Disciplina de Biologia I.
Professor: Daniel Derrossi Meyer
REINO PROTISTA
ALGAS PROTISTAS: referem-se a organismos fotossintetizantes, apresentando pigmentos
fotossintéticos variados para cada grupo. Vivem em ambientes aquáticos (marinhos e de água
doce) ou terrestres úmidos. Algumas algas são unicelulares (isoladas ou coloniais) e outras
pluricelulares. Estas últimas são denominadas talófitas e não apresentam tecidos verdadeiros,
apesar de serem pluricelulares. A maioria das algas flutuam na superfície da água, formando o
fitoplâncton que apresenta grande importância ecológica em função da liberação de grande
quantidade de oxigênio para o ambiente. Sabe-se que cerca de 90% do excedente de O2 produzido
no planeta é proveniente do fitoplâncton. Além disso, elas constituem a base da cadeia alimentar
em ecossistemas aquáticos, formando o nível trófico dos produtores.
ALGAS UNICELULARES. São classificadas em:
Euglenophyta – unicelulares fotossintetizantes e heterotróficos, e possuem dois flagelos. Algumas
euglenofitas podem perder a capacidade de fotossíntese se permanecerem em locais sem luz.
Assim, ganham potencial de heterotrofia. Quando o organismo tem potencial para ser tanto
autotrófico quanto heterotrófico, damos o nome de organismo mixotrófico. Adaptam-se facilmente
a ambientes contaminados com grande carga de esgoto. A reprodução ocorre por divisão binária.
Encontradas em águas doces e marinhas. Possuem uma estrutura chamada estigma (em
vermelho), que proporciona a orientação da célula em direção à fonte luminosa. Não apresentam
parede celular. Além disso, apresentam um vacúolo pulsátil ou contrátil capaz de expulsar o
excesso de água por osmose.
Dinophyta ou Pyrrophyta – unicelulares fotossintetizantes. Encontrados em águas doces e
marinhas. Possuem dois flagelos e um endoesqueleto com deposição de celulose. Reproduzem-se
por fissão binária ou formação de gametas. O gênero Noctiluca é responsável pela
bioluminescência marinha. A espécie Gonyaulax catenela é tóxica, e está relacionada com o
fenômeno da maré vermelha, havendo intensa proliferação desses dinoflagelados, liberando
toxinas e ocasionando a mortandade dos organismos presentes nas águas.
Bacillariophyta – Representado pelas diatomáceas. São unicelulares fotossintetizantes. Suas
células possuem uma parede rígida, chamada frústula ou carapaça, formada por depósitos de sílica
e sem celulose. Não possuem cílios nem flagelos, mas seu deslocamento está relacionado com
secreções que auxiliam no deslizamento. A reprodução pode ser por fissão binária ou com
formação de gametas.
ALGAS UNI E PLURICELULARES
Divisão Clorofita (Algas Verdes)
Deram origem às plantas terrestres;
Podem ser unicelulares ou pluricelulares;
Habitat diverso: aquático ou terrestre úmido, água doce ou salgada, bentônicos ou
planctônicos;
Assim como outras algas, são responsáveis por grande parte da produção de O2 mundial (alta
capacidade reprodutiva em pouco tempo);
Pigmentos fotossintéticos: clorofilas a e b; carotenos e xantofilas;
Reprodução assexuada (variada) e sexuada (isogamia, anisogamia e oogamia).
Divisão Rodofita (Algas Vermelhas)
Maioria pluricelulares;
Ciclo reprodutivo complexo (em geral é trifásico), alternância de gerações;
Pigmentos fotossintéticos: ficobilinas: ficoeritrina (pigmento vermelho) + ficocianina
(pigmento azul), clorofila a e d, caroteno e xantofilas;
Grande maioria é marinha;
Bentônicos, podendo ter exemplares vivendo no limite da plataforma continental (200 m de
profundidade);
Importância econômica: Ágar-ágar (utilizado na fabricação de meios de cultura para micro-
organismos e de laxantes).
Divisão Feófita (Algas Pardas)
Todas pluricelulares;
Maioria de água salgada;
Importância econômica: algina (utilizada da fabricação de sorvetes) e adubos (ricas em
potássio, fósforo e iodo); algumas espécies são usadas em sushi;
Reprodução por alternância de gerações;
Pigmentos fotossintéticos: clorofilas a e c, carotenos e xantofilas.
PROTOZOÁRIOS: O termo se deriva do grego, significando “primeiro animal”, e é empregado para
designar eucariotos unicelulares heterotróficos, que obtêm nutrientes através de ingestão ou
absorção; são organismos aclorofilados e todos unicelulares. Não apresentam parede celular.
