios pú-
blicos autorizando a gestão associada de serviços
públicos pelos entes federados. O consórcio público
QUESTÃO QUADRIX 2019
é um negócio jurídico plurilateral de direito público que
As agências executivas são consideradas como autarquias de tem por objeto estabelecer medidas de mútua coope-
regime especial, muito embora sua natureza jurídica, prerrog-
ração entre as entidades federativas, resultando na
ativas e deveres destoem bastante das autarquias em geral.
Errado criação de uma pessoa jurídica autônoma. Os consór-
cios podem ser instituídos com personalidade jurídi-
ca de direito público e personalidade jurídica de
direito privado.
A instituição da referida entidade deverá seguir as se- 4.4.2. Sociedade de Economia Mista
guintes etapas: edição de lei autorizativa, expedição
de decreto de regulamentação da mencionada lei, As sociedades de economia mista são pessoas jurídi-
registro dos atos constitutivos em cartório (caso cas de direito privado criadas mediante autorização
seja prestadora de serviço público) ou na junta co- legal para a prestação de serviços públicos ou para
mercial (caso seja exploradora de atividade econômi- exploração de atividade econômica, constituídas
ca). Portanto, ao contrário do que ocorre com a autar- por capital misto, público e privado (sendo que a maio-
quia, a qual é criada diretamente pela lei, a empresa ria do capital votante será público), e instituída somen-
pública tem sua criação autorizada por lei e somente te sob a forma empresarial de sociedade anônima.
será efetivamente criada através do registro de seus Ex.: Eletrobrás, Petrobras.
atos constitutivos.
Os pontos MAIS cobrados são os conceitos de Em-
presa Pública e Sociedade de Economia Mista,
QUESTÃO diferenças e semelhanças entre essas.
Prova Auditor de Controle Externo
As Autarquias e as Empresas Públicas integram a Inicialmente, iremos tratar acerca das diferenças e se-
Administração Indireta e assemelham-se quanto ao modo melhanças existentes entre essas entidades, são elas:
de criação e ao regime jurídico, pois a criação de ambas
depende de autorização legislativa e ambas submetem-se Diferenças:
tanto ao regime público como ao regime privado.
1. Capital: a Empresa Pública é formada por capital
Errado 100% público, nesse caso não é admitido investimen-
to privado. Na sociedade de economia mista, por sua
vez, o capital é misto, sendo que a maioria do capital
O ponto mais COBRADO são os conceitos
das empresas estatais
votante será público.
e as diferenças entre essas instituições 2. Forma jurídica: a sociedade de economia mista so-
mente poderá ser constituída sob a forma de Socie-
Destaca-se que, conforme estudado, as empresas dade Anônima, sendo que a empresa pública admite
públicas necessariamente possuem capital exclusi- qualquer forma societária.
vamente público, ou seja, o capital da empresa pú-
3. Deslocamento de competência: o art. 109, I CF/88
blica é oriundo exclusivamente de recursos da União,
estabelece que compete à Justiça Federal o julgamen-
dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A
to das ações judiciais em que a empresa pública figu-
regra, todavia, precisa ser analisada com o texto do
re como parte (deslocamento para a Justiça Federal).
parágrafo único do mesmo dispositivo (art. 3° da Lei
Nas ações em que a sociedade de economia mista
13.303/16) que permite a participação no capital social
figure como parte, não haverá esse deslocamento,
da empresa pública de outras pessoas jurídicas de
salvo quando se tratar de matéria de justiça espe-
direito público interno, bem como de entidades da
cializada e quando a União intervém como assis-
Administração Indireta dos entes federados da União,
tente ou opoente.
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ex:
Semelhanças:
Empresa Pública cujo capital é 50% do Estado de Mi-
nas Gerais e 50% da União. 1. A empresa pública e a sociedade de economia mista
possuem personalidade jurídica de direito privado.
Dessa forma, o capital de uma Empresa Pública Fede-
ral poderá ser constituído por capital da União, Estado FICA A DICA
e do Município, desde que seja exclusivamente pú- A empresa pública e a sociedade de economia mista
blico. São exemplos de empresas públicas: Correios, deverão possuir em sua estrutura societária Comitê de
Caixa Econômica Federal, Infraero e BNDES. Auditoria Estatutário como órgão auxiliar do Conselho
de Administração, ao qual se reportará diretamente.
ATENÇÃO: São exemplos de sociedades de economia
QUESTÃO - CESPE mista: Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras e Telebras.
As empresas públicas, entidades dotadas de personalidade
jurídica de direito privado, cuja criação é autorizada por lei,
possuem patrimônio próprio e podem ser unipessoais ou
2. As empresas estatais não gozam de nenhuma
pluripessoais.
prerrogativa pública, seguindo o mesmo regime
Correto das empresas privadas no que diz respeito às suas
obrigações, ou seja, não possuem privilégios fiscais, uma finalidade pública, podendo prestar serviço pú-
as obrigações trabalhistas são regidas pela CLT, não blico ou explorar atividade econômica:
gozam de prerrogativas dos contratos administrativos Prestação de serviços públicos: as empresas esta-
(contratos privados), e estão sujeitas ao mesmo regime tais prestadoras de serviço público estão sujeitas ao
das empresas privadas no que tange aos privilégios regime jurídico híbrido que se aproxima de DIREITO
processuais. PÚBLICO, uma vez que se aplicam a essas entidades
3. As empresas estatais não gozam das prerrogativas as normas e princípios no que tange à prestação dos
de Estado, entretanto, estão sujeitas às limitações de serviços públicos estabelecido pela Lei n. 8.987/95 e
Estado, trata-se da sujeição ao regime jurídico híbri- demais diplomas normativos (responsabilidade civil
do (parte público e parte privado). objetiva, bens atrelados à prestação do serviço são
impenhoráveis, etc.). Ex.: Empresa de Correios e Telé-
4. As estatais estão sujeitas ao controle realizado pelo
grafos. No que se refere à titularidade do serviço, para
Tribunal de Contas.
a doutrina majoritária as empresas estatais nunca se-
5. As empresas públicas e sociedade de economia mista rão titulares do serviço, recebendo apenas a execu-
exploradoras de atividade econômica, em regra, estão ção do serviço mediante delegação.
sujeitas as regras estabelecidas na lei acerca de lici- Exploração de atividade econômica: As empresas
tações e contratos, estando, ainda, obrigadas a seguir estatais exploradoras de atividade econômica estão
as regras constantes no estatuto das empresas estatais sujeitas ao regime jurídico híbrido que se aproxima
- Lei nº 13.303/2016. do DIREITO PRIVADO (seus bens estão sujeitos à pe-
Cumpre destacar que o referido regime de contratação nhora, não gozam de imunidade tributária recíproca, a
deve observar os princípios da administração pública, responsabilidade civil é subjetiva e etc.). As empresas
sendo que os atos abusivos praticados no âmbito estatais irão atuar na exploração da atividade econô-
de tais procedimentos licitatórios, sujeitam-se ao mica em situações de relevante interesse coletivo
controle realizado por meio de mandado de segu- ou em virtude de imperativo da segurança nacional.
rança. Em regra ambas entidades devem realizar o Ex.: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. Des-
procedimento licitatório prévio às contratações. taca-se que mesmo quando atuam na exploração de
FICA A DICA atividade econômica essas se submetem às restrições
As empresas estatais não são obrigadas a realizar o de direito público, haja vista que na celebração de seus
procedimento licitatório nas contratações relacionadas à contratos, EM REGRA, se submetem às licitações
execução de sua atividade fim. públicas, assim como devem realizar concurso
para contratação de pessoal e etc.
6. Os agentes das empresas estatais são emprega- Destaca-se que sejam essas empresas prestadoras de
dos públicos selecionados por intermédio de Concurso serviços públicos ou exploradoras de atividades eco-
Público, estão sujeitos ao regime celetista e celebram nômicas, não se aplica o regime de precatórios do art.
contrato de emprego com a empresa estatal. Des- 100 da Constituição Federal para pagamento de seus
taca-se que os empregados públicos estão sujeitos à débitos judiciais.
vedação quanto a ACUMULAÇÃO DE CARGOS, em- FICA A DICA
pregos ou funções públicas. • As empresas estatais não possuem finalidade lu-
crativa, a finalidade será sempre pública. Contudo,
7. Impossibilidade de falência: o regime falimentar essas entidades poderão auferir lucro.
das empresas privadas não se aplica às empresas • A exploração de atividade econômica é atividade
estatais. típica do particular, que almeja auferir lucro.
Contudo, em determinadas situações nas quais
8. As empresas públicas e sociedades de economia
a atividade econômica esteja ligada a relevante
mista prestadoras de serviços públicos respondem interesse coletivo ou imperativo da segurança
objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa nacional, o Estado poderá explorá-la através das
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito empresas estatais.
de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou • A Empresa de Correios e Telégrafos, por desempen-
culpa. As empresas estatais que exploram atividade har um serviço exclusivo e indelegável, estará sujeita
econômica respondem pelos danos de forma subje- ao regime jurídico de direito público gozando de to-
das as prerrogativas e se sujeitando a todas as limi-
tiva, conforme regime de direito privado.
tações de Estado.
9. A finalidade das Empresas Estatais será sempre
Agentes ATENÇÃO
A dispensa de um empregado de uma empresa estatal con-
Os agentes que atuam na prestação de serviços den- figura ato administrativo e, como tal, depende de motivação
tro da estrutura das empresas estatais são emprega- para ser praticado.
dos públicos que celebram com a Administração
Pública contratos de emprego regidos pela Conso-
lidação das Leis do Trabalho (CLT). QUESTÃO CESP
ATENÇÃO a Cespe já cobrou:
Considere que, há sete anos, Adriano é empregado da Caixa
QUESTÃO VUNESP 2019 Econômica Federal (CAIXA), que é uma empresa pública fed-
Nas sociedades de economia mista existem empregados eral. Nessa situação hipotética, julgue o item a seguir.
públicos, contratados pela CLT, que se submetem a concurso Por força constitucional, o fato de a CAIXA ser uma Empresa
público. Pública impede que Adriano possa ser demitido sem justa
Correto causa.
Errado
Número de acertos = ______ 57
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públicos, a mesma deverá seguir os procedimentos le- • Súmula n. 514: A CEF é responsável pelo forne-
gais sem derrogação. Contudo, quando a empresa pú- cimento dos extratos das contas individualizadas
blico desempenha uma atividade econômica, a mesma vinculadas ao FGTS dos Trabalhadores partici-
poderá licitar mediante procedimentos simplificados. pantes do Fundo de Garantia do Tempo de Servi-
ço, inclusive para fins de exibição em juízo, inde-
Súmulas do STF
pendentemente do período em discussão.
• Súmula 8-STF: Diretor de sociedade de economia
• Súmula n. 525: A Câmara de vereadores não
mista pode ser destituído no curso do mandato.
possui personalidade jurídica, apenas personali-
• Súmula n. 517: As sociedades de economia mista dade judiciária, somente podendo demandarem
só têm foro na justiça federal, quando a União in- juízo para defender os seus direitos institucionais.
tervém como assistente ou opoente.
• Súmula n. 556: É competente a justiça comum Clique aqui para os esquemas
para julgar as causas em que é parte sociedade
de economia mista.
• Súmula n. 620: A sentença proferida contra autar-
quias não está sujeita a reexame necessário, salvo
quando sucumbente em execução de dívida ativa.
Súmulas do STJ
• Súmula n. 39: Prescreve em vinte anos a ação
para haver indenização, por Responsabilidade ci-
vil, de sociedade de economia mista.
• Súmula n. 42: Compete à Justiça Comum Esta-
dual processar e julgar as causas cíveis em que
é parte sociedade de economia mista e os crimes
praticados em seu detrimento.
• Súmula n. 66: Compete à Justiça Federal proces-
sar e julgar execução fiscal promovida por Conse-
lho de fiscalização profissional.
• Súmula n. 116: A Fazenda Pública e o Ministério
Público têm prazo em dobro para interpor agravo
regimental no Superior Tribunal de Justiça.
• Súmula n.175: Descabe o depósito prévio nas
ações rescisórias propostas pelo INSS.
• Súmula n. 232: A Fazenda Pública, quando parte
no processo, fica sujeita à exigência do depósito
prévio dos honorários do perito.
• Súmula n. 324: Compete à Justiça Federal pro-
cessar e julgar ações de que participa a Fundação
Habitacional do Exército, equiparada à entidade
autárquica federal, supervisionada pelo Ministério
do Exército.
• Súmula n. 333: Cabe mandado de segurança
contra ato praticado em licitação promovida por
sociedade de economia mista ou empresa pública.
• Súmula n. 497: Os créditos das autarquias fede-
rais preferem aos créditos da Fazenda estadual
desde que coexistam penhoras sobre o mesmo
bem.
Número de acertos = ______ 59
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A Autarquia pode ser conceituada como pessoa jurídica de direito público interno que
se encontra sujeita ao Regime Jurídico de Direito Público, ou seja, faz uso de todas as
prerrogativas de Estado e está sujeita a todas as limitações, exercendo atividade típica
de Estado.
TOTAL 74%
190
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
III. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
Art. 4° DECRETO LEI N. 200 DE 1967: II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes
categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
6 a 47
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) fundações públicas. (Incluído pela Lei nº 7.596, de 1987)
Art. 6º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: As atividades da Administração Federal obedecerão aos
seguintes princípios fundamentais:
I - Planejamento.
II - Coordenação. 48 a 63
III - Descentralização.
IV - Delegação de Competência.
V - Controle.
Art. 11. DECRETO LEI N. 200 DE 1967: A delegação de competência será utilizada como instru-
mento de descentralização administrativa, com o objetivo de assegurar maior rapidez e objetivi- 64 a 65
dade às decisões, situando-as na proximidade dos fatos, pessoas ou problemas a atender.
Art. 1º, § 2º, I, da Lei nº 9784/99: § 2º Para os fins desta Lei, consideram-se:
I – órgão – a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da 66 a 72
Administração indireta.
Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita
73 a 148
próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu mel-
hor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se:
II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio
próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que
149 a 165
o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa po-
dendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. (Redação dada pelo Decreto-Lei
nº 900, de 1969)
Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se:
III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas 166 a 187
ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indi-
reta. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 900, de 1969)
Art. 5º DECRETO LEI N. 200 DE 1967: Para os fins desta lei, considera-se: IV - Fundação Pública
- a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em
virtude de autorização legislativa, para
o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou enti- 188 a 206
dades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio geri-do pelos
respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras
fontes. (Incluído pela Lei nº 7.596, de 1987)
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FICA A DICA
virtude de sentença judicial transitada em julgado
Em razão do fato de não se tratar de vínculo de natureza con-
ou de processo administrativo disciplinar no qual
tratual, o ente público poderá promover alteração unilateral lhe seja assegurada ampla defesa”
no regime aplicável aos servidores estatutários, desde que
Para além das hipóteses elencadas acima, de forma
sejam respeitados os direitos adquiridos.
Portanto, o servidor público não tem direito adquirido à
excepcional, o § 4º do art. 169 da Constituição Fed-
imutabilidade de seu regime jurídico, de sorte que não há eral de 1988 admite a exoneração de servidores
violação a direito quando se altera, por exemplo, a jorna- estáveis quando esta for imprescindível para o
da de trabalho ou escalonamento hierárquico da carreira. cumprimento do limite de despesa com pessoal
estabelecido em Lei Complementar. Vejamos:
Destaca-se que durante o período de três anos ini-
“A despesa com pessoal ativo e inativo e pensioni-
ciais de exercício, denominado período probatório, o
stas da União, dos Estados, do Distrito Federal e
agente será submetido a uma avaliação especial de
dos Municípios não pode exceder os limites esta-
desempenho e a aquisição da estabilidade estará
belecidos em lei complementar. (Redação dada
condicionada a um resultado satisfatório nessa
pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)[...]”
avaliação. Essa avaliação tem a finalidade de verificar
§ 3º Para o cumprimento dos limites estabeleci-
se o servidor, no exercício de suas funções, atende ao
dos com base neste artigo, durante o prazo fixado
Princípio da Eficiência previsto no caput do artigo 37
na lei complementar referida no caput, a União, os
da CR/88.
Estados, o Distrito Federal e os Municípios ado-
ATENÇÃO: tarão as seguintes providências:
o servidor público não tem direito adquirido à imutabilidade I - redução em pelo menos vinte por cento das
de seu regime jurídico despesas com cargos em comissão e funções de
confiança; Explicação da Lei Seca
QUESTÃO CESPE
II - exoneração dos servidores não estáveis.
O direito adquirido garante a imutabilidade de regime jurídico
e busca proteger os direitos dos cidadãos contra as alter- § 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo
ações que o Estado realiza nas leis que regem anterior não forem suficientes para assegurar o
o serviço público. cumprimento da determinação da lei complementar
Errado referida neste artigo, o servidor estável poderá
perder o cargo, desde que ato normativo motivado
Contudo, é importante lembrar que a avaliação de de cada um dos Poderes especifique a atividade
desempenho não acontece apenas durante o estágio funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto
probatório. A referida avaliação também será promovi- da redução de pessoal. [...]
da depois que o servidor já alcançou a estabilidade ad-
Na situação descrita temos a hipótese de exoneração
ministrativa, pois este deve continuar sendo eficiente
do servidor estável para fins de cumprimento dos lim-
na prestação dos serviços.
ites de gastos com despesas de pessoal. Nesse caso,
Adquirida a estabilidade, o servidor somente poderá não será possível que a lei crie novo cargo, emprego
perder o cargo nas hipóteses previstas no § 1º do art. ou função para suprir as mesmas atividades desem-
41 da CF/88: SEMPRE CAI EM penhadas pelo servidor que foi exonerado durante o
PROVA – TEM QUE prazo de quatro anos, nos termos do § 6° do art. 169
Art. 41, § 1º O servidor
DECORAR! da CR/88:
público estável só perderá
o cargo: Explicação da Lei Seca “Art. 169, § 6°. O cargo objeto da redução prevista
I - em virtude de sentença judicial transitada em nos parágrafos anteriores será considerado ex-
julgado; tinto, vedada a criação de cargo, emprego ou fun-
II - mediante processo administrativo em que lhe ção com atribuições iguais ou assemelhadas pelo
seja assegurada ampla defesa; prazo de quatro anos.” Explicação da Lei Seca
III - mediante procedimento de avaliação periódica
Ademais, nesse caso o servidor exonerado receberá,
de desempenho, na forma de lei complementar,
a título de indenização, um mês de remuneração rela-
assegurada ampla defesa.
tivo a cada ano de serviço prestado, em conformidade
As hipóteses dos incisos I e II também estão elen- com o art. 169, §5° da CR/88:
cadas na Lei 8.112/90: Explicação da Lei Seca § 5° O servidor que perder o cargo na forma
“Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em do parágrafo anterior fará jus a indenização
Número de acertos = ______ 55
Questões resolvidas
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correspondente a um mês de remuneração por Art. 5º. São requisitos básicos para investidura em
ano de serviço. Explicação da Lei Seca cargo público:
I - a nacionalidade brasileira; - estrangeiros na
Destaca-se que para que esse servidor exonerado
forma da lei
retorne aos quadros administrativos, o único caminho
II - o gozo dos direitos políticos;
é prestar um novo concurso público.
