Anomalias anorretais
• Meninos – Fístula retouretral. 2) Hidratação IV seguindo a regra de Holiday
• Meninas – Mais frequente a fístula retovestibular.
PATOGÊNESE
• Associada a alterações embriológicas relacionadas à
parada da descida do septo urorretal (divide o seio 3) ATB amplo espectro
urogenital anterior e canal anorretal posterior) em direção 4) Sonda nasográstrica para descompressão
à membrana cloacal. 5) Exames complementares
• Falha na formação do septo → Fístulas. • Na tomada de decisão, precisamos considerar a altura
da malformação anorretal.
• A associação com outras anomalias (VACTERL)
representa 60% dos casos. → Malformação baixa – Anorretoplastia em tempo
único sem colostomia prévia.
CLASSIFICAÇÃO → Malformação alta – Colostomia descompressiva em
duas bocas + adiamento da correção definitiva da
• Baseada no nível em que o coto retal com
anomalia.
extremidade cega termina em relação ao músculo
elevador do ânus (músculo responsável pela • Exteriorização de mecônio por fístula perineal ~ Fístula
continência fecal). baixa.
• No sexo feminino as fístulas costumam acometer o trato → INVERTOGRAMA:
genital, porque ele se interpõe entre as vias urinárias e o - Indicado após 24h de vida sem eliminação de
reto. Em meninos, costuma haver comprometimento do mecônio (quando não se consegue estabelecer um
sistema urinário. diagnóstico preciso da altura da fístula ou coto retal)
- Incidência de Wangesteen-Rice
- Determina a distância entre o fundo cego retal e a pele
anal:
> 01 cm = Colostomia
<= 01 cm = Anoplastia perineal imediata, sem
colostomia
- Deve ser realizado 6-12h após a instituição das medidas
de suporte, a menos que seja um paciente muito
• Os principais sinais clínicos são: distendido, quando fazemos de imediato.
1) Não eliminação do mecônio - Se há fístula o invertograma não vai funcionar.
2) Saída do mecônio por fístula perineal, urinária
ou vestibular. → COLOGRAMA:
- Contraste iodado
→ Fístula retoperineal: - Investigar fístula
Malformação baixa. Identificada pela saída de mecônio - Se o paciente já apresenta fístula, não precisa
pela pele do períneo. fazer. Fazemos em situação de insegurança.
→ Ânus imperfurado sem fístula: → BUSCA DE OUTRAS ANOMALIAS (VACTERL):
Defeito pouco comum. O reto termina em fundo cego, 1 a - Quanto mais alta a malformação anorretal, mais
2cm acima do períneo. Não se observa eliminação de frequente é a associação com anomalias urológicas.
mecônio por nenhum orifício. - Radiografia simples da coluna vertebral
Em meninas, um único orifício é compatível com cloaca. - USG de medula espinhal
Se dois orifícios forem vistos (uretra e vagina), é - USG renal e de vias urinárias
compatível com ânus imperfurado. - Ecocardiograma
* As malformações urológicas associadas não
→ Ânus imperfurado associado a uma fístula
incluem a fístula, mas rim único, refluxo vesico-
retovestibular ou retovaginal:
ureteral, continência urinária, continência fecal,
Observa-se a saída do mecônio através do orifício vaginal,
etc.
e podemos identificar a fístula no vestíbulo.
* Razão sacral (VN 0,74) – Uma proporção sacral
→ Fístula retouretral / retoprostática / retovesical: abaixo do valor normal está associada a maiores
Observação da eliminação de mecônio através da uretra. chances de incontinência fecal, pois revelam
Indica uma fístula alta. problemas na inervação.
QUADRO CLÍNICO TRATAMENTO CIRÚRGICO
• Distensão abdominal → Lesões baixas: anorretoplastia em tempo único, sem
• Vômitos biliosos colostomia, por meio de abordagem perineal.
• Ausência de ânus
→ Lesões altas: reconstrução em 3 tempos:
• Peritonite / septicemia (se atendimento tardio)
1) Colostomia terminal do cólon sigmoide + fístula
CONDUTA mucosa
2) Aos 2-4 meses de idade, dividir a fístula retourinária ou
1) Dieta 0 retovaginal com tração do coto retal terminal para a
posição anal normal (cirurgia de Peña).
3) Dilatações anais sucessivas
4) Fechamento da colostomia
• Acompanhamento após anorretoplastia:
- Até 15 dias
- Evitar sentar
- Limpeza diária
- ATB (metronidazol + gentamicina)
• Após 15 dias:
- Iniciar dilatações anais com as velas de Hegar. Somente
quando o tamanho desejado for alcançado podemos
fechar a colostomia.
- 1x/dia se feito em ambulatório
- 2x/dia se feito pela família.
COMPLICAÇÕES
• Imediatas → Sangramentos e infecções
• Tardias → Incontinência fecal e constipação
* Incontinência fecal = Excluir fecaloma e soiling, correção
da dieta, avaliar a necessidade de fitoterapia, cirurgia de
Malone.
* Constipação = Correção da dieta, avaliar a possibilidade
de estenose, cirurgia de Malone.