Estão presentes nos mais variados ambientes (marinho, água doce, ambiente terrestre úmido, além
de algumas espécies ser comensais ou parasitas). A maioria das espécies é de vida livre. Algumas
são parasitas, existindo algumas espécies comensais e outras que estabelecem uma relação de
mutualismo com outros organismos. O glicogênio é a principal substância de reserva. O critério
utilizado ainda hoje para a classificação dos protozoários é o tipo de organela para a locomoção.
Por se tratar de um sistema de classificação artificial, alguns grupos são considerados polifiléticos,
ou seja, não provêm do mesmo ancestral comum.
1. Sarcodina (amebas): esse grupo de protozoários é capaz de emitir pseudópodes (falsos pés),
que são expansões da membrana plasmática, relacionadas à locomoção e à captura de alimentos
por meio de fagocitose. As amebas de água doce possuem vacúolos contráteis que eliminam o
excesso de água que entra na célula por osmose. A reprodução dá-se por fissão binária, em que
uma célula divide-se, originando duas idênticas à célula inicial. As amebas são representantes
típicos das sarcodinas. Algumas amebas são de vida livre, como Amoeba proteus. Outras são
parasitas, como Entamoeba histolytica, existindo ainda espécies comensais, como Entomoeba coli
e Entamoeba gingivalis que vivem, respectivamente, no intestino grosso e na boca do homem. O
comensalismo é uma relação ecológica interespecífica em que um organismo é beneficiado e,
para o outro, a associação é indiferente. Além das amebas, essa classe contém protozoários que
apresentam carapaças externas, relacionadas à proteção e à sustentação, constituídas por
calcário ou sílica. Tais protozoários são os foraminíferos, os radiolários e os heliozoários. Muitos
deles estão associados ao registro fóssil e nas investigações para prospectar petróleo.
Fig. 1: Estrutura típica de uma ameba
2. Mastigophora (flagelados): organismos que possuem flagelo, sendo esse utilizado para
locomoção e captura de partículas de alimentos. Parasitas ou de vida livre, em ambientes
aquáticos. A reprodução assexuada é por divisão binária. A maioria dos flagelados é de vida livre.
Algumas espécies causam doenças no homem, como os seguintes protozoários: Trypanosoma
cruzi, Leishmania brasiliensis, Leishmania donovani, Giardia lamblia e Trichomonas vaginalis.
Algumas espécies desse grupo estabelecem uma relação de mutualismo com outros organismos.
Esses protozoários habitam o intestino de cupins, produzindo a enzima celulase que digere a
celulose ingerida por esses animais.
3. Ciliophora (ciliados): os protozoários dessa classe apresentam célula contornada por cílios
que auxiliam na sua locomoção e na captura de alimentos. Os cílios são mais curtos e numerosos
do que os flagelos. A reprodução ocorre por fissão binária (reprodução assexuada) ou por
conjugação (reprodução sexuada) com troca de material genético entre dois organismos. Os
paramécios (Paramecium sp) possuem uma estrutura denominada citóstoma, através da qual
ocorre a ingestão de partículas. Apresentam vacúolos digestivos, que se movem pelo citoplasma
da célula, promovendo a distribuição de nutrientes. A maioria dos ciliados é de vida livre, sendo
encontrados principalmente em água doce. Não há espécies de importância médica para o homem.
Em geral, os protozoários ciliados apresentam dois núcleos: o macronúcleo que controla as
funções vitais e o micronúcleo que controla os processos de reprodução. Nas espécies de água
doce, o citoplasma contém vacúolos contráteis ou pulsáteis que eliminam o excesso de água que
penetrou na célula por osmose.
Fig. 2: Estrutura típica de um ciliado
4. Sporozoa (esporozoários ou apicomplexos): os protozoários dessa classe não apresentam
organelas de locomoção. As espécies mais importantes são Plasmodium vivax, Plasmodium
malariae, Plasmodium falciparum e Toxoplasma gondii. A obtenção de nutrientes dá-se
exclusivamente por absorção de substâncias do hospedeiro; todos os representantes desse grupo
são parasitas. A reprodução ocorre por esporogonia, que ocorre após a formação do zigoto, que
sofre encistamento, seguido de meiose, dando origem a 4 esporozoítos haploides. Após sucessivas
mitoses, os esporozoítos liberam-se dos cistos. Ex.: Plasmodium sp.