III - a quitação com as obrigações militares e elei-
Por fim, conforme estabelece o art. 19 da Lei Com- torais;
plementar n. 101/2000, a despesa total com pessoal, IV - o nível de escolaridade exigido para o exercí-
em cada período de apuração, não poderá exceder os cio do cargo; Explicação da Lei Seca
seguintes percentuais de receita líquida: V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
• União: 50%
Por fim, destaca-se que aos servidores públicos
• Estados: 60%
estatutários são garantidos alguns direitos trabalhistas,
• Municípios: 60% são eles: garantia de salário, nunca inferior ao mínimo,
para os que percebem remuneração variável; décimo
FICA A DICA terceiro salário com base na remuneração integral ou
no valor da aposentadoria; remuneração do trabalho
Demissão
Destaca-se que, no caso de servidores efetivos que ainda noturno superior à do diurno; salário-família pago
não são estáveis, a demissão deverá ser precedida de um em razão do dependente do trabalhador de baixa
processo que o Supremo Tribunal Federal denomina como renda nos termos da lei; duração do trabalho normal
processo administrativo simplificado. Afinal, ainda que o não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
servidor não tenha adquirido a estabilidade, deve lhe ser
semanais, facultada a compensação de horários e a
assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa,
haja vista que a demissão, no Direito Administrativo,
redução da jornada, mediante acordo ou convenção
é uma PENALIDADE aplicada ao servidor público, seja coletiva de trabalho; repouso semanal remunerado,
ele estável ou não, em razão do cometimento de ilegalidade preferencialmente aos domingos; remuneração do
grave, como será visto adiante. serviço extraordinário superior, no mínimo, em
Nesse sentido, devemos lembrar que, caso verificado algum cinquenta por cento a do normal; gozo de férias
vício de legalidade ligado à aplicação da penalidade de
anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a
demissão do servidor público, esse ato deverá ser anulado
e, conforme determina o §2º do art. 41 da CF/88, o servidor mais do que o salário normal; licença à gestante, sem
que tiver seu ato de demissão anulado pela via judicial prejuízo do emprego e do salário, com a duração de
deverá ser reintegrado aos quadros do Poder Público: cento e vinte dias; licença-paternidade, nos termos
“Art. 41, § 2º. Invalidada por sentença judicial a demissão fixados em lei; proteção do mercado de trabalho da
do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual
mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da
ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo
de origem, sem direito a indenização, aproveitado
lei; redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio
em outro cargo ou posto em disponibilidade com de normas de saúde, higiene e segurança; proibição
remuneração proporcional ao tempo de serviço.” de diferença de salários, de exercício de funções e de
Ademais, o §3º do mesmo dispositivo ainda completa: critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, estado civil.
o servidor estável ficará em disponibilidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu FICA A DICA
adequado aproveitamento em outro cargo. • Conforme determinação da Lei nº 8.112/90 (art. 7º), “a in-
vestidura em cargo público ocorrerá com a posse.”
QUESTÃO DE PROVA RECORRENTE. NÃO • Quanto ao trabalho noturno, a Lei nº 8.112/90 determina,
PERCA ESSE PONTO! em seu art. 75, que “o serviço noturno, prestado em horá-
rio compreendido entre 22 horas de um dia e 5 horas do
dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25%, compu-
tando-se cada hora como cinquenta e dois minutos e trinta
segundos.”
REQUISITOS PARA INVESTIDURA
EM CARGO PÚBLICO QUESTÃO ESAF
Ao servidor público federal que prestar serviço entre as vinte
A Lei nº 8.112/90 dispõe sobre o regime jurídico dos
e duas horas de um dia e as cinco horas da manhã do dia
servidores públicos civis da União, das autarquias e seguinte, ainda que em regime de plantão, será devido ao
das fundações públicas de direito público federais. pagamento de adicional noturno.
Essa norma estabelece em seu art. 5º que: Correto
56 Número de acertos = ______
Questões resolvidas
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ATENÇÃO – QUESTÃO
AGENTES MILITARES RECORRENTE NAS PROVAS
As funções de confiança não se confundem com os cargos
Os agentes militares formam uma categoria de servi- em comissão, visto que estes são ocupados transitoriamente,
dores públicos, que possuem vinculação estatutária sem a necessidade de concurso, e aquelas só podem ser
própria, organizados com base na hierarquia e na dis- titularizadas por servidores públicos ocupantes de cargos
ciplina. Nos termos do art. 42 da CF/88 são militares: efetivos.
Correto
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos
de Bombeiros Militares, instituições organizadas
Destaca-se que esses cargos são acessíveis a todos,
com base na hierarquia e disciplina, são militares
sendo de livre nomeação ou exoneração, podendo
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
esse agente ser desligado do cargo imotivadamente
Também são agentes militares os integrantes das For- (exceção ao Princípio da Motivação), sem instauração
ças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército de processo administrativo e sem direito ao
e pela Aeronáutica. Explicação da Lei Seca contraditório e a ampla defesa. Contudo, convém
destacar que, a despeito da exoneração tratar-se
Destaca-se que os agentes militares contribuem para
de uma exceção à obrigatoriedade de motivação
o regime PRÓPRIO de previdência, conforme dispõe o
dos atos administrativos, caso a autoridade pública
caput do artigo 40 da CR/88:
apresente motivo para exoneração e tal motivo
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos for falso, em conformidade com a Teoria dos Motivos
servidores titulares de cargos efetivos terá caráter Determinantes, o ato de exoneração será nulo, haja
contributivo e solidário, mediante contribuição do vista que o vício no motivo enseja o vício de legalidade
respectivo ente federativo, de servidores ativos, de no ato.
aposentados e de pensionistas, observados crité-
rios que preservem o equilíbrio financeiro e atu- Os cargos de confiança estão relacionados às
arial. (Redação dada pela Emenda Constitucional atribuições de direção, chefia e assessoramento (art.
nº 103, de 2019) 37, V da CF/88).
Explicação da Lei Seca
Federal: “durante o prazo improrrogável previsto no ponibilidade financeira para remuneração desses car-
edital de convocação, aquele aprovado em concurso gos.
público de provas ou de provas e títulos será convo- Destaca-se que a exigência de requisitos diferencia-
cado com prioridade sobre novos concursados para dos ao acesso a determinado cargo somente se jus-
assumir cargo ou emprego na carreira.” tifica quando a natureza ou complexidade da função
Portanto, impõe-se a conclusão de um concurso para a ser exercida exigir. Ex.: exigência de altura mínima
que novo concurso seja aberto, haja vista que “não para ocupação do cargo de delegado.
se abrirá novo concurso enquanto houver candidato
FICA A DICA
aprovado em concurso anterior com prazo de validade
• Em decorrência do inciso I do art. 37 da CF/88, é vedado
não expirado” (art. 12, §2º da Lei 8.112/90).
que os editais de concurso público estabeleçam exigên-
cias sem base legal, ou seja, a Administração não pode
CONTROLE DE LEGALIDADE DOS impor condições/requisitos para a participação no cer-
CONCURSOS tame. Nessa medida, é importante destacar que o edital
NÃO é instrumento idôneo para o estabelecimento de limite
A Administração Pública, caso verifique ilegalidade mínimo de idade para inscrição em concurso público, sendo
que para que seja legítima tal exigência, é imprescindível a
no procedimento de seleção, deve anular o concurso
previsão em lei.
público. Tal anulação pode ser realizada, ainda, pelo • O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no
Poder Judiciário o qual desempenha o controle de le- edital de determinado Concurso, deve ser comprovado no
galidade dos atos e procedimentos administrativos, momento de inscrição do certame.
desde que provocado. Caso o candidato, prejudicado • Súmula vinculante 44: “Só por lei se pode sujeitar a exame
psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público”
em razão dessa anulação, ajuíze mandado de segu- • Súmula 684 “É inconstitucional o veto não motivado à
rança, cabe ressaltar que o prazo de decadência para participação de candidato a concurso público”.
impetração de 120 dias conta-se da data do efetivo • A mera instauração de processo criminal ou inquérito
prejuízo sofrido pelo indivíduo e não da data de publi- policial não são suficientes para impedir o brasileiro
de ocupar cargo público ou concorrer para tanto, afinal,
cação do edital. conforme art. 5º, LVII da CF/88, “ninguém será considerado
FICA A DICA culpado até o trânsito em julgado de sentença penal con-
denatória”.
Conforme estabelece o Decreto 6.944/2009, a Administração
Direta, Autarquias e Fundações Públicas em âmbito federal
devem publicar integralmente, no Diário Oficial da União, edi- QUESTÃO CESPE
tal de concurso com antecedência mínima de sessenta dias Segundo o entendimento recente do STF e do STJ, o fato de
da realização da primeira prova (art. 18, I), salvo nos casos haver instauração de inquérito policial ou propositura de ação
em que o ministro de Estado, mediante ato motivado, reduzir penal contra candidato inscrito em concurso público é causa
o referido prazo. para a sua eliminação
do certame.
Errado
TIPOS DE CONCURSO
FICA A DICA
O concurso pode ser de provas ou de provas e títu- • A limitação de acesso a cargos públicos por motivo de
idade, sexo, estado civil, altura somente é possível em
los. O concurso de provas será realizado para a com-
razão das funções a serem exercidas pelo servidor que
posição dos quadros relativos a cargos e empregos de irá preencher o cargo objeto do concurso. Destaca-se que
menor complexidade. Os concursos de provas e títu- somente a lei pode definir os requisitos de ingresso, não
los, por sua vez, referem-se ao provimento de cargos podendo ser suprimida a ausência de determinação legal.
com maior complexidade. Nesse último caso, a ordem • Súmula Vinculante Nº. 43: “É inconstitucional toda modali-
dade de provimento que propicie ao servidor investir-se,
classificatória será definida pelo resultado da ponder- sem prévia aprovação e concurso público destinado ao
ação entre o resultado das provas e a pontuação de seu provimento, em cargo que não integra a carreira na
títulos. qual anteriormente investido”.
• Súmula Nº 683 “O limite de idade para a inscrição em con-
Não se admite concurso público exclusivamente de tí- curso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
tulos. A provas de títulos em concursos públicos não Constituição, quando possa ser justificado pela natureza
podem ostentar natureza eliminatória, tendo caráter do cargo a ser preenchido.”
exclusivamente classificatório. • Súmula Vinculante Nº 44 “Só por lei se pode sujeitar a
exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
São pressupostos para abertura de Concurso Público: público”.
a) necessidade de preenchimento das vagas; b) dis-
Conforme entendimento do STF, a legalidade dos por bacharel em Direito, abarcando ainda o efetivo ex-
exames psicotécnicos em prova de concurso público ercício de advocacia em 5 (cinco) atos privativos de
está condicionada ao preenchimento de três requisitos: advogado em causas ou questões distintas.
previsão legal (é insuficiente a mera exigência no
edital); adoção de critérios objetivos e científicos;
VAGAS RESERVADAS PARA NE-
possibilidade de revisão do resultado pelas vias
GROS
recursais. MUITO
IMPORTANTE Em 09 de junho de 2014, foi publicada a lei 12.990/14,
que estabeleceu a reserva de um percentual de 20%
EXCEÇÕES AO CONCURSO PÚBLI-
das vagas de concursos públicos, no âmbito da Ad-
CO
ministração Direta e Indireta da União, para os
São exceções à regra do Concurso Público para provi- candidatos negros e pardos, nas situações em que o
mento de cargos: cargos em comissão de livre no- número de vagas estipulado no edital seja igual ou su-
meação e livre exoneração; cargos eletivos; servidores perior a três.
temporários contratados em razão de excepcional Nesse sentido, poderão concorrer às vagas reserva-
interesse público; ex-combatentes, agentes comuni- das a candidatos negros aqueles que se autodeclara-
tários de saúde e agentes de combate às endemias rem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso
(nesse caso a lei 11.350/06 prevê a realização de um público, conforme os quesitos da Fundação Instituto
processo seletivo público diferenciado); agentes de- Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Caso seja
tentores de mandatos eletivos; ex-combatentes; Min- constatada falsidade na declaração, o candidato será
istros dos Tribunais Superiores; quinto constitucional eliminado do concurso e, caso tiver sido nomeado, fi-
(art. 94 da CF/88) e empregados OAB. cará sujeito à anulação da sua nomeação, mediante
procedimento administrativo.
FICA A DICA
com denominação própria e vencimento pago pe-
los cofres públicos, para provimento em caráter
O STF (MS 26.310/DF) entendeu que é válido o edital de efetivo ou em comissão”
concurso para o preenchimento de duas vagas que não Explicação da Lei Seca
reserva nenhuma para deficientes. Isso porque, nesse FICA A DICA
caso, a reserva de uma vaga corresponderia a 50% das vagas,
Momentos da vida funcional do servidor público: 1º
percentual este muito acima do percentual estabelecido pela
Aprovação em Concurso Público; 2º Provimento; 3º Posse;
lei.
4º Exercício; 5º Estágio Probatório; 6º Avaliação de De-
Concurso para cadastro de reserva - o concurso realizado
sempenho; 7º Estabilidade; 8º Saída do Cargo.
para cadastro de reserva NÃO enseja direito subjetivo à
Destaca-se que a criação, transformação e a extinção de
nomeação.
cargo, emprego ou função sempre depende de lei. Entre-
No que se refere à nomeação de novas vagas durante o
tanto, caso tratar-se de cargo vago, e somente nessa
prazo de validade do concurso, a jurisprudência está longe
hipótese, o cargo poderá ser extinto mediante decreto
de um posicionamento pacífico.
(art. 84, VI, b da CF/88). Entretanto, atente-se ao fato de
No RE 837311 o plenário ressaltou que incumbe a
que algumas bancas de concursos entendem que a criação
Administração avaliar discricionariamente a necessidade
de empregos públicos nas Empresas Públicas e Socie-
de novas convocações. Desse modo, o surgimento de
dades de Economia Mista não depende de lei.
novas vagas não gera o direito à nomeação dos candidatos
aprovados fora das vagas do edital.
Entretanto, cabe destacar o posicionamento do STJ (RMS
33.875 - MT, Primeira Turma, DJe 22/6/2015; e AgRg nos EDcl DEFINIÇÕES IMPORTANTES:
nos EDcl no Ag 1398319-ES, Segunda Turma, DJe 9/3/2012)
segundo o qual o candidato aprovado fora do número das • Servidor Público: POSSE MEDIANTE PRO-
vagas previstas no edital de concurso público tem direito aquele investido em CURAÇÃO
Atenção para os conceitos
subjetivo à nomeação quando candidato imediatamente cargo público;
de POSSE e EXERCÍCIO
anterior na ordem de classificação, aprovado dentro do
número de vagas, for convocado e manisfestar desistência. • Provimento: ato
Nesse mesmo sentido, destaca-se que o candidato aprovado administrativo constitutivo hábil a promover o in-
fora do número de vagas previstas no edital de concurso gresso na Administração. O provimento pode ser
público tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato em cargo efetivo ou em cargo de comissão. Além
anterior na ordem de classificação manifestar a desistência
disso, o provimento pode ser originário (Ex.: no-
(RMS 33.875-MT, Primeira Turma)
meação) ou derivado, o qual pressupõe relação
jurídica prévia com o Estado (Ex.: promoção,
QUESTÃO DE PROVA readaptação, reversão, aproveitamento, reinte-
Conforme entendimento atual do STF, é dever da Adminis- gração e recondução).
tração Pública nomear candidato aprovado em concurso públi-
co dentro das vagas previstas no edital, em razão do Princípio
• Posse: ocorre com a assinatura do termo de pos-
da Boa-Fé e da proteção da confiança, salvo em situações se, na qual irão constar as atribuições, deveres,
excepcionais caracterizadas pela necessidade, superveniên- responsabilidades e direitos inerentes ao cargo.
cia e imprevisibilidade. O prazo para a posse é de 30 dias contados da
Correto publicação do ato de provimento, podendo se
dar mediante procuração específica. A pos-
OCUPANTES DE CARGO PÚBLICO se em cargo público dependerá de prévia in-
speção médica oficial.
O caput do art. 3º da Lei Federal nº 8.112/90 define
cargo público como: O prazo para posse será contado do término do im-
Explicação da Lei Seca
pedimento se o servidor estiver em uma das seguintes
“Art. 3º, caput. Cargo público é o conjunto de
situações na data de publicação do ato de provimento:
atribuições e responsabilidades previstas na es-
trutura organizacional que devem ser cometidas • Licença por mo- LICENÇAS MAIS COBRADAS
a um servidor” tivo de doença em ESTÃO ASSINALADAS EM
pessoa da família; NEGRITO
Neste sentido, o cargo público representa uma
• Licença por motivo de afastamento do cônjuge
posição/conjunto de atribuições na estrutura organiza-
ou companheiro
cional da administração. O parágrafo único do art. 3º
da Lei Federal nº 8.112/90 prescreve a necessidade • Licença para o serviço militar;
de lei para a criação de cargos públicos: • Licença para capacitação
“Art. 3º, parágrafo único Os cargos públicos, aces- • Férias;
síveis a todos os brasileiros, são criados por lei, • Participação em programa de treinamento regu-
Número de acertos = ______ 65
Questões resolvidas
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larmente instituído ou em programa de pós-grad- o servidor terá direito somente às seguintes licen-
uação stricto sensu no País; ças e afastamentos: licença por motivo de doença
• Convocação pelo júri e outros serviços obrigatóri- na família; licença por afastamento do cônjuge ou
os por lei; companheiro; licença para serviço militar; licença
• Licença à gestante, à adotante e à paternidade; para atividade política; afastamento para exercício
de mandato eletivo; afastamento para estudo ou
• Licença para tratamento da própria saúde, até o
missão no exterior; afastamento para servir e or-
limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo
ganismo internacional no qual o Brasil participe;
do tempo de serviço público prestado à União, em
afastamento para participar de curso de formação
cargo de provimento efetivo;
decorrente de aprovação em concurso para outro
• Licença por motivo de acidente em serviço ou cargo na Administração Pública Federal.
doença profissional;
FICA A DICA
• Licença para capacitação, conforme dispuser o
regulamento; O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer
cargos de provimento em comissão ou funções de di-
• Licença por convocação para o serviço militar;
reção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade
• Deslocamento para a nova sede de que trata o art. de lotação.
