Educação Empreendedora: Um estudo do
Projeto Empreendedorismo 10.0 aplicado aos
alunos do Curso Técnico em Informática
Cristina Lúcia Janini Lopes
Mestre em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas.
Resumo
O processo educativo de hoje deve estimular novas habilidades, atitudes e capazes de dar oportunida-
de para que desenvolva potenciais, independentemente da condição social e área de estudo.
Nesse sentido a Educação Empreendedora abre um conjunto de opções, oportunidades e possibilida-
des de aprendizado ao aluno que vai além dos conceitos puramente técnicos, proporcionando a eles
um caminho novo, pautado em descobertas em direção ao desenvolvimento e ao crescimento profis-
sional, com intuito de provocar um estímulo à mudança de comportamento.
Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de um Projeto que investigou como a práti-
ca empreendedora impulsiona resultados concretos de melhoria de habilidades comportamentais. O
Projeto foi realizado entre os meses de fevereiro a junho dos anos de 2012 e 2013 com alunos do curso
Técnico em Informática do IFSULDEMINAS.De acordo com o referencial teórico pesquisado foi per-
cebido que o empreendedorismo pode ser aprendido e praticado e a educação empreendedora pode
ser uma maneira de criarmos essa cultura de inovação e autonomia nos nossos alunos. Além disso,
existem alguns eixos que estão norteando a incorporação da Educação Empreendedora, como a Lei
da Inovação, A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, os Quatro Pilares da Educação da UNESCO.
Palavras-chave: educação, empreendedorismo, negócio.
A Educação Empreendedora vem ganhando O estudo aqui apresentado é resultado de
espaço dentro dos cursos técnicos, como também um Projeto desenvolvido nos anos de 2012 e 2013
em cursos superiores, e a escola representa uma com alunos do curso técnico de Informática, do
entidade fundamental para a promoção de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecno-
ambiente empreendedor. Existe, porém, o desa- logia do Sul de Minas Gerais – IFSULDEMINAS,
fio de educar para o empreendedorismo, pois não cujo principal objetivo consistiu em ações para
apenas se formam empreendedores de negócios, promover nos alunos competências técnicas e ati-
mas também empreendedores da própria vida tudes que lhes permitissem empreender.
pessoal e profissional. Nesse âmbito, a pesquisa efetuada explora o
Nesse sentido a Educação Empreendedora tema da Educação para o empreendedorismo em
abre um conjunto de opções, oportunidades e torno de três eixos: Lei da Inovação que represen-
possibilidades de aprendizado ao aluno que vai ta um momento de vontade política em relação à
além dos conceitos puramente técnicos, propor- articulação entre sociedade e Educação em favor
cionando a eles um caminho novo, pautado em do desenvolvimento tecnológico e econômico do
descobertas em direção ao desenvolvimento e ao Brasil. Esse marco deve estimular a instalar o em-
crescimento profissional, com intuito de provo- preendedorismo dentro da pedagogia e seus mé-
car uma mudança de comportamento. todos e estudos didáticos não apenas como uma
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disciplina isolada, mas como uma ferramenta de metas. Ele mantém um alto grau de consciência
apoio em todas as disciplinas. do ambiente em que vive usando-a para captu-
A Lei de Diretrizes e Bases que apresenta em rar oportunidades de negócios. Observa-se que o
seu Artigo 39º uma visão nova para a Educação empreendedor que continua a aprender a respeito
Profissional que deve conduzir o cidadão ao de- de oportunidades e a tomar decisões continuará a
senvolvimento de aptidões para a vida produtiva desempenhar um papel empreendedor.