Doenças causadas por protozoários:
1. Doença ou Mal de Chagas:
Agente causador: Trypanosoma cruzi (Mastigophora)
. Contágio: propagação do inseto
Hospedeiro Intermediário: Barbeiro
Hospedeiro Definitivo:Homem
Fig. 3: Ciclo de vida do Trypanosoma cruzi
Ciclo evolutivo é do tipo heteroxeno. O barbeiro hematófago contaminado, ao sugar o sangue
humano, defeca nas proximidades da picada. As formas flageladas que são as formas
contaminantes do parasita são liberadas nas fezes do barbeiro. O indivíduo, ao coçar-se, espalha
as fezes, permitindo a penetração do parasita. Estes penetram no tecido subcutâneo e atingem a
circulação sanguínea. Por meio dela, os protozoários poderão atingir diversos tecidos e órgãos. Os
tripanossomos provocam intensa atividade nos órgãos atingidos, o que eleva à hipertrofia
(aumento exagerado). Um dos órgãos mais afetados é o coração, cujo crescimento exagerado,
denominado cardiomegalia, compromete o seu funcionamento, podendo levar o indivíduo à morte.
Ciclo Natural: estudando a distribuição geográfica e o comportamento da doença de Chagas hoje,
podemos inferir que ela era uma doença exclusivamente de animais e barbeiros silvestres. Admite–
se que o ciclo primitivo da doença envolvia apenas mamíferos silvestres (tatu, gambá, morcego,
etc.) e barbeiros. O Trypanosoma cruzi não determina lesões nesses animais, havendo, portanto,
um sistema de equilíbrio entre as duas espécies. Esses animais são considerados reservatórios
naturais da doença. Posteriormente, passou para o homem, à medida que este modificou ou
destruiu o ciclo silvestre natural. Sua adaptação foi rápida, pois, além do abrigo, a alimentação
tornou–se fácil devido à presença do homem e de seus animais domésticos (cães, gatos, etc.). A
doença de Chagas tornou–se uma zoonose típica. Da zona rural tem passado para as zonas
periurbanas e urbanas, uma vez que o camponês, no êxodo rural existente em nosso meio,
construiu a favela e, junto com a mudança, trouxe exemplares de barbeiros. O barbeiro é um inseto
hematófago que vive escondido, durante o dia, nas frestas das casas de pau–a–pique saindo à
noite para alimentar–se, sugando o sangue de homens e de outros animais.
Transmissão:
Fezes do barbeiro hematófago contaminado;
Transfusão sanguínea;
Transmissão congênita;
Acidentes de laboratório.
Amamentação.
Recentemente foram relatados casos de infecção em pessoas pela via oral, causando a
doença em sua forma aguda, que pode levar à morte em questão de dias. Os casos ocorreram
no Nordeste e em Santa Catarina pela ingestão de suco de açaí e caldo de cana,
respectivamente, que estariam contaminados com fezes de barbeiro.
Patogenia: as alterações orgânicas resultantes de musculaturas lesadas podem aparecer,
principalmente, problemas no funcionamento cardíaco e cardiomegalia. Apesar de haver estudos
com células-troncos para atenuar as complicações resultantes do mal de chagas, ainda não há cura
para a doença, muito menos vacinas. Os tratamentos são paliativos, melhorando as condições de
vida do paciente.
Distribuição Geográfica: desde o sul dos Estados Unidos ao sul da América do Sul. Não existe
doença de Chagas fora do continente americano.
Profilaxia:
Combate ao barbeiro (inseticidas) que vive em frestas de casas de pau–a–pique;
Substituição de casas de pau–a–pique ou de barro por casas de alvenaria;
Testes que detectam a doença em doadores de sangue;
Evitar desmatamentos.
2. Leishmaniose Tegumentar, Leishmaniose Cutânea-Mucosa ou Úlcera de Bauru
Agente causador: Leishmania brasiliensis.
Contágio: propagação do mosquito.
Hospedeiro Intermediário: Lutzomyia sp (mosquito-palha ou birigui).
Hospedeiro Definitivo: homem.
Fig. 4: Ciclo de vida da Leishmania brasiliensis.
Convém ressaltar que essa é uma doença primariamente silvestre e em zonas não florestais; o
inseto se contamina ao sugar o sangue de pessoas doentes, além de cães contaminados, visto que
estes pode ser um reservatório doméstico do parasita. Ao picar uma pessoa sadia, o mosquito
injeta sua secreção salivar com anticoagulante e, como ela, os protozoários. Pela corrente
sanguínea, as leishmanias atingem a pele e a mucosa, causando lesões que podem ser muito
graves.
Transmissão:
Picada de insetos fêmea do gênero Lutzomyia contaminado. O ciclo evolutivo é do tipo
heteroxeno.