18; Súmula Nº 22, STF: “o estágio probatório não protege o
• Participação em competição desportiva nacional funcionário contra a extinção do cargo”.
ou convocação para integrar representação de- Súmula Nº 21, STF: “funcionário em estágio probatório não
pode ser exonerado nem demitido sem inquérito ou sem
sportiva nacional, no país ou no exterior, conforme
as formalidades legais de apuração de sua capacidade”.
disposto em lei específica.
Portanto, é nula a dispensa de servidor em estágio probatório
sem o devido processo administrativo que garanta o contra-
O direito à licença e afastamento do servidor em estágio
probatório tem sido recorrente nas provas! ditório e ampla defesa.
Destaca-se, ainda, o disposto no art. 1º da Lei 9717/98:
Licenças para tratamento de assuntos particulares poderão
ser concedidas, por discricionariedade da administração “Art. 1º-A. O servidor público titular de cargo efetivo da
pública, a servidor ocupante de cargo efetivo, ainda que esteja
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
cumprindo o estágio probatório, pelo prazo de até três anos
consecutivos, desde que sem remuneração. ou o militar dos Estados e do Distrito Federal filiado a re-
gime PRÓPRIO de previdência social, quando cedido
Errado
a órgão ou entidade de outro ente da federação, com ou
MACETE sem ônus para o cessionário, permanecerá vinculado
Servidor em estágio probatório não abre a MA TRA CA! ao regime de origem”
Isso é, não tem direito a licença para:
MAndato Classista;
TRAtar de assuntos particulares; Avaliação especial de desempenho: avaliação ao
CApacitação.
qual o servidor está sujeito que, nos termos que a lei
dispuser, será realizada quatro meses antes de en-
Exercício: após a assinatura do termo de posse o cerrado o período de estágio probatório. Desse
servidor deverá entrar em exercício, ou seja, atuar no modo, sendo a avaliação favorável o servidor será
efetivo desempenho das atribuições do cargo ou fun- efetivado, caso a avaliação seja desfavorável o servi-
ção. O servidor tem o prazo de 15 dias para entrar em dor será exonerado (mediante processo administrativo
exercício, contados da data da posse, sob pena de ex- simplificado, assegurado o direito ao contraditório e à
oneração da função de confiança; ampla defesa);
O afastamento para participação em programa de efeitos legais, exceto para promoção por mereci-
pós-graduação stricto sensu no país será concedido mento;
apenas se a participação não puder ocorrer V. na hipótese de ser segurado de regime próprio de
simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante previdência social, permanecerá filiado a esse regime,
no ente federativo de origem. (Redação dada pela
compensação de horário. Ademais, deve haver o
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)”
interesse da Administração, pois esse afastamento
não comprometerá a percepção de remuneração pelo
Clique aqui para ver a tabela
agente.
Ademais, o servidor terá que permanecer no exercício O descumprimento dessas vedações poderá ensejar
de suas funções após o seu retorno por um período a aplicação de penalidades administrativas. Contudo,
igual ao período do afastamento concedido. Caso esse para que isso seja feito, será necessária a instauração
servidor solicite exoneração do cargo ou aposen- de um processo administrativo disciplinar para fins de
tadoria antes do cumprimento desse período de apurar a falta cometida, no qual deve ser assegurado
permanência, será obrigado e ressarcir o órgão ou ao servidor o contraditório e a ampla defesa (art. 116 e
entidade pelos gastos em seu aperfeiçoamento. seguintes da lei nº 8.112/90).
Aplica-se, ainda, os seguintes prazos prescricionais
AFASTAMENTO PARA EXERCÍCIO para fins de instauração do processo e apuração das
DE MANDATO ELETIVO faltas cometidas:
Nos termos do art. 38 da CF/88: • 05 anos: faltas punidas com demissão, cassação de
“Art. 38. Ao servidor público da Administração Dire- aposentadoria ou de disponibilidade e destituição de
ta, Autárquica e Fundacional, no exercício de man- cargo em comissão;
dato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: • 02 anos: faltas punidas com suspensão;
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual • 180 dias: faltas punidas com advertência.
ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego
ou função; FORMAS DE PROVIMENTO
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado
O provimento é o ato administrativo de preenchimento
do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado
de cargo público, regulamentado no Brasil pela Lei Nº
optar pela sua remuneração;”
8.112, de 11 de novembro de 1990. De acordo com a
Destaca-se que quando o agente público, que ocupa legislação, o provimento poderá se dar mediante no-
cargo ou emprego público, passa a exercer mandato meação, promoção, readaptação, reversão, aproveita-
eletivo, a regra é que ele fique afastado do exercício mento, reintegração e recondução.
daquela atividade, percebendo apenas o subsídio ref-
erente ao mandato eletivo. Contudo, o agente poderá NOMEAÇÃO
exercer mandato de vereador e, caso houver compati-
bilidade de horários, poderá cumular as funções e Trata-se da única hipótese de provimento ORIG-
perceber tanto as vantagens remuneratórias refer- INÁRIO, dependendo de prévia aprovação em con-
entes ao cargo efetivo, vitalício ou emprego públi- curso público, no caso de servidor ocupante de cargo
co como o subsídio referente ao cargo eletivo de efetivo, ou na situação de ocupação de cargo de
vereador. Vejamos o que dispõe o inciso III do art. 38 comissão de livre nomeação e exoneração que in-
da CF/88: depende da aprovação em Concurso. Nos termos
do art. 9 da Lei 8.112/90: Explicação da Lei Seca
“Art. 38, III - investido no mandato de Vereador, ha-
vendo compatibilidade de horários, perceberá as “Art. 9º A nomeação far-se-á:
vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo
prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não isolado de provimento efetivo ou de carreira;
havendo compatibilidade, será aplicada a norma II - em comissão, inclusive na condição de interino,
do inciso anterior.” para cargos de /confiança vagos.
Explicação da Lei Seca
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo
Por fim, os incisos IV e V ,do mesmo dispositivo pre-
em comissão ou de natureza especial poderá
screvem que:
ser nomeado para ter exercício, interinamente,
“Art. 38, IV. Em qualquer caso que exija o afas- em outro cargo de co)nfiança, sem prejuízo das
tamento para o exercício de mandato eletivo, atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em
seu tempo de serviço será contado para todos os que deverá optar pela remuneração de um deles
pedido pode se dar nas seguintes situações de fato: Desenvolvimento, o Governo do Estado redistribui os
cargos de Especialista em Políticas Públicas (lotados
Para acompanhar cônjuge ou companheiro, tam-
na Secretaria de Planejamento e Gestão) para fins de
bém servidor civil ou militar, de qualquer das es-
compor os quadros da nova Secretaria. A redistribuição
feras federativas, que foi deslocado no interesse
é dos CARGOS.
da Administração; MUITO COBRADO!
FICA A DICA
Por motivo de saúde do
agente, cônjuge ou companheiro ou dependente; Conforme o art. 18 da Lei nº 8112/90, “o servidor que deva
ter exercício em outro município em razão de ter sido re-
Em virtude de processo seletivo, na hipótese em que movido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em
o número de interessados for superior ao número de exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo,
vagas (concurso de remoção). Nesta hipótese, a Ad- trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a
ministração Pública deve efetivar as remoções retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo,
incluído nesse prazo o tempo necessário para o desloca-
homologadas antes de qualquer ato de nomeação
mento para a nova sede.”
dos novos candidatos aprovados em concurso
público.
Em caso de remoção por interesse da Administração, ACÚMULO LÍCITO DE VÍNCULOS JU-
o servidor poderá receber ajuda de custo, com o RÍDICOS PELO SERVIDOR PÚBLICO
fito de compensar suas despesas com a mudança
Na grande maioria dos casos, o servidor deve exercer
de domicílio, sendo vedado o duplo pagamento de
apenas um cargo público OU um emprego público OU
indenização no caso de o cônjuge ou companheiro
uma função pública OU receber uma única aposenta-
que detenha também a condição de servidor, e vier a
doria do artigo 40 da CR/88:
exercer o mesmo cargo.
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos
servidores titulares de cargos efetivos terá caráter con-
ATENÇÃO!!! Os conceitos de tributivo e solidário, mediante contribuição do re-
remoção e redistribuição vem spectivo ente federativo, de servidores ativos, de
DESPENCANDO nas provas.
aposentados e de pensionistas, observados crité-
NÃO PERCA ESSE PONTO rios que preservem o equilíbrio financeiro e atu-
O servidor público federal tem direito de ser removido a pedi-
arial. (Redação dada pela Emenda Constitucional
do, independentemente do interesse da administração, para
nº 103, de 2019)
acompanhar cônjuge que, sendo empregado de empresa
pública federal, tenha sido deslocado para outra localidade no § 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes
interesse da administração. dos cargos acumuláveis na forma desta Consti-
Correto tuição, é vedada a percepção de mais de uma
aposentadoria à conta de regime próprio de pre-
vidência social, aplicando-se outras vedações, re-
gras e condições para a acumulação de benefícios
QUESTÃO CESPE
Ao servidor removido deverá ser concedido o prazo de, no
previdenciários estabelecidas no Regime Geral de
mínimo, dez e, no máximo, trinta dias para entrar em exercício Previdência Social. (Redação dada pela Emenda
na outra localidade para onde foi removido. Constitucional nº 103, de 2019)
Correto
Contudo, devemos estudar as exceções que são trazi-
das no inciso XVI do art. 37 da CF/88:
REDISTRIBUIÇÃO ATENÇÃO! “Art. 37, XVI. É vedada a acumulação remune-
rada de cargos públicos, exceto, quando hou-
Trata-se do deslocamento de um cargo de provi-
ver compatibilidade de horários, observado em
mento efetivo para outro órgão ou entidade no
qualquer caso o disposto no inciso XI.
interesse da Administração, assegurado a equiv-
a) a de dois cargos de professor;
alência de vencimentos, manutenção da essência das
b) a de um cargo de professor com outro técnico
atribuições, vinculação entre os graus de responsabili-
ou científico;
dade e complexidade, mesmo nível de escolaridade e c) a de dois cargos ou empregos privativos de
compatibilidade de funções. Ex: a Secretaria de Esta- profissionais de saúde, com profissões regulamen-
do de Desenvolvimento fora recém-criada e, haja vista tadas;”
que não há uma carreira específica para Analista de Explicação da Lei Seca
pelo Presidente da Comissão para apresentar defesa O Processo Administrativo Disciplinar será sumário em casos
no prazo de 10 dias. Importante salientar que a de- de abandono de cargo, inassiduidade habitual e acumulação
cisão final do PAD não é determinada pela comissão ilegal de cargo, tendo duração de 30 dias, podendo ser pror-
rogado por mais 15. No PAD Sumário ocorrem as seguintes
processante, mas sim pela autoridade competente
fases: Instauração, Instrução Sumária (indiciação, defesa,
que baseará seu julgamento no relatório apresentado
relatório) e Julgamento (5 dias).
pela comissão. Segundo o STJ, apresentado este
relatório, não é obrigatório intimar o interessado
As penalidades às quais o indiciado pode ser submeti-
para alegações finais (STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF,
Número de acertos = ______ 75
Questões resolvidas
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TOTAL 38%
202
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
IX. AGENTES PÚBLICOS
Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor públi-
co e todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, no-
meação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades referidas no art. 1º desta Lei. (Redação dada pela
Lei nº 14.230, de 2021) 1 a 31
Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas
nesta Lei o particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio,
contrato de repasse, contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste admin-
istrativo equivalente. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021)
Art. 41 da CF. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32 a 49
19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar,
assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 3º da lei 8112/90 - Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são
criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provi- 72 a 86
mento em caráter efetivo ou em comissão.
Art. 5º da lei 8112/90 - São requisitos básicos para investidura em cargo público:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; 87 a 171
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
Art. 7º da lei 8112/90 - A investidura em cargo público ocorrerá com a posse 190 a 218
203
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prática de ato ou abstenção de fato, em razão f) Em regra, tem natureza preventiva (ex: norma
de interesse público concernente à segurança, à geral e abstrata que proíbe desmatar área de pro-
higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da teção ambiental) e, excepcionalmente, repressiva
produção e do mercado, ao exercício de ativi- (ex: dissolver passeata tumultuosa).
dades econômicas dependentes de concessão
ou autorização do Poder Público, à tranquilidade ATENÇÃO para essas características e para os pontos destaca-
individuais ou coletivos.”
Explicação da Lei Seca QUESTÃO - Analista do MP
O conceito do Poder de Polícia reúne os seguintes
O poder de polícia administrativa,
aspectos, são eles: a) atividade desempenhada pela que incide sobre as atividades, os bens e os próprios
Administração Pública que estabelece limitações indivíduos, tem caráter eminentemente repressivo.
à liberdade individual e à propriedade privada
Errado
dos particulares em prol do interesse coletivo;
b) regula a prática de ato ou a abstenção de fato,
contudo, em regra manifesta-se por intermédio de g) Indelegável: trata-se de poder de império do Es-
deveres negativos, criando obrigações de não fazer; tado que só pode ser delegado a pessoas jurídicas
c) manifesta-se por meio de atos normativos gerais de direito público. Entretanto, cumpre ressaltar que
e abstratos (ex.: regras municipais acerca do o exercício de atividades meramente materiais e de
direito de construir) e atos individuais (ex: licença fiscalização poderão ser delegadas a particulares;
e autorização); d) baseado na lei: a expedição de atos
h) Não gera indenização;
administrativos no exercício do Poder de Polícia deve
encontrar-se em conformidade com a lei. O Poder de Polícia apresenta os seguintes atributos:
Trata-se de poder que, assim como os demais, decorre a) Discricionariedade: nos casos de atividade de fis-
da supremacia geral do Estado que se aplica frente a calização desempenhada no exercício do Poder de
todos os particulares, sem a necessidade de demon- Polícia, a lei confere à Administração Pública certa
stração de qualquer vínculo de natureza especial. margem de liberdade entre agir ou não agir, agir
agora ou depois, atender um, dois ou três condiciona-
FICA A DICA
mentos, produzir este ou aquele efeito jurídico. Es-
Conforme a doutrina moderna, o Poder de Polícia pode ser sas situações exigem da autoridade administrativa um
entendido no sentido amplo e no sentido estrito. Em sentido
juízo de conveniência e oportunidade denominado mé-
amplo, o poder de polícia compreende todas as atividades
legislativas e executivas que limitem direitos individuais em
rito administrativo. Entretanto, destaca-se que existe
benefício da coletividade (ex: Código de Trânsito). Por sua a previsão legal de edição de atos vinculados decor-
vez, em sentido estrito, o Poder de Polícia engloba apenas rentes do exercício do poder de polícia. Ex.: Licença
os atos do Poder Executivo que tenham como escopo a – ato administrativo vinculado.
limitação dos direitos individuais.
que estabelece um limite de altura aos prédios locali- No que se refere ao Poder de Polícia, cumpre destacar
zados a beira mar. a diferenciação entre Polícia Administrativa e Polícia
Judiciária, esta incide sobre pessoas que praticam
d) Exigibilidade/Coercibilidade: poder
ilícitos criminais e a Polícia Administrativa, por sua
que a Administração Pública possui de esta-
vez, refere-se à restrição de direitos individuais, uso
belecer obrigações ao particular, independ-
e gozo da propriedade privada para fins de alcançar o
entemente da autorização prévia do Poder
interesse público.
Judiciário, mediante a imposição do cumprimento da
medida através de meios indiretos de coerção, como
a multa. A coercibilidade torna o ato obrigatório. QUESTÃO CESPE 2019 PRF
FICA A DICA Constitui poder de polícia a atividade da adminis-
tração pública ou de empresa privada ou conces-
Conforme entendimento do STJ, o Poder Público, pode, inclu-
sionária com delegação para disciplinar ou limitar
sive, condicionar a liberação de veículo apreendido à quitação
direito, interesse ou liberdade, de modo a regular a
de multas de trânsito vencidas, como forma de constranger o
prática de ato em razão do interesse público relativo
condutor a pagá-las. Quanto a essa hipótese em específico,
à segurança.
merece relevância a Súmula 510 do STJ, que estabelece:“A
liberação de veículo retido apenas por transporte irregular Errado
de passageiros não está condicionada ao pagamento de
multas e despesa”
FICA A DICA
Estado e em regime não concorrencial. Em regra, o exercício do Poder de Polícia compete ao ente
federado ao qual a Constituição outorgou a competência
para legislar sobre determinada matéria. Ex: compete priva-
DELEGAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA tivamente à União legislar sobre serviço postal (art. 22, V,
Atividades de consentimento, fiscalização e sanção de CF/88). Logo, a União detém competência para exercer o
polícia são passíveis de delegação a pessoas jurídicas de Poder de Polícia sobre essa atividade. Contudo, quando o
direito privado (que tenham capital majoritariamente públi- texto constitucional atribuir competência concorrente entre os
co e prestem serviço público) que integram a Administra- entes federados para legislar sobre o tema, também fará em
ção Pública Indireta. relação ao exercício do Poder de Polícia. Ex: nos termos do
art. 23, VII da CF/88, “É competência comum da União, dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios preservar as
EM RESUMO florestas, a fauna e a flora”
tração Pública Direta e Indireta, sendo que no cume para um órgão que se encontre hierarquicamente
dessa pirâmide encontra-se o Chefe do Executivo em posição inferior (delegação vertical) e para
(Presidente da República, Governador de Estado e órgão que se encontre no mesmo nível hierárquico
Prefeito municipal). A hierarquia pode se manifestar (delegação horizontal). Cumpre ressaltar que a
também verticalmente, através das relações de sub- delegação de competência é temporária e pode
ordinação e, horizontalmente, mediante atividades ser revogada a qualquer tempo pela entidade
de coordenação. delegante, sendo que o ato de delegação especificará
os poderes transferidos, limites, duração, objetivos
DELEGAÇÃO e etc.