e integrar às diferentes formas de educação, ao A ação é fundamental no processo de edu-
trabalho, à ciência e à tecnologia. cação empreendedora, de acordo com Heidi Neck
Essa abordagem mostra que se faz impor- (2013) professora do Babson College, em Wellen-
tante a preparação para além do domínio ope- ley, EUA, tem como primeiro passo permitir que
racional chegando à menção de que a educação os alunos experimentem a realidade, para depois
deve permitir o desenvolvimento de competên- aprenderem conceitos e, por fim, construir novas
cias e habilidades para que os alunos sejam mais empresas ou produtos. Para Heidi, o método de
autônomos e que haja espaço para a Educação trabalho criado por ela tem cinco práticas funda-
Empreendedora. mentais para ajudar o aluno a agir de forma em-
E por fim os Quatro Pilares da Educação que preendedora que se baseia na ação, na prática e na
destacou que a base da educação deve orientar as reflexão: Prática de brincar com a Ideias, Prática
instituições de ensino a implementarem uma me- de Empatia, Prática de Criação, Prática de Expe-
todologia inovadora baseada no desenvolvimento rimentação e Prática de Reflexão. Estas práticas
de competências.Isso ultrapassa a educação ins- constroem a capacidade de aprendizagem empre-
trumental e aborda uma visão empreendedora, sarial, e empreendedores de todos os tipos podem
que vê o ambiente educacional como meio de navegar em um mundo em constante mudança e
criar o novo. incerto. O método vai além da compreensão, co-
Quanto às características do estudo, este é es- nhecer e falar. Ele requer a ordem de agir, apren-
sencialmente descritivo e analítico e centra-se em der e construir. Para ela, educadores têm a res-
uma atividade recente e em contexto real, explo- ponsabilidade de implementar ambientes, onde
rando as técnicas e ferramentas usadas nas aulas haja a probabilidade dos alunos identificarem e
de empreendedorismo aplicadas nos alunos. Os capturarem a oportunidade, isto é, a educação
alunos vivenciaram um negócio real, formado por empreendedora é sobretudo a criação de novas
eles através das ferramentas de empreendedorismo. oportunidades e execução do incerto.
Os resultados apontam que a disciplina de Drucker (1997) argumenta que empreen-
empreendedorismo está presente nos três anos do dedorismo é uma disciplina que pode ser ensi-
curso de Técnico de Informática e ganha desta- nada e aprendida, e que leva o empreendedor a
que no último ano, possibilitando aos alunos ob- tomar conhecimento de como e onde pode obter
ter experiência real de um negócio, criado e prati- o sucesso. Resumindo, para ele a essência do em-
cado por ele, num trabalho em grupo, articulado preendedor é transformar ideias inovadoras em
com todos os professores. ações lucrativas, já que o empreendedor vê nas
mudanças as oportunidades de negócios.
A discussão frente ao empreendedorismo
que pode ser aprendido apresenta inúmeras pes-
Empreendedorismo pode ser quisas a respeito. Neste sentido pondera-se que
aprendido o papel da escola é de suma importância para a
concretização desse aprendizado. Rabbior (1990
em Guimarães, 2002) cita como objetivos da edu-
Conforme Barreto (apud Júnior, Araújo, cação empreendedora:
Wolf, Ribeiro, 2006) refere a capacidade em- ◆◆ Conscientizar a respeito do empreendedo-
preendedora, não como uma característica de rismo e da carreira empreendedora;
personalidade, mas como um comportamento. ◆◆ Influenciar atitudes, habilidades e compor-
Assim, entende-se que o indivíduo não nasce tamentos empreendedores;
empreendedor, mas pode tornar-se empreende- ◆◆ Desenvolver qualidades pessoais relaciona-
dor. De acordo com Filion (1999), o empreende- das às competências necessárias para o mun-
dor é uma pessoa muito criativa, marcada pela do moderno: criatividade, assumir riscos e
capacidade de estabelecer e atingir objetivos e assumir responsabilidades;
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◆◆ Incentivar e desenvolver empreendedores; disciplina isolada, mas como uma ferramenta de
◆◆ Estimular a criação de negócios; apoio em todas as disciplinas de qualquer curso,
◆◆ Gerar empregos; seja universitário ou técnico. Caso contrário, não
◆◆ Desenvolver conhecimentos, técnicas e ha- há como explorar o comportamento empreen-
bilidades focados no mundo dos negócios e dedor entre os alunos e incentivar a geração de
necessários para a criação de uma empresa; conhecimento
◆◆ Auxiliar empreendedores e empresas, atra- Conforme, Figueiredo e Leite (2006), na era
vés de conhecimento e ferramentas, a me- da inovação contínua, o processo de produção do
lhorar sua competitividade. conhecimento, como se processa nas Instituições
Assim, a Educação Empreendedora oportu- de ensino brasileiras, chegará a um ponto de es-
niza ao estudante enxergar e avaliar determinada gotamento criativo porque não há a experiência
situação, assumindo uma posição proativa frente da aplicabilidade prática de tal conhecimento
a ela, capacitando-o a elaborar e planejar formas para o serviço da sociedade.
