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Transmissão da Herança e Inventário

Herança aula de Direito Civil

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Direito Civil

Sucessões

TRANSMISSÃO DA HERANÇA

O momento da transmissão da herança já foi


abordado, sendo o exato instante do falecimento,
oportunidade em que se opera a imediata e
automática transmissão das relações jurídicas do
de cujus aos seus herdeiros. É a abertura da
sucessão.
Não se confunde com a data de abertura do
inventario.
O processo de inventario é o instrumento
próprio para a efetiva transferência dos bens aos
herdeiros, e através dele se faz a identificação
dos sucessores, do acervo hereditário, das
eventuais dividas e obrigações deixadas pelo
falecido, para futura partilha ou adjudicação.
Em seu curso, também, são promovidos os atos
de posse e administração e liquidação da
herança, pagamento de impostos de
transmissão causa mortis, prestadas contas,
definidos e individualizados os quinhões
hereditários etc, tudo para regularizar
juridicamente a sub-rogação dos herdeiros na
titularidade das relações jurídicas objeto da
sucessão.
 Do lugar da instauração do inventario
 Previamente à verificação das regras de
competência interna, definidoras do foro onde
deverá ser promovido o inventario, deve ser
analisada a previsão especifica na legislação
processual sobre a jurisdição exclusiva na Justiça
brasileira para o inventario de bens situados no
território nacional, assim estabelecendo o inc. II do
art. 89 do Código de Processo Civil: “Compete à
autoridade judiciária brasileira, com exclusão de
qualquer outra: (...) II – proceder inventario e
partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o
autor da herança seja estrangeiro e tenha residido
fora do território nacional”.
Nada importa o domicilio no exterior do autor
da herança, ser ele brasileiro ou estrangeiro,
ter falecido aqui ou no exterior.
Necessariamente os bens situados no Brasil
serão aqui inventariados. Existindo bens aqui,
o outros fora do País, a sucessão daqueles faz-
se exclusivamente no Brasil. E escapando à
nossa jurisdição o inventario dos bens situados
no estrangeiro, serão eles objeto de processo
em separado, no país em que e encontrem,
levando à chamada pluralidade de juízo
sucessório, admitida pela jurisprudência, nesta
hipótese especifica, em razão da regra
processual referida.
“A autoridade brasileira não esta impedida de
apreciar a matéria assim como não exclui a
possibilidade de ser a causa julgada em outro
país. Julgada por outro Estado, a sentença
será homologada pelo STJ e, assim, poderá
ser aqui executada”.
será competente o foro da situação dos bens
(CPC, art. 96, parágrafo único, I), ou do lugar
em que ocorreu o óbito, se os bens se
encontrarem em lugares diferentes (CPC, 96,
parágrafo único, II), sempre que não
identificado o domicilio certo do falecido.
 parâmetro para a distribuição
 ações para as quais a competência será determinada
pelo juízo do inventario: nulidade de partilha; deve-se
aplicar o mesmo raciocínio à ação de nulidade ou
anulação de sobrepartilha (CC, art. 2.027); anulatória de
decisão autorizando a expedição de alvará para venda de
bens da herança, execução contra o espolio de
honorários periciais fixados o inventario; ação de
investigação de paternidade cumulada com petição de
herança, reconhecendo a conexão, mesmo já findo o
inventario, determinando a livre distribuição e também
pela distribuição livre, mas considerando ter sido
proposta a ação contra o herdeiro, não contra o espolio,
já encerrado o inventario; ação de sub-rogação de
vinculo imposto por disposições testamentarias; ação
objetivando a confirmação de exclusão de herdeiro
deserdado por testamento, devendo igualmente ser
conexa a ação para excluir herdeiro indigno.
- ações sobre as quais o juízo do inventario
não exerce a vis attractiva, admitindo-se a
livre distribuição: ação de nulidade ou de
anulação de testamento, indenização por ato
ilícito praticado pelo falecido, ação de
cobrança de honorários advocatícios contra o
espolio e inventariante pessoalmente, ação
objetivando a alienação de bem de incapaz,
recebido por herança, ação negatória de
maternidade em face de herdeiro, ação de
reconhecimento de união estável em face do
espolio do falecido companheiro.
 Inventários conjuntos
 Excepcionando a regra geral do domicilio do
falecido, o CPC, em seus arts. 1.043 e 1.044,
estabelece a distribuição de um segundo inventario
por dependência a outro precedente, quando
verificada a possibilidade de se transmitir, em um
mesmo processo, a herança deixada por duas ou
mais pessoas, nas seguintes situações especificas:
 - falecendo o cônjuge meeiro sobrevivente antes da
partilha dos bens de premorto, se os herdeiros de
ambos forem os mesmos (CPC, art. 1.043); e
 - falecendo algum herdeiro admitido no inventario
em curso, quando sua herança se limitar
exclusivamente ao quinhão hereditário no primitivo
inventario (CPC, art. 1.044).
Inventários conjuntos = direitos ou obrigações
conjuntas a mais de uma pessoa falecia
É evidente a economia e a celeridade processual no
seguimento conjunto dos dois inventários, com o
aproveitamento de atos já praticados ou a serem
promovidos (CPC, art. 1.045).
 Indivisibilidade da herança