X
AVOCAÇÃO FICA A DICA
Esses são os pontos mais cobrados atinentes a esse poder
Em regra, aplica-se a cláusula de reserva, ou seja, o agente
que delegou a medida permanecerá competente para edi-
Decorrem do poder hierárquico os seguintes deveres a tar os atos, apenas a ampliando a competência, mantendo-se
serem desempenhados pelo chefe da repartição públi- competente após a delegação conjuntamente com o agente
ca: dever de fiscalização, anulação e revogação delegado.
dos atos praticados pelo subordinado hierárquico,
delegação e avocação de competências. Entenda:
Avocação: refere-se à tomada de competência
Anulação: possibilidade de anulação/invalidação do
TEMPORÁRIA de um órgão hierarquicamente
ato administrativo pelo superior hierárquico. Ou seja,
inferior por um órgão hierarquicamente superior
quando verificada a prática de conduta ilegal por
temporariamente, diante de motivos devidamente
parte do subordinado, compete ao superior hierárquico
justificados. Portanto, trata-se de situação em que um
anular o ato administrativo. Nesse sentido, a súmula
órgão superior chama para a si a responsabilidade
nº. 473 do Supremo Tribunal Federal enuncia que:
de execução de uma atividade de competência do
“A administração pode anular seus próprios atos, órgão que se encontra em posição inferior (por conta
quando eivados de vícios que os tornam ilegais, disso, a avocação, necessariamente, terá de ser
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, vertical). Nesse caso, as atribuições não podem ser
por motivo de conveniência ou oportunidade, respeita- de competência exclusiva do órgão. Desse modo,
dos os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os enquanto a delegação pode ser vertical ou horizontal,
casos, a apreciação judicial.“ a avocação só pode ser vertical.
Revogação: ocorre quando a conduta realizada pelo FICA A DICA
subordinado é lícita, contudo, a escolha feita pelo
Conforme estabelece a Súmula nº 510 do STF, a responsab-
agente, dentro das margens de discricionariedade, ilidade pela prática do ato é atribuída àquele que praticou
não foi a mais interessante para fins de alcançar o a medida e não ao agente que delegou a competência.
interesse público. Nesse caso, a medida poderá ser Portanto, o ato praticado por delegação deve ser considerado
revogada pelo superior hierárquico, gerando efeitos como praticado pelo agente delegado.
ATENÇÃO: Enquanto a delegação pode ser vertical ou hori-
ex nunc (efeitos que não retroagem à data de edição
zontal, a avocação, necessariamente, terá de ser vertical,
do ato). pois ocorre quando o superior chama para si a responsabili-
dade de um subordinado.
* MACETE *
Características do Poder Hierárquico: SODA TRADUÇÃO JURÍDICA
S UBORDINAÇÃO
“Como assim prof.?
O RDEM Gabriela delegou competência para um subordinado seu “Tia-
D ELEGAÇÃO go” que praticou uma besteira causando um dano a “Camila”,
A VOCAÇÃO que impetrou Mandado de Segurança contra a autoridade
coatora que, no caso, é o Tiago. Desse modo, aquele que pra-
Delegação: trata-se da transferência/ampliação ticou o ato é o responsável pela conduta (aquele que recebeu
a competência mediante delegação). Além disso, cabe RES-
TEMPORÁRIA de competências de um órgão para
SALTAR que a Gabriela nunca faria uma besteira! Nunca né
outro órgão, ou seja, determinação de que a atividade pessoal!!
a ser exercida por um órgão será implementada por
outro (ampliação da competência). A delegação será
Cumpre salientar que a lei, expressamente, proíbe a
realizada mediante a transferência de competências
delegação de competência e consequentemente, a
32 Número de acertos = ______
Questões resolvidas
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avocação, nas três situações a seguir descritas: a seguir as decisões tomadas pelos juízes superiores,
salvo no que se refere às Súmulas Vinculantes.
• Competência exclusiva definida em DECORE!
lei; CAI EM FICA A DICA
• Decisão de recurso hierárquico; PROVA! Não há hierarquia entre os poderes Executivo, Legislativo e
• Edição de atos normativos. Judiciário. Contudo, há a manifestação do Poder Hierárquico
no âmbito interno de cada uma desses poderes, haja vista
3.1. SUPERVISÃO MINISTERIAL a distribuição interna de competências entre órgãos nessas
entidades e o fato que esses poderes exercem função admin-
No que tange ao poder hierárquico, cumpre diferenciar istrativa ainda que atipicamente.
o controle hierárquico desempenhado entre os órgãos
no âmbito interno de uma pessoa jurídica e o controle 4. PODER DISCIPLINAR
ministerial/finalístico realizado pela Administração
Pública Direta frente aos atos editados pela Ad- Trata-se do poder que a Administração Pública utiliza
ministração Pública Indireta. Conforme estudado, o para fins de aplicar sanções a todos àqueles
referido controle, ao contrário do controle hierárquico, que possuem vínculo de natureza especial com
não envolve a revisão de atos, avocação e delegação o Estado, como os servidores públicos e os
de competências, restringindo-se tão somente a veri- particulares que celebraram contratos com o
ficar se a referida entidade cumpre a finalidade Poder Público. Trata-se, como próprio nome já diz,
pela qual foi criada. Nesse sentido, dispõe o art. 19 de poder punitivo/sancionatório -> disciplinar.
do Decreto-Lei n.200/67:
O Poder Disciplinar consiste em um sistema punitivo
* MACETE * interno, não permanente, que irá se manifestar
Atos que não admitem delegação somente quando o servidor cometer uma falta funcional
ou quando particular descumprir as obrigações
CE Competência Exclusiva
contratuais e, por isso, não se pode confundir este
NO Edição de Atos Normativos poder com o sistema punitivo exercido pela justiça
RA Decisão de Recurso Administrativo penal, muito menos com o exercício do Poder de
Explicação da Lei Seca Polícia.
“Art. 19. Todo e qualquer órgão da Administração Trata-se de um dever vinculado, ou seja, caso veri-
Federal, direta ou indireta, está sujeito à super-
ficada a ocorrência de uma infração, a Administração
visão do ministro de Estado competente, excetu-
será obrigada a punir o agente. Deve-se destacar que,
ados unicamente os órgãos mencionados no art.
32, que estão submetidos à supervisão direta do antes da aplicação de qualquer penalidade decorrente
Presidente da República”. desse poder, há SEMPRE a necessidade de instau-
ração do devido processo legal administrativo no qual
Destaca-se que a referida vinculação decorre da cri-
seja assegurado o direito ao contraditório e a ampla
ação, por meio de lei, das entidades descentralizadas
defesa.
do Poder Público (ex: Autarquias, Fundações e etc).
Cumpre ressaltar que, a despeito do fato de que não Entretanto, é importante asseverar que parte da dout-
há subordinação e hierarquia entre esses entes, em rina entende que esse poder tem como característi-
casos excepcionais e conforme previsão legal especí- ca a discricionariedade, que se encontra limitada à
fica, admitir-se-á a interposição de recurso contra de- extensão da sanção. Nesse sentido, a autoridade
cisão de entidades da Administração Pública Indireta administrativa poderá definir, segundo a margem de
endereçado à Administração Direta, denominado re-
liberdade conferida pela lei, a intensidade da sanção
curso hierárquico impróprio, estudado em tópico
a ser aplicada em conformidade com a gravidade da
anterior.
infração. Ex: a penalidade de suspensão ao servidor
A hierarquia refere-se à característica ligada à função deve ser aplicada por até 90 dias. Ou seja, a suspen-
administrativa do Estado, exercida tipicamente pelo são pode ser aplicada por 60 dias, 70 dias, 80 dias, fi-
poder executivo e, atipicamente, pelos demais poderes. cando a critério do agente público definir a intensidade
No que tange à função legislativa desempenhada pelo da penalidade a ser aplicada.
Estado, destaca-se que a repartição de competências
no âmbito desse poder decorre do texto constitucional e
no que diz respeito ao Poder Judiciário cumpre ressaltar
que vigora o livre convencimento, independência e
imparcialidade do juízo, não estando o juiz vinculado
Número de acertos = ______ 33
Questões resolvidas
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FICA A DICA
ATENÇÃO para os pontos abaixo:
• Sistema punitivo interno (não permanente) àqueles que pos- • A punição administrativa pelo ilícito praticado pelo agente
suem um vínculo de natureza especial com o Estado; público não impede que haja responsabilização, pelo
• Característica: discricionariedade; mesmo fato, na esfera penal e na esfera civil. Ou seja,
• Dever vinculado: caso for verificado a ocorrência da in- aquela mesma infração administrativa pode ensejar um
fração, a Administração será obrigada a punir o agente; dano, desencadeando a responsabilização civil, e pode ser
• Aplicação de penalidade carece de instauração de processo enquadrada como um crime, ensejando a responsabilização
administrativo (ASPECTO MAIS COBRADO) penal. Em regra, as referidas instâncias são independentes.
Entretanto, o ordenamento jurídico, seguido pela
jurisprudência dos tribunais superiores, estabelece que a
TRADUÇÃO JURÍDICA absolvição criminal que decorra da inexistência do fato
“Como assim prof.? ou negativa de autoria enseja a absolvição do agente nas
Veja esses exemplos: demais esferas. Além disso, a condenação na esfera penal
implica na responsabilização nas outras esferas.
Paola verificou indícios que Carlos Daniel (seu subordinado) • O poder disciplinar pode incidir sobre o servidor aposentado
está exercendo atividade incompatível com seu cargo e horário – aplicação da penalidade de cassação aposentadoria -
de trabalho. Nesse caso, Maria tem escolha para fazer “vista sanção aplicada aos servidores públicos que encontram-se
grossa” e “fingir que não viu?” NÃO. Maria tem o DEVER VIN- aposentados ou em disponibilidade e que tenham cometido,
CULADO de instaurar um processo administrativo disciplinar. em atividade, infrações puníveis com demissão.
Será, então, instaurado o processo e, se constatada a culpa, • O Poder Hierárquico é um poder interno da Administração,
a punição será aplicada (DEVER VINCULADO). Entretanto, no assim como o Poder Disciplinar. Contudo, cabe diferenciar
que tange à definição acerca de “qual punição será aplicada, ou que o Poder Hierárquico é exercido permanentemente pela
qual a severidade da mesma (se suspensão ou multa)” depende Administração Pública e o Poder Disciplinar, por sua vez, é
exercido somente em situações episódicas quando for
A referida discricionariedade está presente, também, evidenciado irregularidade/descumprimento do servidor
quando estamos diante de conceitos jurídicos inde- público ou pelo particular contratado.
terminados. Trata-se de conceitos legais que carecem
de uma valoração/interpretação do poder público. FICA A DICA
TRADUÇÃO JURÍDICA
“Como assim prof.? O poder de polícia é o poder que a Administração possui para
Determinada norma estabelece que o policial deverá conter restringir o exercício de liberdades individuais, o uso, gozo
“tumulto”. Mas peraí, o que é tumulto? Tumulto para mim é uma e a disposição da propriedade privada, sempre na busca
grande confusão com umas 100 pessoas, brigando, gritando. do interesse público. Ex: todos estão sujeitos ao cumprimento
Entretanto, para a minha avó, tumulto é uma discussão que das normas de trânsito. O Poder Disciplinar, por sua vez,
envolve três pessoas. Nesse caso, para ela, estaríamos diante consiste em um sistema punitivo interno, não permanente,
de um grande tumulto. Você consegue perceber que o mesmo que irá se manifestar somente quando o servidor cometer uma
termo “tumulto” é entendido de forma diversa? Portanto, falta funcional ou quando particular descumprir as obrigações
quando o agente público está diante de um conceito jurídico contratuais. O Poder de Polícia aplica-se à todos os cidadãos
indeterminado, o mesmo deve interpretá-lo fazendo uso da e o Poder Disciplinar, por sua vez, atinge apenas aqueles que
margem de discricionariedade/liberdade que possui para fins de possuem vínculo de natureza especial com o Estado.
definir qual é a melhor conduta a ser adotada no caso concreto. A aplicação de penalidade de advertência ao servidor refere-se
ao exercício dos poderes hierárquico e disciplinar. Destaca-se
que a aplicação de penalidades implica na instauração prévia
Convém destacar que o exercício do poder punitivo de processo administrativo disciplinar no qual será assegurado
decorrente do Poder Disciplinar não está limitado pela o contraditório e a ampla defesa.
rígida tipicidade fechada, como ocorre no Direito Pe- Exemplificando o Poder Disciplinar:
nal. Em outras palavras, o Direito Administrativo ad- Jorginho é chefe do setor de contabilidade da Administração
Pública. Certo dia, juntou indícios de que um de seus subordi-
mite tipos abertos, ou seja, a descrição da conduta in-
nados estava exercendo atividade incompatível com o seu car-
fracional pode se valer de elementos genéricos. go e horário de trabalho. Nesse caso, Jorginho DEVE instau-
Destaca-se, por fim, que nem toda penalidade decorre rar um processo administrativo disciplinar contra o funcionário
(DEVER VINCULADO). Constatada a culpa, a Administração
do Poder Disciplinar, uma vez que estão sujeitos ao
deverá puni-lo, aplicando as penalidades disciplinares. Nesse
Poder Disciplinar somente aqueles que possuem um ponto, insta ressaltar que a Administração terá DISCRICION-
vínculo especial com a Administração Pública (disci- ARIEDADE para definir qual punição será aplicada e, quando
plina interna da Administração). O vínculo é o que houver conveniência para o servidor, a penalidade de suspen-
justifica a aplicação da pena. são poderá ser convertida em multa.
ATENÇÃO -> Os decretos editados para clarificar O Regulamento Executivo é editado para fins de facilitar/com-
plementar o conteúdo da lei, sem inovar no ordenamento juríd-
e garantir a fiel execução da lei são denominados
ico. Ex: a Constituição Federal estabeleceu a obrigatoriedade
REGULAMENTOS EXECUTIVOS, atos estes que não
de realização do procedimento licitatório nas compras públicas
inovam no ordenamento jurídico e foram estudados no (NORMA SUPREMA DO ESTADO) ->a Lei 8.666/93 então
tópico acima. Contudo, os regulamentos previstos estabeleceu as normas acerca do procedimento licitatório (LEI
no art. 84, VI são editados em substituição à lei, ORDINÁRIA) -> e então o Decreto 7.892/2013 detalhou o sis-
denominados REGULAMENTOS AUTÔNOMOS. tema de registro de preços (REGULAMANTO EXECUTIVO).
Esses últimos estabelecem normas sobre matérias O Regulamento Autônomo, noutra medida, tem a função de
substituir a lei, inovando no ordenamento jurídico. Contudo, o
não disciplinadas em lei.
referido decreto autônomo que inova no ordenamento jurídico
Devemos lembrar que os referidos regulamentos trata EXCLUSIVAMENTE acerca da organização e funciona-
autônomos serão editados para tratar unicamente mento da Administração e extinção de funções ou cargos
públicos quando vagos.
sobre organização e funcionamento da
Administração Pública quando não implicar em 6. PODER VINCULADO E PODER
aumento de despesa, nem criação ou extinção de
órgãos públicos.
DISCRICIONÁRIO
Ao longo do estudo do Direito Administrativo em diver-
Ademais, conforme estudado em tópico anterior, a
sas ocasiões foram utilizados os termos “vinculado” e
competência para edição de regulamentos executivos
“discricionário”. Desse modo, cabe definir de uma for-
é matéria INDELEGÁVEL, entretanto, o parágrafo úni- ma mais detalhada os mencionados poderes.
co do art. 84 da Constituição Federal 1988 estabelece
a possibilidade de: O Poder Vinculado será utilizado pela Administração
nas situações em que a atuação estatal esteja es-
“O presidente da República poderá delegar as tritamente vinculada aos termos da lei. Ou seja,
atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, nesse caso o gestor público deve tão somente seguir
primeira parte, aos MINISTROS DE ESTADO, AO os mandamentos legais, e não há qualquer margem de
PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA OU AO discricionariedade ou liberdade de atuação conferida
ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO, que observarão os ao agente. Ex: o procedimento licitatório que ante-
limites traçados nas respectivas delegações.” cede a contratação de uma empresa Concessionária
Destaca-se, ainda, que pelo Princípio da Simetria de serviço público DEVE (atuação vinculada) ser reali-
Constitucional, os Chefes do Poder Executivo em zado mediante a modalidade concorrência. Portanto,
a lei encarrega-se de prescrever, com detalhes, quan-
âmbito municipal e estadual também podem editar
do e como a Administração deve agir, determinando
Regulamentos Autônomos.
claramente os elementos e requisitos necessários
FICA A DICA para a prática de tais atos.
losa na repartição.” Mas o que seria conduta escan- Súmula Vinculante n. 5: A falta de defesa técnica por
dalosa, para a minha avô beijar na boca em público é advogado no processo administrativo disciplinar não
conduta escandalosa e para você? “Prof. para mim ta ofende a Constituição.
de boa” (ow, endoidou? ta falando no meu livro!!! Aqui
quem fala sou eu! rsrsrs)
Brincadeiras a parte, esse é um conceito que carece Clique aqui para os esquemas
de um certo grau de “interpretação pessoal” do agente
público. Portanto, nessa situação também estamos
diante do atributo de discricionariedade, na medida
em que a autoridade pública precisa analisar o caso
concreto para verificar se está, ou não, diante de uma
situação de “conduta escandalosa”.
Súmulas do STF
Súmula n. S5: Militar da reserva está sujeito a pena
disciplinar.
Súmula n. 56: Militar reformado não está sujeito a
pena disciplinar.
Súmula n. 397: O poder de polícia da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, em caso de crime
cometido nas suas dependências, compreende, con-
soante o regimento, a prisão em flagrante do acusado
e a realização do inquérito.
Súmula n. 419: Os municípios têm competência para
regular o horário do comércio local, desde que não in-
frinjam leis estaduais ou federais válidas.
Súmula Vinculante 5: A falta de defesa técnica por
advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a Constituição.
Súmula n. 473: A administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os tor-
nam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportuni-
dade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada,
em todos os casos, a apreciação judicial.
Súmula n. 645: É competente o município para fixar
o horário de funcionamento de estabelecimento com-
ercial.
Súmula n. 646: Ofende o princípio da livre concorrên-
cia lei municipal que impede a instalação de estabelec-
imentos comerciais do mesmo ramo em determinada
área.