Patogenia: variável. Pode apresentar caráter deformante devido a lesões ocorridas nas mucosas
da região nasobucofaringeana e na pele. No local da picada surge um nódulo que pode
permanecer estável ou aumentar de tamanho, formando uma úlcera pequena dentro de 1 a 2
meses; outras complicações: febre, necrose, alterações vasculares e circulatórias e invasão da
mucosa nasobucofaringeana (caráter deformante). O nariz aumenta de volume. Posteriormente,
pode haver comprometimento de todo o nariz e lábio superior, palato e faringe, provocando
mutilações graves, impedindo a alimentação e dificultando a respiração e a fonação. Normalmente
não leva o paciente à morte. Não há vacinas. Há tratamento.
Distribuição Geográfica: América Central e América do Sul.
Profilaxia:
combate ao inseto (inseticida) nas regiões em que a transmissão for domiciliar;
Usar repelentes, telar as janelas ou dormir com mosquiteiros finos;
Caso haja epidemia no ambiente urbano, sacrificar os cães que estão contaminados, já que
esses são o reservatório da doença, evitando a continuidade ao ciclo de contaminação do
mosquito.
3. Malária
Agente causador: Plasmodium falcipatum, P. vivax, P. malariae.
Contágio: propagação do mosquito.
Hospedeiro Intermediário: Homem
Hospedeiro Definitivo: fêmea do mosquito do gênero Anopheles (mosquito-prego).
Fig. 5: Ciclo de vida do plasmódio
O agente etiológico é um protozoário pertencente à classe Sporozoa. É causado pelo protozoário
do gênero Plasmodium. Os plasmódios penetram no corpo humano por meio da picada das fêmeas
do mosquito do gênero Anopheles. Quando o mosquito pica, injeta no homem sua saliva, a qual
contém um anticoagulante que acaba sendo o veículo para os protozoários atingirem a corrente
sanguínea. Esses protozoários que estavam alojados nas glândulas salivares do mosquito têm a
forma alongada e denominados esporozoítos. Por meio da corrente sanguínea, os esporozoítos
acabam chegando ao fígado, onde cumprem um ciclo que dura aproximadamente 21 dias,
produzindo formas arredondadas chamadas trofozoítos. Os trofozoítos saem do fígado e atingem
as hemácias. Dentro delas, cada trofozoíto passa pelo processo assexuado de reprodução do tipo
esporulação, originando novas formas arredondadas que recebem o nome de merozoítos. As
hemácias afetadas se rompem, liberando os merozoítos na corrente sanguínea. Cada merozoíto
pode atacar outra hemácia, onde se desenvolve e se reproduz, por esporulação, liberando novos
merozoítos. A duração desse ciclo merozoíto – hemácia – merozoíto varia de acordo com a espécie
de plasmódio e tem relação direta com a principal caracterísitca da malária, que são os picos de
febre alta, entre 39º C e 40 º C. Essa febre é uma reação do organismo a toxinas produzido pelos
merozoítos, que são liberados quando estes rompem as hemácias que estão parasitando. No
interior das hemácias, alguns merozoítos se transformam em formas reprodutivas denominadas
gametócitos, que serão ingeridos por um mosquito transmissor quando este suga sangue de uma
pessoa doente. No estômago do mosquito, os gametócitos se transformam em gametas masculinos
e femininos e realizam a fecundação, resultando em um zigoto que penetra na parede estomacal,
onde se instala e se desenvolve em um ovocisto. Dentro do ovocisto, ocorre esporulação,
produzindo esporozoítos, que migraram para as glândulas salivares do mosquito, reiniciando o
ciclo.
Patologia: Não há vacina. O tratamento pode ser feito com um medicamento à base de quinino,
árvore típica do cerrado brasileiro, que destrói os protozoários presentes nas células do sangue,
mas nada faz aos alojados no fígado, de tal modo que os parasitas podem voltar a atacar as
hemácias, fazendo retornar os sintomas da doença. O uso contínuo do quinino tem feito surgir, por
seleção genética, populações resistentes ao medicamento, tornando-o menos eficiente.
Profilaxia:
Combate à proliferação do mosquito transmissor;
Aterro de lagoas e poças que servem de criadouro para as larvas do mosquito, que são
aquáticas;
Aplicação de inseticidas;
Proteção de portas e janelas com telas;
Utilização de cortinados de filó sobre camas e redes de dormir.