e estratégias de interagir com aquilo que ele pas- A Lei de Inovação abre a possibilidade da
sou a perceber. aproximação entre a geração de conhecimento e o
A Educação Empreendedora auxilia na com- empreendedor, resultando que o ensino deve dei-
preensão da realidade, estimulando a reflexão so- xar de ser avaliado como o objetivo exclusivo da
bre transformações e inovações, buscando ações universidade, que deve se voltar para o fomento
planejadas e tecnicamente embasadas, além de do empreendedorismo, através da pesquisa pura,
estimular e compelir a transformar positivamen- aplicada ou tecnológica, propondo um ambiente
te sua realidade, nas esferas pessoal, econômica e especializado e cooperativo de inovação.
social (SEBRAE/PRONATEC, 2013)
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional.
Eixos norteadores da Edu-
cação Empreendedora A LDB define e regulariza o sistema de Edu-
cação brasileiro com base nos princípios presen-
tes na Constituição. Lei nº 9.394, de 20 de dezem-
Lei de inovação. bro de 1996.
A Lei contém as Diretrizes e Bases que
A Lei de Inovação Tecnológica Nº 10.973, orientam a Educação Nacional (BRASIL, 1996)
aprovada em 2 de dezembro de 2004 e regula- atualmente e nos próximos anos.
mentada em 11 de outubro de 2005 pelo Decreto Segundo Cordão (2011) a LDB reservou um
Nº 5.563, está organizada em torno de três eixos: espaço privilegiado para a Educação Profissional.
a constituição de ambiente propício a parcerias Ela ocupa um capítulo específico que trata dos
estratégicas entre universidades, institutos tecno- níveis e das modalidades de educação e ensino,
lógicos e empresas; o estímulo à participação de sendo considerada como um fator estratégico de
institutos de ciência e tecnologia no processo de competitividade e de desenvolvimento humano
inovação; e o estímulo à inovação na empresa. na nova ordem econômica mundial. Além disso, a
O governo federal criou uma legislação es- Educação Profissional articula-se, de forma inova-
pecífica para estimular a inovação tecnológica, dora, com a Educação Básica, dando importância
partindo do princípio de que a inovação é um veí- para o desenvolvimento econômico e social e a sua
culo para transformar o conhecimento em rique- relação com os vários níveis da educação escolar.
za e melhoria da qualidade de vida da população. As novas Diretrizes Curriculares Nacionais
Nesse sentido a Lei de Inovação representa para a Educação Profissional de Nível Técnico
um momento de vontade política em relação à estão centradas no conceito de competências por
articulação entre sociedade e Educação em favor área profissional. Do técnico será exigida tanto
do desenvolvimento tecnológico e econômico do uma escolaridade básica sólida quanto uma edu-
Brasil. Esse marco deve estimular a instalar o em- cação profissional mais ampla e polivalente.
preendedorismo dentro da pedagogia e seus mé- A LDB, apresenta em seu Artigo 39º uma
todos e estudos didáticos não apenas como uma visão nova para a Educação Profissional que deve
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conduzir o cidadão “ao permanente desenvolvi- Fundamentados nos quatro pilares, pode-
mento de aptidões para a vida produtiva”, intima- se pensar em uma escola com espaço de inte-
mente “integrada às diferentes formas de educa- ração, de participação e de articulação entre os
ção, ao trabalho, à ciência e à tecnologia.” segmentos, buscando sempre o respeito mútuo, a
Essa abordagem mostra que se faz importan- criatividade, o construtivismo, a solidariedade, a
te a preparação para além do domínio operacional cidadania, desenvolvendo habilidades que levem
chegando à menção de que a educação deve per- os alunos a serem agentes do seu próprio saber e
mitir o desenvolvimento de competências e habili- construtores de novos horizontes que possibilite
dades para que os alunos sejam mais autônomos e uma vida mais feliz e produtiva.
que haja espaço para a Educação Empreendedora.
Materiais e Métodos.