Súmula n. 649: É inconstitucional a criação, por Con-
stituição Estadual, de órgão de controle administrativo
do Poder Judiciário do qual participem representantes
de outros poderes ou entidades.
Súmula n. 674: A anistia prevista no art. 8º do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias não alcança
os militares expulsos com base em legislação discipli-
nar ordinária, ainda que em razão de atos praticados
por motivação política.
V. PODERES ADMINISTRATIVOS
RESPONDE
FRASES PODEROSAS A % DAS QUESTÕES
DE PROVA
O Poder Disciplinar trata do poder que a Administração Pública possui para aplicar
punições a todos àqueles que possuem vínculo de natureza especial com o Estado.
O Poder Normativo trata-se do poder que a Administração Pública possui para expedir
atos normativos gerais e abstratos (secundum legem) que valem para uma série de
pessoas indeterminadas, gerando efeitos erga omnes. Clarificar/facilitar a fiel execução
da lei. O Poder Regulamentar é o poder de editar regulamento, cuja
forma é o Decreto, sendo este ato privativo do Chefe do Executivo.
TOTAL 75%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
V. PODERES ADMINISTRATIVOS
Art. 77. CTN: As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municí-
pios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder
de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao
contribuinte ou posto à sua disposição. 1a4
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspon-
dam a impôsto nem ser calculada em função do capital das emprêsas. (Vide Ato Complementar nº
34, de 1967)
Art. 78 CTN: Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou
disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão
de intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da
produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos 5 a 132
individuais ou coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966)
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo
órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de
atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.
Art 1º, Lei 9.873/99 Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal,
direta e indireta, no exercício do Poder de Polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor,
133 a 136
contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em
que tiver cessado.
Questões
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• Aspecto Formal – o ato administrativo será regido Desse modo, esse elemento não pode ser alterado
pelo Regime Jurídico de Direito Público e deve por vontade das partes ou do administrador públi-
ser editado em conformidade com a forma prevista co, haja vista que a competência é elemento do ato
no ordenamento jurídico. administrativo sempre VINCULADO, ou seja, mesmo
• Aspecto Material – o ato administrativo consiste diante de atos em que é conferido ao agente certa
na manifestação de vontade da Administração ca- margem de discricionariedade estabelecida em lei,
paz de produzir efeitos jurídicos concretos e vá- a competência para a edição do ato será vinculada.
lidos em uma dada situação. Dessa maneira, não há margem de escolha ao agente
• Aspecto Subjetivo – o ato administrativo em seu público no que tange à legitimidade para a prática da
aspecto subjetivo refere-se à manifestação de von- conduta, devendo esta encontrar-se definida em lei.
tade dos órgãos, agentes do Estado e particu- Destaca-se que o ato administrativo deve ser pratica-
lares concessionários e permissionários no do por um agente público, amplamente considerado.
exercício da função administrativa - existente Isso significa que a edição desses atos não se re-
em todos os Poderes da República de todas as stringe aos servidores públicos, mas a toda e qualquer
esferas federativas (Federal, Estadual Distrital e pessoa que atue em nome do Estado, sob regime
Municipal). jurídico de direito público, a qualquer título e ainda que
A conjugação dos aspectos formal, material e subjetivo sem remuneração.
compõe o conceito de Ato Administrativo em sentido Além disso, a competência administrativa para
restrito: manifestação de vontade da administração a pratica do ato administrativo é irrenunciável e
pública capaz de produzir consequências imedia- intransferível pelo agente público, em razão do
tas, jurídicas e concretas sobre a qual incide do princípio da indisponibilidade do interesse público, e
regime jurídico administrativo. é também imprescritível. Portanto, a competência
não se extingue com a inércia do agente público
2. ELEMENTOS OU REQUISI- no decorrer do tempo. Assim, ainda que o agente
TOS DO ATO ADMINISTRATIVO E não pratique as condutas a ele atribuídas, seja pela
não ocorrência dos pressupostos legais ou seja pela
SEUS VÍCIOS
simples inércia e descumprimento do dever de atuar,
A edição dos atos administrativos deve respeitar este não será penalizado com a perda de sua
os seguintes requisitos, quais sejam: competência, competência.
finalidade, forma, motivo e objeto.
MACETE
Excesso de poder e funcionário de fato são os dois vícios
MACETE
de competência mais cobrados. Lembrete: vícios sanáveis no
ELEMENTOS DO ATO
elemento competência são passíveis de convalidação. Para
Como Ficar Fortão?
convalidar é necessário ter FOCO!
Óbvio, Musculação!
As iniciais de cada palavra da frase acima são as iniciais dos São passíveis de convalidação os vícios sanáveis nos elementos
requisitos do Ato Administrativo FORMA e COMPETÊNCIA.
C (competência) + F (finalidade) + FO (de forma) + CO (de competência) = FOCO!
F (forma) + O (objeto) + M (motivo) Para convalidar vício sanável/relativo é preciso ter FOCO.
5. CONTROLE DO MÉRITO DO
ATO ADMINISTRATIVO 6. ESPÉCIES DE ATOS ADMINIS-
TRATIVOS
O mérito do ato administrativo refere-se à margem de
liberdade/escolha conferida à Administração para at- [Link] gerais ou normativos: os atos normativos
uar em conformidade com a conveniência e oportuni- são aqueles que contêm um comando geral do
dade do poder público. Conforme estudado, a referida Poder Executivo, visando à correta aplicação da lei.
margem de discricionariedade, quando presente nos O objetivo imediato de tais atos é explicitar/clarificar
atos administrativos, residirá nos elementos motivo o conteúdo legal a ser observado pela Administração
e objeto do ato discricionário. Contudo, destaca-se e pelos administrados. Ex: Decretos; Regulamentos;
que no ato vinculado, TODOS os elementos são Instruções Normativas; Regimentos; Resoluções;
vinculados. Deliberações.
ATOS ORDINATÓRIOS:
ATENÇÃO:
Elementos vinculados: Competência, Forma e Finalidade C -> Circular
Elementos discricionários: Motivo e Objeto. O -> Ofício
No ato vinculado, TODOS os elementos são vinculados. P -> Portaria
A -> Aviso
FICA A DICA D -> Despacho
O Poder Judiciário exercerá tão somente o controle quanto
O -> Ordem de serviço
à legalidade do ato administrativo e não analisará o mé- I -> Instrução
rito administrativo (competência do Poder Executivo), em
respeito ao Princípio da Separação dos Poderes. Contudo, • Regulamento: ato normativo privativo do chefe do
em atenção ao princípio da razoalibilidade, o poder judiciário Poder Executivo - expedição de Decreto;
poderá controlar os limites do mérito administrativo, sendo
este um controle de legalidade das medidas administrativas
a) Regulamentos executivos: atos editados para a
que desrespeitarem o princípio da proporcionalidade. fiel execução da lei - não inovam no ordenamento
jurídico;
b) Regulamentos autônomos: atuam em substi-
tuição a lei e inovam no ordenamento jurídico –> • Licença: ato administra- “L”icença -> “L” de Lei
regulamentos que versam sobre organização ad- tivo vinculado que con- -> vinculado
ministrativa; cede determinado ben-
• Aviso: é o ato normativo expedido pelos Ministéri- efício ao particular, caso
os ou Secretarias estaduais e municipais para dar seja verificado que o Espécies de atos mais
conhecimento à sociedade de questões ligadas à mesmo atende a todas as cobrados nas provas de
exigências legais naque- Concurso Público
atividade daquele órgão;
la determinada situação.
• Instrução normativa: trata-se de atos expedidos Ex.: licença para o exer-
para fins de execução de decretos e regulamentos; cício de uma profissão, licença para construção de
• Regimento: configura-se ato normativo para um edifício em terreno próprio, etc. Trata-se de ato
definição de normas internas; vinculado e será concedido desde que cumpridos
• Deliberações: ato normativo expedido pelos os requisitos objetivamente definidos em lei.
órgãos colegiados – representação da maioria; Ou seja, caso o particular preencha todos os req-
uisitos legais, o mesmo adquire o direito subjetivo
• Resolução: ato normativo dos órgãos colegiados à concessão da licença.
que disciplina matéria de sua competência especí-
fica; Cabe destacar a polêmica que envolve a possibili-
dade de revogação da licença. Tal polêmica deve-
2. Atos Ordinatórios: são os atos que visam disci- se ao fato de que parte da doutrina se posiciona no
plinar o funcionamento/organização da Adminis- sentido de que não é possível a revogação de atos
tração e a conduta funcional de seus agentes. Dentre vinculados, contudo, doutrina e a jurisprudência
os atos ordinatórios merecem exame: as Instruções; recente vem se firmando no sentido de que nesse
Circulares; Avisos; Portarias; Ordens de Serviço; Ofí- caso é possível a sua revogação, desde que justi-
cios; Despachos; ficada por razões e interesse público.
• Portaria: trata-se de ato administrativo que esta- • Autorização: ato administrativo discricionário e
belece ordens e determinações internas a indi- precário mediante o qual o Poder Público torna
víduos específicos; possível ao indivíduo a realização de certa ativi-
• Circular: normas uniformes a todos os servidores dade, serviço ou a utilização de determinado bem
subordinados a um determinado órgão; público de forma exclusiva ou no seu predomi-
• Ordem de Serviço: ato de ordenação de determi- nante interesse particular. Ex.: autorização para
nado serviço; funcionamento de uma escola privada -> ativi-
dades materiais que dependem de fiscalização
• Despacho: ato mediante o qual as autoridades do Poder Público (autorização de polícia); autori-
públicas proferem decisões acerca de determina- zação de uso de bem público de forma anormal e
das situações específicas; privativa - festa de casamento na praia (situações
• Memorando: configura-se ato de comunicação in- transitórias).
terna, enviada dentro de um mesmo órgão público; • Permissão: ato administrativo negocial,
• Ofício: atos de comunicação externa entre autori- discricionário e precário, pelo qual o poder
dades públicas ou entre estas e particulares; público faculta ao particular a execução de
serviços de interesse coletivo, ou o uso especial de
ATOS NORMATIVOS
bens públicos em conformidade com o interesse
DE -> Decreto da coletividade, a título gratuito ou remunerado,
RE -> Regimento nas condições estabelecidas pela Administração.
DE -> Deliberações Ex.: banca de revista colocada na calçada; uso de
RE -> Resoluções determinado bem público de forma anormal, no
IN -> Instruções Normativas interesse da coletividade, para realização de feira
de artesanato em praça pública que beneficie a
comunidade como um todo.
3. Atos negociais: são todos aqueles atos que con-
têm uma declaração de vontade da Administração • Aprovação: ato administrativo discricionário
Pública apta a concretizar determinado negócio juríd- pelo qual o Poder Público verifica a legalidade e o
ico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas con- mérito de outro ato ou de situações e realizações
dições impostas ou consentidas pelo poder público. materiais de seus próprios órgãos, de outras en-
São eles: tidades ou de particulares, dependentes de seu
Número de acertos = ______ 47
Questões resolvidas
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• Homologação: ato unilateral e vinculado de con- Destaca-se que o agente público não está vin-
trole pelo qual a autoridade superior examina a le- culado às conclusões do parecer, razão pela
galidade e a conveniência de outro ato da própria qual o parecerista só é responsabilizado por ato
Administração para dar-lhe eficácia. administrativo no caso de culpa ou dolo. Lembre-
se, contudo, que no caso do parecer obrigatório,
• Renúncia: ato pelo qual o Poder Público extingue não sendo ele emitido, o processo administrativo
unilateralmente um direito, liberando definitiva- não terá seguimento até a sua apresentação.
mente a pessoa obrigada perante a Administração
Pública.
ATENÇÃO: O tema acerca da responsabilização do
• Dispensa: ato discricionário que exime o particu- parecerista é um tema polêmico, parte da doutrina
lar quanto ao cumprimento de determinada obrig- entende que quando estivermos tratando de parecer
vinculante, ou seja, aquele que vincula a atuação da
ação. Administração, que deverá agir em conformidade com os
ATOS NEGOCIAIS seus termos, o parecerista será responsabilizado.
P -> Permissão
A -> Autorização ATOS ENUNCIATIVOS
L -> Licença C -> Certidão
A -> Admissão A -> Atestado
D -> Dispensa P -> Parecer
A -> Aprovação A -> Apostila
R -> Renúncia
V -> Visto • Apostila ou averbação: ato administrativo através
H -> Homologação do qual o ente estatal acrescenta informações
constantes em um registro público.
FICA A DICA 5. Atos Punitivos: são os atos que contêm uma san-
A autorização de uso é concedida no interesse do particular, ção imposta pela Administração àqueles que infringem
enquanto a permissão é sempre concedida no interesse disposições legais ou regulamentares. Espécies:
público. Destaca-se que em determinadas situações a
permissão de uso será concedida por prazo determinado. • Multa: toda imposição pecuniária a que se sujeita
o administrado a título de compensação em razão
do dano presumido da infração;
4. Atos enunciativos: são todos aqueles atos em que
a Administração se limita a certificar ou a atestar um • Interdição administrativa: punição que se fun-
fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, da no poder de polícia administrativa. Exemplo:
razão pela qual não se sujeitam à discricionariedade proibição do exercício de determinada atividade;
do administrador. São espécies de atos enunciativos: • Destruição de coisas: é o ato sumário da Admin-
• Certidões (administrativas): cópias ou fotocó- istração pelo qual se inutilizam alimentos, sub-
pias fiéis e autenticadas de atos ou fatos con- stâncias, objetos ou instrumentos imprestáveis ou
stantes no processo, livro ou documento que se nocivos ao consumo ou de uso proibido por lei.
encontre nas repartições públicas. Ex: certidão de
casamento.
• Atestados: atos pelos quais a Administração com- 7. PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES
prova um fato ou uma situação de que tenha DOS ATOS ADMINISTRATIVOS
48 Número de acertos = ______
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7.1. QUANTO AO SEU ALCANCE III – Atos de mero expediente: destinam-se a dar
I – Atos internos: ato destinado a produzir efeitos andamento aos processos e papéis que tramitam
internos na repartição administrativa e, por essa pelas repartições públicas.
razão, incide unicamente sobre os órgãos e agentes
da Administração que os expediu. 7.4. QUANTO AO SEU REGRAMENTO
II – Atos externos: alcançam os administrados, os I – Atos vinculados ou regrados: aqueles para os
contratantes e, em certos casos, os próprios servi- quais a lei estabelece os requisitos e condições de
dores. sua realização. Nesse caso, as imposições legais ab-
sorvem a liberdade do administrador e sua ação fica
adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma
7.2. QUANTO AOS SEUS DESTINA-
legal.
TÁRIOS
II – Atos discricionários: atos nos quais a Adminis-
I – Atos normativos ou regulamentares: atos nor- tração possui certa margem de escolha quanto ao seu
mativos gerais e abstratos expedidos sem destina- conteúdo, motivo, destinatário, conveniência, oportuni-
tários determinados, alcançando todos os sujeitos que dade e modo de realização.
se encontram naquela situação abrangida por seus
preceitos. São atos de comando abstrato e impessoal.
7.5. QUANTO À FORMAÇÃO DO ATO
II – Atos individuais ou especiais: atos que se di-
ATENÇÃO para essa classificação!
rigem a destinatários certos, podendo abranger um
ou vários sujeitos, desde que sejam individualizados.
Os atos individuais normalmente geram direitos sub- I – Ato simples: atos que resultam da manifestação de
jetivos para seus destinatários, como também criam vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado.
encargos pessoais. Ex.: promoção do servidor público. II – Ato complexo: ato que se forma pela conjugação
FICA A DICA de vontades independentes de mais de um órgão
administrativo. No ato complexo, integram-se as
O ato individual pode se referir a vários indivíduos, que es-
tarão identificados no ato administrativo. Ex: nomeação de
vontades de órgãos distintos para a formação de
candidatos aprovados no Concurso Público. um mesmo ato. O ato complexo só se aperfeiçoa
com a integração das vontades e, a partir desse
momento, torna-se atacável por via administrativa
7.3. QUANTO AO SEU OBJETO ou judicial. O ato complexo é formado pelo somatório
I – Atos de império ou de autoridade: atos praticados de vontades de órgãos públicos independentes, de
pela Administração usando de sua supremacia sobre o mesmo nível hierárquico.
administrado, impondo o seu obrigatório atendimento. III – Ato composto: ato que resulta da manifestação
Ex.: desapropriação. de vontade de um único órgão, mas depende da veri-
ficação por parte de outro para se tornar exequível.
Banca: CESPE - Órgão: PGE-BA Ex.: uma autorização que dependa do visto de autori-
Prova: Procurador do Estado dade superior. Esse ato é composto por dois atos, sen-
Com relação ao processo administrativo, regulamentado na do um ato principal e o outro acessório.
Lei Estadual n.º 12.209/2011, julgue os itens que se seguem.
“Não são passíveis de questionamento por via recursal os FICA A DICA
atos administrativos de mero expediente”. Nos atos complexos e compostos, temos um fenômeno con-
hecido como efeito atípico prodrômico, que é a situação
Correto
de pendência de alguma formalidade para que o ato con-
clua seu ciclo de formação. Desse modo, quando a primeira
II – Atos de gestão: atos que a Administração pratica autoridade já se manifesta surge a obrigação de uma seg-
sem usar de sua supremacia sobre os destinatários. unda autoridade a também fazê-lo. Essa obrigação traduz o
efeito prodrômico, que surge antes do ato concluir seu ciclo
Tal situação ocorre nas medidas de administração
de formação. Trata-se de situação de pendência de alguma
dos bens e serviços públicos e nos atos negociais formalidade para fins de aperfeiçoamento do ato.
que não exigem o cumprimento de obrigações pelos
interessados. Ex.: locação de imóvel; alienação de
bem público. Trata-se de condutas que não impõem
restrições ao particular.
Número de acertos = ______ 49
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NISTRATIVOS má-fé.