 Já foi referido que a herança, por expressa disposição

legal (CC, art. 80, II) é tratada juridicamente como


imóvel, independentemente dos bens que a compõem,
e ainda como uma universalidade iuris, ou um todo
unitário, como diz a lei (CC, art. 1.791).
 Além dessa característica, o conjunto de bens e

direitos arrecadados também é tido como indivisível,


mesmo se existirem dois ou mais herdeiros, até a
adição do respectivo quinhão em favor de cada um,
pela partilha, por expressa disposição contida no
parágrafo único do art. 1.791 do CC.
A indivisibilidade da herança refere-se não só
ao domínio, como à própria posse dos bens.
 ACEITAÇÃO E RENUNCIA DA HERANÇA
 Aceitação da herança
 facultado aceitar ou não a herança, em razão do
principio de que ninguém é herdeiro contra a
sua vontade, não se podendo impor a adição do
acervo hereditário, assumindo as obrigações,
encargos, administração de patrimônio etc., se não
existir interesse para tanto.
 Especialmente quanto ao legado, como poderá ocorrer
a imposição de encargos específicos ao legatário,
maior significado tem a sua aquiescência ao
recebimento do beneficio hereditário.
 Assim, a lei exige a deliberação dos sucessores através
de manifestação de vontade reveladora do desejo em
recolher a herança.
A aceitação da herança representa, assim, o
ato jurídico unilateral e necessário pelo qual o
herdeiro, que ao tempo da abertura da
sucessão houvera adquirido, ipso iure, a posse
e a propriedade dos bens da herança,
confirma sua intenção de receber este acervo
que lhe é transmitido.
art. 1.804, ao consignar: “Aceita a herança,
torna-se definitiva a sua transmissão ao
herdeiro, desde a abertura da sucessão”.
Pela legislação de 2002, a aceitação passa a
ser irrevogável, como sempre foi a renuncia
(art. 1.812).
Aceitação da herança para partilhar
 Espécies de aceitação

 Quanto à forma, a aceitação pode ser


expressa, tácita ou presumida.

 Será expressa a aceitação quando feita por


declaração escrita (art. 1.805), por termo nos
autos, por escritura publica ou escrito
particular. A legislação civil brasileira não
admite como aceitação a manifestação oral,
feita, por exemplo, perante terceiros.
Já tácita será a aceitação quando resultar da
prática de atos próprios de qualidade de herdeiro (art.
1.805, 2ª parte). São, por exemplo, atos privativos do
herdeiro que assume esta qualidade, incompatíveis
com a postura de quem recusa ou repudia a herança:
a) a nomeação de advogado, para intervir no
inventario na defesa de seus direitos hereditários; b) a
concordância manifestada com as primeiras
declarações, avaliações e outros atos do processo; c)
a promessa de alienação de imóveis do espólio, ou
cessão, onerosa ou gratuita, de direitos hereditários a
terceiros; d) a posse efetiva de bens do acervo
transmitido, com a respectiva administração
continuada.
E a própria lei restringe a interpretação dos atos
promovidos pelo herdeiro (CC, art. 1.805, § 1º),
evitando sejam considerados como representativos de
aceitação quando revelam, na verdade, simplesmente
o dever moral e familiar de quem os pratica, sendo
inspirados por sentimentos altruísticos e humanitários,
de solidariedade e colaboração. Assim, por exemplo,
não exprimem tacitamente a aceitação: a) atos
oficiosos (como funeral); b) atos meramente
conservatórios de bens para lhes garantir a segurança,
evitar ruína ou perecimento; c) atos de administração
e guarda interina de bens em função de necessidade
urgente.
Por sua vez, a aceitação será presumida quando
provocada por algum interessado (CC, art. 1.807). A
lei autoriza a quem tenha interesse em saber se o
herdeiro irá aceitar ou não a herança – por exemplo, o
credor, os co-herdeiros, ou o eventual sucessor na
falta daquele cuja deliberação se espera – que
requeira a notificação judicial do silene, reclamando o
pronunciamento, dentro de prazo razoável, não
superior a trinta dias. Não se manifestando no prazo
concedido, ter-se-á por aceita a qualidade de
sucessor, uma vez que a renuncia não se presume,
mas a aceitação sim, pela expressa previsão neste
sentido, sendo dispensado qualquer ato comissivo
para se confirmar a adição da herança através dessa
forma.
Se o sucessor falecer antes de aceitar a
herança, a titularidade deste direito transmite-
se aos seus herdeiros.