Quatro pilares da educação para
século 21 da UNESCO. O universo do levantamento de informa-
ções foi composto pelo IFSULDEMINAS, Insti-
Pode-se observar que os Quatro Pilares da tuto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
Educação (UNESCO,1998), sob a coordenação de do Sul de Minas Gerais, campi de Muzambinho
Jacques Delors, destacou que a base da educação com enfoque para o curso Técnico em Informá-
deve orientar as instituições de ensino a imple- tica. O estudo realizado foi de cunho descritivo,
mentarem uma metodologia inovadora baseada visto que ocorrências foram observadas, regis-
no desenvolvimento de competências que pri- tradas e correlacionadas, sem manipulação das
vilegia um desenvolvimento integral da pessoa variáveis (Cervo & Bervian, 2002).
capacitando-a para atuar na sociedade com toda O levantamento de dados ocorreu entre os
a sua plenitude, buscando realização da pessoa meses de fevereiro a junho de 2012 e fevereiro a
profissional e intelectual. junho de 2013 com alunos do segundo e terceiro
Isso ultrapassa a educação instrumental e ano do curso.
aborda uma visão empreendedora, que vê o am- A primeira etapa, no ano de 2012 teve o obje-
biente educacional como meio de criar o novo. tivo de inspirar e fazer com que o aluno investigas-
O primeiro dos Quatro Pilares da Edu- se suas características e habilidades empreendedo-
cação é aprender a conhecer, que significa do- ras através de dinâmicas, estudos de caso, vídeos e
minar os instrumentos do conhecimento, o textos, nesta fase busca-se instigar pela Prática de
desenvolvimento do desejo e das capacidades Brincar com a Ideia e a Prática da Empatia. Além
de aprender a aprender e compreender o mundo disso, foi conhecido alguns empreendedores, suas
que nos cerca. experiências, a ideia que deu certo, os erros, frus-
O segundo pilar é aprender a fazer, que se- trações que acometem quem tem a coragem de
gundo o relatório implica no desenvolvimento de ousar. A segunda etapa, no ano de 2013 teve o
competências que envolvem experiências sociais objetivo de oferecer ferramentas para o desenvol-
e de trabalho diversas que possibilitem às pessoas vimento de um Modelo de Negócio e a partir daí
enfrentar, de forma mais autêntica, as diversas colocar em prática a ideia criada, nesta fase bus-
situações e a apresentarem um melhor desempe- ca-se instigar pela Prática de Criação, Prática de
nho no trabalho em grupo. Experimentação e por fim a Prática da Reflexão.
O terceiro pilar é aprender a viver, desenvol-
vendo a compreensão do outro e a percepção das
interdependências, no sentido de realizar proje- Resultados e Discussões.
tos comuns e preparar para gerir conflitos.
O quarto pilar é aprender a ser, oportuni- A pesquisa buscou analisar a aplicação de
zando o desenvolvimento total da pessoa, isto é, um Projeto na disciplina de empreendedorismo
espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sen- no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tec-
tido estético, responsabilidade pessoal e espiri- nologia do Sul de Minas Gerais e sua influência
tualidade, possibilitando ao mesmo um potencial no comportamento empreendedor dos estudan-
significativo que permita um pensamento reflexi- tes a partir das experiências adquiridas.
vo e crítico.
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Alunos participantes e seus compor- persistência e conhecimento, conforme depoi-
tamentos. mentos a seguir:
Foram aplicadas dinâmicas e demais técni- “Foi a nossa primeira experiência de trabalho”
cas que pudessem abrir o leque de conhecimento “...a concorrência é grande e não podemos
e percepção dos alunos do curso Técnico em In- perder”
formática, com o intuito de buscar instigar a Prá- “Primeiro perguntamos ao cliente o que ele
tica de brincar com ideia e a Prática de empatia. quer, depois fazemos.”