Em algumas situações excepcionais, os atos nulos po-
A extinção dos atos administrativos dar-se-á nas
dem ter seus efeitos mantidos por meio da aplicação
seguintes situações:
da Teoria da Aparência, Teoria da Convalidação ou
1. Cumprimento de seus efeitos: configurar-se-á Princípio da Proteção à Confiança. Destaca-se que
o cumprimento do ato quando se opera a execução trata-se de entendimento doutrinário recente no sen-
de todos os efeitos do ato administrativo. Ex.: de- tido de que a anulação de atos unilaterais ampliativos,
molição de um prédio. Nesse caso, após a execução desde que comprovada a boa-fé do beneficiário, irá
da ordem (ato administrativo), cumprem-se os efeitos gerar efeitos ex nunc. Trata-se de hipótese que ainda
do ato e o ato é extinto naturalmente. gera muita discussão doutrinária quanto à sua apli-
2. Advento do termo final ou da condição resolu- cação, fiquem atentos a essa exceção.
tiva: extinguem-se os atos sujeitos a prazo determi- TRADUÇÃO JURÍDICA
nado ou que dependam da ocorrência de condição “Como assim prof.?”
resolutiva. Ex.: autorização para porte de arma conce- Vamos imaginar que um determinado servidor tenha sido
dida por um ano. nomeado para um cargo de provimento efetivo sem prévia
aprovação em concurso público. Nesse caso, a nomeação
3. Renúncia: nesse caso o próprio particular abre é nula. Entretanto, os atos praticados por esse agente, que
mão do benefício. O particular abre mão do benefício estava atuando na máquina pública com aparência de legali-
concedido à Administração por meio da edição do ato dade, possuem um vício de competência que será convali-
dado, em atenção ao princípio da segurança jurídica e Teoria
administrativo.
da Imputação Volitiva. Nessa medida, não haverá devolução
4. Desaparecimento do sujeito ou do objeto: a con- dos salários desse agente, sob pena de enriquecimento da
Administração Pública. Trata-se de uma anulação que gera
duta estatal se extingue ao se esvair o objeto ou em
efeitos ex nunc.
decorrência do desaparecimento da pessoa atin-
gida por ele. Ex.: falecimento de servidor público que Destaca-se que a anulação configura ato adminis-
seria promovido. trativo constitutivo que deve ser realizado através de
5. Retirada: ato concreto do Poder Público extintivo processo administrativo prévio, em que se respeite o
do ato anterior. Apresenta nas seguintes hipóteses: contraditório e ampla defesa, sempre que a anu-
lação puder gerar prejuízos na esfera individual dos
• Anulação ou Invalidação;
particulares.
• Revogação;
ATENÇÃO
FICA A DICA
• Cassação; CAI EM PROVA
Competência para anular: • A Administração pode anular seus atos de ofício ou
• Caducidade; - Administração Pública e a requerimento do interessado. Contudo, o Poder
• Contraposição. Poder Judiciário; Judiciário só pode anular atos administrativos se for
- Prazo decadencial de 5 anos; provocado.
• Em geral, a anulação do ato administrativo não enseja o
8.1. ANULAÇÃO pagamento de indenização, contudo, caso comprovado
que a anulação implica em dano anormal ao particular
Trata-se da retirada do ato administrativo ilegal do que agiu de boa-fé, admite-se o pagamento de
mundo jurídico, apagando todos os efeitos por ele indenização.
produzidos, como se esse ato não tivesse sido prati- • A anulação do ato administrativo viciado é um dever
cado. A competência para anular o ato administrativo VINCULADO da Administração, ou seja, caso verificado
o vício de legalidade o Poder Público DEVE anular a
ilegal pertence à própria Administração e ao Poder Ju-
medida.
diciário. • Teoria da Aparência/funcionário de fato: a nomeação
A anulação do ato produz efeitos EX TUNC, ou seja, de servidor sem concurso público é nula, contudo, os
atos praticados por esse agente enquanto encontrava-
efeitos que retroagem à data da origem do ato, aniqui-
se em exercício são válidos perante terceiros, em
lando todos os efeitos até então produzidos. atenção ao Princípio da Segurança Jurídica e Teoria da
Destaca-se que a anulação dos atos admin- Imputação Volitiva.
5 istrativos que decorram efeitos favoráveis Na anulação será editado um novo ato, denominado
para os destinatários deve ser realizada no ato anulatório, secundário, constitutivo para extin-
prazo de 5 anos (prazo decadencial), nos termos do guir o ato anterior.
Art. 54 da Lei nº 9784/99. Salvo, claro, se comprovada
Número de acertos = ______ 51
Questões resolvidas
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REVOGAÇÃO cial.
– Ato inconveniente ou inoportuno
Súmulas do STJ
– Natureza discricionária
– Competência da Administração • Súmula n. 127: É llegal condicionar a renovação
– Efeito ex nunc da licença de veículo ao pagamento de multa, da
ANULAÇÃO
qual o infrator não foi notificado.
– Ocorrência de ilegalidade
– Natureza vinculada • Súmula n. 311: Os atos do presidente do tribunal
– Competência: administração e poder judiciário
que disponham sobre processamento e pagamen-
– Efeitos ex tunc
– Prazo de 5 anos
to de precatório não têm caráter jurisdicional.
• Súmula n. 312: No processo administrativo para
8.3. CASSAÇÃO
imposição de multa de trânsito, são necessárias as
Ocorre quando o particular beneficiado pelo ato notificações da autuação e da aplicação da pena
deixa de cumprir os requisitos para permanência da decorrente da infração.
vantagem conferida pela Administração. Ex.: cassação
• Súmula n. 333: Cabe mandado de segurança
da carteira de habilitação veicular em decorrência do
contra ato praticado em licitação promovida por
excesso de multas.
sociedade de economia mista ou empresa pública.
8.4. CADUCIDADE
Extinção do ato administrativo em razão de lei su- Clique aqui para os esquemas
perveniente que impede a manutenção do ato ini-
cialmente editado. Ex.: perda do direito de utilizar
o imóvel com fins comerciais, haja vista a edição de
nova lei que transforma a área em zona residencial.
Desde que não cause prejuízo a terceiros, havendo vício sanável, o ato poderá ser
convalidado. Destaca-se que são passíveis de convalidação os atos com defeitos
sanáveis nos elementos competência e na forma, os defeitos no objeto, motivo e
finalidade são insanáveis.
TOTAL 48%
196
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
VI. ATOS ADMINISTRATIVOS
Art. 22 DA LEI 9.784/99: Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada
senão quando a lei expressamente a exigir.
1a5
§ 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de
sua realização e a assinatura da autoridade responsável.
Art. 50 DA LEI 9.784/99: Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos
e dos fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; 6 a 34
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos,
propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
Art. 50 DA LEI 9.784/99 § 1º: A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir
em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões 34 a 38
ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.
SÚMULA 684
40
É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público.
Art. 53 DA LEI 9.784/99: A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício
de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os di- 41 a 135
reitos adquiridos.
Art. 54 DA LEI 9.784/99: O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decor-
ram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram 136 a 231
praticados, salvo comprovada má-fé.
Art. 55 DA LEI 9.784/99: Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse
público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convali- 232 a 273
dados pela própria Administração.
SÚMULA VINCULANTE 3
Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla de-
fesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie 274 a 294
o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria,
reforma e pensão.
SÚMULA 473
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por mo-tivo de conveniência ou 295 a 335
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e res-salvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.
SÚMULA 510
Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado 336 a 339
de segurança ou a medida judicial.
197
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relação ao usuário. Portanto, o serviço público deve desempenhando a atividade de forma centralizada. A
ser prestado sempre com polidez e educação. descentralização, por sua vez, ocorre quando o ente
público, visando à especialização na execução da
Igualdade entre os usuários: esse princípio esta-
atividade administrativa, descentraliza a prestação
belece que todos os cidadãos possuem o mesmo di-
de determinados serviços públicos para entes da
reito de usufruir do serviço público em igualdade de
administração indireta ou transfere a execução para
condições, sendo vedado tratamento discriminatório.
particulares (contratos de concessão e permissão).
Nesse diapasão, deve-se tratar igualmente os
iguais e desigualmente os desiguais na medida A referida descentralização pode se dar mediante out-
em que se desigualam. Portanto, os serviços devem orga ou delegação de serviço público, institutos já es-
ser prestados sem privilégios ou discriminações em tudados em momento anterior.
relação aos usuários.
5. CLASSIFICAÇAO DOS
QUESTÃO CESPE
O Princípio da Igualdade, que pressupõe a não diferenciação SERVIÇOS PÚBLICOS
entre usuários na prestação de serviço público, é inaplicável à
determinação legal de isenção de tarifas para idosos e deficientes. Levando-se em conta o critério da essencialidade,
Errado podemos classificar os serviços públicos em:
Serviços públicos propriamente ditos – serviços
Adequação do serviço público: a Lei Geral de que a Administração presta diretamente à comuni-
Serviço Público Lei nº 8.987/95 traz no seu artigo 6º dade, por reconhecer sua essencialidade, sendo ess-
a exigência de que o serviço seja prestado de forma es privativos do Poder Público. Ex.: serviços de defesa
adequada. O referido diploma legal define: nacional, os de polícia, etc.
§ 1º Serviço adequado é o que satisfaz as Serviços de utilidade pública – serviços que não
condições de regularidade, continuidade, são indispensáveis para a sociedade (serviços con-
eficiência, segurança, atualidade, generalidade, venientes e oportunos), os quais a Administração
cortesia na sua prestação e modicidade das pode prestar diretamente ou indiretamente (mediante
tarifas. Explicação da Lei Seca concessionárias, permissionárias ou autorizatárias de
serviço público), nas condições regulamentadas, mas
Note que, dessa maneira, a adequação se reveste de
por conta e risco dos prestadores, mediante cobrança
cláusula geral que regulamenta a prestação de serviço
de tarifa paga pelos usuários. Ex.: transporte coletivo,
público, sendo que a Administração terá o dever de
energia elétrica.
prestar o serviço observando o que a lei impõe.
Universalidade: Conforme estudado, deve-se buscar
5.1. QUANTO À ADEQUAÇÃO
prestar o serviço público de maneira a abranger/alcan-
çar o maior número de usuários/pessoas possíveis. Serviço próprios do Estado – serviços relacionados
Adaptabilidade ou Atualidade: O serviço público intimamente com as atribuições essenciais do Poder
deve ser prestado fazendo uso de técnicas modernas, Público, prestado em regra gratuitamente (Ex: saúde
que acompanham o desenvolvimento da realidade so- pública, etc.) e, para sua execução, a Administração
cial. Sendo assim, o retrocesso não é permitido, dev- usa de sua supremacia sobre os administrados.
endo ser disponibilizado aos administrados um serviço Serviços impróprios do Estado – serviços que não
que, no mínimo, seja compatível com o desenvolvi- afetam substancialmente as necessidades da co-
mento da sociedade atual. munidade, mas que satisfazem interesses comuns
e, por isso, a Administração os presta remunerada-
4. FORMAS DE PRESTAÇÃO DO mente, através de seus órgãos e entidades descen-
tralizadas ou delega sua prestação. Ex.: serviço de
SERVIÇO PÚBLICO telefonia fixa.
O serviço público é de titularidade do Estado, que pode
efetivar sua execução de forma direta ou mediante QUESTÃO ESAF
O serviço prestado por um taxista é classificado como serviço
descentralização. A prestação direta ocorre quando a
público impróprio, porque atende às necessidades coletivas, mas
atividade é efetivada pelos próprios entes federativos, não é executado pelo Estado.
ou seja, União, Estados, Municípios e Distrito Federal, Correto
Número de acertos = ______ 83
Questões resolvidas
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de delegar essas atividades (serviços que não podem realizada mediante a assinatura de contrato junto a
ser prestadas somente pelo ente público). Ex.: tel- pessoas jurídicas ou consórcios de empresas. A
evisão e rádio. permissão, por sua vez, será firmada junto a pes-
Serviços públicos delegáveis: o Estado pode prestar soas FÍSICAS ou jurídicas. A assinatura do contrato
esse serviço diretamente ou de forma indireta medi- de concessão exige a realização da licitação na mo-
ante delegação a particulares. Ex.: fornecimento de dalidade concorrência, enquanto no contrato de per-
gás canalizado. missão, por sua vez, qualquer modalidade pode ser
utilizada.
Serviços públicos não exclusivos de Estado
(serviço de utilidade pública): nesse caso, o Esta- Ressalte-se, ainda, que a concessão comum (regula-
do tem o dever de prestar diretamente o serviço sem, mentada pela lei 8.987/95) pode ser dividida em duas
contudo, deter a titularidade exclusiva desse serviço. espécies, a saber:
Portanto, o particular também pode prestar esse a) Concessão simples: transferência da execução do
serviço, em seu próprio nome, independentemente de serviço público para o particular, mediante cobrança
delegação estatal. Diante disso, o particular executa de tarifas dos usuários.
o serviço por sua conta e risco, enquanto o Estado irá
apenas autorizar, regulamentar e fiscalizar, por meio b) Concessão precedida de obra: contrato de con-
do exercício do Poder de Polícia, essa atividade. Ex.: cessão precedido de obra pública executada pelo par-
o fato de existir um sistema público de saúde, não ticular e indispensável à prestação do serviço público
impede que os particulares também exerçam essa delegado.
atividade e construam um hospital privado.
6.1. PODER CONCEDENTE
6. CONCESSÃO E PERMISSÃO DE O art. 2°, Ida lei 8.987/95 define que é considerado
poder concedente “a União, o Estado, o Distrito Feder-
SERVIÇO PÚBLICO al ou o Município, em cuja competência se encontre o
Aspectos Gerais serviço público, precedido ou não da execução de obra
pública, objeto de concessão ou permissão”. Excep-
Em conformidade com o art. 22, XXVII, compete à
cionalmente, a lei atribui o poder de delegar serviços
União editar normas gerais sobre licitações e contratos
públicos a entidades da administração indireta, como
administrativos, normas essas que devem ser
é o caso do poder atribuído a ANATEL - autarquias em
observadas por todos os demais entes da federação.
regime especial.
Nesse diapasão, a União editou a Lei nº 8.987/95
que trata acerca das normas gerais sobre os regimes FICA A DICA
de concessão e permissão de serviços públicos. Os Os contratos de concessão e permissão de serviço público
incisos II e IV do art. 2 da Lei 8.987/95, assim definem devem sempre ser precedidos de licitação. Nesse sentido,
essas modalidades de concessão. é incompatível com o art. 175 da CF/88 a dispensa e a
inexigibilidade de licitação, haja vista o comando constitucional.
• Concessão de serviço público: delegação da • O art. 15 da Lei 8.987/95 estabelece os critérios de
prestação do serviço público realizada pelo poder julgamento a serem adotados nas licitações prévias à
público, mediante licitação na modalidade concor- concessões, o critério escolhido deverá estar explicito no
edital;
rência, à PESSOA JURÍDICA OU CONSÓRCIO
• A Lei 8.987/95, no art. 18, faculta ao edital a previsão
DE EMPRESAS que demonstre capacidade para de inversão das fases de habilitação e julgamento no
o seu desempenho, por tempo determinado. processo licitatório.
caso de empresa individual. Nessas situações, haverá do interesse público superveniente. Nesse sentido,
a imediata assunção do serviço pelo poder conceden-
te, autorizada a ocupação das instalações e a utili-
MACETE
zação de todos os bens reversíveis.
CADUC I DADE (6° letra, letra I de INADIMPLEMENTO):
FICA A DICA rescisão unilateral por razões de Inadimplemento da empresa
Extinta a concessão tornam-se propriedade do poder con- contratada.
cedente todos os bens reversíveis, expressamente descritos ENCAM P AÇÃO (6° letra, letra P de PÚBLICO): rescisão
no contrato, e imediatamente ocorrerá a assunção do serviço unilateral por razões de interesse Público superveniente.
pelo poder público, o que autoriza a ocupação das instalações Vocês também podem pensar que quando alguém fica mais
e a utilização, pelo poder público, de todos os bens rever- velho... essa pessoa começa a CADUCAR, certo? Aí já não
síveis. Ex: ao final do contrato de concessão de transporte lembra mais das coisas, inclusive esquece até de cumprir as
público, o poder público se tornará proprietário dos ônibus obrigações contratuais. Não é mesmo?
utilizados pela empresa concessionária para fins de garantir
a continuidade da prestação do serviço – princípio da continui-
dade do serviço público. são requisitos para encampação: interesse público
superveniente, lei autorizativa específica e pagamento
6.7.1. Intervenção na concessão prévio de indenização à empresa.
de concessão não se aplica a cláusula de exceção do cuniária paga pelo parceiro público. Destaca-se
contrato não cumprido diferida, que se aplica nos de- que em qualquer modalidade parceria público-privada
mais contratos administrativos, nos quais o contratado haverá uma contraprestação pecuniária a ser paga
é obrigado a suportar 90 dias de inadimplência da Ad- pelo parceiro público ao parceiro privado, no entanto,
ministração Pública para paralisar o serviço. Nesse na concessão administrativa a contraprestação será
caso, a paralisação ocorre somente em razão de sen- o próprio valor que a Administração Pública paga na
tença judicial definitiva. qualidade de usuária direta ou indireta dos serviços
QUESTÃO CESPE prestados.
Para a contratação de PPP, é imprescindível a realização de A Lei 11.079/04, que regulamenta as Parceria Públicos
licitação, que deverá ser feita, unicamente, na modalidade de Privadas, determina que o certame para a realização
concorrência. desse tipo de contrato, será realizado, em regra, na
Errado modalidade concorrência (excepcionalmente na
modalidade leilão).
6.7.6. Anulação
A anulação é a extinção do contrato em razão de vício 6.8.1. Características do Contrato de
de legalidade. PPP
• o prazo de vigência do contrato não será inferior a
6.8. PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA 5 (cinco) nem superior a 35 (trinta e cinco) anos e
no bojo desse contrato haverá uma repartição de
A Lei nº 11.179 de 2004 define duas espécies de parce- riscos e ganhos entre as partes;
ria público-privadas: • o compartilhamento com Administração Pública de
• Concessão patrocinada: trata-se da concessão ganhos econômicos efetivos do parceiro privado;
de serviços públicos, precedida ou não de obras, • mecanismos para a preservação da atualidade da
quando há o pagamento, adicionalmente a tarifa prestação dos serviços, evitando-se a prestação
cobrada dos usuários, de contraprestação pecu- de serviços obsoletos, o que comprometeria dire-
niária paga pelo parceiro público. A intenção desta tamente sua eficiência e adequação;
contraprestação é a garantia da modicidade de
• o compartilhamento com a Administração Pública
tarifas aos usuários.
de ganhos econômicos efetivos do parceiro pri-
• Concessão administrativa: o contrato de pre- vado.
stação de serviço público no qual a Administração
• a realização de vistoria dos bens reversíveis pelo
poder público.