Imprescindível, porém, que estes novos


herdeiros (sucessores do falecido antes
de manifestar sua aceitação a dada
herança) tenham concordado em receber
a herança daquele em nome de quem
deverão, agora, se pronunciar.
 Também em outra situação específica opera-se a
aceitação indireta, quando o herdeiro repudiar a
herança em prejuízo de seus credores.
 Entretanto, beneficiam-se apenas até o limite de seu
credito.
 Saldada a divida com parte do quinhão, o
remanescente devolve-se à massa, para destino aos
demais sucessores.

 Características da Aceitação
 ato unilateral
 ato exclusivo do herdeiro (exceto credores, etc)
 dispensando a concordância dos demais herdeiros
 é indivisível, não se admitindo no nosso
direito positivo a aceitação parcial da
herança
 é um ato jurídico irretratável
 Deve ser herdeiro legítimo (por
exemplo não é porque aceitou a
herança que já possui este direito
garantido, o direito será averiguado, e
caso não exista a aceitação torna-se
nula.
 Renúncia da herança

 A renúncia da herança é a antítese da


aceitação. Através dela o sucessor manifesta
seu repúdio ao direito hereditário,
despojando-se da qualidade de seu titular.
 É um ato jurídico unilateral e formal, pois se
exige o expresso e explícito pronunciamento
não aceitando a herança a que tem direito,
através de instrumento público ou termo
judicial lançado nos autos do inventario (CC,
art. 1.806).
 só se admite a renuncia quando da
abertura da sucessão, oportunidade em
que nasce o direito hereditário. O
repúdio prematuro, ou promessa de
renuncia, ainda que formal, promovidos
antes do falecimento, não tem validade
jurídica até porque implicariam em
ilegal impacto sucessório.
 a renuncia é também indivisível
 O renunciante considera-se como se
não existisse na condição de herdeiro.
 Alguns doutrinadores identificam duas
espécies de renuncia. A primeira,
abdicativa, através da qual o herdeiro
manifesta o repúdio de forma pura e
simples, e antes de praticar qualquer
ato que possa ser considerado como
aceitação (expressa, tácita ou
presumida). A segunda, translativa,
quando o herdeiro indica determinada
pessoa (sucessor ou não) em favor de
quem renuncia à herança, ou quando
manifestada após a aceitação, em
qualquer de suas modalidades.
 com incidência exclusiva de imposto
causa mortis aos beneficiários
proporcionalmente se apenas abdicativa
e caso ocorra a translativa será cobrado
o imposto causa mortis aos
beneficiários mais o imposto
correspondente a cessão de
direitos/bens, como por exemplo o
ITBI.
 Da mesma forma que a aceitação, a
renuncia é irretratável (CC, art. 1.812),
retroagindo seus efeitos à data do
falecimento do autor da herança.
 Restrições à liberdade de renunciar

 exige-se agente capaz


 depende do consentimento do cônjuge, salvo
se casado pelo regime da separação absoluta
(CC, art. 1.647, I)
 o repúdio não pode ser lesivo a credores do
renunciante (CC, art. 1.813)
 Veja-se que a renuncia é valida para o
herdeiro e demais sucessores
 Efeitos da renúncia
 seu quinhão hereditário passa a integrar o acervo
comum, seguindo o seu destino como se inexistente
o herdeiro renunciante
 na sucessão legítima, havendo co-herdeiros da
mesma classe, a estes será acrescida a parte do
renunciante. Sendo ele o único herdeiro da classe, ou
se todos os outros também renunciarem, serão
chamados à sucessão os sucessores da classe
seguinte (CC, art. 1.811)
 recebendo por direito próprio e por cabeça,
dividindo-se a herança em tantas partes quantos
sejam eles
 não haverá direito de representação do
herdeiro renunciante pelos seus descendentes

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