Pode-se observar que a partir do lúdico, cria-se “...tivemos que lidar com conflitos e aprender
um ambiente propício para a descoberta de ha- a continuar juntos”.
bilidades até antes desconhecidas. Neste hiato, “Nunca pensei que seria capaz de ter um negó-
alguns alunos mostraram-se mais aptos a liderar, cio só meu. Agora eu sei que sou capaz.”
outros se identificaram como cooperativos, mas
ainda encontram-se aqueles que precisam ser Finalizando o Projeto, o valor arrecadado
guiados por ações de outros. com o Negócio foi revertido em uma Doação a
Já para a segunda etapa, que buscou identi- uma entidade da cidade, escolhida pelos alunos e
ficar a Prática de Criação e de Experimentação, entregue também por eles, viabilizando um com-
inicialmente foi feito um brainstorming e cada portamento social. O Projeto mais lucrativo e a
um expôs a sua ideia para um par, desta forma os Ideia mais Criativa foram premiados.
conflitos apareceram, pois precisavam escolher
apenas uma das ideias criadas. A mesma técnica
foi aplicada até que apenas algumas ideias fossem
escolhidas e aprovadas. Algumas habilidades Considerações finais
apareceram como a criatividade e a persistência.
É importante pensar sobre o tema de Educa-
ção e de Empreendedorismo de forma contínua,
Atividades Práticas dos alunos. pois ambos desenvolvem habilidades múltiplas,
melhora o raciocínio, a criatividade, buscando
A etapa de Experimentação foi conquistada fazer que o aluno alcance autonomia na sua vida
ao longo do semestre, pois a ideia criada e esco- pessoal e profissional, articulando em busca de
lhida pelo grupo passou pelo Model Canvas, para um futuro melhor.
que a mesma fosse transformada em um negócio. Os resultados apontam para melhoria no
Esse modelo foi transformado em um vídeo e comportamento, evidenciados em situações de
apresentado aos professores para que estes inves- atrelar a criatividade com o conhecimento adqui-
tissem R$ 10,00 na ideia. Assim, cada grupo con- rido, maior interesse nas atividades e percepção
quistou o investimento de um professor “anjo”. de que a educação pode ser meio de crescimento
Os alunos desenvolveram habilidades em futuro.
Negócio, pois tiveram que colocar em prática os Pode-se perceber que o ensino do empreen-
conhecimentos adquiridos em Marketing, Produ- dedorismo pode ser um grande aliado na edu-
ção, Recursos Humanos e Finanças aplicados aos cação, pois permite que a escola forme agentes
seus empreendimentos. Usaram o valor que rece- de mudanças. Isso se reflete sobre as condições
beram de investimento, aplicaram e tiveram que para melhora na autonomia e independência,
obter resultados positivos. pois adquirem percepção de que o planejamento
As habilidades foram aparecendo ao longo é parte importante para o alcance dos resultados
do semestre, mas nessa etapa elas foram muito satisfatórios.
mais marcantes, pois quando a Prática realmente
prevalece, as iniciativas devem ser mais concretas.
A Etapa de Reflexão aconteceu no fechamen-
to do Projeto, quando os alunos tiveram que apre-
sentar a toda à sala e aos professores os relatórios
e resultados alcançados. Eles puderam observar
que um empreendimento requer muita dedicação,
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Entrepreneurial Education: study 10.0 Entrepreneurship Project
applied to the students of the Technical Course in Computers
Abstract
The educational process today should encourage new skills, attitudes and able to give that opportunity
to develop potential, irrespective of social status and study area. In this sense the Entrepreneurial Edu-
cation opens a set of options, opportunities and possibilities for the student learning that goes beyond
the purely technical concepts, giving them a new way, based on discoveries toward the development
and professional growth in order to provoke a stimulus behavioral change. This article aims to present
the results of a project that investigated how the entrepreneurial practice boosts concrete results in
improving behavioral skills. The Project was carried out between the months from February to June of
the years 2012 and 2013 with students from Computer Technician course at the Instituto de Educação,
Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, Campus Muzambinho. According to the theoretical
framework researched the culture of innovation and entrepreneurship can be learned and practiced
and entrepreneurial education can be a way to create this culture in Brazil. In addition, there are some
axes that are guiding the incorporation of Entrepreneurial Education, as the Innovation Law, The Law
of Guidelines and Bases of Education, the Four Pillars of Education UNESCO and more recently the
National Program for Access to Technical Education and Employment and SEBRAE establishing a
compulsory subject for some courses in technical education.
Keywords: education, entrepreneurship, business.
Rev. de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia, 1(1): 39-44, 2014 - ISSN 2359-3539 44