CONCESSÃO COMUM
• os fatos que caracterizem a inadimplência pecu-
– povo usa o serviço
niária do parceiro público, os modos e o prazo de
– povo paga pelo serviço
regularização e, quando houver, a forma de acion-
CONCESSÃO PATROCINADA amento da garantia prestada pela Administração;
– povo usa o serviço • A Parceria Público-Privada deve ser gerida por
– povo e administração pagam pelo serviço uma sociedade de propósito específico, criada
CONCESSÃO ADMINISTRATIVA previamente à celebração do contrato, ficando re-
– administração usa o serviço sponsável pela implantação da parceria.
– administração paga pelo serviço No mínimo, o contrato de parceria pública-privada terá
o valor de 10 milhões de reais.
Pública é a usuária direta ou indireta do serviço. As obrigações pecuniárias contraídas pela Adminis-
Ex: contrato firmado com uma determinada em- tração Pública poderão ser garantidas mediante vin-
presa para que ela execute a construção de um culação de receitas de impostos, fundos especiais,
presídio ficando responsável pela prestação do contratação de seguro garantia e outros mecanismos
serviço penitenciário. admitidos em lei.
Serviços “uti universi” ou gerais ou coletivos são aqueles serviços que a Administração
presta para atender à coletividade no seu todo. Estes serviços são, em regra, indivisíveis,
isto é, não é possível mensurar a utilização do serviço por cada cidadão, não criam
vantagens particularizadas para cada usuário. Por essa razão esses serviços são
mantidos pela receita geral de impostos.
TOTAL 59%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
XI. SERVIÇOS PÚBLICOS
Art. 175 CF: Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão
ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter espe-
cial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e 1a4
rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.
Art. 6º lei nº 8.987/95 Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado
ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no
respectivo contrato. 5 a 37
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência,
segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas.
Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:
I - poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se
encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão
ou permissão;
II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, me-
diante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio
de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo
determinado; (Redação dada pela Lei nº 14.133, de 2021)
III - concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou
38 a 72
parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse públi-
co, delegados pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade concorrência ou diálogo
competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua
realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado
e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; (Redação
dada pela Lei nº 14.133, de 2021)
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação
de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capaci-
dade para seu desempenho, por sua conta e risco.
Art. 6º § 3º lei nº 8.987/95 Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção
em situação de emergência ou após prévio aviso, quando:
73 a 106
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.
Art. 7º- A lei nº 8.987/95 As concessionárias de serviços públicos, de direito público e privado, nos
Estados e no Distrito Federal, são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês
107 a 109
de vencimento, o mínimo de seis datas opcionais para escolherem os dias de vencimento de seus
débitos.
Art. 11 lei nº 8.987/95 No atendimento às peculiaridades de cada serviço público, poderá o poder
concedente prever, em favor da concessionária, no edital de licitação, a possibilidade de outras
fontes provenientes de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos asso-
ciados, com ou sem exclusividade, com vistas a favorecer a modicidade das tarifas, observado o
110 a 115
disposto no art. 17 desta Lei.
Parágrafo único. As fontes de receita previstas neste artigo serão obrigatoria-mente
consideradas para a aferição do inicial equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
8- Controle e responsabilização da
administração: controle administra- QUESTÃO DE PROVA
tivo; controle judicial; controle leg- O controle exercido pela Corregedoria do Tribunal de Justiça
de um estado sobre os atos praticados por serventuários da
islativo; responsabilidade civil do justiça é classificado, quanto à natureza do controlador e à
sujeito à declaração de nulidade, caso verificado vício nos órgãos e entidades da administração
de legalidade, e à revogação, caso o mesmo não seja federal, bem como da aplicação de recursos
conveniente e oportuno. Destaca-se que o ato está su- públicos por entidades de direito privado;
jeito até mesmo ao controle para fins de conferir III – exercer o controle das operações de crédito,
eficácia ao ato administrativo como ocorre na ho- avais e garantias, bem como dos direitos e haveres
mologação de um determinado procedimento lici- da União; Explicação da Lei Seca
tatório. IV – apoiar o controle externo no exercício de sua
missão institucional.
QUESTÃO § 1º Os responsáveis pelo controle interno,
QUADRIX 2019 ao tomarem conhecimento de qualquer
O controle judicial sobre a Administração é exclusi-vamente
irregularidade ou ilegalidade, dela darão
posterior, sob pena de vulneração do princípio da separação
de poderes.
ciência ao Tribunal de Contas da União, sob
pena de responsabilidade solidária. [...]”
Errado
QUESTÃO ESAF
Segue abaixo um exemplo de controle posterior (tam- O controle interno da Admi-nistração Pública se caracte-riza
bém chamado de a posteriori ou subsequente), no art. pela fiscalização que ela exerce sobre os atos e atividades
49, I da CF/88: Explicação da Lei Seca de seus órgãos e das entidades descentralizadas vinculadas
a ela.
“Art. 49. É da competência exclusiva do Congres- Correto
so Nacional:
V – sustar os atos normativos do Poder Executivo
QUESTÃO CESPE
que exorbitem do poder regulamentar ou dos lim-
O controle pode ser interno ou externo, conforme o órgão seja
ites de delegação legislativa;” integrante, ou não, da estrutura em que se insere o órgão con-
ATENÇÃO
trolado.
tange ao controle de legalidade, cumpre salientar fins de ocupação do cargo de dirigente da Agência
que a partir da EC 45/2004 tornou-se obrigatória a Reguladora. Esse ato é um ato de mérito do Poder
observância, pela Administração Pública, do texto Legislativo que goza de discricionariedade, contudo, a
das súmulas vinculantes editadas pelo Supremo não aprovação não enseja a revogação ou substitui
Tribunal Federal. Nesse sentido, dispõe o art. 103-A o ato de escolha do Presidente, tão somente impede
da Constituição Federal: que este ato produza efeitos.
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, Além disso, ressalta-se que a despeito do fato de que
de ofício ou por provocação, mediante decisão de o Poder Judiciário não exerce o controle de mérito
dois terços dos seus membros, após reiteradas dos atos administrativos editados pelo Executivo, a
decisões sobre matéria constitucional, aprovar este poder compete a análise quanto os limites da
súmula que, a partir de sua publicação na impren- atuação discricionária administrativa que deve se
sa oficial, terá efeito vinculante em relação aos de- dar em conformidade com a lei. Conforme estudado,
mais órgãos do Poder Judiciário e à administração a Administração Pública deve observar os princípios
pública direta e indireta, nas esferas federal, es- administrativos, orientações normativas quanto à sua
tadual e municipal, bem como proceder à sua re- atuação, dentre esses o princípio da razoabilidade e
visão ou cancelamento, na forma estabelecida em proporcionalidade. Nesse sentido, em atenção a es-
lei. ses mandamentos, o Poder Judiciário poderá verificar
se a medida administrativa discricionária foi editada
Destaca-se que o controle de legalidade pode ser
pelo Executivo em observância a esses princípios ou
desempenhado pela própria Administração, quan-
se fora praticada em flagrante abuso de poder, ou seja,
do do exercício da autotutela, e também pode ser
caso for verificado que a conduta administrativa ex-
exercido pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legis-
trapola os limites da razoabilidade, o Poder Judiciário
lativo, nas hipóteses previstas na Constituição. Nos
poderá decidir que medida discricionária da admin-
termos da Súmula nº 347 do STF, “O Tribunal de
istração é ilegal, ensejando a anulação do ato.
Contas, no exercício de suas atribuições, pode
apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos Portanto, o Poder Judiciário poderá anular um ato ad-
do poder público”. ministrativo discricionário que fora editado em desre-
speito aos princípios constitucionais. Cumpre
Controle de Mérito: o controle de mérito está ligado à
destacar que em qualquer situação o controle desem-
conveniência e oportunidade de edição daquela medida.
penhado pelo Poder Judiciário ensejará a anulação
Em regra, o controle de mérito será desempenhado
da medida (não há controle de mérito). Portanto, em
exclusivamente pelo próprio poder que editou
nenhuma hipótese é possível a revogação do ato ad-
o ato administrativo. Portanto, em razão do fato
ministrativo editado pelo Poder Executivo pelo Poder
de que todos os poderes estruturais desempenham,
Judiciário. Isto é, somente o controle de mérito realiza-
ainda que atipicamente, funções administrativas,
do pela Administração poderá ensejar a revogação da
esses poderão, nessa medida, revogar seus próprios
medida, que refere-se à retirada do mundo jurídico
atos que já não mais se mostram convenientes e
de atos válidos, porém, inconvenientes e inoportunos.
oportunos. Ou seja, quando determinado poder, seja
este Executivo, Legislativo e Judiciário, editar uma A revogação enseja a retirada do ato válido, resguar-
medida administrativa, o mesmo poderá revogá-la. dados os direitos adquiridos, gerando efeitos ex nunc,
ou seja, efeitos prospectivos.
Mas existem situações em que um Poder irá
desempenhar o controle de mérito de um ato TRADUÇÃO JURÍDICA
ao Poder Legislativo sustar as disposições A fiscalização contábil e financeira atinge todas as en-
exorbitantes. tidades que façam uso de recursos públicos e será
• Art.50: convocar Ministro de Estado ou quais- realizada nos termos do art.70 da Constituição Federal
quer titulares dos órgãos diretamente subordina- que assim estabelece: Explicação da Lei Seca
dos à Presidência da República para prestarem “Art. 70. A fiscalização contábil, financeira,
informações sobre assunto determinado. orçamentária, operacional e patrimonial da
• Art. 58: instauração das Comissões União e das entidades da administração direta
Parlamentares de Inquérito. Nesse sentido, e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
dispõe o art. 58 da Constituição Federal: economicidade, aplicação das subvenções
e renúncia de receitas, será exercida pelo
“§ 3º - As comissões parlamentares de inquérito,
Congresso Nacional, mediante controle externo, e
que terão poderes de investigação próprios das
pelo sistema de controle interno de cada Poder.
autoridades judiciais, além de outros previstos nos
regimentos das respectivas Casas, serão criadas Parágrafo único. Prestará contas qualquer
pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Fed- pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que
eral, em conjunto ou separadamente, mediante re- utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre
querimento de um terço de seus membros, para a dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a
apuração de fato determinado e por prazo certo, União responda, ou que, em nome desta, assuma
sendo suas conclusões, se for o caso, encamin- obrigações de natureza pecuniária.”
hadas ao Ministério Público, para que promova a
Em conformidade com o texto transcrito acima, tem-
responsabilidade civil ou criminal dos infratores.”
se que o controle externo realizado pelo Poder
• Art. 71: sustar execução de contrato Legislativo conta com o auxílio do Tribunal de Contas
administrativo objeto de impugnação perante competente. Além disso, o mencionado diploma
o Tribunal de Contas da União. legal ressalta, ainda, o controle interno que será
Compete ao Congresso Nacional sustar os desempenhado por cada poder. Nesse sentido, no
contratos administrativos que apresentem qualquer âmbito da União, o controle interno referente aos
ilegalidade. Cabe destacar que, caso o Congresso repasses de recursos federais para os municípios é
Nacional e o Poder Executivo não realizarem as realizado pela Controladoria-Geral da União e isso
medidas cabíveis para promover a sustação do não fere a autonomia municipal ou a competência
contrato no prazo de 90 dias, caberá ao Tribunal do Tribunal de Contas da União de desempenhar o
de Contas decidir a respeito. controle externo. MUITA ATENÇÃO
• Art. 49, IX: julgar anualmente as contas presta- O mencionado controle externo
dos pelo presidente República. visa assegurar o correto uso da verba pública, sen-
Destaca-se que trata-se do controle quanto às do este um controle financeiro de legalidade quanto à
contas dos Chefes do Poder Executivo pelo gestão dos recursos públicos, com vistas a preser-
Poder Legislativo nas diversas esferas federativas var o erário.
(Congresso Nacional, Assembleia Legislativa,
Câmara Municipal ou Câmara Legislativa do
Distrito Federal). Ou seja, as contas dos chefes 4. TRIBUNAL DE CONTAS
do Poder Executivo serão julgadas pelo Poder Os Tribunais de Contas são órgãos que se
Legislativo, contudo, as contas dos demais encontram vinculados ao Poder Legislativo,
administradores públicos serão julgadas pelo
uma vez que auxiliam esse poder no controle das
Tribunal de Contas da União, Estado ou do
contas do Executivo, entretanto, não se encontram
Município no qual o agente encontra-se inserido.
hierarquicamente subordinados a esse Poder.
• Art. 49, XII, XVI, XVIII: autorizar ou aprovar deter- Esses tribunais possuem a competência para
minados atos do Poder Executivo. fiscalização de quaisquer pessoas físicas ou jurídicas,
• Art. 70, caput: exercer a competência contábil, fi- públicas ou privadas, que façam uso de recurso
nanceira e orçamentária federal. público.
Explicação da Lei Seca Destaca-se que os Tribunais de Contas, a despeito da
3. FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FI- denominação que recebem, não exercem função de
jurisdição com caráter de definitividade.
NANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA
Número de acertos = ______ 95
Questões resolvidas
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Desse modo, não cabe ao judiciário, via de regra, re- judicial no qual caiba recurso com efeito suspensivo
alizar qualquer valoração quanto ao mérito administra- e de decisão transitada em julgado” (art. 5 da Lei
tivo de edição, ou não, daquele determinado ato ad- 12.016/2009).
ministrativo pelo Poder Executivo.
Além disso, conforme estabelece a Súmula 266 do
FICA A DICA STF “não cabe mandado de segurança contra lei em
Via de regra, a declaração de nulidade do ato administrativo tese”, somente leis de efeitos concretos haja vista que
tem a aptidão de suprimir o ato do ordenamento jurídico estas possuem destinatários diretos e podem violar,
desde o seu nascedouro. Em outras palavras, a anulação
diretamente, direitos individuais. Ademais, o manda-
gera efeitos “ex tunc”. Contudo, em algumas hipóteses,
conforme estudado no capítulo de atos administrativos, do de segurança não pode ser impetrado como ação
poderá haver modulação de efeitos em respeito ao princípio da substitutiva da ação de cobrança (Súmula 269 do
segurança jurídica e então teremos anulação gerando efeitos STF) nem tampouco com escopo de substituir a
ex nunc.
O controle judicial depende da provocação do juízo ação popular (Súmula 101 do STF).
competente por meio de uma das ações judiciais
específicas. As principais são: I – Mandado de Segurança; QUESTÃO DE PROVA
II – Ação Popular – Ação Civil Pú[Link]- Habeas Corpus; Suponha que uma autoridade administrativa delegue determi-
V – Mandado de Injunção; VI- Habeas Data; VII- Ação Civil
nada competência a um subordinado e que, no exercício des-
Pública; VIII- Ação de Improbidade.
sa delegação, este pratique ato ilegal que fira direito líquido e
certo. Nessa situação, eventual mandado de segurança deve
5.1. MANDADO DE SEGURANÇA ser impetrado em face da autoridade delegante.
Errado
Nos termos do art. 5º, LXIX da Constituição Federal
de 1988:
Por fim, o mandado de segurança não pode ser ajuiza-
“LXIX - conceder-se-á mandado de segurança do para proteger direito amparado por habeas corpus
para proteger direito líquido e certo, não amparado ou habeas data, tendo, portanto, natureza residual.
por habeas corpus ou habeas data, quando o re-
sponsável pela ilegalidade ou abuso de poder for 5.1.1. Mandado de segurança coletivo
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
no exercício de atribuições do Poder Público;” A disciplina processual do mandado de segurança
coletivo é a mesma do mandado de segurança
Desse modo, quando direito líquido e certo de pes-
individual e, assim como mandado de segurança
soa física ou jurídica for violado ou sofrer ameaça de
individual, o mandado de segurança coletivo tem como
lesão por um ato ilegal, caberá o ajuizamento do man-
pressuposto a existência de direito líquido e certo
dado de segurança. Portanto, será protegido o direito
violado ou ameaçado de lesão. Os direitos protegidos
subjetivo líquido e certo que esteja sendo violado ou
pelo mandado de segurança coletivo podem ser, nos
ameaçado de lesão por um ato de autoridade ilegal.
termos do art. 21 da Lei 12.016/2009:
Tem-se como direito líquido e certo aquele que pos-
sa ser comprovado sem necessidade de instrução I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta
processual de produção de provas, já na petição Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de
inicial. que seja titular grupo ou categoria de pessoas li-
gadas entre si ou com a parte contrária por uma
O mandado de segurança pode ser repressivo ou
relação jurídica básica;
preventivo, ou seja, poderá ser impetrado após a
II - individuais homogêneos, assim entendidos,
lesão ou diante da ameaça de lesão ao direito líquido e
para efeito desta Lei, os decorrentes de origem
certo do impetrante. Em suma, pretende-se através do
comum e da atividade ou situação específica da
mandado de segurança obter uma decisão judicial que
totalidade ou de parte dos associados ou mem-
determine a anulação do ato, ou exigência de uma
bros do impetrante.
dada atuação no caso de mandado de segurança
contra uma omissão administrativa, ou imponha Nos termos do art. 5º, LXX da Constituição Federal:
uma abstenção da administração quando se tratar
“LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser
de mandado de segurança preventivo.
impetrado por:
Destaca-se que não caberá mandado de segurança a) partido político com representação no Congres-
de “ato do qual caiba recurso administrativo com efeito so Nacional;
suspensivo, independentemente de caução; decisão b) organização sindical, entidade de classe
Conforme transcrito anteriormente, o mandado de São autoridades coautoras: ato do próprio Tribunal
segurança coletivo não induz litispen-dência para e Juiz Federal.
as ações individuais, ou seja, não induz a extinção da COMPETÊNCIA DO TJ
ação individual sem resolução de mérito, que ocorre
São autoridades coautoras as definidas nas Con-
quando verificado uma outra ação idêntica em curso.
stituições Estaduais.
Portanto, ainda que tenha sido ajuizado o mandado
de segurança coletivo em defesa dos membros de COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL
uma associação, qualquer um desses membros
São autoridades coautoras as definidas nas Con-
pode pleitear o mesmo direito em ação individual.
stituições Estaduais.
Entretanto, cumpre ressaltar que “os efeitos da coisa
julgada não beneficiarão o impetrante a título individual COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL
se não requerer a desistência de seu mandado de São autoridades coautoras: ato de autoridade fed-
segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da eral, com exceção daqueles de competência dos
ciência comprovada de mandado impetração da Tribunais Federais.
segurança coletiva”.