4. Amebíase ou disenteria amebiana
O agente etiológico é um protozoário pertencente à classe Sarcodina. Também denominada de
disenteria amebiana, é causada por várias espécies diferentes e todos denominados geneticamente
por amebas. A espécie mais comum é a Entamoeba histolytica. Essas amebas, em sua forma ativa,
também denominadas de trofozoítos, vivem no intestino, causando lesões de difícil cicatrização e
fortes diarreias. O contágio ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados por cistos. O
cisto é dotado de uma espessa parede, que lhe permite resistir por muito tempo no ambiente, fora
do intestino do hospedeiro. Uma vez na cavidade intestinal, a parede do cisto rompe, liberando
quatro pequenas amebas. As amebas invadem a parede intestinal, onde se alimentam
principalmente de sangue e se reproduzem, gerando cistos e outras amebas que vão continuar
parasitando o intestino. Os cistos serão eliminados com as fezes e, uma vez na água, poderão
contaminar outras pessoas, reiniciando o ciclo. Eventualmente, os trofozoítos podem, por meio da
corrente sanguínea, atingir e lesionar outros órgãos, como pulmões, fígado e cérebro, trazendo
diferentes graus de consequência.
Profilaxia: para combater a amebíase, devem-se adotar medidas de saneamento básico, tais
como:
Coleta e tratamento do esgoto a ser lançado no mar, rio ou lagoa;
Construção de fossas e tratamento de água a ser distribuída à população;
É preciso ferver ou filtrar a água a ser bebida e lavar muito bem os alimentos consumidos crus,
além de um maior cuidado na higiene pessoal.
5. Toxoplasmose
Agente causador: Toxoplasma gondii
Contágio: gatos/mãe-feto, água e alimentos contaminados
Hospedeiro Intermediário: homem e outros animais
Hospedeiro Definitivo: gato.
Fig. 6: Ciclo de vida do Toxoplasma gondii
O agente etiológico é um protozoário que não apresenta organela de locomoção pertencente à
classe Sporozoa. O ciclo evolutivo é do tipo heteroxeno. Normalmente, a doença se desenvolve
de forma benigna, isto é, não manifesta sintomas nem deixa sequelas no organismo.
Trasmissão:
Ingestão de oocistos presentes em jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados por
moscas, baratas, gatos, cachorros, etc.
Contato direto pelas fezes, saliva e urina de cães e, principalmente, gatos contaminados;
Ingestão de cistos encontrados em carne crua ou mal cozida, água e alimentos contaminados;
Congênita ou transplacentária (a mais grave);
Transfusão de sangue;
Patogenia:
Toxoplasmose congênita: pode manifestar–se com aborto, nascimento prematuro, encefalite,
destruição da retina, retardamento mental, macrocefalia ou microcefalia e miocardite.
Toxoplasmose adquirida (pós natal): pode manifestar–se com comprometimento ganglionar e
febre alta, cegueira, lesões cutâneas, alterações neurológicas e ataque generalizado. As duas
últimas situações são fatais em poucos dias. Não há vacina.
Distribuição Geográfica: Mundial.
Profilaxia:
Evitar contato íntimo com animais suspeitos;
Incinerar todas as fezes de gatos
Cozinhar bem alimentos, principalmente carnes;
6. Tricomoníase
Agente Etiológico: Trichomonas vaginalis.
O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora
.
Transmissão:
Contato sexual
Aparelhos ginecológicos.
A tricomoníase é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST). O ciclo evolutivo
é do tipo monoxeno.
Patogenia:
Uretrite;
Corrimento purulento;
Dor durante a micção;
Vaginite;
Leucorreia (corrimento leitoso);
Prurido intenso.
Na mulher, as complicações são maiores, e o homem muitas vezes é portador assintomático, o
que facilita a transmissão.
Distribuição Geográfica: Mundial
Profilaxia:
Uso de preservativos;
Esterilização dos aparelhos ginecológicos;
7. Giardíase
Agente Etiológico: Giardia lamblia.
O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora
.
Transmissão:
Ingestão de alimentos contaminados por cistos (líquidos e sólidos);
O hábito das crianças de levar a mão suja à boca constantemente facilita a transmissão;
Giardia lamblia é o flagelado mais comumente encontrado no intestino humano. O ciclo
evolutivo é do tipo monoxeno.
Patogenia:
A maioria das infecções por Giardia lamblia são assintomáticas. No entanto, em algumas aparecem
sintomas, sendo que os mais comuns são:
Dor abdominal;
Irritabilidade;
Perda de sono;
Diarreia;
Perda de peso;
Sabe–se que o trofozoíto exerce uma ação irritativa no intestino, já que adere à parede,
podendo provocaruma enterite.
Distribuição Geográfica: Mundial
Profilaxia:
Higiene pessoal;
Tratamento da água;
Proteção dos alimentos;
Saneamento básico.