5.2. AÇÃO POPULAR
5.1.2. Diferença entre o mandado de
segurança e ação popular Nos termos do art. 5º, LXXIII da Constituição Federal
de 1988: Explicação da Lei Seca
A principal diferença entre essas ações reside no fato
de que o mandado de segurança coletivo visa defender “LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para
direito subjetivo, líquido e certo de titularidade dos propor ação popular que vise a anular ato lesivo
substituídos processuais. A ação popular, por sua ao patrimônio público ou de entidade de que o
vez, visa anular ato lesivo ao patrimônio público, à Estado participe, à moralidade administrativa, ao
moralidade administrativa, ao meio ambiente ou ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural,
patrimônio histórico e cultural. ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento
de custas judiciais e do ônus da sucumbência;”
Em se tratando de Mandado de Segurança a com-
petência para julgamento depende de quem foi a enti- Portanto, trata-se de uma ação para fins de anular o
dade coautora. Vejamos: ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade admin-
istrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e
cultural. Considera-se patrimônio público, para efeito
de tutela por meio da ação popular, “os bens e direi-
tos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou
turístico”. Destaca-se que não se exige a compro-
vação de prejuízo financeiro aos cofres públicos,
a mera ilegalidade é suficiente para configurar a
lesão ao patrimônio público.
A Lei 4.717/1965 estabelece que, além de anular o ato, e ação popular, nesta a legitimidade ativa é outorgada
a sentença condenará ao pagamento de perdas e da- ao cidadão e na ação civil pública, por sua vez, a legit-
nos aos responsáveis pelo ato e determinará a restitu- imidade é atribuída ao Ministério Público, à Defensoria
ição de valores indevidamente percebidos. Portanto, a Pública, aos entes federados, às entidades da Admin-
sentença terá natureza condenatória (comprovada a istração Pública Indireta e as associações.
culpa dos responsáveis pelo ato lesivo) e desconsti- Na ação popular, o pedido principal é a anulação do
tutiva (anulação do ato). ato de lesão ou ameaça de lesão aos bens jurídicos
tutelados e na ação civil pública, por sua vez, o pedido
Na ação popular, a lesão ou ameaça de lesão pode
refere-se ao cumprimento de obrigação de fazer ou
decorrer de um ato ou de uma conduta omissiva de
obrigação de não fazer ou condenação em dinheiro.
efeitos concretos. Destaca-se que não cabe ação
Contudo, cabe asseverar que tem sido aceito pelos
popular para fins de declaração com eficácia geral tribunais, inclusive pelo STF, o uso da ação civil pública
(erga omnes) da inconstitucionalidade de uma lei. com a finalidade de anulação de atos jurídicos, público
ou privados, em conformidade com a legislação.
QUESTÃO DE PROVA
É incabível a ação popular em modalidade preventiva, exig- Além disso, na ação popular, a sentença tem como
indo-se, para seu cabimento, lesão efetivamente já ocorrida. conteúdo principal a anulação o ato (sentença descon-
Errado stitutiva) e, subsidiariamente, a sentença será conde-
natória em perdas e danos, desde que comprovado
5.2.1. Sujeitos a culpa dos responsáveis pelo ato lesivo. Na ação
civil pública, por sua vez, a sentença é preponderante-
O legitimado na ação popular é o cidadão – nato ou
mente condenatória e não terá, em regra, natureza
naturalizado – eleitor – no gozo de direitos políticos. O
desconstitutiva.
legitimado passivo, por sua vez, encontra-se no art. 6º
da Lei 4.717/1965: Habeas corpus (art. 5º, LXVIII, CF: ação cabível
sempre que alguém sofrer ou for ameaçado de sofrer
“Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas coação na sua liberdade de locomoção, por ilegali-
públicas ou privadas e as entidades referidas dade ou abuso de poder.
no art. 1º, contra as autoridades, funcionários Mandado de Injunção (art. 5º, LXXI, da CF/88): ação
ou administradores que houverem autorizado, cabível sempre que a falta de norma regulamentadora
aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, inviabiliza o exercício de direitos e liberdades constitu-
ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à cionais.
lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo.” Habeas data (art. 5º, LXXII, da CF): ação cabível
para fins de assegurar o conhecimento, retificação ou
5.3. AÇÃO CIVIL PÚBLICA contestação de informações da pessoa que impetrou o
habeas data, constantes nos registros públicos.
A ação civil pública visa a “proteção do patrimônio Ação de improbidade: estudada no próximo tópico.
público e social, do meio ambiente e de outros
interesses difusos e coletivos” (interesses públicos que
pertencem a grupos indeterminados de pessoas ou a
toda a sociedade). Desse modo, qualquer interesse
difuso ou coletivo pode ser tutelado pela ação civil
pública, independentemente de estar discriminado no
art. 1º da Lei 7.347/1985. Contudo, cabe ajuizamento de
ação civil pública para tutela de interesses individuais
homogêneos e interesses sociais relevantes.
A referida ação poderá ser preventiva ou repressiva e
o objeto do pedido poderá ser a condenação em din-
heiro ou o cumprimento da obrigação de fazer ou não
fazer (art. 3º).
O Controle Externo: refere-se ao controle realizado por entidade alheia ao poder que
editou o ato administrativo. Ou seja, trata-se do controle exercido por um poder sobre
as medidas editadas por outro poder. Esse controle pode ser exercido tanto por outros
órgãos Estatais (Tribunal de Contas), como pelos próprios administrados (Mandado de
Segurança, Ação Popular). Exemplo: o Poder Judiciário poderá anular o ato administra-
tivo ilegal expedido pelo Poder Executivo.
TOTAL 40%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
XII. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO
Art. 49 CF É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de del- 1 a 12
egação legislativa;
Art. 74 CF: Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle
interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos
orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, 13 a 16
financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos
públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
Art. 70 CF A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades
da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções
e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de
17 a 25
controle interno de cada Poder.
Art. 71 CF O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Con-
tas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá
ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da ad-
ministração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo
ao erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na admin-
istração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as no-
meações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e
pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso
II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma
direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou
outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
26 a 36
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer
das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e
sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções
previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da
lei, se verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados
e ao Senado Federal;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará,
de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previs-
tas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
ART. 5º LXXIII CF - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à morali-dade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
37 a 40
judiciais e do ônus da sucumbência.
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que deverá conter: órgão ou autoridade administrativa mente com o interessado ou respectivo côn-
a que se dirige; identificação do interessado ou de juge ou companheiro.
quem o represente; domicílio do requerente ou local Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em
para recebimento das comunicações; formulação do impedimento deve comunicar o fato à autoridade
pedido com exposição dos fatos e fundamentos, data competente, abstendo-se de atuar.
e assinatura do requerente. Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar
o impedimento constitui falta grave, para efeitos
Destaca-se que é vedada a simples recusa imotivada
disciplinares.
de receber o requerimento, caso faltar elementos es-
Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autori-
senciais ao pedido. Nesse caso, a administração de-
verá orientar o particular para supri-lo. dade ou servidor que tenha amizade íntima ou
inimizade notória com algum dos interessados
Nos termos do art. 9º da Lei 9.784/1999, são legitima- ou com os respectivos cônjuges, companhei-
dos no processo: ros, parentes e afins até o terceiro grau.
Art. 9º São legitimados como interessados no pro- Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição
cesso administrativo: poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspen-
I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como sivo.”
Explicação da Lei Seca
titulares de direitos ou interesses individuais ou no
exercício do direito de representação; QUESTÃO QUADRIX 2020
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou a
têm direitos ou interesses que possam ser afeta- autoridade que esteja litigando judicial ou administrativamente
dos pela decisão a ser adotada; com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro.
III - as organizações e associações representati- Correto
vas, no tocante a direitos e interesses coletivos;
IV - as pessoas ou as associações legalmente con-
IMPEDIMENTO
stituídas quanto a direitos ou interesses difusos. – Interesse direto ou indireto no processo
Art. 10. São capazes, para fins de processo admin- – Perito, testemunha ou representante: servidor, cônjuge, com-
istrativo, os maiores de dezoito anos, ressalvada panheiro, parente até o 3º grau
previsão especial em ato normativo próprio.” – Em litígio judicial ou administrativo contra o interessado no
processo ou cônjuge/companheiro do interessado
Explicação da Lei Seca
SUSPEIÇÃO
3.1. IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO – Amizade íntima e inimizade notória com: interessado no pro-
Para fins de preservar uma atuação imparcial do cesso, cônjuge/companheiro do interessado ou parente até o
agente público no âmbito do processo administrativo, 3º grau do interessado.
imunodeficiência adquirida, ou outra doença Destaca-se, ainda, que o fato de o particular de-
grave, com base em conclusão da medicina satender a intimação não importa no efeito de presun-
especializada, mesmo que a doença tenha ção de culpa, de confissão, ou renuncia a direito, e não
sido contraída após o início do processo;” . opera preclusão do direito de defesa do administrado.
Explicação da Lei Seca Nesse sentido, dispõe o art. 27 da mencionada Lei:
3.3. INTIMAÇÃO DO INTERESSADO “Art. 27. O desatendimento da intimação não im-
O art. 28 da Lei 9.784/1999 estabelece os atos que porta o reconhecimento da verdade dos fatos,
impõem deveres, ônus, sanções ou restrição ao ex- nem a renúncia a direito pelo administrado.
ercício de direitos e atividades devem ser intimados. Parágrafo único. No prosseguimento do processo,
Nesse sentido, destaca-se: será garantido direito de ampla defesa ao
interessado.”
“Art. 26. O órgão competente perante o qual tram- Explicação da Lei Seca
ita o processo administrativo determinará a inti-
mação do interessado para ciência de decisão ou 3.4. INSTRUÇÃO E DECISÃO
a efetivação de diligências.
(....) § 3º A intimação pode ser efetuada por A instrução do processo administrativo refere-
ciência no processo, por via postal com se à averiguação e comprovação dos dados para
aviso de recebimento, por telegrama ou outro tomada de decisão, conforme estabelece o art. 29
meio que assegure a certeza da ciência do da Lei 9.784/1999. A Administração Pública poderá na
interessado. fase de instrução determinar a realização de diligências,
Art. 27. O desatendimento da intimação não produção de provas, intimar os administrados para
importa o reconhecimento da verdade dos fatos, prestar depoimentos e realizar todas as medidas para
nem a renúncia a direito pelo administrado. fins de adequada instrução ao processo (inclusive é
Parágrafo único. No prosseguimento do processo, admitida a utilização de provas emprestadas advindos
será garantido direito de ampla defesa ao interes- dos processos judiciais. Portanto, durante a fase de
sado. instrução devem ser realizadas todas as medidas
Explicação da Lei Seca
Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do cabíveis para fins de elucidação dos fatos relativos
processo que resultem para o interessado em im- ao processo, lembrando que é inadmissível nos
posição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao processos administrativos e judiciais a utilização de
exercício de direitos e atividades e os atos de outra provas obtidas por MEIOS ILÍCITOS.
natureza, de seu interesse.” Importante destacar que o ônus probatório incumbe
àquele que alegar o fato. Nos termos dos art. 36 e 37
QUESTÃO CESPE
da Lei 9.784/99:
Instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar
a infração, caso o servidor, devidamente notificado, não apre- “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fa-
sente defesa no prazo legal, ser-lhe-ão declarados os efeitos tos que tenha alegado, sem prejuízo do dever
da revelia, reputando-se como verdadeiros os fatos a ele im-
atribuído ao órgão competente para a instrução
putados.
e do disposto no art. 37 desta Lei.
Errado Art. 37. Quando o interessado declarar que fa-
tos e dados estão registrados em documentos
Em conformidade com os ditames do princípio da in- existentes na própria Administração responsável
strumentalidade das formas, a forma estipulada visa pelo processo ou em outro órgão administrativo,
que o ato cumpra os seus fins, sendo a forma um mero o órgão competente para a instrução proverá, de
instrumento do ato. Portanto, nas situações em que a ofício, à obtenção dos documentos ou das respec-
finalidade do ato tenha sido alcançada, mesmo que tivas cópias.” Explicação da Lei Seca
não tenha sido observada a norma/forma prescrita,
Encerrada a fase de instrução, abre-se o prazo máxi-
considera-se sanada a irregularidade (FOCO).
mo de dez dias para manifestação do interessado, sal-
vo se outro prazo for legalmente fixado (art. 44). Con-
MACETE cluída a instrução, a Administração terá o prazo de
Vícios relativos nos elementos Forma e Competência dos atos trinta dias para emitir decisão, prazo este que pode
administrativos são passíveis de convalidação/correção. ser prorrogado por igual período.
Neste ponto destacamos que, no âmbito do processo
104 Número de acertos = ______
Questões resolvidas
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administrativo, a administração poderá proferir uma será submetida a nova análise pela autoridade
decisão fundamentada para fins de arquivamento do administrativa competente. Entretanto, os recursos
processo nas situações em que as informações e pro- administrativos poderão, adicionalmente ao
vas levadas ao processo forem insuficientes e quando efeito devolutivo, ter efeito suspensivo desde que
a matéria não se mostrar suficientemente relevante. previsto expressamente na lei. Ou seja, efeitos
que suspendem a eficácia do ato que é objeto
ATENÇÃO
de questionamento no processo administrativo (no
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:
silêncio da lei, o recurso administrativo terá apenas
I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
efeito devolutivo).
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autori-
dade.
QUESTÃO CESPE
Recurso administrativo protocolado perante órgão incompe-
MACETE JURÍDICO: tente não será conhecido, contudo a autoridade competente
CE -> competência exclusica será indicada ao recorrente, sendo-lhe devolvido o prazo para
NO -> edição de atos normativos recurso.
RA -> decisão de recursos administrativos Correto
FICA A DICA
3.5. RECURSOS ADMINISTRATIVOS
Em algumas situações específicas e em se tratando de
processos com um rito específico, o recurso poderá ser
Esse trecho responde inúmeras questões
endereçado à autoridade que se encontra fora da estrutura
hierárquica em relação ao agente que proferiu a primeira
O termo “recurso administrativo” refere-se à petição
decisão, são os denominados recursos hierárquicos
apresentada pelo particular para fins de pleitear uma impróprios.
nova análise e reapreciação de uma decisão tomada Importante destacar que, assim como ocorre com o pedido
pela Administração Pública, no âmbito de um processo de reconsideração, o recurso tempestivo interrompe a
administrativo, que é desfavorável ao particular. O prescrição.
recurso será dirigido ao agente que proferiu a decisão
e, caso este não reconsidere no prazo de 5 dias,
encaminhará aquela petição à autoridade superior. QUESTÃO CESPE
Recursos administrativos são todos os meios utilizáveis pelos
Em regra, cabe recurso das decisões administra- administrados para provocar o reexame do ato administrativo
tivas em face de razões de legalidade e de mérito. pela administração pública e, pelo fato de o processo admin-
istrativo ter impulsão de ofício, tais recursos não podem ter
O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a
efeito suspensivo em hipótese alguma.
decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de
cinco dias, o encaminhará à autoridade que se en-
Errado
contra em uma posição hierarquicamente superior.
Conforme estudado, no processo administrativo, em
Veja-se que em situações específicas o recurso não conformidade com o texto da Súmula Vinculante nº 21,
será conhecido: qual seja “é inconstitucional a exigência de depósito
“Art. 63. O recurso não será conhecido quando in- ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para
terposto: admissibilidade de recurso administrativo”, ou
Explicação da Lei Seca
I - fora do prazo; seja, é inconstitucional a exigência de depósito prévio,
II - perante órgão incompetente; arrolamento de bens como condição de aceitabilidade
III - por quem não seja legitimado; de recursos.
IV - após exaurida a esfera administrativa. FICA A DICA
§ 1° Na hipótese do inciso II, será indicada ao re- O prazo para interposição de recurso é de dez dias e, após re-
corrente a autoridade competente, sendo-lhe de- cebimento do recurso, a Administração deve intimar os demais
volvido o prazo para recurso. interessados para apresentarem suas alegações no prazo de
§ 2° O não conhecimento do recurso não impede a cinco dias uteis. E a Administração deve decidir no prazo de
30 dias, podendo ser prorrogado por igual período, mediante
Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde
justificação expressa.
que não ocorrida preclusão administrativa.”
Os recursos administrativos no processo
3.6. RECURSO HIERÁRQUICO E RE-
administrativo possuem, em regra, efeito
CURSO HIERÁRQUICO IMPRÓPRIO
devolutivo. Ou seja, toda a matéria recorrida
Número de acertos = ______ 105
Questões resolvidas
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3.8. REVISÃO
Caso surjam fatos novos, poderá o interessado a
qualquer tempo ingressar com um pedido de revisão.
Nesse caso, não poderá haver reformatio in pejus (a
reformatio in pejus é cabível somente em relação aos
recursos).
Cumpre destacar que a Lei 9.784/1999 refere-se à uma lei administrativa federal, ou
seja, os ditames legais previstos nesse diploma aplicam-se à administração pública
federal, direta e indireta, inclusive aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário
da União. Portanto, esse diploma não obriga os estados e municípios ou Distrito
Federal. Entretanto, caso inexista lei específica regulando um determinado processo
administrativo, será este intimamente disciplinado pela Lei 9.784/1999.
Oficialidade: esse princípio refere-se ao fato de que cabe à administração pública realizar
a movimentação e prosseguimento do processo, “impulso oficial do processo”.
Art. 13. da Lei 9784/1999 - Não podem ser objeto de delegação: I - a edição de atos
de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade
TOTAL 48%
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ARTIGOS QUENTES
QUESTÕES
XIV. PROCESSO ADMINISTRATIVO NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL
Art. 2º DA LEI 9784/99 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legali-
dade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contra- 1 a 162
ditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
Art 2º, Parágrafo único DA LEI 9784/99. Nos processos administrativos serão observados, entre
outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito; II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia
total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei;
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou
autoridades;
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na
Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em
medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;
163 a 264
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e
respeito aos direitos dos administrados;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas
e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de
litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim
público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.
Art. 5º DA LEI 9784/99 O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interes-
165 a 284
sado.
Art. 18. DA LEI 9784/99 É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade
que:
I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais 321 a 357
situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou
companheiro.
Art. 58. da Lei 9784/1999 - Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I - os titulares de
direitos e interesses que forem parte no processo;
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela de-cisão recorrida;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e inter-esses coletivos; 358 a 375
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.